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Última atualização: 20/01/2017

Prólogo


Eu queria entender porque Diabos eu fui me apaixonar por aquele garoto.
Não é só porque ele é lindo, perfeito, com um físico de Deus Grego, um sorriso que faz todas as células do meu corpo se derreterem como se estivessem sendo postas num caldeirão fervendo e uma risada que mais parece um latido rouco, que faz todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.
Não, não é só por isso.
É porque todas as vezes que ele passa por mim, ele dá aquela piscadinha sexy e exibe aquele sorriso que faz minhas pernas bambearem e meu coração acelerar loucamente dentro do peito.
É porque sempre que ele fala comigo, ele passa a língua por aqueles lábios perfeitamente contornados e faz meu estômago afundar como se eu estivesse mergulhando no lago negro em pleno inverno.
É porque quando ele esta concentrado nas aulas, ele inclina a cabeça sobre o pergaminho e aqueles cabelos negros como a noite ficam caindo sobre os lindos olhos, fazendo ele balançar a cabeça de maneira engraçada enquanto tenta se livrar dos fios de cabelo.
É porque ele nunca me chama de Marlene, mas sempre de um “Lene” tão carinhoso que faz meu coração se inchar e meus olhos brilharem como se fosse possível sair bolhas em formato de coração dos meus lábios, quando eu sorrio abobalhadamente.
É porque ele faz eu me sentir uma idiota.
Uma idiota apaixonada.
Idiota que passa horas observando-o quando ele esta distraído demais pra me notar.
Idiota que passa aulas e aulas desenhando corações e a letra “S” nas bordas do meu livro-texto.
Idiota que precisa parar de sonhar tanto e fazer alguma coisa antes que alguma protótipo de verme cega oferecida fique com ele de vez.

É por isso que eu, Marlene Mckinnon estou, oficialmente, a partir de hoje, deixando de ser idiota, pra me tornar a garota que vai conquistar Sirius Black.

Ok, essa pode não ser uma tarefa fácil, mas só há uma maneira de descobrir: Tentando.
E eu não vou desistir, até conseguir.


Capítulo Um


Você já deve ter ouvido por aí coisas do tipo, “seja você mesma e ele vai se apaixonar por você” ou “não mude quem você é”, e coisas assim, pois é, essa é uma das coisas que eu deveria ter aprendido desde o começo, e eu sei que muitas de vocês que estão lendo isso, também vão aprender um dia, se ainda não aprenderam, não é?
Mas uma coisa é certa, não importa quantos sábios conselhos ouvimos durante nossa agitada (ou seria sofredora?) vida de apaixonadas, nós nunca vamos acreditar de verdade no que nos disserem, e não vamos fazer nada do que nos digam pra fazer, vamos, como sempre, ouvir nosso tolo coração, cair de cabeça na paixão e nos dar mal no final.
Pelas barbas de Merlin, eu te digo, conquistar um homem é muito mais difícil do que escolher entre sapos de chocolate e uma cerveja amanteigada no inverno, mas não se desespere, eu vou te ensinar os passos básicos de como se conquistar um homem, seja ele Grifinoriano ou até mesmo Sonserino, eles são, no fim, todos iguais.

- O que toda mulher inteligente deve saber –
Você pode mudar o jeito de se vestir, mas isso não vai mudar quem você é, no fim, é por você, não por sua aparência, que ele irá se apaixonar, mas isso não quer dizer que você não precisa caprichar no visual para impressioná-lo.

"É muito tênue a linha entre impressionar um homem e assustá-lo."



Sirius Black era um galinha. Na verdade, Sirius Black é um galinha, daqueles que anda pelos corredores do castelo com um sorriso estupidamente galanteador, sabendo que a cada cinco meninas que passam por ele, seis morrem de amores por ele. Talvez seja por isso que ele não faz a mínima questão de perceber quem está ou não na dele, ou quem ele quer realmente ou não, porque ele simplesmente age no automático quando o assunto é garotas: Elas ficam em cima dele e ele escolhe a dedo quem ele vai sair ou não no fim de semana, ou durante a semana, isso quando ele não esta cumprindo detenção com seus melhores amigos, James Potter e Remus Lupin.
Sirius Black é um obtuso, pra ser mais especifica ainda, que na verdade não faz nada além de azarar todo mundo, se exibir em sua vassoura linda e lustrosa e pegar todas as protótipos de verme cego pelo castelo.
Não, eu não odeio ele, mas acho que ando ouvindo demais minha melhor amiga, Lilian Evans. Pois é, eu ouço ela falar isso do seu “adorável” admirador James Potter o tempo todo, e o mesmo de Sirius, e daí muitas vezes eu penso que ela tem realmente razão.
Bom, sendo honesta comigo mesma, ela tem, mas o que se pode fazer quando você ama um cara desses?
Não dizem por ai que a gente não manda no coração? Que o amor é cego? Que quando se ama não se vê os defeitos da pessoa? Pois é, maldito amor, que deixa a gente estupidamente idiota e burra. Afinal de contas, quem foi que inventou o amor? Com certeza era alguém que era correspondido.
Ok, o amor é mesmo lindo, ele faz a gente sentir coisas que você nunca sentirá na vida, se não estiver apaixonada: Sonhar acordada, achar o mundo lindo e cor de rosa e todas as coisas vivas ou mortas extremamente encantadoras, sorrir até mesmo quando tudo esta péssimo, suspirar a cada cinco segundos, pensar exclusivamente em uma única pessoa trinta horas por dia, ouvir música sorrindo, ler sorrindo, pensar sorrindo, comer sorrindo, andar sorrindo e até dormir sorrindo. Sem contar que você acha tudo que a pessoa faz lindo, até mesmo a coisa mais estúpida e idiota do mundo.
É, o amor é mesmo uma desgraça.
Principalmente quando você não é correspondida, ou quando você não faz idéia se a pessoa sente alguma coisa por você ou não, ou pior, se ela te nota ou não, ou sabe quem você é ou não. Tudo bem, estou sendo exagerada, é obvio que Sirius Black sabe quem eu sou, mas eu acho que não como eu sei quem ele é.
Eu sou Marlene Mckinnon, a Grifinoriana que estuda com ele há quase sete anos, a garota que é amiga do melhor amigo dele, James Potter, a garota que, quando ele está em detenção ou aprontando alguma coisa pelo castelo e perde alguma aula, passa todas as anotações para ele, a garota que é amiga da paixão de James Potter e que ele tem que ver o amigo chamar pra sair todas as vezes em que vê a ruiva.
Essa sou eu, para ele, Marlene Mckinnon, ou melhor dizendo, “Lene”, a Lene que ele pisca e sorri lindamente todas as vezes que ele me vê, e mesmo me amolecendo absolutamente todas as vezes que ele faz isso, mesmo se ele fizer duzentas vezes ao dia, eu nunca entendi muito bem por que ele faz isso. Na verdade, eu não consigo entender nada sobre esse garoto. Sou só eu, ou todas as garotas não conseguem entender os garotos?
Bom, eu tenho a leve sensação que eles fazem as coisas simplesmente por instinto e não tem a menor noção do que realmente causam nas meninas, desde que eles consigam ficar com elas depois.
Garotos.
Eu revirei os olhos a esse pensamento e suspirei. Aquela aula era extremamente ótima, me fazia pensar em toda minha vida. Sabe aquelas aulas que você fica completamente entorpecida e toda sua vida passa diante dos seus olhos? É, Historia da Magia é exatamente assim, sinto como se estivesse numa daquelas coisas de terapias trouxas, como diz a Lilly, todas as vezes em que assisto essa aula, não que isso seja ruim, mas só me faz pensar ainda mais nele, se é que isso é possível.
Aliás, para completar toda a cena, ele sempre senta uma ou duas carteiras a minha frente, o que na verdade eu acho maravilhoso, mas péssimo. Como eu vou esquecer esse garoto se eu o vejo na minha frente o tempo todo? Ele e aqueles cabelos negros brilhosos e lindos. Ok, se eu não soubesse que ele realmente adora mulher, eu acharia que ele é gay, porque o cabelo dele é realmente lindo. Não que eu ache que ele cuida do cabelo, ele não é o tipo de garoto que passa tempo demais se cuidando, sabe, no máximo ele passa as mãos pelos cabelos depois do banho e eles ficam daquele jeito, extremamente lindos e sexy, como ele todo é. Sem falar naquelas costas definidas, que Merlin do céu, é tão difícil me concentrar com um cara desses na minha frente.
Mais uma vez suspirei, dessa vez observando aquelas costas que dava para ver parte de sua boa definição pela camisa branca que ele usava, camisa branca com a gravata vermelha do colégio que eu sei que estava super malfeita no pescoço, o que o deixava ainda mais perfeito.
Merlin, francamente, eu preciso parar de achar esse garoto tão perfeito, talvez ele nem seja tudo isso.
Pela terceira vez eu suspirei, o que dessa vez, causou uma feição feia da minha amiga Lilian Evans, sentada ao meu lado.
Ok, Lilly, eu juro que vou tentar parar de pensar nele. Eu disse, tentar.
― Você devia parar de ficar sonhando com esse garoto e prestar atenção na aula, Lene, os NIEM’s estão chegando.
Lilly e sua mania de achar absolutamente tudo importante para os NIEM’s, até mesmo o que a gente comia no jantar. Honestamente, eu já to cansada de ouvir falar nesses NIEM’s. Ô coisa chata, será que não sabiam que quanto mais pressão, menos a gente faz as coisas direito?
― Eu não estou sonhando com ninguém, Lilly. – Eu dei o meu melhor sorriso ingênuo, o que obviamente não enganou a Lilly e nem a Emme, minha outra melhor amiga. Éramos quase um trio fantástico, isso quando a Alice passava tempo demais com o namorado Frank, nos demais tempos, éramos o quarteto fantástico, ou pelo menos, achávamos ser.
— Vai ver ele te acha feia.
— O QUÊ? – Ela só podia mesmo estar brincando, mas pela cara risonha da Emme, eu sabia que era brincadeira, se bem que... Será?
Desesperada olhei para mim mesma, tentando ver se conseguia achar alguma coisa de errada que eu já não soubesse que existia em mim, mas até onde eu podia ver, estava tudo como sempre fora, e eu sempre achei tudo muito bem, aliás, então porque motivo ele me acharia feia?
Fechei os olhos e bati a cabeça sobre a mesa onde estava o meu livro-texto, tentando colocar os pensamentos no lugar. Às vezes falar de Sirius Black fazia meus neurônios se agitarem como diabretes livres.
― Pode ter certeza, ele não te acha feia, Lene. – Não precisei abrir os olhos para saber de quem era aquela voz.
― Então porque Diabos ele nunca me convidou pra sair?
― Eu já te disse que você deveria ficar feliz por isso, Lene, afinal de contas, ele não vale um níquel pisoteado por centauros, assim como o amiguinho dele, o Potter.
Lilly e o Potter, um caso a parte que uma hora talvez você vá entender, eu já desisti, por isso mesmo eu reviro os olhos e olho torto na direção dela, lançando meu melhor argumento que com certeza vai deixar ela vermelha como os cabelos, de raiva.
― Lilly, você sabe que eu morro de amores por ‘você-sabe-quem’ e isso significa que eu também quero sair com ele, assim como você tem vontade de sair com o Potter.
Lilian bufou irritada enquanto Emmeline Vance caia na risada. Eu e Emme tínhamos nosso jeitinho carinhoso de provocar a ruivinha, como o James a chamava.
― Você morre de amores por você-sabe-quem? – Emmeline, brincando, me olhou estranhamente, me fazendo revirar os olhos. E lá vamos nós.
― Emme! – Emme riu. ― Eu só queria saber se eu sou uma mera mortal insignificante demais pra ele. – Suspirei, cruzando os braços sobre a mesa e apoiando o queixo sobre o braço enquanto observava sonhadoramente os cabelos negros de um certo maroto mais a frente.
Era perfeitamente perfeito olhar para ele, não importasse como fosse, onde fosse e quando fosse, eu sempre me perdia em pensamentos quando olhava demais pra ele. Era como se ele me fizesse perder noção do mundo em si, como se nada mais importasse, apenas ele, ele e aqueles cabelos negros caídos displicentemente sobre aqueles olhos azuis acinzentados que agora se desviavam do pergaminho e vira-se para olhar em minha direção, ele e aquele sorriso que agora sorriam, enquanto ele olhava pra uma Marlene abobalhadamente sonhadora: Eu, que só me dei conta disso quando aquela voz perfeita ecoou em meus ouvidos.
― Ta tudo bem, Lene?
Dei um pulo na cadeira, saindo do meu transe e fazendo-o rir, enquanto eu tentava idiotamente disfarçar, ou seja, estava ferrada.
― Ahn, ah, é, tá, eu só tava, er, eu tava...
― Ela tava tentando chamar sua atenção pra dizer que já terminamos de usar as anotações de vocês. – Disse Lilian, pegando um pedaço de pergaminho e esticando-o a frente.
Santa Lilian Evans.
― Ah, beleza. – Ele levantou-se da mesa e caminhou galantemente até a mesa de Lilly, pegando o pergaminho para em seguida me matar do coração, parando a minha frente, aquele cheiro delicioso da colônia dele invadiu todos os meus sentidos que foi até difícil raciocinar. Como ele fazia isso?
― Olha, tem um bichinho no seu cabelo. ̵ Levei mais de alguns segundos para entender o que ele dizia, já que estava entorpecida demais pela presença e aquele cheiro dele que, quando senti a mão dele em meu cabelo e compreendi as palavras dele, dei quase um pulo na cadeira, quase caindo da mesma, fazendo-o rir ainda mais e tentar carinhosamente segurar minhas mãos, que automaticamente foram aos meus lindos cabelos negros como a noite.
― UM O QUÊ? AI, MEU MERLIN, TIRA, TIRA. – Ele riu, aquele riso que mais parecia um latido, enquanto suas mãos quentes seguravam minhas mãos, afastando-as dos meus cabelos. Naquele momento nem dava pra saborear a sensação das mãos dele nas minhas, afinal de contas, tinha um bicho no meu cabelo, Merlin, por que essas coisas sempre acontecem comigo?
― Calma! Calma, Lene, deixa eu tirar pra você. É só uma joaninha. – Sua voz risonha me acalmou enquanto sentia a mão dele carinhosamente nos meus cabelos para em seguida abaixá-las, mostrando um bichinho pequenino vermelho sobre a palma de sua mão.
Ufa. Era só uma joaninha, um escândalo todo desses por causa de um bichinho minúsculo, que vergonha! Que susto! Que mãos!
― Dizem que joaninha da sorte.
Ele riu roucamente sexy e, depois de colocar a joaninha sobre minha mesa, piscou, se virou e se foi, lindo e perfeito para sua mesa, deixando uma Marlene estática, extasiada e entorpecida demais pra dizer qualquer coisa, enquanto observava aquele ser perfeito que parecia de outro mundo.
― De nada. - Disse Lilian, voltando os olhos para o pergaminho e anotando alguma coisa sobre a aula, enquanto Emme reprimia uma risadinha.
Eu estava ferrada. Completamente ferrada.

— Alou, Terra chamando.
Levei um susto quando ouvi a voz de Emme no meu ouvido. Parece que eu tinha dormido na aula ou então aquela imagem do Sirius ainda permanecia na minha memória, me deixando com a maior cara de boba... Boba apaixonada.
― Acho que você devia mesmo parar de sonhar e começar a agir, ficar sonhando não vai te fazer conquistar esse menino.
Emme sempre tinha razão.
Eu odiava muitas vezes o fato de minhas melhores amigas sempre terem razão. Ok, eu não odiava, mas sabe quando você já sabe que elas tem razão e mesmo assim elas insistem em te fazer aceitar aquilo?
Todo mundo sabia que eu nunca iria tentar conquistar Sirius Black. Pra que insistirem?
― Se ele não me notou até hoje, não sei por que começaria a notar agora. – Eu disse simplesmente, tentando acabar logo com a conversa, mas que obviamente não consegui, essas meninas são tão previsíveis.
― Ele é um obtuso, Lene, só enxerga o que esta na cara dele, se você não mostrar pra ele quem você realmente é, ele nunca vai notar.
― É por isso que ele só sai com aquelas oferecidas, porque elas ficam em cima dele vinte e quatro horas por dia e ele não é tão obtuso assim.
Completou Emme e eu mais uma vez suspirei, dessa vez não sonhadoramente.
Acho que elas nunca vão mudar o repertorio até eu concordar, não é? Pois então, resolvi concordar, pela primeira vez na vida, só para ver o que elas fariam.
― Tudo bem, digamos que eu tenha que fazer ele me notar, como vocês acham que eu deva fazer isso?
As duas desviaram os olhos do pergaminho para me encararem e eu sorri amarelo. Elas realmente acreditaram que eu estava interessada.
Bom, talvez eu estivesse, talvez fosse interessante ouvir essa nova teoria delas, e quem sabe elas não tivessem uma idéia interessante, porque, convenhamos, elas tinham razão, ele só enxergava o que estava estampado na cara dele, e se ele não me enxergara como eu queria até então, talvez eu devesse mesmo fazer alguma coisa, afinal de contas, aquele ano era minha última chance.
Pela primeira vez em quase sete anos, eu vi Lilian Evans largar a pena e esquecer o pergaminho onde ela devia anotar as coisas mortíferas que o professor Bins dizia e me encarou empolgada. Ela e Emmeline.
― Bom, você não pode ser ousada demais. – Começou Lilly.
― Não, Lilly, ela tem que ser ousada, ela tem que fazê-lo notá-la. Acho que devíamos começar pela aparência. – Disse Emme, empolgadíssima.
Emme era, com certeza, a garota mais bem vestida de Hogwarts, e isso porque todo mundo usava praticamente a mesma roupa, mudando apenas os brasões de cada casa, mas ela conseguia ser lindamente fashion, e se ela estava pensando em me transformar numa cópia dela, eu estava seriamente pensando que estava entrando no barco errado e que ele iria afundar.
― Não tem nada de errado com minha aparência. – Tentei rapidamente cortar o barato dela. Mas já era tarde demais.
― Ah, Lene, não me leva a mal, mas esse cabelo estilo hipogrifo lambeu de sempre e essa carinha pálida de sou-irmã-do-Nick-Quase-Sem Cabeça, não atrai muitos caras, sabe.
― Hey! – Eu tentei mostrar-me ofendida. Não que eu realmente estivesse, mas tudo bem, ela exagerou um pouquinho, não é? Eu não sou tão Nick Quase Sem Cabeça assim. Ou sou? Ok, ela esta me deixando paranóica.
― E a partir de amanha, não sentaremos mais atrás dos marotos, seremos as primeiras de todas as aulas. – Disse Lilian, empolgada. Ela realmente estava empolgada, empolgada até demais. Merlin, eu sinto que estarei perdida no final de todas essas idéias malucas.
― Hey, mas como eu vou... – Elas não me deixam nem terminar.
― Não, você não vai mais ficar babando que nem idiota por ele, vamos fazer ele babar que nem idiota por você.
― Eu não fico babando que nem idiota por ele. – Tentei me defender. Tentei. Tentar nem sempre é conseguir.
As duas reviraram os olhos e eu fechei a cara.
― E, pra completar, depois disso tudo, você vai começar a conversar mais com ele, mas sendo mais sensual, sabe.
Sensual? Ok, agora sim elas estavam pirando de vez. Eu, Marlene Mckinnon, sendo sensual? Era uma piada, certo? Esperei elas rirem. Mas elas não riram.
― Sensual? Sério? – Eu ri, tentando fazer elas rirem, mas não adiantou. - Não está mesmo falando sério, né, Emme?
― Lene, você precisa deixá-lo instigado, fazê-lo te notar, ver que tem algo a mais em você que ele não via e querer conhecer esse algo a mais.
― Que algo a mais? – Eu tentei, estava ficando apavorada. Sério.
― Merlin, realmente ela combina com ele, santa lerdice.
Eu fechei a cara mais uma vez e as duas reviraram os olhos.
― Faça o que a gente esta dizendo, ok? E deixa que o resto vai acontecendo.
― Só não faça nenhuma burrada. – Completou Lilly e eu abri os lábios, levemente indignada. Ela estava me chamando do quê? De burra ou de lerda, ou os dois juntos?
Ok, deixa isso pra lá.
― Tudo bem, mas se eu me ferrar nessa história toda, vocês me pagam. – Eu ameacei, mas acho que foi sem muita convicção, porque elas riram, enquanto Emme passava a mão pelos meus ombros, me abraçando.
― Marlene Mckinnon, a partir de agora, você está entrando no estágio um do plano: Conquistando SB.
Eu olhei para ela pelo canto dos olhos e franzi a testa. Elas estavam realmente levando aquele lance todo a sério e aquilo estava realmente me apavorando.
Eu só espero sair viva dessa história.

***


Alguma vez na vida você já se sentiu completamente idiota só para agradar suas amigas? Pois vocês estão olhando para uma garota que está se sentindo assim nesse momento.
Eu estava em frente ao espelho no quarto que eu dividia com a Lilly, a Emme e a Alice. Elas haviam me acordado bem antes do horário normal só para me arrumarem para o que elas chamavam de Primeiro Dia Do Estagio Um, e eu já mencionei que estou ficando apavorada? É, eu acho que sim. E tudo isso porque eu sei exatamente como essas duas são quando colocam uma coisa na cabeça, só um milagre faz elas esquecerem.
E lá estava eu, vestida com o uniforme comum do colégio, meu sapatinho de boneca, meias finas, que na verdade eram bem grossas por causa do frio, a sainha de pregas, a camisa branca com mangas longas, meu coletinho preto da Grifinória e um cachecol vermelho. Estava linda.
Ok, eu fui irônica. Não que eu realmente estivesse feia, é só que aquilo tudo era um exagero para mim, pra que usar saia naquele frio? Eu tinha certeza que mesmo com aquela meia grossa eu iria morrer congelada. E será que elas tinham esquecido que tínhamos aula de Herbologia naquele dia? Isso significava que eu ia ter que descer naquele frio até a estufa com aquela roupinha minimamente Sonserina de ser, porque aquelas meninas riquinhas da Sonserina pareciam nunca sentir frio e usavam saia em todas as estações do ano. Ridículas.
Ok, voltando ao meu Look Estágio Um De Conquistando SB - que nominho mais estranho desse plano, né - pra completar tudo aquilo, não podia faltar a produção dos cabelos e do rosto.
Lilly escovou tanto meus cabelos que eu achei que eles iriam cair e eu ficaria careca, o que obviamente não me faria conquistar o Sirius. E a Emme me maquiou, sombras num tom dourado claro, lápis nos olhos, blush de leve nas bochechas para me tirar aquela cara de irmã do Nick Quase Sem Cabeça, segundo ela, máscaras nos cílios e um batom levemente escuro, mas nada forçado.
Quando elas terminaram de me arrumar e eu me encarei no espelho, juro que tive que me concentrar para não perguntar ao reflexo: Oi, você é nossa nova colega de quarto?
Aquela não era eu, e nada daquilo fazia sentido para mim.
― Tem certeza que isso tudo é realmente necessário? – Eu encarei elas pelo reflexo do espelho, afinal, elas estavam atrás de mim olhando, admiradas, o trabalho delas. – Eu quero que ele goste de mim como eu realmente sou e não essa palhaça da corte.
Emme fechou a cara e Lilly revirou os olhos.
― Lene, ele vai gostar de você por quem você é, isso é só pra chamar a primeira atenção dele. – Me disse Lilian. Ela realmente encarnou no plano da Emme, tanto que estava falando igualzinho a Emme. Assustador.
― Exato! E depois que ele realmente te notar como queremos, daí você conquista ele com todo seu jeitinho de ser.
Jeitinho de ser? Eu não tenho um jeitinho de ser.
Eu espero que elas estejam falando a verdade e não querendo apenas criar falsas esperanças em mim.
― Eu juro que se eu fizer papel de palhaça assim, pra nada, eu jogo vocês pra lula gigante comer no jantar.
Pronto, ameaça feita. Agora era encarar Hogwarts inteira daquele jeito. E eu ainda me sentia uma palhaça da corte.

***


Quando adentrei o salão comunal e me sentei à mesa, algumas pessoas viraram o rosto para me encarar. Eu aposto como eles também estavam pensando a mesma coisa que eu: Palhaça da corte, palhaça da corte, palhaça da corte.
Ok, respira e finge que está tudo normal.
Mas eu não consegui respirar. Quando olhei em direção a porta do salão principal, eu o vi caminhando com James e Remus.
Merlin, como ele estava lindo. Calça social, uma blusa de frio de lã preta com golas altas, afinal, aquele começo de novembro estava metade da semana frio de morrer e a outra metade calor de derreter, vai entender; mochila nas costas, os cabelos caídos displicentemente sobre os olhos e aquele sorriso perturbadoramente encantador nos lábios. Eu já disse que os lábios dele são lindos? Que os dentes dele são lindos? Que a voz dele é linda?
Voltei a mim quando senti uma cotovelada de Lilian, sentada ao meu lado. Provavelmente ela percebera a minha cara de “babando idiotamente em Sirius Black”.
Ele veio caminhando em minha direção. Meu coração disparou e eu agradeci a Merlin por estar sentada, pois as minhas pernas bambearam completamente.
― Oi, Lene. – Ele parou perto de mim e de Lilly com James ao seu lado, enquanto Remus acenou com a mão e continuou até achar um lugar vago na mesa. Eu sorri, tentando não parecer idiota.
― Oi, Six. – Eu era a única garota em todo o castelo que o chamava assim e eu nunca mudaria, afinal, aquilo era uma coisa que poderia não deixá-lo me esquecer nunca. Doce ilusão.
― Nossa, você tá linda! – Ele disse, sorrindo sinceramente, não aquele sorriso charmoso de sempre, mas aquele sorriso natural, era um dos sorrisos que eu mais gostava.
Já comentei que ele tem uns onze tipos de sorrisos diferentes?
Eu suspirei e fui desperta novamente por Lilly, dessa vez com um pisão no meu pé. Devo dizer que ela sabe ser super delicada quando quer.
― Ah, obrigada. – Eu sorri sem jeito e reparei que ele ficou me olhando, sorrindo daquele jeito que fazia meu estômago revirar. Acho que jantei borboletas e elas estão voando dentro de mim como se estivessem num jardim florido, e eu e Sirius Black estivéssemos correndo de mãos dadas pelos gramados enquanto os raios de sol do entardecer batiam contra nossos rostos, sorridentes.
Eu estava novamente sorrindo idiotamente, mas dessa vez não foi preciso Lilian me despertar, porque quando James deu uma cotovelada em Sirius o despertando, eu realmente pensei que estávamos desfrutando da mesma fantasia.
Doce ilusão.
― Ah, eu vim te pedir um favor. Será que você pode me ajudar com o trabalho de poções amanhã? Vou cumprir detenção hoje e não vou ter tempo de pesquisar.
Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça, como ele sempre fazia quando ia me pedir alguma coisa. Às vezes eu achava que ele ficava sem graça de me pedir qualquer favor, mas não tinha outra pessoa para pedir, já que James estava em todas enrascadas deles e Remus sempre negava ajuda quando eles aprontavam sem motivo.
E eu, como sempre, assenti, sorrindo, enquanto ele piscava daquele jeito sexy e perfeito e sorrindo, dizia, “Valeu, Lene”, antes de ir com James até onde Remus os esperava.
Dessa vez eu suspirei a vontade enquanto voltava os olhos para o meu café da manhã, sendo observada, e eu sabia disso, por Lilly e Emme.
― Viu só, ele já notou como você está diferente de sempre. – Comentou Emme e eu sorri.
Sabe de uma coisa, eu me vestiria de palhaça da corte todos os dias da minha vida só pra ouvir ele dizer mais uma vez “Nossa, você tá linda!”.
Com isso, eu suspirei e sorri abobalhadamente.
Eu adorava a maneira como ele me fazia sentir idiotamente feliz.

