Última atualização: 01/08/2020
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Capítulo 1

— Você já causou tudo o que poderia causar, Loki, está trazendo tristeza a todos que se importam com você. Nosso pai... — Seu pai. - Disse Loki, ríspido, interrompendo seu irmão Thor. - Não há nada nem ninguém que possa me desviar de meus planos. Tudo isso é culpa de vocês. Não me deram a devida importância enquanto estava ao seu lado. Agora devem arcar com as consequências. — Deixe essa vingança estúpida para lá, não seja dramático. Esse é o fim desta sua jornada de maldade medíocre, não há nada que você possa fazer para tentar escapar da situação em que você se encontra. - Falou Thor, se aproximando do campo magnético que aprisionava o deus da mentira. O irmão mais velho acreditava que ali ainda havia algo a ser salvo. — Você tem certeza disso? Continue se iludindo e passando tempo com seus novos amigos... - Loki tomou a forma de Bruce Banner. - Acredito que será mais vantajoso do que esperar por minha reabilitação. – E, novamente, o deus voltou a sua forma original. — Depois da morte de nossa mãe, eu imaginei que... — Não ouse, por um momento, falar dela como se isso fosse me fazer ficar ao seu lado. Ela era a única pessoa que me amava do jeito que eu sou. - O mais novo falava aos gritos para o irmão. - Enquanto você e Odin estavam dispostos a esfregar na minha cara o quanto eu era inferior ao primogênito, o quanto eu era inferior por ser um mero filho adotado que sempre precisou da caridade do pai de todos, de como vocês se esforçaram para sempre me deixar na sombra, era ela quem estava lá. O pouco de amor que conheci foi por ela, somente por ela. — Irmão... - Thor parecia culpado ao tentar explicar seus motivos. — Não. Não me chame de irmão. Vá ser o digno, o poderoso deus do trovão. Vá alisar o seu martelo em silêncio e me deixe em paz.
[...]
O irmão mais novo estava pensando em uma maneira para escapar daquela armadilha. Thor estava atento. Por isso, decidiu ficar a primeira noite de guarda, pois seria o momento de mais força, somado à fúria de Loki. — Sabe... Se eu quisesse, sairia daqui em um estalar de dedos. - Falou o homem enquanto olhava suas unhas, fingindo estar muito interessado naquilo. - E a primeira coisa que eu faria seria acabar com tudo à sua volta. — Meu irmão, eu adoraria ver você tentar. - Disse o loiro, pondo seu martelo ao lado de sua cadeira. — Você superestima demais Bruce Banner e Tony Stark. Isso não é e nem será o suficiente para segurar um ser como eu. Talvez o bastante para segurar um brutamontes como o Hulk, mas eu sou um deus. — Continue com sua ótima autoestima enquanto resolvo uns probleminhas. Guardas, devo voltar em cinco minutos. Atenção redobrada enquanto não estou presente. - Falou o deus e um uníssono "sim, senhor" se fez ser escutado. — E eu poderia saber que probleminhas são esses? - O moreno falou, olhando firmemente para Thor. — Não lhe dizem respeito. - Essas foram as últimas palavras do homem antes de deixar o recinto. Foi neste momento que Loki pôs seu plano em ação. Aquele campo não bloqueava os poderes dele, mas também não permitia que ele se teletransportasse. Era um tanto complexo, mas ele não desistiria sem tentar. — Como foi durante a minha ausência? - Perguntou Thor ao asgardiano mais novo quando entrou na sala e viu o irmão na mesma posição desde que havia saído. O moreno olhou para o mais velho e deu um sorriso insolente. Foi quando todos os guardas passaram a atacar Thor, de todas as formas possíveis. O loiro deduziu que fosse a telecinese. Após um tempo de confronto, Loki já não estava mais dentro do campo, então o irmão mais velho sentiu dois braços o sufocando. Era ele. Não havia como Loki escapar de sua prisão. O moreno jogou seu irmão no chão e uma luta árdua tomou conta de todo o ambiente. — Você me acha estúpido. - Grunhiu Thor. — Um pouco. - Respondeu Loki no mesmo nível, então o Mjolnir foi lançado no campo magnético e acertou o verdadeiro Loki, que estava invisível, projetando tudo aquilo, fazendo com que um guarda estivesse com sua aparência. — Nem o pai de todos escaparia disso. - Disse Thor quando tudo voltou ao normal. - Você acha mesmo que eu teria problemas para resolver e deixaria você sozinho? A terra está tranquila, graças aos Vingadores. Asgard voltou a ser um paraíso. Só saí para ver seu fracasso. Tudo está muito mais fácil com o seu exílio. — Você sabe que sua vida perde todo o sentido comigo preso. Sem a minha existência, você não é nada. Absolutamente nada. Até aqueles desocupados dos Vingadores aconteceram graças a mim. - Gritou Loki.
[...]
E lá estava o deus da mentira, por exatas 36 horas, preso. Já havia tentado escapar de incontáveis formas diferentes, todas fracassadas. Thor havia presenciado algumas e debochado toda vez que observava o erro do irmão, o deixando cada vez mais frustrado. Foi quando já estava perdendo todas as esperanças que havia para escapar que uma luz violeta profunda invadiu a sala. Thor e todos os outros os soldados ficaram em posição para uma provável luta. — Acho que você vai precisar de mim. - Loki falou, recebendo um olhar reprovativo de Thor, supondo que fosse mais um de seus truques. Em poucos instantes, apareceu uma mulher na sala, no meio de todos eles. Ela usava uma roupa um tanto provocativa, ajustada ao corpo, num tom de roxo quase preto. Com um gesto de mão, todos ficaram imobilizados, inclusive Thor e Loki. — Quem é você? - Gritou o irmão mais velho, se esforçando para recuperar seu Mjolnir. A mulher nem deu importância ao que o homem falou, se aproximando do campo magnético em que Loki e o Tesseract se encontravam. - Nem tente se aproximar. Esse campo foi criado por dois grandes cientistas da Terra para prender poderosas criaturas. Depois que entrar, é impossível sair. Mas isso não seria uma má ideia. - Disse Thor da forma mais debochada que podia. Então a mulher adentrou a área, o campo magnético perdeu toda a sua força. Todos no local conseguiram sentir isso. Ela empunhou o Tesseract e então se aproximou de Loki, o encostando com sua mão e, com a outra, segurando o objeto azul. — Responda à pergunta do meu irmão e me fale quem é você. – Falou Loki para que só a mulher pudesse ouvir. — Continuem acreditando que o pai de vocês é a criatura mais poderosa de todas, para que não tenham que abrir os olhos e ver que esse cargo pertence a uma mulher. - Ela disse, encarando Thor para que ele também pudesse ouvir. No momento que o Mjolnir alcançou a mão do homem, a mesma luz que a trouxe a levou, junto com Loki e o Tesseract, e finalmente todos estavam livres da imobilização. — Perdemos Loki e o Tesseract, novamente. - Foi isso que Thor falou para si mesmo antes de voltar à Terra através da Bifrost, a fim de comunicar aos Vingadores e também para ver se sentia, de alguma forma, a presença ou até mesmo algum rastro do Tesseract naquele local, mesmo duvidando que algo tão poderoso como a mulher poderia ter vindo de lá.
[...]
Um golpe na região de sua têmpora foi o responsável para fazer Loki despertar e, consequentemente, recobrar sua memória sobre toda aquela reviravolta do que havia acontecido. — Não precisava ser tão forte. – Repreendeu a mulher que o havia raptado, olhando fixamente a outra que estava posta ao lado do deus. — Agradeço sua preocupação, mas você poderia me comunicar sobre minha atual localização? – Perguntou o asgardiano, sentindo correntes muito fortes o prendendo. Avistou a mulher à sua frente, muito concentrada, estudando o Tesseract. — O que você, Loki de Asgard, filho de Odin e deus da mentira, poderia me dizer sobre o Tesseract? Há certas coisas que eu já sei, ou acho que sei, mas não passam de teorias. Não sei se devo confiar em minhas fontes. – A mulher o perguntou sem tirar os olhos do objeto. — Você é uma criança, não deveria mexer com coisas de gente grande. — Minha idade te surpreenderia. – Foi a primeira vez que ela olhou para o deus. – Minha aparência, de início da vida adulta, não deveria te deixar confuso, mas vejo que deixa. — Eu posso te contar tudo o que sei do Tesseract. — Se me soltar, podemos trabalhar juntos no que você está planejando. – Ambos falaram em uníssono. Loki a olhou, espantado. — Então você lê mentes? - Falou o deus em um tom sarcástico. — Sim, mas não foi isso que fiz, e também não lhe diz respeito. Ao menos, não no momento. - Falou a mulher, olhando nos olhos de Loki, e o asgardiano via ali uma pessoa inteligente e destemida, mas não via maldade. — Posso saber o que você é e quais seus dons? - Falou o homem em um tom levemente sarcástico. — Vou te contar todas as coisas que deveria saber. Você vivenciará coisas que nunca sequer imaginou ao meu lado, mas eu não posso te obrigar. Digo, eu te raptei, mas você vai continuar aqui somente se você quiser. - A mulher olhou para as correntes e elas instantaneamente se soltaram. Loki se pôs de pé. — É uma proposta muito tentadora. - O moreno falou, se aproximando, ficando a centímetros de distância da garota. — Eu gosto de que você não tenha medo. - Ela respondeu e Loki foi jogado para o outro canto da sala. Ele não entendeu como, mas estava gostando daquele desafio. - Sem muita aproximação, por favor. — Ótima forma de pedir licença. - Disse o homem, se levantando. - Não querendo te atrapalhar, - Ela o olhou. - mas eu preciso de mais informações. — Sem problemas, vamos conversar. - A mulher tocou em uma espécie de comunicador em seu ouvido. - Preparem a mesa, terei um convidado. Então... Vamos? – Ela o olhou e deu um sorriso divertido. - É que esse negócio de sequestro me deu fome. — Deveria haver alguma punição para piadas ruins. – O deus falou, petulante, e ambos seguiram para a sala de jantar. A estrutura do palácio era divina e a cor roxa era dominante em todo o ambiente. A mesa estava servida. Eles se sentaram frente a frente. A mulher comia enquanto o deus observava toda a situação. Loki já estava ficando impaciente, não era de seu feitio saborear a refeição enquanto precisava de informações, e a fonte delas estava comendo como se nada tivesse ocorrendo, como se fosse uma simples confraternização por qualquer motivo banal. — Eu sei que você está prestes a tentar tirar informações de mim à força, mas saiba que é um verdadeiro desafio, e saiba que é um pouco masoquista você aceitar uma refeição de alguém que te sequestrou. – O deus a fitou surpreso. - Vou me apresentar. Antes que eu tenha que te matar, primeiramente, eu sou , a deusa e rainha de Dederunt Hyacinthum. — Já ouvi falar. – O deus a fitou. - Odin falava a respeito, não falava muito bem, na verdade, mas nunca me interessei em saber, pois ele não é uma pessoa muito boa em explicações. — Tivemos algumas alianças com Asgard, mas Odin nunca me respeitou ou respeitou meu reino, somente no momento em que precisava de nossa ajuda. Caso o contrário, todos somos descartáveis. Acredito que seja o fato de não aceitar ser menos poderoso que uma mulher, ou talvez ele somente não aceite ser menos poderoso do que qualquer coisa. – Loki a olhou, surpreso pela sinceridade. - Mas são águas passadas. O que me levou a você não foi nada relacionado a seu pai, ou até mesmo Asgard. - se levantou e gesticulou pra que ele a seguisse. — Você poderia esclarecer então? - Loki a respondeu, acompanhando seus passos até uma sala incrivelmente clara, com grandes janelas em que o raio solar entrava. Havia várias portas mas apenas uma estava aberta, aquela que, aparentemente, dava para o lado de fora do palácio. — Claro, vamos cruzar este portal. Assim que ambos cruzaram a grande porta, tudo estava escuro, era noite. O deus resolveu olhar para o palácio, que não estava mais ali. Ele foi substituído por um pequeno casebre feito de madeira, aparentemente abandonado. Ambos estavam em um campo incrivelmente verde. A noite era escura e o céu, bastante estrelado, assim como na Terra. - O que me levou a você, Loki, foi a necessidade de alguém que entende da escuridão, da maldade, para me servir de aliado. De todos os outros empecilhos que já tive que resolver, esse é o único que me faz temer pela minha vida e de todos os seres que habitam este universo. Não consegui imaginar ninguém melhor do que o deus da mentira para me auxiliar. — Inteligente. Me conte mais sobre o que você está pensando e, depois, me responda por que eu deveria confiar em você e o que eu ganho com isso tudo. - O asgardiano a retrucou e continuou sério, olhando a mulher. — Eu não estou pedindo para confiar em mim. O deus da mentira aqui é somente você, eu não uso a mentira a meu favor, apenas em casos que se mostrem realmente necessários, mas não tiraria proveito pessoal de ninguém com base nisso. - olhou para o horizonte, pensativa. - E sobre a segunda pergunta, você ganha o prazer de continuar vivendo pois, se tudo o que eu prevejo acontecer, seremos aniquilados. Tudo o que eu preciso de você é que me ajude a encontrar e destruir Nuryhan. — Isso é besteira! Como um ser capaz de fazer grande estrago não seria grandemente conhecido? Quem ele é e o que ele faz? — Há pouco, descobri os seus planos. Ele é orgulhoso e capaz de tudo por poder. Como se já não bastasse escravizar e castigar seus súditos, quer fazer isso com todo o universo, e precisamos impedir. – olhou para o deus, que parecia pensativo. - Estamos na Terra, mais precisamente na Romênia, próximo ao seu reino. Você sente algo? Sua maldade se intensifica quando se depara com um ser que a carregue como você? - A deusa perguntou séri enquanto estudava cada expressão do rosto de Loki. — É claro que não, não funciona desse jeito. E é impossível que um humano seja tão poderoso. Por que você não avisa aos Vingadores? Parece trabalho para eles. - O deus perguntou, já perdendo a paciência. — Os Vingadores são ótimos, mas trazem caos e mortes por onde passam. Quero tentar resolver isso sem que terceiros sofram. Em última instância, recorreremos a outros. Tem outras coisas que eu deveria também lhe contar, uma delas é que meus poderes me dão acesso a qualquer local do universo, para onde eu quiser ir, a qualquer momento. Basta eu mentalizar o local, e um portal se abre. Eu só preciso de uma porta, literalmente. A outra coisa é que um de meus dons é conseguir prever coisas em um curto período de tempo. Se eu quiser, posso saber quais serão suas próximas ações. Talvez eu consiga prever um futuro mais distante, mas acredito não estar evoluída o suficiente. Também consigo ler o que as pessoas estão pensando, mas não fico com isso ativado o tempo todo, somente quando é necessário. Mas isso você já sabe. - O moreno a olhou, levando sua mão até seu queixo em uma expressão pensativa. — Poderíamos dominar o universo juntos. - O moreno mencionou e o olhou com um pequeno sorriso. — Isso é uma ambição descartável, Loki, temos o equilíbrio. Cada planeta com seus governantes, uns melhores que os outros, mas isso depende de seus súditos. - A deusa olhou para o casebre atrás deles. - Vamos retornar. Precisamos descansar, pois amanhã daremos início aos trabalhos. - Ela seguiu em frente, abrindo a porta do local e, como ela havia falado, ambos acabaram dentro do palácio. se dirigiu ao castelo quando uma mulher veio ao seu encontro. A deusa solicitou um quarto para seu hóspede e deixou claro que ficaria em alerta durante a noite para monitorar as ações e possíveis armações do homem. — Você está livre para ir embora e me deixar lutar sozinha. Ou ficar, e quem sabe lutar ao meu lado e salvar a vida de todos, inclusive de seu irmão. Nuryhan quer aniquilação, principalmente de seres mais poderosos ou equivalentes a ele. Ou, como está passando na sua cabeça neste exato momento, você pode tentar se juntar a ele. Afinal, é o deus da mentira contra um ser terrestre. Mas eu aviso que ele está mais poderoso que nunca, e isso fará de você o primeiro, então, boa sorte. E ele não é completamente humano. Nos vemos amanhã, talvez. - Cada um seguiu um caminho distinto, já estavam de costas um para o outro. - Loki? - O deus se virou e a encarou. - O Tesseract fica. - Ela deu um sorriso debochado e ele revirou os olhos. Agora, sim, cada um foi para seu respectivo aposento. Ambos sabiam que não precisariam dormir. só imaginou que seria melhor se o deus pensasse sem nenhuma pressão. Após duas horas na biblioteca, lendo tudo o que encontrou sobre o Tesseract, Odin, seus filhos e Asgard, a deusa decidiu ir à sala de treinamento, aprimorar um pouco mais sua habilidade corpo a corpo. O palácio tinha cômodos que planejava da forma que queria mentalmente, e eles apenas se criavam. Não só podia fazer isso como alguns habitantes do planeta – o que havia autorizado –, sendo o castelo adaptável. A rainha atravessou a porta que dava acesso à sua nova sala de treinamento. Seus trajes já não eram mais os mesmos, se tornaram algo mais apropriado e confortável para a ocasião. E lá estava ela, dando tudo de si para estar cada vez mais aprimorada. Cada soco naquele saco de pancadas era o suficiente para o objeto se mover de um lado para o outro, sem trégua. Todos os seus instintos estavam ligados e, de longe, ela sentiu uma aproximação. Então foi arremessada a uma enorme distância, batendo com toda a força possível na parede mais próxima, e Loki tomou sua forma, com seu traje, incluindo seu cetro e sua coroa com chifres. Ele havia implantado a presença distante para confundir os sentidos da deusa, mas ele havia falhado. Não tinha sido certeiro o suficiente pois já estava de pé, seu traje de combate já moldava seu corpo e suas expressões já diziam quais eram suas intenções. Ela correu. Loki tentava a parar. Com todos os poderes que tinha, ela desviava de cada raio que seu cetro emanava. Os hematomas da pancada já não existiam mais, era como se nunca tivesse acontecido. A deusa se aproximou o suficiente e mirou um chute em direção à cabeça do homem, que defendeu. Nesse momento, se abaixou e conseguiu fazer com que o deus caísse no chão. Ele puxou com ele, tentando a imobilizar enquanto a asfixiava. — Você vai precisar de muito mais que isso para me derrotar. - Ela disse como pôde por conta da falta de ar. Em um impulso para frente, Loki foi arremessado a metros de distância, foi até ele, colocou o joelho em sua garganta e levantou uma de suas mãos em punho. Loki olhou para o punho da deusa e sua mão estava com raios violeta, como se estivesse cheia de poder e, com a outra mão, tirava o Tesseract das vestes do homem. Loki bateu três vezes no chão como sinal de rendimento. - Eu poderia te deixar ir... A deusa se levantou. Sua condição física era ou estava muito melhor que a de Loki, pois ela não mostrava nenhum sinal de luta ou de cansaço. - ... e levar isso com você, - Ela fez com que o Tesseract flutuasse a cinco centímetros acima de sua mão e se transformasse em cinzas. – mas isso te daria o direito de dizer que me venceu. E acredite, meu amor, isso nunca vai acontecer e ele deixaria de existir assim que botasse um pé para fora desse lugar. — É falso. - Falou Loki. — Você me achou bobinha e inocente esse tempo todo, e quem foi o idiota aqui esse tempo todo foi você. Você acha que eu não consigo derrotar Nuryhan sozinha? É claro que eu consigo. Caso precise de ajuda, recorrerei a seu irmão, talvez ao restante dos Vingadores ou até mesmo aos Guardiões da Galáxia. Eu já tirei tudo o que eu precisava de você. Você realmente acreditou quando eu disse que os Vingadores levam morte e caos por onde passam? Quem faz isso é você. As formas de como você derrotaria Nuryhan usando os seus poderes, o que você sabe sobre o Tesseract, eu tirei tudo isso de você lendo sua mente e, meu amor... - A deusa se aproximou o bastante para que seus bustos se encostassem. - Quanto mais você me ataca, mais eu evoluo. O Tesseract verdadeiro está mais longe do que você pode imaginar. - Ela se afastou. — Tudo pode ser resolvido. - O deus falou. - Eu já percebi que estou em desvantagem. — Falar o que eu quero ouvir te faria perdoado somente se eu fosse um ser mais estúpido, assim como você. Eu te dei um voto de confiança e você o descartou tentando me matar. Eu decido o que eu quero de você para que possamos resolver isso. - E uma jaula se formou ao redor do deus. Ele podia sentir que aquilo era mais forte do que a que o aprisionava em Asgard. — Só não demora muito, não vamos desperdiçar o tempo desta grande aliança. - O deus gritou enquanto via se distanciar e pensava na força que tinha o Tesseract falso que a mulher havia criado apenas para distraí-lo mas que, ainda assim, correspondia a seu cetro. Ele não podia medir a força que habitava a deusa.
[...]
Passaram-se duas semanas desde que Loki havia sido preso. não havia dado as caras, porém mandava comida duas vezes por dia. A cada dois dias, liberava o deus por duas horas para sair ao ar livre, tomar banho ou o que o deus quisesse fazer. Afinal, era uma boa rainha. Mesmo assim, o deus estava sempre monitorado por guerreiras, não tão poderosas quanto a mulher mas, ainda, fortes o bastante. — Como você se chama? – Loki se interessou em saber o nome da guerreira. Ela sempre o acompanhava em todas as vezes – ou, pelo menos, na grande maioria delas – que saía de sua prisão, que havia se tornado um quarto úmido e escuro, como uma masmorra. Ambos estavam do lado de fora do castelo, aproveitando o momento de liberdade do homem. — Você pode me chamar de General Lilium. – Respondeu a mulher negra, com traços tão delicados quanto aos de sua deusa. — Não existem seres masculinos neste local? – O deus perguntou enquanto observava o exército. Havia algumas praticando lutas, outras protegendo o castelo, outras carregavam grandes armas e Loki sabia que aquele era um dos exércitos mais fortes que ele já havia conhecido. A maestria em cada golpe, a perícia para manusear as armas, os uniformes milimetricamente calculados para não atrapalhar um único movimento... — É claro que existem. Os homens são destinados a cuidar dos filhos, executar e proteger a colheita e o plantio, cuidar da casa e, como todo bom habitante de Dederunt Hyacinthum, proteger o reino e todos os seus segredos. As mulheres, por outro lado, são as responsáveis por efetivar a proteção, por evitar qualquer ameaça à nossa terra e às nossas famílias. – Lilium falou sem fitar o homem, olhando em direção ao local onde as casas da aldeia estavam. – Eu, como general, o mais alto escalão desse exército, fui designada para tomar conta de você. — Vocês nunca tiveram traidores? – O deus perguntou, de fato, muito interessado. — Tivemos alguns, sim, mas todos sem sucesso. é muito piedosa. Em toda a história, ninguém nunca foi sentenciado à morte neste local. Toda vida ceifada por nossas mãos foi em caso extremo, como tentativas de escravizar o povo ou morte à nossa deusa. Nada está acima de Dederunt Hyacinthum para nós e, por esse motivo, só podemos agradecer por pertencer a esse lugar. — General Lilium, – O deus usou todo seu charme e deu a volta na mulher. – vocês nunca pensaram em viver em completa anarquia, serem livres? Vocês tem todo o capital de que precisam para sobreviver aqui, não precisam de ninguém controlando vocês. Podem ser independentes e... Uma lança já estava mirada com precisão ao pescoço do homem. Três outras guerreiras apareceram para segurar o homem quando viram o repentino movimento de sua general. — Você não deve pensar em tentar corromper uma de nós. Qualquer uma. Somos gratos por tudo o que temos, inclusive somos gratos por . Abrigamos dezenas de refugiados de planetas destruídos, muitos por sua causa e outros, por causa de seres medíocres como você. Você tem sorte de eu não ter permissão de te matar. Já lidamos com coisas piores do que um mero deus fraco e sobrevivemos a todas elas. Aqui, nós temos uma história, uma casa, e todos fazem parte da mesma família. Você não seria capaz de tentar arrancar isso de nós. Mova um músculo sequer e a ponta dessa lança será a última coisa que verá. Levem ele. – Disse Lilium, sendo obedecida pelas outras mulheres que carregaram o deus até sua prisão, o levando à estaca zero novamente.
[...]
Um mês exatamente. Um mês desde que Loki havia sido pego em Asgard. As guerreiras não eram mais tão cordiais com o deus desde a última tentativa de induzir alguma traição a . Tudo estava pior. A comida estava ruim, o tempo para fazer qualquer coisa fora daquela prisão havia diminuído e tudo o que o deus falava só piorava a situação. — Lilium, uma palavrinha. – Outra guerreira bateu à porta e solicitou Lilium, que olhou para Loki no exato momento. — Sim, Arboribus. – A guerreira prontamente atendeu ao pedido, a seguindo para fora da prisão. — solicitou a presença do deus mal cheiroso que você está tomando conta. Mande ele se aprontar. estará pronta em 30 minutos. – Arboribus saiu e Lilium entrou na sala. — Nossa rainha espera sua presença. Te levarei para tomar um banho, se aprontar para que possa a encontrar. Você tem 27 minutos a partir de agora. – Lilium falou ríspida enquanto, com um gesto de mão por cima do cadeado, abria a cela de Loki. Assim que atravessaram a mesma porta por onde Lilium e Arboribus haviam passado antes, já havia deixado de ser um corredor e se tornado um grande banheiro, com uma arquitetura bastante delicada e tradicional, diferente do banheiro da prisão que Loki havia de usar cada vez que quisesse fazer qualquer higiene. – Estarei te esperando aqui fora. Não tente qualquer gracinha. É só o tempo de você pensar em fazer algo que a única pessoa que sofrerá com sua morte é o seu irmão, já que faremos questão de entregar seu corpo preservado a ele. — É uma honra ouvir essas palavras tão doces de uma mulher tão agradável como você. Avise Arboribus que não sou nenhum deus mal cheiroso. E lá estava o deus, vestido como em seus anos de ouro. Sua aparência sempre foi uma arma para Loki, mas ele também usava a paciência como uma aliada. Saberia o momento certo de contra-atacar. — Mandou me chamar, majestade? - Disse o homem, se curvando quando encontrou , que o esperava para uma refeição, novamente. — Obviamente. Ninguém teria a arbitrariedade de te livrar de seu castigo. - Disse a deusa, indicando uma cadeira. - Imagino que deva estar com fome. - O moreno concordou com um gesto de cabeça e se sentou, a fim de se juntar a na janta. O local estava repleto do exército de . - Lilium, vocês já podem se recolher. Conversamos amanhã cedo. — Sim, senhora. Com licença. - E todas as mulheres deixaram o local, restando e Loki. — Muito confiante de sua parte ficar a sós comigo. - Disse o deus durante a refeição. — Você não representa nenhuma ameaça a nós, Loki. Não no momento. Eu consigo sentir. - A deusa falou calmamente. - Confiante é você de sugerir anarquia a meu povo e, de qualquer forma, você não tem a mínima chance contra o meu poder. — Você é bastante convencida e, ao mesmo tempo, piedosa, . Poucos reinos tem uma rainha como você. Nunca encontrei súditos tão fiéis. Na verdade, seria uma honra pra mim acabar com tudo isso, mas eu sei quando devo parar. Pelo menos, o momento certo de esperar. - Loki falou, um tanto debochado. — Loki, por que você é tão mal? - perguntou, realmente interessada naquilo. Sua total atenção estava no deus. — É tudo uma questão de equilíbrio, minha rainha. - O moreno se levantou e seguiu para trás da cadeira de , assim projetando na frente da mulher uma luz verde, que representava ele, e uma luz roxa, que a representava. - Se não existir o mal, - A luz verde brilhou mais forte. - o bem deixa de ser tão importante e, - A luz roxa foi ficando cada vez mais escura. - sem pessoas como eu, - A luz verde voltou a brilhar. - a existência de pessoas como você se torna entediante. - A luz roxa foi se apagando até sumir. — Você tem uma certa razão. É sempre bom ter algo para derrotar. Faz a gente se sentir mais forte. - O deus revirou os olhos por trás de . Não era exatamente o que ele estava tentando dizer, e ela sabia disso. - Enfim, Loki... Sabemos que você precisa de uma forma para se redimir. — Afinal, você poderia me dizer qual a forma? - Loki perguntou impaciente. — Eu quero um combate com você. - respondeu, levantando da mesa e seguindo para um novo cômodo. - Quero dizer, vários combates. Quero te vencer inúmeras vezes, de infinitas formas diferentes. — Eu gosto da sua confiança. - O deus falou. - Esse é o meu castigo? Deixar que você me vença? Eu juro que esperava mais de você. — Eu não quero que você me deixe vencer. Eu quero lutar, Loki. De igual para igual. - A deusa falou, séria. - Quero que você use tudo o que tem, tente me matar, me torturar. Quero treinos dignos. Já lutei com Lilium, Arboribus, Aenean e vária outras mulheres do meu exército. Já decorei o estilo de luta de cada uma delas, nada mais me impressiona. Por isso, eu preciso de você, pois eu te observei enquanto estava preso. Quase o tempo todo, eu descobri cada detalhe, o seu novo cetro, já que o antigo teve a gema retirada para fazer o herói Visão na Terra, então você precisava de algo forte o suficiente para aguentar a força do Tesseract. Esse era o grande mistério para mim, então seu novo cetro correspondeu ao poder do meu falso Tesseract, já que acreditou ser o verdadeiro, até eu o destruir. Mas eu tinha certeza que você não iria deixar seu grande cajado para lá e, da mesma forma que você criou um amuleto suficientemente poderoso contemplado com muitos feitiços, o qual se encontra no seu cetro para suportar esse poder, você criou, na prisão, um forte o suficiente para emanar poder do cetro, o que está em um colar no seu pescoço. - O deus estava assustado com o tanto de informações que a mulher tinha. - O que eu gostaria de saber, Loki, que você não deixou que sua mente me contasse, é de qual coisa ou local que você está canalizando toda essa força? — Isso te deixa amedrontada, minha rainha? - O deus perguntou, se encostando em um pilar do campo de combate, o qual havia planejado. — Na verdade, não, nem um pouco. Seria um desafio para minha estabilidade e minha resistência. Eu sabia que você era poderoso, mas não sabia que era tanto. - A deusa respondeu, desconfiada, e Loki se encontrava sorrindo. — Você vai ter que descobrir a fonte desse poder sozinha, rainha. Nesse momento, os trajes do deus da mentira se transformaram. Ele estava pronto para acabar com a rainha. , assim que percebeu a atitude do homem, também teve seus trajes trocados para o combate, e eles estavam esperando pra ver de onde viria a primeira investida.

