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Última atualização: 03/08/2017

Prólogo


Eu tentava pensar, mas todo aquele barulho não me deixava concentrar no meu objetivo, então eu resolvi falar algo, eu já não aguentava mais.
— Ei, dá pra calar a boca? Eu to tentando me concentrar aqui. — Falei nervosa.
— NÓS TAMBÉM. — Ouvi alguém gritar.
— MAIS QUE PORRA, VOCÊS NÃO ENTRAM EM UM CONSENSO, OU VOCÊS COMEÇAM A ENTRAR EM UM ACORDO OU EU MESMA VOU ACABAR COM VOCÊS. — Dei meu melhor sorriso irônica.
— Ok, chefe, nós vamos apenas concordar com o que você tem a dizer. — Um deles falou. — O que você pretende fazer com aquela ali? — O outro apontou, para a nossa “vitima”, com um sorrisinho no rosto, um sorriso maligno, do qual eu retribui.
— Enterra ela na neve, e a deixem lá. — Falei sem paciência.
Com toda aquela gritaria, aquilo era tudo que eu conseguia pensar, porém, não foi tão ruim assim, os gritos que aquela criatura loira dava ao ser arrastada pra fora do alçapão era como música para os meus ouvidos. E então o silêncio tomou conta do lugar.




Capítulo 1


“— Hoje de manhã foi encontrado o corpo de Jessie, estudante de Jornalismo, que estava desaparecida por 72horas. Ela estava enterrada na neve, nua, a causa de sua morte ainda não foi definida.”
Era segunda de manhã quando eu acordei ao som do noticiário, era a minha roommate , ela estava obcecada pelos assassinatos que estavam acontecendo ao redor do campus, ninguém estava a salvo, aquele assassino não parecia ter um padrão, porque as aparências das vítimas não eram nem um pouco parecidas, e a única coisa que elas tinham em comum era a faculdade de ensino, nem seus cursos eram os mesmos e nenhuma das vítimas tinham contato uma com a outra. Enfim, a era o tipo de pessoa que ou você ama ou odeia, porém, as pessoas pareciam amá-la sempre, cheia de vida, falante, ninguém segurava essa garota, estava sempre cantarolando por ai, ela conhecia das músicas mais famosas até as que ninguém nem fazia ideia de que existia. Tinha uma altura média, cabelos acima dos peitos e lisos, olhos grandes em um castanho quase mel, branca que nem a neve e com suas bochechas rosadas, sua boca era pequena e carnuda, e tinha sua cor rosa vivida própria. Ninguém nunca podia dizer qual era a cor de seu cabelo, porque cada mês ela estava com uma cor diferente, com piercings no nariz, vários na orelha, tatuagens, e um estilo punk rock, emo, gótico, ela só usava roupas pretas. Ela era too cool for school.
Enquanto eu, era baixinha, tinha os cabelos negros como a noite, enrolados, superbranca como ela, mas eu mais parecia um cadáver ambulante, nada de bochechas rosadas, ou lábios pequenos e carnudos, só tinham um tom rosado caso eu passasse batom, mas eu nunca fui muito chegada a maquiagem, apenas um rímel já estava bom para mim, eu já tinha os cílios grandes, o que eu amava, e deixá-los maiores ainda com os rimeis era algo que me agradava bastante. Os meus olhos eram pequenos e castanhos, nada fora do comum. Meu estilo, eram saias longas, com crops, rasteiras, mas como estava frio, eu usava mais leggings, e botas com cardigãs, ou moletons maiores do que eu, eu preferia estar confortável.
Nós morávamos em uma cidade pequena, no interior da Inglaterra, seu nome era tão único e impactante quanto sua própria aparência e história. Berry Pomeroy distrito de Devon, conhecida por um castelo sombrio onde duas irmãs, Eleanor vulgo Blue lady e Margaret Pomeroy, White lady são vistas frequentemente por entre o castelo. Acredita-se que Margaret foi presa no calabouço do castelo por sua irmã por motivos de ciúmes assim morrendo de fome.
Apesar de ser uma cidade pequena com poucos moradores, é bem visitada por turistas querendo ir até o castelo na tentativa de “ver” as irmãs.
Eu ainda não estava acostumada com esta história, devido ao fato de ter me mudado recentemente a cidade para fazer faculdade. Conheci , e decidimos alugar um apartamento pois não queríamos ficar em republica.
Não existiam prédios enormes que se vê em cidades grandes como Londres, apenas de dois ou três andares e sem porteiros.
— DESLIGA ESSA TV, SUA PARANOICA. — Grite para ela, eu já sabia qual seria sua resposta, mas vale a pena tentar.
como você consegue dormir com tudo isso acontecendo? Amanhã pode ser você, Deus que me livre, mas temos que estar preparadas pra qualquer coisa. — Ela disse quase sem respirar. Eu fui abrir a boca pra responder, mas ela não deixou e já foi logo falando. — É por isso, que… EU COMPREI ISSO PARA NÓS DUAS. — Ela falou animada, e então ela me tirou dois sprays de pimenta da bolsa.
Eu não me contive, comecei a rir tanto que eu pensei que ia enfartar
— Para de rir, , que saco. — Disse ela impaciente.
— Desculpa, , mas você é realmente paranoica. — Disse ainda rindo — Eu vou me arrumar pra aula.
Eu fiz tudo o que tinha que fazer, encontrei a no corredor me esperando para irmos à aula, nós éramos da mesma sala, dividíamos o apartamento, nos dávamos muito bem. Fazíamos curso de ciências criminais e forenses, o que era bem conveniente se comparado com esses crimes ocorrendo. Chegamos na sala e fomos aos nossos devidos lugares, segundos depois o Professor Pensley entrou e começou a mostrar fotos de crimes com intuito de analisarmos.

— Você não acha ele um gato? — me perguntou, quase babando.
— Hm? Quem? — Perguntei assustada, não podia ser do Pensley que ela estava falando.
— O . — Ela mordeu o lábio, logo a seguir.
— Ah, sei lá, acho que ele não faz o meu tipo. — Dei de ombros.
era o “crush” da , sempre foi, ele era como ela só que menino, cabelos, piercings, tatuagens, roupas, eu podia até dizer que ela era Narcisista, e só tinha uma atração por ele pela semelhança de ambos. Eu comecei a rir baixinho com meu pensamento.
— E qual o seu tipo? — Ela me olhou com a feição fechada e testa franzida aparentemente irritada, eu fui falar quando uma voz interrompeu
— Senhorita Carson, poderia analisar as imagens? Já que você quer tanto falar. — Ok. — Bufei. — Ta tudo muito perfeito, como se fosse uma cena montada, até o mais perfeito dos seriais killers deixariam algo meio fora do lugar, a não ser que ele seja um suspeito zero. — Falei convicta.
— E se ele for? — Pensley perguntou com uma cara de quem ia me pegar.
— Não seria possível, pois ele não deixaria uma cena de crime. — Pelo menos era o que eu achava né.
— E por que mais você acha que é uma cena montada? — Ele me perguntou curioso.
— Bom, a foto pós-mortem não apresenta nenhuma marca de luta, o que tira da análise da cena do crime a ideia de que a mesa derrubada e o vaso quebrado no chão foi por motivo de reluta da vítima ao seu sequestrador. — Falei firme, respirei e continuei. — A foto da mesa de jantar — apontei para mesma. — Tem dois pratos, duas taças de vinho, o que não faz sentido, já que só encontraram a mulher morta, e no seu arquivo mostrava que ela era divorciada, o que me faz chegar a conclusão de que ela convidou o sequestrador para casa dela, para uma noite romântica — Falei levantando a sobrancelha, e pensando comigo mesma que não foi bem-sucedida. — No exame toxicológico foi encontrado traços de boa noite Cinderela, o que mostra que ela foi sedada, acredito eu que durante seu jantar “romântico” — fiz aspas com as mãos. — Mais uma pista de que não teria como ela lutar contra. — Dei de ombros.
— Muito bem. — Ele falou satisfeito. Enquanto olhava pra minha cara como se ela estivesse vendo um fantasma.
— O quê? — Levantei minha sobrancelha ao perguntar, minha marca registrada.
— Como? Quê? — Me perguntou incrédula.
— Como que você não conseguiu chegar a essa conclusão? AH já sei, o tirou toda a sua concentração — Falei com um sorriso no rosto, e balançando a cabeça negativamente, o que a fez rir muito, e alto, porque era extremamente escandalosa, sorte que a aula já havia terminado, se não o Pensley iria fazer a gente rever umas 100 cópias de artigos criminais.
Saímos da sala e ao chegar ao gramado eu levantei as mãos ao céu e gritei
— POR HOJE É SÓ, COMO EU AMO AULAS DE SEGUNDA — Meus olhos até chegaram a brilhar. ria da minha cara, e quando ela conseguiu parar de rir de mim ela simplesmente me acompanhou.
— EU TAMBÉM, UHUUUL. — fazendo o mesmo gesto que eu.
Ouvimos duas risadas atrás de nós, o que não nos fez corar nem um pouco, só virar com cara de poucos amigos. E quando fizemos isso, quem era? e seu comparsa.
— O que é? — Falei levantando a sobrancelha.
— Sua amiga é sempre grossa assim ? — Ele falou debochado.
— É — Ela falou fazendo uma careta de “fazer o que né?” — Mas você se acostuma — Deu de ombros.
— E por que ele se acostumaria? — Falei virando para ela.
— É, é uma ótima pergunta. — Ela olhou pros dois com cara de interrogação.
— Porque... — O comparsa começou a falar com um sorriso malicioso olhando pro amigo dele, que foi interrompido no mesmo momento.
— Eu sei falar — deu um tapa na nuca do seu comparsa, o que fez todo mundo rir.
— Então fala ué, tá parecendo uma rocha. — O outro falou revirando os olhos.
— Eu queria saber se vocês querem ir conosco numa balada que vai abrir sexta, é noite de inauguração, mulher é vip. — falou dando seu melhor sorriso convincente.
— Claro, vamos sim, vamos né ? — olhou pra mim com olhos quase implorando, então resolvi brincar um pouco.
— Ah, não sei não , sabe? A noite? Só nós duas, no perigo que tá, com todos esses crimes. — Falei séria, contendo a risada ao ver o olhar dela de “Não acredito vadia, você não tava nem ai.” O amigo dele percebeu o que eu tava fazendo e resolveu entrar na brincadeira.
— É verdade — bateu em sua perna — Vai que esse é só um jeito de pegar mais umas gostosinhas na balada, eu to super com a Bonnet — Ele apontou na minha direção.
Todos olharam sem entender nada pro menino que até então não tinha falado seu nome. — O quê? — Ele falou levantando uma sobrancelha. Ei isso era coisa minha, pensei com meus botões.
— Bonnet? — perguntou.
— Uma pimenta bem ardida ai. — Ele deu de ombros.
— Enfim, vocês prestaram atenção em alguma palavra que eu e o cowboy ali dissemos. — apontei pra ele, então olhei pra , que parecia assustada, eu queria tanto dar risada.
— Eu sei o que vocês tão fazendo, e não vai funcionar, eles tão querendo te assustar . — Ele deu um risinho, eu e o cowboy bufamos.
— Sua vaca — Ela deu um tapa em mim rindo.
— O que? Foi você que me deu um spray de pimenta hoje de manhã. — Disse sem conter a minha risada, e o cowboy me acompanhou.
— UM SPRAY DE PIMENTA? — O amigo de ria tanto, que colocou a mão na barriga, em seguida deu outro tapa na nuca dele, ele olhou pro seu amigo com a mão na nuca com cara de desaprovação.
— Ah, ué, eu não sei artes marciais, e infelizmente não nasci ninja. — Ela fez cara de dó — então o spray me salva. — Ela riu e deu de ombros.
— Então, vocês vão certo? — perguntou com brilho nos olhos.
— Se for fazer vocês pararem de enrolação e se pegar logo, ok, tô dentro. — Falei meio que sem prestar muita atenção no que eles diziam, até ouvir uma risada, e sentir meu braço arder. Mais uma vez tinha me dado um tapa, e eu só dei um sorrisinho de desculpa. O tava envergonhado e seu amigo dava risada.
— Meu Deus, menino, você só sabe rir? — Perguntei levantando minha sobrancelha.
— Rir faz bem sabia Bonnet? — Ele cruzou os braços fazendo o mesmo movimento com as sobrancelhas que eu.
— Nossa, você aprendeu isso na aula de medicina ou foi sozinho cowboy? — Falei debochada.
— Se eu ao menos fizesse medicina. — Ele disse pensativo. E eu só balancei a cabeça negativamente.
— O nome dele é , mas pode chamar ele de . — apontou para o amigo com a cabeça.
— O dela é mas podem chamar ela de . — sorriu e fez o mesmo que .
Nós dois olhamos para ambos com cara de poucos amigos e dissemos juntos.
— Obrigada, eu nem sabia meu nome.
— É, eles vão se dar bem. — disse dando de ombros, enquanto a ria mais alto que uma hiena.
— Então, hoje era meu dia mais que feliz, porque a aula acaba cedo e eu iria pra casa dormir pra sempre, mas meu momento foi interrompido sabe? — Dei meu sorriso de quem ia aprontar.
— Lá vem. — riu, ela já sabia o que estava por vir, os meninos me olhavam meio assustados.
— Eu to com fome, e vocês vão levar a gente pra comer, e vão pagar. — De novo meu sorriso de quem ia aprontar apareceu.
— A Bonnet, vai extorquir a gente Bro. — disse com um sorriso malicioso, extremamente lindo no rosto.
Ok, o era lindo, alto igual ao , com os olhos azuis da cor do mar, ele tinha pintinhas em seu rosto quadrado, e seu cabelo é o típico cabelo surfista, ele também não era tão branco, suas bochechas rosadas, a boca fina, quando sorria aparecia suas covinhas perfeitas, e seu sorriso era tão perfeito que até o Bin Laden desistiria de suas guerras contra os EUA. Eles continuavam conversando enquanto eu estava no meu transe, e só sai dele quando senti meu braço ser puxado por , o susto foi tanto que eu o paralisei com um movimento rápido, uma chave de braço, que aprendi em aulas de defesa pessoal.

Uou , vai com calma ai, sou só eu. — Ele virou a cabeça pra me olhar, enquanto ria demais por ver seu amigo ser paralisado por uma garota da metade do tamanho dele.
— CARALHO, , NUNCA MAIS FAZ ISSO. — Soltei-o e gritei, brava, eu sentia minhas bochechas queimar. — EU PODIA TER QUEBRADO SEU BRAÇO, RETARDADO. — Bufei.
— Ninguém mandou você entrar em estado de choque ao perceber minha beleza. — Ele subiu a gola de sua jaqueta com as mãos, como um galã metido, o que me fez rir muito, o que o deixou sem entender.
— Awn, cowboy, eu vou deixar você pensar assim pra não acabar com a sua felicidade tá? — Fiz cara de caridade, e dei uns tapinhas no rosto dele de leve e sai em direção ao e , ele veio logo em seguida depois de dar um longo suspiro.
A tarde foi boa, comemos muito, quer dizer eu comi muito, fomos a um parque depois e acabou que a e o ficarem sem nem esperar por sexta, o que me deixava feliz, afinal, ela tinha uma atração muito forte por ele e era correspondida, eu e o ficávamos fazendo piadinhas, éramos uma ótima dupla de idiotas sarcásticos que só querem zoar a cara um do outro. Eu ganhei todas as vezes, aquele menino tem muito o que aprender comigo. Eles nos deixaram em frente ao prédio, nós tomamos banho, colocamos nossos pijamas, ao ligar a TV ouvimos que a polícia chegou a conclusão de que era um grupo de pessoas que estavam cometendo os crimes, e principalmente da faculdade que estudamos, desligou a TV e fomos dormir com aquilo na cabeça.




Capítulo 2


me acordou naquela manhã do jeito carinhoso que só ela consegue ter, arrombando a porta do meu quarto e gritando. Era uma terça-feira chuvosa que só Berry Pomeroy tinha.
, , acorda. — falava exasperada.
— Hmmm. — Resmunguei.
— Você vai se atrasar pra aula. — Falou ríspida.
— Eu tenho dispensa nessa aula, esqueceu? — Falei quase pulando no pescoço dela.
— Ai, é mesmo. Você viu porque os policiais acham que são um grupo de pessoas que estão cometendo os crimes? — Me perguntou receosa.
— Nãão — balancei as mãos para cima e para baixo rapidamente para que ela entendesse que eu queria paz, mas foi em vão, logo em seguida sentou-se na minha cama me fazendo prestar atenção nela.
— Jessie não tinha nenhuma droga no sistema, então, não seria possível de acordo com a polícia carregar ela até o lugar que deixaram o corpo, cavar a neve, segurar ela pra ela não fugir, jogar ela na “cova” — fez aspas com as mãos — e enterrá-la.
— É! Faz sentido. — Disse pensativa. — Posso dormir agora? — Fiz bico como uma criança, pelo menos funcionou, ela foi à aula e me deixou dormir em paz.
Acordei ao meio dia, não estava no pique de ficar toda arrumadinha, eu estava na minha casa poxa, só escovei meus dentes e então eu joguei um moletom da Boy London que era tão grande quanto eu, quase cobria o meu shorts do pijama, e coloquei minhas meias, liguei pra pra saber se ela iria comer em casa, ela disse que sim, e que os meninos viriam junto, então comecei a fazer o almoço.
Eu estava no sofá assistindo a um filme quando eles chegaram fazendo o maior escândalo do mundo, eu juro que se eu não soubesse que só eram 3 pessoas ali, eu falaria que tinha no mínimo 10.

— Ei, falou animado.
— Oi, , oi, casal. — Falei sem tirar os olhos da TV.
— Ta vendo o que ai? — se jogou do meu lado. Olhei pra ele com olhar de desaprovação.
— Um filme? — Sorri irônica.
— Nossa, jura? Pensei que era desenho animado. — Falou com um tom de brincadeira na voz.
— É, 10 coisas que eu odeio em você — gritou da cozinha. — Ela é viciada nesse filme, sabe todas as falas.
— EU AMO O HEATH LEDGER, Eu nunca vou ter um desse na vida. — Falei com um tom sofrido na voz de brincadeira.
— Mas você tem o , pô. — Foi a vez de abrir a boca, e eu fiquei me perguntando porque ele o fez.
— Uau, to feita na vida, hein. — Fiz um joinha e uma cara bem irônica. e começaram a rir. — Nossa, assim você me machuca. — colocou a mão no peito demonstrando seu sofrimento.
Dei risada e joguei minha almofada na cara dele, fazendo todos darem risada.
— Ae, , você não podia ter me apresentado uma menina mais delicada não? Eu só apanho da , assim não dá cara. — Falou fazendo bico.
— Awn, tadinho dele. — disse, apertando as bochechas dele como uma mãe faz com um filho, o que me fez rir muito.
— Vamos comer vai, eu to com fome. — Falei levantando.
— Quando você não tá com fome? — falou rindo.
— Quando eu to dormindo? — Falei como se fosse algo obvio. Todo mundo riu, e eu juntei as sobrancelhas confusa.
— Ela é definitivamente minha alma gêmea. — Disse já vermelho de tanto rir.
— Só nos seus sonhos mais profundos big boy. — Disse sorrindo.
— Cowboy, Big Boy, qual apelido mais você vai dar a ele ? — me perguntou rindo. Dei de ombros
— Surfista? Loirinha? — Perguntei.
— LOIRINHA — ria aos gritos, engasgava, tentava respirar, ele não conseguia se conter. me olhava com aquela sobrancelha levantada, eu apenas sorri.

Tínhamos almoçado, e o filme já tinha acabado, estava passando o noticiário o que fez todo mundo parar o que estava fazendo pra prestar atenção, um policial tomou a frente e começou falar dos casos que estavam acontecendo ao redor do campus.
“— Hoje, chegamos as conclusões de que os assassinatos vêm sendo cometidos por um grupo de estudantes, cada vítima tem sua forma distinta de ser raptada, torturada e desovada. Esse grupo é bem sociável, assim não demonstrando nenhum tipo de risco de primeira impressão, eles ganham sua confiança para então se satisfazer com seus atos, eles se sentem excitados ao ver o desespero da vítima, e ao saber que a vida dela está em suas mãos, são sádicos, não os subestimem. Se possível andem em grupo porque eles procuram atacar vítimas que estão só, pois eles a consideram presas fáceis. Obrigada e se alguém tiver alguma informação, viu alguma coisa relacionada aos últimos acontecimentos, liguem para central, a sua identidade vai ser preservada.” — O policial falou convicto, nos entreolhamos um pouco assustados, mas como não andamos sozinhos não tínhamos o porquê de temer, certo? Bom, era o que eu esperava.
Resolvemos então parar de pensar nessas coisas e jogar videogame, o que foi muito divertido, eu estava vendo uma amizade muito forte nascendo naquele grupinho, o que me deixava muito feliz, todos achavam eu e a estranhas demais, então sempre fora nós duas contra o mundo, agora éramos nós quatro.
A semana foi seguida da mesma maneira, com um pouco mais de temor e pessoas falando sem parar sobre o tal do grupo sádico, nós íamos para nossa casa ou para qualquer outro local com os meninos, já que eles ficavam em um dormitório e não era permitido meninas. Ficávamos a tarde fazendo o que é que fosse e foi assim até a sexta, à noite quando a balada inauguraria, não ficamos juntos esse dia porque a queria nos comprar roupas, ela queria estar linda para o , e me fazer seu experimento especial, eu deixei afinal, quem eu queria enganar? Eu queria estar linda também. Chegamos em casa, tomamos banho, não juntas, não que nós nos importávamos com isso, mas é que ela é uma puta egoísta que não me deixava ficar em baixo do chuveiro também, deixei meu cabelo natural, e ela fez ondas perfeitas no dela, ela deixou os olhos mais nude com um batom super vinho, o que deixava ela perfeita, em mim ela deixou meus olhos destacados e a boca nude, então nos vestimos, a roupa dela era simplesmente ela, claro tudo preto, e a minha roupa tinha a ver comigo sim, não pelo fato de ser quase tudo preto, eu consegui convencer ela de pôr uma “corzinha”. Ouvimos a campainha, era os meninos, que também estavam lindos, ambos com calça preta skinny rasgada no joelho, tênis o que os diferenciava era que estava com uma blusa branca lisa com sua jaqueta de motoqueiro, e o estava com aquelas estilo Troy Bolton.
— Awn, como vocês estão lindos, nem parece que são vocês. — Falei fingindo uma emoção, riu.
— Quem é você? E o que fez com a nossa ? — falou boquiaberto, apenas mostrei o dedo do meio pra ele.
— Amor, como você tá lindo. — Disse toda feliz ao ver , que abriu um sorriso que podia rasgar sua cara, porém meio bobo por ver como a estava mais linda do que tudo, ninguém podia imaginar como ela podia ficar cada vez mais bonita.
— Digo o mesmo, amor. — Deram um selinho e fomos para o carro.
— Eu dirijo. — Disse rapidamente.
— Por quê? — Disse .
— Ela é pilota de fuga. — Disse rindo. Enquanto os meninos me olhavam com medo.
— Ah qualé, tão com medinho? — Dei meu melhor sorriso e olhar maníaco. Vi o colocar a mão no ombro de e falar baixo.
— Cara, eu sou muito novo e bonito pra morrer. — O que fez o olhar pra cara dele meio desapontado com o que tinha acabo de sair da boca do amigo, enquanto eu e a morríamos de rir.
— Entra logo. — disse ríspida. Ambos obedeceram a ela.
Ligamos o rádio e estava tocando Radioactive do Imagine Dragons, eu amava aquela música.
— Hm, a tem bom gosto. — Vi o de canto de olho olhar pra mim e dar uma risadinha, já que ele sentou no banco do passageiro e deixou o casal juntinho atrás.
— E é por isso que eu não te dou bola. — Olhei pra ele e sorri.
— Ouch! — Colocou a mão no peito fingindo estar ofendido. Todos rimos.
— É aqui. — falou, apontando pra uma portinha totalmente preta e vermelha.
— Tem certeza, amor? Não tem ninguém. — disse meio receosa.
— Tenho sim. — Ele sorriu bobo. — Pode parar ali . — Apontou pra uma vaga qualquer, eu o fiz. Descemos do carro em direção ao lugar, entramos naquela porta minúscula, e ao irmos adentrando o local o corredor parecia ficar maior, não conseguíamos ver muita coisa já que a única iluminação que tinha era de duas lamparinas. Paramos ao ver o nome THE DARK em vermelho neon, em seguida uma catraca com serras nos lugares daqueles bastões de metal, é eu tava prevendo minha morte, era o , eu estava assustada, assim como , e o e o pareciam adorar o terror em nossos rostos.
De repente um louco pulou na nossa frente, eu nem sei da onde ele saiu, só consegui dar um berro seguido pelo da , e uma risada horripilante ecoou no lugar, puta que pariu, puta que pariu, puta que pariu, foi o que passou na minha mente.
— Iaee, , — O menino fez um high five com eles. — Vocês vieram cara, que demais.
— Eu falei que viríamos, bro. — sorriu, e pegou as pulseiras pra podermos entrar.
Eu só queria socar a cara de ambos, entramos e o lugar era demais, o teto era de vidro, mas ele abria e dava pra sentir o vento delicioso naquela mundaréu de gente, com pufes pelo ambiente, mas nada que atrapalhasse a movimentação e a dança do pessoal, o DJ ficava exatamente no meio da balada, onde tinha uma boca com sangue escorrendo, não sangue de verdade, eu acho, parecia que ele ia ser engolido por ela a qualquer momento, acho que era a intenção mesmo, fomos ao bar, pedimos a bebida da casa, que se chamava Silent Hell, era uma mistura de doce, com pimenta, muito gostosa, enquanto ficávamos um tempo ali só observando o lugar uma ruiva, linda, parecia uma modelo se aproximou de e eles começaram a se engolir, ela parecia beijar muito mal, eu tinha certeza que ela ia engolir a cabeça dele, eu olhei pro outro lado e a tinha sumido com , poxa, que novidade, então eu fui pro meio da pista dançar.
ASSASSINO POV

— Esse lugar é perfeito, quem vai suspeitar? Tá todo mundo preocupado demais com a bebida no copo e em quem vai levar pro motel. — Sorri com malícia.
— Só preciso observar pra escolher a certa dessa vez.
— Morena? — Se questionou, e então ouviu uma voz animada — Não, loira. — Eu bufei. — A última foi loira. — Falei sem paciência.
— Ok, chefe, morena então.
Analisamos o local, e então encontramos a presa perfeita, dançando, sozinha no meio da multidão, que dó, acho que ela precisa de companhia, então eu cheguei um pouco perto e comecei a dançar, eu tinha que ser convincente, ela reparou em mim e me deu um sorriso, é isso, a minha brecha. Logo me aproximei. — Oi, sozinha? — Sorri.
— Sim. — Ela falou meio ofegante, e me deu um sorriso em seguida.
— Você é muito bonita.
— Obrigada, você também. — Sorriu tímida.
Eu não te compro vadia, foi o que eu pensei, timidez? Aham.
— Quer uma bebida? — Ela fez que sim com a cabeça, então peguei a bebida, já a batizei e voltei pra entregar a ela.
— Obrigada. — Ela meio que gritou pra eu conseguir ouvir, e eu apenas sorri, cerca de 30minutos ela já estava desmaiada nos meus braços, e eu a carregando pra fora, embora ninguém se importasse com quem eu era ou do motivo pelo qual eu carregava uma menina em meus braços, alguém se aproximou. — Ta tudo bem? — O estranho apontou para a morena. — Tá sim, ela sempre bebe demais e acaba desmaiando, vou levar ela pra casa pra cuidar. — Sorri de lado e então sai do local.

