Última atualização: 29/06/2017

Capítulo 1: Piloto.

~ Nove anos antes ~

Come Together by The Beatles

A mansão Blanc estava barulhenta; mas não era uma festa e nem um show, não nesta noite. Quase todos os cômodos vazios, afinal, aquela era uma família de apenas três pessoas e um cachorro, pra quê quatro suítes, duas cozinhas, uma sauna, cinema, duas piscinas e todo o resto? Status é claro. Ryan Blanc não poderia morar numa minúscula casa de apenas dois quartos e um banheiro, mesmo que tivesse crescido numa exatamente assim. O barulho na verdade era música, o bom e velho rock clássico, e vinha de uma das salas de estar.
- Here come old flat top, he come groovin' up slowly, he got joo joo eyeballs – Ryan cantava enquanto dançava como uma cobra e andava engraçado na direção de , que pulava de pijama no sofá.
- He want holy rollers, he got hair down to his knees, got to be a joker, he just do what he please – A criança completava, como sempre fazia, parando apenas para os solos de guitarra imaginária.
Sempre mais alto, ambos pulavam e cantavam como se estivessem num show. Sorriam e se divertiam imitando o que seria o Velho-mais-chato até a música acabar, quando Ryan pegou a filha no colo fazendo-a soltar um grito e os jogou no sofá, seguido de vários risos.
- Little star, deixa eu te contar um segredo? – Ryan perguntou para a sua filha, vendo ela assentir em seguinte e os seus olhos brilharem – Foi escutando Beatles que eu decidi ser músico.
- Sério pai? Por quê? – a pequena perguntou curiosa.
- Eu era adolescente, estrelinha, e estava muito confuso com tantas coisas mudando ao meu redor, até que escutei Let it be. Simplesmente tudo pareceu fazer sentido e eu me senti tão bem e feliz, que decidi fazer isso pelo resto da minha vida, viver da música – ele disse e, pela primeira vez na noite, se fez um minuto de silêncio no local.
- Pai, posso te contar um segredo?
- Claro, estrelinha – Respondeu olhando-a surpreso.
- Eu quero ser roqueira quando crescer, que nem você – revelou sorrindo – Porque brincar de show é tão divertido e me deixa muito feliz. Mas foi cantando com você, papai, que eu descobri isso.
Ryan abraçou a filha, ajeitou uma mecha de seu cabelo colocando-a atrás de sua orelha, deu um beijo em sua testa e disse:
- O importante é que você esteja feliz, mas saiba que independe do que você fizer, sempre será a minha estrelinha.
- Eu te amo, papai.
- Também te amo, minha pequena.

Como ela conseguiu? Com dezoito anos, finalmente estava acabando o High School e com louvor, tendo uma bolsa garantida no curso de administração na Faculdade do Oregon. não precisava de bolsa, nem de longe, aliás, dinheiro era o que não faltava. Apesar desse fato, a garota merecia, com certeza, depois das várias atividades extracurriculares nas férias que não passava em L.A., ótimas notas em todas as matérias e de ser a capitã das líderes de torcida por cinco anos. simplesmente tinha tudo que qualquer garota daquela cidade sonhava.
Nada importava mais, finalmente essa fase estava por acabar, mesmo que seu pai não estivesse lá, sabia que ele estaria se pudesse e, além disso, muito orgulhoso de tudo.
Depois da cerimônia de entrega dos diplomas, todos estavam se arrumando para o baile, até porque era a melhor parte daquilo tudo.
- Meu Deus – falou quase gritando enquanto enrolava seus cabelos molhados numa toalha – Tá acabando, !
- É a tendência né, amiga – respondeu pelo Skype que estava aberto no computador jogado na cama – Te vendo assim até parece que você não sabia que isso iria acontecer.
- Claro que sabia – Respondeu sentando-se em sua penteadeira e abrindo a gaveta de maquiagens – Mas sei lá, agora eu tenho um diploma pendurado na parede e depois vou ir pra escola pela última vez, na verdade, pra um baile da escola pela última vez.
- Não vou te zoar porque semana passada eu estava assim mesmo. Mas me diz, e a carta? Já chegou?
arregalou os olhos de susto ao ouvir a menção da carta, sentindo um frio percorrer toda a sua espinha. Ainda bem que estava de costas pra cama, assim não conseguiu perceber, ela olhou novamente para a gaveta de maquiagens reparando a carta da American Academy of Dramatic Arts lacrada e encostada numa das laterais.
- Não – Respondeu com a voz quase falhando e encarando o espelho, tentando disfarçar enquanto passava base – Deve chegar semana que vem. Sei lá...
- Mas amiga – falou com a voz quase estridente – Já deveria ter chego há duas semanas.
- , Los Angeles não é exatamente perto daqui.
- , tu mora no Oregon e não no Alasca! Eu hein, a carta nem é pra mim e eu to mais interessada que você! Tu deveria estar arrancando os cabelos e não passando blush nessa calma toda.
riu de leve, era um riso de nervosismo, porém sua melhor amiga com certeza pensou que fosse por ela ter achado seu comentário engraçado. A verdade é que ela mal podia parar pra pensar nos “e se...” que aquela carta trazia, quem dirá descobrir o que ela dizia... E se estivesse aprovada? Iria aceitar e deixar sua mãe para trás provavelmente morrendo de preocupações todos os dias, ou negaria a vaga na AADA pra estudar administração? Ela nem gostava de administração, só solicitou uma vaga para esse curso porque sua mãe sugeriu, já que seu padrasto era dono de uma loja de automóveis na cidade... E se não estivesse sido aprovada? Correria atrás da grande vontade que tinha em estudar artes cênicas mesmo assim, ou só se conformaria e passaria o resto da vida naquela cidadezinha? Só uma coisa estava certa naquela altura, era a hora errada pra pensar em não pensar naquilo.
- Droga! resmungou largando o pincel do blush e pegando um lenço de papel umedecido.
- Eita, o que foi menina?
- Nada, só me distrai e passei blush demais – Respondeu enquanto tentava amenizar o tom de rosa com o lenço e ria da situação.
- Ai , tá nervosa? Calma, você deve ter passado.
- Na verdade eu não tenho pensado muito nisso sabe, tenho estado muito ocupada – o que era verdade – Tiveram os treinos das líderes de torcida pro jogo de ontem e a organização do baile essa semana toda.
- Ah, você sempre está muito ocupada, parece que tem 46 anos ao invés de 17. Hum... Não sei o porquê faz isso consigo mesma.

~ 4 anos antes ~
- Comecei a namorar – confessou, olhando para o braço da poltrona onde estava sentada enquanto brincava com o tecido dela.
- Interessante – A Dra. Taylor comentou enquanto anotava algo em sua prancheta – E quem é o sortudo?
- O nome dele é August O’brian – respondeu voltando seu olhar para a terapeuta que ainda fazia anotações – Ele é da minha classe de História e também faz parte da equipe de futebol.
- E por que você começou a namorar ele, ?
- Várias das minhas amigas estão namorando, ele é um garoto legal e me pediu em namoro – A menina finalizou dando de ombros.
- Sabe, garota, você é uma das minhas pacientes mais novas, mas como sempre me pede pra te tratar como adulta vou lhe contar uma coisa que só deveria contar pra sua mãe – A médica disse, causando certo olhar de surpresa em . Ela pôs a prancheta no colo, tirou os óculos e continuou – Falamos semana passada sobre você ficar constantemente ocupada com os treinos, reforços, aulas de culinária com sua mãe e tudo mais – a menina só balançavam a cabeça em concordância, olhando fixamente para Taylor, esperando saber qual seria o grande segredo – Percebi que isso está acontecendo há dois anos, desde que o Pancake morreu. – logo contraiu as sobrancelhas e olhou para o chão, tentando lembrar se realmente era verdade e estranhando ter percebido isso só naquele momento– Acho que sua mãe tem feito isso para que você não entre em depressão de novo, e tem funcionado, porém você não pode se manter ocupada para evitar pensar nas coisas que aconteceram e nas que estão acontecendo.
Uma pausa silenciosa se fez. encarava a médica assustada por se dar conta de que ela estava certa. A adolescente apertou com força a barra de sua saia e respirou fundo para se acalmar e não chorar. A terapeuta fez o mesmo, pois percebeu que, infelizmente, estava certa.
- É normal que pacientes que não tenham uma figura paterna ou materna procure namorar para ocupar essa ausência, talvez você faça isso um dia, mas acho que esse não seja o caso de agora. , você é muito nova pra namorar sério, mesmo que seja mais madura do que a sua idade sugere.
- É, eu sei disso – Ela assumiu cabisbaixa, entortando os lábios no final da frase.
- Esse namoro é mais por conta das suas amigas e não porque gosta do menino, tente não magoá-lo e tome cuidado pra não usá-lo pra ocupar a ausência do seu pai ou pra evitar seus pensamentos.

~ Atualmente ~

já estava finalizando a maquiagem com o batom, logo em seguida levantou e foi em direção ao seu vestido que estava pendurado na porta.
- Sei lá, eu só não gosto de ficar parada – Disse enquanto atravessava o quarto. E era verdade. Ficar parada, sem nada pra fazer, sempre pareceu um tipo de tortura para ela.
- Se não te conhecesse diria que está fugindo de alguma coisa ou de alguém.
- Pois é, mudando de assunto, ainda bem que eu comprei o vestido com você – Comentou tirando-o da porta, um belo Armani tomara-que-caia azul é claro, afinal era a cor preferida dela, com pequenos cristais distribuídos na cintura.
- Claro, se você tivesse comprado aí no Oregon acabaria indo pro baile com algum vestido feio de uma loja de departamentos qualquer, imagina só – As duas riram – Aqui em L.A. tem as melhores lojas de roupas do país, além da melhor personal style e amiga também.
- Isso é verdade – concordou tirando o vestido da capa de proteção e jogando-o na cama ao lado do computador – Ei , preciso desligar agora, ainda tenho que me vestir e arrumar o cabelo antes do August chegar.
- Tá bom, amiga, também vou sair agora, preciso comprar uma roupa pra festa que a banda do vai dar amanhã.
- Vê se compra algo que não lhe deixe parecendo uma prostituta dessa vez.
- Pra quê esconder a minha vadia interior, não é mesmo? – Risos – Dessa vez, vou comprar algo mais comportado só porque você pediu, mas só se você prometer que vai se divertir muito e usar camisinha.
- ! – desta vez foi quem falou com a voz estridente, encarando o computador – Cê tá louca? Imagina se a minha mãe escuta isso?
- Ah tá. Nossa. Até parece que a tia Mia não sabe que você já perdeu o cabaço.
- Não, a tia Mia não sabe, e, por mim, que ela continue pensando assim até eu casar – Ao acabar de falar riu descontroladamente, fazendo com que cruzasse os braços e erguesse uma das sobrancelhas, séria.
- Ah mana, sai dessa, nem ela deve ter casado virgem.
- Não quero imaginar isso – Comentou enquanto inclinava-se em direção ao pc – Tchau .
- Tá bom, tchau. Mas eu falei sério sobre a ca... – conseguiu desligar antes que a amiga terminasse de falar, o que foi um alívio já que sua mãe entrou no quarto logo em seguida.
- Oi filha – Mia ficou surpresa ao ver sua filha ainda de roupão – Você ainda não se vestiu?! O baile começa em quarenta minutos.
- É mãe, eu sei – respondeu jogando o roupão que estava cobrindo seu corpo só de lingeri no chão e pondo o vestido – Mas eu já terminei a maquiagem então só falta o cabelo, praticamente. Pega os meus sapatos, por favor.
- Claro – sua mãe respondeu virando-se em direção ao closet.
sem lembrar se tinha fechado a gaveta de maquiagens, olhou para sua penteadeira e descobriu que não. Lá estava ela, totalmente aberta para quem quisesse ver a carta. Imediatamente arregalou os olhos, ela correu puxando seu vestido o máximo possível para cima pra que não pisasse em sua grande saia e nem caísse no meio do caminho, conseguiu fechar bem antes de sua mãe voltar com os sapatos nas mãos.
- Aqui estão seus lindos Michael Kors.
- Obrigada, mãe – agradeceu meio trêmula, pegando um deles por vez e calçando, logo em seguida virou de costas e pediu – Fecha o zíper pra mim, por favor?
Prontamente Mia o fez, depois virou tirando a toalha dos cabelos ainda úmidos e mesmo que eles estivessem bagunçados ela estava linda, realmente muito linda, como uma princesa, ou melhor, como uma estrelinha. Só a lembrança desta palavra fazia Mia chorar.
- Você está tão linda.
- Mãe, não chora. Meu deus, mãe, não! Se você chorar eu choro também – percorreu a pequena distância que tinha entre as duas com os braços abertos e a abraçou tentando conter as lágrimas – Você não quer que eu estrague a minha maquiagem e me atrase, não é?
- Claro que não. – respondeu passando as mãos nas costas da filha e se distanciando – Eu só gostaria que seu pai estivesse aqui para lhe ver, ver que você cresceu e virou essa mulher linda e maravilhosa. Com certeza ele sente orgulho de você, onde quer que ele esteja – As palavras da mãe fizeram começar a chorar no mesmo instante, não importava o quanto ela fosse forte e se fizesse de durona, seus pais sempre foram o seu ponto fraco.
- Droga, mãe, agora eu vou ter que ajeitar minha maquiagem – A filha disse pegando um lenço e secando as lágrimas delicadamente, tentando estragar a maquiagem o mínimo possível – Mas obrigada, por tudo, por sempre ter estado do meu lado, por ter me amado, me protegido e me ajudado por tantos anos sozinha.
- É isso que as mães fazem, elas simplesmente amam e dizem que seus filhos são lindos. – ambas sorriram bobas e de mãos dadas – Bem, é melhor eu descer pra acabar de fazer o jantar, assim ninguém chora mais e não se atrasa – Mia limpava as lágrimas do rosto enquanto tentava se recompor porque se descesse com cara de choro, claro que o pequeno Peter perguntaria por que a mamãe estava chorando.
- Em vinte minutos eu desço, assim a senhora pode tirar varias fotos pra por em algum daqueles inúmeros álbuns da sala.
Mia assentiu com a cabeça e saiu do quarto, pegou seu celular, colocou uma de suas músicas preferidas e continuou a se arrumar. Um pouco menos de vinte minutos depois estava descendo a escada, August já estava na sala estranhamente conversando num canto com o padrasto e a mãe dela, até que Mia percebe que sua filha estava chegando, deu dois tapinhas no ombro de August meio que apontando a direção de com a cabeça, saindo em segunda do cômodo.
- Amor, você chegou cedo – mencionou meio desconfiada já no primeiro andar – Não era pra você chegar dez pras oito?
- Pois é, eu acabei ficado pronto mais cedo e decidi vir logo pra cá – ele respondeu segurando a sua mão e lhe dando um selinho depois.
- Suas mãos estão suadas? – ela questionou olhando para as mãos dele. Isso era muito estranho, ele normalmente só ficava assim quando estava nervoso por conta de algum jogo importante. Até August ficou surpreso ao ver que era verdade.
- Nossa! – Ele exclamou, secando suas mãos no paletó com um sorriso torto no rosto – Desculpa, nem tinha percebido.
- Você tá nervoso? – a namorada realmente ficou desconfiada – Parece até que esse é o nosso primeiro baile e não o último.
- Claro que ele está, menina – O padrasto dela, Chuck, interrompeu ficando entre os dois e os puxando para um abraço – Hoje é um grande dia! – Finalizou animado enquanto apertava os dois jovens contra si.
- Chuck, calma – falou pegando distância. Ela respeitava muito seu padrasto e até gostava dele, mas nunca quis dar intimidade a ele – A formatura já passou e não é como se eu fosse me casar essa noite – Argumentou ajeitando o vestido. Neste momento Chuck olhou quase assustado para a menina, com August acompanhando o gesto. estava preste a questionar aquelas caretas quando uma luz branca e forte se ascendeu rapidamente diante dela, cegando-a por alguns instantes.
- Essa ficou péssima – Mia comentou olhando o visor da câmera – Afinal, por que estão todos fazendo caretas? – Questionou olhando para os três que piscavam quase que compulsivamente.
- Talvez porque a senhora chegou tirando foto do nada – retrucou – Assim nem Megan Fox se salva né, Mãe.
- Acho difícil aquela mulher sair feia numa foto, mas tá, vão logo pra parede de vocês antes que se atrasem – Mia ordenou apontando pra uma parede branca do corredor. A Parede da e do Gus tinha esse nome, pois desde o primeiro baile dos dois Mia tirava uma foto deles na frente dela. A mãe coruja também não deixava que ninguém pendurasse algo nela, muito menos que Peter tentasse dar uma de Picasso com os seus gizes de cera.
- Sim, senhora – August respondeu batendo continência – Mas antes temos que manter as tradições – Seguiu em direção à mesa de centro da sala, pegando uma caixinha transparente e voltando a ficar de frente para , quando abriu a caixa e tirou de dentro dela uma pulseira de flor.
- Peônias de novo? – Mia reclamou com cara de desânimo – Vocês não enjoam dessa flor não? Todo baile é a mesma flor.
- Ah mãe, não exagera, não é sempre azul – a filha respondeu enquanto August colocava a pulseira em seu pulso.
- Não posso fazer nada Sra. Hendrix, desde que ela assistiu Gossip Girl eu fui proibido de comprar outra flor.
- Não meta a minha Blair Waldorf nisso – retrucou fazendo com que todos rissem.
- Tá bom crianças, hora da foto.
- Quem dera fosse só uma – a filha resmungou baixo sem que ninguém percebesse.
Logo em seguida uma sessão de fotos começou. Mia adorava tirar fotos, principalmente quando se tratava da filha, e já estava acostumada, tanto que suas bochechas nem doíam mais de ficar sorrindo por tanto tempo. Entre as várias fotos sempre rolavam brincadeiras, comentários e certa dificuldade pra conseguir com que Peter ficasse parado. Depois de uns dez minutos tudo estava resolvido e todos já estavam na frente da casa para se despedirem.
- Se divirta – Mia falou ao abraça-la com um sorriso sereno no rosto.
- Pode deixar, mãe – respondeu olhando em seus olhos e segurando suas mãos ao desfazer o abraço. August estava ao seu lado apertando a mão de seu padrasto que agora carregava Peter.
- Voltamos antes do sol – August falou se preparando pra descer as escadas com , já que o salto sempre dificultava, mesmo que fossem só três degraus.
- Boa sorte pra vocês e tenham juízo – Chuck gritou quando os dois estavam prestes a entrar no carro.
August abriu a porta do carona de seu Honda Civic vermelho para que entrasse e ela o fez, puxando a longa saia de seu vestido para que não ficasse preso, então ele fechou a porta e deu a volta no carro. Quando entrou, estava teclando em seu celular, provavelmente mandando uma mensagem para uma de suas amigas avisando que finalmente a sessão de fotos da sua mãe tinha acabado e que tinha conseguido sair de casa.
- Sei que o caminho não demora nem dez minutos, mas eu preparei uma playlist só pra hoje à noite – disse ainda mexendo no celular – É mais pra After mesmo.
- Dá pra escutar umas duas no caminho – Ele comentou, tendo como resposta o começo de uma música da Ariana Grande, enquanto acabava de colocar o cinto de segurança. Soltou um leve sorriso, pois nunca perdia tempo se o assunto fosse música.
- Não sei o porquê do Chuck sempre falar “Juízo” toda vez que vamos sair. Até parece que o fato dele falar isso vai mudar alguma coisa que a gente vá fazer – Ela comentou bloqueando o celular e o pondo no colo.
- Para de ser implicante, parece até que você não gosta dele.
- Eu gosto, ele é um cara legal e trata minha mãe super bem, mas não dá pra negar que ele é muito, sei lá, estranho às vezes. Por exemplo, esse “boa sorte” que ele acabou de dar pra gente, boa sorte pra quê? Além disso, o que vocês estavam conversando quando eu cheguei na sala? Aquilo sim foi bem estranho.
- A gente só tava conversando, nada demais. Pra quê tanta curiosidade?
- Você sabe que eu sou curiosa, curiosidade é a essência do meu ser e era algo demais sim, que foi só eu chegar que vocês pararam de falar.
- Claro que a gente parou de falar, estávamos te esperando.
- Fala logo o que era – ela já estava ficando impaciente, começou a cutucar o braço dele várias e várias vezes – Fala, fala, fala, falaaa!
- Tá bom! Mas realmente não era nada demais, estávamos conversando sobre o meu último jogo de futebol e a faculdade.
Foi só escutar “faculdade” que logo sentiu aquele frio na espinha de novo, se arrependendo de ter insistido que ele falasse já que aquilo dava uma abertura pra falar sobre a faculdade. Já era chato ter que pensar sobre isso, quem dirá falar sobre... Logo ela soube que precisava mudar de assunto.
- Que legal, mas ei! Estamos indo para o último baile... Nossa, como isso dá um frio na barriga – pôs uma mão sobre a barriga e olhou para August com um sorriso nervoso no rosto.
Ele desviou rapidamente os olhos da rua para olhar para ela, sorriu e também ficou aliviado por mudar de assunto, em resposta estendeu sua mão para pegar a dela que ainda estava sobre a barriga.
- Dá mesmo, não é? –puxou a mão dela e deu um beijo em seu dorso, mantendo seus olhos na rua – Mas pode ficar calma, que vai dar tudo certo.
- Claro que vai! Quando o assunto é baile, nós somos profissionais. – Ela falou empolgada, fazendo com que os dois rissem – Mas, amor, me diz: por que você tá tão nervoso? – perguntou enquanto olhava as suas mãos ainda entrelaçadas, pois a dele estava novamente suada.
- É uma noite importante – Respondeu sem olhar para ela.
- Amor, é só mais um baile, calma – soltou a mão dele. tinha estranhado o nervosismo também, porém preferiu não comentar pra não dar brecha ao assunto “faculdade”, só pôs a mão na nuca dele e começou a fazer cafuné – E você mesmo disse que vai dar tudo certo.
- Eu sei que vai, porque eu tenho a acompanhante mais linda de todas e que também organizou a festa inteira.
- Você se esqueceu de falar “Senhora Suprema do Universo” – Ela falou com uma voz quase séria, provocando uma gargalhada em August.
- Nossa, me deu até falta de ar – respirou fundo – Ainda não acredito que você programou a Siri pra lhe chamar assim.
- Ela foi programada pra falar a verdade, só dei uma ajudinha.
E os dois foram rindo, brincando pelo resto do caminho que só deu brecha pra mais uma música, até que chegaram ao salão de festas, cheio de carros na frente, com várias luzes e decorações preta e dourada. Logo na entrada da festa o casal encontrou Amber com um vestido longo, decotado, preto e justo, parecia uma versão moderna de Mortícia Addams só que com alcinha e cabelo preso na lateral. Ela estava totalmente concentrada no celular quando os dois chegaram.
- Menina, você tá parecendo uma gótica suave – comentou de braços dados com August, fazendo com que a amiga olhasse pra ela – Só que gostosa, é claro.
- Ah, finalmente você chegou – A menina disse esboçando uma expressão de alívio no rosto.
- Como assim? – logo sua expressão mudou – Não estou atrasada nem nada... Tem alguma coisa de errado com a festa?
- O fotógrafo ainda não chegou. Eu já liguei, mandei mensagem e nada! Era pra esse cara ter chegado há meia hora!
- Caramba! Eu sabia que não era pra contratar esse cara, mas a coordenadora Hall ficou falando do corte de orçamento e mandou contratar um aluno da universidade porque sairia mais barato... Essa merda de mais barato sempre sai caro no final.
- Tá, mas o que a gente vai fazer? – Amber perguntou quase desesperada.
- Calma, sorte que não demos o dinheiro pra ele antes. Tem o Matthews do clube do anuário, ele fez um curso de fotografia ano passado e disse que não vinha pro baile porque tava com preguiça. Aposto que essa preguiça vai acabar rapidinho quando ele souber do cachê – falava enquanto olhava fixamente pro celular procurando o número do menino – Vou ligar pra ele, August pode buscar e você monta o cenário das fotos.
- Ok, já vou indo então – Amber rapidamente entrou no salão e já estava com o celular na orelha rezando para que Matthews atendesse logo, enquanto Gus olhava pra ela admirando-a, soltando uma leve risada e fazendo com que ela fizesse uma careta por desconcentra-la num momento tão tenso.
- Por que você tá rindo?
- Você, caramba! Você mal chega na festa, descobre um problema e já resolve. Simplesmente é incrível – Ele fez com que ela sorrisse e logo os dois se beijaram, mas rapidamente se distanciou.
- Alô, Matthews? É a , tô precisando de um favor, mas garanto que você vai ser bem recompensado...
- Vou indo pro carro, me manda a localização – Gus sussurrou pra não atrapalha-la e só assentiu com a cabeça continuando a conversar com Mathew.