***


Ok, o plano parecia estar indo muito bem, e eu estava realmente começando a gostar desse lance de Estágio Um Do Plano Conquistando SB, e tudo isso porque aquela frase linda que saiu dos lábios dele no café da manhã me acompanhou o dia todo, durante todas as aulas. Acho que ele nunca repetiu tanto isso como repetiu na minha cabeça.
Senti vontade de rir com aquilo, mas apenas sorri, enquanto sentada na segunda mesa da aula de transfiguração eu sentia estranhamente uma quentura na nunca, como se alguém estivesse me observando o tempo todo.
A vontade de me virar e olhar pra ver se ele estava me olhando era grande demais, e eu já tinha resistido a essa vontade mais do que conseguia, mas não porque eu queria resistir, mas porque Lilly e Emme não me deixaram virar pra trás, ameaçando que me trancariam no dormitório na próxima visita a Hogsmeade só pra eu não comer nenhum sapo de chocolate, o que era muita injustiça já que eu sou completamente apaixonada por chocolate, talvez até mais do que sou por Sirius Black... Na verdade, era um páreo muito grande e por isso eu estava naquele conflito interior cruel: Sirius Black ou sapos de chocolate? Droga.
Não aguentei mais e virei o rosto para trás, fingindo ir pegar algo na minha mochila pendurada na cadeira. Abri o zíper sem erguer os olhos, enfiei a mão dentro da mochila fingindo procurar algo e então ergui os olhos para observar a sala toda atrás de mim.
E lá estava ele, sentado ao lado de James, a cabeça inclinada sobre o pergaminho, os cabelos caindo sobre os olhos, lindo. Eu suspirei, e quando retirei a mão de dentro da mochila pronta para fechar a mesma e voltar a posição normal, levemente decepcionada porque ele não estava me olhando, eu o vi erguer os olhos e olhar diretamente para mim, passando a língua pelos lábios e sorrindo em seguida. Um sorriso que me surpreendeu, uma mistura do sorriso um com o quatro. Lembra? Os onze tipos de sorriso dele, o um era o sorriso natural, o mais lindo de todos, mas o quatro era aquele sorrisinho sem jeito, que ele dava muitas poucas vezes, e com certeza era um dos que eu mais admirava em ver.
Eu não consegui desviar os olhos dos dele e nem do sorriso dele, e ele também parecia estar igual a mim, me olhando e sorrindo daquele jeito, sem desviar os olhos, eu estava quase prestes a entrar naquele sonho novamente, onde borboletas voavam por meu estômago e pelo céu, enquanto eu e ele corríamos de mãos dados pelo jardim ao entardecer, quando Emme se virou e me encarou, me vendo com a mão na mochila e os olhos e sorriso bobo pra Sirius e, desagradavelmente, me deu uma cotovelada bem forte, me fazendo voltar a mim e virar-me rapidamente pra frente.
Com certeza eu ia acabar aquele dia roxa por tantas cotoveladas.
― Eu já disse pra você não ficar olhando pra ele que nem idiota. – Emme me repreendeu, enquanto fechava a cara e voltava os olhos pro pergaminho.
― Mas ele estava me olhando do mesmo jeito. – Eu suspirei e sorri, enquanto a professora McGonnagal terminava de acenar a varinha na lousa onde mais alguma coisa sobre coisas essenciais pros NIEM’s era acrescentada a ela.
― Mas você olhar assim pra ele vai estragar o plano.
Eu bufei, irritada. Ela jamais entenderia como aquele olhar dele tinha sido diferente, eu era capaz de jogar aquele plano idiota no lixo se eu só tivesse aquele olhar para o resto da vida. Acho que eu não precisava de mais nada, aquilo já era absolutamente tudo pra mim.
Suspirei sem me importar com o que Emme ou Lilly diriam, eu tinha que ter o meu momento feliz com vontade de gritar e pular de felicidade porque Sirius Black estava olhando para mim daquele jeito. E eu faria isso na primeira oportunidade.

***

― Lene, posso falar com você?
Bom, se eu tive vontade de pular e gritar de felicidade quando Sirius olhou para mim daquele jeito na aula de transfiguração, eu realmente não pensei que eu poderia ter a mesma vontade dez vezes mais intensa. E, sim, isso era possível.
― Claro. – Eu sorri, fingindo estar tudo numa paz.
Estávamos descendo para a estufa pra aula de Herbologia, Lilly e Emme estavam comigo quando Sirius se aproximou por trás com os amigos e me chamou.
Eu parei no meio do caminho, lançando olhares pra Lilly e Emme enquanto elas sorriam acenando e continuavam descendo, sendo logo acompanhadas de James, Remus e Pettigrew, enquanto eu estava parada vendo Sirius agora parando ao meu lado.
Ele começou a caminhar bem devagar em direção as estufas e eu acompanhei seus passos lentos, vendo-o com as mãos nos bolsos da calça, enquanto eu juntava as mãos na frente do corpo, super sem jeito.
Confesso que eu já sonhei com esse momento umas milhares de vezes na minha vida: Ele caminhando ao meu lado exatamente daquele jeito, devagar, as mãos no bolso, ligeiramente sem jeito, enquanto eu caminho ao seu lado, então ele para e me olha e sorri daquele jeito natural e depois sem jeito, leva a mão ao meu rosto e diz: “Você é linda, sabia?” e então o rosto dele vai se aproximando do meu e os lábios dele colam-se aos meus e... Eu acordo.
Perfeito, mas não tão perfeito quanto eu gostaria porque até então eu nunca tinha tido nada perto disso pra tornar esse sonho real.
E agora lá estava ele, caminhando ao meu lado igual ao sonho enquanto eu tremia por dentro tentando não demonstrar o quanto eu estava trêmula. Bom, estava frio, e isso seria uma excelente desculpa para o quanto eu estava tremendo. Aliás, ainda bem que eu pensei nisso.
― Você está tremendo. – Ele sorriu me observando e eu sorri de volta, passando as mãos pelos braços e dando de ombros.
― É o frio. – Eu disse, e me senti uma idiota por dizer isso assim. Porque eu não pensava em coisas super interessantes pra dizer e fazê-lo me achar o máximo?
Revirei os olhos com meus pensamentos, concluindo que eu não conseguia pensar em nada interessante para dizer, então disse apenas:
― Então, o que queria falar comigo?
Idiota. Isso não faz parte do sonho.
Ele sorriu sem jeito e eu senti meu coração parar de bater por segundos e um frio descomunal perpassar por meu estômago. Lá estava eu mergulhando no lago negro em pleno inverno. Aquela sensação era o máximo. Fui irônica, certo.
― Você ta realmente linda, sabia? – Meu corpo inteiro se aqueceu, eu saia do lago negro e entrava dentro da lareira em chamas, estava me derretendo.
Eu sorri sem jeito e em seguida idiotamente. Ele parava e me olhava.
O sonho estava se tornando realidade? Sim, sim, sim, por favor.
― Querendo conquistar algum garoto? – Ele riu e continuou a dar passos lentos em direção as estufas, eu sabia que naquele ritmo nos atrasaríamos para a aula, mas que se dane a aula, eu estava com Sirius Black.
― Como adivinhou? – Eu ri, fingindo que o garoto que eu queria conquistar não era ele, de maneira nenhuma.
Ri novamente com meus pensamentos, mas ele não notou que era por outro motivo.
― As meninas fazem isso pra mim direto. – Ele riu, e eu ri, mas por puro teatro, porque eu estava novamente saindo da lareira e mergulhando no lago negro e dessa vez não era de um modo legal.
― Ele gosta de mim assim. – Eu disse simplesmente, não sei por que, mas alguma coisa me dizia que eu tinha que fingir que o tal garoto já existia e não era ele.
Acho que meu sexto sentido tinha razão, porque ele parou e me encarou, dessa vez meio sério e franzindo a testa antes de dizer.
― Você também é linda naturalmente. – Saindo do lago negro e voltando a lareira, espero que o fogo não apague com tanta água.
Suspirei, mas não sei se foi boba ou com medo do fogo apagar.
Ele deu um passo a frente e eu me senti congelar. Caramba, esta nevando e eu nem percebi?
Ele sorriu meio natural e meio galanteador, seu terceiro tipo de sorriso e eu me aqueci ainda mais por dentro, enquanto meu corpo estava congelado por fora.
Tentei dizer alguma coisa enquanto ele me encarava, mas não consegui, estava muda, além de congelada.
― É serio, Lene. – Ele disse, e eu senti como se ele estivesse preocupado comigo. Eu devia me sentir como? Estava começando a ficar confusa, enquanto meu coração disparava no peito. – Você é incrível e, se ele não nota isso, é um babaca.
Merlin, o sonho vai se realizar, não vai?
Se fosse ou não, eu nunca saberia, eu acho que minha mente se apagou por segundos enquanto eu o via na minha frente, bem mais perto do que eu jamais sonhei na vida, e acho que fui invadida por alguma maldição, tipo, Império, porque no instante seguinte as palavras dele, eu vi minhas mãos irem direto aos cabelos dele, enquanto eu aproximava rapidamente meu rosto do dele e via os lábios dele muito próximos dos meus antes dos meus olhos se fecharem e eu sentir os lábios quentes e perfeitos dele sobre os meus.
Por um segundo da minha insanidade eu pensei que ele fosse me afastar dele e sair correndo, pois eu sentia o susto dele pelo corpo tenso, mas no instante em que meus dedos afundaram nos seus fios de cabelos, eu senti os lábios dele grudarem com vontade nos meus e a língua dele invadir minha boca, encontrando-se com a minha no instante em que eu sentia o gosto dele, uma mistura deliciosa de chocolate, menta, chuva de verão, sol do entardecer e o vento da liberdade batendo contra o rosto.
Me derreti, o fogo da lareira tomou conta de todo meu corpo, as mãos dele apertaram-se contra minha cintura e senti meus pés soltarem-se do chão, como se estivesse flutuando, o silêncio absolutamente mortal do vento invadindo cada célula do meu corpo e eu rezando internamente para nunca acordar daquele sonho.


Capítulo Dois: Aquele beijo que te dei...


- As mulheres inteligentes sabem que -
Um pouco de indiferença age como um imã.


" As mulheres que enlouquecem os homens normalmente são as que dão impressão de não se importar muito”.

― VOCÊ O QUÊ?
Eu agradeço a Merlin por ter uma audição muito boa e aqueles gritos não afetarem meus tímpanos, agradeço mais ainda por ter tido a sabedoria de contar a Emme e a Lilian o que eu fiz no nosso seguro dormitório, onde não chamaria a atenção de ninguém os gritos escandalosos das duas.
Elas obviamente não me deram paz a aula inteira de Herbologia, depois que eu cheguei arfante e com as bochechas vermelhas, talvez pelo frio ou... Bom, mas eu consegui resistir a pressão, isso que importa.
― Eu beijei ele. – Eu disse novamente. Eu sabia muito bem que elas tinham entendido da primeira vez, mas quis repetir para ver se eu mesma acreditava naquilo.
Eu ainda estava tentando acreditar, porque para mim parecia um sonho, ou talvez um pesadelo, bom, um pesadelo mais para o final do sonho perfeito, quando eu afastei meus lábios dos dele, que eram incrivelmente macios e o encarei com os olhos arregalados, antes de sair correndo que nem louca e não deixar nem mesmo ele ter uma reação que me fizesse saber o que ele estava pensando daquilo tudo. Sim, eu corri, como uma criancinha idiota que faz alguma coisa errada e corre com medo da bronca que vai levar da mãe. E o pior nem foi isso, o pior foi passar a aula inteira de Herbologia sabendo que ele estava tentando manter um contato visual comigo, enquanto eu mantinha meus olhos fixos naquelas plantas estranhas que eu não fazia a menor ideia de como se chamavam ou para que serviam, eu só não queria encarar os olhos dele, porque eu sabia que estragaria ainda mais as coisas.
Como se isso fosse possível.
― Eu não acredito que você fez isso. – Me disse uma Lilian totalmente incrédula. Ela me olhava com os olhos meio arregalados, como se eu estivesse dizendo que beijei a murta que geme. A Lilly é mesmo dramática, já estou acostumada com isso.
― E ele? – Emme me olhou curiosíssima e, mais uma vez, eu senti vontade de sair correndo. Mas, sem escolha, eu peguei o travesseiro e, antes de afundar a cara nele, eu falei rapidamente:
― Eu sai correndo. Não sei o que ele achou disso.
Eu já sabia a reação delas, por isso rapidamente eu afundei a cara no travesseiro, me sentindo mais idiota ainda.
― Saiu correndo?
― Lene, você é louca?
― Você não devia ter saído correndo! Merlin, como ela consegue ser tão lerda assim?
Eu afastei o rosto do travesseiro e olhei para elas com a minha melhor cara fechada. Às vezes eu me ofendo quando me chamam de lerda... ta, não me ofendo, mas é cansativo ouvir tanto isso, eu nem sou tão lerda assim.
― Eu entrei em pânico, fiquei com medo dele me rejeitar ou sei lá. – Eu disse em minha defesa e as duas reviraram os olhos e afundaram na cama a minha frente, a qual pertencia a Lilly.
― Ele retribuiu o beijo?
Eu encarei Emme, me lembrando do beijo.
Bom, ele tinha retribuído né, ou eu não teria sentido a língua maravilhosa dele na minha, nem as mãos dele grudando em minha cintura e me puxando mais para ele, nem os lábios dele se encaixando nos meus e me deixando sem fôlego, nem os dedos dele se enroscando em meus cabelos e me fazendo suspirar.
Voltei a mim quando ouvi a risada das duas e os passos de Alice no quarto. E percebi que eu sorria idiotamente, como sempre, quando o assunto era Sirius Black.
Tenho a sensação que eu fico a cada dia mais idiota por ele, e espero que isso não seja tão ruim assim, ou pior, não seja permanente.
― E então, qual a novidade? – Indagou Alice, se juntando as duas e sentando na cama de Lilly para também me encarar. Qual é, estava estampado na minha cara que eu tinha aprontado alguma coisa?
― A Lene beijou o Six. – Disse Emme e eu dei um pulo na cama.
― Hey! Só eu chamo ele assim!
E as três riram. Eu tenho a impressão que elas estavam rindo é da minha cara.
― Meu Merlin, vai chover um mês seguido. – Disse Alice e eu ri forçadamente. Adoro o senso de humor da Alice.
― Muito engraçadinhas vocês. Agora podem parar de rir e me ajudarem. O que eu faço agora? Ele vai achar que eu sou que nem aquelas fadas mordentes oferecidas.
As três riram e eu me afundei na cama. Eu estava perdida e sabia disso. E o pior de tudo é que era minha culpa, eu tinha estragado o plano todo e talvez até a pouca amizade que havia entre eu e ele.
O que será que ele ta pensando de mim agora? Eu pensei desesperadamente.
― Relaxa, amiga, o negócio é você agir normalmente no outro dia e fingir que não rolou nada. – Disse Emme.
Eu sabia que Emme tinha os melhores conselhos quando realmente os queria dar e eu sabia que aquele era um conselho que eu deveria levar a sério, mas agir normalmente como se nada tivesse acontecido me pareceu tão forçado. E ele ia saber, ele não era tão obtuso assim.
Afundei ainda mais na cama.
― Lene, não fica assim, talvez as coisas não sejam tão ruins. – Lilly tentou me animar. Adoro a Lilly, eu já disse isso? Ok, estou começando a ficar emotiva demais, sinal de que o desespero é mesmo fatal.
Me sentei normalmente na cama encarando as três sentadas a minha frente e respirei fundo.
― Ok, eu não devia ter beijado ele, mas foi irresistível, e agora eu tenho que fazer alguma coisa.
Encarei-as, esperando a solução. Eu sabia que elas me dariam uma solução. Elas tinham que dar.
Lilly olhou pra Emme e Emme olhou pra Alice.
Ótimo, elas não tinham a solução e eu afundei na cama novamente.
― Eu to perdida. – Falei com a voz abafada contra o travesseiro.
― Perai, você disse pra ele que tinha se arrumado assim por causa de outro? – Indagou-me Emme e eu ergui o rosto da cama para assentir levemente.
― Então é isso. – Ela disse animadamente. – Amanhã você vai até o Sirius e diz para ele esquecer o beijo, que você nem sabe por que fez aquilo, mas ninguém pode saber senão o tal menino vai descobrir.
― Que tal menino? – Sentei na cama e encarei Emme, erguendo a sobrancelha.
Ótimo, agora eu teria que inventar um namorado? Tudo bem, tudo para o Sirius não me achar uma louca desesperadamente apaixonada por ele, por mais que eu seja uma.
― Ele não precisa saber, ué, ele não é seu confidente. – Adoro a Emme!
― É, e daí você o trata meio que com indiferença. – Me disse Alice. Adoro a Alice!
Realmente, tratar com indiferença é melhor do que fingir que nada aconteceu, até porque eu acho que sou melhor nisso. Mas peraí, isso significa... oh, Merlin, estou perdida.
― Eu vou ter que ignorar ele? – Eu disse desesperada e as três assentiram.
Agora eu tenho certeza que choveria um mês consecutivo se eu conseguisse ignorar Sirius Black.
Será que valia tudo mesmo para conquistar um cara? Até mesmo morrer por dentro só para ignorar ele?

Eu sabia que meu desespero era grande demais para fazer aquilo, mas eu não tinha outra saída, era aquilo ou ele me achar uma desesperada por ele, e por mais que eu fosse, eu jamais poderia deixar que ele pensasse isso de mim.
Por isso eu estava tremendo enquanto o esperava na porta da sala de poções, com toda a pesquisa para o trabalho dele nas mãos.
Quando eu avistei James, senti meu corpo todo tremer mais ainda, afinal de contas, onde estava James, estava Sirius.
Respirei fundo, tentando controlar a tremedeira que tomava conta do meu corpo.
Merlin, me ajude! Merlin, me ajude! Pelo amor, me ajude, Merlin!
Eu sorri e ergui a mão acenando para ele, quando o vi, e ele veio na minha direção com aquele sorriso perfeito nos lábios.
― Oi, Kinnon. – Disseram quase em uníssono James e Remus e eu sorri aos dois, vendo-os passando por mim e entrando na sala de poções enquanto Sirius parava a minha frente ainda sorrindo lindamente.
― Oi, Lene. Estava mesmo querendo falar com você.
Eu senti meu estômago afundando e a tremedeira se tornando mais intensa, mas concentrei toda a minha força em manter-me normal, e sem conseguir dizer nada de imediato, ergui a mão que segurava o pergaminho e sorri.
Melhor fazê-lo esquecer o que queria dizer, fosse o que quer que fosse.
― Pro trabalho de poções. – Eu disse, tentando me manter firme e ele sorriu largamente.
― Ah, cara, você é demais! – Ele pegou o pergaminho da minha mão e eu sorri, respirando fundo e tentando criar coragem.
― Eu queria te falar uma coisa. – Eu olhei para ele, assustada quando percebi que nós havíamos falado praticamente juntos, e mais uma vez me senti mergulhando no lago negro congelado, ou pior, eu estava tomando gelo puro, porque tudo dentro de mim foi congelando de repente.
Ele sorriu e eu sorri sem jeito. Aquilo estava ficando estranho.
Eu queria muito, muito mesmo saber o que ele queria me dizer, mas eu estava desesperada demais para esperá-lo dizer. E se fosse alguma coisa que eu preferiria não ouvir? Meu medo era maior ainda do que o desespero, por isso me apressei em dizer.
― Sobre ontem... – Respirei fundo. – Eu não sei o que deu em mim... – Respirei fundo mais uma vez, eu precisava fazer aquilo. – Ninguém pode saber, é que... Se ele souber... - Pronto, não conseguia mais dizer nada e Sirius sorriu de um jeito muito estranho, assentindo levemente a cabeça.
― Ah. Claro, relaxa, ninguém vai saber.
Eu sorri e respirei fundo, como se estivesse aliviada, na verdade eu estava desesperada para sair correndo de novo.
Ajeitando a mochila nas costas e empinando o nariz como Emme me dissera para fazer, eu sorri e disse “Valeu” e me virei e sai, deixando ele parado na porta da sala de poções enquanto eu entrava e ia direto para o meu novo lugar, quase colada a mesa do professor.
Quando sentei, me senti aliviada por estar sentando, porque percebi que minhas pernas estavam tremendo, meu corpo inteiro estava tremendo. Eu havia deixado Sirius Black falando sozinho, praticamente, e aquilo era apavorante.
Respirei fundo e olhei para o lado, vendo as meninas me encarando e assenti de leve com a cabeça, e nenhuma delas disse nada.
Agora eu tinha certeza absoluta que aquele lance de plano para conquistar o Sirius estava me deixando louca, mas eu já tinha entrado nele e não podia sair, não agora. Não quando eu realmente estava começando a levar a sério tudo aquilo.
Eu sabia que homem nenhum merecia tanto desespero, sempre ouvira aquilo e sempre concordara com aquilo, só uma louca faria qualquer coisa para conquistar um cara, e aquilo era coisa de mulher desesperada, e lá estava eu, louca e desesperada fazendo tudo para conquistar Sirius Black.
Tem coisas que aprendemos com a vida e aquela era uma coisa que eu estava aprendendo na marra. Quando você julga as pessoas sem saber, você passa pela mesma coisa só para saber que não deveria julgar.

Foi um alívio quando o horário do almoço chegou, pois eu estava faminta e todo aquele lance de me mostrar nada interessada no Sirius e supostamente ter que o ignorar, o que eu nem sabia se eu seria capaz de fazer, estava gastando muita energia do meu corpo e me deixando com mais fome do que o normal, se é que isso era possível. Eu já comia bem todo o tempo, se é que você me entende.
O salão principal estava bastante cheio quando eu, Emme e Lilly chegamos. Alice, que estava sentada com Frank, ergueu a mão sinalizando e nos encaminhamos até ela, nos espremendo entre os alunos da Grifinória que já mantinham uma conversa bem animada.
Eu estava tão faminta que demorei aproximadamente uns trinta segundos para perceber que Sirius estava sentado ao lado de James, que estava sentado ao lado de Frank e que eu própria estava sentada ao lado de Remus, com Lilly ao meu lado e Emme ao lado dela. Eu já estava com uma batata na boca e enchendo um copo com suco de abóbora quando ouvi a risada rouca dele acompanhada da risada do James e do Frank. Ergui os olhos com a cara de quem estava pegando uma coxa de frango e de repente o Nick quase sem cabeça surgiu no meio do meu frango, o que é uma coisa bem nojenta, diga-se de passagem, mesmo o Nick não sendo um morto realmente físico entre minha comida.
Enfim, eu ergui os olhos meio assustada, ainda mastigando a batata, agora meio lentamente quase parando, e com o copo parado no ar com o líquido despejando dentro dele para me deparar com aquele olhar risonho do Sirius, que me deu uma piscadinha e disse, naquele jeitinho todo doce dele de dizer meu nome:
— Oi, Lene.
Eu não sei dizer se fiquei vermelha, roxa, amarela, azul ou abóbora, eu só sei que de repente eu vi ele se sobrepor um pouco sobre a mesa para segurar a jarra de suco que eu ainda estava segurando ligeiramente inclinada, e afastou-a do meu copo que já começava a transbordar.
— Cuidado! – Ele exclamou e gargalhou em seguida enquanto eu, no susto, quase derramava mais líquido sobre a mesa e sobre toda a minha roupa minimamente sedutora de ser.
— Ai, droga! – Praguejei, no que James que estava a minha frente riu e lançou um olhar engraçado para Sirius, que eu não soube identificar o que queria dizer.
Garotos... eles podem estar dizendo entre si “Olha só, acho que ela ficou nervosa com você aqui”, como também podem estar querendo dizer “Hey, me passa essa batata suculenta que está aí do seu lado”, são, tipo, bem difíceis mesmo de interpretar, às vezes.
— Está distraída hoje, Kinnon? – James riu e eu fiz mais uma careta do que um sorriso. Agora era certeza que eu já estava da cor dos cabelos da Lilly, pelo menos ninguém ia pensar que era por causa do Sirius, né?
— Lene, olha só! – Emme virou o rosto na minha direção, erguendo as sobrancelhas e sorriu daquele jeito de quem diz, “olha só, ele está olhando para você!”, como se ela estivesse se referindo ao Sirius para mim, mas acontece que ela não estava se referindo a Sirius, por isso quando segui seu olhar, pude notar que tinha um garoto me olhando, mas naquele momento ele acabava de desviar os olhos e já se sentava junto com Gideão e algum outro garoto que não me lembrava o nome.
Talvez tivesse tido a impressão de que fosse Wood, o goleiro da Grifinória, mas como eu estava bem mais preocupada com outra coisa, minha atenção total foi de que Sirius e James viraram a cabeça para trás, para olhar quem quer que fosse que Emme estivesse falando, para em seguida se virarem e se entreolharem de maneira meio esquisita, que eu, mais uma vez, não consegui decifrar.
Tentando causar um Tchan a mais na coisa toda, já que parecia que Emme queria dizer que tinha alguém olhando para mim, quem sabe o tal menino que eu queria impressionar, nééé? Aproveitei e falei, de um jeito toda envergonhada.
— Ai, Emme! – E dei um sorrisinho meio idiota, como eu sabia que fazia quando ficava falando demais no Sirius, o que causou risos entre Emme, Lilly e Alice e feições estranhas dos garotos.
Acho que aquilo poderia dar certo para o nosso Plano do Estágio Um de Conquistando SB. Se bem que naquela altura eu acho que já estávamos indo para outro estágio, não é não? Vai saber, sou meio lerda com essas coisas.
— Agora entendi porque a Kinnon está tão distraída. – James riu, brincando e eu mostrei a língua para ele, de maneira brincalhona, arrancando mais risos.
— Eu não sei bem porque toda a mudança, mas acho que a Marlene ficou muito bem assim, com esse novo visual. – Frank, com aquele jeito dele todo sério e gentil, sorriu para mim e em seguida pra Alice, que concordou com a cabeça, e eu senti que ficava vermelha com as atenções voltadas para mim.
— Obrigado, Frank. – Eu disse toda tímida e vi o sorriso de Sirius, que olhava para mim antes de dizer.
— Realmente, ficou muito linda!
Tentei não lembrar da última vez que ele dissera que eu estava linda, porque pensar naquilo já me deixava extremamente quente, com calor e vermelha como a cor da Grifinória, mas era quase impossível esquecer aquele sorriso sem jeito e aqueles olhos e aquela boca tão próximos de mim... Ai, Merlin!
Pigarreei e virei um grande gole de suco, desviando os olhos dos dele para afastar aqueles pensamentos. Não podia correr nenhum risco pelos próximos sei lá quantos dias.
Eu tinha que me manter firme!
— Bom, eu acho que ela é bonita de qualquer jeito, a produção só realça os seus pontos fortes, Lene. – James sorriu, daquele jeito doce dele e eu sorri de volta, agradecida. Pelo menos não queria dizer que eu era feia e só ficava bonita produzida, né? O que me deixava bem aliviada, por sinal.
— Vocês estão me deixando sem graça. – Eu disse, causando risos em todos. – E, então, meninos, como estão os preparativos para o próximo jogo?
Mudar o foco e o assunto era a melhor estratégia para todos pararem de me olhar e eu poder respirar tranquilamente, afinal, estar ali sentada quase em frente ao Sirius e ainda ter toda a atenção voltada para mim era demais para meu pobre coração.
— Vamos acabar com a Corvinal, não vai ter pra ninguém. – James, como um bom capitão do time, ficou empolgado com o assunto e disparou a falar sobre as novas táticas, como o time da Corvinal estava caindo no rendimento e como seria uma final alucinante entre Sonserina e Grifinória. Mas eu comecei a aproveitar as conversas para ficar na minha por um tempo, saborear minha comida sem passar vergonha e poder, ora ou outra, disfarçadamente, observar o Sirius quando ele estava olhando para os amigos ou almoçando; fazer aquilo sem chamar a atenção era uma das minhas táticas que poucos conheciam, inclusive as meninas, e era bom demais.
Eu podia gravar na memória pequenos sorrisos e gestos para depois poder ver e rever por horas seguidas, sonhando acordada e as vezes até dormindo.
Ele era, definitivamente, a inspiração dos meus dias.
Suspirei e ri, sem saber porque, mas ninguém pareceu notar porque todos estavam rindo da conversa de James e Frank, por isso resolvi me atrever para erguer os olhos e olhar na direção dele mais uma vez, antes que aquele almoço acabasse, para que eu pudesse ter mais algumas imagens boas para replay a noite, quando me deparei com os olhos dele, meio erguidos, me encarando de volta.
Fiquei sem reação por aproximadamente uns trinta segundos, ou foram trinta horas? Eu não tinha certeza absoluta sobre o tempo porque aquilo, naquele momento, parecia tão sem sentido, e me perdi naqueles olhos azuis acinzentados, e ficamos nos encarando, sem dizer nada, enquanto a mesa toda ria, conversava, gargalhava, comia, bebia, totalmente a parte de nós, enquanto nos olhávamos como se nunca tivéssemos nos vistos antes.
Foi uma sensação indescritível e eu poderia ficar daquele jeito por mais umas duzentas horas, se não tivesse me lembrado do beijo, e consequentemente do plano, do tal menino que eu supostamente estava afim, da insinuação da Emme na mesa a pouco e da ideia de que eu deveria ignorá-lo, e então desviei os olhos propositalmente para James e gargalhei, voltando o mundo ao normal e nem olhando novamente para Sirius, pegando meu copo de suco, virando alguns goles e voltando a comer, normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Eu não sei bem o que ele achou disso porque não me atrevi a olhar para os olhos dele novamente, pelos próximos minutos, mas senti como se ele continuasse olhando para mim como quem pergunta “O que eu não vi antes?”.
Eu adoraria que ele realmente perguntasse isso porque eu teria muito a responder.