POV.

— Amor, a gente devia voltar. — Eu falava, enquanto ele beijava sem parar meu pescoço. — Por quê? — Ele falou cessando os beijos.
— Porque a gente os deixou lá, eles devem estar preocupados, procurando a gente.
— Ok. — bufou, pegou minha mão e fomos atrás de nossos amigos.
Vimos o se agarrando com uma ruiva, mas onde tava a ? Então interrompemos a sessão make out de .
— Ou. — Cutuquei ele, que me olhou nervoso por eu ter interrompido seja lá o que eles estivessem fazendo.
— Quê? — Falou ríspido.
— Cadê a ?
— Ela, não sei, ela tava aqui, e… — Ele olhava pros lados numa tentativa frustrada de achar ela.
— E você ficou muito ocupado engolindo essa menina. — Falei nervosa.
— Caraca cara, isso é muita brecha, ela veio com a gente. — Foi a vez de , porém, ele falava em um tom suave.
— Exato, ela veio com a gente, vocês também sumiram. — revirou os olhos ao terminar de falar.

— Tá, tá. Isso não vai chegar em lugar algum, a gente precisa procurar por ela. — Falei quase pulando no pescoço do .
— Ela deve tá pegando algum cara por ai. — Ele fez gestos com as mãos no por ai. — Não, que eu não tenha pensando nessa possibilidade , mas a é imprevisível. — Já não tendo mais paciência.
— Vamos nos separar, assim a gente consegue procurar por todos os lugares, e nos encontramos aqui. — falou, fazendo eu e o assentir um sim ao mesmo tempo.
Procurei por todos os lugares que eu podia imaginar, no banheiro, abri as portas dos banheiros, na cabine do DJ, eu disse que ela era imprevisível, mas foi tudo em vão, nada dela. Encontrei os meninos no mesmo lugar no bar e eles também não encontraram ela em lugar nenhum. — Liga pra ela. — falou.
— Eu já liguei, ela não atende.
— Talvez ela foi pra casa. — falou passando a mão na nuca, era perceptível a preocupação dele.
— Ok, então vamos pra casa. — Falei, e sai em direção a saída acompanhada por eles.
— O carro está aqui, como ela foi pra casa SEM O CARRO? — Não me contive.
— Calma, amor. — falou tentando me acalmar, como se fosse funcionar, foi então que vi fazer alguma coisa no carro.
— O que você tá fazendo? Você não acha que já fez demais por hoje? — Simplesmente saiu.
— Eu tô tentando ajudar, dá pra dar um tempo? A culpa não é toda minha também. — A voz dele soava um pouco calmo demais. De repente ele abriu a porta do carro e começou mexer em mais umas coisas, nos entramos e ele ligou o carro, olhei pro perguntando como? Ele apenas deu de ombros.
— Como? — Perguntei curiosa.
— Longa história, vamos. — Ele ligou o carro e saiu em disparada pra nossa casa, nada dela também.
— Talvez, ela foi pra casa de alguém que ela conheceu. — insinuou.
Olhei pra ele negando com a cabeça, eu conhecia minha amiga, ela era soltinha mas não assim, ela ainda era virgem, nem com todas as bebidas do mundo ela faria uma coisa dessas.
— Vamos todos ficar aqui então caso ela volte. — cogitou.
Então, ficamos ali, olhando os celulares com esperança de uma ligação, a porta com esperança de que ela entraria a qualquer momento rindo da nossa cara, mas noticia ruim chega rápido não? E então todos nós caímos em um sono profundo sem sinal de .




Capítulo 3


POV

Acordamos em um pulo as 10 horas, quando ouvimos a campainha tocar, graças a Deus era a , embora estivesse com a sobrancelha sangrando e a sua saia um pouco rasgada, a e fora toda a sujeira nela e em sua roupa, também estava sem saltos e sem sua bolsa.
— MEU DEUS O QUE ACONTECEU? — Eu gritei assustada, os meninos pareciam estar em choque. Cassia abria a boca para falar algo, mas nada saia dela, então ela só me abraçou, e começou a chorar, os meninos saíram do momento estático deles e a abraçaram também. Ela se desvencilhou de nós e nos deu um sorriso carinhoso, eu nunca a tinha visto daquela forma, então ela saiu da sala e foi tomar banho, nenhum de nós falou mais nada, quando fosse o momento dela ela contaria.

POV

Eu fiquei tão feliz quando eu os vi, quando eles me abraçaram foi como se eu estivesse segura de novo, eu não queria sair daquele abraço caloroso e preocupado que eles me davam, mas eu precisava tirar toda aquela sujeira de mim.
Entrei no banho, e fiquei lá por tanto tempo que os meus dedos já estavam enrugados, saí, me troquei e fui até a sala pra contar aos meus amigos o que tinha acontecido, afinal, eu tinha sumido e eles estavam preocupados.
— Tá melhor? — me perguntou com preocupação no olhar, assim como e , eu apenas assenti com a cabeça.
— Vem cá, vem. — se levantou e pegou minha mão pra sentar ao lado dele, ele me abraçou pra me fazer sentir segura, eu sorri pra ele em agradecimento.
— A gente ficou tão preocupado, , nós queríamos nos desculpar, se nós não tivéssemos te deixado lá nada teria acontecido. — disse com pesar em cada palavra.
— Tá tudo bem gente, a culpa não foi de nenhum de vocês. — Sorri sincera.
— Você quer contar? — me perguntou com um pouco de medo na voz.
— Depois que você começou ficar com aquela garota, eu fui pra pista dançar, um cara lindo se aproximou de mim, e nós ficamos dançando um pouco, começamos a conversar, ele parecia alguém legal sabe? Ele não chegou igual a todos os outros sem nem dar um oi, já querendo um beijo. — Parei um pouco pra respirar.
— Então começamos a ficar, e depois de um tempinho ele me perguntou se eu queria ir em um barzinho mais quieto, menos lotado, pra gente se conhecer melhor. Inocente, resolvi ir, mas ele não parava o carro nunca, e quando paramos ele me tirou do carro e me levou em um tipo de beco. — E então eu comecei a chorar, me encolhendo nos braços do , que me apertava com um pouco de raiva, segurava minha mão com os olhos já cheio de lágrima, e não sabia se me consolava ou consolava sua namorada que estava prestes a ter um treco.
— Ele te fez alguma coisa ? — Ele me perguntou, nem precisei olhar pra ele pra perceber que ele tencionava o maxilar, ele nem sabia como ficava lindo fazendo aquilo, ok, foco.
— Ele, ele, me tacou com tudo numa parede, e começou a beijar meu pescoço com raiva, e ele subia minha cabeça e apertava meu pescoço com muita força. — Eu precisava parar pra respirar novamente.
— E-eu, pedi para ele parar, mas ele me ignorou e rasgou minha saia. — As lágrimas naquele momento só desciam dos meus olhos, já chorava desesperada, e me olhava como se eu fosse uma cachorrinha que machucou a pata, me apertava cada vez mais contra ele, se eu não estivesse tão mal e me sentindo tão segura ali eu, com certeza, perguntaria a ele se ele pretendia fundir nossos corpos, enfim…
— E eu dei uma cotovelada na cabeça dele, ele me olhou com raiva e me deu um soco. — apontei pro machucado perto da sobrancelha.
— Então eu fiquei com muita raiva, e dei outro soco no rosto dele, chutei o saco dele, na hora que ele abaixou eu chutei a barriga dele várias vezes, e chutei o pinto dele de novo, então eu corri sem olhar pra trás. — Respirei, e todos eles me olhavam estáticos, eu revirei os olhos e continuei a contar.
— Achei uma lanchonete, e a garçonete percebeu meu estado e perguntou se eu queria uma ajuda, carona, me deu água, e então eu aceitei, ela que me trouxe até aqui. — Todos me abraçaram de novo, mas dessa vez com um sorriso no rosto, um sorriso orgulhoso.
— Você é tão corajosa, se fosse eu, eu só choraria. — falou.
— Eu nunca deixaria isso acontecer com você amor. — falou rindo pra ela, e eu sorria para os dois.
— Desculpa. — disse cabisbaixo, apenas olhei pra ele sem entender o motivo daquilo. — Eu, se eu não tivesse ficado com aquela ruiva, você não. — Eu nem deixei ele terminar de falar.
— Se você não tivesse ficado com aquela ruiva eu ia ter certeza de que você gosta da mesma fruta que eu. — Sorri maliciosa, mesmo com tudo aquilo, eles conseguiam me deixar perfeitamente bem, todos eles riram.
— Minha está de volta. — sorriu orgulhoso, e eu sorri de volta.
— E o seu celular? — perguntou confusa.
— Eu não sei, no desespero eu... Depois eu compro outro. — Dei de ombros. — Pra falar a verdade eu só queria descansar, mas eu não quero ficar sozinha. — Falei triste.
— É lógico que a gente fica com você. — falou animada encostando em mim, nós ficamos no meio do sofá, ficou agarradinho na , e o estava com uma das mãos no encosto do sofá e a outra segurando meu braço, entrelaçando nossos dedos, e então ficamos ali por um tempo assistindo a um filme qualquer.
Todos estávamos com fome, e não tinha nada em casa, como eu não queria sair eu fiquei lá com o e a foi com o até o mercado comprar comida congelada, ninguém estava com cabeça pra fazer nada. Eu já tinha mudado de posição, eu estava encostada no braço do sofá com as pernas esticadas em cima de , que estava do outro lado do sofá massageando meus pés.
— Você tá bem mesmo ? — me olhava preocupado.
— Ah — Olhei para minhas mãos. — Eu ainda tô um pouco abalada, eu nunca pensei que isso podia acontecer, sei lá, a gente nunca pensa que pode acontecer com a gente né? — Sorri sem graça.
— É, mas agora você tá bem. — Ele me olhou e deu um sorriso sincero.
— É. — Sorri de lado.
— Você é forte, pequena, não é qualquer uma que luta contra um louco, vem cá vai, você precisa de mais um pouco de . — Ele deu um sorriso largo e abriu os braços, eu taquei uma almofada nele e comecei a rir, ele se fez de ofendido.
— Tudo bem, eu deixo essa passar, só porque você tá rindo, e era isso que eu queria. — Ele sorriu, e o que me fez sorrir também.
e chegaram com muitas compras, colocamos a comida no micro-ondas e comemos, o resto do dia foi vendo vários filmes antigos, os meninos precisaram ir embora, e ficou eu e a , ela dormiu comigo porque eu ainda não queria ficar só, o domingo se passou da mesma forma, eu, , e fazendo nada.

ASSASSINO POV

— E ai, qual vai ser o fim dela? Sorri irônico com aquela pergunta. Eu tenho a forma perfeita. Senti meus olhos brilharem ao dizer. E qual é?
Ah só o pessoalzinho daquela faculdade achando que não precisam nos temer, vamos apenas lhes dar um recado, nada mais. Sorri amarelo.


POV

Era segunda de manhã e estava nevando, eu adorava quando nevava, adorava como as ruas ficavam, o branco pela cidade parecia dar um ar de leveza e paz onde está estava sendo levada de nós moradores que andávamos com medo pelas pequenas ruas daquele antigo vilarejo. Levantei, me arrumei para ir a aula, mesmo estando sem pique nenhum, mas eu não podia deixar aquilo me abalar, afinal, eu estava viva, e ainda havia lutado contra aquele louco. Então coloquei meu melhor sorriso no rosto e fui ao quarto de , ela me viu abrir a porta e já saiu para irmos para a faculdade. Nosso apartamento ficava um pouco distante do campus, nós não queríamos ficar em república, e nem naqueles dormitórios da faculdade, queríamos nosso próprio banheiro, assistir o que queríamos e ainda por cima, não ter um monte de garotas cheias de vontade de dar pra todo mundo gritando o tempo todo. Enfim, depois de uma caminhada chegamos no campus, vimos um tumulto, acumulado em frente a uma grade que ao final continha algo, que parecia uma flecha, mas era de metal seu final era em formato de triângulo, aquilo era super pontiagudo, nós fomos mais para perto para ver o que estava acontecendo e então nós vimos.
Melissa era o nome dela, a menina que estava com o corpo ali pendurado, seu corpo fazia uma forma de arco, pois, este estava posicionado nas “flechas”, da cintura para cima estava pra nosso lado, com os olhos abertos assim como seus braços que estavam caídos devido ao arco que seu corpo fazia e sua boca entreaberta, da cintura para baixo estava para o lado do prédio da faculdade, eu entrei em choque. tentava me tirar de lá, mas eu não conseguia me mover, e então senti braços a minha volta, me levantando no colo, e me levando até um banco perto do campus mas seu campo de visão não permitia ver tal cena, foi então que eu voltei a realidade.
— Quem é você? — Olhei assustada.
— Jack. — O moreno alto, bem musculoso, com cabelos negros, e olhos verdes sorriu abertamente. — Ah, nossa, agora já sei quem você é. — Falei irônica.
— Ei, calma, eu só te ajudei ali, você tava estática, eu te trouxe até aqui. — Falou erguendo os braços como quem se rende a polícia, o que me fez rir. — Ae, um sorriso.
— Obrigada. — Sorri sincera.
— Por? — Me perguntou com um tom de voz indignado.
— Por me tirar de lá. — Dei de ombros.
— É bem traumatizante.
— Apesar de eu já estar acostumada, eu tenho que concordar. — O tal Jack me olhava assustado.
— Ei, não sou nenhuma assassina — eu ri — é só que faço Ciências Criminais e Forense, ou seja, eu só vejo gente morta, e se eu quero seguir essa área então eu não posso simplesmente gelar ao ver uma cena dessas. — Falei quase sem respirar.
— É, mas a diferença é que você não estava prepara pra isso, e caso você trabalhe com isso você vai receber uma ligação falando: Oi, então, tem um morto aqui, a cena tá feia viu, vai se preparando. — Ele falou em meio sorriso, eu dei muita risada.
— Ninguém falaria uma coisa dessas. — Ri mais ainda, e então percebi a ausência de .
— Ei, cadê minha amiga? — Perguntei levantando a sobrancelha.
— Ela disse que… a olha ela ali. — Apontou na direção de que vinha correndo com e .
— Ai que bom que você voltou. — me abraçou, e eu apenas sorri.
— E ae Jack. — sorriu
— Opa, , não sabia que você tinha amigas tão lindas. — Sorriu olhando pra mim e para , que agradecemos e sorrimos de volta.
— É, bom, tira os olhos da minha namorada, obrigada. — ria, e não tinha falado nada desde então.
— Então você é solteira? — Me perguntou interessado demais.
— É, pode se dizer que sim. — Apenas sorri, estava ficando meio desconfortável com aquela conversa.
— Por pouco tempo. — E então ele piscou pra mim e saiu.
— OK, o que foi isso? — Perguntei olhando pro .
— Eu odeio esse cara. — Falou tensionando o maxilar, eu podia observar ele fazendo isso o dia inteiro.
— Por quê? — Perguntei curiosa.
— Ele roubou a namoradinha do no high school, e o nunca perdoo ele. — falava entre risos.
— Sério ? — Falei levantando uma sobrancelha.
— É muito mais que isso, eu não gosto dele, eu não gostei do jeito que ele olhou pra você, e nem do jeito que ele piscou. — Falou cruzando os braços.
— Você também não gosta do jeito que o corpo dele se mexe quando ele anda, nem como o peitoral dele levanta quando ele inspira e abaixa quando ele expira. — Falei rindo.
— Ah , dá um tempo vai. — Ele tava ficando bravo.
— Ah é só brincadeira, não fica bicudinho. — Fiz bico.
Eles estavam indo em direção ao portão de novo, e então eu tossi falsamente para que eles vissem que eu não estava acompanhando eles, então eles viraram e me perguntaram porque eu não estava indo junto, afinal, era minha aula preferida.
— Não quero passar lá, e ver a Melissa… — Olhei pra baixo.
— As aulas foram canceladas, estava indo embora. — disse.
— Se você quiser podemos ir pelo outro lado, cortar caminho, sei lá. — propôs, eu só fiz que sim com a cabeça, e então fomos embora. Eu só queria que aquela imagem saísse da minha cabeça e que aquele dia terminasse.



Capítulo 4


Era terça-feira e todas as aulas foram suspensas, quer dizer, todos os dias da semana foram suspensos porque a faculdade estava fechada pelos policiais e pela perícia que buscava por provas, alguma digital, etc…
— LIGUEM A TV. — entrou em nossa casa gritando.
— PORRA. — Dei um berro, não esperava por aquilo, o só ria.
— Pra que bater na porta? Tocar a campainha? Chamar nossos nomes? Quer uma cópia da nossa chave, ? — Sorri irônica, apenas ria, igual a , meu Deus, qual era o problema daquela gente?
— Se vocês continuarem deixando a porta destrancada não vamos precisar não. — falou entre sorrisos, e um bem malicioso por sinal.
— Se nós soubéssemos que vocês começariam invadir nossa casa nós já teríamos umas 500 mil travas, acredite. — Sorri.
— E se nós estivéssemos peladas? — disse, cruzando os braços em frente ao peito.
— Eu não ia reclamar. — sorriu malicioso.
— Nem eu. — sorriu malicioso, e tomou um tapa no pescoço.
— Ela é minha namorada, sai fora. — disse em um tom de quem começaria uma briga, mas todos nós sabíamos que era só uma brincadeira.
— Ela disse NÓS, , ou seja, a também estaria pelada. — sorriu olhando pra mim.
— O único lugar que você vai me ver pelada, cowboy, vai ser nos seus sonhos. — Pisquei pra ele.
— Afinal, por que vocês estariam peladas na sala? — perguntou confuso.
— Vocês não andam pelados quando estão sozinhos em casa? — Perguntei levantando a sobrancelha, apenas deu de ombros como quem diz, realmente, e se jogou do meu lado no sofá.
— Sim, mas… — começou a falar, porém, o atravessou.
— Mas… nada, a gente também pode. — abriu um sorriso vitorioso e levantou a mão para fazermos um high five.
— Liga a TV, coloca no noticiário, vocês precisam ver. — falou.

“— Ontem, o corpo de mais uma adolescente da Faculdade Prescot foi encontrado, Melissa, 20 anos, desaparecida fazia três dias, foi encontrada nos portões da faculdade pelos alunos que chegavam para mais um dia normal de aula, porém, foram surpreendidos ao ver o corpo de sua colega dentre o portão pontiagudo da entrada ao campus...”

— Sensacionalistas do caralho. — Falei nervosa.
— Eles tem que ganhar em cima de alguém, , é horrível o que eu vou falar, mas é a verdade. Pra um criminalista forense as pessoas precisam morrer, se não ele não teria emprego, e muito menos salário. Assim como a pessoa que trabalha em uma funerária. — falou.
— Eu sei, mas eles precisam ser tão, aaah… deixa, eu não vou saber explicar. Só que a família dela tá sofrendo e eles não estão respeitando o momento deles. Só isso. — Disse um pouco chateada com toda aquela situação, logo em seguida voltamos a prestar atenção na mulher que fazia a matéria.

“— … Até agora a perícia não nos disse sobre as pistas que encontraram.
— Com licença policial, o senhor poderia nos dar uma palavrinha? — A jornalista perguntou na lata.
— O que quer saber, senhora? — O policial disse meio ríspido.
— Vocês já encontraram pistas de quem possa ser o assassino?
— Não podemos dar esse tipo de notícia, senhora, o caso ainda está em aberto e qualquer informação dada de forma errada pode prejudicar todo o andamento do caso. — O policial disse firme.
— Mas, e os pais que estão em suas casas preocupados com seus filhos? — Ela fez cara de interrogação, como se ela se importasse pensei comigo mesma e revirei os olhos.
— Bom, nós estamos fazendo o melhor que podemos, e nós estamos deixando isso bem claro, já alertamos a toda cidade, já demos instruções sobre como se portar, e a não andar sozinho, mas, é necessário que sigam a risca as instruções, estamos fazendo o possível, e seria mais fácil se pudéssemos contar com a ajuda de vocês. — O policial deu um sorriso amarelo, que me deu até vontade de rir, se o caso não fosse tão preocupante.
— E o que vocês podem nos dizer sobre o grupo de assassinos? — A jornalista perguntou animada.
— Bom, apenas o que já foi dito, eles são perigosos, então não se descuidem, pessoas assim não estão nem ai ao ver você sofrer, porque é isso que eles querem, isso é o que lhes dá prazer.
— Uhum, e vocês já chegaram a alguma conclusão do porquê eles colocaram o corpo da adolescente tão a vista? — Ela perguntou um pouco receosa.
— Bom, achamos que eles fizeram isso primeiro para assustar a todos, para levarem eles mais a sério, eles querem ser temidos. E acreditamos que eles são narcisistas, gostam de ver o que fazem, gostam de ser assuntos em jornais, revistas, noticiários, que mostrem do que eles são capazes de fazer para a sociedade, e por isso tudo, não podemos descartar a hipótese de que ele visita todas as cenas em que desova os corpos das vítimas. Por isso pediremos também que prestem atenção em qualquer movimentação suspeita. Obrigado. — O policial acenou a jornalista com a cabeça, que, por fim, agradeceu a ele as informações e terminou a entrevista.
— Bom, depois voltamos com mais notícias sobre o caso.”