Finalmente o baile, já eram dez da noite e fazia duas horas que e August haviam chegado, o problema do fotógrafo tinha sido resolvido e estava tudo ocorrendo como o planejado, ela estava extremamente orgulhosa por estar tudo tão bem organizado e decorado. Todos estavam se divertindo muito, a DJ só tocava musicas boas e atualizadas, o que fazia com que só os professores ficassem sentados ou parados. Surpreendentemente ninguém tinha batizado o ponche, mesmo que um ou outro tivesse algo escondido na bolsa ou no bolso do paletó. Estava tudo maravilhoso.
- Tá quase na hora! – Amber disse no ouvido de . A barulheira do salão de festa forçava-a a falar mais alto, quase que gritando.
- Hora de quê? – perguntou com uma cara confusa.
- De vocês subirem no palco – A amiga apontou pra ela e para Gus, que estava um pouco mais longe com uns amigos.
- Tá falando da coroação?
- Claro!! Do que mais seria?
- Sei lá, talvez a gente não ganhe dessa vez – sua afirmação não conseguiu convencer a amiga.
- Aham, até parece, vocês são rei e rainha de baile praticamente desde que nasceram, ganham em todos os bailes.
- Realmente – risos – Mas no último não ganhamos.
- A Daisy já se curou do câncer e ela já teve a noite de princesa, vocês vão levar de novo, aposto.
- Pode ser. Não sei como esse pessoal não se cansa de me ver com uma coroa na cabeça.
É claro que seriam eles, já fazia quatro anos em que cada jogo do time de futebol terminava com um beijo deles, eleito “O casal mais lindo” em todos os anuários, não teria com sair outro resultado. Depois do discurso da coordenadora Hall sobre aquele último ano e de um minuto desnecessário de suspense a revelação foi feita:
- Blanc e August O´brian – a Dj disse, seguida de vários gritos e aplausos de todos no salão – Que surpresa! Vocês conhecem bem o caminho então venham pegar as suas coroas.
Eles sorriram para todos, August segurou a mão de meio trêmulo, o que era estranho já que eles nunca ficavam nervosos nas coroações, mas ela só ignorou e o seguiu pela pista. Eles subiram no palco e ela foi coroada primeiro, pegando o microfone em seguida para fazer o discurso.
- Bem, eu não posso falar “nossa, que surpresa!”, das duas primeiras vezes até colou mas depois de... Sei lá, dez bailes, você vai ficando sem discursos – várias pessoas riram na plateia – Eu só quero agradecer a todos vocês que votaram na gente, muito obrigada e saibam que sempre seremos amigos, colegas e até irmãos. Essa fase da nossa vida está acabando, mas uma ótima está por começar. Desejo muita felicidade e sorte a todos, aproveitem o baile e viva a nossa turma! – neste momento todos gritaram, alguns levantaram os braços comemorando e outros bateram palmas. entregou o microfone para a coordenadora e esticou a mão para August, estava prestes a voltar para a pista de dança já que ele nunca falava nada, no máximo um “Vai time” para os seus amigos, quando sentiu ele a puxando para permanecer no palco e percebeu que ele estava segurando um microfone.
- Dessa vez eu tenho um discurso, tá mais pra uma declaração de amor na verdade – só a menção de declaração e amor na mesma frase fez com que várias meninas soltassem um “Own” em conjunto, apenas sorriu ao olhar surpresa para August – , eu te amo, mas é claro que você já sabe disso, assim como todo o resto do colégio. O que você talvez não saiba é que pra mim você é a mulher mais linda do mundo e que eu não me vejo em outro lugar e nem com outra pessoa. Talvez eu seja até muito novo pra dizer isso, mas é o que eu sinto e eu espero que você sinta o mesmo – Ele olhava em seus olhos, bobo, com a mão tremendo no microfone, ele sorriu, soltou a mão dela, pegou algo no seu bolso, se ajoelhou ainda olhando pra ela, abriu a caixinha mostrando a bela aliança que tinha dentro e então disse: – Blanc, você quer se casar comigo?



Capítulo 2: Voltando pra casa.

CASAMENTO? COMO ASSIM?! A ideia já havia passado na cabeça de ambos, mas nunca fora discutida. Caramba! Nenhum dos dois tem idade sequer pra beber legalmente, é muito cedo para um "Até que a morte nos separe".
Mas também, onde pensou que iria dar?
Neste momento todos olhavam para ela, uma assistente de palco se aproximou com um microfone para que todos pudessem ouvir sua resposta.
— Que merda – pensou alto demais, seguindo com um riso nervoso. – Eu preciso sair daqui.
vidrou seu olhar na porta da frente e dirigiu-se a ela sem se preocupar com o decoro. Antes mesmo de sair do palco ela tratou de jogar sua coroa no chão como se a mesma estivesse dificultando o percurso. Sua expressão de confusão e espanto ainda estava lá, seus passos eram largos e nada hesitantes – mesmo com a dezena de olhares em sua direção.
No lado de fora, procurava por ar. Nunca havia se sentido tão apertada e presa. Mas Deus, o que poderia estar acontecendo? O vestido nem a apertava tanto e o local era aberto, não fazia sentido!
Mas a verdade é que já havia tempos que as coisas não faziam sentido.
precisava voltar pra casa. Parecia estar tudo errado: o lugar, o namoro, a escola, a faculdade, o futuro emprego, a noite em si...
Caramba! E o seu pai? Era pra ser uma noite de felicidade e orgulho, seu pai podia se sentir orgulhoso por ela estar terminando o Ensino Médio, mas com certeza não estava por sua Estrelinha não estar correndo atrás de seus verdadeiros sonhos, por não ser sincera consigo mesma e principalmente por estar dando prioridade para a felicidade dos outros ao invés da sua própria.
Parecia ser a vida de outra pessoa e que sempre resolveu os problemas de todo mundo, nunca resolveu os seus próprios porque nunca nem percebeu que tudo aquilo era um problema. Precisava mudar isso, fazer as coisas se encaixarem... Começando pelo lugar, não podia continuar estática na frente do salão de festas, August alguma hora sairia de seu transe e iria atrás dela pedindo alguma explicação, que claramente não poderia dar porque nem ela mesma sabia explicar aquilo tudo, só sabia que precisava sair de lá, mas como? Sua carona da vinda tinha sido deixada no palco com um coração partido e talvez nem dinheiro tivesse para pedir um táxi, mesmo assim decidiu procurar na bolsa e ao abri-la deu de cara com as chaves de Gus.
– Esse com certeza é o pior dia pra que eu pegue seu carro emprestado.
Contrariando a si mesma, correu em direção ao carro rezando para que desse tempo de sair dali sem encontrar ninguém e ao mesmo tempo ativando a Siri.
– Ligar para – precisava saber se estava pirando.
Ligando para – prontamente a voz robótica respondeu.
– Vamos, , atende, atende – suplicava enquanto abria a porta do carro, porém não adiantou, a amiga não atendeu. – DROGA! Foda-se, eu ligo quando chegar em casa.
Sua primeira atitude ao entrar foi jogar o celular e a bolsa no banco do carona, logo em seguida deu a partida e acelerou. O caminho para a rua passava em frente à porta do salão, onde August, Amber e todo o time de futebol estavam. Será que simplesmente não poderiam ter ficado lá dentro por mais trinta segundos? Não, claro que não, mas isso não a faria parar. Ela seguiu acelerando, diminuindo só quando apareceu o primeiro sinal vermelho, quando aproveitou para por o sinto, até que o toque do celular se fez presente e o contato que ela não queria que fosse apareceu no visor do carro: Amor.
Recusar a ligação lhe parecia ser tão certo, no entanto depois de ter praticamente roubado o carro dele já se sentia culpada o suficiente, ela simplesmente atendeu e não falou nada, até porque o que poderia dizer? Um "Oi, eu não quero casar com você e nem tô a fim de falar com você agora, peguei seu carro emprestado sem pedir justamente por causa disso, mas juro que não estou roubando" mesmo que sincero não parecia ser nada reconfortante, era mais fácil só esperar que ele falasse e responder o que conseguisse.
– Amor, calma, desculpa se eu te assustei ou sei lá o quê, mas não foge assim, vamos conversar.
– Não dá, August, você não entende e não tem como eu explicar isso agora
– É, eu vi que você tá dirigindo – engoliu a seco.
– Desculpa pelo seu carro, eu só precisava sair daí.
– Volta pra cá, nós vamos para algum lugar mais calmo, só nós dois e conversamos – sua voz falhava um pouco por tentar segurar as lágrimas.
– Não, August, eu preciso ficar sozinha, amanhã vai lá em casa pegar seu carro. Vou desligar agora, tchau!
não deu a mínima chance para Gus tentar convencê-la do contrário, pois talvez ele até conseguisse. Ela era determinada, porém nunca corajosa, tinha medo de fazer o que queria, falar o que pensava e acabar magoando alguém, então não podia falar com ele naquela hora ou pensar nele, pois aquele surto de coragem ou de adrenalina sumiria e ela precisava aproveitá-lo. E no carro, sozinha, tão nervosa e trêmula que não conseguia nem colocar música pra tocar, não dava pra fugir pra nenhum lugar ou fingir que estava bem, afinal ela já estava fugindo.
– Caramba, o que eu estou fazendo? O que eu vou fazer? – soltou outro riso nervoso ao perceber que estava falando em voz alta – Realmente, eu estou louca! Neguei o pedido de casamento do Gus, roubei o carro dele e agora estou falando sozinha.
olhou para a rua deserta que era apenas iluminada pelos postes e letreiros de algumas lojas e ponderou.
– Dane-se, não tem ninguém pra me pôr num manicômio – respirou fundo ainda achando a ideia meio insana.
Mas sabia que precisava desabafar. Pegou o celular e desviou o olhar rapidamente da rua para que conseguisse o desbloquear e ligar para , até que viu a sua foto com seu pai no fundo de tela e sorriu fraca, sentindo seus olhos marejarem.
– O papai saberia o que fazer. Nossa, ele estaria desapontado comigo – uma lágrima escorreu e ela a limpou para fingir que não existia. – Porra, por que eu fui fazer essa merda toda? No início eu só queria deixar a mamãe mais tranquila, mas pra quê mentir por tanto tempo? Parece que tudo virou uma bola de neve imparável e eu pensei que com o tempo me acostumaria com essa vida, que gostaria dela, mas não.
Mais algumas lágrimas surgiram e não as segurou, respirava fundo para se manter o mais tranquila possível.
– Eu quero morar em Los Angeles, lá é onde eu me sinto bem! Só que parece muita ingratidão deixar a mamãe pra trás... Talvez ela ficasse bem, ainda teria o Chuck e o Peter aqui e seria uma coisa em que o papai me apoiaria.
A ideia lhe fez sentir mais leve, cogitar sobre essa possibilidade parecia mais real.
– Mas e os outros? E a Amber? E o Gus? Eles são importantes pra mim, mas aqui não é o meu lugar, eles não me conhecem de verdade e eu não quero me casar, com certeza não. Às vezes nem parece que eu e Gus somos um casal, talvez eu só tenha me acostumado a tê-lo presente... EU ESTOU COM ELE PARA OCUPAR A AUSÊNCIA DO PAPAI! – perceber isso a deixou boquiaberta e perceber que nunca havia parado para pensar nisso a chocou ainda mais. – Eu não posso fazer isso, não é certo nem pra mim nem pra ele... Preciso abrir aquela carta, preciso ir pra Los Angeles, preciso ir visitar o papai.
Foi tanto tempo falando sozinha que mal se deu conta quando chegou na frente de casa. Estacionou o carro de qualquer jeito e saiu dele tentando se acalmar para que quando entrasse não acordasse ninguém. Ela conseguiu entrar fazendo pouco barulho, suas sandálias de salto estavam em mãos para garantir, mas não foi suficiente.
– Filha? – A voz de Mia ecoava baixa por todo o primeiro andar, poucos segundos depois ela apareceu vestindo um hobby e segurando um copo d'água – Você chegou cedo, aconteceu alguma coisa?
– O August me pediu em casamento – respondeu sem esboçar nenhuma reação, diferente de sua mãe que logo abriu um sorriso e a abraçou.
– Parabéns! Você deve estar tão feliz! – Mia falou enquanto segurava sua mão – Sabe, ele pediu nossa permissão mais cedo, mas não disse como ia fazer o pedido, como foi?
– O QUÊ? Não, mãe, eu não aceitei! Como assim a senhora concordou?!
– Você não aceitou? Por quê? Ele é um menino tão bom e te faz feliz, foi por isso que concordamos, ele nunca fez nada de errado – Neste momento o celular de começou a vibrar e apareceu a cara de em seu visor. – Ou fez e você não nos contou?
- O quê? Não! Mãe, deixa, preciso ir pro meu quarto, conversamos amanhã – Ela deu um beijo no rosto de sua mãe e correu em direção ao quarto.
– Mas, filha!
estava no seu quarto abrindo o Skype no computador pra poder conversar direito com enquanto a ouvia gritar em seu ouvido querendo explicações para a confusão.
– Me fala logo o que é, cacete!
– Tá! Se você não consegue mesmo esperar mais cinco segundos eu te conto: o August me pediu em casamento – imediatamente teve como resposta um grande e estrondoso "O quê?!" – To te ligando pelo Skype, atende por lá porque não tô a fim de ficar segurando esse celular à noite toda.
Em seguida ela desligou a ligação, posicionou o computador em sua cama pra que a webcam desse visão ao quarto inteiro, vendo rapidamente a cara de em sua frente.
– Como assim ele te pediu em casamento?
– Pois é, ele pediu – tirou os brincos enquanto contava à amiga – Simplesmente no meio da coroação ele se ajoelhou e me pediu.
– E você aceitou? Me diz que não, pelo AMOR de Deus.
– Não, claro que não! Eu saí de lá correndo – respondeu ao tirar o vestido e ir em direção a penteadeira.
– Ainda bem! Nunca tive nada contra ele, mas casar? Tipo, agora? Que doideira e... – falava sem parar até ser interrompida por .
– Cadê aquela merda?! – resmungou enquanto remexia loucamente sua penteadeira.
– O que pode ser tão importante há essa hora pra você estar procurando ao invés de estar surtando comi...
– ACHEI! – A interrompeu novamente, mas dessa vez voltou-se para frente do computador com a carta na mão enquanto tentava abri-la.
– Isso é uma carta? Não me diga que é a carta da AADA.
– A própria. Chegou há duas semanas, só que agora não é a melhor hora pra querer me matar então tenta se controlar.
finalmente conseguiu abrir a carta, estava sentada na cama lendo-a sem esboçar nada além de nervosismo no rosto.
– Sua vaca, eu sabia! Por que tu tava escondendo? – não respondeu. – Foda-se, me diz o que tá escrito logo!
abaixou a carta sem dizer nada, apenas com um olhar perdido, respirou fundo e olhou para a amiga na tela.
– Eu fui aceita – ela ainda olhava perdida pra a amiga, como se aquilo fosse uma coisa ruim.
– Mentira! Caralho, eu sabia! Sabia que tu ia ser aceita!
continuou a falar, mas não a ouvia com toda a certeza, pois não sabia se aquilo era bom, contudo sabia que não seria bom pra ela continuar em Oregon.
– Preciso fazer minhas malas – Ela disse prontamente se levantando e indo em direção ao seu closet.
– Espera, agora?
, eu preciso ir pra Los Angeles, não posso ficar aqui e eu tenho que aproveitar que estou com coragem porque se não fizer isso agora talvez nunca faça – respondeu enquanto tirava duas malas do closet e as jogavam abertas no chão do quarto – Fala sério, quando foi a última vez que você me viu sendo corajosa?
– Acho que foi antes de você se mudar de L.A. – buscou na memória – De qualquer forma, isso seria uma coisa que eu faria, totalmente impulsiva, então te dou maior apoio.
– Ainda bem que você disse isso – parou entre suas várias idas e vindas do closet – Eu preciso que você, minha querida melhor amiga, que também é a mulher mais gostosa do mundo, compre uma passagem no primeiro voo que tiver.
– Claro que você só está falando a verdade e não me bajulando, mas, por que você não compra? Não sei que linha aérea você prefere e nem a poltrona.
– Porque eu não tenho dinheiro e isso é apoio financeiro.
, você é tipo duas vezes mais rica que eu.
– A minha mesada foi toda no vestido e o contrato diz que eu só posso receber o dinheiro quando me formar, o que foi hoje então não, eu ainda não estou "duas vezes mais rica que você" – fez aspas com os dedos.
– Tá bom, Senhorita-Ainda-Não-Rica, qual a linha aérea?
– A que tiver o primeiro voo – ela falou pegando a última pilha de roupas no closet.
– Deixa eu adivinhar, você prefere qualquer poltrona do primeiro voo.
– Garota esperta – finalmente havia reunido todas as roupas que achava boas pra usar em L.A, afinal enquanto o Oregon congelava, Los Angeles era um comercial de protetor solar o ano todo – Acho que vou ter que levar uma mala de roupas limpas e outra de roupas sujas.
– Aí amiga, pra quê? Aqui loja pra comprar roupa não falta.
– Não tem nada de errado com as minhas roupas que uma máquina de lavar e uma secadora não resolvam – é realista, foi criada desta forma, desde quando era a princesinha do rock.
– Eu prefiro fazer compras mesmo.
– Eu sei, trata suas roupas como descartáveis.
– Ha ha ha, engraçadinha, melhor eu procurar logo a passagem antes que me lembre o quanto você é chata e não te queira aqui.
– Também te amo.
As duas desligaram, logo abriu um site de viagens para procurar a bendita passagem enquanto começava a fazer suas malas.
Com certeza aquela seria a segunda noite mais longa de sua vida.

