Última atualização: 15/04/2020
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Lawrence, Kansas – 6 meses antes.




se viu observando a família. Pareciam perfeitamente felizes. Sorriu para a mulher que acabara de passar por ela, no pequeno corredor da casa, mas ela nem sequer percebeu a presença da garota ali.
Estou morta? — Pensou a garota.
Como ela poderia não a ver ali? Seguiu Mary. Por alguma razão, sabia seu nome.

Mary, com um garotinho loiro em seu colo, adentrou o primeiro quarto do corredor e acendeu a luz.
– Vamos dar boa noite ao seu irmão, Dean. – A mulher disse calmamente e colocou Dean no chão, que caminhou até o berço do irmão.
Enquanto isso, a garota permanecia ali, olhando aquela mãe com seus dois lindos filhos, sem entender o que estava acontecendo. Teria sido enfeitiçada por alguma bruxa? Sempre teve sonhos estranhos, mas nada tão vívido como aquilo. Saberia, se estivesse sonhando...
– Boa noite, Sam. – Disse o pequeno loirinho e depositou um beijo sobre a testa do irmão.
– Boa noite, amor. – Disse Mary para Sammy, como se ele pudesse entendê-la, e fez o mesmo gesto que seu filho.
Tudo estava perfeitamente calmo, como qualquer em outra noite em que foram dar boa noite ao pequeno Sammy, com apenas poucos meses de vida.
caminhou até próximo do berço e olhou o bebê. Inclinou-se e passou a mão sobre sua testa, mesmo sabendo que ele não podia vê-la. O toque gerou uma sensação de “queimação” em suas mãos. Tirou no mesmo instante.
– Oi, Dean. – Um homem moreno estava agora na porta do quarto, com um sorriso no rosto.
Era John Winchester, bem mais novo do que conhecia agora. Mas com certeza era ele.
Por que estaria sonhando com ele?
se aproximou do homem, que também não podia vê-la ali, como ela já esperava. John contou muitas vezes, para ela, como sua mulher morreu. Da mesma forma que sua mãe.
Ela não entendeu o porquê do pensamento da morte de Mary ter passado por seus pensamentos.
Não poderia estar ali, afinal, aquilo tinha acontecido há vinte e dois anos.
– Papai. – O pai abriu os braços para que o filho pudesse pular nele e o abraçou.
Era um gesto muito comum entre eles.
– E aí, o que você acha? Será que o Sammy já sabe jogar futebol? – Perguntou ao filho em um tom brincalhão enquanto segurava-o no colo.
– Não, pai. – O garoto respondeu inocentemente e abraçou o pai.
– John? Pode levá-lo para cama? – Perguntou Mary e sorriu para o marido.
– Durma bem, Sam. – Disse John e saiu do quarto, carregando Dean.

A garota aproveitou que todos da casa tinham ido dormir para observar um pouco a casa. Foi a todos os cômodos e retornou ao que estava, o que mais lhe causava uma sensação estranha: o quarto de Sammy.
Aproximou-se mais uma vez de Sammy e o tocou. A mesma sensação. Deu uma volta no quarto, procurou por bolsas de feitiço, esperando que poderia ser algo feito por uma bruxa. Procurou enxofre, na esperança de talvez ser um demônio, mas não encontro nada.
– O que está acontecendo aqui? – Gritou. – Por que sempre que o toco tenho essa sensação? – Falou mais baixo dessa vez.
Nunca passara por uma situação tão estranha na vida. De repente, um ar sombrio tomou conta do quarto. se virou para observar o ambiente e viu um homem, todo de preto, aparecer repentinamente no quarto, como só um demônio saberia fazer.
Nunca sentiu algo tão ruim e desesperador. Mas o que ela poderia fazer? Ninguém podia ouví-la. Então permaneceu ali.

Mary acordou por volta das três horas da manhã, com o barulho do choro de Sammy.
– John? – Chamou pelo marido enquanto acendia a luz e olhou para o outro lado da cama, estava vazio.
Calmamente, ela se levantou e caminhou em direção ao quarto de Sam, como fazia quase todas as noites, para verificar se o bebê estava com fome, frio ou se tinha acordado e se assustado por estar sozinho.
– John, ele está com fome? – A mulher parou ao ver o marido de frente para o berço.
queria gritar para a mulher “este não é seu marido”, mas sabia que não funcionaria. Tentou tocar naquele homem estranho, mas ele também não a sentia.
Se não podia ser sentida e nem ouvida, o que fazia ali? Para que estava passando por aquilo? Uma estranha sensação de desespero a consumia.
O homem fez apenas um “shiu” baixinho e a mulher concordou, retornando para o corredor. A luz do mesmo estranhamente piscava, Mary cobriu o rosto devido à claridade e se aproximou da lâmpada. Bateu duas vezes nela com a ponta dos dedos, que parou de piscar.
retornou ao corredor para observar os passos de Mary, onde ela iria.
A mulher pensou em ir deitar, mas a luz vinda do andar de baixo da casa chamou a sua atenção. Desceu levemente os degraus da escada para não fazer barulho e acordar os filhos. Não chegou nem ao fim para conseguir ver que a televisão estava ligada e que John dormia na poltrona.
– Sammy, Sammy! – A mulher gritava desesperada enquanto corria até o quarto do filho, onde acabara de ver seu marido.
Ou era o que a mulher pensava.

– Mary? – John acordou com os gritos da esposa.
Subiu as escadas desesperadamente. Sua vida era sempre tão normal que chegou a pensar que estava sonhando com o grito dela.
Adentrou o quarto de Sam e tudo que encontrou foi o filho, acordado, mas em completo silêncio. Pareceu ter sonhado e foi o que pensou, até ver algo gotejando na testa do bebê.
Não acreditou no que estava vendo quando olhou para cima.
– Não, Mary! – Disse em desespero.
Sua esposa estava pregada ao teto e, em segundos, todo o teto ficou em chamas. A mulher de sua vida estava sendo queimada viva, presa ao teto. Mesmo sem forças, pegou Sammy e saiu do quarto em desespero.
permanecia ali, observando tudo. Eles tinham perdido a mãe, exatamente como ela. Um demônio a matou. Da mesma forma. Quando ela ainda era apenas um bebê.
Apesar de John ter contado diversas vezes, nunca pensou que os acontecimentos fossem idênticos.
– Papai! – Dean se encontrava no corredor.
– Leve seu irmão para fora, rápido. – Entregou Sammy para Dean. – Não olhe para trás. Agora, Dean, Vai! – Ordenou.
O homem voltou para o quarto na intenção de salvar sua esposa, mas o quarto já estava completamente em chamas e não tinha mais nada que ele pudesse fazer.
– Está tudo bem, Sammy! – Disse Dean, na intenção de consolar o irmão em seu colo, e foi pego por John, que os afastou.
A casa explodiu segundos depois.


deu um pulo, na cama do motel. Estava suando e seu corpo parecia estar pegando fogo. Olhou ao seu redor, ainda confusa. O sonho fora tão real que ela chegou a pensar que teria sofrido teletransporte de onde estava para a cama.


Jericho

Grove City, Ohio – Dias atuais.




estava coberta de sangue. Tinha acabado de sair de uma luta com um ninho de vampiros, junto a Bobby Singer. Ela e o amigo, juntos, mataram o bando todo.
Se tinha uma coisa que satisfazia a garota era sair coberta de sangue de um ninho de vampiros — ou melhor, de uma caçada, desde que o sangue viesse de um monstro. Como ela mesma sempre gostava de lembrar: um a menos.
— Meu Deus, você está horrível! — Allysson comentou, vendo a amiga coberta de sangue ao sair do ninho.
— Qual é, eu adoro isso. – Riu, animada. — Fala aí, Bobby, tem sensação melhor do que essa?
— Tem sim. — Singer suspirou, estava exausto da caçada. – Uma vida normal.
Era tudo o que o homem queria, não só para , uma garota que conhecia desde criança — que agora já era uma mulher —, mas para sua amiga também, que conhecera a pouco tempo.
— Caralho, Bobby.
Ele olhou em desaprovação para a garota, que revirou os olhos.
– Tá, desculpa. Mas não aguento mais você com esse papo de vida normal. Essa é a minha vida, eu cresci nisso, não saberia fazer outra coisa. O negócio da família, lembra? — explicou, irritada.
Não queria falar daquele jeito, especialmente com Bobby, um pai para ela, mas já estava muito casada desse papo de vida normal.
A garota caminhou até seu Audi R8, de cor preta, e procurou por algumas garrafas de água, que sempre deixava no carro para aquelas ocasiões. Podia adorar sair de lá coberta por sangue de monstro, mas de ficar suja por muito tempo? Nem tanto.
— Porque seu pai é um sem noção. — Esbravejou.
— Tudo bem, eu sei que te trouxe para conseguir pistas, mas esbarramos em monstros e nós não deixamos nenhum pra trás. Não vivo. — Sorriu, orgulhosa.
— Tanto faz! — Esbravejou e saiu andando, sabe-se lá para onde.
Bobby estava parecendo um velho rabugento para mas, no fundo, sabia que se preocupava com ela e que, para ele, ela era como uma filha, ainda mais agora que seu pai havia sumido em uma caçada e não aparecia há dias. Nem mesmo uma notícia sequer.
Seu pai virou caçador quando sua mãe morreu, há vinte anos, quando ela ainda era bebê. Desde então, ele ia atrás de qualquer criatura não humana que pudesse fazer mal às pessoas.
E... Bom, acabou seguindo a mesma vida. Sempre nas estradas, de uma cidade para outra, e agora que era uma mulher, já podia caçar sozinha.
Ou não tão sozinha assim. Além de Bobby, ela também tinha Allyson — ou Ally, como gostava de chamá-la. Eram amigas inseparáveis desde que ela salvou a vida da garota e desvendou a morte de seus pais, alguns anos atrás. Apesar de ser mais nova que a amiga, estava sempre cuidando dela.
— Era tudo que eu precisava, um banho — Disse aliviada enquanto saía do banheiro enrolada em uma toalha.
— Não comemora, não. — Ally acabou com a alegria da amiga e jogou o celular para ela.
— Coordenadas!
olhou os números na tela de seu celular. Era uma mensagem do seu pai.
— Semanas sem nos falarmos e é só isso que ele me manda? Coordenadas? — Estava irritada.
— Jericho, fica a umas dez horas daqui. Podemos dormir e seguir viagem de manhã. — Explicou Ally. — Você acha que ele está lá?
— Não, quero chegar cedo lá. — Sorriu para a amiga e voltou para o banheiro.
Não poderia esperar nem mais um minuto para encontrar seu pai.



Universidade Stanford – Dias atuais.




Sam olhou para Jéssica, sua namorada, deitada ao seu lado. Era mais do que feliz por tê-la, nada na sua vida poderia estar melhor. Encarou o teto, pensando em como seria sua vida dali para frente depois de passar para a Universidade Stanford, onde iria cursar direito, tudo que sempre sonhou.
Saiu de seus pensamentos ao ouvir um barulho, parecia vir da sala. Pulou da cama e caminhou minuciosamente, sem fazer barulho, até lá. Escondeu-se quando viu a sombra de alguém passar pela porta de entrada.
Deu a volta, mas foi pego de surpresa ao ser puxado por alguém. Chutou em direção ao alvo, mas não o acertou. Levantou os braços e iniciou uma luta, mas foi imobilizado e jogado contra o chão. Só então reconheceu o cara em cima dele.
— Dean?
Era seu irmão mais velho, que abriu um sorriso presunçoso. Mesmo no escuro, era capaz de reconhecê-lo.
— Parece que perdeu a prática, irmãozinho. — O irmão sorriu, satisfeito.
O moreno riu e se desvencilhou do irmão, virando-o e imobilizando Dean no chão.
— Ou não. — Dean sorriu.
Sam saiu de cima do irmão e acendeu a luz. Dean era o mesmo, com seu casaco esverdeado de sempre, calças surradas e o sorriso presunçoso no rosto.
— O que você faz aqui? — Perguntou, ainda um pouco confuso.
Não se viam havia dois anos.
— Ah, é bom ver você também, Sammy. — Disse Dean com ironia.
O loiro, com um pouco mais de um metro e oitenta e cabelos recém cortados, caminhou pelo lugar. Um apartamento, nem tão grande nem tão pequeno mas, absolutamente, a cara do seu irmão mais novo. Sem dúvidas.
Encarou Sam. Pensou por um instante que, apesar des coisas terem mudado — e muito — para ele nos últimos dois anos, Sammy ainda parecia o mesmo, exceto pela vida que estava levando.
— Não disse que não estou feliz em vê-lo. — Sam encarou o irmão. — É só que tem sei lá o quê... Uns... — Procurou palavras, mas não encontrou nenhuma.
— Dois anos que não nos vemos? Eu sei. — O rapaz riu.
Estava tão desconfortável quando o irmão.
— Sam, aconteceu alguma coisa?
Jéssica entrou na sala, pegando os dois de surpresa, vestindo apenas calcinha e uma blusa com o desenho dos smurfs. Parou ao lado de Sam.
— Oi. — Dean sorriu, medindo a garota dos pés à cabeça. — Sou Dean, o irmão mais velho e mais bonito. — Riu e estendeu a mão, que a garota apertou.
— Eu sou a namorada. — Sorriu sem jeito.
— Sabe, você é muita areia para o caminhãozinho do meu irmão. — Debochou.
— Acho melhor eu trocar de roupa. — Disse, sem graça pela ousadia do “cunhado”.
Sabia da sua existência, mas nunca o tinha conhecido.
— Não, tudo bem, eu adoro os smurfs. — Riu de leve.
— Dean, o que você quer, afinal? — Sam finalmente se manifestou depois de presenciar a situação mais do que constrangedora.
— Acho melhor conversarmos lá fora. — Dean encarou o irmão, dando a entender que o assunto era importante e que não deveria ser falado na frente de Jéssica.
Não que não confiasse na garota mas, conhecendo bem o irmão, sabia que ele não teria contado seu verdadeiro passado para ela.
— O que você tiver para falar, pode falar na frente da Jess. — Sam passou o braço pela cintura da namorada, puxando-a para mais perto de si.
— Tudo bem. — Concordou com um sorriso de canto. — O papai está caçando e não aparece em casa há dias.
— Você conhece o papai. Ele deve ter se embebedado e deve estar em algum lugar sem sinal no celular. — Sam deu de ombros.
Dean encarou o irmão por alguns instantes. Estava evitando falar alguma besteira, mas Sam parecia não se importar, então resolveu fazer o mesmo.
— O papai está caçando e não aparece em casa há dias. — Repetiu mas, dessa vez, pausadamente e com ênfase em sua voz.
Sam contraiu o maxilar e encarou Dean. Sabia que a coisa era muito mais séria do que o irmão fez parecer na primeira vez em que disse.
— Jess, você nos dá licença? — Pediu à namorada, tentando disfarçar o mistério. — O que é, cara? Você aparece no meio da noite e quer que eu caia na estrada com você? — Disse Sam enquanto descia as escadas, seguindo o irmão.
— O que é, Sam? Você não me ouviu, não? O papai sumiu, eu preciso da sua ajuda para encontrá-lo! — Dean revirou os olhos, o egoísmo do irmão não tinha mudado.
— Lembra do poltergeist em Airmaster? Da porta do Diabo em Clifton? Ele sumiu também, ele sempre some e sempre fica bem.
Dean virou e encarou Sam, não podia acreditar no que ele estava dizendo. Nem sequer demonstrou um pingo de preocupação com o próprio pai. Nunca se deram bem, mas aquilo era demais, até para ele.
— Não por tanto tempo. Você vem ou não? — Perguntou, tentando ignorar a atitude do irmão.
— Eu não vou!
— Por quê não? — Dean insistiu, sabia que conseguiria encontrar seu pai sozinho mas não queria.
— Eu jurei que não iria mais caçar, nunca.
— Qual é! Não foi fácil, mas também não foi ruim. — Deu as costas para o irmão e caminhou em direção à porta.
— É? Quando eu falei para o papai que tinha medo, ele me deu uma arma! — Sam encarou Dean, sabia que a discussão não ia levar a nada, mas era sobre como ele se sentia.
— E o que queria que ele fizesse?
Dean estava cansado, não queria discutir tudo aquilo de novo.
— Eu só tinha nove anos. Ele podia ter dito para eu não ter medo do escuro! — Sam praticamente gritou.
— Não ter medo do escuro? Fala sério, sabe o que tem lá.
— É, eu sei, mas o jeito que ele nos criou, depois que a mamãe morreu, a obsessão do papai em achar a coisa que a matou... E nunca encontramos essa maldita coisa. — Sam bufou e passou a mão pelos cabelos, fazendo uma pausa enquanto Dean o encarava. — Aí matamos qualquer coisa ruim que aparece?
— Tem um monte de gente que faz o mesmo. — O irmão respondeu friamente.
Realmente não se importava. Gostava do que fazia, foi criado para isso, o negócio da família.
— Acha que mamãe ia querer isso para nós? — Sam provocou, mas Dean apenas olhou e atravessou a porta de entrada antes que perdesse a paciência e acabasse socando o irmão.
Sam o seguiu, ainda estava com raiva pelo irmão ter aparecido no meio da noite, por não respeitar suas escolhas e praticamente querer forçá-lo a ir com ele depois de tudo o que aconteceu.
— Treino com armas, derreter prata para fazer bala? Qual é, Dean, nós fomos criados como guerreiros.
— Qual é! O que você vai fazer? Vai querer levar uma vidinha normal? — Dean debochou e abriu os braços. — É isso?
— Não, normal não, segura. — Sam estava visivelmente irritado e Dean sabia disso, mas sentia falta demais do irmão para deixar de insistir.
Não era só sobre o pai ter sumido. Era sobre tudo. Quando Sammy foi embora, ele não achou que duraria muito tempo. Afinal, já tinha feito isso muitas vezes, mas sempre voltava.
— É por isso que você fugiu?
Sam riu, apesar de estar nervoso. A situação toda era engraçada. Dean não era de implorar, mas parecia visivelmente desesperado e surpreso por causa da escolha que ele fez.
— Eu me mudei para estudar. Papai disse que, se eu fosse, era para ficar longe. É o que eu estou fazendo.
— Mas, dessa vez, nosso pai está em perigo, se é que não está morto. Eu sinto isso. — Dean fez uma pausa e apertou os olhos.
Pensar que seu pai poderia estar morto era doloroso, muito pior do que qualquer coisa que ele tinha enfrentado até o presente dia.
— Eu não posso ir sozinho.
— Você pode sim! — Sam respondeu friamente.
— É, mas não quero. — Respondeu, desviando o olhar.
Sam bufou, sabia que o irmão não ia desistir.
— O que ele foi caçar? — Perguntou, tentando quebrar a tensão que tinha se formado entre eles.
Dean caminhou em direção ao porta malas do Impala, abriu o mesmo e vasculhou seu arsenal com nada menos que armas, balas, estacas, tudo que se era preciso para mantar um monstro, procurando por algo.
— É... Onde foi que eu coloquei aquela coisa?
— Quando o papai saiu, não deixou você ir com ele? — Sam perguntou curioso.
Afinal, devido a toda tensão, não parou para se perguntar porque Dean não fora caçar com seu pai. Eles nunca se separaram.
— Eu estava fazendo outra coisa, um vudu em Nova Orleans. — Respondeu, ainda vasculhando o arsenal.
— Pera aí, papai deixou você em uma caçada sozinho? — Sam riu, demonstrando sua surpresa.
— Ah, cara, eu tenho vinte e seis anos. — Dean respondeu, sem acreditar na pergunta idiota do irmão. — Aqui, achei. O papai estava investigando uma coisa em Jericho, Califórnia. Um cara, esse cara aqui, há um mês. — Ele passou os papeis para Sam. — Acharam o carro, mas o cara sumiu, completamente.
— Vai ver ele foi sequestrado. — Sam deu de ombros enquanto lia o papel em sua mão.
— É, pode ser... Tem mais um em abril, outro em dezembro. Dois mil e quatro, três, noventa e oito, noventa e dois... Dez, nos últimos vinte anos. — Falou com ironia e puxou os papéis da mão do irmão. — Todos homens, em um trecho de oito quilómetros. — Continuou e se inclinou para pegar outra coisa.
Sam o encarou. Nunca viu o irmão em uma caçada sozinho e tão dedicado a pesquisar algo. Estava um pouco surpreso, para dizer a verdade. Afinal, sempre foi o pai ou ele que fizeram as pesquisas. Dean sempre gostou mais da parte da ação, procurar pistas e matar os monstros.
Passou tanto tempo em sua vida normal com Jess, os estudos para entrar na faculdade, que tinha se esquecido de como era a adrenalina de tentar descobrir o que estavam caçando. Apesar da curiosidade, não queria voltar a caçar.
— Começou a acontecer mais e mais. — Dean continuou enquanto abria um diário, que chamou a atenção de Sam.
O diário de seu pai. Se estava ali, era porque o caso era realmente sobrenatural.
— Nosso pai foi investigar há umas três semanas. Ele não deu mais notícias, o que não é bom. Aí ontem eu recebi essa mensagem de voz. — Continuou enquanto pegava um gravador e apertou o play.
“Dean, alguma coisa está acontecendo, acho que é grave. Preciso descobrir o que é.... Preciso... Muito cuidado. Estamos em perigo. Muito cuidado...”
A gravação terminou e ambos se encararam.
— Descobriu alguma coisa nela? — Sam perguntou, se referindo à fita, sabia que tinha algo por trás das palavras do pai.
— Nada mal, Sam. Estou vendo que não perdeu o jeito. — Dean abriu um sorriso largo. — Olha só, eu diminuí a rotação e processei a fita, tirei o ruído e veja o que eu achei.
Apertou o play de novo.
“Não posso voltar para casa...”
A voz de uma mulher saiu através da fita.
— Não pode voltar. — Sam disse, se referindo à mulher.
Dean guardou as coisas, fechou o porta malas e se recostou nele. Mostrou tudo o que tinha para o irmão, provou que realmente tinha um caso e que precisava da ajuda dele. Tudo o que ele precisava era que Sam aceitasse ir naquela caçada com ele, que o ajudasse a encontrar seu pai.
Sam encarou o irmão, sabia que ele estava pensando em alguma coisa e que estava preocupado. Não só com o pai deles, mas com o fato de ter que ir atrás dele, completamente sem ajuda...
— Em quase dois anos, eu nunca aborreci você, nunca pedi nada. — Dean finalmente disse alguma coisa, quebrando o gelo entre eles.
Sam o encarou novamente. Apesar de não gostar, sabia que o irmão estava certo. Mesmo não aceitando sua escolha, ele nunca o procurara.
— Tudo bem, eu vou. — Respondeu. — Eu vou te ajudar, mas tenho que voltar até segunda. Espera aqui. — Pediu e se virou para ir buscar suas coisas.
— Por quê segunda? — Perguntou.
Estava curioso para saber o que o irmão tinha de tão importante para fazer em sua nova vida monótona e chata.
— Eu tenho uma... Uma... — Sam pensou em uma maneira de explicar sem que o irmão fizesse alguma piada sem graça. — Tenho uma entrevista.
— Do quê? Trabalho? Desmarca. — Sugeriu, dando de ombros.
Não poderia ser mais importante do que salvar o pai deles.
— Para faculdade de Direito. É o meu futuro que está em jogo. — Sam bufou.
Dean nunca se importou muito com as vontades dele relacionadas ao futuro.
— Direito?
— Está combinado ou não está? — Perguntou e se virou para entrar, antes que o irmão dissesse mais alguma coisa e eles acabassem brigando.



Jericho, Califórnia – A mulher de branco.



acelerou um pouco mais enquanto ouvia Ally reclamar da maneira que ela falou com Bobby. Apesar de saber que foi dura com ele, não se sentia culpada, pois já tinha repetido diversas vezes para ele que não queria uma vida normal.
Quando ela atravessou a placa “Bem-vindo a Jericho”, se sentiu aliviada, não só porque estaria livre das horas de sermão da amiga, mas também por estar exausta após dirigir dez horas seguidas.
As duas amigas decidiram ir primeiro à delegacia. Lá, falariam com o delegado para obter mais informações sobre a vítima, amigos, família, se tinha inimigos ou até mesmo se era instável ao ponto de largar tudo e simplesmente fugir. Não podiam descartar nada.
— Boa tarde. Agente Taylor, sou do FBI. E essa é minha parceira, Miller. — mostrou o distintivo. — Eu gostaria de falar com o xerife sobre o caso Tomas Scott.
Ela guardou o distintivo e encarou a policial atrás do balcão. Manteve os olhos na mulher. Estava acostumada a ser encarada demais sempre que se apresentava como agente do FBI devido à idade que aparentava ter.
Mesmo tendo vinte e dois anos, parecia ter apenas dezoito, algo que dificultava ainda mais que as pessoas acreditassem que ela era mesmo do FBI já que, se aparentasse ter a idade que tem, também seria difícil, mas não tanto.
Ally sempre se sentia nervosa nessas horas, algo que deixava bastante irritada. Afinal, a amiga era dois anos mais velha do que ela, não tinha razão para se preocupar com isso.
— Será que dá pra relaxar? — sussurrou para Ally.
— Desculpa.
encarou a policial assim que ela se dirigiu até a sala do xerife. Com certeza, estava tudo sob controle. Afinal, se ela estivesse desconfiada de algo, já teria pedido para ligar para o seu superior.
— Vocês podem entrar. — A policial informou ao voltar da sala do xerife.
— Obrigada, Jessie. — disse de forma simpática ao ler o crachá da policial.
Já na sala, encontrou um homem de cabelos pretos com tons grisalhos, rosto marcado pela idade — devia ter cerca de cinquenta anos —, de mais ou menos um metro e oitenta e muito simpático.
O xerife as recebeu gentilmente, fazendo sinal para que as duas garotas se sentassem bem à sua gente. sabia que aparentavam ser muito jovens mas, sempre que eram recebidas por homes, a aparência de ambas ajudava muito.
— Então... Por que o FBI está interessado neste caso? — O xerife perguntou enquanto acendia um charuto.
Ally fez uma careta, odiava cigarro.
– É um caso de desaparecimento, certo? — indagou, projetando seu corpo para frente para poder encarar o homem mais de perto na intenção de intimidá-lo.
— Claro. — O homem riu, debochado. — Bem, nós já fizemos de tudo. Dragamos o rio, falamos com familiares, amigos... A única coisa que encontramos foi o carro, com uma quantidade enorme de sangue.
— Corpo mutilado? — Ally perguntou curiosa, sabia que não tinha corpo encontrado mas queria ver se havia algo que não era verdadeiro nas pesquisas que fez nas dez horas de estrada.
— Não. — O xerife tragou o charuto. — Nenhum corpo encontrado.
— Foi o que pensamos. — Respondeu enquanto fazia anotações em seu caderninho. — Alguma possibilidade de ele ter fugido? Inimigo?
— Não, era um bom garoto. — O detetive ficou pensativo após o que disse. — Claro, exceto que ele vivia traindo a namorada. Mas já checamos a garota, ela não fez nada. Estava em casa na noite do crime.
— Bom... Será que pode nos passar o endereço da namorada? — Ally perguntou. — Gostaríamos muito de falar com ela. Com a família também, se não se importar.
— Problema nenhum, o caso é de vocês agora. — Informou, já se levantando. — Eu preciso ir, tenho um chamado, mas Jessie dará tudo o que vocês precisam. Ela vai dar acesso a vocês na cena do crime também.
— Muito obrigada, xerife Monroe. — Agradeceu, chamando-o pelo sobrenome.
Sempre fazia isso para mostrar que estava prestando atenção na pessoa que falava com ela.
Depois de se despedir do xerife e pegar todas as coisas, as amigas entraram no carro e seguiram para interrogar a primeira suspeita: a namorada.

Dean saiu da loja de conveniência do posto carregando um engradado de cerveja, salgadinhos e doces. Recostou-se no carro, já abrindo sua cerveja, enquanto Sam abastecia.
Os dois não trocaram muitas palavras durante a viagem, o reencontro deles já tinha sido constrangedor o bastante e, no fundo, nenhum dos dois queria falar a coisa errada e estragar tudo.
Apesar de ambos estarem bravos, sentiam falta um do outro. Até mesmo Sam que, muitas vezes, jurou não se importar se nunca mais convivesse com o irmão.
— E aí, quer tomar café? — Dean perguntou enquanto mostrava as coisas que tinha comprado.
— Ainda nessas de cartões falsos, Dean? — Advertiu Sam assim que terminou de abastecer o carro.
– O que eu posso dizer? As caçadas não são bem uma carreira. — Dean deu de ombros e entrou no carro.
Seu pai ensinou Dean como forjar cartões de banco para poder sobreviver nessa vida de caçador. Diferente de Sam, ele não se sentia culpado por usar cartões falsos e nem identidades falsas. Afinal, para ele, estava fazendo um bem maior salvando o mundo de monstros.
— Aí, vou te mandar a real. Tem que melhorar essa tua coleção de fitas. — Informou Sam enquanto mexia na caixa de Dean, já dentro do carro.
— Por quê?
— Bom... Primeiro, porque são fitas. — Informou, segurando uma delas. — E depois... Black Sabbath, Motorhead e Metallica? Maiores sucessos do rock brega.
Dean arqueou as sobrancelhas. Estava surpreso pela atitude “folgada” do irmão e pegou a fita da mão de Sam.
— É legal. Normas da casa, Sammy. Quem dirige, escolhe a música, a arma cala os protestos!
Dean jogou a fita de volta, de forma debochada. Tinha usado o apelido “Sammy” e sabia que o irmão odiava por achar infantil demais.
— Se liga. Sammy era um garoto de doze anos. Agora é Sam, tá?
Dean aumentou o rádio.
— Desculpa, eu não escutei, a música tá muito alta. — Disse rindo e deu partida para sair com o carro.

Ally estava enjoada com todo aquele sangue no carro da vítima. Como o detetive havia informado, não tinha nenhum vestígio de corpo. Mas como poderia? Com todo aquele sangue, ela ficaria surpresa se sobrasse algo.
não se sentia nem um pouco intimidade pela cena. Colocou as luvas e entrou no carro sem pensar duas vezes, queria colher alguns materiais, isso poderia ajudar na pesquisa.
— Ally, me passa o EMF. — Pediu.
Queria ver a possibilidade de haver um fantasma no carro.
A garota passou o equipamento por tudo, mas ele não detectou nada, o que deixou um pouco irritada. Já estavam na cidade havia algumas horas, sabia que tinha sido uma má ideia ter ido primeiro à cena do crime ao invés de falar com a namorada.
Mas Ally insistiu tanto que ela decidiu concordar uma vez na vida.
— Eu disse. — Informou para amiga assim que saiu do carro. — Deveríamos ter ido primeiro na namorada.
, eles já investigaram a namorada, já li todo o depoimento. Não acho que ela vá nos contar algo diferente. — Deu de ombros enquanto andava para longe da cena do crime.
— Talvez. — Revirou os olhos. — Quero falar com ela mesmo assim, as pessoas sempre dão depoimentos precipitados quando ainda estão nervosas devido ao crime.

— Uau, quando foi que começaram a fazer federais gatos assim? — Ally cutucou a amiga enquanto comia com os olhos os dois caras que vinham na direção das garotas.
Um moreno bem alto, com um corpo bem definido, e um loiro, um pouco mais baixo, mas com um físico ótimo também, andavam na direção contrária às duas amigas.
olhou para ambos e sentiu um tremor no corpo, o mesmo de seus sonhos, algo que ela jamais havia sentido fora dele. A sensação foi tão assustadora que ela nem sequer notou a beleza dos rapazes.
— Agentes. — O moreno cumprimentou ao passar por elas.
nem deu tempo para que Ally respondesse. Puxou a amiga pelos braços e andou rapidamente em direção ao carro delas. Não queria passar nem mais um minuto na presença daqueles dois.
Bateu a porta do carro com tanta força que fez a amiga pular no banco do passageiro. Não tinha se dado conta de que estava tão nervosa até fazer aquilo.
, desde quando você ignora caras bonitos? — Estava irritada com a atitude da amiga.
estava tentando achar uma desculpa. Sabia que Allyson tinha razão, nunca foi de se prender a ninguém, justamente porque gostava de aproveitar as opções ao máximo, mas não podia contar para ela o motivo. Afinal, não contara nem sobre seus sonhos recorrentes nos últimos seis meses.
— Ally, você que não deveria estar reparando. Que eu saiba, você tem namorado. Noah o nome dele, né?
— Não estou morta. — Revirou os olhos.
deu de ombros, sabia que a discussão não levaria a nada. Ela aumentou o rádio, que tocava Metallica, e arrancou com o carro.
Dean tinha reparado nas duas garotas que passaram por eles. Não sabia o porquê, mas teve a sensação de conhecer a morena de algum lugar.
Esqueceu da garota assim que chegou na cena do crime, que quase o fez vomitar, arrancando uma risada abafada de Sam, que sempre se divertia com essas reações de Dean.
Fizeram o mesmo procedimento que as duas amigas. Coleta de sangue, perguntas aos agentes, passaram o EMF por todo o carro, mas também não encontraram nenhum vestígio de fantasma. Simplesmente estavam sem pista alguma. Mas ainda era cedo, tinham acabado de chegar na cidade.
— Nada. — Disse ao sair do carro.

— Esse rapaz, Troy, está namorando a sua filha. Como está a Amy? — Ouviu os federais conversando.
— Colando cartazes de procura. — O outro respondeu.
Se tinha uma namorada na jogada, poderia ser uma suspeita, talvez até uma bruxa. Afinal, a julgar pela quantidade de sangue no carro, aquilo não poderia ser humano.
Aproximou-se para ouvir um pouco mais.
— Vocês tiveram um caso como esse no mês passado, não tiveram? — Dean se intrometeu de forma arrogante, odiava o trabalho de quinta dos federais.
— Quem são vocês? — Um dos federais perguntou.
— Polícia Federal. — Dean mostrou o distintivo, mas sem olhar para o homem.
— Não são meio jovens para federais? — Olhou, desconfiado.
— Ah, obrigado, que gentileza. — Debochou.
Dean já havia olhado o carro, mas se aproximou novamente para disfarçar e ver se o policial iria lhe dar alguma pista além da namorada, que ele escutara minutos antes.
— E quanto à vítima, vocês conheciam? — Sam perguntou de forma educada, bem diferente do irmão.
— A cidade é pequena, todo mundo se conhece.
— Alguma ligação entre as vítimas além de serem homens? — Dean se intrometeu novamente enquanto andava em volta do carro.
— Não. Até agora, não encontramos nada.
Sam se aproximou do irmão, sabia que ele ia dizer alguma besteira e queria estar por perto para impedir. Dean era muito ruim em disfarçar quando algo o incomodava.
— E qual é a teoria?
— Honestamente? Não sabemos. Serial killer? Sequestradores?
— É, é bem o tipo de trabalho de segunda que esperamos de vocês. — Falou Dean com sinceridade e sentiu um pisão no pé.
— Obrigado pela atenção. — Sam olhou sem graça, odiava quando o irmão desrespeitava autoridades. — Senhores.
Ele caminhou rapidamente para longe, seguido de Dean, que estava irritado. Odiava quando Sammy chamava sua atenção na frente de outras pessoas.
Deu um tapa da cabeça do irmão.
— Por que fez aquilo? — Sam indagou.
— Precisava pisar no meu pé?
— Aquilo é jeito de falar com um policial?
— Qual é, eles não têm ideia do que está havendo. — Dean entrou na frente de Sam. — Estamos sozinhos nessa. Se quisermos achar nosso pai, temos que investigar por conta própria.
— Posso ajudar, rapazes? — Foram interrompidos por um verdadeiro agente da polícia federal.
— Agende Molder, agente Scully. — Disse Dean para disfarçar.

ficou encarregada de interrogar a namorada enquanto Ally foi interrogar a família do rapaz desaparecido. sugeriu que se separassem. Precisava ficar um pouco sozinha depois do que acontecera mais cedo e do clima que se instaurou entre elas.
Estava cansada. Queria muito resolver o caso, mas também queria encontrar seu pai e, para que aquilo acontecesse logo, precisava de pistas sobre quem estava cometendo aqueles crimes.
pegou o distintivo no carro e saiu em direção à lanchonete. Antes que entrasse, passou por duas garotas que estavam entregando panfletos do garoto desaparecido.
— Com licença. — Pediu ao se aproximar das garotas. — Você é Amy? Namorada do Troy?
— Sim, sou eu. Algum problema? — A garota olhou desconfiada, estava cansada das pessoas perguntando o tempo todo sobre o namorado desaparecido.
— Sou , uma prima distante do Troy. — Mentiu.
Sabia que, se mostrasse que era do FBI, provavelmente a garota não se abriria. Afinal, pela reação dela, já tinha falado com muitos policiais e estava cansada.
— Ah, não sabia que ele tinha uma prima. — Informou.
— Pois é, o Troy é muito discreto. — Sorriu simpática. — Eu estou preocupada, a polícia não descobre nada. Será que podemos tomar um café? A polícia me disse que você foi a última a falar com ele naquela noite, talvez possa me contar algo.
— Claro!
A garota estava visivelmente abalada, o que fez com que descartasse totalmente a possibilidade de ela ser suspeita pela morte do namorado.
queria pedir uma cerveja, mas escolheu pelo café, já que não passaria muita confiança para as duas amigas bebendo tão cedo e precisava que elas lhe dessem alguma informação válida.
— Então... Você e o Troy se davam bem? — Perguntou, sem segundas intenções.
— Sim, nos víamos quase todos os dias. — A namorada informou e deu um gole em sua bebida.
suspirou. Odiava ter que pressionar as pessoas daquela maneira. Apesar dos anos na caçada, para ela, aquela sempre era a situação mais difícil. Perder alguém de forma trágica era sempre doloroso e ter pessoas no seu pé, te perguntando sobre isso toda hora, devia ser insuportável.
— Claro. — Sorriu. — Então... Como eu te disse, o agente me contou que vocês se falaram naquela noite, que foi a última pessoa a falar com ele, na verdade.
— Sim. — Respondeu. — Ele me ligou, disse que não daria para vir me ver naquela noite porque tinha muito trabalho no outro dia. Depois disso, não nos falamos mais.
— Você sentiu algo estranho nele?
— Como o quê? — A garota olhou, confusa.
— Não sei, nervosismo... — Explicou. — Troy tinha inimigos?
— Não, nenhum. — A garota não parava de mexer em seu colar.
— Bonito colar. — abriu um sorriso largo.
Sabia que a garota queria dizer algo devido ao nervosismo. Enquanto Amy tinha essa reação, a amiga dela permanecia em silêncio.
A garota encarou por um momento, estava pensando em alguma coisa.
— Foi Troy que me deu, para assustar meus pais com essa coisa de diabo. — Riu.
— Na verdade, é bem o contrário, porque o pentagrama protege contra o mau. — deixou escapar uma risada abafada. — É muito poderoso. Quer dizer, se você acredita nessas coisas.
A garota não respondeu nada, então tirou o dinheiro da carteira e jogou na mesa. Sabia que, para arrancar alguma coisa dali, precisaria usar uma estratégia. Simplesmente fazer perguntas não ia fazer com que elas falassem alguma coisa.
— Bom, a morte do Troy foi estranha, mas eu tenho algumas coisas para resolver na cidade. Então, se lembrarem de alguma coisa, é só me ligar.
pegou papel, caneta e anotou seu número. Quando terminou, viu que a amiga estava com alguma expressão estranha enquanto cutucava a namorada de Troy. Soube que elas estavam escondendo algo.
Fingir que não estava tão interessada sempre funcionava.
— Qual o problema? Lembraram de algo?
— Bom, é que... — A amiga começou. — Com tantos caras sumindo, as pessoas falam.
fez sinal para que ela continuasse.
— Bem, é uma lenda local. Uma garota... Ela foi assassinada na rodovia há décadas. Ao que parece, ela ainda está por lá. Ela pega carona e... Bem, quem dá carona desaparece para sempre.
Finalmente, tinha conseguido uma pista. Só podia ser um espírito, apesar de não ter vestígios no carro, algo que seria muito estranho, mas que ela resolveria depois. Mas então precisava ligar para Ally e avisar que tinha conseguido algo.
— Obrigada, mesmo. — Disse e saiu correndo.
Quando passou pela porta da entrada, teve a mesma sensação de quando encontrou os dois rapazes pela manhã, e lá estavam os dois de novo.
Ignorou a presença deles e saiu da lanchonete, tinha coisas mais importantes para fazer do que dar importância a uma sensação de um sonho estúpido. Talvez fosse algo psicológico.