— Vamos todos morrer. — falei me jogando ainda mais no sofá, como desistência.
— Cala boca, menina. — falou, me jogou uma almofada o que me fez querer rir.
— Bate com o pé na boca já que a mão não alcança. — disse, e todos nós olhamos para ele com cara de “que porra?”
— Minha vó costumava dizer isso quando eu falava besteira, então achei um momento apropriado. — Ele falou dando de ombros.
— Você ao menos sabe o que isso significa? — perguntou e levantou a sobrancelha, acho que devíamos fazer ele ficar confuso mais vezes, ele não fazia ideia de como ficava lindo daquele jeito. FOCO, , FOCO.
— Significa que, foda-se todos vocês, e eu quis dizer isso porque a falou besteira. — falou fingindo estar bravo, e a apertou as bochechas dele e lhe encheu de beijos, eles eram fofos.
— Me pergunto quando vai ser eu e você! — disse, cutucando minha costela e com o sorriso mais lindo estampado naquele rosto, como ele podia ser tão lindo? É um corno mesmo, pensei comigo.
, não força. — disse, e todos nós começamos a rir.

POV

— Me pergunto quando vai ser eu e você! — Eu perguntei cutucando suas costelas, eu adorava fazer essas coisas, deixar ela sem ter o que falar, ela fazia caras engraçadas, e ficava mais linda ainda quando fingia estar brava comigo, então eu provocava mesmo.
, não força. — disse, e todos nós começamos a rir.
— O quê? — Eu disse rindo, me fazendo de desentendido.
— E, , quem tem que me responder é a . — Sorri olhando pra ela, que estava parecendo um tomate de tão vermelha, mas continuava com a cara de que iria me enforcar a qualquer momento, o que me fazia sorrir ainda mais.
— Eu já te disse várias vezes, que só nos seus sonhos, . — Ela deu um sorrisinho de lado, levantando a sobrancelha. Ela fazia o mesmo que eu com a sobrancelha, e meu Deus, ela ficava tão linda, puta que pariu, essa menina devia ser proibida de viver.
— É o que veremos, , veremos se você vai ser capaz de resistir a esse corpinho, e esse rostinho. — Eu disse rindo, e subindo minha blusa pra mostrar minha barriga definida, ela riu e me tacou uma almofada na cara, o que fez todos nos cairmos na risada.
Enfim, resolvemos pedir lanche e ficar por ali, vendo filme, jogando videogame, se enchendo, tudo que um sedentário faz de melhor, NADA.

ASSASSINO POV.

— FILHOS DA PUTA. — Taquei a primeira coisa que vi na frente na TV. — QUEM ELES PENSAM QUE SÃO? ELES NÃO FAZEM IDEIA DE QUEM EU SOU. — Falei pegando outra coisa e tacando longe.
— Ei, calma, isso não vai adiantar nada. — O outro falou e eu apenas olhei pra ele.
— CALA SUA BOCA, SEU RETARDADO, SE NÃO EU TE MATO TAMBÉM. — Sorri malicioso.
— Você não pode me matar. — Ele sorriu irônico, e eu bufei, afinal, eu não podia mesmo, filho da puta, desgraçado.
— Vontade não falta. — Pisquei pra ele.
— Você precisa de um plano pra deixar TODOS, com MEDO, TODOS, não só a faculdade. — Ele falou.
— Eu sei. — Falei quase voando no pescoço dele, qual era o problema daquele retardado falar alguma coisa útil?
— A polícia, a mídia…
— EU SEI — gritei, o interrompendo. — Eu já sei. — Sorri com malícia e brilho no olhar.
— Eu vou me aproximar da filha do xerife, vou namorá-la, vou fingir que to apaixonado, toda essa baboseira — rolei os olhos — e então, vou fazer com ela tudo, tudo de ruim, e do pior, vou fazer o xerife ficar nas minhas mãos, vou fazer ele me temer, temer a vida, a vida dele, e a vida dela. — Eu ri.
— Esse é o meu garoto. — Ele disse com brilho nos olhos.
— Começaremos logo que as aulas voltarem, não podemos dar suspeitas, não agora que tá tudo indo bem. — Sorri satisfeito.

POV

Já era 00h quando estávamos voltando pro dormitório, dirigia, ele parecia tão concentrado em alguma coisa que eu nem falei nada, não tínhamos aquela coisa de termos de nos falar o tempo todo porque o silêncio era constrangedor, muito pelo contrário, sentíamos confortáveis ficarmos em silêncio, isso significava os anos de amizade que tínhamos, e então ele quebrou aquele silêncio delicioso.
— Você gosta dela né, cara? — olhou pra mim rapidamente, e então voltou a olhar a estrada, eu nem fiz questão de responder, só fiz minha melhor cara de desentendido. — Da . — Ele falou óbvio.
— Cara, não sei nem se é gostar, ela é linda, gostosa, divertida, a gente se diverte, eu posso até tá afim dela, mas gostar? É demais. — Eu sabia que com ele eu podia falar qualquer coisa.
— E você não tentou nada ainda, por…? — Ele me olhou incrédulo.
— Até parece, né, ela não dá abertura nenhuma, e eu não vou simplesmente agarrá-la, depois de… você sabe… aquele cara tentar. — Eu nem continuei, porque só de lembrar eu já ficava com raiva.
— Ela tá se fazendo de difícil, tá mais do que na cara que ela tá a fim de você também. — Ele disse num tom óbvio e rindo da minha cara de espanto. — Acho que você não sabe mais lidar com mulher, em, bro. — Ele disse tirando sarro de mim.
— Há, engraçadão mesmo. — Falei fechando a cara.
— Fica assim não, eu também não sabia como chegar na de início. — Deu de ombros, realmente, eu tive que arrastá-lo até elas para poder fazer ele convidá-las para aquela balada, sim foi tudo ideia minha, obrigado.
— Jura? — Falei irônico.
— Idiota. — Ele riu. — Eu só to falando que ela te deixa sem jeito, só isso, você não quer tomar nenhuma atitude que vá fazer ela te dar um fora.
Eu fiquei com as palavras dele na mente o resto da noite, será mesmo que ela tava a fim de mim também? E se ela não tiver? E eu fizer papel de idiota? Nossa, melhor eu dormir, e foi exatamente o que eu fiz.

POV

Eu não conseguia tirar a imagem da Melissa da cabeça, das palavras da jornalista, do policial, aquele grupo era de gênios, ninjas, ou o quê? Ninguém conseguia chegar até eles, e isso me dava um nervoso. Então meu pensamento foi interrompido pela voz de .
— Pensando no ? — Ela me perguntou, e eu a olhei mais perdida que filho de puta em dias dos pais. — O QUÊ? — Arregalei tanto os olhos com aquela pergunta, que meus olhos podiam cair da minha face — Tá doida, menina?
— A para vai, , como se você conseguisse esconder alguma coisa de mim. — Ela sorriu e sentou na minha cama.
— Eu tava pensando no grupo assassino, se o faz parte dele eu já não sei. — Falei fingindo pensar nessa possibilidade.
— Você é muito idiota mesmo. — falava entre risada.
— Agora é sério, por que você acha isso? — Eu queria saber os argumentos dela, embora ela estivesse certa, eu não conseguia esconder nada dela, era capaz dela ter lido todos os meus pensamentos sobre ele.
— Sério? Em muitas conversas você simplesmente se perde, nos olhos dele, no rosto dele, no sorriso, eu sei disso porque te conheço, pra eles você simplesmente perde o foco, se dispersa. Sabe quando a gente fica olhando pra um ponto fixo sem prestar atenção? — Ela cuspiu as palavras, o que me fez rir, e eu assenti com a cabeça. — Então, no seu caso você fica num ponto fixo, mas presta atenção até no único fio da sobrancelha dele que tá fora de lugar. — Ela falou como se fosse algo normal alguém prestar atenção nessas coisas.
— Tá, primeiro, sim eu fico o observando, ele é lindo, vou fazer o quê? O que é bonito é pra se olhar. — Dei de ombros.
— Eu tenho certeza que essa não é a frase certa. — Ela disse rindo.
— Bom, o que é bonito é pra se mostrar, ele é bonito, e ele já faz um favor pra sociedade saindo de casa, então ele já está se mostrando, e é preciso bom gosto para apreciar algo bonito. Eu aprecio a beleza dele. — Eu disse quase rindo da minha resposta.
— Ta afim dele amiga? — me perguntou, séria dessa vez, isso sim era uma novidade.
— Até que sim, ele é engraçado, a gente se da super bem, eu só falo aquelas coisas pra irritar ele, ele faz caras bonitinhas, e quando ele levanta aquela sobrancelha. SOCORRO, CHESUS. — Tapei a cara com a almofada que tava do meu lado, a ria de mim.
— Realmente, ele é lindo, por que você não dá uma chance pra ele? — Ela me olhou com uma cara engraçada.
— Ué, porque ele tem que perceber sozinho que eu to afim dele, né? — Dei de ombros.
— Mas você não demonstra, como ele vai saber? — Ela tinha um ponto nisso, eu realmente não demonstrava.
— Ah, eu nem sei se ele tá a fim de mim também. — Me joguei na cama, com os braços abertos, fingindo um drama. ria da minha atuação ridícula, como atriz eu era uma ótima criminalista forense, acreditem.
— Tá na cara dele, ele faz as mesmas coisas que você, mas vocês dois são tão burros que nenhum dos dois percebe. — Ela rolou os olhos.
— Ouch. — Falei colocando a mão no peito e rindo, ela riu junto comigo.
Como não tínhamos aula aquela semana, ficamos ali fofocando sobre ela e o , ela me contava toda feliz sobre eles, tava dando certo, e eu estava bem feliz pelos dois, eles realmente se mereciam, era quase aquela história de alma gêmea, se eu ao menos acreditasse nesses treco, enfim… Comentamos mais um pouco sobre eu estar a fim do , e sobre o tal de Jack, que também era um gatinho, tentamos imaginar o que mais tinha entre o e Jack, e riamos muito das nossas hipóteses. Ficamos em silêncio por um tempo, o silêncio era uma coisa que não incomodava nem um pouco a gente, tínhamos intimidade o bastante pra ficar confortável em silêncio, coisa que não eram muitas pessoas que tinham, enfim, acabamos dormindo ali, as duas tortas, esperando o que o próximo dia tinha a nós oferecer.



Capítulo 5


— Ai. — Acordei reclamando com dores nas costas e com uma mão na minha cara, era , nunca vi menina pra dormir toda torta, tirei a mão dela do meu rosto e olhei pro relógio, já era meio-dia, cutuquei pra ela acordar, ela só resmungou, continuei cutucando-a.
— O QUE ÉÉÉÉ? — deu um berro.
— Af, menina, para de ser assim, já é meio-dia, levanta, vamos nos arrumar pra comer. — Falei já entrando no meu banheiro, eu só ouvi-a bater a porta ao sair, depois de uma hora mais ou menos, nos encontramos na sala, eu tava deitada no sofá esperando a donzela descer.
— Aonde vamos? — falou animada.
— Sei lá, vamos pro lugar mais perto que tiver que eu to com fome. — Falei já me levantando e indo em direção a porta, me acompanhou, fomos a pé porque o lugar mais perto era um Nando's que tinha praticamente na esquina da nossa casa.
Entramos, nos sentamos e fizemos nossos pedidos, era bom finalmente ficarmos só nós duas fofocando, era difícil já que e estavam sempre conosco, eles não queriam deixar a gente indo pros lugares sozinhas depois do grupo de assassinos, mas fomos mesmo assim. Estávamos rindo, quando senti alguém colocar a mão em meu ombro, ao me virar era o Jack com mais um menino, eu não fazia ideia de quem ele era.
— Oi. — Jack sorriu.
— Oi. — Sorri de volta, o cumprimentou com a cabeça, e ele fez o mesmo.
— Como você tá? Melhor? Depois daquele dia não nos vimos mais. — Ele sorriu sem jeito.
— Estou bem, não foi uma cena normal, né? — ri sem graça. — Mas meus amigos me ajudam a melhorar. — Olhei pra que deu um sorriso enorme.
— Uhm, Uhm. — O amigo de Jack fingiu limpar a garganta.
— Ah, esse aqui é meu amigo Jeremy. — O mesmo acenou pra nós que retribuímos o aceno e o sorriso. Desde quando existiam meninos tão bonito naquele lugar, gente?
— Podem me chamar de Jer. — Ele deu um sorriso tão grande e branco que podia cegar qualquer um.
— Sorri e apontei pra frente. — . — Que sorriu em seguida.
— A gente pode sentar aqui com vocês? Ou vocês tão esperando o namorado de vocês? — Jack perguntou.
— Ahm, o não é meu namorado, e não, não estamos os esperando. — Sorri.
— Você e o , não? — Ele perguntou com um sorriso quase imperceptível no rosto.
— Ahm, não? — Fiz uma careta de quem está com dúvida o que fez os dois darem uma risadinha.
— Por que você achou isso? — Perguntei levantando a sobrancelha.
— Ah não sei, vocês estão sempre junto, a e o namoram ai meio que deduzi. — Falou sem graça. — Não, nós somos amigos. — balancei a cabeça em negação.
— Então tá solteira. — Jeremy deu um sorrisinho maroto e sentou-se ao meu lado, colocando os braços sob meus ombros, Jack sentou do outro lado da mesa ao lado da . Sim, eles ainda não tinham sentado.
— Cara, vai precisar mais do que isso pra você conseguir sair com ela. — falou e continuou bebendo seu refrigerante, eu apenas olhei pro menino de olhos extremamente castanhos, cabelos cor de mel, ondulado, ele tinha piercings na orelha e seu sorriso parecia com o do Heath Ledger, me apaixonei pelo sorriso dele eu acho, ri comigo mesma, sai do meu transe quando ouvi uma risada muito gostosa, era Jack, era aquele tipo de risada que fazia você rir também.
— Então… você é da nossa faculdade? Nunca te vi. — Perguntei curiosa.
— Ahm, sim, quer dizer não… Quer dizer, mais ou menos. — Ele falou, e eu levantei uma sobrancelha.
— Ele não é daqui, ele veio transferido pra cá e ele vai estudar na faculdade conosco. — Jack falou.
— Legal, vai fazer o quê? — perguntou.
— Psicologia. — Ele sorriu.
— Leg… — Eu ia terminar de falar, porém, e adentravam no local, acho que aquilo não ia dar certo, eles caminharam até nossa mesa.
— Oi, eu acho. — falou com um sorriso irônico no rosto.
— Oi, senta, . — Eu abri um sorriso e tanto.
— Acho que a mesa tá lotada demais. — falou com um tom meio nervoso.
— Qual é, cara, você sabe que eu não faria isso. — Jack sorriu.
— Tem certeza, Jack? Mesmo? — perguntou mordido. — Porque se eu me lembro você já fez. — sorriu cínico.
— Cara, nós vimos elas sozinhas, e o Jack veio perguntar se a estava bem, só isso. — Jeremy falou, calmo.
— Amor, tá tudo bem. — sorriu e foi abraçar , de início ele pareceu um pouco relutante, mas ele não conseguia ficar bravo com ela.
— Tá tudo bem, já estávamos indo embora mesmo. — Jeremy concluiu com um sorriso simpático, ele levantou puxando Jack, que sorria cínico para que o encarava com raiva no olhar.
— Tchau, meninas. , depois nos falamos, eu não vou desistir tão cedo. — Ele piscou pra mim e acenou.
— Vocês vão ficar de pé? — Perguntei com tédio na voz, eles se sentaram, e ficou com os braços cruzados contra o peito como quem está nervoso.
— Ih, cara, que foi, hein? — perguntou.
— O que foi aquilo, hein? — perguntou se virando pra mim.
— Ele veio me perguntar se eu tava bem, algum problema nisso? — Levantei a sobrancelha.
— Não sei, tem? — Sua voz soava com muita raiva.
— Que tipo de pergunta é essa? — falou com um sorrisinho no rosto, desistiu, deu de ombros e voltou a posição normal.
— E aquele papo de “Eu não vou desistir tão cedo” — forçou a voz tentando imitar Jeremy e riu, eu e demos risada da imitação dele, já parecia não ver graça em nada.
— Ele tentou um papinho com a , eu falei que não era fácil assim, e então ele jogou mais essa. — disse entre risadas. — Hum, , abalando corações. — falou com tom divertido na voz. — Ai, nós vamos poder sair de casais. — falou e seus olhos até chegaram a brilhar, o que fez rir.
— E o que nós fazemos? — perguntou, parecendo ofendido.
— Bom, não saímos tecnicamente de casal, , porque não temos nada, que eu saiba. — Eu sorri sarcástica.
— Cara, fodeu, ela te chamou pelo nome. — disse.
— Acontece, , que somos amigos, então sim, tecnicamente saímos de casal, nós apenas não nos beijamos. — Foi a vez dele de dar um sorriso sarcástico.
— Agora ele falou o nome dela, vai ter briga, sangue e tudo mais. — disse se divertindo, eu apenas a olhei de modo que diz “cala a boca, se não você vai ser a primeira”. — Não tá mais aqui quem falou. — Ela levantou os braços.
— Vocês tão brigando igual a um casal. — falou sério, fazendo nós dois pararmos de nos encarar com raiva e olhar pra ele com dúvida.
— Agora que consegui a atenção de vocês, a gente podia fazer algo, né? — indagou.
— Sim. — falou tão animada quanto uma criança quando ganha presente.
— Então vamos. — disse ao se levantar, e nós o seguimos.

ASSASSINO POV'

— Iai, brother, onde você tava? — Ouvi uma voz ser direcionada a minha direção.
— Comecei a colocar meu plano em dia. — Sorri malicioso.
— Amanhã começamos então?
— Nada de matar ainda. — Eu falei, e ele fez careta. — Confiança primeiro. — Pisquei pra ele que assentiu com a cabeça.

POV'

Nós andamos um pouco por um parque, e depois sentamos em baixo de uma árvore, já estava normal, mas eu ainda queria saber o que ele tinha com o Jack.
. — Eu o chamei, ele me olhou rápido, meio assustado, afinal, a primeira vez que o chamei pelo nome foi porque estávamos brigando.
— Vai brigar comigo de novo? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Ok, primeiro, você quem começou de frescura àquela hora, eu só retribui, e segundo, qual seu problema com o Jack? — Falei super séria.
— Acho melhor você falar logo, cara, ela tá séria demais. — falou.
— Nem adianta falar que é uma história longa, porque nós temos todo o tempo do mundo. — disse e sorriu simpática.
— Tá bom, nós éramos amigos, muito amigos, tipo eu e o . Eu contava tudo para ele, e ele o mesmo, então uma menina entrou na escola, ela era da nossa sala, ele não deu interesse de começo, mas quando eu a chamei pra sair e nós começamos a namorar, ele começou querer se aproximar dela. — bufou. — De começo, achei que era porque ele queria se dar bem com ela, pra ficarmos os três juntos. — Ele parou por um tempo.
— Mas… — Fiz um gesto com a mão para que ele continuasse.
— Mas… Ele queria mais que isso ué, ele começou a virá-la contra mim, e então nós começamos a brigar e brigar, e em uma festa ele conseguiu o que ele queria, ficar com ela. — Eu o olhei, e ele parecia chateado.— Eu peguei os dois juntos no quarto, eu pensava que ela era virgem, bom era o que ela me falava. — Ele riu sem graça. — Então eu o soquei e terminei de vez com ela, na segunda eles já estavam namorando, NA SEGUNDA. Ele batia nela, porque ela sempre chegava na escola com alguma parte do corpo roxa, e sempre dando desculpas do tipo, caí… — Ele deu de ombros, eu estava horrorizada, como alguém podia fazer aquilo?
— Mas, como você tinha certeza? Digo, que ele batia nela? — perguntou.
— Um dia numa festa qualquer, eu fui pro telhado respirar um pouco, e ela tava lá chorando, eu me aproximei e perguntei o que tinha acontecido, e então ela me contou que ele falava pra ela que eu a traia. — Ele deu o sorriso mais sem graça do mundo, eu apenas abaixei a cabeça, esperando ele terminar. — Ela começou a acreditar, e no dia da festa ela estava brava comigo, se embebedou e foi pra um quarto, o que eu peguei os dois… Ele foi atrás dela se aproveitar da situação, a estuprou e disse pra ela que se ela não ficasse com ele, ele a mataria. — Eu estava boquiaberta, assim como , o por já saber da história estava normal.
— Sinto muito. — O abracei, ele retribuiu o abraço, e então eu o abracei com mais força.
— Ela não prestou queixa? — perguntou.
— Não, ela tinha medo. — Ele deu de ombros.
— Bom, ela tinha motivos… — Dei um sorriso triste.
— Mas ela contou aos pais, e sobre a chantagem, então ela saiu do país e mudou de nome, ele nunca mais chegou perto dela, ninguém sabe pra onde eles foram.
— Mas você sabe. — Falei convicta.
— Sim, eu sou o único, mas é apenas o básico, saber como ela está e pronto. — Ele deu de ombros. — Por isso eu fico bravo quando ele tá perto de vocês, eu sei do que ele é capaz. — Ele falou em um tom triste, encarando o chão.
— Ei. — Falei virando o rosto dele pro meu.
— Agora nós também sabemos, e vamos tomar cuidado. — Sorri, dei meu sorriso mais sincero.
— TOMAR CUIDADO? VOCÊ OUVIU TUDO? ELE É PERIGOSO — Ele gritou e todos nós nos assustamos.
— Ei, cara, calma. — falou.
— Não podemos parar de falar com ele do dia pra noite, . — disse eu apenas concordei.
— Por que não? É simples. — Ele abaixou o tom de voz.
— Ele sabe que você sabe da história, certo? — Perguntei, mais como uma afirmação do que como pergunta mesmo, ele concordou com a cabeça.
— Então, se nós pararmos de falar com ele do nada, ele vai saber que você nos contou, e você mesmo disse que ele é perigoso. — falou.
— Vai ser bem mais perigoso se nós pararmos de falar com ele. — Acrescentei.
— Elas tem um ponto, cara. — falou, prestando atenção em cada palavra nossa dita.
— Tá bom, mas só se vocês prometerem… — Eu nem deixei ele terminar de falar.
— Qualquer coisa, nós usaremos o spray de pimenta. — Pisquei pra e todo mundo riu.

JACK POV

— O que rola entre você e o cara lá? — Jeremy questionou.
— Quer mesmo saber? — Disse sem vontade, ele assentiu.
— Bom, no colégio nós éramos melhores amigos, então uma menina ficou entre nós, ela era nova e o ficou encantado com ela, a chamou pra sair, e eles começaram a namorar. — Parei para tomar ar e percebi que Jeremy estava mesmo interessado naquilo, então continuei. — Ela começou a se aproximar de mim, e falar que o me queimava pra ela o tempo todo, que ele não queria ver ela perto de mim, mas a cada dia nós nos aproximávamos cada vez mais, eles começaram a brigar e ela me falava que ele ficava agressivo, em uma festa ela veio pra cima de mim. — Dei de ombros.— Eu não ia negar, ela era gata, gostosa, me queria e eu queria me vingar do , então eu transei com ela.
nos viu, me deu um soco e terminou com ela. Ela disse que queria mesmo era ficar comigo e então começamos a namorar. Numa outra festa nós brigamos, e depois de uns dias ela não tava mais indo pra escola, não deu notícias, ela e os pais dela simplesmente sumiram. Ninguém sabe de nada, nem mesmo o , e é por isso que ele me odeia, e eu o odeio. — Tomei todo o ar que me faltava e sorri sem graça.
— Dude — Jeremy colocou a mão em meu ombro.
— Você já pensou que ela podia tá mentindo pra você? — Jeremy me olhava curioso pela resposta.
— Cara, esquece isso tá? Já foi mesmo. — Eu sorri e mudei de assunto.