Capítulo 2

podia sentir que essa seria mais uma luta da qual ela não saberia o que esperar. Loki estava com fogo nos olhos, não suportava mais aquela situação e faria o possível para derrotá-la. — Me diga o que está pensando, Loki. - A deusa questionou em um tom de voz elevado enquanto se olhavam de longe, esperando pelo primeiro ataque. — Você pode ler minha mente, então por que pergunta? - Loki perguntou, se aproximando cada vez mais. — Ficaria muito fácil se eu pudesse ler a sua mente. Por isso, decidi jogar limpo com você. Hoje. – A mulher retrucou, se aproximando no ritmo deus. — Em primeiro lugar... - Disse o homem e sentiu um ataque em seu ombro esquerdo. Uma pequena lança havia perfurado a região. O deus estava se projetando à sua frente enquanto o real estava em suas costas. - ... Vou dizer tudo que estou pensando. Estou irritado e cansado do jeito como as coisas tem sido. Loki girou a lança no ombro da mulher antes de retirá-la. Ela se abaixou, esticando sua perna para trás, dando uma rasteira no deus. Com o homem no chão, ela subiu em cima dele e enfiou sua mão dentro de seu peito. O moreno sentiu quando os dedos da deusa atingiram seu coração. — Você poderia ser melhor, querido. - A voz foi aumentando na medida em que foi apertando a região, o homem mal conseguia respirar. - Todos temos o nosso inferno, e podemos melhorar sempre. - A mulher falou arrogante, sabia que aquele papo de redenção deixava o homem irritado. Foi quando o deus agarrou seu braço com força e o quebrou, jogando a mulher longe. — Em segundo lugar, majestade, - O moreno frisou a última parte da frase. - não me diga o que você acha que eu poderia ser. Eu estou sozinho nessa, eu sou o rei do meu reino. Você chega com sua cara de boa moça e espera que todos estejam sempre aos seus pés. Forçar uma paz que não existe é muito mais fácil do que conviver com seu próprio fracasso. - Loki chegou mais perto quando pegou ela pelo pescoço, a suspendendo do chão e apertando com muita força - Eu sou um deus, sua criatura ridícula. Você me deixou trancafiado por semanas e acha que, a hora que você quiser, eu vou colaborar? Se um dia eu quiser uma redenção, o que é impossível, a última razão disso seria uma fedelha que acha que sabe das coisas. — A próxima vez, meu caro rei, tente me sufocar com mais vontade. - Falou a mulher, segurando com as duas mãos no pulso de Loki, o girando, dando de ouvir nitidamente, seus ossos quebrando. Em um impulso com a perna esquerda, jogou o deus contra a parede e o segurou, acertando em cheio um golpe em seu rosto. O sangue quente do homem, por conta de um corte em seu lábio, escorreu pelos dedos da mulher. O rosto dela ficou a centímetros dele, o deus estava imóvel. - Já está mais do que na hora de você conquistar seu espaço. - A mulher falou baixo e o deus a empurrou, decidindo parar o confronto para que pudesse falar. - Você se acha superior a todos, mas você não é. Quando você fez toda aquela cena de corromper Lilium, eu, honestamente, pensei em te deixar ir, mas para quê? Pra você saber da minha existência e fazer de tudo pra conquistar o que é meu? O que eu criei? Colocar a vida do meu povo em risco de escravidão? Não, Loki, eu não temo você, e acredito que meu exército consegue se livrar muito fácil de um ser como você, mas pra quê correr o risco? Acho que a pior parte de tudo isso é que você não consegue criar nada. Ninguém tem apreço por você. Todos acreditam que você estaria melhor morto, mas a morte seria muito fácil pra você. Viver com o desgosto daqueles que você acha que te amam é muito pior, não é? Conquiste o que é seu, não tente roubar o que é dos outros e, mais uma vez, você está livre para ir. Se você decidir partir, que é o que eu espero que você faça, você sabe onde me encontrar pra solicitar a sua passagem só de ida. - A deusa falou e sentia que o deus continuava com a intenção de matá-la. — Eu fui destruído desde pequeno. - O deus vociferava para a mulher. - Levei meu sofrimento através das multidões de Asgard, e poucos ligavam. Estavam mais preocupados com Thor, o primogênito. Decidi que escreveria minha história, e que essa história seria para poucos. - Loki se afastou da mulher devagar. Enquanto continuava seu discurso, prestava atenção em tudo, pois aquilo poderia ser um jogo de distração, mesmo que não parecesse. – Em Asgard, as pessoas me encaravam. Não achavam que eu era bom o suficiente por ser filho de Odin. Me julgavam, nunca me levaram a sério, não tinham boas intenções em relação a mim. Claro, Thor sustentava cada um dos argumentos, sempre se mostrando o melhor em tudo. E tudo o que eu me tornei foi por conta de um coração partido, minha cara rainha. - O homem deu as costas para . - A única coisa que fiz foi captar a mensagem que está em minhas veias. Recitei para mim mesmo inúmeras vezes a lição que meu cérebro me dá, que é - O deus deu uma pausa em sua caminhada e voltou a olhar para deusa com um sorriso malicioso nos lábios. - ver a beleza através da dor. Assim que o deus terminou de falar, pressentiu uma presença em suas costas e, ao mesmo tempo, virou. O deus acabou arranhando superficialmente seu braço. Antes que o moreno pudesse fazer qualquer coisa, sentiu um objeto pontiagudo atravessar seu pulmão, objeto que o deus não sabia como havia surgido nas mãos da mulher. Um suspiro alto e longo pôde ser ouvido por todo o recinto. — Nunca pense que eu vou cair no seu jogo de ilusão duas vezes. - A deusa falou, enfiando a faca cada vez mais fundo - Você me faz acreditar na dor, Loki, você destrói e reconstrói minha opinião sobre você com esses belos e solidários discursos. Eu também cresci com o ódio. Fui criada para ser uma arma, dominar o universo e tudo o que é e não é conhecido. - Loki sentiu a faca girar lentamente. - Tudo que tenho e tudo o que sou vieram do mal, e isso me deu uma vantagem: transformar isso em bondade. Deixe pra lá os outros, seja você por o que acontecerá daqui pra frente. Toda a minha vida. - A faca foi mais fundo. - o meu amor, e a minha motivação, - Loki não entendia como aquilo continuava avançando em suas entranhas. - eles vieram da lástima. - retirou a faca e jogou o deus no chão. - Faça o que te dê redenção, seja se autoperdoar, perdoar seus familiares ou seu povo, pois redenção existe e todo o ódio que você ouviu transformou quem eu sou em paz. E, se comigo foi capaz, com você também será. Mas, se ainda assim, você achar que você não é capaz e não quer isso, vá fazer o que você faz em outro lugar, porque aqui eu não tenho espaço pra traidores e mentirosos. Você também pode ficar o tempo que for necessário, se quiser participar da batalha de com Nuryhan. Depois disso, eu espero que você suma e que eu não tenha mais que ouvir o seu nome. estava a caminho da saída. O deus já estava sentado, apoiando seus braços e sua cabeça em seu joelho. — Eu sempre me senti afogado em meio à multidão, em meio ao meu povo. Quando mais novo, eu esperava que aquilo, talvez, um dia fosse passar, que eu deixasse de ser desmerecido pelo meu pai. - O homem falou tão baixo que a deusa teve que se esforçar para entender. - Quando criança, eu costumava pensar que, em um dia, viria uma nuvem tão poderosa, carregada de tanta chuva, que afogaria todos esses sentimentos e mágoas. Às vezes, as nuvens chegavam, mas suas gotas caíam secas no chão, então meus sentimentos nunca se afogariam, eles continuariam ali, sobreviveriam. Até que um dia, , - Loki a olhou, ainda sentado no chão, a mulher continuando de costas. - minha mente se abriu e a chuva, de fato, caiu. - O homem ficou tenso. - Mas caiu como dor. Então, rainha, a resposta para sua questão é: não, eu não quero uma redenção. Eu sou assim e não quero mudar. Você, muito pelo contrário, acredita que tudo o que você tem é bondade, mas o seu desejo mais obscuro nesse momento é arrancar minha cabeça e a entregar de bandeja para meu irmão, eu consigo ver nos seus olhos. Será que esta famigerada redenção, de fato, existe? ficou espantada com a sinceridade nas palavras do deus da mentira. — Você acha que sabe das coisas, mas é só um garoto mimado que não vê um palmo à sua frente por conta do seu ego inflado. Vou pedir para Lilium arrumar aposentos mais confortáveis, novas vestes e uma boa refeição. Amanhã conversamos. - A deusa falou e deixou Loki abandonado por ali, pois precisaria de um certo tempo para digerir aquilo. A mulher seguiu seu caminho e foi até seu quarto. Entrando em seu banheiro, foi para o chuveiro e deixou que toda a água morna levasse aquela tensão da luta embora. Assim que ela sentiu seu corpo completamente relaxado, a mulher se banhou e, com tudo pronto e finalmente vestida, foi até sua cama e deitou. Não demorou muito para que a deusa dormisse. No meio da noite, a mulher acordou com a boca extremamente seca e lembrou que seus empregados sempre deixavam um jarro de água na escrivaninha aos pés de sua cama. A mulher se levantou, foi até o local e encheu um copo de água, o tomando no mesmo instante, mas não surtindo efeito nenhum, já que sua garganta continuava seca. Assim que virou para sua cama, a mulher viu algo que não estava habituada. A deusa via ela e Loki deitados na cama em que estava dormindo anteriormente. — Precisamos voltar. – Falou a da visão em meio aos braços do homem que, aparentemente, havia ficado acordada a noite toda. Diferentemente do deus, que parecia ter dormido por tempo o suficiente. — Eu sei. - O homem falou, prontamente se levantando depois de dar um delicado beijo nos cabelos da mulher e olhando para ela, que se levantava com certa dificuldade - Você não dormiu nada, não é? — Não preguei os olhos. - A mulher negou com a cabeça. - Eu pareço cansada? — Não, você tá ótima. - O homem falou e a mulher o olhou, desconfiada - o que você ficou fazendo enquanto eu dormia? — Planejando sua morte. - A mulher falou séria e o homem riu. - Eu estava tentando ver o futuro, mas eu acredito que eu esteja muito instável ou que o futuro seja muito incerto. — É, pode ser. Talvez devêssemos deixar as coisas acontecerem como devem ser. - O homem se virou de costas para a mulher. — Talvez eu concorde. - A mulher sorriu e, finalmente, se levantou da cama. Ambos se arrumaram, saindo direto pela porta do quarto da mulher. A deusa finalmente acordou de verdade e sua boca estava realmente seca. Ela se levantou novamente e tomou um copo de água, acabando com sua sede. A mulher estava apreensiva em voltar a olhar pra trás e ver a cena dos dois deitados na cama, mas virou e não viu nada. , sem se importar com suas vestes de dormir, seguiu diretamente furiosa para os aposentos do deus. Assim que a deusa cruzou a porta, encontrou o homem sentado em sua cama, lendo um livro qualquer. — Nossa, Vossa Majestade... - O moreno falou, insolente. - Eu acreditava que demoraria um pouco mais para chegarmos nessa fase. - O homem falou, avaliando as roupas bastante curtas da mulher que se encontrava no quarto do deus. — Eu só vim te dar um aviso. - A mulher se aproximou devagar do homem. - Da próxima vez em que você sonhar em entrar na minha cabeça novamente, eu acabo com tudo o que você é em um piscar de olhos. - O homem largou seu livro ao seu lado e caminhou diretamente para a deusa. — Eu realmente não sei do que você está falando, minha rainha, - O homem colocou uma mecha de cabelo da mulher para trás e a mulher, mais como em um reflexo, afastou a mão do homem com força e rapidez. - mas parece que você sonhou comigo, não foi? - A mulher fechou sua mão em punho e o homem se aproximou do ouvido da mulher. - E parece que o sonho foi tão bom que você não queria que tivesse acabado, não é? - O deus sussurrou e ela o empurrou. — Eu pareço estar brincando? - A deusa perguntou. - Se você fizer isso novamente, Loki, eu prometo... — Eu não fiz nada. - O homem falou e a mulher pôde ver que ele estava, finalmente, falando a verdade. - Talvez você tenha visto o futuro, no qual você está completamente, perdidamente e enlouquecidamente apaixonada por mim, e isso te corrói por dentro. - O deus falou convencido. — Nunca. - falou. - Não perderia meu tempo com alguém como você. Você é muito bom com mentiras, Loki, não é à toa que é o deus da trapaça. Mas, se isso acontecer novamente, eu te mato. — Eu já disse que não fui eu. - O homem falou, ficando bravo. - Eu nem sei o que aconteceu nesse seu sonho, mesmo que, aparentemente, minhas presunções estejam certas. — Independente do que foi, se foi você, um simples sonho ou, que seja, uma visão do futuro, eu prefiro você morto pra garantir que isso nunca vai acontecer. Então torça para que isso não ocorra novamente. A mulher saiu do quarto do homem batendo a porta e rumando para o seu. Sabia que não conseguiria mais dormir. Por isso, trocou de roupa, fez sua higiene e lembrou que tinha uns documentos que precisava ver. Horas se passaram e, só depois de um grande período de tempo presa nas responsabilidades, a rainha se deu conta de que já era dia e que ainda estava em seu quarto. — Com licença. – Falou Lilium, entrando nos aposentos de . – Como você está? Não me parece muito bem. — Estou ótima, na verdade, não há motivos para não estar. É só que, enquanto eu estiver aqui, não vou ter que encarar más notícias. A não ser que você tenha vindo aqui pra me comunicar algo ruim. Lilium riu. — Na verdade, não, está tudo na mais perfeita ordem. É só que ouvi dizer que seu encontro ontem com Loki foi um tanto intenso. Parece-me que saíram um tanto alterados. – A guerreira organizou alguns pertences em cima da estante, evitando olhar . – Então hoje você ficou nos seus aposentos até mais tarde do que de costume, e isso com todo o respeito, – Lilium finalmente a encarou. – não é do seu feitio. — Qual dos dois "encontros"? - A deusa perguntou, fazendo aspas com os dedos na última palavra. - Sabe, se você quer saber o que aconteceu ontem, é só perguntar. – Ambas riram. — Teve mais de um? - Lilium riu. - Eu estava me referindo ao primeiro, a luta e treinamento. — Não foi nada demais. Eu decidi não ler a mente dele e, durante a batalha, certas coisas foram ditas. Segredos e sentimentos foram comentados de ambos os lados e, durante toda aquela euforia e adrenalina, eu simplesmente falei o que eu tinha pra falar, mas eu também ouvi. Então eu percebi que nossas histórias são diferentes, mas que o ódio e a injustiça pairam em momentos que não escolhemos e, diferente de mim, ele não quer superar isso. Mas, de qualquer forma, eu o compreendo, mesmo usando todas as minhas forças para não entender como alguém pode ser tão mal, eu entendi. – A deusa falou. — E você espera uma possível redenção da parte dele? – A mulher perguntou à deusa. — Então... Eu acredito em redenção. Eu sou a prova de que isso pode efetivamente acontecer. – Lilium concordou com um gesto de cabeça. – Mas, felizmente ou infelizmente, dependendo do ponto de vista, não é o caso de Loki. Ele ama ser quem ele é. Ser o deus da mentira não é por acaso. Mas ele, diferente de muitos por aí, é capaz de amar. Ele só não é capaz de se deixar ser amado. Mas Lilium, mesmo na bondade, mesmo na simpatia, mesmo no carisma, ele trama e mente. Essa é a essência dele, não demonstrar sua fraqueza. Ele acha que não precisa de nada nem de ninguém mas, todas as vezes em que seu irmão correu perigo, tentou salvá-lo. Então a resposta é não, eu não espero uma redenção da parte dele. Eu espero a cooperação. Depois disso, ele pode ser o deus que ele quiser ser, longe de Dederunt Hyacinthum. Ele teve a opção de ir e decidiu ficar, então... A escolha de cooperar foi dele. — E você descobriu tudo isso ontem? - Lilium perguntou, rindo. — Não. Venho avaliando ele desde o dia em que o sequestrei em Asgard. ‘Sequestrei’ é muito pesado, prefiro o termo ‘peguei emprestado’. Mas muito antes, eu venho avaliando várias pessoas que poderiam me ajudar nisso e, de todos eles, Loki seria o mais fácil de lidar e, em caso dele cooperar, seria o que teria mais coisas a oferecer. — Você sabe que eu sou empata, não é? – Lilium perguntou e confirmou com a cabeça. A general tinha origens empata. Não havia desenvolvido o bastante, mas conseguia sentir o que outras pessoas sentiam. No entanto, isso exigia bastante esforço. – Você não acha que vocês estão... Esperando mais um do outro do que a cooperação? – A guerreira perguntou e a deusa ficou séria, fazendo com que a mulher se arrependesse das últimas palavras. — Você está delirando. – gargalhou alto e Lilium soltou um suspiro de alívio. – Precisa se esforçar mais um pouco. Se você acha que foi seu poder empata que te fez sentir um suposto sentimento entre eu e aquela criatura, você precisa treinar mais. Sabe quando foi a última vez que senti atração por alguém? Há muito tempo atrás. Tanto tempo que já nem me lembro mais. Para Loki, sem dúvidas, seria vantajoso me ver perdidamente apaixonada por ele, mas toda a minha racionalidade me diz... Do que adiantaria, se eu teria que viver pisando em ovos, com a chance de ser traída a cada instante? Eu preciso de estabilidade, e sozinha eu tenho isso. – Lilium concordou com a mulher. – Eu tenho Dederunt Hyacinthum, eu tenho meu povo, e eu tenho você. Basicamente, eu sou a pessoa mais completa do universo - sorriu para a mulher. — Não está mais aqui quem falou, - Lilium levantou a mão em sinal de rendimento. - mas eu posso saber qual foi o segundo encontro? — Sim, é claro. Eu basicamente tive um sonho péssimo. - falou, caminhando até um espelho e olhando o próprio reflexo. - Com o Loki. E foi tudo tão lúdico que eu poderia jurar que era ele quem estava dentro da minha cabeça. — Deixa eu adivinhar. Você foi até o quarto dele e, só depois de ameaçá-lo, viu que, pelo menos uma vez, o homem é inocente? — Eu não diria inocente, diria não culpado. — Que é exatamente a mesma coisa. - Lilium falou, rindo para a rainha. - Já acabou com a papelada? — Finalmente. - A mulher respondeu. – Peça, por gentileza, para chamar nosso hóspede. Tenho alguns planos com ele para esta tarde. Fale para me encontrar em uma hora na saída do castelo. — Sim, majestade. – Lilium saiu do quarto e deixou sozinha, absorta em seus pensamentos. Acreditava que teria percebido se tivesse criado sentimentos e expectativas sobre o deus.
[...]
Como havia combinado, foi até a saída do castelo no tempo estimado e Loki já a esperava. — Gostei da roupa. Nem parece aquela ultrapoderosa que derrubou todos os guerreiros de Asgard com a mente. – Falou o deus, fazendo a mulher rir. - E também não parece a mulher que foi ontem no meu quarto com uma roupa... Como eu deveria dizer? Provocante! - O deus e a mulher começaram a andar em direção à aldeia. — Você também não está nada mal. – A deusa falou e o homem, sutilmente, sorriu. – E sobre ontem... Bom, eu não vou me desculpar.. O aviso está dado mas, da próxima vez, eu vou perguntar antes de te acusar. — Está perdoada, rainha. - O homem falou, debochado, e a mulher endureceu sua expressão. — Eu estava pensando em te mostrar uma coisa importante hoje, o meu lugar favorito neste universo, mas já que você não está colaborando... Olha, está sendo um grande esforço ser simpática e você não está me auxiliando em relação a isso. — Se você estiver fazendo isso por pena pelo o que eu te falei ontem, saiba que não se faz necessário. Ontem foi um momento de fraqueza, não vai mais acontecer. – O homem falou e parou o caminho que estavam fazendo em direção à aldeia. - De qualquer forma, eu deixei você ganhar aquela luta. Então, tecnicamente, tudo foi como o esperado. — Isso significa que você está pedindo por uma revanche? — Eu não quero gastar todos os seus recursos, rainha. Eu, humildemente, deixo você ficar com essa falsa vitória. — É claro que deixa. - A mulher falou sarcástica, virando os olhos. - E eu só gostaria de te lembrar que não tenho pena de você, Loki. Pena não serve para nada. Eu só acho que, como vamos trabalhar juntos por um período de tempo considerável e já que você decidiu ficar, eu deveria ser honesta com você e te mostrar alguns lugares para passar o tempo. Mas, se você não quiser, podemos ficar dentro do castelo. – A mulher falou fazendo o caminho de volta e o deus revirou seus olhos. — Na verdade, eu achei que, depois de ontem, eu seria ignorado por alguns meses. - O deus falou, estático no lugar onde estava, e se virou de volta para ele. — Sabe... Não seria uma má ideia te trancar em uma jaula e te manter lá, mas não é como se aquilo já não estivesse premeditado. — Como assim? — Eu pedi pra você tentar me matar, e você fez. Não teria como eu te punir por uma coisa que fui eu quem pedi. Claro que, na minha cabeça, a intenção era só a luta, não aquela conversa toda mas já que aconteceu. Mas não temos como voltar atrás. Então, Loki, eu não odeio você por ontem. — Claro, a justa e doce rainha ... - O moreno falou, petulante. - Tudo bem, vamos fazer o que você tinha em mente. A mulher sorriu para o deus. Eles caminharam por 15 minutos até alcançarem a aldeia. Conforme ia passando pelas vielas, as pessoas a cumprimentavam como “rainha” e “majestade”. Cada vez que alguém a reverenciava, ela falava que aquilo não era necessário. — Se você não gosta de reverência, por que as pessoas continuam fazendo isso? - O homem perguntou. — Eu tenho uma equipe de resgate e, basicamente, todo mês chegam pessoas novas de planetas destruídos que encontram uma esperança aqui, com suas famílias. Eles são gratos e ainda não me conhecem direito, então os mais novos são os que reverenciam e, às vezes, me tratam como alguém superior. Mas com o tempo eles mudam. A aldeia cresceu muito desde que eu criei esse planeta, e a intenção é aumentar cada vez mais. — E as mulheres são obrigadas a servir a guarda do castelo? Lilium me falou que as mulheres efetivam a proteção e os homens são responsáveis pelo plantio e pela colheita. — Absolutamente, não. Lilium está certa, mas as mulheres não são obrigadas a nada aqui. Ninguém é. Se fosse, isso me faria um tirano, e eu não quero. As pessoas que habitam meu planeta geralmente vem de lugares completamente patriarcais e, aqui, eu tento manter um equilíbrio. E eu descobri que mulheres podem ser tão ou mais fortes que homens, e os homens podem criar um ambiente familiar perfeito. É claro que temos escolas, médicos e demais profissões, e cada um tem a possibilidade de escolher seu caminho mas, no geral, eles gostam das funções atribuídas. Então temos homens médicos, mulheres médicas, professores e professoras. Tirando o meu exército, não há função destinada a um único gênero. - Loki concordou com a cabeça. — Rainha, como está? – Perguntou uma mulher com sua pele em tonalidade azul e seus cabelos roxos, carregando um bebê com as mesmas características — Olá, Caligarum. Estou ótima, e vocês? Como vai a saúde de Abiete? – Perguntou , pegando a criança do colo da mulher, que brincava com os fios de cabelos que insistiam em cair no seu rosto. — Está curada, graças aos remédios que você arranjou para nós. Já estou pronta para voltar ao trabalho. E muito obrigada, novamente. Nem sei como agradecer. – A mulher falou emocionada. Loki observava a criança brincando com a mulher, que parecia muito vulnerável naquele momento. Ele conseguia sentir o amor que sentia pelo seu povo. — Volte quando estiver pronta. Se precisar de mais um tempo com sua família, fique à vontade. As coisas estão calmas. – A mulher, sorriu concordando. — Quem é você? – O deus ouviu uma voz vindo de baixo. Um menino de, no máximo, quatro anos, semelhante à mulher a sua frente, tão azul quanto ela, puxava seu terno preto com suas mãozinhas para chamar a atenção do deus. — Eu me chamo, Loki, sou um deus. – O homem falou sério e o menino ergueu seus braços pedindo colo, provavelmente para estudar a aparência do homem que nunca havia visto. Loki, com um pouco de relutância, o suspendeu do chão após olhar para e ver a mesma fazendo um sinal de positivo com a cabeça. – E você, como se chama? — Meu nome é Pratum. – O menino falou, mexendo nos cabelos do homem que não parecia muito confortável com a situação. – Você é Loki de Asgard? Filho de Odin e irmão de Thor? Meu pai sempre conta a história de vocês para eu dormir. – O menino olhou para as duas mulheres e sussurrou para Loki, alto o suficiente para que elas pudessem ouvir, mesmo que não fosse a intenção. – Eu sempre preferi você. Seu irmão é muito bobão. – Loki riu alto e deu um sorrisinho de lado. — Pratum! – Repreendeu a mãe do menino. — Não brigue com o menino, Caligarum, isso é liberdade de expressão. – A deusa falou e a expressão de Loki continuava satisfeita. — Me procure daqui a alguns anos. Quem sabe não poderemos trabalhar juntos. – Loki falou e o menino concordou, voltando para o chão. — Não acho que seja uma boa ideia. – A mulher falou e entregou o pequeno bebê aos braços da mãe. O deus sorriu mais uma vez antes de se despedirem e retornarem ao caminho que faziam anteriormente. — Eu não sabia que a mitologia nórdica era cultuada por aqui. – Loki falou enquanto andavam em direção a um amontoado de rochas. — Como você sabe, a miscigenação por aqui é imensa. Acolhemos milhares de seres com seus lares destruídos ou com vidas miseráveis. Temos poucos asgardianos por aqui, mas as histórias se espalham rápido. Somos um povo unido, conhecemos várias mitologias e temos fontes confiáveis também. Então não é difícil que uma história sobre Odin, o pai de todos, e seus filhos rebeldes se torne contos para as crianças. – A mulher falou e o homem concordou Depois de andar por em torno de cinco minutos, o casal chegou ao rochedo. Loki foi seguindo , que conhecia aquilo como a palma da própria mão. Não demorou muito para que ele avistasse a entrada. Era uma grande erosão na rocha, que dava acesso a uma escada pela lateral feita de pedra. Parecia ser moldada a mão. De longe, Loki avistou o que era. Uma gruta que, mesmo coberta por inúmeras e imensas rochas, era incrivelmente clara. A água cristalina, em um tom arroxeado por conta das pedras no fundo, brilhava tanto que atrapalhava um pouco a visão até que a vista se acostumasse com o ambiente. O cheiro do local era único, doce e ao mesmo tempo cítrico. Preenchia cada ponto do corpo de quem entrasse ali. Loki olhou para , que se encontrava de olhos fechados. Ela respirava fundo e apenas sentia o local. — O que achou? – perguntou, ainda sem abrir os olhos. — É incrível. – Loki falou, se abaixando e juntando algumas pedras do chão. A textura da pedra era extraordinariamente lisa e, ao jogá-la na água, as ondas criadas foram admiravelmente simétricas. Loki olhou a mulher, que se despiu completamente e caminhou em direção à água, não se importando com suas vestimentas ou com a falta delas.Foi até o ponto em que a água atingia sua cintura e submergiu. Loki conseguia ver a silhueta da mulher, que ficou em apneia por tempo indeterminado. Assim que a mulher emergiu, olhou para o deus com um sorriso largo. — Você deveria tentar. – A mulher falou e o deus nem percebeu que sorria enquanto a observava. — Eu sou obrigado? – O moreno perguntou, humorado. — Como eu falei, aqui ninguém é obrigado a nada. Eu só acho que isso irá fazer a caminhada valer à pena. — A caminhada já valeu a pena desde a saída do castelo. Ouvir uma criança falar que prefere eu a meu irmão não tem preço mas, de qualquer forma, eu vou até aí. Então Loki também se despiu e mergulhou. De primeiro momento, não conseguiu sentir algo diferente, mas isso não durou muito tempo. Sua alma foi tomada por sentimentos e, em sua cabeça, passavam memórias. Memórias afetuosas de todas as vezes que havia se sentido amado, os fragmentos de satisfação de seu povo sobre ele, sua mãe sempre o acolhendo em seus braços e seu irmão, Thor, o protegendo e brincando durante a infância. Aquele era um sentimento ao qual ele não estava habituado: satisfação. Queria poder ficar ali para sempre, mas não demorou muito para que sentisse duas mãos o puxando para cima. Ele avistou em sua frente, com uma expressão confusa e preocupada, então ele se afastou da água e se sentou no solo. — Obrigado. – Ele sussurrou para ela. A deusa sentou ao seu lado, estava se esforçando para não ler a mente do homem. – É uma pena que você deixou durar tão pouco. – Ele falou, observando a mulher. - Esse lugar é enfeitiçado? — Você ficou embaixo da água por em torno de 30 minutos. – O deus mostrou uma expressão surpresa. – Parece menos, mas isso é perigoso. Eu venho aqui cada vez que eu tenho dúvidas sobre o certo e o errado, e esse lugar me ajuda a limpar minha mente. Isso me lembra dos motivos pelos quais estou sempre lutando. O que você sentiu ali pode nem existir mais e, se você visitar essas águas com frequência, pode acabar se iludindo e os danos podem ser maiores. Eu queria um lugar perfeito, um lugar que despertasse o melhor das pessoas. Até o ser mais amargurado se sente completo aqui então, com muito esforço, com o poder mais puro que eu consegui emanar, eu criei esse lugar. Não é muito, mas o suficiente para mim. Ele intensifica tudo aquilo que você precisa. Se você precisa de perseverança, equilíbrio, amor, aceitação... Enfim, o que falta dentro de você, essas águas te dão. Um dia, quero ser capaz de trazer cada pessoa do universo aqui mas, infelizmente, poucas pessoas conhecem esse local. Acredito que nem todas estão prontas para isso. — E o que te fez pensar que eu estou? — Talvez não esteja. Talvez eu só quisesse ver o quão sexy você fica de cabelos molhados. – Loki riu alto e sorriu de lado. – Eu acho que você precisava disso. Não para se tornar uma pessoa boa ou até uma pessoa melhor, mas para você entender que coisas boas acontecem e que nossa vida não é somente influenciada por isso. Você sentiu algo lá, e talvez seja o que está lá que você precisa. — Aquilo ali já não existe mais. - O homem respondeu. — Às vezes, os dias ruins são a maioria e a gente se torna aquilo que nascemos para ser, e somos satisfeitos assim. Eu te trouxe aqui, já que não tinha um lugar melhor pra fazer isso, então oficialmente eu não vou esperar uma redenção de você. Eu pensei e repensei, e vi que não podemos levar nossas experiências pessoais como regra. Não irei esperar atitudes que não cabem ao deus da mentira. Também é um pedido de desculpa pelas vezes que eu tentei fazer isso. O que você é ou não, não diz respeito a mim. E, por mim, tudo bem. Se você escolheu cooperar, não há nada a mais que eu esperaria de você além disso, então obrigada. – O homem olhava fixamente a mulher que, por sua vez, continuava contemplando a paisagem aà sua frente. Loki, com sua mão direita, segurou o queixo da deusa e gentilmente virou seu rosto para ele, se aproximando devagar. A mão do homem se posicionou ao lado do rosto da deusa e ela, por sua vez, colocou a própria mão sobre a dele. Os olhares de ambos continuaram fixos um no outro, não tinham palavras para descrever se aquilo era certo ou errado e acreditavam que não deveriam classificar. Ambos sentiam o desejo e a luxúria daquele momento. Luxúria. A deusa não queria estragar aquilo tudo por simples luxúria. Ela tinha um plano para salvar seu povo e a Terra com a ajuda de Loki, e aquilo poderia ser a confiança ou a ruína de tudo. A gruta despertava sentimentos e ela não se deixaria levar. — Acho melhor a gente ir. – A mulher falou, se levantando rapidamente, alcançando sua roupa e a vestindo. – Você vem? – Ela voltou a olhar o homem, que ainda estava sentado e rindo incrédulo, sozinho. — Vou. – O deus se vestiu também, então a seguiu e ambos foram em um desconfortável silêncio até a entrada do castelo. — Esse é o perigo daquele lugar, - A mulher falou para o homem antes de cruzarem a porta. - a imensidão de sentimentos nos faz sentir coisas que nem existem. Você pode ir lá quando desejar, mas tome cuidado, por favor. — É muito mais fácil pra você acreditar que o que você sentiu lá dentro foi uma ilusão causada por um lugar do que o seu próprio corpo torcendo para que aquilo realmente acontecesse. — Isso não está em pauta. - A mulher falou. - Por acaso você prefere jantar conosco ou que eu mande lhe entregar nos seus aposentos? — Se não chatear vossa majestade, gostaria de jantar sozinho esta noite. – A mulher concordou com um aceno de cabeça, mesmo que o tom do deus fosse muito irônico. - Será mais fácil pra você não ter que conter o desejo e insegurança que tem dentro de você toda vez que me vê. - O homem sussurrou para a mulher a fim de que ninguém pudesse ouvir. — Cada vez que a gente dá um passo pra frente, você nos faz regredir dois. Parece que o único inseguro aqui é você. - Ela respondeu e, então, olhou para Lilium, que estava com um olhar bastante sugestivo. Fechou a cara para sua general e seguiu para seu quarto. A mulher precisava organizar seus pensamentos. Lidar com o homem não estava saindo tão fácil quanto parecia.