Quando Dean viu a garota na lanchonete junto com as duas garotas que ele iria interrogar, soube que não era algo a se ignorar. Ela estava na cena do crime e, depois, lá estava ela, falando com a principal pista que eles tinham.
— Sam, pera aí. — Segurou o irmão pelo braço.
— O que foi? Viemos aqui para falar com a namorada do Troy.
— Sim, mas você viu essa garota que passou por nós? — Perguntou, apontando para a garota já do lado de fora do estabelecimento. — Ela estava na cena do crime também.
— E daí? — Sam estava aéreo, só queria terminar logo o caso e voltar para casa.
— E daí, meu querido Sammy, que ela pode ser uma suspeita. Pode ser ela quem assassinou o namoradinho da garota ali e está rondando a família. Não é coincidência, tô falando. — Explicou.
— O que quer fazer? Seguir ela? Aliás, ela é muito nova para ter cometido os crimes anteriores. — Sam encarou o irmão. — Ah, cara, fala sério.
— Vamos logo, Sammy! — Puxou irmão para fora do local.
Nem teve como discutir com Dean. Os dois entraram no carro e ele arrancou, seguindo a o carro preto onde a garota, desconhecida por eles, entrou.
Não demorou muito, para que ela encostasse em um motel. Dean desceu do carro, pegou sua arma, deu algumas balas mata bruxa para Sam, pegou um pouco de água benta e seguiu na direção que a garota foi.
Ela caminhava calmamente, em meio aos corredores do motel. Parecia totalmente despreocupada e alheia aos dois rapazes que estavam seguindo-a. Pelo menos, foi o que pensou Dean.
— Ela virou naquele corredor, vamos devagar. — Informou Dean.

Os irmãos andaram furtivamente, calculando cada passo para que não fossem ouvidos caso ela estivesse com mais alguém. Os dois dobraram o corredor, não tinha ninguém, nem parecia que ela tinha acabado de entrar ali.
— O quê?! Ela estava aqui agora mesmo.
— Olá, rapazes. — A voz de uma garota atrás dos irmãos falou.
Os dois sentiram uma arma na cabeça de cada um. Ela não estava sozinha. Estava acompanhada de uma loira, que se encontrava com uma arma apontada para a cabeça de Sam.
— Soltem as armas. — Mandou a loira.
— Por favor, meninos. — debochou e assim os irmãos fizeram.


We've got work to do

Depois de verem suas armas serem pegas pelas duas garotas armadas, os irmãos se viram sendo conduzidos pelos corredores do motel até chegarem em um quarto isolado. Sam estava calmo, já Dean sentia vergonha por estar sendo capturado por duas garotas. Precisava manter a sua reputação, pelo menos a que tinha entre os caçadores que o conheciam.
Ficaram surpresos quando entraram e viram armas espalhadas pela cama, estacas, vidro com água benta, terços... Ficaram aliviados ao perceberem que tinham sido pegos por caçadores e não uma bruxa ou qualquer outro monstro.
Afinal, seria um grande desperdício para ambos, ter que matar duas garotas tão bonitas — pensou Dean.
— Vocês são caçadoras. — Sam falou finalmente.
fez sinal para que Ally não respondesse. Ela estava apreensiva com todos os sonhos que vinha tendo e por causa da sensação estranha que tinha toda vez que encontrava com os dois, um sentimento muitas vezes desconhecido pela garota.
A essa altura, já tinha guardado a arma. Queria intimidá-los de outra maneira, mostrar que poderia torturá-los se quisesse. Então pegou a faca que estava presa na parte de trás da sua calça e encarou os irmãos. Eles não pareciam ser perigosos, mas ela não queria abrir nenhuma brecha, qualquer movimento e eles poderiam surpreendê-las.
Quando Dean fez menção de sair de onde estava, chegou perto dele em uma fração de segundo e pousou a faca sobre seu pescoço, pressionando-a um pouco, o que fez com que o rapaz recuasse e permanecesse onde estava.
— Quem são vocês? Por que estão seguindo a gente? — perguntou.
— Somos caçadores também. — Dean informou, queria que ela tirasse a faca do seu pescoço.
Ele pegou a arma presa atrás da calça e jogou no chão.
— Se são caçadores, por que estavam seguindo a ?
Ally ainda estava com a arma apontada para a cabeça de Sam.
— Bom... Vimos vocês na cena do crime e depois vimos sua amiga conversando com a namorada do Troy. — Explicou Sam.
Ally finalmente abaixou a arma, sabia que estavam dizendo a verdade. Ela realmente os viu na cena do crime – não só viu, como também os comeu com os olhos.
se afastou de Dean, andou até a cama e se sentou. Estava se sentindo estranhamente cansada, algo não muito usual de acontecer, e não estava afim de começar uma luta com os dois garotos, apesar de não confiar muito no que eles estavam dizendo.
— Então vocês estão aqui para resolver esse caso? — perguntou.
Estava estranhamente exausta, como se sua energia estivesse sendo sugada.
— Sim — Dean respondeu, seco. — Cara, você está bem?
sabia que era com ela, mas ignorou. Não teria nenhuma explicação para dar. Como uma caçadora poderia estar cansada de ter perseguido dois caras e colocado uma arma na cabeça deles? Isso não faria sentido.
Os sonhos fariam mais sentido, mas ela não havia contado sobre isso nem para sua melhor amiga, então não contaria a dois estranhos.
— E para encontrar nosso pai também. — Sam acrescentou.
— Valeu, Sammy.
Sam fuzilou Dean com os olhos.
— O pai de vocês? O pai da também sumiu. — Ally explicou.
— Ally! — chamou a atenção da amiga.
— Somos caçadores, deveríamos confiar uns nos outros, certo? — Ally encarou os três. — Sou Allyson.
— Sam Winchester. — Sam respondeu, simpático.
Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, assustou todos ao se engasgar sem nem sequer estar tomando ou comendo algo. Ela não poderia estar de frente para os dois caras com quem passou metade de sua infância e que passaram a aparecer em seus sonhos há seis meses, sem nenhum aviso prévio.
Era demais para ela.
A sensação que ela estava sentindo passou no momento em que ela processou quem eles eram. Confiava neles agora.
Não acreditava no que acabara de ouvir. Em todas as vezes em que sonhou com John Winchester e seus filhos, nunca cogitou a possibilidade de procurá-los. E lá estava ela, bem de frente para eles. Mas, se estavam procurando o pai, significava que John estava desaparecido e isso não era nada bom.
A última vez em que falou com ele foi há duas semanas. Ele estava agitado no telefone, dizendo que tinha conseguido uma pista muito importante sobre o demônio que havia matado sua esposa, logo, o demônio que tinha matado sua mãe, algo que os irmãos não sabiam. John prometeu que nunca contaria aos filhos, a pedido do pai de , algo que ela nunca entendeu.
— Sam? Dean? — perguntou.
— Somos nós. — Dean respondeu, ironicamente. — Por acaso a gente te conhece?
riu. Passou metade de sua infância e adolescência convivendo com os Winchesters. Não todos os dias, afinal, seus pais quase sempre estavam caçando separados mas, quando conseguiam se encontrar ou quando precisavam um do outro, lá estavam eles reunidos.
Enquanto era encarada pelos irmãos e sua amiga curiosa — que esperava por uma bomba —, ela pensou primeiro em sua amizade com Sam. Apesar de sempre estarem na estrada, se falavam o tempo todo por mensagem. Um ajudava o outro com pesquisas da caçada, mesmo de longe. Já com Dean, sua relação era muito diferente. Ele sempre foi muito fechado e, por um tempo, ela alimentou um sentimento não só de amizade pelo irmão mais velho, algo que passou com o tempo. Depois que ela foi ficando mais velha, caçar virou seu maior objetivo.
Eles tinham algumas coisas em comum, como carros e a empolgação sempre que se envolviam em uma caçada. A cada dia, ficavam mais próximos. Sua relação com ele era algo inexplicável. Eram sincronizados nas caçadas e um acobertava o outro.
Permaneceram amigos até se separarem de vez quando ela já tinha por volta dos seus dezesseis anos, quando seu pai decidiu que eles precisavam quebrar aquele vínculo — fazer amigos ou se importar. Era extremamente proibido para ele, algo que sempre foi contra, mas respeitou até completar a maior idade.
Agora era diferente. Tinha amigos, pessoas com quem se importava, por quem daria a vida se fosse preciso. Não tinha motivos para mentir para os dois irmãos, que um dia foram quase sua família.
Na verdade, foram sim sua família, e ela morreria por eles também.
— Sou eu, . — Disse finalmente. — Andrew ...
— Não é possível! — Sam andou até a e a envolveu em um abraço, inesperado por ela.
A sensação eletrizante do sonho percorreu o corpo de .
Era tudo estranho e novo para a garota. Apesar de já o conhecer, não sabia como reagir. Imaginou o reencontro algumas vezes mas, depois de ter ido, deixado apenas um bilhete e nunca mais ter respondido as mensagens de Sam, não teve coragem de retornar. Mesmo depois de ter poder sobre as próximas decisões.
Ele era seu melhor amigo.
— Estou feliz em ver você também, Sam. — retribuiu o abraço. — Você cresceu.
Ela olhou melhor para o velho melhor amigo, que agora tinha mais de um e noventa, o que fazia com que ela batesse só um pouco acima da cintura dele.
— Não acredito que aquela pequenininha se transformou nessa .
— Muito engraçado, Dean. — abriu um meio sorriso.
— Nossa, o mundo é pequeno. — Ally disse, estava um pouco confusa.
riu, sabia que a amiga queria ser apresentada.
— Ah, essa é a Allyson, ela é uma amiga. Caçamos juntas.
Dean e Sam encararam . Apesar de ter dito ‘uma amiga’ — porque ela adorava esconder o jogo —, tinham notado que a garota era muito importante.
— Ela é da família. — Dean acrescentou e piscou para Ally. — É um prazer, Allyson.
sentiu a alfinetada nas palavras de Dean, mas as ignorou.
— Bom, agora que já estão todos devidamente apresentados... Precisamos resolver o caso.
queria quebrar o gelo.
, você disse que seu pai sumiu. Como o encontrou aqui? — Sam perguntou, curioso.
— Ah, ele me enviou coordenadas.
— Bom, talvez nossos pais estivessem caçando juntos. Mas isso é mistério para depois. Primeiro, temos o trabalho. — Comentou Dean.
Depois de mostrarem aos irmãos o que tinham, decidiram que precisavam fazer mais pesquisas. Apenas o boato de uma mulher de branco não era o suficiente para eles destruírem o espírito que estava matando tantos homens nos últimos anos. Precisavam saber se o espírito da mulher tinha um motivo para cometer os assassinados — não que isso justificasse, mas era importante para entender com que tipo de espírito estavam lidando.
Se era de fato uma mulher de branco.
Os quatro seguiram para a biblioteca da cidade. Lá, sabiam que conseguiriam encontrar alguma coisa sobre toda a história local. Enquanto Sam e Dean faziam pesquisas na internet, e Ally procuravam pessoas para perguntar um pouco sobre a cidade, se tinham notado algo de estranho recentemente e também saber se eles tinham visto dois novos homens na cidade com as características de John e Andrews.

— Você não precisava ter falado daquele jeito com a . — Sam disse enquanto esperava a página da internet.
Dean encarou o irmão, não podia acreditar que ele estava dizendo aquilo. Ela tinha largado os dois para trás depois de terem passado anos como uma família. Era inaceitável para ele. Nunca se deixava a família para trás.
Sam o encarou, estava esperando uma resposta.
— Cara, deixa que eu pesquiso isso aí. — Dean respondeu e empurrou a cadeira de Sam.
Tinha acabado de ignorar o irmão. Odiava ser repreendido, especialmente se era sobre a relação dele com , como aconteceu muitas vezes no passo quando eles ainda eram uma família.
Ela era da família.
O pensamento irritou Dean, que começou a pesquisar desesperadamente pela tal mulher de branco. Digitou várias palavras chaves como “mulher assassinada carona”, “mulher assassinada rodovia”, mas não obteve nenhum sucesso em suas pesquisas. Aparentemente, parecia não ter tido nenhum caso de alguma mulher que morrera naquela ponte.
— Bom, parece que a fonte da sua querida estava errada. — Dean debochou.
— Duvido. Ela pode ter seus defeitos, mas é uma ótima caçadora. — Sam comentou. — Sai pra lá.
— Tá comigo.
Sam empurrou o irmão, que resistiu, mas foi empurrado de novo.
— Cara, você é muito controlador.
Sam começou a digitar algumas coisas enquanto Dean se distraia, olhando para o outro lado da biblioteca, observando . Pensou nas tardes em que passava com ela, limpando as armas, fazendo balas, cuidando dos carros que seus pais usavam para caçar.
Apesar de terem um gênio muito parecido e brigarem às vezes, os dois se davam bem e eram bem parecidos na hora da caçada. A verdade é que ele tinha sentido muita falta dela desde que tinha ido embora sem nem sequer dar alguma explicação que fizesse sentido.
Para ele, ela largar tudo porque seu pai ordenou — mesmo tendo só seus dezesseis anos — era difícil de engolir porque sabia que, se ela batesse o pé e pedisse para ficar com seu pai, ele não pensaria duas vezes.
Mas era passado. Eles eram adultos e ele já estava envolvido com outra pessoa. Aceitar que tinha sido apenas uma paixão — na qual ele nunca investira — da adolescência era o melhor a se fazer. Precisava se concentrar na caçada e em encontrar seu pai.
— Dean, tá me ouvindo? — Sam cutucou o irmão, que parecia estar no mundo da lua.
Dean permanecia encarando a velha amiga e foi cutucado novamente.
— Qual é, Sammy?
Encarou o irmão irritado.
— Cara, você não me escuta.
— Tô ouvindo agora. Achou alguma coisa?
— Bom, espíritos agressivos tiveram mortes violentas, certo? Talvez não tenha sido assassinato. — Sam explicou.
Ele digitou “mulher se suicida na rodovia” e uma pesquisa apareceu. Nela, dizia que uma mulher, em 1981, se jogara da ponte na rodovia, uma hora depois de encontrar seus filhos mortos na banheira após deixá-los lá por cerca de alguns minutos.
— “Nossos filhos morreram e Constance não aguentou, disse o marido dela, Joseph Whelch.” — Sam leu ao lado da matéria.
— A ponte não parece familiar? — Dean sugeriu.
— É, acho que encontramos a nossa mulher de branco.

estava apreensiva, ninguém na biblioteca parecia ter visto seu pai ou John. Por um momento, ela se sentiu totalmente sem esperança.
Afastou-se da mulher para quem estava fazendo perguntas, precisava de espaço.
Ally continuou fazendo algumas perguntas enquanto observava os dois irmãos, que estavam fazendo a pesquisa logo mais à frente de onde ela se encontrava. Observou os dois interagindo. Para ela, que os conhecia muito bem, sabia que tinha algo de diferente neles.
Sam e Dean sempre brigaram bastante, mas também sempre foram muito unidos. E agora parecia que existia um penhasco entre os dois. Ela pensou mo que poderia ser, mas nada veio em sua cabeça, então voltou a se concentrar na moça que não parava de falar.
— Bom, é só isso mesmo, obrigada. — Ally disse de forma educada mas com a intenção de interromper a tagarela.
— Tem alguma coisa estranha com esses dois. — Escutou dizer.
Do que ela estava falando?
, além do que ela disse, não temos nenhuma outra pista. — Informou Ally.
— Hm.
, eu sei que é difícil não olhar para eles, mas será que pode se concentrar aqui?
— Desculpa, não é isso. — explicou, sem fazer nenhuma cara de brava ou dar alguma patada.
Allyson sabia que a amiga estava agindo de forma muita estranha. não era de ter distrações — ainda mais em uma caçada — mas, desde que ela tinha reencontrado os irmãos Winchester, parecia estar bastante distraída e fora do seu normal.
Apesar de achar que a amiga não tinha notado sua mudança nos última seis meses, ela tinha sim, e andava bastante preocupada. Não só com as caçadas em excesso por parte da amiga, mas pelas poucas horas de sono que ela vinha tendo.

— Ei, encontraram alguma coisa? — Sam perguntou ao se aproximar.
— Não, nada. Ninguém aqui na biblioteca os viu. — Ally informou.
— Que ótimo. Nada que a gente não soubesse, né?
Dean tinha acabado de ser grosso com a pessoa errada e nem foi preciso que Sam pisasse no pé dele, desse um tapa discreto ou simplesmente raspasse a garganta para ele percebesse. A cara de Allyson disse tudo.
— Desculpa, só estou nervoso. Meu pai nunca sumiu por tanto tempo.
arregalou os olhos, sabia que ele não era de se desculpar por nada.
— Tudo bem, eu entendo.
— Bom, sentimentalismo à parte... O que vocês acharam?
caminhou até a saída. Sabia que, se não apressasse os três, eles ficaram lá ao invés de andar logo com o caso.
— Bom, nós descobrimos que uma mulher se suicidou na ponte após encontrar os filhos mortos na banheira de sua casa. — Sam explicou.
— Mas isso não faz sentido. — e Sam falaram juntos.
se recostou em seu carro assim que chegaram ao estacionamento. Reparou no Impala parado bem ao lado dela e teve algumas lembranças da época em que caçava junto aos Winchester. Sempre gostou muito do carro.
— Pode falar.
Sam sorriu para amiga, que continuou.
— Por que ela mataria homens que não tem filhos?
— Como assim? — Dean olhou, confuso.
— Suponhamos, que ela tenha matado os filhos, o que é horrível. — fez uma careta. — Mesmo assim, ela teria que matar homens, ou até mesmo mulheres, o que sabemos que ela não faz, porque mataram seus filhos.
— Na delegacia, o xerife disse que Troy era um bom garoto, exceto que traía muito a namorada. — Ally lembrou a amiga.
— Então só pode ser isso. Ele traiu a esposa, que matou os filhos porque não aguentou de tanta tristeza, e agora ela mata qualquer homem que seja infiel.
— Ótimo, já está ficando tarde. Vamos para a ponte, quem sabe encontramos mais alguma coisa que não vimos lá. — Sugeriu Dean.
As amigas concordaram e entraram em seu carro, sendo seguidas pelos irmãos. disse que não tinha necessidade de irem os quatro até a ponte, mas concordou pelo simples fato de que qualquer coisa era melhor do que ter que ficar em um quarto de hotel, ter mais um daqueles pesados e acordar apavorada.
Enquanto dirigia, se perguntou se John saberia sobre seus sonhos. Nunca, jamais, desconfiou dele, nem mesmo dos filhos. Mas não fazia sentido ela ter aqueles sonhos constantes e, de repente, reencontrá-los depois de longos seis anos sem nenhum contato, exceto pela ligação recente de John para o seu pai, pouco antes de ele sumir.
Andrews nunca disse à filha que estava indo para uma caçada com o velho amigo, mas não era mais criança e sabia que os dois estavam escondendo alguma coisa, talvez alguma pista muito valiosa sobre o demônio que caçavam há anos.
— Eu sabia que seu pai conhecia John Winchester, mas não achei que você era tão próxima dos filhos dele. — Ally comentou enquanto descia do carro.
— Podemos falar disso depois?
O assunto tinha sido evitado por muitas razões e não queria falar sobre ele naquele instante.
bateu a porta do carro com força e caminhou rápido, na intenção de criar uma distância grande o suficiente entre ela e a amiga, para que ela não voltasse a fazer nenhuma pergunta sobre Dean e Sam, não ainda.
Parou de andar quando viu uma mulher toda de branco em pé, na grade da ponta. Sua expressão era uma mistura de desespero e tristeza, como se estivesse pedindo algum tipo de ajuda.
— Pessoal? — chamou os três, que não paravam de tagarelar atrás dela.
Era tarde demais, a mulher se jogou.
Ela correu, seguida pelos três amigos que estavam tão confusos quanto ela. Por que ela se mostraria assim? Algum tipo de aviso? Não importava, precisavam se aproximar para ver se ela havia deixado alguma pista para eles, mesmo que não intencionalmente.
— Parece que foi aqui que Constance deu seu último pulo. — Dean informou, ironicamente.
— Você acha que papai esteve aqui? — Sam perguntou.
— Bom, ele estava atrás da mesma história e a gente, atrás dele.
Dean se afastou.
— Tá bom, e agora?
Sam estava preocupado com a faculdade e estavam sem muitas pistas, exceto pela teoria que tinham criado antes na biblioteca, mas não era o suficiente para ele ter certeza de que, na segunda-feira, voltaria para casa.
e Ally permaneceram em silêncio, especialmente que, lá no fundo, sabia que as coisas estavam muito esquisitas entre eles.
— Continuamos procurando até achá-lo. Vai demorar. — Dean informou enquanto observava o lugar.
— Dean, eu já disse, eu tenho que voltar até segunda. — Sam insistiu.
Segunda? Voltar? As perguntas correram na cabeça de que, apesar de não estar se metendo na conversa, conseguia ouvir tudo. Por que Sam voltaria sem Dean? Afinal, eles eram inseparáveis.
— Segunda? Tudo bem, a entrevista? Esqueci. — Dean estava com uma expressão séria.
Entrevista? De quê? percebeu que a situação era mais séria do que parecia.
— Você está levando isso a sério, não tá?
No fundo, Dean não queria acreditar que seu irmão realmente preferia voltar para fazer uma entrevista da faculdade a procurar por seu próprio pai.
— Está querendo mesmo virar advogado? Casar com a garota?
Dean sabia que estava indo longe demais provocando o irmão daquele jeito, mas precisava botar para fora o que estava sentindo.
Direito? Outro pensamento percorreu a cabeça de . Sam sempre falou da faculdade para ela, mas a garota nunca pensou que ele realmente teria coragem de largar tudo e ir embora, deixando sua família para trás.
Agora tudo estava fazendo sentido, a reação de Dean ao reencontrá-la. Sabia que ele nunca aceitou bem mas, depois de seis anos, não esperava que ele ainda guardasse remorso. Estava com raiva pela ida de Sam e reencontrá-la só fez as duas coisas florescerem.
pensou sobre o “casar com a garota”, mas isso era o de menos. Sam sempre foi doce e gentil, já era de se esperar que ele se encantasse por alguém e vice-versa.
— Talvez. Por quê não?
Sam já estava de saco cheio de toda aquela merda de Dean, o fato de ele achar que todo mundo precisava seguir os passos que ele achava melhor.
— A Jéssica sabe a verdade sobre você? Ela sabe das coisas que você fez?
— Não e ela nunca vai saber! — Sam deu um passo à frente.
se movimentou levemente, precisava estar preparada caso os dois resolvessem brigar, como sempre acontecia quando eles eram mais novos.
— Ah, muito saudável. — Dean sorriu, debochado. — Pode fingir o quanto quiser, Sammy, mas, cedo ou tarde, vai ter que encarar quem você é.
Dean deu meia volta e saiu andando, sabia que Sam era um caso perdido. Demorou muito para admitir, mas aquela era a hora de aceitar.
, acho melhor nós interferirmos. — Ally sussurrou para a amiga.
— Não, isso não é problema nosso. — respondeu em um sussurro. — A não ser que eles entrem na porrada.
Algo que ela sabia que era bem provável.
Sam encarou Dean, estava fervendo por dentro. Se ele iria ou não contar para a sua namorada a verdade, não era problema do irmão. Sabia que as duas garotas estavam presenciando tudo, mas não estava nem aí. A discussão tinha se iniciado e ele não ia parar.
— E quem eu sou?
— É um de nós.
Sam deu a volta e entrou na frente do irmão.
— Eu não sou como vocês, a minha vida não vai ser assim.
Dean riu.
— Você tem uma responsabilidade.
— Com o papai? E com a cruzada dele? Se não fosse pelas fotos, eu nunca ia saber como era a mamãe. E que diferença faria? Mesmo que a gente encontrasse a coisa que a matou, a mamãe se foi e ela não vai voltar.
sabia que Sam tinha passado dos limites, apesar de entender que ele estava cansado de toda a situação. Conhecia os dois o bastante para saber que ele tinha plena consciência de que falar sobre a mãe deles afetava Dean diretamente.
Quando ela deu um passo para tentar impedir uma possível briga, já era tarde. Dean já tinha pego Sam pelo colarinho e o jogado contra a grade da ponte.
— Não fale assim dela.
Dean estava visivelmente abalado.
— Ei, vocês dois, podem parando com isso. — gritou enquanto caminhava na direção deles.
Dean soltou o Sam.
, isso não é da sua conta. — Dean praticamente gritou.
— Ei, não fala assim com ela. Seu problema é comigo.
Sam se sentiu na obrigação de defender a velha amiga.
— É claro que você vai defendê-la.
— Ei, pessoal. — Ally tentou chamá-los.
Ela sabia que tinha dito para não se meterem, mas o farol do Impala tinha acabado de acender e, como ninguém estava dentro do carro, com toda certeza não era um bom sinal.
— O que foi, Ally? — gritou.
— Quem tá dentro do carro?
Dean mostrou a chave.
— Droga. — Sam comentou.
Seja lá o que estivesse dentro do carro, começou a acelerar na direção deles. Os quatro sabiam que estavam muito longe do fim da ponte. Logo, a única opção seria pular para fora dela, e foi o que eles fizeram.
Dean caiu direto na água junto com Ally, enquanto foi segurada por Sam, que se segurou na ponte. Os quatro estavam com os nervos à flor da pele. Por um instante, todos pensaram que tinham morrido.
Sam puxou de modo que ela conseguiu se apoiar sozinha nas grades para procurar por Allyson e Dean.
— Dean? — Sam gritou. — Ally?
— Cadê eles, Sam?
— Não sei, você pulou bem ao meu lado. Foi instinto te segurar.
— Obrigada, a propósito. — sorriu para o amigo.
Sam observou por um momento. Para ele, era obvio que a salvaria mas, para ela, não parecia ser.
— Ei, estamos aqui. — Ally gritou.
Os dois olharam para baixo e viram Ally jogada na grama toda molhada enquanto Dean estava com metade do corpo dentro do rio e a outra, jogada na grama também. Os dois estavam bem sujos. Pelo visto, não era um rio muito limpo para sair se jogando.
Já do lado de cima, Dean se recostou em seu carro. Ele e Ally estavam sujos e fedendo muito. O rapaz ergueu os braços, mas os sentiu pesados por conta de toda a lama podre.
— Bom, tá tudo bem com o carro pelo menos, Dean. — Sam debochou.
— Ah, muito engraçado, Sammy!
Sam o repreendeu com o olhar.
— Cara, vocês estão com cheiro de esgoto. — riu, olhando Dean e a amiga cobertos de lama preta.
— Ah, desculpa se não conseguimos ser tão espertos quanto vocês dois. — Ally olhou com cara de nojo.
— Na verdade, Sam me salvou. — sorriu.
— É claro. — Sam concordou com ela, que desviou o olhar.
— Ah, mulherzinha, que maluca!
Dean estava puto.
— Você acha que foi ela? — perguntou, rindo.
— Quem mais poderia ser?
— Bom, pelo visto, ela não quer a gente por perto. — Sam comentou. — Acho melhor irmos para o hotel em que vocês estão, os dois aqui precisam de um banho antes que a gente morra com o fedor.
Sam soltou uma gargalhada.
riu junto, ela não via Sam rir assim desde que eles tinham quinze anos e saíram em uma caçada sozinhos, deixando seus pais mortos de preocupação. Ele sempre foi muito reservado, na dele, apesar de se abrir muito com ela quando ficaram amigos de verdade. O dono das piadas e das risadas sempre era Dean.

Dean jogou o cartão na recepção do hotel enquanto o recepcionista olhava estranho para ele. Sabia que era não só por causa da aparência horrível de quem parecia ter saído do lixo, mas também pelo cheiro.
— Esse trabalho no lixão está acabando comigo. — Disse Dean com um riso no rosto.
Sam segurou a risada.
— Hm. — O homem resmungou assim que pegou o cartão. — Tem uma reunião ou algo assim?
— Como assim?
Sam olhou confuso.
— Outro cara, Butter Afreimam, chegou e alugou um quarto por um mês inteiro.
Dean encarou Sam, sabia que só poderia ser seu pai. Ele perguntou qual era o número do quarto e saiu do hotel em direção a , que estava esperando do lado de fora, encostada em seu carro.
— Ué, cadê a loirinha? — Dean perguntou, se referindo a Allyson.
— Foi tomar um banho.
— Parece que achamos nosso pai. — Sam informou.
— Sério? Onde tá o John? Ele está bem?
— Não, lindinha. — Dean disse, debochado.
revirou os olhos.
— Cadê ele então?
— Ele alugou um quarto por um mês inteiro aqui, sabemos o número. Talvez, se conversarmos, o cara pode nos dar a chave. — Sam explicou.
Ele arrancou uma risada não só de Dean, mas de também.
— Ah, Sam, qual é. — o encarou. — Entendo você ter parado de caçar, mas sei que não perdeu o jeito. Qual o número do quarto?
— É 68. — Dean respondeu, um pouco confuso.
deixou os dois falando sozinhos e andou em direção ao local onde ficavam os quartos. Procurou pelos números até chegar próxima à numeração que Dean tinha informado. Sam e Dean a seguiam sem entender muito bem o que ela estava fazendo.
A garota se abaixou, tirou dois objetos de metal do bolso e enfiou na fechadura.
— Se era isso que ia fazer, era só ter falado. — Dean disse, se sentia na obrigação de mostrar que tinha atitude também.
— Cara, não. , para com isso. — Sam disse, tentando fazer com que a garota parasse.
— Pronto. — Disse, animada. — Agora entrem antes que sejamos pegos.
Dean sentiu seu coração desacelerar quando encontrou o quarto vazio. Seu maior medo era que poderia encontrar o corpo de seu pai morto no chão, o que seria muito pior do que simplesmente não o encontrar, como estava acontecendo.
O lugar estava uma bagunça, com restos de comida espalhados, roupas jogadas e outras coisas. Dean olhou, procurando por pistas, até que reparou que tinham papéis grudados na parede, diversas pesquisas sobre o caso da mulher de branco.
— Sal. — Sam disse abaixado enquanto pegava um pouco na mão. — Papai estava preocupado.
— Parece que ele descobriu sobre o caso. — Dean informou. — Acho que o marido realmente a traiu.
— Logo, eu estava certa. — disse de maneira convencida.
Dean revirou os olhos.
— Bom, vou tomar um banho e aí nós podemos ir atrás do marido. O que acham?
Dean seguiu em direção ao banheiro, mas foi parado por Sam.
— Ei, desculpa pelo que eu disse sobre a mamãe.
Dean riu e colocou a mão no ombro do irmão.
— Sam, sem pieguice.
— Tá, idiota. — Sam riu.
e Sam decidiram procurar por pistas enquanto esperavam Dean sair do banheiro. Eles encontraram algumas coisas, mas nada que desse alguma pista de onde o pai deles estava.

O pé de Sam ficou preso no tapete, que subiu, revelando para ele um desenho. Quando ele puxou, apareceu uma chave de Salomão desenhada em tinta vermelha, mais conhecido como armadilha do diabo.
Ele tirou por completo o tapete e observou o desenho. Estava levemente riscado, dando uma brecha para que o demônio que estivesse ali dentro conseguisse escapar.
Pensou em muitas possibilidades, desde um demônio ter levado seu pai ou simplesmente John tinha conseguido informações — como costumava fazer — mas, dessa, vez o maldito tinha conseguido escapar.
— Parece que não era com a mulher de branco que meu pai estava preocupado. — Disse Sam.
— Parece que ele deixou coordenadas. – informou com um papel na mão.
Enquanto ela pegava o celular para procurar de onde poderia ser a coordenada, observou também o desenho no chão.
— Sam, tenho certeza de que seu pai deixou o demônio fugir, não acredito que tenha sido pego.
Sam cobriu o desenho, não queria que Dean soubesse, não ainda.
— Claro.

— E aí, vamos nessa? — Dean disse, saindo do banheiro.
— Sim. Eu vou tomar uma ducha rápida, pode ser?
Sam estava com a cabeça a mil. Até então, ele só conseguia pensar em voltar para a entrevista da faculdade mas, depois de ver a chave de Salomão desenhada no chão, começou a se perguntar se Dean não teria razão.
E se algo mais grave estivesse acontecendo com seu pai? Seria capaz de ignorar e ir embora? Não saberia dizer.
— Cara, você está bem?
Dean saiu pronto do banheiro.
permaneceu em silêncio, sabia que era por causa do que encontraram mas não queria falar nada, não cabia a ela.
— Sim. Vai com a pegar algo pra comer. Me manda o endereço e encontro vocês lá.
Sam entrou no banheiro antes que Dean perguntasse mais alguma coisa. O dois saíram do quarto de hotel e deram de cara com um policial conversando com o recepcionista. sentiu que tinha algo de errado. Já Dean tinha certeza disso e percebeu que havia esquecido o motivo pelo qual eles precisaram arrombar o quarto.
Dean puxou pela mão, mas sabia que já era tarde para conseguir fugir. O policial caminhava na direção deles. O rapaz sacou o celular do bolso e telefonou para Sam, torcendo que ele estivesse vestido ainda.
O irmão atendeu.
— Sam, fomos pegos, foge daí e vai pegar a Allyson. — Dean disse e desligou, sem nem poder explicar mais nada para o irmão.
A mão do policial tocou seu ombro.
– Ei, você. — O policial falou.
— Algum problema? — perguntou.
— Sim, vocês estão presos pelo assassinato de Troy Scott. — Informou o policial. — E pelo de outros diversos homens.
arregalou os olhos e encarou Dean.
– Qual é a prova, posso saber?
não queria desacatar o policial, mas odiava tanto a incompetência deles e a capacidade de sempre pegar a pessoa errada que não conseguia se controlar.
— Vou dizer. — Ele disse. — Falsos cartões, falsos federais. Tem alguma coisa de verdade?
– Meus seios. — Dean respondeu, debochado.
soltou uma risada abafada.
O policial pegou Dean, o jogou contra o capô do Impala e o algemou.
— Tem o direito de ficar calado, e você vem comigo também.
pensou em dar um golpe no policial. Sabia que conseguiria, mas poderia piorar muito a situação deles, então apenas concordou e deixou que o homem a algemasse também.
Sam saiu pela janela do banheiro nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, antes que um policial entrasse no quarto e o pegasse ali. Lembrou que teria que buscar Ally, mas não tinha ideia alguma de em que quarto ela estava. Não tinha número de telefone, simplesmente nada para encontrá-la.
Ele pensou por uns instantes e se arriscou a olhar se os policiais ainda estavam na frente do hotel. Estava prestes a emitir algum tipo de barulho para que o recepcionista saísse e ele pudesse entrar sem ser visto quando viu Ally na frente do hotel.
Quando ela olhou na direção em que ele estava, ele fez um aceno e um sinal para que ela não dissesse nada.
— Sam, o que está acontecendo?
Ele a puxou para parte de trás do lugar.
— Posso te chamar assim, né?
— Pode, claro, Samuel é velho demais. — Informou.
— Espera. Cadê a e o Dean?
— Foram pegos pela polícia.
— Podemos emitir um alerta falso para eles. — Ally comentou.
Sam a encarou. Estava procurando uma forma para dizer o que estava prestes a falar. Não queria fazer parecer que queria deixar seu irmão ou presos.
— É o seguinte... Eles agora vão ficar concentrados em arrancar algo do Dean e da . Até onde eu sei, eles não sabem sobre nós, então podemos usar esse tempo para visitar o marido da Constance. O que acha?
— E eles vão ficar presos enquanto isso?
— Olha, não sei se você conhece a há muito tempo mas, pelo tempo que conhece, deve saber que ela sabe se virar. Isso inclui o Dean.
Sam encarou a garota. Ela parecia legal e não queria causar uma impressão errada. Depois de ter brigado daquela forma com Dean na frente dela, isso com certeza ia parecer uma vingança.
— Acho que a sua ideia é boa. — Respondeu por fim.
— Não quero que pense que quero deixar meu irmão lá...
— Vamos logo.

