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Última atualização: 09/09/2017

Prólogo


Sabe aquela antiga história que amor e ódio sempre andam de mãos dadas, e que se você odeia muito uma pessoa quer dizer que você gosta muito dela, ou até então a ama? Eu nunca, nunca em toda a minha vidinha fui de acordo com essa história, afinal não é porque eu sinto uma imensa vontade de socar aquelas pessoas que gostam de andar feito uma tartaruga quando estão na minha frente, que eu sinto vontade de beijá-las ou ate mesmo abraçá-las.
E posso dizer que eu comecei a ter mais certeza que essa ideologia que as pessoas tanto enchem a boca para falar é uma tremenda idiotice quando Jimmie, um colega da pré-escola, decidiu jogar o meu ursinho de pelúcia preferido na lama, o que me levou a subir em cima do mesmo, na mesma poça de lama, o fazendo implorar por misericórdia, isso porque eu deveria ter seis anos de idade. Depois daquele pequeno “incidente”, tudo estava em mais perfeita ordem para mim, até que um ser humano teve a capacidade de espalhar que o Jimmie era a minha paixão secreta. Eu não preciso nem ao menos comentar que até o próprio Jimmie começou a acreditar naquela historia ridícula, e eu? Eu estava literalmente enojada e morrendo de raiva da hipótese de ter um namorado aos seis anos.
E quando você pensa que a tempestade acabou, vem uma pessoa chamada Marvin Gibson do quarto ano, me fazer uma linda carta de amor. Não que eu seja um coração de pedra, ou uma espécie de ser humano horrível, mas com toda certeza Marvin não era aquele cara que me faria suspirar pelos corredores só no fato de pensar nele. E eu juro que tentei explicar da melhor forma possível que não iria rolar. Acontece que a mesma pessoa que disse que o ódio é uma espécie de amor escondido, esqueceu-se de avisar que o amor também pode virar um sentimento de ódio, e dos bens grandes. O que levou Marvin ter a capacidade de espalhar que e eu estávamos tendo um caso de amor proibido. Lógico que quase ninguém acreditou na história, sendo que naquela época estava tendo um caso mais do que sério com Gregory, mas isso foi o bastante para eu me revoltar com aquele projeto de merdinha. E se me perguntarem se alguma vez eu senti alguma coisa além de raiva por aquele garoto, à resposta sempre vai ser um sonoro e ríspido não.
Mas o que eu quero dizer, é que não foi porque um cara no passado não gostava de uma menina e acabou se apaixonado por ela, que todo mundo vai se apaixonar pela pessoa que nutri algum sentimento nada amigável.
E eu posso até confessar que sou uma pessoa de opinião bem forte, afinal quando eu acho que é uma coisa não é certa, ela simplesmente não é certa. Não é muito difícil de entender, afinal. Mas se tinha alguém, que adorava tirar uma com a minha cara, esse alguém eram os cosmos. E até hoje eu os culpo por ter colocado aquela espécie de ser humano em minha frente, me fazendo mudar todos os meus conceitos e ideias.
Tudo aconteceu em uma noite, uma noite que para mim era mais uma de muitas, mas quando alguém de um metro e setenta e cinco, com os cabelos castanhos revoltosos, um sorriso sacana nos lábios, e uma jaqueta de couro jogada entre os ombros aparece em sua frente, não é muito difícil entender o tamanho do estrago que ele vai fazer em só piscar de olhos. E talvez se eu fosse esperta, esperta o suficiente para me afastar daquela conexão estranha, eu não odiaria tanto quando ele me lançou aquele sorriso, e disse naquele tom rouco em meu ouvido.
- Prazer, !





Capítulo Um


Se existiam coisas que eu odiava, essas coisas se chamavam caixas! Grandes, pequenas, largas, estreitas, marrons, claras, escuras, não importava como ou que cor que eram eu as odiava. E naquele momento, eu estava cercada por um exército delas, de diferentes cores e por diferentes tamanhos, mas ali estavam elas, me encarando como se rissem da minha desgraça.
Suspirei pela quinta vez enquanto dobrava alguns moletons para por na minha mala de qualquer forma, no final eu saberia que minha mãe subiria a qualquer momento, e iria dobrar novamente todas as roupas que fiz questão de colocar nas malas, e outras em algumas caixas disponíveis, com os dizeres “Coisas da e com uma carinha sorridente, como se aquela carinha fizesse meus problemas sumirem.
