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Última atualização: 08/03/2020

Prólogo

Aquele domingo no fim de setembro havia começado como todos os outros em Londres. Uma brisa gélida já se tornava presente devido à chegada do outono e o céu estava sem nenhuma nuvem, o que transformava aquele dia em um dia perfeito para as pessoas que gostavam de acordar cedo, ir correr e estar sempre ao ar livre. Esse era exatamente o caso de . Apesar de toda uma rotina agitada devido à sua estrondosa fama, haviam dias em que ele só queria ser mais um no meio da multidão, invisível para as pessoas.
Ele havia acordado cedo, mais precisamente com o nascer do sol, já que não havia saído nem feito nada muito especial nos dias anteriores, colocou uma roupa confortável de ginástica juntamente com um tênis e decidiu que iria correr pelo Hyde Park.
Aos domingos de manhã o lugar era praticamente deserto; as pessoas não tinham o mesmo interesse que ele, não eram de correr, não queriam acordar cedo e nem sair de suas cobertas quentinhas e andar pela cidade, por isso ele amava esse dia. se sentia alguém anônimo: sem paparazzi, multidão ou fãs, era só ele e a natureza. Sentir o vento em seus cabelos era uma das suas coisas favoritas e poder fazer isso correndo dentro de um parque na sua estação e cidade favorita tornava tudo perfeito, extremamente perfeito.
ficou ali pelo Hyde Park por mais ou menos uma hora e meia até que percebeu algumas pessoas chegando com seus cachorros e algumas cestas para possíveis piqueniques de café da manhã. Ele colocou o capuz em sua cabeça, os óculos escuros e decidiu voltar andando ao apartamento, que não ficava tão longe dali, já que não tinha ido de carro. No trajeto até seu apartamento, ele sentiu o estômago revirar de fome, então decidiu passar num café italiano que havia próximo dali. Se tinha uma coisa que sempre fora viciado era em chás e cafés, e aquele lugar ali depois da sua corrida seria perfeito.
O lugar ainda estava vazio, o que o animou ainda mais, e também por estar suado, com roupa de corrida, óculos e capuz, as pessoas pareciam não o reconhecer, o que havia causava um leve sorriso em seu rosto. Como estava feliz por não ser reconhecido, resolveu comer por ali mesmo, pediu um chá preto acompanhado de um muffin de amora e foi andar pelo lugar. Ele não tinha notado nos detalhes do café quando entrou no lugar e só estava percebendo isso agora. O café tinha toda uma rusticidade e simplicidade que amava, além das cortinas em tons quentes que deixava o lugar mais aconchegante ainda, porém o que deixou ainda mais encantado pelo lugar, foi a existência de uma pequena livraria que tinha por ali. Eram apenas quatro prateleiras em mogno com livros de diversos gêneros e isso arrancou um sorriso ainda maior de , afinal, ele amava ler e sem dúvidas era uma das suas coisas favoritas no mundo. Óbvio que não tinha preferência por nenhum gênero, sempre achou que o mundo dos livros era perfeito, ao qual ele poderia se perder, se encontrar e ser outra pessoa, poderia ser um duque, um cavaleiro da coroa, um viking, um escritor apaixonado, um simples homem do campo… Mundos novos sempre fascinaram .
então começou a passar os olhos pelas enormes prateleiras. Buscava algo que lhe chamasse a atenção e que fosse diferente do que ele costumava ler. Havia decidido a começar um novo livro assim que olhou aquelas prateleiras, mas dessa vez o escolheria de forma diferente do que fazia habitualmente: ignoraria a sinopse e leria aquele livro pela capa dele. Bateria o olho na capa e, se amasse, era aquele que levaria para casa.

- Senhor? - a atendente do café disse chamando a atenção de .

Ele a olhou com um sorriso amigável e fez um sim com a cabeça como forma de dizer que estava escutando.

- O seu pedido está pronto. Coloquei naquela mesa entre aquelas duas prateleiras - avisou apontando para o lugar.
- Obrigado! - respondeu dando um sorriso de agradecimento para a atendente e em seguida dirigiu-se até a mesa.

Assim que se sentou naquele lugar, começou a observar as duas prateleiras que estavam próximas a ele e logo que deu o primeiro gole em seu chá, um certo livro lhe chamou a atenção. Um que estava bem na ponta daquela prateleira e que se poderia notar todos os detalhes da sua frente: sua capa era de cor bege e parecia mais um manuscrito do que um livro propriamente dito, não havia nenhuma imagem na capa, apenas o título em letras garrafais pretas “ELYSIAN” e a abreviatura do nome da autora ou autor, CN. Aquilo o tinha intrigado; Como alguém publica um livro dessa forma? É a capa que os vendem e aquela não vendia! Mas conhecia o ditado de “Nunca julgue um livro pela capa” e por isso queria lê-lo e saber o porquê de não ter nada além daquelas informações. Às vezes esse poderia ter sido o intuito de quem escreveu, mas achava difícil ser isso. Sendo assim, se levantou e foi em direção ao livro, o pegando em mãos.
Enquanto analisava minuciosamente o livro, ele começou a brincar com os lábios, algo que sempre fazia quando estava muito concentrado ou pensando em algo. A capa do mesmo era macia e parecida com uma pequena almofada, algo que ele nunca havia visto antes. então se sentou em sua mesa e colocou o livro ao lado de sua xícara de chá, decidindo que daria à devida atenção depois de terminar sua pequena refeição, porque se tinha uma coisa que amava era apreciar seu belo chá da forma que ele deveria. Porém, assim que deu sua primeira golada no chá, olhou para aquela capa de novo e não teve como não o pegar em mãos. Ele decidiu que faria as duas coisas juntas: tomaria seu café e leria o livro. Começou pela sinopse descobrindo que se tratava de um romance e riu, pois essa era a primeira vez em anos que ele leria algo do tipo; mesmo não tendo gênero favorito, romance era algo que ele não lia sempre. E algo naquela sinopse o deixou intrigado, pois já deixava claro que o casal não ficaria junto. Por quê? Ele ainda não sabia, mas era exatamente por isso que agora queria ler esse livro com afinco.
Assim que acabou a sinopse, ele resolveu abrir o livro e em sua primeira folha havia a seguinte frase:

Depois daquele dia em que te vi pela primeira vez sobre aquele palco, eu sabia que essa história precisava ser escrita, contada e sentida. Então essas são as minhas mais doces e sinceras palavras sobre você

Aquilo lhe causou um certo choque, mas também o deixou ainda mais intrigado. Seria um livro que falava sobre alguém famoso? Isso seria pegadinha ou ironia do destino? Ele não sabia, mas tinha plena certeza que esse livro tinha ganhado o posto de novo interesse de e que o levaria para casa para lê-lo.
terminou sua pequena refeição, seguiu até o caixa para pagar o que havia consumido e o livro.
Assim que chegou no balcão da cafeteria, abriu um dos seus sorrisos mais simpáticos para a atendente que acabou se derretendo. amava esse efeito que causava nas pessoas, sendo elas do sexo que fossem.

- Você conhece o autor desse livro? - ele perguntou ainda sorrindo a atendente enquanto acariciava a capa com as mãos.

A atendente demorou uns segundos até conseguir prestar atenção no que ele falava e quando entendeu, o encarou com um olhar surpreso, pois nunca haviam lhe perguntado sobre os autores dos livros, já que no máximo era uma saudação, os pedidos, pagamentos e tchau.

- É uma jovem autora e o livro não foi propriamente publicado - ela começou - Alguns anos trás, ela passou por aqui e pediu se poderia deixar uma cópia para ver se alguém tinha interesse.

A atendente então sorriu para de forma cúmplice.

- Interessante - disse depois de ouvir a informação.

E ele realmente achava isso, pois autores normalmente não faziam algo do tipo. Era sempre buscando lucro para si próprio e acabavam mandando para grandes editoras. Aquele livro acabava de se tornar ainda mais interessante.

- O senhor é o primeiro a comprar o livro - a atendente disse por fim desviando os pensamentos de .
- Vou dar uma chance, já que o achei interessante desde o primeiro momento em que o vi - soltou mais um dos seus sorrisos assim que acabou de proferir essas palavras - Obrigado!

Depois desse pequeno diálogo, acabou de pagar tudo dando uma bela gorjeta para a moça que ficou extremamente feliz, pois aquilo ajudaria muito nos livros da faculdade. saiu feliz do café com o livro na sacola, pois teria o que fazer hoje e leria o dia todo, coisa que ele amava. Enquanto caminhava pelas ruas desertas de Londres, o cantor não poderia imaginar que aquele livro que levava para casa se tratava exatamente sobre ele e o faria se ver com outros olhos: os olhos de uma autora que era loucamente apaixonada por ele. era a inspiração daquela história e era sobre ele as doces palavras contidas no misterioso Elysian.


Capítulo 1

2013

. .


Já era a segunda vez em que o despertador do celular tocava de forma ensurdecedora pelo quarto de , mas por incrível que pareça, a menina não havia se mexido nem por um segundo sequer. Dormia igual a uma pedra, literalmente. estava exausta, destruída, mas feliz como nunca tivera antes em sua vida. Na noite anterior havia finalmente se sentido completa, pois o momento pelo qual esperou por anos para acontecer, desde de 2010 na verdade, se tornou realidade e foi o melhor dia de sua vida. A noite em que gritou à plenos pulmões as letras de todas as suas músicas favoritas e viu a sua banda favorita: .
havia ido ao show com sua melhor amiga , que também era louca pela banda. As duas compartilhavam dos mesmos gostos desde pequenas, já que eram amigas de infância e haviam se conhecido enquanto ainda frequentavam o maternal. Agora, as meninas dividiam o mesmo quarto no alojamento estudantil da faculdade em Londres. escolheu o Design enquanto cursava Direito e essa era a única coisa que as meninas não dividiam.

- PELO AMOR DE DEUS, ! ACORDA! - gritou de sua cama enquanto arremessava travesseiros na amiga. - OU PELO MENOS DESLIGA A DROGA DESSE CELULAR!

então deu uma leve mexida em sua cama, colocou um dos braços para fora do cobertor procurando o celular na mesinha ao lado de sua cama e finalmente o desligou.

- Tava sonhando com o para não ter escutado esse celular tocar cinquenta vezes? - proferiu brava de sua cama.

apenas levantou o braço novamente do cobertor e lançou o dedo do meio para amiga, que acabou caindo na gargalhada.
não estava mentindo. realmente estava sonhando com , aquele ao qual ela julgava ser o homem mais perfeito vivendo na Terra. com seu cabelos ondulados penteados para trás, os olhos brilhantes, as tatuagens que eram verdadeiras obras de arte desenhadas em sua pele, as calças pretas coladas, camiseta branca e botas. Era tudo o que ela mais queria ao seu lado.

- Terra chamando ! - disse enquanto arremessou outra almofada na amiga, que dessa vez lhe acertou bem na cara.
- Auch! - disse enquanto se desligava dos pensamentos sobre e finalmente dava atenção para a amiga.
- Por que você está acordada? - falou de mau-humor enquanto se sentava em sua cama e olhava para com raiva. - Não tinha ninguém para sonhar não? não quis aparecer nos seus sonhos essa noite?

fez a mesma coisa que a amiga e a olhou rindo.