Quando estacionaram de frente para o ferro velho, Sam decidiu que era a hora de mandar o falso alerta para a polícia. Seria tempo suficiente para eles perguntarem o que quisessem para o homem e para e Dean fugirem.
Assim que entraram no local, um homem veio na direção deles. Conforme se aproximava, podiam ver que era o marido de Constance que viram na foto, com o rosto bem mais envelhecido e com uma calvície bem aparente, o que era bem compreensível, considerando a tragédia.
— Olá. Em que posso ajudar? — Perguntou o homem enquanto encarava os dois jovens.
— Senhor Joseph Whelch? — Perguntou Ally.
— Sou eu.
— Nós estamos fazendo uma matéria para um jornal. Gostaríamos de falar sobre a sua mulher.
Sam tentou ser sutil.
— Já disse tudo para o seu jornal, um homem mais velho esteve aqui na semana passada.
Sam e Ally se olharam.
Sam pegou uma foto em seu bolso.
— Seria esse homem?
Joseph fez um sinal positivo com a cabeça.
— Bom, ficou faltando algumas coisas na pesquisa dele. Gostaríamos de perguntar para você. — Sam insistiu.
— Desculpe, eu não tenho nada para falar. — Joseph disse e se virou para ir embora.
Sam viu o homem ir embora e sentiu vontade de puxá-lo, arrancar a informação a qualquer custo. Sabia que estavam perto de descobrir algo. Só quem tem algo para esconder fugiria assim das perguntas.
— Senhor Welch, já ouviu falar da mulher de branco?
— Sam... — Ally o chamou, sabia que ele estava indo longe demais.
— A mulher de quê?
O homem se virou para encarar Sam.
— A mulher de branco. — Continuou Sam. — Ou a mulher que chora. História de fantasma. Na verdade, é mais um fenômeno. São espíritos. Têm sido vistos há centenas de anos, em vários lugares. No Havaí, no México, até no Arizona. São todas mulheres diferentes, sabe, mas com histórias iguais.
— Olha, rapaz, eu não acredito em besteiras.
— Quando elas viviam, os maridos foram infiéis com elas. — Ele seguiu.
Ally estava apreensiva, não estava acostumada a pressionar as pessoas assim nos casos que pegava com mas, ao mesmo tempo, se sentia surpresa pela atitude de Sam. Apesar de não o conhecer bem, ele não parecia ser aquele tipo de cara.
— E essas mulheres, sofrendo de insanidade temporária, mataram os filhos. Quando viram o que tinham feito, elas se suicidaram. Seus espíritos foram amaldiçoados, vagam do lado de estradas e rios. Se elas encontram um homem infiel, elas o matam e o homem desaparece para sempre!
Sam terminou e ficou encarando o homem. Sabia que tinha ido longe demais, mas não tinha volta.
— Você acha que isso tem a ver com a Constance?
— O senhor me diz.
— Talvez eu tenha cometido erros, mas não importa o que eu fiz. Constance não mataria as crianças. Agora vai embora daqui e não volte nunca mais. — Informou o homem, consumido pelo choro, e saiu andando rapidamente.
Sam tinha sua resposta, Constance era de fato uma mulher de branco.
— Sam, o que foi isso, porra? — Ally gritou.
Sabia que não tinha esse direito, mal o conhecia, mas ele tinha passado completamente dos limites.
— O que mais eu poderia fazer? Ele não ia dizer nada se não fosse assim. Precisava ter certeza. — Sam deu as costas a ela e andou em direção ao carro.
Ally estava espumando. Mais do que ninguém, ela sabia o que aquele homem estava passando e, independente de ele a ter traído ou até mesmo em partes ser responsável pela morte dos filhos também, sempre era difícil perder alguém que se amava.
Ela conhecia bem a dor.
— Não importa. — Segurou o braço de Sam. — Aquele homem está sofrendo, ele perdeu toda sua família. Você deveria mostrar um pouco de compaixão. — Disse e entrou no carro, sem dar espaço para que Sam pudesse se justificar.

Na delegacia, Dean e foram colocados em uma sala daquelas iguais de filme, onde eles interrogam as pessoas. Ambos estavam sentados em uma cadeira e de frente para uma mesa vazia.
Não demorou muito para que um homem barbudo entrasse na sala. O homem se aproximou, jogou o diário de John sobre a mesa e o papel que tinha encontrado com as coordenadas escritas nele.
Dean se inclinou. Até então, não tinha visto o papel, mas sabia que se tratava de coordenas escritas pelo pai.
— Quer dizer seu nome verdadeiro? — O xerife perguntou, se referindo a Dean.
— Eu já disse. É Nouget, Ted Nouget.
O homem bufou.
— Acho que você ainda não entendeu o problema em que se meteu.
— Quer dizer o problema da contravenção ou da coisa mais séria?
Dean estava sendo debochado e sabia que isso não era bom, apesar de no fundo ser um pouco engraçado. Eles tinham sido pegos, com várias provas no quarto de John, e isso os incriminaria sem sombra de dúvidas.
— Tem os rostos de dez desaparecidos colados na sua parede, junto com bugigangas satânicas. Você é oficialmente um suspeito.
— É, faz sentido porque, quando o primeiro desapareceu, em 82, eu tinha três anos.
riu, não conseguia se conter.
— É crime agora ser curioso ou gostar de coisas satânicas? — perguntou ironicamente.
O xerife riu.
— Eu sei que tem cúmplices, um deles é um cara mais velho. Vai ver ele começou a coisa toda. Me diga, Dean, o que são esses números? — Apontou para o papel e abriu o diário com o nome dele.
Dean e sabiam o que era, mas nunca iriam falar.
— É o meu segredo do armário da escola. — Dean deu de ombros.
O homem estava prestes a perguntar mais alguma coisa quando um policial entrou na sala.
— Nós temos um chamado, tiro na estrada White Ford. — Informou o policial.
O xerife prendeu os pulsos de Dean e na mesa e saiu da sala.
Os dois sabiam que, na verdade, era só um alerta falso para que os dois conseguissem fugir, e assim eles fizeram. Dean puxou um clipe preso no diário de seu pai, abriu sua algema e, depois, a de . Saíram sem fazer barulho.
Quando chegaram ao final da escada, que dava no beco ao fundo da delegacia, viram que Ally estava esperando no carro. Assim que entraram no mesmo, Allyson deu partida.
— Ufa, essa foi por pouco. — Disse , já no banco do passageiro.
— Pois é. — Ally comentou.
— Cadê o Sammy? — Perguntou Dean, notando que o irmão não estava no carro.
— Ah, ele foi direto para a casa onde a mulher está enterrada. — Informou Ally, não queria contar que os dois brigaram e ela quis ficar sozinha.
— Qual é Ally, deixou o cara sozinho? — Dean perguntou inconformado, sabia que o irmão estava fora de forma.
— E quem viria pegar vocês?
Revirou os olhos, irritada.
sabia que tinha algo de errado, esse não era um tipo de atitude comum em Ally.
— O cara não caça há dois anos, está fora de forma.
— Dois anos? Ally, acelera aí. — Pediu e a amiga assim fez.
Nunca tinha passado pela cabeça de que Sam tinha se afastado das caçadas por dois anos.

Sam estava se sentindo culpado por ter falado daquele jeito com o marido de Constance e também por ter passado aquela impressão para Allyson. Ele não era de ter atitudes assim, coisas desse tipo eram mais a cara de Dean, mas ele estava não obcecado em voltar para casa ou ir atrás de seu pai — não tinha certeza — que perdeu a cabeça.
Continuou acelerando, precisava chegar na casa para queimar o corpo o mais rápido que pudesse. Mas alguma coisa não se encaixava. Se seu pai tinha descoberto tudo, qual era a razão de deixar de queimar o corpo? Tinha surgido algo mais importante?
Mesmo assim, John sempre terminava o trabalho.
O celular de Sam tocou, era Dean. Não queria atender, mas sabia que não tinha escolha. Se algo tivesse dado errado na fuga, ele ia precisar de ajuda.
— Alarme falso, Sam? Sei lá, deve ser ilegal. — Falou, debochado.
— De nada, Dean.
— Temos que conversar. — O irmão informou.
— Eu já estou sabendo, o marido de Constance era infiel. Estamos lidando com a mulher de branco. Ela está enterrada atrás da casa velha, o papai deve ter ido lá.
— Sammy, quer calar a boca?
Dean bufou.
— Só não entendi porque ele não destruiu o corpo de uma vez.
— É o que eu estou tentando dizer. O papai se foi, ele saiu de Jericho.
— Por isso as coordenadas que a encontrou?
— Sabia das coordenadas? — Dean bufou.
— Sim, a encontrou no quarto.
— Por que não me disse isso quando eu saí do banho?
— Dean, tem mais coisa. Me encontra na casa.
Sam desligou antes que o irmão começasse uma discussão por causa de uma maldita coordenada. Não era o momento e eles tinham coisa mais importante para resolver.
Sam tentou frear quando viu uma mulher toda de branco aparecer do nada na frente do carro. O veículo passou direto por ela, fazendo-o parar com tudo logo à frente.
— Ai, caramba!
— Me leva para casa. — Falou a mulher, sentada no banco de trás.
Sam estava sem reação, mas não respondeu.
— Me leva para casa. — Insistiu a mulher, demonstrando sua raiva.
— Não!
As travas do carro se fecharam e Sam tentou abrí-las, mas não obteve sucesso. Quando pensou que não poderia ficar pior, a mulher usou sua força para acelerar o carro, que saiu arrancando.
Ele tentou segurar o volante, pisar no freio, mas nada funcionava. Espíritos eram sempre muito fortes quando queriam controlar algo e Sam sabia muito bem disso. Apesar de onde tinha se metido, estava despreocupado. Não era infiel, então ela não poderia machucá-lo.
Quando o carro parou de frente para a casa velha, Sam olhou através do retrovisor e a mulher não estava mais ali. De repente, ela apareceu novamente.
— Não posso voltar para casa.
— Você tem medo de ir para casa.
A mulher desapareceu e Sam a procurou do lado de fora, mas ela estava bem ao seu lado, sentada no banco do passageiro dessa vez. O espírito de Constance o encarou e subiu em seu colo, Sam se inclinou para trás.
— Me abraça. — Pediu. — Estou com frio.
— Não pode me matar, não sou infiel, eu nunca fui. — Sam disse com convicção.
Ela se inclinou e colocou a boca próximo do ouvido de Sam.
— Vai ser.
Tentou beijá-lo, mas ele resistiu.
Sam tentou alcançar as chaves do carro, mas era difícil com a mulher em cima dele. Suspirou aliviado quando viu ela sumir de cima dele — sem razão aparente —, mas a felicidade durou pouco. Foi quando ela reapareceu e cravou as unhas em seu peito.
Sam gemeu de dor.
Não tinha ideia de como ia sair dali. A dor era dilacerante e ele não tinha nenhuma arma com balas de sal para que pudesse fazer o espírito sumir, ou até mesmo algo que fosse de ferro.
Já estava desistindo quando balas atravessaram o vidro do carro. Dean disparou várias vezes, o que fez com que o espírito sumisse e reaparecesse algumas vezes. Ele continuou atirando, até que ela desapareceu por completo.
— Eu vou levar você para casa. — Sam disse.
Ele sabia que só tinha um jeito de vencer o espírito, e era entrando com ele na casa, que era de onde a mulher tinha medo. Então acelerou com o carro, enfiando com tudo na construção.
— Sam!
Dean pensou que o irmão só poderia estar maluco.
— O que ele está fazendo? — Ally gritou.
— Acho que o Sam finalmente descobriu o ponto fraco da Constance. — Explicou .
Dean correu para dentro enquanto e Ally foram até o carro pegar balas carregadas com sal.
Sam saiu do carro com a ajuda do irmão, estava todo dolorido e parecia que alguém tinha esmagado seu coração. Os dois se recostaram no carro e observaram a mulher, que segurava um quadro de fotos.
Ela os encarou e um tipo de cômoda — bem grande — se arrastou até os dois, que ficaram presos. Por mais força que fizessem, o móvel não saía do lugar.
As luzes piscaram e água começou a escorrer pela escada da velha casa. Parecia que alguém tinha deixado a torneira aberta, a ponto de transbordar seja lá o que estivesse sendo preenchido. Então a mulher voltou sua atenção para lá, se esquecendo dos dois irmãos.
Constance olhou pra cima e viu os dois filhos parados na ponte de cima da escada que, em uma fração de segundo, foram parar bem ao lado dela.
— Você voltou para nós, mamãe. — Disseram as crianças.
e Ally entraram na casa com as armas carregadas, mas pararam assim que viram o que estava acontecendo.
Os filhos abraçaram Constance, que gritou enquanto eles se fundiram em uma luz, que virou um tipo de gosma no chão, e desapareceu rapidamente.
— Empurra. — Dean disse. — Foi aqui que ela afogou os filhos.
— Mandou bem, Sam. — Disse , rindo.
— É, mandou mesmo. — Concordou Ally, a raiva meio que já tinha passado.
— Valeu. Por isso que ela não podia voltar, ela tinha medo de encará-los.
— Bom trabalho, Sammy!
Dean deu um tapa no peito machucado do irmão.
Sam deu uma risada em forma de dor.
— Queria poder dizer o mesmo de você. Que ideia atirar no Gasparzinho, maluco!
Todos riram, menos Dean.
— Aí, eu salvei sua pele. — Dean disse próximo do carro e se inclinou para analisá-lo. — E tem mais, hein! Se tiver arranhado meu carro, eu te mato.

Apesar de as coisas não estarem de melhor forma entre os Winchester e a — até mesmo entre Ally —, eles decidiram que o melhor a se fazer era caçarem juntos. Afinal, o pai de tinha falado com John na mesma noite em que ele disse a Dean que ia resolver um caso sozinho, logo, só poderiam estar juntos.
estava seguindo o carro dos irmãos, iam deixar Sam em casa primeiro. Enquanto tocava Without Me, da Halsey, a garota viajava em pensamentos. Estava cansada mas, ao mesmo tempo, intrigada com algumas coisas.
Quanto mais tempo tinha passado com os irmãos, mais aquele pressentimento do sonho foi passando. Mas ainda estava curiosa sobre a sensação que tinha sempre que tocava o bebê — que ela sabia ser Sam — e, por algum motivo, estava com medo de tocá-lo e sentir aquilo de novo, como quando ele a abraçou.
, está me ouvindo?
Allyson abaixou o volume do som.
— Desculpa, eu estou cansada. — Mentiu, em partes.
— Você acha uma boa caçar com eles?
— Ally, o Sam me contou o que aconteceu entre vocês mais cedo. Ele me contou antes de pegamos a estrada. — Explicou para a amiga. — Ele só está meio perdido, não caça há dois anos, deixou a família para trás. Mas o Sammy é um cara muito legal. Até o Dean é. Do jeito bruto dele, mas é.
sorriu ao lembrar de algumas coisas.
, você já foi dividida entre eles?
riu. A ideia era absurda. Tinha sim tido sentimentos por Dean, os quais ela nunca revelou ou falou sobre com alguém, mas Sam era como um irmão para ela — claro que estava mais bonito, mas esse não era o caso. Ela estava realmente preocupada com o amigo.
— Não, Ally, nós crescemos juntos, é só isso.
— Sei.
aumentou o rádio, não queria discutir aquilo, não tinha razão para tal.

Enquanto isso, Dean estava empolgado enquanto dirigia e, apesar de não ter encontrado seu pai, estava feliz por ter caçado com Sam. Depois que o irmão ficou longe por tanto tempo, nunca achou que teria a possibilidade de isso acontecer de novo.
Aumentou o som do carro e Sam logo abaixou, o que o fez repreendê-lo com o olhar.
— O papai foi para esse lugar, é no Colorado. — Informou Sam. — Aspen, para ser mais exato.
— É, parece legal. É longe?
— Uns mil quilômetros, um pouco mais talvez.
— É. Se a gente correr, chega lá de manhã cedinho. — Disse Dean, animado.
— Hm... Dean.
Sam não sabia como dizer ao irmão que não iria, apesar de ter deixado isso bem claro quando entraram no carro.
— Você não vai.
— A entrevista é daqui a dez horas, tenho que ir para casa.
— Falou, tanto faz, te levo para casa.
O clima tinha ficado pesado e Sam sabia. Por isso, aumentou o rádio no máximo.

Quando os dois carros encostaram na frente do prédio, teve um pressentimento muito ruim. Não sabia explicar o que era, mas tinha certeza de que era muito parecido — se não igual — ao dos seus pesadelos.
Sam desceu do carro e se apoiou na janela do mesmo. Não queria deixar o irmão sozinho, mas também não queria abrir mão da faculdade. Encarou-o por alguns instantes até procurar as palavras.
— Me avisa quando encontrar ele?
Dean apenas afirmou com a cabeça.
— Quem sabe a gente se encontra mais tarde.
Sam não queria deixar as coisas de um jeito estranho entre eles.
— Tudo bem.
Dean estava triste, mas era orgulhoso demais para admitir.
— Sam, — Dean chamou enquanto ligava o carro. — nós dois juntos arrebentamos.
Sam se virou. Esperava tudo, menos que o irmão fosse dizer aquelas palavras.
— É. — Concordou e se virou antes que desistisse de entrar.
viu Dean dar partida com o carro, mas desistiu de seguí-lo. Quando viu Sam entrar no prédio, sentiu que tinha alguma coisa errada. Um aperto muito grande e algo sombrio a consumiu como em seus pesadelos.
— Tem alguma coisa errada. — Falou, já saindo do carro.
, o que você está fazendo?
— Ally, fica no carro. — Gritou e correu até o prédio.
Notou que Dean estava dando ré, mas não tinha tempo para esperar.

O apartamento estava em completo silêncio quando Sam entrou. Deixou as chaves na mesa de entrada e caminhou até o quarto, passando pela cozinha, onde viu um prato de cookies e um bilhete.
— Jess, tá em casa? — Gritou antes de ler o bilhete.

”Saudades, amo você”


Sam pegou um biscoito e foi para o quarto assim que ouviu o barulho do chuveiro, mas estava cansado demais para ir até lá, então deitou na cama com a cabeça apoiada nos braços para esperar por Jéssica.
Assustou-se quando sentiu algo pingando em sua testa.
Quando abriu os olhos, não conseguia acreditar no que estava vendo. Jess estava grudada no teto, que começou a pegar foto em segundos, igualzinho como tinha acontecido com sua mãe.
Sam estava paralisado.
chutou a porta do apartamento e entrou, apesar de nem ter certeza se era aquele, mas sabia que estava no lugar certo. A escuridão que sentia lhe confirmava isso.
Ouviu Sam gritar e correu até o quarto. Ele estava praticamente em chamas quando entrou e viu o amigo, encarando a namorada grudada ao teto. Ela precisava tirá-lo de lá e não tinha tempo para ficar horrorizada; Na verdade, depois de ter sonhado mais de seis vezes com a mãe dos Winchester morrendo assim, não era mais uma surpresa.
— Sam, precisamos sair daqui.
Ela tentou puxá-lo.
Sam resistia, não queria sair dali. Preferia morrer a deixar Jess para trás.
— Não, eu não vou sair daqui.
— Você está maluco, cara? — Dean entrou no quarto. — Você vai morrer se não sair daqui.
Dean puxou Sam para fora do quarto e foi questão de segundos para que tudo pegasse fogo quando os três chegaram ao lado de fora, de onde Ally encarava tudo, sem acreditar no que estava acontecendo.
Sam ainda queria voltar para dentro e deu passos na direção do prédio em chamas, mas entrou na frente.
— Sam, eu sei que está doendo mas, por favor, para!
— Jess... — Sua voz era de dor. — Não tenho razão para estar aqui sem ela...
— Eu sei. — concordou. — Mas eu preciso de você, Sam. Lembra? Você é meu melhor amigo.
Ela o abraçou. A sensação de choque de seus sonhos a consumiu, mas ela continuou abraçada enquanto pensava em todos os momentos que tinham passado juntos e, aos poucos, o sentimento foi sumindo.
— Você não pode ir embora de novo, .
— Eu sei, você é meu melhor amigo.
Dean pensou em fazer algo, mas viu que tinha tudo sob controle e, naquele momento, desde que se reencontraram, ele não sentiu raiva da garota, somente agradeceu por ela estar ali. Mais do que nunca, Sam precisava de uma amiga.
E era a melhor para ele.
— E agora? — Ally perguntou, estava confusa.
Os três encararam Sam, que estava com uma arma na mão, de frente para o arsenal no porta malas do carro.
Ele jogou a arma e fechou o capô.
— Temos trabalho a fazer. — Disse por fim.


Where is Dean and ?

Colorado, Aspen.




sentiu seu pulso acelerar e a respiração ficar pesada. Recostou-se na arvore mais próxima que encontrou e jogou a mochila no chão. Um leve gemido saiu de seus lábios enquanto ela tentava, com uma mão só, abrir o zíper da mochila. Seu ombro estava sangrando muito e ela conseguia sentir sua coxa esquerda quente devido ao sangue que estava escorrendo dela também, além de um corte em seu abdômen.
Os ferimentos eram graves.
Procurou por algo que pudesse fazer compressa, encontrou uma blusa e a rasgou com um pouco de dificuldade, não só por causa da dor lancinante que sentia nos ombros, mas por suas mãos estarem tremendo. Respirou fundo, precisava se acalmar antes que ele a encontrasse de novo, mais algum ferimento e ela sabia que não sairia daquela caçada viva.
Ela amarrou um pedaço de pano em sua coxa, na intenção de tentar diminuir o sangramento. Sabia que não ia conseguir carregar a mochila, então pegou duas armas, colocou uma de cada lado, na parte de trás da calça, enfiou uma faca em sua meia, pegou também a espingarda com balas de sal e enterrou a mochila.
Depois de rasgar mais um pedaço de pano para pressionar seu ombro, decidiu que precisava sair dali. Não seria fácil, ela sabia daquilo. Depois de ter levado duas facadas no ombro e três nas coxas, o máximo que ela conseguia fazer era arrastar a perna conforme andava. Seus olhos queimaram, tentando segurar as lágrimas de dor. Nunca tinha se ferido daquele jeito em uma caçada.
Seu celular estava sem sinal e ela não tinha reforço algum, mas estava torcendo para que a mensagem de emergência que tinha deixado programada chegasse até Ally. A única pessoa que ela pensou que poderia ajudá-la era responsável pelos seus profundos ferimentos. Precisava chegar o mais rápido possível no final da floresta, tinha que encontrar a cabana em que estava há algumas horas ao sair da estrada com Dean.


Colorado, Aspen – 24 horas antes.



— Definitivamente, é um caso de demônio. — Ally disse do banco de trás do carro enquanto lia sobre o caso das coordenadas que John tinha deixado.
dirigia enquanto Sam — que estava no banco ao lado — ajudava a amiga dela a obter mais algumas informações sobre o caso. Quando deixaram o prédio em chamas, Sam disse que queria ir no carro com as duas amigas para evitar as perguntas do irmão sobre como estava se sentindo a cada segundo. Conhecia Dean o suficiente para saber que ele faria aquilo.
A superproteção dele, às vezes, era sufocante.
— Faz sentido, considerando que o quarto do John tinha sal e uma armadilha do diabo enorme desenhada no chão.
imbicou o carro para entrar no estacionamento do motel, tinham acabado de chegar em Aspen depois de horas de viagem.
— O quê?
Ally olhou confusa, não se lembrava de terem mencionado aquilo.
— Ah, eu e a vimos no quarto.
— E não acham que Dean deveria saber disso?
encarou Sam.
Ele também não respondeu a pergunta, então estacionou o carro, puxou a chave e saiu dele. Dean já tinha parado bem ao lado dela e entrado no motel, os três fizeram o mesmo e se dirigiram para a área da recepção. A cidade era bem maior do que as cidades onde eles costumavam resolver casos. Logo, o motel também era mais chique do que os outros em que já tinham se hospedado.
e Ally seguiram para seu quarto, assim como os irmãos para o deles. Tinham combinado de se encontrarem em vinte minutos no hall de entrada. Sam não tinha vontade nenhuma de ficar no mesmo quarto que Dean. Na verdade, não queria ficar nem com as duas garotas. Sua vontade era de estar sozinho o máximo de tempo que conseguisse para poder colocar os pensamentos no lugar. A imagem de Jess queimando no teto do seu antigo apartamento ainda estava fresca em sua mente, era perturbador.
As duas amigas jogaram as malas nas camas e começaram a trocar de roupa. Se tivessem que ir à cena do crime ou à delegacia, teriam que estar com algo apropriado e não parecendo duas jovens de férias. Ally encarou a amiga por alguns instantes enquanto ela tirava a roupa, mas não se desapegava de sua arma. Sabia que estava sempre armada em cada segundo do dia, mas parecia um pouco mais preocupada do que o habitual.
Pensou no que aconteceu naquele prédio.
, o que foi que aconteceu lá?
Ally estava se referindo ao que tinha acontecido segundos antes de ela entrar no prédio.
— O prédio pegou fogo, não tivemos tempo de salvar a Jéssica.
trocou a blusa que estava vestindo por uma camisa branca e procurou por sua calça social preta na mala, enquanto esperava por mais algum questionamento da amiga.
— Sim, isso eu entendi. Mas... — Ally encarou a amiga e jogou a calça para ela.
— Obrigada.
Agradeceu sem se importar com a conversa, não queria falar sobre aquilo.
— Mas como você sabia o que ia acontecer?
— O quê?
Riu de nervoso.
— Eu não sabia. — Acrescentou em seguida.
— Sabia, . Você disse “tem alguma coisa errada” e saiu correndo do carro, exigindo que eu ficasse lá.
Ally cruzou os braços, odiava quando fugia do assunto.
— Allyson, você está sendo paranoica. Eu só senti o cheiro de queimado.
Terminou de se vestir e separou mais algumas armas.
– Não tinha cheiro de queimado, . Você está escondendo algo, eu sinto isso. Não dorme direito há semanas, vive nervosa, procura um caso atrás do outro. Além disso, você está andando por aí com duas armas e uma faca!
encarou a amiga por alguns momentos, não esperava que ela estivesse notando sua mudança de comportamento nos últimos seis meses.
— Primeiro, estamos em perigo desde que meu pai sumiu. Segundo, quando foi que eu menti para você? — Encarou Allyson. — Você está sendo paranoica.
Uma batida na porta tirou do interrogatório da amiga. Ela fez sinal para que Ally não falasse nada e sacou uma das armas que estava presa em sua calça. Tinha marcado de encontrar os Winchesters no hall do hotel, então a possibilidade de serem os dois era quase mínima.
Rodou a maçaneta com a arma em sua mão atrás do corpo, abriu a porta e apontou. Deu de cara com um Dean totalmente relaxado e que ficou sem entender o que estava acontecendo. Se eles estavam esperando algum ataque, ele não sabia.
— Ei, vai com calma, Rambo. — Dean riu da sua piada e entrou no quarto.
— Cara, você não lembra mais dos três toques? — estava se referindo ao sinal secreto deles.
Dean arqueou uma sobrancelha. Tinha pensado em usar, mas não achou que ela se lembraria.
— Da próxima, eu uso.
— Aconteceu alguma coisa? Você parece preocupado. — Ally comentou.
— Eu ia perguntar se o Sammy está aqui mas, vendo o susto de vocês, já sei que não.
— Como assim?
guardou a arma enquanto encarava Dean, confusa.
— É, ele disse que ia me esperar lá fora. Mas está na cara que ele foi atrás do caso sozinho.
— Às vezes, eu quero dar umas porradas no seu irmão. Vamos logo! — falou e começou a pegar as coisas para sair.
— Jura? O desgraçado levou meu carro, ninguém quer bater mais nele do que eu.
revirou os olhos e saiu do quarto.

Sam sabia que não deveria ter pego o carro de Dean, mas precisava de um espaço para ele, nem que fosse por algumas horas. Era estúpido demais pensar que eles simplesmente esperariam ele aparecer de volta no motel. Àquela altura, seu irmão já tinha descoberto sobre sua fuga e provavelmente já estava avisando e Ally. Mas ele resolveu que iria aproveitar um pouco do silêncio que tinha ali para colocar suas ideias no lugar e decidir como seriam as coisas dali para frente.
Totalmente sem Jess...
Ele estava confuso. Ao mesmo tempo em que entendia a necessidade de sentir o luto, não queria sentí-lo. Para ele, a melhor coisa a se fazer era focar totalmente no caso e salvar o máximo de pessoas que pudesse. Um demônio tinha matado Jess, o caso envolvia demônios e, ele queria pegar o desgraçado. Mataria o maior número que conseguisse, até achar o que tinha acabado com a vida de sua namorada.
Encostou o Impala de frente para uma casa enorme, dessas de bairros chiques. Pegou um distintivo da Polícia Federal no porta luvas e desceu do carro. Geralmente, se sentiria culpado por fingir ser um oficial da lei mas, àquela altura, era capaz de fazer qualquer coisa para encontrar justiça. Não demorou muito para que uma mulher de mais ou menos uns quarenta anos aparecesse na porta.
— Em que posso ajudar?
A mulher parecia confusa.
— Bom dia, senhora Hampton? — Perguntou simpático e mostrou o distintivo. — Polícia Federal, estou aqui por causa do assassinato do seu filho, Erick Hampton, e mais vinte pessoas. Poderia lhe fazer algumas perguntas?
Sam praticamente já estava entrando na casa da mulher.
— Claro, por aqui.
A senhora Hampton deu espaço para que ele entrasse.
Sam observou que o assoalho ainda estava um pouco avermelhado. Pelo que tinha lido no relatório, a mulher tinha encontrado o filho morto no chão da sala com a garganta degolada e uma quantidade enorme de sangue em volta do corpo.
— Eu achei que estivesse resolvido. Disseram que foi um caso de serial killer. Além do mais, outro policial esteve aqui hoje, mais cedo. Um bem novinho, à propósito.
Sam olhou mais um pouco o lugar e pensou sobre o que a mulher tinha dito. Só podia ser um demônio. Com certeza, tinha ido checar o local, ou saber se a mulher tinha falado algo para os agentes.
— Sim, eu sei. Mas nós estamos querendo checar o caso, sabe como a polícia local pode ser incompetente.
A mulher olhou perplexa para o rapaz alto à sua frente, nem ele estava acreditando nas palavras que saíram de sua boca.
— Posso checar a casa?
Ela apenas concordou com um sinal de positivo e ele começou a observar o lugar.
Primeiro, deu uma olhada no andar de cima. Quando entrou no quarto do garoto, o cheiro de ovo podre era evidente. Sua teoria sobre demônio se confirmou quando ele se abaixou ao lado da cama e achou enxofre no chão do quarto. A mãe justificou o cheiro dizendo que eles estavam com problema no sistema de ar condicionado. No andar de baixo, achou um pouco de enxofre, mas não tanto quanto no quarto do garoto. Sem sombra de dúvidas, ele tinha sido possuído por um demônio e passado ao menos cerca de três semanas com o desgraçado em seu corpo. Para Sam, pensar que eles usavam as pessoas como brinquedos e depois tiravam suas vidas o tirava do sério.
— Por hora, é só isso. — Disse e saiu da casa.
Os olhos dele encontraram encostada no Impala de frente para a casa. Observou que ela estava diferente com a roupa que usava, com uma blusa branca colada em seu corpo, uma calça preta que mostrava bem suas curvas e os cabelos presos em um rabo de cavalo bem apertado. Estava bonita, nem parecia aquela garota com quem ele costumava caçar quando era mais jovem.
Aproximou-se dela, que não se preocupou nem um pouco em esconder que estava irritada com ele.
— Qual é, Sam! Não é assim que fazemos as coisas, lembra?
encarou o amigo, esperando por uma resposta.
— Você está bonita.
Não queria falar sobre o que tinha feito, ele tinha o direito de ter um espaço.
— Sam...
— Não, , você não é a única aqui que pode fugir quando quer.
— Ei! — Ela chamou sua atenção. — Eu não fugi. Sei que deixei vocês na mão, mas eu não estava fugindo.
Ele a encarou por um momento, estava sendo injusto.
— Foi mal. Cadê o Dean e sua amiga?
— Foram para o hospital, ver o corpo. Você achou algo aqui?
— Sim, entra no carro. Enquanto dirijo até lá, te conto. — Disse, já andando para o lado do motorista. — Aliás, qual é a da policial sexy?
Ele riu, já dentro do carro. Arrancou uma risada de também.
— Cala boca e dirige, policial gostosão.
Os dois riram e ele deu partida no carro.

Dean odiava ficar com a parte dos corpos e descobriu que Allyson também. Logo, os dois estavam bem ferrados. Mas ele percebeu que não tinha como voltar atrás assim que atravessou a porta do hospital. Também odiava hospitais. Para ele, muita gente doente ou morrendo não era um lugar bom para se estar. Já tinha morte demais no seu trabalho.
Ele se aproximou da recepção e mostrou o seu distintivo da polícia, e Ally fez o mesmo. Não demorou muito para que alguém responsável pelo necrotério aparecesse e os acompanhasse até o último andar do hospital, onde ficavam os corpos. Ele aproveitou para fazer algumas perguntas sobre as mortes recentes, mas tudo o que o médico legista tinha para dizer era o que ele já sabia.
Foram deixados sozinhos assim que o elevador abriu as portas. Os dois sentiram um frio na barriga enquanto seguiam no extenso corredor frio. Dean teve a sensação de que estava sendo observado ou seguido. Por isso, colocou a mão em suas costas e segurou a arma. Mas quando dobraram o corredor e ele teve a oportunidade de olhar para trás, não viu nada além de um corredor extremamente morto e vazio. Estava sendo paranoico, sabia daquilo mas, considerando tudo que estava acontecendo, todo cuidado era pouco.
— Odeio vir nesses lugares. — Dean falou enquanto entravam na sala.
— Eu também.
Ally olhou ao redor e procurou pela gaveta quarenta e dois, que foi onde o legista disse que estava o corpo de interesse deles.
— Aqui. — Falou Dean, já abrindo a gaveta.
Ele puxou o corpo para fora e a visão que teve foi de um garoto jovem, com cerca de dezoito anos, com pescoço todo desfigurado e algumas escoriações roxas pelo corpo. Com certeza, ele tinha sido possuído por algum demônio filho da puta.
— Ele era tão jovem... — Comentou Ally ao observar o cadáver.
— Sim, esses demônios desgraçados...
Dean abriu a ficha, procurando pela causa da morte.
— Ele morreu por múltiplas faturas, além do corte no pescoço. — Informou.
Ally se assustou com o barulho de bandejas caindo vindo de outra sala e encarou o parceiro. Ele fez sinal para que ela pegasse a arma e o seguisse para lhe dar cobertura. Dean rodou a maçaneta com cuidado e saiu da sala com a arma apontada, para o caso de precisar meter um tiro na cara de quem os estivesse seguindo. Dobrou o corredor e viu a sombra de alguém logo à frente.
O Winchester correu, mas a porta do elevador já estava se fechando. Ele fez sinal para que ele e Ally fossem para a escada, que seria a escolha mais rápida. Eram cinco andares, mas ele não podia arriscar que fugisse. Afinal, o sumiço do seu pai provava que eles estavam sendo caçados, e precisavam estar preparados.
Quando eles chegaram ao térreo, correram rapidamente para a saída, de onde seguiram o cara em direção à rua. Ele dobrou a esquina em direção à parte de trás do hospital e Dean foi atrás dele, enquanto Ally ficou na porta caso ele aparecesse por lá ou algum comparsa seguisse Dean. Precisava dar cobertura para ele.
— Hoje não, amigo. — Dean disse, já destravando a arma apontada na cabeça do rapaz.
Ele o segurou pelos ombros e o virou para ele, ainda apontando a arma.
— Cara, vai com calma. — O rapaz disse.
Dean aproximou a arma ainda mais, pegou um frasquinho com água benta em seu bolso e jogou no rosto do cara desconhecido, mas nada aconteceu.
Ele franziu o cenho.
— Se você não é demônio, é o quê?
ficou paralisada quando olhou do outro lado da rua, onde Sam tinha acabado de estacionar, e viu Dean. Ele estava completamente descontrolado por causa do desaparecimento de John e a morte de Jess, e estava prestes a atirar em alguém que definitivamente não era um demônio. Ela atravessou a rua e, em uma fração de segundos, foi parar ao lado de Dean, seguida por Sam.
? — O rapaz que estava com a arma de Dean em seu rosto chamou pelo nome da garota.
— Pera aí... — Dean ficou confuso.
Neste momento, o rapaz pegou a arma da mão de dele, soltou os pentes e a segurou em forma de rendição.
— O que você está fazendo aqui?
Ele encarava .
— Jeremy? O que você está fazendo aqui? — riu e pulou nos braços do rapaz.
Dean franziu o cenho.
Ele envolveu os braços malhados em volta da garota e a levantou do chão, algo que não foi muito difícil por causa dos seus um metro e noventa centímetros contra o um metro e cinquenta e sete de .
— Segui rastros de demônios até aqui.
Ele soltou .
— Não acredito que você tá mesmo aqui, Jer! — Ela deu um soco no amigo como forma de brincadeira, mas o gesto também era de rancor por ele ter simplesmente se afastado nos últimos meses, exceto pelas mensagens que trocavam às vezes.
Dean raspou a garganta.
— Tá tudo bem? — Sam apareceu, seguido de Ally.
— Jer? — Ally logo abraçou o amigo. — Achei que estivesse com Noah!
O rapaz deu um beijo na cabeça da garota e sorriu.
— Bom te ver também, Ally. — Sorriu simpático. — O Noah ficou em Portland, muitos demônios por lá também.
Ally se sentiu apreensiva com a informação, mas tinha falado com o namorado mais cedo. Logo, não tinha razão para se preocupar à toa. Estavam juntos há dois anos e ele já era caçador bem antes de ela pensar que essa vida poderia ser real e não só questão de filmes e séries mas, eventualmente, sentia não só saudades, mas preocupação também.
— Ah, o Noah sabe como se cuidar. — passou a mão no braço da amiga como forma de conforto.
Dean raspou a garganta de novo.
— Ah. — olhou para os Winchesters. — Esse é o Jeremy, ele salvou a minha vida em uma caçada nada sucedida e nos tornamos amigos.
Os dois irmãos cumprimentaram Jeremy com um aperto de mão. Sam sentiu uma pontada de ciúmes ao ouvir dizer que tinham se tornado amigos. Além de jamais ter retornado todas as ligações que ele fez depois que ela foi embora, tinha achado tempo para ter novas amizades. Não poderia ficar melhor. Já Dean se sentiu um pouco desconfortável de ver a garota se jogar nos braços do até então desconhecido daquela forma. Apesar de ela sempre ter sido muito bonita e ele ter passado metade da adolescência nutrindo sentimentos por ela, nunca precisou se preocupar em revelá-los porque ela jamais se interessou por alguém. Pelo menos, não que ele soubesse.
— Acho melhor irmos para o hotel, o Sammy aqui conseguiu algumas pistas. — disse por fim.
estava tão feliz por rever o amigo que até deixou que ele dirigisse seu carro até o motel. Ela e Jeremy tinham se conhecido quando ela estava caçando um ninho de vampiros completamente sozinha, Ally estava se recuperando de uma perna quebrada e ela precisou partir para a missão. Quando conseguiu localizar o ninho e montar uma emboscada, eles estavam em maior número do que parecia e, se não fosse por ele, não estaria viva.
Depois disso, ele passou a caçar com elas por um tempo, mas não durou muito. Ele sempre se sentiu secretamente atraído pela garota e resolveu se afastar um pouco, usando a desculpa de que um velho amigo precisava da ajuda dele, então saiu para caçar no meio da noite e, depois disso, passou a aparecer somente quando as duas caçadoras realmente precisavam.
nunca desconfiou de nada, já Ally sempre soube dos sentimentos dele.

