Última atualização em: 03/06/2019
Contador:

Capítulo 1

Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

— O relógio está tocando de novo, Spike, vamos ter que pular agora! — dei o comando para o meu parceiro na partida, para que pudéssemos progredir na fase.
Spike, sem responder nada, pulou junto comigo para o próximo container, sem pestanejar. Há algum tempo nós jogávamos alguns jogos juntos, e éramos bons parceiros, então Spike sabia muito bem que quando eu falava alguma coisa, é porque sabia do que estava falando.
— Conseguimos, finalmenteeee! — Spike comemorou nossa ação correta, o que fez que passássemos de nível. — Arrasou, maravilhosa!
— Nós arrasamos — complementei, sorrindo mesmo sabendo que ele não poderia ver, porque estava jogando da casa dele em praticamente outro estado. Na verdade era em outro estado, já que eu morava em São Paulo e ele em Belo Horizonte.

Meu nome é e eu posso ser considerada uma girl gamer, ou gamer girl, o que você preferir.
Em outras palavras, eu era uma garota que gostava de jogar diversos jogos de várias plataformas, como por exemplo no computador, PlayStation e por aí vai.
Quer dizer, eu fazia isso nas horas vagas, quando não estava estudando, o que aliás, eu faço muito. Estava no momento fazendo cursinho integral para tentar entrar em alguma faculdade pública, mas o curso eu não havia me decidido ainda. Estava em dúvida entre Engenharia da Computação ou então Design de Games, acho que o motivo ficou meio óbvio, né?
Precisava arrumar uma bolsa na faculdade porque éramos apenas eu e a senhora em casa, ou seja, a minha querida e batalhadora mãe. Apesar de ela conseguir garantir uma vida até bastante confortável e sem qualquer problemas financeiros, ainda assim era complicado pagar uma faculdade para esses tipos de cursos, porque eram extremamente caros.
A ideia era me formar e então começar a trabalhar na área de tecnologia e, claro, sempre pensando em algo próximo do mundo gamer. Inclusive o plano que tinha agora em mente era talvez fazer Engenharia da Computação, para então fazer alguma pós em games, porque apesar de Design me chamar bastante a atenção, não era lá uma profissão bem sucedida no nível: posso me sustentar. Minha ideia nunca foi ficar rica ou coisa assim, mas independência para mim sempre foi essencial, algo que aprendi desde cedo com minha mãe.
— Preciso dar um jeito na minha vida amorosa, não posso ficar dependendo do Pedro — Spike chamou minha atenção através do áudio, em uma conversa que mantínhamos através do Discord¹. Era comum conversarmos sobre nossas vidas enquanto jogávamos.
— Ele ainda está te enrolando? — perguntei, enquanto desviava de um obstáculo.
— Eu tenho dedo podre mesmo — ouvi ele bufar do outro lado e não pude deixar de rir. Spike na verdade só arrumava pessoas maravilhosas, mas gostava de um drama.
— Não posso nem falar nada, já faz 84 anos que não troco saliva — nós rimos juntos, em parte por ser verdade, em parte pela referência ao meme do Titanic.
, você não pega ninguém por que você não quer, porque sei muito bem que têm vários na fila, várias curtidas rolam no seu Facebook e Instagram. Ai socorro! — Spike quase não conseguiu entrar em um caminho estreito da fase, ficando quase preso. — Aliás, e o Matteo, não rola figurinha repetida mesmo?
— Nem sei por onde ele anda, acho que ele foi fazer o tal intercâmbio na Austrália.
Minha vida amorosa não era muito movimentada. Pelo menos não quando comparada a do Spike, que quase sempre ficava com alguém, embora tivesse sentimentos mesmo pelo Pedro. Eu não era totalmente uma freira, mas também não gastava muito tempo com isso porque a prioridade no momento era a faculdade. E também não aconteceu nesses últimos tempos de eu me envolver emocionalmente com alguém.
— Está certa amiga, foca na business woman²! — Spike aprovou, e eu ri novamente.
Conversamos e jogamos por mais uma meia hora e depois nos despedimos, porque já estava um pouco tarde — pelo menos para mim, que tinha que acordar cedíssimo para o cursinho. Estava tão cansada com a rotina maluca, que não demorei muito para adormecer, assim que me afofei em meu universo particular que vocês chamam de cama.