Acontece que eu nasci e cresci até os meus três anos em Brighton, uma cidadezinha perto de Londres, onde meus pais se conheceram, namoraram, casaram e me tiveram. Mas depois que eu completei três anos de idade, a empresa onde meu pai trabalhava, ofereceu uma vaga de trabalho na filial de Londres, onde ele poderia aprender mais e ainda morar em uma grande metrópole. E desde que me entendo por gente eu moro na mesma casa, na mesma cidade e na mesma vizinhança, e minha vida não poderia ser mais feliz.
Mas é claro que as forças superiores não iriam deixar minha felicidade por muito tempo, e foi quando eu completei dezessete anos e estava pronta para começar meu ultimo ano letivo, que meu pai contou entre uma garfada no bife ali, outra no purê de batata aqui, que ele havia sido transferido de volta para Brighton, e com o seu novo salário conseguiríamos morar em uma casa melhor, e nós poderíamos estar juntos com a nossa família completa. E era claro que todo mundo amou a grande notícia, menos eu, claro!
Era claro que eu amava minha família em Brighton, afinal todos estavam ali, como meus tios, avós, primos e afins. Mas eu já havia formado uma vida em Londres, uma vida muito boa por sinal! Tinha amigos que eu amava mais do que tudo, adorava os dramas que minha escola proporcionava, e além tudo, aquele seria meu ultimo ano... Se não fosse pela transferência do meu pai. E eu sabia que por mais egoísta que soaria, eu não poderia falar nada sobre o meu drama adolescente, afinal meu pai estava tão feliz com a noticia que só de cogitar a ideia, já me fazia sentir mal. Eu já havia tentando dialogar um pouco com a minha mãe, mas a mesma dizia que daqui a um ano eu estaria em uma faculdade, sem amigos, e a mudança seria o ultimo dos meus problemas.
- Anda, desmancha essa carinha. – Minha mãe me trouxe de volta a realidade, enquanto eu suspirava pela sexta vez. – Você vai amar Brighton, todos serão legais com você. E a poderá te visitar sempre que for possível.
- Essa não é a questão, mãe! Eu não estou animada por estar nervosa, eu não estou animada porque eu não quero ir para um lugar que eu não considero minha casa. – Resmunguei, desistindo de dobrar o moletom, o enfiando de qualquer jeito na mala. – Estou cansada de fingir que essa viagem não faz diferença para alegrar o papai porque para mim faz diferença sim, faz muita diferença! Eu sou uma adolescente, eu não quero começar em um lugar novo, eu já terei que fazer isso no próximo ano, eu não quero me apegar às pessoas sabendo que eu terei que abandoná-las.
- Tudo bem, eu entendo o seu lado. – Mamãe suspirou se sentando ereta em minha cama, tirando o moletom socado, para dobrar novamente. – Você sabe que essa promoção é importante para o seu pai, ele esta se realizando profissionalmente e isso é realmente lindo de ser ver. Eu não estou pedindo para aceitar a ideia, muito menos gostar dela, e sim para apoiar seu pai nessa nova etapa que ele conquistou depois de doze anos de trabalho duro.
- Mas... – Resmunguei, mas o olhar que a própria me lançou me fez fechar a boca no mesmo instante.
- Se estivesse uma forma de você ficar aqui, em segurança, eu apoiaria essa decisão. Mas você mesmo sabe que não tem, e deixar essa casa para você ou morar em uma republica não se aplica no pacote “segurança” que eu digo. – Ela sorriu me dando um beijo no topo da cabeça, se levantando e em seguida saíndo do quarto.
Eu odiava o fato da minha mãe ser terapeuta, pois sempre quando eu queria ter uma crise de drama, ou qualquer crise que uma garota da minha idade tem a necessidade de ter, ela vinha com aqueles conselhos e com aqueles sorrisinhos acolhedores que me deixava sem chão, ou pior, no chão e ainda culpada por estar fazendo drama. Eu sabia que aquela promoção era o sonho do meu pai desde que me entendo por gente, afinal não me lembro dele ter ficado um dia sem falar sobre como “abriram novas vagas para a filial de Brighton, mas o meu nome não está lá”, “se eu conseguisse ser transferido viveríamos tão bem, sei que não posso dar o melhor para vocês morando aqui”.
Eu sabia que o custo de morar em uma capital não era barato, e além de ser uma capital, era uma cidade turística, fazendo o preço de tudo ser o triplo do que o necessário. Mas apesar de tudo, vivíamos bem na classe média, mas eu já tinha noção que em Brighton eles poderiam comprar uma casa maior do que a nossa, e ter uma vida muito melhor do que a gente tinha aqui. Mas não me importavam quantos luxos eu teria em Brighton, eu queria continuar na cidade em que cresci, o lugar que eu sei que é o meu lar, a minha casa.