Assim que entraram no quarto do motel, Dean correu até o frigobar e pegou uma cerveja para cada. Da mesma forma que precisavam resolver o caso, também precisavam relaxar um pouco. A vida intensa que tinham era capaz de levar qualquer um a loucura, e o álcool ajudava bastante a segurar as pontas.
— Jer, como chegou aqui?
Ally encarou o amigo.
— Então... Eu estava em Nebraska com o Bobby. Nós rastreamos alguns demônios e, quando chegamos lá, encontramos diversos relatos de corpos com gargantas cortadas e corpos machucados.
Ele deu um gole na cerveja e encarou . Apesar de ter passado bastante tempo longe, ao menos seis meses, ainda se sentia atraído por ela de alguma forma e encontrá-la com dois caras não era o que tinha planejado quando pensou que poderia esbarrar com a garota em alguma caçada.
— Aquele velho tá um pé no saco, não tá? Com aquele papo de vida normal...
riu e arrancou uma risada de quase todo mundo no quarto.
— Ei, não fala assim do Bobby. — Dean a repreendeu.
Ele também achava o Bobby um pé no saco às vezes com todo aquele melodrama dele de vida normal, mas só ele podia falar daquele jeito do velho.
— Eu já falei pra ela, não adianta. — Ally encarou a amiga.
revirou os olhos.
— Enfim... Os demônios estão planejando algo e não é pouca coisa. Precisamos agir logo, temos que pegar o desgraçado que matou minha mãe e a Jess.
Sam estava impaciente.
— Está indo com muita sede ao pote, Winchester. — brincou.
Jeremy olhou, perplexo.
— Caramba, vocês são uma lenda. — Jer falou, encarando os irmãos.
O ego de Dean estava maior que todo o quarto e Sam se sentia um pouco sem jeito pelo comentário. Depois de ficar dois anos sem caçar e ter perdido a namorada pelo descuido de achar que era possível estar seguro em casa, se sentia tudo, menos uma lenda.
— Você acha? — Dean perguntou, animado.
— Tá... Muita testosterona no ar, meninos. — Ally alertou.
— Vamos focar no caso, é isso que importa. Alguma pista?
encarou o amigo. Ela vira a forma como ele a olhara mais cedo. Sabia que ele estava escondendo alguma coisa e como era ruim naquilo.
— Vocês não vão gostar do que eu tenho para dizer.
bufou.
— Desembucha logo, Jer.
— Um demônio, com nome de Uriel, falou no nome dos Winchester e no seu, .
sentiu um aperto no estômago, como se de repente ele tivesse ficado completamente vazio. Os seus sonhos e os pressentimentos diziam para ela que algo muito ruim estava acontecendo, mas o fato de demônios estarem perguntando pelo nome dela e dos dois irmãos só mostrava que a situação era ainda pior. Nunca sentiu medo, não era um sentimento conhecido pela garota. Nascida e criada rodeada por monstros, ela sabia sempre o que esperar, mas nunca tinha sentido nada igual ao que estava sentindo naquele instante.
Ela sentou na cama. Por um momento, sentiu que a sua pressão tinha caído completamente e que precisava de um pouco de ar. Tudo à sua volta foi ficando escuro e sentiu que ia vomitar. O quarto ficou distante e viu algumas imagens passarem por seus olhos, as mesmas cenas dos sonhos que vinha tendo.
Mary no quarto de Sam. Mary dormindo. Um homem no quarto do Sam. Mary vendo John na poltrona. O quarto pegando fogo. Alguém segurando seu braço.
Viu uma garota no apartamento de Sam, só poderia ser Jess. Viu Jéssica abrir a porta para um homem dizendo ser o pai de Sam, mas não era John. Ouviu os gritos da garota. Viu o homem sair do apartamento.
Voltou à realidade quando sentiu alguém tocar seu braço, era Dean.
— Ei, , fala comigo. — Ele chamou pelo seu nome.
Ela demorou um pouco para conseguir visualizá-lo por completo.
?
Outra voz tinha chamado por ela. Dessa vez, parecia vir de sua cabeça.
! — Ally gritou.
Só então voltou para a realidade.
— O que aconteceu? — Perguntou, confusa.
— É possível que ela tenha sido envenenada? — Jer perguntou.
— Não, não é um caso de bruxa. — Ally tocou na amiga.
O telefone de Sam tocou bem na hora. Ele falou algumas palavras e desligou logo em seguida.
— Temos mais três mortos e um desaparecido. — Informou Sam. — Ela tá melhor?
— Cara, eu estou bem!
saltou da cama.
— Eu só preciso descansar um pouco.
Ela estava se sentindo exausta.
— Vocês vão lá ver a cena, eu vou ficar aqui e descansar um pouco e já alcanço vocês, eu prometo.
— Não vamos deixar você sozinha. Eu fico aqui. — Dean se prontificou.
sabia que discutir não ia adiantar de nada, então apenas concordou que Dean ficasse com ela no quarto. Os outros três saíram para resolver o caso e o seu guarda costas se prontificou para ir pegar alguma coisa para eles comerem, já que ela não se demorou em dizer que estava com fome só para tirá-lo do pé dela.
Caiu no sono em poucos minutos. O episódio que tinha acabado de acontecer realmente tinha sugado toda sua energia.

sentiu algo molhando seus pés e percebeu que estava pisando em um lugar totalmente inundado por água. Estava muito escuro e o pouco de luminosidade que tinha no lugar era um feixe de luz que parecia estar passando por algum buraco na parede. Procurou por um interruptor, mas tudo que encontrou foi uma lanterna presa em sua calça. Apertou o botão e um feixe de luz iluminou o espaço à sua frente.
Não era muita coisa, mas lhe dava uma visibilidade muito melhor do que estava tendo sem a lanterna. Deu alguns passos e sentiu que seus pés tinham se chocado contra alguma coisa. Colocou a lanterna mais perto e sentiu seu coração saltar pela boca quando viu que era um corpo.
Abaixou-se e mexeu na pessoa morta bem aos seus pés. Quando o corpo se virou para ela, olhos vidrados a encararam. Era uma das vítimas que ela tinha visto mais cedo enquanto Ally lhe mostrava as coisas sobre o caso durante a viagem até Aspen. Nada daquilo estava fazendo sentido. Sonhar com o passado de John até poderia ter alguma explicação, poderia ser um trauma ou até mesmo a proximidade que ela tinha com a família, mas sonhar com desconhecidos era uma novidade e, por um momento, sentiu como se realmente estivesse ali. Podia sentir todo o seu corpo presente, nada daquilo se parecia com um sonho.
Não estava rodeada por água e sim por sangue.
— Ah, meu Deus...
Nunca tinha visto nada igual em toda sua vida. Pensou em quantas vidas era preciso tirar para encher um lugar — o que parecia ser um porão — com tanto sangue. Desviou do cadáver e continuou andando, precisava encontrar uma saída antes que seu sangue também ajudasse a preencher o lugar.
Esbarrou em mais corpos.
Gritou quando sentiu uma mão em seu ombro.


se encontrava de pé no quarto, estava muito suada e conseguia sentir mãos em seus ombros. Quando abriu os olhos, se sentiu confusa. Tinha acabado de ter mais um daqueles pesadelos bizarros, mas o mais estranho, desta vez, é que não tinha sido com os irmãos Winchesters e sim em um cenário completamente diferente. Sentiu enjoo e um calafrio horrível no corpo. De fato, os sonhos estavam tomando uma proporção muito maior e, pela primeira vez, ela se sentiu apreensiva.
Por que estava fora da cama? Só faltava ter virado sonâmbula. Ainda conseguia sentir as mãos em seu ombro.
A porta do quarto de motel se abriu e ela quase infartou.
— Ah! Meu Deus, Dean! Que susto! — Falou com a mão no peito.
— Desculpa, eu fui pegar comida e, quando estava no corredor, ouvi você gritar.
Dean encarou .
— Ah...
Era tudo que ela conseguia dizer naquele momento.
— Alguma coisa sobre o caso?
— O Sam acabou de ligar, temos uma pista em uma cabana um pouco afastada daqui. Pediu para encontramos ele lá.
Dean explicou enquanto pegava algumas armas.
— Claro, eu vou só tomar uma ducha e me trocar. Tudo bem?
— Ok.
sentiu algo de estranho em Dean, mas deixou para lá. Seu dia já estava sendo estranho demais e não era hora para ser paranoica. Pegou sua arma sem que ele visse — poderia achar estranho ela desconfiar dele — e entrou no banheiro para poder se arrumar.
Já no Impala, não conseguia deixar de pensar no sonho que tinha tido. Ele parecia muito mais real do que qualquer outro dos últimos seis meses. Ainda conseguia se lembrar de algo tocar seus ombros. Continuava se sentindo desconfortável com Dean enquanto ele dirigia. Não sabia explicar o que era e pensou em ligar para o Sam, mas desistiu. Estava exagerando.
Sam sentiu raiva e frustração ao ver os corpos destroçados jogados na sala da casa enquanto ele interrogava alguns vizinhos que estavam lá para dar depoimentos. Jeremy e Ally aproveitaram para dar uma olhada pelo local e procurar alguma pista e enxofre para confirmar se as mortes realmente tinham sido causadas por demônios. Às vezes, eles gostavam de ter a esperança de que poderia ser apenas um surto de alguém da família ou algum serial killer mesmo.
Allyson encontrou enxofre assim que entrou na suíte. O cheiro podre não era como nada que ela já tivesse sentido. Apesar de ser bem comum, o que exalava era muito mais forte. Ela passou a mão no chão e tentou achar algo que pudesse ter sido deixado para trás, mas não encontrou nada. Eles estavam totalmente sem pistas depois de quase vinte e quatro horas em um mesmo caso.
Como aquilo era possível? Eles precisavam agir rápido, vinte e três pessoas já estavam mortas.
— Nada aqui. — Ally falou enquanto saía do banheiro.
— Nada nos outros quartos também.
Jer encarou a amiga.
— Ei, ela está bem, só está um pouco sobrecarregada da caçada.
Ela estava se referindo a . Apesar de ele não ter perguntado nada, sabia que ele estava preocupado com ela.
— Aliás, não sei porque não se declara para ela.
— Não sei do que você está falando.
— Caçar com Bobby? Sério, Jeremy?
Ele riu, achava um saco como ela era esperta.
— Ela não se sente assim por mim.
Ally pensou em responder, mas parou quando viu que Sam tinha acabado de subir as escadas.
— Alguma coisa aí?
— Não, só enxofre mesmo.
O celular de Sam vibrou no momento em que ele pensou em ligar para o irmão pedindo por reforço, já que a pesquisa deles estava no zero.
Era uma mensagem, falando sobre .

“A dormiu aqui.
Acho melhor vocês voltarem logo.
Ela está meio esquisita, Sammy.”


Ally notou a expressão estranha de Sam.
— É o Dean, ele pediu para irmos para o hotel.
— Aconteceu alguma coisa com a ?
Ela ficou ainda mais preocupada.
— Saberemos quando chegar lá, vamos nessa.
Eles sentiram que tinha algo de errado quando entraram no quarto e ele estava completamente vazio. Jer e Ally vasculharam o banheiro e os armários, mas não encontraram nada. As armas tinham sumido e nem Dean e nem estavam ali. Sam foi até o quarto que ele e o irmão tinham alugado para passar a noite, mas eles também não estavam lá.
Todos eles tiveram um pressentimento muito ruim e perceberam que ter deixado os dois sozinhos tinha sido uma ideia estúpida. Geralmente, dois caçadores poderiam lidar com demônios mas, considerando a quantidade de mortos encontrados, ficava bem claro que não estavam lidando com qualquer demônio. Ou talvez estavam lidando com muitos.
— Enxofre. — Ally disse enquanto passava a mão no carpete.
— Merda!
Sam deu um soco na parede.
— Calma, nós vamos encontrá-los. — Jeremy tentou acalmar Sam.
— Encontrei uma coisa! — Ally gritou.
— O quê?
— Parece que é um tipo de chaveiro de uma fazenda, devem ter deixado cair depois que pegaram a e o Dean. Ou eles pegaram do bolso de um deles e jogou para acharmos.
— Nós poderíamos tentar rastrear o celular e ver se dá no mesmo lugar.
— O celular do Dean ficou no quarto, acabei de ver, e o da eu já tentei, está desligado. Essa é a única pista que temos, então vamos seguir.
Os três pegaram o máximo de armas que podiam ter para conseguir matar o máximo de demônios que conseguissem e saíram do hotel em busca dos dois desparecidos.


Colorado, Aspen.


Sam estava nervoso, já tinha perdido Jéssica e a ideia de perder e Dean era simplesmente inaceitável. Ele deveria saber que deixar sozinha as pessoas que amava era uma péssima decisão. Acelerou o máximo que conseguia. O lugar era absurdamente afastado de onde estavam e parecia que não iam conseguir chegar nunca. Enquanto ele dirigia, Ally e Jeremy preparavam as armas para que eles não chegassem em desvantagem até o lugar.
Observou os dois pelo retrovisor e pensou em todos os momentos que passou com o irmão fazendo balas, limpando as armas... Não foi fácil, mas era a maior parte das lembranças que tinha com Dean. Sua mente viajou mais além, pensou também sobre seu pai. Desejou do fundo do coração que estivesse vivo e caçando a coisa que tinha matado sua mãe e Jéssica. Ele não era fácil, mas Sam jamais desejaria a morte dele.
Quando encostou na fazenda, estava decido a entrar lá e matar qualquer coisa que o impedisse de ter as duas pessoas mais importante da sua vida de volta. Nada, nem o demônio mais poderoso do inferno, poderia impedí-lo. Sam estava cheio de ódio e sabia que aquilo poderia ser bom como também poderia levá-lo a cometer erros graves.
— Bom, o plano é esse: vamos cercar o perímetro. Ally, você fica com Jeremy. — Sam falou e fechou o capô do carro.
— Não, você não vai sozinho. — Ally disse.
Apesar de só o conhecer a um dia, sabia que a mataria se ela o deixasse sozinho.
— Eu vou ficar bem, não se preocupa. — Ele disse e saiu andando antes que fosse questionado novamente.
Jer e Ally seguiram em direção ao enorme celeiro, Sam cercou a casa dos fundos. O mesmo cheiro que estava na casa também exalava ali. Souberam que estavam no lugar certo e não tinham tempo para erros, ou aquilo poderia custar a vida de e Dean. Ally fez sinal para que Jeremy desse cobertura a ela e começou a destravar a fechadura do portão, tentando não fazer barulho. Quando entrou no lugar, encontrou algo totalmente inesperado. Estava completamente vazio assim como o quarto de motel Tinha alguma coisa errada ali. Não fazia sentido.
Sam entrou furtivamente na casa e encontrou a mesma coisa que os dois parceiros, ninguém do lado de dentro. Ele olhou o andar de cima, todos os cômodos... Já estava ficando desesperado por não encontrar nada. Procurou até nos armários.
Era evidente que não tinha nada ali.
— Não tem nada no celeiro.
Ally entrou na casa.
— Algo não faz sentido. — Jeremy comentou.
— Você acha?
Sam deu um soco na parede.
— Sam, você vai acabar quebrando a mão, e nós precisamos dela inteira se quisermos achar eles.
— Eu não posso perdê-los. — Sam gritou, estava fora de controle.
— Galera... — Jeremy chamou, mas foi ignorado. — Eu acho que não estamos sozinhos.
Dois demônios estavam bem na escada da casa, indo em direção à varanda. Eles prepararam as armas, mas já era tarde. Em instantes, os dois entraram na casa e mais dois, pelos fundos. Sam foi surpreendido por dois que vinham atrás dele e Ally e Jer ficaram com os que derrubaram a porta de entrada.
Eles tinham caído em uma armadinha e só se deram conta daquilo quando estavam em plena luta com quatro demônios filhos da puta. Ally levou um soco no rosto, mas devolveu dois na mulher que estava batendo nela. Sam estava com tanta raiva dentro de si que não foi difícil lutar com os dois que partiram para cima dele. Já Jaremy nocauteou o dele em segundos, o que não durou muito, porque o demônio revidou.
Eles estavam em desvantagem e sabiam. Não havia tempo para pegar sal, água benta, desenhar uma armadilha do diabo ou exorcizar. Eram quatro contra três e eles eram mais fortes do que aqueles com quem estavam acostumados a lutar.
— Eu pararia, se fosse vocês. — Um dos demônios, no corpo de uma mulher muito atraente, disse enquanto segurava Ally, com uma faca em seu pescoço.
Sam pensou em continuar ou tentar alguma coisa, mas achou mais prudente colocar as armas no chão a arriscar a vida de Allyson, e Jer fez o mesmo. Eles estavam completamente rendidos e fodidos, e Dean estavam sei lá onde e eles tinham acabado de ser pegos por quatro demônios muito fortes.
O demônio que estava segurando Ally prendeu os braços dela com uma corda enquanto os outros fizeram o mesmo com os dois rapazes. Eles andaram pela casa e se encararam. Estavam felizes e satisfeitos por terem capturado Sam Winchester, sabiam da fama dele como caçador.
— Olivia, Uriel... — Jer disse.
Ela lançou seu olhar para ele e o reconheceu.
— Ah! Oi, lindinho. — Ela disse, rindo. — Eu disse que nos encontraríamos de novo e, dessa vez, você é quem vai ser torturado.
— Cadê meu irmão e a , sua vadia?
Olivia se aproximou e deu um soco no rosto de Sam, que deu a ele um lábio arrebentado e escorrendo sangue.
— Vamos acabar logo com ele. — Gritou um dos demônios.
— Se acalma, Uriel. — Repreendeu o parceiro. — Ele é do chefe. Quando chegar a hora dele, a tortura será muito pior.
Ally se mexeu e os olhos de Olivia se voltaram para ela.
— Já com a bonitinha aqui, você pode brincar à vontade. — Ela passou a ponta da faca no rosto de Allyson, que se retraiu.
— Não encosta nela, porra! — Jeremy gritou do outro lado da sala.
Sam olhou para Jeremy, fazendo sinal para que ele tentasse se soltar. Ele estava com um canivete na mão e a conversa fiada era só para tentar distrair os demônios pois, quando ele conseguisse sair dali, ia acabar com os quatro antes mesmo que ele pudessem pensar no que estava acontecendo.
Olivia tirou um pouco de sangue de suas mãos e despejou em um pote. Sam sabia que aquilo significava que ela ia fazer uma ligação com alguém muito mais barra pesada do que eles. Por isso, precisava ser rápido, antes que ficassem mais fodidos do que já estavam.
Quando a corda dele finalmente se soltou, ele partiu para cima primeiro de um dos demônios que os tinham atacado minutos antes. Jogou água benta no rosto de cada um e, antes que pudesse fazer mais alguma coisa, eles saíram dos corpos que estavam possuindo.
Jeremy e Ally partiram para cima dos outros dois. Ela fez questão de ficar com Olivia e ele, com Uriel. Infelizmente, o demônio covarde saiu do corpo antes que eles pudessem fazer algo, mas antes que Olivia tentasse sair do corpo em que estava, Ally a jogou dentro de uma armadilha do diabo que Sam tinha acabado de desenhar enquanto eles lutavam.
— Parece que a tortura vai ficar para outro dia, lindinha. — Jer falou.
— Agora sua conversa vai ser comigo.
Sam pegou uma cadeira na cozinha e se sentou de frente para Olivia.
— Cadê a minha amiga, sua vadia? — Ally gritou.
Ela estava com a adrenalina a milhão.
— Olha como fala comigo!
— Responde! — Sam gritou e enfiou uma faca na perna de Olivia, estava molhada de água benta.
Ela riu alto, apesar de sentir a dor. Já tinha sofrido torturas piores, uma faca não ia intimidá-la.
— Ela não vai dizer nada. — Ally falou em desespero.
— Parece que alguém vai direto para o inferno. — Sam disse e pegou um livro pequeno no bolso da jaqueta.
— Que se dane! Acha que alguma coisa é pior do que trair meu mestre?
Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica...
Sam começou a falar e o demônio Olivia começou a se contorcer.
— Espero que sua amiguinha goste de cabana.
Exorcizammnis incuriso infernalis adversarii...
Ally foi a única que prestou atenção no que o demônio disse e tentou fazer Sam parar. Mas era tarde, demônio tinha sido exorcizado. Ao menos, ela tinha dado alguma pista na tentativa de os dissuadir de fazer o exorcismo e deixá-la escapar.
Jeremy pegou um mapa da cidade que tinha na mochila e colocou na mesa da cozinha. Eles circularam algumas possíveis cabanas que tinham em Aspen e Sam fez algumas ligações para obter informações sobre as propriedades do local. Eles precisavam ser rápidos, e Dean estavam na mão de demônios e, se fossem como os que eles tinham encontrado, significava que era sério.
— Ei, meninos. — Ally os chamou.
— O que foi?
Sam olhou preocupado.
— Eu acabei de receber um alerta do celular da , mas não sei o que quer dizer.
Sam pegou o celular da mão dela.
— O que quer dizer “sempre”?
— É um tipo de código que ela usava com Dean, significa que ela está em perigo ou que precisa de ajuda.
– Precisamos ser rápidos! — Jeremy disse e começou a vasculhar as informações que tinham.


The Pact

Colorado, Aspen – 2 horas antes.



sentiu o cansaço de mais cedo novamente e uma sensação estranha a percorreu. Dean tinha encostado o carro de frente para uma cabana. Ela teve a sensação, por um momento, de que era a mesma do seu sonho no quarto, onde acordou suada e em pé ao lado da porta do banheiro. O parceiro fez sinal para que ela desse cobertura a ele, e assim ela fez, enquanto olhava em volta, procurando pelo carro de Sam. Afinal, Dean tinha dito que eles o encontrariam ali, mas não parecia ter alguém.
Pensou que poderiam ter caído em alguma armadilha, qualquer pessoa poderia pegar o celular do amigo e enviar uma mensagem para Dean. Escutou um barulho de galho sendo pisado nos fundos e correu para lá o mais rápido que conseguiu. Nada também. Tudo que encontrou foi uma entrada para um porão.
Sentiu um arrepio na espinha, uma pancada atingiu sua cabeça e tudo ficou preto.
Teve a sensação de ter um líquido quente caindo sobre o rosto e tentou levantar as mãos para tocar a testa, mas elas estavam presas na cadeira em que se encontrava sentada. abriu os olhos com um pouco de dificuldade e sua visão estava um pouco embaçada, sentiu uma pontada na cabeça quando alguma coisa a tocou bem na testa.
— Calma, estou limpando. — A voz de Dean a deixou um pouco mais calma.
forçou um pouco mais e conseguiu uma imagem borrada de Dean a sua frente. Por um momento, sentiu algo muito sombrio enquanto ele a tocava para limpar a ferida, se retraiu e o viu encarando-a.
— Não encosta em mim! — Esbravejou.
Mas não tinha para onde ir. Estava presa em uma cadeira por cordas nos tornozelos e pulsos.
, sou eu, o Dean. — Disse e se aproximou ainda mais dela. — Você bateu feio a cabeça, preciso limpar isso aí.
encarou-o, tinha certeza de que não era ele. Dean jamais falaria com toda essa delicadeza e já a teria soltado.
— Você não é o Dean! — Gritou e se debateu na cadeira.
Ela estava certa, aquele não era o parceiro dela e, sim, um demônio, que o tinha possuído ainda no motel. Como ela não seguiu o próprio instinto quando achou que tinha algo de errado com ele, tinha caído em uma emboscada.
O demônio soltou uma gargalhada e deferiu um tapa no rosto de .
— Bom... Pelo menos, de uma coisa estavam certos. Você não é só um rostinho bonito. — Disse e segurou o rosto dela, que agora tinha um corte nos lábios devido ao tapa.
encarou o demônio dentro dele e se sentiu impotente. Tentou se desvencilhar das cordas que a prendiam, mas uma fraqueza inexplicável consumiu seu corpo, como acontecera mais cedo, no quarto do motel. De repente, uma dor lancinante percorreu todo seu corpo. Era como se algo a estivesse rasgando por dentro, o que a fez gemer e gritar de dor.
O demônio gargalhou, estava se divertindo com a dor da garota.
gritou por mais alguns instantes e, em uma fração de segundos, a dor parou.
— O que você está fazendo comigo? — Gritou.
Todo seu corpo por dentro doía.
— Isso, minha pequena , — O demônio passou a mão sobre o rosto dela. — é a tortura do inferno que, por alguma razão, você é capaz de sentir.
— O quê?
Ela estava perplexa.
— É isso mesmo, você está ligada ao inferno por alguma razão. Mas o mais curioso é que seu coração não pertence a ele. — Disse por fim e enfiou uma faca na perna de , o que a fez gritar.


Colorado, Aspen – 2 horas depois.



andou o mais rápido que conseguia em direção à cabana. Estava perdendo cada vez mais sangue e a dor que estava sentindo estava insuportável, ela já quase não tinha mais forças para continuar andando. Respirou fundo e deu mais alguns passos, sabia que estava perto e que logo chegaria.
Quando avistou a cabana, tentou apressar o passo, fez o melhor que pode. Assim que atravessou a pequena porta de madeira da entrada, deixou que seu corpo perdesse totalmente a força. caiu de uma só vez no chão e se arrastou até a parede para poder se recostar. Não teria mais para onde ir e nem o que fazer, ela estava debilitada demais.
O garrote que tinha feito na perna para estancar o sangramento parecia não estar adiantando, e esse não era o único ferimento. Não queria se preocupar com nada disso, só pensava em parar de sentir dor e ficar em paz.
Estava pronta. Se tivesse que morrer, não fingiria não estar com medo.
Fechou os olhos e apoiou a cabeça na parede.
Ela abriu os olhos novamente assim que ouviu passos e vozes vindo do lado de fora. Estremeceu quando escutou a madeira da entrada ranger. Não estava sozinha e, se fosse o demônio que a tinha atacado antes, não teria como lutar. Mesmo que quisesse, com todas as forças, não tinha condições nenhuma de levantar de onde estava.
Fechou os olhos e respirou fundo.
! — Um Sam desesperado despertou .
Lágrimas escorreram por seus olhos imediatamente. Sentiu-se aliviada e estava pronta.

, fala comigo. Sou eu, o Sam. — Ele estava apavorado.
Suas mãos já estavam cheias de sangue e ele viu que a situação da amiga era muito séria.
— Tudo bem, Sam. — sussurrou e segurou a mão dele. — Agora eu estou pronta... Mas você precisa saber de algo.
— O quê? Pronta pra quê? — Gritou. — Pessoal, vem aqui, agora!
Ally e Jeremy estavam do lado de fora dando cobertura, mas entraram assim que escutaram Sam gritar.
— Ah, meu Deus! — Ally gritou assim que viu a amiga.
! — Jeremy empurrou Sam para conseguir se aproximar da garota.
encarou os três ali, não estava sozinha. Não morreria sozinha, ao menos.
Tentou falar alguma coisa, mas se engasgou e sangue saiu de sua boca.
— Sam, ela está muito ferida. — Allyson disse, já chorando.
— Sam... — sussurrou.
— A gente precisa levar ela para um hospital agora! — Gritou Jeremy.
A apreensão era grande, mas precisava falar antes que as coisas ficassem bem pior. Se o demônio que estava possuindo Dean podia fazer aquilo com ela, ele também seria capaz de matá-lo ou até matar os três à frente dela.
— Me escutem... — Disse enquanto limpava os lábios com sangue.
, a gente precisar levar você para o hospital agora! — Sam disse, já pegando-a no colo, mas ela segurou a mão dele.
Mais lágrimas caíram.
— É o Dean. — Disse. — No final da floresta...
Jeremy bufou.
— Aquele desgraçado fez isso com você? — Ele gritou e saiu com velocidade da cabana.
— O demônio está no Dean, Sam. — Finalmente conseguiu dizer algo que fazia sentido. — Me promete que não vai matá-lo.
— O quê? Não matar o demônio? — Allyson perguntou enquanto secava as lágrimas.
— Dean... — Ela disse e perdeu a consciência.
! — Gritou Ally.
Sam viu que a amiga ainda tinha pulso e a pegou no colo, colocou-a no banco de trás do carro, e Allyson deu partida, esperando encontrar algum hospital próximo. O Wincherster precisava ser rápido. Jeremy já tinha ido atrás de Dean por conta do que tinha falado e, se o encontrasse, poderia acabar fazendo alguma besteira.

O lugar estava muito escuro e a única visibilidade que conseguia ter era a que a luz do celular lhe dava. Escutou alguns barulhos de galho quebrando, como se alguém estivesse andando na mata, e se preparou caso precisasse atacar. Seu coração estava acelerado e sua mente só conseguia pensar em .
Estava torcendo para que Ally encontrasse um hospital próximo.
— Não encontrei ele. — Jeremy disse, o pegando de surpresa.
Sam mirou a arma na direção dele.
— Cara, eu poderia ter atirado em você. — Disse baixando a guarda.
— Foi mal.
— Encontrou alguma coisa?
— Sim, tem uma outra cabana no final da floresta e o Impala também está lá. — Explicou.
Sam fez sinal para que eles continuassem andando, mas parou e se virou para Jeremy.
— Obrigado por não ter entrado lá sozinho e ter matado meu irmão. — Disse.
— Vontade não faltou, mas nunca me perdoaria. — Jeremy disse, encarando Sam.
— Tem um demônio dentro dele, Dean jamais a machucaria!
Jeremy encarou Sam por um tempo e sentiu uma pontada de ciúmes com as palavras dele. Era ridículo sentir aquilo naquele momento, considerando tudo que estava acontecendo, mas era quase involuntário.
Os dois andaram rapidamente e seguiram na direção que Jer indicou. A primeira coisa que encontraram foi o carro, como ele tinha dito, e uma cabana muito velha e acabada, bem diferente da última que eles tinham encontrado. O lugar tinha um cheiro podre, como se tivessem muitas pessoas mortas ali. Sam fez sinal para que Jer desse a volta na casa e ele subiu uma escadinha de madeira que dava acesso à porta de entrada. Tudo parecia muito silencioso e não tinha sinal de ninguém ali.
Assim que entrou na casa velha, se deparou com um Dean desacordado no chão. Abaixou-se e chacoalhou o irmão algumas vezes enquanto gritava, dizendo para Jeremy que tinha encontrado-o. Ele se sentiu aliviado. Depois do que tinha acontecido com Jéssica — e com a —, não poderia sequer imaginar algo ruim acontecendo com seu irmão.
— Dean? — Chamou por ele, que parecia atordoado.

Dean estava tentando entender o que estava acontecendo, sua cabeça estava doendo a ponto de explodir e a última coisa que ele conseguia se lembrar era de ter soltado de uma cadeira, onde ela estava presa por cordas.
— Ei, cara, você está bem? — Sam perguntou, chacoalhando o irmão.
Jeremy entrou na cabana com o sangue fervendo. Sabia que quem tinha machucado era um demônio, mas olhar para Dean lhe causava raiva.
— Com certeza, está melhor que a . — Comentou.
De repente, ao ouvir o nome dela, Dean começou a ter alguns flashes em sua mente. Como se conseguisse visualizar o que tinha acontecido nas últimas horas, se sentiu enjoado, com raiva e desesperado. Lembrou-se do demônio que tinha entrado dentro dele por um momento.
— O que aconteceu com a ? — Dean perguntou, ainda confuso, e se levantou.
Jeremy entrou na frente de Sam e partiu para cima dele, segurando-o pelo colarinho da blusa. A única coisa em que conseguia pensar era na garota que gostava e em como ela tinha ficado ferida. Como caçador, ele não poderia ter sido tão descuidado a ponto de ser possuído por um demônio – era o que Jer pensava.
— Ei, Jeremy, se acalma. — Sam tentou puxá-lo, mas o rapaz estava fazendo força.
— Não duvido que deixou aquele demônio entrar dentro de você.
Ele sabia que aquilo era absurdo, mas a raiva falava mais alto.
Dean reagiu e o virou contra a parede.
— Eu jamais machucaria a . — Disse, empurrando-o. — Nunca mais fale isso perto de mim.
Ele soltou o rapaz e se voltou para Sam. Ele, mais do que ninguém, sabia que jamais causaria nenhuma mal a e, se pudesse ter evitado cada coisa que aconteceu com ela enquanto o demônio estava dentro dele, teria feito.
— Vamos parar com isso, a precisa de nós. — Sam entrou no meio antes que eles começassem outra briga. — Você está bem, cara?
— Eu estou bem, espero vocês no carro. — Dean disse e saiu da cabana.
Ninguém estava se sentindo mais culpado do que ele. Dean se lembrava de algumas partes — principalmente do que o demônio queria — importantes, mas não tinha realmente noção do quanto estava ferida.
Assim que Sam e Jeremy entraram no Impala, ele deu partida.
Ally encostou o R8 de frente para o hospital e praticamente pulou para fora, gritou por socorro e abriu a porta de trás do carro. ainda estava desacordada e sangrava muito. Enquanto tentava conter as lágrimas que caiam sobre seu rosto, continuou gritando. Não demorou muito para que enfermeiros e médicos começassem a sair do hospital.
A situação era grave e Allyson sabia daquilo. Eles a levaram rápido e pediram que ela ficasse no local para abrir ficha e dar depoimento. Estava nervosa demais, mas precisava se controlar, tinha que pensar em uma história muito boa para explicar à polícia como a amiga dela tinha ficado ferida daquela forma.
Andou de um lado para o outro até que tivesse uma ideia formada na cabeça para contar e enviou uma mensagem a Sam, explicando qual seria a história que eles teriam que falar caso fossem interrogados pela polícia também. Sabia que a mataria caso ela ligasse para o Bobby, mas a situação era séria e, quando viu, já estava discando o número dele.
— Bobby. — Sua voz estava embargada pelo choro.
— Oi, Allyson. Cadê a ?
Ele sempre sabia quando alguma coisa estava errada. não era de ligar para ele, muito menos ela.
— É... Não é nada Bobby, eu só queria saber se você está bem. — Disse, desistindo de contar o que tinha acontecido com a .
— Você não me respondeu onde está a . — Falou.
Ally bufou, tinha sido uma péssima ideia ligar para ele.
— Ela saiu para resolver algumas coisas do caso com Jeremy. — Mentiu.
— Jeremy? O que ele está fazendo aí? — A voz de Bobby não parecia só de curiosidade, mas de preocupação também.
— Longa história... — Estava tentando não falar demais. — Bobby, tenho que desligar, te ligo depois.
— Ok. Sabe que, se precisar, é só ligar, né, criança?
Ally simplesmente concordou e desligou, odiava mentir para ele.