- Não preciso sonhar, querida. Um dia eu ainda vou tê-lo só pra mim - disse toda cheia de si.

acabou rindo da cara da amiga, não porque duvidasse que fosse louca o suficiente para isso, mas era engraçado imaginar que um dia alguma das duas poderia ter algo com alguém famoso como ou , uns dos membros da maior boyband da atualidade. sempre tivera os pés no chão em relação a isso; sonhava com , imaginava o homem ideal para si exatamente igual a ele, mas sabia que o verdadeiro estava completamente fora de cogitação. Ela era só mais uma das milhares de fãs que eram apaixonadas por ele.

- Eu queria que um dia o soubesse tudo o que sinto por ele, sabe? - começou dizendo. - Esse show só provou que eu escolhi a banda certa e o cara certo para ser fã! Ele cantando Moments ontem foi absolutamente tudo o que eu precisava para restabelecer as minhas energias e continuar vivendo a minha vidinha.

prestou atenção em todas as palavras da amiga e se sentia da mesma forma. Ela queria que de alguma forma pudesse por tudo o que ela pensava e sentia para fora, registrar o que sentia por , o que esperava e o que queria dele. E então uma ideia surgiu em sua mente.

- E se a gente começasse escrever tudo o que sente? - disse para amiga que imediatamente a olhou com uma cara de confusão.
- Escrever? Escrever cartas? - questionou.
- O que você quiser! - respondeu rindo enquanto mil ideias passavam por sua cabeça. - Eu quero escrever uma história onde eu expresse tudo o que eu sinto, acho que cartas não seriam o sufici…
- Espera! - interrompeu a amiga. - Você vai escrever uma fanfic?

pensou se era realmente isso o que queria e não teve dúvidas. Escrever sobre poderia lhe fazer bem, já que a faculdade a fazia surtar às vezes. Essa história poderia ser sua válvula de escape, onde criaria o seu novo mundo.

- Por que não? A gente lê fanfic o tempo todo... - disse enquanto lembrava de todas as histórias que já havia lido com as suas bandas favoritas, principalmente as que tinham como personagem os meninos do McFly, que eram os mais famosos na época.

deu um sorriso cúmplice para a amiga, levantou de sua cama e foi se sentar ao lado dela.

- Se você realmente escrever, eu vou querer ler tudo! - disse abraçando a amiga.
- Aquele show foi perfeito! - disse ainda entre os braços da amiga. - Eu preciso por pra fora tudo o que eu estou sentindo depois de ontem.

Mas antes que alguma das meninas pudesse dizer mais alguma coisa, escutaram batidas altas na porta de seu quarto.

- Acordem, dorminhocas! - era a voz de Anthoni, melhor amigo de ambas. - Nós temos aula!

Foi então que as amigas se deram conta que estavam extremamente atrasadas para suas aulas. As duas levantaram correndo e começaram a se arrumar para seguir com as suas vidas normalmente, porém não saía da cabeça de e não nem tinha previsão de sair tão cedo, afinal, uma história com ele ainda estava por vir.

***


2015


Dois anos haviam se passado desde o dia que tinha tido a ideia de escrever uma história em que fosse o protagonista e em todo o seu tempo livre, lá estava ela com o seu notebook aberto escrevendo. Aquela história realmente havia se tornado a sua válvula de escape. Era um novo mundo onde tudo era possível, inclusive fazer e ser quem ela quisesse e ter unicamente. Ela descrevia da forma que achava que ele é longe dos holofotes, mas tinha consciência que nunca saberia de verdade se tinha acertado.
Aquela história tinha se tornado algo tão presente em sua vida que já havia a finalizado há algumas semanas e decidiu entregar para ler as páginas finais.

- ! - disse com uma cara incrédula e sem tirar os olhos da tela do notebook. - Eu nunca imaginei que você tinha esse talento todo e muito menos que você escreveria algo tão doce e apaixonante dessa forma! Amiga, você o descreveu tão perfeitamente que me convenceu que ele realmente pode ser assim!

tinha um sorriso de orelha a orelha e não sabia muito o que dizer, pois tinha vergonha de alguém estar lendo algo em que ela expressava o mais profundo sentimento que existia dentro do seu coração e da sua alma.

- Obrigada! - respondeu a amiga com o tom de voz baixo devido à emoção. - Eu só escrevi o que eu sentia e queria que acontecesse na vida real.

ainda permanecia com os olhos no computador lendo linha por linha. Ela realmente havia amado a história, se conectado e se sentia dentro do mundo que havia criado.

- Eu espero que um dia você publique isso! - disse ainda lendo.

imediatamente arregalou os olhos. Ninguém poderia saber da existência daquela história, ninguém!

- Claro que não! Você será a única que leu e essa história permanecerá guardada à sete chaves! - respondeu a amiga de forma rápida.
- Deixa disso, ! Nem podemos dizer que essa história se trata de uma fanfic propriamente dita, já que você trocou o nome do por Heron. é a inspiração, mas nunca alguém saberá que se trata dele, NUNCA! - disse enfatizando a última palavra.

já estava nervosa, sentia suas mãos gelarem e seu peito acelerar só de pensar na hipótese de mais alguém ler aquilo um dia. Ela não queria que ninguém mais lesse o que havia escrito, pois era algo dela, íntimo e que tinha escrito apenas por diversão. Se tratava apenas do que ela sentia e nada mais.

- , por favor! Eu não quero! - suplicava nervosamente.

pela primeira vez desviou o olhar da tela do computador para olhar a amiga e percebeu em seu olhar que ela realmente estava falando a verdade. não queria aquilo espalhado para o mundo, pois era algo apenas dela e, apesar de achar aquilo um desperdício de história, resolveu concordar com a amiga naquele momento.

- Tudo bem, mas eu ainda vou te fazer mudar de ideia - disse por fim.

soltou um sorriso amigável e se sentou ao lado da amiga. Ambas voltaram a ler a história e se conectar com todo aquele ambiente que havia criado: um mundo novo em que se apaixonava por ela.

***


. .


estava cansada. Não aguentava mais todo aquele clima de tensão por causa da faculdade e a pressão que seus pais colocavam em cima de si. Amava a faculdade e estar ali com os seus dois melhores amigos, e Anthoni, mas ela nunca quis realmente cursar Direito e muito menos ser advogada. Seu grande sonho sempre foi trabalhar com moda; ela adorava criar suas próprias roupas e seu próprio estilo, mas segundo seus pais, “aquela não era uma profissão que dava dinheiro” e foi por livre e espontânea pressão que acabou fazendo o que eles queriam.
Ela se sentia esgotada com aquele turbilhão de coisas que ela nem queria para sua vida e foi por causa desses pensamentos que saiu aos prantos no meio de uma aula de Direito Penal e correu para o seu quarto no alojamento. só queria ficar sozinha, desligar sua cabeça e apenas ficar quieta e dormir. Desejava com todas as suas forças que essa pressão acabasse, pois odiava se sentir assim. E foi deitada em sua cama que ela viu o notebook de sua amiga ali, sozinho na mesa de estudos, e decidiu que iria se distrair dos pensamentos ruins lendo mais uma vez a história escrita por . Aquela mesma história que havia se tornado a sua favorita em todo mundo e que ela queria que o mundo todo conhecesse, mas que a amiga não concordava. Foi pensando nisso que teve uma ideia.

- Por que não posso transformar essa história em livro e distribuir por aí sem que a saiba? - disse para si mesma. - Talvez ninguém realmente leia a história ou até leia e vire uma autora famosa, quem sabe?

imediatamente se animou, levantou de sua cama e entrou em contato com a gráfica da faculdade para saber quando ficaria se ela imprimisse 10 livros. Ela sabia que tinha diagramado o livro todinho e criado um protótipo de capa, mas nada oficial. Uma capa amarelada, com o nome do livro grande e suas iniciais; era simples e mais parecida com um manuscrito do que qualquer coisa, mas seria dessa forma mesmo que ela sairia distribuindo por aí.
Algumas horas depois, o orçamento chegou e solicitou a impressão de todos e no dia seguinte tudo já estava pronto. escondeu a caixa dentro do seu armário para que não desconfiasse e quando a amiga saísse para a aula, ela sairia por Londres distribuindo as cópias pelas livrarias e cafés da redondeza.

- O que você está sentindo? - perguntou preocupada, já que tinha dito que não estava se sentindo bem, o que na verdade era só uma desculpa para não ir à aula.
- Cólica, amiga. Nada demais - respondeu. - Eu só não quero ir hoje, você sabe como ando esgotada.

foi até a cama da amiga e a abraçou. Sabia como a amiga sofria com esse impasse do curso e de seus pais e não achava justo, mas ela não tinha como mudar isso, infelizmente.

- Qualquer coisa me avisa que volto pra ficar com você! - disse por fim enquanto se levantava e se dirigia a mesa para pegar seus livros.
- Pode deixar! - respondeu de forma doce.

lançou um beijo para amiga e então saiu do quarto fechando a porta. esperou um pouco para ver se a amiga não retornaria e, quando percebeu que ela não voltaria, imediatamente se levantou, trocou de roupa, pegou a chave do seu carro e a caixa do seu guarda roupa e partiu para o estacionamento do alojamento.
Poucos minutos depois, já dirigia pelas ruas de Londres procurando livrarias e cafés que aceitassem o livro da sua amiga. Esse processo todo foi até que fácil, pois todas deixaram. Mas ainda restava um último livro dentro daquela imensa caixa.

- Onde irei deixar você? - disse para si mesma enquanto dirigia próximo ao Hyde Park.

Foi quando, coincidentemente, avistou um café que também era uma livraria. Estacionou o seu carro em frente ao local e desceu do mesmo com o livro em mãos, adentrou no café e olhou a atendente que parecia simpática atrás do balcão e se dirigiu até ela.

- Bom dia! - disse parada em frente ao balcão.
- Bom dia, em que posso lhe ajudar? - a atendente disse com um sorriso no rosto.

deu um sorriso cúmplice em resposta.

- Eu sei que vai parecer estranho, mas eu poderia deixar esse livro aqui? - disse na lata.

A atendente lhe olhou um pouco confusa sem entender o que ela queria com aquilo.

- O quê? - ela perguntou.

sorriu mais uma vez e pensou no que iria dizer.

- Minha amiga escreveu essa história - começou a contar. - E é perfeita, mas ela não queria que ninguém lesse e eu não concordei com isso, pois o mundo precisa conhecer. Então, fiz algumas cópias e estou distribuindo em cafés e livrarias. Não vou pedir nada em troca, só quero deixar aqui para que alguém tenha a oportunidade de ler - tagarelava sem parar, deixando a atendente até um pouco confusa. - Por favor!

A atendente pensou por um momento e depois deu uma risada enquanto pensava.

- Você pode deixar aqui, não vejo problema nisso – respondeu. - Mas te oriento a falar com sua amiga depois, porque isso pode se tornar um problema futuramente.

começou a dar pulinhos animada.

- Eu deixo aqui e você coloca ou…
- Pode por você mesma - a atendente cortou . - Escolha o melhor lugar.
- Obrigada! - disse agradecendo. - Ah, eu vou querer um cappuccino de avelã. Vou por o livro ali e já volto!