Depois do almoço tivemos um horário vago que, depois de muita insistência da Lilly, resolvemos que deveríamos estudar para os NIEMS, mas para que fazer isso trancados na biblioteca se podemos fazer na beira do lago?
Apesar do inverno estar se aproximando cautelosamente e o tempo estar meio louco, como todos os alunos naquela escola eram, piadinha, é claro; o tempo estava num vai e vem doido, ora calor, ora frio, ora pequenos bloquitos de neve a tarde, ora raios de sol incandescentes nos aquecendo maravilhosamente. Naquela tarde de novembro, o sol estava gostoso e quentinho, por isso sentamos na beira do lago, sobre um lençol roubado da cama da Emme, com certeza ela vai perceber mais tarde se nenhum elfo a ajudar antes, jogamos os livros a nossa frente e passamos a estudar, conversar, estudar, rir, estudar, nos distrair, estudar, observar os meninos bonitos passando, estudar, observar os sereianos nadando naquele lago que devia estar um gelo, estudar, papearmos e fofocarmos, e assim foi por um bom tempo. Passamos uma tarde agradável e nada monótona estudando, o que me agradava muito mais do que aquela masmorra enfurnada de alunos que a biblioteca poderia ser.
— Eu não consigo acreditar que esse é nosso último ano em Hogwarts. – Disse Emme, observando alguns alunos que desciam para a aula de trato das criaturas mágicas que, ás vezes, aconteciam nos limites do castelo, sempre com o guarda-caças Hagrid por perto para ajudar a professora, caso alguém se perdesse, ou sei lá o que esses alunos são capazes de fazer.
— Que nunca mais vamos sentar nos jardins, vermos Hagrid na sua cabana, Canino correndo a volta, os alunos do primeiro ano sendo atazanados pelos mais velhos, a Lula Gigante tomando banho de sol... – Disse Lilly, sonhadoramente, enquanto observava a sua volta e eu suspirei, meio feliz com tudo o que tínhamos naquele momento e triste porque aquilo tudo acabaria.
Porque eu não teria mais nada daquilo para ser feliz, e nem Sirius. Meu Merlin, o que eu faria sem poder ver o Sirius no café da manhã, nas aulas, no salão comunal, no jantar?
Senti um aperto no peito e desviei os olhos do lago negro onde sereianos ora ou outra apareciam para nos dar tchauzinhos e mergulhavam novamente.
O que seria da minha pobre alma?
— Vou sentir tanta saudade disso tudo que, pensando bem, acho que vou reprovar nesses NIEMS só para poder fazer o sétimo ano novamente. – Brincou Emme e eu gargalhei.
— Hogwarts pode ser maravilhoso, mas Hogwarts sem vocês, sem a nossa turma, sem Sirius... – Suspirei tristemente, e Lilly gargalhou.
— E eu pensando por um momento que ela diria algo lindo sobre como seria triste viver aqui sem nós, mas ela só está triste por causa do Sirius.
— Ah, não fique assim, Lillyzinha, você sabe que eu também te amo, né? – Abracei Lilly pelos ombros enquanto ela gargalhava e tentava fazer uma careta de reprovação ao mesmo tempo, o que a deixou mais engraçada, fazendo eu e Emme gargalharmos juntas.
— Eu sei que “ele” vem em primeiro lugar. – Desvencilhei os braços de Lilly e a olhei, franzindo o cenho. Como assim?
— Você ta louca, Lilly? – Emme também ficou me olhando meio de lado, mas não disse nada, no que Lilly, como uma boa amiga e daquelas que realmente te dizem o que tem que dizer, virou o corpo de lado e me encarou de frente, suspirando antes de dizer, dessa vez com a voz mais carinhosa e compreensiva.
— Tudo bem, Lene, a gente não vai deixar de ser amiga de você por isso, mas sabemos que “você sabe quem”, tem todo o seu coração. – Ela riu, mas eu não estava mais rindo. Caminhando atrás dela, numa distância bem considerável vinha James e Sirius, olhei para ele por segundos e então voltei os olhos pra Lilly.
— Eu posso ser apaixonada por ele, Lilly, mas é claro que VOCÊS vêm em primeiro lugar. Vocês são minhas melhores amigas, estão comigo desde o primeiro ano, sete anos juntas...
— Sete anos te aturando! – Brincou Emme e eu fiz uma careta enquanto continuava meu discurso decorado, brincadeira.
— Estivemos juntas na alegria e na tristeza, juntas todas as vezes que eu chorei por ele, que a Emme teve suas crises por causa do Remus – Emme fez uma leve careta dessa vez. – Juntas quando você se decepcionou com sua amizade com o Severus, juntas quando eu cai da vassoura e quebrei o braço e passei a noite toda na ala hospitalar com vocês duas escondidas lá só para comerem chocolate no meu lugar. – Dessa vez Lilly gargalhou. – Juntas quando quase fomos pegas por Filch quando estávamos vagando pelos corredores fora do horário. Quando você ajudou a Emme na poção do morto vivo sem que Slugohrn visse, e ela ainda saiu da sala como a vitoriosa pela melhor poção. – Fiz uma careta, porque me lembrava que tinha ficado em segundo lugar, graças a Lilly. – Juntas, lembra? Ele jamais teve tudo isso comigo, como poderia vir em primeiro lugar?
Depois dessa declaração de amor, Lilly e Emme fizeram um altíssimo “Ownnnn” e me abraçaram no que eu gargalhei e todas nós gargalhamos, abraçadas, quase chorando. Aquele último ano estava mesmo deixando todo mundo meloso demais.
— Se você disse isso tudo só pra deixar a gente feliz, Srta. Mckinnon... – Lilly tentou fazer um tom de ameaça, o que só causou gargalhadas em mim e em Emme.
— Falando no morto vivo, olha só quem está ali. – Disse Emme, fazendo eu desviar os olhos das meninas para ver que Sirius agora estava mais próximo de nós, mas ainda numa distância razoável, sem que eles pudessem ouvir nossas conversas e nós as deles, mas que podíamos muito bem vê-los e eles a nós.
Desviei os olhos dele e revirei os olhos, começando a primeira piadinha do dia.
— Vou desistir dele de vez.
De início, Emme arregalou os olhos e Lilly me olhou como se eu tivesse sido picada por algum bicho e ele de repente estivesse controlando minha mente, e então as duas gargalharam de uma maneira tão intensa que eu me senti até meio ofendida, qual é? Será que isso parecia mesmo uma coisa tão absurda de eu dizer?
— Essa foi ótima, Lene. Eu quaaase acreditei. – Disse Emme, escandalosamente, ainda gargalhando e eu revirei os olhos, fazendo uma careta.
— Engraçadinhas, nem teve tanta graça assim. – Dei um falso tapa em Emme para que ela diminuísse a histeria e ela soltou outra gargalhada, fazendo Lilly rir junto.
— Você falou tão séria que eu também “quase” acreditei, mas vindo de você, Lene, só pode mesmo ser uma piada.
— Não sei porquê. – Eu disse, tentando ficar séria enquanto Lilly erguia as sobrancelhas e tentava parar de rir. – Eu poderia muito bem desistir dele, não é? Afinal de contas, já faz quanto tempo que eu tô nessa e nada.
Voltando a atenção para o caderno a frente, sem rir, dessa vez, Emme pareceu não achar sentido na minha, bem elaborada, frase.
Essas meninas também nem para me ajudar, né.
— Desistir agora que ele finalmente te notou seria a maior burrice que você faria.
— Quem garante que ele realmente me notou? Ele só disse que eu estava linda, o que todo mundo disse também, e só me beijou porque eu beijei ele primeiro.
— Por que eu conheço os sinais, Lene, e vai por mim, ele realmente te notou, talvez o beijo até tenha ajudado mais do que a superprodução.
Gargalhei, meio histérica, e Emme revirou os olhos.
— Vocês não acham estranho aqueles dois sentados ali, tão quietos? – Disse Lilly, desviando o assunto, mas não desviando o foco do assunto. Grande Lilly!
Dei uma risadinha, afinal, ver Sirius Black e James Potter quietos era realmente algo que a gente não via todo dia.
— Vai ver eles finalmente decidiram que precisavam estudar, não é? Todo mundo tá mesmo parecendo louco com esses NIEMS, nunca vi. – Eu disse, fazendo uma careta, odiava estudar tanto, meu cérebro chegava a doer.
Devia ser proibido aquele tipo de tortura.
— Você devia seguir o exemplo então, Srta. Eu quero ser auror, mas não quero estudar. – Fiz uma careta e dei uma risadinha forçada para Emme, que riu junto com Lilly.
— Dói minha cabeça estudar demais, além do mais, eu já sou inteligente, não preciso estudar.
Emme gargalhou. Aquela história de gargalhadas por tudo que eu dizia estava começando a ficar chato, já.
Ri dos meus próprios pensamentos ranzinzas e vi Emme dando uma risadinha e olhando na direção de James e Sirius.
— Se ele não te notou, porque será então que ele não para de olhar pra cá, heim? – Ela disse fazendo meu coração pulsar loucamente dentro do peito e no instante em que eu ia me virar para olhar pra ele, ela segurou minha mão e disse firmemente “NÃO”, me assustando e fazendo eu erguer as sobrancelhas, encarando-a.
Como assim, não?
Emme riu, pelo que percebi era para disfarçar e eu fiquei olhando para cara dela com a maior cara de taxo.
— Se você olhar vai ficar muito na cara, deixa ele te observar enquanto você é linda e engraçada com suas melhores amigas que, aliás, vem em primeiro lugar. – Ela piscou e riu e eu fiz uma careta, não deixando de rir de tanta loucura.
Como alguém conseguia levar aqueles planos adiante realmente? Sozinha, eu te garanto, você não consegue, JAMAIS.
— Linda e engraçada, realmente foi uma boa piada. – Eu disse, fazendo Lilly rir e dessa vez, ela me abraçar pelos ombros e dizer.
— Ownn, você sabe que nós amamos você do jeitinho que você é, né, sua velha rabugenta. – Fiz uma careta e todas nós gargalhamos.
Depois de tanta distração e tantas risadas, Lilly insistiu que dessa vez tínhamos mesmo que estudar, pegou o livro de Defesa contra as Artes das Trevas e começou a ler em voz alta o que eu já tinha decorado há mil décadas de tanto que ela lia e relia aquilo.
Consegui realmente me distrair de Sirius e do resto de Hogwarts enquanto estudava e ria de Lilly e Emme. Aquelas duas estudando, as vezes, nem sempre, acabavam realmente estudando, Emme adorava fazer observações como “Quem realmente vai ser o louco de ir atrás de uma acromântula para tentar matá-la? Se eu ver uma, é obvio, que vou sair correndo”.
“Gritando que nem uma louca desvairada, é claro”
, eu completei, no que todas riram, obviamente, eu tinha pavor de aranhinhas minúsculas, quem dirá uma acromântula, aliás, vamos mudar de assunto, por favor.
Talvez tivesse passado uns vinte ou trinta minutos quando, distraídas, levamos um susto quando uma voz marota e doce nos disse, ou melhor dizendo, disse para a Lilly, né.
Que fique só entre nós, eu tenho quase certeza que a mesma obsessão que eu tenho por Sirius, o James tem pela Lilly, só ela mesma que não percebe isso. Para você ver como existem pessoas tapadas nesse mundo né, ela e o Black, com certeza.
— Oi, Lilly!
Lilly, assustada e surpresa, disse um oi quase imperceptível e ficou vermelha como os cabelos, enquanto nós, eu e Emme, riamos, também assustadas com a presença tão inesperada dele e de Sirius.
— Que susto vocês nos deram.
Os meninos riram.
— Vocês estudando? Que milagre é esse? – Brincou Sirius e Emme fez uma careta no que eu revidei em seu lugar.
— Para o seu governo, nós somos super estudiosas, viu?! – Ele riu, como se achasse graça e eu mostrei a língua para ele em resposta, causando mais risos.
— Na verdade, milagre é vocês dois quietinhos por aí. O que estão aprontando, heim? – Ah como eu adoro essa Emme, ela não poupa palavras.
Os dois riram, se entreolhando, Sirius com aquela risada igual um latido e James com aquela risada gostosa de quem realmente estava aprontando, ou se preparando para tal.
— Que isso, não podemos ficar sossegados nem um pouquinho? – James deu seu melhor sorriso inocente e eu quase que cai, viu? Não sei como a Lilly desprezava tanto ele, ele é realmente lindo, além de parecer ser um cara super doce e gentil, se quisesse. Claro que esses adjetivos não eram destinados nunca a Snape. Coitado.
Ri comigo mesma e vi o olhar de Sirius em cima de mim, no que eu fiz uma caretinha para ele de quem diz “Que foi? Só estou te imaginando nu”.
— Poder, podem, mas isso os torna bastante suspeitos. – Disse Lilly, recuperada da vermelhidão, causando risos nos meninos, um riso talvez mais do que exagerado em James. Ah, ele com certeza é obcecado pela Lilly, dá para ver nos olhos dele, o jeito como brilham.
Ah, o amor!
— Que isso, ruivinha, somos anjos em pessoa. – Dessa vez não foi só Lilly que riu, mas eu e Emme que acabamos gargalhando, aquela piada tinha sido melhor do que eu dizendo que iria desistir do Sirius.
— Essa piada foi ótima, melhor do que a da Lene. – EMME! Olhei para ela, desesperada e Sirius olhou curioso de Emme para mim.
— Que piada, Lene?
— De que eu sou apaixonada por você. – Eu disse, gargalhando, justamente para disfarçar e querer dizer tipo “olha como isso seria um absurdo!”, gente, que absurdo mesmo, né?
— Imagina só. – Disse Emme, gargalhando, e eu, ela e Lilly de repente riamos demais com nossa piada interna que os meninos não estavam entendendo nada. Tipo, será que era mesmo tão absurdo assim eu ser apaixonada pelo Sirius? Hahaha.
— Imagine só. – Eu disse, com a risada controlada e respirando fundo para me recuperar daquele acesso de risos.
— Vocês são muito engraçados. – Disse Emme, também claramente se recuperando do acesso de risos.
— Vocês são bem doidas, sabia? – Disse Sirius, meio risonho e meio sério. Acho que ele não curtiu muito a piada.
— Imagina. – Disse Lilly, com um sorriso no rosto e vermelha de tanto rir.
— Então, o que os anjinhos vieram fazer aqui? Admirar nossa beleza? – Emme riu e James piscou para ela antes de dizer.
— Na verdade, vocês ficaram sabendo que vai ter visita a Hogsmead fim de semana que vem?
Lá vem ele.
Okay, se você não sabe, faz provavelmente uns dois anos que James convida Lilly para ir a Hogsmead. Isso começou mais ou menos no quinto ano, se eu bem me lembro, e desde então Lilly sempre recusa o pedido.
No começo porque ela odiava o James, ele vivia azarando o Snape, que por um tempo foi amigo de Lilly, mas depois começou a andar com umas pessoas meio esquisitas e a tratar Lilly de maneira ofensiva, daí ela parou de falar com ele. Mas a raiva por James continuou, depois porque ele era muito arrogante, metido, exibido, idiota... ah, a lista é bem grande, viu?
Mas, como eu já disse, eu acho que ele é muito apaixonado pela Lilly, porque ele nunca desiste. Olha, eu tiro o chapéu para o James, eu nunca tive a coragem que ele tem, mesmo com tantos foras, aqui está ele novamente.
Isso que é amor!
— Jura? – Emme já conhecia aquela história tanto quanto eu, e ela, junto comigo, nos últimos tempos tentávamos convencer Lilly a dar uma chance para James, mas ela parecia bastante relutante. – Aí, adoro Hogsmead. Tomara que alguém bem legal me convide para ir.
— Tipo eu? – Disse com meu melhor sorriso amarelo e Emme riu, dando um tapinha na minha perna e dizendo obviamente "Nããão, sua boba".
Essas amigas são mesmo uns amores.
— Bom, talvez possamos encontrar uns pares bem legais para vocês, o que acham? – James sorriu, e eu, Emme e Lilly nos entreolhamos.
Ele estava melhorando naquela tática, ah estava. Se prepara, Lilly, ai vem!
Senti vontade de rir diante dos meus pensamentos, mas tentei me controlar e apenas sorri, voltando os olhos para James e Sirius.
— Essa eu quero ver!
— Bom... Na verdade... – Começou James, meio vermelho, e eu ri, ele sempre ficava daquele jeito quando ia convidar a Lilly. Mas Sirius continuou para ele.
— Temos um amigo que gostaria de sair com uma amiga de vocês, mas achamos que ele não tem muita coragem de dizer isso. – Disse Sirius entre risos, e dessa vez eu franzi a testa e olhei pra Emme e Lilly.
Ué? Que esquisito.
— Seja mais direto, Six, não estou entendendo nada. Não é o James que quer sair com a Lilly?
Dessa vez Lilly ficou vermelha igual um pimentão e James teve um acesso de tosse, enquanto eu, Sirius e Emme gargalhávamos em plenos pulmões.
— Essa foi boa, Lene! – Disse Sirius enquanto James fazia uma careta. – Mas isso vem por último, primeiro temos que ajudar o nosso amigo.
Sirius deu uma risadinha e eu franzi a testa.
— Que amigo? Por favor, não me digam que o Pettigrew está querendo sair comigo. – Eu disse com ar meio de apavorada, o que causou muitos risos em todos, inclusive em James que agora parecia já recuperado do acesso de tosse.
— Coitado do Pedro, Lene. Dá uma chance pra ele. – Disse Sirius, brincalhão, e eu mostrei a língua para ele.
Ele deu uma piscadinha sexy para mim e pronto, minhas células começaram a se derreterem dentro do meu corpo.
Que calor, né?
— Na verdade... – Começou James. – É o Remus.
Silêncio total.
Emme ficou meio vermelha e branca ao mesmo tempo, se isso for possível, e mesmo de longe eu podia ouvir o coração dela acelerando no peito. Acho que ela entraria em colapso nos próximos trinta segundos.
Okay, eu nunca disse isso, mas Emme já teve uma paixão bem intensa por Remus, mas ao contrário do que ela fica insistindo para eu fazer, lutar pelo amor do Sirius e coisa e tal, ela não fez nada e ele nunca sequer desconfiou que ela perde o ar quando ele está por perto.
Coisas do amor.
Agora, se Sirius e James dissesse que Remus queria sair comigo, o que, claro que não poderia ser com a Lilly porque senão eu tenho certeza que o próprio James acabaria com a raça do Remus, Emme morreria absurdamente.
É claro que eu não sairia com Remus, ele é um cara adorável, de verdade, gentil, bonito, estudioso, engraçado, bem menos baderneiro do que Sirius e James, mesmo tendo seu lado maroto, como eles dizem, mas como vocês já estão cansadas de saber, eu sou incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por Sirius, e minha amiga é apaixonada pelo Remus, então sem chance.
Eu entendia perfeitamente o que Emme estava passando naqueles breves e longos segundos.
— O Remus? – Eu perguntei no lugar de Emme, que estava incapaz de proferir uma palavra sem entrar em colapso nervoso. – Como assim?
James pigarreou e olhou em volta, como que para se certificar de que Remus não estivesse por ali.
— Na verdade, estamos meio cansados de perceber que o Remus está meio que...
— Já faz um bom tempinho – Emendou Sirius.
— É, talvez afim ou gostando, ou...
— Sei lá, apaixonado? – Sirius deu uma risadinha, ficando vermelho.
UAU! Eu jamais, em sete anos de Hogwarts, vi Sirius vermelho! Como também nunca o vi falar a palavra apaixonado, por isso talvez ele tenha ficado assim. Ai, meu Merlin, minhas células estão virando gelatina líquida e escorrendo pelas veias.
James riu e continuou.
— Então resolvemos ajudá-lo e... Ver se a Emme toparia sair com ele, fim de semana, em Hogsmead?!
Pude sentir de longe o alívio da Emme enquanto ela soltava o ar e tentava voltar a cor normal.
Olha o que o amor faz com as pessoas, gente! Incrível.
— E.. Eu? – Emme gaguejou e eu achei lindo aquilo.
Dei risada, abraçando-a pelos ombros, e disse.
— Eu que não sou, né, sua boba. – Eu e Lilly rimos, enquanto James olhava pra Sirius, para em seguida dizer.
— Isso é um sim?
— Eu não sabia que você era tão obtuso assim, Potter. – Disse Lilly, “delicadamente”, no que ele fez uma careta e todos nós rimos.
— Ele nasceu obtuso, Lilly. – Brincou Sirius e James fez uma careta, causando mais risos.
— Tua mãe! – Sirius gargalhou e James desviou os olhos para Lilly, charmosamente.
Lá vem.
— Podíamos aproveitar e irmos juntos também, né, Lilly?
Dessa vez foi a vez de Lilly de ficar vermelha, e antes que ela pudesse dar uma patada no pobre coitado do James, eu não podia deixar a chance passar para ele, e claro, para ela.
— É claro que ela vai! – Eu abracei os ombros de Lilly e dei um enorme sorriso para James, que ergueu as sobrancelhas, olhando para mim e depois pra Lilly, que me olhava, vermelha, com cara de assustada, como quem diz “O que você está fazendo?”.
— No outro sábado de manhã, você e o Remus esperem por elas em frente a lareira do salão comunal. – Dei uma piscadinha para James, que de repente parecia que tinha perdido o ar. HAHAHA, adoro quando eu faço essas coisas.
— Bom, mas você não pode ir sozinha, né, Lene? – Desviei os olhos de James para Emme, enquanto meu sorriso triunfal se desfazia e eu adquiria a mesma cor e expressão de Lilly.
“O que você está fazendo, Emelline Vance?”
— O Sirius podia ir com você, né, Six? – Fechei a cara por segundos.
Só eu chamava ele assim, SÓ eu.
De repente, o ar ficou todo esquisito e constrangedor. Merlin, ela não devia estar fazendo isso.
Vi, na minha mente, Sirius fazendo uma careta, uma cara de assustado e dizendo de maneira super sem graça “Ahn... é, claro...”
Mas o que ele fez não era bem o que eu imaginara.
— Claro, vai ser excelente, precisamos mesmo conversar, né, Lene? – Ele deu uma piscadinha sexy e eu o encarei, erguendo a sobrancelha.
Merlin, e o tal menino? Pensei de repente do nada como se ele realmente existisse.
— Ahn... Não sei se é uma boa ideia, e se o... – O quem? Quem me veria com o Sirius?
Emme gargalhou e piscou para mim e depois pra Sirius.
— Relaxa, Emme! O Sirius não vai te roubar de ninguém, né, Six?
Ela piscou para ele e sorriu triunfante para mim.
Pronto, tínhamos conseguido mais um ponto para o tal plano Conquistando SB, se é que isso tudo estava mesmo surtindo algum efeito?
Sirius sorriu, sem jeito dessa vez e James, ainda com um sorriso estupendo nos lábios, deu uma piscada para nós.
— Então vocês vão torcer para a gente no sábado, certo?
Pena que ainda faltava mais de uma semana para a visita a Hogsmead, porque eu mal podia esperar para chegar logo.
Eu, Emme e Lilly, com certeza!
— É claaaaro! – Eu disse, causando risos nos meninos, enquanto eles falavam um “beleza, a gente se vê, meninas”, e partiam para o castelo, enquanto deixava uma Emme exultante de felicidade e uma desesperada Lilly que não conseguia acreditar que eu a enfiara naquilo.
— Depois que você provar aqueles lábios de mel e descobrir o que você perdeu esse tempo todo, você me agradece, Lilly!
Dei uma piscadinha para ela e ela ficou roxa igual uma cebola.
É para isso que servem as amigas, afinal de contas.


Capítulo Três: Eu sou terrível


- As mulheres inteligentes sabem que -
Não há nada mais interessante para um homem do que uma mulher distraída ou que não está interessada nele.

" Homens gostam de mulher que consegue funcionar sozinha e que sabe se cuidar, e pode dizer a qualquer pessoa que vá se danar toda vez que sentir vontade de agir assim.”

Na manhã da quinta-feira, eu acordei um pouco mais tarde do que o normal, mas ainda dentro do horário e me arrumei para o café da manhã sem a ajuda das meninas, o que na verdade já estava acontecendo nos últimos dois dias. Eu finalmente aprendera a usar o blush e o batom de forma que eu não ficasse parecendo uma palhaça da corte, e tinha aprendido a ficar bonita sem parecer nenhuma irmã das grindylows da Sonserina, portanto, eu estava me sentindo muito mais bonita e confiante quando desci para o salão principal, onde as meninas já tomavam o café da manhã animadamente.
Sentei-me ao lado de Emme, que me sorriu como se aprovasse o figurino, e voltou a atenção pra uma conversa que estava rolando na mesa entre algumas meninas da Grifinória, mas que eu não tentei me esforçar para pegar o bonde andando. Por isso, me servi de um pouco de chá e ovos mexidos enquanto olhava distraidamente o salão comunal.
O dia estava ensolarado como no dia anterior e isso deixava a todos animados, o que tornava o salão comunal um falatório sem fim, onde você não conseguia distinguir nenhuma conversa. Se fechasse os olhos, ouviria um enorme zumbido animado.
Com todo aquele falatório, conversas, risadas, o café da manhã passou voando e logo fomos para nossa primeira aula do dia, a aula de que eu mais gostava: Defesa contra as artes das trevas.
Apesar de termos um professor por ano, o professor atual era aquele que nos fazia gostar da matéria. Digo que temos um professor por ano porque de fato o temos; Dizem as más ou as verdadeiras línguas que essa matéria é amaldiçoada, e agora que cheguei ao sétimo ano, vendo professor após professor sair todo ano por cada motivo mais absurdo do que o outro, eu estou realmente acreditando nisso.
Enfim, fomos para a aula de DCAT, onde o professor Traver já preparava a aula enquanto nos sentávamos e nos preparávamos psicologicamente para mais uma aula “importantíssima para os NIEMS”. Já disse que esse negócio de NIEMS está me enchendo o saco?
Eu, Lilly e Emme, como já tínhamos combinado desde o início do plano “Conquistando SB”, nos encaminhamos para sentarmos a frente da sala, mas quando chegamos a grande maioria já tinha sentado na frente. Todos adoravam aquela aula. Droga!
Por isso fomos obrigadas a sentarmos no fundo, próximas dos marotos, que estavam sentados um pouco mais a direita da gente e um pouco mais ao fundo.
Eu me sentei ao lado de Lilly, enquanto Alice e Emme sentaram juntas atrás de nós.
De onde eu estava, se eu virasse trinta graus para a direita, já conseguia ver Sirius, que estava sentado com James ao seu lado direito, mas se eu virasse a cabeça quinze ou trinta centímetros para olhá-lo, ele perceberia, por isso, eu não podia me atrever a tanto. Aposto que foi a Emme que arranjou esse lugar para mim. Péssimo lugar, diga-se de passagem.
Apesar de toda aquela história chata de NIEMS, as aulas do professor Traver eram sempre gostosas de assistir, ele sabia entreter a turma e nos ensinar, o que nem todos os professores anteriores tinham conseguido.
Olha, tivemos cada tipo de professor que você nem faz ideia, de um que parecia meio lunático e achava que as acromantulas iriam dominar o mundo. “Graças a Merlin, ele estava muitíssimo enganado”, a professor que, tínhamos quase certeza absoluta que era um vampiro, esse foi um dos mais engraçados, ele era tão atrapalhado que você ria só de olhar para a cara dele.
Mas o professor Traver, apesar de ser nosso último professor, e com certeza por algum motivo louco não continuaria em Hogwarts depois, era um calmo e excelente professor que sabia nos explicar qualquer assunto relacionado a aula e assuntos de fora da aula, por isso ele sempre tinha a atenção de todos. Bom, quase todos.
— Lene. – Eu ouvi um sussurro no meu ouvido, que só poderia ser da louca sentada atrás de mim. Revirei os olhos e bufei baixinho para virar o pescoço bem devagar a direita, a cabeça abaixada, somente para ouvir o que Emme gostaria de me dizer, enquanto o professor fazia uma revisão sobre animais fantásticos.
— Quê? – Eu sussurrei de volta. O Sussurro tinha que ser bem sussurro mesmo porque, apesar da voz do professor ser alta, quase ninguém mais ficava conversando durante a aula, o que facilitava alguém te ouvir, inclusive o professor.
— Acabei de descobrir uma coisa. – Bufei, dessa vez um pouco mais alto. Aquilo era hora dela vir me dizer que descobriu uma coisa?
Primeiro que, estávamos numa aula importante, uma aula que eu adorava e realmente gostaria de prestar atenção e, principalmente, uma aula da matéria onde meus pontos na prova valeriam provavelmente metade dos pontos que eu precisava para conseguir ingressar na carreira de auror. Afinal, como você seria um AUROR se não passasse na prova de Defesa contra as artes das TREVAS?
Acho meio difícil, né, camarada.
Segundo que, você não pode simplesmente me dizer “descobri uma coisa”, sentar no seu lugar e esperar tranquilamente que a aula simplesmente acabe para me contar. NÃO, você não pode fazer isso, simplesmente porque eu sou a pessoa mais curiosa de toda a face da Terra, e até depois dela, se existir.
Terceiro que, tem a ver com o Sirius? Mesmo que não seja, você vai fazer eu só pensar isso o tempo todo, o que ferra ainda mais com tudo, meu bem, portanto, nunca, jamais, em hipótese alguma, fale para mim “eu descobri uma coisa” ou “eu preciso te contar uma coisa”, se você não pretende ou não pode fazer isso naquele momento.
Diante de tais palavras, eu arregalei os olhos e realmente me virei para trás para encará-la, com as sobrancelhas erguidas.
O que foi o meu erro total e completo.
— Srta. Mckinnon, você poderia citar para nós alguns animais fantásticos mais perigosos?
Esse professor era muito legal e tudo mais, mas ele não gostava de conversinhas paralelas a aula dele, tipo a McGonnagal, sabe? Você sempre sai da aula dela sabendo das coisas e meio fascinado, mas nunca, jamais vire as costas para ela durante a aula para saber o que sua amiga descobriu; O mesmo posso dizer da aula do professor Traver.
Virei-me rapidamente para a frente e dei um sorrisinho sem graça, percebendo o olhar de Sirius sobre mim mesmo que ele estivesse numa visão a trinta graus oeste.
— Os dragões... – Comecei, meio envergonhada por ele ter chamado minha atenção.
— Com toda certeza, Srta. Mckinnon. – Disse o professor, tirando alguns risinhos de outros alunos.
Idiotas.
— Acromântulas, com certeza, professor. – Eu disse, já sentindo medo só de falar o nome dela. Vai que, né, atrai a coisa. Dessa vez foi Emme e Lilly que riram de mim.
Idiotas. Vou colocar umas acromântulas na cama delas à noite para elas verem só.
— Cinzal. – Continuei. – Quiméra, Basilisco, apesar de não ser visto há séculos. O elfo da Bavária, Erumpente...
— Muito bom, Srta. Mckinnon. Como podemos ver, temos uma lista bem grande de animais fantásticos perigosos, e de acordo com o Ministério da Magia, muito bem controlado quando e onde são mais encontrados.
O professor continuou explicando enquanto eu bufava e afundava na carteira, morrendo de vontade de lançar um olhar de basilísco para Emme. Ela me pagaria por isso. Ah, pagaria!
Meio irritada porque o professor chamou minha atenção, mal percebi que ela tinha enfiado um pedacinho de pergaminho dobrado em baixo do meu livro texto, por isso quando percebi aquilo levei um susto tão grande que quase derrubei o livro e o bilhete junto, o que seria, com certeza, o meu fim certo e fatal.

