Pasión

Última atualização: 01/01/2020

Prólogo


Mais ou menos dois anos atrás....




– Eu não posso acreditar! – Eu disse, totalmente espantada!
Só não sabia se era pela minha falta de sorte ou pelo cara que estava na minha frente, me dando uma senhora olhada dos pés à cabeça – parando por uns segundos no meu sutiã preto que, graças à minha camisa branca, agora molhada, ficava muito visível – com seus olhos escuros e intensos. O meu maior espanto foi perceber quem me deu um banho de água fria, literalmente, e que esse ser estava na minha frente, vestindo aquela camisa vermelha, a camisa principal do Sport Club Lisboa e Benfica e que, mais ou menos uma hora atrás, eu via no campo. Tanto a camisa quanto o homem a minha frente.
– Desculpe! Eu não te vi e acabei te dando um banho! – Ele disse quando decidiu, por fim, parar seu olhar no meu rosto. – Me desculpe, acho que tenho uma camisa limpa aqui no carro. Por favor, entre, troque de camisa. É o mínimo que posso fazer depois de te dar esse banho, sem querer, com meu carro! – O número 11 do Benfica disse rápido demais para o meu cérebro processar, já que ainda estava em choque por encontrar o menino prodígio da Vila Belmiro em Portugal.
Isso tudo em minha primeira viagem internacional, no começo do meu intercambio acadêmico em Portugal, o mesmo para o qual eu juntei dinheiro por dois anos, diga-se de passagem.
– Eu... Aceito a sua camisa, vai ser impossível continuar a andar com essa camisa até o meu hotel. – Consegui sair do meu estado de torpor e responder ao Gabriel.
Mesmo que minha voz tenha soado normal no decorrer da frase, por dentro eu estava surtando! Eu estava conhecendo o Gabriel Barbosa, mais conhecido como Gabigol, uma das estrelas do Santos. Não, eu não era santista, Deus me livre! Eu tenho bom gosto, sou rubro-negra desde criança. “Flamengo até morrer”, como escrito no hino do meu time e que eu gostava de cantar a plenos pulmões no Maraca lotado. Mas era quase impossível não saber sobre ele, ainda mais para amantes do futebol, como eu me orgulhava de ser.
Ao ouvir minha frase, ele sorriu e logo me deu espaço para entrar em seu carro, que eu não fazia ideia de qual era. Afinal, minha única paixão considerada masculina nos olhos da sociedade era o futebol, não carros, mas eu sabia que era um carro de luxo. O banco era de couro preto e eu design era incrível. Entrei e tomei cuidado para não bater a porta muito forte, pois logo me lembrei do quanto meu irmão reclamava no meu ouvido quando batia a porta do carro dele com muita força. E se meu irmão, que tinha um carro popular, odiava quando isso acontecia, o Gabriel deveria odiar ainda mais que uma estranha batesse a porta do seu carro, que provavelmente valia muito mais do que eu ganhava por ano.
O jogador, em vez de entrar e se sentar ao meu lado, seguiu abrindo porta de trás do carro. Pude observar que ali tinha uma mochila preta, e retirou da mesma uma camisa que o Benfica usava em seus treinos: ela era branca, com o escudo do Benfica do lado esquerdo e, do direito, um detalhe em vermelho escrito Adidas. Então me entregou.
– Obrigada. – Eu disse quando ele sentou ao meu lado.
Agora eu encarava o objeto em minhas mãos sem saber o que fazer. Eu ia ter que tirar minha blusa na frente dele? Provavelmente vendo a minha confusão, sua voz me tirou da minha luta interna.
– Pronto, pode trocar. Se quiser, posso fechar meus olhos.... Mas acho que não tem nada aí que eu já não tenha visto. – Disse, abaixando o olhar para a minha blusa molhada. – Além do mais, seria um desperdício perder essa... Cena. – Ele disse, mordendo seu lábio inferior e voltando seus olhos para os meus, nublados de... Desejo?
Sim. Nesse momento, meu cérebro decidiu pirar de vez e eu senti uma estranha coragem e vontade de tirar minha blusa sob seu olhar atento. Mas que raios eu estava pensando? Isso ia me fazer parecer ser uma tiete, ou pior! Uma maria chuteira! Entretanto, essa vontade era tão intensa... Muito diferente do que eu já sentira antes. No meio desses pensamentos, eu lembrei das palavras da minha melhor amiga quando estávamos na minha “despedida”: Curta! Aproveite e faça tudo o que aqui você não tem coragem, afinal, ninguém te conhece lá mesmo e você vai demorar um pouco pra voltar!
Movida por essas lembranças e com o pensamento de que eu era uma mulher livre em pleno século XXI, que podia ter, quem sabe, um encontro casual, se assim fosse da minha vontade, que eu nunca teria a oportunidade de ficar com um jogador de futebol na vida e que piraria quando lhe contasse essa história, eu tomei minha decisão. Olhei nos seus olhos intensos, mordi meu lábio de nervosismo. Dei de ombros, prendendo em seguida meus cabelos em um coque mal feito, a fim de lhe dar uma visão ainda melhor do meu pescoço e busto. Em seguida, com uma calma que não sei de onde tirei, tirei minha blusa em um ritmo não muito lento mas também não muito rápido, em uma tentativa de seduzí-lo.
Assim que a minha blusa molhada passou por minha cabeça e eu fiquei só com meu sutiã de renda preta aparecendo, olhei para o seu rosto, que encarava a parte do meu corpo que estava exposta, sem piscar. Decidi continuar, e então peguei a camisa branca dele, que estava descaçando em minhas coxas, e calmamente a vesti, percebendo que a mesma exalava um perfume másculo e muito gostoso. Como a camisa dele ficou bem larga, fiz uma pequena amarração do lado esquerdo. Assim que terminei, levei minhas mãos aos meus cabelos e os soltei. Ao fim do meu pequeno show, voltei a encarar o atacante e, segundos depois que nossos olhares se encontraram, ele fez algo que eu não imaginava. Encurtou nossa distância, colocou sua mão esquerda no meu pescoço, puxou-me contra ele e me beijou.

Capítulo 1


02 de janeiro de 2019 – Ilha do Governador, Zona Norte, Rio de Janeiro.