@_@_@


No dia seguinte eu ainda estava uma verdadeira caca, porque eu insuportavelmente precisava de muitas horas de sono para funcionar. Antes de ir para o cursinho fiz praticamente um balde de café e enfiei tudo na garrafa térmica, bebericando durante o caminho enquanto escutava música de rock pesado para não dormir no metrô.
— O apocalipse zumbi chegou cedo demais, ainda nem me formei — me cumprimentou assim que eu entrei na sala, sentando ao seu lado.
— Ha ha ha, eu não tenho culpa que não consigo chegar maquiada às seis horas da manhã — joguei a mochila em cima da carteira, me virando para ela. — Eu te admiro e um dia serei como você quando crescer.
— Você não precisa de maquiagem e nem eu, sabe disso — ela respondeu depois de rir. — Eu venho assim por que tenho que compensar nos meus moletons confortáveis, para não ser seguida por segurança na rua.
— Que mundo merda. Simplesmente não deixam que nós sejamos quem queremos ser — fiz uma careta, e bebi mais um longo gole de café. — Você quer?
negou, ela não era muito fã de café e esse era uma das nossas maiores brigas da nossa amizade, porque eu simplesmente era uma viciada.
Mas nem sempre melhores amigas precisam gostar de tudo em conjunto, certo? Embora fôssemos bastante parecidas em algumas coisas, éramos bastante diferentes em outras. E mesmo que tivéssemos nos conhecido apenas quando começamos o cursinho, nossa conexão foi tão intensa e tão imediata que parecia que éramos amigas desde a infância.
Ela tinha os mesmos princípios que os meus, a mesma visão de mundo. E eu simplesmente achava ela a pessoa mais sensacional do mundo, com o seu propósito de mudar o mundo, tentando entrar para Ciências Sociais.
— Você já terminou de ler aquele livro do Focault? — me apressei em perguntar, porque havia esquecido de fazê-lo no dia anterior.
— Sim! É sensacional, Sophie, você precisa ler! — ela imediatamente ficou toda animada, pulando na cadeira. — Eu te empresto se você quiser.
— Mas é claro que vou querer, louca, um homão desses! — e caiu na gargalhada.
A aula então começou e ficamos em pleno silêncio concentradas em absorver toda a imensidão de matéria que se chama esse martírio que se chama cursinho, embora fosse realmente divertido com tantos professores descolados, que sempre tentavam lecionar com métodos a frente do tempo.
E era maravilhoso sempre ter algo mais a aprender, mais coisas para descobrir. Assim como a , eu vibrava em história, saber como eram as pessoas e a civilizações do passado, e como algumas coisas se refletem até hoje. Sem falar nas ciências, um universo totalmente particular. Então, embora fosse bastante difícil essa rotina de estudar muito, ao mesmo tempo era algo que eu tentava direcionar para me desenvolver, não só mentalmente, mas também como pessoa.
Bom, um dia eu chegaria no patamar da , que manjava toda essa parada espiritual bem mais do que eu.

@_@_@


Finalmente consegui chegar em casa depois do cursinho, depois de ter enfrentado o trânsito absurdo de São Paulo. Primeiro, precisava cuidar das tarefas diárias de casa: tirar o pó, passar pano e lavar a louça. Por quê? Era mais fácil assim, como sempre diziam: “o dever antes do prazer”. Para manter a disciplina necessária, para evitar conflitos com a dona da casa, ou seja, minha querida mãe, eu precisava levar esta regra a sério, ou a coisa poderia ficar feia.
Depois de terminar tudo, rapidamente tomei banho e vesti a primeira roupa confortável que vi pela frente, afinal, meu lema sempre foi conforto é tudo: uma blusinha de alças de algodão e um moletom macio cinza. Como estava com fome, fiz um balde de pipoca de respeito e me enfiei no meu santuário particular — meu quarto. A decisão de hoje foi primeiro ver os vídeos das minhas inscrições para depois começar a jogar alguma coisa.
A Cherry Sugar, umas das minhas youtubers mulheres favoritas, estava como sempre engraçada e trazendo conteúdo novo, mostrando como as mulheres podem ser fortes no mundo gamer. Como eu, ela gostava de jogos dominados pelo mundo masculino, como battle royale³ e jogos de tiros em geral. Ela era uma das minhas preferidas pela forma de conteúdo diferente que ela trazia para os inscritos, sempre procurando exibir games indies e mais diferentes para os inscritos. Além disso, eu gostava bastante do estilo dela no streaming, ela não tinha um discurso “fake” como muitos tinham, ela era naturalmente engraçada, muito charmosa a sua própria forma, porque ela não queria ser vista dessa forma. Eu bem entendia isso — o mundo gamer era tão machista ou mais que o próprio mundo, tão tóxico que praticamente obrigava as mulheres a mostrar que elas têm o tanto quanto, se não mais, capacidade que os homens e têm uma necessidade constante de se distanciar dos estigmas pejorativos de como as mulheres eram vistas, altamente sexualizadas ou então paternalista, eram vistas como algo tão “fofo, delicado” que praticamente colocavam em um pedestal, algo como a donzela indefesa.
Meu celular começa a vibrar em cima da mesa, e vejo que é uma mensagem da .


O que você está fazendo?

👾🎮
Assistindo Youtube, e você?



Haha, como sempre
Estou maratonando Avatar

👾🎮
VOCÊ COMEÇOU A VER KORRA?
DIZ QUE SIM, DIZ QUE SIM!!!


Yes girl, já cheguei na fase dela! Estou curtindo muuuito, ela é muito girl power.

👾🎮
Total girl power hahaha.
Vai me contando o que acha!


Com certeza, né, louca?
Vamos almoçar juntas amanhã!