POV

Já estava tarde e as meninas não queriam nos deixar ir embora, elas falaram que já que era perigoso pra elas era pra nós dois também, claro que não era, porque o grupo só sequestrava meninas, mas o queria dormir com a namorada e eu não ia ser estraga prazer.
— Onde vamos dormir? — Perguntei curioso.
— Vocês podem dormir no meu quarto ou da e nós duas dormimos no outro. — falou nervosa.
— Nem vem, eu vou dormir agarradinho com a minha namorada. — falou rindo e abraçando por trás que ria.
— É, nem vem . — falou fazendo bico e fazendo todos nós darmos risada.
— Eu posso dormir agarradinho com você se quiser, . — Sorri malicioso, ela me olhou nervosa, e o casal ria de chorar.
— Ou, você podia dormir aqui. — Ela apontou pro sofá e sorriu.
— Tem certeza? — Falei me aproximando cada vez mais dela, e ela ia dando passos para trás, eu me segurava pra não rir da reação dela, mas e não se controlavam.
, é maldade com meu mano você colocar ele pra dormir nesse sofá minúsculo. — falou fingindo tristeza, concordava com a cabeça e eu fiz bico.
— TÁ. — Ela falou levantando os braços e rolando os olhos.
— MAS, nada de se aproveitar, cowboy, se não você acorda sem seu amiguinho. — Ela disse séria apontando pro meu amigo de todas as horas, eu só sorri nervoso e concordei.
Nós fomos dormir, ela usava uma calça de moletom dobrada até um pouco abaixo do joelho e uma regata apertada. Seu quarto não era nem um pouco parecido com daquelas meninas patricinhas, ele era em um tom laranja e tinha um desenho de uma mandala em apenas uma parede, a que ficava a escrivaninha dela com seu notebook, a cama dela ficava em baixo da janela e tinha alguns ursos, do lado da cama seu guarda-roupa que era branco, seu tapete era macio e bege, ela tinha alguns pufes espalhados pelo quarto, tinha um espaço ao lado do guarda-roupa que era a entrada pro banheiro dela, pendurado no teto tinha alguns apanhadores dos sonhos espalhados.
Eu tirei a minha blusa e deitei do lado da cama desocupado, normalmente eu dormiria de cueca Box, mas eu tava com medo pelo meu brother de baixo. Ela deitou de costas pra mim e apagou a luz, ao apagar a luz pude perceber algumas luzinhas no teto, eram adesivos de estrelas.
— Boa noite, .
— Boa noite, .
Depois de alguns minutos, uma mão passou pela minha cintura e sua cabeça descansou em meu peito, fiquei petrificado, eu podia sentir sua pele na minha, e seu cheiro de algodão-doce que vinha de seus cabelos, seu perfume doce, mas não enjoativo, eu não conseguia enxergá-la, mas como todo bobo que está a fim de alguém eu tenho certeza que acharia linda.
? — falei baixinho, pra ter certeza que ela estava dormindo, e a tive assim que não obtive nenhuma resposta dela.
Coloquei uma das minhas mãos em cima da dela, que estava passando pela minha cintura, e a outra a coloquei em suas costas a trazendo mais pra mim, eu não estava me aproveitando, então meu brother estava a salvo, afinal, ela quem estava se aproveitando de mim, e foi dessa forma que cai no sono.



Capítulo 6


POV

Eu acordei do nada de madrugada, nem olhei no relógio pra saber o horário, eu só sabia porque ainda estava escuro do lado de fora, dei um pulo quando vi que eu estava abraçada em , mas ele era tão macio, confortável e quente, não fiquei muito tempo me aproveitando daquela situação quando lembrei que eu tinha acordado porque estava sonhando que fazia xixi, então corri para o banheiro para poder me aliviar, e não tem sensação melhor do que fazer xixi quando se precisa, terminei de fazer o que tinha de fazer, lavei as mãos e voltei pra cama, para o meu lado da cama, ficando de costas para ele de novo, esperando que meu corpo não me traísse e voltasse a abraçar ele, em seguida eu já não estava mais consciente.

Ele estava ali, bem ao meu lado, segurando firmemente meus braços, enquanto eu me debatia e tentava me soltar, mas ele era mais forte do que eu e eu não conseguia encontrar nenhum ponto fraco pra poder me desvencilhar dele, do que ele estava tentando fazer.
Minha respiração começou acelerar com meu desespero, assim como meu coração, e eu estava com medo, aquela sensação horrível, meus olhos começaram a lacrimejar, e eu me sentia fraca e vulnerável, comecei me debater cada vez mais, como se eu fosse conseguir algo, bom, eu esperava que sim.
— CALA A BOCA — Ele gritava segurando cada vez mais meus braços com força, comprimindo seu corpo ao meu, eu nunca senti tanto nojo na minha vida, eu não conseguia fazer nada além de me debater, e em alguma tentativa que até então fracassada, bater nele também, assim podendo sair dali, sair correndo dali.
— EU JÁ DISSE PRA VOCÊ CALAR A BOCA QUERIDA, NINGUÉM VAI TE ESCUTAR DAQUI. — Ele falava olhando nos meus olhos, com diversão.
— Co… mo, alguém pode ser tão doente? Me larga. — Cuspi na cara dele, então eu apenas senti minha cabeça indo com tudo na parede.
— EU JÁ DISSE PRA VOCÊ FICAR QUIETA, OU ISSO VAI SER SÓ O COMEÇO. — Então ele começou a beijar meu pescoço, e passar suas mãos por mim.
— ME LARGA. — Eu gritava, esperando que alguém conseguisse me escutar.
— SAI, ME LARGA. — me debatia.
. — Ele gritava.
— SAIIII. — Eu chorava, e tentava me desvencilhar.
ABRE OS OLHOS.

Abri os olhos e senti braços em mim, e então me desesperei.
— SAI, PELO AMOR DE DEUS, ME LARGA, ME SOLTA. — Eu implorava entre soluços enquanto chorava.
, sou eu, olha pra trás, foi só um pesadelo. Eu to aqui, tá tudo bem. — Eu me acalmei um pouco pra poder olhar, mas ele foi mais rápido e quando percebeu minha respiração voltando ao normal ele mesmo me virou, pra eu poder ter certeza de que sim era ele ali, que me abraçava com cuidado, com medo nos olhos, mas preocupação em seus gestos, enquanto uma de suas mãos passavam pelos meus cabelos acariciando-os. Eu me encolhi em seus braços, eu estava segura, eu podia sentir que sim, então me permiti encarar seus olhos, e com a mão que ele acariciava meu braço para poder me acalmar, ele levou até meu rosto, secando algumas lágrimas que ainda estavam por cair, quando ouvimos a porta abrir e nos deparamos com uma aterrorizada, e um com a cara amassada, eu não sei o motivo mas aquilo fez nascer um sorriso em meus lábios, e eles não precisaram falar nada, só vieram e disseram que eu estava bem, e segura, e que ali ninguém ia fazer nada comigo, e não porque eu estava em casa, mas sim, porque eles estavam ali para me proteger, todos eles.
— A gente vai voltar pro nosso quarto, tudo bem? — sorriu com um pouco de preocupação, e eu assenti com um sorriso sincero nos lábios.
— Vocês formam um belo casal. — só abre a boca pra falar merda, na hora errada, na certa, em todas as horas, gente qual era o problema daquele garoto? Eu ri sozinha com meu pensamento.
— Viu, ela até riu. Ela também acha, . — continuou a falar, enquanto coçava os olhos, eu revirei os meus e puxou ele pela boxer. Só então percebi que ele estava semi nu, SEMI NU, ELE ME ABRAÇOU SEMI NU, ISSO TÁ TÃO ERRADO.
começou a rir da minha cara quando percebeu minha feição, eu fiquei vermelha e puxei as cobertas pra tampar meu rosto que já devia tá roxo, azul, sei lá.
— Volta a dormir vai, eu tô aqui. Não vai te acontecer nada, só se você quiser. — Sorriu malicioso pra mim.
— Nos seus sonhos. — Me virei de novo, ficando de costas pra ele, mas ele continuou acariciando meu braço, independente do espaço que ainda havia entre nós, espaço que me fez sorrir ao perceber que ele estava respeitando tudo aquilo, e não se aproveitando do meu estado que estava vulnerável naquele momento.
Olhei para ele e sorri. — Brigada e boa noite, de novo. — ri anasalada.
— Shh, só dorme. — Ele sorriu sincero pra mim, e então eu cai no sono, mais uma vez.

Eu acordei sem ninguém do meu lado, mas ouvi risadas vindo da cozinha, então me levantei, fiz minha higiene matinal, ás 14hrs da tarde, tomei um banho, pra tirar de mim todos os vestígios de uma noite péssima. Coloquei uma blusa maior do que eu, um shorts e uma meia, mania, não me julguem, e sai para ver o que estavam aprontando.

— Bom dia, dorminhoca. — veio me abraçar, eu ainda estava coçando os olhos quando ele me abraçou todo carinhoso, mas não me atrevi a abrir.
— Me diz que você tá vestido agora, por favor. — Falei em tom de brincadeira, mas, no fundo, eu tava sendo bem séria.
— Estou. — Ele ria, de forma gostosa, abri os olhos e sim, ele estava o que me fez rir de mim mesma.
— Bom dia gente. — Sorri para e que estavam fazendo, sei lá o que, com um balde.
— Bom dia. — Responderam animados.
— Quer se juntar? — perguntou feito criança.
— Eu não sei o que vocês tão fazendo, to com medo da cara de vocês de crianças que acabaram de aprontar, então, não, brigada. — Eu ri.
— Tem certeza? — me perguntou com a maior cara de safado do mundo.
— Depois dessa cara, que eu não vou mesmo. — gargalhou atrás de mim, me fazendo dar um pulinho, eu não fazia ideia de que ele ainda estava ali.
— Cara? Que cara? — Se levantando e vindo na minha direção, com aquela cara que ele não tirava por nada.
— ESSA — Gritei.
— Saí, , não dê nem mais um passo. — Falei apontando o dedo pra ele, como uma mãe brigando com uma criança, e dando um passo pra trás, sendo parada por um corpo duro atrás de mim, era .
— O quê? Isso é um complô? — Falei desesperada, não sei o que tava acontecendo, eu tava ficando nervosa, ria atrás de mim, vinha cada vez mais na minha direção com aquela cara que eu queria tanto lamber, não, cérebro, quieto, que eu queria tanto socar e a , minha querida melhor amiga estava tranquila mexendo naquele balde maldito.
. AJUDA, AQUI? OBRIGADA, DE NADA. — Gritei pra ela, que fingiu que não me ouvia, me fazendo revirar os olhos.
— Ninguém vai te ajudar, amor. — Ele ria, fazendo um arrepio passar pela minha espinha, e ele estava cada vez mais perto, com aquela cara linda de filha da puta, quando chegou bem perto, me pegou pela cintura me jogou no seu ombro, chutei o , em um lugar bem estratégico fazendo ele ir pro chão.
— FOI TUDO CULPA DELE, TÁ VENDO? VOCÊ TINHA QUE FICAR DO MEU LADO, NÃO DO DELE. — Falei brava.
— Tá tudo bem, amor? — perguntava enquanto segurava a risada.
— FALSIANE, ELE VOCÊ VAI VER SE TÁ TUDO BEM NÉ. COMIGO QUE É BOM NADA… — Eu devia estar vermelha de raiva já, eu sentia minhas bochechas queimando.
— Por que você tá me levando até o balde seu louco? Me larga! — Eu batia em suas costas em vão.
— Deixa de ser louca . — Ele ria, me colocando no chão perto do balde.
— Não quero olhar, não vou olhar. — Tapei os rosto com as mãos, em vão, pois ele as segurou e tirou-as de lá.
— Olha. — Ele falou, calmo, olhando nos meus olhos, mostrando que não tinha o que eu temer, eu ainda o olhava com medo, então ele afirmou com a cabeça, e apontou o balde com a cabeça, sem quebrar o contato visual. Cara, como ele era bonito, shiu, ninguém quer saber disso cérebro.
— Ai, meu Deuuuus. — Eu falei animada, meus olhos brilhavam quando vi, um pequeno serzinho dentro do balde, tão fofo, tão frágil, e eu com medo, mais que idiota.
— Pega ele. — disse rindo.
— Posso? Meus olhos tinham um brilho e tanto, ele não morde? — Perguntei com receio.
— Nada, ele é tão bobo quanto o dono. — disse rindo.
— Já sei quem é o dono então. — Sorri satisfeita, olhando pro , que revirava os olhos.
— Qual o nome dele, ? — Perguntei ainda olhando aquele bichinho tão fofo.
— Skittles. — Ele falou, e o bichinho pulou pra fora do balde em direção ao dono pedindo colo.
— Skittles? Tipo as balas? Skittles? — Perguntei rindo, sentindo algo nos meus pés, olhei pra baixo e era aquele cachorrinho tão fofo, me abaixei pra fazer carinho nele, que tentava me lamber a qualquer custo.
— Sim. Qual o problema? — ria, e me acompanhava ao fazer carinho no seu cachorro.
— Meu Deus ele é tão dado. — Eu não tirava os olhos daquela coisinha peluda.
— Parece o dono. — dizia vindo na nossa direção.
— Porque ele tava num balde gente? — Perguntei confusa. — E porque todo aquele suspense? Af. — Bufei.
— Pra você não ver ele, era uma surpresa, mas você com essa imaginação fértil, devia tá pensando que tinha um pedaço de alguém ali dentro com uma carta escrita com cortes de revistas. — ia dizendo.
— E eu que tenho a imaginação fértil. — Arregalei os olhos pra que ria.
— Não é fofo, ? — também um brilho e tanto nos olhos. Os meninos já tinham ido pro sofá, e só estavam de olho, enquanto eu e ficamos sentadas no chão brincando com aquela bolinha de pelos.
Muuuito. — Me virei — Vocês podem ter bichinhos lá? — Perguntei curiosa.
— Mais ou menos. — ria anasalado e balançava a cabeça em negação.
— Não, mas ninguém sabe, a gente deixa meu garotão bem escondido. — falava orgulhoso.
— Nossa, até parece que você tem um Pit Bull. — Sorri irônica, fazendo me mostrar o dedo do meio.
Abri a boca fingindo estar ofendida — Tá vendo que feio, não aprenda essas coisas com seu pai. — fiz que não em desaprovação do seu gesto.
— Não seja fresco igual sua mãe. — Ele sorria pra mim, mas eu não sabia dizer se tinha malicia ali ou não, e foi a primeira vez que eu não consegui ler os sorrisos sacanas dele, talvez porque ele estava sentado todo largado no sofá, sem camisa, com um braço no “braço” do sofá, e o outro por “cima” do sofá, o que me fez rir envergonhada e negando com a cabeça aquela afirmação.
olhava pra mim com um sorrisinho no rosto — O quê? — perguntei sem jeito.
— Eu vi isso. Eu vi esse sorrisinho. — Ela cochichava e cutucava minha costela.
— Para. — Eu ria sem jeito, e tentava tirar seus dedos da minha costela com o cotovelo.
— Ele tá olhando feito bobo pra você agora. — Ela mordeu a boca, se segurando pra disfarçar. E eu continuei fazendo que não com a cabeça envergonhada, e sem forças pra olhar pra ele, porque eu sabia que eu também estava com cara de boba.

POV

— Você tá olhando feito bobo pra ela. — Eu ria, olhando pro meu amigo de lado.
— Hum? — se fez de desentendido.
— Cara, te conheço a vida toda, nem vem com essas. — Revirei os olhos.
— Elas podem ouvir, então a gente não pode ter essa conversa outra hora? — Sorriu meio sem jeito.
— Eu sei que você trouxe o Skittles pra deixar ela feliz e se distrair depois dessa noite. — Eu falava fazendo pouco caso, e passava as mãos pelo cabelo nervoso.
— Tá, tá. Foi isso mesmo. — Deu de ombros, olhando pros próprios pés.
. — Gritei quando senti seu peso em mim.
— Oi, tô gorda é isso? — Ela ia se levantando quando a puxei pra mim.
— Não, amor, só me pegou de surpresa. — beijei sua bochecha.
— Então como sabia que era eu? — Fez cara de brava pra mim.
— Ué, porque a que não ia ser né, amor? Acho que ela pulando no meu colo não ia ser uma coisa muito normal. — Sorri sincero.
— CONCORDO. — gritou ainda no chão com o Skittles.
— Ainda tô traumatizada por ele ter me abraçado semi nu. — disse fazendo todo mundo rir.

POV

Eu tava me divertindo tanto com aquele cachorrinho, que parecia uma criança ganhando um brinquedo novo.
? — disse receosa.
— Hum… — fingi não perceber seu jeito ao me chamar.
— Chegou, uma carta pra você. — Olhei para ela com os olhos arregalados. — Dele… — Ela mordia o lábio com medo da minha reação.
— O que tá acontecendo? — perguntou curioso.
— Nada. — Sorri sem gosto.
— Dá uma chance pra ele . — falava ignorando os meninos completamente confusos ali.
— Chance? Pra quem? — continuava perguntando e era ignorado.
— Carta de quem? — Foi a vez de .
— NINGUÉM. — Gritei, me desculpando logo em seguida, aquela conversa tava me tirando do sério.
— Ele é o seu PAI. — gritou pra mim.
— NÃO, ELE NUNCA FOI MEU PAI, EU NÃO CONHEÇO ESSE HOMEM, ELE NÃO ME CONHECE, NÃO VAI ME CONHECER, E EU VOU FAZER DE TUDO PRA ISSO ACONTECER. — Eu gritava já vermelha, e no fim sorri cínica pra ela.
— Gente, calma, alguém pode explicar? — falava com medo de perguntar, enquanto olhava receoso pelo amigo, como se eu fosse pegar a faca mais afiada da cozinha e cortar a língua dele.
olhava pra mim esperando alguma coisa, e eu olhava pra ela com raiva por ter feito isso.
— Meus pais, não são meus pais de sangue. — Sorri pra como quem diz, satisfeita? Ela abaixou a cabeça, sabendo como era difícil, e eu sabia o que ela queria, ela queria que eu lidasse com aquilo, mesmo eu não querendo, ela era minha amiga e queria meu bem, mesmo eu não querendo. Os meninos olharam pra mim fazendo um sinal com a cabeça pra eu poder continuar, mostrando que não tinha porque eu ter medo de contar aquilo pra eles.
— Eu tinha 5 anos, quando minha suposta mãe, saiu de casa me deixando com o idiota do meu pai, que não tinha tempo pra nada, só pro trabalho, quando minha “mãe” — fiz aspas com as mãos. — foi embora, ele procurou mais afazeres pra não ter que ficar sozinho comigo em casa, sei lá, eu devia lembrar ela pra ele, ou sei lá, então um dia, ele falou que nós íamos passear, me levou pro zoológico, quando eu me distraí com um macaquinho ele foi embora, me deixando lá, eu fiquei até a noite lá no zoológico, com 5 anos, esperando ele voltar, esperando que ele ouvisse os chamados que as pessoas do zoológico faziam.
“Pai da pequena , por favor, se dirigir a praça de alimentação, sua filha o espera.” — Mudei a voz pra mostrar exatamente que eu lembrava de cada palavra dita. , veio ao meu lado e me abraçou um pouco. — Tá tudo bem. — Ela cochichou.
— Uma assistente social foi até lá, e me levou para um lar de crianças órfãs, eu disse meu endereço pra ela, mas já não tinha uma alma lá. NADA. — Sorri sem gosto.
— Ele me deixou, eu fui adotada, por um casal dois anos depois, um casal apaixonado, e cheio de amor pra dar pra uma menininha que tinha medo de ser largada de novo. E eu não sei como ele me achou, e fica mandando cartas todos mês, na esperança de que eu vá abrir aquela merda, e sei lá, me encontre com ele, pra ouvir as malditas desculpas que ele tenha pra dar. — Dei de ombros.
— Eu acho que você devia abrir. — disse, me fazendo olhar feio pra ele.
— Eu acho que ela tem que abrir, quando ela se sentir segura, sentir que é certo pra ela, não adianta nada ela fazer o que não quer, só por pressão. — dizia calmo, sorrindo sincero pra mim, com se ele soubesse como eu me sentia.
— Eu também acho que você devia abrir, só pra ver se é isso mesmo que ele quer amiga, você não precisa ir até ele. — dizia alisando meus cabelos, ou tentando, eu olhava pro Skittles na tentativa de fazer todo mundo esquecer aquele assunto, sei lá, meu silêncio ser o suficiente para aquilo acontecer.
— O Skittles foi deixado na minha porta, ele sabe como você se sente, deve ter sido por isso que ele gostou tanto de você. — disse, sorrindo idiota, fazendo e ficarem descrente com o que tinha acabado de sair da boca dele por ele ter falado que eu fui abandonada, mas eu não fiquei nem um pouco brava.
— E achou um pai que deu amor e carinho pra ele, né Skittles? — Eu falava com o cachorrinho como se estivesse falando com um bebe. Deixando e aliviados com meu comentário.
— Você também foi abandonado ? — ria da própria piadinha que estava por vir, se segurava pra não rir junto, e revirava os olhos só esperando o que estava por vir.
— Porque você também gosta bastante da . — Ali, tá vendo, , merda, em qualquer momento, apropriado, inapropriado, sendo . Mas fez todo mundo rir e acabar com aquele papo, enquanto todos estavam distraídos eu me levantei sem chamar atenção pra mim, e fui até a mesa da cozinha pegar aquela carta. Fiquei ali um tempo olhando pra ela, tomando coragem, e então senti alguém atrás de mim, a respiração perto da minha orelha.
— Se quiser alguém pra estar com você na hora de abrir, to aqui. — Ele falava tão perto e sensual, mas eu só agradeci e abaixei a cabeça sorrindo envergonhada, senti ele se afastando.
— Pera. — Me virei com as cartas nas mãos — Você podia abrir pra mim? — Perguntei receosa. Ele fez que sim com a cabeça, eu chamei e também.
estava ao lado de , e ao meu, apertando minhas mãos, com medo, mas, ao mesmo tempo, querendo dizer que ela estava lá comigo, e que eu estava fazendo a coisa certa.
rasgou o lacre e pegou a carta, ao fazer isso, ele retirou ela de dentro daquele maldito envelope e a abriu, em seguida e ficaram boquiabertos, eu e nos assustamos e fomos pro lado deles, repetindo seus movimentos.

Aquela carta, não era do meu “pai” e sim da minha “mãe”, peguei aquele papel e analisei cada palavra.

“Filha, você corre perigo, deixe a cidade, E NÃO DIGA A NINGUÉM PARA ONDE VAI. Eu sempre estive cuidando dos seus passos, e sempre estarei. Com amor Mamãe.”



Capítulo 7


Todos estavam olhando para minha cara, esperando alguma movimentação ou que eu falasse algo, a verdade é que eu estava embasbacada, então ouvi alguém fingir uma tosse para chamar a minha atenção do papel para o mundo a minha volta.
— Amiga, o que você vai fazer? — me perguntou receosa.
— Jogar fora ué, todo mundo tem televisão, sabe? Todo mundo aqui tá correndo perigo, óbvio. Não sou só eu, eu não sei porque agora ela teve esse ataque de boa mãe sendo que ela nunca foi uma. — Sorri cabisbaixa.
— Então… acho que nós vamos indo, né? — disse entre sorrisos amarelos, apenas concordou com a cabeça e me entregou o papel.
se despediu de , me deu um beijo na testa e sorriu para mim que devolvi seu sorriso, me abraçou e disse baixinho em meu ouvido — To aqui tá, se precisar conversar.
Então eu concordei com a cabeça e sorri para ele, olhei para baixo e percebi que ainda segurava aquele papel, o joguei no lixo e acompanhei indo em direção a porta, ele se virou e disse:
— Caso queira dormir comigo, também to aqui, é só me ligar. — Disse piscando e fingindo um telefone levando a orelha com a mão, o que me fez sorrir e mostrar o dedo do meio para ele. fechou a porta e eu fui em direção ao sofá, me sentei e ela me acompanhou, sentando-se ao meu lado e me abraçou.
— Você está bem mesmo? — disse preocupada. — Você tem passado por tanto esses dias. — Agora ela entortava a boca.
— Sim, estou. Não vou me apegar aquele pedaço de papel não — Olhei para o lixo em que o tinha jogado. — Quer saber, vamos dormir que o dia foi cansativo, ela apenas concordou com a cabeça, e cada uma seguiu seu caminho.