Exausta. Era assim que se sentia assim que colocou os pés em casa e se jogou no sofá, quase esmagando Lua, sua gatinha vira-lata de pelo branco com algumas machinhas cinzas e olhos azuis. Essa rotina a matava, mesmo sendo apenas o segundo dia de 2019. trabalhava como atendente de uma loja esportiva na Zona Sul, especificamente na Barra da Tijuca. Por isso, enfrentava sempre quatro horas diárias de trânsito: duas horas de BRT para ir de casa para o trabalho e mais duas para ir do trabalho para casa. Mas isso quando estava de férias da faculdade pois, quando estava estudando, podia adicionar a essa conta mais uma hora ou uma hora e meia, dependendo do dia. Sim, era muito puxado, mas amava.
cursava Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – à noite e, de dia, trabalhava na loja mais importante do Flamengo na Barra. Quando tinha aula à noite, ela chegava na loja às 9h da manhã e saía às 16h, justamente para poder chegar ao centro do Rio por volta das 18h, horário em que a maioria das suas aulas começavam. E quando não estava em aula, como era o caso desse primeiro dia de trabalho de 2019, entrava às 8h da manhã e saía às 20h para compensar suas folgas no fim de semana e também suas horas a menos quando estava estudando. E ela se desgastava desse jeito trabalhando e estudando para, primeiramente, juntar dinheiro e comprar um apartamento próprio mais no centro da cidade, talvez no Catete ou até mesmo em Botafogo, este último na Zona Sul, e estudando para conseguir realizar seu grande sonho profissional: ser relações públicas do seu time de coração, que obviamente era o Flamengo.
estava passando mentalmente se deveria pedir uma pizza pelo aplicativo do iFood ou se ia para cozinha preparar algo, mas seu celular tocou, indicando que recebera uma mensagem no WhatsApp.

Gabigol Traidor: Hey, mulamba! Tudo bom? Preciso falar com você.
Fala, peixe! Tô bem, só cansada. E tu?
Não gosto quando você vem com esse papo de “preciso falar com você”.
Da última vez, você disse que voltaria pro Brasil... Pra jogar no Santos!
Juro que, se você me falar que vai sair do Santos para jogar no Vasco, pode me tirar da sua lista de amigos!

Gabigol Traidor: Meu Deus, bebê!
Gabigol Traidor: Calma, tá precisando relaxar? Posso ir aí semana que vem e te faço relaxar...
GABRIEL BARBOSA ALMEIDA!
Já está muito tarde, eu quero dormir, eu tô cansada, trabalhei muito hoje. É isso que você tem pra falar? Não creio que perdi alguns segundos me preocupando com o que você teria para me falar...

Gabigol Traidor: Calma, estressadinha! Não, preciso te contar outra coisa, mas não pode ser por mensagem porque é confidencial. Posso te ligar?

Assim que acabou de ler a mensagem, franziu a testa. O que o menino Gabigol estaria aprontando agora? E antes mesmo de responder a mensagem, ela já estava clicando no ícone de chamada em vídeo no alto da conversa. Três toques depois, o rosto de Gabriel apareceu na tela.
– Meu Deus, Gabriel, você descoloriu o cabelo quando? Tá horrível! – A vendedora não conseguiu evitar que esse comentário saísse.
Esse era um dos problemas de . Às vezes, ela dizia coisas na cara das pessoas, nem pensava se iria magoar ou não. Ela era muito sincera, principalmente com quem amava. Às vezes era bom, às vezes não mas, nesse caso, o atacante apenas riu.
– E desde quando você se transformou em um panda?! – Gabriel disse rindo, em referência às olheiras da amiga, que estavam visíveis.
Ele nunca perdia tempo em zoar a melhor amiga. Por dentro, Gabigol não estava conseguindo conter a alegria desde que recebera a notícia do seu empresário. A primeira pessoa que veio na sua cabeça foi e foi, em parte, por ela que ele disse sim àquela proposta.
– Você, como humorista, é um ótimo jogador de futebol. – Disse ela, se ajeitando melhor no sofá. – Mas me diga, o que é tão importante que não pode ser dito por mensagem? Você acha que eu vazaria qualquer coisa sua? Porque, se sim, quero te lembrar que ainda não vazei nenhum nude seu, o que poderia me render um bom dinheiro.
O jogador revirou os olhos rindo, adorava o tipo de amizade que tinha com aquela mulher, um dos melhores presentes que a sua passagem pela Europa lhe trouxe.
– Depois reclama de mim, mas é você que só pensa naquilo. – Ele respondeu a amiga, tentando imitar a personagem da Dona Bela, da Escolinha do Professor Raimundo.
Thaís quase engasgou por um momento de tanto rir.
– Mas voltando à sua questão principal, é porque quero ver a sua reação com o que tenho a dizer. – O paulistano disse à ‘quase carioca’, desta vez com uma voz em um tom mais sério.
– Vamos, pare de enrolação e me conte logo! Porque ou vou morrer de preocupação ou de curiosidade aqui. E eu não tô afim de morrer antes de ver meu Mengão ser campeão da Liberta no fim do ano. E também já tá tarde, amo conversar qualquer coisa com você, mas amanhã alguém de nós dois precisa acordar cedo, pois não ganha milhões por apenas perseguir e chutar uma bola. – disse séria, mas dando um sorriso zombeteiro ao fim da frase.
– Bem... – Gabriel disse, fazendo uma pausa de propósito. – Você acertou, estou saindo do Santos e indo para sua terra, o Rio de Janeiro. – O atacante disse, observando atentamente a mulher à sua frente.
Quis gargalhar, e muito, quando a cara da mesma foi fechando à medida que ele ia completando a sua frase. E antes que ele pudesse terminar a notícia, a mesma o interrompeu.
– Gabriel Barbosa Almeida. Você tá de zoação com a minha cara, não está? Não posso acreditar que você virá jogar no Vasco! Eu estava brincando, mas agora realmente vou ter que rever nossa amizade. Não posso acreditar que você está fazendo isso comigo! Você tá sendo muito mais que um traidor.... – A morena disse, realmente com muita raiva e rápido, e o atacante estava fazendo um esforço enorme para não cair na gargalhada, mas conforme as palavras iam saindo da sua boca, ele não se aguentou e começou a gargalhar. – Ah, fico feliz de saber que sou apenas uma piada pra você, senhor Gabriel Barbosa Almeida. – A mulher disse, fazendo biquinho.
Ela estava realmente muito chateada, mas estava exagerando um pouco no drama e não admitiria isso nem sob tortura para o homem que praticamente chorava de rir na tela do seu celular.
, minha linda. Se você parar de me interromper, posso te contar a notícia completa. – Ele disse quando conseguiu recuperar o fôlego e parar de rir, mas a outra não estava muito feliz e apenas acenou com a cabeça. – Sua dramática, eu vou jogar no melhor time do Rio, que possui a mais linda, dramática e apaixonada torcedora desse Brasil...
Nesse momento, o cérebro de congelou. Ele não poderia estar falando dela... Poderia?
, eu sou a nova contratação do Flamengo... , agora eu faço parte da Nação! – O atacante disse e, a cada palavra que o cérebro de processava, sua boca se abria mais e mais.
– Meu Deus, Gabriel! Juro que, se você tivesse aqui, eu te daria um tapa por me fazer sofrer pensando que você jogaria no maior rival do meu time, e depois te encheria de beijos por estar vindo para vestir o Manto Sagrado! – A vendedora disse, plenamente emocionada.
Um dos seus sonhos era ver o amigo e ex defendendo seu time. Não podia crer que finalmente veria isso acontecer.
– Adoro quando você é agressiva! – O jogador não pode evitar de brincar com a amiga.
Estava ainda mais feliz por ver aquele misto de emoções nos olhos da amiga. Ele conseguiu ler orgulho, amor, paixão, esperança... era um misto de emoções naquele momento, e ele daria tudo para estar do lado dela, encarando esses olhos castanhos tão expressivos ao vivo.
Cabe ressaltar aqui como a amizade dos dois funcionava. Eles tinham tido um breve romance nos seis meses em que a morena esteve fazendo seu intercâmbio em Portugal. Eles se davam bem em todos os sentidos, na cama, nas ideias, tinham uma certa química... E, nesses meses juntos, viveram uma paixão incrível. Mas junto com o fim do intercâmbio de , essa paixão chegou ao fim. Ela, em vez de acabar definitivamente, se transformou em uma grande amizade, mas cheia de provocações e algumas recaídas. Então eles eram basicamente... Amigos coloridos.
– Quando você chega? Já assinou contrato? Já sabe qual será o número da sua camisa? Já tem algum lugar para ficar? Aqui em casa não é muito grande, nem muito chique mas, se quiser passar uns dias comigo... Estou disposta a fazer o imenso sacrifício de dividir minha cama com você por uns dias. – começou a bombardear o amigo com muitas perguntas, sem mesmo parar para respirar.
Estava tão feliz e tão empolgada... Já começava a imaginar como seria comemorar os gols do seu amigo pelo seu clube do coração. Pagaria, a partir de agora, os ingressos para os jogos do Mengão com mais prazer.
, lembre-se que você precisa viver para me ver jogar e, para viver, você precisa respirar! – O medalhista olímpico não pode deixar de rir da amiga. – Vou desembarcar no Galeão na próxima quarta, pela manhã. Ainda não assinei, preciso fazer uns exames médicos na sede antes. Sim, já sei, voltarei a usar o número 9. Sobre o lugar pra ficar, pensei que você poderia me ajudar a escolher quando eu chegasse aí. E já estava contando de passar uns dias com a senhorita, estou com saudades. Não conseguimos passar o ano novo juntos...
– Gabs, eu não poderia estar mais feliz! – disse abrindo, seu maior e melhor, na opinião do atacante, sorriso, um sorriso verdadeiro, que chegava até os seus olhos, que estavam brilhando de paixão e orgulho.
Minutos depois, ambos desligaram, pois já passava da meia noite e a mulher precisava acordar cedo. Naquela noite, ambos foram dormir com um sorriso no rosto, mal podendo esperar para que a outra semana chegasse, eles se encontrassem e visse o amigo vestido com o Manto Rubro-Negro.