Capítulo 3

A batalha com Nuryhan estava cada vez mais perto, poderia estar mais se a rainha e seu exército não estivessem estagnados no mesmo lugar. Três sems já haviam se passado desde que a deusa levou Loki até a gruta, ambos estavam trabalhando arduamente para que nada inesperado acontecesse, de novo. Recados haviam sido enviados da terra, as coisas vinham tomando proporções imensas. E por mais que ela procurasse, a mulher não fazia ideia da exata localização de Nuryhan, mesmo sabendo que ele estava na Romênia ou próximo de lá, na Terra.
O exército do planeta estava mais preparado do que nunca. Em uma de suas visões periódicas e sem intenção, a deusa havia visto que voltariam com menos guerreiras do que haviam saído do planeta, mas não conseguia ver quais eram. A seleção das que seriam a linha de frente e que a acompanhariam já estava feita. Poucas vezes o homem e a mulher trabalharam efetivamente juntos. Na maior parte, compartilhavam seus trabalhos, mas por um curto período de tempo, apenas o que era realmente necessário.
— Rainha. – Lilium chegou correndo em direção à rainha, que estava na ala oeste do castelo no final da tarde, finalizando o treinando das aprendizes do exército. – Há uma nave... Se aproximando rapidamente de nossa atmosfera. – Lilium falou. – Temo que suas intenções não sejam boas.
— Temos quanto tempo? – A rainha respondeu ligeiramente.
— Menos de dez minutos.
— Reforce proteção ao redor da aldeia, mande metade do exército para lá. – A mulher falou andando rápido em direção a porta quando se virou para suas pupilas. – Isso não é uma simulação. Vão para a aldeia, se protejam e protejam as crianças.
— Mas majestade, o castelo... – Uma delas começou a falar.
— Vocês me ouviram, para a aldeia. Não temos tempo para discussões. – A mulher falou e as meninas correram em direção à aldeia.
— E nós, rainha? – Lilium perguntou.
— Nós vamos lutar. Mande três mulheres para proteger o Tesseract, não sabemos as intenções.
Ambas correram e saíram do castelo. Lilium apertou o botão responsável por fechar imediatamente todas as possíveis entradas e saídas do castelo, tanto portas quanto janelas.
— Preciso de três mulheres no laboratório protegendo o Tesseract. – A general vociferou através de seu dispositivo. – Quem está dentro do palácio não sairá mais. Por isso, são essas que devem ir até lá. Fiquem de olhos bem abertos. Se precisarem de reforços, me avisem.
Um expressivo "positivo" pôde ser ouvido. e Lilium correram alguns metros à frente e, logo, Loki chegou até elas. o olhou com cara de poucos amigos.
— Estou aqui para ajudar, , – Ele levantou as mãos em rendição. – é só pedir.
— Cubra aquele ponto lá. – Lilium apontou sobre o ombro do homem. – Eu e ficaremos aqui para impedir que a nave avance demais.
Loki concordou e se dirigiu para onde a general havia indicado e, antes que qualquer uma pudesse dar mais alguma ordem, a nave finalmente atingiu a atmosfera muito rápido, desferindo alguns tiros em direção ao castelo e à aldeia, como havia imaginado que aconteceria. Graças a uma película magnética de proteção, nada foi realmente destruído. Três naves do reino estavam nos ares tentando disparar contra a invasora, sem sucesso, já que esta era muito mais veloz e pequena, dificultando que fosse atingida. também tentava lançar suas rajadas de poderes contra a nave e, quando finalmente conseguiu atingí-la, fazendo um grande esforço para pará-la, a nave explodiu. A explosão foi acionada de dentro, quem estava a pilotando foi usado como homem-bomba para destruir Dederunt Hyacinthum. A explosão foi grande, fazendo a nave rival se transformar milhares de pedaços.
— Vejam se o piloto sobreviveu, precisamos saber quem os informou sobre a nossa localização. – falou correndo, vendo que um pedaço de papel caía levemente pelos ares.
Antes que tocasse o chão, o empunhou.
— É impossível que tenha sobrevivido, o corpo foi completamente carbonizado junto com a nave. Provavelmente não sobrou nem um dedo para contar história. – Loki falou, se aproximando da rainha e vendo o papel que estava em suas mãos.
— Lilium, – A mulher chamou a general, que prontamente se dirigiu a ela. – preciso ir até o laboratório. Eu estou oficialmente declarando estado de defesa. Todas as medidas para proteger nosso povo deverão ser acionadas. Qualquer movimento em falso deverá ser informado a mim no exato momento. Entendido?
— Sim, vossa majestade. – Lilium respondeu, indo naquele momento tomar as medidas necessárias.
Por sorte, não havia ninguém morto nem profundamente ferido. No máximo, algumas queimaduras de segundo grau e hematomas. A mulher foi em passos largos à entrada do castelo, acionando a abertura da porta principal. Loki seguiu seu percurso, indo até o laboratório também.
— Vocês podem ir ver o que Lilium precisa. – A mulher falou para as outras três que protegiam o Tesseract, que concordaram e saíram dali rapidamente.
— Esse ataque foi bem dramático, não foi? – Loki perguntou, andando ao redor do cubo azul brilhante.
— Você acha? – A deusa perguntou irônica, voltando sua atenção ao pedaço de papel que tinha em suas mãos. – Eu sinto que esse lugar não é mais seguro, Loki. Se alguém que quer a minha destruição sabe a exata localização do meu planeta, não vai demorar muito para que os outros descubram. – A mulher confessou ao homem e depois bufou, desgostosa.
— Isso vai acabar mais rápido do que imagina. – O homem falou, solidário a mulher.
Era noite e ambos estavam acordados em seus respectivos quartos. A deusa não conseguiria dormir por conta de todos os acontecimentos do dia. Por isso, decidiu apenas tomar um banho antes de voltar ao serviço. A carta dizia apenas “Mensagens enigmáticas não me levariam a lugar nenhum nesse momento. Por isso, tudo o que tenho a dizer é que, se você acha que está preparada para mim, o meu informante tem muito a me dizer o contrário. O ataque de hoje foi só uma prévia do que te esperará na terra, rainha. Nuryhan”. Isso indicava que ele, definitivamente, tinha um informante. Nuryhan não flertaria desse jeito. Em um primeiro momento, desconfiou de Loki, mas suas habilidades de leitura de mente estavam completamente ligadas e isso sequer passou pela cabeça do dele nos momentos em que teve a oportunidade de lê-lo. Ainda assim, ele era o deus da mentira. não encontrou ninguém que pudesse estar fazendo isso, mas estava tomando toda a precaução possível.
Já o homem estava completamente alheio à toda a situação. Estava cooperando mais do que gostaria, tudo isso porque queria terminar aquilo de uma vez por todas, queria estar livre daquele planeta e de todos os seus habitantes, mesmo que estivesse livre pra sair no momento em que quisesse. O deus não era o tipo de pessoa que cederia primeiro em uma briga. No entanto, ficar preso em Asgard talvez não fosse tão ruim.
Loki decidiu se levantar e encaminhar-se até o laboratório em que eles estavam trabalhando, no qual ficava o verdadeiro Tesseract, trancafiado literalmente a sete chaves com algum tipo de feitiço que não possibilitava a emção de seu poder. Acreditou que tinha deixado passar algo em relação à carta recebida. Chegando lá, todas as luzes estavam apagadas, exceto pela luminária na mesa em que a mulher geralmente estava, porém se encontrava vazia. O deus acendeu as luzes do local à procura da carta. Tinha a visto por último em cima de uma mesa no canto da sala, próximo à porta. Lá, tinha apenas o envelope. O homem o empunhou e continuou sua busca frenética pelo papel. Algo sobre aquilo estava o deixando inquieto e ele não sabia explicar o porquê.
— Imaginei que viria. Aceita? – A mulher perguntou com duas xícaras cheias de chá, oferecendo uma ao deus.
— Não, agradeço. Já estou me retirando. – O homem a comunicou e andou em direção à saída.
Quando estava atravessando a porta, virou seu corpo novamente em direção à deusa.
— A carta, eu sei. – A mulher falou antes que o deus abrisse a boca.
— Você tem que sair da minha mente. – Loki falou e sorriu de canto, entregando a xícara para o homem.
— Estado de defesa, meu bem. – A mulher falou irônica. – Todas as medidas para nos proteger estão acionadas.
Com uma das mãos livres, colocou a mão no bolso de seu robe e tirou de lá o pedaço de papel. O moreno o empunhou e se sentou em uma das cadeiras, olhando minuciosamente a folha. A deusa estava atrás dele, observando com tanta cautela quanto o homem. Os dois leram a mensagem incontáveis vezes, ambos estavam desconfortáveis com toda aquela situação. Não poderia ser apenas aquilo, então o deus perdeu a paciência, colocou a carta na mesa e bufou, bebendo o restante do líquido em sua xícara.
— Nada. – A mulher falou, se jogando em uma cadeira que havia ali. – Nós estamos na estaca zero. Não sabemos onde encontraremos esse homem, não sabemos qual será o próximo passo e, ainda assim, ele sabe onde o meu planeta fica. – A mulher bufou, esfregando seus olhos. – Eu estou cansada disso.
— Não me diga. – O deus falou insolente, olhando para o teto.
Lilium entrou rapidamente na sala, chamando a atenção dos dois, e pegou a carta na mão, apontando para o símbolo que tinha ali.
— Eu sabia que aquela marca significava alguma coisa. – A mulher falou agressivamente.
— Esse símbolo? – Loki pegou a carta da mão da mulher. – Esse é o símbolo de Nuryhan. – O homem falou sarcástico. – Ele costuma marcar com isso cada coisa que ele conquista. – Lilium fechou seus olhos, respirando lentamente para manter a calma com o homem. – Isso está gravado no castelo onde ele costuma viver na Terra, vocês sabiam disso? – Loki apontou para as duas.
O deboche em sua voz era completamente aparente.
— Você sabe onde Nuryhan fica? – A deusa levantou bruscamente.
— Eu não contei pra vocês que eu já fui até ele? Bom, vocês também não foram explícitas o suficiente. Se tivessem perguntado "Loki, onde Nuryhan está?", eu teria lembrado de mencionar. – O homem riu sutilmente. – Pois é, certa vez eu precisava de apoio para... Assim... Dominar alguns lugares, sabe... Trabalho de vilão, mas infelizmente eu não o encontrei em casa. Eu sei, é triste. Mas a resposta é sim para a sua pergunta, eu sei exatamente onde Nuryhan está.
— Loki, – A mulher falou, inalando o máximo de ar que cabia em seus pulmões. – você está me dizendo que eu estou a sems tentando achar a localização dele e você, o tempo todo, sabia onde ele estava e deixou isso escondido nas profundezas da sua agradável mente?
— Exatamente, vossa excelência. – A petulância nas palavras do homem faziam a mulher quase perder todo o seu controle.
— Rainha, – Lilium falou, quase prevendo o que iria acontecer ali. – eu preciso que você me acompanhe agora. Nos leve até a ala leste do castelo, por favor.
A saída da sala se transformou na entrada da ala, e ambos os deuses seguiram Lilium a passos largos até o sanitário no fim do corredor. Encontraram Feugera, uma de suas melhores guerreiras jogada ao chão. Seu rosto pálido indicava a falta de vida em seu corpo. A deusa foi até ela e fechou os olhos da mulher. já sabia o que tinha acontecido, Feugera tinha o mesmo símbolo da carta em seu pulso direito.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – Loki perguntou sério.
— Sim. – A rainha respondeu, mesmo que sua vontade fosse a de mandar Loki procurar as respostas nos seus segredos. – Lilium, nos encontre em quinze minutos no laboratório em que estávamos. Vou pedir para alguém vir retirar o corpo daqui. – A mulher falou, caminhando para fora do sanitário.
— Pode deixar que eu faço isso. – A guerreira falou.
— Não. Você já passou por coisas demais hoje. Eu sei que ela é sua irmã. Amanhã cedo teremos um papel muito difícil de comunicar à família dela e eu vou precisar de você. – A deusa falou e Lilium assentiu. – Em 15 minutos, encontro vocês.
Os três saíram do local. e Lilium foram para lados opostos e o esperado era que o homem seguisse a general. A deusa estava pronta para cruzar a porta quando sentiu uma mão em seu ombro.
— Você poderia me explicar o que está acontecendo de uma vez por todas? – O homem falou, mais impaciente do que nunca. Eu não quero esperar quinze minutos, e também não quero ser o último a saber. Estamos nisso juntos.
— Você não percebeu ainda? Ela era a informante. Ou uma delas. – A mulher falou tão brava quanto ele. – E onde estava o "estamos nisso juntos" quando você decidiu omitir todos aqueles fatos?
— Então temos mais de um informante? – O homem estava realmente surpreso mas, ainda assim, desconversou sobre a pergunta da mulher.
— Você vai saber daqui a quinze minutos.
criou um portal, cuidando para que o deus não atravessasse junto com ela. As coisas já estavam tomando proporções imensas, não precisava de um deus mimado a perturbando.
— Parece que seu povo e seu exército não são assim tão fiéis. – O homem falou quando estava prestes a cruzar a porta.
Antes que o deus pudesse reagir, já estava na parede, com a mulher incrivelmente colada em seu corpo e com as duas mãos na parede ao redor da cabeça dele, não permitindo que o deus se movesse.
— Você não tem moral em lugar nenhum neste universo para falar sobre fidelidade. Não me surpreenderia se fosse você que estivesse por trás destes ataques. Só não esquece de uma coisa... – O corpo de o pressionava mais e mais na medida em que ela falava. – A autoridade deste lugar ainda sou eu, e não acho que seja um momento bom para provocações. Da mesma forma que lhe permiti viver, posso reverter isso facilmente. Nos vemos em dez minutos no laboratório. – soltou Loki e seguiu o caminho que fazia.
Não demorou muito antes que achasse alguém para fazer o trabalho de retirar o corpo de Feugera do banheiro. Ela pediu sigilo e cautela, não sem antes avaliar a mente de cada um. Esse era outro motivo pelo qual Lilium não poderia participar. Seus funcionários já não eram mais confiáveis para aqueles que não obtinham seus dons, considerando que até ela havia sido traída. , enfim, rumou em direção ao laboratório. Assim que chegou, avistou Lilium, que estava sentada em um ponto oposto ao de Loki. A general se levantou em um sinal de respeito à sua rainha enquanto o homem não moveu um músculo de onde estava. Olhava com expressão superiora a elas.
— Lilium, nos conte tudo o que você viu e sentiu. – falou calma, olhando para a mulher à sua frente que não perdia sua postura de general, mesmo que todos sentissem que ela não estava em seus melhores dias.
— Eu estava no portão lateral, passando algumas ordens a Ocimum, quando Raffia me pediu para comparecer ao sanitário da ala leste pois minha irmã, Feugera, estava esperando por mim. Então eu fui com um pouco de pressa, pois aquele tipo de comportamento não era normal, considerando a crise que estamos passando. Eu cheguei lá, e pairava remorso e culpa por todo o local. – Lilium continuava firme, simplesmente como se passava o relatório de uma missão em que acabou com um soldado ferido. – Eu logo indaguei o que estava acontecendo e foi aí que ela me falou tudo. Tudo menos quem estava com ela na traição. Ela não chegou a ir à Terra, mas alguém foi. E esse alguém, quando voltou, sabia quem queria ter o poder que você tem. E usou os ciúmes e a inveja de minha irmã como fraqueza para encaminhá-la para o lado oposto de nossa luta. Foi Feugera que deu as informações que levaram a essa carta pois, até então, ela estava a par de tudo por ser de sua confiança, minha rainha. Feugera acreditava que seria beneficiada por Nuryhan, mas tudo isso mudou quando ele percebeu que a nave que explodiu poderia ter matado a família dela. – Loki estava atônito com a situação. – E depois de todas as confissões, ela me garantiu que, antes de tirar a própria vida, conseguiu eliminar todos os mapas que poderiam trazer Nuryhan até nós. Então ela se foi. Eu tentei impedir mas, quando eu a toquei, o sentimento de culpa, ódio e tristeza dela tomaram conta de cada parte do meu corpo, me deixando completamente estática. E eu não consegui impedir, vossa majestade... – e Loki olharam diretamente para mulher. – Eu não consegui. Aquela marca em seu pulso... Apareceu somente após a vida ter se esvaído completamente de seu corpo. Isso torna tudo mais difícil para que possamos descobrir quem está cooperando com Nuryhan.
— Não precisarei de você para comunicar a família, farei isso sozinha. – A mulher falou, colocando uma mão no ombro de Lilium.
— Eu peço perdão. Antes de qualquer coisa, eu sirvo a Dederunt Hyacinthum. Nada é mais importante para mim que isso. Eu gostaria, se vossa majestade me permitisse, de participar sim desse momento. Antes de ser como família, ser como general, já que Feugera era minha subordinada e minha responsabilidade. Gostaria de estar com você para comunicar à família dela sobre a morte da minha irmã e de minha soldada.
— Se é de sua vontade, nos resta acatar. – A deusa disse, concordando.
— Absolutamente. – Lilium saiu da sala, deixando e Loki sozinhos e exaustos por não terem descansado.
E o dia mal havia começado.
— Isso está ficando pesado até pra mim, e olha que... – Loki começou a falar sentado, olhando para a mulher.
— Agora não, Loki. – A mulher levantou uma mão em direção ao homem.
— Tudo bem, estou me retirando. – O deus rumou para fora do laboratório, observando a mulher com uma expressão pensativa e preocupada.