ligou mais ou menos meia hora depois. estava sentada no chão com metade da mala de roupas limpas pronta.
– Amiga, encontrei dois voos, um às 4:19 e outro às 9:27, vai querer mesmo o primeiro?
– Droga. Eu super pegaria o das quatro, mas não posso simplesmente sumir de casa, preciso conversar com a mamãe antes de ir e não vou acordá-la no meio da madrugada pra isso – ficou de pé, pôs as mãos na cintura e olhou para o nada, pensativa – Ainda tem tanta coisa pra fazer... Preciso acabar de fazer as malas, separar os documentos, ver um caminhão ou sei lá o quê pra levar meu carro, conversar com a mamãe e ainda encontrar um hotel que tenha vagas em pleno período de férias! Sei lá, talvez eu devesse adiar.
– NA NA NI NA NÃO! Não venha querer dar desculpinha pro meu lado, Blanc! Você vai pegar o voo das nove pra ter tempo de conversar com a titia e acabar suas malas, não trás o carro agora, até porque o que não falta aqui é taxi e uber e se hospeda aqui em casa – ordenou. – Se for ficar arranjando desculpinha tu nunca vai vir!
– Na tua casa, ? Eu nunca nem dormi duas noites seguidas aí e agora tu quer que eu more contigo? E o teu pai? Cê tá louca? Além disso, eu já tô abusando por te fazer pagar a minha passagem, então não.
– Vai morar comigo sim! Como é que tu vais pagar um hotel se não pode nem comprar a passagem aérea? Além do mais, é ridículo o fato de que já dormiu mais macho na minha casa do que a minha própria melhor amiga! Eu também nunca entendi o porquê da tia Mia sempre fazer questão de vocês ficarem em hotel se aqui em casa sempre teve quartos disponíveis pra vocês, e o papai é o de menos, se eu o vejo três vezes por semana é muito, até parece que ele vai se importar, até porque a casa também é minha. Além disso, sobre a passagem fica tranquila que a gente tem a vida inteira pra se acertar, então você vem pra cá sim, pra minha casa e não tem discussão.
– Aff... Não dá pra discutir com uma ariana... Tá bom, pode comprar a passagem das nove.
– Ok, já tô comprando. Ainda bem que tirei foto da sua carteira de motorista, e você ainda ficou com raiva de mim por isso.
– Fiquei com raiva por você ter tirado pra postar no dia do meu aniversário.
– Tanto faz, foi útil no final das contas. Vai ser uma poltrona na janela e só uma das outras duas cadeiras da fileira foi comprada, o que significa mais espaço.
– Eu espero conseguir dormir, mas só por precaução vou baixar uns episódios de How I Met Your Mother.
– Sempre é bom – as duas ficaram caladas por um tempo, continuando suas tarefas – Agora você tem uma passagem pra L.A., não pode voltar atrás.
– Eu espero mesmo não mudar de ideia.
– Miga, assim... Você vai conversar com a sua mãe pra contar da viagem, vai falar pra ela não se preocupar e vai prometer mandar sinal de vida, ok, mas e o August? O que você vai fazer com ele?
já tinha até esquecido o estopim pra toda aquela confusão: o pedido de casamento. Seria mais fácil se não tivesse que dar explicações para ele, afinal a conversa com sua mãe já seria difícil, mas depois de anos de namoro ela sabia que devia isso a ele, que tinha que ser sincera, tentar fazer com que ele a entendesse e a perdoasse... Um minuto de silencio se fez no quarto, buscava uma resposta para aquela pergunta.
– Eu. Não. Sei.
Seu olhar ao responder era de certo espanto, por perceber que qualquer coisa que ela fizesse o marcaria pelo resto de sua vida e, além disso, estaria deixando-o para trás sem ter a certeza de que ele ficaria bem, pois mesmo que não o amasse profundamente como ele a amava, ela o amava como um amigo e se preocupava verdadeiramente.
– Eu tinha esquecido dele, que teria que terminar o namoro. Não sei como fazer isso, nunca fiz.
– O foda é que não tem um jeito fácil ou menos doloroso.
– Do jeito que as coisas estão corridas não tem nem como eu encontrá-lo antes do aeroporto. , o que eu faço?!
– Liga pra ele e termina – a sugestão da amiga fez com que ficasse abismada com a facilidade que ela falava aquilo – Já fiz isso várias vezes, é bom porque não tem risco de choro nem nada e se ficar um saco é só desligar.
Sparks, como você consegue ser tão fria? Não acredito que você faz isso, que cruel! É claro que eu não vou terminar com o August assim, eu tenho coração diferente de você.
– Ok, então saiba lidar com o "Por quê? Por favor não me deixa, eu te amo!" forçou a foz para que ficasse o mais enjoativa possível na sua encenação.
– Eu não sei lidar com isso também...
– Então volta pro tempo das cavernas, escreve uma carta explicando tudo e deixa debaixo da porta dele ou sei lá.
– Uma carta... – estava avaliando a ideia, não era a melhor forma de se terminar, porém era a melhor opção que tinha – Isso ainda é meio escroto de se fazer, mas é melhor do que mandar um SMS.
– Você deve estar achando tudo isso muito doloroso, mas lembra que é a tua vida em jogo. Você precisa ter amor próprio, mesmo que confundam com egoísmo.
– É isso que tá me dando coragem agora.
– Então continua assim. Agora eu preciso ir dormir porque amanhã vai chegar uma visita chata aqui em casa e eu vou ter que buscá-la cedo no aeroporto – Riram.
– Sua ridícula, boa noite.
– Boa noite. Pode me ligar qualquer coisa, principalmente se pensar em desistir dessa viagem. Ah, quase esqueci! Te enviei o comprovante da passagem por e-mail, imprime isso logo pra não ficar em cima da hora e virar uma desculpa depois, fui.
– Tá bom, tchau.
desligou a ligação e aproveitou o computador em mãos para imprimir o tal comprovante, foram precisos apenas alguns segundos e sua escrivaninha para isso, mais um item resolvido na lista. Ela estava fechando o pc quando olhou para a pilha de folhas em branco que tinha ao seu lado, já estava sentada lá e sabia que precisava escrever aquela carta.
Suas duas primeiras tentativas não deram certo, tentava se justificar, mas aquilo parecia deixá-la mais malvada, ou pelo menos era como se sentia. Na terceira tentativa simplesmente resolveu pensar, ser sincera e escrever como se sentia, que estava indo embora não por conta do pedido de casamento e nem por causa dele, pois ele não tinha feito nada de errado, mas sim ela, que não estava sendo ela mesma há muitos anos e que se ele estava apaixonado pela garota que via diariamente, não estava apaixonado por ela.
Mais de uma hora depois a carta estava pronta e nela tinha somente a verdade. dobrou as duas folhas que deram e pôs em sua bolsa junto com os documentos que faltavam mais o comprovante da passagem, logo voltou para as malas, pois já eram 2:19 e nenhuma estava pronta.
estava finalizando a mala das limpas, selecionando as últimas camisetas na cama, quando encontrou uma camiseta de seu pai no meio das roupas, se ela já não tivesse esgotado suas lágrimas pelas lembranças que aquela camisa trazia anos antes com certeza choraria só de olhar para ela, mas mesmo que não chorasse de cara, aquilo ainda a deixava mexida. Ele era a única outra motivação que tinha e olhando para aquela camiseta grande, preta e ainda muito vívida, lembrou-se dele, na verdade de algo que ele disse a ela muito anos antes:
O importante é que você esteja feliz – Aquilo estava tão vivo em sua memória que ela podia jurar que havia ouvido sua voz. Era como se ele estivesse ali, do lado dela, apoiando sua Estrelinha.
sentia no fundo de seu coração que seu pai a apoiava. Ela abraçou forte a camisa como se fosse ele e deixou que lágrimas fugissem de seus olhos – não por tristeza ou saudade, mas sim por felicidade. Simplesmente não sentia mais o nervosismo, o medo e nem a ansiedade de antes, era como se tudo começasse a se encaixar. A tranquilidade que ela sentia era tanta que, entre suas lágrimas e sorrisos acabou adormecendo.

Domingo, 07:23.

Oregon – CO.

O Sol tinha acabado de nascer e a luz invadia o quarto inteiro, o rosto de estava iluminado e o alarme que parecia estar tão longe agora ficava mais alto e se fazia muito presente. Ela acordou lentamente e sentou na cama sonolenta, depois de algumas tentativas finalmente conseguiu se manter de olhos abertos e se preparou para sair da cama quando avistou as malas no chão. De repente seu sono sumiu e a pressa ressurgiu.
– Ah não! Não! NÃO! – Rapidamente pulou da cama, mexeu em seu celular pra ver que horas eram e se assusta ao ver 07:25 na tela – Droga!
Há essa hora ela deveria estar no aeroporto, fazendo o check-in, não socando o resto de suas roupas nas malas e colocando os primeiros sapatos que via dentro delas também. Não estavam como queria, mas não tinha alternativa. Logo ela correu para o banheiro, escovou os dentes e lavou o rosto o mais rápido que conseguiu. Enquanto isso tentava fazer uma lista mental pra ver se não estava esquecendo nada, o que não parecia estar funcionando muito bem. Na pressa de sair do banheiro acabou esbarrando num porta-retrato, fazendo-o cair no chão e espalhar cacos de vidro por toda parte.
– CARALHO! Era só o que me faltava – Ao invés de tentar arrumar aquela bagunça ela simplesmente desviou do vidro e estava prestes a entrar no closet pra vestir qualquer moletom decente quando viu a porta de seu quarto abrir.
– Filha, tá tudo bem? – Mia perguntou enquanto abria a porta, até avistar as duas malas em pé no centro do quarto – Pra quê essas malas, ? – Sua expressão era séria e preocupada.
Nada estava saindo como o planejado, é claro que a conversa não seria calma, entre o café com vestida adequadamente e pronta pra sair com antecedência, mas sim com ela super atrasada, com sua mãe tendo que questioná-la de camisola. Não dava pra pensar na melhor forma de se falar aquilo, nem tinha tempo pra isso, simplesmente ficou estática e cuspiu as palavras:
– Eu vou pra Los Angeles.
– O QUÊ?! NÃO! Você não vai – Mia estava mais próxima com os braços cruzados e uma expressão determinada.
– Mãe, eu vou, eu preciso ir e eu já comprei a passagem – não pôde esperar sua mãe questioná-la mais, só continuou o que estava fazendo antes, entrou no closet e começou a caçar uma roupa.
– Não faz sentido você viajar assim do nada, minha filha, isso é por causa do August? Do pedido de casamento? Você tá confusa e quer dar um tempo? Dá pra fazer isso aqui no Oregon, não precisa ir sozinha pra Los Angeles, já programamos pra ir pra lá no mês que vem e é perigoso você viajar sozinha.
– Não é por causa do August – vestia uma calça moletom – É por causa de mim, eu preciso ir, fui aceita na AADA e quero cursar.
– A American Academy of Dramatic Arts? Mas pra quê isso se você tem a sua bolsa de administração aqui no Oregon?!
– Eu não quero fazer administração, não quero trabalhar com isso – acabava de pôr um casaco moletom e saia do closet. – Você sabe que eu sempre amei cantar e atuar, eu preciso fazer isso, mamãe, senão vou ser infeliz.
– Mas, filha, você não faz isso há tantos anos... – Mia começava a baixar o tom e descruzar os braços. – Pensei que tivesse deixado pra trás.
– Eu tentei, mãe, juro que tentei, mas é algo que tá em mim, faz parte de mim, entende? – Ela foi em direção a penteadeira, estava tentando evitar o contato visual, pois isso poderia desencorajá-la e também precisava pentear os cabelos, que ainda tinham cachos cheios de laquê armados junto a vários embaraçados.
– Já vi isso antes, seu pai dizia o mesmo e olha o que aconteceu! Eu não posso deixar que você vá para aquele meio de sangue-sugas, muito menos sozinha!
– Mãe, eu sei que você se preocupa, mas esse é o meu sonho, eu preciso fazer isso! No final, o que importa é a minha felicidade, não é? Você é a pessoa que eu mais amo no mundo, não quero viajar brigada com você.
– Eu quero que você seja feliz, mas precisa ser em Los Angeles? No meio do show business? Você sabe como tudo isso é perigoso, cheio de coisas ruins e pessoas ruins.
– Eu já sou grandinha, sei cuidar de mim mesma e você deveria acreditar em mim! – Pegou um par de tênis no closet escuro sem nem olhar qual era e rapidamente saiu para calçá-los em sua cama – Tem que confiar que criou sua filha bem, que ensinou o certo e o errado porque você fez isso, mãe.
– Pelo visto não, você ia embora sem nem falar comigo!
– Claro que não – Olhou-a nos olhos, pois neste momento era preciso que sua mãe visse que estava sendo sincera – Pelo amor de Deus, eu planejei falar com você antes de ir, só que decidi viajar ontem à noite, foi tudo tão às pressas e eu acabei dormindo no meio disso, acordei faz uns cinco minutos totalmente atrasada.
– Você decidiu viajar ontem à noite? – Sua expressão era de completa confusão, não conseguia acreditar naquilo – Isso é insano, minha filha, adia essa viagem, podemos conversar sobre isso com calma e decidir tudo direitinho, talvez eu e o Chuck possamos dar um jeito deu ir com você ou de todos nós irmos, mas você não pode ir dessa forma.
– Não, mãe – acabara de amarrar os sapatos e estava em pé, diante de sua mãe – A vida de vocês está aqui, o Chuck tem a concessionária, o Peter vai começar a estudar esse ano, ele precisa de você pra tudo, ainda tem a vovó e o vovô, além de toda a família do Chuck. Eu não! – afirmava apontando para o seu próprio peito enquanto seus olhos lagrimavam – Não tenho nada aqui! Só vocês, mas poderei visitá-los sempre, só que o meu sonho está lá, em Los Angeles.
continuava de pé, abraçando seus próprios braços e tentando conter o choro, sua mãe não podia vê-la assim que também ficava emotiva. Ela aproximou-se da filha e acariciou seus braços tentando acalmá-la.
– Você tem seus amigos, tem o August que te ama e quer casar com você, tem a faculdade e tem um emprego garantido. Sua vida também está aqui, nós todos estamos aqui.
– Mas eu não sou feliz aqui – não conseguiu mais conter suas lágrimas, começou a chorar e sua mãe também ao vê-la assim – Amo todos vocês, só que essa não é a vida que quero pra mim! Eu sempre gostei de cantar, dançar e atuar, mas depois que nos mudamos pro Oregon vi o quanto você não gostava, o quanto lhe preocupava, por isso parei de fazer tudo isso por todos esses anos, mas é o que eu amo fazer, mãe, e mesmo que a senhora não goste é o que me deixa feliz, então não posso mais ignorar. Se eu não for hoje pra L.A. talvez nunca vá e eu tenho medo que isso aconteça, tenho medo de não correr atrás dos meus sonhos e nunca ser feliz.
estava quase soluçando, Mia a abraçou forte e acariciou suas costas. Mesmo com toda sua preocupação e super-proteção, nunca quis que sua filha se sentisse dessa forma, muito menos que ficasse infeliz, tudo isso a fez se sentir a pior das mães, pois que mãe obriga a filha a ser quem não é? Que a ignora quando sabe que não está tudo bem? Era ela quem estava errada.
– Não sabia que você se sentia assim, sinto muito, me desculpe por ser uma péssima mãe – Seu choro aumentou e Mia abraçou a filha mais forte, uma de suas lágrimas caiu no rosto dela fazendo-a se afastar e se espantar ao ver sua mãe chorando.
– Você nunca foi uma mãe ruim, – limpou as lágrimas do rosto da mãe com os polegares – nem de perto, só queria cuidar de mim e eu agradeço por isso, tudo o que eu sou devo a você! Eu que devo pedir desculpas por estar lhe desapontando, talvez deva mesmo adiar isso tudo.
– Você nunca vai me desapontar, eu sei disso, pois lhe criei bem. Por todos esses anos percebi que você não era feliz, não do mesmo jeito que lá, mas todas as vezes que eu lhe perguntava se estava tudo bem você me dizia que sim, eu tentava me convencer de que era verdade. Afinal, você sempre teve seus amigos, o August e até as suas notas sempre foram boas, parecia mesmo estar tudo bem, só que no meu coração sempre soube que não era verdade... Você deve correr atrás de seus sonhos e vai conseguir alcançá-los, afinal, você é Blanc, filha de Ryan Blanc, o maior cantor de rock da história, nunca perdeu o brilho nos olhos, assim como ele. Seu lugar é em Los Angeles.
– Sério? – Mesmo com o rosto molhado pelas lágrimas, ela sorriu – A senhora quer que eu vá?
– Eu quero que você seja feliz, mesmo que seja longe de mim, desde que você venha nos visitar sempre!
– É claro que eu vou – abraçaram-se novamente – Ah mãe, obrigada!
– Só tome cuidado, com as pessoas e com os empresários.
– Não fala assim, mãe, o tio Jordan é empresário.
– Principalmente com ele - Mia desfez o abraço e olhou séria para a filha, como se aquilo fosse uma questão de vida ou morte.
– Como assim "principalmente com ele"? - franziu o rosto, era estranho a mãe agir daquela forma.
– Nada – Mia tentou suavizar a situação, mexeu nos cabelos tentando disfarçar o pânico que sentia – É só um pressentimento.
– Com o tio Jordan? Depois de tantos anos?
– Eu sei, mas nunca se sabe e pressentimento não dá pra controlar. Só me prometa que vai se cuidar.
– Eu vou, prometo – abraçaram-se mais uma vez.
– Não acredito que a minha menininha está indo embora de casa.
– Eu vou ligar, não se preocupa.
– Esta bem, vamos, você já tá atrasada e não pode perder esse voo - Tomou distância e limpou as últimas lágrimas.
– É verdade, só preciso pegar a minha bolsa, meu celular e pedir o táxi.
– Tá bom, vou descer com essa mala aqui – apontou para uma delas – Também vou adiantar algum lanche, assim você não morre de fome.
Sua mãe logo saiu do cômodo. O estalo da trava da porta seguido por silêncio finalmente deu a um momento de sossego, eram tantas emoções que parecia que os seus batimentos cardíacos estavam ecoando por todo o quarto, parecia que um peso gigante tinha sido tirado de seus ombros.
Sentando na cama pôs a mão no peito e tentou se acalmar, ainda limpava algumas lágrimas. Depois de um minuto sentada ali respirando pausadamente, conseguiu ficar mais calma, então levantou e pegou seu celular na cômoda, abriu um aplicativo de táxis e pediu um carro, mesmo faltando menos de uma hora e meia para o seu voo a mensagem dizendo que o carro estaria na frente de sua casa em vinte minutos lhe trouxe alívio: ia acontecer mesmo.
pôs o celular no bolso, pegou a mala preta e sua bolsa que estava em cima da cadeira, caminhou até a porta e, ao ficar em seu vão, virou-se para olhar para o seu quarto por uma última vez antes de partir. Mesmo que a cidade do Oregon sempre parecesse minúscula e até sufocante, aquele quarto, sendo milhares de vezes menor, fora o seu universo por todos os anos. Ela soltou um sorriso bobo, fechou a porta e desceu as escadas. Ao chegar no primeiro andar deixou sua mala preta com sua bolsa em cima ao lado da porta e da mala que sua mãe tinha deixado lá, indo pra cozinha logo depois.
– Estou fazendo bruschettas, em dois minutos vão estar prontas e, por sorte, ainda tem suco de laranja – Mia servia a bebida em um copo que estava na bancada, ao lado de um prato e guardanapos de papel – Como estamos em relação ao tempo?
– O táxi vai chegar em pouco mais de 15 minutos, agora são 8:03 e o voo vai sair às 9:27.
– Está em cima da hora, mas vai dar tempo. Não tá esquecendo de nada, certo?
– Não sei, praticamente só fiz socar as coisas na mala, o que tiver faltando vou comprar lá, mas os documentos e a passagem estão aqui - Comentou e bebeu o suco.
– Falou pra que você está indo?
– Sim, na verdade foi ela quem comprou a passagem.
– Sério?
– É, gastei quase todas as minhas economias no baile.
– Hum, tudo bem, só não esqueça de pagar a ela depois. Além disso, dinheiro não vai ser problema, fale com o Sr. DeMayo, se a conta não for liberada me liga que eu lhe mando dinheiro. Na verdade, me liga pra qualquer coisa, sendo boa ou ruim, preciso que me mantenha informada pra que eu não morra do coração.
– Pode deixar – Riso. – Prometo que vou dar sinal de vida pra vocês todos os dias.
– Vai ser difícil explicar pro Peter, ele vai ficar bem confuso por acordar e não ter a irmã aqui.
– Queria poder me despedir, vou sentir saudades desse tampinha. Não deixem de ir pra lá mês que vem.
– Claro que não, até porque já tá tudo reservado – O contador do forno disparou. – Falando nisso, em que hotel você vai ficar? No Sheraton ou no The Milner? – Mia perguntou ao abrir o forno.
– Na verdade, vou ficar na casa da .
Imediatamente sua mãe largou a forma na bancada, quase fazendo-a cair no chão.
– Merda! – Mia parecia estar aflita, virou-se rapidamente de costas para a filha tentando disfarçar, abriu a torneira da pia mais próxima e pôs a mão direita na água corrente.
– Mãe, você tá bem? – perguntou procurando algum contato visual para entender o que tinha acontecido, porém sem sucesso.
– Foi só uma queimadura, deveria ter usado a luva e não o pano de prato – Ela respondeu continuando de costas – Mas me diga, por que você vai ficar na casa da ? Sempre ficamos em hotéis, além disso, não seria meio abusivo já que ela comprou a passagem?
– Eu falei isso pra ela, mas ela é insistente... Mãe, tem certeza que tá tudo bem? Eu posso pegar a caixa de primeiro socorros se quiser.
– Não precisa – Mia pegou um pano e voltou-se à filha enquanto secava sua mão – Talvez não seja uma boa ideia. O que o Jordan falou sobre isso?
– Ele ainda não sabe, mas a disse que vai ficar tudo bem e acho difícil o tio Jordan me expulsar de lá. Qualquer coisa eu vou pro Sheraton.
– Não tô gostando disso... Essa viagem toda tá uma bagunça – Serviu a filha com a mão esquerda por conta da queimadura de primeiro grau. – Mas como você já tem maturidade pra decidir, não vou me intrometer.
– Obrigada, de novo, por esse voto de confiança.
– Espero não me arrepender, agora coma logo antes que o taxi chegue.
Prontamente obedeceu, ela comia e mexia no celular enquanto sua mãe lavava a louça um tanto aérea, depois de uns sete minutos ambas tinham acabado, Mia estava secando a louça e guardando-a quando se aproximou para lavar o seu prato.
– Pode deixar aí que depois eu lavo. Aproveita que ainda tem alguns minutos pra escovar os dentes.
Sem pestanejar obedeceu e subiu para o seu banheiro, mas no caminhando de volta se deparou com as chaves de August jogadas na cama. Droga! Já tinha esquecido dele novamente. Ela pegou as chaves e desceu.
– Mãe, preciso que a senhora entregue essas chaves para o August, eu vim com o carro dele ontem e falei para ele vir buscar hoje.
– Coitado, , ele é um menino bom.
– Eu sei, mas eu não estive sendo tão boa pra ele – Entregou as chaves para sua mãe.
– Por favor, me diga que não serei eu quem vai despedaçar o coração dele dizendo que você foi embora, já tem o Peter, não conseguiria fazer isso com o Gus também.
– Não, eu escrevi uma carta, vou pedir pro taxista passar na casa dele antes do aeroporto, então colocarei a carta debaixo da porta e assim ele já vem sabendo que eu fui embora, só acho que não daria certo fazer o mesmo com as chaves.
– Parece meio frio pra mim.
– E é, eu adoraria poder sentar e conversar, mas não vai dar tempo então essa é a melhor opção que eu tenho.
– Impressionante, parece que você cresceu dez anos em uma noite.
– Não sei se isso é bom ou ruim.
– Só o tempo dirá o que é.
As duas sorriram, estavam nervosas por isso, mas acima de tudo estavam felizes pela mudança.
– Acho melhor esperarmos o táxi lá fora.
– Claro, eu ajudo com as malas.
Foi simples levar as duas malas para o lado de fora já que era menos de três metros de distância e a escada da frente tinha apenas dois degraus. Um táxi estava se aproximando, Mia e comentavam sobre o voo quando o viram, as duas se aproximaram da calçada para agilizar o processo de e pôr as malas dentro dele, até que um segundo taxi apareceu, o que ambas estranharam. Talvez fosse um bug do aplicativo que tivesse pedido dois carros ao invés de um, mas essa possibilidade deixou de existir quando August saiu dele.
– Ah não.
Um frio absurdo começou a tomar conta da barriga de , talvez até maior do que o de contar para sua mãe que estava partindo.
– Acho melhor eu entrar agora - Mia disse e deu um abraço de despedida na filha, seguido por um beijo em seu rosto. – Boa sorte e boa viagem, não esqueça de ligar assim que chegar.
Ela nem esperou uma resposta verbal, o simples sim que fez com a cabeça foi o suficiente para que entrasse em casa. O taxista dela já estava pondo a primeira mala no carro e o de Gus estava partindo, ele olhou primeiramente pras malas e depois para ela. A confusão era evidente em seu rosto.
– Você vai viajar?
– Sim, eu estou indo pra Los Angeles.
Ela apertava as alças de sua bolsa com mais força do que o necessário, realmente queria ter a chance de falar com ele pessoalmente, mas não podia negar que se sentiu aliviada com a ideia de só entregar a carta e não ter que encará-lo.
– Los Angeles? Isso não seria no mês que vem? – Ele não conseguia entender o que estava acontecendo, na verdade não queria, pois era óbvio.– Isso é por causa do pedido?
- Não... Também. Olha, August, eu não podia aceitar, eu não te amo do jeito que você me ama e nem nas proporções que você me ama. Você merece alguém melhor.
– Como assim, ? Depois de mais de quatro anos juntos você quer vir me dizer que não me ama? E agora tá fugindo de mim? – August estava quase gritando, não gostava daquilo, porém compreendia.
– Eu... Eu queria que tudo fosse simples, nossa, como seria mais fácil te amar do jeito que você me ama, querer fazer faculdade aqui, querer administrar a concessionária, mas não é assim e eu não posso passar o resto da vida fingindo ser quem eu não sou.
Ela fez uma pausa e respirou fundo.
– Sinto muito se tô te magoando agora, mas também não seria certo casar com você sem te amar do jeito que você me ama.
Senhora, o carro está pronto e o taxímetro ligado.
– Eu preciso ir – Tirou a carta da bolsa e estendeu para August, que lutava pra segurar suas lágrimas, mas não conseguia – Escrevi essa carta pra você explicando tudo.
Gus abaixou a cabeça para olhar para a carta, relutou em pega-la, pois sabia que significaria o fim dos dois, deixou-a estendida no ar. já estava achando que ele não pegaria até que o fez, mantendo seus olhos fixos na carta que agora estava em suas mãos. Ela olhava pra ele esperando alguma resposta, um grito, pedido, mas não teve, então entrou no carro.
– As chaves do seu carro estão com a mamãe. Tchau, August.
– Eu não acredito que você está fazendo isso comigo.
Nenhum dos dois desviou o olhar. O dele se manteve na carta e o dela no interior do carro. queria poder saber o que falar, queria dizer algo que pudesse tirar toda a dor que ele sentia dentro de si, mas nada poderia fazer isso.
Ela partiu, sua cabeça cheia de pensamentos, uma lágrima escorreu pelo seu rosto que estava encostado na janela.
Ele ficou, aos prantos, sentou-se no chão da calçada segurando aquela maldita carta, não sabia o que fazer dali em diante, mal sabia o que tinha acabado de acontecer, só podia tentar respirar.