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Depois do jantar, sabia que tinha que continuar organizando minhas coisas, mas assistir televisão jogada no sofá estava me parecendo muito melhor do que viver a minha triste realidade. Nós nos mudaríamos daqui uma semana, meu pai estava viajando duas vezes por semana para Brighton para resolver assuntos da empresa, como também para ver a nossa “nova” casa. Cada vez que eu tinha que falar com ele por Skype meu coração se apertava, afinal eu queria contar para ele que eu não estava animada, que eu estava odiando toda aquela historia de casa nova, cidade nova, vida nova. Mas mamãe me fez prometer manter o bico fechado, e o sorriso no rosto, pois sabia que se eu abrisse a boca meu pai era capaz de voltar atrás com sua decisão, afinal ele sempre falava que não existia felicidade para ele, se eu não estivesse feliz.
E esse era um dos motivos principais para eu fugir das suas perguntas constantes de como eu gostaria que ele decorasse meu quarto, afinal tinha uma pequena parte de mim, que ainda acreditava que eu não iria me mudar. E que tudo iria ficar do jeito que era, que tudo iria voltar como era antes. Mas fugir das perguntas do meu próprio pai via internet era fácil, agora quando eu tinha aquele homem do dobro do meu tamanho, com um sorriso que mal cabe no rosto, me perguntando se eu queria opinar sobre a casa. Já era completamente diferente.
- Achei você, macaquinha. – O próprio sorriu, por me achar na sala, e se sentando ao meu lado. – Preciso conversar com você.
- Hm, tem que ser agora? – Desviei o olhar da televisão quando o próximo candidato do The Voice se aquecia.
- Sim, bem, quer dizer, não se você não quiser. – Suspirei, encarando dois projetos de plantas de casa enrolados, e logo eu já entendi no que aquilo ia dar. – Bem, pensei que a gente podia conversar sobre o seu quarto hoje, afinal daqui uma semana nós iremos nos mudar, e eu sei que você anda meio desconfortável.
- V-você sabe?
- Claro, eu sou seu pai, , saber o que você sente é o meu trabalho. E estou tentando cumprir meu trabalho como pai. – Ele me lançou um sorriso, o que fez meu estômago revirar. – Pois bem, o que você está esperando para o seu quarto? Não seja modesta, pode ser a forma que quiser, e não poupe os detalhes.
- Pode seguir o modelo do daqui, ele tem tudo o que eu preciso. Ele pode te dar algumas ideias. – Tentei, eu juro que tentei jogar um verde, sem ser tão óbvia. Mas pelo olhar julgador da minha mãe, eu sabia que não tinha funcionando como eu pensei.
- Bem, eu sei que você ama aquele quarto, mas agora que já está quase uma... Mulher, pensei que iria querer alguma coisa diferente, afinal a ultima vez que recriamos ele você tinha cinco anos. Tem alguma coisa que deseja mudar?
Eu sabia que meu pai não iria parar, afinal ele era um arquiteto apaixonado, então sempre queria planejar mais e mais coisas, e estava ai uma das coisas que eu amava nele. Ele podia pegar uma casinha caindo aos pedaços que logo planejava a construção de uma mansão de causar inveja. E eu queria mudar meu quarto, mas era claro que eu queria, queria pintar as paredes, como também queria comprar novos movéis, afinal eu tinha uma lista para as mudanças do meu quarto. Mas era claro que eu não diria isso para ele, afinal aquele 1% de chance de toda aquela mudança não acontecer ainda estava presa em minha mente.
- Ter um guarda-roupa embutido seria bacana. – Resmunguei uma das exigências da minha lista, afinal meu quarto era muito pequeno para um guarda-roupa embutido.
- Só isso?
- Se eu lembrar alguma coisa eu aviso... – Resmunguei voltando minha atenção para o discurso que Adam gostoso Levine fazia para o candidato ir para o seu grupo.
- Mas, filha...
E como um passe de mágica a campainha tocou, me fazendo levantar em um pulo, gritando que eu mesma atendia. Eu adorava planejar e rever plantas de casa com meu pai, esse foi sempre o meu passatempo preferido, mas quando as plantas significavam a mudança de vida que eu não queria ter, aquilo estava fora de cogitação. Não dando muita importância para o olho mágico, já fui logo abrindo a porta, dando de cara com e tia Lauren sorrindo para mim.
- Boa noite, meu anjo, podemos entrar? – Tia Lauren sorriu docemente, me fazendo apenas balançar a cabeça. – Eu gostaria de dar uma palavrinha com seus pais, eles estão?