👾🎮
Fechado! Você paga
xx



Folgada hahaha 😘

Segui então assistindo mais dois vídeos de outros youtubers, até que cheguei no vídeo do dia do , um dos youtubers gamers mais animados que eu já tinha visto nesta linda plataforma que chamamos de YouTube. Assim com a Sugar, o tinha milhões de inscritos e era bastante conhecido no mundo gamer. Muito simpático com todos os inscritos e preocupado com a galera, se curtia ou não os conteúdos e em trazer novidades. Ele costumava fazer bastante vídeos diferentes com seus amigos também youtubers, era frequente ver vídeos nos canais de todos, um zoando o outro. E eu gostava dele também porque simplesmente ele parecia ser muito fofo como pessoa. Embora ele tivesse alguns fã-clubes — sim, exatamente isso que você leu —, ele não era bonito para o padrão estético que a nossa sociedade tem. Mas para mim, ele tinha seu charme. E, pelo jeito, não era apenas eu que pensava assim.
“...Então galera, o vídeo vai ficando por aqui, e corre lá pra minha live que estou fazendo AGORA no Facebook, link na descrição! Falou!”
Meus olhos correram para o horário que ele tinha postado o vídeo, que era exatamente às 18:16. Olhei para o relógio do computador, me indicando que eram 19:23, então provavelmente ele ainda estaria lá. Rapidamente, cliquei no link indicado e fui encaminhada para uma nova aba com a live do , onde ele estava jogando junto com um amigo de bastante tempo. Eles eram bastante divertidos, me fazendo dar altas risadas em meio a gameplay, comentando sobre os adversários tirando sarro, mas sempre de forma respeitosa.
— Olha só a minha skin, olha só a minha skin, Felix! — falou animadamente.
A skin que ele se referia era o vestuário novo do seu personagem no game, que remetia a sushi, bastante divertida.
— Aí sim, cara, comida japonesa! — Felix respondeu, elogiando o visual logo depois.
— Cara, comi sushi pela primeira vez e eu tô viciadasso!
— Mano, é muito bom — Felix concordou. — Mas você foi experimentar só agora, ? Como assim? Você vivia aonde antes, em Marte?
— Sei lá gente, realmente demorei muito para provar, mas agora que comecei, não consigo mais parar — os dois riram, e eu super entendia, porque também era viciada em comida japonesa. Se pudesse, comeria tranquilo todos os dias. — Só não fui comer no rodízio hoje porque não tinha ninguém para ir comigo.
“Não seja por isso, eu poderia muito bem ir com você, , se você não morasse em Curitiba”, me peguei pensando em reposta automaticamente. Bom, seria legal mesmo poder encontrar ele algum dia, ele parecia ser um cara bacana e era muito bom em alguns jogos, poderia me dar dicas que me ajudassem mais especificamente para o meu nível.
Algum tempo depois a live ainda não tinha acabado, mas estava cansada de ver eles ganharem as partidas e fiquei animada para jogar eu mesma.
Você quer saber meu desempenho nos jogos? Bom, eu sou razoavelmente boa e… Gosto de ser modesta. Quando você leva a sério o mundo dos games, que inclusive pode ser algo lucrativo na sua vida, talvez verdadeiramente uma carreira profissional, você precisa se dedicar. Fazer bonito é muito importante, embora você não precise ganhar sempre. Conquistar dentro do jogo é essencial, e como na maioria dos jogos, você deve sempre subir de nível até virar mestre. Um mestre de respeito, que apanhou o que tinha que apanhar para chegar até lá.
Nunca tive a intenção mesmo de trabalhar com isso, como uma jogadora profissional por exemplo, mas eu gostava bastante do mundo da criação de games e simplesmente levava a sério meu hobbie.
— Filha? — ouvi minha mãe chamar, logo depois de abrir a porta do meu quarto.
— Oi, mãe — pausei o jogo e retirei só um do lado do meu headphone do ouvido. — Como foi o trabalho?
— Mesma coisa de sempre — ela revirou os olhos de uma forma engraçada. — Você comeu?
— Comi pipoca, entããão… Uma jantinha não seria nada mal! — tentei fazer uma cara de pidona como a carinha do Gato de Botas, mas ao mesmo tempo sabia que estava algo bem cara de pau.
— Isso que você tem no estômago é um portal, ? Para onde vai tanta comida e da onde vem tanta fome? — ela novamente revirou os olhos, o que foi mais engraçado ainda, me fazendo dar risada.
— Já pensou que louco ter um portal onde você iria para um planeta que só tem comida e tudo pronta? NOSSA, QUE SONHO!
— Já pensou um planeta onde todo mundo sabe cozinhar e não fica dependendo de mãe que é escravizada? — ela rebateu com a maior expressão de desafiadora com uma sobrancelha erguida, e colocou até as mãozinhas na cintura preparada para a treta.
— Eu sou uma tragédia na cozinha, não é minha culpa! — um leve drama não mata ninguém e é uma ótima forma de sair de uma discussão.
, você não pode viver só de macarrão e ovo. Precisa aprender, uma hora ou outra — mas ela nem esperou eu responder e provavelmente foi para a cozinha, para fazer o jantar.
Algumas horas depois eu já havia feito a prática diária em alguns jogos, havia jantado no quarto mesmo e como já estava próximo da hora de dormir, peguei o livro da semana para ler e esperar o sono chegar. Não demorou muito e já logo coloquei o livro no criado-mudo, antes que dormisse de novo com o livro caído na minha cara. Acredite, essa cena era frequente.

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¹ Plataforma focada para comunidade de jogos que oferece chat através de texto e voz.
² Mulher de negócios.
³ Jogos onde os participantes devem cair em algum ponto do mapa e batalharem até o final, o último jogador ganha. Normalmente são jogos constituídos de armas de fogo.