“Ouvi dizer por ai que seu amado está saindo com uma menina da Sonserina.”

— O QUÊ?
— Desculpe, Srta. Mckinnon? – O professor ergueu os olhos novamente para mim e eu enfiei o bilhete em baixo do meu livro texto rapidamente para que ele não visse, dei um sorrisinho amarelo e o encarei com os olhos ainda arregalados devido ao bilhete e agora vermelha porque o professor me olhava com cara de interrogação e eu não estava sequer prestando atenção no que ele estava falando.
— De-desculpe, professor, é que eu.. Eu não me lembrava dessas coisas todas, é tanta coisa, eu tinha esquecido, esses animais são, né... nossa... perigosos!
Pude ouvir o risinho de Emme, Sirius, James e com certeza mais uma meia dúzia de alunos da sala, mas os ignorei completamente.
Idiotas.
— Realmente, Srta. Mckinnon, são muito perigosos, alguns como eu estava falando são vendidos ilegalmente e às vezes até vão parar entre os trouxas, o que é um perigo. Imaginem um Fiuum não silenciado no meio de uma casa trouxa? Poderia causar um estrago imenso.
O professor continuou falando e eu nem lembrava mais do que ele dissera um segundo atrás ou onde eu estava, a minha atenção total estava naquelas palavras daquele bilhete maldito.
Voltei os olhos para meu livro texto, puxando o bilhete e lendo-o novamente enquanto ficava de vermelha para escarlate e branca e azul e todas as cores possíveis, em segundos.
Resisti fortemente para não me virar e gritar em alto e bom som pra ela, algo como “VOCÊ SÓ PODE ESTAR FICANDO LOUCA, NÉ?”
Mas me contive, por isso rabisquei rapidamente uma resposta e abaixei a mão para trás para que ela pegasse o bilhete sem ninguém notar.

“O QUÊ?”

Acho que eu nem precisava escrever essa mensagem uma vez que, eu tenho certeza, ela ouviu muito bem.

“Acho que é mentira, com certeza; Ouvi uma menina da Sonserina falando pra amiga: ‘Vou me encontrar com o Black hoje à noite’
Encarei o bilhete de volta e li e reli umas quinhentas vezes. O Sirius odiava as pessoas da Sonserina, como ele seria capaz de ficar com aquelas vermes-cegos ridículas?

“O Sirius ODEIA o pessoal da Sonserina, ele só ficaria com alguém de lá se...”

Parei de escrever o bilhete no mesmo instante.
Ele só ficaria com alguém da Sonserina se... estivesse apaixonado?
Congelei por dentro diante daquela ideia e passei o bilhete para Emme, sem conseguir terminá-lo, ela não seria tão burra assim de não perceber o que eu queria dizer.

“Lene, não viaja, ele não gostaria desse tipo de menina, ele com certeza deve estar aprontando alguma coisa, é isso que eu acho.”

Olhei para o bilhete e franzi o cenho, virando a cabeça num ângulo de trinta graus a direita para observar Sirius, que ria com James, baixinho.
Como ele conseguia rir na aula do professor Traver sem o professor chamar a atenção dele?
Esses garotos conseguiam qualquer coisa, incrível.
Ele desviou os olhos de James e olhou para mim, voltei os olhos rapidamente pro meu livro texto/o bilhete, e rabisquei apressadamente.

“Aprontando COMO?”

“Você se lembra de como ele e o James ‘adoravam’ azarar o Snape e aprontar pra ele sempre que podiam? Talvez ele esteja armando alguma coisa contra o Snape ou o pessoal da Sonserina.
Só uma ideia.”


Só uma ideia? Mas que tipo de coisa ele poderia armar contra o Snape, se ele iria se encontrar com uma menina?
Aquilo não fazia sentido para mim, tinha peças faltando naquele quebra-cabeça, ou então era realmente o que parecia ser e eu que estava sendo idiota, tentando pensar que era outra coisa e Emme só tentando me consolar.
Suspirei meio triste, odiava saber que ele estava saindo com alguém, e isso acontecia sempre, com frequência, por mais que eu tentasse não saber. Parecia imã, só porque eu não gostava de saber NUNCA se ele estava com alguém, a notícia chegava até mim na velocidade da luz.

“Talvez ele realmente vá sair com a garota e pronto. Sejamos realistas.”

Emme percebeu que aquela notícia não me deixara feliz, e como deixaria? Você, mais uma vez, ouve dizer que o cara por quem você é apaixonada está saindo com uma garota, mesmo que seja da casa que ele mais odeia, e não vai ficar triste? Pensar que ele sai INCLUSIVE com garotas até da casa que ele MAIS odeia, menos com você, não vai te deixar triste?

“Eu ainda acho que tem algo a mais nisso, nunca em sete anos ele saiu com meninas da Sonserina, ele sempre deixa bem claro que odeia todos eles, por que ele mudaria de ideia tão de repente?”

“Porque o estoque dele nas outras casas acabou?”

“Ainda tem você!”

“HAHAHA.”

“Lene, sério, eu vou seguir ele, hoje à noite, para descobrir.”

Quaaaaase, mas muito quase mesmo, eu gritei novamente um "O QUÊ?", mas me controlei e arregalei os olhos como se não acreditasse no que meus olhos liam.

“Ficou maluca de vez, Vance?”

Ela sabia muito bem que eu só chamava ela de Vance quando eu estava realmente irritada.
Qual é a dela? Seguir o meu Six? Alguma coisa tinha aí mesmo, e agora era eu quem estava curiosa.

“Ou ele está aprontando alguma coisa pra cima da Sonserina, ou são eles querendo aprontar pra cima da gente. O Jogo é sábado, se eles não vencerem a Grifinória, perdem a taça pela milésima vez; Aposto que tem alguma coisa aí.”

Ahhhh... o jogo. Nem eu tinha pensado nisso.
Eu sei o que você deve estar pensando agora: “Por que meninas estariam preocupadas com jogos de quadribol, se a Sonserina vai ou não vencer ou sabotar a Grifinória?”
Acontece que nós, meninas, também adoramos Quadribol e principalmente ODIAMOS perder para a Sonserina, sobre qualquer circunstância, isso JAMAIS deve acontecer.
Portando, diante desse assunto, eu realmente fiquei preocupada, e claro, também esperançosa, quer dizer, eu odiaria descobrir que a Sonserina está tentando sabotar para vencer a gente, afinal, se eles conseguissem deixar o Sirius ou o James fora do jogo era moleza vencerem; nós não tínhamos substitutos ao nível dos dois. Mas descobrir que o Sirius realmente estava saindo com uma menina da Sonserina era mil vezes pior, pra mim, não pra Grifinória, claro.

“Eu não tinha pensado nisso, e se eles estão apenas tentando tirar o Sirius ou o James do jogo? Daí estamos realmente perdidos.”

“Acho que devemos falar com eles.
Ps. Faz aproximadamente uns cinco minutos que o SB está olhando pra você, nem ouse olhar pra ele agora.”

O QUÊ?!
Arfei e congelei.
Como eu não iria olhar para ele naquele momento?
Respirei fundo e me concentrei no bilhete.
Merlin, ele está olhando para mim!
Ai, Merlin, será que ele é legilimente?
Quase ri de mim mesma, às vezes eu era tão desesperada. Mas e se ele for?
Okay, Marlene, não seja idiota. Não é qualquer um que tem essa capacidade, né? Concentra.
Voltei minha atenção para o bilhete, especificamente pra parte que dizia “Acho que devemos falar com eles”.
Rabisquei meio tremula de volta.

“Não. Se falarmos com eles, ele vai saber que descobrimos sobre o encontro e talvez pense que estamos fuxicando a vida dele.”

“Então vamos segui-lo”

“Você ouviu o canto do Fiuum?”

Ouvi uma risada abafada da Emme antes do bilhete voltar pra mim.

“Ele continua olhando pra você, está com a mão apoiada no queixo, olhando do professor pra você, acho que é porque tem uma acromantula no seu cabelo”

O QUÊ? Passei a mão pelo cabelo e olhei em direção a Sirius, que realmente estava me olhando e me deu um sorrisinho.
Sem saber o que fazer, sorri de volta e gesticulei baixinho algo como “Você me chamou?”, no que ele riu, baixinho, e negou com a cabeça.
Fiz um “Ahhhh ta”, só com a cabeça e voltei os olhos pro bilhete, meio assustada e com o coração na boca.
Se ele estava ficando com alguma hipogrifo de saia, eu queria saber.

“Okay, vamos seguir ele, hoje à noite.”

Sorri triunfante e feliz comigo mesma, a adrenalina já correndo por minhas veias, junto com o medo latente e poderoso.
Merlin, que ele realmente não esteja saindo com nenhuma daquelas grindylows, por favor!

xxx

O dia passou mais lento que um verme-cego, só porque eu queria que ele chegasse logo ao fim. Sabe quando você quer que o tempo voe e ele vira uma lesma? Pois é, depois do almoço tivemos duas aulas seguidas de feitiços e depois transfiguração, o que acabou me deixando com uma dor de cabeça tão grande e tão feroz quanto um rabo-córneo-húngaro, e olha que eu só tinha visto ele em livros e parecia maior do que a página.
O jantar, assim como o dia todo, passou numa lentidão que era como se até os elfos estivessem demorando para preparar a comida, mas eu só estou sendo dramática.
Depois do jantar, fomos para o salão comunal e nos sentamos num canto, sem chamar muita atenção. Sabendo que Lilly era monitora, eu e Emme decidimos não contar para Lilly o que pretendíamos, por isso, aos segredos, combinamos que quando desse mais ou menos um horário que sabíamos que estava próximo de Sirius sair - ele nunca saia cedo pros seus encontros, isso eu já sabia, infelizmente; Então, quando desse o horário próximo, eu e Emme falaríamos que estávamos com muita dor de cabeça e iriamos na ala hospitalar, e então sairíamos e esperaríamos escondida do lado de fora, assim quando ele saísse, poderíamos, de longe, segui-lo e descobrir o que estava acontecendo.
Era um bom plano, certo?
Eu tinha certeza de que iria funcionar. Por isso, quando o horário se aproximou, olhei para Emme e comecei o meu teatro de colocar a mão na cabeça, como se aquele rabo-córneo-húngaro da tarde estivesse novamente montado sobre minha cabeça.
Abaixei a cabeça e comecei a dar uns gemidos de dor, no que Lilly que estava lendo desviou os olhos do livro para me observar.
— Tudo bem, Lene? – A carinha de preocupada dela fez até eu me sentir culpada por estar mentindo e fingindo.
— Aquela dor de cabeça chaaaata de novo. – Fingi uma careta de dor, massageando a testa e fazendo caretas.
— Você passou boa parte da tarde reclamando disso, deveria ir na ala hospitalar. – Concordei com a cabeça e fiz outra careta.
— É, acho que vou mesmo ver se a Madame Pomfrey consegue dar um jeito nesse rabo-córneo-húngaro que está dançando salsa na minha cabeça.
Lilly riu e disse.
— Vai enquanto você ainda está de bom humor, o que significa que a salsa ainda não virou um sapateado. Você com dor fica sempre mal-humorada.
Fiz uma careta e me esqueci disso, coisas que só quando a gente está com dor que a gente faz sabe, mas que não lembramos que fazemos quando fingimos.
Isso que dá mentir, eu não recomendo pra ninguém, exceto em casos como esse, eu realmente precisava saber se o Sirius preferiria ficar com uma Sonserina do que comigo: a última do estoque Grifinoriano.
Olhei pra Emme como quem diz, “sua vez”, mas quando ela colocou a mão na cabeça e iria dizer que também estava pensando em ir na ala hospitalar porque a aula da professora McGonnagal ainda estava ressoando na sua cabeça, eu vi Remus se aproximar e dizer um timidamente “Olá, Emmeline”.
Ela ficou meio escarlate e sorriu exageradamente para ele, no que eu senti meu estômago afundando.
Ahh, não, droga! E agora?
— Remus! – Ela exclamou, toda feliz.
Depois do que James e Sirius disseram na tarde de ontem, era mais do que óbvio que ela ia ficar toda empolgada dele ir falar com ela, né?
— Olá, meninas. – Ele disse educadamente, mas levemente vermelho, acho que ele combinava mesmo com a Emme em certos aspectos.
Dissemos ‘oi’ pra Remus, sorrindo, e eu chorando por dentro. Remus, pelo amor de Merlin, anda logo com isso pra Emme poder ir comigo seguir o Sirius.
— Emme.. eu.. er.. estava pensando se você me ajudaria na matéria de hoje da McGonnagal...
Afundei no sofá.
Droga, e que ótimo pra Emme, mas que droga!
Antes que eu pudesse esperar para ver o que ela falaria, não que fosse difícil adivinhar, eu vi Sirius se levantando do sofá onde ele estava, em frente a lareira com James e Pettigrew, e senti meu coração acelerar no peito.
Droga, droga, droga.
Eu teria que fazer aquilo sozinha, não tinha outro jeito.
Vi Emme sorrir pra Remus e olhar para mim, meio desesperada, e eu sorri calmamente pra ela de volta como quem diz “Tudo bem, amiga, não perde a oportunidade”, e disse em seguida.
— Vou indo pra ala hospitalar antes que fique tarde.
— Ótima ideia, Lene, quer que eu vá com você? – Lilly sempre preocupada e prestativa.
Com o canto dos olhos vi que Sirius se encaminhava para o buraco da mulher gorda e senti um aperto no peito: o desespero.
— Não, Lilly, tudo bem, eu vou sozinha.
— Mas, Lene, é perigoso você ir sozinha, já está quase no horário de se recolher... – Droga, Lilly, anda logo. Ele acabava de sair, eu tinha que sair correndo, logo.
— Nãooo, Lilly. – Falei meio desesperada, segurando ela sentada na poltrona, no que até Remus me olhou, confuso. – Tá tudo bem, eu vou correndo e volto rapidinho. Fica aí.
Sorri, sem graça, e sai correndo em direção ao buraco da mulher gorda antes que Lilly realmente viesse atrás de mim.
Quando sai, percebi que tinha demorado demais, ele já tinha praticamente desaparecido, mas captei um vulto virando à esquerda no final do corredor e apressei o passo, quase correndo na mesma direção.
Mas quando virei à esquerda, não vi ele em lugar algum. Continue caminhando, meio apressada e meio apavorada. Andar naqueles corredores, à noite, sozinha, era um pouco intimidador, você ficava com medo de tudo, do Filch, do Pirraça, da McGonnagall ou o Prof. Dumbledore aparecer, ou pior, algum fantasma, eu tinha um certo medo daquele barão sangrento, sabe, mas que isso fique só entre nós, okay?
Apressei o passo e virei à esquerda no próximo corredor, nada do Sirius. Continuei andando, virei à direita, depois a esquerda e de repente percebi que estava indo longe demais.
Eu obviamente já tinha perdido ele, ele podia ter ido se encontrar com ela pro lado das Masmorras, onde ficava o salão comunal da Sonserina, ou em qualquer outro lugar mais neutro, eu nunca poderia saber, agora que tinha perdido ele de vista, então decidi voltar pra Torre da Grifinória e me contentar em jamais descobrir a verdade, eu tinha fracassado piedosamente.
Dei meia-volta e virei à esquerda, rumando ao caminho que me levaria de volta enquanto me sentia meio frustrada, triste e decepcionada. Será que ele realmente estava saindo com uma menina da Sonserina?
Suspirei e virei a direita, quando levei um susto.
Topei de frente com alguém e quase cai pra trás, o que não aconteceu porque mãos quentes e firmes me seguraram, me fazendo encarar aqueles olhos azuis acinzentados enquanto eu arfava de susto.
— Merlin!
Foi tudo que eu consegui dizer. Ele, depois de me ajudar a me equilibrar, me soltou e me olhou, franzindo a testa.
— Tá fazendo o que sozinha nesses corredores a essa hora, Lene? – Ri meio nervosa e meio encurralada pensando desesperadamente no que dizer, mas não conseguindo pensar em nada.
O que ele estava fazendo no corredor sozinho àquela hora?
— O que você está fazendo no corredor sozinho a essa hora? – Ele ergueu a sobrancelha e me encarou, meio sério.
Boa, Marlene!
Quase batia a mão contra minha própria mão num cumprimento, mas deixei quieto, ia parecer esquisito demais, né?
— Eu sou homem! – Ele sorriu meio galante e sedutor, dando uma piscadinha e eu revirei os olhos, cruzando os braços e fazendo cara de desdém.
— E isso te dá algum direito que eu não tenha? – Ah, eu me adoro às vezes, já disse isso?
— É que eu sei me virar caso alguém ou alguma coisa apareça. – Eu quase gargalhei.
Homens e seus machismos.
— Alguma coisa tipo um basilisco? – Ri um pouco alto demais.
— Tipo uma acromantula. – Parei meu riso na hora e dei um tapa um pouco forte demais no braço dele.
— Não fala que atrai a coisa! – Ele riu e então de repente ficou sério olhando para algo atrás de mim, pelo olhar dele, de assustado, eu senti meu sangue congelar na hora.
De duas uma, ou ele estava fingindo, ou realmente tinha alguma coisa atrás de mim, e ai meu Merlin, se fosse uma acromantula, eu morria ali, naquele momento, só de susto.
— Madame Nor-r-ra. – Ele disse, simplesmente, e eu entendi a gravidade da situação. Um pouco pior do que uma acromantula.
— Ai, Merlin. – Eu disse enquanto sentia ele segurar meu braço e me puxar correndo para algum lugar que eu demorei pra perceber onde era.
Só percebi onde estava quando ele me encostou contra a parede e fechou a porta, devagar.
Estávamos num armário de vassouras, no final do corredor.
Um excelente lugar para se esconder a noite, imagina o tanto de aranhas que não tinha ali, naquele momento, sobre minha cabeça e que eu sequer podia ver se estava ou não descendo para o meu cabelo.
Respirei fundo e ele, de frente para mim, dessa vez muito perto, fez um “Shiu” e sinal de silêncio com a mão.
Entenda.
Estávamos num armário de vassouras, chamamos de armário de vassouras essas minúsculas salinhas onde o Filch guarda suas vassouras, rodos e tudo para limpeza. Como ele não é adepto da magia, por mais que ele tente esconder isso de nós, nós obviamente sabemos desse detalhe, ele guarda vassouras e produtos de limpeza em armários como esse em cada andar, assim fica mais fácil pra ele, do que ficar carregando pra todo lado uma vassoura, certo?
Até que ele não é tão burro.
Mas acontece que esses armários realmente são pequenos, tem pouco espaço e muita tranqueira, algumas vassouras velhas e tudo mais, tem um cheiro meio esquisito e pouquíssima iluminação, apenas uma janelinha minúscula de onde a luz da lua se infiltra te permitindo, depois que seus olhos se acostumam a escuridão, a enxergar apenas quem ou o que estiver bem a sua frente e nada mais, muito menos aranhas minúsculas.
Por isso eu via Sirius parado a minha frente, bem próximo a mim, porque atrás dele tinha um monte de vassouras e tranqueiras nos espremendo, e também quase espremido contra meu corpo, o que eu poderia achar ÓTIMO se não fosse por aquela circunstância, ou seja, poder levar uma detenção ou pior, sabe-se lá o que Filch é capaz de fazer se ele te pegar fora da cama aquele horário e te levar para sala dele. Dizem que na sala dele tem grilhões pendurados no teto e que ele te pendura lá e você fica por horas de cabeça pra baixo até esquecer o seu nome.
Sinistro.
Como eu nunca visitei a sala do Filch ou sequer peguei uma detenção por qualquer coisa que fosse, estava apavorada, já o Sirius, por outro lado, era o mestre em detenções e já devia ter ficado pendurado na sala do Filch umas dezenas de vezes, portanto eu não acredito que ele estivesse com medo, só evitando perder tempo numa detenção. Vai que o Filch desse detenção pra ele em pleno sábado de jogo, né? Melhor não arriscar.
Ficamos ali em silêncio por algum tempo, o silêncio predominando dentro e fora do armário de vassouras enquanto eu pensava o que aconteceria se o Filch nos pegasse.
— É verdade que na sala do Filch tem grilhões no teto? – Eu sussurrei pra Sirius, que desviou os olhos da pequena abertura que ele tinha deixado na porta para ver se conseguia ver o Filch ou a Madame Nor-r-ra, para olhar pra mim.
Quando ele fez isso, ficou de alguma maneira ainda mais próximo de mim. Se fosse medir a distância entre nós, eu diria que entre meu nariz e o dele tinha uns oito a dez centímetros de distância. Ele estava tão próximo que eu podia sentir o hálito quente dele na minha pele e sentir o cheiro de hortelã do hálito dele, o que me fazia lembrar vivamente do nosso beijo. Graças a Merlin estava escuro, aliás.
— Você nunca esteve lá? – Ele indagou, igualmente baixinho, me fazendo sentir mais fortemente ainda o cheiro de hortelã dos lábios dele. – Tem sim, é uma coisa medonha de se ver.
Ele riu baixinho e desviou os olhos novamente para a minúscula abertura da porta que mal deixava a claridade entrar pela fresta.
— Você já foi pendurado lá? – Eu perguntei, inocentemente. Claro que eu não acreditava realmente nisso, mas vai saber, o Sirius já aprontara tanto naquele castelo que eu não duvidava de mais nada.
Ele soltou uma risada rouca que ecoou mais alto do que deveria, o que o fez tapar a boca rapidamente para reprimir e rir mais ainda, dessa vez com a voz reprimida, o que me fez tapar a boca para também reprimir o meu riso.
Quando paramos de rir, ele negou a cabeça levemente, me lançando um olhar de “olha só o que você fez!”, e sussurrou, em resposta.
— Não, mas já tentei pendurar o James lá uma vez. – Eu tapei a boca rapidamente enquanto ria e ele riu, baixinho, espiando pela abertura da porta.
— Vocês são dois malucos! – Eu disse e ele riu de volta.
— Você não viu nada. – Ele me olhou, dessa vez um pouco mais sério e um pouco diferente. Eu de repente senti meu sangue correr quente nas veias e minha respiração acelerar mais do que o normal.
— Aproveitando que estamos trancados aqui dentro, sozinhos, só eu e você... – Ele começou baixinho, com um tom de voz sedutor, e eu arfei, me sentindo uma idiota em seguida, abaixando os olhos e depois voltando a erguê-los para observar, na escuridão, apenas os olhos dele, sem conseguir admirar o tom acinzentado entre o azul.
— E as aranhas. – Eu disse, tentando disfarçar a tremedeira que se instalava no meu corpo.
— Acromantulas. – Ele riu e eu bati com força no braço dele.
— Para! Se não elas vão chamar a mamãe delas e daí sim você vai apanhar de verdade. – Ele riu baixo, negando com a cabeça como quem diz “Que exagero!”.
— Pois bem, como eu ia dizendo... – Revirei os olhos, gesto que ele não deve ter percebido, e ele continuou.
— Será que a senhorita poderia me dizer, agora, o que estava fazendo andando pelos corredores do castelo há essas horas da noite? – Fiz uma careta bem nítida para ele e mostrei a língua, no que ele riu. — Você fica um encanto quando mostra a língua, sabia? – Fiz outra careta e mostrei a língua novamente, no que ele riu um pouco mais alto do que devia novamente. — Sabe o que eu faço quando uma garota mostra a língua pra mim, Lene? – Ele disse e eu estranhamente senti um calor percorrer meu corpo todo.
— Você com certeza não corta a língua delas. – Que coisa mais idiota de se dizer.
Quis bater a mão na minha testa, mas era melhor não.
Ele riu roucamente, mais baixo dessa vez, negando com a cabeça.
— Você faz elas morderem a língua? – Ele riu novamente, um pouco mais alto, com aquele riso que parecia um latido. Era um pouco mais difícil ver ele rir assim, era só quando ele realmente ria com vontade, sem esperar e sem conseguir se controlar, daí a risada perdia o controle e parecia um cachorro latindo, mas era muito bonitinho, é sério, acredite em mim.
— Você é uma gracinha! – Ele disse ironicamente, e eu revirei os olhos, fiz uma careta e... adivinhe só? Mostrei a língua para ele novamente, e ele de repente, subitamente, se aproximou MUITO mais de mim, os dez centímetros se transformaram em três? Dois? Merlin, não consigo contar. Não consigo respirar!
Ele riu, aquele riso de latido novamente e afastou-se alguns centímetros novamente, agora seu rosto talvez estivesse uns seis ou sete centímetros de distância do meu rosto.
— Eu beijo ela! – Ele disse com a voz rouca e meio sexy, e eu percebi que ele queria exatamente aquilo, me deixar sem ar, tremula e caidinha por ele.
Por mais que eu REALMENTE estivesse tudo aquilo, que ele não saiba, é claro; eu não podia demonstrar, né, por isso fiz uma careta, mostrei a língua novamente e dei um empurrão de leve nele, o afastando uns dois centímetros, fazendo ele voltar a distância anterior.
— Essa tática não funciona comigo, Six. Você vai ter que se esforçar muito mais do que isso! – Eu pisquei e ri, meio desdenhosa e foi a vez dele fazer uma careta, no que eu ri de volta. — Então, o que o senhor estava fazendo nos corredores do castelo depois do toque de recolher, sozinho? – Deixei o sozinho bem nítido e ele riu baixo, negando a cabeça, novamente.
— Fui tomar um pouco de ar. – Eu ri, dessa vez tapando a boca para evitar que ecoasse muito alto a risada que foi realmente de surpresa e zombaria.
Ele querendo tomar um ar, aham, com certeza. Me caso com um basilisco se isso for verdade. Ou pior.
— Me caso com o Snape se isso for verdade. – Ele riu, como um cachorro latindo, roucamente.
— Adoraria ver essa cena! Cuidado, Lene, fiquei sabendo que ele não lava as cuecas.
— Hahaha. Como ele é engraçadinho. – Mas eu realmente ri com a zoação do coitado, infelizmente poucas pessoas gostavam dele. Bom, eu não sei se realmente é infelizmente porque ele, às vezes, faz por merecer, anda com cada pessoa e aquelas roupas sempre pretas? Bem esquisito.
— Você é uma gracinha, sabia? – Eu disse ironicamente e ele riu.
— Você, por um acaso, não estava me seguindo, estava? – Ele fez uma carinha de riso, mas estava falando sério, e eu congelei por dentro.
Droga, e agora?
— Na verdade, eu estava. Fiquei sabendo que você ia sair com a irmã do Snape e quis ir verificar isso de perto. – Dei uma risada para disfarçar a verdade daquela frase. Melhor ser irônica com a verdade, do que inventar uma desculpa muito esfarrapada.
— Eu? Com alguma Sonserina? – Ele riu, um pouco alto demais e eu olhei em direção a porta. Dessa vez ouvi passos ao longe e então olhei de volta para Sirius, assustada.
Filch.
— Droga, e agora? – Eu disse. Se Filch abrisse a porta e descobrisse nós ali, não teria escapatória, era detenção na certa.
— Relaxa, eu vou pensar numa saída. – Ele disse, como se ele tivesse a solução para tudo.
— Que saída? Aqui nem tem janela direito. – Ele fez uma careta com minha piadinha fora de hora e olhou a volta, voltando os olhos para a porta.
Então eu decidi, melhor sair dali e inventar uma desculpa, do que ser pega me escondendo, porque daí sim eu não pensaria em desculpa nenhuma que fosse suficiente.
Respirei fundo e segurei a porta, pronta para abri-la e sair, mas Sirius foi mais rápido e segurou minha mão, impedindo que eu abrisse a porta.
— O que você está fazendo? – Ele me disse, meio desesperado. Eu o encarei seriamente de volta e respondi, num sussurro áspero.
— É melhor ser pego lá fora e inventar uma desculpa, do que ser pego se escondendo! – Ele negou a cabeça, enfaticamente.
— Relaxa, ele não vai vir aqui, se você sair daí sim vai estar perdida. Comigo você está muito mais segura. – Ergui as sobrancelhas pra ele como quem diz “Ahhh ta, super herói!”.
Ri, desdenhosamente e respondi de volta.
— Eu sei me salvar sozinha. – Ele me olhou meio assustado, enquanto eu empurrava a mão dele, abria a porta rapidamente e saia do armário, fechando a porta ao sair, como quem deixa claro “Você precisa se esconder, eu não”.
Por um segundo me senti triunfante com isso, mas depois de dar alguns passos, bem na curva do corredor, congelei porque Filch vinha correndo em minha direção com o rosto esplendido de felicidade.
Droga, o que foi que eu fiz?
— AHA! Aluno fora da cama! Você estava certa, minha querida, temos uma aluninha fora da cama depois do horário, você está muito ferrada! Ah, se esta!
A felicidade de Filch poderia se comparar a minha depois que beijei Sirius, ou a de Emme quando soube que Remus gostava dela, era algo assim, bem visível sabe, quase palpável, por isso senti que se eu não arrumasse uma desculpa bem das boas mesmo, eu estava realmente muito ferrada, ah se estava!
— Filch! – Enfiei o rosto nas mãos e fingi um soluço alto. – Graças a Merlin, você chegou. - Comecei a chorar meio desesperadamente, na verdade fingi que estava chorando, não tinha uma lágrima sequer nos meus olhos, mas eu acho que o Filch não enxergava muito bem também, então ele nem ia notar.
— Ah, Merlin, eu não sei o que seria de mim sem você, Filch, ainda bem que você chegou. - Filch diminuiu drasticamente a corridinha feliz em minha direção e me olhou confuso. Aquilo, com certeza, era algo totalmente novo para ele, um aluno falando "graças a Merlin você chegou"? Tinha alguma coisa bem errada nessa história.
— Mas o que... ? – Ele começou, meio confuso e gaguejante e eu emendei bravamente na minha atuação.
— O Pi... Pirraça me trancou numa sala de aula, sozinha. – Solucei alto, as mãos ainda no rosto, somente os olhos, as vezes de fora, para ver a reação dele. – Eu na-não conseguia sair, fiquei tão desesperada.
— O Pirraça? – Filch olhou a volta como que esperando o poltergaist, e eu rezei internamente para ele não ouvir seu nome de longe e vir voando desmentir minha atuação, daí sim eu estaria perdida.
— Quando ele ouviu você chegando, ele me destrancou e saiu voando por aí.
— Cadê aquele baderneiro? Ah, ele vai ver só comigo, onde já se viu, trancar garotinhas sozinhas por aí, vou dar um jeito nele que ele vai se arrepender, ah se vai!
Filch agora parecia realmente bravo, mas com Pirraça, e saiu andando pelo corredor, em direção ao armário de vassouras, por um instante senti meu sangue congelar, e aposto que o sangue de Sirius, lá dentro, também congelou.
— Ele deve estar por aqui, eu aposto, ele ia querer ver isso. Ah, se ia. – Ele parou de frente para o armário de vassouras, olhou pro armário e olhou pra cima e a volta, como que procurando o Pirraça. Eu precisava fazer algo urgente antes que Filch resolvesse abrir a porta do armário de vassouras pra procurar lá dentro, o que ferraria o Sirius de vez.
— ELE...! – Dei um grito e Filch virou-se rapidamente para me olhar. – Eu vi ele indo pra lá. – Apontei na direção contrária e para cima, fazendo Filch seguir meu dedo com os olhos.
— Ele disse que ia procurar outra pessoa pra trancar, igual fez comigo. Você precisa impedi-lo, Filch. Ele foi pra lá, anda, ele vai esconder outro aluno!
Filch arregalou os olhos e começou a andar esbaforido na direção contrária do armário de vassouras, praguejando e resmungando baixinho coisas que eu mal conseguia entender direito como “baderneiro”, “vai se ver comigo” e “pirraça”.
Ele sumiu de vista, acompanhado de sua gata, e eu respirei fundo, aliviada, enquanto ouvia a portinha do armário de vassouras se abrir, para me virar e encarar um Sirius boquiaberto, quase branco.
Sorri triunfante e disse, com a boca cheia.
— Quem precisa salvar quem, hã? – Pisquei de maneira poderosa, me virei e sai andando, confiante, enquanto deixava um Sirius confuso e perplexo, para trás.
Nunca, jamais, subestime uma mulher, meu bem.