- Claro, eles estão ali na sala. – Respondi rapidamente, enquanto fechava a porta atrás de mim.
- Lauren não estava esperando por você! – Mamãe sorriu ao ver tia Lauren, e logo se levantou para abraçá-la como papai.
- Desculpe vim sem avisar, eu preferia vir amanhã, mas está especialmente chata hoje. – Tia Lauren fuzilou minha melhor amiga com o olhar, logo voltando a sua expressão calma e gentil de sempre.
Tia Lauren era nada mais e nada menos que mãe da minha melhor amiga, . Não foi difícil não ser amiga de , afinal ela tinha os mesmos gostos que o meu, e até a mesma forma de pensar. E tudo melhorou quando Maxxie a empurrou no parquinho, e eu como uma grande dedo-duro, o dilatei a professora. E naquele dia eu ganhei uma melhor amiga, e depois de alguns dias, uma tia com um talento excepcional na cozinha.
Minha amizade com nunca se afetou com nada, enquanto uma podia chorar uma semana inteira por um coração partido, a outra estava sempre ali com um ombro para chorar. Se outra se metia na maior enrascada por puro descuido, a outra estava sempre ali para falar “eu disse” e dar uns puxões de orelha... Literalmente.
Eu acreditava que todo amor que eu nutria por , eu também nutria um parecido pela Tia Lauren. Ela era como se fosse minha mãe reserva, sempre quando eu parecia perdida, ou precisava contar alguma coisa para os meus pais mesmo sabendo nos problemas que iria dar, ela estava ali, me dando conselhos ou apenas para fazer um cafuné em meus cabelos, mas sempre ali.
- O que está acontecendo? – Perguntei logo, virando o foco da conversa.
- , porque vocês não sobem um pouco? – Eu estranhava o quanto àquela mulher conseguia ser fofa, carinhosa, e direta em apenas uma frase.
- Claro! Vem, . – E quando eu percebi, já estava sendo arrastada escada à cima e sendo trancada em meu próprio quarto.
- Agora pode me dizer o que diabos você e a sua mãe estão fazendo aqui em casa? – Sussurrei, enquanto se jogava de bom gosto na minha cama.
- Ok, promete que não vai pirar? – Confirmei com a cabeça, a fazendo lançar seu melhor sorriso. – Minha mãe estava meio que surtando por eu reclamar todo minuto no fato de você ter que se mudar, e meio que conversa vai e conversa vem, e veio a brilhante ideia de você morar com a gente!
- O quê? – Gritei, mas o olhar repressor da mesma me fez mudar de ideia. – , isso é doideira, eu não posso morar com você!
- Oras, e por que não? Desde que Monique voltou para a Suécia estamos com um quarto vago, e minha mãe te ama, e eu te amo, e seus pais conhecem minha mãe como ninguém. Você morar com a gente é a solução dos nossos problemas, , não sei como não pensei nisso antes, estava na nossa cara o tempo todo.
- , eu amo você, como amo sua mãe, mas meus pais estão vidrados com essa mudança, duvido que eles fossem deixar eu aqui, enquanto aparentemente a “vida perfeita” está em Brighton.
- Acho que você ainda não conhece os poderes de persuasão da minha mãe! – lançou um sorrisinho, abrindo a primeira gaveta do meu criado mudo tirando o baralho do UNO para jogarmos, tique que adquirimos para diminuir o nervosismo da espera.

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- Ah desisto, esse jogo fica mais divertido quando eu ganho. – grunhiu enquanto jogava o restante das suas cartas na minha cara. – Por que eles estão demorando tanto?
E como passe de mágica a porta foi aberta, e a cabeça do meu pai apareceu. Ele não parecia bravo e muito menos traído, parecia o mesmo homem que estava me perguntando sobre meu quarto há minutos. Mas aquele olhar não me dizia nada. Eu queria saber se eu iria para Brighton ou eu iria morar com os , e só de pensar na hipótese das duas escolhas minha barriga já dava voltas e mais voltas.
- Eu queria conversar um pouquinho com você, pode ser? – Ele perguntou docemente, me fazendo concordar para ele entrar e sair. – Por que não me contou?
- Do quê? – Me fiz de inocente, fazendo o mesmo soltar um riso baixo.
- Ora, , se não quisesse ir, não custava nada ter falado comigo. Você sabe que eu sempre estarei aqui para te apoiar e também para ser a solução dos seus problemas.
- Mas essa é a questão, pai, você sempre fez muito por mim, sempre batalhou por mim, e quando finalmente acontece uma coisa que você sempre sonhou, eu que tinha que te apoiar e não dar uma de egoísta.