Capítulo 2

09 de janeiro de 2019 – Ilha do Governador, Zona Norte, Rio de Janeiro.

A semana passou bem rápido aos olhos de e Gabriel. Para a primeira, a semana basicamente foi dividia entre trabalho e arrumar a casa para receber o amigo. Com exceção de sábado, quando a mulher decidiu sair com Lucas e para tomarem aquela cervejinha de lei em um barzinho e conversarem. Era uma tradição que o trio procurava manter toda semana, desde o segundo ano da faculdade, apesar de Lucas cursar economia na UFF, em Niterói, e as garotas, comunicação social, na UFRJ, no centro do Rio. Só que, quando não trabalhava na loja, os amigos se encontravam na sexta, após as suas aulas, e agora que a garota possuía uma rotina de trabalho e estudo intensa, Lucas e concordaram em transferir para os sábados os encontros semanais. Em plena quarta-feira, a mulher não via a hora de sair do trabalho e reencontrar o seu ex e melhor amigo.
Já para o jogador, a semana foi de despedidas e animação para com seu novo desafio profissional. Foi complicado, ele admitia, deixar São Paulo. Sua família estava lá. Quando sentisse saudades, era só pegar seu carro e, dentro de uma hora, mais ou menos, já estava nos braços reconfortantes de sua mãe. Agora, estando no Rio, seria mais uma hora, já que um voo Rio-São Paulo durava uns quarenta e cinco minutos, mais toda aquela enrolação de chegar e sair do aeroporto.
Também sentiria falta de alguns dos seus companheiros de time, principalmente de Bruno Henrique, de quem Gabriel ficou muito próximo por se solidarizar com o drama que o companheiro viveu por conta da sua contusão do olho direito, além de formarem a dupla de ataque da equipe santista. Um fato interessante sobre o qual Gabigol refletiu durante o jogo foi em como a vida é uma caixinha de surpresas. Isso porque Gabriel chegou a pensar que não seria contratado pelo Flamengo e teria que retornar a Internazionale, enquanto o amigo provavelmente seria um dos reforços do clube carioca em 2019. Sim, ele e BH queriam ir, juntos, para atuar no time da cidade maravilhosa. Mas, no fim, ali estava o paulista, indo assinar com o rubro-negro enquanto o mineiro continuaria no Santos.
Assim que pousasse, uma equipe do Flamengo o levaria até a sede do clube, na Gávea, para acertar alguns últimos detalhes, como realizar alguns exames médicos e reler o contrato que assinaria com o clube, que teria validade até o fim do ano. Para esse momento marcante de sua vida profissional, o atacante fez questão de levar os pais, que estavam muito emocionados pela felicidade do filho. Porém os pais do atleta não ficariam muito tempo, o voo de volta já estava reservado para as 18 horas daquele mesmo dia.
Às 9 horas e 46 minutos daquela quarta-feira, dia 9 de janeiro de 2019, o avião que trazia parte da família Barbosa-Almeida pousava no centro da cidade maravilhosa, no aeroporto Santos Dumont. Enquanto efetuava o desembarque e tirava o celular do modo avião, Gabriel viu que o Vice de futebol do Flamengo, Marcos Braz, lhe mandara uma mensagem, dizendo que o receberia no aeroporto e instruindo o atleta a não dar nenhuma declaração à imprensa, pois ele teria espaço para responder perguntas na apresentação oficial no dia seguinte. Depois de responder à mensagem, e aproveitando que já estava com o celular na mão, o atacante resolveu tirar uma foto com seus pais. Colocando como localização o aeroporto do Rio, enviou pelo direct do Instagram para a amiga, para sua irmã – que, infelizmente, não pôde ir – e para seu amigo mineiro. Sabia que só os dois últimos o responderiam rápido, já que a amiga carioca estaria no trabalho e seu horário de almoço seria apenas às 13 horas.
Assim que passou pela segurança do aeroporto após pegar a sua mala, nem Gabriel ou seus pais esperavam encontrar cerca de vinte torcedores rubro-negros que o esperavam na área de desembarque.
Ão, ão, ão! Gabigol é do Mengão! – Começaram a cantar os torcedores quando avistaram o jogador caminhando para a saída.
Antes que pudesse processar a informação de que aquela recepção calorosa era sua, uma pequena confusão se instalou ao redor do ‘homem gol’. Seguranças do Flamengo e do próprio aeroporto ficaram ao redor do jogador e sua família para guiá-los e os proteger durante o curto caminho da área do desembarque até a van do clube que os aguardava.
Apesar da confusão, Gabriel já estava deslumbrado com a recepção, e não pôde evitar lembrar das tantas vezes que conversara com a amiga rubro-negra e do carinho que a mesma tinha quando se referia a seus ídolos, principalmente Zico. Mesmo que ela nunca o tivesse visto jogar ao vivo, a mulher era apaixonada pelo legado do Galinho. O jovem atleta de 22 anos não pôde deixar de sorrir ao pensar que agora ele receberia uma parte daquele carinho, tanto da amiga quanto de mais de quarenta milhões de torcedores no Brasil. Não pôde evitar a felicidade que aquele pensamento lhe transmitiu, sendo impossível segurar um sorriso de canto. Enquanto caminhava em meio a torcedores, seguranças e alguns jornalistas, Gabriel ouviu uma pergunta impossível de ignorar.
– Como você se sente, Gabriel?
– Eu me sinto muito feliz! – Gabriel disse, se aproximando, junto com seus pais, da van onde Marcos Braz estava encostado.
O jovem jogador cumprimentou o mais velho, que lhe desejou as boas vindas e entrou na van, seguido por seus pais. Mas antes de saírem, o jogador decidiu postar um agradecimento à calorosa recepção no seu Instagram. Ele rapidamente sacou seu celular do bolso e pegou uma foto que estavam circulando sobre sua chegada. Deixou a foto centralizada e, em cima, com letras brancas, escreveu “Obrigado, Nação”, seguido por dois corações, um vermelho e um preto. Embaixo da foto, colocou a localização do Rio de Janeiro. A partir daquele momento, Gabriel sabia que uma grande parte do seu sonho finalmente tinha se realizado. Agora faltava apenas alguns detalhes, como honrar e retribuir aquele carinho com gols e títulos e fazer com que seu amigo mineiro viesse formar ‘A Dupla dos Sonhos’ com ele.