Lilium havia chamado a família para contar as más notícias. Decidiram que contariam primeiro ao homem, para que ficasse mais fácil contar às crianças. O marido entrou em choque por algum tempo. estava junto o tempo todo, mas Lilium decidiu tomar a frente com o homem, que pedia clemência à rainha, e implorou para não ser expulso com suas filhas. A mais velha tinha dezenove anos, Heidyn, uma de doze anos, Pancratium, e a mais nova de cinco, Albizia. A mulher deixou claro que, em hipótese alguma, teria cogitado aquilo e que daria a assistência que precisasse.
— Então conte para as minhas filhas, elas tem muita admiração e apreço por vossa majestade. – Foi o que o homem falou aos prantos antes de aceitar a cerimônia fúnebre que a mulher havia oferecido.
A tarefa não seria nada fácil.

Lilium não quis participar da conversa, não julgaria a mulher que se prontificou a arrumar todo o funeral da própria irmã. foi até o lado de fora do castelo e se sentou em um banco, pensando em como abordar aquilo com as crianças.
— Você tem algo pra fazer antes do funeral? – Perguntou Loki, olhando confuso para a expressão preocupada da mulher. – Não me parece bem.
— Minha expressão está tão transparente assim? – A mulher perguntou e o homem também se sentou.
— Você está horrível. – O homem contorceu o rosto.
A mulher deu uma risada desanimada e voltou a olhar para o homem, que já estava com uma expressão suave.
— Eu tenho que contar para as meninas sobre a morte da mãe delas, é um momento delicado. – O homem concordou.
— Posso lhe oferecer uma trégua e humildemente lhe acompanhar nisso. Se você quiser, é claro. – O homem se prontificou e a mulher o olhou, desconfiada.
— Não sei. – A mulher falou e o homem a olhou, pedinte – Você muda de humor muito rápido e isso me incomoda um pouco.
— Como assim? – O deus perguntou, curioso.
— Você, há pouco tempo, estava pensando em como me matar pela represalha que te dei no corredor, e agora está se esforçando para me ajudar.
— Eu sou o deus da mentira, vossa majestade. – O deus falou, irônico – Uma das minhas especialidade é fingir. – O homem falou sério e concordou com a cabeça. – E eu reconheço que deveria ter falado sobre Nuryhan e sua localização. – Se a palavra "desconfiança" tivesse uma forma, seria a expressão da mulher naquele momento. – Está sendo difícil admitir isso em voz alta. – Tudo bem?
— Eu nunca confiarei em você.
— Isso seria uma péssima ideia. – O deus falou e a mulher concordou.
— Lilium pensou que algo estaria acontecendo entre nós dois. – Disse sem olhar no rosto do deus.
— Ela é empata, não é? – O homem questionou e a mulher concordou levemente com a cabeça. – Isso seria doentio, um tanto masoquista. Me apaixonar pela pessoa que me sequestrou, me manteve preso por dias e enfiou uma lança em minhas estranhas seria, no mínimo, ridículo.
— Não foi como se você não merecesse. – falou. – De qualquer forma, eu possivelmente não me apaixonaria, principalmente por um ser que se acha superior aos outros e flerta com o tiranismo. E Loki, se você fosse bom solto, você não estaria preso quando te sequestrei. Você estava preso pelo seu próprio irmão, e não podemos esquecer que quem tentou me matar primeiro foi você.
— E quando essa conversa se tornou uma discussão de relacionamento? – Disse, insolente. – Não finja que, em diferentes circunstâncias, nós não teríamos alguma coisa.
— Então você pensou nisso? – A mulher perguntou.
— Não é todo dia que se encontra alguém como você, majestade. – Loki respondeu no mesmo tom de sempre.
— Isso não traria nada de bom a ninguém. – A mulher cortou o deus.
— É, provavelmente não. Mas não somos tão diferentes assim, vossa majestade.
— A diferença é que nossas intenções em relação a tudo são completamente opostas. – Ela o avaliou.
— Será que são mesmo? Ou será que, dentro de você, não tem uma voz clamando por mim? Por isso que se esforça tanto para me manter longe? – O homem se aproximou consideravelmente da mulher.
— Rainha, as filhas de Feugera estão aguardando no campo por você. – Raffia, uma soldada, avisou a mulher.
— Obrigada. – se levantou na frente do deus e seguiu seu caminho.
O homem e a mulher foram ao encontro das garotas, que estavam brincando em um belo campo, cheio de flores. A mais velha, Heidyn, estava sentada observando as meninas com um singelo sorriso no rosto, mas seus olhos demonstravam tristeza. A chegada do casal chamou a atenção das meninas, que seguiram em direção à sua rainha.
— Podemos ajudar, rainha? – Pancratium, a do meio, perguntou, totalmente inocente.
— Poderia trocar uma palavrinha a sós com você, majestade? – Heidyn perguntou, se levantando.
— Claro. – Ambas se afastaram e seguiram para um local um mais longe dos demais.
Loki estava com os braços cruzados, olhando desinteressado as crianças conversarem sobre um assunto qualquer.
— Meu pai me contou tudo. – A menina falou, secando algumas lágrimas que insistiam em cair – Ele falou que você conversaria com a meninas.
— Você não precisa se preocupar com isso, Heidyn. – A mulher falou, abraçando a menina delicadamente. – Nós daremos um jeito em tudo.
— Eu só queria entender... Ela estava bem, estava... Eu não sei, rainha.
— Meus pêsames. – A mulher soltou a garota, que respirou fundo e secou as lágrimas mais uma vez. – Você pode ir. Se quiser, eu posso cuidar delas. Vá ficar com seu pai.
— Obrigada. – Heidyn agradeceu, se afastando deles, e seguiu até as meninas.
— Eu vim conversar com vocês e trouxe um amigo junto. Podemos nos sentar? – A deusa falou se sentando ao chão, e os outros fizeram o mesmo.
— Por que Heidyn estava chorando? – Albizia perguntou enquanto brincava com uma flor que tinha em suas mãos. – Ela não quis nos contar.
— Biz, deixe a rainha falar! – Pancratium repreendeu a mais nova.
— Não, vocês podem ficar à vontade para perguntar qualquer coisa. – A deusa falou, solícita. – Heidyn estava chorando pois algo muito importante foi tirado dela hoje. As coisas não estão fáceis por aqui, meninas. Eu não gosto de mentiras e, com certeza, vocês viram a nave que explodiu sobre a aldeia. Se não fosse pelo trabalho de todos, muitos de nós poderíamos estar gravemente feridos ou mortos. – A mulher falou e o homem a observava. – Eu estou trabalhando arduamente para que isso acabe, para que mais uma vez tenhamos paz nesse lugar. Pela primeira vez em muito tempo, temos alguém mal o suficiente para querer acabar com o que nós temos aqui. Nossa casa, nossos amigos, nossa comida. Às vezes, nós tomamos decisões que achamos certas mas, no final, vemos o quão imprudentes fomos. Já aconteceu com todos e isso é normal. E eu sinto muito em dizer que a mãe de vocês partiu, seguindo para um local seguro, onde sua alma se elevará e a tornará mais forte. – As meninas ouviram atentas, e a mais velha entendeu.
— E quando ela volta? – Albizia perguntou, muito confusa.
— Ela morreu, Biz. – Pancratium falou com os olhos marejados. – Não volta mais.
A rainha se levantou e sentou entre as duas, que a abraçaram enquanto a mulher acariciava os cabelos das meninas.
— E o que acontece agora, rainha? – A mais velha perguntou em prantos.
Albizia estava mais calma, provavelmente por não entender a gravidade da situação.
— Existem várias teorias sobre isso. – A mulher falou, carinhosa. – Acredito que meu amigo gostaria de compartilhar o que ele acredita, não é, Loki? – o olhou, sugestiva.
— É... Claro. – O homem falou, pensando rapidamente. – Eu moro em um lugar incrível, mas muito distante daqui. – Loki falou, olhando para a criança. – E lá somos ensinados que, quando uma pessoa nos deixa em uma honrosa batalha, vai para Valhalla, a residência dos deuses, e milhões de Valquírias as recepcionam para que ela tenha uma passagem mais confortável.
— E onde fica esse lugar, senhor? – Perguntou Albizia, entretida nas palavras do deus.
— Boa pergunta. – O deus falou, sorrindo levemente – Eu moro em Asgard. Lá vive meu pai, o nome dele é Odin, o pai de todos. Não sei se se já ouviram falar. – Ambas as meninas concordaram. – Ele é o deus dos deuses, um ser incrivelmente forte, assim como vossa majestade. – Ele falou apontando para a , fazendo as duas meninas olharem para ela. – E... Bem, a mitologia nórdica é composta por nove mundos, mas vamos focar em Asgard, o meu lar, – Elas ouviam as palavras do deus com atenção. – e nos treze palácios que existem naquele reino. O mais importante é Valhalla. É um lugar enorme, com exatas quinhentas e quarenta portas e centenas de pessoas. Uma a mais agora que sua mãe chegou lá. É o local para onde os mais valorosos e honrados guerreiros vão quando morrem. O palácio é composto com bastante riqueza. Há salas com tetos de ouro e prata para que essas pessoas fiquem bastante confortáveis em sua pós vida. – Aquilo parecia bastante reconfortante para as meninas. – Então se sintam gratas, a pessoa tem que ser incrível para ir para lá viver a eternidade. É onde os deuses ficam, e os guerreiros honrosos não merecem menos que isso.
— E como você sabe que ela está lá? – Pancratium perguntou.
— E por que ela não estaria? – O homem falou calmo e as meninas concordaram levemente com a cabeça.
— E de lá ela consegue ver e ouvir vocês, então ela nunca estará longe. Carreguem a memória dela sempre com vocês, assim ela viverá conosco para sempre. – A deusa falou e as meninas concordaram.
— Quando você voltar para sua casa, verá ela? – Albizia perguntou ao deus.
— Quem pertence a esse plano não pode ver aqueles que já partiram, infelizmente. Asgard é um local bastante povoado, é impossível que alguém como ela teria interesse em ver alguém como eu. – Loki falou, olhou para a mulher, e as três riram.
— Não, senhor, – Albizia falou, caminhando até o deus. – você é bonzinho. – A menina disse e abraçou o homem, que retribuiu com um pouco de relutância o abraço, dando apenas alguns tapinhas nas costas da criança. – Ela ia adorar você.
Decidiram deixar as meninas em casa e comunicar a família o horário do funeral.
— Obrigada por não estragar tudo. – A mulher falou e o homem sorriu fraco. – Você é ótimo em fingir que se importa, eu quase acreditei em você .
O deus voltou a caminhar ao lado dela.
— Em qual parte? – O homem perguntou.
— Tudo. – Ela sorriu. – Você ajudou muito aquelas crianças hoje, Loki. Você me responderia se eu te perguntasse o porquê?
— Trégua, majestade. – Falou e a mulher concordou. – Mas fique tranquila, isso vai acabar logo, nós ainda nos odiamos.
— Eu nunca disse que não. – sorriu para o homem e ambos fizeram o caminho em direção ao castelo para o funeral.
As roupas de funeral eram roupas brancas e claras a não ser pelo exército, que usava seus trajes de batalha em homenagem à soldada perdida. Eles acreditavam que, quanto mais claras as peças de roupas fossem, mais fácil seria para o finado ter paz. Todos já estavam na área externa, onde costumava acontecer esse tipo de cerimônia.
Entraram primeiramente dez mulheres, cinco em cada fila, cruzando suas lanças, que significava companheirismo e amizade eterna. As mulheres se posicionaram atrás da bancada onde seria colocado o corpo de Feugera, que entrou sendo carregada por oito mulheres, aprendizes do exército, inclusive sua filha mais velha Heidyn, a qual fez questão de participar daquilo. Feugera estava deitada sob uma espécie de tábua, que seria seu último leito. As moças posicionaram Feugera no altar e se dirigiram para as duas laterais. O restante do exército entrou, se posicionando nos bancos da frente do local junto com e a família da mulher. Loki estava na parte de trás, observando tudo de longe. A última a entrar foi Lilium. A general entrou em passos firmes, prestavam continência conforme ela passava, e ela guerreira carregava uma tocha acesa com um fogo extraordinariamente azul em sua mão. Lilium chegou ao altar e levantou a tocha para cima.
— Feugera não pode mais estar conosco, mas viverá eternamente junto a esse exército, junto com suas colegas. – Lilium gritou. – A vida não termina na morte, só iniciamos uma nova jornada.
As espadas foram cruzadas simultaneamente e a chama brilhou mais forte do que nunca. A general respirou fundo, olhando para o corpo de sua irmã ao seu lado.
– Isso quer dizer que lutaremos por ela, protegeremos ela e a manteremos acesas em nossa memória enquanto ainda nos houver tempo nesta vida. Feugera sempre será uma parte crucial de nosso exército. E se o erro dela puder clarear a mente das pessoas quanto ao fato de que trair nunca é a melhor saída, talvez tenha valido a pena. Parte de nosso exército não pôde estar aqui para saudar a vida e a morte de uma de nós por precisarem proteger vocês. Por isso, eu peço que vocês celebrem isso por eles.
Havia sido uma singela homenagem mas, ainda assim, tocante. Todos os que estavam presentes se emocionaram, principalmente pelo fato das notícias terem se espalhados mais rápido do que deveriam e todos já saberem de tudo. Ainda assim, o exército do qual ela participava não teria a abandonado. Ninguém teria renegado a pessoa que colocou a vida de todos em risco.
assentiu para Lilium com um gesto de cabeça, tomando seu lugar no altar.
— Feugera era bastante obcecada com a Terra, onde vivem os humanos. Talvez foi por isso que decidiu cooperar com alguém de lá, mas isso são motivos que nunca vamos entender. A peguei incontáveis vezes estudando o lugar, acreditava que os humanos não eram os melhores, mas que mereciam uma oportunidade. – Todos a olhavam com perícia, não sabiam onde ela iria chegar. – Certo dia, ela me falou que um ano na Terra corresponde a milhares de segundos. Era um número grande, quase impossível de memorizar e, ainda assim, ela memorizou. Bom, pra nós, isso não significa muita coisa, não faz parte daquilo que somos ou daquilo que acreditamos, mas isso é bastante tempo. A Terra é um local onde o tempo demora a passar, mais tempo para uma criança – apontou para as meninas. – ser somente criança, e ela achava isso maravilhoso. E é assim que os humanos medem um ano. Mas e vocês? Como vocês costumam medir um ano? No nascer do sol? Ou talvez quando ele se põe? No breu da noite? Em alegrias, em batalhas? – Loki se sentou e colocou seu corpo para frente na intenção de ficar atento no que a mulher falava. – Acredito que deveríamos medir com amor. Sabem, uma vida nos possibilita planejar muitas jornadas, mas como podemos medir a vida de alguém? Talvez nas coisas que ela aprendeu ou nos momentos em que ela desabou? Nas metas que ela atingiu ou na forma como ela morreu? Eu sinto que é hora de falar que a história que nós escrevemos nunca vai se apagar. Vamos celebrar e lembrar da vida de nossos amigos. Lembrar do amor. Medir a vida com amor.
As meninas estavam com o pai que tinha seus olhos marejados. Quando Lilium percebeu que o discurso de havia terminado, a mesma levantou a tocha que segurava e incendiou o corpo de Feugera, que ficou em chamas enquanto todos se colocaram de pé. Esperavam que Feugera pudesse, finalmente, encontrar a paz.