Capítulo 3: O desconhecido.

DEPOIS DE 25KM, FINALMENTE ESTAVA NO AEROPORTO, tinha menos de 25 minutos até a decolagem. O embarque já estava sendo feito e ela ainda nem tinha despachado as malas, teve sorte por ser lembrar de fazer o check-in durante o café ou à essa altura não teria nem chances de pegar o avião, e também por ter conseguido convencer duas pessoas da fila de despacho a cederem seus lugares a ela, mas não foi sorte o suficiente para que não tivesse que pagar excesso de bagagem. Mesmo depois de várias viagens, ainda conseguia se perder pelo aeroporto, ao entrar na área de embarque ouviu uma voz feminina ecoando dos alto-falantes:
– Atenção, passageiros Carter Blanc e Adams do voo 397 com destino à Los Angeles, última chamada para o embarque.
olhou ao redor, mas não havia nenhum assistente, segurança ou qualquer outro tipo de funcionário do aeroporto por perto, claro que não haveria, pois se ela não precisasse teriam dez no mínimo, prontos para lhe indicar a direção do maldito portão G. O tempo não a deixaria procurar sozinha, sua única chance era perguntar para algum funcionário das lojas que ali tinham e rezar para que ele soubesse onde ficava o seu portão.
correu para a loja mais próxima, um típico Starbucks com a fila do caixa tipicamente grande, e no caminho percebeu que um cliente no caixa olhava para ela de cima a baixo rindo, não sabia o porquê mas não havia tempo para questioná-lo. Quando chegou no balcão da loja o tal cara pagava por um café, soltou um último riso e foi embora, ela preferiu ignorar e entrou na frente de quem seria o próximo na fila sem fazer cerimônia.
– Com licença, você sabe me dizer onde fica o portão G? – perguntou, tendo certeza de que o homem atrás dela estava fuzilando-a com os olhos.
– Fica neste corredor à direita – A moça ruiva e sardenta com uns 20 e poucos anos a respondeu. – Será o terceiro portão à esquerda.
– Muito obrigada – agradeceu rapidamente, tirou uma nota de cinco dólares do bolso e a pôs no balcão, pegando em seguida um chiclete – Fique com o troco como gorjeta – disse enquanto saia correndo novamente.
As portas do portão G estavam prestes a serem fechadas pela aeroviária quando se aproximou.
– Espera, por favor, eu sou Blanc – falou pausadamente tentando recuperar o fôlego depois da correria.
– Chegou bem a tempo, hoje deve ser o seu dia de sorte – falou a aeroviária, voltando-se para .
– Com certeza não – comentou estendendo a passagem para que ela a pegasse.
– Tenha uma boa viagem, senhorita Blac.
– Obrigada.
Entrou aliviada por ter dado tudo certo. Talvez estivesse mesmo ficando com sorte, pois toda sua fileira estava vazia, o outro passageiro da ultima chamada deveria ser o que ia sentar ao seu lado, mas àquela altura deveria ter perdido o voo. Sentou-se na poltrona da janela e pôs sua bolsa ao lado, estava prestes a pôr o sinto de segurança quando ouviu alguém chamando-a.
Blanc?
– Sim? – Respondeu impulsivamente, mas ao levantar a cabeça e olhar quem era percebeu que quem chamava pelo seu nome era o mesmo cara da fila do café.
– Desculpa, mas essa é a minha poltrona – O desconhecido afirmou apontando para onde a bolsa da garota estava.
– Ah, sinto muito – desculpou-se prontamente retirando-a de lá.
O homem se sentou ao lado dela, deixando a poltrona ao lado do corredor livre, e afivelou os cintos sem falar mais nada. Seus traços eram atraentes e aparentava ter pouco mais que vinte anos, mas isso parecia irrelevante ao se lembrar de suas risadas na fila.
– Nos conhecemos?
o encarava sem se preocupar em disfarçar, tinha certeza de que nunca havia visto esse cara antes, nem um mínimo ponto em seu rosto parecia familiar. Agora era o desconhecido quem a encarava, parecia que ele também procurava por algo no rosto dela.
– Acho que não – o cara respondeu, deixando-a ainda mais intrigada.
– Então como você sabe o meu nome? – Os dois continuavam se encarando sem desviar o olhar, parecia até uma competição entre crianças, mas com certeza estava ganhando com suas sobrancelhas franzidas .
– Eu sou o Adams .
– E isso deveria significar o quê? – questionou arqueando as sobrancelhas, fazendo rir.
– Nós éramos os únicos passageiros que faltavam para o avião decolar: Carter Blanc – Apontou para ela. – e Adams – Apontou para si mesmo. – Quando cheguei aqui não tinha ninguém, eu guardei minha bagagem de mão e fui olhar o resto da aeronave, então quando voltei e você estava aqui achei que só podia ser a tal .
- Ah, wow, você é detalhista – soltou um leve riso. – e também muito risonho, pelo visto – Sua expressão continuava séria, decidiu virar seu rosto e se escorar na janela para cortar a conversa.
– Está falando por causa da cafeteria?
Senhoras e senhores passageiros, favor colocar os cintos de segurança – A voz da comissária o interrompeu.
– Olha, não precisa tentar se justificar – disse pegando o celular e pondo os fones de ouvido – Não estou a fim de ouvir e nem de conversar, meu dia foi longo e ainda não são nem dez da manhã – Começou a ouvir uma música qualquer.
– Nossa, você é direta.
conseguiu ouvi-lo, pois a música ainda estava no começo e baixa também, porém ela preferiu ignorar, mesmo parecendo grossa, o que não gostava de ser, mas tinha gostado de dizer exatamente o que estava pensando.
O avião estava começando a decolar, tentava não ficar nervosa ouvindo uma musica mais lenta e rezando ao mesmo tempo com os olhos fechados, em poucos segundos a aeronave estava estabilizada no ar. estava sem sono e decidiu assistir um dos episódios que tinha baixado de How I met you mother.
Mesmo que a série fosse pra ser uma distração, acabou se perguntado se August viraria um Barney, pegando várias mulheres diferentes para não se apegar e correr o risco de ter seu coração despedaçado novamente. Não conseguia imaginá-lo assim e logo tirou a ideia da cabeça, foi até fácil, pois aquele era um bom episódio, The Pineaple Inccident, com certeza um dos mais legen...dários.
O segundo episódio tinha acabado de começar quando a notificação de bateria baixa apareceu em sua tela, normal, até ela procurar o carregador na bolsa e perceber que não tinha se lembrado de pegá-lo da tomada ao lado da cama.
– Só me faltava essa, mas é claro! "Hoje é o seu dia de sorte" – Imitou afinando a voz . – Hum, até parece – finalizou largando a bolsa no chão.
– Tá tudo bem?
estava dormindo, ocupando as duas outras poltronas da fileira, mas acordou ao ouvir remexendo sua bolsa e resmungando.
– Parece que tem alguma coisa bem? – respondeu ironicamente elevando a voz e o olhando de cara fechada.
– Garota, eu estou tentando ser uma pessoa legal e te ajudar, não precisa ser grossa – Respondeu encarando-a sério.
Foi quando ela percebeu que tinha se exaltado. Mesmo que tivesse um motivo, não era desculpa para tratar os outros mal.
– Desculpa.
ficou cabisbaixa, pôs as mãos sobre o rosto, respirou fundo e arrumou os cabelos soltos atrás das orelhas.
– Não deveria ter falado assim, é que hoje realmente está sendo um dia difícil – Continuou cabisbaixa, olhando para o nada.
– Talvez eu possa ajudar.
– Ao menos que você tenha um carregador de iPhone aí, junto com uma poção mágica para coração partido ou uma máquina do tempo, eu acho que não – Sua resposta fez com que arqueasse as sobrancelhas.
– Você está sendo grossa de novo – Novamente ela não tinha percebido e sorriu de canto de boca.
– Desculpa, eu vou tentar me controlar e não descontar em você – voltou a olhá-lo e dava pra perceber em seus olhos que estava sendo sincera.
– Obrigado – Respondeu num tom de "finalmente". – Bem, eu não tenho nenhuma das coisas que você precisa, mas acho que sei como resolver um deles – apertou no botão para chamar uma comissária de bordo e pegou o celular da mão de – Só preciso que você confie em mim.
– Meio difícil, eu nem lhe conheço.
– Qual é, o que eu poderia fazer? Roubar o seu celular e fugir pela porta de emergência mais próxima?
Uma aeromoça apareceu antes que pudesse pensar em alguma resposta.
– Em que posso ajudá-lo? – perguntou a moça.
– Oi... – procurou o nome dela no crachá – Rachel, você tem um nome muito bonito, seus pais tem bom gosto. – sorriu – Significa "mulher mansa", sabia?
Rachel estranhou, era comum passageiros darem em cima dela, principalmente os embriagados e ricos, pois sempre achavam que podiam fazer tudo o que quisessem, mas não parecia ser desse tipo ou que tinha segundas intensões.
– Sim, meus pais são muito religiosos, por isso escolheram esse nome.
– Combina com você – Rachel sorriu e agradeceu, então continuou – Então, Rachel, temos um probleminha aqui e eu acho que você pode nos ajudar. Acontece que a minha amiga é muito atrapalhada, quase até perdeu esse voo e com o atraso acabou esquecendo o carregador no hotel, só que a mãe dela ficou de buscá-la no aeroporto, você sabe como ficam as mães quando não conseguem falar com os filhos, né? Pensam um milhão de coisas, então eu queria saber se você ou alguém da equipe pode emprestar um carregador? É que o meu é diferente, mas se preferir pode levá-lo como uma forma de garantia de que não queremos roubar o carregador nem nada.
– Desculpe, senhor, não podemos guardar pertences dos passageiros, normas da impressa, é uma precaução tanto para os funcionários quanto para os passageiros.
– Será que você não poderia abrir uma exceção? Confio em você e, se precisar, eu posso preencher qualquer pesquisa de atendimento ou prestação de serviços com nota máxima – insistiu e estendeu a mão com o celular – Juro que não iremos contar pra ninguém.
– Vou ver o que posso fazer – pegou o celular.
– Muito obrigado, você com certeza é a melhor comissária de bordo desse avião – sorriu e ela correspondeu.
apenas olhava toda a cena, estava impressionada com a lábia do cara.
– Algo mais? – Ela perguntou.
– Ah não, não quero abusar da sua gentileza, só pôr o celular pra carregar já é mais do que o suficiente pelo resto do voo.
Rachel sorriu e voltou para a frente do avião.
– Um problema resolvido, agora só falta conseguir uma cola mil, daí talvez você acredite que sou confiável – disse voltando-se para .
– Como você conseguiu fazer isso? –Ela perguntou ainda impressionada.
– O quê? Convencê-la?
– É!
– Eu só disse o que ela queria ouvir, a parte de saber o significado do nome dela foi sorte, tenho uma tia chamada Rachel.
– Nossa, você faz parecer tão fácil persuadir as pessoas, deve fazer isso sempre.
– Na verdade não faço, no máximo durante negociações. Fazia muito isso no colégio e continuei até a metade do segundo ano da faculdade, era fácil conseguir garotas assim.
– Então você é um galinha que fica mentindo pras mulheres para conseguir coisas em troca? – perguntou retoricamente.
– Eu era, mas nunca menti, o fato deu falar o que elas queriam ouvir não quer dizer que fossem mentiras. Rachel, por exemplo, o nome dela é realmente bonito e ela estava sendo gentil, você não acha? A diferença é que a grande maioria das pessoas não se preocupa em elogiar os outros ou em perceber suas virtudes, o que faz disso algo mais especial e impressionante do que é.
– Você mentiu sim, sobre a minha mãe – contestou, não queria acreditar nele não fácil.
– Quis dizer que nunca menti nos elogios e, na verdade, foi mais um chute do que uma mentira. Você parece ser de Los Angeles e mães sempre ficam loucas quando não conseguem falar com os filhos.
– Faz sentido... De qualquer forma, obrigada pela a ajuda. Eu nunca teria pensado em pedir pra uma aeromoça carregar meu celular e, se pensasse, nem teria tanto charme pra convencê-la.
– Um elogio? Meu Deus! Já estava começando a achar que você fosse biologicamente incapaz de ser simpática – disse quase como uma encenação, ela riu e deu um tapa em seu ombro.
– Para, eu sou legal, juro! Você só me conheceu em um dia ruim.
– A propósito, sobre mais cedo, eu ia dizer que gostei dos seus sapatos quando você me interrompeu.
desviou o olhar para o chão, onde estavam os pés de , mas ela não recebeu o recado, apenas estranhou. Nenhum homem havia elogiado os seus sapatos antes e não conseguiu disfarçar a expressão de estranheza, pensou até que talvez fosse uma tática de persuasão.
– Sério, achei eles bem estilosos – Ele insistiu.
O mais estranho é que nem lembrava qual era o sapato que estava usando. Mais uma vez olhou em direção aos pés dela, deixando-a mais curiosa e fazendo-a inclinar-se para olhar também.
Ao olhar para os pés, percebeu que seus tênis eram diferentes, do lado esquerdo um xadrez preto e branco, do direito um gálaxi.
– Claro que eu acho que eles ficariam mais bonitos se estivessem combinando, mas tirando isso...
Não tinha como serem mais diferentes, pelo menos os dois eram do mesmo modelo da Vans, mas até os cadarços diferiam. Sua única reação foi cobrir os olhos com a mão.
– Meu Deus... Eu não acredito que fiz isso – riu da própria cara, fazendo com que risse junto a ela – Como que eu passei a manhã inteira sem perceber?!
– Viu, foi por isso que eu estava rindo mais cedo, não é todo dia que se vê uma menina correndo toda perdida por aí com um sapato diferente em cada pé.
– E agora?! O que eu vou fazer?! Não posso chegar em L.A. assim. – Ela disse apontando para os pés.
– Pode sim, nem teria percebido se eu não tivesse lhe dito.
– Tá, mas agora eu percebi, os olhos viram e o coração sentiu – riu ainda mais, ganhando um tapa no ombro como resposta – Para de rir – mas a própria não parava.
– Com licença, vocês poderiam fazer menos barulho? É que a minha filha está dormindo – Uma mulher na fileira ao lado pediu.
– Sim, claro, desculpa – respondeu.
Os dois abafaram o riso e conseguiram se conter depois de um tempo. novamente encarou com o olhar de "confie em mim".
– Eu tenho uma solução, só que você não vai gostar.
– Pelo visto você gosta de solucionar as coisas.
– É meio que uma mania que se adquire quando se trabalha numa grande empresa, porque vivem aparecendo problemas.
– Então diz, qual é a solução? Não me diga que você vai roubar os sapatos de alguém – Ela arregalou os olhos pensando naquela possibilidade.
– Não, não vou, mas você vai preferir que eu faça isso.
se levantou e abriu o porta-bagagens em cima de suas poltronas, o olhava curiosa, não tinha a mínima ideia do que ele estava fazendo. Depois de alguns segundos ele voltou a sentar, mas com uma sacola de presente nas mãos dessa vez, que entregou para ela em seguida sem dizer nada, ela olhou para a sacola confusa e voltou-se para ele.
– O que tem aqui?
– É um presente, abre – a resposta só a deixou mais confusa.
Relutante, abriu a sacola e puxou aquela coisa felpuda, quando finalmente a tirou percebeu que era um par de pantufas de unicórnio.
– O seu grande plano é que eu troque meus tênis por um par de pantufas?
– É mais normal ver alguém com pantufas iguais do que com tênis diferentes, além de que elas combinam com o seu moletom.
– Não sei nem qual é pior. Mas me diz, quem em sã consciência anda por aí com um par de pantufas de unicórnio numa sacola?