A atendente confirmou com a cabeça e sorriu. Enquanto isso, se dirigiu a parte em que ficava os livros, viu duas prateleiras que ficavam entre uma mesa e decidiu que seria ali que colocaria o mesmo. Era uma parte mais afastada, mas sentiu que ali seria o lugar perfeito para que alguém o encontrasse um dia.
então voltou ao balcão, pegou seu cappuccino e o pagou.

- Vou deixar meu número com você se caso alguém algum dia perguntar, peça para me ligar - disse a atendente enquanto anotava o número num pedaço de guardanapo de papel.
- Okay! - a atendente respondeu enquanto pegava o papel das mãos de .

No papel estava escrito:

“Quer saber mais sobre o livro Elysian?
Ligue para mim!
+44 20 9629 8888”


A atendente guardou aquele guardanapo na primeira gaveta de sua bancada. sorriu em agradecimento e então saiu do estabelecimento e voltou para o carro com a sensação de dever cumprido.
Alguns anos se passaram desde aquele dia. acabou se formando em Direito e foi trabalhar na parte jurídica da Gucci, onde acabou juntando o Direito com o que mais amava, a moda. Já , nunca desconfiou do que a amiga havia feito e acabou deixando seu amado livro esquecido entre os milhares de documentos salvos em seu computador. Ela se formou em Design e começou a trabalhar para uma grande revista de moda graças à influência de ; porém, tudo estava prestes a mudar na vida de . Elysian voltaria para sua vida da forma mais inusitada possível e com batendo em sua porta.


Capítulo 2

Dias atuais - 2018

. .


permaneceu intrigado enquanto voltava para a sua casa com aquele livro na sacola, já que fazia muito tempo que não ficava fixado assim por algo. Na verdade, nunca fora do tipo de pessoa que ficava fixado em coisas e achava isso loucura; Ele não se lembrava de ter sido fã de algo na infância ou no começo da adolescência, e depois menos ainda, já que ele havia se tornado a fixação de várias jovens pelo mundo com o estrondo que a tinha sido. A última coisa que o havia deixado tão interessado dessa forma tinha sido quando conheceu Townes Jones, a irmã de uma amiga enquanto ainda preparava o seu primeiro álbum. Eles só se viram uma vez, mas os dois tiveram uma noite memorável, tão memorável que inspirou a escrever uma música sobre ela: Carolina. Porém o que ele sentiu pela menina não chegava nem perto do que ele estava sentindo nesse momento por aquele livro; ele não via a hora de chegar em seu apartamento, deitar em seu sofá branco e devorá-lo tranquilamente durante todo o domingo.
estava no seu período de férias; faziam poucas semanas que a turnê mundial do seu primeiro álbum solo havia acabado e ele estava concentrado em descansar. A forma de descansar de não era dormir e nem ficar sem fazer nada como qualquer pessoa normal. Na verdade, a forma de descansar de era se ocupando de coisas normais como: viajar, escutar uma boa música, ler um bom livro, sair com os amigos e também acordar cedo para correr.
Assim que adentrou na sua cobertura em um dos maiores e mais chiques arranha-céus de Hampstead Heath, colocou logo o livro em cima da mesa de centro de sua sala de estar, que era incrivelmente branca e tinha alguns toques de cores neutras, assim como quando estava fora de sua turnê. Ele seguiu então diretamente para o banheiro em busca de uma calma e relaxante ducha e resolveu conectar seu celular ao sistema de som central do apartamento, logo uma banda de rock alternativo inglesa dos anos 90 e 2000 chamada Keane começou a soar pelos alto-falantes e enquanto a água quente descia pelo seu corpo relaxando seus músculos, Perfect Symmetry tocava estrondosamente pelo lugar. Uma frase em especial daquela música fez sua mente voltar ao livro; era exatamente sobre ler algo e tentar entender até chegar ao final, logicamente que a música se tratava de uma pessoa, mas foi inevitável não ligar a sua mente àquele livro que estava aumentando extremamente sua curiosidade.
então decidiu que aquele banho já havia sido o suficiente para tirar o suor de seu corpo e relaxar, se secou, vestiu uma cueca e se enrolou num roupão branco felpudo e macio que havia ganhado de sua mãe há pouco meses atrás.
Anne deu a ele com a desculpa de que assim que o fim da turnê chegasse, ele iria gostar de estar confortável e aquecido em casa fazendo as coisas que ele gostava. E ela acertou. riu só de lembrar disso; ele amava toda a preocupação e carinho que sua mãe ainda demonstrava, mesmo ele já tendo vivido o triplo do que um dia ela iria viver em sua vida.
Mesmo que estivesse um clima frio lá fora, dentro do apartamento, graças ao aquecedor, o clima era mais aconchegante e o proporcionava ficar daquela forma. se direcionou até a sala onde finalmente poderia ler o livro na mais perfeita paz, se sentou em um dos seus grandes sofás, esticou o braço até a sacola onde estava o livro, o retirou de lá, se aconchegou em seu sofá e começou a passar a mão pela capa admirando sua simplicidade.
sempre amou simplicidade e coisas minimalistas; mesmo que durante a sua turnê tudo nele aparenta ser exagerado, quando ele está sozinho vivendo a sua vida “normal”, gostava de ser simples, de sentar em sua longa sacada e sentir a brisa gelada de Londres enquanto toma seu chá, de ver a neve cair e tornar todo o chão branco, ver a chuva lavar todas as sujeiras do chão ou ver o sol nascer e se pôr no horizonte. Coisas extremamente simples, mas que deixavam a sua vida completa.
E a simplicidade daquele livro em especial o deixava ainda mais ansioso e intrigado. Apesar de ter lido um pequeno trecho do livro no café, ainda não entendia qual era a conexão da história com o nome. Com a curiosidade aguçada, algo que ele sempre teve, pegou o celular para pesquisar qual o significado de Elysian, mas antes mesmo que começasse a digitar algo, o celular começou a vibrar em suas mãos e o nome de Jeffrey Azoff apareceu no visor.

- Eu só queria ler o livro em paz - disse calmo, mas com um ar melancólico enquanto colocava o livro sobre o sofá e deslizava o botão verde atendendo seu celular. - Oi, Jeff - disse cumprimentando o seu empresário.
- Bom dia, ! - Jeff respondeu animado. - Tudo bem por aí?
- Tudo e com você? - respondeu enquanto se deitava no sofá e apoiava os pés sobre a mesinha que antes estava o livro.

Apesar de ser suas merecidas férias, ainda tinha alguns assuntos a tratar sobre sua carreira e algumas presenças obrigatórias em programas para fazer, por isso atendeu Jeffrey.

- Tá tudo bem mesmo? Te acordei? - Jeff perguntou se certificando, pois sentiu um certo ar diferente na voz de , o que não era muito comum, já que ele sempre fora uma pessoa extremamente brincalhona quando ele o telefonava.
- Não, já estou acordado faz um tempo - começou a contar ao amigo. - Já corri, já fui à um café, comprei um livro que me deixou um pouco fixado...
- Livro? E você fixado por algo? - Jeffrey interrompeu-o confuso. - , você é uma das pessoas mais desapegadas que eu conheço!
- Eu sei! - disse dando um risinho envergonhado e passando os dedos pelos lábios, os puxando. - Mas esse era diferente! Tudo nele me deixou intrigado, a capa, algo na sinopse e um pedaço em especial… Não sei como, mas estou muito interessado.
- Você só está sendo você, - Jeffrey disse rindo do amigo. - Você pode não perceber, mas de vez em quando você cria seus próprios enigmas.

fez uma cara de confuso assim que ouviu aquilo, pois nunca havia percebido já que para ele a fixação por algo nunca existiu.

- Enigmas, Jeff? Tem certeza? - perguntou querendo sanar as dúvidas de sua cabeça.

Jeffrey gargalhou do outro lado da linha, o que acabou demonstrando que ele estava certo.

- Sim, ! - Jeffrey respondeu ainda rindo. - Você não lembra de uma vez que quase me deixou louco porque queria aprender a tocar cuíca no Brasil e nós só ficaríamos três dias lá?

acabou gargalhando ao se recordar daquela cena e lembrando daquela situação, percebeu que realmente gostava de enigmas, de desvendar e aprender coisas. Sempre fora curioso e sua curiosidade nesse momento era Elysian. Assim que se deu conta disso, voltou a olhar o livro ao seu lado jogado sobre o sofá e constatou que não conseguia pensar mais em outra coisa que não fosse lê-lo do começo ao fim.

- E do que se trata esse livro? - Jeffrey perguntou fazendo com que voltasse sua atenção ao amigo.

riu sem graça passando as mãos pelos cabelos dando uma jogada neles para trás, algo que ele sempre fazia quando estava envergonhado ou não achava respostas para suas inúmeras perguntas.

- Sinceramente? Eu não sei! - respondeu rindo.
- O que está esperando para ler então? - Jeffrey perguntou o que parecia ser o óbvio.
- Eu ia começar a leitura agora, mas você me ligou! - disse enquanto se levantava do sofá.

que sempre foi a pessoa mais calma desse mundo, nesse momento começava ficar impaciente; andava de um lado para o outro com o livro na mão enquanto ainda falava com Jeffrey.

- Ah... - Jeffrey disse entendendo o que quis dizer. - Então vamos direto ao assunto!

respirou fundo e colocou novamente o livro sobre a mesinha e voltou a se sentar no sofá esperando o que Jeffrey teria para lhe dizer.

- É o seguinte - Jeffrey começou. - A Vogue UK entrou em contato com a gente e gostaria que você cantasse no evento beneficente deles. Vai ser um evento grande com pessoas influentes no mundo na moda, além de todo tipo de funcionário das grandes marcas de moda, ou seja, é bem grande mesmo.

se interessou de imediato assim que Jeffrey falou a palavra beneficente. Ele sempre foi apegado em ajudar o próximo mesmo antes da fama. Adorava fazer trabalhos voluntários em Holmes Chapel, fazia doações de alimentos, distribuía roupas e sopas no inverno ao moradores de rua… Se tinha uma coisa que sempre gostou, foi de fazer o bem e com a fama isso consequentemente havia se intensificado.

- E para onde vai o dinheiro desse evento? - perguntou curioso, pois gostava de saber exatamente quem estava ajudando.
- Para construções de escolas na África. É um evento associado à UNICEF, então é um…
- Eu topo! - disse sem nem ao menos escutar o que mais Jeffrey tinha para lhe dizer.
- Eu sabia! - Jeffrey falou animado do outro lado da linha. - Sabia que podia contar com você para isso, .
- Você sabe que sim - respondeu por fim sentindo uma paz no coração, algo que ele sempre sentia quando ajudava ou iria ajudar alguém. E ele amava sentir isso mais do qualquer outra coisa.
- Bom, vou acertar tudo e depois te passo os detalhes, okay?!
- Okay!
- Agora pode voltar a ler seu livro em paz - Jeffrey disse se despedindo. - Até mais, .

riu.

- Até mais, Jeff. Bom domingo! - respondeu carinhoso.
- Obrigado, para você também - Jeffrey agradeceu.