Capítulo 4

Assim que a cerimônia acabou e grande parte das pessoas já não estava mais lá, a mulher caminhou até a família da falecida.
— Eu estarei aqui para qualquer coisa que precisarem. — passou as mãos nos cabelos de Albizia, que dormia calmamente sobre o colo de seu pai.
— Talvez, se você não procurasse guerras que não são suas, minha mãe estaria viva! — Heydin, a mais velha das filhas, falou.
Lilium, que estava um pouco afastada, olhou rapidamente para ver o que estava acontecendo.
— Heydin! — O pai a repreendeu.
A garota se direcionou rapidamente para a saída. Lilium ameaçou seguir mas, quando a general passou pela rainha, a mesma segurou seu braço.
— Não, Lilium. — A deusa falou. — Ela precisa viver o luto dela e, se ela precisa culpar alguém, é melhor que seja eu.
— Ninguém tem culpa pela decisão da mãe dela! — Lilium falou para a mulher.
— Com licença. — sorriu amigável e caminhou para fora, seguindo para o castelo e se encaminhando até o laboratório.
A rainha daria continuidade aos trabalhos antes que não houvesse mais tempo.
— Você não está se culpando, não é? — Loki entrou na sala com uma maçã em mãos.
— Você sempre chega em momentos inconvenientes. — Ela falou, olhando para os papéis.
— Isso é verdade. Mas você não respondeu minha pergunta. — A deusa cruzou os braços e finalmente olhou para o deus. — Eu ouvi o que a garota falou pra você.
— Você estava lá? — perguntou ao homem.
— Estava, Majestade.
— Eu estou me esforçando para não me culpar por tudo o que vem acontecendo, mas talvez ela tenha um pouco de razão. — A mulher falou, suspirando e se levantando.
— É, nem sempre as coisas saem como nós planejamos. — O homem disse. — Eu sei bem como é isso.
— Nem me fala — falou, puxando seus cabelos para trás e os prendendo, se sentando em sua cadeira e voltando a prestar atenção nas folhas à sua frente.
— Qual a sua origem? — O homem perguntou abruptamente e a deusa o mirou com estranheza.
— Você não quer saber. — Ela sorriu. — E de qualquer forma, não é relevante.
— Bom, se não é relevante, então não há motivos para esconder! — O homem se sentou na mesa em que a mulher estava trabalhando.
— Espaço pessoal, Loki. — Ela o olhou, sorrindo e dando leves tapas em sua perna para afastá-lo. — E por que você se importa?
— Porque eu me sinto em desvantagem! — O homem exclamou. — Você sabe tudo sobre mim.
— Vamos combinar que você nunca fez muita questão de ser discreto em relação à sua vida. — falou e o homem gargalhou.
— Você tem uma certa razão... Suponho que nossa honrosa general saiba tudo sobre você.
— Bom, você pode tentar descobrir. — olhou para porta e a general estava cruzando a mesma. — Lilium, eu já retorno, vou buscar algo para que possamos comer um pouco. Você está bem?
— Sim... Eu só preciso trabalhar.
— Ótimo! — A deusa sorriu otimista à sua amiga. — Eu vou até a cozinha pedir que tragam algo aqui. Vocês dois podiam começar a fazer a lista do que levar para o nosso destino. Suponho que Loki já esteja pronto para falar a localização de Nuryhan.
— Ainda bem que lembrou, Majestade. Está aqui o mapa. — O deus falou, provocativo, e tirou um pedaço de papel de um dos bolsos de seu traje, colocando o objeto sobre a mesa.
— E como saberemos que você não está mentindo? — Lilium perguntou.
— Bom, não saberão. Isso deixa as coisas muito mais divertidas! — O homem riu da própria piada, mas parou assim que as duas continuaram sérias olhando para ele. — Tudo bem, momento ruim. Mas a única coisa que posso dizer é que você pode ler minha mente e ver que eu realmente já estive nesse lugar.
— Tudo bem. — suspirou. — Lilium, pesquise sobre o local e Loki, tente não a atrapalhar, eu volto em minutos. Faremos a lista mais tarde.
— Eu posso ser muito útil, se te interessa saber. — Foi a última coisa que a deusa ouviu antes de finalmente deixar os dois sozinhos e se dirigir à cozinha.
— Ela não precisa ir até a cozinha pra pedir pra trazer o que comer, não é? — O homem perguntou, observando os objetos que estavam na sala enquanto Lilium iniciava sua pesquisa.
— Não. — A mulher o olhou discretamente.
— Esse local ainda é uma incógnita para mim. — O homem comentou, sem parar de andar pelo local.
— Dá última vez que você veio com um esse tipo de conversa pra mim, você quase acabou morto. — Lilium respondeu e o deus se virou, sorrindo para a mesma.
— Espero não chegar nesse ponto novamente. — O homem falou, voltando a sua atenção ao laboratório.
— Desistiu da ideia de dominar este planeta? — Lilium perguntou, digitando algumas coisas no protótipo de computador a sua frente.
— Por enquanto. — O homem falou e a general sorriu. — deve ter tido uma vida conturbada, não é? Tão amável e misericordiosa...
— Ela sofreu. — A general falou. — Mas quem não sofreu, não é mesmo?
— É... Pode ser. Minha vida também foi um pouco complicada. — O homem comentou, parando atrás da mulher e olhando o que ela pesquisava.
— Eu não quero ouvir. — A general cortou o deus. — Quando você for embora daqui, faça uma peça teatral em Asgard contando sobre como você é o filho injustiçado. Prometo que estarei na primeira fila. — Lilium respondeu, irônica.
— Na verdade, isso é uma ótima ideia. — O homem falou e Lilium finalmente olhou com desdém para ele.
— Eu espero que você não esteja falando sério! — A general tentou se recompor.
— Na verdade, eu estou. — O homem respondeu e finalmente a rainha entrou na sala, encontrando ambos rindo. — Seria uma história trágica, com morte e aventuras.
— No mínimo, egocêntrico.
— Prometo não excluir essa parte da minha história. — O homem falou e Lilium revirou seus olhos, voltando a olhar para as folhas e fazendo isso por incontáveis longos minutos.
— Já se tornaram amigos? — sorriu para os dois, divertida, assim que cruzou a porta.
— Não somos amigos. — Lilium falou prontamente. — Eu ainda odeio ele.
— É claro que odeia, mas eu estou feliz de estar vivo. — Loki concluiu.
— Vão trazer nossa refeição logo. Lilium, você descobriu algo?
— Bom, acredito que foi uma pesquisa bastante significativa. — A general respondeu e uma pessoa entrou no local para deixar um carrinho com três pratos de comida, então eles se serviram e se sentaram estrategicamente para que pudessem conversar. — Nós já sabemos que ele está no Sudeste Europeu, na Romênia. As coordenadas marcadas por Loki dão em uma pequena cidade, com pouco menos de três mil habitantes, chamada Nucet. Faz sentido ser onde Nuryhan está, pois os jornais locais falam sobre alguns homens que simplesmente sumiram.
— Eu disse. — Loki comentou, orgulhoso.
— Então isso quer dizer que as coisas estão sendo noticiadas e as autoridades do planeta não estão fazendo absolutamente nada? Eu vou ter que visitar um lugar galáxias distante porque eu sou uma ameaça para os planos deles, e os responsáveis pela Terra não?
— Exatamente. — Loki respondeu. — Mas não se sinta especial, rainha. Se eu tivesse no lugar dele, também não seria uma má ideia eliminar você.
— Isso é insano. Você é horrível. — falou, incrédula. — Iremos para a Terra no pôr do sol de amanhã.
— Finalmente! — Lilium falou. — Bom, agora tenho um prazo. Só gostaria de repassar algumas coisas. Estaremos com 14 mulheres além de nós três na linha de frente e mais 30 como reforço, certo?
— Exatamente! — respondeu. — As 30 só irão lutar caso as coisas fujam de nosso controle. O castelo ficará de sobreaviso. Deixaremos o portal aberto em caso de precisarmos de mais pessoas.
— Entendido! — Lilium respondeu. — Se me dão licença, eu preciso finalizar o plano estratégico e pedir que separem as armas e os materiais necessários. Prefiro começar cedo a esquecer de qualquer coisa. Eu faço a lista dos equipamentos necessários. Se lembrarem de alguma coisa, estarei à disposição.
— Tudo bem, faça o que você precisa fazer. — Lilium caminhou rapidamente para fora do laboratório, deixando seu prato sobre o carrinho.
— Seu povo está com medo. — Loki comentou com a mulher.
— Eu, se fosse eles, também estaria. Eles não sabem exatamente o que está acontecendo. É normal sentir medo do desconhecido. — comentou, se levantando e colocando seu prato também sobre o carrinho.
— Você não está entendendo, ! — O homem falou. — Eles estão perdendo um pouco da confiança e da esperança, e não é necessário quando você sabe que vai tudo acabar bem, não é? — O homem esperava uma resposta positiva da deusa.
— Provavelmente sim. — A rainha respondeu, não sabendo onde o deus queria chegar.
— Você não perguntou, mas eu não preciso de autorização pra falar. Por isso, vou listar para você as razões para permanecer confiante. Primeiro, você, de uma forma muito tediosa, vive para proteger esse lugar e, se eles perderem as esperanças em você, não há mais motivos para você lutar, portanto a chance de você ser derrotada é maior. Segundo que, se você for derrotada, eu sou derrotado também, porque estamos basicamente do mesmo lado. E finalmente o terceiro! Eu já não sou bem-vindo na Terra. Se você não tiver mais como me trazer de volta, eu vou ficar à mercê de pessoas que esperam pra me punir por anos. Então, minha nobre rainha, está tudo em efeito dominó. Seus poderes não têm a mesma significância se você não estiver cem por cento bem. Então trate de se recompor, porque eu não estou aqui pra perder.
— E o que você sugere que eu faça? — Ela perguntou séria para o deus.
— Restaure as esperanças de seus súditos. — Loki respondeu como se fosse a coisa mais lógica de todas.
— Você fala como o seu pai. E eu acredito que as esperanças deles só serão renovadas quando o perigo acabar. Com licença. — saiu da sala, caminhando em direção à saída do castelo e olhando em direção à aldeia.
Não precisava de muito esforço para notar toda a tensão que havia no ar. A mesma ficou algum tempo somente observando assim que notou a presença de sua general próximo a ela.
— Eu nunca os vi agirem dessa forma. — Lilium comentou, se aproximando da rainha.
— É, nem eu. — A deus respondeu. — Todo o meu esforço de anos para fazer deste lugar ser seguro foi jogado no lixo por causa de um mero humano, híbrido ou qualquer coisa que aquilo seja.
— Ainda é seguro, eles só não sabem disso. — Lilium respondeu.
— Precisamos fazer algo, Lilium. — A deusa olhou para a sua general. — Temos uma soldada morta, estamos em véspera de guerra. Eu não sei o que fazer, estamos de mãos atadas.
— Eu posso pedir que eles organizem um grande banquete, música, vinho... — A general respondeu.
— Isso seria uma distração, você não acha? — A rainha perguntou.
— Talvez seja isso o que eles estejam precisando. — Lilium colocou a mão sobre o ombro da mesma.
— Tudo bem. — respondeu. — Será no almoço de amanhã, já que partiremos no pôr do sol.
— Se não vamos voltar todas vivas, é bom ter um último momento digno nesse lugar. — Lilium sorriu, compreensiva.
— Eu não suporto a ideia de colocar tanta gente em risco.
— Faz bem uma luta de vez em quando, só pra variar. Eu vou indo, já enviei a lista dos utensílios que vamos precisar para que possam separar. Vou deixar uma cópia pra você.
Lilium entregou a lista para . Assim que a rainha começou a ler o que estava escrito, uma visão preencheu toda a sua mente.
— Respiradores, Lilium. Separe alguns, precisaremos deles.
— O que você viu? — Lilium perguntou, um pouco assustada.
— Uma fumaça... Eu não sei direito, só acho melhor garantir. — falou, suspirando.
— E qual traje você sugere? — A general perguntou.
— Os mais espessos e cumpridos, precisamos nos garantir.
— Claro. Vou providenciar.
— Obrigada, vou começar a organizar esse almoço... – ainda parecia estar hesitante com a ideia.
Lilium caminhou em direção ao castelo até uma sala onde estavam as armas que precisariam, pedindo para uma das integrantes do quartel separar alguns respiradores para o dia seguinte. A general apoiou as duas mãos na mesa e passou seus olhos em cada objeto à sua frente. Em pouco tempo, o deus entrou na sala, com o dedo indicador sobre os lábios e andando de um lado para o outro como se estivesse preocupado com algo. A mulher tentou ignorar mas, a partir de um momento, aquilo se tornou mais irritante do que realmente era.
— Fala logo. — Lilium levantou seus olhos em direção ao homem.
— Falar o que?
— Eu não sei, Loki. – Lilium empunhou um punhal e lançou no homem, que olhou assustado em direção à general.
Antes que pudesse tomar qualquer atitude, a faca passou através do corpo do homem, revelando que ele não estava realmente ali.
— Você está ficando boa nisso. — O deus falou, orgulhoso.
— Previsível. Mas se você meio que veio até aqui pra me ver, acredito que seja algo importante.
— Minha nobre general, como é ser empata?
— Bom, isso depende muito. Tem dias que é bom e tem dias que nem tanto.
O homem continuou olhando a mulher, incentivando-a a falar.
— É o seguinte, Loki, há dias em que eu estou bem e sentir o que outras pessoas sentem pode me ajudar a ajudá-las. Saber como elas se sentem é o segredo para saber o que fazer. Mas há dias que eu não estou bem e eu gostaria de somente sentir o que eu sinto, mas eu não consigo evitar.
— Interessante. Deve ser horrível. Sentimentos já não servem para muita coisa, ainda ter que conviver com o dos outros... Sinto pena de você. — A general olhou para o homem, insatisfeita.
— Você quer que eu fale o que você está sentindo? — O homem pensou por alguns segundos.
— Por quê não? — Ele respondeu.
— Bom, eu diria que você já não nos odeia tanto assim.
— Eu não levo nada para o lado pessoal, general.
— Mesmo que você não admita, você gostaria de ser agradecido e reconhecido pelo esforço que está tendo.
— Isso não é segredo. Sem a minha pessoa, vocês não saberiam nem onde Nuryhan está. — O deus falou, convencido.
— Você sente falta da sua família, mas isso não te dá vontade de voltar porque sabe que seria preso novamente e, dessa vez, ninguém te salvaria.
— Isso foi o mais longe que conseguiu chegar? — O deus perguntou, insolente.
— Você se sente grato por ter sido escolhido para ajudar nisso porque foi a primeira vez que alguém, de certa forma, acreditou no seu potencial.
— A rainha é generosa. — Loki respondeu.
— E por último, você está perto o suficiente para eu te sentir, porque eu não posso ler projeções. — Lilium falou, se virando para a porta que o homem cruzou com as duas mãos levantadas.
— Eu estou impressionado, achei que estivesse flertando. — O homem falou, se jogando em uma cadeira que havia ali.
— Eu não flerto, Loki.
— Bom, agora eu sei. E você consegue mudar o sentimento das pessoas?
— Não é assim que funciona. Não temos nenhum controle sobre isso.
— Mas deveríamos. O que você me aconselharia, querida?
— Eu diria pra você organizar seus pensamentos e decidir o que você realmente quer. Se imaginar em situações e sobre como você lidaria com elas.
— Seria melhor se eu vivesse essas situações.
— Não se essas situações envolvessem pessoas que não deveriam ser provocadas. — Lilium bufou levemente e voltou sua atenção para as armas.
— Especialmente se essas situações envolvessem um pouco de perigo. Eu gosto disso. Mas, de qualquer forma, essa conversa foi bem esclarecedora. Eu até te agradeceria, mas você sabe... Eu não costumo fazer esse tipo de coisa.
— Ótimo. — Lilium olhou para Loki, mas o mesmo já não estava mais ali.

[...]


Antes que todos pudessem perceber, o dia já havia começado e avançava rapidamente. Era um dia bastante ensolarado e bem propício para o banquete que estava sendo planejado. Todos os moradores do planeta já haviam recebido o convite para participarem, fazendo com que eles chegassem logo ao local. Loki chegou cedo, esperando poder fazer o que estava planejando.
— Você não vem? – perguntou a Lilium, que caminhava na direção oposta ao local onde todos estavam.
— Está cedo ainda, vão demorar um pouco para servir toda a comida.
— Eu sei. Mas praticamente todos estão lá, acho que deveríamos estar lá também. — falou, segurando os braços da general.
— Tem tanta coisa pra fazer, e eu não quero deixar nada pra trás. Se você quiser muito que eu vá, é claro que eu irei agora. Mas considere que eu preciso planejar tudo, porque eu já nem sei o que vai acontecer depois que sairmos daqui.
— Lilium, é só um almoço. A ideia de deixar tudo de lado por conta disso me assusta tanto quanto assusta você, mas tudo bem. Vá quando se sentir à vontade.
— Tudo bem. – Lilium suspirou. – Eu prometo que eu vou em alguns minutos.
caminhou até o salão onde todos estavam e, apesar de tudo o que estava acontecendo, o clima estava bem tranquilo. Tocava uma música calma, as pessoas riam e as crianças brincavam juntas. O dia estava bonito e parecia que, de alguma forma, toda a harmonia havia retornado para lá.
— Você está linda, rainha! — Albizia elogiou a mulher assim que se aproximou, sendo seguida por Loki. – Não é?
— Encantadora! – Respondeu o homem.
— Você também está linda, como sempre. — sorriu empolgada para a criança.
— Rainha, uma palavrinha? – Loki perguntou e indicou o lado de fora do salão.
Albizia olhou para ambos e se retirou dali. A rainha olhou confusa para o deus.
— Eu não sei se é uma boa ideia. — A deusa respondeu, forçando um sorriso para não parecer grosseira. — Eu acabei de chegar.
— Vamos, Majestade. São apenas cinco minutos, eu prometo. Você não será pior depois disso.
Ela concordou e caminhou ao lado de Loki para fora do salão. Ambos andavam lentamente e o olhava, esperando que ele fosse dizer o que ele desejava.
— Como você se sente a repeito desta noite? — O deus perguntou.
— Bem confiante. Você não está fazendo algum truque, não é? — A rainha perguntou, desconfiada.
— Nós não somos inimigos neste momento, somos parceiros de batalha. Só estou seguindo um conselho de Lilium, se te importa saber. — O homem falou e a mulher sorriu discretamente.
— E sobre o que é esse conselho? – perguntou, interessada.
— Eu conversei com ela e parece que ela não entendeu exatamente o que eu estava querendo dizer, mas tudo bem, meus pensamentos são muito complexos para meros mortais.
— Eu te acho bem previsível, se te importa saber.
— Isso é porque você não é uma mera mortal. — O homem comentou, pretensioso.
— Já foram dois minutos do tempo que você pediu. — se sentou em um banco que havia ali.
— Você tem certeza de que você não estudou pra ser controladora dessa forma?
— Na verdade, isso é provavelmente genética familiar. Eu herdei isso do meu pai. — falou, desapontada. — Mas voltando ao assunto...
— Sim, voltando ao assunto. Assim que essa luta acabar, eu estarei livre com o Tesseract, não é?
— Foi o que eu falei. Sou uma mulher de palavra.
— E quem me garante que você não vai me devolver pro lugar de onde você me tirou?
— Porque meu acordo foi com você e não com seu pai, ou com seu irmão.
— E qual a chance de eu encontrar esse planeta de novo quando eu for?
— Nenhuma. — se levantou. — É só isso ou você quer fazer mais alguma pergunta?
— Você vai sentir minha falta quando eu for. — O deus comentou, irônico.
— Provavelmente. — falou e Loki a olhou surpreso. — O que foi? Você não esperava por isso?
— Na verdade, não.
— O que tem de errado em uma rainha gostar de um pouco de diversão?
— Nada, na verdade. É uma pena que você não pode aproveitar toda a diversão que eu poderia te oferecer. — Loki falou e riu baixo, desviando o olhar do homem.
— Olha, Loki... Eu poderia ficar aqui flertando com você até essa festa acabar, mas eu não estou cem por cento convencida de que vamos voltar todos bem essa noite. Eu preciso voltar.
— Eu realmente tinha algumas perguntas pra fazer. — Loki argumentou, frio.
— Que eu prometo tentar responder assim que eu puder. — A deusa contra-argumentou. — Infelizmente, você não pode ter tudo no momento em que desejar, Loki. Pelo menos, não aqui.
— Tudo bem, eu fui paciente até agora. Nada me custa esperar mais algum tempo. Você está livre para ir, Vossa Majestade. — Loki respondeu e acenou com a cabeça, voltando ao salão.
caminhou até a porta e olhou por todo o salão. Ver todas aquelas pessoas felizes e divertidas fazia o coração da mulher apertar. Ela se esforçava plenamente para não cair aos prantos na frente de todos, não porque aquilo não a deixava satisfeita, mas sim por amar tanto algo e não saber se poderia proteger todos.
O homem se sentou lá por onde ele e a deusa se despediram e continuou pensando em tudo o que aquele lugar havia mudado em sua vida. Por mais que não admitisse, a sensação de estar próximo à aventura, excitação e perigo de toda aquela situação fazia com que o deus, no fundo de seu subconsciente, necessitasse ficar ali por mais um tempo, sem compromisso com ninguém, apenas estar ali para ver o que aconteceria. Ambos só precisavam de uma boa notícia, ou talvez buscar por alguma.
— Ele se importa com você. — Disse Lilium, se aproximando de .
— Quem? — tentou parecer desentendida, mas a expressão da Lilium comunicava que aquilo não era realmente necessário. — O Loki? Ele não se importa comigo, pra falar a verdade.
, eu tenho certeza de que sim. Eu sei que é difícil pra você se abrir a situações como essa, mas confie em mim. Você merece ser feliz.
— Eu sou feliz, Lilium, e ele não é a razão da minha felicidade! Eu gosto dele, eu realmente gosto, mas não dessa forma.
— Quem você está tentando enganar? Você sabe que eu posso sentir tudo que você está sentindo agora, que sei que ele representa, pra você, um pouco de perigo e isso faz você se sentir forte e invencível. Eu sei disso, . Você deveria ser honesta consigo mesma. Eu sei que ele não é a melhor pessoa do universo, mas acredito que você consegue lidar com isso. Só tenha cuidado. Ele não é confiável, ao menos não ainda. Mas ele faria qualquer coisa para que você pudesse sentir algo por ele, mesmo que esse sentimento seja raiva.
— Independentemente de qualquer coisa, eu não poderia retribuí-lo. — A deusa olhou nos olhos de sua general. — Mas por que você parece obcecada com isso?
— Eu estou preocupada, não quero que você fique sozinha. Você sabe que eu me importo muito com você e, se algo de ruim acontecer, você vai precisar de alguém. , se eu não voltar…
— Lilium, pare! Você vai retornar!
— Você tem certeza disso? Você viu?
— Não, eu não vi, mas eu tenho esperança. Eu preciso de você. Por isso, você não pode morrer!
— Eu vou tentar. Mas eu tive uma ótima e longa vida, eu sou grata por você nunca ter me deixado, mesmo quando eu mereci mas, de qualquer forma, sobreviveremos a isso.
— É claro que vamos! Só queria esclarecer que eu nunca te abandonaria, eu prometo. Você é tipo minha alma gêmea. — Ambas riram mas, conscientemente, elas concordavam.
— Vejo você em algumas horas na reunião?
— Sim. — suspirou. — Eu prometo esclarecer as coisas com Loki assim que possível.
— Tudo bem, mas vamos fingir que essa conversa não aconteceu até voltarmos. — Lilium pediu, persuasiva, e a rainha prontamente concordou.
O almoço correu de forma amigável. A comida estava deliciosa e tudo ocorreu como sempre deveria ter sido. As pessoas decidiram ficar ali pelo resto do dia. Claro que a deusa e os demais convocados para a missão não puderam se dar o luxo, tendo que voltar o quanto antes para seus afazeres.
E para a última reunião, Lilium foi bem incisiva. Reforçou os pontos que deveriam ser reforçados e passou toda a confiança que podia para todos ali. Lilium era forte e completamente destemida, não tinha medo do que as pessoas pensaram dela e, de todas as pessoas daquele reino, Lilium era a que mais tinha amor e afeição a oferecer. Ela se importava com a segurança e o bem estar de todos, não tinha descanso até que soubesse que todos estariam bem, o que a fazia ser admirada e respeitada por todos. Colocar-se à frente daquela missão não era somente pelo simples fato do cargo que pertencia a ela, mas também porque não tinha ninguém que fizesse melhor. Lilium tinha um dom e ela soube se desenvolver melhor do que qualquer pessoa conseguiria por todas as coisas e situações que ela já havia passado. Não foi a deusa que tornou Lilium no que ela era, foi o contrário. Por isso, ambas tinham uma cumplicidade tão forte.
— Se alguém quiser desistir, essa é a hora. Lá, vocês não terão tempo de hesitar ou estarão mortas. Precisamos que estejam prontas para dar tudo de vocês, por um bem maior. — A general olhou diretamente nos olhos do homem mas, como o esperado, todos permaneceram em silêncio. — Tudo bem, vocês foram intensivamente treinadas. Temos os equipamentos da melhor tecnologia que está em nosso alcance. Daqui pra frente, estejam prontas para lutar. Em uma hora, estejam na entrada do castelo. Não se atrasem. Podem ir se preparar.
Todas as mulheres saíram, sobrando somente os três: , Lilium e Loki.
, todo o local foi mapeado, entraremos com uma distração... — Lilium suspirou. — Eu sei que você já sabe de tudo isso, mas eu estou passando de novo porque... Eu estou nervosa.
— Eu estou aqui para ouvir. Temos uma hora pra você repassar a missão quantas vezes você quiser.
— Uma hora só. Eu preciso conferir mais uma vez as armas, os equipamentos, checar a nave...
— E você queria falar comigo a sós, não é, rainha? — Loki se intrometeu na conversa e olhou para a Lilium com uma expressão que dizia “você contou a ele?”.
A mesma a olhou, confusa.
— Certo, então… — Lilium respondeu. ¬— Vou fazer minhas coisas, com licença.
— Então... — Loki pegou uma faca que havia ali e ficou passando sua mão pela lâmina, examinando os detalhes do objeto. — O que você queria me falar?
A mulher se aproximou do homem retirou a faca de sua mão e devolveu à mesa. se aproximou dele e colocou a mão em seu pescoço. Loki a encarou surpreso pois não esperava aquela atitude dela.
— O que você... — O homem começou a falar, mas a rainha fez menção para que ele parasse.
se aproximou mais do homem, sua mão passou por toda a extensão do pescoço dele até que parasse em seu colo. A mesma envolveu seus dedos no cordão que o homem tinha no pescoço e puxou o pingente pra fora.
— Você achou que eu havia me esquecido disso? — A mulher falou e o homem finalmente pode soltar todo o ar que havia em seus pulmões.
— Era isso? Eu achei que o clima tinha começado a esquentar entre nós dois. — Loki falou, insolente.
— Eu queria dizer que eu sei que, de uma forma muito esperta, você conseguiu canalizar poder do meu planeta nesse pingente para você ter alguma vantagem.
— É quase tão forte quanto o Tesseract. Fiz isso enquanto estava preso e isso me trouxe uma grande serventia. Vou ter que ficar preso por quanto tempo agora?
— Você não vai, pode continuar canalizando. Só que, se eu descobrir que você prejudicou alguém com isso, nós teremos que conversar.
— Então não deixarei que você descubra. Posso me retirar?
— É... Claro, nos vemos em alguns minutos no salão principal. — A deusa forçou um sorriso.
O homem levantou as sobrancelhas e se virou para se retirar. Tudo aquilo parecia estar passando em câmera lenta, a voz na cabeça de dizia que ela não passava de uma covarde.
— Loki? — falou e o homem virou para ela novamente, com a sobrancelha arqueada. — É... Boa sorte. Estou torcendo pra você não morrer.
Aquilo sequer fazia sentido. O homem confirmou com a cabeça, como se aquilo fosse um pouco óbvio, e se virou para sair novamente.
— Só mais uma coisinha! — A rainha falou e o homem se virou, bufando.
— O que?
— Eu provavelmente nunca vou me perdoar por isso... — A mulher falava aquilo mais para ela mesma do que para o homem que estava um pouco distante.
— Você vai me matar ou o quê?
— Eu acho que eu vou beijar você. — respondeu e o homem arregalou seus olhos levemente. — Se você quiser, é claro, porque isso não começou de uma forma muito amigável, então eu acho que... Eu não quero que você se sinta coagido. É que...
O homem se aproximou lentamente e colocou sua mão no ombro da mulher. Loki sorriu travesso para ela e finalmente acabou com a distância entre os dois. Os lábios se tocaram. A deusa deu um leve sorriso durante o beijo que foi bem mais curto do que o homem esperava, já que fez questão de cessar aquilo o mais rápido possível.
— Isso foi... Bem legal... — A deusa falou confiante ao homem.
— É, foi bem perspicaz da sua parte notar isso. Mas não esqueça que não é bem visto alguém como você se apaixonar por alguém como eu. — Loki falou, provocativo.
— Pode ficar tranquilo em relação a isso, mas eu acho que já é tarde demais pra você. — sussurrou próximo ao ouvido do deus. — Nos vemos em alguns minutos. Não se atrase.
A rainha saiu a passos largos do local, deixando o homem completamente sozinho, novamente.