Ela estava começando a ficar apreensiva, já tinha mais de uma hora que tinham levado a amiga e ainda não tinha recebido nenhuma notícia. Também começou a pensar em Sam, que ainda não tinha respondido sua mensagem, e Jeremy.
Tinham encontrado Dean com vida? E o demônio?
Desde que tinha começado a caçar com , nada daquele tipo tinha acontecido. Era normal que elas se machucassem, mas nunca algo que as levassem direto para o hospital com tais ferimentos. E a ideia de que estavam sendo caças a assustava ainda mais.
Enviou mais uma mensagem para Sam e se levantou. Não conseguia parar de andar de um lado para o outro, não tinha notícias da amiga e nem dos rapazes. Preferiu pensar que notícia ruim sempre chegava logo e voltou a se sentar. sempre era a que acalmava a situação, mas ela estava machucada e isso a apavorava.
— Ally. — Escutou a voz de Jeremy chamando-a e pulou da cadeira onde estava sentada.
Ela o abraçou e foi correspondida.
— Cadê a ? — Sam perguntou.
— Ally... Eu sinto muito. — Dean falou, mas foi surpreendido pelos braços da garota em seu pescoço.
— Eu estou feliz que esteja bem. — Disse e o soltou. — Não é culpa sua.
Dean deu um meio sorriso nervoso, não estava acostumado com demonstrações de afeto.
— Ally?
Sam queria saber de .
— Ah, sim. — Voltou sua atenção para Sam. — Eles a levaram, ainda não tive notícias.
Jeremy começou a andar de um lado para o outro.
— Ela estava muito ferida, cara. Se algo acontecer...
— Pera aí... — Dean interrompeu Jer. — Sam, você me disse que ela levou alguns golpes. Como assim ‘muito ferida’?
Sam encarou o irmão. Tinha mentido porque sabia que, além de se culpar, Dean ia surtar também.
— Alguns golpes? — Jeremy perguntou, praticamente gritando. — Você quase a matou!
— Como é que é? — Dean olhou furioso, aquilo era absurdo.
Ally se colocou na frente dele, ficando entre ele e Sam.
— Rapazes, se acalmem. — Pediu.
— É bom vocês me falarem que porra está acontecendo aqui! — Dean gritou.
Allyson tinha que controlar a situação, não poderia deixar os três se matarem dentro do hospital e chamar ainda mais atenção.
— Dean, a estava muito ferida. Ela tinha múltiplas facadas e outros ferimentos.
Dean passou a mãos pelos cabelos e tudo que conseguia pensar é que ele tinha feito aquilo e que, se tivesse sido mais cuidadoso, ela não estaria dentro de um hospital naquele momento.
— Eu preciso de ar. — Disse e saiu de lá.
Ally se virou para Sam.
— Eu acho bom você contar para ele sobre a armadilha do diabo no quarto do seu pai porque, com toda certeza, tem relação, e se ele descobrir... Você já sabe. — Falou e voltou a se sentar onde estava antes de eles chegarem.
Jeremy se sentou ao lado dela e segurou-a pela mão.

sentiu como se a tivessem puxado com uma força extrema e seus olhos se abriram. Diferente da escuridão em que se encontrava, ela estava rodeada por algumas pessoas que pareciam apreensivas e com muita pressa em tirá-la dali. Sentiu algo entrar em seu braço e se deu conta de que estava em um hospital.
Todo seu corpo doía e a luz que invadia seus olhos a incomodava de certa forma. O gosto do sangue em sua boca a fez engolir em seco. Lágrimas escorreram de seus olhos pela primeira vez em uma velocidade absurda.
Um desespero tomou conta dela.
Seus olhos encontraram os de uma mulher morena, que sorriu gentilmente para ela. Era uma enfermeira, que explicou algo para ela sobre uma anestesia epidural que causava paralisia do pescoço para baixo e que tudo ficaria bem assim que ela voltasse da cirurgia.
Cirurgia?, ela pensou, confusa.
Seu coração disparou e mais lágrimas começaram a cair. Um desespero tomou conta de , ela tinha perdido a capacidade de saber se aquilo era real ou se estava tendo alguma visão. As torturas que sofreu algumas horas antes ainda estavam atormentando-a, e a revelação do demônio que possuiu Dean ainda lhe causava arrepios.
Sentir o inferno... Isso martelava em sua mente repetidas vezes.
— Nós vamos levá-la para o centro cirúrgico, vamos passar pelo corredor para que possa se despedir dos seus amigos antes. — A enfermeira sorriu carinhosamente para .
Sam, Dean, Ally e Jeremy.
Era tudo o que ela conseguia pensar naquele momento. Se eles estivessem bem, não tinha importância o que quer que fosse acontecer com ela dali para frente. Se eles estavam lá para se despedirem dela, isso significava que o que estava acontecendo era real e não mais uma de suas visões.
Respirou fundo conforme eles a guiavam na maca pelos corredores do hospital e pensou que não sentir absolutamente nada era um alívio. As dores às quais foi submetida por horas eram enlouquecedoras. Pensou nos momentos em que desejou estar morta ou que o demônio a tivesse matado ao invés de torturá-la daquela maneira.
. — Uma Ally chorosa apareceu no campo de visão de .
Allyson abraçou a amiga, que não conseguia sentí-la.
— Ei. — Jeremy segurou a mão de .
— Ela não pode sentir vocês tocando-a da cabeça para baixo. — Uma enfermeira disse.
— O quê? — Sam sentiu um desespero instantâneo.
— É só um efeito da anestesia. — Concluiu a enfermeira.
encarou os três, procurando por uma quarta pessoa.
Dean.
Ele não estava ali e ela sentiu um estranho alívio. Ele não era o demônio e ela sabia disso, mas a imagem dele a torturando ainda estava fresca em sua mente. Só de pensar nele, cada parte do seu corpo se arrepiava e estremecia em desespero. Não sabia quanto tempo levaria para conseguir separá-lo do monstro que quase a matara.
Sentiu um frio na espinha ao sentir uma mão tocar o topo de sua cabeça. Os olhos dos amigos se arregalaram para ela. Ele estava ali, bem ao lado dela, e ela sabia disso. Podia sentir algo inexplicável vindo dele. Sentiu vontade de gritar e se afastar, mas não era sequer capaz de mover um músculo de seu corpo.
Dean apareceu no campo de visão de , que fechou os olhos e respirou fundo.
— Precisamos levá-la.

Dean andava de um lado para o outro, a revelação que Sam tinha acabado de fazer tinha o tirado do sério. Ele precisava se controlar para não quebrar a cara do irmão. Se estava naquela situação, em parte, era culpa dele, por não ter contado sobre a armadilha do diabo que os dois tinham encontrado no quarto de hotel, em Jericho.
Já tinha algumas horas que estava em cirurgia e ele não conseguia pensar em nada além disso. Sam o encarava, enquanto ele andava de um lado para o outro na sala de espera do hospital. Ally e Jeremy tinham saído para pegar algo para comer, e eles ficaram para dar depoimento à polícia.
Tudo estava fora de controle. Eles estavam sendo caçados por demônios muito mais fortes do que os outros com quem eles cruzaram na vida. estava traumatizada por ele quase a ter matado enquanto um deles estavam em seu corpo e Sam tinha dado para mentir. Ele estava puto e não conseguia esconder isso, mas não era o momento para perder a cabeça com o irmão e meter a porrada nele.
Sabia disso.
O telefone de Dean tocou, o tirando completamente de seus pensamentos. Pensou em não atender, mas não era uma opção. O número de Bobby estava na tela do celular.
— Fala, Bobby.
— Oi para você também. — Bobby disse do outro lado da linha, o repreendendo.
Dean bufou.
— Desculpa, é que não é o melhor momento.
— É, eu sei. Dean, me escuta, vocês precisam sair daí. — Bobby disse, parecia mais preocupado que o normal.
— Por quê? O que está pegando? Aliás... Como sabe onde estamos?
— Tem muitos demônios aí, a coisa está feia, Dean. Eu recebi uma mensagem do seu pai, vocês precisam sair daí agora! — Bobby estava praticamente berrando.
Meu pai?, pensou Dean.
— Bobby, vai com calma. — Pediu, estava com a cabeça muito cheia. — Como assim falou com o meu pai? Do que você está falando?
Sam levantou e se aproximou do irmão.
— Bobby achou o pai?
— Sam, cala boca, preciso ouvir aqui. — Disse, irritado. — Fala logo.
— Seu pai mandou uma mensagem, ele não está sumido. Está procurando pelos demônios que sabem sobre a morte de sua mãe e está próximo, mas vocês precisam sair da cidade.
— É meio tarde para isso. — Disse e passou a mão pelo cabelo, estava ainda mais nervoso com a revelação de Bobby.
— Me deixa falar com a ! — Bobby gritou.
Dean apertou os olhos. Bobby ia matá-lo. Aquela garota era tudo para ele.
— Dean, cadê a ?
Bobby tinha notado o silêncio e ele não era de ficar quieto.
— A está em cirugia, Bobby.
— Merda. O que vocês fizeram?
— Nada, fomos atacados por demônios. Estamos em Aspen!
— Sei onde vocês estão, estou indo ai!
Ele desligou antes que Dean pudesse questioná-lo. Se Bobby estava indo até lá, era porque a coisa era muito mais séria do que eles pensavam. Ele nunca se dava o trabalho de se meter na caçada dos rapazes porque sabia que eles eram bem treinados. Por isso, ele teve ainda mais certeza de que estavam mesmo sendo caçados.
Sua cabeça estava girando ainda mais por seu pai ter mandado uma mensagem para Bobby. Se ele quem avisou sobre Aspen, isso queria dizer que ele esteve ou estava na cidade? Nada daquilo fazia sentido. Por que não ajudar ele e Sam, ou ao menos se dar o trabalho de aparecer?
Uma mistura de raiva tomou conta de Dean.
Ele queria quebrar a cara de Sam por mentir para ele daquela forma, também queria meter umas porradas em Jeremy por ter insinuado que ele seria capaz de machucar de tal forma. Mas era dele mesmo que estava sentindo a maior raiva, por ter sido tão burro de se deixar possuir por um demônio a ponto de colocar naquela situação. Se ele não tivesse sido tão burro, ela não estaria em uma cirurgia.
Deixou os três no hospital e saiu andando, com Sam gritando para que ele esperasse, algo que ele ignorou friamente. Dean entrou no Impala e deu partida enquanto via Sam através do retrovisor com aquela cara de cachorro abandonado de quem estava se sentindo culpado. Ele estava puto demais para resolver as coisas. Quanto mais acelerava, mais rápido queria ir, e a única parte positiva era que sua raiva começou a passar um pouco.
Pensou em . Tinha ficado muito bem nos últimos sete anos sem ela. Se a garota nunca tivesse reaparecido, ele jamais iria procurá-la. Os últimos anos foram uma loucura mas, nos dois anos que passou sem Sam, nunca precisou ficar se preocupando com ninguém além de seu pai.
Encostou o Impala no motel em que eles já tinham se hospedado antes para aproveitar e pegar as coisas que eles tinham deixado no quarto. Passou primeiro no dele e de Sam e, depois, foi para o das garotas. O lugar estava impecavelmente arrumado. Pensou em como sempre fora obcecada por organização e andou pelo quarto, já pegando as coisas.
Escutou passos vindo do corredor e seus olhos correram até um tubo de spray na cômoda ao lado de uma das camas. Viu o tapete na porta de entrada e o levantou rapidamente, desenhando uma armadinha do diabo. Terminou e cobriu o desenho assim que os passos se intensificaram. Sabia que o que estava vindo não era uma pessoa, então se virou como se estivesse distraído, esperando por algo.
— Vocês, Wincheters, sempre facilitando para nós. — Uma voz de homem falou e soltou uma risada em seguida.
Dean abriu um sorriso presunçoso e se virou para o que, na verdade, era um maldito demônio.
Os olhos pretos encararam um Dean calmo.
— Na verdade, você é a putinha dessa noite. — Dean respondeu, apontando para o chão.
O demônio ficou com uma expressão de ódio e se moveu, mesmo sabendo que não tinha como sair da armadilha. Enquanto o maldito dizia o quanto ia arrancar as tripas dele quando conseguisse sair dali, Dean desenhou uma armadilha maior no chão do quarto e puxou uma cadeira para lá. Encontrou algumas cordas bem resistentes que serviriam para prendê-lo na cadeira e separou água benta para enfraquecê-lo.
Ele o prendeu sem nenhuma dificuldade. Estava puto e queria matar o desgraçado, mas precisava de informações – sem contar que, considerando o que tinha acontecido com a mais cedo, ele não poderia ir contra o demônio completamente sozinho. Discou o número de Sam antes que se arrependesse. Óbvio que não ia pedir para ele ir lá. Sabia que Bobby já deveria ter chegado na cidade e pediria reforço para ele mas... Para o irmão? Não mesmo.
— Cara, onde você se meteu?
— Estou no motel, preciso de reforço. — Dean disse, irritado.
Dean escutou Sam bufar do outro lado da linha.
— Cara, você tá me ouvindo?
— O Bobby já chegou? Manda ele vir pra cá.
— Não, ele não chegou. Eu vou aí, Dean. — Sam disse.
— Você não! — Dean esbravejou.
— Qual é, Dean, sou seu irmão.
— Eu me viro, Sam. Tchau!
Dean desligou bufando e encarou o demônio, que estava com um sorriso presunçoso no rosto.
— É, eu tentei aliviar para você, — Dean deu um passo na direção do desgraçado. — mas vai ter que ser comigo.
Ele jogou água benta no rosto do demônio.

Sam andou de um lado para o outro, irritado, na parte de fora do hospital. Dean, quando queria, conseguia ser bem orgulhoso e irritante. Sabia que, se o irmão teve tempo de ligar para pedir reforço, ele tinha parte da situação controlada, mas que poderia sair do controle se ele decidisse dar uma de valentão.
Voltou para dentro e seguiu até a recepção onde Ally e Jeremy estavam. Os dois pareciam se dar muito bem e ele se sentia um pouco deslocado perto deles. Afinal, nem sequer conhecia muito bem Jeremy e Ally também. Ela era bem gente boa, mas era amiga da .
— Sam, aconteceu alguma coisa? — Ally perguntou assim que viu Sam.
— É o Dean.
Jeremy permaneceu em silêncio ao ouvir o nome dele.
— Sam, relaxa, ele vai te perdoar. Dean parece meio durão, mas ele se importa muito com você. — A garota sorriu para ele de maneira compreensiva.
— Ele precisa de reforço mas, se eu aparecer lá no motel, é capaz de ele socar a minha cara.
Sam continuava andando de um lado para o outro. Queria pedir que Allyson fosse lá, mas não tinha coragem. Como poderia pedir algo para ela? Mal a conhecia.
— Eu vou lá. — Ally levantou e Jeremy a segurou pelo braço.
— O quê? Não! — Jeremy estava espumando de raiva. — Isso pode ser o demônio no corpo dele.
Jer estava sendo um babaca e sabia disso, mas a raiva que estava sentindo falava mais alto.
— Não era, é o Dean e ele precisa de ajuda! — Sam disse e encarou Ally. — Você tem certeza? não me perdoaria se algo acontecesse com você.
— É, mas ela também não nos perdoaria se algo acontecesse com Dean. — Ally encarou Sam. — Eu vou. Ligue para o Bobby e peça para ele ir para lá. Vocês ficam aqui!
Jeremy sabia que nada iria impedí-la. Allyson era uma boa amiga e uma coisa que ela tinha era a lealdade. Não importava o tamanho do perigo em que fosse se colocar, Allyson Foster não deixava ninguém para trás e, com Dean — apesar de ser um desconhecido —, não seria diferente.

Dean socou a cara do demônio diversas vezes e a raiva, que antes tinha passado, estava aumentando cada vez mais. Pensou nas palavras de Bobby mais cedo, dizendo que eles deveriam sair da cidade. Pensou em e também nas mentiras do irmão. Deferiu mais socos no rosto do demônio, que parecia não se importar.
Isso estava deixando o Winchester ainda mais puto com a situação. O desgraçado não parava de rir, então ele decidiu torturá-lo de uma maneira um pouco mais pesada. Estava prestes a enfiar a faca no estômago do desgraçado quando a porta do quarto se abriu, pegando-o de surpresa e revelando uma Allyson perplexa.
— Dean! — Gritou, olhando para o homem sentado na cadeira e ferido. — Você está maluco? Ele está dentro de alguém, um filho... Um pai.
Ele nem tinha se dado conta disso. A única coisa que conseguia pensar era que aquele demônio tinha informações que eram importantes para ele. Mas como poderia ser diferente da coisa sentada na cadeira torturando um humano? Porque a casca era de um ser humano.
— Me dá essa faca. — Ally pediu, encarando-o.
Ele entregou sem resistência, o que deixou ela surpresa.
— Achei que queria justiça pela .
Ela olhou com pesar para ele. Claro que queria, mas não daquela forma.
— Não assim. — Afirmou.
— Ally, precisamos achar uma maneira de arrancar algo dele. — Dean disse baixo, já próximo dela. — E nós nem sabemos se o cara já não está morto.
— Sim, eu sei, e nós vamos. — Ela o encarou e se direcionou para o demônio. — E não importa, não vamos ser nós a matá-lo.
— Ah, está tudo muito lindo. Mas vai ficar bem feio quando eu sair daqui e cortar a garganta de vocês dois.
O demônio soltou uma gargalhada e Ally deferiu um golpe em seu rosto, com a arma em sua mão. Não podia matá-lo, mas isso não significava que não poderia dar umas boas porradas.
— É o seguinte. — Disse e entrou na armadilha do diabo.
Ela apoiou as mãos nos braços da cadeira e ficou bem próxima do filho da mãe.
Dean estava surpreso com a coragem da garota. Não a conhecia muito bem, mas não a tinha imaginado assim tão perto de um demônio.
— Ally... — Dean chamou por ela.
Ally apenas se virou para encará-lo, dando a entender que estava tudo sob controle.
— Gostei de você, lindinha, vou te matar mais rápido!
Foi a vez de Allyson soltar uma gargalhada.
— Você vai nos dizer onde encontramos seus amiguinhos e o porquê de estarem atrás de nós. — Ela disse e sorriu com desdém.
O demônio sorriu e encarou-a, queria rir da ingenuidade dela. Nada o faria dizer algo, exceto um pacto, mas sabia que ela jamais aceitaria.
— Não estou atrás de vocês.
Dean sentiu seu coração disparar.
— Estão atrás da . — Admitiu quase que para si.
Ally olhou perplexa.
— O quê? — Ela não estava entendo nada.
Por que estariam atrás dela?, a dúvida ocorreu na mente de Allyson.
— Pergunte para sua amiga. Quando eu a torturei, eu disse, porque ela é o nosso troféu.
Dean tentou partir para cima do desgraçado. Aquele demônio sentado ali na cadeira era quem tinha ferido . Seu sangue estava borbulhando, mas Allyson o segurou. Ela sabia que ele estava finalmente abrindo a boca e a revelação que tinha acabado de fazer era muito séria.
Se era um troféu para os demônios, ela corria perigo, e eles precisavam estar preparados para qualquer coisa.
— Dean, se acalma, por favor. — Pediu, segurando-o. — Preciso que fique calmo, não podemos matá-lo antes de saber tudo!
Dean bufou e se afastou.
— Como assim ‘troféu’? — Ally gritou.
Seus sentimentos estavam a flor da pele. Desde que perdeu seus pais, era muito difícil imaginar perder mais alguém que amava. era tudo que ela tinha e a garota faria qualquer coisa para protegê-la. Morreria se fosse preciso, mas ela nunca mais seria a pessoa a enterrar alguém que ama.
— O que você quer? — Perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
Dean ergueu o olhar, sabia que o rumo que a coisa toda estava tomando não era boa.
— Ally!
— Não! — Gritou. — Não se mete nisso, Dean.
— Um pacto. — O demônio sorriu com desdém.
— Eu aceito, mas não quero dois anos, quero muito mais. — Falou.
O demônio riu.
— Não, nem pensar, você não vai fazer um pacto! — Dean estava perplexo.
Ele sabia que, se Allyson fizesse um pacto, qualquer que fosse, não suportaria.
— Eu faço! — As palavras saíram antes que ele se desse conta.
Dean seria capaz de fazer um pacto para salvar ? Sem sombra de dúvidas. Ela era da família e ele faria qualquer coisa para que nada acontecesse com ela, além de saber o quanto ela era importante para Sam. Ele já tinha perdido Jess e não suportaria perdê-la também.
— Não, nem pensar. — Ally se virou para olhá-lo. — me mataria. Ela precisa de você, Sam precisa de você.
— O quê? Você é só uma garota, jovem. Quantos anos tem? 20? Não, eu faço o pacto!
O demônio riu de novo.
— Isso está ficando muito divertido!
Ally e Dean se encararam. Os dois estavam dispostos a obter informações para poder proteger . Dean pensou em Sam. Sabia que ele iria surtar se ele fizesse um pacto com um demônio filho da puta, mas também entenderia que ele não teve escolha.
Seu pai, então, o mataria antes de seu tempo acabar.
A garota abraçou Dean, que ficou surpreso com a atitude, mas ele retribuiu. Percebeu que tinha sido só uma jogada quando sentiu uma porrada na cabeça e viu sua visão ir se apagando. Ally o tinha atingido com a arma que estava em sua mão. Ela não o deixaria fazer um pacto nunca.
Os olhos de Allyson queimaram. Se os pais delas tiveram que morrer e ela teve que conhecer , quem a ajudou a superar a morte deles acima de qualquer outra pessoa, talvez esse fosse o propósito, dar sua vida para salvá-la. Afinal, ela a tinha salvo também.
— Aprecio a coragem. — A voz do demônio a tirou do momento sentimental consigo mesma.
Sua atenção se virou para ele, que parecia satisfeito.
— Vamos ao pacto. — Falou, encarando-o. — Mas acho que me deve seu nome, considerando que vamos ter que nos beijar.
Ele riu do senso de humor dela.
— Claro, me chamo Damon.
Ally permaneceu encarando-o.
— Só lembrando, Allyson, que, se fizer o pacto e me matar após ele com a intenção de livrar-se, meus cães do inferno a pegarão no momento seguinte. — Avisou.
A ideia realmente lhe tinha ocorrido, mas ela sabia que provavelmente algo assim poderia acontecer.
— Certo, vamos aos termos. — Disse.
— Eu lhe dou oito meses, nada além disso. — Disse por fim.
Oito meses? Era muito pouco. Ela queria muito mais que dez anos, que era o máximo dado pelos demônios.
— Não! — Gritou.
— Bom. Então... Diga adeus para sua amiga. — Falou com deboche.
Ally andou de um lado para o outro. Se ele só queria dar a ela oito meses, não planejava dar nem sequer os dez anos. O pacto estava sendo uma má ideia, mas ela não conseguia pensar em nenhuma outra maneira de resolver a situação.
— Um ano. — Ela disse após muito pensar.
O demônio a encarou.
— Oito meses ou nada. — Abriu um sorriso.
— Primeiro me diz o que sabe. — Pediu.
Ele riu.
— Acha que sou burro? — Perguntou. — Se eu disser primeiro, você pode me matar. Mas, se selarmos o pacto, eu não tenho como sair daqui. Sem contar que ele me obriga a cumprir meu lado da barganha.
Ela realmente estava sem saída, era hora de fechar o pacto de vez.
— Tudo bem, vamos lá!
Ally se aproximou e levou o rosto até o do demônio. Ao menos, ele estava possuindo alguém bonito.
Meu Deus, como poderia pensar nisso?, lhe ocorreu por um momento.
Tentou relaxar e aproximou seu rosto. Um estrondo arrebentou a porta do quarto no momento em que os lábios dela encontraram o de Damon.
— O que foi que você fez? — A voz furiosa de Bobby invadiu o ambiente.


Retirement

Os únicos sons presentes eram o soro caindo gradualmente, o barulho dos aparelhos e a respiração pesada de Dean, mas a última ele não tinha muita certeza de estar escutando. tinha passado por cirurgia, seu pulmão havia sido perfurado e a artéria femoral por pouco não foi atingida. Ela estava com um braço quebrado, clavícula esquerda despedaçada e um ombro deslocado. Os ferimentos foram realmente graves, o médico havia dito que ela não sobreviveria mais alguns minutos fora de socorro médico.
Dean apoiou os cotovelos no joelho e encarou a garota na cama do hospital. Ela estava ligada a várias máquinas. Fios saiam por todo lado. Também havia um tubo preso ao seu tórax, que o médico disse que era para controlar um hemotórax. Pelo o que Dean havia entendido, tinha um acúmulo de sangue no que o médico chamou de espaço pleural. Mais uma coisa grave, entre tantas outras.
Em resumo, era um milagre ela ter saído viva.
Bobby entrou no quarto, fazendo com que Dean desviasse o olhar para porta. Ele sabia o que estava por vir e não estava muito afim de discutir isso com ele e nem com ninguém. Não sairia do hospital, a não ser que fosse para comer ou tomar um banho. Caso contrário, ficaria ali até que apresentasse alguma melhora, ou que acordasse.
Levantou e caminhou até próximo da cama. Com as mãos nos bolsos e ficou encarando.
– Não vou embora, Bobby.
O homem bufou e ficou do lado oposto da cama, onde poderia olhá-lo.
– Eu imaginei. – Ele disse com firmeza, sem tirar os olhos do rapaz.
– É minha culpa ela estar nessa cama. Sabe disso, né?
– Não fala bobagem.
– Estou dizendo a verdade.
Dean bufou, se afastando da cama, e ficou de costas para Bobby.
– Ei, olha para mim! – Bobby pediu e assim ele fez. – Nada disso é culpa sua.
– Como não? Olha só para ela! – Quase gritou. – Se alguma coisa acontecer...
– Você ama essa garota, não ama, Dean?
Dean revirou os olhos.
– Acha que só porque sou velho não sei das coisas? – Bobby riu. – Sei sobre muita coisa. E uma delas é que você ama essa garota.
– Não fala bobagem, eu estou com a....
Os olhos de Dean correram até a porta e, do lado de fora, ele viu, de costas, uma garota de cabelos pretos pedindo informações para uma enfermeira. Não demorou muito para que ela se virasse e entrasse no quarto, já se jogando nos braços dele.
– Lauren, o que está fazendo aqui? – A voz dele saiu fraca.
A garota se afastou e passou a mão no rosto dele. Dean não estava no melhor momento, mas tinha certeza de que não havia contado para ela sobre o que estava acontecendo e muito menos pedido que ela viesse até o hospital. Os dois estavam juntos há menos de três meses e, como sempre, ele não queria começar envolvendo problemas pessoais.
– Estou tão feliz que esteja bem!
Bobby raspou a garganta enquanto Dean permanecia em silêncio.
– Oi. – Lauren olhou sem jeito, ela não conhecia o cara muito bem.
– Lauren, o que você veio fazer aqui?
– Eu fiquei sabendo sobre o ataque. Na verdade, muitos caçadores já sabem. – A garota voltou a encarar o namorado. – Está tendo uma infestação de demônios.
– Certo, mas você poderia ter me avisado antes que vi...
– Meu Deus, ela está muito machucada! – Lauren disse, se referindo a , as duas já tinham caçado juntas algumas vezes, já que seu pai era muito amigo do pai dela. – Nunca imaginei, ver nesta situação.
– Pois é. – Dean disse, encarando Bobby como se ele pudesse fazer algo para controlar aquela situação. – Eu achei que você estivesse caçando com seu pai.
A garota revirou os olhos.
– Já sou bem grandinha.
– Não foi o que quis dizer.
– Claro. Nós namoramos, mas eu não posso aparecer aqui do nada. É isso? – Lauren estava visivelmente irritada.
– Não vamos discutir isso aqui. – Dean disse firme e saiu do quarto.

Ally se sentia péssima por não ter ficado no hospital com a amiga, mas ela precisava correr contra o tempo. Uma semana já tinha se passado desde o pacto com o demônio e ela não poderia ficar de braços cruzados. ia se recuperar, ela sabia disso e, enquanto aquilo não acontecesse, ela tinha que correr atrás do que estava ao seu alcance.
Ela pisou no acelerador e correu o máximo que conseguiu. O carro de Jeremy estava logo atrás dela e ele parecia conseguir acompanhar a velocidade alta da garota. Entrou em um desvio e seguiu por uma estradinha que a levaria até o seu destino. Ela já tinha visitado diversos caçadores, matado muitos demônios e não conseguia chegar até Damon mas, na última noite, havia recebido uma notícia de que ele estaria em Indiana, próximo a um vilarejo.
Ela parou o carro e saiu dele rapidamente, já pegando a arma, presa no cós da calça.
– Droga. – Ela disse ao ver que o local havia sido abandonado.
– Ally, nós vamos encontrá-lo. – Jeremy fazia de tudo para tentar acalmá-la.
Ally deu um tapa na mesa velha que tinha ali dentro do chalé caindo aos pedaços.
– Não sei, Jer. – Ela olhou pelo local, procurando por alguma pista. – Em uma semana, já matamos vinte demônios, encontramos quatro caçadores, fomos até atrás de uma bruxa. E nada!
– Eu sei, mas você precisa ter calma...
– Calma? Eu só tenho oito meses. – Ela o interrompeu, estava cansada de ser consolada.
Tinha cometido um erro terrível no calor do momento, sabia daquilo.
– Eu cometi um erro fazendo aquele pacto. Não conseguimos nenhuma informação que nos ajudasse, e eu ainda vou para o inferno.
Jer a encarou e segurou seu rosto.
– Allyson, você não vai para o inferno. – Ele a abraçou forte, um gesto que ela aceitou sem reclamar. – Não se eu puder evitar.
Eles ficaram assim por um tempo, até ouvirem um barulho que parecia vir do porão da casa. Ally sacou a arma de volta e ele fez o mesmo. Os dois seguiram em leves passos em direção a uma pequena porta ao lado da cozinha que dava para o porão. Ela abriu a porta e fez sinal para que ele ficasse ali caso aparecesse alguém.
O cheiro era podre, como se alguém estivesse morto ali há semanas. Ela chegou no porão e andou até o centro sem acionar o interruptor. O cheiro ficou ainda mais intenso e ela sentiu seu pé bater em algo pesado. Seus olhos se arregalaram. Mesmo com o tempo de caçada, ela nunca se acostumava a encontrar corpos mutilados por demônios.
Ao menos, uma coisa era certa: eles tinham passado por ali.
– Jer, desce aqui. – Ela gritou enquanto se abaixava para virar o corpo.
Era uma mulher que aparentava ter por volta de seus vinte anos, o pescoço estava cortado e os olhos afundados.
– Meu Deus, que cheiro é esse? – Jeremy disse enquanto descia as escadas.
– Uma garota jovem, morta. – Ally disse e se afastou do corpo, andando pelo enorme porão. – Eles estiveram aqui, sem dúvidas.
Tinham mordaças, cordas, armas e algumas correntes.
– Pera aí. – Ela disse e soltou a arma para abrir um tampo de madeira no chão.
Estava cheio de correntes e balas de prata.
– Lobisomens? – Jeremy perguntou atrás dela.
– Sim. – Ela firmou enquanto examinava as coisas. – O que demônios fazem atrás de lobisomens?
– Semana passada, nós esbarramos com vampiros. – Ally levantou e olhou em volta, procurando por mais alguma pista. – Você lembra o que o chefe do grupo disse?
– Antes de eu matá-lo? – Jer disse se gabando e ela riu.
– É.
– Que estavam sendo caçados, mas não para morrer.
– Isso. – Ally disse e procurou algo para enrolar o corpo da garota.
– Estão formando um exército? – Jeremy lançou um olhar confuso para ela.
– É a única coisa em que consigo pensar.
Ally achou um lençol e enrolou o corpo da garota, tinha a intenção de queimá-lo. Queria dar a ela um velório digno, já que devia ter sido uma morte dolorosa e injusta.
É o que gostaria que fizessem com ela.
– Pode me ajudar aqui?
Jeremy andou até ela e pegou o corpo da garota, apoiando nos ombros.
– Não faz sentido. Por que demônios vão unir um exército de monstros?
Eles atravessaram a porta de entrada da casa e Allyson procurou por madeiras para fazer uma pequena cama e colocar o corpo da garota para atear fogo. Encontrou algumas ao lado da casa e foi até o carro para pegar uma caixa de fósforos e álcool enquanto Jeremy fazia a cama de madeira.
– Para se fortalecerem? – Ally disse e observou o amigo deitar o corpo da garota. – Pensa só, monstros são inimigos número um dos caçadores.
– É mas, mesmo assim, do que eu sei, esse tipo de alma não vai para o inferno. – Jeremy pegou o galão e encharcou o corpo.
– Mas é uma maneira de se fortalecer.
pode sentir o inferno.
Apesar de não ser nenhuma pista para que ela pudesse salvar a amiga de ser caçada por demônios, isso a preocupava. Se ela podia sentir o inferno, sabe-se lá mais o que era capaz de fazer e até onde os demônios a temiam. Se estava sendo caçada, era porque eles viam algum perigo nela.
Ela encarou o fogo se espalhar pelo corpo e segurou a mão de Jeremy.