Assim que a ligação foi finalizada, voltou sua atenção ao livro que estava na mesinha. O admirava de longe aqueles detalhes da capa que tinham lhe chamado tanto à atenção: uma capa diferente que, ao ver dele, não parecia nada com as dos livros mais conhecidos. Capas sempre foram muito grandiosas e coloridas para chamar atenção do leitor, mas aquela era tão simples que jurava que tinha sido feita de propósito.
Ainda com o celular em mãos, lembrou da dúvida que pairava em sua cabeça antes de Jeffrey ligar e então abriu o navegador do celular animado, pois iria sanar a sua dúvida. Digitou o que tanto queria saber: Qual o significado de Elysian e porque alguém daria esse nome ao livro?

ELYSIAN
(el-ee-sian) grego.

adjetivo.
Bonito ou criativo; Divinamente inspirado; Pacífico e perfeito;
Associado ao paraíso.
Os Campos Elísios são o paraíso na mitologia grega, um lugar do mundo dos mortos governado por Hades, oposto ao Tártaro.

releu várias e várias vezes aqueles significados e acabou ficando ainda mais confuso do que antes. Aqueles significados não tinham muita relação com o pequeno pedaço que ele havia lido da história e muito menos com a sinopse. Ele já estava começando a achar que aquele livro seria a maior perda de tempo de sua vida, mas ainda sim não desistiria. Ele iria ler e entenderia o porquê de tudo, nem que precisasse ir atrás da autora para descobrir o significado de cada frase e palavra dali.
então jogou o celular em um canto do sofá e pegou o livro novamente naquele dia. Acariciou a capa com delicadeza e o abriu lendo aquele mesmo trecho que havia lido na cafeteria.

“Depois daquele dia em que te vi pela primeira vez sobre aquele palco, eu sabia que essa história precisava ser escrita, contada e sentida. Então, essas são as minhas mais doces e sinceras palavras sobre você”.

Ler aquele trecho pela segunda vez acabou lhe ocasionando um arrepio que preencheu todo seu corpo. Poucas vezes havia sentido isso lendo livros, pois normalmente se arrepiava quando via filmes ou programas de TV extremamente emocionantes, mas livros? Era raro acontecer. Tinha acontecido apenas duas vezes: uma quando ele leu In Watermelon Sugar do Richard Brautigan, tanto que estava tentado a escrever uma música com esse nome e a outra com os poemas selecionados de Rumi, que ele leu durante uma das turnês da . Mas romances aleatórios que ele nem ao menos conhecia? Essa era realmente a primeira vez.
Depois que o arrepio se dissipou de seu corpo, procurou por mais sinais sobre a autora pelo livro, mas nada encontrou além das iniciais. Nada de editora, qual edição seria e nem a etiqueta de citações e dados que todo o livro tinha. Aquilo aguçava a sua curiosidade ainda mais, porém resolveu se acalmar, deixar para lá e finalmente começar a ler aquela história. Se ajeitou sobre o seu sofá folheando delicadamente até chegar o capítulo 1.
Mas logo outra estranheza ficou na cabeça de : o livro não tinha dedicatória, não tinha prólogo e nem prefácio. Que raios seria aquela história?
então confuso, fechou o livro deixando ali no sofá mesmo e se levantou, pois estava determinado a não ler mais aquilo. Apesar de tudo, uma certa irritação havia crescido dentro dele, o fazendo não querer ler mais nada e que havia gastado tempo e dinheiro, ele odiava quando isso acontecia.
Ele seguiu até a sua cozinha, abriu a geladeira para pegar um copo de suco de maçã e caminhou até a grande janela de vidro que tinha por ali para olhar o movimento que tinha na rua. Apesar do dia ter começado completamente azul e sem nenhuma nuvem, agora uma garoa fina tomava conta da cidade.
respirou fundo olhando aquela cena para recuperar toda a sua calma e naquele mesmo instante, a curiosidade pelo livro voltou a sua mente. Do lugar que ele estava, olhou para o livro jogado no sofá, balançou a cabeça em negação rindo e seguiu de novo para se sentar no sofá que estava antes. Colocou seu copo de suco sobre a mesinha de centro, sentou e pegou o livro em mãos mais uma vez naquele dia.

- Eu acho difícil isso acontecer, mas eu juro por Deus que se eu te odiar, você vai virar fogo nessa lareira! - disse olhando minuciosamente a capa daquele livro.

deitou novamente para ficar confortável e abriu o livro na página em que havia parado.

“É engraçado pensar em como o amor acontece e como ele se manifesta de inúmeras formas em nossas vidas. O amor entre duas pessoas pode ser carnal e ocasionar em relações sexuais, mas ele também pode ser carinhoso e afetuoso, como um amor de mãe ou pai com seus filhos. Isso também acontece com irmãos, amigos e vizinhos. E temos também aquele amor, o platônico e puro, que não se pede nada em troca e é exatamente esse tipo de amor que eu acabei sentindo por Heron, o amor de uma fã.”

Após ler aquelas palavras, engoliu em seco. Aquilo realmente se tratava de um romance entre fã e ídolo ou algo do tipo, algo que ele tinha imaginado assim que leu aquelas linhas na cafeteria.
Esse assunto nunca foi um problema para ; na época em que estava na banda, sempre que queria ou se interessava por alguém, pedia para algum segurança levar a pessoa até ele para se conhecerem melhor no backstage e lá ele tinha seus pequenos casos, mas nada muito grande e nem perto do que ele imaginava que fosse esse livro. E por incrível que pareça após ler esse trecho, havia ficado interessado em continuar sua leitura; a fixação que ele sentiu assim que o comprou havia voltado e queria saber mais ainda por que os dois não ficavam juntos no final e o motivo de todo esse amor ter acontecido e se tornado impossível.
Para não ser interrompido novamente, se esticou até seu celular, o pegou e o desligou. Ele só queria paz e curtir seu dia sem mais ligações ou interrupções. Sorriu assim que viu a tela preta tomar conta do aparelho, o jogou ali no sofá mesmo e voltou a se aconchegar para continuar sua leitura.

“Eu conheci Heron, óbvio que não pessoalmente, no auge dos meus 15 anos. Eu o vi cantando pela primeira vez num programa de TV e mal sabia que, anos mais tarde, eu acabaria esbarrando nele sem querer num bar qualquer enquanto comemorava os meus 18 anos.”

- Acho que será um daqueles romances bem adolescentes - disse em voz alta para si mesmo após ler aquelas linhas. - Mas eu amo esse tipo de história!

Ele então riu animado, pois estava gostando do começo do rumo daquela história.

“Antes do destino nos pregar essa enorme peça, eu apenas via Heron pelos palcos, cantando com sua voz levemente rouca porém angelical. Era uma amor de fã genuíno; eu o acompanhava de todas as formas: em sites, participava de fã-clubes, escutava todas as suas músicas e ia em diversos shows. Mas infelizmente a vida adulta começou a me cobrar e tive que me afastar e, mesmo ainda gostando muito, os meus 17 anos foram bem distantes dele, dedicados unicamente a decidir o que eu iria querer fazer de curso durante a graduação. Mas por ironia do destino, num pub qualquer de Londres, acabei esbarrando nele e me lembro exatamente como se fosse ontem. Foi por causa do destino que Heron se tornou o grande amor da minha vida, um amor real, o meu amor.”

acabou aquela parte com um sorrisinho no rosto; adorava esses tipos de narrativas cheias de flashbacks e que faziam as histórias se entrelaçarem. Estava gostando do rumo que aquela história estava levando, da escrita e da forma que a autora falava de Heron e do amor forte e verdadeiro que ela sentia por ele. A única coisa que não concordava ali era sobre o destino, já que nunca acreditou nisso, já que acreditava que coisas aconteciam porque tinham que acontecer e apesar de ter tido claras ações do destino, ainda preferia não atribuir isso a ele.
A escritora então começou a contar a história de como ela e Heron haviam se conhecido num pub aleatório de Londres e ler aquilo tinha causado em um certo calor no coração, pois mesmo que romance não fosse seu gênero de livro favorito, quando ele encontrava um bom, se sentia extremamente feliz e completo.
Apesar de ler sobre romances fofos e ver filmes do mesmo estilo, nunca tinha encontrado uma pessoa que fizesse o seu coração bater mais forte. Tinha tido seus casos e alguns namoros, mas estar apaixonado? Nunca. Mesmo tendo escrito várias músicas de corações felizes ou partidos, aquilo eram apenas histórias fictícias que ele criava para compor. O cantor nunca sentiu seu coração bambear da forma que ele ouvia as pessoas falarem e achava que era por isso que estava amando ler aquele livro. Tudo naquele livro era basicamente sobre o amor: falava de duas pessoas que sentiam coisas reais, verdadeiras e fortes, falava daquilo que ele um dia queria para sua vida comum, alguém que o amasse verdadeiramente.

“Eu tinha total certeza que ele era o amor da minha vida, mas apesar de tudo que Heron e eu vivemos nos dois anos em que ficamos juntos, sabia também que nosso destino era ficarmos separados. Tinha que estourar nossa bolha e deixar Heron ir, mas eu sabia que era tarde demais.”

ficou instigado com essa parte e pensando nela que ele acabou lembrando que isso já estava na sinopse e que esse era um dos motivos que ele queria ler Elysian.
passaria o resto daquele domingo submerso naquele mundo que uma menina de 18 anos havia criado no primeiro ano de faculdade. Lendo aquele livro, entenderia melhor os conceitos de destino e mudaria sua visão do mundo, da vida e de si mesmo, além de entender melhor sobre o amor, afinal, Elysian se tratava unicamente sobre ele.


Capítulo 3

. .

Enquanto permanecia deitado em seu sofá inerte ao mundo exterior ao ler Elysian, a autora da história estava do outro lado da cidade, dormindo serenamente em sua cama. gostava de aproveitar os domingos assim, dormindo. Sua vida durante a semana era extremamente agitada, a revista não lhe dava trégua nunca, eram sempre novos editoriais para diagramar e vetorizar, banners de eventos, avisos para os funcionários, ela ainda não entendia como conseguia dar conta de tudo, mas amava aquilo, afinal, era o que havia escolhido para a própria vida.
Passar o domingo na cama era sua coisa favorita, pois era o seu momento de descanso e Londres sempre colaborava para isso, naquele exato momento uma garoa fina caía, deixando tudo mais convidativo para o descanso de . O dia anterior havia sido anormalmente pesado, mesmo sendo sábado, havia ocorrido um evento na revista, o que tinha feito trabalhar muito e chegar tarde e exausta em casa, então estar deitada na sua cama com aquele tempo era tudo o que ela queria e precisava.
Porém seus planos seriam interrompidos naquele exato momento, pois seu celular começou a tocar loucamente no criado mudo ao lado de sua cama. abriu os olhos xingando a todos por aquilo estar acontecendo, ela só queria descansar, e assim fez, decidiu ignorar o celular, cobriu a cabeça com seu edredom creme, seu favorito, que ajudava a abafar o som e voltou a fechar os olhos, sentindo o sono chegar novamente. O celular finalmente parou, fazendo esboçar um sorriso e se aconchegar na cama para voltar ao estado mais profundo do sono, mas poucos segundos depois o mesmo voltou a tocar, bufou irritada, retirou o edredom da cabeça e esticou seu braço até onde o aparelho estava, apertou o botão verde atendendo sem nem ao menos olhar para tela e ver quem estava ligando. Quanto mais cedo atendesse, mais cedo desligaria e voltaria para o conforto dos seus sonhos.