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Ansiosa. Tremendamente ansiosa. Era assim que estava enquanto andava para os fundos do estacionamento do Barra Shopping, procurando pelo carro do amigo que não via havia três meses. E parte dessa ansiedade tinha aumentado ainda mais quando viu a foto que o jogar havia lhe mandado mais cedo, e com o stories público que o jogador postou de sua chegada. Secretamente, morria de medo que o seu coração saísse pela boca ao ver o amigo. Logo, seus olhos ansiosos varreram o estacionamento e não demoram muito para encontrar o carro preto ao fundo, com o pisca alerta ligado, como tinha combinado com o jogador. Com o coração acelerado, foi em direção ao carro e, quando se encontrava a poucos passos de distância do veículo, Gabriel apareceu com a cabeleira descolorida, a sobrancelha esquerda riscada e um sorriso brilhante que se refletiam naqueles olhos – que, segundo a mulher, sob luz intensa, ficavam um castanho claro derretido. aumentou suas passadas e, em questão de segundos, estava nos braços do atacante, sentindo o perfume e o calor que o jogador emanava naquele abraço reconfortante, caloroso e cheio de saudades.
– Ah, Gabriel! Que saudades de você, seu chato! – disse quando se soltou do abraço do jogador, logo dando um tapa no seu ombro. – Isso é por você me fazer pensar que iria jogar em outro clube carioca que não fosse o Flamengo.
– Ai! , sempre amável! – Gabigol disse. – Venho jogar no seu time, em grande parte por sua causa, e é assim que você me agradece, pirralha?
– Pirralha é a sua avó! Com todo o respeito. Eu sou apenas uns meses mais nova que você. – A mulher disse um pouco emburrada, fazendo o jogador rir e a abraçar mais uma vez.
– Que saudades estava de você, !
-Também, Gabi, estava com muitas saudades! – A mais nova disse, verdadeiramente.
Vivera tantas coisas com o homem na Europa que realmente criaram um vínculo e um carinho pelo outro muito grande.
-Bem... Vamos comer? Estou morrendo de fome, não quis entrar para comprar nada para não correr o risco de ser visto por paparazzis e eles te descobrirem, já que você ainda tem esse medo idiota. – O homem disse, soltando a amiga do abraço e voltando para o carro.
– Ai, Gabriel, a gente mal se viu e você já está voltando com esse assunto desagradável? Já disse, milhares de vezes, inclusive, que não quero ver meu rosto estampado em jornais baratos e em sites de fofoca como o novo affair da mais nova contratação do Flamengo. – A mulher disse, entrando no carro e logo colocando o cinto de segurança. – Vamos para minha casa, a gente pede um hamburguer, uma pizza ou qualquer outra coisa que você queira. Eu só quero saber de tudo dessa sua vinda para o meu time.
– Como você desejar, madame. – Gabriel respondeu, já dando a partida no carro. – Coloca seu endereço no GPS. Ou me guie, se preferir.
– Melhor colocar no GPS. Sei andar o Rio todo de ônibus mas, de carro, não sei de nada. – respondeu, pegando o celular do jogador que estava no suporte. – Pelo visto, alguém ainda continua com o padrão de desbloqueio muito previsível. – Disse a mulher após desenhar um G na tela do celular.
– Anda logo com esse endereço. – Gabigol disse, pois já estava saindo do estacionamento do shopping.
– Pronto, apressadinho. – A mulher disse, voltando a colocar o celular no suporte.
A viagem até o apartamento de foi tranquila, e eles não pararam de conversar um minuto sequer. contou como estavam os preparativos do seu TCC, já que esse era o seu último ano de faculdade, e como andava sua busca por um emprego na sua área. Já do lado do jogador, ele contou como estava insatisfeito no Santos. Apesar do bom rendimento, ele queria mudar de lugar. E quando chegou a oferta do Flamengo, a primeira pessoa em quem ele pensou foi na amiga fanática e em como seria bom curtir a cidade maravilhosa. Além de, claro, se afastar de uns problemas amorosos.
– Então você terminou com aquela loira arrogante? – disse quando ambos estavam na sala, ouvindo uma música e bebendo uma cerveja enquanto aguardavam a pizza chegar.
– Não fala assim dela... A Rafaella é legal.
– É legal só quando está com a boca fechada e dando sorrisos falsos porque, quando ela fala, é só pra se gabar de ser a irmã do Neymar... Sério, Gabi, o que você vê nessa garota? Ela é insuportável. – disse enquanto tomava um gole da cerveja.
Apesar do que parecia, não, não estava com ciúmes do ex. Só realmente não tinha gostado da mulher.
– Bom, comigo ela sempre foi tranquila e uma excelente pessoa...
– Claro que sim! Você está no auge, foi o artilheiro do time ano passado, o badalado do momento. Óbvio que ela te trataria a pão de ló. Mas comigo a coisa foi diferente, não sei o porquê dela ter ódio da minha pessoa. Ainda não supero que ela tenha derramado bebida no meu vestido aquela vez “sem querer”. – A mulher disse, fazendo aspas com a mão.
nunca esqueceria a festa em que seu amigo a chamou para ir, em uma das vezes em que o Santos foi jogar no Rio, que ocorreu em uma boate da Barra da Tijuca, onde os jogadores mandaram fechar uma área VIP para eles e seus convidados. , obviamente, comprou um vestido caríssimo, parcelado em 6 vezes, no qual Rafaella fez questão de derrubar sua bebida. Só que, antes disso, teve que ouvir a loira jogar indiretas sobre os mais variados assuntos: seu cabelo, sua roupa, seus sapatos... A santista a criticou de todas as formas possíveis. Quando cansou da conversa e foi pra pista se divertir, o amigo foi lhe fazer companhia e eles dançaram um funk juntos, como já estavam acostumados. E foi depois dessa dança que a tragédia aconteceu. tinha se encaminhando ao bar para pegar uma bebida quando a ‘Miss Simpatia’ derrubou seu copo nela, dizendo um “me desculpe” muito falso e com aquele sorriso arrogante. A partir desse dia, não suportava a presença de Rafaela.
, ela já me disse, e pra ti também, que foi um acidente. Pare de guardar mágoas por um vestido. A Rafa é uma pessoa legal.
– “O pior cego é aquele que enxerga e não quer ver”. Mas enfim... Não vamos estragar nosso momento lembrando desse detalhe. E não gosto de ter raiva de outra mulher, vai contra meus princípios feministas. – A mulher disse, se levantando. – Vou pegar mais cerveja. Quer?
– Olha, pra quem ainda vai trabalhar amanhã cedo, você está me surpreendendo com essa vontade de beber. Afinal, já são quase onze e meia da noite.
– Bem, não é todo o dia que você vem aqui, principalmente pra morar no Rio, e ainda mais jogar no meu time do coração, dizendo ainda que é por minha causa. Hoje você merece toda a atenção do mundo, meu caro. – disse, olhando nos olhos do jogador, e logo o clima na sala mudou.
Gabriel não podia negar que a mistura do carinho e atenção que a amiga lhe direcionava, junto com o ambiente intimista criado pela meia luz e pela música ao fundo, contribuiu para que certos pensamentos surgissem – pensamentos nada puros, diga-se de passagem.
– Bem, já que é assim... Óbvio que aceito, senhorita. – Enquanto respondia a mulher, a campainha tocou. – Bom, deve ser a nossa pizza. E acho que é melhor você atender a porta enquanto eu troco o nosso balde de cerveja.
– Tudo bem! Quanto deu?
– Nada, já paguei no meu cartão. É só pegar. – O homem disse, se levantando e, pegando o balde que continha os cascos das cervejas com gelo, rumou para a cozinha antes que a mulher reclamasse por ter pago sozinho a pizza.
Ai, Gabi e essa sua mania de querer me pagar tudo e sair de fininho!”, pensou rindo enquanto recebia a pizza. Nem cinco minutos depois, entrava na cozinha carregando o pacote de pizza e vendo o jogador, de costas e com a porta da geladeira aberta, colocar mais quatro cervejas no balde cheio de gelo que estava em cima da pia. Inconscientemente, ela não pôde deixar de reparar no corpo do amigo. O corpo do rapaz ainda estava do jeitinho que ela se lembrava: ombros largos e definidos de uma maneira não muito musculosa, mas também não eram secos... Eram da medida certa. Deixando seus olhos correrem mais para baixo, reparou nas suas coxas e, onde seus olhos demoram mais do que o normal – e que, se perguntassem, ela nunca admitiria –, na bunda do jogador.
– Hm, que cheirinho bom! Já acabei aqui com as cervejas. – Gabriel disse, se virando e encontrando a amiga parada.
Assim que seus olhos se encontraram, a garota ficou vermelha.
– Mas o que... – Gabriel começou falando quando compreendeu o que acontecia. – , você estava me secando?
– Não! – Merda! Se controla, ! – Eu... Eu... Eu estava esperando você sair da frente da geladeira para pegar o ketchup e a maionese... Sabe como é, costumes cariocas!
– Hm... Sei. – O atacante disse e, sem pensar muito no que estava fazendo, ele começou a se aproximar devagar dela, sem desviar seus olhares.
A atmosfera no cômodo estava elétrica, a mulher estava hipnotizada. Sempre que Gabriel ligava o modo sedutor era fatal, e ela sabia que, pelos seus movimentos e pela sua expressão, ele acabara de entrar nesse modo. Quando apenas a caixa de pizza impedia seus corpos de se tocarem, Gabriel pensou em dizer algo mas, antes que pudesse se manifestar, algo interrompeu.
Lua, a gatinha da dona do apartamento, resolveu superar o seu medo de estranhos assim que sentiu o cheiro diferente da pizza. Nesse momento, a gata estava se esfregando, com seu rabo bicolor todo esticado, por entre as pernas da dona. E não sabia se agradeceria ou mataria a sua gata por interromper o momento.
– Lua, sua interesseira! Só veio me dar ‘oi’ por causa da pizza! – Gabigol disse, deixando o balde em cima da pia e se abaixando para falar com a gatinha.
– Cuidado! Ela é meio arisca, não gosta de ser pega no colo. Vou pegar os guardanapos. Ou você quer talher para comer a pizza?
– Até parece que não me conhece. Estou indo pra sala, vou levar as cervejas. Te esperamos com os guardanapos.... E não se esqueça do meu azeite!
Sim, ele ia implicar muito com a amiga pôr ter a flagrado o secando. Porém isso fez com que uma luzinha piscasse em sua mente. Talvez eles pudessem re-colorir a amizade novamente, já que agora ele estava novamente solteiro. E com esses pensamentos, o jogador se aproximou do sofá, colocou o balde de cervejas na mesinha de centro da sala e acariciou a gatinha, esperando a amiga voltar da cozinha.