- Filha, isso não é dar uma egoísta. Afinal o que eu acho ou a sua mãe acha, é completamente diferente do que você acha.
- E então? – Suspirei, era incrível que não era apenas minha mãe que tinha o dom de me deixar no chão.
- Eu só queria esclarecer que eu não estou bravo ou chateado com você! – Papai sorriu, fazendo um carinho em meu cabelo, logo se levantando da cama que até então estava sentado. – Vamos descer? Acho que sua mãe quer conversar com você.
Quando descemos mamãe conversava animadamente com tia Lauren, e novamente meu estômago revirou, por Deus quando aquela tortura iria acabar? Não era tão difícil falar se eu iria embora ou se eu iria ficar? Olhei perdida para mamãe, e essa apenas bateu no lugar vago do seu lado me indicando que era melhor me sentar.
- Bem, , Lauren veio aqui hoje porque parece que teve uma ideia pra ajudar nessa tempestade que vocês estão fazendo.
- querida, acredito que a já tenha explicado a história para você. Acho que já deixei claro inúmeras vezes que você é mais do que bem vinda em casa, sendo amiga ou não de . E quando a proposta de você morar com a gente veio à tona, eu mais do que apoiei. Mas quero que saiba que não depende só de mim, ou de , mas sim dos seus pais que sabem o que é melhor para você. – Tia Lauren disse, fazendo um leve carinho em minhas mãos.
- Eu não vou falar que foi fácil escutar a proposta de ficar longe da minha filha por um ano, afinal ano que vem você será aceita em alguma faculdade e então serão anos sem você conosco. – Papai suspirou. – Mas eu sei que eu não posso te obrigar a ser feliz em um lugar que não queira, talvez eu achasse mais sensato você passar um tempo em Brighton para tentar ver se aquilo é realmente o que você quer, mas eu conheço a filha que eu tenho. E se você não foi a favor a ideia no começo, sei que não irá aceitar depois.
- Eu... Eu não quero estragar seu sonho, pai.
- E não vai! Talvez você não veja amor na cidade que eu e sua mãe nos conhecemos, e eu entendo perfeitamente.
- Isso quer dizer que ela vai morar com a gente? – se intrometeu fazendo meus pais rirem.
- , pelo amor! – Tia Lauren resmungou dando um beliscão na filha.
- Oras, eu só queria saber! – Minha melhor amiga resmungou fazendo carinho no braço, onde Lauren havia beliscado.
- Retomando o assunto. Eu sei como você está desesperada para continuar aqui, tanto que já perdi a conta de quantos “nãos” eu tive que dar para cada ideia doida que me aparecia. Mas quero que você entenda que apesar de conviver com a quase todos os dias, e dormir na casa dela quase todo fim de semana. Morar na casa de alguém é muito diferente. Você pode não achar isso agora, mas pode sentir falta da liberdade que tem aqui em casa, entre outras coisas. Eu sei que a Lauren vai fazer você se sentir bem todos os dias, como também sei que você vai bater o pé até eu dizer sim para essa ideia. Por isso, eu e o seu pai decidimos te dar o beneficio da dúvida.
- Como assim? – Odiava quando ela começava com essa fala difícil como se eu fosse uma paciente.
- Bem, será uma espécie de intercambio para você. Um intercâmbio de seis meses. – Como é que é? – O que eu quero dizer, é que você praticamente vai ter uma vida de intercambista, vai viver com uma nova família, vai ter que se acostumar com os costumes deles, e tentar ver se dá certo.
- Depois de seis meses, então vai estar na sua escolha que ficar em Londres será uma boa ideia. Talvez você faça careta para Brighton agora, mas com o tempo pode ver que lá pode virar o seu lar. – Papai pegou a frente, me fazendo ficar mais confusa do que já estava.
- O que seus pais querem dizer, é que você vai ter seis meses de teste lá em casa! – Tia Lauren sorriu segurando minha mão. – Eu sei que você praticamente é de casa, mas também sei que você pode estranhar e querer voltar para a casa. E se depois desses seis meses você ainda se sentir confortável, e continuar se sentindo em casa, não vejo porque não continuar ficando com a gente. – Sinceramente meus pais têm muito que aprender com a essa mulher, principalmente no dom de resumir o assunto.
- Então... Eu vou ficar? Vou poder morar com Tia Lauren e com a ? – Não aguentava mais aquelas voltas que meu estômago fazia questão de dar.