- Que? - atendeu brava.
- Essa é forma de atender sua amiga? - a voz de foi escutada do outro lado da linha com um ar risonho.

revirou os olhos na hora que escutou a voz da amiga, não seria possível estar fazendo uma coisa dessas com ela, ainda mais no único dia que ela podia dormir e descansar em paz, no domingo.

- O que foi, ? - perguntou irritada querendo encerrar aquela ligação imediatamente, na cara da amiga mesmo.
- Ia te chamar para tomar um café, mas tô vendo que você está com zero humor pra isso - disse.
- Eu trabalhei até tarde ontem, estou cansada, só queria dormir, sabe?! - disse resmungona enquanto se estirava pela cama toda.
- É que faz tempo que a gente não sai juntas, e achei que hoje poderia ser um dia só nosso, de amigas - disse de uma forma manhosa.

Aquele jeito de falar sempre foi um ponto fraco para , ela sempre fora uma pessoa boa demais e que não conseguia dizer não para as pessoas, principalmente para , sua melhor amiga. sempre fazia de tudo por ela, tudo e sempre quis retribuir da mesma forma, elas sempre foram assim.

- A gente não pode almoçar juntas? - pediu. - Eu só queria dormir mais um pouquinho…
- Okay, okay! - se deu por vencida - Passo na sua casa às 13 horas, okay?!

imediatamente abriu um dos maiores de seus sorrisos.

- Perfeito! - respondeu para a amiga.
- Vá dormir então, você ainda tem umas horas, até demais e não se atrase! - disse se despedindo e em seguida desligou o celular antes mesmo que Clarisse respondesse alguma coisa.

Clarisse, então, olhou o visor do celular que mostrava que ainda eram 9 horas da manhã, ela sorriu aliviada quando viu a hora, ainda teria mais três horas de sono. Ela programou o despertador para o meio dia, colocou o celular no silencioso, o colocou sobre o criado mudo e depois voltou a se aconchegar em sua grande e macia cama que tanto amava.
Apesar da interrupção de , não havia perdido o sono, na verdade, seus olhos ardiam devido ao tamanho do seu cansaço, então em poucos minutos ela já estava adormecida, e por ironia do destino, ela sonharia com naquele dia.

***


despertou de um sonho perfeito assim que seu celular tocou, bufou irritada pois queria permanecer nele por mais tempo, mas sabia que já era hora de levantar da cama e finalmente ir ficar com sua amiga. Jogou o edredom para o lado e correu ao banheiro, saiu de lá enrolada em sua toalha após um banho quente e foi até a janela do apartamento dar uma olhada em como estava o clima lá fora. A garoa fina ainda permanecia e era possível ver as árvores se balançando, o frio realmente estava chegando.
A vista que tinha de sua janela era completamente diferente da de , eram mundos completamente opostos, literalmente. Enquanto vivia em sua cobertura luxuosa com cinco quartos, cinco banheiros, cozinha, salas e mais salas, vivia em um apartamento de um quarto, um banheiro, uma sala minúscula e uma cozinha, exatos 25m². Além da discrepância dos apartamentos, também havia grandes diferenças entre seus bairros e todo o resto, mas independente de tudo isso, sempre amou o seu lugar, era o seu apartamento, era o lugar que ela tinha conquistado depois de trabalhar e economizar muito, ela sempre fora muito orgulhosa disso e amava cada pedaço do seu cantinho, sua cama, sua escrivaninha, suas plantas, o papel de parede rosa com pequenos cactos desenhados, ela amava absolutamente tudo naquele lugar. E foi com esse pensamento olhando pela janela que ela suspirou feliz e sorriu, pensando em como tinha sorte por ter tudo aquilo, por ter conquistado aquilo. Um toque em seu celular acabou a despertando daqueles pensamentos. então andou até a sua cama e viu seu celular jogado ali, o pegou em mãos e viu que era uma mensagem de avisando que estaria ali em 20 minutos. jogou o celular sobre a cama e correu até o guarda roupa para escolher uma roupa, optou por uma calça jeans, uma camiseta branca, uma jaqueta e um coturno. Ela se olhou no espelho checando a aparência, que a agradou muito, porém o cabelo ainda estava preso com alguns fios desajeitados, estava com zero paciência de fazer qualquer coisa no cabelo, então voltou até o armário e pegou uma boina rosa bebê que ela tanto amava e colocou sobre a cabeça, agora sim se sentia perfeita, aquele era seu estilo favorito de roupa, o confortável.
Ela sabia que ia falar alguma coisa, pois as amigas eram extremamente diferentes quando se tratavam de estilo. era do tipo que amava um glamour, um brilho, gostava sempre de estar bem arrumada, com pelo menos um rímel e um batom, já nunca se importou muito com isso, era o conforto em primeiro lugar, se ela estivesse confortável, o resto seria o resto.
deu uma última checada na roupa, pegou uma bolsa pequena onde colocou seu celular e a carteira e assim que fechou a sua bolsa, o interfone começou a tocar.

- e sua pontualidade realmente britânica - disse indo até o interfone atender rindo.

E realmente era pontual, era uma coisa fantástica, ela nunca se atrasava para nada, era algo que sempre quis ser, mas nunca conseguia, o que tinha acontecido hoje era um milagre.
chegou até o interfone, o pegou em mãos e atendeu.

- Oi - atendeu.
- Boa tarde, senhorita , é o Olav – o porteiro se apresentou. - A sua amiga se encontra aqui embaixo, ela pode subir?
- Ah, boa tarde, Olav, avisa ela que estou descendo - falou enquanto dava uma olhada no apartamento vendo se não tinha esquecido de nada.
- Okay!
- Obrigada por avisar - ela agradeceu.
- Imagina!

Olav desligou e tomou o rumo para fora do apartamento, trancou a porta e guardou a chave na sua bolsa junto com as outras coisas, depois seguiu em direção as escadas e começou a descer, eram apenas 6 lances. morava no terceiro andar de um prédio de apenas 5 andares, então não tinha elevador ali.
Assim que chegou no hall do prédio, cumprimentou Olav e saiu pela porta, olhou para o lado e viu encostada em seu carro enquanto falava no telefone, e como imaginava, a amiga estava completamente diferente dela. Uma bota preta de salto e cano alto ia até um pouco acima do joelho de , uma meia calça fina preta estava por dentro da bota, e vestido creme com uns pontos de brilho e uma bolsa vermelha completavam o look dela, extremamente típico , extremamente diferente de .

- Johnny, eu não quero saber, é o seu trabalho, faça o que eu pedi - ouviu a amiga esbravejar pelo telefone. - Amanhã quando chegar na empresa a gente conversa, hoje é meu dia de folga, até mais.

se encostou no carro, rindo da amiga, ainda não tinha notado que ela estava ali, então assim que virou para a direção de , acabou se assustando.

- Quer me matar também? - disse respirando fundo enquanto se recuperava do susto.
- Você que estava distraída, eu já estou aqui faz uns segundos - se justificou para a amiga.

ainda estava com a mão sobre o peito e respirava fundo se acalmando cada vez mais do susto que tomou. ao observar aquela cena acabou caindo na gargalhada, ela sempre achou a amiga dramática demais, e tinha momentos que ela alcançava o pico do drama, naquele momento ela estava fazendo exatamente aquilo.

- Nem é pra tanto - disse ainda em meio a gargalhadas.

apenas a fuzilou com os olhos e deu uma risadinha falsa.

- Podemos ir? - perguntou enquanto seguia em direção a porta do carona.
- Vamos! - respondeu entrando em seu carro.

As duas se acomodaram no veículo, colocaram o cinto de segurança, conectou seu celular ao som do carro e apertou o play em uma playlist aleatória, em seguida deu partida no carro e as duas seguiram pelas ruas de Londres.

- Onde vamos almoçar? - perguntou animada.

Uma das coisas favoritas da vida de era comer, ela se sentia realizada, completa, feliz. Amava conhecer novos pratos, novos sabores, novas culturas, e fazer isso com era algo que tinha virado rotina, elas amavam conhecer novos restaurantes para experimentar de tudo, era um hábito que elas tinham criado desde a adolescência, era uma coisa delas que ninguém nunca tiraria.

- Eu vi um restaurante de comida Tailandesa esses dias no instagram, o que acha de irmos lá? Achei super bem avaliado e tem uns pratos que a gente nunca comeu - disse para a amiga enquanto prestava atenção no trânsito.
- FANTÁSTICO! - disse ainda mais animada, as comidas orientais eram as suas favoritas.

Por uma obra do destino ou não, a música que começou a tocar no aleatório de era uma música do One Direction, Fool’s Gold, uma das favoritas das amigas. Elas inclusive se olharam e começaram a rir juntas, eram muitas lembranças na mente delas, era uma misto de sensações para ambas, afinal, mesmo com o fim da banda, essa ainda era a banda favorita da vida delas, na verdade, sempre seria.

- And yeah I let you use me from the day that we first met but I’m not done yet, falling for your, fool’s gold… - As amigas começaram a cantar o refrão a plenos pulmões e em uníssono, cantavam sem se importar com nada. - And I knew that you turned it on for everyone you met but I don’t regret, falling for your, fool’s gold.

Cantavam cada palavra da música apontando uma para a outra, se sentiam com 17 anos outra vez, e elas amavam isso, amavam essa conexão que tinham, amavam como se completavam e como depois de tantos anos ainda eram melhores amigas.
Quando chegou a parte de na música, fez o sinal de silêncio para , para que nenhuma das duas cantassem, ela ouviu a voz do seu favorito com a mão no peito e apreciando a voz dele, que era extremamente calma e deliciosa.

- Esse homem ainda mexe comigo de uma forma, que eu não sei explicar - disse assim que o refrão começou a ser cantada pela banda toda outra vez.
- Eu sei bem - disse rindo lembrando do sonho que tinha tido a poucas horas atrás.
- Que sorrisinho sem vergonha é esse? - questionou a amiga.
- Sonhei com o hoje! - confessou.

arregalou os olhos surpresa e depois começou a rir animada para a amiga.

- Isso só pode ser o destino - comentou. - Mas quero saber tudo, me conte!

tinha um sorriso de orelha a orelha, ela queria contar, mas também queria guardar para si, fazia muito tempo que não sonhava com seu ídolo, aquele que um dia já foi inspiração para que ela escrevesse uma história, uma história perfeita.

- Não sei se quero contar - disse enquanto mordia o lábio inferior. - Você pode achar bobo demais.

apenas riu da cara da amiga.

- Você sabe que não vou achar nada bobo né?! Eu faço planos para esbarrar no até hoje, não tenho moral alguma para te julgar - disse enquanto ainda dirigia a caminho do restaurante.
- Eu não sei.. - olhava para as unhas pensando se contaria ou não, tinha sido algo tão bom, tão dela, unicamente dela.

E enquanto a menina pensava em contar ou não sobre seu sonho, mais uma ação do destino aconteceu, quando virou a rua próxima ao Hyde Park, bem ali tinha um outdoor com uma foto enorme do para uma campanha da Gucci.
começou a gargalhar, o que chamou a atenção de , a tirando dos seus pensamentos.

- O que foi? - perguntou confusa sem nem ao menos notar o outdoor por ali.
- Olha para frente, se isso não é um sinal, eu não sei o que é… - respondeu ainda em meio às gargalhadas.