Acordei naquela manhã fria, porém, com um pouco de sol pra disfarçar. As aulas iam voltar aquele dia, e até então nada mais de notícias sobre os assassinatos, me arrumei e fui para sala onde estava fazendo um café pra nós antes de começarmos a nossa rotina de segunda-feira. Ao chegar na faculdade, pudemos ver Jack e seu amigo Jeremy, para não termos problemas pensamos em desviar o caminho, porém, eles tinham nos visto e já estavam vindo em nossa direção, ouvi fazer um barulho de dessatisfação e fazer uma cara de nojo, a cutuquei com o cotovelo para ela parar se não os meninos iriam perceber.
— Meninas — Jeremy disse sorrindo simpático.
— Meninos — Respondi com um sorriso.
— Como vocês estão?
— Bem, Jer, e vocês? — Sorri olhando para ambos.
— Estamos bem também.
Aquele ambiente não estava muito legal, estava muito constrangedor, ninguém sabia o que falar, até parecia que eles sabiam que nos estávamos apreensivas de estarmos ali.
— Uau, o clima tá mesmo muito pesado aqui, eu vou indo pra aula que to atrasado — Jack disse entre risos, o que fez todo mundo dar um sorriso meio amarelo, pelo menos ele disse o que estava na cabeça de todo mundo. Ele acenou para nós e seguiu seu rumo.
— Tchau, Jack — Foi minha vez de falar algo e sorrir acenando.
— Nós também temos que ir, . — disse mais aliviada, a única presença que a incomodava era a de Jack pelo visto.
— Aham. Jeremy, você sabe pra onde você tem que ir? — Sorri sincera.
— Puts, é mesmo, cara. — Colocou a mão na cabeça nervoso — O Jack ia me mostrar. — entortou a boca ao terminar de falar.
— Vem, a gente te leva. — Acenei com a cabeça para ele nos acompanhar. — O prédio que você tem que ir é atrás do nosso, é caminho. — Sorri.
— O que seria de mim sem vocês? — O mesmo sorriu e colocou um braço sobre meu ombro me puxando de encontro a ele, de lado, quase um abraço, que eu meio que retribui e sorri.
— Ainda bem que você já conseguiu perceber que nada seria. — Sorri, olhando em seus olhos, e então, , para estragar o clima, fingiu limpar a garganta, a olhei e ela me repreendia com o olhar, apenas balancei a cabeça como quem diz “o quê?”. Sério, nosso problema nem era com ele, e sim com o Jack.
Seguimos caminho conversando e rindo de vez em quando e até conseguiu se entrosar um pouco. Ao chegarmos em nosso prédio eu mostrei o caminho que ele teria de seguir e me despedi, estávamos entrando na nossa sala quando disparou a falar.
— Ta dando mole pra ele, né? — Sorriu maliciosa.
— Pode ser que sim, pode ser que não. — Disse em tom de brincadeira. — Ah, amiga, ele é gato.
— Você não presta. — Ela balançou a cabeça negativamente.
— Quem disse que eu queria prestar? — Arregalei os olhos e sorri em seguida, o que a fez rir. Chegamos aos nossos lugares e já estava lá nos esperando, ele nos cumprimentou e sentamos assim que percebemos o Sr. Pensley entrando na sala.
— Bom dia, meninos e meninas, hoje temos um aluno novo transferido — Todos se olharam com espanto, digamos que não era algo normal termos alunos transferidos para o nosso curso, eu nem estava mais prestando atenção em Sr. Pensley quando um menino de altura média, moreno, olhos castanhos, entrou olhando fixamente para mim, eu juntei as sobrancelhas estranhando aquilo e ele então abaixou a cabeça, só voltei a mim quando ouvi o Sr. Pensley dizer meu nome. — Então, a pode te fazer companhia, ela é a melhor da turma, ela vai poder te situar. — Sorri amarelo, quê? Eu? — Pode seguir para seu lugar — Sr. Pensley apontou o caminho e o menino o seguiu.
— Oi. — O mesmo disse meio tímido.
— Oi, eu sou a , mas pode me chamar de . — Sorri estranhando tudo aquilo, ele me olhava estranho.
— Eu sou o Ethan — Ele sorriu, muito bonito o sorriso dele por sinal, mais de perto era possível ver que ele tinha uma barbinha por fazer, o que o deixava meio sensual.
— Você é de onde, Ethan?
— Da Austrália, meus pais se mudaram, sabe? A empresa ofereceu um cargo melhor e tal. — Ele gesticulava enquanto falava e eu apenas assentia.
— Entendi, bom, esses são meus amigos — Apontei para o lado — e o namorado dela, . — Eles sorriram para o menino que sorriu de volta.
— Eu sou o Ethan, legal conhecer vocês, pessoal. — Ele ainda estava meio tímido, meio fora de lugar, parecia.
Eu prestava atenção na aula, mas de canto de olho eu conseguia ver ele me olhando e isso me incomodava um pouco, qual era o problema dele? O que ele queria?
— Desculpa — O ouvi dizer sussurrando, e o respondi com uma careta apenas — Ficar te encarando, é que você parece muito com a minha ex. — Coloquei os lábios para dentro da boca e balancei a cabeça em afirmação, eu não sabia muito o que falar. — Só que um pouco mais bonita e simpática. — Ele sorriu e eu retribui.

A aula acabou e eu sai em disparada para o banheiro, deixando Ethan lá mesmo, percebeu algo errado e veio atrás de mim deixando cuidando de Ethan.
— Amiga? O que houve? — entrou no banheiro e me avistou logo debruçada a pia lavando minha nuca.
— Sei lá, amiga, aquele menino é todo estranho, você acredita que ele ficou me encarando a aula inteira, e depois ele se desculpou e disse que eu parecia sua ex namorada, só que mais bonita e simpática? — Arregalei os olhos.
— Eu hein, só falta ele falar agora que a é a ex morta. — ria de sua piada, e da minha cara de nojo ao mesmo tempo.
— Ai, menina, não tem o que falar fica quieta. — Revirei os olhos.
— Relaxa, , é tudo novo pra ele, deve ser estranho também chegar num lugar esquisito, numa faculdade estranha e ter uma menina parecida com a ex, que provavelmente ele deixou lá do lugar de onde ele vem. — Ela dizia com convicção e eu concordei com cada palavra.
— Só me diz uma coisa — Ela falava enquanto entrelaçava nossos braços para sairmos do banheiro, eu a olhei para que ela continuasse.— Desde quando você é a cobiçada por todos? — Ela sorria com malícia.
— Desde quando a mais cobiçada de todos começou a namorar. — Sorri de volta a ela.
— É, agora tudo faz sentido. — E fomos saindo rindo dos nossos papos, até nos encontrarmos com e que estavam no maior papo com o aluno novo.
— Ahm, oi. — Disse sorrindo amarelo
— Oi, . — disse sorrindo e vindo me abraçar de lado pela cintura, me dando um beijo no rosto.
— Ah, vocês são namorados? — Ethan perguntou com um pouco de tristeza na voz e no olhar.
— Bem que ela queria. — dizia brincalhão.
— Ahm, desculpa ai, , mas quem queria alguma coisa aqui é você. — Sorri para ele olhando em seus olhos que seguia fielmente a minha feição, e ficamos assim até alguém nos interromper.
— Na verdade, ambos querem, só não dão o braço a torcer. — disse zombando de nós ao perceber nossa troca de olhares.
— Entendi. — Ethan sorria sem graça.
Eu já disse que ele era bem estranho? Então, pois é, continuo a repetir, o que aquele menino tinha eu não sei, mas eu queria descobrir. Fui tirada dos meus devaneios quando senti meu celular vibrar em meu bolso, e ao tirar uma mensagem de um número anônimo, peguei meu celular para ver e a mensagem e me assustou.

“Eu disse para você que você estava em perigo e você não se importou, olhe ao seu redor, aos seus novos amigos, aos que chegam e aos que vão, ele está ai, no meio. Não diga que eu não avisei. E apesar disso, eu vou continuar a olhar seus passos. Beijos, mamãe.”

QUE PORRA ERA AQUELA? Eu olhava para todos ao meu redor, rindo, brincando, eu não podia confiar neles ou eu só não podia confiar nela?



Capítulo 8


— Tudo bem? — me olhava estranho.
— Está sim. — Sorri da forma mais sincera que eu consegui.
— Não mente pra mim. — Ele sussurrou em meu ouvido me fazendo revirar os olhos. Apenas mostrei meu celular a ele, que entendeu meu estado e me deu um beijinho na cabeça, me fazendo realmente sorrir de forma sincera.
Quando olhei para frente, vi novamente Ethan me olhando de forma estranha, com aquela tristeza no olhar, o que me fez encolher entre os braços de , que reparou e buscou ao redor aquilo que estava me deixando desconfortável.
— Porque o Ethan está te olhando assim? — me perguntou, ainda sussurrando em meu ouvindo, para não estender aquela conversa apenas balancei a cabeça de um lado para o outro, demonstrando que nem eu entendia o motivo daquilo.
Naquele dia, os meninos não nos acompanharam até em casa, então ficamos apenas eu e a , assistindo ao noticiário, e foi então que uma notícia acabou por assustar todas as meninas daquela cidade.

“NOTICIA URGENTE: Hoje de manhã o delegado que acompanhava o caso dos assassinatos que vem acontecendo na cidade foi afastado do caso, por motivos que ainda não foram esclarecidos. Porém, outro policial já entrou em seu lugar está manhã, nenhum dos dois quiseram dar maiores esclarecimentos à imprensa.
A nova chegada de um novo delegado, veio abalando a todos, já que o mesmo apenas divulgou uma notícia que pode modificar muito o andamento do caso. O grupo de assassinos tem sim um tipo de vítima, todas são mulheres e da mesma instituição de ensino.
Então, o único pedido é de que continuem andando em grupo, e as meninas prestarem bastante atenção ao andarem nas ruas.
Estaremos de volta com qualquer novidade sobre o caso e se alguém tiver alguma informação que possa ajudar os policias nas buscas destes assassinos por favor, ligue para a central, a sua identidade será preservada. Obrigada e uma boa tarde a todos. ”

e eu nos entreolhamos assustadas, mudamos de canal e depois de um tempo demos um pulo ao ouvir a campainha tocar. Fui até a porta e vi no olho mágico quem era, nenhuma surpresa ao ver os meninos do outro lado da porta, então a abri.
— Vocês viram o noticiário? — perguntava enquanto adentrava a casa e ia em direção a .
— Sim, nós vimos. — Respondi olhando em sua direção, enquanto entrava e fechava a porta.
— Não vamos deixar vocês duas sozinhas nunca mais, até esses caras serem pegos. — falava com precisão na voz.
— Como se desde que a gente se conheceu vocês têm deixado, né? — dizia com um pouco de graça na voz.
— Realmente, não deixamos, por isso que esses dias atrás encontramos vocês duas na lanchonete com outros dois meninos. — disse irônico, fazendo mostrar a língua a ele.
— Então, agora você pode me explicar porque aquele Ethan ficou te olhando estranho? — perguntou, mudando de assunto drasticamente, fazendo todos olharem para ele.
— Ele disse que eu pareço a ex dele, que ele deixou lá na Austrália. — Sorri sem gosto.
— Que conveniente, não? — disse de forma estranha, fazendo todos olharem pra ele sem entender o tom estranho em sua voz. Porém, todos nós achamos melhor deixar pra lá e só ficarmos ali, nos distraindo e vendo um filme.

ETHAN POV

— EU PRECISO FALAR PARA ELA. — EU GRITAVA NERVOSO.
— VOCÊ É SURDO OU O QUÊ, MENINO? VOCÊ NÃO VAI FALAR NADA PARA ELA. QUANTAS VEZES EU VOU TER QUE REPETIR?
— ELA É UMA BOA PESSOA, VOCÊ NÃO ENTENDE? DO QUE VOCÊ TEM MEDO? — Eu o olhava sem entender
— VOCÊ NUNCA VAI ENTENDER, GAROTO. — Ele dizia com pesar na voz.
— Tenta, pai, você pode se surpreender. — Eu sorri para ele, colocando minha mão em suas costas para mostrar a ele que eu estava ali por ele e para ele.



Capítulo 9


ASSASSINO POV

— Eu não to conseguindo me aproximar da , não sei se vai dar para fazer como o planejado, mas com certeza "amiga" minha ela vai ser. — eu dizia fazendo aspas com as mãos e com um sorriso malévolo na face.
— Mas enquanto isso? A gente não vai fazer mais nada? — Um deles me perguntava com cara de poucos amigos.
— Você está maluco? Está querendo ser pego? Se a gente agir agora podemos ser pegos. Você não vê os noticiários? — Bufei.
— E vamos fazer o quê?
— Agir conforme o plano. — Sorri com malícia.
END OF POV

POV


Eu tinha acabado de acordar, peguei meu celular e havia uma mensagem de um número desconhecido, eu gelei, pensando que seria mais uma mensagem daquelas que podia ser da minha suposta mãe, mas quando abri era de...
— Ethan? — Franzi o cenho, como ele conseguiu o meu número?
O respondi logo em seguida o perguntando, porém não obtive resposta imediata, então apenas deixei meu celular de lado para poder fazer minha higiene matinal e arrumar a casa, afinal, não tínhamos empregada e querendo ou não, duas meninas podem sim fazer uma enorme bagunça, sorri assim que tive esse pensamento.
Depois de fazer minha higiene fui ao quarto de para ver se está estava em casa, porém, como já imaginava ela não estava lá, ao descer pude ver na geladeira um papel, como um lembrete dela, neste estava escrito que ela havia saído com para fazer as compras do mês, então eu comecei as minhas tarefas, que duraram aproximadamente duas horas.
Ao terminar, tomei meu banho, me arrumei, coloquei uma calça high pants com um cropp top de manga e gola alta vinho e uma bota knee high, quando meu celular tocou, era Ethan, dizendo que queria me encontrar no parque perto da faculdade e que era quem havia lhe passado meu número. Fiquei um pouco apreensiva, porém fui mesmo assim, peguei um casaco, pois estávamos no inverno e apenas aquela blusa de manga não me esquentaria suficientemente, então mandei uma mensagem a e para eles saberem onde eu estava caso me ocorresse algo, eu não confiava em Ethan e estava achando tudo aquilo muito estranho.
Peguei as minhas chaves e fui a pé até o parque, onde Ethan já estava de perto de uma árvore bem à frente do portão estando bem visível a sua presença, ele podia ser super estranho, mas eu não podia negar que era bonito e que aquele mistério todo que ele trazia consigo o deixava bem charmoso.
Assim que ele me viu, abriu um sorriso e acenou para mim, que fui em sua direção com um sorriso meio torto, assim que me aproximei razoavelmente o mesmo me depositou um beijo em minhas bochechas me fazendo piscar algumas vezes seguidas com aquele contato novo, imediato e inesperado, eu lhe dei apenas um sorriso e um oi desanimado.
— Oh, me desculpe, fui muito abrupto, né? — Ethan me olhava sem jeito.
— Um pouco? — Ri de forma nasalada.
— Não queria te deixar desconfortável — dizia enquanto passava a mão direita por trás da cabeça bagunçando seu cabelo envergonhado
— Tudo bem — Sorri sincera — Já passou.
— Vamos andar um pouco? Enquanto conversamos? — Ele esticou o braço para que eu fosse à frente, afirmei com a cabeça e comecei a andar.
— Então... o que você queria falar comigo? — Eu falava enquanto chutava as gramas soltas no chão do parque.
— Ah, então... É sobre aquela história da minha namorada, sabe? — Assenti para que ele continuasse.
— Ela não...
Então fomos bruscamente interrompidos por Jeremy, que estava vindo em nossa direção gritando meu nome e acenando, eu comecei a dar risada daquela cena ridícula dele.
— Ei, — Jeremy dizia sem fôlego
— Oi — eu dizia entre risos
— O que foi? — Ele ria também sem entender o que estava acontecendo e Ethan fingiu uma tosse para mostrar que estava presente.
— Hm, Jer esse é Ethan, ele é novo aqui, veio transferido também — Sorri para ambos que se cumprimentaram em um aperto de mãos, bem apertado e com cara feia da parte de Ethan.
— Prazer te conhecer, cara — Sorriu.
— É, aham, também. Sabe, você meio que interrompeu a gente aqui! — Ethan dizia sínico apontando para nós dois e recebeu um olhar repressivo de minha parte.
— Ah, desculpa — Jeremy entortou a boca — , me passa seu número? Para marcar algo depois.
— Claro — Sorri e anotei meu número em seu celular.
— Então eu já vou indo! — Jeremy apertou a mão de Ethan e me deu um beijo na bochecha que retribui.
Então me virei e fiquei de frente para Ethan, se ele achava que eu tinha esquecido o que ele estava para me falar ele estava muito enganado.
— Então... a história da sua namorada? — Gesticulei com as mãos para ele continuar.
— Eu não tinha namorada nenhuma. Quer dizer eu tinha, mas ela não tinha nada a ver com você. Aquilo foi uma desculpa. — Ele disparou a falar e eu apenas o olhava assustada, pensando no que podia me acontecer.
— Não me olha assim eu vou te explicar, mas você tem que me deixar — Ele tentou tocar meus ombros, mas eu desviei com medo.
— Eu não vou te machucar, . Calma — Ele espalmou as duas mãos em minha frente, eu apenas respirava e assentia.
— Antes de eu te explicar tudo, eu quero que você conheça uma pessoa, tá? — Ele me olhava solidário e também com receio da minha resposta, que não saia por palavras apenas gestos.
Ethan fez um sinal a uma pessoa que de início eu não conseguia enxergar, quando este chegou mais perto pude ver, ele era alto e bem mais velho que o Ethan, dos olhos castanhos, os cabelos um pouco grisalhos do lado.
— Boa Tarde, .

POV

Eu nem sabia se e estavam na casa das meninas e nem o que ambos estavam fazendo, mas assim que acordei e vi a mensagem de me deu um aperto no peito e eu não pude deixar de me preocupar.
Pensei em ir direto ao parque, mas seria estranho, então tentei ligar para ela diversas vezes, sem êxito, minha ideia final era ir até a casa dela, ela podia ter chegado, podia estar lá com e os dois poderiam saber de algo, então bati na porta, abriu e eu nem lhe dei oi, apenas adentrei o local.
— A já chegou? — Eu olhava por todos os lados buscando vê-la.
— Oi pra você também. — falava rolando os olhos.
— A ? — Olhei com os olhos arregalados para que deu de ombros então me virei para .
— Com Ethan. — Deu de ombros.
— Ela não chegou ainda? — Eu demonstrava desespero em minha voz.
— Cara, por que você está tão desesperado? Relaxa, eles foram para um PARQUE! Se ele fosse fazer algo com ela não seria em um parque. – arregalava os olhos enquanto falava.
— Sei lá, cara, não tive um bom pressentimento quando li a mensagem, e ela não atende minhas ligações. — Sentei ao lado de frustrado.
— Relaxa, , ela está bem. Ela sabe se cuidar e você sabe muito bem disso. — deu um tapinha no meu joelho ao se sentar ao meu lado.
Eu me acalmei e joguei minha cabeça para trás, encostando-me ao sofá, foi naquele momento em que entrou desesperada em casa e chorando, o que me fez levantar correndo e ir até ela para poder abraça-la, dando um olhar de repressão para e que olhavam atônitos.
Quando saiu daquele estado levantou correndo em nossa direção.
— O que aconteceu? — falava com desespero na voz.
— Ethan — Ela soluçava e não conseguia formular uma frase.
foi pegar uma água para ela, tirou ela dos meus braços e a sentou.
— Está tudo bem, , você tá segura aqui. — Sorriu atenciosamente para ela, que sorriu de volta em meio às lágrimas que ainda escorriam por seu rosto.
— Quando você quiser falar, estamos aqui, tudo no seu tempo. Tá? — falava calmo e pausadamente com uma mão em seu joelho, fazia que sim com a cabeça enquanto tomava água.
Eu estava de pé abraçado com esperando que ela falasse, nós dois estávamos apreensivos.
conseguiu parar de chorar depois de um tempo e se levantou, seguida por que a abraçou lhe dando apoio.
— Ethan é meu irmão! Meio irmão, seu pai é meu pai.



Capítulo 10


*Flashback ON*

— Boa tarde, — Aquele senhor sorriu para mim com um anseio que era perceptível.
— Boa tarde —Sorri amarelo para ele, então direcionei meu olhar para Ethan lhe perguntando o que estava ocorrendo ali naquele momento.
— Então, ele quer te contar uma coisa — Ethan apontou na direção daquele senhor com a cabeça, que o olhou um pouco nervoso.
— Tá ok, dá pra vocês falarem logo? Eu tô ficando nervosa, e para ser sincera não estou gostando nem um pouco disso. — Sorri um pouco cínica ao finalizar a frase.
— E-e-eu — Ele falava enquanto gaguejava, e eu só ia ficando cada vez mais nervosa.
— Eu sou seu pai. — Ele soltou, depois de uma cutucada de Ethan em suas costelas.
Eu comecei a rir desesperadamente, estava muito nervosa e também não estava acreditando em nada daquilo, minha cabeça começou a rodar, minha respiração começou a faltar, o espaço começou a ficar pequeno demais, meus olhos começaram a se encher de lágrimas que eu não permitia cair fazendo com que minha visão ficasse turva, e a única coisa que eu consegui fazer foi cair sentada naquela grama que, apesar de estar desconfortável e me pinicando, eu não conseguia encontrar forças para me levantar.
— Não, não, não — Eu ria incessantemente.
— Desculpe — Ele dizia vindo em minha direção, enquanto eu me arrastava para longe dele, eu não queria que ele me tocasse.
— Eu não queria que você soubesse dessa forma, eu falei para o Ethan — Naquele momento em que eu ouvi o nome Ethan eu não ouvi mais nada que aquele senhor que se dizia meu pai estava falando, eu apenas olhava para Ethan com raiva nos olhos, aqueles que continuavam lacrimejando sem parar, e os dele que também olhava em direção aos meus, pedindo desculpas.
— Você, você mandava cartas para mim, eu nunca respondi, porque eu nunca quis saber quem era você, o que te faz pensar que agora eu vou querer? E você, Ethan? O que ganha com isso? — Eu ri naquele momento, com escárnio.
— Eu não ganho nada, eu ganho uma irmã..., mas esse não é o mais importante no momento, eu queria que vocês se conhecessem, que você soubesse o que está acontecendo, o porquê de termos mudado e você precisa saber. — Ele dizia sério.
— MAS EU NÃO QUERO SABER — Naquele momento eu perdi a linha e gritei fazendo com que as pessoas que estavam ao nosso redor olhassem em nossa direção assustados, desconfiados e curiosos.
— Só escuta, por favor, é só isso que eu peço e então você pode ir embora. Tá? — Ethan dizia enquanto colocava as mãos em meus ombros me acalmando, eu apenas fiz que sim com a cabeça.
— No início eu te mandei cartas sim, mas como você nunca me respondeu, depois de dois anos eu parei. — Ele dizia desolado .
— Eu continuei recebendo, com o mesmo endereço nelas.
— Mas não era eu, e quando você deixar eu terminar, você vai entender tudo. — Ele fez que sim com a cabeça e eu apenas gesticulei para que ele continuasse.
— Então, depois desses dois anos, quando eu finalmente desisti de te mandar cartas eu recebi uma de sua mãe, da qual eu nunca abri para saber o conteúdo dela, porque a sua mãe até os 20 anos era uma moça linda, amável, feliz com a vida e então ela começou a mudar completamente depois de você nascer, e eu não queria trazer nada para o meu casamento naquele momento, que a sua mãe acabasse com a minha vida mais uma vez. — Ele secou a lágrima que ousou cair de seus olhos depois de tanto lutar contra elas.
— Depressão pós-parto. — Eu disse convicta o fazendo concordar com a cabeça.
— Mas a dela foi muito além, ela tentava te machucar ao máximo, e um certo dia eu voltei do trabalho e ela havia te deixado na banheira, sozinha, com a água subindo cada vez mais, se eu não tivesse chegado no momento certo, você teria morrido. — Ele parou para respirar e coçou a cabeça. — Nós brigamos feio naquela noite e daquele dia em diante ela nunca mais te fez mal nenhum, não na minha presença, eu trabalhava demais então só chegava à noite — Era perceptível a culpa que ele carregava, estava presente em seus olhos. — Quando você tinha cinco anos, não sei se você lembra que você pegou um perfume dela e acabou o quebrando. — Eu fiz que não com a cabeça, eu realmente não lembrava. — Ela perdeu a cabeça e começou a te bater, com raiva, sem pudor. Quando eu cheguei em casa, você estava abaixada no canto de seu quarto, chorando e com machucados em seus bracinhos. — Naquele momento ele começou a chorar desesperadamente e eu apenas arregalei os olhos. — Eu fui até a sua mãe e nós tivemos outra briga feia, tão feia que a fez sair de casa, ela dizia que não conseguia mais ficar ali, que qualquer coisa que você fazia a irritava e que ela não poderia mais te machucar, então pegou as suas coisas e foi embora, deixando um homem, pai de primeira viagem com uma pequenina linda sem saber o que fazer. No dia seguinte, você acordou perguntando onde estava sua mamãe, e eu não sabia o que te dizer, te dei um beijo na cabeça e sai de casa para o trabalho, chegando lá, eu fui demitido, e não teria renda para cuidar de você, eu não queria que você estivesse nunca em uma situação horrível, eu fiquei perdido também e então fiz o que fiz. — Abri a boca para dizer algo, mas nada saiu. — Eu sei que isso não é desculpa, mas eu só queria o seu bem, que você fosse feliz, que alguém te desse o que eu não poderia te dar, e o amor verdadeiro de uma mãe. — Ele acariciou meus cabelos e eu chorava sem parar. — Alguns meses atrás, ela entrou em contato comigo por meio de outra carta onde disse que precisava que eu ficasse mais perto de você caso algo lhe acontecesse, ela nunca me disse o motivo, nem disse mais nada, onde ela estava, o que estava fazendo, então eu não levei em consideração, depois de tudo que eu havia passado com ela, pensei que fosse só mais um dos seus momentos. — Ele fez que não com a cabeça. — Então eu recebi outra carta há pouco tempo, esta dizia que eu deveria vir para cá, que armariam para eu poder pegar o lugar do delegado, se não algo horrível iria acontecer com você. No início eu ignorei tudo, achei que fosse um trote. Ethan certo dia encontrou as duas cartas, me fez explicar tudo para ele, e ele me ajudou a contar tudo a minha mulher, depois de algumas brigas nós viemos, eu não podia cometer o mesmo erro de anos atrás, eu não podia te deixar sozinha, insegura... mais uma vez. Por favor, me perdoa. — Ele suplicava, e eu não tinha reação então apenas corri, corri para onde eu me sentia segura, corri para minha família.