Coordenadas.
Isso era tudo que o pai de Dean lhe enviava quando queria se comunicar. Ele já tinha enviado uma penca de mensagens para ele, pedindo alguma explicação ou que simplesmente aparecesse para lhes contar o que estava acontecendo, mas não adiantava. Não recebia sequer uma mensagem, nem que fosse para dizer não.
Ele abriu o celular, jogou os números no campo de pesquisa e, enquanto carregava, começou a separar as armas para a próxima caçada. Claro que ele não iria. Mandaria Sam – e quem sabe Lauren com ele. Só fazia uma semana que ela estava ao lado dele e ele não conhecia sequer respirar um segundo sem que ela estivesse grudada nele.
Gostava de Lauren, mas não tinha muita paciência em ficar vinte e quatro horas dividindo o mesmo espaço e muito menos lidar com os ciúmes dela, o que havia crescido desde o acidente de , já que Dean passava todas as noites ao lado da cama dela, esperando que a garota acordasse.
– Temos trabalho? – Lauren perguntou ao entrar no quarto.
– Você e o Sam tem. – Afirmou ao ver Sam entrar em seguida.
Sam estreitou o olhar, ainda achava estranho um Dean namorando.
– Como é? – A garota se jogou na cama e o encarou.
– Bobby está caçando, Ally e Jeremy também. – Dean se sentou para olhar o celular de novo. – Alguém precisa ficar com a .
Ele viu a garota revirar os olhos mas ignorou.
– E precisa ser você? – Sam perguntou com um tom de irritação.
Desde o acidente, ele não tinha conseguido ficar sozinho com nem por um minuto, já que o irmão ficava vinte e quatro horas por dia sentado naquele quarto.
– Sim. – Afirmou.
– Dean, você precisa sair um pouco daquele hospital. – Sam falou enquanto terminava de arrumar as armas e sua mala de roupas.
– Você primeiro.
– Que tal se eu ficar com a ? – Lauren perguntou despretensiosamente.
Os dois a encararam.
– Qual o problema? – Deu de ombros.
– O problema é que nós conhecemos a ...
– Meu pai é amigo do pai dela, também conheço a . – Ela interrompeu Dean e se endireitou na cama.
– Como eu não sabia disso?
– Saberia se não ficasse vinte e quatro horas enfiado no hospital – Ela riu fraco. – e expulsasse todo mundo de lá.
– Bom, com isso eu tenho que concordar. – Sam riu.
Para ele, era engraçado ver Dean sofrer com os males dos relacionamentos.
– O que acha, Sammy? – Dean olhou para o irmão, não era costume ele pedir a opinião dele e Sam sabia disso. Ele pensou em repreendê-lo pelo apelido, mas preferiu deixar passar, só daquela vez.
– Acho que pode ser bom. – Ele olhou na direção da garota. – Se eu fosse você, ia preferir me colocar em perigo a fazer isso com a minha namorada.
Dean o fuzilou com o olhar.
– Bom, então é isso. Vamos nós dois! – Dean disse, anotando algo no papel, e colocou o celular no bolso. – Vamos para Indiana, surgiram alguns corpos mutilados.
– Demônio? – Lauren perguntou, curiosa.
– Pera aí. – Sam disse e pegou o celular. – Ally me mandou uma mensagem, ela disse que ela e Jeremy estão em indiana.
– Bom, então ao menos não será uma viagem perdida. – Dean disse e pegou a mala dele de roupas e outra com armas.
Ele abriu a porta, mas sentiu braços em volta de si.
– Não vai se despedir? – Lauren perguntou, o encarando nos olhos.
Sam estreitou o olhar.
– Espero você lá fora.
Dean encarou a garota e soltou as malas que antes estava segurando. Ele passou os braços em volta da cintura dela e ela o abraçou, envolvendo os braços em seu pescoço. Eles ficaram assim até que Dean a afastou e colocou a mão no rosto dela. Ele depositou um beijo em sua testa e saiu antes que ela dissesse mais alguma coisa.
Do lado de fora, estava frio, então ele vestiu sua típica jaqueta marrom e entrou no impala, onde Sam já aguardava no banco do passageiro. Pensou que o irmão iria fazer alguma piadinha, mas ele não falou nada e, assim, ele deu partida no carro, já aumentando o volume do som.
Ele queria passar primeiro no hospital, se certificar de que estava tudo bem com , e depois seguiria para Indiana. Ele e o irmão tinham entrado em um acordo sobre contratar uma bruxa para que ela fizesse um feitiço de proteção no quarto que afastasse qualquer criatura. Aparentemente, estava funcionando. Isso deixava-o mais tranquilo quando era preciso deixá-la sozinha.
– Dean, uma hora vamos ter...
– Sammy, me dá um desconto, só hoje! – Dean pediu e saltou do carro assim que estacionou de frente para o hospital.
Ele apressou o passo e seguiu direto para o quarto dela. Seu coração batia forte e ele não sabia explicar nem para si porque estava sentindo tudo aquilo. Pessoas se feriam na caçada, mas com ela era diferente. Ele tinha causado cada ferimento. Sentia-se culpado, sabia disso. Entrou no quarto e viu que estava tudo bem ali, nada suspeito e muito menos nenhum médico para dar alguma notícia ruim.
– Ei. – Dean se aproximou da cama e passou a mão nos cabelos dela.
tinha um tubo em sua garganta. O médico havia dito que, devido aos extensivos ferimentos, era melhor mantê-la sedada.
Ele odiava aquilo.
– Eu vou ter que ir caçar, mas a Lauren vai ficar com você. – Dean sentou no espaço que tinha na cama e segurou a mão dela. – Eu prometo que não vou demorar.
Sam observou tudo da porta do quarto. Não estava surpreso, mas também não esperava um dia ver o irmão ser tão carinhoso com alguém. Ele permaneceu ali, parado, vendo Dean falar com como se ela fosse capaz de ouvir. Sentiu até um pouco de dó de Dean, sabia como tudo aquilo estava sendo uma barra para ele.
Sam raspou a garganta.
– Cara, você não consegue me dar privacidade mesmo, né? – Dean bufou e levantou da cama.
– Você não é o único que se importa com a , quero me despedir também. – Sam se aproximou do irmão com as mãos no bolso.
Dean revirou os olhos.
– Não vim me despedir. – Ele encarou o irmão.
Sam deu de ombros e se aproximou de .
– Fica bem, voltamos logo. – Ele disse e depositou um beijo na testa dela.
Os dois saíram do hospital em completo silêncio e, da mesma forma, pegaram a estrada. Ally já tinha passado algumas informações para Sam por mensagem e ele resolveu que era melhor fazer uma pesquisa. Gostava de estar preparado para qualquer situação que eles fossem encontrar, mas uma coisa ainda rondava seus pensamentos.
Por que Ally estava tão tensa e caçando demônios?
Estavam sendo caçados, certo. foi atacada, certo também. Contudo, ainda não fazia sentido para ele. Aquilo deveria ser de interesse de todos e, a julgar pela reação da garota ao ver a amiga tão ferida, o mínimo que ele esperava era que ela passasse cada minuto desde o ataque ao lado de .
Tinha alguma coisa errada, ele sentia isso.
Pensou que talvez conseguisse descobrir alguma coisa, já que teriam ao menos dezoito horas de viagem do Colorado até Indiana. Seria tempo suficiente para que ele pudesse pesquisar o máximo que conseguisse e talvez até arrancar algo de Dean. Sentia que o irmão sabia de alguma coisa e não queria incomodá-lo. Bobby e Jeremy também estavam estranhos desde o dia em que Ally saiu para dar um reforço para Dean com um demônio.
Aí tinha coisa.
– Que tanto você lê aí? – Dean perguntou enquanto pegava um pouco de salgadinho e enfiava na boca.
Sam riu.
– O quê?
– Ao menos isso não mudou. – Sam comentou enquanto não tirava os olhos do papel. – Eu estava dando uma olhada nos casos que Ally mandou.
– Achou alguma coisa? – Perguntou de boca cheia.
– Sim, escuta só. – Sam fez uma pausa e levou a garrafa de cerveja até a boca, dando um longo gole. – Muitas mortes por demônios, mas o interessante é que também temos mortes que parecem ter sido causadas por lobisomens.
– Hm.
– Ally me disse que, na cabana em que ela e Jeremy estiveram, tinha o corpo de uma garota que tinha sido possuída por um demônio. – Sam explicou e folheou os papéis em sua mão. – Também tinham coisas para conter e matar lobisomens.
– Demônios caçando lobisomens ou o contrário? – Dean perguntou.
Sam gostava do fato de não precisar explicar tudo para Dean, ele sacava as coisas rápido.
– Eu aposto mais na primeira opção.
– Por que demônios querem caçar lobisomens? – Dean acelerou um pouco mais.
Eles já estavam na estrada há quase nove horas, ou seja, ainda faltava metade do percurso, e ele queria encurtar isso.
– Boa pergunta. – Sam bufou, sentia-se frustrado por ter pesquisado tanto e não ter encontrado nenhuma explicação lógica. – Ally acha que para se fortalecer, mas eu não sei...
– Sabemos que a pode sentir o inferno, eles parecem temer ela. – Dean falou com naturalidade e deu um gole em sua cerveja enquanto Sam o encarava um pouco pasmo.
Bom, tinha arrancado algo.
Dean o olhou de lado e sentiu-se irritado. Tinha falado demais. Ele precisava tomar cuidado ou acabaria contando sobre o pacto de Ally.
– Não queria esconder de você, é que as últimas semanas foram uma loucura. – Dean disse, dando de ombros. – Além do mais, achei que Ally teria te contato.
– Não. Vocês andam bem estranhos ultimamente.
– Sam, qual é, não foi de propósito. – Dean jogou o saco de salgadinho no banco de trás e vasculhou com o braço por outra cerveja, jogando a garrafa vazia também no banco.
– Enfim, continua.
– Bom, ele disse que ela pode sentir o inferno.
– O que isso significa?
– Que ela pode sentir cada alma torturada, que ela tem um pezinho aqui e um lá.
Sam passou a mão pelos cabelos.
– Ela pode se tornar um demônio?
– Opa, vamos com calma, Sam. – Dean pegou um desvio e entrou em uma cidadezinha, precisava parar ao menos para comer alguma coisa que fosse comida de verdade.
– O quê? Vai me dizer que isso não passou pela sua cabeça? – Sam olhou, sério. – É por isso que tem cuidado tanto dela. Está com medo que ela acorde diferente.
– Não fala bobagem, Sam. – Dean entrou em um restaurante de beira de estrada que avistou e estacionou o carro.
– Não é bobagem.
– É sim. – Ele disse e puxou o freio de mão. – A ainda é a mesma.
Ele saltou do carro e foi andando na frente antes que o irmão começasse a falar mais bobagens. Ele estava sendo sincero. Não estava preocupado sobre ser um demônio e sim sobre o fato de que ela poderia ser uma ameaça para eles. Isso sim era preocupante. Se eles a viam como inimiga, isso significavam que queria matá-la. Se fosse uma aliada, ele não saberia dizer o que poderia acontecer.
Sentou-se em uma mesa no canto e, logo, Sam sentou do lado oposto. Dean pediu ovos, bacon e linguiça. Enquanto o irmão pediu apenas uma salada e um suco natural, ele optou por tomar uma dose de Whiskey. Considerando tudo que estava acontecendo, estava precisando de algo um pouco mais forte. Não sabia até quando aguentaria.
Os dois permaneceram em silêncio, o clima não estava dos melhores desde o comentário de Sam. Como era de costume, Dean comia igual a um desesperado e ainda quis pedir uma torta. Já que não sabia o que iriam enfrentar dali para frente, queria aproveitar para sentir todo os prazeres que pudesse proporcionar a si mesmo.
– Winchesters. – A voz de uma mulher reverberou pelo local.
Dean levantou o olhar, assim como Sam. Eles não conheciam a pessoa que estava ali em pé.
– É, somos nós. – Dean afirmou, já colocando a mão na arma.
A mulher riu.
– Não precisa se assustar, Dean. – A mulher disse e sentou-se ao lado de Sam.
Ela tinha cabelos vermelhos, era cheia de tatuagens e com um corpo escultural. Dean não tinha conseguido evitar o olhar em cima dela e sabia que ela havia notado. Mulheres com a sensualidade dela sempre sabiam quando são observadas por homens com outros olhos.
Ela não pareceu se importar.
– Sou Amelia. – Ela disse e fez sinal para que a garçonete lhe trouxesse uma cerveja. – Sei que não sabem quem eu sou. Vocês, no entanto...
– O que você quer? – Sam perguntou de forma grosseira.
– Estou aqui porque posso ajudar com aquele pacto.
Sam encarou Dean, não tinha ideia do que ela estava falando.
– Você é uma porra de um demônio, não é? – Dean sacou a arma e apontou para ela sob a mesa.
Amelia riu e mostrou os olhos pretos.
– Você até que é espertinho.
– De que pacto ela está falando, Dean? – Sam quase gritou e alguns olhares no restaurante caíram sobre ele. – Você não fez...
– Não, Sam. – Dean olhou irritado para o demônio. – Ally fez.
Ele não queria contar, mas já era tarde para esconder qualquer coisa. Pediria desculpas para Allyson depois.
– Ela o quê? – Sam estava estático. – Por quê?
– Para salvar a .
– É, parece que isso não deu muito certo. – Amelia se intrometeu.
– Cala a boca, ninguém está falando com você. – Dean olhou sério.
– Dean, mas que merda!
– Fica pior.
– Dá para ficar pior?
– Ah, dá sim, quando só se tem oito meses para salvar a própria alma. – Amelia os encarou, sua expressão não estava mais descontraída.
– Oito me... – Sam passou a mão pelos cabelos. – Mas que porra, Dean!
Dean deu de ombros, não tinha nada para ser dito. A única coisa que ele queria fazer era matar o demônio que estava ali falando com eles, cair fora dali e ir o mais rápido possível para Indiana e tentar salvar a alma de Allyson antes que acordasse.
Sentia que estava falhando pela segunda vez.
– O que você sabe? – Sam perguntou.
– Sam, não. – Dean protestou. – Não confiamos em demônios.
– Fica calmo, lindinho. – Amelia sorriu. – Não vou querer a sua alma, muito menos a do Sam.
Muito menos a do Sam. Dean prestou bastante atenção nesta parte.
– Eu estou aqui porque fui mandada. – Amelia começou a dizer. – Então espero que escutem bem o que eu vou dizer, porque não tenho muito tempo, seus idiotas.
Dean se moveu no banco, queria quebrar a cara dela.
– Fala logo então, se não quiser morrer.
Ela riu.
– Acham que estou sozinha?
Eles olharam em volta e viram alguns rostos ali ficarem com os olhos pretos. Os dois irmãos sabiam que estavam em desvantagem, não tinham como atacá-la e saírem vivos dali.
– Vocês vão me ouvir ou não?
– Fala. – Dean respirou pesadamente.
– Fui mandada aqui para dizer que a guerra está só começando. – Ela passou o olhar pelos dois irmãos. – Sei de alguém que pode ajudar com o pacto da sua amiga.
– Então para de enrolar e fala. – Sam disse com firmeza.
– Sei que estão indo para Indiana, sugiro que matem o máximo que conseguirem. – Amelia afirmou.
– Quer que a gente acredite que isso não é uma armadilha? – Dean arqueou as sobrancelhas.
– Se eu quisesse te matar, faria isso só ao piscar os olhos.
Sam engoliu em seco.
– Fala como Damon. – Dean disse, se referindo ao demônio com quem Ally fez o pacto.
– Não respondo a esse chefe.
– A quem responde então? – Sam perguntou.
– Não posso dizer.
Ela anotou algo em um papel e passou para Sam, era um endereço em Indiana.
– Que ótimo. – Dean disse e riu fracamente. – Fica meio difícil assim.
– Protejam e...
Dean saiu de onde estava e a segurou pelo pescoço. Os demônios se levantaram, mas Amelia fez sinal para que eles não fizessem nada.
– O que sabe sobre isso? – Dean perguntou.
– Tanto quanto vocês. – Ela respondeu, com a voz um pouco enganada. – Sei que ela pode sentir o inferno, mas nada além disso. Acha que queremos essa guerra, Dean? Estou aqui para ajudar vocês, como eu disse. Posso matá-los em um piscar de olhos.
Sam lhe lançou um olhar para que ele recuasse, e assim ele fez.
– Vá atrás desse endereço, continuem fazendo feitiço de proteção para que não seja encontrada.
Dean franziu o cenho, não tinha falado nada sobre isso.
– É, sei sobre as coisas. – Amelia se levantou. – Eu sigo ordens e, pelas ordens que segui, devo ajudá-los.
– Certo, então por que não nos diz onde está a porra do demônio responsável pelo pacto da Allyson? – Dean bufou.
– Porque não sei onde ele está. – Amelia afirmou.
– Não vem com essa. – Sam esbravejou.
Amelia riu e saiu andando, sendo seguida por seus "seguranças". Dean fez menção de seguí-la, mas Sam segurou seu braço porque sabia que aquilo era suicídio.

Ally saiu do banho, sentindo-se extremamente cansada. Depois de passar o dia caçando com Jeremy, eles decidiram que precisavam tirar ao menos algumas horas de folga. Então ela mandou alguns e-mails para Sam, explicando o que estava acontecendo, e tirou um tempinho para comer e mandar mensagem para Noah.
O namorado era algo que não saia de sua cabeça. Pensou em como contaria para ele que tinha feito um pacto com um demônio. Ela nunca tinha mentido para ele e não o pretendia fazer, mas achava que seria melhor dizer tudo pessoalmente. Seus pensamentos também não saíam de . Estava, a todo momento, pensando em como a amiga estaria e qual outra ligação ela poderia ter com o inferno.
Desistiu de fazer pesquisas e se jogou na cama. Estava cansada, mas não conseguia sentir nem um pingo de sono devido à turbulência que se instalava em sua cabeça. Olhou o relógio e viu que Sam e Dean provavelmente já estariam chegando. Logo, os trabalhos começariam, e ela estava ansiosa para aquilo. A caçada lhe ajudava a não pensar tanto em seu pacto.
Damon. O nome do demônio percorreu seus pensamentos e ela sentiu um arrepio. Estava sendo impossível rastreá-lo e, quando conseguia alguma pista, geralmente era falsa ou ele já tinha se mandado. O filho da mãe parecia estar sempre um passo à frente e isso era frustrante demais.
Ally andou até a porta assim que escutou batidas.
Dean e Sam apareceram em seu campo de visão. Ela deu espaço para que eles entrassem e, logo, abraçou os dois, recebendo o gesto de volta.
– Como você está, Ally? – Dean, perguntou sentando-se em uma das camas de solteiro do quarto.
Ally o encarou e logo foi capaz de ler sua expressão. Sam já sabia sobre o pacto.
– Eu não contei. – Ele se explicou antes que ela falasse alguma coisa. – Um maldito de um demônio apareceu lá e jogou a bomba.
Ally continuou sem dizer nada.
– Por que fez isso, Allyson? – Sam finalmente disse alguma coisa.
– Sam... – Ally apertou os olhos e sentou-se na outra cama de solteiro.
– Não estou brigando ou julgando você. – Sam explicou. – Só acho que esse não era o melhor caminho. vai ficar arrasada quando acordar e descobrir isso.
– Não vamos contar para ela!
– Como é? – Dean se intrometeu.
– Isso é sobre mim, não sobre vocês. – Ela se levantou e andou até a geladeira do quarto. – Não vou contar nada.
– Pera aí. – Dean levantou. – Nós sabemos! Não é só você que vai estar mentindo.
Allyson sabia que ele estava certo mas não queria dar o braço a torcer e muito menos enfrentar a fúria da amiga.
– Já disse. Não vamos contar.
Sam permaneceu em silêncio, sabia que Ally só estava nervosa.
– Eu não vou mentir para a . – Dean protestou.
– Vamos discutir isso em outra hora? – Sam disse, olhando para os dois. – Nós temos coisas mais importantes para fazer.
– Certo. – Ally concordou.
Dean bufou irritado. Não queria se exaltar com Ally e muito menos mentir para .
– Onde está o Jeremy? – Sam perguntou, tentando quebrar a tensão que se instalava no ar.
– Voltou para Aspen. – Ally encarou Dean.
Esperava alguma reação dele, mas nada aconteceu.
– Acha que será mais útil ficando com .
Os irmãos apenas assentiram.
– O que vamos fazer agora? – Ally levantou e começou a separar as armas.
– Acho que você e o Sam podem ir no necrotério e eu vou na delegacia.
Dean simplesmente saiu do quarto, queria evitar qualquer outra discussão. Não era como se não quisesse companhia, ele apenas precisava de um tempo para esfriar a cabeça e colocar as ideias no lugar. Com tudo o que vinha acontecendo, ele não conseguia pregar o olho um minuto e nem sequer se descuidar e deixar a arma de lado. Parecia que estavam em uma constante caçada. A parte divertida tinha acabado. Nem mulheres, nem comida barata e nem as enrascadas em que se metiam eram distrações.
Estava cansado demais.
Pela primeira vez em muito tempo, ele só queria resolver o caso e ir embora mas, no fundo, sabia que não seria assim. Não era um caso qualquer. Seja lá o que os demônios estavam planejando, Dean sabia que tinha muita coisa por vir e que eles precisavam se preparar. Não dava para descuidar nem por um minuto ou acabariam mortos.
Ele estacionou o carro de frente para a delegacia, puxou o freio de mão com pressa, desligou o carro e desceu ainda mais apressado, já com o distintivo da polícia federal no bolso do terno. O lugar era pequeno, só tinham dois policiais em suas mesas quando ele entrou e uma outra policial em um balcão mais no fundo. Foi para lá que ele se dirigiu.
– Agente Molder. – Dean mostrou o distintivo. – Eu gostaria de falar com o xerife sobre os casos de assassinato que surgiram recentemente.
A mulher o encarou por uns instantes e olhou para o distintivo também.
– Por que os federais estão interessados nestes casos? – Indagou.
– Eu só recebo ordens. – Afirmou Dean.
A mulher soltou um riso fraco e saiu do balcão, se dirigindo para a parte de trás da delegacia. Ele sabia que ela ia informar o xerife sobre a presença dele, estava acostumado com a desconfiança. Nessas horas, sentia um pouco de falta do Sam, porque ele conseguia ser mais educado do que ele e as pessoas costumavam a simpatizar com o mais novo.
– Ele vai recebê-lo, primeira porta à direita. – A mulher informou assim que voltou.
O lugar era ainda mais horrendo e caindo aos pedaços, como se a estrutura fosse cair na cabeça dele a qualquer minuto. Dean bateu na porta e entrou na sala, dando de cara com um homem que aparentava ter por volta de quarenta anos, cabelos pretos com tons grisalhos e com uma barriga enorme, como ele pôde ver quando o homem se levantou da cadeira.
– Xerife Belford. – Dean disse ao ler o nome no distintivo do uniforme e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
– Agente Molder. – Ele sorriu gentilmente, fez sinal para que ele se sentasse e, logo, sentou também. – O que o traz aqui?
Dean sabia que a policial havia lhe informado, mas não se importou em ter que explicar.
– Bom, eu fui encaminhado para ficar responsável pelos assassinatos recentes da cidade. – Dean se endireitou na cadeira. – Me foi passado que foram encontrados quinze corpos na última semana, onde todos estavam com as gargantas cortadas e marcas nos corpos.
O homem se endireitou e abriu uma gaveta ao seu lado. De lá, tirou um charuto e ofereceu um a Dean, que recusou. Não estava no clima nem para aquilo.
– Certo. – O homem afirmou enquanto acendia o charuto. – Onde isso é trabalho dos federais?
– Bom... – Dean apoiou os cotovelos na mesa. – Vocês ainda não têm nenhuma pista, as pessoas estão desesperadas e algumas pessoas desaparecidas. Quando a polícia local não consegue resolver o caso, nós tomamos a frente.
– Está dizendo que não sabemos fazer nosso trabalho?
– De modo algum. – Dean o encarou. – Só estamos aqui para ajudar, queremos descobrir quem está fazendo isso tanto quanto vocês.
O homem o encarou por alguns instantes, mas logo abriu um sorriso. Nem Dean acreditava que tinha conseguido ser tão educado, se sentiu quase igual ao Sam.
– Ok. – O homem afirmou meio que para si. – Vou lhe passar todas as informações do caso e lhe conceder total liberdade, incluindo todo o material de que precisa.
Ele afirmou com a cabeça em agradecimento e seguiu o homem para fora da sala. Eles seguiram para a parte de papeladas, o homem lhe mostrou tudo que tinha, e explicou a maior parte das coisas sobre o caso que não estavam nos papeis: as teorias dele, para ser mais exato.
Dean seguiu de lá direto para a biblioteca.

Allyson e Sam seguiram em completo silêncio para o necrotério e permaneceram assim até chegarem lá. O clima não estava dos melhores e ela não precisou de mais de uma resposta dele para entender que ele desaprovava totalmente o pacto que ela havia feito. Preferiu não questionar, estava não só fisicamente mas mentalmente cansada também. Só queria resolver o caso e conseguir o máximo de pistas que pudesse.
Enquanto Sam avaliava o corpo – ele parecia se dar melhor com essa parte –, ela aproveitou para ler um pouco sobre os laudos médicos. Não tinha nada de muito esclarecedor, apenas dizia que as pessoas tinham sofrido de múltiplos espancamentos, algumas tinham sua morte causada por quedas difíceis de explicar como corpo ainda estava inteiro e outras, pelo corte em suas gargantas.
O legista responsável entrou na sala assim que ela terminou de ler tudo.
– Você chegou a ir à cena dos crimes? – Ally perguntou, ainda folheando os arquivos.
Sam permaneceu olhando os cadáveres.
– Não. – O homem disse e ela viu algo em seus olhos.
– Tem certeza?
O homem estreitou os olhos e Sam se virou para ele.
– Se você sabe de algo, precisa nos dizer.
– O lugar estava cheio de vasilhas, símbolos e muito sangue espalhado pelo local.
Ally encarou Sam e se afastou. Ele fez o mesmo, indo até ela.
– Uma chamada? – Perguntou baixo para que só Sam ouvisse.
– Provavelmente.
– Acho que não temos mais nada para ver aqui. – Ally disse e voltou para perto do legista.
Os dois seguiram em completo silêncio de volta para o hotel em que estavam hospedados. Allyson não tinha vontade de falar com ninguém, nem mesmo com Sam, e ele percebeu. Ainda era cedo, então eles teriam tempo para fazer algumas pesquisas e ir na cena do crime mais tarde.

Os três estavam se sentindo cansados, mas não era o suficiente para eles baixarem a guarda e dormir por algumas horas.
A alma de Allyson estava em jogo.
Ally e Sam encontraram um Dean sentado no chão com um monte de papeis espalhados em volta dele. Provavelmente, eram do caso. Os dois esperavam que ele tivesse mais repostas do que eles haviam conseguido, já estavam sem esperança.
– Comprei cerveja. – Dean falou ao notar a presença dos dois.
Sam caminhou até a geladeira e pegou duas.
– Me diz que encontrou algo. – Ally sentou-se na cama, sentindo-se completamente derrotada, e Sam jogou uma cerveja para ela.
Dean ergueu a cerveja como em um brinde e deu um longo gole.
– Você achou, não foi? – Ally perguntou, empolgada.
– Sim, achei algumas coisas. – Dean puxou alguns papéis para perto de si. – Há dez anos, exatamente na mesma data, começou uma onda de assassinatos aqui em Indiana e em muitos outros estados.
Sam não disse nada e permaneceu encarando o irmão.
– O que mais? – Ally perguntou, sentando-se no chão ao lado de Dean.
– Alguns corpos mutilados, outros só com as gargantas cortadas. – Dean esticou o braço e pegou um papel mais longe dele. – Pessoas dizendo que tinham vasilhas espalhadas, correntes nos porões... Parecia mais um ritual ou uma chamada por demônios.
Sam e Ally se entreolharam.
– O quê?
– O legista nos disse a mesma coisa sobre vasilhas, correntes... – Ally disse enquanto mexia nos papeis.
– Ally, precisamos te contar uma coisa. – Dean disse e colocou a mão sobre a dela.
– Dean, não! – Sam levantou.
– ‘Não’ é o caramba. – Dean levantou e encarou o irmão. – Essas mentiras estão nos afundando, não vou guardar mais nenhuma.
– Não quero dar falsas esperanças para você, Ally. – Sam encarou a garota, que continuava sentada no chão sem entender nada.
– Do que vocês estão falando? – Um demônio veio até nós q....
– Quando? – Ally interrompeu Dean.
– Antes de virmos, na lanchonete em que paramos para comer. – Sam disse e voltou a sentar na cama.
Ele passou as mãos no cabelo, tentando conter o nervosismo.
– Ela nos deu um endereço.
– O quê? – Os olhos de Ally saltaram. – Por que não me falaram isso antes?
– Queríamos pesquisar para ter certeza. – Dean firmou e deu um gole em sua cerveja.
– Temos que ir lá agora! – Ally começou a pegar as armas e colocar em sua mochila, não conseguia conter o nervosismo e ansiedade.
– Ally...
Dean andou até ela e colocou a mão sobre a dela.
– Por favor. – Ela o encarou com lágrimas nos olhos.
– Não sabemos se é uma armadilha. – Sam explicou e encarou a garota com pesar nos olhos.
– Eu preciso arriscar, só tenho sete meses! – Ally quase gritou e continuou arrumando as armas.
– Tudo bem. – Dean concordou.
– O quê? – Sam deu um pulo da cama.
– Com uma condição. – Dean levantou o indicador. – Nada de pactos, nada de negociação. Seja o que estiver esperando por nós, terá que nos dizer à base de tortura.
– Dean...
– Não, Ally. – Dean disse e pegou a mochila que estava em cima da mesa. – Não posso ver mais alguém que eu gosto se machucar.

O silêncio no carro era perturbador, mas ninguém ousou falar nada. Dean dirigiu o mais rápido que dava. O lugar era um pouco afastado de onde estavam em Indiana, então Ally e Sam aproveitaram para preparar todas as armas. Pegaram de tudo: bala de prata, água benta, estaca de madeira, tinta para armadilha do diabo... Precisavam estar preparados para qualquer coisa que pudessem encontrar onde estavam indo.
Depois de duas horas, Dean encostou o carro um pouco afastado do lugar e sugeriu que fossem andando para que o barulho do motor não avisasse que eles estavam por perto. Os três estavam com o coração disparado, mas Allyson era quem estava mais nervosa. Estava cansada de pistas falsas. Quase um mês já tinha se passado e ela chegou perto de encontrar Damon muitas vezes, mas ele sempre acabava escapando de suas mãos.
– Tem um demônio ali dentro, com certeza. – Sam disse baixo.
– Ótimo, vamos pegá-lo. – Ally disse, indo em direção a casa, mas Dean a segurou.
– Tenho uma ideia melhor. – Dean disse, pegando a tinta do bolso. – Vou desenhar isso aqui no chão daquela casinha abandonada. Quando ele entrar lá, ficará preso.
– Ótimo! – Ally concordou, destravando a arma.
Ally foi com Sam para um lado e Dean seguiu em direção à casinha abandonada. Desenhou rapidamente a armadilha do diabo. Ele se escondeu e não demorou muito para que ouvisse passos e alguém gritar. Desejou que o demônio tivesse sido pego e preparou a arma assim que escutou o barulho da portinha de madeira ranger.
O demônio tinha entrado na armadinha.
– Winchester. – O demônio disse e ele saiu de onde estava. – É um prazer.
– É uma pena não poder sentir o mesmo. – Dean disse e colocou a arma no cós da calça.
Ally e Sam apareceram logo em seguida.
Dean pegou uma cadeira velha que tinha ali e colocou o demônio sentado e preso a ela, sabia que seria um longo interrogatório.
– É bom te ver de novo, Allyson. – O demônio disse e riu.
Dean socou o rosto dele.
– Nós falamos, você escuta.
– Damon. – Ally disse e se aproximou. – Quero minha alma de volta, agora.
– A culpa não é minha se as informações que você tinha eram as mesmas que a minha. – O demônio riu alto.
Ally se afastou, nervosa.
– Escuta aqui, é bom você devolver a alma dela ou...
– Ou o quê? – O demônio interrompeu Sam. – Vai me mandar de volta para o inferno? Grande coisa.
– A gente não está brincando, seu filho da mãe! – Dean esbravejou.
– Eu também não. – Afirmou.
– Então responde isso. O que demônios querem com lobisomens e vampiros? – Dean perguntou.
O demônio olhou para Ally e depois voltou a olhá-lo.
– Só estamos fazendo alguns acordos. – Damon disse. – Precisamos nos fortalecer, ter alguém ao nosso lado no caso de uma guerra.
– Que guerra?
– Isso não posso dizer, mas é bom se prepararem. – Damon riu. – Aliás, como está sua amiga... Como é mesmo o nome dela? ?
Dean avançou para cima dele, mas Sam o segurou.
– Que guerra é essa? Por que estão atrás dela?
Ally permanecia só olhando, ela não tinha mais forças para aquilo.
– Eu só sei que o mestre tem um grande plano para sua amiga, é tudo que sei. – Damon disse. – Eu adoraria devolver sua alma, lindinha. Devolveria, se pudesse. Afinal, ela não me pertence. Não ganhei nada tomando-a de você.
– Do que está falando? – Ally perguntou com a voz trêmula.
Se sua alma não pertencia a ele, a situação era muito pior.
– Como assim a alma dela não pertence a você? – Sam questionou.
Dean passou a mão pelos cabelos, estava explodindo de nervoso.
– Como eu disse, a alma dela não é minha, o contrato não é meu. – Damon disse firme e pousou o olhar em Allyson. – Sua alma pertence ao meu mestre. Se quer um conselho, sugiro que viva sua vida, que use esses oito meses fazendo qualquer coisa que não seja tentar recuperá-la, porque não vai conseguir. Sua alma já está condenada, muito antes dos cães virem atrás de você.
Ally acertou o rosto dele e sentiu as lágrimas caírem descontroladamente. Pela primeira vez, sentiu que fora um erro fazer aquele pacto. Dean a segurou pelo corpo e gritou para que Sam exorcizasse o demônio enquanto ele segurava a garota em seus braços, tentando convencê-la de que eles encontrariam um jeito de ter a alma dela de volta.


Um ar fresco bateu sobre a pele de a fazendo sorrir. Seja lá onde estivesse, conseguia sentir que finalmente tinha encontrado a paz e a proteção que nunca havia sentido antes. Abriu os olhos e viu a luz do sol invadí-los, então levou a mão até a testa, cobrindo-os na intenção de proteger a visão.
Olhou melhor em volta e viu que estava deitada em uma grama muito verde e rodeada por algumas flores de diversas cores. Sentou-se, permitindo-se escutar o barulho de folhas, água caindo e animais à sua volta. Fechou os olhos e respirou fundo na tentativa de tentar se lembrar de onde poderia estar. Não demorou muito para que se lembrasse.
Estava na velha fazenda de seu pai.
Bateu a mão em suas roupas para tirar algumas folhas e levantou para olhar um pouco mais. Andou pelo lugar até avistar uma mulher de cabelos loiros. Sentiu um leve arrepio e procurou por sua arma no cós da calça, não tinha nada ali. Analisou mais um pouco e percebeu que ela estava regando as plantas, então se aproximou o mais devagar possível, na intenção de não assustar a mulher.
– Licença...
arregalou os olhos assim que viu a mulher se virar, era assustadoramente parecida com ela.
– Eu estava esperando por você. – A mulher disse e sorriu para ela.
Analisou um pouco mais a mulher e soube de quem se tratava. Era sua mãe.
– Mãe? – Perguntou com a voz fraca.
. – A mulher continuou sorrindo e se aproximou dela.
– Onde eu estou? Eu estou morta?
– Não, querida. Você está sonhando, mas não temos muito tempo.
a encarou. Tinha muitas coisas para perguntar, mas nenhuma delas vinha em sua cabeça naquele momento.
– Estou tão feliz que você está bem. – A mulher colocou a mão no rosto de .
Maggie. Era esse o nome de sua mãe, e ela conseguiu se lembrar naquele momento.
– Aqui não é um bom lugar. Por isso, devemos ser rápidas.
viu as flores e o campo à sua volta ficarem pretos. Tudo, de repente, morreu.
– Onde estamos?
– Não importa. – Maggie disse e segurou a mão da filha. – Você precisa deixar essa vida, filha.
– De caçadora? – perguntou, encarando a mulher.
Tinha sonhado muitas vezes com aquele momento.
– Sim. – Afirmou. – Isso não é vida, ainda vai matá-la.
riu.
– Parece até o Bobby falando.
– Conhece Bobby? Muito bom. – Maggie concluiu. – Então ouça este conselho: largue esta vida e tudo se resolverá.
Maggie a abraçou.
– Mãe, eu...
– Não diga nada, tudo ficará bem. – Maggie sussurrou e viu tudo escurecer ainda mais em volta delas.
– Eu te amo! – disse, deixando as lagrimas caírem.
– Eu te amo tanto, querida.



sentiu os olhos pesados antes de abrí-los. Procurou por um jardim, mas tudo o que encontrou foi a luz forte do quarto de hospital batendo em seus olhos. Tentou dizer algo, mas sentiu uma fisgada em sua garganta, como se alguém tivesse enfiado algo tão fundo ali que a tivesse rasgado por dentro. Havia sito entubada, sabia disso.
Rolou os olhos pelo lugar e viu a sombra de alguém sobre si. Fechou os olhos e os abriu alguns segundos depois. Seu pai estava bem ao lado da cama dela, com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso enorme no rosto. Sentiu sua mão tocar a sua e apertou de volta para ter certeza de que aquilo era realmente real. Ao sentir que era, sentiu seu coração bater mais devagar e soltou a respiração pesadamente.
– Filha. – Andrew dissepassando a mão pelos cabelos dela. – Achei que a tivesse perdido.
apenas sorriu, ainda estava tentando assimilar tudo que tinha acontecido.
– Vou chamar um médico.
Andrew saiu do quarto e olhou mais um pouco em volta. O quarto em que ela estava era diferente do lugar em que ela tinha ficado no dia que foi parar no hospital. Ela fechou os olhos e tentou se lembrar do máximo que conseguia. Seus pensamentos foram do momento em que saiu da cabana com Dean até o momento em que foi atacada por um demônio dentro dele. Era capaz de quase sentir cada tortura que sofreu.
Afastou os pensamentos e abriu os olhos de novo.
Seu pai já estava de volta e dizia que o médico já viria. Ela o encarou e decidiu aproveitar aquele momento. Semanas antes de ser atacada, até pensou que seu pai poderia estar morto. Tê-lo ali, naquele momento, era a melhor coisa que poderia acontecer. Olhar para ele a fez pensar no sonho tão real que tinha acabado de ter com sua mãe. Tinha se preparado para usar a voz pela primeira vez desde que tinha acordado, mas foi interrompida pelo médico que acabara de entrar no quarto.
– Olá. – O médico, que parecia ter, no máximo, quarenta anos, de cabelos loiros e um sorriso simpático, se aproximou da cama dela. – Sei que passou por um trauma grande, mas acha que consegue falar comigo? Ao menos me dizer seu nome.
desviou o olhar até seu pai por alguns instantes e, depois, voltou a olhar para o médico.
– Meu nome é Christopher, a propósito.
. – Ela disse, mesmo sentindo um pouco de dor na garganta. – .
– Se lembra do que aconteceu? – O médico perguntou e Andrew deu um passo à frente.
– Doutor, ela acabou de acordar, acha q....
– Preciso saber como está a memória dela. – O médico disse, interrompendo o pai de .
– Fui atacada por um homem. – afirmou.
Ela sabia que não era verdade, mas o que poderia dizer?
"Então, um demônio me atacou, eu posso sentir o inferno e é isso". Não, era melhor usar a desculpa de ter sido atacada por um homem.
– Certo. – O médico afirmou, começando a examiná-la. – O mais importante é que não encontramos violência sexual.
já sabia disso mas sorriu mesmo assim, precisava ser convincente.
– Como ela está?
– Bem melhor do que quando chegou. – O médico disse, fazendo sinal de que ia ajudá-la a sentar. – Um mês e meio ajudou muito, mas...
– O quê? – indagou.
– Certo. – O médico disse ao vê-la sentada enquanto continuava o exame. – Você esteve fora por quarenta e cinco dias, chegou aqui em estado muito grave. As coisas só melhoraram quando tiramos o tubo do seu tórax e pudemos enfaixá-la para arrumar as costelas quebradas.
tentou processar a informação.
– Quais eram os meus ferimentos?
, não. – Andrew disse, mas ela fez sinal para que ele não se intrometesse.
– Quais?
O médico a encarou, colocando-a deitada de novo.
– Clavícula esmagada, hemotórax, facadas no abdômen e coxa, sem falar no pulmão perfurado. – O médico disse e viu que o encarava. – Além do ombro deslocado e as costelas quebradas.
fechou os olhos, quase conseguia reviver cada ferimento, mas voltou para a realidade ao sentir o médico tocando seu braço.
, nós vamos encontrar quem fez isso com você. – O médico afirmou e ela apenas sorriu.
Eles não tinham como encontrar e ela sabia disso.
A essa altura, Andrew já tinha ido buscar um café e se sentiu aliviada por isso.
– Quais são os meus ferimentos agora? – Perguntou.
– Sua clavícula ainda vai precisar ser imobilizada, você precisa usar também faixas para que suas costelas se fixem novamente e uma bota ortopédica. Tirando isso, seu pulmão, hemotórax e as facadas que levou já não são mais problema.
Nada de caçadas, mas isso não a preocupava. Não pretendia voltar a caçar.
– Quando posso sair daqui?
O médico riu fracamente.
– Você é mesmo uma garota muito forte.
– É, eu tento.
– Acredito que, no máximo, em duas semanas, não mais do que isso.
assentiu e respirou fundo.
– Pode chamar meu pai?
O médico assentiu e logo saiu, deixando sozinha com seus pensamentos.
Ainda estava muito confusa com tudo o que tinha acontecido e com a quantidade de ferimentos que tinha sofrido. Achava realmente um milagre ter saído viva e principalmente ter fugido daquele demônio e andado até a cabana. Lembrava-se disso, de cada passo que tentava dar e da dor que sentia.
A dor.
Dor.
Era tudo o que ela conseguia pensar. Apesar de não estar sentindo nenhuma no momento, parecia ser a única coisa que seu cérbero conseguia processar depois do ataque. Então decidiu usar isso para pensar em como contaria ao seu pai que pretendia largar a caçada, voltar para a antiga fazenda deles e finalmente ter uma vida normal.
Talvez Bobby estivesse certo. Se continuasse naquela vida, acabaria mesmo morta.
Ou pior: sendo torturada por demônios, sentindo cada pedaço do inferno.
Não era isso que queria.
– Então... O que mais o médico disse? – Foi interrompida pelo seu pai, que entrou no quarto segurando um copo de café.
sorriu.
– O que foi?
– Estou feliz que esteja bem.
– Não fui eu que quase morri.
riu fraco e sentiu uma leve dor nas costelas.
– O que foi?
– Bom, minhas costelas ainda estão fodidas.
. – Andrew disse, repreendendo-a pelo palavrão.
– Pai, se lembra da fazenda que você tinha quando eu era criança?
Andrew estreitou os olhos e a encarou um pouco surpreso.
– O que tem?
– Você vendeu?
– Não. – Andrew afirmou. – Deixei uma pessoa cuidando dela, para que pudesse voltar quando estivesse pronto.
– Ótimo. – disse, sorrindo.
Andrew a encarou e não foi preciso que ela falasse mais nada, sabia o que se passava na cabeça da filha.
– Você quer ir para lá.
– Mais que isso. – desviou o olhar e procurou as palavras. – Estou me aposentando. Bem cedo, mas estou.
Andrew encarou com uma certa confusão no olhar, não estava esperando ouvir aquilo quando ela acordasse.
– Largar a vida de caçadora?
– Sim.
– Isso não...
– Eu acho uma ótima ideia. – Uma voz grossa reverberou pelo quarto e levou o olhar até a porta.
John Winchester estava parado ali.
sorriu.
– John!
– É, eu achei que seria apropriado passar aqui. – John disse e se aproximou, cumprimentando o velho amigo. – Só espero que isso não chegue aos ouvidos de Dean e Sam.
– Por quê?
– Não quero que eles fiquem por perto, não agora. Seria perigoso demais.
pensou em perguntar o porquê, mas decidiu não fazer, não era mais da sua conta.
– Como pode achar uma boa ideia ela se aposentar?
– Ela pode reconstruir o lugar, colocar proteções, estará mais segura do que nessa vida.
– É, isto é verdade. – Andrew concluiu. – Você tem certeza?
afirmou com a cabeça e apenas sorriu.
Os dois ficaram mais um pouco, mas logo foram embora porque John não poderia correr o risco de os garotos lhe encontrarem ali, então aproveitou para descansar e logo caiu no sono, voltando a sonhar com sua mãe.