Assim que viu o outdoor em sua frente um sorrisinho brotou em seus lábios, um sorrisinho feliz. E ela percebeu que precisava compartilhar aquilo, afinal era só um sonho e era sua amiga, ela entenderia aquilo mais do que qualquer outra pessoa desse mundo.

- Tá bom, eu conto - disse se rendendo a curiosidade de .

dançou animada no volante.

- Basicamente eu ia num show dele, da turnê solo, o que na vida real não consegui - começou a contar e quando disse a última frase uma tristeza tomou seu coração.

Devido à rotina agitada que ela andou tendo nos últimos anos, os shows do seu artista favorito tinha ficado em segundo plano, infelizmente.

- Eu estava na grade do show, bem na frente dele - voltou a contar. - E por algum motivo que eu não sei qual, ele vinha até mim, segurava a minha mão e dizia algo como “Estou te procurando há algum tempo” - mudou a voz para contar a frase que havia dito para ela no sonho. - Depois disso ela dava um beijo em minha mão e voltava para o palco e eu acordei, foi um sonho rápido, mas muito real, não queria que acabasse.

sentiu uma alegria e ao mesmo tempo uma tristeza ao lembrar e contar do sonho.

- Ninguém quer que acabe, nunca! - constatou. - E que sonho perfeito, faz muito tempo que não sonho com , muito mesmo, eu nem me lembro quando foi a última vez.
- Tem vezes que eu prefiro não sonhar, principalmente com alguém que eu gosto tanto como o - confessou.
- Por quê? - questionou confusa.
- Eu fico com um aperto no peito depois, é injusto viver na mesma época que , ser fã, amar o cara e ele nem ao menos sonhar com a minha existência! - disse tudo de uma vez só, sem nem respirar.

se sentia da mesma forma, só que com .

- Eu queria tanto te ajudar com isso… - começou a dizer, mas a interrompeu imediatamente.
- Não, pelo amor, eu não saberia lidar, certeza que seria a fã louca que chora por tudo - disse rindo, o que seria a mais pura verdade.

riu concordando com a cabeça.
O carro foi estacionado em frente ao restaurante Tailandês, ambas desceram do veículo e seguiram em direção ao lugar.

- Sabe a sensação que eu tive depois desse sonho? - disse enquanto as duas ainda andavam em direção a entrada do restaurante.

apenas fez um sim com a cabeça para a amiga, para que ela continuasse.

- De que essa cena tinha em Elysian, mas não tem, eu sei que não tem - confessou.
- Que confuso - exclamou. - Não sei se entendi.
- É como se essa cena fizesse parte da minha história, mas que eu ainda não escrevi, ou vivi, sabe?! - explicou.

ainda a olhou confusa tentando assimilar tudo.

- Deixa pra lá - disse rindo quando percebeu que a amiga nunca entenderia aquilo.

O sentimento que sentiu era que ela já tinha vivido aquela cena, de que ela foi real em algum momento, que fazia parte dela, e ela não estava completamente errada, ela viveria isso, não exatamente dessa forma, mas viveria e seria em breve, muito breve, e com .

. .


Era engraçado como eu enxergava Heron de outra forma depois de o conhecer de verdade, depois de poder viver parte da minha vida com ele. Nos meus tempos de fã nunca havia percebido isso, para mim ele sempre foi aquele típico mulherengo que pega qualquer uma em todas as oportunidades que tem, que quebrava regras, o que era muito atribuído devido ao seu estilo, para a época, a forma como ele se vestia ou como tinha o cabelo, mostrava que ele era diferente dos demais, que não queria seguir um padrão, sobre isso eu não estava errada, ele realmente não queria ser igual a ninguém, Heron sempre fora único, como era até hoje em meu coração, mas em relação às mulheres, eu estava completamente errada. Na verdade Heron era do tipo que respeita todas as mulheres. Ele fazia de tudo para conhecer a pessoa, descobrir seus segredos, seus medos, suas marcas, e após saber tudo isso ele se envolvia e se envolvia de corpo e alma.
Uma coisa que eu não sabia de Heron e só pude ter conhecimento depois de o conhecer realmente, depois de conhecer a sua alma, era que ele era o tipo de pessoa que gostava de sorrir para tudo, para a vida, para o mundo, e que além disso ele era a pessoa mais transparente que eu poderia conhecer, em cima dos palcos ele não era assim, ou eu não conseguia enxergar, mas na vida real, na vida vivida, na que ele compartilhava comigo, eu sabia exatamente o que ele sentia apenas pelo olhar, e eu amava isso, na verdade, eu amo tudo sobre ele, até hoje
.”

permanecia vidrado naquela história de amor que lhe chamava tanto a atenção, fazia seu coração palpitar de felicidade e lhe arrancava vários sorrisos durante aquele domingo, estava deixando-o mais leve, coisa que não acontecia a algum tempo.
Ele ainda estava no meio da história, era do tipo de pessoa que gostava de ler tudo devagar, apreciar os mínimos detalhes. Ele estava tão submerso naquele mundo que ainda nem havia comido, só se deu conta de que estava faminto e que precisava comer, quando sentiu sua barriga roncar fortemente. Não queria sair daquela leitura, mas era necessário, precisava comer, então marcou a página que estava lendo, foi até o seu celular e o ligou. Se levantou do sofá, pois não queria ficar olhando o livro, senão voltaria a lê-lo, foi até a grande janela olhar o tempo lá fora, discou o número do seu restaurante favorito que ficava apenas um quarteirão da sua casa e pediu um prato de peixes com fritas, um prato típico inglês, e só havia pedido aquilo, pois havia sido citado no livro algumas vezes, o que acabou lhe causando uma certa vontade em comer.
Pouco tempo depois o prato chegou, desceu rapidamente para buscar e já voltou para o aconchego do seu apartamento, deliciou aquele grande prato enquanto verificava o seu celular, viu suas redes sociais, riu das mensagens do fãs, respondeu alguns, leu as notícias, fez mil e uma coisas para se distrair e não pensar naquele livro, mas era impossível, Elysian já tinha tomado completamente a cabeça dele.
Quando acabou de se deliciar com aquele prato, colocou o mesmo e os talheres na pia, lavou as mãos e então voltou para o seu grande e aconchegante sofá branco, se deitou e pegou Elysian em mãos, admirou por um tempo e abriu na página que havia parado.

Nunca esquecerei o dia que Heron apareceu de surpresa em minha casa, já estávamos juntos há três meses, ele estava em turnê com sua banda, estava viajando pela Europa toda, mas havia achado um tempo para ficar comigo, um tempo para cultivar e enraizar mais o nosso amor um pelo outro…”

- Eu faria o mesmo - disse para si mesmo. - Só espero um dia encontrar alguém assim…

continuou lendo mais alguns parágrafos, e enquanto fazia isso sentiu os olhos pesarem, o sono estava ali batendo em sua porta, afinal, tinha acordado cedo, tinha feito atividade física, em algum momento ele teria que descansar. E fez isso, involuntariamente, mas fez, sem perceber acabou fechando os olhos e segundos depois acabou adormecendo, o que ele não imaginava é que um sonho iria perturbar a sua cabeça ainda mais, um sonho que mostraria as semelhanças entre ele e Heron, um sonho em que ele seria Heron, um sonho em que ele viveria Elysian.


Capítulo 4

. .


“O sol brilhava de forma majestosa na imensidão azul em que se encontrava o céu de Londres; sem nenhuma nuvem ou algum sinal de tempo frio, era um típico dia de verão que podia ser facilmente confundido com o calor da Califórnia e extremamente atípico para Londres. Ali, sobre um palco perto do rio Tâmisa durante um festival com milhares de pessoas, eu estava na ponta de um palco com um microfone em mãos e sorrindo porque via todo mundo dançar e cantar minhas músicas de forma animada, mas uma pessoa em especial me chamava atenção naquela multidão: estava bem ali na frente e não misturada com os demais, e sim naquela pequena faixa do palco em que pessoas especiais para mim e para a produção ficavam.
Ela era linda, sorria para mim de orelha a orelha e parecia me conhecer mais do que qualquer pessoa no mundo e saber tudo sobre mim, enquanto eu não sabia nada sobre ela. Ela cantarolava junto comigo e apontava para mim ao mesmo tempo e, mesmo sabendo que eu não a conhecia, a cada minuto que eu a olhava parecia que meu coração sabia quem ela era; eu começava a sentir que ela sempre esteve na minha vida e eu só não sabia exatamente como.
O show terminou, me despedi do público e segui em direção ao camarim. Jeffrey jogou uma toalha em mim durante o caminho para que eu secasse o suor e me entregou um copo com água.

- Você foi fantástico, fantástico! - Jeffrey disse todo animado enquanto seguia em direção ao camarim comigo. - Você estava tão conectado com o público e dando tanto de si, foi incrível!
- Acho que nunca me senti assim antes! - confessei para Jeffrey.

E era verdade, parecia que cada terminação nervosa minha vibrava naquele momento; cada músculo, cada veia, tudo fazia daquele momento o mais perfeito que eu já havia tido em toda a minha carreira.
Durante o caminho para o camarim, aquela mulher na frente do palco voltou a minha cabeça juntamente com aquele sorriso encantador que fez meu coração bater mais rápido. Ela cantando, dançando, tudo passava de forma lenta em meus pensamentos. E quem seria ela? Será que Jeffrey sabia? Alguém tinha que a conhecer.

- Jeff - chamei meu empresário que caminhava na minha frente.

Jeffrey apenas olhou para mim mostrando que estava me ouvindo.

- Tinha uma mulher na frente do palco que cantou e dançou todas as minhas músicas e tinha um sorriso que nem em milhares de anos eu conseguiria explicar… Você sabe quem é?

Jeffrey imediatamente parou e me olhou confuso.

- Você não sabe quem é ela? - Jeffrey me questionou.
- Não! – respondi. - Era pra eu saber?

Jeffrey continuou me encarando tentando provavelmente achar em meu rosto algum sinal de que eu estava brincando, mas eu realmente não estava.

- Você tá brincando comigo? - Jeffrey me encarou mais firme agora.

Apenas balancei a cabeça em negação.
Jeffrey por fim caiu na gargalhada me deixando confuso e, em seguida, voltou a caminhar em direção ao camarim e eu apenas continuei o seguindo. Poucos segundos depois nós acabamos chegando ao local, mas antes de abrir a porta, Jeffrey me encarou, fez sinal com a cabeça apontando para a porta e então a abriu.
Assim que ele a abriu, pude ver a mesma mulher que estava na frente do palco ali. Ela estava perto da mesa de comidas e comia graciosamente um pedaço de pizza e quando ela me viu, colocou o pedaço de pizza que tinha em mãos no prato, engoliu o que mastigava e sorriu para mim, o mesmo sorriso do show que havia me encantando.
Senti Jeffrey chegar perto de mim e se direcionar para falar algo baixo no meu ouvido.

- Aquela ali é a sua garota! - Jeffrey disse sussurrando.

A mulher ainda me olhava sorrindo. Droga, ela era linda, mas como assim minha garota? Como eu não me lembrava disso? Como eu não me lembrava dela que era uma das mulheres mais bonitas e graciosas que eu já havia visto na minha vida? E olha que já tinha visto muita gente nessa vida.

- Você se conheceram num pub no aniversário dela de dezoito anos - Jeffrey continuou dizendo no meu ouvido. - Você realmente não lembra?