Capítulo 2

O cursinho no dia posterior foi bastante animado, tivemos aquelas famosas músicas super engraçadas para a decoreba de fórmulas e conceitos que precisávamos lembrar nos vestibulares. Subitamente, todo mundo parecia estar em um ótimo humor, mesmo tudo começando tão cedo. Por que convenhamos, quem pode ficar de bom humor acordando cedo desse jeito?
Na saída, como havíamos combinado, fui almoçar com a e acabamos indo no McDonald’s porque ela estava com vontade de comer o mais monstruoso Big Tasty possível. Talvez eu não tenha lhe contado, mas um dos pontos que logo vimos que tínhamos em comum era a comilança desenfreada que era a nossa vida. Em nossa amizade, nós tínhamos duas regras:
Primeira regra: você não fala sobre o Clube da Luta¹.
Segunda regra: nunca é tempo ruim para fazer uma boquinha.
— E a , continua enchendo o saco? — perguntei sobre a irmã mais nova de antes de dar uma mordida com vontade em meu duplo Big Tasty.
— Sempre — ela riu de leve, bebericando seu refrigerante. Embora as duas tivessem uma relação típica de briguinhas entre irmãs, mas nada que saísse de controle, as duas se amavam muito. — E putz, vou falar antes que eu me esqueça, preciso da sua ajuda para a minha fanfic!
— Minha ajuda? — repeti, surpresa. — Mas quanta honra, justo a lendária senhorita Vasconcelos das fanfics me pedindo conselhos.
— Cala a boca — ela desdenhou da importância que dei pra ela, e prosseguiu. — Então, como eu tinha te falado da última vez, nessa história existem duas protagonistas, lembra?
Fiz que sim com a cabeça, falar desperdiçava meu tempo para poder morder mais uma vez meu tão lindo e delicioso lanche. E de que outra forma poderia também degustar do sublime molho que ficava em meus dedos?
— O que acontece é que eu preciso desenvolver mais a outra protagonista, assim como a primeira que criei e não consigo, argh! — foi a vez dela dar uma mordida no lanche, no qual ela descontou toda a sua frustração. Pobre Big Tasty duplo diferenciado com adição de bacon.
— Hm-hm — fiz um som ainda mastigando, relembrando todas as informações que ela tinha me passado sobre a história.
— PÁRA DE COMER E FALA COMIGO, CARAMBA! — e no segundo seguinte minha tão especial refeição simplesmente foi arrancada de meus dedos, de um modo cruel e sem piedade.
— DEVOLVE A MINHA COMIDA, SUA TIRANA! — choraminguei, tentando pegar de volta o hambúrguer da mão dela, mas ela apenas o levava para mais longe esticando o braço para trás de si, com uma elegância invejável e desdém irritante, como se roubasse comida dos outros todos os dias. Sabendo que quanto antes eu falasse, mais rápido ela devolveria, fiz o que ela pediu. — Ok, a outra protagonista é a CEO que você tinha me falado?
— Ela mesma — concordou, falando em um tom todo profissional. Ela levava a sério suas histórias, as quais eram muito boas, aliás. — Ela tem aqueles conflitos que te falei com o par romântico dela, mas é claro que eu não quero que isso seja o conflito principal da personagem. Pensei em desenvolver algo em relação ao ofício, mas tenho receio que fique clichê.
— Não acho que vai ficar clichê se você focar nos problemas que as mulheres têm no mundo corporativo, por exemplo, — sugeri, como quem não quer nada. — Ela é uma mulher de personalidade forte, com certeza passou por muitas coisas para chegar onde está.
— É, você tem razão, toma aqui seu osso, doguinha — ela finalmente devolveu o meu lanche, que agarrei como se fosse minha vida. — Obrigada, você é uma mercenária, mas sempre me ajuda.
— Foi você quem usou de reforço positivo agora com a comida, queridinha, nãu fenha me culfar — enfiei algumas batatinhas na boca de forma dramática, como se essa ação firmasse meu ponto.
— Tão linda parecendo um Godzilla devorando uma cidade — ela riu, balançando a cabeça negativamente.
Kaiju² são lindos e vou defendê-los, ok? — e acertei bem em cheio em seu nariz uma batata frita.
Ao final do almoço fomos embora juntas pelo metrô, mas no meio do caminho cada uma foi para o seu lado, para suas respectivas casas, porque morávamos longe uma da outra, o que era bastante chato. Sempre que íamos embora juntas engatávamos vários assuntos, e eles tinham que ser temporariamente interrompidos por conta disso.

Em compensação ao dia tranquilo, os estudos para casa do cursinho pegaram pesado. Fiquei o resto da tarde toda estudando até o comecinho da noite, terminando tudo apenas na hora do jantar. Acompanhei minha mãe à mesa, e conversamos sobre o seu trabalho e as fofocas que ela tentava se manter longe dos colegas. Quando terminamos e a louça estava finalmente lavada, voltei para meu refúgio feliz e já liguei o computador para ver os novos vídeos dos meus canais preferidos.
Logo ao entrar na página inicial do YouTube, uma notificação de um novo vídeo do me chamou atenção, e sem pensar muito cliquei.