As duas semanas no hospital passaram rápido. Dean ainda não tinha aparecido para visitá-la porque, segundo Bobby, ele estava em caçada com Allyson. Ela sabia que não era só por isso. Ele não queria encará-la depois do que aconteceu e, por um lado, sentia-se aliviada. Precisava de um tempo ainda para processar que, quando olhasse para ele, não veria o demônio e sim um Dean que se importava com ela.
fez a última tentativa fracassada de arrumar a mala para sair do hospital e bufou frustrada. O fato de estar com braço imobilizado não ajudava em nada em seus afazeres pessoais.
– Eu te ajudo com isso. – Sam disse ao entrar no quarto.
sorriu, adorava tê-lo por perto.
– É um saco não poder fazer nada.
, eu achei que tinha perdido você. – Sam falou enquanto arrumava a mala. – Você estar só impossibilitada de mexer na sua própria mala é uma vitória para mim.
Concordou e encarou o amigo.
– Você acha que o Dean e a Allyson voltam hoje?
– Sim. O Dean prometeu, lembra?
– Eu sei, mas ele não veio me ver desde que acordei.
não queria parecer desesperada, mas a ideia de que Dean estava se torturando pelo que aconteceu com ela, ou se culpando, a incomodava muito.
– Pensei que não queria vê-lo.
– Não foi o que eu disse.
– Eu sei. – Sam afirmou, jogando a bolsa nos ombros. – Que tal comida de verdade?
– Eu topo.
Sam tinha ficado com o Impala e pensou em perguntar sobre isso, mas achou melhor deixar para conversa do almoço. Ela estava aliviada por ter saído do hospital e queria aproveitar isso ao máximo, então ligou o rádio assim que Sam deu partida e aproveitou para olhar a paisagem da cidade.
Sentiu-se aliviada quando viu a placa que dizia que estavam saindo de Aspen. Não tinha intenção alguma de voltar para aquela cidade de novo, não tão cedo. Aumentou ainda mais o rádio e viu Sam sorrir para ela. Mesmo sabendo que ele não gostava daquelas músicas, ficou feliz por ele não se opor ao gosto dela.
– Achei que seria uma boa sairmos daqui. – Sam disse depois de diminuir o volume do rádio.
– Por que não antes? – perguntou enquanto olhava a estrada.
– Seu estado era muito grave, não queríamos arriscar.
– É, fiquei sabendo. – afirmou sem olhá-lo.
Sam respirou fundo.
– O que foi?
– Você lembra de alguma coisa?
– Tudo. – afirmou, encarando o amigo.
– Eu sinto muito, . – Sam disse e colocou a mão sobre a dela. – Nada assim vai acontecer de novo.
– Não mesmo. – afirmou e voltou a olhar a estrada.
– Por que sinto que vem surpresa por aí?
– É porque vem. – afirmou e virou para olhá-lo. – Vou me aposentar, Sammy.
Sam diminuiu a velocidade de repente e os dois foram para frente.
– Cuidado, acabei de sair do hospital.
Ele riu.
– Está falando sério?
– Sim.
– O que aconteceu para você decidir isso?
– Sonhei com a minha mãe. – afirmou e o encarou.
– Sabe que é só um sonho, né?
– Sim, mas acho que é um aviso e tanto.
– Não sei...
– Qual é, Sam. – disse revirando os olhos. – Que outro fim eu vou ter nessa vida além da morte? Você devia fazer o mesmo. Sua mãe não vai voltar só porque John está caçando essa coisa até os confins do mundo.
Sam nunca a tinha visto falar daquela maneira, mas preferiu não discutir. Ela estava ferida e, se achava que isso era o melhor, ia apoiá-la, sem falar que gostava da ideia de que ela estaria mais segura fora das caçadas. Ele também queria fazer a mesma escolha, mas não podia. Só descansaria quando a morte de Jess e de sua mãe estivessem vingadas.
O resto da viagem foi em completo silêncio e as três horas de viagem que fizeram até Denver foi muito mais rápida do que ele esperava. Alugaram um quarto no hotel mais barato que encontraram e seguiram para um restaurante que parecia ser famoso na cidade, o Denver's.
– O que vão querer? – Uma garçonete simpática perguntou, comendo Sam com os olhos.
riu de leve.
– O cardápio, primeiro. – disse, lembrando a garota de sua distração, e Sam lhe lançou um olhar de repreensão.
– Certo.
A garota saiu para pegar os cardápios e caiu na gargalhada. Sempre achava engraçado como algumas garotas se derretiam por Sam.
– Foi engraçado, vai. – disse, rindo.
– Não precisava constranger a garota.
deu de ombros e pegou o cardápio assim que a garçonete voltou com ele.
– Então... O que vai querer? – Sam perguntou.
– Uma cerveja. – falou enquanto lia. – Batata frita e hamburguer.
– Você e o Dean são mesmo parecidos.
– Fiquei em coma por quarenta e cinco dias.
– É justo.
informou para a garçonete e fez questão de chamar Sam pelo nome quando disse o que ele iria querer. A garota ficou vermelha e ela estava se divertindo com isso. Afinal, merecia um pouco de diversão depois de tudo o que acontecera.
– Você é terrível.
– Eu sei. – afirmou, rindo. – Então... Como estão as coisas?
– O quê, exatamente? – Sam perguntou um pouco nervoso, precisava se segurar para não falar sobre o pacto.
– As caçadas, Dean, Ally, Jeremy... O que mais poderia ser? – olhou, confusa.
– Certo. – Sam riu, nervoso. – Eles estavam obcecados em ir atrás do demônio que fez aquilo com vo...
– Sam, vocês precisam esquecer isso.
– Sim, esquecemos. – Sam afirmou. – Dean achou que seria melhor focar em continuar ajudando as pessoas. Estamos em contato com os caçadores e, sempre que aparece algum caso de demônio, vamos atrás.
– Certo.
– Como está o Dean? – perguntou. – Fiquei sabendo que a namorada dele ficou comigo.
– Hilário, né? – Sam riu mas não.
Brenda, a garçonete que tinha gostado de Sam, apareceu com os pedidos, e ele aproveitou a deixa para pensar um pouco em como responder sobre o que ela tinha perguntado. Deu um gole longo na cerveja e respirou fundo ao vê-la encará-lo, esperando por uma resposta.
– Então...
– Tá bom. – Sam fez uma pausa e deu outro gole na cerveja. – O Dean ainda está lidando com tudo que aconteceu.
– A culpa não foi dele.
, o demônio estava no corpo dele.
– Sim, eu sei disso. – pegou um pouco de batata e comeu. – Porém não foi culpa dele.
– Ele passou todos os dias ao seu lado, precisei convencê-lo a sair de lá.
– Sei disso.
– Só dê um tempo para ele. – Sam pediu. – Ele vai aparecer hoje, já é algo positivo.
ficou em silêncio e processou o que Sam tinha falado. Era difícil entender a reação de Dean, já que quem deveria estar fugindo era ela. Afinal, ela foi agredida por um demônio no corpo dele.
– Então... Qual seu plano de aposentadoria?
– Lembra da fazenda do meu pai?
Sam firmou com a cabeça enquanto comia um pedaço do seu frango com molho branco.
– Vou me mudar para lá.
– Acha que é seguro? – Ele questionou, se lembrava de o lugar ser no Kansas e super afastado.
– Vou reformar, colocar armadilhas. – disse e deu um gole na cerveja. – Claro que terei armas, andarei sempre armada. Sei que podem vir atrás de mim.
– E vai fazer tudo isso sozinha?
– Pensei em pedir ajuda para o Jeremy, talvez ele possa passar um tempo comigo lá.
fez sinal para a garçonete, pedindo que ela trouxesse mais duas cervejas, mas foi capaz de notar o desapontamento no olhar do amigo.
– Sam, você precisa ficar com Dean. – Explicou.
– Eu sei.
– Ally planeja ir encontrar o Noah, então não pedirei isso a ela também.
A moça colocou as duas cervejas com força sobre a mesa e retirou os pratos vazios.
– Devia pegar o número dela, sair um pouquinho enquanto eu descanso no hotel.
– Não viaja.
riu.
– Estarei poupando-a de terminar igual a Jess.
– Sam.
– Vamos?
Já no hotel, os dois se jogaram na cama e o único barulho que se podia ouvir era da respiração pesada de ambos. Eles tinham comido demais e sabiam disso. Sam se sentia um pouco culpado, gostava de manter a boa forma. Já não estava nem aí, queria mesmo era comer e ser feliz.
Ela encarou o teto e ele permaneceu fazendo a mesma coisa. Costumavam fazer isso juntos enquanto jogavam conversa fora, era um passatempo entre eles, e Sam queria aproveitar ao máximo, já que logo passaria a maior parte do tempo longe de .
– Por que não pede ajuda para o Bobby?
não estava entendendo o problema de Sam com Jeremy.
– Qual o problema de ser o Jeremy?
– Nada.
Sam queria que ele ficasse de olho em Allyson, mas não podia dizer isso para .
– O cara gosta de você. Não acha que é meio sacanagem pedir para que fique sozinho contigo no meio do nada? – Sam encontrou a desculpa perfeita.
– Cala a boca, Sammy.
Sam riu.
– Bobby está ajudando seu pai em uma caçada.
Sam deu um pulo na cama.
– Como sabe disso?
– John veio me visitar.
– Não acha que poderia ter me dito isso antes?
revirou os olhos e sentou-se na cama.
– Sam, eu não deveria nem estar falando isso, mas você é meu melhor amigo e não posso te esconder nada.
– Ok.
– Dê um espaço ao John.
– Vou tentar.
– Promete?
– Prometo.
– Ótimo. – disse com um sorriso no rosto. – Que tal um pouco de baralho?

Dean não estava nem um pouco feliz em ficar no mesmo ambiente que , não só porque não fazia ideia de como encará-la mas porque também não queria causar nenhuma dor nela. A coisa que a tinha atacado usou seu rosto e ele sabia que isso poderia ser demais para ela. Contudo, Sam tinha deixado bem claro que ela queria falar com todos eles e, no cansaço da insistência do irmão, acabou fazendo uma promessa e não era de quebrá-las.
Acelerou um pouco mais e o arrependimento de ter deixado o Impala com Sam bateu de novo. Odiava carros novos cheio de frescuras, nem toca fitas o carro tinha, e sentiu-se feliz por saber que sua volta significava ter seu carro de volta e nunca mais dirigir o carro de de novo.
– Dean, você vem? – Ally perguntou, parada do lado de fora do carro.
– Podem ir na frente, eu já vou.
Ela apenas afirmou e seguiu em direção à entrada junto com Jeremy.
Dean respirou fundo e tirou a chave do contato. Recostou-se melhor no banco do carro e fechou os olhos. Precisava se acalmar. Acabaria falando algo que não deveria ou tendo alguma reação inesperada que acabasse magoando . Sua intenção não era se afastar, apenas dar espaço para ela, e estava rezando para ela entendesse isso quando ele explicasse.
Respirou fundo novamente e deixou sua mente divagar em lembranças.


– Você precisa se concentrar. – Dean disse, encarando .
revirou os olhos.
– Você é um chato, sabia disso? – Ela revirou os olhos de novo voltou a se posicionar para golpeá-lo.
– É, você disse isso nos últimos cinco minutos e não acertou um golpe até agora. – Dean riu, debochado.
– Depois reclama quando digo que prefiro o Sammy. – disse, dando de ombros.
– Essa conversinha é só uma desculpa para não lutar que eu sei.
riu e, em seguida, partiu para cima de Dean. O movimento foi rápido e preciso. Ela o imobilizou no chão, com as pernas em volta do pescoço dele, e só o soltou quando ele bateu em sua perna.
– Como fez isso? – Dean deu um pulo de onde estava, completamente surpreso.
– Tive um bom professor.
Dean riu, achando graça.
– De fato, teve mesmo. – Dean afirmou e a encarou de perto.
– Não que você precise.
– Como assim? – o encarou, curiosa.
– Sempre estarei aqui para proteger você.


Proteger.
A palavra se repetiu algumas vezes na cabeça de Dean. A lembrança tinha feito bem a ele, mesmo sabendo que tinha falhado na parte de proteger , mas isso não mudaria nada. Pegou a arma que estava no banco do passageiro, colocou no cós da calça e saiu do carro, indo em direção à entrada do hotel. Assim que chegou próximo ao quarto em que e Sam estavam hospedados, já conseguia ouvir as risadas que vinham lá de dentro.
O silêncio se formou assim que ele abriu a porta e braços envolveram seu pescoço.
Era .
– Ei. – Foi tudo que Dean conseguiu dizer.
– Pensei que não viria. – disse, afastando-se dele.
Dean encarou Jeremy, Sam e Allyson por alguns instantes. Voltou a olhar e, depois, eles.
– Será que podem nos deixar a sós um pouco? – Dean pediu um pouco sem graça.
Os três apenas concordaram, fazendo um sinal positivo com a cabeça, e logo saíram do quarto, deixando e Dean em um silêncio constrangedor.
– Imagino que Sam já tenha contado.
Dean riu.
– Não, Sam é bem fiel a você. – Ele disse enquanto mexia em um objeto qualquer na escrivaninha ao lado de uma da cama.
– Bom... Quer uma cerveja?
– Estou bem.
– Se estivesse, ao menos olharia para mim. – se aproximou mancando e colocou mão no braço de Dean, virando-o para ela. – Eu estou bem, Dean.
Dean fechou os olhos e levou a mão até o rosto dele.
– Não faz isso.
– Eu estou bem, não foi culpa sua. – afirmou. – Abre os olhos, por favor.
Ele abriu os olhos e a encarou.
– Nunca pensei que ia dizer isso, mas eu gostaria que pudesse sair dessa vida. – Dean disse com firmeza, seu olhar continha dor.
sorriu e tirou a mão do rosto dele, mas Dean segurou sua mão.
– Vou sair.
– Do que você está falando?
– Lembra da fazenda do meu pai?
Dean afirmou com um gesto de cabeça.
– Vou me mudar para lá.
– O que isso quer dizer?
– Estou me aposentando, Dean. – o encarou, esperando pela reação dele.
Dean permaneceu em silêncio, a encarando.
– Sei que está pensando em como ficarei protegida, mas o Jeremy vai passar um tempo comigo e me ajudar a construir armadilhadas na casa. – disse enquanto ele permanecia da mesma forma.
Dean a envolveu em um abraço inesperado e correspondeu, envolvendo os braços em torno da cintura dele.
– Não estava pensando nisso.
– Não?
– Não. – Dean afirmou. – Porque eu sempre protegerei você, .


Yellow eyes

Dean não tinha pregado o olho a noite toda.
Então assim que o sol apareceu, por volta das seis horas da manhã, ele pulou da cama, tomou um bom banho e foi direto para o celeiro separar as armas. Seu pai já tinha mandado coordenadas, sabia que Sam ficaria bravo, mas o convenceria a ir atrás do caso e esperar a hora certa para que reencontrassem com John.
Só tinha quatro dias que eles tinham chegado na fazenda dos Marshalls mas, para ele, parecia que já estavam ali há semanas. Apesar de estar usando apenas a tala e uma faixa ao redor do tórax para manter as costelas imobilizadas o máximo possível, ela parecia muito melhor, mas achou que seria mais seguro ficar pelo menos por alguns dias. Foram quatro dias de muito trabalho, quebrar madeira velha, consertar encanamento velho e fazer uma boa limpeza na casa.
Contudo, tinha uma parte boa naquilo. Ele tinha certeza de que estaria protegida e era bom dormir em um lugar que não fosse um motel, onde não tinha muito espaço e nem muita privacidade. A fazenda era enorme, com seis quartos, um celeiro enorme e, para variar, tinha até um espaço onde futuramente poderiam construir um espaço de lazer.
– Ei. – A voz de ecoou no celeiro, mas Dean se manteve concentrado nas armas. – Eu trouxe café para você.
Dean se virou para encará-la e pegou uma das canecas que ela estava segurando. Os olhos dele permaneceram nela por alguns instantes antes de dizer alguma coisa. Ele estava esperando que ela fosse se retrair ou se assustar com a ação dele já que, nos últimos dias, era o que ela vinha fazendo sempre que ele se aproximava.
– É muito cedo. Por que está acordada? – Perguntou e voltou a limpar as armas, mantendo sua concentração nelas.
– Não consegui dormir mais. – Respondeu com sinceridade.
Dean parou o que estava fazendo e a encarou.
, você está segura agora. – Afirmou.
– Está muito preocupado para quem estava odiando a ideia de me reencontrar. – levou a caneca com café até os lábios e tomou um pouco.
Estava frio no Tennessee e, por isso, ela estava usando uma blusa de lã e as mangas da blusa estavam cobrindo mais que a metade dos seus dedos. Dean pensou em como ela costumava ficar exatamente daquele jeito quando eles eram mais jovens, ele mexendo no carro ou nas armas e ela segurando uma xicara de café na mão e observando-o.
. – Dean disse, já se levantando, e caminhou na direção dela.
Ela permaneceu no mesmo lugar. Mesmo que seu corpo quisesse sair, ela fez sua mente entender que estava segura ao lado dele.
– Dean.
Ele riu fracamente.
– Eu acho que só estava meio puto com todos os acontecimentos. – Explicou sem sair de onde estava.
– Certo. – afirmou.
Dean relaxou os ombros e a encarou. Ele sabia que ela estava se esforçando para ficar ali diante dele, tão perto, e isso o machucava de uma certa forma.
– Me pergunto quando você vai ficar perto de mim sem fazer todo esse esforço. – Respirou pesadamente.
– Não estou me esforçando. – Rebateu. – De onde tirou isso?
– Qual é, ! Toda vez que chego perto, parece que você vai sair correndo.
– Não é verdade.
– Ontem, quando toquei no seu ombro na cozinha, você gritou tão alto que todo mundo acordou achando que tinha acontecido alguma coisa. – Dean disse de forma calma, não estava bravo, só desconfortável de saber que ele a tinha machucado de forma tão profunda.
– Me assustei, só isso. – desviou o olhar.
– Me pergunto se teria se assustado se fosse qualquer outra pessoa. – Dean riu fracamente.
Ela permaneceu em silêncio. Não sabia o que dizer e, mesmo se soubesse, teria medo de falar algo que pudesse magoá-lo.
– Se eu te tocar agora, você não vai se afastar ou lembrar que fui eu quem quase te matou?
– Dean, eu...
Ele se aproximou e levou a mão até o rosto dela, a reação foi quase involuntária. Uma lágrima desceu e uma expressão de dor era evidente em seu rosto. Não queria magoá-lo, mas tê-lo por perto ainda a fazia lembrar de tudo o que passou naquele dia.
– É, acho que temos a nossa reposta.
– Dean, por favor...
Sam entrou no celeiro, esbarrando com o irmão, que tinha a intenção de sair dali.
, o que aconteceu?
– Vamos sair em dez minutos, Sam. – Dean disse e saiu.
permaneceu apenas encarando, não se deu nem o trabalho de responder o amigo.
– Ei, vem aqui! – Sam a puxou pelo braço e a envolveu em um abraço. – Isso vai passar.
– Eu não sei por que isso está acontecendo, Sammy. – disse com sinceridade. – Eu consigo processar, na maior parte do tempo, que não foi ele, mas quando ele chega muito perto, tudo o que aconteceu passa diante dos meus olhos.
Sam respirou pesadamente e depositou um beijo no topo da cabeça da amiga.
– Eu sei. – Afirmou. – Dean também sabe disso.
– Não sei, Sammy... Ele já estava bravo com o meu retorno, agora isso! – Esbravejou e saiu do abraço.
limpou as lágrimas e voltou a encarar o amigo.
– Qual é! – Sam disse, rindo.
– O quê?
– Ele te ama, . – Sam disse sem cerimônia. – Ele quase enlouqueceu nos dias que você ficou em coma...
– Eu...
– Dê um tempo para ele. – Sam disse e sorriu gentilmente. – Eu tenho que ir. Se não sairmos em dez minutos, ele me mata. Mas pense no que eu disse.
abraçou Sam e voltou para dentro da casa. Àquela altura, Dean não estava mais lá.
Ele te ama. A frase percorreu os pensamentos dela, mas logo os espantou. Apesar de estar aposentada – oficialmente –, ainda assim tinha muitas coisas para fazer, como descobrir um pouco mais sobre a sua capacidade de sentir o inferno.

Depois de quase seis horas de estrada, finalmente Dean tinha passado pela placa de "Bem-vindo ao Arkansas, Conway". Mais uma vez, ele estava seguindo um caso passado por seu pai. Se ele estava mandando coordenadas, significava que estava bem – e melhor ainda, que estava vivo.
Avistou um motel e logo encostou o Impala. Sabia que não conseguir descansar antes de ir atrás do caso, mas precisava, pelo menos, tomar um banho e trocar de roupa, sem falar que estava morrendo de fome. Com certeza, procuraria a melhor lanchonete da cidade para matar o que o estava matando por dentro.
– Vou tomar um banho e depois saímos para comer. – Dean disse enquanto jogava as malas em uma das camas de solteiro.
– Dean. – Sam o chamou e se virou para olhar o irmão. – A gente não conversou desde aquele dia no hospital...
– Cara, deixa isso para lá.
Sam bufou irritado, odiava aquela atitude do irmão de sempre fugir dos problemas.
– Não, a gente precisa falar sobre isso porque, caso contrário, você fica aí remoendo e descontando em todo mundo.
– Como é? – Parou o que estava fazendo e encarou Sam.
– É isso mesmo, você sabe que faz isso. – Esbravejou. – Comigo, com a ...
– Certo. Isso é sobre a então?
– Não, cara. – Revirou os olhos. – É sobre eu ter mentido, você ter ficado puto e ter ido atrás daquele demônio.
– Então a culpa é minha se a Allyson foi para lá e fez uma merda de um pacto?
– Eu não disse isso.
– Pensou, Sam, você pensou! – Dean gritou.
– Só estou dizendo que, se você está bravo comigo, quero que me diga para resolvermos isso. – Sam explicou e se sentou na cama.
Dean encarou o irmão por alguns instantes. Sim, ele estava bravo. Não só com o irmão, mas com toda a situação que eles estavam vivendo. com medo dele, Allyson com apenas sete meses de vida, ele mentindo e não seguindo as regras do seu pai... Tudo aquilo era demais para ele naquele momento.
– Eu só queria que, uma vez, você seguisse as ordens do papai. – Admitiu.
– Por quê?
– Porque ele sabe o que está fazendo, Sam. – Disse com sinceridade. – Ele não faria nada que pudesse nos prejudicar, você sabe disso.
– Tudo bem, mas esse é o último caso. Se ele mandar mais uma coordenada, nós vamos rastrear a ligação e ir atrás dele.
Dean deu de ombros. Por hora, estava bom para ele. Pensaria em uma maneira de convencer o irmão a deixar aquilo para lá outra hora.
– Certo. Agora vamos falar sobre a . – Sam disse e encarou Dean.
– Não, eu não vou falar disso com você! – Esbravejou. – E acho bom não tocar mais nesse assunto, porque a Lauren deve chegar em menos de uma hora.
– Chamou sua namorada para a caçada?
Sam achava um tanto quanto estranho.
– Fica tranquilo, o Bobby vem também. – Explicou. – Não vai ficar de vela.
– Cala a boca.
– Vou tomar banho. Enquanto isso, procura um lugar descente para comermos. – Disse e foi para o banheiro.
Sam pensou que deveria ter contado para Dean sobre o pai deles ter visitado no hospital, mas achou que isso só restaria mais estresse naquele momento, então se concentrou em encontrar um bom lugar para comer e também ler algumas coisas no jornal sobre o caso que iriam resolver.
Iria ser bom ter Bobby por perto, mesmo que isso trouxesse a namorada do irmão junto. Não que não gostasse dela. Até gostava, mas era estranho ver Dean envolvido emocionalmente com alguém que não fosse a . O irmão podia até negar, mas ele conseguia ver de longe os sentimentos do rapaz pela amiga e vice-versa.
Achou algumas informações sobre o caso e fez algumas anotações. Aparentemente, pessoas estavam sumindo. Segundo o jornal, já eram dezessete desaparecidos, mulheres com idades entre dezessete e vinte anos. Anotou também esses padrões e falou sobre isso com Dean enquanto ele dirigia até o restaurante que tinham encontrado. Bobby e Lauren já estavam esperando por eles lá.
Talvez comer ajudasse a melhorar os ânimos de Dean. O pensamento fez com que Sam desse risada sozinho.
– Qual a graça? – Dean perguntou enquanto estacionava.
– Nada, só pensando.
Bobby e Lauren estavam sentados em uma mesa ao fundo do restaurante, bem no canto. Os quatro se cumprimentaram e se sentaram, todos fizeram seus pedidos e Dean, claro, foi o que pediu mais coisas para comer.
– Vai acabar engordando desse jeito. – Lauren riu de sua própria piada.
– É, eu falo para ele que precisa de hábitos alimentares melhores todos os dias. – Sam disse, rindo.
Dean revirou os olhos, se sentia muito bem com seus hábitos alimentares.
– Certo, a conversinha está boa, mas que tal falarmos sobre o caso? – Bobby disse de forma rabugenta.
– Você está mal-humorado hoje, hein.
– Me respeita, garoto. – Bobby repreendeu Dean. – Isso é importante, não temos tempo para ficar jogando conversinha fora.
– Bobby está certo. – Concluiu Sam.
– Já leram algo sobre o caso? – Lauren perguntou enquanto dava um gole em sua cerveja.
– Só que dezessete mulheres desapareceram, todas com idades entre dezessete e vinte anos. – Sam explicou.
– Certo. Mais alguma coisa?
– Bobby, acabamos de chegar, não deu tempo de fazer nada ainda. – Dean disse.
– Eu andei lendo, parece que todas elas frequentavam uma igreja próxima.
– Interessante. – Concluiu Lauren. – Mulheres virgens?
– Pensei nisso. – Sam disse. – Mas por que alguém estaria matando virgens?
Os quatro pararam de conversar por um instante, afinal, a garçonete estava deixando os pratos ali e não seria legal falar sobre possíveis mulheres virgens desaparecidas – ou mortas.
– Não sabemos se estão mortas. – Bobby justificou.
– Espero que não. – Dean disse, já com a boca cheia de comida. – Já pensou morrer sem nem antes dar uma transadinha?
Lauren gargalhou, estava acostumada com as piadas do namorado, e Bobby apenas revirou os olhos com a bobagem.
– Você é péssimo, Dean. – Sam o repreendeu.
Eles falaram um pouco mais sobre algumas teorias que tinham sobre o caso e se concentraram em terminar de comer o mais rápido possível para se dividirem e resolverem o caso logo. Afinal, segundo Bobby, tinham coisas mais importantes para resolver, como a alma de Allyson, que ainda não tinham conseguido nenhuma pista para ter de volta.