Neguei com a cabeça novamente.

- Droga! - Jeffrey esbravejou. - Você bateu a cabeça? Bebeu demais?
- Não, Jeff. Estou super bem - constatei.
- Como você não lembra dela, dude? - Jeffrey perguntou incrédulo. - Vocês estão juntos há dois anos! - ele contou por fim.

E aquela frase me pegou de surpresa. Como assim dois anos? Como eu estava com alguém que nem ao menos lembrava?

- Já vou resolver isso - Jeffrey respirou fundo e disse enquanto se afastava e ia de encontro com a mulher que estava nos olhando.

Jeff começou a conversar com ela que riu no começo, mas logo ficou séria e me encarou. A vi perguntar algo preocupada para ele e depois voltou a me encarar. A mulher então saiu de perto de Jeffrey e começou a vir em minha direção, ficando frente a frente comigo.

- Você está sentindo alguma coisa? - ela me perguntou enquanto me analisava. - Aconteceu alguma coisa enquanto estive na casa dos meus pais esses dias?

A voz dela era algo tão doce e tão calma e, mesmo preocupada, ela parecia querer me deixar em paz, sem me estressar.

- Não, eu estou bem! - respondi enquanto comecei a observar seu rosto.

Nada nela fugia do comum: não tinha olhos claros, não era extremamente magra, não tinha porte de modelo, tinha apenas um corpo saudável com um quadril levemente avantajado, mas na minha visão aquela beleza dela se tornava extraordinária. Seu sorriso, que era a melhor parte dela, os cabelos ondulados castanho-claro com mechas loiras que os iluminavam eram compridos até a altura dos seios, os olhos escuros, tudo normal, mas extremamente bonito.
A mulher então trouxe a sua mão até meu rosto fazendo um carinho gostoso que me fez despertar dos meus pensamentos e voltar para a realidade. Aquele toque dela em mim fez com que meus olhos fechassem, pois me parecia familiar como algo que eu já havia sentido há muito tempo, que ele me pertencia e fazia parte de mim, assim como ela.

- Eu realmente estou preocupada com você - ela disse enquanto ainda permanecia passando a mão no meu rosto.
- Não fique, você é a minha garota - respondi voltando a abrir meus olhos e encarar seus olhos.

A mulher riu, retirou a mão de meu rosto e então deu um tapa no meu braço.

- Você me assustou, Heron! - ela disse após o tapa e aquilo me deixou confuso.

Heron? Quem era Heron?

- Heron? - perguntei confuso.

Ela me encarou sem entender nada e depois riu.

- Você tá brincando de novo? - ela perguntou rindo.
- Não! - respondi sério. - Meu nome é , , ex-vocalista da .

Ela voltou a rir, mas dessa vez era uma gargalhada alta e encantadora.

- , Heron, quando você vai entender que vocês dois são a mesma pessoa? - ela me perguntou e voltou a gargalhar, porém aquela gargalhada começou a ficar mais longe a cada segundo que passava até que tudo ficou preto e eu acordei.”


apertou os olhos quando acordou para se acostumar com a claridade do lugar, na verdade não estava mais tão claro assim, a noite já estava tomando conta do céu de Londres que estava com nuances avermelhadas e azul escuro, mas nem percebera isso, pois algo estava martelando em sua cabeça sem parar e era aquele bendito sonho. Não era possível ser real e nunca que ele e Heron seriam a mesma pessoa; aquilo era um livro e coincidências acontecem, certo? Era apenas coincidência de ter uma história com um personagem que se assemelha e muito com ele em algumas coisas, mas não era possível ser algo além disso, era? A cabeça de ainda virava com mil perguntas, então ele decidiu se sentar no sofá e passou a mãos pelo rosto e pelos cabelos demonstrando sinais de nervosismo e frustração. Ele só queria uma resposta, será que estaria louco?
Aquele livro realmente tinha mexido com cada parte de si, com cada pensamento, cada linha, com tudo, e nem ao menos havia o acabado. Já tinha passado da metade e já havia entendido várias coisas sobre a história da fã com Heron, inclusive que era um amor genuíno, puro, verdadeiro, algo que ele nunca imaginou que fosse possível e poderia não ser, afinal, ele só estava lendo um livro ficcional. Enquanto pensava sobre tudo, acabou se lembrando de algo que o deixou intrigado ainda mais: o nome da garota principal que é a fã. percebeu que era um nome que nunca havia sido mencionado e que todos na história sempre a tratavam como ela, você, aquela, da mesma forma que havia sido em seu sonho. então se levantou do sofá e voltou a encarar aquele livro que estava jogado sobre o tapete felpudo de sua sala, provavelmente havia caído ali durante seu sono. o pegou, olhou minuciosamente a capa e os detalhes dela como fez várias vezes naquele dia e então folheou, ele precisava achar o nome da menina e não era possível não ter.

- Quem dá vida a um personagem e nem ao mesmo o nomeia? - disse para si mesmo enquanto ainda procurava entre as páginas.

foi folheando até o final e, quando chegou lá, não havia sinal do nome da garota que havia conquistado Heron e virado a grande inspiração para ele.

- Eu vou ficar maluco! - disse fechando o livro e jogando sobre o sofá. - Preciso pensar em outra coisa, comer ou algo assim!

buscou seu celular pelo sofá e o ligou, foi até a cozinha para pegar algo para comer já que havia almoçado tarde, porém no restante do dia acabou cochilando, então seu estômago já começava a avisar que sentia fome. Caminhou até a geladeira a abrindo e procurando o que desejava comer, foi quando viu a embalagem de um restaurante mexicano onde havia pedido tacos, sua comida favorita, para o jantar na noite passada e ver aquela comida fez com que uma parte de Elysian viesse a cabeça de , uma parte que dizia muito sobre as semelhanças que ele já havia encontrado, mas que custava a acreditar.

“Heron nunca estava de mau humor e se caso estivesse, era muito bom em não demonstrar o que sentia e guardar apenas para si. Mesmo nos nossos piores momentos quando achávamos que nada se encaixava entre a gente, que realmente víamos que o romance entre uma pessoa normal e um famoso não era nada fácil ou até mesmo quando todo mundo dizia que aquele era só mais um namoro de fachada, ele seguia firme, feliz e não se importava com a opinião dos outros. Na verdade, Heron sempre tentava me deixar feliz e me demonstrava o maior amor do mundo. Porém teve um dia em específico que uma briga com um amigo o abalou e eu nunca o tinha visto da forma que ele estava. Entretanto, estar com Heron tinha suas inúmeras vantagens, e uma das grandes na verdade, era saber o que traria um grande sorriso cheio de covinhas que eu tanto amava para aquele rosto: um grande prato de tacos com guacamole orgânica. Com isso eu sabia que ele esqueceria todos os problemas.”

- Não é possível! - proferiu assim que saiu daqueles pensamentos.

Ele voltou a encarar o pacote de tacos que estavam na sua frente.

- É só mais uma coincidência, só pode ser mais uma coincidência! - disse olhando o pacote. - Muitas pessoas gostam de taco e guacamole orgânica, né?

então fechou a geladeira sem pegar nada para comer e voltou a pensar naquele livro enquanto andava de volta para a sala para pegar seu celular.
Eram muitas coisas que se passavam pela sua cabeça e até se sentiu um pouco tonto ao tentar assimilar tudo. Havia começado aquele livro sem pretensão nenhuma e agora via tanta semelhança entre ele e o Heron, que só podia estar ficando louco, era isso, estava louco.
acabou saindo daqueles pensamentos quando seu celular começou a tocar pela sala e agradeceu por finalmente ele ter outra coisa em quem pensar. Andou até o sofá e viu o nome da sua irmã mais velha, Gemma , brilhar no visor.
Gemma sempre fora a luz de : a pessoa que mais o conhecia e entendia tudo, mais até que a própria mãe de ambos, mais do que seu empresário, mais do que qualquer fã.
então deslizou o dedo pela tela do celular a atendendo.

- Hey, Gem - cumprimentou a irmã, mas era nítido em sua voz que o livro ainda o atormentava.
- ? Onde se meteu o dia todo? - Gemma perguntou ao irmão com a voz um pouco brava. - Te liguei o dia todo e só caía na caixa postal! E que voz abatida é essa?

acabou rindo depois daquele turbilhão de perguntas. Com certeza Gemma tinha ligado para ele durante o dia todo e agora tinha percebido a alteração na sua voz.

- Estou em casa - respondeu. - Desliguei o celular para ter um pouco de paz...
- Mas aconteceu mais alguma coisa, porque sua voz não tá muito feliz - Gemma cortou o que o irmão dizia antes mesmo dele explicar.
- Só tava lendo um livro, Gem, e ele me deixou intrigado - disse a verdade para a irmã.
- Ah, é? - Gemma perguntou curiosa. - E o que esse livro tinha de tão importante pra te fazer ficar intrigado? É suspense? Porque se for, já vou querer emprestado!

voltou a rir das perguntas da irmã, pois Gemma era fã de livros de suspense e se prendia a eles completamente. Elysian claramente não era suspense, isso era claro na própria sinopse, porém havia intrigado da mesma forma.

- Na verdade é um romance - disse por fim para a irmã.
- Você intrigado com romance, ? Como assim? - Gemma perguntou com certa confusão na voz.

E entendia muito bem o porquê, afinal, romance era a última coisa que o intrigava entre todos os gêneros de livro e quando pensou em deixar todo aquele papo sobre livros para trás, acabou se lembrando de uma coisa.

- Você tá vindo para meu apartamento? - perguntou para a irmã com uma certa ideia na cabeça.
- Sim - Gemma respondeu. - Estou passando pelo Hyde Park, por isso mesmo estava tentando ligar, para avisar que estava a caminho.
- Ótimo, pois vou precisar de você! - respondeu animado.

Gemma era a pessoa perfeita para sanar todas as ideias loucas que se passavam pela mente de , pois a irmã do cantor conhecia a personalidade dele, os gostos e eles realmente tinham uma forte ligação entre irmãos. E, sabendo que Gemma iria para a sua casa, percebeu que poderia ter uma segunda opinião sobre Elysian, sobre as semelhanças entre ele e Heron e ele sabia que Gemma leria se ele pedisse e concluiria que tudo o que ele andava pensando era apenas coisa da cabeça dele, que estava louco, porque definitivamente era isso que ele queria ouvir.

. .


e ainda permaneciam juntas, já que depois do almoço decidiram ir andar por Londres. Apesar de estarem morando na cidade há alguns anos e conhecer perfeitamente bem cada pedaço daquele lugar, fazia muito tempo que não visitavam seus lugares favoritos e conversavam sobre a vida.
Ambas decidiram ir até o Hyde Park respirar um pouco de ar fresco, andar por aquele local que tanto amavam e poucas vezes haviam ido. Ambas as meninas moravam longe dali, pois apenas a realeza britânica morava próximo ao Hyde Park, mas sempre fora um lugar que elas adoravam andar, ver pessoas se exercitando, ver flores e o dia acontecer, além de estarem mais próximas da natureza naquela imensidão cinza que era Londres.
Assim que adentraram ao parque, seguiram andando e conversando sobre trabalho até chegarem próximo a um banco onde ambas sentaram.