– Pelo o que eu saiba não é proibido, mas caso você queria saber eu comprei pra minha irmã como lembrancinha de Portland. Aquela cidade consegue ser especialista em frio até no início do verão.
– Se você comprou pra dar para a sua irmã eu não posso aceitar – disse entregando as pantufas a ele.
– Relaxa, ela vai entender, Serena é estudante de moda e eu vou ter outras chances de comprar uma pantufa pra ela, Portland com certeza não vai deixar de ser fria e ainda tenho negócios à fazer por lá.
– Mesmo assim, seria muito estranho eu aceitar um presente de um desconhecido.
– Desconhecido? Você é muito difícil, pensei que já tivéssemos passado dessa fase... Tá, vamos fazer assim – levantou-se de leve pra tirar a carteira do bolso enquanto falava.– Você vai ficar com as pantufas e com o meu número e eu fico com os seus tênis, assim quando você quiser ficar quite comigo é só me ligar, marcamos de nos encontrar, você leva um par de pantufas de unicórnio pra que eu dê para a minha irmã e eu levo os seus tênis – Finalizou entregando seu cartão.
– Sem querer ofender, mas os meus tênis são bem mais caros do que as suas pantufas – relutou sem pegar o cartão.
– E quem compraria dois tênis sem par? Posso até ser persuasivo, mas nem tanto.
acabou concordando e pegando o cartão dele. Ela o guardou no bolso do moletom e foi trocar os sapatos.
– Agora que eu te ajudei duas vezes, posso ser considerado um conhecido?
– Talvez, depende de quão bem você vai cuidar dos meus tênis.
riu enquanto ela tirava os tênis para pôr na sacola de presente. Nem HIMYM faria um trabalho tão bem de distraí-la quanto aquele cara estava fazendo.
– Afinal, de onde você é? – Ele perguntou, porém estava com a cabeça baixa e não ouviu direito.
– Han?
– Você disse que eu tinha mentido sobre sua mãe em Los Angeles, então de onde você é?
– Ah, você meio que acertou, eu nasci em L.A., mas com dez anos me mudei pra Oregon City e vivo lá desde então com a minha mãe... Bem, na verdade vivia.
– Você está se mudando para Los Angeles?
– Sim. Vou estudar na American Academy of Dramatics Art.
— Uma atriz? Interessante.
– Obrigada, eu acho.
A postura de voltou a ficar reta – ou quase isso– e ela entregou-lhe o saco com seus tênis. recebeu sem comentar, apenas colocou na poltrona ao lado.
– Pareci meio irônico, não foi?
— Hurum.
– É que você não parece ser atriz, acho atrizes muito dissimuladas, sempre fazem questão de passar uma boa primeira impressão... Isso tem a ver com a poção mágica, máquina do tempo e o mal dia? – soltou um leve sorriso de canto de boa.
– Sim.
– Você não parece o tipo de garota que tem o coração partido por um cara que te traiu e quer voltar no tempo pra nunca ter namorado com ele, mas que no lugar disso tá fugindo pra outro estado.
– Não tenho porque eu sou a garota que traiu e tá mal por ter partido o coração de alguém e quer voltar no tempo pra nunca ter feito merda. A parte de fugir pra outro estado é mais complicada ainda.
– Wow, por essa eu não esperava.
– Espero que seja por eu não parecer malvada e não por você ser machista e achar que só homens são capazes de trair, pois eu estava começando a te achar legal.
– Não, eu não sou machista, pra mim nem homens e nem mulheres devem trair, mas é bom saber que depois deu salvar sua pele duas vezes você esteja começando a me achar legal. – enfatizou.
– Olha, eu considero uma vez e meia, pois a do carregador realmente foi realmente uma salvação, agora as pantufas? Não foi a melhor das soluções.
– Tudo bem, to aceitando de volta então – Estendeu a mão para recebê-las.
– Não! – Respondeu mais alto e desesperada do que pretendia, o que fez ambos rirem.
– Mas é sério, você não parece ser do tipo malvada, me conta o que aconteceu.
– A história é longa.
olhou ao redor como se tivesse procurando por algo, depois voltou-se pra novamente.
– Não tenho nenhum lugar pra ir, e você?
– Okay – respirou fundo antes de começar – Tudo começou há oito anos, eu morava com os meus pais em Los Angeles...
contou sua história, falou de seus pais, do incidente que fez ela e sua mãe praticamente fugirem para o Oregon e todo o resto; August, o pedido de casamento, AADA... Só ocultou o nome e a fama de seu pai, nisso se passaram mais de meia hora, pois adorava interrompê-la para fazer perguntas.
–... E agora eu estou aqui, tendo que viajar com um cara que eu ainda não decidi se acho legal ou não, pra depois chegar em L.A. e dar de cara com a minha melhor amiga que, com toda a certeza, vai estar dando pulos de alegria enquanto eu to morrendo de medo de estar cometendo o maior erro da minha vida porque muitas pessoas lutariam pra ter a vida que eu tenho. Tinha... Eu adoraria querer essa vida também, seria muito mais simples e seguro, mas não é o que eu quero. Só posso estar ficando doida.
– Se te serve de consolo, todos os grandes cientistas, inventores, políticos e outros revolucionários foram chamados de doidos e idiotas no meio do processo, com toda a certeza eles duvidaram de si mesmos no meio disso tudo, então talvez isso seja um sinal de que você está no caminho certo. Se tudo der errado, o Oregon vai continuar no mesmo lugar e sua mãe com toda a certeza te aceitaria de volta.
– Eu sei, mas to muito ansiosa e nervosa mesmo assim. É que tudo na minha vida já estava planejado: a universidade, a carreira e a vida amorosa; Não tinham margens de erro, só que agora eu estou indo pro outro lado do país sem nem saber o que vou fazer lá, a única coisa planejada é a AADA, todo o resto é um mistério. Tenho um dinheiro pra me sustentar, mas ainda nem parei pra pensar no que vou trabalhar, não sei se vou entrar de cabeça no showbiz, se tento a brodway ou se vou ser só figurante em comerciais de desodorante. – Seu comentário fez rir, mas ela falava bem sério.
– Você não vai ser só uma figurante num comercial de desodorante, com certeza não, você tem alguma coisa de diferente, um brilho especial, sei lá, e eu não estou falando do seu excêntrico gosto para sapatos.
riu, mas ainda receosa, não queria que aquele cara gentil e engraçado estivesse dando em cima dela, pois parecia ser um bom amigo, mas não tinha certeza se ele estava fazendo isso.
– Eu to falando sério, você é diferente e essa sua diferença inexplicável te levará muito longe. Acho que foi por isso que eu insisti em ser legal e te conhecer mesmo com as suas patadas, na verdade eu sinto como se te conhecesse de algum lugar... Será que já não nos vimos antes? – gelou, tinha escondido o fato de seu pai ser famoso, pois nada de bom vinha quando ela contava isso aos outros, então sempre dizia que ele era um empresário – Em L.A. talvez numa dessas suas viagens de férias.
– Não, acho que não – Disfarçou bem, afinal, se queria ser atriz precisava saber atuar, só errou na mania de pôr a mão na nuca quando estava nervosa, porém não desconfiou. – Tenho um rosto bem comum, deve ser por isso que você me acha familiar.
– Você?! – soltou um leve riso – Com certeza não.
– Eu acho que sim, porque sempre aparece uma pessoa ou outra que eu não conheço falando que me conhece de algum lugar – Dessa vez não precisou mentir.
– Estranho, não parece ser do tipo comum, mas se você tá dizendo...
– Pois é né... Acho que é sua vez de contar a tua história de vida, afinal, eu te contei a minha inteira e ainda faltam 35 minutos pra chegarmos em Los Angeles.
– Bem... Minha história não tem grandes desastres ou coisas do tipo. Eu vou fazer 23 anos em alguns dias, terminei minha faculdade de administração ano passado e desde então tenho trabalhado na empresa da família, a 's Technology, e por isso estava em Portland, negócios, mas não deu muito certo. Tenho uma irmã mais nova e teimosa chamada Amber, ela estuda moda na UCLA e talvez crie uma linha de roupas quando terminar a faculdade, ou antes, de qualquer forma meus pais apoiariam. Eles ainda são casados, o que é impressionante, pois isso é raro hoje em dia e juro que nunca os vi nem perto de um divórcio, talvez até conseguiria contar nos dedos quantas vezes eu os vi brigando.
"Uma vez quando eu era mais novo, perguntei ao meu pai por que eles continuavam juntos enquanto os pais de todos os meus colegas da escola eram separados, ele me disse que tem pessoas no mundo que simplesmente nos cativam pela beleza, inteligência ou pela personalidade, que nos deixam abismados, intrigados, sei lá, só nos prendem. E que quando isso aconteceu com ele, ele decidiu se casar com a mulher que fez isso e se dedicar a manter o amor vivo por toda a vida, até prometeu isso nos votos de casamento porque a maioria das pessoas quando encontram acabam deixando passar ou, mesmo quando se envolvem, acabam deixando o amor acabar, não se dedicam e esquecem de como esse sentimento é único. Eu tinha 12 anos, pode parecer meio menininha eu dizer isso, mas o meu pai me fez acreditar no amor e que existe alguém nesse mundo que vai me cativar, como o pequeno príncipe cativou a raposa e como minha mãe cativou o meu pai, cresci com isso em mente. Eu nunca fui desesperado para encontrá-la pois sabia que nos encontraríamos naturalmente e que eu me sentiria encantado. Aliás, eu cresci em L.A, fiquei com todas as meninas pelas quais me interessei esperando curtir ao máximo minha vida e no meio disso encontrar a diferente entre elas.
"Depois de um tempo acabou que eu fui pra faculdade e ficar com uma ou outra perdeu o sentido, só não era mais tão legal e nem prazeroso, então eu parei de falar com as meninas só pra "ganhar algo em troca" – fez aspas com os dedos – Comecei a conhecê-las, tentar criar uma amizade e até namorar. Só uma deu certo, mas nem tanto, pois terminamos no fim da faculdade. Agora eu tô focado no trabalho e nos amigos, acreditando no amor só que sem procurá-lo nem um pouco, amando o meu trabalho e acabando de construir meu primeiro apartamento, enquanto você me acha patético e sem graça.
– Mais ou menos.
– Eu sou um péssimo contador de histórias.
- Não, pra mim não foi nada mal, é que sua vida parece perfeita: seus pais são bons, não parece que você cresceu num lar instável nem com problemas financeiros, sua irmã parece ser legal também, você ama o seu trabalho, é bem sucedido e seria mesmo que não trabalhasse por ser de uma família rica. Por favor, não ache que eu tô te julgando ou qualquer coisa do tipo por conta do dinheiro da sua família, mas parece que você nunca teve um problema, uma dificuldade, se duvidar não teve nem espinha na adolescência – Falou séria e ele riu.
– Eu realmente não tive...
– VIU!!! – interrompeu abismada.
– Mas isso só porque minha mãe liga muito pra estética e aparência, nem me pergunte quantos litros de água ela toma ou quantas vezes me levou ao dermatologista. Mas vou te contar uma desgraça da minha vida:
"Quando eu tinha 12 anos quebrei a perna esquerda e desloquei o joelho da direita no meio do verão, tive que passar o resto das férias em casa, na cama ou na cadeira de rodas. Imagine ser um menino de 12 anos sendo obrigado a ficar quieto. Foi um pesadelo. Minha mãe me fez ler vários livros porque ela sempre teve uma biblioteca particular e não queria que o meu cérebro "derretesse" de tanto jogar video-game, ainda bem que não tinha tantos celulares e internet quanto hoje naquela época, porque se tivesse ela não teria chance alguma de me fazer ler todos aqueles livros. Acabou que eu passava o dia lendo e só jogava video-game quando o meu amigo, Patrick, ia me visitar. Era sempre um dia sim e outro não, até que se tornou mais frequente e ele praticamente passou a morar na minha casa.
"Na última semana de férias ele me contou que os pais dele estavam se divorciando, como os pais de todo mundo, eu fiquei muito mal, não podia magicamente juntar os pais dele e ele tinha sido tão legal comigo. Foi aí que a pergunta sobre o porquê dois meus pais ainda estarem juntos surgiu e eu vim parar aqui.
– Agora sim você parece mais normal - sorriu.
– Você não devia ficar feliz com a desgraça alheia.
– Mas eu não fico. Só é um pouco de inveja por você nunca ter passado por um problema, tipo ir a algum lugar com um sapato diferente em cada pé, mas agora que eu sei que você passou, me sinto mais normal e te acho mais normal – ambos riram .
Eles continuaram conversando por todo o resto do voo, muitas risadas, histórias e tapas no ombro, até tiveram direito a alguns "Shiu!" vindos da mesma mulher que tinha reclamando mais cedo, mas sua filha dormia tão pesado que eles mal ligavam.
Antes de a aeronave pousar, Rachel voltou com o celular de , novamente foi extremamente gentil. não conseguia acreditar em como eles não tinham trocado os números de telefone e marcado algo pra mais tarde.
O avião estava prestes a pousar, os dois estavam mais do que desleixados sobre as três poltronas até que escutaram os avisos para apertarem os cintos e ambos se ajeitaram em seus devidos lugares. Ao ver a cadeira do corredor ficar novamente vazia, uma duvida surgiu para .
– Se você é tão gentil, por que não sentou na poltrona do corredor já que sabia que ela estava sem dono? Por que não me deixou ficar com a sua?
– Isso é uma estratégia.
– Como assim? Uma estratégia para conhecer mulheres que viajam sozinhas?
– Não, uma estratégia pra ter mais espaço durante o voo – Ela fez uma cara de dúvida – Assim, eu sempre compro a poltrona do meio, porque é mais difícil que famílias com crianças comprem as outras duas. Além disso, eu espero até a ultima chamada pra entrar no avião. Como você acha que eu aprendi o seu nome inteiro? Eu o ouvi quatro vezes, no mínimo, antes de te ver, meio que não tinha como não aprender.
"Enfim, quando entro no avião sempre ando por ele todo para ver se não tem outra fileira vazia antes de sentar, por isso não estava aqui quando você chegou, e não tem nenhuma fileira vazia nesse voo, por isso estou aqui contigo e sabia que só você podia ser a Carter Blanc.
Era impressionante! Como nunca havia pensado nisso?
– Caramba, isso é brilhante...
Ela mal pôde acabar de falar e o avião começou a abaixar. O frio na barriga voltou, involuntariamente o sorriso de seu rosto sumiu, ela cerrou os olhos, pôs uma das mãos sobre a barriga e com a outra segurou firme a mão de . Ele não estava acostumado com isso, só pôde segurar a dela de volta.
– Calma – Tentou ajudar. – Pensa no gênio brilhante aqui pra se distrair – a expressão de não mudou – O bom é que quase nunca compram as outras duas poltronas, quando compram é só uma. Às vezes eu dou sorte de serem meninas bonitas e gentis que não têm medo de avião e não pegam as pantufas da minha irmã – sorriu e aliviou a mão de
– Idiota – disse continuando de olhos fechados.
– Outras vezes elas são só bonitas mesmo.
Ela já estava melhorando, tinha sido mais um susto inicial, estava se acostumando com o friozinho. Abriu os olhos, voltou para ele e disse:
– Você é péssimo em acalmar pessoas.
– Funcionou, não foi?
Eles riram por uma última vez antes de a cidade de Los Angeles aparecer mais nitidamente pela janela. O pouso estava cada vez mais próximo e as chances dos sonhos de virarem realidade também.


Capítulo 4: Chuva de ovos.