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– Sabe, no momento em que te contei que iria vir jogar no Flamengo, você disse que iria me dar um tapa e depois me encher de beijos... Bem, o tapa já recebi. Quando vou receber a parte dos beijos? – Depois de devorarem a pizza e praticamente acabarem com o balde de cerveja, Gabriel resolveu que já estava na hora de mudar o rumo daquela noite.
Ele olhou fixamente para a mulher enquanto se desencostava do sofá, consequentemente diminuindo a curta distância que tinha entre eles.
– Gabriel... – A morena disse, encarando os olhos intensos do rapaz que se aproximaram, perigosamente, do rosto dela. – Nós tínhamos decidido que iriamos apenas ser amigos... Você não estava gostando pra valer da Rafaella?
– Sim, eu realmente gostei dela. Mas nós terminamos. E não tem sentido lembrar dela agora. Até porque eu estou aqui, você está aqui e a Rafa em Santos, um estado de distância.
– Gabi... Você tem certeza? – Sussurrou a morena enquanto, ao mesmo tempo que proferia essas palavras, esticou sua mão direita e começou a fazer carinho na nuca do jogador.
sabia que, da parte dela, ela gostava muito do homem à sua frente, mas não estava romanticamente envolvida. Não estava apaixonada. Não sabia exatamente como tinha sido o relacionamento dele com a Rafaella, apesar de eles conversarem, às vezes, sobre esse assunto. Não tinha todos os detalhes de como tinha ocorrido o término e da dinâmica deles dois juntos, por ser muito recente. Logo, a mulher tinha medo de que o amigo pudesse confundir as coisas. Gabriel era uma pessoa incrivelmente maravilhosa e ela não queria, de jeito nenhum, brincar com os sentimentos dele, magoá-lo ou que ele mesmo se machucasse.
– Claro que tenho! – Gabriel disse, aproximando os seus rostos. –Você sabe o quanto te desejo desde o momento em que pus os olhos em você. Desde a primeira vez em Portugal... – Gabriel disse, encostando suavemente os seus lábios no da mulher à sua frente.
– Gabriel... Você tem certeza de que quer retomar nosso acordo?
– Óbvio... Vim pensando nisso durante o voo. Esse relacionamento que tive só me desgastou, me tirou o foco. Então cheguei à conclusão de que nada é melhor que a nossa amizade colorida. Me afasta de escândalos, posso me dedicar ao nosso time, você foca nos seus estudos e trabalho... Além do mais, já nos conhecemos e sabemos exatamente como satisfazer um ao outro...
– Ai, Gabriel... Você ainda vai me matar. Apesar de achar que tá muito recente o seu término, como posso dizer não a você? Como resistir?
– Simples... Não resista.
Seguindo o conselho do jogador e seu desejo interno, puxou o jogador pela nuca e, no minuto seguinte, ela estava em seus braços, capturando a sua boca com ardor, provocando em ambos um arrepio gostoso da cabeça aos pés. O beijo, que teve o poder de afastar as dúvidas da garota – pelo menos, naquele momento –, continuava do jeito que a morena se lembrava, repleto de desejo e até um pouco selvagem. Gabriel decidiu então mergulhar suas mãos nos cabelos da amiga, os puxando um pouco para trás, provocando uma dor gostosa. E naquele momento, soube que não tinha volta e que, no dia seguinte, provavelmente teria que fazer duas coisas que não estava muito acostumada: primeiro, um café preto bem forte, e passar bastante corretivo no seu rosto, pois a noite seria longa... E prazerosa.