estava cansada de ficar só lendo e não encontrar nada. A maioria dos seus livros não falavam nada sobre alguém conseguir sentir o inferno. Ela não sentia mais nada sombrio próximo dela, mas ainda continuava tendo sonhos que pareciam reais demais.
Largou o livro na cama e resolveu que iria pelo menos cuidar dos cavalos. Como sua perna ainda estava imobilizada, não podia montar e nem fazer coisas que demandassem carregar muito peso ou fazer algum tipo de esforço físico. Não via a hora de tirar aquilo e poder voltar a fazer as coisas das quais gostava.
– Nem sei mais quais são as coisas que ainda gosto de fazer. – Disse para si mesma enquanto alimentava Plotka, sua égua preferida.
Plotka balançou a cabeça como se pudesse entendê-la, fazendo com que a encarasse.
– É, Plotka, você me verá mais a partir de agora. – Disse enquanto trocava a água e a ração. – Às vezes, acho que me aposentar não foi exatamente a melhor escolha.
– Já está arrependida? – Uma voz disse atrás dela, fazendo com que desse um pulo. – Não quis te assustar.
– John? – Encarou John Winchester, que se encontrava encostado na entrada do celeiro.
– Desculpa vir sem avisar.
estava surpresa, não esperava vê-lo de novo.
– Não é isso. – Disse e saiu de dentro da baia. – Eu só não esperava ver você aqui de novo. Ainda mais correndo o risco de Dean e Sam te encontrarem.
– Eles estão no Arkansas, me certifiquei disso. – Explicou. – Será que podemos conversar?
– Claro. – Concordou, mesmo se sentindo um pouco apreensiva sobre aquilo.
Ela terminou apenas de colocar ração e água para os outros cavalos e os dois foram para a casa. Algumas coisas já tinham sido construídas – as mais importantes, ao menos – como armadilhas logo na entrada. A portas também tinham sido reforçadas só para garantir que ela estaria cem por cento segura dentro da casa.
John observou tudo e parou na entrada da cozinha onde tinha entrado. Ela tinha a intenção de preparar um café, mas também estava se ocupando de fazer algo porque não conseguia deixar de se sentir nervosa com a presença dele. Se ele tinha se dado o trabalho de aparecer assim, era porque tinha alguma coisa importante para dizer ou algo ruim poderia ter acontecido.
– Meu pai não quis vir com você? – Ela perguntou enquanto enchia a caneca com água.
– Ele está resolvendo algumas coisas. – John explicou bem vagamente.
o encarou, esperando que ele lhe desse mais informação do que aquilo, mas ele permaneceu em silêncio.
– Sabe... – Começou a dizer e ligou o fogo. – Seria legal se vocês dessem notícia ao invés de deixar a gente pensando por semanas que estão mortos.
– Sabemos nos cuidar, .
riu fracamente.
– Eu sei, mas vocês têm pessoas que te amam e se preocupam. – Disse com sinceridade. – Seria bom um pouco de consideração.
– Eu sei, mas não estamos seguros nem por telefone, você sabe disso.
– John, eu fui atacada há mais de um mês, vocês ficaram sem dar notícia muito antes disso. – Disse enquanto se recostava na pia, encarando-o.
– Justo. –John riu, arrancando uma risada de também.
John a encarou preparando o café e ponderou um pouco sobre como diria, ou melhor, pediria a ela o que estava prestes a pedir. Sabia que ela tinha acabado de se "aposentar" da vida de caçadora e não queria tirar aquilo dela, mas não tinha escolha. As coisas que tinha descoberto nas últimas semanas e enquanto ela esteve se recuperando no hospital eram importantes e ele precisava dela.
viu que John a estava encarando e parou o que estava fazendo.
– Desembucha logo, John.
Ele riu, ela era muito boa e, por isso, estava ali. Precisava daquilo.
– Eu descobri o que matou Mary. – Ele disse sem fazer cerimônia alguma e sentiu um frio na espinha. – E o que matou sua mãe também.
Ela arregalou os olhos. Até onde sabia, seu pai nunca tinha falado em detalhes sobre aquilo com ele.
– Seu pai me contou tem algum tempo. – Explicou como se pudesse ler os pensamentos dela.
– Certo. – Afirmou quase que para si mesma.
Uma parte dela não queria saber o que matou sua mãe.
– O que as matou?
se virou para olhar a água para o café, que já fervia.
– Eu sei que isso é difícil, e eu queria não ter que te fa...
– Está tudo bem, John. – se virou, o interrompendo. – Só fale de uma vez, por favor.
– Foi um demônio. Um demônio matou sua mãe e Mary.
Ela o encarou e sentiu um arrepio por todo seu corpo. Apesar de já suspeitar, ela desejou que fosse qualquer outra coisa, porque saber que ela estava ligada ao lugar da coisa que matou sua mãe a fazia quase se sentir culpada pela morte dela.
– Eu sei que isso é difícil para você, mas não é culpa sua! – Afirmou John.
o encarou, intrigada. Será que ele sabia sobre o que ela podia sentir?
– Não me sinto culpada.
– Que tal pararmos de fingir que eu não sei das coisas? – John perguntou enquanto ela se virava para terminar o café. – , eu sei que você pode sentir o inferno.
continuou terminando de fazer o café enquanto pensava no que poderia dizer a ele. Não era como se ela pudesse dizer algo. O que faria? Pediria desculpa? Porque, no fundo, se sentia culpa pela morte de Mary e de sua mãe porque, se ela era capaz de sentir o inferno, significava que tinha uma ligação com ele e ela podia ser a razão de tudo aquilo.
Ela pegou duas canecas e encheu com café, ainda sem encará-lo. O que ela não sabia era que John não a culpava por nada daquilo e que ele não estava ali para acertar contas ou jogar alguma coisa na cara dela. Ele queria protegê-la e, para isso, precisaria da ajuda dela.
, nada disso é culpa sua! – John insistiu enquanto ela lhe entregava a caneca.
– Não? – Perguntou com sinceridade. – Eu posso sentir o inferno, John. Talvez tudo isso seja sobre mim. Talvez, se eu não fosse amaldiçoada, sua esposa estaria viva, e minha mãe também.
– Não, eu sei que não é isso!
– Como pode ter tanta certeza? – Esbravejou e jogou a caneca na pia, que quebrou na hora.
– Ei. – John deixou a caneca na mesa e caminhou até ela. – Isso não é sua culpa, você é como uma filha para mim e nós vamos descobrir exatamente o que está acontecendo aqui.
o encarou enquanto ele segurava o rosto dela.
– Como, John? – Perguntou, ainda com raiva.
– Eu entrei em contato com uma bruxa. – John disse e se afastou dela.
Ela fez sinal para que ele continuasse falando.
– Jeremy. Onde ele está?
– Ele precisou sair para ajudar um amigo em uma caçada, volta no fim da tarde. – Ela disse e ele afirmou com a cabeça. – Por quê?
– Preciso saber se vamos meter mais alguém nisso.
– Pera aí, John. Não vamos meter o Jeremy em nada, entendeu? – Ela o encarou. – E o que seria "isso"?
– Eu falei com o demônio que te atacou. – John disse e sentiu, por um momento, como se fosse desmaiar.
Ela procurou pela cadeira próxima da mesa e se sentou, sua pressão tinha acabado de cair.
– Você está bem?
– Sim, continua. – Pediu.
– Você precisa me dizer primeiro, porque sua amiga fez um maldito pacto com esse demônio. – John disse e arregalou os olhos.
Aquilo não poderia estar acontecendo. Allyson não poderia ter feito um pacto com um demônio. Afinal, por que ela faria algo assim?
– Não sei de pacto nenhum, John. – Afirmou. – A Allyson não pode ter feito isso.
Naquele momento, ela soube que sua aposentadoria estava oficialmente acabada. Se tinha algum plano de sair completamente daquela vida, tinha acabado ali. Se Ally tinha vendido a alma em troca de alguma informação, isso significava que sabe lá o que ela tinha aceitado para poder ajudá-la.
, ela só tem oito meses. – John disse e sentiu seus olhos arderem, mas não queria chorar. – Sete, na verdade.
Tudo que ela sentia era impotência. Não sabia se estava chorando mais pelo pacto, pelos sete meses apenas de vida que amiga teria ou porque ela tinha mentido para ela com a maior cara deslavada. Desde o dia em que se reencontraram, ela sabia que tinha algo errado não só com Ally, mas com Dean também, sem falar em Bobby que, a todo momento, ficava dizendo que eles iriam "resolver a situação/i>", parecendo estar falando de outra coisa e não do que tinha acontecido com ela.
Sentiu-se culpada por não ter investigado mais. Se tivesse pressionado a amiga ou até mesmo Dean ou Bobby, saberia e jamais teria passado os últimos dias presa em uma fazenda, se convencendo de que poderia viver uma vida normal. Era tudo uma grande mentira. Lá no fundo, ela sempre soubera que nunca poderia ter aquilo, que jamais dormiria sem segurar uma arma ou encher as janelas de sal.
Estava fadada àquilo.
Fadada a ser uma caçadora.
, você está me ouvindo? – Escutou a voz de John chamá-la, nem tinha se dado conta de que tinha se distraído completamente em pensamentos.
– Parece que estou vivendo um pesadelo.
John a encarou com pesar nos olhos.
– O que você precisa? – Ela perguntou, ignorando completamente o olhar dele.
– Eu descobri algumas coisas... – John começou a dizer enquanto pegava algo no bolso. – Precisamos ir ver uma bruxa.
– Uma bruxa? – questionou, quase rindo da situação.
Ele passou o endereço para ela.
– Não é muito longe daqui. – Afirmou. – Eu preciso que você me dê mais do que isso...
– O que você quer saber?
– Quero saber como descobriu tudo isso e o que podemos fazer para resolver esse pacto. – Disse com sinceridade, estava cansada das meias palavras dele.
– Eu não...
– Não me venha com essa, John! – Esbravejou. – Você não pode aparecer aqui na minha porta desse jeito depois de eu ter sido atacada, me pedindo por ajuda, e ficar me escondendo as coisas.
Ela odiava falar daquele jeito com ele, seu pai a mataria se visse, mas não tinha outra maneira. Se ele queria a ajuda dela, precisaria ser completamente honesto.
– Esse demônio está atrás de você, .
– Disso eu já sei, ele me atacou. – Riu fracamente.
– Não estou falando dele. – Ele olhou bem nos olhos dela.
– Claro. – Desviou o olhar. – O que o demônio que matou minha mãe quer comigo?
– Provavelmente, a mesma coisa que não conseguiu da última vez.
Ela o encarou, muitas coisas estavam se passando em sua cabeça.
– Precisa da minha ajuda com o quê? – Perguntou depois da pausa dramática. – Porque, como pode ver, minha perna ainda está uma droga.
– Precisamos visitar essa bruxa, ver o que ela pode descobrir.
– Certo. – Afirmou. – Só que eu tenho algumas condições.
– Que seriam?
– Dean e Sam. – Disse, olhando bem séria para ele. – Incluindo Ally e Jeremy. Não podem saber nada sobre isso e nem sobre o que descobrirmos daqui para frente.
– Ally e Jeremy, tudo bem. – John afirmou e fez uma pausa. – Só que acho um pouco difícil esconder isso dos meus filhos.
– Não me interessa, teremos que esconder. – Afirmou. – Não quero nenhum dos dois arriscando a própria vida para me salvar.
Ele apreciava a preocupação dela com a vida dos filhos dele, mas também estava preocupado com a vida dela e com as coisas que ela seria capaz de fazer para proteger não só eles, mas todos os envolvidos.
– Você falou que tinha algumas exigências.
– É. – se levantou e ficou mais próxima dela. – Essa vai ser um pouco mais difícil.
– Diga.
– Você sabe que a minha perna está machucada, que ainda ficarei um tempo com essa bota no pé. – Começou a dizer e respirou pesadamente. – Isso vai me tornar lenta, você sabe...
– Nem pense em continuar.
– John, você precisa da minha ajuda, esses são meus termos. – Disse com firmeza. – Se alguma coisa acontecer, você não vai se arriscar para me salvar.
– Não, isso está fora de cogitação.
– Então você vai ter que fazer isso sozinho. – disse, passando por ele, e caminhou até a pia.
– Por que está fazendo isso? – Ele perguntou, se virando para olhá-la.
– Por razão nenhuma, só não vou deixar você morrer para me salvar. – Afirmou e se virou para ele. – É pegar ou lagar.
saiu da cozinha, deixando John sozinho para pensar em sua proposta.
Não foi fácil, mas John aceitou os termos dela e eles logo partiram em direção à casa da bruxa. Ela não conseguia tirar da cabeça o pacto de Allyson. Enviou dezenas de mensagens para a amiga, dizendo que precisava que ela fosse até e fazenda para elas conversarem. Não obteve resposta e sabia que, provavelmente, a amiga a estava ignorando por medo de que ela tivesse descoberto.
E ela tinha.
Nenhum dos dois falavam nada durante a viagem. John é quem estava dirigindo, já que não podia por causa da perna. Isso também a estava irritando. Apesar de estar com sua arma – o que a fazia se sentir mais segura –, o fato de ter uma perna machucada a preocupava muito. Não conseguiria correr se precisasse e a ideia de ser atacada como da última vez a apavorava. Precisava parar de pensar naquilo.
Depois de quase trinta minutos de viagem, o pai dos Winchesters imbicou o carro próximo de uma casinha de madeira. Tudo estava muito calmo, então ele fez sinal para que ela ficasse no carro enquanto ele dava uma volta pelo lugar antes de bater na porta da tal bruxa. Claro que não aceitou. Ela sacou a arma e, mesmo com perna imobilizada, rodou o perímetro da casa em seu ritmo.
Parecia não ter nada ali, então os dois caminharam em direção à porta, que se abriu antes que eles batessem e uma mulher negra de cabelos escuros apareceu na visão deles.
– Eu estava esperando por vocês. – Afirmou, dando espaço para que eles entrassem.
e John ficaram onde estavam.
– Tenho a capacidade de saber o que vai acontecer, sabia que viriam. – Ela disse com um sorriso no rosto. – Sugiro que entrem se quiserem resolver os problemas de vocês.
John entrou primeiro e, depois, fez o mesmo.
A casa era bem arrumada e cheia de coisas que chamava de "bugiganga de bruxa". Ela, obviamente, não confiava em nenhuma então, por isso, sua arma estava carregada de balas mata bruxa porque, caso ela tentasse alguma coisa, não teria tempo nem para pensar. Morreria na hora se isso dependesse dela.
– Você deve ser o famoso John Winchester. – A mulher o mediu dos pés à cabeça.
riu fracamente. Ele nunca daria mole para uma mulher como ela, uma bruxa.
– E você deve ser a garota do inferno. – Ela disse e sorriu calorosamente. – .
– E você? – indagou.
– Olivia Helming. – Ela disse e estendeu a mão, mas nenhum dos dois apertou. – Tudo bem, vamos ao que interessa.
A mulher pediu que eles ficassem na sala e ela entrou no que parecia ser um quarto. A casa não era muito grande e conseguia ficar de olho nela de onde estava em pé na sala. John já se encontrava sentado e ela se sentia quase ofendida por ele estar tão à vontade na casa de alguém como aquela mulher enquanto ela não conseguia tirar a mão da arma, presa ao cós da calça em suas costas.
– Pronto. – A mulher estava com uma bola na mão e ela sabia para quê aquilo servia.
Ela ia fazer algum tipo de ritual ou seção.
Olivia andou até a mesa que tinha no meio da sala e colocou a bola ali. Ela estava certa sobre as intenções dela. Depois disso, a bruxa caminhou até , que a encarou sem nem piscar. A reação dela foi muito rápida. Com a mesma velocidade que Olivia tocou o braço de , ela também levantou a arma, colocando-a em sua cabeça.
– Se tocar em mim de novo, eu te mato! – disse com firmeza e John deu um pulo de onde estava.
Olivia tinha uma expressão calma apesar de tudo.
– Tudo bem, . Ela só vai ler você. – John disse e fez sinal para que ela baixasse a arma, mas ela permaneceu estática.
– É compressível, considerando o trauma que você passou. – Olivia disse, encarando-a. – Só estou tentando ler suas energias para saber com o que estamos lidando aqui.
a encarou e respirou pesadamente mas baixou a arma, colocando-a de volta onde estava.
– Que tal me avisar quais serão seus gestos daqui para frente? – Pediu e caminhou até a mesa para se sentar.
Os três sentaram-se na mesa e Olivia a avisou que precisaria tocá-la para que pudesse lê-la e, então, começar o ritual. Não demorou muito para que sentisse algo sombrio à sua volta. Era a mesma sensação dos seus sonhos, a mesma que sentiu no dia em que foi atacada e a que sentiu quando reencontrou Sam e Dean.
Sentiu algo atravessá-la e perdeu a consciência.
abriu os olhos e se assustou com o que viu. Ela ainda estava na casa da bruxa, sentada de frente para a mesa redonda, mas não tinha uma bola sobre ela. Olivia não estava ali e muito menos John. Ela estava completamente sozinha e tudo à sua volta parecia frio e sem vida. Fechou os olhos e os abriu novamente na tentativa de acordar de qual fosse aquele pesadelo, mas nada aconteceu. Ela continuava no mesmo lugar.
Levantou da cadeira em que estava sentada e vasculhou pela casa. Estava, de fato, sozinha. Não tinha ninguém ali além dela e aquilo a fez sentir uma mistura de medo e desespero. Procurou pela arma em suas costas, mas não encontrou nada. Estava em um lugar desconhecido e completamente desarmada.
correu com dificuldade em direção à porta, procurando por uma saída, mas o que encontrou foi algo ainda mais sombrio. Deu de cara com um cemitério. Tinham pessoas ali, mas nenhuma delas parecia se importar muito com a presença dela. Todas pareciam frias e sem consciência de que estavam naquele lugar.
Onde estou?, era tudo que conseguia pensar.
– Me perguntei quanto tempo demoraria para te encontrar aqui. – Uma voz disse atrás dela, era a voz de um homem.
Ela sentiu um frio na espinha e respirou fundo antes de se virar. Assim que terminou de dar a volta, deu de cara com um homem de olhos amarelos. nunca tinha visto nada igual em sua vida. Pensou ser um demônio mas não poderia ser, eles sempre tinham olhos pretos.
Ele sorriu calorosamente para ela, que sentiu um frio na espinha.
– Onde eu estou? – Ela perguntou com uma certa fraqueza na voz.
O homem sorriu.
– Ora, sei que é mais esperta do que isso. – O homem disse e caminhou até .
Ela permaneceu estática enquanto ele a encarava. Era fácil ver em seus olhos que estava admirado com a presença dela ali. Seus olhos tinham voracidade ao olhá-la enquanto a rodeava para poder observá-la mais de perto. Cada pelo do corpo de estava arrepiado e ela podia sentir algo inumano emanar dele, algo frio e sombrio.
Era um demônio. Estranhamente, com olhos amarelos, mas ela sabia que era. Por alguma razão, sabia que conseguia captar a presença de um demônio. Algo emanava deles e ela era capaz de sentir.
– Estou impressionado. – O homem disse finalmente depois de observá-la por tanto tempo.
não disse nada, era como se tivesse perdido completamente a capacidade de raciocinar.
– Minhas criações sempre foram de alta qualidade. – O homem disse e levou a mão até os cabelos de , que se retraiu de medo. – Mas devo admitir, eu me superei com você.
Criação? Ela era uma criação dele? O desespero a tomou por completo.
– Por favor... – pediu, com a voz fraquejando. – Me diga onde estou.
– Você sabe onde está, . – O homem disse, sabia seu nome. – Sei que pode sentir tudo que emana deste lugar, cada pedaço dele.
apertou os olhos, se negando a acreditar.
– Não pode ser...
– Pode sim. – O homem afirmou. – Nós esperamos muito por você, minha querida.
– Nós quem?
– Eu, os demônios. – O homem riu fracamente. – O inferno esperou por você, . É por isso que está aqui, bem no centro dele.

John não parava de gritar o nome de . Tudo aconteceu muito rápido e ele não conseguia entender o que tinha acontecido. Em um minuto, ela estava bem ao lado dele, segurando sua mão e, no outro, tudo simplesmente ficou escuro e ela não estava mais ali. Tinha desaparecido como pó no ar.
Ele partiu para cima de Olivia e a segurou pelo pescoço. A raiva que estava sentindo era incontrolável, nunca se perdoaria se algo acontecesse com ela.
– Eu juro por Deus. – John disse e apontou a arma para o rosto da bruxa. – Se você fez alguma coisa...
– Eu não fiz nada! – A mulher disse com horror nos olhos, nunca tinha visto nada daquele jeito antes. – Em um minuto...
– Ela estava aqui e, no outro, não. – John terminou a frase, ainda segurando a mulher. – O que está acontecendo aqui?
– Eu não sei, mas acho que posso tentar ajudar. – A bruxa disse com calma.
– Como?
– Um feitiço de localização. Se algum demônio a levou, podemos localizá-la.
– Não acha que teríamos visto se algum demônio tivesse entrado aqui e a levado? – John esbravejou e destravou a arma.
– Existem demônios muito poderosos, John, você sabe disso.
– Do que precisa? Para o feitiço. – Ele disse, se afastando mas ainda com a arma na mão.
Olivia disse tudo que precisava e alguma das coisas não tinham na casa. John disse para ela que iria atrás de tudo e que, se ele voltasse e ela não estivesse mais na casa, ele a caçaria até o inferno. Sua cabeça estava rodando, não conseguia nem pensar no que diria a Andrew se ele não conseguisse localizá-la porque, primeiro, ele o mataria por aquilo e, depois, por ter metido a filha dele no meio de sua guerra.
Precisava encontrá-la.
encarou o homem – ou melhor, o demônio – e sentiu vontade de correr, mas não fez isso. Continuou ali, esperando que ele falasse alguma coisa, o que também não aconteceu. Ela precisava de respostas e sabia que só as conseguiria se perguntasse. Ele não parecia com muita pressa, mas ela tinha. Queria sair dali o mais rápido que conseguisse.
Se é que seria possível sair.
Tentou não pensar sobre aquilo.
– O que eu estou fazendo aqui? – Perguntou, com firmeza dessa vez.
Ele riu fracamente e ficou ainda mais próximo dela.
– Eu sabia que você seria a mais forte. – Disse e se afastou um pouco.
– Quero saber o que estou fazendo aqui.
– Como disse, você é minha criação. – Afirmou e encarou nos olhos. – Mas, por alguma razão, seu coração não pertence a esse lugar. Ainda não sei o porquê, mas pretendendo descobrir o que está interferindo nos meus planos.
– O que quer dizer com "meu coração não pertence a esse lugar"? – Ela questionou, estava começando a tomar coragem.
– Está indo com muita sede ao pote. – Ele riu e se reaproximou dela. – De uma coisa, eu tenho certeza.
apenas encarou, esperando que ele continuasse.
– Os Winchesters te enfraquecem!
Ele parecia ainda mais sombrio ao fazer aquela afirmação.
– O que você quer com eles? – aumentou o tom de voz, arrancando uma risada dele.
– Sammy, claro, minha outra criação. – O homem começou a dizer e voltou a dar a volta observando-a – Não tenho do que reclamar. Mas aquele Dean Winchester... Terei que dar um jeito nele.
O instinto falou mais alto que o bom senso e partiu para cima do demônio, mas ele era bom e muito rápido. Ele a atingiu com um tapa no rosto, fazendo-a cair com tudo. Um corte tinha se formado em seu lábio e saía sangue do local, fazendo com que ela se arrastasse no chão, tentando se afastar dele, o que não funcionou. Ele a pegou com força pelo pescoço.
– Admiro a sua coragem. – Ele disse, segurando-a, mas logo soltou.
– Eu juro por Deus, se encostar...
– Por enquanto, não farei nada com o garoto. – Afirmou. – Ainda preciso dele.
sentiu o coração apertar. A ideia de que algo poderia acontecer com Dean lhe causava um desespero imenso, mas também se lembrou de Sam e o que ele disse sobre ser uma criação dele, assim como ela.
– O que você quer do Sam? – Perguntou. – O que quer de mim? Quem é você?
O desespero finalmente tinha chegado e ela se perguntou como aguentou tanto tempo na presença dele de forma tão calma.
– Você sabe quem eu sou, .
Ela o encarou. Aqueles olhos amarelos. A lembrança do sonho no quarto de Sam quando era bebê passou por sua mente e ela teve aquela sensação sombria.
Era ele.
O demônio.
Bem diante dela.
O demônio que tinha assassinado Mary Winchester e sua mãe.
– Não... – Sentiu os olhos queimarem e se afastou daquele demônio.
começou a correr – com certa dificuldade, por causa da perna – mas não desistiu. Correu sem olhar para trás, só queria sair daquele lugar. Procurava pela primeira saída que encontrasse. Mas como poderia? Como se saía do inferno? Ela não sabia, mas continuou correndo mesmo assim, até bater em alguém.
Era ele.
Ela correu em vão.
– Por que eu estou aqui? – Gritou. – Você quer me matar? É isso?
O homem riu.
– Não, , eu não quero matar você. – Disse com a calma mais deslavada do mundo. – Eu preciso de você, mais do que pode imaginar.
– Eu prefiro morrer a fazer qualquer coisa por você.
Ele riu mais uma vez.
– Você fará, na hora certa. – Disse e ficou muito mais próximo dela. – Agora é hora de voltar. Mande lembranças a John por mim.
Ela se moveu na direção dele, mas ela sentiu um peso sobre o corpo e perdeu a consciência.

sentiu um peso sobre os olhos e teve a sensação de algo gelado sob sua pele. Piscou algumas vezes e sentiu uma luz invadir seus olhos, era a lâmpada presa ao ventilador que rodava no teto. Ela estava em um quarto que não conhecia e o gelado que sentia era do chão onde ela estava deitada.
Mordeu o lábio e uma dor percorreu a carne. Levou a mão até ele e viu que tinha um machucado ali. Tudo o que tinha acontecido era real, nada fora da sua imaginação e muito menos um sonho. Era tudo verdade. Ela era não só era capaz de conseguir sentir o inferno, mas também de entrar e sair dele.
Sentiu-se enjoada e se levantou do chão. O quarto parecia ser de uma mulher e ela deduziu que poderia estar na casa de Olivia. Estava certa porque, assim que saiu do quarto, deu de cara com a mulher, totalmente estática e pálida, sem acreditar que era ela mesmo.
– Onde está o John? – perguntou, já que não o viu ali.
– Ele foi buscar algumas coisas para eu fazer um feitiço de localização. – Ela disse, ainda olhando para ela com um certo medo no olhar. – Você estava no quarto este tempo todo?
Ela não respondeu nada, apenas procurou por sua arma e ela estava lá, bem no cós de sua calça.
– Me responda! – A bruxa perguntou com firmeza mas, ao mesmo tempo, com medo no olhar.
Nunca tinha visto nada daquele jeito em sua vida.
– Não, eu não estava no quarto. – Respondeu. – John vai demorar muito?
– Onde você estava?
riu fracamente, era engraçado ver uma bruxa com medo de alguma coisa.
– No inferno, Olivia. – disse com firmeza e a encarou. – Eu estava no inferno.
John tinha acabado de entrar na casa.
– O quê?

O caso tinha sido muito mais fácil do que eles esperavam. Eram apenas alguns lobisomens procurando mulheres virgens para se tornarem mais resistentes a prata, mas eles tinham pegado todos, matado e libertado as mulheres. Dean nem conseguia acreditar que conseguiram resolver o caso em um dia, então entrou em um consenso com Sam sobre ser melhor voltarem para a fazenda e verem se estava tudo bem por lá.
Lauren tinha ficado com Bobby para ajudá-lo em algumas pesquisas que ele tinha para fazer, então apenas Dean e Sam seguiram para o Tennessee. Não teria problema algum tirar um dia de folga das caçadas, desde que fosse para verificar se estava tudo bem com a . A estrada estava vazia e, por isso, já tinham passado da metade do caminho.
O silêncio no carro foi quebrado pelo telefone dele tocando.
– Fala, Ally. – Disse assim que conseguiu atender.
Dean... – A voz dela estava estranha do outro lado da linha.
Dean encostou o carro no acostamento na mesma hora, fazendo Sam levar um susto.
– Dean, o que foi? – Ele perguntou preocupado, vendo a expressão do irmão.
– Ally, onde você está?
Eu caí em uma emboscada, Dean... – Escutou Ally dizer baixo. – Quatro demônios pegaram o Noah.
Merda. Era a única expressão que conseguia pensar no momento.
– Quem é Noah?
– Meu namorado.
Tinha se esquecido por um momento.
– Me manda o endereço.
Ela disse o endereço, estavam perto.
– Nós estamos perto, chegamos em menos de uma hora. – Disse e desligou.
Dean pisou no acelerador enquanto explicava para Sam o que tinha acontecido. Ele não podia deixar Ally na mão e sabia que, se não fosse até lá ajudar, ela com certeza iria sozinha até onde aqueles demônios estavam para tentar salvar o namorado. Esse era o problema dos laços, as pessoas faziam coisas precipitadas e se colocavam em perigo por quem amavam, exatamente como ele estava fazendo naquele instante.
Algo se acendeu nos pensamentos de Sam e ele decidiu ligar para enquanto Dean se concentrava na estrada. Não sabia por qual motivo, mas tinha aquele sentimento de que algo estava errado. Ligou várias vezes, todas caíram na caixa postal. Ligou para Jeremy também, mas ele não atendeu a nenhuma de suas ligações, apesar de ter ligado mais de cinco vezes.
Desistiu, mas não conseguia tirar dos pensamentos.
Dean notou o nervosismo do irmão, mas estava preocupado demais com a situação de Allyson para poder pensar no que estava incomodando o irmão. Deixaria para depois, só daquela vez.
Encostou o carro no motel que Ally tinha passado o endereço e saltou do carro com pressa. Pediu informação na recepção apenas para não entrar direto em direção aos quartos e, depois, seguiu para o quarto em que ela estava hospedada. Assim que chegou, deu dois toques na porta, mas ninguém atendeu. Deu mais dois e nada. Decidiu por chutar a porta, arrombando a mesma.
Não tinha ninguém ali.
Dean teve um pressentimento ruim e soube que tinham caído em uma armadilha quando sentiu uma coronhada em sua cabeça. Sam sentiu o mesmo.
Os dois abriram os olhos e viram Allyson parada bem diante deles, ambos estavam presos em cadeiras e ela tinha uma expressão de satisfação no rosto. Dean piscou algumas vezes e viu os olhos dela ficarem preto. Não era Allyson e, sim, um demônio.
– Seu maldito filho da puta! – Dean disse e o demônio atingiu o rosto dele com força.
– Desgraçado. – Sam disse, tão irritado quanto o irmão, e recebeu um tapa também.
O demônio no corpo de Allyson riu.
– Isso não é jeito de se tratar uma garota.
– Sai do corpo dela agora! – Dean gritou.
Apesar do tapa, não perdia a coragem. Já tinha lidado com muitos demônios naquela vida. Ela gargalhou.
– Calma, meninos, ainda vamos nos divertir um pouquinho. – Disse e se inclinou para aproximar-se de Dean, que fez cara de nojo.
– Se quer nos matar, faz isso logo, mas deixa a garota em paz. – Sam disse e Dean o repreendeu com o olhar.
O demônio abriu um sorriso e se afastou de Dean.
– Não quero matar vocês, não hoje. – Riu fracamente. – Só precisamos ter uma conversinha.
– Então fala logo! – Esbravejou Dean.
Ela se afastou um pouco e se sentou na cama, cruzando as pernas. Dean e Sam odiavam ver aquilo, saber que um demônio estava possuindo Ally lhes causava um desespero e, lá no fundo, desejavam que ela estivesse viva quando eles conseguissem se soltar e exorcizar o desgraçado.
– Um gato comeu sua língua? – Dean perguntou, debochado.
Ela riu e voltou a olhar para eles.
– Vocês estão mexendo com a pessoa errada. – Ela disse com firmeza.
– Desculpa, você precisa ser mais específica. – Pediu Sam, irritado.
– Eu vou falar e vai ser só uma vez. – Ela se levantou. – Mandem John parar de procurá-lo.
Dean e Sam arregalaram os olhos.
– Não finjam que não sabem. – Ela riu. – Sabem muito bem que o pai de vocês está caçando a coisa que matou a mãe de vocês.
– E quando ele encontrar, vai matar ele e todos vocês. – Dean disse com confiança.
O demônio riu, achava realmente engraçado a presunção dele.
– Na realidade, se ele persistir com isso, vai sofrer consequências muito piores do que essa. – Disse rindo, fazendo com que Dean se movesse na cadeira de raiva, tentando se soltar.
Ela analisou os irmãos por um tempo e se aproximou de Sam. Ficou analisando o mesmo e abaixou-se de modo que conseguiu ficar cara a cara com ele.
– Nos encontraremos em breve, bonitão! – Ela disse e piscou para Sam.
Em seguida, saiu do corpo de Allyson.
O corpo dela caiu com força no chão. Sam e Dean continuavam tentando se soltar, mas sem obter nenhum sucesso. Não estavam com nenhuma faca ou canivete porque acharam que estariam em terreno seguro. Na ligação, pensaram que ela realmente estava em perigo.
– Vamos lá, Ally. – Dean disse, encarando a garota no chão. – Acorda.
Allyson começou a mover os olhos. Sentia-se como se tivesse sido arrastada por um caminhão e apanhado por horas. Todo seu corpo estava dolorido e o desespero dentro dela era imenso. Quando se era possuído por um demônio, não era como adormecer. Era muito pior. Ficava ali o tempo todo, assistindo tudo que o maldito fazia sem poder fazer absolutamente nada para tirá-lo do seu corpo.
Ela abriu os olhos poucos segundos depois e se assustou ao ver Sam e Dean amarrados nas cadeiras. Apesar da dificuldade e do mal estar, levantou o mais rápido que conseguiu e pegou uma faca para que pudesse desamarrar os irmãos das cadeiras.
Estava muito confusa.
– Graças a Deus! – Sam disse, abraçando-a.
Dean olhou com carinho para ela e a abraçou depois que o irmão a soltou.
– Eu estou bem. – Ela afirmou, ainda um pouco atordoada.
– Senta aqui. – Pediu Sam, empurrando-a devagar em direção a cama. – Qual é a última coisa da qual se lembra?
– De estar em um restaurante e tudo apagar. – Ela disse e desviou o olhar. – Depois, eu percebi que estava presa dentro do meu próprio corpo, o demônio ligou para vocês e... Bem, o resto vocês já sabem.
Dean a encarou, estava puto de raiva.
– Sinto muito, Ally. – Ele disse enquanto passava a mão pelos cabelos. – Não devíamos ter deixado você vir sozinha.
– Tudo bem, Dean. – Sorriu de forma carinhosa. – Vocês tinham coisas importantes para fazer.
– Ally, você falou com a hoje? – Sam perguntou, lembrando que todas as ligações que tinha feito para a amiga caíram na caixa de mensagens.
Ela encarou os rapazes e viu Dean o encarar. Se estava acontecendo alguma coisa, obviamente ele também não sabia.
– Tem algo que eu deva saber, Sam? – Esbravejou Dean.
– Eu liguei para ela no caminho para cá, mas caiu tudo na caixa postal. – Ele explicou.
– Não acha que poderia ter falado isso antes? – Dean disse, ainda mais irritado.
– Claro, e aí sabe-se lá o que teria acontecido com a Ally. – Ele revirou os olhos, odiava ser repreendido pelo irmão. – Ela só deve estar ocupada com as coisas da fazenda.
– Ally, você vem com a gente? – Dean perguntou enquanto abria a porta do quarto.
– Sim, todas as minhas coisas já estão arrumadas, – Começou a dizer e andou até a cama para pegar suas coisas. – já que parece que não tenho mais namorado.
Os dois irmãos a encararam por um momento, quase tinham esquecido que ela tinha ido encontrar Noah para contar a ele sobre o pacto e, pelo jeito, ele não tinha aceitado muito bem a escolha dela. Sentiam muito por ela, mas não tinham tempo a perder, então apenas assentiram para elas e os três saíram do motel em completo silêncio.
Tinham poucas horas de estrada até o Tennessee e, por isso, concordaram em não fazer nenhuma parada longa. Fizeram apenas uma em um posto para encher o tanque dos carros e comprar algumas coisas para enganar o estômago. Além do mais, queriam evitar parar em qualquer lugar e serem perseguidos. Nos últimos dias, parecia que estavam rodeados por demônios em todos os lugares que iam.
Ally foi sozinha no carro dela. Apesar de Sam ter se oferecido para ir com ela, preferiu tirar um tempo para pensar. Não tinha comentado nada com eles sobre sua caixa de mensagens estar lotada de ligações e mensagens de dizendo que precisava conversar com ela, que era importante. Ela tinha um pressentimento de que a amiga tinha descoberto sobre seu pacto e não teve sequer coragem de responder a nenhuma mensagem.
Que desculpa usaria? Provavelmente nenhuma, porque não tinha argumentos para o que ela tinha feito, nenhum que deixasse a amiga menos puta com ela. Deixou que as lágrimas caíssem enquanto pensava em sua briga com Noah, sobre e até mesmo sobre o pacto que tinha feito. Apesar da dor que sentia, não estava arrependida. Tinha feito aquilo para salvar a vida da amiga.
Nem precisou terminar de estacionar o carro para perceber que tinha algo de errado. O Jeep que tinha comprado recentemente para que não ficasse sem carro estava com o porta malas aberto e ali tinham armas e malas, como se alguém fosse viajar, e o caro de Jeremy não estava ali fora.
Dean correu para dentro da casa primeiro, depois ela e Sam foram para lá também.
queria ter sido mais rápida, mas a perna imobilizada dificultava que ela fosse ágil e, por isso, demorou um pouco para separar todas as armas e fazer suas malas. Depois de ter contado ao John como tudo tinha acontecido, ou ao menos o que era mais importante, eles decidiram que tinham que cair na estrada para caçar o demônio.
Bufou irritada quando viu Allyson e Dean entrarem na fazenda. Não poderia dizer para eles o que ia fazer de verdade, então tinha passado em sua cabeça todo um discurso de que, se quisesse estar segura, não poderia ficar perto deles, e que só seria possível se aposentar de verdade se sumisse e eles não soubessem onde encontrá-la.
Respirou fundo e se concentrou em tudo que precisava dizer assim que escutou os passos na escada. Sabia que era Dean.
, o que está acontecendo? – Ele perguntou assim que entrou no quarto e a viu fechando uma das malas em cima da cama.
– Estou indo embora. – Respondeu de forma seca.
– O quê? – Dean perguntou. – Do que você está falando?
– Que estou indo embora. – Disse e deu a volta nele, andando até a estante do quarto. – Achei que poderia recomeçar aqui, mas não posso.
Ally e Sam ainda não tinham aparecido e imaginou que fosse porque sabiam que Dean iria tentar resolver a situação e queriam dar espaço para eles. Sentiu-se bem por aquilo. Não sabia como olhar para a amiga depois que descobrira sobre seu pacto. Estava com raiva, mas também estava fazendo tudo aquilo para descobrir uma forma de salvá-la.
7 meses. Era tudo que tinha.
– Ei, fala comigo! – Dean disse a pegou pelo braço, fazendo com que ela se virasse para ele, e viu o hematoma no rosto e a boca cortada. – O que aconteceu? Quem fez isso com você?
Ela tinha quase se esquecido dos machucados.
– Eu fui à cidade para comprar algumas coisas. Um demônio me viu lá, entramos em uma briga. – Deu de ombros e voltou ao que estava fazendo, não queria correr o risco de ficar olhando demais para ele e acabar se entregando.
– Não acredito em nada disso.
– Não perguntei se acredita. – Ela disse e pegou as malas em cima da cama com uma certa dificuldade.
Dean se aproximou, ficando na frente dela, mas o contornou e saiu do quarto. Apesar de ele não saber, aquilo estava doendo muito nela. Não queria agir daquela maneira com ele e estava torcendo para que ele não a seguisse e deixasse que ela fosse embora. Odiaria ter que ser ainda mais dura com ele.
! – Um Sam preocupado apareceu na frente dela. – O que está acontecendo? O que são essas malas?
Ally estava ao lado dele, mas não conseguiu dizer nada. O olhar de sobre ela já dizia tudo.
Ela sabia.
– Eu estou indo embora. – Disse com firmeza.
– O quê? Por quê? – Sam estava em choque.
– Olha, não posso ficar aqui, tudo bem? – Explicou. – Nunca estarei segura aqui.
– Nós protegeremos você! – Sam insistiu enquanto Ally continuava sem silêncio.
riu, precisava ser convincente.
– Isso funcionou muito bem da última vez, né? – Perguntou, passando por ele e deixando as malas próximas da entrada, sua perna já estava doendo. – Quando Dean me atacou.
Dean estava na ponta da escada, tinha escutado tudo.
, você está sendo injusta. – Era a primeira vez que Ally dizia alguma coisa.
– Estou? – Indagou. – Engraçado me dizer isso quando sou atacada por quem deveria me proteger e quando minha melhor amiga passou o último mês me escondendo algo muito grave com a maior cara deslavada.
Todos ficaram em silêncio, as palavras de eram duras.
– Eu nunca tive a intenção...
– Você nunca tem. – disse e pegou as malas, já saindo de casa.
Ela não sabia descrever a dor que estava sentindo por fazer aquilo, mas era isso ou correr o risco de que algum deles se machucassem. Quando tudo aquilo acabasse, se não pudessem perdoá-la por fazer aquilo, ao menos estariam vivos.
, me escuta... – Era Dean, ele estava estranhamente desesperado.
terminou de colocar as coisas no Jeep ainda de costas para ele e apertou os olhos, segurando para não chorar.
– Não, eu não tenho nada para escutar. – Disse com firmeza e se virou para ele. – Não vou ficar aqui para acabar morrendo, não é essa a vida que eu quero para mim.
Ela conseguia ver dor nos olhos dele.
– Eu sei que eu peguei pesado com você hoje cedo... – Dean disse, tentando procurar as palavras, mas aquilo era tão surreal que ele não conseguia sequer raciocinar, e se aproximou ainda mais de , que o encarava.
– Tudo bem, você tinha razão. – Afirmou. – Eu tenho medo de você, não suporto a ideia de ficar perto de você.
Nada do que ela estava dizendo era verdade. Sentia-se desconfortável com a presença dele ainda, mas não da maneira que estava dizendo. Sabia que Dean nunca a machucaria.
Ele a encarou.
– Não acredito nisso. – Afirmou e ela desviou o olhar. – Olha para mim, . Me conta o que está acontecendo.
Ela não disse nada, apenas o encarou.
– Você não pode fazer isso.
– Não é como se fosse fazer diferença. Já fui embora uma vez, lembra? – Perguntou, se referindo ao dia em que foi embora com seu pai.
Ele sabia muito bem que ela tinha ido embora uma vez e não pretendia deixar isso acontecer de novo.
– Eu sei que eu fui duro com você quando você voltou. – Disse com sinceridade. – Sei que eu disse coisas para você que nunca deveria ter dito, que deveria ter feito você ficar daquela vez...
Não era aquela reação de Dean que estava esperando e, por um momento, desejou que Allyson e Sam interferissem para que pudesse fugir do que ele estava dizendo, mas eles estavam na varanda da casa observando tudo.
Dean pegou a mão de e levou até seu peito.
– O que você...
Ele levou a mão livre até o rosto dela.
– Não posso perder você de novo, . – Disse com sinceridade.
Sua boca ficou seca, mas ela não podia fraquejar naquele instante. Precisava ser forte e dizer algo que o fizesse entender que ela não estava brincando, que tinha a intenção de ir embora.
– Você nunca me teve, Dean.
O olhar dele se desfez e os dois se afastaram. aproveitou a deixa e deu a volta nele, indo em direção ao seu Jeep. Se ela queria machucá-lo de alguma forma, tinha conseguido. Não tinha mais volta e ela também não tinha a intenção de voltar. Encarou Sam e Ally, que olhavam tudo com uma expressão de total indignação, e depois entrou em seu carro.
Ponderou a ideia de tirar a bota para dirigir, mas não tinha escolha. Nenhuma dor seria pior do que a que estava sentindo naquele momento por ter dito aquilo para Dean. Então tirou a bota e deu partida no carro.
Pensou em como nunca esqueceria o reflexo de um Dean profundamente machucado, olhando-a através do retrovisor, e deixou que as lágrimas caíssem. Sua decisão estava tomada. Renunciaria à família, aos amigos e até a um amor que nem se lembrava mais de sentir para que pudesse manter as pessoas que amava a salvo.


Continua...



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OUTRAS FANFICS DA AUTORA:

Euphoria [Restritas - Originais - Em andamento]
Oblivium [Restritas - Bandas - One Direction - Em Andamento]


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