Capítulo Quatro: Black ou Wood?


- As mulheres inteligentes sabem que -
Não há nada que um homem queira mais do que algo pelo qual ele precise lutar um pouco para conseguir.

"O jogo de gato e rato que as mulheres acham enlouquecedor é, na verdade, muito excitante para os homens”.

Finalmente a sexta-feira tão esperada e desejada tinha chegado. Eu mal acreditei que o dia estivesse com aquela cara de lindo e maravilhoso. Quando me levantei e vi o sol brilhando fortemente pela janela, sinal de que o sábado estaria também lindo e ensolarado e o jogo seria perfeito, mais perfeito ainda se a Grifinória vencesse. Diante daquela ideia, me arrumei com a certeza de que nada abalaria meu humor naquela manhã maravilhosa, digna de aplausos.
Como eu estava enganada.
Mal havia descido para o salão comunal e a vida esfregou na minha cara como meu humor poderia mudar radicalmente, e de uma maneira nada legal.
Desci e parei, feliz, sorridente e animada, junto as meninas, que me esperavam perto da lareira, incrivelmente (eu não sei porque, mas esses marotos andam muito mais próximos de nós do que nos últimos seis anos), os marotos, é claro, estavam lá também, todos conversando animados e, claro, ninguém deixou de notar o dia maravilhoso que fazia lá fora e a perspectiva de um sábado perfeito para jogo. Enfim, assim que eu desci e me juntei a tropa, eu percebi que uma garota acenava para mim do outro lado do salão comunal. Anna Spinnet.
Eu conhecia ela, quer dizer, não éramos amigas nem nada, mas eu sabia quem era a garota porque sua irmã estava no sétimo ano com a gente, enquanto ela estava no quinto. Sorri sem jeito e disse para as meninas que eu já voltava, e me encaminhei até onde Anna estava parada, ao canto do salão, como se estivesse se escondendo de alguém ou algo.
— Oi, Anna. – Sorri, educadamente, e percebi que a menina parecia meio sem jeito, por isso tentei ser mais doce possível. O que não é tão difícil, sou a doçura em forma de pessoa. Haha. – Tudo bem? O dia hoje está lindo, você viu?
— É... Eu vi. – Ela sorriu e olhou para as próprias mãos. Sem saber o que fazer, olhei também para as mãos dela e percebi que ela segurava o que parecia um pedaço pequeno de pergaminho enrolado. Estranhei.
Ela ia dar um bilhete pra mim?
— Você queria falar comigo? – Eu disse, já com a curiosidade martelando freneticamente dentro de mim. Será que alguém tinha pedido pra ela me entregar um bilhete? – Eu vi você acenando pra mim.
Sorri e ela, meio avoada, parece que voltou pra Terra e me olhou, sem jeito ainda, e riu.
— Ah, sim, queria sim. É que... Você é amiga do Black, não é?
— O Six?... quer dizer, o Sirius? Sou sim, por quê? – Epa, epa, epa, meu sinal de alerta começou a apitar dentro da minha cabeça e luzes de sirene começaram a brilhar e girar, girar, girar...
— Será que você poderia... – Estremeci e olhei para o bilhete.
Não. Merlin, não.
— O quê? – Me controlei para não fechar a cara ou dar um showzinho diante dos pensamentos mais malucos que passavam pela minha cabeça.
Calma, Marlene, pode não ser nada. Respira. Respira.
Sorri, sem jeito, pra ela, como se ela pudesse ler meus pensamentos, e ela sorriu de volta, ainda mais sem graça.
— É que uma amiga pediu pra entregar esse bilhete pra ele, mas como eu... eu não falo com ele, pensei que você... você poderia...
— Entregar pra ele? – Tenho quase certeza que a minha voz estava exasperada demais quando perguntei isso, mas Anna parecia tão tremula, sem jeito, sem graça e tudo de sem que existisse no mundo, que ela nem percebeu que eu também estava sem... sem controle.
— É... – Ela sorriu sem jeito e ergueu o pequeno pergaminho enrolado, e eu sorri, tremendo e com um frio na barriga, pegando o pergaminho e tentando parecer normal.
Respira, Marlene, respira.
— Claro, Anna. Pode deixar. – Dei o melhor sorriso que consegui e me virei para voltar às minhas amigas, quando ela me chamou de novo.
— Marlene? – Encarei ela, com o cenho franzido e ela disse. – Não deixa os outros meninos verem, okay?
Eu ri descontroladamente, o que pareceu até estranho, e fiz um gesto com a mão de quem diz “pode confiar em mim”.
Será que ela podia mesmo?
Voltei, mais trêmula que ela, pra junto das meninas e Emme me olhou de lado, percebendo que eu estava parecendo novamente a irmã do Nick quase sem cabeça.
Ela queria que eu desse um bilhete para o Sirius, e eu aposto e ganho que era dela mesma e não de nenhuma amiga, como ela tinha dito.
Mas como eu faria isso?
E o que será que tinha escrito no bilhete?
Voltei a mim quando ouvi a voz da Lilly, que parecia meio alterada, falando comigo:
— Lene, OIII, Terra chamando! – Eu ri, meio avoada ainda e a encarei. – Você não vai com a gente pro salão principal?
Olhei para ela e olhei para o bilhete em minha mão. Anna não estava mais ali.
Era a minha chance.
— Ah... vão indo vocês, eu esqueci de pegar uma coisa.
Sai correndo em direção ao dormitório, entrei aos tropeços e desabei, trêmula, na minha cama com o bilhete, trêmulo também, em minhas mãos.
Fiquei olhando para o bilhete pelo que pareceu uma eternidade, o coração pulsando forte dentro do peito, as mãos tremendo enquanto de um lado do meu ombro um diabinho falava “abre logo isso, Marlene”, enquanto no outro ombro um anjinho dizia calmamente “Marlene, isso não é certo, ler as coisas dos outros é errado”.
Mas era sobre o Sirius!
O diabinho venceu. Me perdoe, anjinho.
Desenrolei calmamente o pergaminho, com as mãos tremendo, e fiquei olhando pra ele por mais um século e meio.
What the hell...
Tentei ler tudo, eu juro que tentei, mas meus olhos só focaram algumas palavras que foram mais do que suficientes para arrancar todo o ar do meu pulmão, acho que arrancaram o pulmão junto, e o coração também.
Fechei os olhos e as palavras continuaram lá, dançando salsa e merengue na minha cara, coisas como: “Aquela outra noite”, “saudade da sua boca”, “te quero” e “hoje à noite” eram algumas das que ficaram zombando de mim enquanto arrancavam, um por um, meus órgãos vitais.
Voltei a mim quando ouvi o barulho da porta e tentei desesperadamente esconder o bilhete que jazia nas minhas mãos, assim como meu coração, mas foi tarde demais. Emme já entrara e sentava-se a minha frente, encarando eu e minhas tripas junto com o bilhete.
— O que é isso? Você achou mesmo que eu não tinha visto ela te entregar isso, Marlene Mckinnon? – Ela, tipo, nem esperou eu falar nada, já arrancou o bilhete das minhas mãos e ficou lá, sentada, calmamente lendo minha sentença de morte, como se fosse uma coisa normal de se fazer nas manhãs de sexta-feira.
— Meu Merlin amado! Ela só tem quinze anos e já sabe falar tudo isso? – Ergui os olhos e franzi o cenho. O que mais eu tinha perdido enquanto aquelas palavras saltavam do pergaminho e me estrangulavam?
— Não me faça imaginar que tem coisa pior do que o pouco que eu li... – Comecei na defensiva e Emme riu, enrolando o pergaminho e me observando calmamente. Essa calma toda dela me irritava, às vezes.
— Ela quer que você entregue pro Sirius, né?
— Eu não vou fazer isso, vou falar que entreguei e ele nunca, jamais vai sair com ela de novo, porque ela vai achar que ele deu um fora nela e vai ficar com raiva, daí não vai mais ir atrás dele, daí assim eles não vão ficar juntos e eu vou poder ter ele só pra mim, porque se eu ver ele com ela eu não sei o que eu vou fazer e eu...
— LENE! – Voltei a mim quando ouvi a voz alta de Emme e os dedos dela estalando na minha frente. Merlin, me interne no St. Mungus, porque estou enlouquecendo.
Eu acho que falei tão rápido tudo que ela não entendeu nada, e eu muito menos.
— Escuta. Você vai SIM entregar o bilhete pra ele, e...
— O QUÊ? VOCÊ FICOU LOUCA, EMME? Eu não posso, você não leu o que ela...
— MARLENE MCKINNON! – Parei e percebi que agora ela estava em pé, com as duas mãos na cintura, me encarando com uma cara que lembrava muito a minha mãe. Eu quase podia ver o rosto da minha mãe no rosto dela. Sinistro.
— Presta atenção. Você quer ou não quer conquistar esse raio de menino?
Fiquei meio em choque olhando pra ela, enquanto ela me encarava, ainda parecendo minha mãe.
Incapaz de responder, balancei a cabeça afirmativamente, e ela assentiu, voltando a se sentar na cama a minha frente.
— Você tem que entregar o bilhete porque, se você não entregar, ela vai descobrir, e se ele descobrir que você tinha um bilhete pra ele e sumiu com o bilhete, vai ficar na cara que você sente algo por ele, da´, meu bem, não vai ter plano algum que funcione.
Assenti novamente, ainda em choque, e com o coração, restituído no peito, batendo enlouquecidamente.
Eu ia entregar meu amor de mão beijada para aquela pervertidinha de saia?
Merlin me ajude a não cometer nenhum assassinato.
— E... Se você for falar com ele, entregar o bilhete e parecer casual, normal com aquilo, ele vai pensar que você não sente nada por ele, ou seja, vai fazer ele pensar porque você, a única, quer dizer, uma das únicas, garota de Hogwarts não morre de amores por ele, e daí sim, ele vai finalmente começar a querer você. Entendeu?
Fiquei um tempão olhando pra ela com cara de tacho, antes de finalmente dizer:
— Hã?
Emme bufou e revirou os olhos.
— Santa lerdice. – Dessa vez fui eu que revirei os olhos.
— Perai, deixa eu ver se entendi. – Ela deu aquele sorriso de mãe, tentando ensinar o filhinho burro. – Se eu entregar o bilhete pra ele e fingir que nem ligo se tem meninas afim dele, ele vai ficar interessado em mim por isso?
— Ele vai achar que você não está nem ai pra ele, e isso é a alavanca da coisa.
— Então... Eu tenho que fingir que pra mim tanto faz com quem ele se agarra ou não?
Senti meu estômago embrulhar.
Emme assentiu e eu senti vontade de vomitar o café da manhã que eu nem tinha tomado ainda.
O que a gente não faz por amor, hein?

Confesso que eu nem sei o que comi no café da manhã, muito menos se eu comi. O horário do café da manhã passou que nem um borrão enquanto eu tentava me preparar para a hora derradeira que se aproximava cada vez mais, e cada vez mais eu me via incapaz de fazer aquilo.
A primeira aula se passou e eu tremia igual vara verde quando a turma toda se levantou e saiu falante corredor a fora. Eu sentia o olhar de Emme sobre mim enquanto pendurava a mochila nas costas e segurava com as mãos tremulas o bilhete, quase esmagado na mão. Sentia nojo só de pensar no que eu estava segurando. Será que ele iria mesmo se encontrar com ela e fazer sabe lá Merlin o que ela estava insinuando naquele bilhete?
A ânsia de vômito veio e eu a engoli, respirando fundo e seguindo o pessoal enquanto saíamos da aula de feitiços e seguíamos em direção a aula de poções nas masmorras. O caminho até lá era razoavelmente mais longo, por isso esperei todo mundo seguir a frente enquanto enrolava ainda na sala, de olho em Sirius, James e Remus, que, como de costume, eram os últimos a entrar e a sair da sala, o motivo que eles demoravam a sair não era porque gostavam tanto assim de estudar, mas porque gostavam de ficar zoando um ao outro e os demais enquanto a sala ia esvaziando. Era como se naquele momento eles pudessem falar, rir e zoar tudo que não podiam durante as aulas.
Sai pelo corredor e senti Emme esbarrar em mim e dar aquela olhada de “anda logo, sua lerda”, e revirei os olhos enquanto ela e Lilly seguiam rápidas pelo corredor, talvez para garantirem o primeiro lugar na sala de Slugohrn.
No minuto que perdi elas de vista, senti meu coração palpitar mais forte no peito e minhas mãos suarem quando ouvi a risada de James e a voz de Sirius e Remus, que vinham caminhando lentamente logo atrás de mim.
Era agora ou nunca.
Respirei fundo e abri o melhor sorriso forçado que Hogwarts inteiro em cinco mil anos (quantos anos Hogwarts tinha mesmo?) já tinha visto e me virei, percebendo que na mesma hora em que eles me notavam, a conversa diminuíra drasticamente, quase como se eles estivessem falando de mim e não tivessem me notado ali.
Eu, hein.
— Hey! – Meu sorriso era capaz de iluminar o castelo inteiro, eu era mesmo muito boa em fingir felicidade, descontração e animo.
— E ai, Kinnon. – Pude ver que Sirius e Remus se entreolharam e seguraram o riso, que eu não entendi patalhufas porque, enquanto James se encaminhava todo sorrisos pro meu lado, passando a mão sobre meus ombros e me puxando junto com ele enquanto caminhávamos lentamente pelo corredor.
Estava começando a entender a troca de olhares e o riso abafado de Sirius e Remus. Tinha Lilly nesse assunto.
— É verdade mesmo que a Lilly vai sair comigo no sábado ou ela só está querendo me pregar alguma peça? – Ele mal completou a frase e eu deixei escapar uma gargalhada misturada com um suspiro, enquanto Remus e Sirius finalmente soltavam o riso preso, gargalhando junto comigo.
A carinha de James de tipo "sério mesmo que meu maior sonho da vida vai realizar?" era tão comovente que, mesmo rindo, não que eu estivesse rindo dele, mas rindo da situação, eu senti um aperto no peito de comoção, aquela coisa de tipo "cara, eu entendo perfeitamente o que você está passando".
Com isso eu parei de rir e sorri para ele o mais meiga e doce possível, até me esquecendo daquele bilhete nojento na minha mão, naquele momento com certeza já todo amassado. Haha.
— Pelo jeito, não sei quem está mais nervoso, você ou ela. – Confessei, vendo a carinha de alívio e felicidade se estampar no rosto lindo dele e sorri, sentindo uma alegria compartilhada se espalhar em meu peito, nem ligando pro meu subconsciente que dizia que a Lilly iria me matar, fatiar e jogar meus restos mortais para a lula gigante se soubesse o que eu acabara de dizer.
— Relaxa, Pontas, vou estar lá pra te atazanar até que você jamais se esqueça daquele encontro. – Brincou Sirius, e nós rimos enquanto James fazia uma careta e dizia.
— Nem pense nisso, seu cão sarnento, eu arranco suas pulgas com água fervendo. – Sirius gargalhou e eu olhei de Sirius pra James, sem entender muito bem aquela piadinha/ameaça.
— Bom... Te deixo em paz só se a Lene me manter ocupado. – Opaaa, coméqueé?
Sirius deu uma piscadinha charmosa pra mim e eu ri alto, engasgando junto enquanto tossia e ria, tudo ao mesmo tempo enquanto meu cérebro meio lento (estou começando a entender porque as meninas me chamam de lerda) processava aquela frase. Aquilo queria dizer que ele queria que eu o mantivesse ocupado, tipo, eu e ele, e... ai, Merlin, me acuda.
Respira, Marlene, respira.
— Com certeza vou te manter ocupado – Eu disse, na maior normalidade, enquanto Sirius abria um sorrisão, tipo quase se achando vencedor naquela. Mas ele não ia sair dessa achando que eu morria por ele. Ah, não ia mesmo. Estágio quinhentos e noventa e sei lá qual mais, até o fim. Com isso conclui dando o meu melhor sorriso de vencedora. – Vou te amarrar na cadeira.
Dei a minha piscadinha, no que James e Remus gargalhavam enquanto Sirius fazia uma carinha de cachorrinho abandonado.
Eu estava começando a entender a piada do James sobre cão sarnento, às vezes ele tinha mesmo uma carinha de cachorrinho, agora parecia aqueles cachorrinhos de rua abandonados.
Coisa mais linda, pena que eu não podia levar pra casa.
Droga.
— Essa é uma verdadeira marota, viu, Almofadinhas. – James me abraçou novamente pelo ombro e riu, enquanto eu ria junto e pensava “ótimo, já posso entrar pro bando, então?”.
Ergui a mão que segurava o bilhete, já meio esmagado contra minha mão, pra tentar segurar minha mochila no ombro quando Sirius, curioso que só ele, segurou minha mão rapidamente, quase puxando o pergaminho dela.
— Hey, o que é isso?
Fiz uma careta e apertei mais a mão contra o pergaminho, impedindo que ele puxasse.
Calma lá, playboy, essa porcaria é pra você, mas pra que a pressa, né? Eu ainda desejava, no fundo do meu ser, dar aquele bilhete pra um trasgo montanhês mastigar, achando que era erva doce.
— Ah... isso é... pra você! – Dei o melhor sorriso forçado que encontrei dentro de mim e ele me olhou, franzindo o cenho.
— Bilhetinho de amor pra mim? Poxa, Lene, eu ia te conquistar em Hogsmead, não precisava ser tão apressada assim.
— HÁ HÁ HÁ. – Eu disse, fazendo uma cara feia, sem conseguir manter ela por muito tempo enquanto James e Remus gargalhavam, fazendo eu gargalhar junto. – Como você consegue andar por aí com esse ego enorme?
Sirius franziu o cenho e riu, meio sem entender nada, enquanto eu revirava os olhos.
Era lindo, maravilhoso, gostoso, delicioso e tudo de oso nesse mundo, mas era absurdamente convencido. Com razão, diga-se de passagem, e que ele não saiba, por favor.
— Na verdade, esse bilhete é pra você, mas de uma pobre coitada da Grifinória que se deu mal de cair nas suas garras. – Eu ri, desdenhosamente, e ele me olhou meio torto. Acho que ele não estava entendendo muita coisa, pensando bem, as meninas tinham razão em dizer que ele também é meio lerdo.
— Bilhete de quem? Posso ver? – Ele levou a mão até a minha, mas tudo que conseguiu fazer foi segurar a minha mão, sem conseguir pegar o pergaminho que eu estava, cada vez mais, amassando contra a palma da minha mão.
— Calma ae, sarnentinho. – Eu disse e Remus e James, que agora caminhavam próximos a nós meio calados, mas prestando toda a atenção do mundo na nossa conversa, riram, e Sirius fez uma careta.
A mão dele permaneceu sobre a minha como se estivéssemos andando de mãos dadas, só que não, e eu senti o calor da mão dele se espalhar por meu braço e por meu corpo, a sensação da pele dele na minha era a coisa mais maravilhosa do mundo.
— Ninguém resiste ao meu charme. – Ele abriu o sorrisão lindo e galanteador e eu derreti por dentro. Por dentro.
— Ninguém, vírgula. – Dei um sorriso lindo e pisquei pra ele, no que ele pigarreou e me olhou de lado.
— Então vai me entregar de bandeja assim pra primeira que aparecer? – Ele riu, mas não foi um riso comum, foi um riso meio "estou falando a verdade, mas estou rindo pra parecer que é brincadeira", e eu franzi o cenho, olhando pra ele e o encarando por alguns segundos, sem entender muito aquilo.
Como se fizesse diferença pra ele, né.
Quando desviei os olhos dos dele e olhei para a frente, percebi que James e Remus estavam agora caminhando mais a nossa frente, com uma certa distância de nós, como se quisessem dizer "olha, estamos aqui, mas não estamos vendo nem ouvindo essa conversa, então podem mandar ver".
Senti um caláfrio com esse pensamento. Como eu adoraria poder "mandar ver" com ele naquele momento.
Suspirei e disse, em resposta a pergunta/brincadeira dele.
— Bom, você é meu amigo, então, eu não tenho nenhum problema quanto a isso.
Sirius me olhou de lado por um tempo, meio pensativo, depois deu uma risadinha e disse.
— Pensei que estivesse morrendo de amores por mim depois de ter me beijado aquele dia.
— Hey! – Encarei ele, indignada, o que na verdade estava mesmo. Esse ego dele às vezes é um porre. – Você que me beijou!
Deixei transparecer minha indignação, mas ele só soltou uma gargalhada como se gostasse daquilo. Talvez ele tenha dito aquilo justamente para me pirraçar e me deixar nervosa.
— Não me lembro disso.
— Vou pedir ao professor Slugohrn uma poção pra memória então, porque você está precisando. – Dei um sorrisinho e ele riu alto mais uma vez, como se eu tivesse contando uma piada.
— Mas você não precisa de poção de memória pra lembrar do beijo, né. – Ele piscou e riu mais alto, enquanto eu fechava a cara. – Aposto que sonha comigo todas as noites.
Merlin, ele está se fazendo de idiota e está se saindo muito bem.
— Idiota. – Soltei uma gargalhada e nós dois rimos juntos por quase um minuto, o que fez Remus e James virarem a cabeça pra trás para nos olhar, como quem não entende que bicho que nos mordeu.
— Vai se ferrar. – Eu disse depois de recobrar o fôlego e ele soltou uma gargalhada.
— Adoro ver você nervosinha, fica toda vermelha, é um charme. – Ele disse entre risos e eu mostrei a língua pra ele, enquanto por dentro ficava em choque.
Como assim? Ele já fez isso antes pra me ver nervosa? Há quanto tempo ele me observa e nota essas coisas? Ele me observa? Ele me nota?
Meu cérebro entrou em pane, mas eu nada pude demonstrar, então apenas disse.
— Você sabe muito bem que eu estou afim de outro, então guarde seu charme pra gryndylow de saia aqui. – Eu disse, sacudindo o bilhete e ele riu, mas não pareceu mais tão interessado no bilhete.
Era como se por um minuto eu fosse mais interessante que qualquer chance dele dar uns amassos.
— Mas se você quiser entrar na fila, quem sabe daqui uns dez anos você não dá sorte? – Eu dei uma piscadinha e ri, brincando, enquanto ele fazia uma careta de quem diz "não gostei".
Hahaha, ponto pra mim.
— Dez anos é muita coisa, Lene, poxa... – Ele riu, mas seu sorriso se desfez de repente enquanto ele diminuía os passos e seus olhos ficavam fixos a frente.
Diante de suas reações, olhei a frente para ver um menino muito parecido com ele, que vinha na nossa direção com a cara meio de deboche e desdém.
— Ora, ora, vejam só. Meu irmãozinho arrumou uma namoradinha? – Eu podia jurar que Sirius era mais velho que esse menino, mas o tom de voz e a palavra ‘irmãozinho’ deixava bem claro que os dois não se gostavam nenhum pouco.
A cara de Sirius dizia tudo isso e muito mais.
— O que você quer, Régulo?
Eu podia sentir a camada de ar frio e áspero entre os dois e me aproximei mais de Sirius, como quem diz, "não esquenta que esse zé ruela não vai se meter com você", no fundo eu também queria meio que dizer pra esse tal de Régulo "é, sou mesmo a namoradinha dele".
Quem dera.
Sirius não disse nada sobre esse assunto, mas parecia não querer responder nada pra Régulo, suas atitudes eram de tanto desdém quanto do menino, e passei a odiar o menino naquele minuto.
— Poxa, irmãozinho, só vim te dar um oi. Mamãe mandou lembranças. – Régulo riu, desdenhoso, e Sirius não se moveu um centímetro. Seu rosto fechado parecia cada vez mais irritado, e eu aposto que ele só não tinha quebrado a cara do irmão porque eu estava ao seu lado.
Se eles eram mesmo irmãos, não tinham nada em comum, quer dizer, se pareciam bastante, mas ainda assim eram diferentes, sem contar que Sirius era muito mais bonito, charmoso, estiloso e tinha seu próprio brilho.
Régulo parecia muito com Snape, e eu não duvidaria nada se fizessem parte do mesmo grupo de amigos. Tinha aquele ar de desdém de todo Sonserino, como se o sol girasse em torno do seu umbigo. Apesar de ter os mesmos traços no rosto, Sirius tinha passado bem mais na fila da beleza e gostosura do que Régulo.
Naquele momento, tive um insight.
— Você é da Sonserina! – Eu exclamei como quem descobre uma coisa muito importante. E tinha descoberto mesmo. – É um Black!
A risada de desdém de Régulo me fez sentir vontade de engolir minhas palavras.
— Olha só, irmãozinho, não é que sua namoradinha se parece mesmo com você: lerda e burra. HAHAHA!
Mas o quê?
Percebi que Sirius fechou a mão em punho e já abria a boca pra me defender, mas fui muito mais rápida que ele.
O que esse sujeitinho idiota está pensando que é?
— Olha só quem fala, eu não sabia que filhote de trasgo falava. – Régulo arregalou os olhos, ofendido, enquanto Sirius olhava do irmão pra mim, surpreso. – E esse cheiro? – Respirei fundo, fazendo uma careta e afastando o rosto do sujeitinho. – Nas masmorras não tem chuveiro, não? Há quanto tempo você não toma banho?
Deixei escapar uma gargalhada e vi Sirius rir comigo, enquanto Régulo dava um passo pra trás, o semblante fechado, como quem faz cara feia.
Ah, coitado, como se eu tivesse medo de cara feia. Como diz minha mãe, "cara feia é fome", no caso dele, deve ser também falta de banho.
— Por isso eu disse que você era da Sonserina, esse cheiro só pode vir de lá. – Gargalhei mais ainda, dando minha cartada final e as narinas de Régulo se inflaram.
— Você está brincando com a pessoa errada, garota.
Hahaha. Estou me divertindo muito com esse babaca.
— Régulo. – Sirius disse, em tom de advertência, mas eu não conseguia parar de rir, ele não me dava medo nenhum, me dava crise de risos.
— Ui, que medo. Me borrei de medo agora. Ah, não, quem anda de cueca suja é você, né?
HAHAHA!
Gargalhei e Sirius gargalhou comigo enquanto Régulo, ofendido e com a cueca freada, com certeza, saia pisando fundo.
Eu não conseguia parar de rir.
Que comédia.
— Muito engraçado o seu irmão, Sirius. – Respirei fundo, controlando meu acesso de riso e vi Sirius me encarando, com o rosto risonho. – O que foi?
— Desde quando você é assim? – Eu ri diante do ar impressionado dele e pisquei, cheia de charme.
— Você ainda não viu nada.
— Tenho até medo do que mais posso ver. – Ele disse e eu ri. Isso foi um elogio?
— Não precisa me agradecer depois. – Entreguei o pergaminho, já bem amassado pra ele, que segurou meio incerto, e pisquei, me virando e saindo andando, ou melhor dizendo, desfilando, como quem diz: "essa daí se oferece, mas a carne aqui que você não pode ter, é mil vezes melhor", chora baby.