EM MENOS DE CINCO MINUTOS ESTAVAM EM TERRA FIRME, um acompanhou o outro avião afora. ajudou a pegar as malas e as pôr no carrinho, continuaram juntos até saírem pelo portão do desembarque, quando avistaram segurando uma cartolina escrita " Vadia-Blanc" a uns seis metros de distância.
– Aquela deve ser a .
apontou para a garota, que ainda não tinha os visto, ao lado de um cara suspeito com um gorro e óculos escuros, falando no celular.
– É sim – Ela sorriu e acenou, fazendo com que a amiga a visse.
– Bem, foi bom ter te conhecido Carter Blanc – estendeu a mão.
– Você também, Alguma Coisa .
prolongou seu sorriso e apertou a mão dele, estava feliz e grata por tê-lo conhecido, mesmo que de forma tão inusitada.
– Agora eu vou atrás da minha irmã pra dizer que a pantufa dela vai demorar um pouco mais para chegar – ele disse ainda segurando sua mão.
– Ah, claro. Não se preocupe, juro que ligo pra marcar alguma coisa, assim eu te entrego as pantufas e você me entrega os meus tênis.
– OK, até então – soltou sua mão e saiu.
– Até.
Ela se despediu vendo-o partir, mas não percebeu que enquanto isso sua amiga se aproximava correndo.
! - gritou e abraçou a amiga, assustando-a.
– Meu Deus, ! Você quase me matou de susto – abraçou-a de volta.
– Claro, você tava secando aquele garoto ali, como ia me ver chegando? A propósito, ele é um gato – comentou.
Elas olharam para que agora falava com uma menina branca, aparentemente mais nova que ele e com cabelos pretos. "Deve ser a Serena" pensou. Não demorou muito para que ele as visse. apontou para elas e a tal menina olhou dos pés à cabeça, com a certeza de que era ela a garota que tinha ficado com suas pantufas.
– Aquele é o , ele estava sentado na poltrona do meu lado durante o voo.
– Uhuu! Parece que o voo foi bom então. Ele tá até falando de você. Essa é a minha amiga, termina com um e já parte pra cima de outro.
– Claro que não sua doida, a gente só conversou e ele me ajudou me dando essas pantufas – justificou olhando para os pés – Eram da irmã dele, aquela menina lá com ele.
– Aliás, por que você está vestida assim?! E como você pode chamar essas pantufas de ajuda? – disse segurando a amiga pelos ombros e olhando-a inteira.
– Longa história. Por que não saímos logo daqui antes que as pessoas comecem a me dar esmola achando que eu sou uma mendiga?
– Eu seria a primeira a te dar uns trocados – falou olhando-a séria e riu.
– Ridícula – ela a xingou, mas claro que de uma forma carinhosa, uma brincadeira delas.
Em seguida o cara de gorro e óculos escuros se aproximou, segurando pela cintura.
– Amiga, esse é o , meu namorado maravilhoso. , essa é a , a minha melhor amiga.
– É um prazer finalmente te conhecer – ele disse tirando o seu braço da cintura de e estendendo a mão para a nova conhecida.
– É um prazer pra mim também – ela o cumprimentou apertando sua mão.
– Ai gente, pra quê tanta formalidade? – interrompeu – Vocês praticamente já se conhecem de tanto que eu falo de um pro outro.
– Isso é verdade – riu de leve.
– Eu que o diga – concordou.
– Tá, agora vamos logo pro carro, porque essas pessoas olhando pra vocês já estão me incomodando. Não sei quem chama mais atenção, se é o look esquisito da ou se é o grande – ela começou a puxá-los para andarem.
– Deixa que eu levo suas malas – ofereceu ao ver começar a empurrar o carrinho.
– Não precisa, eu consigo levar sozinha.
– Claro que tu consegue, amiga, mas o gosta de ser gentil.
– E eu sei onde está o carro, então acho que seria mais fácil se eu fosse na frente com as malas.
– Ah... Então tá bom – consentiu pegando a bolsa de cima das malas.
pegou o carrinho e foi andando na frente, deixando as duas atrás para conversarem. não sabia o que achar sobre ele, muito menos sobre o fato dele ser famoso, mas se deixava sua amiga feliz e aguentou ao seu lado por mais de dois meses então queria dizer que era especial.
– Ele é maravilhoso, não é mesmo? – falou cruzando o braço com a amiga e andando ao seu lado.
– Ainda não sei dizer, mas ele parece ser legal e é tão bonito quanto você tinha dito.
– Mentira, ele é mais – riu – Então, já deixou uma roupa separada pra festa? – parou ao ouvir a amiga e franziu as sobrancelhas.
– Que festa?
– A de hoje à noite, da banda. Não acredito que você esqueceu, te falei ontem dela.
– Ah, sim – ela lembrou da amiga contando e ficou meio perplexa - Nem lembrava dela.
– Sério?! Então vamos agora pro shopping comprar alguma coisa para você usar.
– Não, . Eu acabei de chegar - sua voz era meio dengosa, realmente não estava em sua melhor condição.
– Claro que precisa, é minha melhor amiga, faço questão que vá – revirou os olhos. – Poxa, , é só mais tarde, nós vamos almoçar, fazemos compras e aí você pode descansar pra depois irmos pra festa. Você precisa ir, pra se divertir, comemorar sua mudança e para que eu te apresente ao resto da banda.
– Ahh – resmungou.
– Vamos, vamos, vamos! Eu compro sua roupa, como presente de boas vindas.
– Tá... – comemorou – SE você prometer não me deixar segurando vela – estava séria e levantou o dedo mindinho da mão direita que prontamente a amiga entrelaçou ao seu.
– Juro juradinho de dedinho mindinho – elas disseram juntas e cada uma beijou sua mão.
Uma tradição desde a infância e elas sorriram ao acabar o juramento. Não importa quanto tempo passe, esse sempre será o juramento.
– Agora eu tô pagando mico duplo por estar vestida assim e por fazer isso – riram.
– Vamos logo, unicórnio de moletom.
As duas seguiram , que já tinha pego uma boa distância. Não demorou muito para pagarem o estacionamento e irem procurar o carro. Eles estavam se aproximando do carro quando um paparazzi se aproximou e tirou fotos de .
, dê um oi pra câmera – O fotógrafo falou. destravou o carro e continuou como se ele não estivesse ali – O que você tem a dizer sobre os boatos de que a banda está acabando?
Ele começou a andar mais rápido e as meninas, ao verem a cena, fizeram o mesmo. Fazia muito tempo que não via um paparazzi e neste momento ela gelou, seu rosto ficou pálido e um frio invadiu sua barriga, incomparável ao que havia sentido no avião, começou até a suar frio lembrando-se do passado. Não gostava deles, nunca gostou, eles sempre pareciam abutres com luzes e desde que era criança ela os via assim. O paparazzi ainda não tinha percebido a presença delas, os poucos metros de distância tinham ajudado, até que chegou ao carro e foi abrir o porta-malas. precisava que uma delas fosse ao seu lado para que trocasse os sapatos, como reflexo correu para alcançá-lo.
, preciso que a mala azul vá no banco de trás, vou ter que pegar umas coisas nela – ela disse ao se aproximar e sentiu os flashs se intensificarem, cobrindo imediatamente os olhos.
– Ei, garota, é você que está chegando de viagem? Qual o seu nome? – o fotógrafo perguntou. não respondeu, estava em pânico, tinha simplesmente travado ali e não sabia o que fazer ou dizer.
percebeu no mesmo segundo, se aproximou rapidamente da amiga e a guiou para dentro do carro, sentando no banco traseiro com ela. O paparazzi ainda insistia nas perguntas, mas eles não disseram nada. Logo entrou no carro também e começou a dirigir para fora do estacionamento.
– Amiga, tá tudo bem, relaxa – tentava tranquilizá-la, ela estava lagrimando e respirando fundo como se fosse ter uma crise de ansiedade.
– Eu vou ficar bem, juro, só não esperava por isso – ela disse enquanto prendia o cabelo num rabo de cavalo.
não gostava de se passar como vítima, nem nunca foi muito habilidosa na ciência dos coques, sempre achou rabos de cavalo mais simples e práticos, principalmente por ser líder de torcida, ou melhor, por ter sido.
– Desculpa, foi culpa minha – desculpou-se no banco da frente, olhando-as pelo espelho – A me contou sua história e mesmo assim eu arrisquei, pensei que conseguiria evitá-los hoje.
– Tá tudo bem, uma hora isso iria acontecer, pelo menos foi logo de cara.
– Certeza? – a amiga questionou.
– Claro.
– Então vou sentar na frente, não quero que o se sinta um motorista – falou dando um beijo no rosto dela e mudando de banco em seguida – Ah, amor, eu e a precisamos fazer compras, ela esqueceu da festa e não tem roupa pra usar.
– Acho melhor eu não ir com vocês, não quero atrapalhar o passeio das meninas.
– Uhum, ou será que você quer fugir da tarefa de me ajudar com as compras? – ela arqueou as sobrancelhas pra reforçar.
– Eu? Não, nunca fiz isso – manteve seu olhar na rua propositalmente.
– Bobo, vou fingir que não percebi e deixar você escapar dessa, só que ainda vamos almoçar juntos.
– Claro que vamos – finalmente olhou em seus olhos como confirmação e sorriu.
– Meu Deus, eu to morrendo de fome. Vamos no IN-N-OUT, vocês não imaginam como eu tô com saudade da comida de lá – se pôs entre os bancos animando-se com a ideia, era um misto de súplica e ordem.
– Ótima ideia, assim você não precisa mostrar esse seu look divoso pra muita gente.
– Há há, engraçadinha – voltou a sentar direito no banco traseiro e abriu a mala para trocar os sapatos.
Ela os trocou a caminho do IN-N-OUT, o sanduíche e o milk-shake estavam deliciosos como sempre! Não existia lanchonete melhor. As batatas fritas então... Eles comeram no salão do lugar. Depois de uma hora conversando e contando histórias, deixou as garotas no Del Amo Fashion Center.
Foi uma tarde inteira de compras, era só pra comprar uma roupa e um carregador, mas se empolgou e estendeu as compras até o salão de beleza para que fizessem as unhas e maquiagens. Acabou que não deu nem tempo para que descansasse antes da festa e as duas tiveram que ir direto para ela.
– Como que vamos chegar na festa cheias de compras? – perguntou fechando a porta do taxi.
– Relaxa, o já tá lá, vamos deixar tudo no carro dele.
– Estranho isso, nunca tinha ido pra uma festa cheia de compras e nem saído de uma loja vestida com a roupa que comprei.
– Eu sempre faço isso, já tinha até comprado a roupa ontem, mas essa é bem melhor.
– Você é muito louca.
– E você muito contida – o celular tocou – Oi amor... Já estamos a caminho, não se preocupa... É sério, já estamos no táxi... Tá desconfiando? Se quiser eu posso passar o celular pro taxista... Não sei, depende do trânsito, acho que em menos de meia hora... Okay, beijo, tchau.
– Vocês estão bem firmes, hein?
– É, já vai fazer três meses, nunca fiquei tanto tempo só com um cara.
– Eu sei, acompanho essa novela de garotos desde o início, lembra? Mas me diz, como que fica essa coisa dele ser famoso?
– Cinquenta por cento do tempo nem lembramos disso, nos outros cinquenta por cento é impossível esquecer, sempre tem fãs, paparazzi ou eventos pra ir.
"Já estava acostumada com isso por causa do papai, só que é diferente, é pior, principalmente a parte dos fãs. Com isso acabamos procurando passar a maior parte do tempo em casa ou em festas particulares. Sem contar o ódio gratuito nas redes sociais.
– Hum... Não é tão bom quanto nos filmes.
– Ele é maravilhoso, só que eu tenho medo de ficar entediada.
– Nossa. Espero que isso não aconteça.
–Nem eu – suspirou imaginando como seria se acontecesse.
O resto do caminho foi tranquilo, apenas algumas partes estavam engarrafadas com as duas enterradas em seus celulares. estava certa, em menos de meia hora estavam lá. A casa de festas mais parecia uma casa normal, na verdade, uma mansão. O jardim era fechado, assim os paparazzi só podiam tirar foto dos carros entrando, o que era um alívio.
Ao invés de pararem na porta da casa, e foram para o estacionamento, onde estava esperando encostado no carro dele. As meninas pagaram o taxista e saíram com a ajuda de pegando as sacolas.
– Finalmente – Ele falou batendo o porta-malas do táxi.
– Ah, eu disse que chegaríamos em menos de meia hora e chegamos – ela o beijou.
– O problema mesmo foi em todas as lojas lá do shopping – resmungou.
– Você deveria ter amado, saiu cheia de roupas – Imediatamente revirou os olhos.
– Eu precisava de menos da metade delas, o resto você me forçou a comprar.
– Sorte sua então que tem uma amiga que te força a ficar linda.
– Vamos entrar, meninas? O vai cantar em breve.
– Ah é, tinha esquecido que o vai apresentar a música dele hoje.
Entraram na festa, um Dj tocava as melhores músicas eletrônicas na área interna da casa, enquanto na área externa, no quintal, outro tocava os melhores pop’s. Eles foram direto para o quintal, pois era onde o palco estava montado para a apresentação. e fizeram questão de parar no bar para provar os drinks, queriam que tomasse um também, mas ela não queria, gostava de ser mais certinha, ou tinha se acostumado tanto a ser assim que não conseguia fazer coisas erradas, principalmente as ilegais, mesmo que menores de idade beber fosse a coisa mais comum do mundo. Alguns minutos se passaram até que se apresentou, apenas ele e um violão, muito lindo e muito aplaudido. Ele era gentil, agradeceu a todos pela presença e deu uma deixa para que o Dj voltasse a tocar, elogiando o mesmo. Quando ele desceu do palco, , e o esperavam.
– Você foi muito bem, dude – .
– É verdade, vi no mínimo quinze meninas te devorando com os olhos – Era isso o que mais notava.
–Obrigada, gente, e você deve ser a amiga da . , não?
– Sim, sou eu.
– Prazer, 's. Você é muito mais bonita pessoalmente.
– Obrigada. E você canta e toca muito bem, sua música é ótima, a propósito.
– Obrigado e que bom que você gostou.
– Como eu disse, sempre é muito gentil.
– Eu tento – sorriu meio tímido. – Vocês viram o ? Não o vejo desde de manhã.
– Não, chegamos faz uns vinte minutos, talvez ele esteja ficando com alguma menina no banheiro, porque no bar ele não está, já passamos por lá.
– Esse cara... Assim fica difícil conter os boatos de que a banda tá acabando.
– Esse tal de é o outro vocalista?
– É sim, ele é um cara legal, mas gosta de interpretar um babaca em 90% do tempo – explicou enquanto o procurava entre as pessoas da festa.
– Não vamos nos preocupar com isso, temos uma festa pra curtir aqui – chamou a atenção de todos.
Eles aproveitaram três músicas antes de ter que ir pra outro lugar. Já era mais de 11 horas. Com mais uma música os copos do casal acabaram ficando vazios.
, eu e o vamos pegar mais bebida, quer ir?
– Não, obrigada, vou ficar por aqui.
– OK, voltamos logo.
sabia que não seria logo, eles aproveitariam pra se agarrar em algum lugar, ela também não estava animada. Na verdade, ela estava exausta, a noite mal dormida, a correria, o voo e depois todas aquelas lojas e compras no shopping tinham deixado-a esgotada, mas não queria estragar a festa de ninguém. ficou encostada na mureta próxima da piscina, estava mexendo no insta e vendo a postagem dos seus amigos em relação ao baile, mudou para o twitter e viu o que os amigos no Oregon estavam falando sobre ela, nada de bom, todos achavam que ela tinha pirado... Ficou tão distraída com isso que nem percebeu o cara que se aproximava.
– Oi.
– Ah, oi.
– Tá tudo bem? Você parece meio triste.
Ele carregava um copo de bebida consigo e devia não ser o primeiro, vestia roupas escuras e despojadas, seu estilo era meio misterioso e era impossível não perceber sua beleza, mas não ligava tanto pra isso por conta da exaustão e de nenhum interesse pra novos relacionamentos.
– Não, estou bem.
– Nunca tinha lhe visto nessas festas.
– É que eu acabei de chegar na cidade.
– Deixa eu adivinhar, você veio de uma cidade pequena e tem o sonho de ser... – a avaliou um pouco – cantora.
– Quase! Atriz – ela o corrigiu.
– Normalmente eu nunca erro.
– Sempre tem uma primeira vez.
Sua presença não a agoniava, no entanto, ela preferia ficar sozinha sem ter que conversar do que na presença dele e ter que socializar.
– Se precisar de alguma coisa pode falar comigo – o cara olhava para ela nos olhos, como se mostrasse estar realmente querendo ajudar.
– Obrigada, é muita gentileza da sua parte – Ela sorriu e ajeitou o cabelo.
– Não é nada. – Se aproximou com um sorriso sedutor e a puxou para um beijo.
Esse garoto não sabia com quem estava mexendo. Foram precisos míseros segundos para que o empurrasse e lhe desse um belo de um tapa na cara.
– QUEM VOCÊ PENSA QUE É?!
estava indignada, depois de um dia totalmente cansativo ainda tentava ser gentil e compreensiva, mas ainda existem babacas nesse mundo que confundem gentilezas com dar mole.
– Que eu penso que... Você é uma louca, só pode estar brincando comigo.
– Ah, eu sou louca? Você me assedia e eu que sou a louca?!
Sua indignação apenas aumentou, ela pegou a bebida da mão dele e jogou em sua calça, logo acima de suas partes íntimas.
– Pra ver se você aquieta esse teu fogo.
saiu, incrédula com aquele cara. Enquanto procurava os amigos, o tal cara desconhecido tinha ficado pra trás, com a mão na bochecha estapeada, calças molhadas e xingando mentalmente a vadia abusada que havia feito isso com ele... "Como assim quem eu penso que sou?"... Ele voltou ao bar querendo algo forte pra esquecer aquela vaca.
Depois de ter passado no bar e ter dado duas voltas pelo lugar, finalmente os encontrou se agarrando próximos à porta de trás da casa.
– Desculpa atrapalhar a pegação, mas será que dá pra gente ir embora?
– Ai amiga, calma, nós já íamos voltar.
– Eu tô falando sério, eu quero ir agora! Um cara acabou de me agarrar e eu já não tava no clima de festa, com esse babaca foi a gota d'água.
– O quê? Alguém te agarrou a força?! Me diz quem é esse babaca que eu resolvo isso – falou e o segurou.
– Calma, amor, você não pode simplesmente ir pra cima do cara no meio da festa.
– Relaxa, , eu sei me defender, ele deve estar sentindo o peso da minha mão na cara dele até agora, além de estar com frio nas partes íntimas.
– Mas...
– Sem essa de "mas", a já deu pra ele o que ele merece, o melhor que podemos fazer agora é levá-la pra casa pra descansar.
– Tá – Ele concordou relutante. – Vou pegar o carro, manda uma mensagem pros meninos dizendo que a gente vai embora.
– Pode deixar.
Ele a beijou na testa e saiu. mandou a mensagem e as duas foram esperar na frente da casa, nenhum dos meninos respondeu, normal, a festa estava muito barulhenta e movimentada. Logo estava na frente do lugar.
– Eu ainda não tô acreditando que isso aconteceu – dentro do carro – Como que deixaram um cara desse entrar?
– Gente, eu tô bem, tá tudo bem, sério! Não quero que vocês fiquem se estressando por culpa minha, já basta eu ter estragado a festa de vocês.
– Não, amiga, quê isso, eu que abusei da tua boa vontade. Era melhor ter te deixado lá em casa descansando.
– Falando nisso, vou precisar parar lá em casa porque deixei suas malas lá antes de vir pra festa.
– Por que não dormimos todos lá? Só por hoje já que você tá cansada e suas coisas já estão lá mesmo, além de que é mais perto.
– Tanto faz, eu só quero uma cama pra dormir.
– Então tá resolvido – concluiu .
Na verdade sabia que não dormiria tão bem na casa da banda, sabia que não se sentiria a vontade lá, mas só de pensar em rodar metade da cidade pra só depois poder dormir já dava vontade de voltar pro Oregon. Em quinze minutos eles chegaram, levou todas as compras sem nenhuma hesitação das meninas e ajudou a levar as malas para o quarto de visitas.
– Qualquer coisa eu e o vamos estar no quarto do início do corredor.
– Tá bom.
–Boa noite, amiga.
– Boa noite, .
– Boa noite, gente, até amanhã – se despediu fechando a porta.
Finalmente estava sozinha, logo começou a tirar a roupa e ir para o banheiro do quarto, pensou em tomar um banho de banheira, mas a vontade de dormir era muito grande, então tomou uma chuveirada. As malas estavam jogadas no chão do quarto, estava com dificuldade pra achar uma roupa até que encontrou a camisa de seu pai. Se tinha uma coisa no mundo que poderia fazê-la se sentir em casa, com certeza era aquela camisa, e assim, só calcinha e camisa, ela foi dormir.

~ 09:23 ~

Toda a casa estava silenciosa, parecia que ninguém tinha acordado ainda. enrolava na cama fazia meia hora, mandou mensagens chamando a amiga pra tomar café, mas ela não respondia, então decidiu ir até o quarto dela, vestiu um short de pijama qualquer, escovou os dentes e saiu. Ao se aproximar do quarto, percebeu que e estavam acordados, dava pra ouvir suas vozes e risadas do lado de fora, é claro que estavam "ocupados", mesmo assim ela decidiu bater na porta.
– Ei gente – chamou batendo na porta.
– Espera aí – falou do lado de dentro, mais alguns segundos e ela abriu a porta, deixando só a cabeça e o braço pra fora, dando pra ver seu sutiã – Oi.
– Oi... – disse, sem jeito – Eu te mandei mensagem te chamando pra tomar café, vamos?
– Ah, eu não vi, tô meio ocupada – fez uma cara de safada – Mas você pode ir lá, a cozinha fica descendo as escadas, do lado esquerdo.
– Mas, , essa casa não é minha, eu não posso ficar mexendo na geladeira e no armário dos outros.
– Deixa de leseira, tu pode sim, não é mesmo, amor? – voltou a cabeça pra dentro.
– É! – gritou.
– Problema resolvido, depois nós descemos – fechou a porta.
– bateu na porta – Eu não sei onde ficam as coisas.
– Amiga, ninguém sabe, ninguém aqui cozinha. Procura que tu acha.
revirou os olhos em resposta. Sabia que só seria ignorada se continuasse ali. sempre foi uma boa amiga, mas sabia muito bem como se uma vaca. estava morrendo de fome, nem tinha jantado no dia anterior, pois o sono era maior que a fome, então decidiu tentar a sorte. Ela estava prestes a ir em direção as escadas quando escutou uma porta atrás de si fechar, esperava que fosse para que ele a ajudasse, mas ao virar viu uma mulher, elas tinham uma altura parecida e até o corpo, mas a mulher desconhecida tinha os cabelos e a pele mais claros. ficou parada esperando que ela a cumprimentasse e perguntasse quem ela era, devia morar ali ou ser namorada de alguém, mas ao invés disso a desconhecida prendeu o cabelo num coque e arrumou a saia, parecia estar atrasada para algum lugar.
– Bom dia – a moça disse sem olhar muito para o rosto de e sem parar de andar.
– Bom dia – ela respondeu sem entender a situação.
Seguiu a mulher até o primeiro andar, mas ela não disse mais nada e saiu pela porta da frente, parecia meio envergonhada, o que era mais estranho ainda.
– Então tá, né – falou sozinha e foi à procura da cozinha.
Não foi nada difícil achar, o problema é que eram tantas portas de armário que nem sabia por onde começar a procurar. Depois de algum tempo analisando o cômodo, ela descobriu onde ficava a despensa. Não tinha muita coisa, mas conseguiu achar uns cereais e mistura para panqueca, pronto, aquele seria o café.
pegou as caixas dos dois e levou para a bancada, procurou nos armários uma frigideira, tigela e fuê pra cozinhar. Foram precisos alguns minutos, mas conseguiu achar tudo, voltou-se pra geladeira ficando inclinada entre as portas abertas enquanto procurava os ingredientes que faltavam. Ela estava pegando a bandeja de ovos quando sentiu alguém se aproximando por trás, a pessoa pôs as mãos em sua cintura, o que a fez se assustar e ficar ereta ainda segurando os ovos, abraçou-a por trás e aproximou sua boca à orelha dela.
– Oi, gostosa, nem percebi quando você levantou da cama, o que acha de voltarmos para um segundo round? – A voz masculina sussurrava em seu ouvido.
Imediatamente ela tomou distância e virou-se pra ver quem era, ao fazer isso viu que o cara que sussurrava em seu ouvido era o mesmo que tinha agarrado-a na noite anterior, só que agora ele vestia apenas uma cueca e seu cabelo estava mais bagunçado que antes. Como? Como aquele cara tinha entrado na casa? ficou assustada.
– FICA LONGE DE MIM, SEU TARADO!
— VOCÊ?!
– Sai de perto de mim! – Sem saber como se proteger, ela abriu a forma de ovos e começou a tacá-los nele.
– Sua louca! – ele se protegia com as mãos.
– JÁ DISSE PRA FICAR LONGE! – andou de costas para dar a volta na bancada e poder pedir ajuda – EU VOU CHAMAR A POLÍCIA.
– Para com essa merda!
Ela já tinha atirado oito ovos, todos tinham o acertado, a pequena distância a ajudava. Ao chegar do outro lado ela largou os ovos na bancada e correu para o segundo andar.
não se preocupou nada em bater na porta do quarto de e dessa vez, apenas entrou correndo, deu de cara com ela sentada em cima dele, sorte que o edredom os cobria. Mas mesmo assim se assustou, quase caindo para fora da cama, sorte que seu namorado a segurou antes. Ao ver a cena imediatamente ficou de costas para eles, mas sem sair do quarto.
– Porra, ! Não podia mesmo esperar?! – reclamou enquanto ela e vestiam suas roupas intimas.
– Desculpa atrapalhar o sexo matinal de vocês, mas o tarado de ontem à noite está aqui!
– É o quê?! – gritou já fechando os punhos.
– Ele tá aqui! Não sei como entrou, só sei que eu estava lá na cozinha, ele apareceu e tentou me agarrar de novo!
– Esse filho da puta – resmungou indo em direção ao seu closet – Dessa vez ele não me escapa.
– Porra – se pôs ao lado da amiga, estava vestindo o hobby branco que tinha deixado do lado da cama – Ele vai pegar a Roxy.
– Roxy? – perguntou ficando de frente para o closet.
– O taco de baseball dele – ela a respondeu no mesmo momento em que saiu do closet com Roxy nas mãos.
Nenhuma das meninas tentou impedi-lo, pois sabiam que era o certo a ser feito, afinal, aquele cara tinha passado de todos os limites possíveis ao invadir a casa, elas apenas o seguiram escada abaixo. Ao se aproximarem da cozinha, somente dava para ouvir o barulho de água corrente, se preparava para bater em quem quer que aparecesse na frente dele, mas quando entrou na cozinha e avistou o tal cara só de cueca preta limpando o rosto na pia só pode abaixar os braços.
?
– Eu?! – Ele perguntou irônica e retoricamente em resposta.
– Pera, você conhece ele?! – perguntou.
e se entreolharam e começaram a rir, gargalhar até, eles não puderam se conter com a cena que nenhum dos dois imaginava ser possível.
– Há há! Muito engraçado, agora dá pra tirar essa louca daqui?! – parou de secar o rosto e apontou em direção à mesma com a toalha na mão.
– Eu? Louca? Você que é um tarado! Deveria estar preso – o casal de amigos continuava rindo, até mais do que antes – Dá pra vocês dois explicarem que merda está acontecendo aqui?!
... - disse, ainda tentando conter os risos – Esse é o , o outro vocalista da banda – a fala do amigo fez rir.
– Como se eu precisasse de apresentação.
– E , essa é a , melhor amiga da que acabou de chegar de Oregon City.
e se entreolharam sem saber o que fazer, a situação não poderia ser mais inusitada. Apenas soube o que dizer, na verdade, como sempre acabou pensando alto demais.
– Você só pode estar brincando.