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10 de janeiro de 2019 – Ilha do Governador, Zona Norte, Rio de Janeiro.

Um cochilo. Isso foi tudo que a mulher conseguiu tirar antes do seu celular tocar às 6 horas e 35 minutos daquela quinta-feira, 10 de janeiro. Tentou se mexer para pegar o aparelho no criado mudo e acabar com aquele barulho infernal, mas algo a impedia. “Isso é... Um braço na minha cintura?” Então, como em todo clichê, as lembranças virem em flashs na sua cabeça: ela e Gabriel na sala de estar, as carícias e os beijos trocados no chão e no sofá, o caminho da sala até a cama da morena, cada parede desse caminho – que não era muito logo – testemunha do desejo feroz que ela sentia e tentava conter. Pelo visto, era muito bem correspondido.
– Bom dia, ! – Gabriel disse, puxando a mulher para mais perto enquanto beijava sua nuca da mulher.
Ao contrário dela, as lembranças da noite anterior estavam muitos frescas em sua memória.
– Bom dia, Gabi! Desculpa te acordar tão cedo, ainda mais que... Fomos dormir faz poucas horas. – disse, se revirando na cama afim de roubar um selinho de bom dia.
– Não tem problema. – Ele respondeu, apertando um pouco suas mãos ao redor da cintura da mulher. – Tá tudo bem com você?
– Sim! Eu só preciso de um café bem forte, estou com uma puta ressaca. E preciso me arrumar logo pra ir pro trabalho sem me atrasar. – Ela disse saindo dos braços do jogador e rumando para o guarda-roupas, pegando o seu roupão de banho e o vestindo.
– Sabe, eu não estava me importando com a vista. – O jogador disse, fazendo a mulher revirar os olhos e sorrir. – Eu posso te levar.
– Não precisa! Eu vou pegar um moto táxi. É bem mais rápido que ir de carro e você precisa descansar. E além do mais, você não vai assinar o contrato e ser apresentado oficialmente hoje? Se você me levar, quando chegar aqui já vai estar na hora de sair de novo.
– Bom, já que é assim... Te busco a noite. Como ontem. Já vou estar por lá mesmo... Pode ser?
– Bem... Me deixe pensar. Posso voltar de carro com meu amigo-colorido, superconfortável, uma companhia agradável, com ar condicionado... Ou então pegar um BRT cheio, desconfortável e suando pra caramba. Preciso mesmo dizer qual a minha escolha?
– Ok... Te pego às 20h no estacionamento, como ontem. – Ele disse, se revirando na cama para dormir mais um pouco.
acabou de se arrumar com sua roupa normal de trabalho: uma camiseta, calça e casaco jeans e seu par de all star branco. Dentro da bolsa, ela colocou sua camisa do Flamengo, que colocaria no lugar da que estava usando quando chegasse no trabalho. Não conseguiu passar o café preto como gostaria e, por isso, recorreu à sua máquina de café expresso. Pegou a cápsula de café mais forte que tinha e a tomou correndo. Após isso, checou se Lua tinha água, ração e areia suficiente para passar o dia. Mandou uma mensagem para Gabriel, falando sobre o café. Disse que tinha pão e biscoito no armário, queijo e frutas na geladeira e que era pra ele se sentir à vontade em sua casa. Aproveitando que estava com o celular em mãos, ela mandou uma mensagem para e Lucas, perguntando se, por um acaso, eles poderiam ir almoçar com ela, pois precisava conversar.