- Claro, por que não? – Meu pai sorriu e eu me joguei em seus braços, resmungando mil agradecimentos, enquanto batia palmas em comemoração, e tia Lauren e mamãe riam da cena.

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Já havia passado uma semana depois daquele dia que definiu minha mudança. Minha casa que antes estava abastecida de caixas, hoje nem isso tinha, estava tudo vazio, e meu coração se apertava por ver o lugar que eu cresci daquele jeito, tão sem vida. Mas eu sabia que tudo ia mudar para melhor agora, meus pais estavam empolgados por se mudar para Brighton, e eu para a casa da .
Depois de planejarmos tudo, e eu vivíamos planejando como seria a decoração do meu novo quarto, e quais móveis eu poderia levar para deixá-lo mais a minha cara, afinal eu passaria um ano ali. Mesmo tendo que conviver os seis meses de teste que meus pais propuseram, eu estava relaxada, afinal eu vivia na casa da a anos, e agora só iríamos oficializar. Mas eu sabia que aquela agonia no peito não iria embora tão cedo, porque eu não estava nem um pouco a fim de deixar meus pais para trás.
- O caminhão chegou, vamos? – Mamãe perguntou, dando leves batidinhas em minha antiga porta.
- Claro. – Resmunguei pegando minha bolsa e saindo da casa que foi minha por tantos anos.
Apesar de estar tudo certo com a minha mudança à casa dos , meus avós tanto paternos como maternos me obrigaram a ir para Brighton com meus pais para eu poder vê-los. Eu não me importei, porque eu amava tanto a família da minha mãe, como a do meu pai, que para mim seria um grande favor. O combinado seria passar o fim de semana com eles, e depois pegaria o trem de volta a Londres. Claro que não gostou nem um pouco da ideia, afinal aquele fim de semana seria o ultimo antes das aulas voltarem.
Depois de chegar a Brighton passei a maioria do tempo com meus avós, pois meus pais estavam resolvendo a mudança para a casa, que por sinal dava duas da nossa em Londres. Claro que minha avó não ia deixar de passar a chance de tentar me convencer a ficar, mas Londres era o meu lar, e além de amar Brighton como ninguém jamais amou, eu considerava aquela cidadezinha como onde eu passava minhas férias de verão e me divertia com meus primos, nada mais, além disso, morar ali não estava nos meus planos.
O plano era voltar no sábado ao anoitecer, mas a chuva não dava trégua e tive que atrasar minha passagem para domingo logo ao amanhecer, além do mais eu teria um tempo extra para organizar minhas coisas, sem contar que amanhã já se iniciava meu primeiro dia de aula, e eu precisava resgatar meu velho material para o ano letivo.
- Se cuida. – Meu pai disse beijando minha testa.
- Me ligue assim que chegar à casa de Lauren! – Mamãe deu um sorriso tímido enquanto ajeitava minha bolsa em meu ombro. – E lembre-se, se achar que não está feliz lá, volte para a casa! Daremos um jeito.
- Eu sei, mãe, você me disse isso umas cinquenta e sete vezes só essa manhã. – Sorri fazendo um carinho em sua bochecha. – Eu tenho os seis meses de teste, e vocês sabem que se eu não estiver gostando eu vou voltar com o rabinho entre as pernas.
- Não diga isso! Você vai voltar depois de ter experimentando uma experiência muito boa, mas que não te agradou da forma que você pensou. Você não vai se arrepender de nada, eu aposto!
Dei um sorriso fraco, dando um ultimo abraço em meus pais e indo em direção à plataforma. Eu sabia que além de estar confiante por morar com , meu estômago embrulhava a cada cinco minutos, porque eu não tinha noção do que aconteceria dali para frente, só podia rezar para que tudo fosse da forma que eu pensava, e eu fizesse o meu ultimo ano o melhor ano da minha vida.

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Perto da hora do almoço o trem finalmente chegou a Londres, e logo eu já via me esperando toda sorridente. Depois de um longo abraço e algumas reclamações que ela fazia questão de ressaltar como eu fui egoísta por ter ido passar o nosso ultimo fim de semana antes da aula longe dela, seguimos para casa. Às vezes, era possessiva demais.
Depois de chegar à casa dos . Tia Lauren foi logo me enchendo de beijos e falando que fez questão de organizar alguns móveis no meu quarto para eu poder ajeitar tudo. Depois do melhor almoço da minha vida, afinal tia Lauren era chefe em um restaurante, eu já me sentia anestesiada por morar ali. Saber que comeria aquela comida, ou ate mesmo as sobras dela todos os dias, fazia meu estômago roncar de alegria.
