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Última atualização: 01/02/2020

Capítulo 1

odiava quando seus dias estavam lotados e ela quase não tinha tempo nem para respirar. O que era uma situação cômica já que, desde março, a maioria dos seus dias eram daquele jeito.
entrou na Universidade Athena, localizada na cidade de Boa Viagem, praticamente correndo. A reunião com os novos diretores da atlética do curso iria começar exatamente em cinco minutos e ela, como presidente, não podia atrasar, ainda mais na sua primeira reunião como tal.
respirou fundo quando conseguiu atravessar o jardim gigantesco da universidade e continuou a correr até o quarto corredor do bloco D. Subiu os quatro lances de escada e finalmente abriu a porta da sala, que tinha sido entregada a pouco tempo para a atlética. Era o cafofo dos Lobos. sorriu ao olhar o relógio e perceber que tinha chegado bem na hora.
– Bom dia, pessoal.
– Parece que você correu uma maratona, . – Amanda Soares comentou no momento em que a menina abriu o frigobar da sala e tomou praticamente toda a água que estava em uma garrafa rosa.
– Não me teste.
– Ao menos, já sabemos que tem fôlego para jogar o Inter. – Lucas provocou e ela mostrou o dedo do meio para o negro. – Muito amor a essa hora da manhã? Estou grato.
– Muito engraçado, zé graça, mas sim. Podemos começar? – Perguntou e abriu um sorriso, sentando na ponta da mesa, de modo que pudesse observar a todos os seus diretores que iriam acompanhá-la naquela jornada. – Primeira pauta é...? – Olhou para Gabriella Fernandes, sua amiga de vida, curso e, graças aos céus, secretária da atlética.
– Reestruturação da diretoria. – Gábe falou e respirou fundo – Planejamento esportivo.
– Ok, ponto um. Todo mundo aqui ainda quer estar aqui, certo? – perguntou, apreensiva.
conhecia todos naquela sala, mas ainda tinha medo de que os amigos não quisessem mais seguir com ela naquela jornada. A gestão passada tinha sido um fiasco, deixando apenas problemas para o restante do pessoal, que ainda insistia em preservar a tradição de ter uma atlética no curso de Direito.
– Estamos com você, baixinha. Estamos todos juntos nessa. Lutar juntos, vencer juntos. – Ícaro disse e sorriu, confiante.
Naquele momento, soube que as coisas iriam dar certo.
A reunião continuou e, em conjunto, todos foram escolhendo a parte que mais queriam trabalhar na atlética e com a qual ficariam mais confortáveis. era a presidente, Gabriella Fernandes continuou como secretária executiva, Thomas Cardoso era diretor geral de esportes, Lucas Diniz cuidava da parte de futsal e society, Anna Ferraz era a ponteira oficial da atlética e diretora de vôlei e Ícaro Nunes era responsável por handebol e eventos em companhia da Amanda Soares: a mulher mais festeira da universidade Athena.
– Só tenho um problema, um grande problema. – Thomas passou as duas mãos pelos cabelos, que já estavam sem corte. – Não temos ninguém no Basquete.
– Eu posso ficar no Basquete também, já que conheço e já jogo no time.
– Mas o time de também precisa de um armador, a gente não vai funcionar sem um.
– Eu não conheço ninguém que jogue basquete e seja suficientemente bom para entrar e dar vida a esse time. – Anna disse com um semblante triste.
– Eu só sei um cara que joga basquete, mas ele nunca vai querer. – Ícaro soltou uma risada. – me mata se eu perguntar.
?! – perguntou e revirou os olhos. – Vou resolver isso. Deve ter muita gente que jogue basquete, né?
Mas ela sabia que basquete era um esporte elitizado e que era difícil achar alguém que já tivesse praticado ou até mesmo que gostasse, assim como sabia que Duarte Viegas nunca iria querer jogar pelo time da atlética da universidade.