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A manhã passou rápido para ambos. Gabriel, após o café, saiu para procurar um apartamento que fosse perto do centro de treinamento do Flamengo pois, apesar do clube oferecer um quarto amplo e com tudo que ele precisava, Gabigol gostava de ter seu próprio espaço. Fora que, quando a amiga quisesse, ela poderia ficar por lá, coisa que não poderia acontecer caso ele morasse apenas no CT. Ele conseguiu ver dois apartamentos antes das 13 horas e 30 minutos mas, infelizmente, nenhum tinha o agradado. Decidiu, por fim, ir almoçar em algum restaurante e depois rumar para a Gávea onde, finalmente, às 15horas e 30 minutos, iria assinar seu contrato com o Flamengo e ser apresentado aos torcedores como o camisa 9 do time.
Já do lado da nossa protagonista, ela estava tendo um dia relativamente produtivo em suas vendas já que, mais à noite, precisamente às 21 horas, iria ocorrer o primeiro jogo da Florida Cup, torneio no qual o time rubro-negro estava realizando sua pré-temporada nos Estados Unidos. Sem contar com a apresentação de Gabriel. Por isso, a beldade acabou se atrasando para seu horário de almoço.
– Nossa, pensei que já tinha se esquecido da gente! O que seria um absurdo! – Lucas disse, cumprimentando a amiga com um breve abraço.
– E não poderia ter tirado essa blusa horrível? Pelo menos, pra almoçar. – disse, também cumprimentando a amiga com um abraço e dois beijinhos no rosto.
– Primeiro: não, não me esqueci. A loja teve bastante movimento pela manhã e isso acabou atrasando o almoço de todo mundo. Segundo: não posso tirar não. Além de ser o uniforme da loja, eu amo meu time. Terceiro: já sei que, quando sair daqui, só vai dar tempo de escovar os dentes super-rápido e já voltar pro trabalho. Se eu ainda tivesse que trocar de blusa, certeza que chegaria atrasada. Vamos para a fila?
– Então a loja está movimentada? Isso se deve à chegada do nosso queridíssimo Gabigol? Inclusive... Como ele tá? – Lucas perguntou enquanto os três se dirigiam para a fila de um dos restaurantes self service da praça de alimentação do Barra Shopping.
– Sabe que eu ainda não consigo superar essa sua história com ele. Eu já estive na Europa umas duas vezes e não encontro nenhum jogador de futebol gostoso e rico. Você, no seu intercambio, já achou um, namorou, terminou, teve uma amizade colorida com ele e agora é só amiga, preto no branco. Mulher, não consigo entender como você desperdiça esse homem maravilhoso e com uma conta bancária mais maravilhosa ainda. – comentou, era realmente algo que não se encaixava em sua cabeça.
Por ela, a amiga já estaria casada com Gabigol, morando na Barra, com um closet recheado de roupa de marca e infinitas joias.
– Já te falei, não consegui me apaixonar verdadeiramente por ele. E nem ele por mim. Tivemos apenas uma paixão de verão. Mas a nossa química é incrível e a gente decidiu continuar se vendo sem compromisso. Ele é uma ótima pessoa e um amigo ainda mais maravilhoso. Conta bancária não é tudo nessa vida.
– Sim, não é tudo.... Mas já ajuda demais. Mas sei não.... Acho que esse boy tem os quatro pneus arreados por você, querida. Só você que não enxerga. – Lucas disse.
– Enfim... Você que sabe. Mas me conta. Pra quê você queria nos ver? Espero que seja muito importante. Você me fez atravessar Niterói e o Rio todo... – disse, curiosa.
– Olha! Chegou a nossa vez. Na mesa, conversamos. – disse, tentando adiar a conversa até estarem em um lugar mais reservado.
– Ai, odeio quando você faz isso. Me deixa morrendo de curiosidade. – Lucas reclamou enquanto servia-se de salada.
A amiga apenas riu. Precisa dividir com os amigos suas dúvidas com relação ao Gabigol. Apesar de ter dito ao homem que estava tudo bem, não estava. Internamente, ela estava dividida entre voltar a colorir sua amizade com o jogador ou continuar tudo preto no branco, como tinha dito. Assim que encontraram uma mesa vazia e um pouco mais afastada do centro da praça de alimentação, começou a contar o que tinha acontecido desde a noite anterior.
– Meu Deus! Você é uma piranha sortuda! Por favor, me dá só um terço desse seu poder, preciso de um boy maravilhoso assim na minha vida. – disse, dando uma garfada no seu prato.
– Querida, me dá um pouco desse seu mel também! Prometo que vou saber aproveitar esse poder, me mandar pra Europa e conseguir meu visto de permanência com um boy maravilhoso. – Lucas completou a conterrânea.
– Ai, gente, não é assim. Eu não sei em quê sou sortuda, não é isso que quero da minha vida. Depender de dinheiro de macho? Estou fora. Apesar do Gabi não ser escroto, prefiro me pagar as coisas. – A rubro-negra não conseguia sequer imaginar como seria ter a sua liberdade reduzida ou até mesmo extinta por causa de um homem.
Ela via cada reportagem sobre relacionamentos abusivos com horror.
– Por um lado, você tá certa. – O homem disse enquanto saboreava o frango à milanesa que pegou.
– Vocês não estão focando na questão principal. – exclamou.
Como sempre, perderam o foco da conversa por ela ter ficado, mais uma vez, com um certo jogador de futebol.
– Não acham que fiz besteira?
– Não! – Responderam em uníssono.
– Mas...
– Ai, ... Você queria ter ficado com ele? – perguntou direta, não aguentando mais o drama da amiga.
– Sim...
– E ele também não disse com todas as palavras que queria? – Desta vez, Lucas que fez a pergunta, sem dar tempo para a amiga completar a frase com mais desculpas.
– Sim, mas....
– Algum dos dois é comprometido? – voltou a perguntar, entre uma garfada e outra do peixe que decidiu comer.
– Bem, ele terminou o namoro recentemente... – Mas , novamente, não conseguiu completar a frase antes de ser interrompida por Lucas.
– Então basicamente ele está solteiro como você?
– Sim...
– Então pronto! – disse, já sem paciência. – Pra quê esse drama? Vocês dois são solteiros, desimpedidos, são amigos, têm uma história juntos e, por isso, sabem exatamente do que o outro gosta. Qual o problema nisso? Pra mim, está tudo claro como água. Para de dramatizar a sua vida! Para de querer ser a protagonista de uma novela mexicana!
– Exato. Nada de mais. Você gosta muito de dramatizar sua vida. Quisera eu ter alguém assim, ainda mais nessa época de final de faculdade... Zero paciência para joguinhos e regrinhas. – Lucas disse, terminando o seu prato.
– Vendo por esse lado... – ponderou. – Mas tenho medo dele ainda gostar da Rafaella e se machucar quando perceber isso.
– Ele se machucar ou você? – Lucas perguntou.
– Ele! Eu já disse, , gosto dele como amigo. Amigos que se pegam, mas só como amigo, mesmo! Mas minha intuição diz que, apesar de eu não gostar nem um pouco daquela oxigenada, ele parecia gostar dela de verdade. E por mais que não queria admitir, eu senti que ela também gosta dele.
– Mas isso já não é problema seu!
– Tenho que concordar com a . Os sentimentos dele, por você ou por ela, dizem respeito a ele. Mas acho válido você conversar com ele e dizer isso tudo. Até para preservar sua amizade.
– Lucas não poderia ter dito coisa melhor! – exclamou, abraçando o amigo de lado. – Acho totalmente válido vocês, sem estarem bêbados ou cegados pelo desejo, conversarem sobre isso.
– Sim... Vocês estão completamente certos. – disse. – Acho que ser criada assistindo ‘Maria do Bairro’ me tornou uma pessoa um pouco dramática.
– Um pouco?! – questionou enquanto os três se dirigiam com suas bandejas para a área de descarte de lixo e alimentos. – Você é a nossa rainha do drama, querida.
– Ai, ! – reclamou, revirando os olhos. – Bem, obrigada vocês dois por virem! Agora, infelizmente, vou precisar voltar para o trabalho.
– De nada, mon chéri. Sempre que precisar, estaremos aqui. – Lucas disse, se despedindo da morena com um abraço.
– Isso. Só pare de controlar e dramatizar tudo. Deixe a vida te levar. – disse, se despedindo também da rubro-negra.
– Vou tentar! – disse, sorrindo.
Tinha os melhores amigos do mundo sim! E com esse pensamento, seguiu para o lado oposto a por onde o casal tinha ido, voltando para o seu serviço.