Depois de mais algumas horas vegetando com no sofá, decidimos que estava na hora de assumir a bagunça do meu novo quarto. mais brincava com as minhas coisas do que me ajudava, me fazendo ter a maior parte do trabalho. A noite já havia chegado, e mesmo tendo milhões de coisas para arrumar, eu já havia tirado minhas roupas da mala e pendurado no cabide, como também já havia separado meus livros e as apostilas para amanhã.
- Ah, cansei, vamos assistir a um filme ou coisa do tipo? – O ser que eu chamava de melhor amiga resmungou, se jogando em minha cama, enquanto eu ria.
- Se cansou do quê? De ficar brincando com as minhas coisas?
- Ei, eu ajudei está legal! – Ela reclamou, apontando para um porta-retrato com uma foto nossa, posicionado no meu criado mudo. – Eu fiz aquilo!
- E eu fiz isso! – Exclamei abrindo os braços para mostrar o quarto. – Para de reclamar, garota.
- Estou vendo que a pessoa mal se muda para a casa dos outros e já quer dar uma de mandona. – Uma voz masculina, fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. Bem que eu estava desconfiada que as coisas estivessem boas demais para ser verdade.
Virei-me dando de cara com aquele ser humano detestável, com aquele sorrisinho arrogante entre os lábios.
, que surpresa!





Capítulo Dois


era aquele típico cara que acha que é o último copo de água fresca no deserto ou o último pacote da bolacha que todo mundo quer mais não pode ter. Mas para mim, era um menino metido a badboy, com aquela jaqueta de couro que nunca tirava do corpo, prepotente, galinha, babaca, intrometido, idiota, e um filho de uma boa mãe para não dizer o contrário.
Eu nunca tive que me preocupar com , pois depois de ser expulso de cinco escolas durante um ano, sua mãe resolveu mandá-lo para o Texas para passar um tempo com o pai. Porque de acordo com Lauren, estava sentindo falta de uma imagem paterna, e talvez aquele encontro pudesse trazer um pouco de juízo para a cabeça do garoto.
Eu nunca havia conhecido até então, pois ele estudava em escolas diferentes, e nunca teve paciência para ficar em casa. O que eu conhecia dele, era o que os porta-retratos espalhados pela casa dos ’s me mostravam, ele não era diferente da , tinha o mesmo sorriso, como também os mesmos olhos, afinal os dois eram gêmeos. Mas depois que se mandou para o Texas tudo ficou calmo, tia Lauren estava mais calma, tinha praticamente o dia todo livre, e tudo ia bem. Até que, depois de dois anos o filho prodígio decide voltar para a casa.
nunca havia perdido a pose de garoto rebelde, com o cabelo todo bagunçado, um andar desleixado, um sorriso nos cantos dos lábios, os óculos escuros escondendo a cara de ressaca, o braço coberto por tatuagens de desenhos abstratos e sua inseparável jaqueta de couro. Eu sabia que era gato, afinal eu era uma garota e tinha hormônios, mas não precisou de muito para ele mostrar sua verdadeira identidade.
vivia em uma realidade que beber, fumar e transar com três garotas diferentes por dia era completamente normal. Ele não tinha nenhuma consideração por ninguém, tratava garotas feito lixos – mas essas pareciam não ligar –, bebia tanto que chegar bêbado esbarrando nos móveis da sala dos ’s já não era novidade, e sempre estava chapado. O que me fazia sentir uma repugnância infinita por aquele ser humano.
não se preocupava se aquilo estaria magoando sua mãe ou sua irmã, se ele estava com vontade, ele fazia. Era simples e fácil para ele, pois ele simplesmente não se importava. Alguns diziam que era por causa de uma garota que quebrou seu coração friamente, outros afirmavam que a separação dos pais nunca foi uma coisa boa para . E eu... Eu simplesmente o achava um metido prepotente que gostava da fama que tinha.
Deve ser por nunca ter o engolido, ou por simplesmente sentir uma forte onda de náuseas quando ele se aproximava e nossa rincha começava. Pois, era um “homem” que não aceitava um não como resposta, e eu era a menina do não. Talvez seja por isso que para ele é tão mais fácil arrumar briga comigo. Diziam que quando o santo não bate, era ódio eterno, e eu não tirava a razão.
- O próprio! Se continuar me encarando desse jeito, serei obrigado a tirar uma foto com você, para depois deixar você se gabar por estar morando na casa de . – E ali estava, aquela arrogância exalando veneno por onde passasse.