Aquela noite era um pré-jogo da Grifinória, o que queria dizer que, ao invés dos jogadores estarem na deles, calados, concentrados, eles estavam todos aglomerados no salão comunal, bebendo muita cerveja amanteigada, conversando, rindo e alguns até dando os chamados ‘pegas’, escondidos nos cantos do salão.
Eu, obviamente, não era a que estava em algum canto do salão dando “uns pegas” no meu amado, lindo e maravilhoso Sirius Black, por mais que eu adorasse essa ideia. Eu era aquela que sentava num canto com as amigas e ficávamos lá rindo de nós e rindo dos outros, afinal de contas, não tem nada mais legal que uma mulher pode fazer do que se juntar as suas amigas mulheres para falar das outras mulheres.
Pra minha sorte, e olha como Merlin gosta mesmo de mim, aquela noite de festa pré-jogo, Sirius milagrosamente não estava agarrado a ninguém, nem desaparecido do salão comunal, o que naquelas festas pré e pós jogos era bastante comum, levando em consideração que ele era artilheiro da Grifinória ao lado do James, que era apanhador. Com isso, associado ao seu currículo de gato, galanteador e sexy, ele conseguia mais umas quinhentas e noventa e nove fadas mordentes atiradas em cima dele.
Diante de tal pensamento, fiz cara de ânsia, olhando disfarçadamente para ele, que estava sentado em frente a lareira, acompanhado de seus amigos, ou comparsas por assim dizer: James, Remus e Pettigrew. Estavam rindo, conversando e tomando cerveja amanteigada, o que era bastante comum nessas festas, agora como e de onde vinham, isso era um mistério que eu não gostaria de descobrir.
— Meu Merlin, alguém diz pra Loevell que ela está parecendo um grindylow com aquela roupa! – Disse Emme, fazendo-me desviar meus pensamentos de Sirius e, junto a Lilly e Alice, gargalharmos tanto que minha barriga começou a dar cãibras de tanto rir. – E aquele cabelo de sereiana?
— Ela deve dormir no lago negro a noite e voltar de manhã só pra ir pra aula! – Disse Alice entre risos, o que nos causou mais dores na barriga.
— Dormir? Ela deve morar no lago negro, enrolada com a lula gigante! Merlin, alguém me diz como ela conseguiu ficar com o Gideão, por favor!
Já mencionei que Emme tem uma quedinha por homens com nomes estranhos? Tipo o Gideão, o Remus.. cof, cof, o Remus é um caso a parte que não pode ser mencionado perto da Emme, ela fica tão vermelha que você começa a pensar que ela esfregou o cabelo molhado da Lilly no rosto e de repente começou a ficar da mesma cor.
— Alguém falou meu nome? – Nos viramos todas de uma vez só para ver Gideão Prewett parado ao lado do (que o Sirius não ouça isso) LINDO John Wood. Sim, nunca comentei dele para vocês? Ah, se existe perfeição depois de Sirius Black, eu diria que começa com John e termina com Wood. Eu digo isso porque ele é o único jogador de quadribol da Grifinória que sempre chega dos jogos ao salão comunal ainda com o uniforme, e, detalhe básico, sem camisa e mostrando aqueles perfeitos peitorais malhados que, agradeço a Merlin todos os jogos, por ele não sentir frio depois de uma partida. Como Merlin foi bondoso em ter inventado esse jogo!
Bom, deixando Wood e seu peitoral divino de lado, se isso for possível, porque é claro que pensar nisso me deixou assim levemente corada; Emme, se é que isso é possível, ficou mais vermelha do que eu e começou a tossir sem parar enquanto Gideão e Wood, segurando algumas garrafinhas de cerveja amanteigada nas mãos, nos olhavam com feições do tipo achando graça e não entendendo nada, o que é perfeitamente normal diante de garotas como nós.
Dei uma olhada de esguelha para Lilly, que estava vermelha como os cabelos, segurando os risos, e Alice, que de repente ficou interessadíssima no canto do sofá meio rasgado, e Emme, que tossia e mexia meio descontrolada na ponta de seu cachecol, e não aguentei mais, comecei a rir descontroladamente, fazendo os meninos rirem sem saber nem porque e ficarem com a cara mais “não tô entendendo porcaria nenhuma mais, alguém leva elas pro St. Mungus, por favor!”.
— A gente tava comentando como alguém conseguiu sair com a Loevell, tipo... você! – Eu disse entre gargalhadas e apontei para Gideão que de início não entendeu nada, mas daí começou a gargalhar junto e, de repente, pronto, tudo resolvido, todos rindo sem parar, até os meninos, numa boa, se sentarem perto de nós, o Gideão no braço do sofá da Emme, para alegria ou desespero dela, e o Wood no braço da minha poltrona, para minha alegria ou desespero.
— Ah, pensei que vocês estavam falando mal de mim, garotas. – Ele piscou meio charmoso e todas nós rimos, acompanhadas dele e de Wood. Eu não entendi muito bem aquela piscada. Digamos que Gideão não era lá um galã da Grifinória, mas ele era divertido e engraçado, e, como dizia Emme, tinha um nome estranho, bonito e sensual na hora de dizer... tipo Gi..de..ão. UAU, perdi o fôlego! Vai entender essas garotas.
— Viemos ver se vocês gostariam de tomar umas cervejas amanteigadas. – Disse Wood, sem precisar ser charmoso, mas já sendo. Ele era o tipo de cara naturalmente sensual, bonito e sexy, sem piscadelas nem nada, até mesmo com camisa, e se eu não fosse tão loucamente, tipo, bem loucamente mesmo, apaixonada pelo Sirius, quem sabe eu não daria umas voltinhas naquele parque de diversões? Cof, cof, se é que você me entende.
Reprimi um riso diante de meus pensamentos pecaminosos, como diria Lilly, o que passou totalmente despercebido diante do clima descontraído, e sorri para Wood, sentindo meu rosto esquentando cada vez mais. Imagina se esse garoto é um Legilimente?
Tossi, engasgada, ficando mais vermelha, enquanto Emme ria, já recuperada do seu acesso de tosse e vermelhidão e voltava a ser a Emme linda e sensual de sempre, tirando totalmente a atenção de quem quer que fosse de mim. O que foi um alívio.
— Ah, como eu estava esperando ansiosamente que garotos cavalheiros como vocês nos dissessem isso. – Gargalhei com a frase sensualmente exagerada dela, ainda vermelha e distraidamente desviei meus olhos para o outro canto do salão comunal, onde Sirius estava sentado com os marotos, apelido um tanto estranho deles, e me deparei com um par de olhos azuis acinzentados olhando diretamente para mim.
Senti como se um balde de água fria caísse sobre minha cabeça. Ele estava olhando para mim! Ou será que tinha outra garota atrás de mim e eu não tinha percebido, fiquei tentada a virar e olhar para trás, mas como virar significava quebrar aquele contato visual momentâneo e maravilhoso entre nós, não me mexi um milímetro sequer e mantive o contato com ele pelo que parecia uma eternidade, mas que, na realidade, deve ter durado no máximo uns três segundos, porque no segundo seguinte eu estava sentindo a mão do Wood no meu ombro e, sem saber porque estava gargalhando junto com eles e ficando toda vermelha novamente, só que dessa vez era o calor daquele olhar penetrando todas as células do meu corpo.
Como ele conseguia fazer isso comigo? Só me olhar e de repente meu corpo se aquecia e o mundo ganhava uma cor especial, ficava todo colorido, como se eu pudesse sair de pijama pelos gramados escurecidos e congelados de Hogwarts, sorrindo, feliz e saltitante, sem sentir frio, medo ou me sentir uma louca desvairada, porque, convenhamos, fazer isso só me faria ser uma louca desvairada mesmo. Sorte a minha que essas vontades eram só vontades passageiras, daquelas que dá e passa.
— Sorte a nossa que temos vocês. – Peguei a frase da Emme no ar e ri, sem saber nem porque estava rindo, estar com elas era isso, era rir sem nem saber porque. Mais ou menos igual quando eu ficava pensando no Sirius e sorria sem nem saber porque. Coisas da vida.
— Parece que vocês estão nos bajulando. – Brincou Wood e eu gargalhei. Parece? Ele não conhece a Emme mesmo, ela só estava os seduzindo para conseguir mais cervejas amanteigadas ou algo mais que estivesse rolando por ali e não tinham nos contado.
— Que isso, Wood.
— Impressão sua.
— É, coisa atoa.
— Coisa boba. – Completamos as quatro e gargalhamos, fazendo os meninos se entreolharem sem entenderem nada.
— O que será que estão servindo a parte nessa festa que não nos ofereceram ainda? – Todos nós gargalhamos.
— Você não viu nada ainda, Wood. – Engasguei e tossi e ri, tudo ao mesmo tempo ao ouvir aquela voz enquanto Lilly fazia uma careta estranha entre os risos, o que fez Emme e Alice rirem ainda mais, enquanto eu tentava me recuperar daquela surpresa.
Parado ao meu lado estava Sirius, sorrindo charmosamente e, ao seu lado James, que na verdade estava praticamente encarando Lilly com aquele seu jeitinho doce e sapeca ao mesmo tempo de quem diz “eu vim te seduzir, Lilly, mas olha como eu sou um amor de garoto, você tem que sair comigo pra provar isso!”.
Aposto como ele era doce em todos os sentidos, e com esse pensamento gargalhei, tapando a boca em seguida e rezando pra não ter nenhum legilimente naquela roda de pessoas improváveis de estarem juntas numa pré festa da Grifinória.
Eu estava impossível naquela noite. O que será que tinha naquelas cervejas amanteigadas?
— Essas meninas são impossíveis. – E dessa vez quem ficou vermelha igual pimentão foi Emme, e, com essa, as três mais enrubescidas que o cabelo da Lilly poderia fechar a noite, certo?
Remus piscou para nós e para Emme, que tossiu. Então, para completar o círculo de coisas estranhas e pessoas estranhas reunidas naquela noite, Sirius sentou-se no outro braço da minha poltrona, Remus no outro braço da poltrona de Emme e James ao lado de Lilly no sofá de três lugares, no qual Alice estava do outro lado de Lilly, olhando aquela cena toda com ar de assustada e confusa, pensando seriamente em algo como “Será que eu estou mesmo vendo isso ou tinha drogas na minha cerveja amanteigada e daqui a pouco hipogrifos cor de rosa entraram voando pelo salão comunal?”.
Eu estava quase pensando a mesma coisa.
— Isso porque você nunca viu elas vestidas para seduzir. – Disse Sirius marotamente risonho e piscou pra mim, o que me fez engasgar com a minha cerveja amanteigada na qual eu tinha acabado de virar um gole, e quase tossir, engolindo tudo rapidamente, e ficando então vermelha igual a Madame Pomfrey quando Hagrid a elogia.
— Vestidas para seduzir? Mas se elas já fazem isso sem estarem vestidas, imagina vestidas para seduzir, então. – Disse Wood e eu engasguei novamente, fazendo todo mundo rir e gargalhar em seguida.
Era uma roda de pessoas estranhas com conversas estranhas.
O que tava rolando ali, afinal? Será que eu estava sonhando, delirando, ou imaginando demais?
— Mas afinal de contas, do que vocês estão falando? – Disse Emme, emendando logo com aquele jeito sedutor dela, acho que ela estava querendo impressionar Remus e Gideão ao mesmo tempo, espertinha. – Nós nascemos sedutoras, seduzimos até escovando os dentes.
Gargalhei, junto com as meninas e os meninos.
— Seduzimos até entre os gritos das mandrágoras.
— Quando vocês pensam que os meninos desmaiaram por causa dos gritos, na verdade foi por causa da nossa beleza. – Emendei a deixa da Lilly, e gargalhamos, enquanto Sirius virava o rosto de lado para olhar diretamente pra mim com uma cara de “não sabia que você era assim” enquanto ria, daquele jeito que parecia um latido e eu achava absurdamente lindo e sensual. Os pelos dos meus braços até arrepiaram.
— Estou dizendo que essas meninas são impossíveis. – Disse Remus entre os risos, o que fez Wood e Gideão concordarem entre risadas.
— Vocês deveriam ser nossas líderes de torcidas, para animar os jogos.
— Palhaças de torcidas, você quer dizer, né, Wood. – Eu disse, ao comentário dele e ele riu, balançando a cabeça levemente e acariciando meus cabelos de uma maneira estranha e calorosa. De repente achei que aquela cerveja amanteigada estava me deixando quente demais, meu rosto esquentou igual ao sol nascente e eu derreti como neve nos galhos do salgueiro lutador. Detalhe básico que tudo isso aconteceu enquanto Sirius olhava de mim para Wood com a testa franzida, sem me deixar entender nada.
Oh, meu Merlin, será que ele estava pensando que o tal garoto que eu queria impressionar...?
— Tenho certeza que dariam apelidos mais bonitos pra vocês. – Wood disse carinhosamente, mas sua gentileza não durou muito.
— Tipo Rei bobo da corte. – Disse Lilly, gargalhando e alguns de nós ficamos olhando para ela meio sem entender. Lilly e essas manias trouxas dela, mas a gargalhada de Gideão foi tão alta que de repente parecia que todo mundo sabia do que a Lilly estava falando.
— Tipo, rainhas da torcida. – Emendou James, piscando pra Lilly, fazendo a gente confundir a Lilly com seus cabelos.
— Tá, esse papo tá super legal, mas cadê as cervejas? – E todos nós rimos. Só a Emme mesmo.
— Bem que não seria uma má ideia se tivéssemos umas líderes de torcida, igual os trouxas fazem naqueles jogos estranhos que assistimos na casa do Remus na última férias. Lembra, Pontas? – Disse Sirius, agora todos com os ânimos mais calmos e menos histéricos.
— Verdade, aquilo era demais!
— Vocês estão falando do futebol americano, né? Assisti na casa do Gideão nas férias também. Nossa, aquilo era muito demais, Potter!
— Tinha cada uma mais do que a outra, Merlin do céu... – Emendou Sirius, e de repente estava eu, Emme, Lilly e Alice nos entreolhando, enquanto os garotos falavam de garotas no meio de garotas. Onde esse mundo vai parar, Merlin?
— E aqueles jogadores? – Disse Emme, enquanto eu emendava, como se nós meninas de repente iniciássemos uma conversa paralela falando de garotos no meio de garotos. Sabe como é.
— Aquilo são mesmo músculos embaixo daquelas camisas ou eles colocam enchimento? Merlin do céu...
— E aquele loiro de barba rala e olhos azuis? – Disse Lilly, fazendo James encarar a ruiva com as sobrancelhas erguidas, a boca entreaberta e o rosto mais sério que eu já fui capaz de ver nele em sete anos de Hogwarts. Parecia que ele estava vendo a Sonserina acabando com a Grifinória, sentado no banco de reservas, sem poder fazer nada. Bem assustado.
— Ah, não, Lilly, eu vi primeiro! – Eu disse, entre risos de nós meninas enquanto Alice emendava.
– Tudo bem, garotas, eu fico com aquele de olhos verdes.
— E que músculos! – Dissemos nós quatro e gargalhamos enquanto o silêncio dos meninos predominava ao que todos nós olhavam com cara de assustados e estranhos pensando algo como “Elas estão mesmo falando de homens no meio de homens?”
Pois é, parece que o jogo virou, não é mesmo?
— O que será que estão servindo a parte nessa festa que não nos ofereceram ainda? – Disse James e todos gargalharam, nós meninas jogando os cabelos para trás e nos sentindo vitoriosas. Não mexam com quem vocês não podem vencer, meninos. Fica a dica.
— Essas meninas são mesmo impossíveis. – Disse Wood e todos gargalharam ainda mais.
Aquela conversa estava ficando repetitiva demais.
— Somos um arraso, admitam ou não. – Eu deixei meus pensamentos falarem mais alto, e, aproveitando a deixa, joguei meus cabelos para trás, charmosamente, o que fez Wood e Sirius me olharem e depois se entreolharem como quem diz “Falou, ta falado”, pois é.
Zack e Ollie, uns garotos do sétimo ano que pareciam conseguir qualquer coisa, eu tinha certeza que eram eles que contrabandeavam as coisas naquelas festas, se aproximaram com uma caixa cheia de cervejas amanteigadas e todos nós pegamos uma e ficamos alguns segundos em silêncio, saboreando nossas bebidas deliciosamente quentes.
— Fiquei sabendo que o Zackary vai jogar como apanhador amanhã. – Disse Wood pra quebrar o silêncio nada constrangedor. Na verdade era aquele tipo de silêncio legal entre amigos, levando em consideração que aquilo não era bem um grupo de amigos; Na verdade bem dita, eu não era amiga de Gideão, tinha uma quedinha, confesso, por Wood, eu só era mais amiga do James, apaixonada por Sirius, só falava o básico com Remus, Lilly era amiga de Remus, odiava ou dizia odiar James, achava Sirius exibido, metido e galinha, igual ela falava do James, não conversava com Wood e pelo que eu sabia só conversava com Gideão de vez em quando porque tinham amigos em comum. E Emme tinha uma queda por Gideão e Remus, mas até onde eu sabia ela não era amiga de nenhum dos dois, talvez um pouco do Remus, não era amiga do James, só falava o básico com ele e com Sirius, e não tinha nenhuma amizade com Wood, muito menos. Alice só conhecia todos ali presentes porque eles eram amigos, mais ou menos nossos, mas todos amigos de Frank, então ela basicamente só os conhecia, porque quem conversava com eles era seu namorado.
E os meninos se conheciam porque jogavam quadribol juntos, exceto Gideão e Remus que não jogavam, mas como eram homens e amigos dos caras do time, acho que nem precisavam jogar para serem amigos.
Então era um grupo de amigos bem esquisito, diga-se de passagem, e naquela noite, estava bem mais esquisito do que o normal.
— Ele é um bosta. – Disse James, virando um gole de sua cerveja amanteigada, enquanto eu fazia o mesmo, sentindo uma estranha mão acariciando minhas costas, sem saber se era Wood ou Sirius. Merlin, não diga que eu estou começando a ficar vermelha.
“Sim, você está”.
— Enquanto ele estiver substituindo o Johnson, nós vamos continuar ganhando deles. – Os garotos riram com o comentário de James e eu olhei disfarçadamente para Sirius, sentado ao meu lado. Ele estava virando um gole de sua cerveja e olhava pelo canto dos olhos pra Wood e depois olhou para mim. Pega de surpresa, sorri sem jeito e pigarreei, escorregando na poltrona pra frente e afastando a mão de quem quer que fosse das minhas costas, o que fez Wood me olhar com um olhar interrogativo.
Merlin, não me diga que o Wood está flertando comigo com Sirius bem ao meu lado, por favor, não me diga isso.
“Sim, .
Tossi e virei um grande gole da minha cerveja amanteigada, enquanto Emme me olhava com cara de interrogação e Lilian tentava disfarçar o que quer que estivesse acontecendo por ali.
— A Grifinória está com um time ótimo, não tem ninguém capaz de tirar essa taça de vocês. – James sorriu, docemente, enquanto olhava pra Lilly de maneira carinhosa.
— Bom, devo concordar com a Lilian. – Disse Sirius. – Ninguém tira essa taça da gente.
— Com essas líderes de torcida do nosso lado, então... – Emendou Wood e todos nós rimos, enquanto eu sentia o rosto esquentando novamente ao sentir a mão de Wood na minha cintura.
Me sentindo estranha com aquela situação, me levantei com tudo e todos me olharam, sem entender nada. Eu adoraria ser bajulada, flertada, atacada, ou qualquer adjetivo que fosse desse gênero por Wood, mas não ali, e não com Sirius, lindo, maravilhoso e cheiroso ao meu lado.
— Ta tudo bem, Lene? – Indagou Emme, sem entender nada, franzindo a testa enquanto todo mundo resolvia me encarar para me deixar mais vermelha ainda.
Dei uma risada sem graça e falei a primeira mentira que me veio à cabeça.
— Tô morrendo de calor com todas essas cervejas, acho que vou dar uma volta no castelo pra ver se esfrio.
— Se você quiser que a gente... – Começou Alice, mas foi interrompida por Wood.
— Eu acompanho você, Lene. – Quase engasguei e tossi para disfarçar, me virando para olhar pra Wood e disfarçadamente para Sirius, que parecia que tinha comido alguma coisa ruim e estava com má digestão.
Como eu ia sair dessa? Virei-me para Emme, ela sempre tem uma solução para tudo, ela entenderia meu desespero, como eu ia deixar Wood flertar comigo ali, descaradamente, na frente do Sirius, uma vez que eu estava com todo aquele plano de Estágio um de conquistando SB?
Encarei Emme com minha melhor cara de “pelo amor de Merlin, me ajuda”, mas ela apenas sorriu, radiante, como se Remus estivesse acariciando as costas dela também. Será?
— Acho uma ótima ideia você acompanhar ela, Wood, é perigoso a Lene ficar andando por ai sozinha! – Ela deu aquele sorriso lindamente radiante e sensual, e eu fiquei olhando para a cara dela, tipo “HÃ? COMO ASSIM? ERA PRA VOCÊ ME AJUDAR, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, EMELLINE VANCE?”.
Ela nem pareceu notar meu desespero, pois continuou me olhando com aquele sorriso estupidamente grande demais para a boca dela.
Qual era a dela?
Levei um susto quando ouvi aquela voz rouca, meio sexy, dizer em seguida.
— Eu vou com vocês, também tô precisando tomar um ar, esse salão tá muito quente.
E de repente todos estavam olhando pra nós três, pensando, “Mas que porra está acontecendo aqui?”.
Era o que eu adoraria saber.
— Almofadinhas... – Começou James e vi ele e Remus olhando para Sirius, como se nem eles estivessem entendendo.
Eu estava começando a entender aquele olhar de James, era algo como “O Wood tá afim de pegar a Lene, o que você vai fazer indo junto com eles?”.
Merlin, por favor, me ajuda, o que eu faço?
Eu sei o que você deve estar pensando, deve estar pensando algo como “Qual é, Marlene, você acabou de dizer que o Wood é um gato e você confessa que tem uma quedinha por ele, então por que não aproveita e fica logo com ele? O Sirius é mesmo um galinha, quem sabe você não tem sorte com o Wood, né?”
Pois é, eu adoraria pensar assim como você, mas o que eu posso fazer se meu coração, mente e alma é toda desse malandro de olhos azuis acinzentados, voz rouca, risada igual um latido de cachorro e aquele sorriso que esmaga tudo dentro de mim?
Trocaria até o jogador mais lindo do futebol americano trouxa lá por ele, você consegue entender isso?
Loucamente apaixonada e, naquele momento, totalmente perdida, desconsolada, confusa, sem saber o que fazer.
— Merlin, preciso de ar. – Foi tudo o que eu disse, antes de sair caminhando em direção ao buraco da mulher gorda, não sem antes ouvir claramente a voz da Emme:
— Essa vai ser boa.
Qual era a dela?
O ar fresco do corredor bateu em mim como um balde de água fria, esfriando meu corpo quase que de repente, mas o frio não chegou tão cedo, foi como se amenizasse o calor que percorria por minhas veias e me fizesse respirar melhor.
Sai andando pelo corredor em direção as escadas que me levariam para baixo, eu nem sabia para onde estava indo, mas como meus passos eram lentos e silenciosos, logo Wood estava do meu lado e Sirius do outro.
Situação constrangedora.
— Imagina se o Filch aparece agora. – Disse Sirius, fazendo eu e Wood olharmos para ele com cara de quem diz “vira essa boca pra lá”.
— Ou pior ainda, pirraça. – Disse Wood, e dessa vez fui eu apenas que olhei feio pra ele, enquanto Sirius tentava reprimir a gargalhada.
— Seria muito hilário. Eu adoro o pirraça, ele adora infernizar os alunos, mas adora ainda mais infernizar o Filch.
— É, é muito fácil fazer ele correr atrás do Filch. – Eu estava assim, meio que parecendo que estava assistindo aquelas partidas trouxas de tênis, onde você vira a cabeça de um lado para o outro, sem entender porra nenhuma.
Sirius dessa vez gargalhou, junto com Wood.
— E quando eu falo: Pirraça, olha só, alunos do primeiro ano. Ele sai voando que nem louco atrás dos pobres coitados.
Os dois riram e, de repente, eu pensei que poderia deixar os dois ali, sozinhos, num encontro amoroso, eles estavam se saindo muito bem e eu estava, tipo, sobrando.
— Qual é, ele nunca fez nada contra vocês? – Eu disse, tentando sair do anonimato, ou dizer, “oi, foi por mim que vocês vieram, ou vocês por acaso são gays e só queriam ficar sozinhos?”.
Vai saber, né.
— Não, se você souber fazer o jogo dele. – Começou Wood, e Sirius emendou.
— É muito fácil pra mim e pro James. Na verdade é o Pirraça que nos ajuda na maioria das encrencas que arrumamos por ai.
Dessa vez tive que encarar Sirius e erguer as sobrancelhas, surpresa.
— E eu fazendo trabalhos de poções para o Senhor, Sirius Black, enquanto você voa por aí infernizando pobres coitados do primeiro ano. Bom saber.
Sirius gargalhou diante da minha brincadeira e viramos à esquerda, entrando num corredor mais escuro.
Estava tão distraída com os meninos que nem reparei para onde estava indo até me dar conta de uma coisa que me fez congelar por dentro: Aquele era o corredor dos encontros.
Fato que foi confirmado muito logo passamos por um bequinho onde um casal fazia mais barulho do que se beijava.
Esse corredor era chamado assim porque tinha diversos buracos entre as paredes que chamávamos de ‘becos’. Nesses buracos antigamente ficavam algumas estatuas de ferro, mas há alguns anos eles mudaram de lugar e ali ficou só os buracos, excelentes para jovens casais adolescentes darem o que chamam de uns amassos, sem ninguém ver até que passe em frente, às vezes você não vê exatamente, só ouve.
Senti meu rosto esquentar mais do que com a cerveja amanteigada e olhei pro chão, super sem graça, e então ouvi a risada rouca de Sirius, o que eu percebi que era de mim porque quando ergui os olhos e o olhei, ele estava me olhando e rindo, com cara de quem acha graça.
— O Corredor dos Amassos. – Disse Wood, risonho, e Sirius riu mais ainda.
— Conheço bem esse lugar. – Fiz uma careta diante daquele comentário de Sirius e emendei com cara de poucos amigos.
— Imagino mesmo. – Revirei os olhos. – Uma por dia, ou seriam duas?
Sirius gargalhou como se aquilo fosse uma piada. Okay, eu podia até estar exagerando, mas que eram mais de uma na semana, isso com certeza eram.
— Oloco, Black. – Riu Wood, e eu senti que ficou no ar uma frase tipo “Passa a senha ai, camarada”.
Homens. Revirei os olhos e continuei andando e olhando para a frente, evitando olhar para o lado e ignorando o barulho de beijos.
Imagine a cena constrangedora que eu estava.
Num corredor meio escuro, aceso apenas por tochas fracas, ao lado do cara que eu sou apaixonada e do outro o cara por quem eu sou meio afim se o cara que eu sou apaixonada me descartar de vez ou sei lá, me fazer perder as esperanças definitivamente, tipo namorando ou casando com alguém, e nada mais do que o silêncio entre nós sendo quebrado apenas por barulhos de sucção e baba e muita língua.
Queria enfiar minha cabeça num buraco ou sair correndo.
— Vocês homens são tão... – Deixei a frase no ar, no que Wood e Sirius me encararam, esperando que eu terminasse a frase sem ofendê-los. – Sem sentimentos?
Black riu e Wood balançou a cabeça, sem dizer nada.
— Por quê? Porque beijamos?
Soltei uma gargalhada com aquele comentário. O que ele queria dizer? Que eu nunca tinha beijado na vida porque era uma garota? Oi, eu já beijei você, se lembra?
— Nós também beijamos, mas não fazemos isso com qualquer um, qualquer hora ou qualquer dia, assim, do nada, se não tiver um sentimento no meio.
OPSSS... Droga! O que eu acabei de dizer?
Sirius franziu a testa e me olhou. Aposto que ele captou o que não devia captar, mas Wood não sabia da história, por isso respondeu o meu comentário tranquilamente.
— Bom, nem todo beijo tem necessariamente um sentimento, às vezes não, às vezes sim, depende muito. Às vezes beijamos alguém pelo momento, mas às vezes realmente queremos estar ao lado daquela pessoa, beijá-la, abraçá-la e ficar ali o máximo de horas possíveis.
Ufa!
— Exatamente! – Disse esperançosa de que Sirius sacasse o que deveria sacar. – Nem sempre todo beijo tem sentimento.
Sorri, achando que tinha vencido essa e olhei em direção a Sirius, que me encarava com a sobrancelha erguida.
— Nem todo beijo? – Indagou ele. – Então você é igual nós, beija sem sentimentos, não pode falar muito, afinal de contas.
Droga!
— Às vezes são momentos, como disse o Wood. – Ele ficou me olhando por segundos, então deu de ombros e olhou para a frente.
— Tudo são momentos, alguns momentos duram mais do que outros, só isso. É que vocês, meninas, normalmente, esperam o príncipe e coisa e tal, por isso tem menos namorados que nós homens.
— A maioria de vocês nem namoram, né.
— Não se esqueça que se beijamos alguém só por beijar, a menina também faz isso. Não beijamos homens, então no final das contas, algumas meninas são iguais a nós.
Pensei sobre aquele comentário de Sirius e conclui que ele tinha razão.
— Nesse caso, essas garotas são as fadas mordentes atiradas. – Eu disse sem pensar, me referindo àquelas Grindylows que davam em cima de Sirius, e os garotos gargalharam com meu comentário.
O corredor estava chegando ao fim. Ufa!
Quando estávamos prestes a virar o corredor, tinha dois becos vazios, um de cada lado, pude notar, Wood parou e consequentemente Sirius e depois eu, olhando, sem entender nada, para os dois.
— O quê...? – Tentei dizer, mas Wood sorriu sem jeito e Sirius me encarou, para depois olhar pra Wood, como quem espera o que o outro vai dizer.
— Não me digam que vocês são gays e vieram aqui se pegar e eu só vim pra disfarçar a saída de vocês. – Disse eu, quase acreditando que aquela teoria poderia ser verdade. Aquilo estava bem esquisito, sabe.
Ai, Merlin, eu me jogo pra lula gigante me comer ou brinco de lutinha cara a cara com o salgueiro lutador se o Sirius for gay.
Wood gargalhou e Sirius gargalhou junto, a piada pareceu ser tão boa que eu percebi que algumas sucções pararam e Sirius até apoiou as mãos nos joelhos, de tanto que ria.
— Meu Deus, Lene, de onde você tira essas ideias bizarras? – Gargalhou Sirius e Wood respirou fundo, como se estivesse recuperando o folego.
— Que isso, Kinnon, eu lá tenho cara de gay, o Sirius não faz meu tipo, não. – Wood gargalhou.
— Eu não curto barbudo.
A piada agora era eu, obviamente.
— Ai! Desculpa, é que vocês estavam tão esquisitos, sei lá, né.... – Eles riram mais ainda, e Sirius deu de ombros, ainda risonho.
— Melhor voltamos, era isso que eu ia dizer quando vocês pararam.
Wood assentiu, vermelho de tanto rir e os dois deram meia volta, me deixando sem entender porra nenhuma.
Segui eles, ainda com cara de quem não entende nada, quando Wood diminuiu o ritmo e pigarreou, meio sem jeito antes de dizer.
— Tudo bem se você voltar sozinho, Black? – Congelei, parando de repente, vendo Sirius parar e me encarar.
— Na verdade, tava pensando em você voltar sozinho, Wood. – Disse Sirius e eu comecei a gargalhar, histérica.
Merlin, quando é que vou acordar? Tá muito hilário esse sonho de hoje.
— Esse é o sonho mais bizarro que eu já tive até hoje. – Comecei a rir e os dois me encararam, se entreolhando, sem entender muita coisa.
Aposto que os casais do corredor dos amassos nunca viram tanta emoção ali, como naquela noite.
— Lene...? – Sirius tinha se aproximado mais, e ali estava eu: Parada e bem próximo a mim do lado direito estava Wood, com aquele peitoral todo forte e ele todo lindo e gentil, e do lado esquerdo estava Sirius com aquele sorriso número seis, maravilhoso, os cabelos caídos sobre os olhos, os lábios entreabertos por causa do sorriso confuso e eu tremendo ali, pensando, “mas que porra é essa? Não tô entendendo nada”.
Peraí, o Sirius disse que queria que o Wood voltasse sozinho? Então... ele queria que...
— Merlin, as meninas têm razão, eu sou muito lerda! – Deixei meu pensamento escapar alto, enquanto Sirius respondia de volta.
— Realmente. – De repente ele deu dois passos à frente e eu congelei por dentro enquanto ele parava a minha frente, segurando de leve meu braço, tenho quase certeza que ele ia me beijar, e só não fez isso porque no mesmo instante eu olhei para o lado e vi Wood, franzindo a testa e parecendo que estava jogando Quadribol, indo defender o gol, dando um passo à frente também.
Ai, Merlin!
Assustada, dei alguns passos para trás, me desvencilhando de Sirius.
— Que brincadeira é essa? Vocês enlouqueceram?
— Era ele? – Indagou Sirius, ignorando minhas perguntas, sem desviar os olhos de mim, e eu saquei o que ele queria dizer. O tal garoto inexistente que eu dissera para ele que estava tentando seduzir.
Poxa, Wood, você podia ter avisado antes, né?
O que eu ia fazer, meu Merlin?
Agora eu conseguia entender perfeitamente a frase da Emme, “Essa vai ser boa!”, quem vai vencer?
Sirius, é claro.
Mas eu não podia fazer isso, certo?
Não seria legal com nenhum dos dois, por mais que eu adorasse a ideia de me agarrar com Sirius naquele bequinho, mas daí eu seria igual aquelas grindylows de saia, não seria?
Desesperada, não consegui fazer nada além do que já estou acostumada a fazer:
Eu me virei e... corri.