*Flashback OFF*

— E foi isso — Eu já soluçava de tanto chorar, nos braços da , com um copo de água na mão do qual havia buscado para mim, e um com uma mão no meu joelho com um olhar indecifrável. — O que você vai fazer? — me perguntou, e eu como uma criança, sai correndo de lá para o meu quarto, eu não queria lidar com aquilo naquele momento.

POV.

Eu estava em meus próprios pensamentos, tentando ligar os pontinhos dessa história, porque queriam que ele fosse o delegado, nada daquilo fazia sentido na minha cabeça, quando eu ouvi a voz de .
— Eu vou até lá. — Ela já estava se levantando, quando eu a impedi.
— Deixe-a, ela precisa de um tempo agora, sozinha. — Se eu estava desconsolado, imagina ela.
— O está certo, amor, vamos só esperar. — deu um sorrisinho para , que a abraçou de lado e ficou com ela daquele jeito por um tempo, até que os dois impacientes decidiram ir ao mercado comprar algumas besteiras caso quisesse quando resolvesse sair de seu quarto.
Eu já não aguentava mais aquele silêncio da , estava nervoso, então resolvi ir até o seu quarto. Bati em sua porta algumas vezes e não obtive resposta, nem mesmo um suspiro, então resolvi voltar para sala, porém quando eu me virei para ir embora, ela abriu a porta, e eu não tive outra atitude se não ir até ela lhe dar um beijo, de início foi reciproco então eu senti meu corpo sendo empurrado.

POV.

Estava tudo uma confusão na minha cabeça, aquela história, o porquê de alguém querer que aquele homem viesse para cá, eu não entendia mais nada, e eu apesar de tudo não conseguia ficar brava com ele. Eu o entendia, porque eu faria a mesma coisa com um filho do qual eu não tivesse condições de cuidar, de dar o amor e o carinho que merecesse.
Eu não iria ser hipócrita, eu só fugi porque estava confusa, foi muita informação, tudo o que está acontecendo comigo, eu queria entender desde quando minha vida tinha se tornado um filme de suspense. Foi quando ouvi batidas em minha porta, eu estava cansada demais para me levantar, mas as batidas continuavam, eu pensei que fosse , preocupada, que teria colocado os meninos para fora para nós duas pudermos conversar já que ela era quem esteve comigo desde o início, mas quando abri a porta, fui surpreendida com um beijo, um beijo doce e carinhoso, um beijo cuidadoso, quente, que me fez retribuir, eu sentia nossos corpos colados pedindo um pelo outros, sua mão em minha cintura me pressionando cada vez mais para ele, enquanto as minhas mãos percorriam o caminho de sua nuca e cabelos, nossa respiração que, apesar de tão singular, estava em sincronia, ambas aceleradas assim como as batidas do nosso coração, eu podia sentir o dele acelerado também, eu queria mais, mais daquela sensação, mais daquele beijo, mais dele e foi então que cai em mim.
Abri os olhos e o empurrei, empurrei , minha vida já estava muito complicada eu não precisava de mais.
— O que você está fazendo? — Meu tom de voz saiu calmo, calmo demais até.
— Eu, eu não sei, eu agi impulsivamente, me desculpa. — Ele falava rápido demais, com uma das mãos em sua nuca. — Eu não devia ter feito isso, me desculpa. — Ele disse olhando em meus olhos.
— Eu queria te acudir. — Ele dizia apreensivo enquanto fechava os olhos com força e balançava a cabeça negativamente.
— Você podia ter me dado um abraço. — Eu ri sem graça.
— Eu sei, eu... desculpa. — Eu conseguia sentir em sua voz o desconforto.
— Tudo bem, eu não vou dizer que odiei. — E sorri sincera, seguida por ele.
— Você está bem? — Ele perguntou receoso.
— Não. — Dei uma risada anasalada. — Sabe, eu agora entendi tudo. — Então eu o abracei, abracei com toda força que ainda me restava, ele me abraçou de volta, com a força certa, e então eu desabei, coloquei minha cabeça em seu ombro e chorei, enquanto eu tentava formular palavras para me explicar.

POV.

Eu estava feliz e triste ao mesmo tempo, eu sabia que ela tinha sentido o que eu tinha sentido naquele beijo, mas ao ver o quão vulnerável ela estava me derrubou, ela nunca foi essa pessoa, que demonstrava sua dor, e olhando para ela ali naquele abraço enquanto eu acariciava seus cabelos eu podia dizer com toda certeza que toda a dor que ela havia carregado consigo todos esses anos estava sendo botada para fora, dessa vez não por palavras, mas sim da forma certa, da forma que tiraria das costas dela todo o peso da palavra ABANDONO.
Ela começou a dizer coisas, coisas inaudíveis, sua voz saia abafada por estar com a cabeça enfiada entre meu pescoço e ombro e eu podia sentir o seu choro quente molhando minha blusa.
— Você não precisa falar disso agora, eu só queria me certificar de como você estava. — Eu dizia enquanto acariciava os seus cabelos.
— Eu quero — Ela olhou para mim com aqueles olhos vermelhos e cheios de lágrimas.
— Eu entendi tudo, os motivos dos dois me deixaram, e eu não posso nem ficar brava com eles, porque eu faria a mesma coisa. — Ela falava entre soluços.
— Você não precisa ficar nervosa com eles, os dois te amam, por isso eles fizeram o que fizeram.
— Eu sei, e eles ainda cuidam de mim. — Ela sorriu e então seu semblante ficou sério. — Eu só não entendo, o que querem com ele na polícia, e porque me ameaçar. — Ela fazia que não com a cabeça.
— Eu não sei, pequena, mas se você quiser, a gente pode descobrir tudo isso juntos. — Eu sorri sincero.
Eu mal sabia onde eu estava me metendo naquele momento, onde ela estava se metendo, onde nós estávamos nos metendo, ah, se eu soubesse, se nós soubéssemos.



Capítulo 11


Assim que terminou sua frase eu sorri, foi um sorriso verdadeiro, eu queria descobrir o que estava acontecendo e se ele não se oferecesse para me ajudar eu iria fazer sozinha.
— Oi, gente — apareceu com sorrindo amarelo, perguntando através de seu olhar se estava atrapalhando algo. Eu apenas sorri e fui em direção de ambos e os abracei.
— Obrigada aos dois, por serem tão compreensivos comigo e estarem ao meu lado sempre, eu sei que está tudo muito estranho, mas vai tudo voltar ao normal. Eu prometo. — Os soltei e sorri para eles.
— Não tem que agradecer não, , quando se é amigo, você está sujeito a tudo. — sorriu compreensivo.
— A gente está aqui para qualquer coisa. — Foi a vez de de falar, e me abraçou logo em seguida. Eu só podia agradecer por ter cada um deles ao meu lado, eu não sei o que eu fiz para merecer amigos tão leais. Soltei-me do abraço de e sorri para cada um deles com orgulho de agradecimento em meus olhos e no meu sorriso.
— Nós vamos embora agora, vamos deixar vocês duas terem uma noite de garotas. — disse rindo.
— Vamos, . — apontou com a cabeça para as escadas que davam na sala e consequentemente para a porta de saída.
— Vamos sim... , posso só falar mais uma coisa com a sozinho? Por favor. — sorriu amarelo para que deu um sorrisinho complacente e cheio de malicia, como quem sabia o que ele queria falar comigo.
— Claro, , nós vamos te esperar lá embaixo. Né, amor? — disse sorrindo para , que apenas acenou um sim com a cabeça, e então os dois desceram e nós deixaram lá, sozinhos.
— Eu... você, vai contar para ? Sobre nós irmos atrás de quem está por trás disso tudo? — Eu dei risada no momento em que terminou sua frase toda desajeitada e quase sem sentido.
— Não, isso vai ser segredo nosso. Se eu falar algo para ela sobre isso, ela vai tentar me impedir, nos impedir. — Sorri inclinando minha cabeça para o lado e fez que sim com a cabeça, contente com a minha resposta.
— Eu também não direi nada ao , ele faria o mesmo que . — Ele sorriu e pegou minha mão direita acariciando-a, ele nem ao menos tinha percebido seu gesto, apesar de eu ter levado um leve susto, não estava esperando por aquele toque que despertou sensações diversas em mim após nosso beijo. Então olhei para minha mão, a mesma que segurava fazendo carinho em sua base e o olhei, ele percebeu naquele momento o que tinha feito, apenas porque seguiu meu olhar com os seus e a soltou, como se tivesse levado um choque com o contato.
— Não precisava ter soltado. — O olhei com a cabeça inclinada e um sorriso nos lábios, e peguei a mão dele, fazendo o mesmo que ele havia feito comigo, o fazendo sorrir.
— O que estamos fazendo? — me perguntou, olhando fixamente em meus olhos, poderia dizer que havia certa seriedade em seu olhar.
— Aproveitando o momento. — Coloquei minha mão em seu rosto fazendo um carinho em sua bochecha enquanto ele fechava os olhos ao sentir meu toque em sua pele. Eu fiquei nas pontas dos pés e lhe dei um selinho, juntei nossos lábios fazendo uma pressão perfeita sendo retribuída por ele, que ao sentir descansou sua mão em minha cintura, ali não havia nenhuma pressa, só carinho. Descolei nossos lábios, mas fiquei apoiada em seu corpo olhando em seus olhos.
— Amanhã me encontra na saída da aula, vou te levar em um lugar para a gente começar a pesquisar tudo isso, tá? — Ele sorriu para mim, eu apenas acenei que sim com a cabeça.
Ele estava indo em direção a escada quando eu segurei o seu braço, o fazendo olhar para mim novamente.
— A gente pode deixar isso que aconteceu aqui, entre nós, por enquanto? — Fazia a pergunta enquanto gesticulava para mim e ele, que apenas fez que sim com a cabeça, sorriu e desceu as escadas.
Gritei tchau para ambos do topo da escada e voltei para o meu quarto, chegou depois de alguns minutos querendo saber o porquê de o querer falar comigo sozinha e porque demoramos tanto, eu inventei qualquer história para ela, que pareceu acreditar, já que eu não havia chegado tão bem, acho que ela não quis estender o assunto, ela estava me vendo de forma vulnerável fazia meses e suponho que não queria entrar em assuntos que fossem me deixar pior, então não me fez mais nenhuma pergunta, só me consolou e tentou me distrair pelo resto da noite. Quando percebemos que já estava de madrugada, voltou para seu quarto, para pelo menos termos algumas horinhas de sono já que teríamos aula no outro dia de manhã.

Acordei com o despertador e fui fazer minha higiene matinal, o dia estava nublado e garoando um pouco, então coloquei uma calça jeans preta tão colada que até parecia uma legging, uma blusa branca de manga com uma jaqueta preta estilo motoqueiro por cima e uma bota sem salto que vinha até os meus joelhos, passei um pouco de maquiagem para disfarçar uma noite mal dormida e fiz um coque desajeitado, só porque não queria nenhum cabelo tocando meu rosto. Aquele não fazia muito meu estilo, mas estava totalmente de acordo com meu humor e com aquele dia, que não sabia se seria horrível, mas que estava horrível.
Encontrei no andar debaixo, tomei um suco só para não dizer que não tomei nada de manhã, pegamos o carro e fomos para a aula, o caminho inteiro apenas com o barulho da música da rádio de Rock que costumávamos deixar. Encontramos com meu irmão na sala de aula, cumprimentei os dois e sentei, não queria ficar de conversa. Recebi uma mensagem e um frio subiu pela minha espinha, o medo tomou conta do meu corpo, eu sabia que naquele momento eu estava mais branca do que uma folha de papel, olhou para mim com os olhos arregalados querendo saber se eu estava bem, apenas sorri para ela e então peguei meu celular, era um número desconhecido, mas não anônimo, o que já fez meu medo diminuir, ao abrir a mensagem eu soltei todo ar que havia em meus pulmões, só então fui perceber o quanto eu o prendia.
Na mensagem estava escrito: “Oi, , é o Jeremy, você me deu o seu número, mas eu não te passei o meu, então ai está. Ah, e será que você tem algo para hoje? Poderíamos sair. Vê se me responde hein. Beijos.”.
O respondi dizendo que hoje não era possível, mas que no outro dia podíamos ir almoçar se por ele tudo bem, que aceitou rapidamente. Eu não prestei atenção em um A que o professor estava falando, não conseguia me concentrar e estava ansiosa para saber onde me levaria, então a aula acabou, eu sai com , e Ethan, porém, sem falar uma palavra e senti alguém tocar meu braço, era Ethan.
— Podemos conversar? — Ele me perguntou, sem nenhum tom em sua voz e eu fiz careta, não, eu não queria conversar.
— Não, não tô a fim de falar sobre nada, não por enquanto. — Falei de uma vez, sem nem ao menos respirar.
— Tudo bem, quando você estiver preparada me avisa, querendo ou não somos irmãos, e eu to aqui por você. — Ele sorriu e colocou uma mão em meu ombro, acompanhei seu gesto com o olhar e em seguida olhei para ele e sorri em agradecimento, não que eu estivesse agradecida, mas o fiz mesmo assim, meus pais adotivos sempre me ensinaram a ser educada e era isso que eu estava fazendo, porque sinceramente, eu não estava nem um pouco feliz e agradecida, não fazia ideia porque, mas Ethan ainda me incomodava, seu jeito ainda era estranho para mim, independente de sermos irmãos.
— Vamos, ? — apareceu do meu lado colocando a mão em minha cintura e olhando feio para Ethan. O olhei e acenei com a cabeça, dei tchau para Ethan e quando estávamos saindo fomos interrompidos.
— Aonde vocês vão? — perguntou rápido.
— Uhm... — Eu não sabia o que falar, então olhei para o .
— Vou levar ela ao médico. — Ele falou tão rápido e eu queria tanto dar risada, porque ELE me levaria ao médico?
— Eu não queria falar nada, nem deixar preocupada, sabe? Então pedi para ele me levar. Você não se incomoda, né ? — Sorri amarelo.
— Claro que não. Mas está tudo bem? — Ela me olhava preocupada.
— Sim, só rotina. — Sorri.
— Aqui a chave do nosso carro, . — Estiquei meu braço para lhe entregar a chave, sorri e sai com .
Entramos no carro e seguimos um caminho que eu não conhecia, não fazia ideia de onde ele estava me levando, mas eu confiava nele e então cochilei, quando acordei ainda estávamos andando, fazia mais de uma hora que estávamos no carro.
— Olá, bela adormecida. — falou com um sorriso lindo no rosto e olhando de relance para mim para não tirar os olhos da estrada.
— Não dormi direito à noite, fiquei até sei lá que horas da madrugada com , desculpa por ser uma péssima companhia. — Falava enquanto coçava os olhos.
— Tudo bem, foi ótimo ver você babando e roncando. — Ele ria com gosto.
— Como se você nunca tivesse me visto dormir né? Da próxima vez, eu babo em você. — Mostrei a língua para ele, que me olhou rapidamente e fez cara de nojo. — Faz cara de nojo não, que ontem quando você me beijou você não teve nojo. — Olhei para ele com cara de quem havia vencido e ele deu uma risada tão deliciosa que até fechou os olhos e jogou sua cabeça para trás rapidamente.
— Eu só não te beijo agora de novo porque tô ocupado, sabe como é né? Alguém tem que dirigir enquanto outros dormem. — Ele falava com animação em sua voz.
Eu sorri, soltei meu cinto de segurança e me aproximei dele, lhe dei um beijo na bochecha e encostei minha cabeça em seu ombro, enquanto ele colocava uma de suas mãos em minha perna, olhou rápido para baixo para ver meu rosto descansando em seu ombro e sorriu para mim e voltou a olhar para a estrada.
— Vai demorar?— Fiz um bico de criança mimada.
— Não, estamos perto já. — Ele tirou sua mão de minha perna para trocar a marcha e depois de mais umas duas ruas, nós chegamos.
Era uma casa com o portão pequeno, tocou a campainha e uma câmera virou em nossa direção, em seguida o portão abriu para nós, que ao entrarmos caia em um corredor apertado e comprido. ia na frente, enquanto eu ia atrás agarrada em seu braço, chegamos em outra porta, que já estava aberta e quando entramos era uma sala, cheia de computadores em um lado, com uma cadeira em frente aos computadores e atrás dessa cadeira havia um sofá vermelho. A sala em si era branca, não havia nada nas paredes nem ao menos uma janela, atrás dos computadores havia outra porta, mas estava fechada, ela abriu por uns segundo para sair uma menina de lá. Ela era baixinha, tinha os cabelos negros curtos os olhos claros com lápis de olho borrado, vários piercings, vestida de preto, porém com um sorriso aconchegante nos lábios.
, cara, quanto tempo, por onde você estava? — Ela veio rapidamente dar um abraço em , ela ficava nas pontas dos pés, enquanto ele se abaixava um pouco para lhe retribuir o abraço. Eu não sei quando foi que aconteceu, mas eu estava com um sorriso nos lábios ao ver aquela cena.
— E ai, Abby, bota tempo nisso, tampinha. — Ele falava com um sorriso nos lábios enquanto bagunçava seus cabelos.
— Bom, podemos ver que você continua o mesmo insuportável de sempre. — Ela dava risada e então apontou para mim com a cabeça.
— Ah nossa, desculpa . Essa é minha prima, Abby, Abby essa é minha amiga . — Ele me puxou pela cintura e eu sorri e acenei para ela.
— Prazer, Abby. — Sorri e me inclinei assim como ela para lhe dar um beijo em seu rosto.
— Prazer, . Deixa eu te perguntar, como você o aguenta? — Ela faz uma careta e fez todos nós rirmos.
— Ótima pergunta. — Segui sua careta e sorri, sendo beliscada na cintura por ele, o olhei com olhar reprovador e ele me deu um selinho rápido. O olhei assustada, não esperava aquele gesto, principalmente na frente da prima dele.
— Tá tudo bem, , eu percebi assim que vocês chegaram que havia mais que amizade ai. — Abby disse com um sorriso no rosto. — Então, o que eu posso fazer por vocês? — Abby falava enquanto se direcionava para os computadores.
— Então, a recebeu umas mensagens e eu queria saber se você podia rastrear pra mim. — dizia seguindo Abby e me puxando pela mão.
— Claro, dá o celular. — Abby estendeu a mão em nossa direção, eu rapidamente tirei o celular do bolso e lhe entreguei, já sem a senha.
Ela conectou com um cabo USB no computador e digitou algumas coisas fazendo a tela de início aparecer, entrou nas mensagens e a primeira era de Jeremy, o que fez olhar de relance para mim não tão satisfeito, e eu apenas fingi que não havia visto ele me olhar e que aquilo não havia me incomodado.
— Essas mensagens anônimas, certo? — Abby perguntou e eu disse que sim. — Só para deixar claro, né. — Abby sorriu e eu fiz que sim com a cabeça. — Acho melhor vocês se sentarem isso aqui pode demorar um pouco. — Ela apontou para o sofá.
Eu e fomos em direção ao sofá e ficamos ali aninhados, como um casal, apenas observando os dedos ágeis de Abby, enquanto nossa mão estava entrelaçada e nos brincávamos com nossos dedos, vez ou outra dando risada da confusão que fazíamos com nossos dedos, Abby nem ao menos se distraia com nossas risadas. Depois de uma hora mais ou menos Abby fez um sinal com as mãos para que fossemos para o seu lado e assim fizemos.
— Então, eu consegui achar o endereço de onde foi enviada a mensagem, depois de muito custo, porque haviam vários bloqueios para eu não conseguir encontrar, a pessoa que fez isso sabe muito de computador. Mas eu consegui quebrar todos e o endereço é esse aqui. — Ela apontou para a tela, e eu fiquei boquiaberta, juntamente de .
— Isso não é possível, Abby, tem certeza que é esse? — Perguntei receosa e ela fez que sim com a cabeça.
— Por quê? — Ela perguntou juntando as sobrancelhas.
— Esse é o endereço da . — falou olhando do computador para mim que estava intacta olhando para o meu endereço.