Capítulo 5: Quando tudo parece dar certo.

— ENTÃO ESSA É A SUA MELHOR AMIGA? Hum, deu pra ver que você escolhe bem os seus amigos.
A ironia de era tão clara quanto a indignação de , enquanto que para e , a cena era apenas cômica.
— Pera, VOCÊ quer vir falar de mim? Como se EU fosse a errada?! Sendo que foi você que me agarrou DUAS VEZES!
— Sério, ? – disse, ao recuperar o fôlego entres as risadas – Você não sabe se controlar?
— Vai se fuder, – o amigo retrucou ainda limpando o rosto – Pelo menos eu não agrido ou jogo coisas nos outros – olhou enojado para .
— Isso se chama legítima defesa e não é crime, diferente de assédio! – pôs as mãos na cintura e continuou encarando-o do outro lado do cômodo.
— Ta bom, gente, foi engraçado... – interviu, porém a amiga repreendeu com um olhar – Não, não foi nada engraçado, mas não precisa virar uma briga, ok?
— Tanto faz. – ele respondeu, indo em direção às escadas – Alguém pede pra um dos empregados levar umas toalhas pro meu quarto – continuou saindo da cozinha.
— Eu cuido disso – falou, virando-se e saindo também – Tentem não tacar ovos em mais ninguém.
Foi entortando a boca que sentou em um dos bancos da bancada e apoiou seus braços numa área limpa, encostando a cabeça nas mãos em seguida. Ela tentava se recompor depois do ocorrido.
— Eu não acredito no que acabou de acontecer – disse encarando o chão e a bancada repletos de ovos quebrados – Quem é que se defende atirando ovos?
— Era a única coisa que tinha na minha mão, foi reflexo! – A amiga tentou se explicar, mesmo sabendo o quão boba parecia, porém apenas recebeu risos em resposta – Só me diz onde tem um esfregão que eu limpo.
— Não precisa, o já deve ter chamado alguém pra isso.
— Ah, claro... Um empregado.
já havia se desacostumado com esse estilo de vida. Foi uma das coisas que aprendeu com a mudança para o Oregon: ser independente.
— Não sei nem por que inventou de cozinhar, também tem gente que pode fazer isso.
— Não precisa, eu sei cozinhar, obrigada – disse levantando-se e voltando a fazer o café.
— Desculpa, esqueci que você é uma faz tudo.


— Merda – resmungou no seu quarto.
Ele tirou o máximo de ovo que conseguiu que tinha em seus cabelos e peito com sua própria toalha de banho, mas aquilo não era muito, então jogou-a no chão.
— Essa garota só pode ser louca – continuou, sem perceber seu amigo passando pela porta.
— Por quê? Por que ela não caiu nos seus encantos? Caro sereio do mar – falou, jogando uma toalha para o amigo.
— Hum, qual é? Quem atira ovos em alguém??
— Pelo o que eu saiba, foi legítima defesa.
— "Legítima defesa"? Essa garota só pode ser de outro mundo, hoje ela tacou ovos em mim, ontem me deu um tapa e jogou bebida na minha calça!
— Também fiquei sabendo dessa história – ele soltou um riso, lembrando que queria bater no tal cara na noite anterior – É bem a sua cara mesmo achar que todas as garotas querem ficar contigo.
— Eu cheguei nela e a elogiei, ela sorriu e mexeu no cabelo, parecia bem interessada, daí quando eu me aproximo ela resolve me bater?! Qual é...
— Acho que dessa vez você encontrou um belo desafio pela frente, pois ela veio pra ficar e não vai se moldar ao seu querer.
— Tanto faz – ele entrou no banheiro e bateu a porta pra cessar a conversa.
riu de leve do amigo, sabia que a frustração dele era por ter encontrado alguém que não era baba ovo e que não deixava as suas babaquices passarem em branco, mas sabia também que aquilo era uma coisa boa, pois apenas os verdadeiros amigos de o tratavam assim. desceu para cozinha e, ao chegar, viu cozinhando alguma coisa e sentada na ilha que ficava no centro do cômodo, literalmente em cima dela, ainda por cima balançando as pernas como se fosse uma criança.
— O que vocês estão fazendo? – ele perguntou, aproximando-se das duas.
— A tá fazendo panqueca, eu tô só atrapalhando mesmo – comia algumas frutas vermelhas.
— E sobrou ovo pra isso?
— Sim – ela respondeu meio fria, não se orgulhava do ocorrido, mas também não se arrependia – A ideia é comer panquecas com frutas vermelhas, mas depende se a vai deixar alguma.
— Calma amiga, já passou, não precisa ficar estressada – disse, parecendo sincera, mas sem parar de comer as frutas.
não me contou que você cozinha.
— Querido, se eu fosse te contar tudo o que a sabe fazer no nosso primeiro encontro, nós estaríamos lá até agora – todos riram.
— Não exagera, .
— Quer que eu comece a listar? – arqueou as sobrancelhas e apenas negou com a cabeça.
— Não querendo ser exigente, mas você pode fazer waffles? É que eu realmente gosto de waffles.
— Eu até queria fazer, assim como umas torradas, só que não sei onde guardam os eletrodomésticos aqui.
— Você pode perguntar pra Fátima, ela que arruma tudo por aqui.
— Depois de ter feito ela limpar a sujeira da minha chuva de ovos? Não, não. Eu tenho vergonha na cara.
O casal de amigos riu.
— Ok – falou, descendo da ilha num pulo – Eu arrumo a mesa, o pega a torradeira e a máquina de waffles e você continua fazendo isso aí.
— Sim, senhora – disse batendo continência.
— É assim que eu gosto – ela retribuiu com uma piscada safada, sem se importar com a presença da melhor amiga.
Logo todos foram fazer suas tarefas. Em menos de meia hora estava tudo pronto, graças a , que chegou no meio do processo e ajudou, já que era o único ali além de que tinha alguma habilidade culinária, o que acelerou o processo e incrementou a conversa descontraída do grupo – que obviamente não deixou a história da chuva de ovos escapar..
— A AADA é a única coisa que eu tenho em mente até agora. Acho que depois do início das aulas vou ter uma ideia mais clara de que tipos de trabalho me interessam para poder decidir o próximo passo – respondeu à pergunta de .
A conversa já tinha passado para a mesa, onde todos se sentaram e começaram a comer. Quem olhasse para a mesa, acharia que eram amigos de infância fazendo uma reuniãozinha. estava à vontade entre eles, assim como eles em sua presença.
— O importante mesmo é não desistir no caminho – comentou – Não faz muito tempo que a Population era apenas uma banda de garagem com zero shows pagos por mês, não é mesmo, ?
concordou com a cabeça, lembrando-se daquela época, e sorriu com os lábios fechados. Sua boca estava cheia.
— Gente, desculpa, pode parecer estranho, mas eu não sei quase nada sobre a banda de vocês – assumiu meio envergonhada, olhando para ele. – Sei cantar o refrão de umas musicas e só.
sorriu, aquilo era totalmente incomum para qualquer um dos integrantes da banda que estava presente no Top 5 musicas do país há um ano e que estampava a capa de uma revista adolescente diferente a cada mês. Ele estava ao seu lado esquerdo, enquanto sentou na cabeceira à sua direita e à sua frente.
— Ok, então vamos do início...
— Meus Deus, já cansei de escutar essa história – interrompeu .
— Mas eu não – Blanc contrapôs – É o básico, então eu tenho que saber – revirou os olhos, porém não reclamou.
— Então, a Population começo há 4 anos, exatamente na garagem do , na Flórida. – olhou para frente e o casal de amigos confirmou – Inicialmente éramos quatro integrantes, mas o porquê passamos a ser apenas três vem depois, e estudávamos na mesma escola. Foi assim que nos conhecemos e a banda começou.
“Nós passamos um ano tratando a banda como hobby, até que entramos no último ano do High School e decidimos levar mais a sério e até criar um nome: The Fresh Face.
“Nisso, uma música nossa em especial começou a grudar na cabeça da escola toda: Don't say no. Ela fala sobre aproveitar a vida como adolescentes e não dizer não para as experiências e aventuras. Foi o quarto integrante, que apelidamos carinhosamente de "Você-sabe-quem", quem a compôs, o que o fez achar que era o único responsável por aquela pseudo fama que tínhamos no colégio e que, por isso, era o líder da banda. Nós relevamos, pois todos sabíamos que era o jeito dele, mas não sabíamos que mais tarde ele exageraria na dose.
“Três meses antes do baile de formatura, nós conseguimos que contratassem a gente para tocar na festa. Mesmo que não aproveitássemos a que seria uma das noites mais especiais das nossas vidas, nós concordamos que seria uma ótima chance e, com show ou não, iríamos juntos mesmo. Foi quando começamos a trabalhar na composição de novas músicas para apresentar, menos o , que nunca foi bom nisso e contribuía no máximo com a batida.
— Hey, eu contribuía com o refrão também. – Ele se defendeu inutilmente, apenas arrancado um sorriso de e um vácuo de .
— Faltando menos de um mês para a formatura, mais uma música nossa começou a fazer sucesso no colégio: I know. Foi o quem a escreveu e ela fala sobre despedidas e a marca que as pessoas deixam na nossa vida, o que combinou completamente com o clima de despedida do High School e fez com que Você-sabe-quem ficasse com inveja por não estar à frente.
prestava total atenção na história, quase esquecendo-se de comer. Ela não sabia se já tinha ouvido "I know" ou não, mas não imaginava que seu caro assediador da noite anterior e da manhã fosse capaz de escrever uma letra profunda. Enquanto isso, e conversavam sobre outro assunto, pausando às vezes a conversa para descobrir em que momento da história estava.
— De fato estávamos certos, o baile foi um ponto decisivo para nós. Os vídeos e fotos que todos fizeram naquela noite e postaram em suas redes sociais, aumentou consideravelmente o número de pessoas que nos conheciam, tanto que uma semana depois a rádio local nos chamou para tocar "Don't say no", o que aceitamos sem hesitação, afinal, além de ter a nossa música tocada pra cidade inteira, seríamos pagos por isso. Mas a visita trouxe problemas...
respirou fundo e balançou a cabeça negativamente por ainda desaprovar a lembrança.
— Quando chegamos na rádio, descobrimos que também faríamos uma espécie de entrevista antes de tocar a música e isso deu um espaço que Você-sabe-quem adorou usar para chamar atenção. Ele fez questão de responder todas as perguntas sobre a banda, apenas não respondia quando a pergunta era direcionada especificamente para um de nós três, mas mesmo assim ele achava uma brecha, complementando as nossas respostas ou fazendo um comentário extra.
"Foi uma situação totalmente desagradável. Tentamos evitar comentários sobre o que tinha acontecido na entrevista, mas na hora de dividir o dinheiro, ficou impossível. Você-sabe-quem queria ficar com ele todo, já que a música tinha sido escrita por ele. Era a gota d'água para uma discussão gigantesca. A quantia nem era tanta, mas a falta de consideração que ele tinha por nós três e pelo esforço que tínhamos feito, fez com que fosse digna de tal discursão.
"Acabou que ele se sentiu roubado. Mesmo depois de dividirmos igualmente, ele não quis aceitar a parte dele e sumiu. Depois de dois dias, apareceu de novo dizendo que havia conseguido um empresário e que não precisava da gente tentando sugar seu sucesso. O que é engraçado, já que hoje em dia ele continua morando na casa dos pais e não fez nenhuma outra música de sucesso. Mais do que isso, foi que compramos os direitos autorias de "Don't say no" e agora é como se fosse uma música nossa.
— Essa é minha parte preferida da história – comentou, chamando a atenção dos dois. – Adoro uma vingança elegante.
— Claro que adora – respondeu – Mas por que vocês não dizem o nome dele? Sentem tanta raiva assim?
— Não – disse rindo um pouco e tomando um gole de sua bebida. – Nem um pouco.
— Nós não dizemos porque quando começamos a fazer sucesso em escala nacional e começaram a perguntar a história da banda, ele tentou nos processar e nos proibir de falar seu nome, o que não deu certo – respondeu. – Mas achamos tão engraçada a situação, que começamos a chamá-lo de Você-sabe-quem e acabou ficando.
— E o que aconteceu depois? – questionou.
— Depois eles gravaram um vídeo tocando "I know" na garagem do , postaram no YouTube e a gravadora Island Record se interessou e BOOM — encenou a explosão com as mãos — A Population ficou famosa.
olhou para ela, arqueando a sobrancelha. Todos acharam estranho ela começar a contar, já que era quem estava fazendo isso.
— Desculpa, benzinho, mas você estava enrolando muito.
Ela finalizou enfiando mais uma garfada de panqueca na boca e mentalmente os outros concordaram. Eles só não diziam em voz alta porque daria a o gostinho de se vangloriar – como se ela precisasse de confirmação para se sentir dona da razão.
— Ok, então só me resta uma dúvida: por que vocês moram juntos? – Dessa vez se direcionou a . – O normal não é cada um ter uma casa?
— É, é sim – ele respondeu. – No entanto, quando a banda está em momentos de crise ou quando estamos perto de um evento muito importante, e ambos são o nosso caso atualmente, o Antony, nosso empresário, faz com que moremos juntos por mais ou menos um mês.
— Parece até aqueles pais que obrigam os filhos a ficarem se abraçando até não estarem mais brigados.
— Pois é. Ele faz isso porque quando conversamos com os produtores da Island Records, eles disseram que deveríamos mudar o nome da banda, então nos reunimos como se fosse um retiro espiritual por uma semana e decidimos. É meio que um jeito de relembrar a essa época e funciona.
, ... – disse balançando a cabeça negativamente, como uma reprovação séria – Sempre com respostas tão longas.
Todos riram, pois era impossível evitar dessa vez. Mas não se passou muito tempo até que os risos fossem interrompidos pela entrada de alguém com a cara fechada: .
— Ah, pensei que vocês já tivessem saído – disse, tirando o fone de ouvido e vendo os sorrisos se desfazerem.
Pelo visto ele havia se arrumado pra correr com uma bermuda, tênis e óculos de sol por causa da sensibilidade que ainda sentia pelas bebidas da noite anterior. não podia negar que seu físico era digno de um rock star, mas não deu tanta bola, pois aquilo não acrescentava nada na sua moral.
percebeu que sua presença havia estragado o clima e também não queria ficar no mesmo cômodo que a Atiradora de Ovos, então deu meia volta, já planejando mudar seu local de corrida para a praia e parando para tomar café em algum ponto no caminho, até que o interrompeu.
— Pode tomar café com a gente, se quiser. Não nos conhecemos da melhor forma, mas eu não vou te negar comida.
— Como se eu precisasse da sua permissão para alguma coisa – respondeu com toda a sua arrogância ao voltar-se pra mesa.
Blanc engoliu a seco para empurrar as palavras que tinha vontade de dizer para dentro, uma velha técnica que ela usava no Oregon.
— Já deu né, ? Acho que sua dose de babaca chegou no limite por hoje – se pôs entre a conversa – Foi a que fez o café, então você deveria sim precisar da autorização dela, principalmente depois das suas canalhices.
— Vamos, cara. – se meteu, querendo que a situação não piorasse – Tem um lugar livre aqui no meu lado e a comida está realmente ótima.
Ele revirou os olhos e aceitou apenas por ser mais prático, já que seu plano original era correr por dentro do condomínio mesmo.
— Então, qual é a crise e o grande evento da vez? – disse, tentando retomar o papo e o clima anterior.
— Hum, eu respondo – disse para garantir uma resposta curta. – Além da grande turnê que eles farão daqui a 3 meses, há boatos rolando de que a banda vai se separar porque o e o fizeram projetos solo esse ano e também porque o álbum da banda e alguns shows foram adiados.
— Wow, meio tenso!
servia seu prato e não acreditava na menina fazendo aquela pergunta idiota, afinal, quem nesse país não conhece essa banda?
— Mais não é nada – a amiga continuou – Os meninos conversaram entre si antes de fazerem esses projetos solos, então não foi nada feito por egocentrismo, e os shows foram adiados por conta das crises pessoais de alguns, só que claro que isso não foi divulgado. O resto a mídia se tratou de aumentar, só ajudando no desespero de algumas fãs.
nem precisou apontar para que entendesse quem era o dono das crises, afinal, só uma pessoa na mesa parecia problemática o suficiente pra ser responsável pelo adiamento de shows.
— Então, tendo uma visão geral, qual seria o gênero de vocês?
— Já lançamos músicas pop, pop rock e R&B, então podemos dizer que temos uma bela variação – respondeu.
— Interessante. – comentou olhando para ele – Não imagino esses estilos se combinando numa banda só.
— Hum, como se você entendesse alguma coisa sobre música – respondeu sem desviar o olhar de sua comida.
Todos olharam em sua direção. Ele realmente não se importava em deixar o clima bom e novamente engoliu a seco.
, eu disse que já deu! – o tom de se elevou mais do que da primeira vez e ela não estava para brincadeira.
— Qual é?! Ela não conhece a banda que vive no top 5 há um ano?! Também, olha a camisa dela, pra ser fã de Ryan Blanc nem deve escutar as musicas atuais.
— CALA A PORRA DA SUA BOCA! – então gritou. Talvez se não fosse a mão de na sua, ela já teria se levantado e enfiado algo na boca de .
, para, você não sabe do que tá falando – tentou apaziguar, mas claro que não funcionaria. A expressão de desconforto de e a ausência de contra-argumentos seus fez ele se sentir vitorioso.
— Ah, eu não sei?! Pelo amor de Deus, Ryan Blanc era a porra de um viciado e assediador que estragou a música dos Beatles fazendo aquela regravação, e ela ainda quer opinar se nosso estilo combina ou não?!
Cada palavra doeu em seu peito e tinha efeito sobre todo o seu corpo. sabia que se não saísse logo de lá, começaria a chorar, até sentiu seus olhos marejarem, mas esse não seria um gosto que ela o daria, assim como o benefício da dúvida novamente.
— Pra mim já deu.
Ela se levantou e saiu antes que qualquer um pudesse falar algo e logo todos os olhares do cômodo se viraram para com repulsa, principalmente o de . Todos exagerados demais na cabeça de .
— Você realmente passou de sua dose de babaquice hoje, ! – se levantou o mais bruta possível, falou com ele e depois se voltou para o namorado – Vou atrás dela antes que eu acabe tacando a porra de uma cadeira no seu amigo.
— Ok, eu resolvo isso aqui – acariciou seu braço, na tentativa de acalma-lá, mesmo sabendo que não funcionaria.
Logo foi em direção às escadas, deixando uma mesa de apenas garotos para trás. O mais ridículo é que o único que continuava com apetite era justamente o que tinha causado todo caos.
— Você não sabe a merda que acabou de fazer – disse. – Até eu tô com vontade de socar a sua cara agora.
Isso era assustador. era o mais educado, responsável e menos irritável entre eles.
— Eu só disse a verdade! Tenho culpa se ela é a fã numero um do cara?
— Mas é claro que ela é fã número um do cara! – foi quem disse – Ele é o pai dela!
E assim o apetite dele foi embora, como também sua postura prepotente.