Capítulo Cinco: O peixe morto


- O que toda mulher inteligente deve saber é que -
O negócio é não dar a ele nenhuma garantia.

Aquela noite eu tive um monte de sonhos malucos. Em alguns, Wood me puxava pela mão de um lado e Sirius me puxava do outro, e ficava dizendo “Mas eu sou mais gostoso que ele, Lene, me escolhe, me escolhe!”. Em outros, Sirius me dizia que ia casar e saia caminhando e, quando eu olhava pra ele, ele estava indo em direção ao altar. Cada hora tinha uma gryndylow de saia diferente esperando por ele. Agora ele caminhava lindo, maravilhoso e tudo de bom em direção ao altar, e, quando olhei para o altar, a Murta que geme estava esperando por ele, vestida de branco, cantando uma ópera desafinada, e quando eu abri os olhos, na verdade era a porra do meu despertador que estava com essa maldita música enfeitiçada no toque do despertador.
— QUEM FOI A FILHA DE UMA SEREIANA QUE COLOCOU ISSO NO MEU DESPERTADOR? – Nem precisei de uma resposta uma vez que Lilian Evans, Emmeline Vance e Alice estavam gargalhando no nosso dormitório, já todas prontas e arrumadas para o café da manhã.
— Descobrimos um jeito de te acordar rapidinho, Lene. – Emme gargalhou e eu lancei meu olhar de basilisco em sua direção enquanto apertava/socava meu despertador enlouquecidamente, numa tentativa de parar aquela música maldita.
— HAHAHA, que engraçadinhas! – Peguei meu travesseiro e joguei em cima delas, que saíram gritando e rindo.
— Anda logo, sua lesma dorminhoca. – Gritou Emme enquanto ia saindo do dormitório. – Vamos te esperar no refeitório.
Eu já disse o quanto odeio essas meninas? Idiotas. Elas ainda me pagam.
Me levantei ainda sonolenta e corri para o banho, era melhor me apressar ou perderia o jogo.
Me arrumei o mais rápido que consegui, isso significa que demorei mais ou menos meia hora pra me arrumar no básico, coloquei uma roupinha mais bonitinha, afinal, hoje era sábado e eu não precisava usar o uniforme de sempre. Por isso, diante do sol maravilhoso que fazia do lado de fora da minha janela, eu coloquei uma blusinha vermelho rubi, de alcinha, que ganhara de aniversário ano passado, um short jeans que ia até abaixo da minha coxa (acredite, ele ainda é MUITO maior do que o short daquelas sirienas da Sonserina com aquelas perninhas de pernilongo, grandes e finas), uma sandália com um salto baixo, mas que me esticava um pouco e me deixava com as coxas mais bonitas. Passei um batom rosa claro e uma maquiagem que combinasse com a blusa, mas nada forçado, o mais natural possível.
Quando desci para o refeitório, o colégio inteiro já estava lá, o lado da Sonserina, como sempre, usando as cores dos outros times que jogariam contra a Grifinória, o que significava que naquele dia estavam usando cores em apoio a Corvinal. Coitadinhos, eles adoravam ficar do lado dos perdedores.
Losers.
Todos os alunos da Grifinória usavam roupas ou peças vermelhas, alguns usavam parte do uniforme da Grifinória em apoio TOTAL aos nossos jogadores que eram, sem sombra de dúvidas, os melhores (e os mais lindos e gostosos, com toda certeza absoluta).
Parei a porta e olhei para ver se encontrava as meninas em meio àquela zona que estava o salão principal, o que sempre acontecia antes dos jogos. Sorri quando percebi que elas estavam perto dos marotos, Lilly (curiosamente) ao lado de James, Emme, de frente pra Lilly, ao lado de Remus (óbvio) e Sirius ao lado de Remus, com Frank a sua frente e Alice ao lado do namorado. Meus olhos cruzaram com os olhos de Sirius, que sorriu, mas foi Emme quem acenou para que eu me encaminhasse até eles.
Senti meu peito se encher de alegria quando vi o sorriso de Sirius e rumei em direção a ele, sem conseguir desviar os olhos. Mas essa conexão entre nós dois não durou muito tempo, quando alguém parou, me fazendo parar no meio do caminho, desviei os olhos de Sirius para ver outro ser lindo na minha frente: Olívio Wood.
Ele já estava vestido com o uniforme da Grifinória, a camisa vermelha número um, com seu nome nas costas “Wood”. Era a coisa mais linda que meus olhos podiam ver naquela manhã. Depois do Sirius, é claro!
Ele sorria lindamente, um sorriso bem escancarado, como se nem se lembrasse que na noite passada eu saíra correndo deixando ele e Sirius sozinhos no meio do corredor dos amassos; Não, aquele sorriso parecia que eu tinha ficado com ele a noite inteira lá naqueles bequinhos fazendo só o que minha imaginação é capaz de saber.
— Oi, Marlene, você tá linda! – Sorri, radiante, diante do elogio dele, sentindo que minhas bochechas esquentavam levemente, enquanto eu puxava uma mecha do meu cabelo sem saber o que fazer ou o que falar diante daquele olhar e aquele sorriso. Ah, se meu coração já não tivesse dono, ele passaria a ter um naquele momento.
— Você também está muito bonito. – E gato, e gostoso pra CARALHO, com aquela camisa do uniforme marcando seus músculos bem definidos, aquela calça do uniforme marcando a coxa grossa. Mama mia, aquilo não era um pedaço de mal caminho, ele era o mal caminho inteiro, em carne e osso, e músculos!
Passei dois dedos pela camisa dele com vontade de tocá-lo, mas com medo ao mesmo tempo, e no mesmo instante tive a impressão de que alguém me observava, o que fez meu coração disparar e meus olhos desviarem para a mesa da Grifinória. Wood virou-se de lado para ver quem eu olhava enquanto meus olhos encontravam-se com os olhos de Sirius, que nos observava de longe e depois vira-se para conversar com James. Eu daria TUDO para ser uma mosquinha naquele momento e sair voando até lá para ouvir o que eles conversavam. Será que estavam falando de mim? Será que o Sirius achava que eu e o Wood estávamos tendo alguma coisa? Será que ele se importava mesmo com isso?
— Olha, desculpa por ontem... Eu não sabia que você e o Black estavam... juntos... – Voltei meus olhos e minha atenção à Wood, franzindo a testa sem entender.
Peraí, ele achava que eu e o Sirius...?
— Quê? Nãooo, não, eu e o Sirius, a gente não... Nós não... nós somos só... amigos. – Gaguejei tanto que nem sei se o Wood entendeu ou acreditou... Bom, eu não estava mentindo em nada, certo?
Ele pigarreou e virou-se novamente de frente para mim.
— Ah.. bom... Não vai me desejar boa sorte? – Percebi que a bochecha dele ficou levemente rosada e sorri por dentro. Se o Sirius não estava a fim de mim e nem nada do tipo naquela altura do campeonato com todas aquelas coisas do plano Conquistando SB, uma coisa eu tinha certeza: Sem fazer absolutamente nada, eu tinha Olívio Wood caidinho por mim.
Como a vida é irônica, não é mesmo?
Sorri, docemente, vendo pelo canto dos olhos que Sirius voltara a me observar e dessa vez resolvi ser bem ousada.
Me aproximei de Wood como se fosse dar um beijo em sua boca, e beijei o rosto dele um pouco mais demorado do que o normal, antes de dizer, cheia de sorrisos.
— Boa sorte no jogo!
Pisquei e sai caminhando linda e loira (sqn) em direção à mesa da Grifinória.
Quando me sentei à mesa, meio que de propósito, não olhei em direção a Sirius, em vez disso, me ajeitei toda sorridente ao lado de Emme e fingi estar tão radiante como se tivesse acabado de beijar aquele ator trouxa que a Lilly adorava, Brad Pitt. Bom, eu tinha acabado de dar um beijo no rosto do - cheirooooso - Olívio Wood, que era quase o Brad Pitt de Hogwarts. Quase, faltava só uns quesitos básicos como, tipo, ser loiro, ter olhos azuis, e ser só o homem mais gostoso e maravilhoso do mundo, mas fora isso, ele se encaixava perfeitamente.
Percebi o olhar de Sirius sobre mim por cima de Emme, mas fingi nem ver e me servi normalmente, me enfiando no meio da conversa do pessoal, que estavam bem animados para o jogo.
— Eu não sei porque eles insistem em torcer para o time adversário toda vez que a Grifinória joga com alguém. Por que eles não admitem logo que somos os melhores e torcem por nós de uma vez? – Dizia uma Lilly animada, tirando sorrisos imensos de James sentado ao seu lado que, ao meu ver, parecia que ia ter um ataque cardíaco a qualquer momento de tanta felicidade por ter Lilly ao seu lado tão normal, alegre, falante, linda, cheirosa e sorridente... O que seria bem ruim para o time da Grifinória, se o James tivesse um ataque cardíaco, diga-se de passagem.
— Isso é um fato. – Disse Sirius, naturalmente, e meio sério. – Somos os melhores. – E então todo mundo caiu na gargalhada, concordando plenamente com aquelas palavras. — Não queria falar nada não, mas... somos realmente os melhores.
Todo mundo concordou com a cabeça, se sentindo orgulhosos de torcer para aquele time e pertencer àquela casa. Imagina só como devia ser horrível estudar na casa da Sonserina, ter um monte de gente metida e esnobe ao seu redor, você não poder contar de verdade com ninguém, porque pessoas metidas e esnobes sempre são falsas, e estar sempre do lado perdedor, tenho até pena deles, só que... Não.
Vi Lilly e James trocarem um olhar estranho antes de ele se levantar, estufando o peito e pigarreando baixo antes de dizer em voz alta.
— Jogadores da Grifinória... Preparados? – Sirius se levantou, também estufando o peito como se sentisse muito orgulhoso de jogar naquela casa, o que eu acho mesmo que ele sentia. Eu sentia orgulho só de torcer, imagina fazer parte mesmo daquilo. Um urro ensurdecedor encheu todo o salão principal enquanto aos poucos os demais jogadores da Grifinória iam se aproximando de nós na mesa enquanto James e Sirius ficavam lá, parados, com a mão fechada no peito sobre o símbolo da casa da Grifinória, quase como os jogadores da Seleção da Irlanda ficavam na Copa Mundial de Quadribol antes do jogo, sabe, só que era a nossa seleção, a seleção Grifinória.
Não consegui ver a cara do pessoal da Sonserina, mas eu aposto que estavam com aquela cara de sempre, de esnobes, enjoados, nojinho e narizinho empinados e no fundo, no fundo, morrendo de inveja da gente.
James e Sirius saíram da mesa onde todos nós estávamos sentados e se juntaram ao resto do time que estavam a volta, e eu me levantei também quando Emme, Lilly, Alice, Remus e todo o resto da turma da North se levantou para assistir os meninos se agruparem, para depois seguirem juntos em direção a saída do refeitório, para irem ao vestiário se concentrarem para o jogo.
Senti um aperto no peito e meu coração disparar quando olhei para Sirius, tão lindo, os cabelos espetados, a camisa vermelha do time deixando os músculos do braço e o peitoral forte bem visível naquela camiseta onde nas costas estava escrito “Black”. O sorriso enorme lindo nos lábios e o brilho de orgulho no olhar enquanto caminhava junto com os seus amigos, parceiros de time, camaradas, irmãos. Era tão lindo, tão perfeito, tão maravilhoso que dessa vez eu não conseguiria disfarçar o quanto meu coração era dele se ele me olhasse, e se qualquer pessoa me olhasse veria escrito na minha testa “Eu amo Sirius Black, sim, mesmo, muito. Caralho, como eu amo o Sirius!”.
Tipo assim mesmo.
Mal dava para acreditar que na noite passada ele insinuara que queria alguma coisa comigo, será que aquilo realmente acontecera ou fora um sonho? Uma ilusão da minha mente louca e apaixonada?
Vi o olhar certeiro de Emme me encarando, vendo minha cara de boba apaixonada e ri alto, como se tivesse acabado de descobrir que ganhara na loteria ou que Sirius Black pedira para namorar comigo - quase as duas coisas ao mesmo tempo - e me sentei na mesa com o resto da turma da Grifinória e as meninas ao meu redor. Tenho certeza absoluta que Emme segurou a língua para não me perguntar sobre a noite passada apenas porque Remus continuava ao seu lado, agora conversando com Frank, que voltara a se sentar ao lado de Alice, e eu desliguei-me de todo o resto enquanto ficava ali, sentada, imaginando o que teria acontecido se na noite passada apenas eu e o Sirius tivéssemos saído para tomar um ar, e senti meu coração saltitando mais que um bambi por um vale de flores, estupidamente feliz e idiota.

Mais ou menos meia hora depois eu, Emme, Lilly, Alice, Frank e Remus estávamos todos sentados na arquibancada enquanto todo o resto da escola ia chegando. Do outro lado do estádio de Hogwarts, os alunos da Corvinal iam sentando para assistir ao jogo junto o pessoal da Sonserina, é claro. Coitadinhos.
Os jogadores iam entrando no campo quando senti uma cotovelada de Emme nas costelas, o que me fez praguejar e olhar feio pra ela, que riu sapeca, como quem diz “Ah, sua safadinha, pegou dois ontem e nem pra me contar os detalhes né.” Quem dera.
— Que foi? – Eu disse, inocentemente, no que ela abriu um sorriso ainda maior.
— Não vai me contar o que rolou ontem naquele passeio a três? – Quando eu saíra correndo na noite anterior, deixando Sirius e Wood sozinho, fui incapaz de voltar para o salão comunal, por isso, escondida, eu fiquei nos jardins por um bom tempo, pensando em tudo que acontecera e tentando entender; Conclusão, não entendi porra nenhuma.
— Não rolou nada. – Eu disse, o que era metade verdade, metade não. Não rolara nada, mas rolara aquilo... O que fora aquilo afinal de contas? Se você não entendeu, imagine eu.
Emme ergueu uma das sobrancelhas de maneira interrogativa e de quem não acreditava, e eu ri diante daquele olhar.
– Mas rolou uma coisa.
— Eu sabia. – Ela gargalhou, o que chamou a atenção de Lilly, que estava animadamente conversando com Alice, e se virou para nos olhar, já toda curiosa.
— O que aconteceu? – Eu ri diante das duas e revirei os olhos, voltando a atenção para o campo onde Sirius, lindo e maravilhoso, que se aquecia junto com os outros jogadores. Olhei para ele por um tempo, pensando em tudo que acontecera, e suspirei, o que causou mais desconfiança em Emme.
— Me conta TUDO. Anda! – Eu ri alto e virei-me de lado para olhar para as duas e fiz o meu relato básico de todos os acontecimentos nos mínimos detalhes.
Quando terminei de contar, eu só via a cara de incrédula de Lilly e a cara de inconformada de Emme.
— Você correu? Jura? Você só pode estar brincando! – Eu revirei os olhos enquanto ouvia a voz de Lilly.
— O Sirius e o Wood queriam ficar com você? Os dois? – Eu ri, era mesmo inacreditável, eu sei.
— Foi muito confuso, eu demorei pra entender o que tava acontecendo...
— Claaaro. – Eu fiz uma careta à brincadeira de Emme, que riu, e eu continuei.
— E daí o Sirius chegou perto de mim com tudo, eu pensei que ele ia me beijar, mas daí ele me disse “é ele, Lene?”, e eu fiquei assim... hã?
— Meu Deus! Ele pensou que o tal garoto que você tava a fim era o Wood! – Lilly levou as duas mãos a boca e Emme gargalhou de uma maneira como quem gostara muito do que ouviu.
— Eu sabia que meu plano ia dar certo!
— Olha no que você me meteu. – Eu disse contrariada e ela revirou os olhos e fez uma careta em meio aos risos.
— Você devia estar me agradecendo de joelhos, amiga, o Sirius está a um passo de estar nas suas mãos.
Acho que a Emme pirou de vez ou ela tomou muito sol na cabeça.
— Quem dera.
— E ainda ganhou o Wood de bandeja, de graça. – Emendou Lilly e eu revirei os olhos.
Acho que as duas acordaram cedo e foram tomar banho de sol na laje. Muito sol na cabeça dá nisso.
— Vocês duas estão exagerando. Eu não ganhei o Sirius e estou longe de ganhar. Eu não sei o que aconteceu ontem, mas acho que não é pra tanto. Acho só que o Sirius não queria sair por baixo naquilo. Só coisa de meninos.
— Lene, ele não ia querer arrumar encrenca com o amigo dele de time se não estivesse sentindo um pinguinho de nada.
— Um pinguinho de quê? – Encarei Emme e ergui as sobrancelhas, essa eu queria ver. Um pinguinho de quê? Aposto que ele só pensou que eu seria só mais uma igual aquelas lombrigas de saia que ele estava acostumado. Como a Anna, por exemplo.
Virei o rosto, exasperada e voltei meus olhos para o campo no momento em que o juiz apitava o início do jogo, olhei para Sirius parado próximo a grande área, já dando um impulso na vassoura e se perdendo pelo céu, e olhei para o outro lado onde Wood estava parado montado na vassoura em frente ao gol, protegendo-o. Eu não sei o que eles estavam pensando ontem à noite, mas eu tinha certeza que não tinha nada a ver com aquela palavra que não saia da minha cabeça quando eu pensava em Sirius, e que começava com a letra A.
Aquela palavra tão temida pelos meninos.
— Esquece isso. – Eu disse, simplesmente, antes que Emme recomeçasse seu discurso de que o Sirius já estava apaixonado por mim e só me enchesse de ilusão. Naquele tempo todo em que eu estava apaixonada por ele, eu aprendera uma coisa e não queria esquecer aquilo: Nunca se iluda, porque ilusão só causa mais sofrimento, seja realista por mais duro que seja. A verdade dói muito menos do que ficar achando que tem coisas onde não tem e se decepcionar atoa depois.