“Galera, presta atenção porque hoje eu tenho uma novidade muuuito legal para compartilhar com vocês hoje, certo? Tá preparado? Então vamos lá. Todo mundo sabe que daqui uma semana vai rolar um dos maiores eventos de games do mundo, o SGB e ELE VAI ACONTECER AQUI EM CURITIBA PRA QUEM NÃO SABE! Então, como eu sempre penso em retribuir todo o carinho e apoio que vocês me dão sempre, eu resolvi fazer o seguinte: eu vou sortear um inscrito para vir para cá aqui em Curitiba e me acompanhar nos TRÊS dias do evento, com tudo na faixa, é claro. É ISSO MESMO GALERA, o ganhador vai ficar em um quarto de hotel bacana que eu arrumei, vai poder dar rolê aqui na cidade pra conhecer e ainda ir no SGB curtir de boassa. E claro, vai poder trocar ideia comigo pessoalmente, né? Cara, eu tô muito empolgado de fazer essa premiação e…”

CARACA! Ganhar esse sorteio seria um perfeito sonho que super iria calhar, porque o SGB era um evento pago nos três dias em que acontecia, já que são diferentes atrações, convidados e não era muito barato para a minha vida de estudante. Fora que viajar para conhecer outra cidade, de graça, já valeria a pena.
Porém, eu não tinha sorte com nada. Nunca tinha ganhado um sorteio/bolão/rifa que tivesse participado na vida, mesmo só participando dessas coisas sempre para ajudar alguém. Ok, mentira, eu havia ganhado uma rifa sim uma vez na sexta série e o prêmio era um cavalo rosa e loiro…. Talvez da Barbie? Ou seja, totalmente inútil, só participei para ajudar a Ana Banana que estava precisando pagar o passeio que aconteceria naquele ano na escola.
Eu encarava a tela do meu computador, e tela me encarava de volta. Fiquei na verdade um bom tempo olhando para o vídeo, pausado logo após ele ter explicado sobre o sorteio. Várias linhas de raciocínio eu tinha em mente ao mesmo tempo, pensando nas possibilidades de ganhar, como seria se eu fosse a ganhadora e se valeria a pena ter o mínimo de esperanças.
Bom, por que não? Não tinha nada a perder com isso mesmo.
Fiz então os passos para participar do sorteio, que no caso era seguir ele nas redes sociais que ele tinha e quanto mais redes você seguisse, mais chances tinha de ganhar e precisava curtir o post que ele havia feito na página no Facebook.
Depois mandei uma mensagem para a comentando sobre, e ela ficou até mais sonhadora do que eu, porque ela sabia o quanto eu gostava do e o quanto eu gostaria de participar de um evento como aquele. Aliás, eu simplesmente enchi o saco dela falando que não tinha conseguido ir nos outros e todo aquele mimimi de gente nerd. Mas era importante para mim, poxa!
Ao final da noite consegui jogar algumas partidas com o Spike, e nem precisei mencionar sobre o , ele mesmo citou o assunto com a intenção de me avisar e aproveitei para contar da inscrição. Ele me atualizou dos novos capítulos com seus crushes na qual dei altas risadas, e marcamos a noite com mais subidas de troféus.
Fui dormir tarde por conta disso, acabamos nos empolgando em ganhar várias partidas seguidas e como estávamos nessa maré de sorte, não é bom desperdiçar.

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¹Referência ao filme “Clube da Luta” de David Fincher.
² Kaiju é uma palavra japonesa que significa "besta estranha", mas que costuma ser traduzida como "monstro" em tokusatsu — live actions de super-heróis japoneses que normalmente enfrentam todos os tipos seres bizarros e também vilões bem diferentes.

Capítulo 3

Vrr. Vrr. Vrr.
Meu celular vibrou em cima da minha escrivaninha, e logo na tela de bloqueio vi a mensagem:

Instagram: Você tem uma nova notificação.

Hoje 19:38 PM
@oficial
Hello, @rebelfoxx. É aí, como vai a vida, parceira? Eu tenho uma notícia SENSACIONAL para te dar: você foi a sorteada da vez na viagem para a SGB!!! Estou muito feliz em falar com você e já gostaria de conversar sobre como iremos fazer daqui para frente até o evento, sua estadia aqui e tudo mais que você tem direito! Hahaha.
Você se importa de nos falarmos por vídeo? Acho que é melhor para você tirar todas as dúvidas e já nos conhecermos melhor. Aliás, você tem Skype?
Vou ficar aqui esperando sua resposta, estou muito empolgado com tudo isso, velho! :D