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Depois do almoço, o dia da rubro-negra continuou bastante agitado. era uma excelente vendedora, tratava a todos muito bem. Os clientes que compravam uma vez com ela sempre voltavam a procurar pela garota na loja e a indicavam para os amigos, o que garantia que a menina sempre batesse suas metas de venda, chegando inclusive a ser a funcionária que mais vendeu mercadoria em um mês, algumas vezes. Naquele dia em especifico, vendeu muito. Com certeza, o bônus no fim do mês seria ótimo. Em compensação, estava com as suas pernas doendo de tanto ficar em pé e andando para lá e para cá. Queria muito arrumar um emprego na sua área. Trabalhar em shopping, em certos momentos, era maravilhoso. Mas na maioria do tempo, era muito exaustivo. E era assim que a garota se sentia no momento: exausta. Não via a hora do elevador se abrir no estacionamento, encontrar o carro do jogador e eles irem para casa. Provavelmente, só pegaria o segundo tempo do jogo do Flamengo contra o Ajax, a primeira partida da Florida Cup. Ela não aguentava mais ficar sem sofrer com o time. Esperava que aquele ano fosse diferente mas, com Abel Braga, já estava vendo que iria sofrer muito.
Já para Gabriel, o dia foi tranquilo. Tirando o pequeno aborrecimento por não conseguir encontrar o apartamento, mas o jogador não ia desistir. Afinal, para a surpresa que estava preparando para a amiga no sábado, ter seu apartamento era essencial. Logo após o almoço, o quase camisa 9 do Mengão rumou em direto ao CT do Flamengo para assinar o contrato e ser apresentado oficialmente. Horas depois, lá se encontrava ele, novamente no estacionamento do shopping, esperando pela amiga. Só que, desta vez, o jogador era oficialmente o camisa 9 da Gávea.
Minutos depois de receber uma mensagem da amiga dizendo que já estava indo, Gabriel a viu saindo do elevador. Ela estava com a aparência cansada e ele logo viu como estava certo quando a garota apagou durante o caminho para a casa dela. Quando chegaram em casa, com a garota devidamente acordada, eles ainda viram o 2º tempo e a disputa de pênaltis que deu ao Flamengo a vaga na final do torneio disputado na Flórida. E Gabigol percebeu onde tinha se metido ao aceitar ser atacante do time de coração da amiga já que, a cada gol perdido por algum atacante ou meia rubro-negro, a amiga parecia que ia tacar o copo de suco de maracujá na televisão, além dos incontáveis xingamentos que a mulher profanava. Depois do jogo, eles foram dormir, e deu graças a Deus por ter uma cama grande o suficiente para ela, Gabigol e a Lua, que pôde voltar a dormir nos pés da dona naquela noite.


Continua...



Nota da autora: " Oie meninas! Tudo bom?
Que ano que tivemos, hein? O mundial não veio, mas finalmente um futebol que dá gosto de ver.
E eu estou morrendo de amores por todo o time, tá muito difícil de escolher um favorito, quero esse elenco todo!
Espero que tenham gostado desse capitulo. Eu preciso declarar que amo quando o Gabigol interage com crianças, ele é muito amorzinho com crianças meu Deussss. E não vejo a hora de colocar o baby Guto e o Éverton na fic aaaaaaaaa. Minha mente criativa já vê varias interações de Gabigol + Baby Guto + a pp. <3 <3
O Bruno Henrique ainda vai demorar um tiquinho para aparecer, mas quando aparecer.... ele que lute para conquistar a pp hahahahahaha.
É isso, amores. Até breve. "



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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