Capítulo 5

Finalmente, todos estavam no ponto de encontro para enfim finalizar a missão planejada a semanas. O clima no ar estava tenso, ninguém falava uma palavra sequer. Alguns mexiam e remexiam em suas bolsas para terem certeza de que não estavam esquecendo de nada. Todas as mulheres já estavam no local com seus trajes cumpridos e espessos. O que diferenciava a rainha e a general das demais era que seu traje era alguns tons mais escuros que o traje das demais. Loki foi o último a aparecer, com seu típico terno preto, abotoando os últimos botões que faltavam.
– Você se veste como uma bruxa. – A deusa falou assim que o deus parou ao seu lado.
– Você já me chamou de coisas piores. – O homem respondeu e a mulher se deu por vencida.
– Por algum motivo que eu não sei dizer, eu adoraria ter uma fotografia do dia de hoje. – falou, tentando soar descontraída.
A mulher falou baixo, mais pra si mesma.
– Você quer registrar seus últimos momentos com um deus tão generoso como eu? Humilde de sua parte. Vamos fazer isso acontecer. – Loki incentivou a mulher e Lilium olhava o diálogo de soslaio.
– Escutem, pessoal. Não sabemos o que esperar nessa missão. Por isso, se as coisas forem piores do que treinamos, não quero que hesitem em matar. Nossas famílias e nossa casa correm risco, e temos que evitar. Se eu ou a rainha mandarmos recuar, nos obedeçam. Se tudo correr como planejado, voltaremos juntas e vitoriosas para casa daqui a pouco. Eu confio em vocês. – Lilium falou bravamente, interrompendo a conversa dos dois.
– Vamos. Eles estarão esperando por nós. – A deusa indicou o portal aberto para a Terra.
– Esperem. – Loki chamou a atenção de todos. – Você não gostaria de uma fotografia?
Lilium bufou sutilmente enquanto o homem mostrava a câmera de fotos instantâneas que conseguiu o mais rápido que pôde com um convencido sorriso. respirou fundo, surpresa.
– Sim, eu adoraria.
Estrategicamente, todos se arrumaram em frente à câmera enquanto alguém tirava a foto. A foto saiu da câmera instantaneamente e foi entregue à rainha, que a guardou em uma das dobras de seu traje. Finalmente, atravessaram o portal e todos estavam na Terra. Era noite e eles estavam dentro de uma grande floresta. passava as informações com as soldadas enquanto Loki e Lilium estavam afastados, avaliando o local.
– Eu vi que você não gostou muito da ideia da foto. – O homem comentou com a General.
– E deve ter sido exatamente por isso que você fez. – Lilium respondeu.
– Não, não se considere tão importante. – Loki falou distraído e Lilium concordou. – Mas por qual motivo isso te aborrece tanto?
– Porque, quando não voltarmos todos vivos, essa foto só vai nos lembrar de tudo o que perdemos. Não que isso signifique algo pra você.
– Realmente, não significa mas, qualquer coisa, é só destruir a foto.
– Boa sorte tentando. – Lilium respondeu e se aproximou deles.
– Estamos prontos? – A deusa perguntou aos dois, que afirmaram prontamente.
– Pode ir, Lilium. Pegue sua tropa e fique na retaguarda, eu e Loki seremos a distração.
Lilium concordou e se afastou com o restante do exército. respirou fundo e olhou para o homem.
– Esse é o Tesseract verdadeiro. – A mulher estendeu a mão para frente e, magicamente, o cubo apareceu. – Eu estou canalizando a força dele para ampliar meus poderes, e espero que você faça o mesmo. E eu odeio ter que dizer isso, mas quero que você lute para matar.
– Não precisa falar duas vezes, majestade.
À medida que Lilium e o exército se afastaram dos dois para se esconderem estrategicamente, e Loki caminhavam diretamente para onde os inimigos estavam, e a mulher podia sentir a adrenalina percorrendo todo o seu corpo. Assim que os dois chegaram perto o suficiente para que Nuryhan os avistasse, o mesmo se levantou de um grande trono no meio do nada, rodeado por diversos homens que constituíam seu exército.
– Estávamos esperando um ataque surpresa. – O homem falou, andando em direção à deusa.
– Bom, posso dizer que não somos previsíveis – A deusa falou, séria.
– Concordo. Não imaginaria que teria recrutado o filho bastardo e ruim de Odin no seu exército. O que te fez chegar nesta decisão tão... Insolente? Está dormindo com ele? Fazendo juras e declarações de amor com o deus da mentira? – O homem tentou provocar a mulher, que ficou firme no local onde estava, assim como Loki. – Mas saiba que, há pouco tempo atrás, seu cúmplice, amante, aliado, não sei do que diabos o chamar, resolveu que os humanos deveriam ser escravizados, talvez de uma forma mais cruel do que a que eu estou fazendo.
– Tudo bem, mas você já terminou o seu espetáculo? Eu estou novamente te oferecendo a chance para se entregar à justiça de seu planeta, ou não mediremos esforços para matar cada um de seus homens e principalmente você.
– Matar? – O homem riu mais alto. – Você, que não tem nada de especial, e um deus que foge quando as coisas pioram? Humildemente falando, você é bem corajosa de assumir este risco praticamente sozinha.
– Ela não assumirá nenhum risco sozinha. – Foi possível ouvir a voz de Lilium e todas as mulheres de seu exército saíram de dentro da floresta, cercando todos os inimigos.
– Você acha que isso é capaz de me assustar? – Nuryhan falou, se aproximando da deusa. – Diferente de você, quando eu matar todos os seus aliados, farei questão de te manter viva só para te torturar de tantas formas inimagináveis que você vai implorar pelo doce abraço da morte.
– Você realmente não sabe de onde elas vieram e nem do que são capazes, não é? – O deus falou, chamando a atenção do homem. – É bom saber que você se sente invencível, pois a sensação do sangue dos seus malditos súditos em minhas mãos e nas mãos dessas mulheres será ainda mais reconfortante. No entanto, não anseio por acabar com sua vida, de ter o prazer de ver o brilho desaparecer de seus olhos e ouvir a melodia de seu último suspiro, porque esse prazer deve ser dela e de mais ninguém.
Nuryhan deu três passos para trás e levantou ambas as mãos, autorizando que seus homens os atacassem. O deus usou este momento para transformar as suas vestes naquelas que o faziam se sentir poderoso. Lilium estava com uma lança comprida e afiada, que atravessava em perfeita harmonia cada inimigo que se aproximava como se, de alguma forma, houvesse um ímã, atraindo aqueles homens para a morte. A luta continuou assim. Nuryhan observava de longe seus homens sendo dizimados pouco a pouco, não movendo um músculo para ajudar. Loki estava com mais de dez homens ao seu redor. Com seu cetro em mão, lançou um raio de pouca distância que atingiu a maioria, matando ou ferindo gravemente cada um deles. O homem foi surpreendido com um forte soco no rosto. Em poucos segundos, se recompôs e olhou para aquele que causou aquilo com uma raiva implacável. O deus focou e andou lentamente até alcançar a sua vítima, o suspendendo do chão e torcendo seu pescoço para a direita de tal forma que o homem não saberia mais qual a sensação da vida percorrendo em seu corpo.
Era óbvio que a deusa era o alvo principal de toda aquela luta, mas seu exército fazia com que na luta permanecesse espalhada. tentava chegar a Nuryhan, mas parecia que os homens à sua frente surgiam do nada, impedindo que ela seguisse seu caminho até ele. Não que exterminar um por um fosse uma sensação horrível, mas eles eram apenas efeitos colaterais de um ser que não sabia ser no mínimo aceitável.
Era notável a proporção que aquilo havia tomado. O local parecia uma chacina e todos, com exceção de Nuryhan, estavam cobertos de sangue ou mortos. E apesar da visível vantagem que tinham em relação ao exército inimigo, pelo menos um terço do exército estava derrotado.
– Formidável. – O homem falou, olhando quase todo o seu exército no chão, e usou da distração para que os homens que sobraram se juntassem em torno de seu líder. – Eu quis cansar vocês para que a morte seja mais angustiante e dolorosa.
Todos os que haviam sobrado do exército de estavam reunidos próximos, assim como os inimigos, e foi apenas neste momento que perceberam as proporções daquela batalha. O coração de todas apertaram assim que viram a quantidade de aliadas no chão, todas mortas de forma cruel. Mesmo com todo o preparo que tinham, cenas como aquelas não se tornavam mais fáceis.
– Mas eu esperei esse tempo para mostrar o meu elemento surpresa. – Nuryhan falou.
– Você costumar descrever tudo o que... – perdeu a voz quando foi surpreendida por Arboribus, que participava do exército de Dederunt Hyacinthum, surgindo entre os inimigos. – Você é a segunda traidora, afinal... Parabéns, você conseguiu nos enganar.
– O que eu devo dizer? Você não desconfiaria de alguém que cumpre suas ordens cegamente, não é? Mas saiba que, mesmo que você volte viva, você vai desejar nunca ter entrado no caminho de Nuryhan.
, é uma distração, a deixe comigo. Vá matar o responsável por tudo isso. – Loki sussurrou para a mulher, que virou seu olhar para Nuryhan, com um sorriso divertido em seus lábios.
caminhou até ele com uma raiva imensurável em seu olhar e viu o sorriso do homem sumindo aos poucos. Loki caminhou até Arboribus, a olhando com uma expressão maníaca em seu rosto.
– Lilium, sugiro que você e seu exército se afastem e acabem com o resto deles. O que vai acontecer aqui não será uma coisa que gostariam que fizesse com uma antiga aliada.
– Estamos de saída. – Lilium respondeu ao deus e foram lutar com os homens que tentavam impedir de chegar a Nuryhan.
Lutar com Arboribus, para Loki, não era nem de perto como lutar com . A mulher era forte, mas não o suficiente para derrotá-lo ou ao menos de lutar de igual para a igual. O que dava vantagem ao deus eram seus poderes. Loki, em meio a várias tentativas de desestabilizar Arboribus, deu um soco em seu queixo, a fazendo cambalear para trás, se posicionando atrás de suas costas e passando seu cetro pelo seu pescoço, a sufocando.
– O que você fez? – Loki perguntou, apertando mais forte. – O que ele precisava de você?
– Você vai saber daqui alguns minutos, quando todas essas mulheres estiverem mortas e você tiver que voltar sozinho com para contar as notícias. – Ela falou, tentando afastar o cetro sem sucesso, pois a falta de ar a deixava mais vulnerável.
– Se você não me falar, eu te mato agora. Se você me falar, talvez ainda tenha misericórdia de você. – Loki falou, apertando mais forte.
A mulher já revirava seus olhos por conta da falta de ar em seus pulmões.
– Tudo bem. – Ela falou com dificuldade depois de tentar resistir, fazendo com que o deus aliviasse um pouco mas sem deixar de imobilizar a oponente.
– Como eu sabia que certamente não poderia atingir , me foquei em descobrir o que a machucaria mais do que morrer.
– Ela é a , nada a atinge. – Loki falou, confiante.
– Você tem certeza? – A mulher falou, movendo seu olhar para Lilium.
– O plano nunca foi matar , Lilium sempre foi o alvo. – O deus concluiu e foi arremessado para frente.
– Eu honestamente esperava que vocês notassem mais rápido.
– Eu falei que talvez tivesse misericórdia de você, mas eu não disse que eu teria. – O deus falou.
Ele surgiu atrás dela e forçou o cetro até que sentisse o pescoço da mulher quebrado. O corpo da mesma caiu imóvel no chão.
– Você não percebeu que eu não estava à sua frente? Honestamente, achei que você notaria mais rápido.
O homem estava abaixado ao lado do corpo da mulher, que agonizava.
– Talvez você encontre sua misericórdia na morte. – Então o deus ficou lá, apenas observando, enquanto Arboribus dava seus últimos suspiros.
Finalmente, a rainha conseguiu alcançar Nuryhan.
– Desista. Você sabe que não tem nenhuma chance. – A falou.
– Você voltará derrotada de qualquer forma. – O homem respondeu.
avançou com rapidez em direção ao inimigo. A deusa desferiu vários golpes em direção ao homem, que desviava deles como podia. Não que o homem não soubesse lutar – muito pelo contrário! – mas, por ser um humano comum, não havia nada nele que poderia, de fato, atingir gravemente a mulher. Quando Nuryhan se deu conta da desvantagem em que se encontrava, colocou as mãos sobre os joelhos e passou uma delas sobre a boca, tirando uma gota de sangue dali.
– Você não cansa? – O homem perguntou, ofegante.
A deusa caminhou até o homem e cravou suas unhas ao redor do pescoço de Nuryhan. O inimigo olhou ao redor e viu a situação de seu exército.
– Eu me rendo. – Nuryhan falou. – Não há mais nada que eu possa fazer. Você venceu.
A deusa o jogou ao chão e respirou fundo, tentando contabilizar quantas mortas de seu próprio exército estavam espalhadas pelo chão.
– Amarrem todos. – ordenou e assim foi feito. – Ou isso foi fácil demais ou você é muito esperto.
Todos estavam com os braços e pernas amarrados quando as mulheres puderam finalmente aliviar a pressão que continham em seus pulmões.
– Lilium, peça que levem as vítimas até o castelo, não deixaremos nada para trás. O portal continua aberto, e que já fiquem por lá e não digam uma palavra até eu chegar.
– Acho que Lilium deveria ir junto. – Loki sugeriu às mulheres.
– Eu não vou sair daqui até que venha comigo. Na verdade, eu acredito que quem deveria sair daqui é você, pois eu acredito que não saiba, mas quem virá buscá-los será a S.H.I.E.L.D. e, pelo o que sabemos, você é um dos maiores inimigos da Terra.
– Eu não vou sair daqui. – Loki respondeu.
– Então não tente me impedir de fazer o mesmo. – Lilium respondeu, firme. – Com licença, rainha, vou passar o recado às demais. Vou pedir para que algumas fiquem no portal, só para caso algo saia do controle, tudo bem?
A deusa concordou com a cabeça e ficaram por ali, esperando que alguém chegasse para retirar aqueles homens. Lilium voltou após algum tempo e os três avistaram de longe um helicóptero se aproximando vagarosamente.
– Acabou, Nuryhan. – A mulher falou, se aproximando do homem.
– Você tem certeza? Nada realmente acaba antes que eu diga que acabou. – A rainha arregalou seus olhos e olhou para sua general.
– Lilium, corra. Agora!
– O quê? Alguém pode me explicar o que está acontecendo? – Assim que terminou de falar, Lilium colocou as mãos na garganta e grunhiu como se estivesse sufocando.
Nuryhan riu alto e a deusa correu até Lilium. Loki caminhou até o homem.
– Como você fez isso? – O deus vociferou.
– Minha mão esquerda. – Nuryhan respondeu e Loki pegou uma espécie de controle com um único botão que havia na mão do homem. – Não foi difícil que, enquanto sua general lutava com três homens, um outro chegasse e colocasse um negocinho na parte de trás do pescoço dela.
O homem sorriu. passou a mão pelo pescoço da mulher e sentiu algo muito pequeno por ali. Lilium se esforçava para conseguir respirar.
– Desfaça isso agora! – A rainha vociferou enquanto tentava fazer coisas para ajudar a general.
– Não tem como reverter, ela estará morta em segundos. Nenhum antídoto. Eu posso ter sido derrotado, mas quem perdeu, rainha, foi você.
– Lilium, resista. – A deusa falou, desesperada. – Vamos levar você de volta e acharemos uma cura.
... – Loki tentou falar algo.
– Eu posso ouvir os órgãos dela parando de funcionar, um por um. – Nuryhan falou, satisfeito.
– Mate ele. – Loki e Nuryhan olharam surpresos para a mulher. – Loki, mate ele agora.
Loki caminhou até o inimigo e colocou uma mão em seu ombro.
– Sinto muito por não ter tempo de te dar uma morte lenta e dolorosa.
– Você não vai contar a ela que você sempre soube que a General era o alvo? Você acha que conseguirá esconder isso dela até quando? – Nuryhan gritou e olhou confusa para o deus que, em alguns minutos, já estava com o homem morto no chão.
A mulher voltou a sua atenção a Lilium, que já não respirava mais.
– O que você fez? – gritou para Loki.
– O que eu fiz? – Loki a olhou, incrédulo. – Eu sugeri que ela fosse com as demais, nenhuma de vocês duas concordaram.
– Você está dizendo que a culpa é minha?
– Eu estou dizendo que a culpa não é de ninguém, não tínhamos como evitar isso. – O deus respondeu.
Os dois ficaram em silêncio por poucos minutos.
– Vamos levá-la conosco. – A mulher falou.
– E correr o risco de intoxicar todo o seu povo? – O deus falou e o olhou, furiosa. – Não sabemos como isso foi feito ou se é contagioso.
– E se não for?
– E se for? Você não perderá só a Lilium.
– Eu não perdi só ela. – suspirou.
– Vocês precisam nos acompanhar. – Uma voz feminina interrompeu ambos.
– Romanoff, Rogers, é bom ver vocês novamente. – Quando os dois estranhos viram que se tratava de Loki, mudaram totalmente sua postura. – , acho melhor a gente ir embora.
– Quem são vocês? – perguntou.
– Eles são os Vingadores, responsáveis pela segurança desse planeta. Ou eram. Bom, pelo menos, foram mais eficazes comigo. – Loki respondeu e todos avistaram a chacina ao redor.
– Eu não vou embora sem a Lilium. – A deusa se abaixou mais uma vez sobre o corpo imóvel da mulher, a puxando contra seu corpo.
Steve Rogers se abaixou e tocou o braço da deusa, que tomou um susto.
– Você deveria ir com ele, os reforços vão chegar e talvez as coisas piorem. Há mais de nós a caminho, e nem todos serão compreensíveis. Estou fazendo isso pois sei como é perder algum aliado em batalha. – O homem falou e olhou para ele.
– Steve, a S.H.I.E.L.D. precisa de um esclarecimento vindo deles sobre esse matadouro que eles fizeram aqui. – Viúva falou, séria.
– Não teria um matadouro se vocês estivem a par do que acontece no planeta de vocês. Talvez eu poderia estar em casa agora, com minha general viva. Vocês chegaram tarde demais. – Loki se abaixou do lado de , assim como Capitão América se encontrava.
– Vamos, não tem mais nada que podemos fazer aqui, é muito arriscado levar Lilium conosco. – não havia derramado uma gota de lágrima, mas continuava apertando o corpo de Lilium contra si.
– Eu prometi que nunca a abandonaria, eu não posso simplesmente a deixar. Não deixei nenhuma para trás.
– Eu cuido dela, vocês podem ir tranquilos. Ela vai descansar em paz. – Steve colocou a mão nas costas da mulher.
finalmente foi substituída por Steve, que segurou o corpo morto da General. – Eu prometo.
– Devemos comunicar seu irmão sobre a sua visita? Ele está louco atrás de você. – Romanoff perguntou a Loki.
– Independente do que eu fale, você vai contar mesmo assim. – O deus respondeu e a mulher deu um sorriso convencido, concordando.
Avistaram duas grandes naves surgindo do céu e pousando ali perto. Correram de volta para o portal, não queriam que mais pessoas se ferissem pelo simples motivo de estarem ali. Os inimigos sobreviventes estavam sendo escoltados para as naves.
olhou mais uma vez para trás e viu o soldado com Lilium nos braços, caminhando para dentro da nave enquanto Viúva Negra juntava algo do chão. A última lembrança da missão, a fotografia, tinha caído por lá. A espiã olhou a imagem, voltando a olhar os dois retornando para o portal. Sua expressão era confusa. Pegou a foto e não mostrou a ninguém, a guardando consigo para provavelmente entregar a suas autoridades. Era fácil reconhecer a mulher que estava em foque em meio aos outros.
Assim que chegaram junto às outras mulheres que esperavam, estas os olharam estranho, então decidiu abrir o portal.
– Devemos esperar a General Lilium? – Perguntou uma delas.
– Ela não vai mais voltar. – respondeu e todos olharam incrédulos, adentrando o portal.
Consequentemente, o fechou, para não correr o risco de ser seguida.
A mulher caminhou até a sacada principal e avistou todos os habitantes em suas casas, provavelmente em meio às suas jantas, não fazendo ideia do que perderam.
– Amanhã cedo, contaremos a todos o que aconteceu. Não é justo destruir o resto de noite que eles têm. – falou, virando as costas e saindo de lá, sendo seguida por todos.
– Você precisa me ouvir. – Loki falou para a mulher, que seguia apressadamente à sua frente, rumo aos próprios aposentos.
– Eu não preciso fazer nada. Tenho que me preparar para isso e aconselho você a ir embora depois do relatório. Amanhã, lhe entregarei o Tesseract. Eu só preciso ficar sozinha agora.

[...]


não conseguiu parar por um minuto sequer. Havia recrutado algumas pessoas para ajudá-la a comunicar as famílias das vítimas antes do funeral. Quando tudo estava organizado, os moradores começaram a aparecer. A rainha estava sentada em uma mesa, tentando escrever algo para falar em frente a todos, mas parecia que todas as palavras haviam saído de sua cabeça. A porta estava entreaberta quando a deusa ouviu duas batidas na porta.
– Posso entrar? – Loki questionou.
– E desde quando você pergunta? – A mulher respondeu e o homem deu de ombros, entrando na sala.
– As pessoas estão chegando. – O homem falou e a mesma sequer olhou para ele. – O que você está fazendo?
O deus se aproximou da mulher e visualizou o que havia naquele pedaço de papel que ela tentava escrever.
– Um discurso fúnebre? Você não precisa disso.
– O que você quer?
– Bom, eu vim buscar o que é meu. – O deus respondeu.
A deusa levantou e pegou o Tesseract, que estava dentro de um móvel, entregando a ele.
– Ótimo. Então... Até logo. – O homem estava prestes a cruzar a porta quando ouviu chamando por ele.
– Loki? – O deus prendeu a respiração, um ponta de esperança percorreu seu corpo. – Feche a porta quando sair.
O deus concordou e assim fez, deixando a mulher finalmente sozinha. Ele caminhou até as cadeiras disponíveis e se sentou. Pouco tempo depois, todos já tinham chegado e a cerimônia começou. Os corpos das mulheres que morreram em batalha vinham sendo carregados pelas demais integrantes do exército. Não demorou muito para que começasse a falar.
– Eu chamei todos aqui pois acho que vocês têm o direito de saber tudo o que aconteceu na missão de ontem. Tentei escrever algo e eu não consegui. Eu só quis vir aqui e ser completamente honesta com vocês. Como deduziram, não voltamos tão completos como saímos daqui. E isso eu digo em vários quesitos. O que vimos ontem foi avassalador, cruel e maldoso, e talvez não poderíamos estar aqui se não fosse pelas mulheres que caíram ontem. Caíram fazendo o que amavam fazer, morreram por amor. Gostaria de prestar homenagens a todos que se arriscaram conosco, que se arriscaram para que vocês não precisassem viver com medo. E isso me dá um sentimento de dever cumprido, pois aquilo que nos ameaçava já não nos ameaça mais. Cada um de vocês é responsável pela nossa vitória, são nossos motivos para lutar. Por isso, essa homenagem vai para todo o nosso exército e, em especial, para a General Lilium, que eu não tive a chance de trazê-la para casa. Em seus últimos momentos de vida, finalizou seu trabalho com maestria, nos livrando de ameaças sem hesitar. Ela, que foi o motivo de eu viver tranquila por anos, hoje já não se encontra mais entre nós, e tudo o que eu mais desejava era poder ter seu corpo aqui, como o de todas elas, e não um amontoado de flores simbólicos para a representar. – A deusa se referia a coroa de lírios que representava a sua General. – Todas elas mereciam muito mais, tinham potencial, e tenho certeza de que fariam tudo de novo, pois saímos vitoriosas, mesmo perdendo tanto. Lilium, que atualmente ocupava o lugar de general, o mais alto escalão do meu exército, e que nunca me fez repensar seu cargo, era incrível, a pessoa que me fez ver coisas que eu não via, que sentia pelo outro de uma maneira que eu jamais presenciei. E ela, como todas as outras, morreram jovens. Eu queria tanto ter ela aqui, em especial viva mas, se ainda eu não pudesse, a queria para que pudesse prestar as homenagens que ela merece. Enterrá-la em cetim ou deitá-la em um mar de rosas. Ela merecia muito, muito mais. Deixá-la ir, com palavras de amor. Bom... Mas, geralmente, a vida nem sempre é o que deveria ser. Nem sempre a morte é grisalha. Às vezes, somente a morte nos acha e nos leva, sem mais nem menos. A vida curta é como uma faca afiada, nos consome antes que percebamos. Mas talvez Lilium tenha tido tempo o suficiente. O suficiente para deixar seu legado, legado de amor, respeito, compaixão e empatia. Não havia um único ser com quem ela não se solidarizava para ajudar e fazer o que ela fez ontem, aniquilando tantos inimigos. Eu sei como aquilo doeu nela. Doeu tanto que ela se perguntou se valia a pena continuar lutando mas, no fim, ela pensou em vocês e teve sua resposta. A General, de hoje em diante, será nosso patrono pois, enquanto forem amados pelos que ficam, os que morrem nunca desapareceram por completo.
continuou seu discurso falando de cada uma das outras que morreram e agradecendo uma a uma das que sobreviveram. Ao final, como de costume, atearam fogo nos corpos sem vida das mulheres.
– Eu espero que entendam o fato de que não terá a tradicional confraternização fúnebre que sempre fazemos. Infelizmente, não estamos no clima para celebrar. As perdas que tivemos foram avassaladoras, sinto que será um desrespeito com essas mulheres se comparecermos à confraternização e não nos sentirmos conectados como nós gostaríamos. Eu não quero, de forma alguma, que elas se tornem um esquecimento, e é por isso que eu sugiro que usem esse tempo para refletir e preservar a memória de cada uma delas.


Capítulo 6

Já havia passado alguns dias desde a missão. As pessoas estavam começando a se conformar e havia assumido o comando de seu exército, usava a estratégia de se manter ocupada para não pensar em coisas que certamente não fariam bem.
O dia foi ensolarado e o sol estava se pondo, o exército terminava o treinamento diário. A deusa, que estava à frente de todas, as dispensou e seguiu para juntar algumas armas que estavam caídas no chão. Assim que terminou tudo, conversou com algumas pessoas que estavam por ali. Não demorou muito para que se retirassem. Em seu caminho de volta ao castelo, a mulher avistou o homem sentado próximo à porta principal.
– Não sei o porquê de você ainda estar aqui. – A mulher falou, se sentando também.
– Estou fazendo uma lista mental e avaliando o melhor lugar para eu ficar onde ninguém queira me matar.
– E já listou quantos lugares?
– Um... Aqui. – O deus falou e levantou as sobrancelhas.
– Isso foi bem pretensioso.
– Já tive ação demais nos últimos dias. – O homem respirou fundo. – Às vezes, um deus só quer esticar as pernas.
– Bom, é você quem sabe. – A mulher se levantou e caminhou em direção ao castelo.
– Você está péssima, precisa descansar um pouco. – Esse era provavelmente o modo como Loki demonstrava que prestava atenção nas coisas.
No fundo, todos sabiam que era melhor que Loki continuasse por ali, o universo continuaria mais seguro desse jeito.

[...]


A noite já havia se instalado e não havia parado para nada, já havia preparado cronogramas de treinos para semanas. Ela precisava admitir pra si mesma o quão exausta estava. A exaustão se acumulou desde antes da missão, era visível em seu corpo, movimento e nas bolsas embaixo de seus olhos. Após tudo o que havia acontecido, ela mal havia dormido. O medo de que qualquer coisa acontecesse enquanto fizesse qualquer coisa que não fosse ficar em alerta a preocupava, mesmo tendo plena consciência de toda a segurança que havia no planeta. Depois de sentir seus músculos ficarem tensos e sua cabeça falhar com frequência, ela se dirigiu à sua cama, mesmo lutando contra a própria consciência. Sabia que não estaria completamente pronta pra qualquer coisa no estado de cansaço em que se encontrava. Não sem que antes avisasse a todos que se ausentaria por algumas e que a atenção deveria ser redobrada.
A mulher fechou seus olhos e finalmente dormiu, mais rápido do que pensava que conseguiria.

[...]