Dizer que eu surtei foi pouco.
Que porcaria de trote é esse? Quer dizer, cara, quais eram as probabilidades? Sei lá falar em números agora, mas por mais que a gente torça para dar certo, a gente meio que já sabe que é meio difícil de acontecer. É algo como... Sabe quando você ficou o ano inteiro sem estudar e precisa fazer as provas finais? E então você se mata uns dois dias antes dela acontecer para ver se dá conta do prejuízo, mas você acorda no dia do maldito julgamento final e segue em frente totalmente em marcha fúnebre, porque as probabilidades de tirar a nota que precisa são mínimas e você já sabe que vai ficar retido por 0,5 ponto?
Era essa a sensação que eu tinha até olhar várias vezes para a mensagem, em um looping de entrar e sair várias vezes no perfil do para ver se era realmente o oficial dele, totalmente sem acreditar na cagada — e não sorte, cagada mesmo — que estava acontecendo.
A minha primeira reação — quando a ficha parecia começar a cair — foi sair correndo pela casa até encontrar minha mãe para contar pra ela, só que eu despejei tudo tão rápido que ela não entendeu nem metade do que falei.
— Mas que diabos? — ela reclamou. — Sophia, respire e inspire para evitar essa síncope, você parece um inglês com batata na boca falando desse jeito...
— EU... — fui respirando enquanto soltava as palavras. — GANHEI... O SORTEIO... — mais uma inspirada. — PARA IR PARA CURITIBA NA SGB! — e foi a minha tentativa de falar com calma em meio a toda a empolgação.
— É um desses eventos de jogos que você tanto fala? — quis saber, seu rosto se iluminando conforme a compreensão se instaurava, parecendo tão feliz quanto eu.
— SIM! É aquele de três dias que falei e que é caro para eu poder ir — e comecei a explicar todos os detalhes da promoção para ela.
Enquanto ela praticamente pulava de alegria comigo, ao mesmo tempo ela parecia incrédula com a minha sorte, porque havia explicado para ela que eu estava concorrendo junto com milhões de seguidores.
— Que legal, filha! Mas vamos ver tudo isso direitinho com esse tal de , hein? — e o modo mãe foi ativado com as preocupações. — Aliás, esse menino tem nome?
Não pude deixar de rir com essa.
— O nome dele é , e claro que vou ver tudo certinho antes, né? Eu sei que pareço uma sequelada, mas eu tenho responsabilidade, dona .
A dita cuja se aproximou e me deu um abraço, fazendo carinho em meus cabelos.
— Eu sei que tem, aliás, você sempre foi responsável desde cedo e agradeço muito por isso — ela me deu aquele olhar de cumplicidade, porque por muito tempo sempre fomos eu e ela, além de minha avó materna, até que Fred, o atual namorado da minha mãe, chegasse.
Abracei ela de volta e respondi com um sorriso, porque estava encabulada demais para falar alguma coisa e esperei que fosse o suficiente.

Depois liguei para a para surtarmos juntas e ela animadamente me ajudou a responder a mensagem que o havia enviado, informando meu Skype para que pudéssemos conversar.
— Não sei porquê — começou a dizer, em um tom pensativo enquanto eu digitava fervorosamente. — Mas ele me parece muito fofo. Com essa mensagem, então.
— Ele é muito gente boa, — concordei, e reli a mensagem em voz alta quando terminei, pedindo sua aprovação. — Ele não é o típico nerd babaca, sabe?
E descrevi mais detalhadamente as observações que havia feito acompanhando o canal dele por uns bons dez meses. Quando você acompanha um youtuber por um tempo, você começa a entender melhor a proposta e como a pessoa é, por seus comentários. Existiam youtubers gamers que era possível ver a problemática de longe: comentários e brincadeiras extremamente misóginas e homofóbicas, por exemplo. Desses eu queria passar longe, obrigada.
A bem sabia dessa minha preferência, porque eu vivia reclamando sobre isso quando descobria algum youtuber novo, muitas vezes encontrado por eu querer jogar novos jogos. Ela não era muito fã desse tipo de vídeo, mas conhecia o e até viu algum punhado de vídeos dele.
Com a confirmação da de que minha resposta estava ao menos apropriada, finalmente apertei o “send”, me sentindo ansiosa e principalmente, feliz. Como o não estava online, fiquei de atualizá-la das notícias por mensagem.
Dormir naquela noite foi uma tarefa quase impossível, com tanta informação para processar. Embora eu estivesse sentindo uma sensação muito boa, mesmo que sutilmente meio irreal até, como se eu estivesse quase flutuando, a ficha ainda não havia caído. Eu não só iria para um dos eventos mais importantes do mundo dos jogos, como iria nos três dias de duração dele! Com certeza, seria uma experiência ímpar, poderia interagir com os stands voltados aos jogos da temporada, conhecer jogadores importantes os quais eu poderia absorver o máximo de conhecimento, falar com pessoas do mundo inteiro se quisesse... Poderia rolar tanta coisa, tanta evolução em tão pouco tempo, a ideia era simplesmente muito excitante.
E foi com essa sensação boa que eu finalmente caí no sono, perdida em pensamentos entre agendas e campeonatos, viagens e preparativos…

Eu tinha a sensação de que estava quase acordando. Algum ruído, tão estridente quanto um alarme de relógio tradicional para a tarefa, ressoava pelo quarto, chegando em ondas lentas devido ao sono em meus ouvidos.

— Uma viagem de volta.
Ouvi uma voz dizendo. Eu estava confusa, não sabia muito bem onde estava, e nem com quem estava falando.
— Eu tenho que ir. Tenho que ir para lá.
— Ir aonde? — foi minha resposta automática.
— Não posso ficar.
O que? Mas não pode ficar onde? Cara, mas que merda é essa? Será que eu, sei lá, tinha ficado tão louca de algum alucinógeno que devo ter consumido em alguma balada sem querer?
Sinto algo relativamente pesado e gélido em minha mão, tem um formato redondo. Percorro, fascinada, com a ponta dos dedos sua estrutura metálica enquanto observo. Uma linda bússola, parecendo ser muito antiga, a tempo de ver o elegante ponteiro prateado rotacionando para o norte.
— Não posso me atrasar — a voz voltou a falar. Era muito suave, embora estivesse preocupada e talvez tristonha.