O jogo foi mais disputado do que o normal, era quase como se a Grifinória estivesse jogando contra a Sonserina, só que era só a Corvinal tentando ser uma Sonserina. Não que a Sonserina fosse boa, mas era chata, apelava e acabava complicando os jogos para nós, e esse estava mais ou menos assim.
James e Sirius estavam sendo mega marcados, Wood estava tendo bastante trabalho no gol, fazendo defesas espetaculares.
O resto do time se perdeu diversas vezes, estavam meio desconcentrados e perdiam umas jogadas bobas, o que deixava todos mais nervosos.
Eu gritei tanto nesse jogo que quando o Sirius desviou de um balaço, passou por um, dois, três e passou a goles para um James sozinho na frente do gol, acertando-a com tanta força que se tivesse uma rede lá teria perfurado. Eu já estava pulando e gritando que nem louca antes mesmo da bola passar pelo aro, o que demorou apenas alguns segundos depois de toda a jogada para acontecer.
E quando o juiz finalmente apitou o final do jogo, eu caí sentada na cadeira da arquibancada, aliviada. Tínhamos vencido.
Ufa, agora era só esperar dois finais de semana para a grande final, que ia ser osso duro de roer: Grifinória versus Sonserina.
O bicho ia pegar.
Fiquei sentada com as meninas na arquibancada por mais um bom tempo enquanto esperávamos o estádio ir esvaziando. Sair no meio da muvuca era horrível demais, por isso compramos alguns sanduíches e sapos de chocolate de uma vendedora ali próxima e voltamos a nossos lugares, onde ficamos comendo e conversando sobre os momentos mais tensos do jogo.
Enquanto os jogadores iam deixando o campo, comemorando, vi Sirius e James seguindo em direção ao vestiário. Sirius maravilhosamente perfeito sem camisa, todo suado, era a coisa mais perfeita que eu podia ver na minha existência, mesmo de longe. Daria tudo para encontrar com ele assim, sozinho, num quarto trancado.
Ai, ai, ai.
Ri de mim mesma, o que nem causou desconfiança em ninguém diante daquele clima descontraído de vitória, e voltei minha atenção as meninas e a Remus e Frank, que também estavam por ali ainda conversando.
Mais ou menos vinte minutos depois, nós descíamos da arquibancada e seguíamos pelos gramados ao lado em direção a escola, que ficava subindo um grande morrinho, lá em cima, no alto, o castelo, lindo com suas torres, só que sem príncipes, e passagens secretas e tudo mais. Era apenas um castelo antigo demais e grande demais, com uns mil metros de comprimento, só que nem tanto.
O estádio era cercado por um gramado e de cada lado dele tinha um vestiário, um para o time da casa e o outro para o visitante.
Quando estávamos começando a subir o morro gramado que nos daria acesso mais rápido e ágil ao castelo, percebi que tinha alguns garotos correndo em direção ao vestiário esquerdo, onde o time da Grifinória provavelmente ainda estava, e olhei achando estranho.
— Eu juro que eu pensei que íamos mesmo perder. – Emme ia dizendo, enquanto todo mundo ainda conversava animados sobre o jogo.
— Eu também, minha nossa, quase morri quando vi o Sirius na vassoura desviando de todo mundo com a goles na mão. Merlin do céu! – Todo mundo riu com o comentário de Lilly, mas eu não conseguia prestar muita atenção naquele momento. Meus olhos estavam descendo junto com uns três ou quatro garotos que corriam em direção ao fundo do vestiário.
O que eles iam fazer lá?
Parei e me virei, para olhar para trás, vi Wood e alguns jogadores saindo do vestiário, dessa vez (infelizmente) Wood estava vestido e com uma camisa cobrindo seu peitoral maravilhoso, mas eu nem consegui ficar muito triste com isso, porque quando vi dois garotos passando atrás do vestiário, o último me chamou muito a atenção.
— Aquele não é o Snape? – Eu perguntei sem nem prestar atenção de que as meninas já estavam há uns dez passos de distância de mim e nem sequer ouviram direito minha pergunta.
— O que foi, Lene? – Me virei para eles e vi Remus e Emme mais acima conversando, enquanto Lilly, Alice e Frank me olhavam, interrogativos.
Alguma coisa errada estava acontecendo ou ia acontecer.
O que snape ia fazer atrás do vestiário do time da Grifinória? Coisa boa não era, eu tinha certeza disso.
Não pensei duas vezes.
Para variar, me virei e sai correndo, dessa vez em direção a um vestiário masculino, cheio de homens pelados, tomando uma ducha depois de uma partida de quadribol.
Que maravilha!
Quando me aproximei, vi três jogadores da Grifinória saindo e parei ofegante na frente deles, que me olharam sem entender nada.
— O... O Sirius ainda está no... no vestiário? – Perguntei, meio ofegante. E eles riram, como se eu fosse uma daquelas sirienas que ficavam atrás dele, o que me deixou irritada.
— Está sim, tá lá dentro com o James. – Disse um deles, e outro, idiota, emendou, risonho.
— Melhor você esperar o James sair antes, heim. – E riram os três, saindo e me deixando puta de raiva.
Idiotas.
Caminhei, meio tensa, até a porta do vestiário e parei, olhando para dentro.
Estava aberta, mas eu não ouvia barulho de chuveiro nem nada. Será que o Sirius e o James realmente estavam lá dentro ainda? Será que estavam pelados?
Ai, senhor, diante desse pensamento, eu tremi e dei um passo para trás, antes de ouvir a risada alta de James.
Eles ainda estavam lá, o que será que estavam conversando?
Okay, Okay, eu sei o que você está pensando.
Eu estava na porta do vestiário masculino de um time de quadribol, eles provavelmente estavam pelados, alguém podia me ver ali, parada, espionando e me denunciar para o Filch, ou pior, para o diretor e eu levar uma suspensão ou pior ainda, chamarem os meus pais, o que seria bem vergonhoso. Imagine, contarem para os meus pais que eu era acusada de espionar o vestiário masculino cheio de homens tomando banho.
O que meus pais iam pensar de mim?
Mas eu estava ali, só eu, talvez ninguém me visse, nem eles, era a minha oportunidade única na vida de descobrir o que os meninos conversavam quando estavam sozinhos, será que eles falavam mesmo só de quadribol e vassouras? E o que será que falavam das meninas? Será que falavam de alguém que eu conhecia? Será que o James falaria da Lilly? Será que o Sirius falaria de mim?
Sem pensar em outra coisa, surrupiei, silenciosamente, pela porta, entrando devagarinho, e me encostando na parede, meio escondida, ouvindo, dessa vez, a voz de Sirius e James muito mais nitidamente.
Eles estavam mesmo conversando, e pelo que parecia, só tinha os dois ali.
— Eu sei, cara, mas, de verdade, eu não estou nem um pouco a fim. – Era a voz de Sirius, e eu congelei por dentro.
Sobre o que será que ele estava falando?
Ai, Merlin, como eu daria tudo para ser uma mosquinha naquele momento. (E poder ver ele pelado, pelo menos uma vez na minha vida. hehehe).
— Ela tá um grude em cima de você, né? – James riu, e eu me senti congelar ainda mais por dentro. Será que estavam falando de mim?
Não, não era possível, eu não estava um grude em Sirius. Não que ele soubesse.
— Puta merda, cara, grude é pouco. Como eu faço pra me livrar daquela garota? Tá pior do que chiclete.
— Pior do que a Valentina?
— Puuuuts. – James gargalhou e Sirius riu em seguida. Acho que eles não estavam falando de mim mesmo, mas de outra lambisgóia que não saia do pé de Sirius.
Normal.
Valentina era uma garota do quinto ano que Sirius tinha ficado algumas vezes ano passado, pelo que eu sabia (infelizmente, eu sempre sabia), ele tinha ficado com ela duas vezes, depois da segunda, a menina encarnou o papel da namorada e ficava colada em Sirius dia e noite, com ou sem os meninos a volta. Ela não tinha o menor senso e Sirius deu diversas patadas nela até ela entender que ele não queria nada com ela e NEM era namorado dela, o que eu dei graças a Deus quando ela finalmente entendeu. Ele não era e nem nunca seria namorado dela, e eu esperava que nem namorado de ninguém nunca, também. A não ser eu, é claro.
— Nem me lembre. Mas tá quase viu. – Sirius riu, desanimado, e um silêncio predominou por um momento.
Ouvi barulho de perfume sendo espirrado e um cheiro maravilhoso invadiu minhas narinas, era o perfume do Sirius.
Por um momento, eu imaginei ele ali, dentro do vestiário, sem camisa, com a calça jeans baixa, deixando à mostra as entradas da cintura, o peitoral malhado, forte, gostoso, agora todo molhado pelo perfume, os cabelos molhados e ele passando a mão neles para deixar os fios para cima.
Era a ilusão do paraíso.
Voltei a mim quando ouvi a voz de James, mas como eu estava em transe, não consegui entender o que ele perguntou, só ouvi a voz de Sirius em resposta.
— Ah, cara, ela está diferente ultimamente, sei lá, tem alguma coisa nela que não tinha antes que.. não sei. – Ele deu um tempo, como se estivesse pensando, e eu ouvi uma risadinha de James.
— Ou que você não via.
— É. – Disse Sirius, simplesmente, e um silêncio reinou por alguns segundos.
— Ela não é garota pra uma noite só, cara.
Congelei por dentro. Minha nossa senhora do Bonfim, será que eles estavam falando de mim?
— Tô ligado, mas eu não tô a fim de me amarrar, cara.
— Acho que você já está amarrado, meu caro almofadinhas – James deu uma risadinha e eu dei um pulo de susto quando uma porta de armário se fechou com tudo, fazendo um enorme “PAH” ecoar pelo vestiário e ouvi barulho de passos em seguida.
Alguém estava saindo.
Meu Merlin!
Virei para todo lado, desesperada, e vi uma portinha logo atrás de mim, sem nem conseguir pensar antes o que era aquilo, eu abri a porta e entrei com tudo, puxando-a sem fechar completamente com medo do barulho da porta se fechando chamar a atenção deles.
Estava escuro e quente dentro desse lugar que parecia uma sala de refrigeração, ou apenas a sala de aquecedor, e eu fiquei em silêncio absoluto, enquanto ia ouvindo passos lentos em direção a saída.
— Vê se não morre aí, hein, Almofadinhas. - Eu não consegui ouvir a resposta anterior de Sirius diante da afirmação de James, e pelo meu coração disparado no peito naquele momento, eu nem sei se conseguiria ouvir a resposta dele agora.
Ouvi os passos ficando mais forte e um vulto por baixo da porta sinalizando que James estava passando em direção a saída e suspirei aliviada. James tinha saído e agora Sirius estava sozinho dentro do vestiário.
Era a minha chance. De quê?
Empurrei a porta lentamente e espiei para fora.
Vazio.
Olhei pela porta que dava acesso a saída e vi James caminhando em direção ao castelo e então voltei-me para dentro do vestiário, pisando na ponta dos pés enquanto adentrava, silenciosamente.
Ouvi barulhos do armário, como se o Sirius estivesse mexendo dentro dele, e depois um barulho de assobio.
Ele estava cantarolando em assobio, baixinho, parecia descontraído ali, sozinho, enquanto se arrumava.
Será que ele já estava vestido? Será que eu podia entrar?
Mas eu ia dizer o quê?
O que eu tinha ido fazer ali mesmo?
Snape. Claro, eu tinha visto Snape correr para os fundos do vestiário da Grifinória. Mas se Snape tinha ido aprontar alguma coisa, porque ele não tinha feito nada ainda quando James e Sirius estavam sozinhos ali?
Mais uma vez, lá estava eu com a possibilidade de ser expulsa se alguém me pegasse ali, ou de me virar e fazer o que eu sabia fazer de melhor, que era correr para longe ou eu aproveitava minha chance única de ver Sirius dentro do vestiário.
Não pensei duas vezes, respirei fundo, e pisei firme no chão, dando alguns passos à frente, e então chamei.
— Sirius?
Silêncio.
Dei mais alguns passos e dessa vez parei de repente, sentindo meu peito e meu corpo inteiro congelar por dentro.
— Marlene? – Ele pareceu assustado, como se não esperasse me ver ali... De repente, na verdade, ele não esperava mesmo. Aquele era um vestiário masculino, a última coisa que ele esperava era ver uma menina, ou eu, entrando ali, de repente. – Tá fazendo o que aqui?
Fiquei parada, congelada, sem conseguir emitir um único som, sem conseguir mexer um músculo sequer. A visão que eu tinha era mil vezes melhor do que da minha imaginação.
Na minha frente, eu tinha Sirius Black, parado, lindo, maravilhoso e... Seminu.
Vou começar descrevendo-o de cima para baixo só para você entender minha situação.
Os cabelos dele estavam molhados, espetados para todos os lados como se ele tivesse passado a mão neles, os espalhando, algumas gotas ainda desciam pelo rosto de Sirius que me sorria, de lado, surpreso e sapeca, ao mesmo tempo. O peitoral malhado estava nu, molhado, eu tinha certeza que o molhado do peitoral era uma mistura da água do chuveiro com o perfume que eu senti o cheiro antes, e tinha gotas descendo pelo peitoral até a barriga malhada e descendo até se perder nas entradas da cintura, e logo abaixo da barriga, ele tinha uma toalha branca, enrolada em volta da cintura.
Era a visão perfeita do paraíso.
Era quase como se eu tivesse morrido e estivesse vendo anjos na minha frente, na verdade, um anjo, um anjo tentador, lindo, maravilhoso, gostoso, perfeito... Putaquepariu, alguém me belisca, me chacoalha, me dá um tapa na cara, mas faz alguma coisa, qualquer coisa para que eu pare de olhar para ele e aquele peitoral e aquelas malditas gotas descendo até o quadril dele e se perdendo no meio da toalha que cobria só o que minha imaginação era capaz de imaginar, afinal de contas, eu nunca tinha visto um homem de toalha, imagina pelado.
Imagina só esse homem pelado, que coisa que devia ser, hein.
Desse jeito eu vou direto para o inferno.
Ele pigarreou e riu, sem entender muito, mas com certeza estava rindo da minha cara.
— Perdeu a língua, Lene? – A voz dele estava um pouco sensual agora, como se ele estivesse brincando comigo, e eu sacudi a cabeça levemente.
— Perdi a consciência, isso sim. – Ele riu e eu ri, para disfarçar. Caramba, como eu faço para parar de olhar para ele com olhar de "sai da minha frente ou eu te agarro"? Porque vai ser difícil eu disfarçar a vontade que eu tô de agarrar esse menino. Minha nossa senhora dos desesperados.
— Ta fazendo o que aqui? Não resistiu à vontade de me ver pelado? – Com certeza não resisti mesmo, meu bem, como você adivinhou?
— Hahaha. – Eu disse, fingindo uma risadinha falsa e forçada, e ele riu em seguida. – Eu só... vim ver uma coisa.
— Se era grande? – Ele disse brincalhão e eu demorei alguns segundos para entender a piada.
— O QUÊ? Nãooooo, não... nossa, não... que isso, eu não.. eu... imagina... que isso... – Sirius gargalhou gostosamente diante da minha exasperação e eu tinha certeza que agora eu estava mais vermelha que toda a torcida da Grifinória reunida na arquibancada a um tempo atrás. Estava mais vermelha que um pimentão.
— Você fica uma graça toda vermelha e sem graça. – Ele tinha se aproximado tanto que eu mal percebi que ele estava na minha frente até sentir a mão dele no meu rosto, tirando uma mecha do meu cabelo dos meus olhos.
Senti um arrepio percorrer meu corpo.
Sirius estava parado na minha frente só de toalha falando de coisas como "se era grande". Difícil ficar normal, né, camarada.
— Hahaha. – Foi tudo que eu consegui pensar, molhando os lábios e tentando não olhar demais para o rosto dele, que ainda estava meio úmido do banho, os cabelos molhados deixando gotas descerem pelo rosto até os lábios vermelhos e grossos, meu senhor, como podia ser tão perfeito assim?
Como eu podia ser tão apaixonada assim por esse cara a ponto das minhas pernas ficarem bambas daquele jeito?
Eu ia despencar no chão a qualquer momento se ele se aproximasse mais um pouquinho que fosse de mim. Ah, ia!
— E então, vai me dizer o que veio fazer aqui? – Ele disse, suavemente, e eu fiquei olhando para ele por um tempo, dessa vez sendo impossível não lembrar do nosso primeiro beijo e da noite de ontem.
Eu queria muito, mas muito mesmo perguntar o que tinha acontecido ontem, mas eu sabia que não podia falar, não podia demonstrar o quanto eu me importava com tudo aquilo, o quanto eu queria saber o que ele sentia, pensava ou queria em relação a mim. Se eu demonstrasse eu ia estragar todo o plano de Emme, e colocar minhas pequenas chances no lixão de vez.
— É que eu vi uns meninos da Sonserina vindo pra cá e pensei que...
Zum.
Tudo escureceu e eu dei um pulo para trás.
Arregalei os olhos e olhei em direção a Sirius que agora olhava a volta, com as sobrancelhas franzidas, desconfiado. Ele me olhou e levou os dedos aos lábios como quem pede silêncio.
O vestiário inteiro estava no escuro, sendo iluminado apenas pela claridade da luz do sol que penetrava pelos vidros das pequenas janelas acima nas paredes, mas isso ajudava muito pouco, eu só conseguia ver o formato das coisas grandes, os bancos no meio do vestiário, os armários, as portas das divisórias dos banheiros e Sirius parado a minha frente. Pela proximidade dele, eu conseguia ver ele todo, mesmo naquele escuro.
Um barulho ecoou como se alguém estivesse entrando por outro lado que não pela porta da frente e eu fiquei me perguntando por onde será que eles pretendiam entrar, aquelas janelinhas eram pequenas demais.
— Droga. – Sirius praguejou, baixinho, e segurou minha mão, se aproximando mais de mim para falar em tom baixo.
— A gente tem que sair daqui, mas como eu vou sair assim? – Eu, involuntariamente, olhei para baixo quando ele falou a frase “assim”, e senti uma onda de calor percorrer meu corpo.
Já sei.
E então eu puxei ele em direção a saída, quando ele viu para onde eu estava o levando, ele retesou o corpo e parou, fazendo eu brecar com tudo, ele era muito mais forte que eu.
— Tá louca, Lene? Eu tô pelado, não posso sair assim! – Uhhh delícia. Pena que aquele não era bem o momento que eu queria ele pelado só para mim.
— Relaxa, eu sei o que tô fazendo. – Puxei a mão dele com um pouco de força, e ele ficou parado um pouco, pensando, analisando se devia ou não confiar em mim, provavelmente lembrando do dia que ficamos presos na sala das vassouras onde eu salvei a pele dele. Ele resolveu dar um voto de confiança em mim e amoleceu o corpo, me seguindo enquanto eu puxava ele em direção a saída, mas parando antes e abrindo a porta da salinha de aquecedores, o puxando para dentro e fechando a porta atrás de mim.
Me encostei de costas na porta e ele parou na minha frente.
E aqui estávamos nós, mais uma vez, presos dentro de uma salinha minúscula e escura. Com uma diferença gritante dessa vez: Ele estava praticamente nu na minha frente, com o corpo praticamente colado ao meu.
Minha Nossa Senhora das mulheres fortes, dai-me forças para resistir.
Ele olhou a volta e depois para mim e me deu um sorriso cumplice, tipo “Aqui estamos nós, novamente”.
— Estou começando a achar que você gosta de ficar apertadinha comigo em salinhas pequenas e escuras.
— Adoro. – Eu disse ironicamente (sqn) em voz baixa, tentando reprimir um riso.
Ele encostou o corpo ainda mais no meu, não sei se de propósito ou se porque o espaço era muito apertado, eu podia ver formas grandes e escuras atrás dele, tipo maquinas de aquecedores, então o espaço era mesmo pequeno.
Ou não era só isso.
Senti a mão dele envolver minha cintura e o rosto dele encostando lateralmente no meu para em seguida sentir a respiração dele no meu pescoço, e fechei os olhos, sentindo meu coração disparar, rezando para que ele não pudesse sentir, nem ouvir meu coração acelerado ao peito.
Bom, eu tinha uma boa desculpa para meu coração estar disparado, né?
— Nossa, você é cheirosa. – Ele disse baixinho, ao meu ouvido, e eu senti meu corpo inteiro se arrepiar.
Que droga, Sirius, por que você está fazendo isso?
— Quer parar com isso? – Eu dei um tapa de leve no peitoral dele, o que eu me arrependi logo quando terminei de fazer, o toque dos meus dedos naquele peitoral malhado, diretamente na pele quente e macia dele, fez meu estômago revirar por dentro.
Eu sentia tanta vontade de agarrar ele, mas tanta, que tinha medo de dizer isso em voz alta sem querer ou de deixar transparecer pela minha respiração que estava cada vez mais acelerada junto com meu coração, que parecia que de repente tinha virado uma bateria e fazia uma batucada sinistra aqui dentro.
— Por quê? Não está gostando? – Ele deu um risinho baixo, arteiro, e beijou suavemente meu pescoço, me fazendo encolher e apertar ainda mais os olhos fechados.
Que droga, Sirius.
— Que droga, Sirius. – Deixei meu pensamento escapar e fiz uma careta logo em seguida.
Droga.
Ele riu, como se gostasse de tudo aquilo.
— Para com isso! – Empurrei ele e ele se afastou, para me olhar risonho, dessa vez com o rosto muito, mas muito perto de mim, meu nariz quase encostava no dele, eu estava quase ficando zarolha quando tentava olhar para ele.
— A gente podia aproveitar o momento, já que estamos aqui, sozinhos, apertadinhos. – Ele sorriu, sapecamente, e eu senti um ser dentro de mim se revirar.
Qual era a dele? O que ele estava tentando fazer ultimamente?
— Por que você tá fazendo isso? Tá doido? – Eu tentei falar o mais baixo possível, mas tenho certeza que minha voz saiu exasperada.
Ele riu e balançou a cabeça, como se só estivesse brincando comigo.
Acho que estava mesmo, e o nome da brincadeira era “Como enlouquecer Marlene Mckinnon”.
Ele ganhava de dez mil a zero.
— Tô brincando. – Eu fiz uma careta. – Foi mal, estou atrapalhando seu lance com o Wood, né?
Eu olhei para ele, desconfiada. O que ele estava querendo dizer com aquilo?
— Pois é. – Eu disse simplesmente, e ele dessa vez ficou sério, me olhando.
Molhou os lábios com a língua e eu engoli em seco diante daquela imagem.
Anda logo, Snape, seja lá o que for que você veio fazer, anda logo com isso antes que eu cometa uma loucura.
— Ele é um louco se não estiver a fim mesmo de você. – Franzi a testa e o encarei, sem entender, um barulho se fez presente do lado de fora, mas eu não estava mais nem aí para o barulho, para a Sonserina, o Snape e cambada.
O que ele queria dizer com aquilo?
— Por quê? – Eu sussurrei, quase sem voz, o que foi minha sorte porque parecia proposital, mas era apenas eu sendo incapaz de proferir uma palavra.
O nariz dele roçou no meu e eu fechei os olhos, involuntariamente, senti a testa de Sirius encostar na minha e senti meu coração disparando no peito.
Meu Deus, meu Deus, meu Deus.
Ele afastou a testa e eu abri os olhos para vê-lo, agora muito, mas muito perto mesmo de mim, e engoli em seco, molhando os lábios em seguida.
Era impressão minha ou ele estava se aproximando ainda mais?
— Porque você é...incrível! – Ele ia me beijar, que droga, ele ia me beijar, eu tinha certeza disso.
Fechei os olhos e molhei os lábios, ansiando por aquele momento mais do que qualquer coisa na minha vida, afinal de contas, dessa vez não era eu que iria agarrar ele e fazê-lo me beijar, não ia ser uma noite só num bequinho do corredor dos amassos, não, seria ele me beijando porque queria, de verdade, sem mais nada. Estremeci quando senti o calor dos lábios dele roçando aos meus, entreabrindo meus lábios com os seus e sua língua roçando a minha devagar, quando de repente...
PAH
Dei um pulo e ele também, e se afastou de mim.
Arquejei e olhei para ele, confusa.
Droga.
Alguma coisa tinha caído no chão do vestiário, antes de vozes começarem a ecoar lá dentro.
Filhos de uma rapariga desgramada!
Que droga, que droga, que droga.
Abaixei os olhos, ofegante, tentando não olhar para ele e ele encostou em mim novamente, praguejando baixinho. Acho que no susto que tivemos e no pulo que ele deu, ele bateu as costas nas maquinas atrás dele.
Vi ele massagear as costas e praguejar um pouco alto demais.
— Shiuuu! – Eu falei baixinho, tentando fingir que nada tinha acontecido e voltando minha atenção ao que estava acontecendo, apenas para me distrair daquele homem divinamente gostoso colado a mim na minha frente e que acabara de quase me beijar.
— O que você acha que eles estão fazendo? – Eu sussurrei, baixinho, no momento em que ouvimos mais passos e vozes do lado de fora.
Snape e a trumpe entraram.
Ele sacudiu a cabeça, negativamente, estava prestando atenção para descobrir o que acontecia.
Ouvimos barulho como se eles estivessem tentando abrir os armários e Sirius fez uma careta, estava puto da vida com Snape. Coitados, eles iam pagar caro por aquilo.
— Onde a gente deixa, Severus? – Ouvimos uma voz, mas eu não reconheci de quem era, o que era bem óbvio, eu não conhecia ninguém da Sonserina a ponto de reconhecer voz, a não ser o Snape e algumas siriemas nojentas que tinham a voz tão fininha e nojenta que não tinha como você não reconhecer.
— Vamos tentar abrir alguns armários e deixar dentro. Quando eles entrarem aqui na próxima vez vão ter uma surpresa bem fedorenta. – Snape riu e eu fiz uma careta.
O que será que eles estavam tentando colocar nos armários? Gambás?
— Isso é bobeira, eles vão saber que fomos nós e vão vir pra cima. – Disse um deles, esse parecia mais perto da gente, como se estivesse encostado na parede, apenas observando. Outro respondeu.
— Que venham.
— Vão pensar que foi os jogadores da Corvinal, e com isso, vamos começar uma guerra, e ter mais gente do nosso lado contra eles. – Disse Snape.
Bem espertinho, mas... pra que tudo isso mesmo?
— Devíamos é fazer algo pra tirar eles do próximo jogo, isso sim. – Disse esse mesmo menino parado próximo a sala de aquecedor.
— Mas nós vamos. Isso é só uma amostra do que os esperam. – Disse Snape, e eu senti uma onda de pânico percorrer meu corpo. Eu mato esse garoto se ele fizer alguma coisa que machuque meu Sirius. Ah, se mato!
Ele ainda não conhece a ira de uma garota apaixonada.
Mais alguns barulhos ecoaram pelo vestiário, estavam abrindo os armários, não sei como, nem com o que, e fechando depois de colocaram, eu não faço ideia do que, lá dentro.
Eu olhei para Snape e seu rosto estava indecifrável, eu não conseguia decifrar o que ele poderia estar pensando além da vontade de querer matar o Snape, isso era certeza.
Os meninos continuaram lá dentro por mais um tempo, dessa vez fazendo o serviço sujo em silêncio.
Fiquei parada ali, olhando para Sirius, sentindo meu coração ainda acelerado no peito enquanto respirava aquele perfume maravilhoso dele que só fazia eu sentir mais e mais vontade de beijá-lo.
Por que eles estavam demorando tanto?
Ouvimos passos, risos, vozes de vitória e então passos correndo em frente à nossa porta, o que me fez encolher e Sirius me abraçar enquanto eu me apoiava no peitoral maravilhoso e quente dele, com as mãos fortes dele a minha volta como se estivesse me protegendo.
Os passos sumiram do lado de fora e as vozes morreram e nós ficamos ali. Ele me abraçando, eu encolhida nos braços dele, o cheiro dele me invadindo, eu podendo sentir o coração dele batendo forte e ele com certeza ouvindo a bateria do meu coração enlouquecido enquanto nos olhávamos, em silêncio, cumplices.
O som da porta se batendo pelo vento nos fez voltar a si e Sirius me olhou, tirando fios de cabelo do meu rosto antes de dizer, ainda com a voz baixa.
— Acho que eles já foram. – Eu assenti com a cabeça e me afastei um pouco dele quando ele me soltou, me virei e girei a maçaneta da porta espiando do lado de fora antes de ir saindo devagar.
O vestiário ainda estava escuro e o silêncio predominava tudo.
Sirius veio logo atrás de mim e caminhamos silenciosos até os armários para vermos alguns entreabertos, provavelmente aqueles que os alunos da Sonserina conseguiram abrir.
Sirius caminhou até seu armário, respirando aliviado ao constatar que o mesmo estava fechado, sorte a dele que ele fechara assim que me viu.
Caminhei até um dos armários entreabertos e o abri, temerosa. O que será que tinham guardado lá? Vai que era uma acromântula, né, nunca se sabe, todo cuidado é pouco.
Abri e me afastei para olhar de longe, com minhas mãos bem seguras longe de qualquer picada ou coisa do tipo, mas o que eu vi me fez sentir ânsia de vômito e nojo e tudo ao mesmo tempo.
Me afastei com a cara feia.
— Ecaaaaa.
Sirius veio e parou ao meu lado, abrindo mais a porta do armário.
Fez uma careta de raiva e fechou as mãos em punho.
— Aqueles desgraçados vão pagar caro.
Dentro do armário estava cheio de peixe morto.


Continua...



Nota da Autora 13/04/2017: Perdoem a demora, eu simplesmente esqueci de postar aqui.
Essa Marlene está pegando o jeito da coisa, diz ai. Kkkkkk
Adorei ela salvando o Sirius, eles mal sabem o quanto uma mulher pode ser poderosa, coitadinhos kkkkkk
Então é isso, vejo vocês no próximo capítulo.
Beijos
Lanah Black




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