Chegando no quarto, imediatamente foi ao banheiro lavar o rosto. Controlou sua respiração e se olhou por alguns segundos no espelho para decidir seus próximos passos, em seguida começou a tirar sua roupa e foi em direção à sua mala ainda aberta da noite anterior.
– sua amiga invadiu o quarto –, desculpa pelo , ele realmente passou dos limites, mas juro que ele é legal.
— Não, , eu realmente não quero saber dele. – estava tão zangada que não se deu ao trabalho de olhar para ela ou interromper o que estava fazendo para respondê-la – Tentei ser civilizada, mas não funcionou, então agora eu vou sair daqui e ir cuidar das minhas coisas, que é o melhor que eu posso fazer.
Ela finalizou, acabando de colocar um vestido casual e fechando a mala.
— Calma, não precisa sair assim.
, sim, eu preciso! Vim pra Los Angeles cuidar da minha vida e não vou ficar mais passando por situações desagradáveis só para não incomodar os outros.
— Eu peguei essa indireta, tá?
Realmente uma pontada da raiva que sentia era por conta de . Se ela procurasse ser mais compreensiva ou pensar mais no que fazia, não teria passado por isso. Talvez ela não merecesse ter sido parcialmente culpada, no entanto, não queria ficar para discutir sobre isso.
, eu te amo e sei que você quer me ajudar, mas juro que as duas coisas que eu mais quero são esquecer que últimos cinco minutos existiram e ficar sozinha.
— Tá, mas pra onde você vai? – não estava satisfeita, no entanto, se controlaria.
— Como eu disse, preciso cuidar das minhas coisas – respondeu, arrumando as últimas coisas em sua bolsa – Vou alugar um carro e passar numa lavanderia, depois disso te encontro na sua casa.
— Não quer que eu te leve até a locadora de carros? – a amiga suspirou fundo.
— Não. Eu preciso de silêncio e ficar sozinha, são duas coisas que não vou conseguir com você ao meu lado – ela sorriu e fez o mesmo.
— Você é ridícula, sabia? – ela comentou, puxando-a para um abraço – Pelo menos leva a minha carteira, você pode usar todo o dinheiro que está nela e o cartão também, já sabe a senha mesmo.
— E te deixar sem dinheiro? Claro que não.
— Para de besteira, pra que serve ter um namorado rico e famoso, se ele não pode me bancar de vez em quando? – as duas riram.
— Nossa, se você só está com ele pelo dinheiro, deve ser minha amiga só por causa da minha herança.
—Também te amo. Sei que vou parecer com a tia Mia agora, mas toma cuidado.
— Pode deixar.

[...]

— Oi, mãe.
Carter Blanc! Você me disse que ligaria assim que chegasse e, pelos meus cálculos, isso foi 23 horas atrás!
— Desculpa, mãe, é que a se empolgou e me levou ao shopping. Quando saímos já era tarde e eu estava muito cansada, então acabei dormindo logo que chegamos na casa.
Era mentira? Não, não era. Era errado contornar as verdades na hora de falar com sua mãe? Sim, era. Mas isso foi melhor do que citar a festa e todas as outras coisas que encheram a sua cabeça, pois Mia só ficaria mais preocupada.
— Eu tentei te ligar dezenas de vezes! Sabe o quanto fiquei preocupada?! Eu já...
sabia que a mãe falaria de como já estava pensando em ligar para a polícia e de como ela e Chuck brigaram por ele convencê-la a não fazer, então ficou meio aérea à ligação enquanto encarava o balançar das máquinas de lavar, assim como as roupas que rodopiavam dentro delas.
—... Daí você me liga a essa hora de um número desconhecido. Você acha que isso está certo, ?
— Eu sei que não tá, por isso pedi desculpa. Ontem, quando estávamos no shopping, aproveitei para comprar um chip novo, com um DDD novo e um plano com mais ligações interestaduais, assim eu posso lhe ligar todo o dia, como prometi – e também para fugir das outras pessoas que deixou para trás.
— Não adianta você tentar me agradar agora. Foi muito difícil te deixar ir, então não me deixe mais preocupada do que eu já estou.
— Prometo não fazer mais isso.
— Então, onde você está agora?
— A alguns minutos eu estava alugando um carro, agora eu estou numa lavanderia para lavar as roupas sujas que trouxe. Só estou esperando o rapaz voltar com o orçamento, depois daqui vou fazer uma visita ao papai.
— Ele sempre me dava rosas brancas.
— Eu me lembro – um silêncio se fez. O rapaz surgiu no balcão – Mãe, o rapaz voltou, preciso desligar. Não se preocupe, pois estou bem e também estou me alimentando direito.
— Está bem, eu depositei um dinheiro na sua conta, caso você precise. Não deixe de me ligar amanhã, eu te amo.
— Também te amo, tchau.

[...]

A grama verde com algumas folhas secas era o seu plano de vista. O caminho era tão familiar, que não precisava desviar os olhos do chão para chegar onde queria, também era uma maneira de fugir da melancolia do lugar. Enquanto via as folhas sendo esmagadas, pensava em quais palavras diria, em como ia pedir desculpa pelo erro que cometeu, mesmo sabendo que não ouviria a resposta dele depois que falasse tudo.
levantou o olhar para se certificar que estava chegando. Apertou o caule do buquê de rosas brancas com mais força ao perceber que sim e respirou fundo ao parar na frente do túmulo de seu pai.

Ryan Blanc
1971 - 2009
“Pegue uma musica triste e melhore-a.”
Marido e pai amoroso
.

O aperto no peito e o choque de realidade ao ver aquela lápide, era o mesmo que da primeira vez que ela tinha a visto. Ainda tinha vontade de chorar e de sair correndo como há nove anos atrás, pois era o único lugar que tirava dela a esperança de ver seu pai novamente, porém, como na primeira vez, ela se manteve firme, sem correr e sem chorar.
Ela se curvou e colocou as flores sobre a terra.
— Oi, pai, eu voltei – Sempre foi estranho falar sozinha, mas a esperança de que ele a ouvisse junto com a imagem nítida que tinha de seu rosto na memória, fazia com que superasse o incomodo – Faz alguns meses desde a última vez que eu vim aqui, mas a boa notícia é que eu vou poder vir mais vezes de agora em diante.
“Bem, essa é a novidade, eu vou morar em Los Angeles agora – um sorriso sútil surgiu em seu rosto –, pensei que nunca teria coragem para finalmente me mudar pra cá, mas acabou que eu tive. Aquele garoto do qual eu lhe falava me pediu em casamento e então percebi que não poderia mais ficar me escondendo no Oregon.
“Nossa, você deve ter ficado tão desapontado comigo, por eu ter ido contra tudo o quero o senhor me ensinou – seus olhos marejaram e ela respirou fundo – Você sempre dizia ‘Corra atrás dos seus sonhos, minha Estrelinha. O importante é que você seja feliz’, e eu sempre soube que não era e nem nunca seria feliz lá.
“Mesmo assim eu fiquei calada, como uma inútil, fazendo a vontade de todo mundo, menos a minha e sendo uma completa vergonha pra você – duas lágrimas fugiram de seus olhos e ela precisou contrair bem as mãos para se conter – Agora eu estou formada no Ensino Médio e vou me matricular na AADA. Acho que você nunca imaginou ter uma filha atriz, mas é o que eu gosto de fazer e espero que essas minhas duas conquistas lhe façam ter pelo menos um pouquinho de orgulho de mim.
Seus punhos continuavam fechados pelo nervosismo, e até suas pálpebras estavam contraídas como se esperasse algum sinal de desaprovação. O que surgiu foi uma brisa, leve e agradável, e pôde sentir no fundo do seu coração que aquele era um sinal de aprovação, como se fosse um abraço de seu falecido pai em forma de vento. Neste momento todas as outras coisas que tinha planejado falar haviam sumido. Só três palavras sobraram em sua mente:
— Sinto sua falta – saiu em forma de sussurro, acompanhado por uma terceira lágrima.
A imagem do rosto de seu pai triste de quando ele a via chorando lhe surgiu na mente e imediatamente ela limpou as lágrimas.
— Foi bem difícil a mamãe me deixar vir – riu fraco – Desde o seu acidente ela não gosta que eu venha pra cá, por isso sempre vinha comigo, mas depois que eu expliquei para ela, ela me apoiou a vir e é muito bom ter o apoio dela. Sinto que finalmente estou deixando vocês dois orgulhosos, e a mim também.
Uma tranquilidade incomum tomou conta do coração de . Depois de tanta confusão, aquele foi o primeiro momento em muito tempo em que ela se sentiu bem.

[...]

— Finalmente você chegou. Já estava pensando que você tinha se perdido – disse quando a amiga entrou pela porta de sua casa. Ela estava sentada no sofá da sala de estar que ficava ao lado da entrada.
— Pois é, passei mais tempo fora do que imaginava. – encostou sua mala na parede e foi em direção à amiga enquanto revirava a bolsa – Fui emendando uma coisa com a outra, acabei ficando livre só agora e obrigada pela carteira – a estendeu para a amiga, que a pegou em seguida.
— Então o que você fez hoje? Deu uma de turista?
— Não muito. Eu aluguei o carro, passei na lavanderia, liguei para a mamãe e escutei um belo sermão, depois fui no cemitério. Além do tempo que gastei só dirigindo... sinceramente, tinha esquecido o quanto de trânsito tem em LA. O momento mais elegante do meu dia foi quando comi uma salada numa vasilha descartável em um banco de Santa Mônica.
— Ai, me dá um arrepio só de pensar. Como você não tem medo de pegar uma infecção comendo assim, na rua?
— Mas, , a salada foi servida na vasilha, não no asfalto – disse sentando ao seu lado.
— Você é uma ridícula mesmo – Sorriu. – Qual carro você alugou?
— Um Corolla, último modelo.
— Ahg, comparado ao seu BMW Z8, ele não é nada.
— Nem me fale – revirou os olhos –, mas os outros carros ou eram piores ou eram o dobro do tamanho – “Ou eram iguais ao carro do meu ex”.
— E então, quando vai visitar o Sr. Bruce Johnson?
— Eu liguei para ele hoje e marcamos para amanhã no primeiro horário. Preciso urgentemente liberar minha conta ou ficarei te devendo um rim.
— Rim não, prefiro um fígado porque o meu deve parar de funcionar ainda esse ano.
— Nem brinca.
— Então, vamos jantar?
— Não, eu passo. Estou esgotada tanto física quanto emocionalmente e eu ainda tenho que desfazer minha mala. Depois disso, a única coisa que eu quero antes de dormir, é um banho de banheira bem demorado com uma boa música de fundo.
— Tudo bem, então amanhã almoçamos juntas pra conversar mais sobre hoje e sobre o que o advogado vai dizer.
— Por mim tudo bem – Disse se levantando e dando um beijo no rosto da amiga.
— O seu quarto já está arrumado, é ao lado do meu, então você já sabe o caminho.
— Boa noite – respondeu indo em direção às escadas com sua mala e bolsa nas mãos.
desejou o mesmo, voltando a mexer no celular.
O caminho até o quarto foi muito automático, tanto que pelo sono, esqueceu que estava indo para o quarto vizinho de , e não para o da amiga. Depois de errar a porta e finalmente chegar ao seu quarto, ela acabou desfazendo apenas metade da mala e indo logo em seguida para seu o longo banho de banheira, que acabou demorando apenas 5 minutos, pois estava quase dormindo nela mesmo.
O sono era profundo, parecia estar tão cansada que não conseguia nem sonhar. Mas mesmo assim, uma espécie de sonho apareceu para ela. estava no mesmo lugar em que dormia, porém acordada. O cômodo estava totalmente escuro, com exceção da fina luz que fugia do corredor por baixo da porta. Roubando a atenção dela, surgiu um barulho.
Primeiramente parecia longe, como batidas numa porta, mas a cada nova repetição ele ficava mais forte e dominava o quarto. Eram passos. Passos pesados e calmos que viam do corredor. Um pé de cada vez se aproximava mais e mais da porta, ficando mais e mais alto até criar duas sombras na luz que fugia por baixo da porta. E então o click da maçaneta soa.
A porta se abre, revelando um vulto. Pela ausência de luz em sua frente, apenas dava para identificar que era um homem alto. Seus pulsos se cerraram ao olhar para dentro do quarto e ele bufou. A energia que emanava era fria e assustadora.
sabia que ele a olhava, mas seu sonho a limitava como apenas uma telespectadora. Parecia que não tinha voz para gritar ou pernas para correr, contudo, podia sentir medo e a sensação de estar em perigo era tão real que ela duvidava estar realmente sonhando.
O medo a acordou em um pulo e lhe deu a certeza de que apenas era um sonho ao ver que já era manhã. Pelo menos foi isso que pensou, até olhar para a porta entreaberta. Podiam ser só dois dedos de abertura, mas para uma porta que dormiu trancada, acordar entreaberta deveria ser impossível.
“Tenho certeza que tranquei antes de dormir” pensou, se levantando e indo até a porta. A garota não tinha certeza se deveria abrir a porta, pois parecia que o vulto ainda podia estar lá, mas a razão falou mais alto e ela teve coragem para abrí-la.
Não havia nada. O corredor estava vazio. Diversas teorias começaram a se formar em sua mente enquanto fechava a porta e trancava-a novamente.
“Talvez tenha sido a , ela deve ter uma cópia da chave” deduziu, voltando para a cama ainda desnorteada. Ao ver uma ponta de seu celular debaixo do travesseiro, sua lucidez voltou: será que não tinha passado do horário?
Contrariando o que esperava, ela não estava atrasada, mas sim adiantada. Eram 6 horas. Tinha acordado trinta minutos mais cedo. O bom é que isso lhe dava tempo para acabar de desarrumar suas malas e de tomar um bom café.
Depois de terminar tudo e se arrumar, ela desceu e foi em direção à cozinha, esperando encontrar uma das pessoas de que mais sentia saudade.
— Bom dia – deu seu melhor sorriso ao entrar no cômodo e ver a mulher cortando algumas frutas.
— Senhorita , que surpresa! – A empregada largou a faca no mesmo instante e limpou as mãos no avental ao ver a garota ir em sua direção de braços abertos – não falou que o quarto de hóspedes era para você.
A mulher já deveria ter por volta de 46 anos, com seus traços latinos sendo invadidos pelos traços da idade, como pelas rugas que revelavam o quanto ela gostava de sorrir e os cabelos brancos que já apareciam entre os outros castanhos. Seu sobrepeso só deixava seu abraço mais gostoso e sua aparência mais adorável, digno do papel de mãe que ela cumpriu a por toda sua vida, mesmo que oficialmente fosse apenas empregada da casa.
— Oh, Maria, não precisa me chamar de “Senhorita” – disse ao desfazer o abraço.
— Eu sei, mas do jeito que você cresceu, não tem mais como eu lhe chamar de pequena – Maria olhava-a de cima a baixo, encantada.
— Estou a mesma de um ano atrás.
— Ah, não está mesmo. Pode até não ter crescido em altura, mas cresceu aqui – apontou seu coração – Está diferente, mais madura, feliz.
— Realmente, muitas coisas mudaram na minha vida. Aliás, eu vou morar aqui, sabia?
— Em Los Angeles?
— Mais especificamente aqui, nessa casa – a empregada arregalou os olhos e abriu o maior sorriso possível.
— Que maravilha! Será como nos velhos tempos.
— Sim, será mesmo – sorriu boba e se sentou num banco da bancada.
— Quer me dizer o que fez você se mudar para cá?
— Bem, a história é meio confusa, mas eu tenho tempo pra contar...
— Maria, preciso que você separe o terno Azul Royal da Dolce&Gabbana para...– A voz masculina e familiar vinha do corredor e ficava mais alta à medida que ele se aproximava do cômodo, até ver e parar com uma expressão de surpresa – ? Não sabia que você estava na cidade.
Então ele com certeza também não sabia que ela estava morando em sua casa. Jordan, já tinha passado dos 50 anos, mesmo não assumindo os cabelos brancos, sua postura era séria e apenas se tornava convidativa quando convinha. A filha nada parecia com ele, com seus cabelos pretos ou sobrancelhas grossas, apenas seus olhos sedutores tinham sido herdados do pai.
— Ah, também não lhe contou? Eu dormi aqui. – Contornou com sua expressão mais inocente.
— Ela tem esse mal hábito. – o empresário olhou para a tela do celular com certa indiferença e se voltou sorrindo à sua quase sobrinha – De qualquer forma, seja bem-vinda.
Seu sorriso de vendedor de carro era muito sedutor e exatamente por isso nunca sabia dizer quando ele era sincero ou apenas educado.
— Obrigada – agradeceu sorrindo de volta.
— Maria, terno e abotoaduras de marfim para essa noite – ele completou e pegou uma garrafa térmica na ponta do balcão, que até então a garota não havia notado e foi embora sem esperar uma resposta. “Com certeza é café”.
— Tal pai, tal filha – Maria disse acabando de servir uma taça com frutas e dando a .
— Nem me fale – disse ao receber a taça e sorriram cúmplices.

Depois de mais de três horas de reunião, revezadas entre o Sr. Johnson e seu assistente – quando o chefe tinha que atender outro cliente –, com muitos papeis, documentos e ligações feitas, saiu do escritório de advocacia com a missão de voltar o mais rápido possível com o único documento que faltava para dar entrada na abertura de suas contas: A comprovação de matrícula em uma Universidade ou Academia de ensino.
Já passava de 11:30, então ela resolveu ligar para a amiga, enquanto ia em direção ao seu carro para checar se ela já tinha acordado.
Alô.
— Pelo visto você já acordou. Tô ligando pra saber onde vamos almoçar. – ela havia acabado de entrar no carro e posto sua bolsa no banco.
Sobre isso, aconteceu um imprevisto. Aparentemente o Sr. Sparks lembrou que tem uma filha. Ele me ligou há uma hora pedindo para almoçar comigo e como isso raramente acontece, eu estou indo ver sobre o que se trata.
— Tudo bem, também tenho umas coisas para fazer. Jantar então?
Claro, faz uma reserva no Catch que eu lhe encontro lá.
— Às 7?
Perfeito.
— Até às 7, então.
Tchau.
desligou o celular e ligou o carro. Era melhor aproveitar a chance parar resolver logo sua matrícula, mesmo que o almoço ficasse pra mais tarde. E foi isso que ela fez, após duas horas e meia, sua matrícula estava feita e a papelada estava entregue no escritório de advocacia. Se tudo desse certo, ela não dependeria mais do dinheiro da amiga ou da mãe em menos de duas semanas.
Finalmente pôde almoçar e, com o tempo livre, acabou voltando para a Academia para fazer um tour, afinal, precisava conhecer o lugar onde passaria os próximos dois anos de sua vida, mesmo que as aulas fossem começar apenas em 2 meses.
Era tudo encantador, o que a animava ainda mais. Após isso, a garota ligou para a mãe para que ela soubesse das novidades e não ficasse preocupada. Tentou contactar a melhor amiga também para saber se tudo tinha corrido bem no seu almoço, mas ela não atendia e nem respondia suas mensagens.
Pelo menos teve sorte, pois sua Academia ficava no centro de Hollywood, a uma quadra de um In-N-Out Burger, e passatempos não lhe faltavam até a hora de seu jantar – e pelos próximos dois anos.

[...]

19:17
Era a sétima ou oitava vez que checava sua conversa com a melhor amiga. Já faziam vinte minutos que havia chegado no restaurante e nada. se atrasar era comum, agora não dar nenhum sinal de vida durante uma tarde inteira e se atrasar sem dar alguma desculpa era no mínimo esquisito.
Por que diabos não havia salvo o número de ? Talvez ele soubesse onde ela estava. Quando estava prestes a ligar para a melhor amiga de novo, ela apareceu como um furacão, se sentando na sua frente.
— Ah, ainda bem que você está aqui – parecia surpresa e aliviada, mas também eufórica.
, eu que deveria estar surpresa de você ter vindo, você me ignorou a tarde toda – olhava-a com os olhos arregalados, procurando uma resposta, mas ao invés disso, se esticou sobre a mesa e roubou a taça de água da amiga, virando-a de uma vez.
— Que droga, por que não servem algo alcoólico aqui? – Sparks olhava ao redor, procurando um garçom.
— Talvez porque seja ilegal beber com menos de 21 anos neste país? – respondeu sem desviar os olhos dela, diferente da garota, que não mantia quase nenhum contato visual – para um pouco e me diz o que está acontecendo.
Não tinha como ela fugir disso. Fechou os olhos por um segundo e respirou fundo antes de abrí-los e começar a falar.
— Aconteceu uma coisa e não tem como eu tentar amenizar, então eu vou dizer de uma vez: Meu pai me chamou pra almoçar para dizer que ele não quer que você more na nossa casa.




Continua...



Nota da autora: Sim, eu sei que demorei para postar e também sei que esse capítulo ficou muito grande, mas muitas coisas tinham que acontecer e eu achei que não haveria cena melhor para finaliza-lo então preferi dar uma alongada. Esta liberado me odiar. Em compensação já deu para ver que a vida da nossa pp e uma verdadeira montanha russa, cheia de altos e baixos, e vocês devem ficar agoniados por isso mas só posso declarar que ainda vem muita coisa por ai.





Nota da Beta: Meu Santo Pai amado, coitadinha! Nosso pp foi um belo dum embuste eim, ai ai, quero só ver como vai se redimir, e vai ter que ralar muito pra isso porque mandou mal demais da conta!
E ainda vem esse pai da nossa amiga foder mais ainda a vida dela, não dá né. Quero só ver o que ela vai fazer agora. Manda mais, Ema, to adorando! xx

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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