— Uma viagem de volta.


Foi então que o som do meu despertador deu suas últimas notas mais altas para finalmente espantar meu sono. Abri os olhos, desorientada, e tateei debilmente a mesa onde meu celular estava e pressionei o botão de volume para desligar o som infernal.
Levantei em um só impulso da cama para evitar de dormir novamente, e praticamente me arrastei para o banheiro para fazer a higiene matinal. Escovava os dentes em um movimento automático, meu cérebro ainda parcialmente dormindo, quando veio o estalo. HOJE É SÁBADO, porcaria!
Quem é o ser humano mais burro no planeta que esquece de desligar o alarme na sexta-feira? Eu, aparentemente. Odiava acordar cedo desnecessariamente, cada hora de sono a mais era tipo uma jóia rara para mim, não só artigo de capricho, mas uma necessidade também.
E daí que eu gosto de dormir? Todo mundo precisa, ok?
Terminei rapidamente de escovar os dentes e enxaguei a boca em apenas um movimento, e molhei toda a cara no processo, com a pressa de voltar para a cama. Que droga! Mas... A quem eu queria enganar? Isso não faria diferença nenhuma, era só uma questão de me enfiar novamente nas minhas cobertas confortáveis, que rapidamente eu voltaria ao meu sono de beleza.
Corri de volta para o quarto na ponta dos pés e aterrissei quase graciosamente na cama com um pequeno pulo. Aninhei-me no cobertor, enrolando-me como um casulo e fechei os olhos, suspirando, satisfeita. Só iria me preocupar com alguma coisa mais tarde. Beeem mais tarde.

@_@_@


Falar com o pelo Skype, pela primeira vez, foi como uma experiência de falar com um extraterrestre — não parecia real. A sensação era muito estranha, como se eu estivesse em um sonho nebuloso, que fazia eu me perguntar de hora em hora a mim mesma quando a ficha ia cair.
Era tão surreal, que eu talvez tenha agido e falado com tanta normalidade, porque ainda não havia me habituado a estranheza daquilo tudo. Por sorte, talvez eu tenha parecido ser uma pessoa normal. E azar o dele, a responsabilidade de me levar para lá sem uma espécie de aviso prévio, ou sei lá, test-drive era única e exclusivamente: dele. E, bom, eu simplesmente não trabalhava com reembolsos.
Até então, foi tão legal como sempre aparentou ser. Simpático, amigável e parecia se importar realmente com o que estava acontecendo. Pode parecer estranho eu estar comentando isso, mas era um medo até real de minha parte — claro que é um medo que só existia na mais remota chance de eu um dia conhecê-lo —, que tudo parecesse como uma espécie de meet & greet. Nada contra a quem paga por isso, mas parece muito que, pelo menos por parte do ídolo, a situação é tudo meio fake. E o até poderia ter dito que ele bancaria tudo, mas não quer dizer que ele não possa estar sendo patrocinado para fazer isso.
Mas ele estava comprometido com todos os detalhes da viagem. Fez questão de me explicar tudo, desde as passagens a como iria funcionar o quarto de hotel, e parecia realmente envolvido em todo o processo. Bom, não era como se ele tivesse uma assistente para essas coisas, mas vai saber.
Perguntou várias vezes se eu tinha alguma dúvida ou insegurança. Várias vezes mesmo, porque o fala freneticamente quando está empolgado, isso é visível nos vídeos e lives dele. Pouca gente consegue acompanhar ele “dando a call¹” em campeonatos, o que pode ser muito engraçado para quem está assistindo, mas talvez um pouquinho desesperados para quem está jogando com ele.
Ele até conversou brevemente com a minha mãe, até ela se convencer que ele era “um rapaz confiável”, o que não demorou muito. Quer dizer, durou bem pouco a conversa, depois que ela mencionou que um dos melhores amigos dela é um policial federal e ela não teria medo de fazer... Certas mutilações de locais BEM específicos da natureza masculina caso fossem necessárias. Ele riu tanto da situação que nem tive tempo de me sentir realmente sem graça.
Conversamos algumas vezes durante dois dias para acertarmos tudo: eu iria viajar daqui a dois dias, um dia antes do evento.
É claro que meu quarto estava um pandemônio para eu conseguir arrumar as malas, né? Infelizmente eu não fui agraciada com um dom da praticidade quando se fala de arrumação, ou um feng shui embutido (ou sei lá o que) na cabeça como algumas pessoas parecem nascer.
Porém eu tinha uma mãe empática e benevolente que se compadeceu de minha situação... Ou, leia-se: vou ajudar para tirar toda essa parafernália logo da minha casa.
— E lembre-se que lá não é sua casa e portanto não é lugar de fazer muita bagunça — dona continuava com sua sessão de conselhos pré viagem.
Levantei uma sobrancelha enquanto a encarava.
— E eu posso fazer bagunça na minha casa, por um acaso?
— Você entendeu, , quando pagar pelo seu próprio teto, você poderá colocar fogo nas suas próprias coisas, que eu estarei pouco me lixando — seu tom mudou rapidamente para um misto de algo ameaçador e displicente ao mesmo tempo, para voltar ao tom aconselhador novamente enquanto continuava com seu discurso. — Lembre-se de passar protetor solar, tome cuidado com os estranhos e se tiver qualquer problema, me ligue.
Mães. É tudo a mesma coisa, só mudam de endereço. Você pode ter quarenta anos que ainda ouvirá as mesmas ladainhas que ouvia na pré adolescência indo acampar.
— Mãe, você sabe que eu sei me cuidar — larguei minha blusinha branca meio hippie que dobrava na cama e a abracei de lado, com um sorriso afetuoso. — Mas vou sentir saudades mesmo assim.
— Você pode me mandar mensagens no WhatsApp todos os dias — ela me abraçou mais forte de volta e me deu um beijo na bochecha antes de sorrir. — Aliás, deve!