🏀


odiava Direito Civil tal como odiava a franquia do Golden State Warriors. Para ele, GSW era o time do lado negro da força, assim como Direito Civil III. ‘Quem é que quer saber que direitos tem um cadáver, mano?’, gritou em seus pensamentos quando terminava mais uma página do livro da Maria Helena Diniz.
– Vou tirar I de novo. – Murmurou para o amigo que estudava ao seu lado.
, você vai tirar ‘Insuficiente’ se não estudar. Qual é? Não está nem tentando entender o que a diva da Diniz fala.
– Não estou tentando? – Perguntou em tom elevado, atraindo olhares feios das pessoas que estavam na biblioteca. – Você é ridículo.
– Sem drama. Se eu soubesse, ajudava. Mas sucessões é só semestre que vem.
– Odeio você por ter entrado nessa merda de faculdade só na metade do ano. Odeio.
– Sabe o que você pode fazer? Pregar um papel no mural de avisos pedindo ajuda. Diz que você paga, sei lá.
– Ninguém lê aquilo, Matheus.
– Eu leio. E umas pessoas inteligentes também leem. Sabia que você precisa de hora complementar para formar?
– Hora o quê? – perguntou e o melhor amigo revirou os olhos, fazendo sinal para ele voltar a atenção para o livro.
Matheus Petrone levantou-se da mesa e foi para a área de computadores da biblioteca. Ele iria ajudar o melhor amigo porque ia ser horrível se ele repetisse mais um módulo de Direito Civil. Já bastava obrigações e contratos, que o rapaz tinha feito duas vezes. Inclusive durante as férias.
Math abriu o Word, usou uma fonte bonita e molduras, gostou do que fez e mandou a página para a reprografia. Nem que não quisesse, ele iria grudar no mural de avisos do bloco.
Assim que saiu da biblioteca, Math esbarrou com pelo corredor principal e uma luz acendeu sobre sua cabeça. era a melhor aluna de Direito Civil do ano de . Mas a luz logo se apagou quando percebeu a menina andando tão afobada pelos corredores que nem o olhou nos olhos quando murmurou um pedido de desculpas por ter dado um encontrão contra ele. E a luz apagou mais ainda quando ela pegou uma maçã das mãos de Thiago Vieira e lhe deu um selinho rápido. Matheus se perguntou o porquê dela estar com Thiago, o rapaz de engenharia civil que andava com homens de caráter muito duvidoso.
Math deu de ombros, seguiu seu caminho, imprimiu o papel e voltou para a biblioteca, jogando em cima do livro do amigo.
– Ah, não...
– Ah, sim, senhor. Ou vai querer mais um I? – Arqueou uma só sobrancelha e se perguntou como ele conseguia fazer aquilo. – E vamos que tenho aula de processo daqui a – Olhou para o enorme relógio no pulso. – dois minutos. Tchau, querido. E vá pendurar isso.
desistiu de protestar contra o melhor amigo e começou a guardar seu material. Colocou seu airpod e saiu da biblioteca. não vivia sem música assim como não vivia sem basquete.
Fall Out Boy estava no máximo quando o rapaz chegou na frente do mural de avisos da faculdade. A música o distraia da vergonha de grudar um papel que praticamente deixava explícito que ele era uma porta em Sucessões e qualquer coisa referente a Civilistas. Ele facilmente poderia estudar só Processo Penal.
– Licença. – escutou ao fundo da música, mas pensou que fosse coisa da sua cabeça, até que sentiu uma pontada em sua costela que o fez olhar para baixo.
– Você? – E a menina o encarou com a testa franzida.

🏐


saiu da reunião da Lobos apressada, precisava resolver a situação do time de basquete o quanto antes porque, sem aquele time formado, jamais subiriam para a primeira divisão da competição. Jamais mesmo.
Pelo menos, o anúncio já tá pronto’, pensou enquanto praticamente corria para a reprografia antes que o lugar ficasse lotado. Sem querer, no meio do caminho, esbarrou em alguém que, pela pressa, não conseguiu identificar. Murmurou um pedido de desculpas e seguiu seu caminho, sendo parada por Thiago Vieira, o rapaz com quem ficava com mais frequência que o normal.
– Você já comeu alguma coisa hoje? – A pergunta era retórica porque o futuro engenheiro, assim como todos que andavam com a menina, já sabia a resposta e estendeu uma maçã para ela.
– Tô com pressa. – Deu um selinho no rapaz. – E obrigada pela preocupação, viu?
– Me dá aqui suas coisas, levo logo pro carro. – agradeceu mentalmente por ele ter se oferecido, já que os armários ficavam do outro lado do bloco e ia ser horrível resolver as coisas carregando uma bolsa e um Vade Mecum.
– Não vou demorar. – Entregou o livro para Thiago e voltou ao seu caminho.
Por sorte, só tinha duas pessoas na sua frente. imprimiu o anúncio que sua melhor amiga Karina tinha feito para ela na noite anterior e seguiu para o mural de avisos. Pessoas inteligentes liam o mural. Pessoas inteligentes com certeza deviam conhecer alguém que jogasse basquete.
– Só pode ser sacanagem. – Falou sozinha quando viu ninguém mais ninguém menos que colocando um aviso no mural, totalmente sem saber como fazer aquilo.
aproximou-se do rapaz, conseguindo escutar perfeitamente o que ele estava ouvindo. My Songs Know What You Did in the Dark devia estar no último volume, o que significava que era, no mínimo, surdo.
– Ei. – Disse e não obteve nenhuma resposta.
Imediatamente, um bico formou-se em seus lábios e sua testa franziu. Como era que ele não a escutava ou via?
– Licença. – cutucou a costela do rapaz e, rapidamente, ele olhou para baixo.
– Você? – Perguntou, tirando o lado direito do fone e guardando no bolso.
– Eu.
– Fiz algo de errado para a madame estar emburrada? Porque você não fala comigo nem na sala.
– Deve ser porque você olha torto para todo mundo.
– Igual você tá me olhando agora? – Riu enquanto a menina revirava os olhos.
respirou fundo e olhou para o aviso que tinha acabado de colocar, totalmente torto, no mural.
– Você precisa de mim. – Esboçou um sorriso, com sua mente tendo uma ideia brilhante.
a encarou sem entender.
– E você de um jogador de basquete. – Retrucou quando prestou atenção no papel em que a menor segurava.
sorriu e balançou a cabeça negativamente.
– Nem tente. Nem em sonho. Jamais. Jamé. Nunca.
– Mas…
– Fora de cogitação. – Decretou antes mesmo que a negra falasse algo.
bufou enquanto ele colocava novamente o fone direito e lhe dava as costas.
– Vamos ver. – Disse enquanto arrancava do mural o anúncio que ele tinha acabado de pregar.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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