Capítulo 12


Eu olhei para ele, que me encarava juntamente com Abby, eu abria a boca diversas vezes tentando formular frases para poder explicar aquilo, mas eu mesma não sabia o porquê.
— Abby, é possível que esse endereço não seja da pessoa?
— Não, , haviam vários bloqueios antes do IP original, e o original foi esse. — Ela apontava para a tela, em direção ao endereço.
— Ah, entendi. Obrigada — Eu sorri para ela verdadeiramente, mas no fundo eu estava receosa, criando cada vez mais perguntas, perguntas estas que pareciam não haver respostas. Eu fiquei pensando se quanto mais eu cavasse essa história mais perguntas iriam me aparecer das quais eu poderia nunca chegar a uma resposta plausível, porém, esta era a primeira vez e a primeira coisa que eu havia ido atrás, então como eu poderia saber? Existem sempre duas histórias, duas saídas, duas ou três ou mais coisas para tudo.
Eu estava em meus devaneios quando dei um pulo inconscientemente ao sentir o contato da mão quente de em meu ombro frio, o olhei assustada por um segundo e em seguida sorri sofrida para ele, que quebrou o silêncio que estava no ambiente, pelo menos para mim que estava em pensamentos tão profundos que estava ignorando o mundo ao meu redor.
, esse é apenas o endereço, não tem o número do seu apartamento. — disse entortando a boca.
— Isso não me deixou muito tranquila, sabe? Então quer dizer que essa pessoa está mais perto do que eu imagino. — Sorri irônica para ele.
— Ou pode ter ido até lá apenas para te mandar uma mensagem e te deixar assustada. Provavelmente ela sabia que você ia atrás. — Ele dizia com bastante convicção. — E só para constar, eu sabia o que você estava pensando. — disse com uma feição brincalhona.
— Ah, claro. Me diz então. — Disse desafiando-o, com a fisionomia séria e uma sobrancelha arqueada.
— Se você vai além nessa história ou não. — Ele me fez uma cara engraçada, se vangloriando no momento em que eu abri a boca perplexa com o que ele disse, pois era exatamente isso que eu estava pensando.
— Como você sabia? — Eu inclinei um pouco a cabeça para o lado direito lhe dando um sorrisinho.
— Eu te conheço, pequena, você acha que não, mas eu conheço. — Ele passava a mão em meus cabelos, enquanto falava com um sorriso aparente e me dando uma piscadela no final de sua frase, me fazendo sorrir e balançar a cabeça negativamente. baixou sua mão direita dos meus cabelos até os meus ombros e me puxou para me aconchegar em meio a seus braços e peitoral fortes, eu passei meus braços por ele, entrelaçando-os em suas costas. Encostei minha cabeça entre seus ombros e pescoço, o qual estava muito cheiroso me deixando embriagada com aquele cheiro delicioso, indo novamente para um mundo só meu, enquanto ele passava suas mãos pelas minhas costas fazendo um carinho prazeroso.
Desencostei minha cabeça que estava entre seu pescoço e ombro e lhe olhei nos olhos, dando um sorriso sem mostrar os dentes, deixando a minha boca apenas em uma linha, fiquei nas pontas dos pés e lhe dei um selinho, era incrível a nossa conexão e a pressão que ele aplicava em meus lábios era perfeita, ele também me apertava cada vez mais para si, entre nosso selinho eu dei um sorriso e abri meus olhos, em seguida ele fez o mesmo e nós nos afastamos um pouco, apenas para ficar com as nossas testas encostadas enquanto olhávamos profundamente nos olhos um do outro que mesmo que quiséssemos negar estava transbordando sentimentos. Nem parecia que a Abby estava no ambiente conosco, ela não fazia nenhum barulho nos deixando perfeitamente à vontade.
Eu sorri desajeitada por me lembrar de que Abby estava lá e então me virei para ela, sem me desencostar de , fiquei encostada em seu peitoral forte e esculpido que estava perfeitamente demarcado pela blusa que usava, com a cabeça encostada entre seu ombro e pescoço, enquanto estava abraçado comigo, por trás, seus braços grandes e fortes apertavam-me para mais próximo dele enquanto sua mão direita segurada minha cintura e a sua mão esquerda segurava seu braço direito. — Desculpe por essa demonstração inusitada de carinho. — Ri logo em seguida, fazendo e Abby me acompanhar.
— Vocês são fofos juntos. — Abby me deu um sorriso sincero e eu podia sentir a sinceridade em sua voz e em seu olhar.
— Eu sempre disse para ela que nós seríamos um casal! — disse animado e próximo demais de meu ouvido, me fazendo arrepiar com aquele ato. Arrepio este que não foi despercebido por ele, que deu um sorrisinho sacana me fazendo revirar os olhos e olhar para baixo ao sentir sua mão ser retirada de minha cintura, pois o mesmo levantou seu braço direito até o lado esquerdo de meu pescoço, retirando delicadamente o pouco de cabelo que havia ali, deixando o caminho totalmente livre para ele. Que então depositou um beijo quente com a pressão perfeita me fazendo fechar os olhos com força para não demostrar tanta fraqueza por aquele beijo naquele ponto tão delicado o fazendo sorrir sem retirar a boca dali, me fazendo sentir seus dentes um pouco gelados no local. Então eu me afastei um pouco, porque beijo no pescoço é covardia né, porém sem muito sucesso já que ele é bem mais forte do que eu e me puxou de volta, colidindo nossos corpos de uma forma até que gostosa, pela força que ele usou para me puxar.
— Você não vai sair daqui não. — Ele falou baixo no pé do meu ouvido, me fazendo novamente revirar meus olhos, ele estava jogando um jogo comigo, mas eu sou ótima em jogos, então eu comecei a preparar a minha vingança ali mesmo.
— Do que nós estávamos falando mesmo, Abby? Antes de sermos interrompidas por esse ogro ignorante? — Dei um sorrisinho amarelo olhando para ele de perfil pelo lado esquerdo, já que o mesmo estava atrás de mim.
— Só que vocês são fofos. — Ela sorriu sincera novamente.
— Obrigada. — Eu agradeci um pouco vermelha de vergonha.
— Abby, se caso precisarmos de novo de sua ajuda? — Ela quase não me deixou finalizar a frase e já estava respondendo.
— Eu tô disposta a ajudar vocês. Fiquem tranquilos. Podem vir quando quiserem o horário que quiserem, é só avisar. — Ela nos deu uma piscadela.
— Obrigada, de verdade. — Dessa vez eu me desencostei de verdade de para ir até Abby lhe dar um abraço, como ele percebeu o meu gesto não me impediu, fazendo o mesmo, nos deixando em um abraço de grupo meio desengonçado nós fazendo dar risada, dei um beijo na bochecha de Abby e lhe dei tchau, seguida de .
— Falou, priminha, a gente se vê por ai. — bagunçou o topo da cabeça dela, mas pelo seu cabelo já ser curto ficou tudo bagunçando, fazendo-a bufar e arrumar assim que ele retirou as mãos.
— Foi tarde. — Ela sorriu irônica e lhe mostrou a língua fazendo rir e fazer o mesmo.
— Vocês parecem duas crianças — Eu dizia com um sorriso em meus lábios, enquanto puxava pela mão naquele corredor estreito em direção a saída.
— É porque quando estamos juntos é exatamente isso que viramos. — Ele sorriu para mim. — Eu não sou muito próximo das pessoas da minha família, mas da Abby é outra história, ela sempre esteve comigo quando eu precisei, sempre cuidamos um do outro. — Ele sorria sincero me fazendo retribuir seu sorriso.
Nós chegamos no final do corredor e saímos, o portão era automático então fechou sozinho, eu parei em frente ao portão, olhei para ainda com um sorriso nos lábios, levantei meu braço direito em direção a seu rosto, lhe fiz um carinho na bochecha em seguida descansando minha mão ali e me aproximei para lhe dar um selinho, que foi seguido por um beijo, um beijo necessitado, não estava rápido, estava lento, do jeito perfeito, porém, pareciam décadas desde nosso último beijo.
Eu segui minha mão que estava em sua bochecha para seu pescoço, fazendo um carinho ali, sentindo ele entrelaçar seus braços em minha cintura e me encostar no portão com força e me puxar para si, com necessidade de ter nossos corpos cada vez mais próximos, mesmo não havendo mais espaço nenhum ali.
Subi meu braço esquerdo para seu pescoço também e enquanto eu fazia carinho em seu pescoço, com alguns arranhões, eu com a mão esquerda puxava seus cabelos delicadamente, o que o fez dar um pequeno e baixo gemido e separando nossas bocas indo em direção ao meu pescoço. Eu levantei a cabeça ainda com os olhos fechados, coloquei minha mão esquerda dentro de sua blusa, pela gola de sua camisa e quando ele depositou beijos e mordidas naquele pedaço de meu pescoço me fazendo delirar. Eu arranhei suas costas com vontade o fazendo morder com um pouco mais de força e descer sua mão para minha bunda apertando a mesma com uma vontade e pressão incrível, eu mordi a boca quando ele começou a descer seus beijos para o colo de meu peito, eu puxava seus cabelos sem dó com a mão direita enquanto a esquerda continuava em suas costas a arranhando, eu abri os olhos para olhá-lo por um momento enquanto meu peito subia e descia em uma velocidade fora do normal eu percebi que estávamos na rua. O afastei rapidamente sendo reprovada pelo seu olhar fazendo revirar os meus olhos.
— Estamos no meio da rua. — Sussurrei como uma criança que não quer acordar ninguém na casa.
— E daí? — Ele começou a vir em minha direção com cara de safado, sendo parado pela minha mão em frente a seu peitoral.
— Você só pode tá me zoando. — Eu suspirei e quando soltei todo meu ar soltei meu corpo junto. riu de mim e fez que sim com a cabeça.
— Eu me descontrolei, sabe. — Ele me olhou fazendo que não com a cabeça enquanto olhava para mim, demonstrando que a culpa era minha, me fazendo rir.
— Vamos embora, vai. — Eu passei por seu lado e antes de sair totalmente dele, lhe dei alguns tapinhas no ombro.
levantou a cabeça para o céu e passou sua mão direita pelos cabelos, como se sentisse derrotado, deu uma risadinha, meia volta e veio em direção ao carro. Ele entrou e ligou o carro e o rádio, que tocava uma música apenas para não ficar tudo muito silencioso, apesar de gostar do silêncio ele às vezes me incomodava. olhava para a estrada, mas as vezes retirava seu olhar da mesma para olhar para mim, tentando descobrir o que se passava na minha mente, porém eu só estava procurando o momento perfeito para minha pequena vingança. Nós já estávamos na estrada há um tempo, quando decidi iniciar minha vingança, que com aquele momento na rua só deixou mais evidente de que o deixaria louco. Eu ri comigo mesma, o fazendo olhar em minha direção.
— O que foi? — Ele juntou as sobrancelhas, confuso, enquanto alternava seu olhar da estrada para mim.
— Nada. — Eu disse com um tom cínico, levando minha mão direita até seu joelho, o fazendo olhar para baixo e para mim e dar uma risada irônica.
— Já entendi. — Ele revirava os olhos enquanto eu ia subindo minha mão de seu joelho devagar até perto de sua virilha, enquanto me encostava mais para perto dele, e lhe dava um beijo no pescoço, subindo até sua orelha e dando uma mordida bem delicada e sensual, o fazendo respirar fundo.
— É revanche, né? Por causa daquela hora na Abby. — Ele ria tirando um sarro da minha cara, fazendo com que eu voltasse para meu banco e cruzasse os braços como uma criança emburrada. — O que eu posso dizer? Você é bem previsível. — Ele continuava tirando um sarro da minha cara. Eu revirei meus olhos e lhe mostrei o dedo do meio.
— Pelo menos eu atingi meu objetivo, ou você acha que eu não vi você todo arrepiado e se segurando? Até segurar a respiração você segurou, bebê. — Fiz minha melhor cara de quem havia ganhado aquela discussão, o fazendo desviar seu olhar da estrada para mim, bem seriamente e dar um leve sorriso, me fazendo retribuir o mesmo.
— Tá, chega. Deixa eu te perguntar. — No exato momento, em que ele me falou isso meu telefone começou a tocar, me fazendo levantar a mão esquerda com o dedo indicador lhe pedindo um minuto, apenas para atender ao telefone, consegui ver de relance que o mesmo havia bufado e revirado os olhos, irritado.
— Oi, , já estamos voltando, não precisa se preocupar. Não dá pra falar agora, quando chegar à gente conversa. Beijos, te amo. — Falei rapidamente, sem nem ao menos dar chance de uma resposta e desliguei o celular em seguida, olhando para e gesticulando para que o mesmo continuasse o que ele iria falar.
— Você, ahm, vai sair com o Jeremy? — ao finalizar sua pergunta colocou os lábios para dentro, fazendo-os sumir praticamente. Eu dei uma leve risada antes de lhe responder, o deixando ainda mais irritado.
— Ei, não precisa ficar bravo. — Revirei os olhos. — Eu vou, mas não é nada demais. Ele é um amigo. Nem começa a dar um de namorado ciumento não, hein. — O olhei indignada.
— Não é isso. Ele é amigo do Jack, e eu não confio no Jack e você sabe. — Ele dizia sem ao menos mudar uma vírgula de sua expressão, concentrando tudo que estava sentindo ou não, para a estrada.
— Ele ser amigo do Jack não significa nada, . — Levantei os olhos ao mesmo tempo em que negava com a cabeça e dava um leve tapa com a mão direita em minha perna direita, o fazendo olhar para mim rapidamente. Ficamos em silêncio por um pequeno período de tempo depois daquela conversa, ele havia ficado mesmo incomodado. Mas nós não temos nada, e eu não estou indo para ficar com o Jeremy, com segundas intenções, ele é um amigo, como qualquer outro, eu tenho todo o direito de ter e sair com meus amigos e amigas, independente de estar namorando e ninguém nunca mudaria isso em mim. Fui tirada de meus pensamentos quando ele fingiu coçar a garganta, me fazendo olhar para ele, assustada.
— Você poderia dirigir o resto do caminho? — Ele me deu um olhar pidão, me fazendo dar um sorrisinho complacente.
— Claro. Você também precisa descansar. — Eu sorri para ele e levantei meu braço esquerdo levando minha mão até o topo de sua cabeça, lhe fazendo um carinho e descendo a mesma para sua nuca. Ele me olhou carinhoso e encostou o carro no acostamento para que pudéssemos trocar de lugar.
No início ficou com sua mão esquerda segurando minha coxa e me olhando com um sorriso sincero e carinhoso, me fazendo as vezes intercalar entre a estrada e seus olhos e sorrisos. O resto do caminho acabou dormindo e roncando bem alto, me fazendo rir algumas vezes e até gravar seu ronco que mais parecia um motor de caminhão.
Chegamos na minha casa já era 20:00 horas, eu chacoalhei levemente sua perna para avisar que havíamos chegado, ele coçou seus olhos e me olhou com olhar meio perdido e bem fofo por sinal, eu sorri com aquela cena e lhe dei um selinho.
— Acorda, nenê. — Falei entre risadas, deu uma risada nasalada.
— Péssimo acompanhante de viagens, né? — Ele dizia enquanto arrumava meu banco que estava mais abaixado que o normal, pois ele havia abaixado para ficar mais deitado e confortável enquanto dormia no caminho de volta.
— Vamos dizer que nós somos, né. — Eu frisei o nós, pois havia feito o mesmo na ida.
— Vamos sair do carro, vai. — Chacoalhei de leve sua coxa novamente, me virando para minha porta e abrindo a mesma e saindo. Esperei fazer o mesmo e tranquei o carro.
Subirmos até o meu apartamento e da e ao abrirmos a porta estava a mesma com sentada no sofá e quando ela nos viu, nos olhou com muita raiva e cruzou seus braços, eu lhe dei um sorriso amarelo em resposta.
— Finalmente. — Ela apenas pronunciou a palavra, nem ao menos se mexeu.
— Que médico demorado, não? — Foi a vez de falar com um tom de voz não muito receptivo.
— Nós estávamos preocupados. — baixou a guarda, com guarda digo, seu tom de valentona e seus braços cruzados. Eu mordi o lábio e olhei para que também estava sem saída.
— Nós estávamos num encontro. — Eu abaixei a cabeça no meio da frase, e cocei minha testa. Foi à primeira coisa que passou na minha cabeça. ao ouvir o final da frase levantou toda animada na nossa direção batendo palmas, fazendo todos darem risada.
— Por que vocês não falaram antes? — perguntou confuso, vindo em nossa direção.
— Porque estávamos evitando certos comportamentos. — Eu gesticulei com as duas mãos demonstrando o exagero de , que entendeu perfeitamente fazendo um bico e balançando a cabeça como um sim.
— É que eu quis muito que isso acontecesse. — estava visivelmente animada.
— Nós sabemos. — e eu dissemos em uníssono e demos uma risadinha no final.
— Bom, agora nós temos que ir. — deu a dianteira, dando um selinho em e um beijo em minha testa. fez o mesmo, me dando um selinho, que fez a soltar um gritinho super agudo e animado e um beijo no rosto de e foram embora.
— Tá, tô indo dormir. — Eu disse com animação na voz enquanto bati a mão uma na outra e segui em direção as escadas para meu quarto, sendo interrompida por .
— Não vai mesmo, vai me contar tudo. — Ela dizia animada dando pulinhos atrás de mim.
A noite não foi tão longa, pois eu reduzi tudo o que aconteceu para minha amiga, que estava muito emocionada me fazendo rir vez ou outra, quando ela estava completamente satisfeita com tudo ela me deixou dormir tranquilamente.
Acordei no outro dia de manhã no horário normal que meu despertador toca, fiz minha higiene matinal, coloquei uma calça jeans de cintura alta camuflada com um rasgo do lado esquerdo da perna, começando na coxa indo até o joelho, coloquei uma blusa de frio de gola alta e mangas preta e uma timberland. Fiz um coque porque não gosto de gola alta com cabelo solto e fui para o andar de baixo, tomei um café e esperei por .
— Bom dia, amiga. — , como sempre, bem animada de manhã.
— Bom dia. — Sorri sem gosto.
— O que aconteceu? — Ela me perguntou, assustada.
— Nada, só são 6:30 da manhã menina, credo. — Eu lhe mostrei a língua a fazendo rir.
— Toma logo seu café para irmos. — Disse manhosa.
— Só vou tomar um suco, rápido. — Ela abriu o armário da cozinha, pegou um copo enorme e colocou um suco detox nojento, verde.
Além de bem-humorada ela ainda tinha força de vontade para tomar essas coisas nojentas.
— Não precisa me esperar hoje não, tá? Eu vou sair pra almoçar com o Jeremy depois da aula. — me deu um olhar confuso, recebendo em troca um porquê em forma de olhar.
— Você não saiu com o ontem? — Ela estava visivelmente confusa, me fazendo rir.
— Não sou propriedade dele, né? Já disse, Jeremy é um amigo. Não vou ficar com ele, só sair para comer. Deus. — Já estava ficando irritada com aquilo.
— Não tá mais aqui quem falou. — levantou os braços demonstrando rendição.
sabe. — Falei de uma vez para não ter mais julgamentos. — E ele não falou nada. — Sorri vitoriosa.
— Então tá. — Ela dizia enquanto cutucava minhas costelas ouvindo risadas altas e pedidos para que ela parasse.
O dia passou lentamente, por algum motivo estranho não foi a aula aquele dia, me deixando preocupada, disse que ele estava apenas passando mal, que eu não precisava me preocupar, mas eu só me preocupei mais. Pensei em cancelar com Jeremy, mas eu sabia que era apenas um almoço e que não demoraria.
Faltando cinco minutos antes de sairmos, recebi uma mensagem de Jer pedindo para que eu encontrasse com ele na frente dos portões, aquele que encontraram uma menina morta.
Quando eu cheguei lá Jeremy já estava me esperando, me deu um beijo molhado na bochecha e não demoramos indo diretamente ao Freddy’s, um restaurante baratinho que havia perto da faculdade. Fomos o caminho inteiro falando besteiras e rindo, como se fossemos amigos de longa data.
Durante o almoço Jeremy tentou segurar minha mão, porém, eu não me sentia bem com aquele contato e puxei minha mão de volta lhe dando um sorriso rápido e desconfortável, sendo retribuída por ele.
Ao terminarmos de almoçar, Jeremy fez questão de me levar até a porta de casa, fomos o caminho de volta do mesmo jeito que viemos, conversando sobre diversos assuntos e rindo de alguns, eu descobri que Jeremy era filho único, de uma família muito rica, mas que não dedicava seu tempo para seu filho, apenas para o lucro da empresa, que não apoiavam a escolha do curso de Jeremy. Então ele tinha que trabalhar para poder pagar seu curso, ele estava sozinho, sua família só pagaria sua faculdade se ele fizesse contabilidade. Em alguns momentos ele demonstrou muita raiva em seu olhar me deixando amedrontada por tal. Mas nas outras vezes eu sentia certa compaixão por ele e tristeza por ser tão só.
Ele me disse que Jack era o único que havia o acolhido e que eles se conheciam desde crianças, a família de Jack era empregada da família de Jeremy, e os pais de Jer não apoiavam também a amizade de ambos.
Chegando na porta de casa, Jeremy se inclinou para tentar me dar um beijo de despedida, mas eu desviei e lhe parei com a palma da mão direita o olhando com desaprovação de seu ato.
— Eu pensei que você queria. — Ele dizia rapidamente, sem fôlego, nervoso, com o olhar raivoso, enquanto eu ia dando passos para trás.
— Eu to com o . — Falei de uma vez, rapidamente, com medo daquela situação.
Ao ouvir o nome de , Jeremy teve uma reação da qual eu jamais pensaria, ele veio furioso na minha direção, quantos mais passos eu dava para trás, mais passos ele dava para frente, me deixando encurralada em uma parede. Ao ver que eu não tinha mais para onde ir, ele me deu uma risada com escárnio, com o olhar fervendo em ira e deu um soco, um soco que passou de raspão no alto de minha bochecha, em direção à parede. Eu fiquei estática ali, olhando ele ir embora e me dando um último olhar exasperado, ressentido e desprezado.