Mais tarde, quando eu já havia conseguido arrumar as malas, decidi rever alguns vídeos que eu gostava do , talvez para entrar no clima? Ou simplesmente porque estava muito ansiosa para conhecê-lo e dar algumas risadas dos vídeos engraçados dele poderiam ajudar (ou não).
Então, enquanto eu descansava meu corpinho trabalhador após tanto “exercício” fazendo a maratona dos vídeos, fui interrompida de meu solene momento de descanso pelo som de notificação do WhatsApp no meu celular.

20:02

🎤 Mensagem de voz (0:28)

Fico alguns segundos estática, olhando para a notificação. As possibilidades do porquê ele deve ter mandado esse áudio passam rapidamente por minha cabeça, mas resolvo ouvir logo para não postergar a expectativa e pressiono o play.

“E aí, , tudo bem contigo? Então, eu estava pensando aqui que nós já combinamos tudo sobre a viagem, meeenos sobre o que vai acontecer quando você chegar no aeroporto!”. Ouço ele rir brevemente. “Eu poderia te buscar, se você quiser, já que tenho carro. Ou então, se você preferir, você pode pedir um Uber ou táxi, sei lá, caso você queira ir direto para o hotel. Você quem manda, beleza? Me avise quando puder para eu já deixar tudo certo, tudo bem? Um abração!”

Ser recepcionada no aeroporto de uma viagem incrível, por um dos meu youtubers favoritos? Esse COM CERTEZA era o MEU momento.

👾🎮
Wow, com certeza! 😜
Seria uma honra ser recebida por vossa senhoria haha.
Mas tem certeza que não irei incomodar?



Aeee!
Será um prazer levá-la até meu palácio, alteza ;)
De modo algum, na verdade estou muito feliz em poder conhecê-la.
Sempre fico muito empolgado em conhecer os inscritos 😃

👾🎮
Imagino, deve ser incrível mesmo.
Também estou empolgada, ansiosa para o evento e também te conhecer.
Não é CCXP, mas vai ser épico! 💓
Obrigada por tudo, Clash.
Boa noite, beijos!



Você vai adorar o evento, com certeza.
Espero que curta a cidade também.
E, é claro, eu também sou legal hahaha.
Não precisa agradecer, qualquer coisa que precisar, só chamar.
Boa noite, bons sonhos! 😘

Terminei de ler a mensagem sem poder evitar um sorriso no rosto, me sentindo realmente divertida. Deuses salvem o senso de humor, que não só eu como também era adepto.
Pelo que pude conhecer dele nesses dois dias, acho que não será nada difícil acompanhá-lo durante os três dias do evento. É claro que eu não o conhecia profundamente, mas já dava para ter uma noção das primeiras impressões e ele parecia corresponder a imagem que tem, a qual pude perceber sendo construída desde que acompanho o canal dele. Porque, sei lá, seria uma decepção enorme descobrir que, talvez, pessoalmente, ele seja um escroto. A admiração com certeza iria para o ralo e o sonho de poder jogar com ele também, e seria um youtuber a menos para assistir. Então eu realmente esperava que ele fosse simplesmente esse cara legal, e que pudéssemos ter apenas um tempo legal juntos: uma experiência bacana, como diria a .
De tudo isso, uma certeza eu tinha: eu iria aproveitar daquela primeira viagem da minha vida o máximo que puder. Curitiba que se prepare, porque aqui vou eu!

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¹Termo utilizado por jogadores em geral, em uma partida contra inimigos. Significa passar para os companheiros na partida informações importantes dos inimigos, como: localização, qual tipo de equipamento está usando ou estratégia, etc.




Continua...



Nota da autora: Hello, pessoas lindas! Espero que estejam todos bem ??
Parece que nossa querida menina gamer tirou a sorte grande dessa vez, hein? Estão todas animadas para a viagem? Mal posso esperar para sabermos o que ela vai aprontar em Curitiba hahaha.
E o que será que esse sonho todo misterioso significa?
Estive um tempo com a fic sem escrever porque minha vida estava uma loucura, mas já estamos voltando aos poucos \o O que eu pretendia era fazer uma att dupla, mas como já tinha o capítulo 3 pronto, já enviei para vocês.
Espero que gostem! E ah, não esqueçam de deixar seu comentário!

P.S.: caso queiram perguntar algo sobre a fic, podem me procurar pelo Ask ou Facebook.

Beijos de luz da Lou ??



Nota de Beta: Que coisa maravilhosa, hein? Que amor esse , espero que essa viagem seja maravilhos. Acho que esse sonho era empolgação demais pelo evento. Até eu ficaria desse jeito. Amei esse capótulo, Lou. Quero mais logo.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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