- Ando pensando em começar umas aulas de francês - disse a amiga.

a olhou abismada, pois sempre havia dito a ela que tinha interesse em cursar outro idioma, especificamente o francês.

- Você não vai fazer isso por causa do e da nova campanha dele para Gucci, né? - perguntou brincando, pois lembrava que há anos atrás tinha dito que havia visto seu querido falando e atualmente o mesmo havia participado de uma campanha da marca em que falava o slogan da campanha em francês.
- Pelo amor de Deus, ! - disse indignada. - É óbvio que não! Vou fazer porque surgiu uma oportunidade de eu crescer na editora e subir de cargo! Você sabe disso, criatura!

começou a rir da amiga, pois sabia que não era por causa de , mas adorava tirar com a cara dela e ainda mais hoje que tinha virado assunto recorrente entre elas.

- Por que disse isso? Falou que era por causa do ? - perguntou depois de analisar morrendo de rir. - Meu mundo não gira em torno dele não! Essa minha fase já passou há muito tempo.

ainda ria, mas logo começou a parar, respirou fundo e olhou diretamente para a amiga.

- Eu só estava brincando! foi tão presente no nosso assunto hoje que queria tirar uma com a sua cara.

apenas fez uma careta para a amiga e depois ambas caíram na risada mais uma vez durante aquele dia.

- Pensando bem, ele foi mesmo - disse por fim. - Acho que isso não acontecia há MUITO tempo.

enfatizou a palavra muito e realmente era verdade, já que começou a pensar que fazia muito tempo que as amigas não falavam de seus ídolos ou algo do tipo. A vida adulta agora começava a barrar certos assuntos nas reuniões delas, os papos entre elas era sempre sobre a revista que trabalhava ou sobre a marca que trabalhava. Outro assunto bem falado entre elas era sobre homens; infelizmente, e nunca tiveram sorte quando o assunto era amor. até chegou a namorar por um curto período de tempo, mas o cara mais lhe fazia mal do que bem e ela acabou encerrando tudo aquilo para a felicidade de , que se viu um pouco sozinha quando teve que dividir a atenção de com um cara que não valia a pena, mas isso já fazia tanto tempo, que também nem era tanto uma pauta assim entre elas. tinha um relacionamento com o seu trabalho e só tinha olhos para isso, mas a verdade era que seu padrão de homem sempre seria o cantor de olhos verdes que sempre fora apaixonada e acreditava que ninguém o conseguiria substituí-lo. Outro assunto que era forte no momento nas conversas das amigas era comida; ambas adoravam ver programas de culinária e conhecer novos restaurantes, era o que sempre fariam juntas, o elo que as unia ainda mais.
suspirou fundo e começou a olhar tudo em volta no Hyde Park. Um vento frio já se fazia presente no lugar e a noite começava a demonstrar sinais de que logo chegaria ao horizonte. Ela se sentia imensamente feliz naquele dia, e por mais simples que tenha sido, havia sido especial, pois estar com falando sobre as suas coisas favoritas sempre fazia o dia ser especial. Enquanto ainda olhava por toda extensão que seus olhos alcançaram, acabou avistando um letreiro que brilhava o nome Saint Aymes numa fachada bem fofa com flores e cores leves.

- O que acha de tomarmos um chá? - disse chamando a atenção de . - Estou com um pouco de frio e preciso me aquecer.

Chá era definitivamente a bebida favorita de .

- Claro, acho que realmente precisamos! - respondeu já se levantando do banco e se colocando em pé na frente da amiga.

também se levantou e ambas andaram em direção ao local, e quanto mais se aproximavam, mais notas sobre o lugar tomava; tudo ali era fofo e nunca tinha visto um lugar como aquele em Londres, pois era diferente e muito convidativo. O que não sabia era que aquele coffee shop era realmente diferente, pois aquele lugar era o responsável por fazer com que Elysian chegasse às mãos da pessoa que a tinha inspirado a escrever e faria com que a vida de virasse de cabeça para baixo daqui a alguns dias, algo que ela nem sonhava e muito menos imaginava. E o que ela menos imaginava ainda era que a melhor amiga dela, a pessoa que estava ao seu lado e que não tinha se dado conta onde estava ainda, era a principal responsável por tudo isso.

. .


estava tão submersa na conversa com a amiga que acabou não percebendo onde ambas estavam indo tomar chá; não fazia noção ainda que tivera ali alguns anos atrás e deixado Elysian para que alguma pessoa na imensidão londrina o achasse.
As amigas então passaram pela porta e rapidamente seguiram em direção ao balcão para solicitar o que comer e beber. pediu um chá Lady Grey acompanhado de crumpets tradicionais com geleia caseira de morango, mel e manteiga, enquanto pediu um chá de frutas vermelhas com um donuts de chocolate. Ambas então seguiram para uma mesinha que tinha por ali perto das prateleiras de livro para sentarem.

- Eu amei esse lugar! Por que nunca tinha conhecido antes? - escutou dizer.

Assim que ouviu aquilo da amiga, ela começou a prestar mais atenção no lugar: olhou as mesas, o balcão e as prateleiras e então sua mente fez com que imagens de anos atrás voltassem para a sua cabeça: ela ali naquele lugar entregando o livro para uma atendente. engoliu em seco quando as imagens sumiram de sua mente e então rapidamente se levantou fazendo com que se assustasse.

- O que aconteceu? - perguntou sem entender nada.
- Nada, só preciso trocar meu pedido - mentiu saindo da mesa.

andou apressada em direção as prateleiras, dando uma olhada por cima para ver se por acaso via o livro da amiga por ali. não podia sonhar com isso agora e nem nunca, porém quanto mais procurava, mais longe de achar aquele livro ela estava. Então, decidiu parar de procurar e resolveu perguntar para a atendente do lugar.

- Olá! - disse assim que chegou ao balcão.

A atendente a olhou toda sorridente.

- Olá, em que posso ajudá-la? - a atendente perguntou.

então se aproximou mais da moça para que pudesse falar baixo.

- Uma vez, eu vim aqui e tinha um livro especial na prateleira, tinha uma capa creme, parecia uma almofadinha, chamava… - começou a explicar baixinho para que a amiga não escutasse, mas a atendente a interrompeu antes mesmo que terminasse.
- Esse livro foi vendido hoje mesmo! - a atendente disse fazendo com que parasse de falar. - Um cliente, muito especial por sinal, comprou hoje de manhã e era bem cedo quando ele comprou o livro.

estava incrédula; alguém além dela tinha se interessado no livro? Ela não estava tão louca de que aquela história era realmente maravilhosa? então soltou um sorriso de orelha a orelha pensando em como aquilo era perfeito, deu uma leve virada de rosto e parou seu olhar no da amiga que sorriu de volta para ela. era a pessoa mais importante na vida de , aquela que estava com ela sempre que necessitava, que havia dividido a maioria das experiências da vida, que era sua irmã de alma e nada mudaria nisso.

- Você sabe quem é a pessoa? Algum nome? - perguntou curiosa.

E perguntou isso porque aquela região em específico contava com a presença de pessoas muito influentes, realeza e famosos.

- Infelizmente não me lembro exatamente quem era - a atendente mentiu, mas não sabia desse detalhe.
- Tudo bem - sorriu para a atendente como agradecimento. - Obrigada!

Em seguida, voltou a andar em direção a mesa que antes estava, se sentando ao lado da amiga.

- Conseguiu trocar seu pedido? - perguntou.
- Sim! - respondeu ainda rindo e com um ar de paz.
- Aconteceu mais alguma coisa? - voltou a questionar a amiga, pois ela estava achando estranho toda aquela reação.
- Não, só estou feliz por estar aqui com você. Eu sinto que esse lugar é especial e ainda vai mudar vidas - disse profetizando.

encarou a amiga um pouco assustada, porque não estava entendo nada do que estava acontecendo ali. Na verdade, demoraria muito para entender todas as ações que o destino estava pregando nela e por mais que tivesse um pequeno toque de em tudo o que iria acontecer a seguir, o destino era o maior responsável por tudo. Se não fosse por ele, não teria entrado naquela cafeteria de manhã, não teria visto o livro e o comprado, não acharia a semelhança entre ele e a história e nunca iria atrás de . Mas isso aconteceu e cada um desses passos aconteceria e seria em breve.

. .


andava de um lado para o outro de seu quarto enquanto sua irmã estava deitada em sua cama lendo o livro que havia tomado tanto da sua atenção naquele domingo.
Gemma havia chegado no apartamento de há duas horas e desde então estava ali pregada lendo cada frase e cada parágrafo que havia pontuado para ela. Obviamente que não havia acabado de ler todo o livro, mas precisava tirar a sensação de que tudo aquilo que ele lia era sobre ele para que então continuasse a história. Gemma permanecia focada no livro da mesma forma que tinha ficado.

- Para de andar de um lado para o outro! - Gemma chamou a atenção de . - Você está tirando minha concentração!

bufou irritado para a irmã, encarando-a.

- O que você quer que eu faça? Estou achando que enlouqueci de vez e só preciso dessa confirmação! - disse de uma vez.

Gemma olhou para , encarou o livro novamente, voltou a olhar para e então soltou todo o ar que estava em seus pulmões.

- ... - Gemma começou a dizer de uma forma que causasse menos impacto no irmão, mas sabia que aquilo seria impossível.
- Gem... - disse o apelido da irmã a acompanhando.
- Sinto lhe dizer que você não está louco, little brother - Gemma disse de uma vez e respirou fundo. - , o que vou te dizer agora pode parecer meio estranho e preciso que você não surte com isso, mas Heron é você e você é o Heron e esse livro, a história de Elysian, é definitivamente sobre você.

caiu estático sentado sobre a cama quando a irmã acabou de dizer aquelas palavras. Ele não estava louco e isso não era exatamente o que ele queria ouvir.




Continua...



Nota da autora: Olá minhas rainhas, como estão?

Hoje apareci com mais um capítulo fresquinho de Elysian para vocês, e então o que acharam?
Agora a história está começando a pegar forma e nosso pp começará a entender o propósito de Elysian e do destino, estou bem ansiosa com os capítulos que estão por vir.

Gostaria de fazer uma dedicatória especial a esse capítulo, a minha amiga e inspiração dessa história, Clarissa. Semana passada foi aniversário dela então não consegui a presentar da forma que queria, então dedicar esse capítulo a ela é o mínimo que eu posso fazer. Clari, te amo demais, obrigada por toda ajuda de sempre, mesmo, você sabe a importancia que tens na minha vida. Sem você, nenhuma das minhas histórias seriam possíveis, obrigada mesmo, SEMPRE.

Enfim, espero um comentário de vocês ai embaixo e também convido cada uma para participar dos meus grupos. Acho que é isso.


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Então é isso, logo estou de volta, e quero que a próxima atualização seja dupla.

Love, Kels.

Outras Fanfics:
Backstage Queen | Queen Of My Heart

Nota de Beta: Ah, que nervoso que dá todas essas informações "escondidas", rsrs. Eu fico nessa agonia pra que contem logo, pra que ele descubra logo, mas tô amando todo essa "loucura" que o Harry tá sentindo. Amei como a Gema entrou na história, tava ansiosa pra saber se ela ia aparecer e ela chegou chegando. Será mesmo que mais alguém no mundo gosta de tacos com guacamole orgânica?? rsrs.
Adorei o capítulo, Kels.
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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