Capítulo 13


Após voltar a realidade eu me sentei no meio fio, abracei minhas pernas e abaixei minha cabeça a deixando entre minhas pernas e desatei a chorar me perguntando como eu pude ser tão burra e cega. Eu poderia ouvir o que havia me dito, mas não quis, eu me fiz de surda, porque não queria de jeito nenhum acreditar que, por Jack ser uma pessoa ruim, Jeremy também seria. Então deixei o silêncio tomar conta de meus pensamentos enquanto meu choro se fazia cada vez mais presente. Olhei por cima do meu braço direito quando senti uma mão repousar em meu ombro, olhei para cima e vi um Ethan com o olhar questionador, mas ao ver meus olhos vermelhos de tanto chorar a preocupação tomou conta de seu olhar.
— O que houve? — Ethan perguntou enquanto sentava-se ao meu lado no meio fio.
— Jeremy. — Eu falei de uma vez e olhei para a rua com os olhos arregalados.
— O que ele fez? O que aconteceu? — Ethan demonstrava desespero em sua voz.
— Nós saímos para almoçar e ele entendeu tudo errado, chegando aqui na frente ele tentou me dar um beijo, eu neguei e disse que estava com e então ele se descontrolou, socou a parede ao meu lado passando de raspão em meu rosto. — Levantei a mão esquerda em direção ao alto de minha bochecha perto de meu olho ao lembrar do momento em que a mão de Jeremy passou dali para a parede de cimento atrás de mim.
— Vem, vamos subir. Eu te levo para o seu apartamento. — Ethan disse ao passar a sua mão esquerda gentilmente pelas minhas costas até chegar em meu ombro esquerdo depositando um carinho delicado para demonstrar afeição.
— Ta tudo bem. Eu já estou melhor, foi apenas um momento de choque. — Eu sorri sem graça para ele. Apesar de ele estar tentando, não é como se fosse da noite para o dia que eu iria aceitar e amar incondicionalmente um irmão que eu não sabia que existia há quase 20 anos e foi naquele momento em que eu parei de pensar no ocorrido com Jeremy e me toquei de uma outra coisa.
— Ethan, quantos anos você tem? — perguntei, franzindo as sobrancelhas, pegando-o de surpresa o fazendo balançar a cabeça negativamente e levá-la fracamente para trás em confusão.
— Hm, eu tenho 18, por quê? — Ele franziu o cenho.
Eu não o respondi, olhei para as minhas mãos e comecei a fazer as contas, se eu tinha 21 e Ethan 18, e meu pai me deixou quando eu tinha 5 anos, então quer dizer que a minha diferença de idade com Ethan era de 3 anos, fazendo com que meu pai tenha traído minha mãe. E eu ri, ri com escárnio.
— O que tá acontecendo, ? — Ethan demonstrava sua confusão com tudo aquilo.
— Você tem 18 Ethan, eu tenho 21. Meu pai me deixou com 5. O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ ACONTECENDO? — Naquele momento eu comecei a gritar, me descontrolei, eu nem sei por quê. Minha mãe me deixou e nunca apareceu, por que eu estava com tanta raiva? Por que ficava passando na minha cabeça que meu pai me deixou porque tinha outro filho? Outra família.
— Tudo bem. Calma. — Ethan espalmou suas mãos em frente ao seu corpo. — Seu pai. Nosso pai, ele não sabia da minha existência até eu ter 9 anos. Ele traiu a sua mãe sim, mas foi uma única vez, eu só sei a história que minha mãe contou. Uma noite ele tinha brigado com a sua mãe, foi para um bar, bebeu e minha mãe apareceu, eles dormiram juntos, ela engravidou, eles nunca mais se viram. Ela descobriu que estava gravida um mês depois apenas, eles nem tinham mais contato. — Ethan gesticulava enquanto me explicava tudo. — Anos depois eles se encontraram novamente, trocaram contato, depois de uns meses foi que ela contou para ele sobre mim. — Ethan terminou de contar, inclinou a cabeça para o lado direito e coçou o meio de suas sobrancelhas.
Eu me levantei rapidamente sendo seguida por Ethan e segui em direção à entrada do prédio, ao perceber que Ethan me seguia eu me virei para ele o parando com as mãos e o olhando confusa.
— Você vai por ali. — Eu levantei meu braço direito e apontei para a direita.
. — Ele havia feito aquela coisa de inclinar a cabeça e coçar o meio das sobrancelhas novamente.
— Por favor, Ethan. Já tive coisa demais por hoje. — O olhei com piedade, demonstrando meu cansaço e tentando deixá-lo com dó de mim para me deixar sozinha. Ele sorriu fraco, mas verdadeiramente, levantou seu braço direito, colocando sua mão no topo de minha cabeça bagunçando meu cabelo e foi embora, me fazendo soltar todo o ar que havia em meus pulmões, não por estar segurando o ar nem nada, acho que foi mais por alivio de não ter que falar com mais ninguém naquele momento. Fiquei ali olhando-o ir embora, até que sua silhueta sumiu e eu segui em direção ao meu apartamento, me preparando psicologicamente para contar sobre tudo que aconteceu no meu dia para e , já que resolveu não ir a faculdade, dando uma desculpa ridícula e não responde minhas mensagens nem as minhas ligações.
Virei-me para subir as escadas para ir até o apartamento, comecei a subir os degraus lentamente adiando por alguns segundos ou minutos aquele encontro que eu não gostaria de ter. Acho que demorei uns dez minutos para chegar até a porta do apartamento, tempo que eu nunca demoraria em circunstâncias normais. Cheguei à porta do apartamento e encostei meu braço direito dobrado na mesma, inclinei a cabeça e a apoiei em meu braço, fechei meus olhos, respirei fundo e então entrei. me conhecia tão bem que ao me ver entrando por aquela porta ela arregalou os olhos, e se levantou rapidamente vindo em minha direção. Aquela cena já estava tão batida, acontecia quase toda semana aparentemente, e ao ter aquele pensamento, eu revirei os olhos involuntariamente, assim como larguei meu corpo demonstrando pela primeira vez todo o meu cansaço por tudo que estava acontecendo.
A movimentação de até mim parecia estar em câmera lenta, então eu notei que não estava lá, onde estava ? Por que nenhum dos meninos pareciam presentes naquele dia insuportável?
— Cadê o ? — Perguntei perplexa assim que senti me amparar em seus braços, levando ambos por minha cabeça e segurando-os por trás dela e inconscientemente eu levei meus braços por suas costas e a abracei.
mandou uma mensagem para ele, dizendo que era urgente e então ele foi, né? — Ela disse ao me soltar e olhar profundamente em meus olhos. Eu não falei nada, apenas fiz um barulho estranho sair pelo meu nariz.
— O que aconteceu com você? Por que você estava chorando? Foi o Jeremy? — falava descontrolada, nem respirava entre uma pergunta e outra.
, respira, por favor. — Eu dei uma risada ao ver o estado dela fazendo-a assentir. Apesar de todo o acontecido ela me fazia rir sem nem ao menos tentar, e era exatamente isso que eu amava nela. Ela conseguia me fazer sentir bem apenas com um abraço.
Nós fomos em direção ao sofá e nos sentamos no mesmo para ficarmos mais confortáveis e para não cair para trás depois de tudo que eu iria lhe contar. Eu lhe disse detalhadamente tudo o que havia acontecido, desde o almoço com Jeremy, até o soco na parede, Ethan, a traição de meu pai e como eu me sentia com tudo aquilo.
— Amiga, o que você vai fazer? — me perguntava entortando a boca.
— Sinceramente? — A olhei com a feição cansada.
— Não, . Minta pra mim. — Ela disse e piscou em minha direção de forma divertida, me fazendo dar uma risada nasalada e lhe mostrar o dedo do meio.
— Eu não sei. Eu estou perdida. Meu pai voltou por conta de uma ameaça relacionada a mim, de brinde consegui um meio-irmão totalmente estranho, esse relacionamento com , talvez, eu não tenho certeza disso, porque depois de dois dias ótimos com ele simplesmente desaparece sem dar explicações, não que ele tenha que dar porque não somos namorados, mas nem ao menos responder uma simples mensagem? Agora que eu sei que ele está ótimo para mandar mensagem para o e não para mim. Nós éramos amigos também. E Jeremy e seu desequilíbrio repentino. O que mais vai acontecer? — Choraminguei para minha amiga, que segurou minhas mãos em demonstração de carinho e de que se ela pudesse faria qualquer coisa para me ajudar, e então eu sorri complacente. Lógico que em minha cabeça ainda se passava as mensagens que pareciam ser de minha mãe, mas que vinha desta exata rua em que eu e moramos, mas como ela não sabia da minha pequena aventura com , eu não podia falar mais essa.
— Amiga, vamos resolver as coisas aos poucos, tá bom? — Ela inclinou a cabeça para frente para eu assentir a ela.
— Seu pai sabe o que está fazendo, ele é delegado, você não tem que se preocupar com nada. — Ela levantou a mão direita fazendo sinal do número um e eu afirmei com a cabeça.
— Ethan só quer ser seu amigo, você é meia-irmã dele, é normal ele querer ter um relacionamento de irmãos. — Então levantou seu dedo do meio fazendo o número dois, eu estava com a cabeça inclinada para esquerda esperando as próximas diretrizes de .
— Daqui a pouco vamos descobrir o que está acontecendo com , então fique calma. — Ela continuava levantando seus dedos em demonstração dos números, estava ficando até engraçado. Ela parecia estar contente por estar no controle de tudo.
— Sobre o Jeremy, a gente pode ir à delegacia denunciar ele se você quiser. — Ela me olhou com pesar nos olhos.
— Não. — Eu falei rapidamente e quase gritando, assustando momentaneamente.
— Eu não quero. Não sei do que ele seria capaz caso eu fizesse isso. — Entortei a boca, abaixei a cabeça olhando para as minhas mãos, das quais eu brincava uma com a outra, eu estava envergonhada. colocou sua mão esquerda em cima das minhas em uma tentativa certeira de fazer eu parar aqueles movimentos e olhá-la.
— Você não tem culpa de nada, você sabe, né? O único que tem culpa aqui é ele. Isso é abuso e intimidação, miga. Você pode muito bem ir a uma delegacia e prestar queixa, isso não é certo. Muitas mulheres não agem assim por se sentirem culpadas, por sentirem medo, e muitas vezes acabam mal, infelizmente. Isso não é brincadeira, . E a justiça está cada vez mais do nosso lado. — tinha razão em tudo que ela falava, tanto que ela dizia com uma convicção incrível.
— Eu não vou fazer nada agora, tá bom? Eu vou ver o que acontece. Vai que ele me deixa em paz, foi apenas um surto. Não sei. — Eu a olhava cansada.
— Esse é o problema, amiga, esperar. Sem provas físicas a polícia não pode fazer nada. Infelizmente, a justiça não está totalmente a nosso favor. Eles só podem tomar uma atitude com uma ameaça “real” — enfatizava a palavra física, e fazia aspas com as mãos no real enquanto falava.
— Você vai esperar até quando? Ele te dar um soco de verdade no meio do rosto ou coisa pior? — A feição de parecia não se modificar, ainda estava calma, porém, sua voz mudou de tom totalmente nesta frase. Continha raiva.
— Credo, menina, lógico que não. — Eu revirei os olhos.
— Eu só não quero mais coisa na minha vida, mais uma complicação. Eu juro por Deus, que se algo acontecer, algo pior, eu vou direto para a delegacia. — Levantei meu dedo mindinho em sua direção para fazermos uma promessa e mostrar que ela era verdadeira.
— Não. Primeiro você fala comigo depois a gente vai à delegacia. — Ela dizia quase que ofendida e soltou uma risada para quebrar o clima no final da frase. Então levantou seu dedo mindinho e fizemos nossa promessa, beijamos o dedão da mão enquanto ainda estávamos com os mindinhos entrelaçados e em seguida cuspimos para o lado, assim finalizando a nossa promessa.
— Isso foi extremamente nojento. — dizia enquanto estava parado de pé ao lado da porta aberta e nós rimos.
— Realmente, , a gente precisa muito mudar esse jeito de promessa, pelo menos tirar essa cuspida. — balançava sua cabeça positivamente.
— Vocês — Apontei na direção de para e vice-versa. — São dois chatos. — Revirei os olhos, os fazendo rir.
veio em nossa direção me deu um beijo em minha cabeça, deu um selinho em e se sentou ao nosso meio.
— Então, . — Sorri maliciosa
— Eca, que foi? O que eu fiz? — dizia enquanto levantava suas duas mãos em rendição.
— Como foi com o ? — Dei um sorriso sem vontade nenhuma
— Porra, rolava os olhos enquanto mudava seu olhar de direção entre e eu .
— Eu não ia deixar minha amiga aflita, você é meu namorado, mas ela é minha melhor amiga. E não foi nada legal o que fez. — Ela deu um olhar de reprovação a e sorriu para mim, mostrando sua estima a mim e nossa amizade, me fazendo retribuir seu sorriso e carinho com um olhar afável.
, quando ele estiver pronto ele vai te mandar mensagem. Ta bom? Ele é meu amigo e eu jurei a ele que não falaria nada por enquanto. — terminou de falar e já emendou sua frase.
— Tá vendo? Você não pode ficar bravo comigo por eu ter falado pra minha melhor amiga que você tinha ido até ele, você não quer contar pra ela o motivo dele ter sumido porque ele é seu melhor amigo. — sorriu vitoriosa e rolava os olhos, pois sabia que havia perdido aquela pequena discussão, enquanto eu estava pensando o que podia ter acontecido, será que ele descobriu alguma coisa sobre o endereço e não quer me falar ainda? Eu não conseguia pensar em mais nada além disso.
Já estava ficando tarde, e eu estava definitivamente sendo uma pessoa a mais ali, uma vela para ser mais especifica, então me levantei sorrateiramente, não queria distrai-los do assunto que eles estavam tendo, porém foi em vão.
— Onde você está indo? — dizia com um ar interrogativo em sua voz.
— Apenas dormir, amanhã temos aula. E eu estou cansada. — Sorri sem mostrar os dentes a ela, porém verdadeiramente, para ela saber que o que eu dizia era genuíno.
— Boa noite. — Ambos disseram juntos me fazendo rir nasalado lhes dar um tchau com a mão e subir para o meu quarto.
Eu estava tão cansada do meu dia, de todos os acontecimentos que estavam ocorrendo em minha vida nos últimos dias, semanas, meses, eu nem conseguia mais acompanhar os dias, nem saber mais há quanto tempo estavam acontecendo tudo, que eu nem conseguia fazer teorias em minha cabeça sobre o motivo de não querer falar agora comigo, de Jeremy ter tido um surto do nada. Eu apenas fechei os meus olhos e em segundos eu não estava mais presente, nem em meus pensamentos, nem em meu corpo.
Eu acordei no outro dia de manhã com o sol batendo em meu rosto, não havia fechado as cortinas, pois eu só queria deitar ontem à noite, tanto que estava com as mesmas roupas, não havia nem me trocado, colocado um pijama, apenas escovei meus dentes e me joguei em meu único lugar de paz. Eu estava sentindo meu corpo como se tivesse passado um caminhão por cima, mas não sabia o porquê. Fui até o banheiro para me preparar para ir para aula e ao me olhar no espelho pude ver a vermelhidão na parte superior da minha bochecha muito mais aparente do que ontem, eu não iria passar maquiagem nenhuma, eu queria que Jeremy visse o que ele foi capaz e do que ele seria capaz, então fiz minha higiene e coloquei uma legging um moletom três vezes maior do que eu, todo colorido, com as cores do arco-íris e uma bota até meu joelho preta e sem salto.
Bati na porta de que não me respondeu, então deduzi que a mesma estava na cozinha ou na sala, fui até lá e a encontrei tomando um daqueles sucos dela. Ela sorriu ao me ver, peguei minha bolsa, minhas chaves e fiz um sinal com a cabeça mostrando a direção da porta para irmos para a faculdade. O caminho não foi longo, porque eu e fomos conversando sobre coisas inúteis o caminho inteiro, ao chegarmos encontramos conversando com Ethan, que me olhou com pesar ao ver meu “machucado”, eu apenas sussurrei tá tudo bem para ele que desfez seu olhar e relaxou seu corpo que estava tencionado até então. Ao meu ver nem ele havia percebido tamanha tensão em seu corpo. Demos bom dia e fomos para a sala de aula, a aula estava insuportável, passando lentamente, eu olhava para o professor, mas meus pensamentos estavam em outra dimensão, tentava entender ainda o porquê de ter sumido, já era o segundo dia que ele não vinha a aula, comecei a cogitar a possibilidade de ele estar mesmo doente, mas por que ele não iria querer falar comigo? Será que ele havia se arrependido de termos ficado? Será que para ele foi tudo um engano e ele não queria mais ficar comigo?
Eu sacudi a minha cabeça afastando todos esses pensamentos de mim e então percebi o que havia feito, eu poderia ter chamado atenção para mim e eu não queria ter que partilhar esses meus pensamentos, olhei em volta e percebi que ninguém havia percebido meus movimentos. Então senti meu celular vibrar dentro da bolsa que eu segurava em meu colo, um ar gélido passava por minha espinha toda vez que eu ouvia o meu celular tocar ou sentia-o vibrar, principalmente quando eu não tinha o número. Na minha cabeça, apesar das mensagens serem anônimas, a pessoa poderia sim cometer um erro e mandá-la com o número real do celular. Mandei meu medo embora e abri a mensagem, eu não havia lido ainda, tinha passado o olho em busca de um nome no final da mesma se identificando e para meu alivio tinha, porém, não era de ninguém que eu esperava, nunca passaria em minha cabeça que Jack me mandaria uma mensagem, ao mesmo tempo em que, eu senti um pequeno alivio ao ver um nome naquela mensagem, também senti um pouco de medo percorrendo meu corpo, a história que havia me contado estava gravada em minha cabeça e sempre que eu ouvia seu nome ou o via aquelas palavras transitavam em minha mente e até formavam imagens, das quais eu não podia me ver livre e além disso, também havia o acontecido de ontem com Jeremy, que querendo ou não eu conectava com o fato de ele ter um laço tão grande com Jack.
Parei novamente de avaliar toda a situação e dar uma chance ao menos de ler e responder a mensagem de Jack. Havia prometido que não deixaria ele saber que nós tínhamos noção de suas ações para nosso próprio bem, então comecei a ler sua mensagem que dizia:

, eu sei que você não tem meu número e que nem somos íntimos para você ter. Sei que você também deve estar pensando como eu consegui o seu, mas também sei que você não vai demorar a descobrir. Fiquei sabendo do que houve ontem, e se tudo bem para você, gostaria de te encontrar após a aula, preciso lhe contar algumas coisas. Não queria escrever nenhum nome aqui, pois imagino que você deve estar com raiva, ou chateada e não gostaria de vê-lo.
Caso aceite, me responda nesse número, é o do meu celular mesmo. Beijos.
Jeremy”.

percebeu minha “ausência” em aula e quando olhei para a frente e aos lados percebi seu olhar pesando em mim, a aula terminou naquele momento, e antes de sairmos da sala ela disse aos meninos que nós nos encontrávamos com eles na saída.
— O que foi? te respondeu? — falava muito animada com a última possibilidade.
— Quem me dera. — Revirei os olhos.
— É o Jack, ele quer me encontrar e conversar comigo, sobre ontem. — Juntei meus lábios com receio, pois sabia que não iria concordar.
— Não. — balançava sua cabeça negativamente
— Você não vai, , você sabe de tudo dele. Não. — Ela continuava balançando sua cabeça em negação, não sei como ela não estava tonta ainda.
— Amiga, eu não pedi sua permissão. Eu só estou te avisando. — Puxei meu lábio inferior para o lado esquerdo ainda demonstrando incerteza. Mas por ela, tinha medo de tudo.
— Eu nunca consigo te persuadir a nada. Você corre perigo e mesmo assim você quer ir. Eu não sei por que você tem esse desejo de estar no perigo. — rolava os olhos enquanto eu abria a boca em espanto.
— Você tá louca? Eu não tenho desejo de estar no perigo, não sei se você percebeu, mas minha vida da noite para o dia se tornou perigosa, eu não tive escolha. Eu vou porque quero saber o motivo, estou te avisando para alguém saber aonde eu vou e com quem eu vou e isso se chama precaução. — Sorri com desdém.
— Desculpa, amiga. Eu me preocupo com você, você sabe, não vamos brigar. Até eu estou curiosa agora. — mordeu o lábio ao terminar sua frase me fazendo sorrir e lhe dar um abraço.
— Vou responder ele e então vou. — Comecei a escrever a mensagem, mas foi em vão porque Jack apareceu na porta da sala nos fazendo voltar à atenção para ele.
— Desculpa, eu não quis interromper. É que você não me respondeu. — Eu conseguia perceber certa aflição em sua voz.
— Eu só estava deixando umas lições com a , né amiga? — Sorri para ela, mas meus olhos pediam ajuda naquela mentira.
— É sim, ela já estava até te respondendo, Jack. Eu que a atrasei. Desculpa. — Ela olhou de mim para ele e sorriu e retribuiu seu gesto.
— Vamos? — Sorri para o Jack, que esticou sua mão direito ao vento demonstrando o caminho a ser seguido, que foi feito por mim.
Caminhamos um pouco até fora do campus, entramos em um pequeno parque que usávamos para cortar caminho, e ao final, havia uma viela com um bar no final. Eu estava apavorada, em minha mente já se passavam imagens de Jack me matando e desovando meu corpo em algum lugar qualquer e ninguém nunca iria me encontrar, nem mesmo que recebia mensagens minhas de minuto a minuto lhe dizendo minha localização.
— Vamos entrar, aqui esse horário é calmo a gente pode conversar tranquilamente. — Jack colocava sua mão esquerda em minha cintura, e com a direita mostrava o caminho que devíamos seguir para chegar ao bar. Eram algumas escadas até o topo, eu estava com tanto medo, eu o sentia pulsando em meu corpo, mas não demonstrava sequer uma gota de suor que ousava cair de minha testa ao meu pescoço, segui suas indicações, indo em frente, subindo aquela escada que só cabia uma pessoa por vez no degrau. Ao chegar ao topo, entramos à esquerda e o bar não era tão ruim assim, era bem rústico.
A minha direita tinha um bar de tijolos a mostra, com algumas prateleiras com todos os tipos de bebidas possíveis no mundo. Ao virar meu corpo e olhar para frente havia algumas mesas e cadeiras de madeira, seguidas uma das outras, mas com um espaçamento ótimo entre elas, não deixando uma conversa se misturar na outra. Acho que por ser um lugar bem escondido não iriam muitas pessoas ali, apenas aqueles que sabiam mesmo sua localização.
Fomos em direção à última cadeira, pois haviam algumas pessoas nas primeiras, mesmo sendo meio-dia. Nos sentamos e Jack chamou um garçom, pediu uma porção de fritas, uma cerveja para ele e eu pedi um refrigerante, eu já não gostava de beber muito, ao meio-dia então.
— Então. — Eu comecei falando, chamando a atenção de Jack para mim.
— Foi o Jer? — Jack apontou ao meu “machucado” em minha bochecha com um pouco de receio em seus atos e em sua voz, eu apenas afirmei com a cabeça.
— Eu sei, toda a história de vocês dois. Jeremy me contou, que os pais dele nunca estavam presentes, você era filho da empregada deles e vocês são amigos desde pequenos e você foi o único que lhe deu abrigo e um braço amigo. — Ao finalizar sem nenhuma paciência em minha voz, o garçom chegou com nosso pedido. Eu sorri para o mesmo e agradeci, sendo seguida por Jack.
— Sim, mas não é disso que vim falar com você. — Jack mordia os lábios, ele estava muito impaciente e com muito medo, eu gesticulei para que ele continuasse a falar.
— O Jeremy tem TEI. — Eu franzi o cenho, eu não fazia ideia do que aquelas siglas significavam.
— Transtorno explosivo intermitente.
— Tá. — Eu prolonguei o a para que ele continuasse e entendesse que eu continuava sem saber o que era aquilo.
— Assim, ele não consegue se controlar em momentos de raiva. A pessoa que tem isso perde o controle, igual Jeremy ontem. Ele me contou tudo que aconteceu, ele chegou chorando, desesperado e arrependido. — Jack respirou fundo, vendo que eu não estava com paciência para aquilo.
— Quando a pessoa que tem TEI perde o controle, ela xinga, destrói coisas, e faz ameaças. Ela apresenta dificuldade em controlar esses impulsos agressivos, e essa explosão é desproporcional a situação que ele viveu. — Eu conseguia perceber na voz de Jack que ele sentia muito pelo o ocorrido e estava mais triste ainda de ter que me contar aquilo. Já eu estava realmente triste por Jeremy, mas ainda sim sentia raiva de seus atos.
— A raiva que ele sente aparece quando uma pessoa que ele gosta, é tida por eles como negligente, omisso, indiferente ou sente que a pessoa vai abandonar ele. — Nesse momento Jack apontou para mim, mostrando que foi como ele se sentiu perante a minha pessoa e eu acenei positivamente com a cabeça, para que ele continuasse. — Os surtos agressivos dessas pessoas não são premeditados, o que faz com que eles se sintam responsáveis por seus atos, arrependidos, com vergonha, culpa, tristeza e tal.
— Não é pra menos, né. — Sorri cínica e passei a mão em cima de onde sua mão passou de raspão deixando ali um hematoma.
— Ele não tem culpa, , o problema dele, é biológico e psicológico, ele tem um funcionamento anormal na produção da serotonina e ainda por cima, sua família é totalmente instável. Você sabe né, ele te contou. — Eu afirmei com a cabeça.
— Olha, Jack, eu agradeço você vir aqui e falar que ele tá arrependido de seus atos, e explicar o motivo dele ter feito o que fez. Eu não faço psicologia, acredito agora que ele faz o curso para entender melhor os males que habitam nele. — Fiz uma pausa para respirar e recebi um aceno de cabeça de Jack em respeito aos meus pensamentos. — Mas não sei se é possível eu aceitar as desculpas dele nesse momento, tá tudo muito fresco. Entende? Eu sinto muito dele ter um problema psicológico, eu realmente não desejo nada disso a ninguém. Nada do que ele já sofreu e ainda sofre. — Mordi o lábio e pensei por um segundo se era o certo a se fazer. — Eu não sei se a minha atitude tá sendo certa, ou positiva para ele, mas está certamente para mim. Eu sinto muitíssimo por ele e espero que ele esteja em tratamento com psiquiatras e psicólogos. — Falei com toda a sinceridade que havia em meu ser.
— Obrigado novamente por ter vindo até aqui. — Estiquei minha mão direita e segurei a mão direita de Jack que estava descansando na mesa e sorri sincera a ele e ao seu ato, que sorriu em seguida para mim sincero também. Ficamos um tempo sorrindo um ao outro, quando ouvi alguém pronunciar meu nome com bastante raiva na voz.
? — Franzi o cenho, confusa, como ele sabia daquele lugar e quem era aquela de cabelos ruivos tingidos com ele? Sorri cínica a ele que percebeu o motivo e se mostrou arrependido em seus olhos quando desviou meu olhar para olhar a mesma.
Em seguida ouvi outra voz, vindo da minha mesa, totalmente apavorado e quando o olhei sua feição era temorosa, quase como se tivesse visto um fantasma.
— Liza? — A mesma sorria com muita falsidade para Jack que ainda segurava a minha mão e ao ouvir a voz daquela menina segurou as firmemente, não as machucando apenas fazendo uma pressão maior, com bastante temor, desviei meu olhar dela e olhei para Jack que se demonstrava amedrontado em seguida para nossas mãos e finalmente para que olhava com raiva para Jack. E foi naquele momento em que percebi que toda tensão que havia entre Jack e era por causa daquela garota ruiva que agora estava novamente na vida de ambos e então senti meu mundo desmoronar.



Continua...



Nota da autora: (29.07.2017) Oi amores, esse cap. descobrimos mais coisas sobre o Jeremy e seu jeito explosivo e um lado de Jack que não havíamos visto antes, estou perplexa haha.
Me contem nos comentários suas teorias que eu adoro lê-las.
Não tenho grupo no face, mas o Ask da fic - qualquer duvida só aparecer ai.
Beijos, até o próximo cap.
Trailer da fic.



Nota da beta: Essa história do Jeremy... Ai, ai! E como o some, e depois aparece acompanhado de uma garota?! Quero explicações, Dona Tibby! Tô passada, continue <3





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Para saber quando essa fanfic maravilhosa vai atualizar, acompanhe aqui.



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