Ela despertou quando ouviu batidas de alguém na porta avisando que a janta estava sendo servida. Levantou-se, repreendendo a si mesma por não ter suspendido a própria janta naquela noite e, logo depois, repreendeu-se por querer ficar dormindo por mais um tempo. No meio do caminho para a sala de jantar, encontrou com o deus, que caminhava com um livro nas mãos.
– Sem sono também? – Ele questionou.
– Na verdade, eu acabei de acordar. – Ela sorriu. – Estou indo jantar, aparentemente sozinha. Gostaria de me fazer companhia?
– Depois de tentar destruir minha família e escravizar um reino, jantar com uma rainha é meu hobby favorito. – Ele respondeu e os dois seguiram o caminho juntos. – Mesmo que esteja bem tarde para uma janta.
– Aparentemente, fizeram mais tarde para que eu pudesse dormir um pouco mais. – Ela respondeu, entrando na sala e sentando-se à mesa junto com Loki.
– É, acho que foi uma boa ideia. – O deus falou enquanto servia-se.
– O que você está lendo? – tentou mudar de assunto.
– É um livro de magia que achei na sua biblioteca, alguns truques, inclusive sobre apagar lembranças... Se precisar de uma ajudinha para esquecer algo que está te incomodando. – O homem falou, olhando o livro de soslaio, e a mulher cerrou os olhos. – É bem cômodo estar do lado bom, não é? Você pode matar “em nome da paz” e todos te tratam como herói.
o olhou, receosa, mas suspirou quando lembrou de com quem estava falando. Um silêncio desconfortável se instalou no ambiente quando nenhum dos dois sabia mais o que falar. E então o homem pigarreou.
– O que foi? – perguntou, mesmo sabendo que aquela conversa não tomaria um rumo bom.
– Você não está se culpando por tudo o que aconteceu, está? – O homem perguntou, interessado.
– Acho que não é um bom momento para falar sobre isso.
– Na verdade, pra mim, é bem simples. ganhamos mais do que perdemos.
– É fácil pra você falar isso. Você, especificamente, não perdeu nada.
– Pode ser mas, de qualquer forma, nada dessa culpa pertence a você. Tudo se tornará mais fácil quando você entender que a morte é um efeito colateral da guerra. Uma guerra que você escolheu lutar, Você sabe disso.
– Exatamente. – Ela respondeu secamente. – Todas confiaram em mim. E pra quê?
– Você pode ser pretensiosa, cheia de si e insuportavelmente arrogante, mas a culpa de nada disso foi sua.
– Eu devo te agradecer por isso? – A deusa perguntou, irônica.
– Na verdade, seria bom ouvir “muito obrigado por se preocupar, grande deus da mentira”. – franziu a testa e olhou para o homem.
A mulher respirou fundo e se recompôs, voltando a prestar atenção na refeição já fria do seu prato.
– Eu só preciso de tempo pra processar tudo o que aconteceu.
– Eu sinto você tão alheia a tudo que nem detestando minha presença você está mais. – O deus bufou. – Você acha que o seu povo se importa com o que você sente? Você tem um dever com eles, não pode simplesmente fingir que está tudo bem quando todos sabem que não está e que você não está dando tudo de si a eles. Você é tão mesquinha quanto Thor, acham que as pessoas colocarão gratidão acima do descaso, da fome... As pessoas morrem, é a lei da natureza. Você não pode deixar tudo pra trás por causa disso.
– Eu nunca deixaria chegar nesse ponto. Daria minha vida sem pensar duas vezes para que nada acontecesse com eles. – A mulher respondeu, um pouco ofendida.
– Mesquinha como o Thor. – O homem revirou os olhos. – Vocês se sacrificariam por tão pouco que me irrita.
– Não era sobre isso que você estava falando até agora? – A deusa perguntou como se fosse óbvio.
– Eu me sentiria lisonjeado de iniciar uma revolução aqui. Do que adiantaria você se sacrificar nessa hipótese? Com você morta, tudo seria muito mais fácil pra mim ou pra qualquer outro... Tomar o que é seu, matar quem eu quisesse nos dias em que eu acordasse de mal humor... Se você morresse, quem sobraria para bancar a heroína e salvar o dia dos que sobraram?
– Esse não é o ponto.
– Boa noite, . – O homem sorriu e saiu da sala de jantar o mais rápido que pôde.
A mulher ficou mais um tempo sentada na mesa, tentando absorver tudo o que pôde daquela conversa. Ela, então, finalmente fez o mesmo que o homem, se levantando rumo a seu quarto, onde se deitou na cama e voltou a ter um dos melhores sonos das últimas noites.

[...]


– Vamos, meninas! – A deusa estava treinando as novas recrutas do exército. – Muitas de vocês estão fazendo o movimento com o braço esquerdo muito aberto, dando abertura para seu oponente. Tentem limitar mais seu movimento. De novo, pessoal.
A mulher caminhava entre elas e contava de um a seis para que fizessem a sequência de golpes.
– Tudo bem, pessoal, agora deem quatro voltas ao redor do castelo. – As alunas, então, correram para fazer o que foi proposto.
– Eu não aguentaria correr quatro vezes ao redor do castelo nesse sol escaldante. – O homem falou atrás da mulher, a assustando.
– Nem todos são filhos de Odin e eu estou sendo boazinha, Lilium faria eles correrem pelo menos o dobro de vezes.
– Vai me dizer que seu pai pegava pesado nos treinos?
– Você nem imagina o quanto... – Ela respondeu, distraída.
Um longo silêncio surgiu entre os dois.
– Já tem planos para hoje que não envolva o castelo? – O deus perguntou, sério.
– Tenho, no começo da tarde. – Ela respondeu, observando a classe correndo.
– Ótimo, o que é? Nada pode ser mais entediante do que ficar o dia todo no castelo sem ter o que fazer.
– É uma visita rápida, pode me acompanhar se quiser. Sairemos depois do almoço, não se atrase.
O homem concordou e o silêncio perdurou mais uma vez.
– Terminamos, rainha. – Uma delas falou enquanto voltavam completamente suados.
– Recolham as coisas, vamos entrar. – mulher respondeu e logo foi obedecida.
Ela e as alunas seguiram em direção as castelo, o homem esperou alguns minutos para fazer o mesmo.
– Estão dispensadas dos treinos físicos por hoje. Vão ao vestiário e, em seguida, ao refeitório, que o almoço estará servido. À tarde, terão aula no núcleo de inteligência, o professor estará esperando vocês.
A mulher terminou suas falas e as jovens logo estavam nos vestiários, fazendo as próprias higienes. A mulher aproveitou para fazer o mesmo. Almoçou rapidamente e foi até onde havia combinado com o deus que estaria.
– Chegou cedo. – O homem frisou assim que chegou. – Ou sou eu que estou atrasado?
– Vamos?
Os dois andaram por alguns metros.
– Antes de Nuryhan, eu era mais atenciosa com esse lugar. – comentou.
– E por que você está me falando isso? – O homem perguntou, desinteressado.
– Como eu deixei você participar do meu dia, o mínimo que você pode fazer é me ouvir reclamar. Você sabia que não só mudaram a primeira escola infantil de lugar como abriram uma segunda?
– E? – O homem perguntou, esperando o restante da informação.
– E a única pessoa que poderia aprovar isso era eu ou Lilium, que não me falou nada porque achava que eu estava preocupada demais. O que eu quero dizer é que eu acabei perdendo o foco no meio disso tudo, e talvez eu realmente tenha me tornado uma péssima rainha. Você venceu. Eu preciso fazer uma coisa sobre isso. – A deusa concluiu.
– Não, você nunca foi uma péssima rainha, você só estava priorizando outras coisas e você sabe que tem... Na verdade, tinha uma pessoa muito confiável do seu lado. Você estava muito ocupada pensando em como se sacrificar por eles. Acho que Lilium entendia isso. É claro que, se eu estivesse no seu lugar, muitas coisas seriam diferentes. Por exemplo...
– Enfim... – A mulher falou, respirando fundo. – Esta era a visita que eu tinha pra fazer.
– Vamos visitar coisas que vão ao banheiro e não lavam as mãos? – O homem perguntou, indignado.
– Exatamente. – respondeu, animada quando percebeu que o deus tinha reagido conforme planejara.
– E eu achei que nada seria pior do que ficar no castelo. Vou te esperar aqui, não demore muito.
– De jeito nenhum, você me acompanhou até aqui. O mínimo que posso fazer para retribuir é te apresentar a eles. Venha.
A mulher muito animada puxou o homem pela mão. Ele não gostou muito da ideia e inclusive tentou resistir, mas não houve escapatória. Antes mesmo que pudesse pensar em qualquer coisa, estava rodeado de crianças que gritavam e se movimentavam mais rápido do que o deus poderia acompanhar.
Enquanto o homem estava praticamente estático, a mulher estava abaixada, conversando com várias crianças ao mesmo tempo.
– Tá vendo, eles são ótimos. – A mulher falou animada ao homem. – Vocês são ótimos.
– Quem é ele? – Uma das crianças perguntou, apontando para Loki, que estava com os braços cruzados e a cara fechada.
– Bom... – pareceu pensar. – Um amigo. Ele se chama Loki.

[...]


Ela brincou um pouco com as crianças, leu algumas histórias, visitou toda a escola e, finalmente, o homem estava livre das crianças, acompanhado de uma rainha realizada.
– Eu não tinha percebido o quanto eu gostava disso até, bem... Hoje.
– Pode parar, eu não vou ser o pai dos seus filhos, nem adianta você insistir. – O homem falou em tom de brincadeira e a mulher teve uma crise de risos.
Depois de já terem caminhado por alguns metros, a mulher se sentou na beira de um rio, só olhando o movimento da água enquanto o homem permanecia em pé.
– Aparentemente, eu não fui a única que pessoa que mudou por aqui. – A mulher falou, chamando a atenção do homem.
– Eu aposto que ainda sou capaz de matar oitenta pessoas em dois dias.
– Você está diferente desde que chegou. – comentou e o homem franziu a testa, ofereceu a mão para ajudá-la a se levantar.
– Isso quer dizer que você sofreria com a minha morte? – O homem perguntou, provocativo.
– Quer dizer que eu não a comemoraria. – A mulher respondeu no mesmo tom.
– É melhor do que nada. – Loki deu de ombros. – E o que vamos fazer agora? Algo que não envolva crianças, por favor.
– Você eu não sei, mas eu tenho uma aula para aplicar. – falou, caminhando em direção ao castelo. – Artes Femininas. A professora está doente e eu não podia suspender as aulas. Bom, pode ser interessante. Você pode ir até lá, se quiser.

[...]


A mulher caminhou com o homem em seu encalço até a porta rapidamente.
– Então... Vamos? – A deusa estendeu a mão para o homem que, com um olhar um pouco relutante, acabou segurando. – Você não perde por esperar.
– E sobre o que é essa aula? Artes Femininas parece um pouco... Sexista para esse lugar. – O homem comentou enquanto eles caminhavam pelos corredores.
Ela soltou a mão do homem e deu dois tapinhas amigáveis em suas costas.
– Seria, se não fosse feita para derrotar homens. – falou mais animada do que deveria, fazendo o deus olhar confuso para ela enquanto parava bruscamente. – O intuito dessa aula é usar o que temos para derrubar exércitos. Considerando que a maioria dos exércitos contra os quais lutamos são compostos por homens, e ainda não descobrimos uma forma de nos integrarmos em reinos e cidades sem nos disfarçarmos e usarmos alguns homens para tornar mais fácil e menos sangrenta a missão, as Artes Femininas são bem úteis.
A mulher continuou andando e o homem não parecia estar completamente esclarecido.
– Vou tentar ser mais clara. Além do treinamento de combate, que é o que você mais vê pelo fato de não conhecer nossa academia toda, temos muitas outras disciplinas que ensinamos para nossas meninas. Você sabe que temos um grupo de resgate que buscam pessoas em situações precárias para dar um pouco mais de condição de vida, não sabe?
– Sim. – O homem respondeu.
– Mas nunca é só chegar e pegar essas pessoas. Geralmente, tem luta porque um rei, governante ou soberano não quer perder seu povo e muito menos seus escravos. Temos que usar de muita investigação e disfarce. Geralmente, selecionamos algumas de nossas soldadas mais treinadas para chegar lá primeiro, disfarçando-se de camponesa, empregada ou qualquer que seja a camuflagem. Na verdade, nem sempre o lugar precisa estar em conflito para investigar. Temos soldadas em quase todas as civilizações conhecidas.
O homem olhou surpreso para a mulher e pareceu ter prendido a respiração por alguns milésimos de segundo.
– Sim, Loki, inclusive em Asgard. Como você acha que eu sabia onde e quando chegar até lá? As Artes Femininas foram muito bem utilizadas por uma de nossas soldadas para descobrir onde poderia ser desativado seu campo de prisão. As mulheres não precisam se deitar com os homens, mas qual a melhor maneira de deixar um homem mais vulnerável que quando alguém fala o que ele quer ouvir? Eles estão tão acostumados a pensar que somos mais frágeis e inferiores que, em momento algum, eles pensam que elas estão ali para acabar com a mais forte defesa deles e descobrir os segredos mais sigilosos com uma das armas mais básicas. – respirou fundo, orgulhosa. – Mais alguma dúvida? Ou podemos ir para a minha aula?
– Acho que podemos ir. – O homem falou, ainda digerindo todas as informações que tinha recebido.

[...]


A mulher parou em frente è porta e respirou fundo com as mãos na maçaneta.
– O que foi? – O deus perguntou com uma pontada de estranheza.
– Eu estou me sentindo nervosa.
– Bom, vamos ver o que acontece. – O homem apontou a porta.
abriu a porta e se colocou dentro da sala, com o deus a alguns passos atrás. No mesmo instante, as conversas paralelas cessaram e as garotas olharam no mesmo instante, apreensivas.
– Boa tarde a todas. – A mulher falou impecável e caminhou até a mesa da professora, procurando pelas últimas anotações da mesma.
O homem continuou escorado no batente da porta, completamente alheio. Depois de uma procura incessante, percebeu que não havia nada ali que poderia nortear a lição que daria.
– Alguém poderia consultar a apostila e me falar de onde partir?
– Estamos iniciando o capítulo nove, Vossa Majestade. – Uma das garotas respondeu prontamente.
abriu finalmente a apostila, sabendo o que deveria procurar.
– “A arte sutil do envenenamento.”. – leu para si mesma.
As garotas pareciam animadas com o tópico que viria a seguir.
– Bom, como vocês sabem, temos um arsenal repleto de venenos em algumas dessas grandes salas. Sei que vocês já estudaram sobre eles, até porque não teria lógica ensinar vocês a envenenarem alguém sem antes conhecer com o que vocês estão lidando. Antes de começar, vamos relembrar um pouco sobre eles. Você, se apresente e dê um passo à frente.
A deusa apontou para uma garota de cabelos laranjas e olhos azuis intensos.
– Me chamo Heiva, rainha.
– Tudo bem, Heiva. Você já aprendeu sobre venenos?
– Sim, mas...
– Mas eu sei que você está dominando o assunto. – A mulher falou encorajadora, completando a frase da mais nova. – Me fale um pouco sobre Clostridium botulinium.
– Clostridium botulinium são microrganismos que nosso laboratório não só descobriu como extrair mas também a modificar e reproduzir. É uma bactéria que produz algumas das mais potentes toxinas, também é capaz de gerar um grave envenenamento causado pela ingestão de alimentos contaminados por suas toxinas. Podem ser destruídas se ficarem mais de dez minutos em uma temperatura bastante elevada. Por isso, é interessante inserí-las em pratos frios como saladas ou até bebidas, no caso de precisar causar alguma distração. Os sintomas são dor abdominal, vômito e dificuldade visual. É facilmente tratável e os sintomas começam a aparecer dentro de 18 a 36 horas. Em casos mais graves e com falta de tratamento, uma das toxinas pode fazer com que os músculos do diafragma e do tórax sejam seriamente comprometidos, causando uma morte por asfixia. Mas não usamos isso para matar, somente para causar distrações. – Heiva finalizou.
– Muito bem. Agora vou apontar aletoriamente para vocês, falar o nome de um veneno e vocês vão sintetizá-los de forma rápida pra mim, como um pequeno resumo.
– Você. – A rainha apontou para uma delas. – Mercúrio.
– Em temperatura ambiente, ele é um metal líquido. Já em forma de vapor, torna-se mais perigoso. Se inalado ou digerido, ele pode levar uma pessoa à uma vida vegetativa ou à morte.
– Ótimo. – respondeu. – Você. Polônio.
– As partículas do elemento possuem um curto alcance, podendo serem interrompidas até por uma folha de papel ou células mortas da pele, o que o torna facilmente transportável até mesmo por um frasco de vidro. Mas, no momento em que ele é inalado ou ingerido, é extremamente letal por estar em contato direto com os tecidos do corpo. Basta um micrograma de Polônio 210 para matar uma pessoa de oitenta quilos, e estudos apontam que uma grama deste elemento poderia matar mais de um milhão de pessoas.
– Vocês estão ótimas. Continuando...

[...]


– Agora que já relembramos tudo sobre os tipos de venenos vamos ao que interessa: a arte sutil do envenenamento. Muitas de vocês estão se perguntando o quanto isso está relacionado às Artes Femininas. E a resposta é óbvia: tudo. Vocês têm que usar suas próprias caraterísticas para fazer alguém confiar em vocês a ponto de beber ou comer algo servido por você, ou entrar em uma cozinha e envenenar uma refeição inteira. – A mulher estava muito entusiasmada sobre aquela aula. – Nós temos venenos injetáveis, em spray, em vapor. São infinitas possibilidades sobre como podemos agir. É claro, se pudermos escolher venenos que não são letais, será melhor. As Artes Femininas ajudam muito nisso, conseguimos mudar de duronas para delicadas em instantes, de uma simples camponesa para uma soldada pronta para derrubar qualquer coisa que esteja em seu caminho. E apesar dos testes e treinamentos intensivos que temos aqui, temos que admitir algumas de nossas desvantagens. Por mais que treinemos horas e horas, táticas e movimentos, ainda assim, a biologia feminina, infelizmente, não nos favorece na força bruta. Podemos ser mais astutas e inteligentes, mas precisamos treinar muito para destruir um exército de homens, principalmente os que são tão treinados quanto. Por isso que o disfarce e o carisma, ministrados com uma dose de veneno, não faz mal a ninguém, a não ser a quem ingere, é claro. Garotas, vou me ausentar por alguns minutos, tem alguns exercícios que vocês podem praticar na página seguinte da apostila. Retorno em minutos.
A mulher fez algumas anotações, esperou que todas abrissem as apostilas e seguiu em direção a porta.
– Você aguarda aqui por um segundo? – A mulher pousou suas mãos sobre o peito do homem e deslizou até seu ombro.
– Você vai me deixar de babá? – O homem perguntou, insatisfeito.
– Não há nenhuma criança aqui. – Ela voltou sua mão sobre o peito do homem e aproximou-se do ouvido dele. – Eu já volto.
A mulher sorriu divertida para o homem e retirou-se dali rapidamente.

[...]


Assim que ela voltou, todos já haviam terminados os exercícios e pairavam quietas e cansadas pelo local. A deusa corrigiu as tarefas e usou mais alguns minutos do tempo das meninas. Pouco tempo depois, os cozinheiros chegaram com carrinhos repletos de comidas e copos cheios das mais diversas bebidas.
– Vocês podem se servir, comam e estarão dispensadas. – A deusa ofereceu, amável, e foi a primeira a se servir de um pedaço de bolo e uma xícara de chá. – Aproveitando que hoje é meu aniversário e essa é uma das poucas aulas que vou lecionar, aproveitei para comemorar com vocês.
Seguindo o exemplo da rainha, todos fizeram o mesmo, em seguida a parabenizando.
– Loki, está servido? – A mulher o chamou, convidativa.
– Não, estou bem. – Ele respondeu.
– Por favor, eu insisto. – A mulher falou, servindo-se novamente do bolo.
O homem se convenceu e foi até o local, juntando-se ao aglomerado de mulheres. Enquanto saciavam sua fome, o silêncio havia se transformado em uma conversa amistosa, e ria com elas enquanto segurava sua xícara de chá.
Assim que todos terminaram suas refeições, a deusa percebeu uma tensão no local, era como se ninguém respirasse.
– Que tipo de piada sem graça é essa? – Loki perguntou.
– Do que você está falando? – A mulher perguntou, confusa.
O homem levou uma xícara até a rainha. Ao fundo do objeto, estava escrito “você foi envenenado”. A mulher desatou a rir.
– Isso não foi uma piada. – A mulher respondeu. – Quando fui até a cozinha, pedi que nossas mestras de venenos ministrassem nessas bebidas um tanto razoável de Sarin, um veneno que entra em ação em formato gasoso facilmente misturável com o vapor de suas bebidas quentes. O antídoto está nessa sala e vocês têm dez minutos para encontrá-lo antes que seus corpos tenham fortes espasmos até a morte.
– E a troco de quê você iria se envenenar? – Loki perguntou sério à rainha.
– Venham ver minha xícara, está intocada. Tudo o que eu fiz foi usar meus gestos e truques para enganar cada um de vocês. E vamos, porque o tempo não para. Olhem quantos anos vocês têm, eu nunca comemorei meu aniversário. Vocês deveriam ter desconfiado.
Loki parecia querer arrancar o antídoto da mulher mas, logo, as garotas se juntaram e começaram e listar cada passo que a rainha tinha dado. Um enigma estava solto e, com o nervosismo no ar, estava difícil de desvendar. Em pouco tempo, algumas meninas já estavam com as testas cheias de gotas de suor. Não podiam saber se era de nervosismo ou efeito no veneno. Pouco tempo depois, uma garota estava desmaiada no chão.
– Ela está morrendo? Você não vai fazer nada? – Uma das garotas perguntou à deusa.
– Eu estou de mãos atadas, quem pode fazer alguma coisa assim são vocês. – respondeu enquanto saboreava lentamente um pedaço do bolo. – Faltam menos de três minutos.
Foi o suficiente para o tumulto se instalar no local, as vozes falavam freneticamente. Naquele ponto, ninguém entendia ninguém até que a segunda desmaiou.
– Se acalmem. – Uma delas ordenou e todas finalmente se juntaram para tentar novamente trilhar novamente os passos de .
Loki estava quieto, não prestara tanta atenção na aula quanto as garotas. Em um movimento repentino, a garota mais tímida de todas moveu sua mão para dentro do bolso do terno do homem. Ele impediu a garota, segurando em seu pulso.
– O que você pensa que está fazendo, garotinha? – Ele falou, sério.
Uma soldada, que dava provavelmente duas da primeira, desvencilhou a mão do pulso desta e retirou do bolso, na altura do peito do homem, um pedaço de papel. O homem olhou o papel com estranheza e ela entregou o papel para aquela que mandou todos se acalmarem.
– O que é isso? – Loki perguntou e observava com um sorriso singelo no rosto.
– Leiam. – Ela falou.
– “Parabéns, vocês desvendaram o enigma. Neste pedaço de papel, não há antidoto pois ninguém foi envenenado. Mas lembrem-se: o inimigo pode estar ao seu lado.” – A garota leu. – Como assim?
– Nunca houve veneno, isso foi um teste. Todos os sintomas e desmaios que tiveram foi tudo feito pelo cérebro de vocês. E vocês todas passaram. As que desmaiaram vão ser levadas a enfermaria e depois... Bom... Receberão reforços de raciocínio lógico e de como agir sob pressão. Parabéns a todas. – As meninas respiraram fundo e ainda pareciam indignadas. – Levem as meninas à enfermaria e estarão dispensadas.
A mulher esperou que cumprissem suas ordens e retirou-se da sala acompanhada do deus.
– E então? – A mulher perguntou a Loki. – O que achou de mim como professora?
– Se eu tivesse um certificado de verdadeira mentirosa, te daria agora. – O homem falou, irônico.
– Acho que já temos uma substituta para o deus da mentira. – A mulher sorriu abertamente.
– Hoje eu achei que precisaria de um. – O homem confessou, fazendo os dois rirem sutilmente.
– Não sei por qual razão você ficou nervoso, até parece que um veneninho te mataria.
– Não sei se você sabe, , mas eu nunca passei uma tarde descobrindo que tipo de veneno é capaz de me matar. – O homem comentou como se fosse óbvio e a mulher deu de ombros. – E o raciocínio não funciona muito bem nessas horas.
– Bom, essa aula durou mais do que deveria. Já é noite, acho que nos vemos amanhã.
– Posso sugerir um programa? – O homem perguntou quando a mulher já estava andando pelo corredor.
Ela se virou para ele e confirmou com a cabeça, um pouco preocupada.
– Vá se trocar e te encontro na entrada do castelo em alguns minutos.
– Tudo bem. – A mulher respondeu e caminhou rapidamente pelo corredor. – Espera... O que eu devo vestir?
– Você é uma rainha, suas roupas deveriam ser todas iguais. – A mulher levantou seus olhos e percebeu que era estúpido perguntar sobre roupas pra alguém que vestia sempre o mesmo terno preto.

[...]


Não demorou muito para que ambos chegassem no local combinado. O homem avistou a mulher se aproximando e deduziu que ela era a fainha com maior diversidade de roupas que ele já havia conhecido.
– Vamos? – Ele perguntou, oferecendo o braço à mulher.
A deusa, ainda um pouco receosa, aceitou a gentileza de Loki e os dois seguiram caminho. Enfim, eles chegaram em um rústico bar local que fazia muito tempo que a rainha não frequentava.
, fico feliz em te ver aqui. – Samuel, um dos poucos humanos naquele reino e também dono do bar, recebeu a mulher com muita felicidade.
Ele estava ali havia muito tempo e, por isso, tinha bastante intimidade com a mulher.
– Sabe como é, Sam... Obrigações reais. – Ela falou.
– Na verdade, não sei. – Ele falou, animado.
Samuel não era a personificação de perfeição, mas também não era feio. Era carismático e divertido e fazia se sentir confortável.
– Ela já experimentou de tudo aqui, nada a deixa sequer tonta. – O homem comentou, derrotado.
se sentia bem ali, sem bajulação ou tratamento especial. Loki também parecia confortável. Não demorou muito para ir até os dardos.
– Me surpreenda, Sam. – A mulher pediu, animada, indicando um balcão de bebidas.
– É a primeira vez que você aparece acompanhada. Devo me preocupar? – Sam perguntou, olhando a mulher de soslaio enquanto preparava uma bebida. – Não quero que me entenda mal, ele é bem... Peculiar.
– Peculiar. – riu. – Gostei da definição. E não, Sam, você não tem razão para se preocupar.
– Tudo bem. – Samuel se deu por vencido, entregando a bebida à mulher.
A música do local era agradável e Loki voltou ao balcão, bebendo tudo que Sam oferecia. Fazia caretas quando desaprovava a bebida e soltava comentários como “não dá pra esperar muita coisa da Terra”. reprovava o homem, mas Sam parecia se divertir com os comentários.
– Lá, em Asgard, tem algumas bebidas que eu adoraria te mostrar. – O homem falou alto, fazendo sua voz sobrepor a música.
Não demorou muito para que mais e mais pessoas se juntassem ao bar. Como Sam era da Terra, havia levado aquele tipo de estabelecimento para o planeta, o que foi bem recebido por todos.
conversava animadamente com Samuel enquanto Loki bebia algo em silêncio.
– Loki bateu seu recorde no lançamento de dardos. – O humano comentou, provocativo.
– Nada que eu não possa recuperar. – A mulher sorriu. – Vocês viraram amigos, então...
– Onde você acha que eu passava minhas noites? – O deus perguntou como se fosse óbvio.
– Você é intocável demais para um bar. Sem ofensas, Sam. O problema não está no bar. – A mulher passou o braço pelos ombros do deus. – Não é, Loki?
– Claro. – Loki respondeu irônico e tirando a mão da mulher de si. – O bar é ótimo.
deu de ombros e caminhou até um aglomerado de pessoas que havia em torno de uma mesa. Chegando perto, percebeu que se tratava de uma guerra de braços. Enquanto os dois se esforçavam para decidir a vitória daquele duelo, a deusa foi até o deus.
– Eu acho que eu tive uma ideia. – A mulher levantou suas sobrancelhas e o homem o olhou, curioso.

[...]


Não demorou muito para que a mulher caminhasse de volta para a mesa de duelos.
– Tem uma fila de espera? – A deusa perguntou.
– Acho que ele já derrotou todos aqui, ninguém escolhe passar pela mesma humilhação duas vezes. Você pode ser a próxima. – Um homem falou e foi agradecido pela deusa.
Assim que os dois tinham finalmente terminado, se sentou na cadeira e ficou cara a cara com o último vencedor. Ele e seguraram a mão do outro e foi aí que a batalha começou. Enquanto o homem se esforçava com toda a sua força, a mulher não esboçava reação nenhuma.
– Vocês realmente se acham fortes por causa disso? – A deusa perguntou, interessada.
– É fácil você falar, você é uma deusa. – O homem falou, já com as duas mãos sobre a única da mulher.
– É tudo uma questão de técnica. – Ela respondeu, calmamente.
– Não fale isso enquanto você está focando todo o seu poder na sua mão. – O homem supôs, muito ofegante.
– Que autoestima. – A mulher respondeu, animada. – Eu posso estar projetando todo o meu poder enquanto eu pego isso?
tirou um pente de seu bolso e entregou a um senhor de bigode.
– Você pode ter pegado antes de vir aqui. – Ele rebateu.
– E isso? – Ela retirou um documento, entregando para uma mulher.
– A mesma explicação do anterior. – Ele respondeu, esforçando-se muito.
– Mas e sobre isso? – A deusa tirou uma cueca do bolso. – Você deveria cuidar melhor de suas roupas íntimas. Você também vai dizer que eu tirei antes?
O homem olhou assustado para a mulher no momento exato em que ela abaixou a mão dele sobre a mesa e pousou a roupa íntima em cima. Todas as pessoas começaram a rir. Neste momento, Loki apareceu por trás do homem derrotado e lançou uma piscadela pra rainha, que sorriu animada.
Assim que ela deixou a mesa, foi em direção a Loki, que já estava sentado em seu lugar no bar. Sam ria incansavelmente.
– Acho que fizemos um belo time. – Ela afirmou, fazendo o homem sorrir.
– Eu fiz tudo sozinho. – Loki retrucou.
– Como sempre! – respondeu, irônica, e seguiu para conversar com Samuel.
– Você faz falta aqui, espero que não demore para voltar. – Sam falou. – Mas, Loki, como você tirou as roupas íntimas daquele homem?
A mulher parecia tão interessada naquilo quanto Samuel.
– Bom, acho que vocês nunca vão descobrir. – Ele respondeu, misterioso.

[...]


Depois de beberem mais um pouco e divertirem-se mais do que ambos imaginavam, eles voltaram ao castelo. A rainha estava alguns passos à frente, mesmo que caminhasse calmamente. O sorriso estava tão grande em seu rosto que poderia afirmar que alguém a quilômetros de distância conseguiria vê-lo.
Enquanto isso, o homem, que estava um pouco atrás e tinha certa seriedade em seu olhar, arriscou sorrir poucas vezes quando a mulher se virava e relembrava alguma coisa do dia.
A deusa acreditava que nunca tinha aproveitado tanto a presença de Loki como naquele dia, ou mesmo a sua própria presença. Assim que chegaram em frente à porta do quarto da mulher, ela colocou a mão na maçaneta e virou-se para Loki.
– É... Boa noite. – Ela falou. – Nos vemos amanhã?
O Deus deu alguns passos à frente e tirou as mãos da mulher da porta, segurando-a. Com a outra, passou levemente o indicador sobre a sua bochecha. estava surpresa com a atitude de Loki e seu rosto comprovava isso.
– Eu vou fazer a pergunta que você me fez uma vez. – Loki falou e pareceu segurar a respiração. – Eu posso beijar você?
afirmou levemente com a cabeça. Loki juntou seus lábios em um beijo calmo e delicado. Assim que aqueles segundos acabaram, estava com seu rosto próximo ao do homem. A mulher levemente sorriu enquanto o homem se afastou e mudou completamente sua expressão.
– Nós precisamos conversar. – O homem falou.
– Por favor, Loki, não estrague tudo. Eu tive um dia perfeito, vamos deixar os problemas para amanhã.
– Amanhã eu estarei longe e eu achei que... – O homem falou, sério.
– Não, Loki. Não. – sobrepôs sua voz. – Entre.
A mulher abriu a porta e o homem entrou, sendo seguido imediatamente por .
– Você não vai vir aqui, fazer eu ter um dia maravilhoso e depois querer me dar uma lição, falando que eu estou pronta para ficar sozinha e que devemos aproveitar o último momento que teremos juntos. – falou, irônica. – Eu sei que nada do que eu senti hoje foi à toa. Eu sei o que você está sentindo, e não é errado.
– Você não está entendendo... – O deus cerrou seus olhos.
– Não vá embora. – A mulher falou com urgência. – É isso que você quer, mas não vá embora. Sem Lilium, eu não posso...
– Eu preciso ir. Eu pensei que te fazendo ficar com raiva fosse mais fácil, mas eu sempre esqueço dessa droga de leitura mentes. – O homem falou, descontente.
– Eu posso fazer isso dar certo. Nós podemos. Eu sei que pode ser egoísta da minha parte mas, sem Lilium, eu vou estar... Me sentir completamente sozinha. Não vá embora. – A mulher pedia para o homem, que olhava para cima com os braços cruzados, como se estivesse alheio a toda a situação.
– Eu não tenho mais nada pra fazer aqui.
sorriu desanimada para o deus e concordou com a cabeça, desacreditada no que havia acabado de ouvir. Ela percebeu que tinha perdido e que, não importava o que ela pudesse falar, nada mudaria.
– Se você tivesse pedido dessa mesma forma um tempo atrás, eu provavelmente teria aceitado. Mas as circunstâncias mudaram. – O homem ponderou.
– Você sabe pilotar naves? – A mulher perguntou fingindo, não estar mais prestando atenção.
– Você pode me escutar? – O homem perguntou.
– Você sabe?
– Sei, mas...
– Tudo bem, uma nave estará à sua disposição para você voltar para onde você quiser. O Tesseract é seu, então você pode ir. Não se preocupe em devolver a nave. – estava furiosa.
A deusa começou a mexer em algumas coisas para ficar propositalmente de costas para o deus da trapaça. O homem se aproximou vagarosamente e a mulher, sentindo sua presença mais perto, fechou seus olhos. O deus passou as mãos pelos seus braços.
– Eu não posso ter mais uma fraqueza. – Ele sussurrou. – Eu sinto muito. Algum tempo atrás, eu tiraria muito proveito do seu pedido de ficar, mas agora, nessa situação, eu acho que eu não me perdoaria se algo acontecesse. Eu não quero me sentir assim.
– Você continua o mesmo egoísta, manipulador, pessimista e instável. Eu acabei de perder a pessoa mais importante da minha vida. – A mulher se virou para ele e afastou-o. – Mas sou eu quem estou errada de ter esperado algo bom de você. Eu vou ficar bem. Ótima.
– Você não está levando nada do que aconteceu hoje em consideração. – O homem afirmou, sério.
– E você levou? – Ela perguntou, sarcástica.
– Eu não decidi ir embora até conseguir te mostrar que você está rodeada de pessoas que se inspiram em você. Você não vai ficar sozinha. – O homem olhou nos olhos da mulher. – Talvez a gente volte a se encontrar no tempo certo.
– Que gentileza! O seu tempo certo pode não seu o meu tempo certo. – A mulher respirou fundo e afastou-se.
Acalmando-se, seguiu até a porta e abriu.
– Obrigada por tudo, você fez eu me enxergar de uma maneira que eu jamais vi. Eu me recuso a ter raiva de você por você ser quem você é. Eu te conheci assim e nada te fará mudar, e isso te faz autêntico.
– Bom... Você saberá como me encontrar, caso precise muito de mim. – O homem cruzou a porta e parou pouco antes de seguir no corredor. – E sabe o que é o pior de tudo? Eu não me arrependo de nada do que eu sinto por você.
– Adeus, Loki.
E foram essas as últimas palavras de antes de fechar a porta. Ele andou rapidamente até sumir do corredor. A última notícia que teve do homem foi na voz de uma de suas soldadas, dizendo que sua nave já não se encontrava mais na atmosfera do planeta. E, a partir daquele instante, a mulher ia ter que aprender a viver sem ninguém em seu encalço. Nem Loki, nem Lilium.


Capítulo 7

Mais de um ano terrestre havia se passado desde que Loki decidira partir definitivamente. Parecia que nunca havia posto os pés naquele planeta. Não ter notícias de alguém por um ano era uma boa maneira de ajudar a esquecer esse alguém.
Ela enfrentava outro problema, não conseguia mais controlar as visões que tinha. Eram aleatórias e, por conta disso, sua mente estava uma bagunça total. As visões dificilmente eram algo bom, somente caos e destruição. Na realidade, na maioria das vezes, as visões eram turvas e podia sentir o universo ficando mais leve ou mais vazio, como se metade dele fosse sumir definitivamente, o que talvez não fizesse muito sentido até ali. Por mais que treinasse e desse cada vez mais de si para melhorar, parecia que algo dentro dela estava bloqueado para visões mais claras.
A deusa era muito acostumada a resolver problemas dos outros e, quando não podia resolver os seus próprios, o fracasso tomava conta de todo o seu corpo.
caminhou até os laboratórios, bateu na porta ao entrar e foi prontamente recebida. Estava pensando em formas de ajudar a si própria a melhorar as visões, mas todas as suposições que tinha eram descartadas pelos cientistas do local.
– Qual a ideia, rainha? – Hazel, um dos cientistas, perguntou, já sabendo que a conversa seria sobre isso.
– Eu estava pensando sobre o raio gama, me expor a ele talvez funcione. Eu estava estudando sobre um humano chamado...
– Bruce Banner. – Ele completou. – Ele é especialista nisso.
– Poderíamos consulta-lo, talvez trazê-lo aqui para saber se funcionaria, se você achar que tem alguma chance. – Falou esperançosa.
– Mesmo que resolvesse ou ajudasse, o doutor Bruce Banner sumiu há algum tempo, não sabemos onde ele está. – Hazel falou, arrumando seu óculos na ponta do nariz. – Para ser franco, comecei um estudo sobre a radiação gama e, como já sabemos, o maior especialista é esse homem mas, depois de ler o suficiente e deduzir que não funcionaria, deixei passar.
Ela realmente queria resolver aquilo ou, pelo menos, entender o que estava acontecendo, mas não era imprudente a ponto de submeter-se a testes sem saber se poderiam funcionar.
– rainha, uma palavrinha? – Uma soldada a chamou na porta.
– Claro! – Respondeu prontamente. – Obrigada, Hazel.
– A seu dispor.
– Aconteceu algo? – Perguntou, vislumbrando o rosto da mulher preocupado.
– Loki morreu há alguns meses, rainha, em Svartalfheim. A mensagem chegou agora de nossas mulheres de Asgard.
– Como isso aconteceu e como assim “há alguns meses” e ficamos sabendo só agora?
– As coisas estão um pouco complicadas por lá, elas também ficaram sabendo há pouco tempo. Parece que Odin decidiu divulgar somente agora. De acordo com o relatório, Loki Odinson morreu para salvar seu irmão, Thor. – Ela concluiu.
– Isso é surpreendente. – Estava surpresa por conta da notícia. – Mais alguma notícia?
– Na verdade, sim. Não sei se é coincidência, mas Odin quer uma reunião com você em quinze minutos. – A guerreira comentou um pouco receosa, a animosidade entre os dois não era um segredo a ninguém.
– E ele falou sobre o que era essa reunião? – perguntou, ainda mais receosa que a outra.
– Somente que vai te ligar logo. – Ela respondeu.
– Mais alguma coisa? – Perguntou, esperando que a resposta fosse um sonoro “não”.
– Sim, pediram para te entregar uma carta. Já está no seu quarto. – Respondeu. – É só isso, rainha.
A deusa agradeceu e foi até o computador que tinha uma tela enorme. Odin não seria o responsável por fazê-la ficar ansiosa. Aquele homem não valia o olho que perdeu.
, bela como sempre. – Ele falou assim que a chamada de vídeo iniciou.
– Eu, felizmente, não tenho tempo pra ouvir suas balelas. Eu agradeceria muito se você fosse direto ao ponto. – Respondeu com caras de poucos amigos.
– Ah, querida, acho que já estamos velhos demais para continuarmos com essa briga infantil. É como dizem, a vida passa rápido. Olhe o exemplo de meu filho, Loki. – Odin falou, observando-a atentamente com seu único olho.
– Que pena. – não esboçou reação alguma. – Era só isso?
– Ah... – Ele pareceu pensativo. – Vamos fazer uma homenagem a ele... Logo, se quiser aparecer, será bem-vinda. Para que a paz entre os planetas se reestabeleça.
– Os planetas terão paz se você me deixar em paz. – A rainha estava achando Odin estranho por não ser o tipo de pessoa que gostava de jogar conversa fora. – Eu não vou.
– Tudo bem. Até mais, vossa majestade. – Odin deu um sorriso conhecido que a rainha prontamente ignorou antes de desligar.
Decidiu sair da sala e caminhou até o corredor. Olhou para os dois lados, certificando-se de que não vinha ninguém. Ela se sentia estranha, não de luto ou algo parecido, mas algo em seu estômago entregava que alguma coisa não estava normal. Odin, com toda a certeza, não perderia seu tempo daquela forma.
A deusa caminhou até seu quarto, sentando-se na cama e tentando juntar as peças de como tudo tinha chegado até aquela situação. Ela olhou ao redor, dando-se conta da enorme carta colorida que tinha em cima de sua escrivaninha. Imaginou que seria um convite oficial de Asgard para o tal funeral. Sentia muito por Loki, mesmo que, dentro de si, só acreditaria que aquele homem estivesse morto se visse seu cadáver.
Empunhou a carta sem saber ao certo do que se tratava. A rainha diria que aquele envelope era muito extravagante para vir de Asgard. E podia ver o deus em sua mente concordando com essa suposição. Virou o envelope algumas vezes e não havia qualquer endereçamento, ela mal sabia como a carta havia, de fato, chegado até ali. Então, finalmente, abriu. Como supunha, era um convite, mas não de Asgard. O remetente era Grão Mestre, de Sakaar, convidando-a para prestigiar um evento de luta. Talvez não fosse uma má ideia distrair-se com alguma coisa.

[...]


A rainha organizou tudo para que pudesse ir para Sakaar e ficar com a cabeça tranquila. Ela nunca havia estado no planeta antes, pouco havia ouvido sobre o mesmo. Mas podia admitir que o torneio dos campeões a deixava animada.
Enfim, estava em frente à grande construção que sediava todo o torneio e a casa de Grão Mestre. Havia alguns rostos enormes na fachada do lugar. O planeta era repleto de lixo e, naturalmente, não muito atrativo. Ela colocou o pé para dento e foi rapidamente recebida por diversas pessoas.
– Senhorita. – Uma moça recebeu a mulher. – Grão Mestre não tinha certeza se viria, mas ele vai adorar te receber.
– Ótimo. – respondeu, simpática. – Obrigada.
As duas andaram por um corredor claro, com alguns detalhes geométricos coloridos em vários pontos da parede. Quando alcançaram a porta, a deusa pôde notar a música alta.
– Grão Mestre, a sua convidada chegou.
Olhando para dentro da sala, viu um homem grisalho com alguns detalhes azuis pintados em seu rosto. Deduziu que aquele fosse o tal Grão Mestre pelo ar superior que tinha. Havia outra pessoa ali presa em uma cadeira. tentou não olhar muito para tentar entender o que estava acontecendo ali. Ela notou que havia um líquido denso e azul no chão, o cheiro se assemelhava muito a torradas.
– Poderosa deusa, venha até o lado do faísca para que eu possa me apresentar devidamente. Bom, eu comando esse circo chamado de "o torneio dos campeões", aonde as pessoas vêm de longe contra a própria vontade para participar das lutas. Ou, às vezes, porque querem, como é o seu caso, que veio somente apreciar. – O homem sorriu para ela, o que não a deixava menos confusa. – Mas você, meu amigo, pode ser parte do novo elenco. O que acha disso?
– Não somos amigos e eu não ligo para seus joguinhos. Pretendo voltar para Asgard. – Algo se iluminou na cabeça dela, fazendo com que se lembrasse do homem.
– Thor? – A mulher sussurrou e o homem a olhou de volta.
– Megera? – Thor respondeu, também a reconhecendo, ela não sabia em que ponto havia sido denominada daquela forma.
– Asgard? – Grão Mestre, tentando entrar no assunto, captou sua atenção, o que não valeu a pena, já que o velho começou a fazer uma dança estranha ao som da música alta que tocava.
Thor e olharam para a mesma direção ao mesmo tempo, já que uma voz bastante familiar aos dois pôde ser ouvida.
– E, naquele momento, eu me soltei. – O deus da mentira estava lá, sentado e rodeado de pessoas, segurando uma taça que continha uma bebida verde nas mãos.
– Loki... Loki... – Thor tentava ser discreto enquanto chamava pelo irmão.
tentou ajudar Thor a chamar a atenção do homem enquanto Grão Mestre estava perdido em seu egocentrismo. Loki, enfim, ouviu, olhando para a direção deles, e quando percebeu de quem se tratava, sua expressão já não era mais tão amigável. Ele se levantou e caminhou até eles.
– Aqui... Quieto. – O deus da mentira falou para que os dois ficassem em silêncio, visualizando a cadeira que aprisionava seu irmão. – Está vivo.
Loki falou, admirado, mas e Thor também estavam surpresos com a repentina vida do deus. Talvez, ela estivesse um pouco mais.
– É claro que estou. – Thor falou ao irmão.
– E parece que você também, melhor do que eu imaginava. – decidiu participar da discussão.
– Eu só fiz o que foi necessário. – Loki respondeu, tentando cortar o assunto.
– Necessário? – A mulher perguntou, surpresa. – Eu quase fiquei de luto por você.
– E por que a Megera quase ficaria de luto por você? Ela te sequestrou de Asgard e te libertou. – O loiro falou, um pouco agressivo mas em uma espécie de sussurro.
– Tudo bem, mas eu não acho certo esse negócio de fingir de morto. – A mulher comentou com Thor.
– Eu também, mas é melhor se acostumar. – Thor completou e Loki revirou seus olhos.
– O que vocês fazem aqui?
– Fui convidada. – A rainha falou e os irmãos a olharam, incrédulos.
– Como assim ‘o que eu faço aqui’? – Esbravejou Thor. – Não vê que eu estou presa na cadeira? Cadê a sua cadeira?
– Eu não tenho cadeira. – O irmão mais novo respondeu como se fosse óbvio.
– Então me soltem dessa aqui. – Thor suplicou.
– Não dá. – O moreno respondeu.
– Eu posso tentar. – A rainha se prontificou.
– Me soltem. – Falou o Deus do Trovão num sussurro mais uma vez e, quando a rainha fez a menção de tentar algo, Loki segurou sua mão.
– Não dá, não agora. – Ele indicou Grão Mestre com os olhos, que observava tudo sem entender o que estava acontecendo. – Me tornei amigo desse homem, um tal de Grão Mestre. Eu conquistei a boa vontade dele. Há semanas, a Bifrost me trouxe aqui.
– Há semanas? Então por que ontem, quando eu falei com Odin, ele lamentou sua morte? – Thor a olhou, confuso.
– Odin morreu, é impossível que você tenha falado com ele. – O mais velho respondeu como se fosse óbvio. – A não ser que alguém tenha se passado por ele.
– Culpado. – Loki admitiu. – O que eu posso dizer? Talvez eu estivesse com saudades.
– Semanas? Tudo isso? – Foi a vez do loiro questionar o sumiço do irmão. – Cheguei aqui agora.
– Por que estão falando baixo? – Grão Mestre perguntou fazendo, todos olharem para ele. – O tempo é diferente por essas bandas. Em qualquer outro mundo, eu teria alguns milhões de anos, mas aqui, em Sakaar... Enfim... Vocês conhecessem esse... Esse... Você se chama ‘senhor do trovão’?
– Deus do trovão. Diz pra ele. – Thor implorou para que Loki esclarecesse as coisas.
– Nunca vi esse homem em toda minha vida. – O deus da mentira falou persuasivo e , disfarçadamente, deu com o cotovelo nas costelas do homem, que contorceu seu rosto.
– Ele é seu irmão. – falou, incrédula.
– Adotado. – Loki rapidamente rebateu.
– Ele é guerreiro, por acaso? – Grão Mestre perguntou e Thor começou a rir.
– Tira essa coisa da minha garganta que eu mostro. – Foi neste momento que a deusa reparou uma espécie de dispositivo no pescoço dele.
– Olha ele, tá querendo me ameaçar. – Grão Mestre debochou. – Faísca, é o seguinte... Se quer voltar para Asbarbo... Asburgo...
– Asgard. – e Thor corrigiram o homem prontamente.
– Qualquer concorrente que vencer meu campeão, – Grão Mestre levantou um dedo. – terá a liberdade conquistada.
– Tá, então me mostre a direção do cara em quem devo dar uma surra. – O deus do Trovão falou grosseiramente.
– É isso que é concorrente. A direção seria por aqui, senhor. – O grisalho pegou uma espécie de controle remoto roxo e a cadeira em que Thor estava seguiu.
– Loki, Megera, me ajudem. – Foram as últimas palavras que ouviram do homem.
– Você vai deixar levarem seu irmão? – A mulher perguntou, preocupada.
– Ele é bem crescidinho, sabe se virar. – O moreno respondeu e voltou para a roda de pessoas em que estava anteriormente. – Escuta, não tente fazer nada. Isso só vai estragar as coisas.
– Tudo bem, então a gente precisa conversar e decidir o que fazer. – reforçou e Loki concordou, talvez um pouco a contragosto.
– Grão Mestre, onde posso indicar os aposentos desta honrada dama? – O deus perguntou, pomposo.
, se você preferir, eu posso mostrar a você. – Grão Mestre ofereceu de uma forma que não fez a mulher ficar muito interessada.
– O senhor é um homem muito ocupado, deixe que esse nobre cavalheiro me acompanhe. – falou e o deus baixou sua cabeça, esforçando-se para segurar a risada.
– É claro... Sou realmente muito ocupado. Amigo... – Ele colocou a mão no ombro de Loki. – Leve-a ao quarto 1232 no último andar e trate-a como a rainha que é.
– Pode ficar tranquilo, amigo.
Eles chegaram rapidamente ao quarto reservado para a mulher. O local era como toda a construção, muito colorida. Era bom estar em um lugar com cores extravagantes e alegres, só para variar.
– Nós deveríamos fazer alguma coisa pelo Thor. – Foi a primeira coisa que ela falou para quebrar aquele silêncio constrangedor.
– Olha, para ser sincero, tudo que o Thor vai ter que fazer é vencer o campeão do Grão Mestre. Isso vai ser fácil. – Loki falou, sentando-se na cama que havia ali.
– Então você acha que devemos deixar as coisas acontecerem?
– Sim, me parece que as coisas vão se resolver naturalmente. Quem seria fraco a ponto de ser aprisionado por Grão Mestre e, ao mesmo tempo, forte para vencer o Thor? Não me parece nada coerente. – Ele explicou e conseguia ver um pouco de sentido naquilo. – Eu sei que você não vai desistir mas, como sei o horário das orgias do Grão Mestre, te levo até onde Thor está.
– E qual o horário? – Perguntou e o deus sorriu.
– Não vai demorar.
Eles passaram algum tempo falando sobre o que aconteceu desde que Loki deixou o planeta, sobre ter trancafiado Odin na terra, sobre o momento em que Thor descobriu aquilo e sobre o doutor Strange o ter feito cair por trinta minutos.
– Você não pensou em voltar? – perguntou enquanto Loki se sentava ao seu lado.
– Sabe, pra ser sincero, eu sempre soube que você estava segura e ficaria mais se eu ficasse longe, então...
– Isso é bem não você. – A rainha o olhou nos olhos e sorriu.
– Ah, e o Tesseract está em Asgard. Thor pegou de volta. – Ele falou, mudando de assunto.
Ela riu da situação. Quando a mulher voltou a olhar para o rosto do deus, ele estava com um sorriso singelo nos lábios. E antes que se desse conta, Loki juntou seus lábios nos dela rapidamente. De uma maneira diferente, talvez nenhum dos dois fosse admitir, mas a saudade pairava por todo o quarto. E aquilo, sim, era repentino.

Continua...

Nota da autora: "Oi leitores, espero que estejam gostando de tudo o que eu venho escrevendo.
Se possível, gostaria que vocês deixassem um comentário pois é muito bom saber que vocês estão lendo minha história e gostando dela! Obrigada e até o próximo capítulo."
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
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