- Em primeiro lugar, se eu quisesse uma foto sua, com toda certeza seria para levar a um centro de vodu. E segundo, eu não estou morando na casa de , e sim de , que é minha melhor amiga. – Dei as costas para aquele ser humano, voltando a sentar em minha cama, para fechar a mochila para a aula. – Você, meu querido, não faz nenhuma diferença na minha vida.
- Essa pose de “eu não dou a mínima para você”, é tão falsa que eu sei que vai ser o tempo de eu entrar no meu quarto, pra você ficar feliz sem razão nenhuma.
- Querido, eu acho que você esqueceu que eu não sou como essas putinhas do colégio que está esperando você de braços abertos, pronto para ser comida pelo grandioso . – Soltei ríspida, com todo ódio que eu conseguia sentir em meu coração. – Eu tenho uma coisa chamada amor próprio, . E eu prezo muito por ele, para simplesmente jogá-lo fora, para ser tratada como uma cachorrinha por você.
- Você pode falar quantas vezes quiser que me odeia, e também pode continuar com esse teatrinho me desprezando. Mas quer saber de uma coisa? Sua atuação é tão podre como você! E eu recomendo entrar na aula de teatro esse ano, para tentar ser um pouco mais convincente.
- Escuta aqui, garoto... – Levantei pronta para mostrar quem era falsa, quando achou que seria uma excelente hora de interferir.
- Opa, eu acho que já deu por hoje, não é mesmo? – Ela dizia sorrindo, enquanto empurrava de forma delicada o irmão porta a fora. Se fosse eu, já teria dado um soco bem dado em seu estomago. – Acredito que a cota de veneno já foi boa por hoje. , porque você não vai fazer alguma coisa útil da vida, como tomar um banho e tentar tirar esse perfume barato de qualquer vagabunda que tenha pegado?
- Olha a boca, ! – grunhiu finalmente saindo da porta do meu novo quarto, me deixando sozinha com a minha raiva.

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Quando finalmente aquele aparelhinho diabólico que nomeava como despertador tocou, respirei fundo pela primeira vez, pronta para começar o dia. Minha mãe já tinha me mandando quinhentas mensagens, me fazendo desligar o celular, porque depois do incidente com , tudo já me irritava.
Despreguicei preguiçosamente em busca da minha toalha e com as minhas roupas debaixo, para um banho. Eu não me considero uma pessoa matinal, já que preferia ter uma adaga cravada em meu coração, ao invés de ter que levantar seis e quarenta e cinco da manhã. E a cara emburrada e inchada só ia embora com um banho frio, e depois de milhões de xingamentos.
Caminhei demoradamente até o banheiro, e logo fazendo minha higiene matinal depois do banho frio me fazendo ficar com os lábios levemente roxeados, como de costume. Depois de vestir minhas roupas íntimas, caminhei apressadamente de volta ao quarto por causa do frio, e também porque não queria encontrar aquele ser humano detestável estando apenas de toalha e roupa íntima.
Depois de vestir meu uniforme, que continha uma sai quatro dedos acima do joelho, meia ¾ , e uma blusa social com uma gravata – patético sim ou claro? – calcei meus sapatos e caminhei em direção para a cozinha, onde o cheirinho de café da manhã fazia meu estômago roncar de alegria.
- Bom dia, querida. – Tia Lauren sorriu me dando um beijo na bochecha, enquanto eu me sentava na cadeira de frente para .
- Bom dia, tia. – Sorri, pegando a torrada no cesto de pães e começando a passar cream cheese. – Animada para o primeiro dia de aula, xuxu?
- Você nem ouse falar isso para mim! – Ela bufou, tomando um grande gole do suco de laranja. – Eu não acredito que a Amber já quer ensaiar a coreografia. Nem começou as aulas, e ela já quer que eu quebre um osso?
- Você sabe como a Amber é meio obcecada com as cheerleaders. Isso não me surpreende. – Dei de ombros terminando minha primeira torrada, e começando a passar cream cheese na outra. – O que me surpreende é ela vir com a ideia de diminuir o short que usamos debaixo da saia. O pai dela não é tipo, o pastor?
- Sim, o pai dela é o pastor, e eu meio que dei a ideia para esse treco do short. – Aquela voz finalmente se pronunciou, passando por trás de para bagunçar seus cabelos, fazendo a menina bufar, e indo em direção de tia Lauren dando um beijo em sua bochecha.
- E ela aceitou a ideia de um mero plebeu como você? – arqueou uma das sobrancelhas, tirando o miolo do pão.
- Em primeiro lugar, eu não sou um “mero plebeu” e sim um mero rei! E em segundo, eu disse que ela ficaria mais gostosa se eu pudesse ver mais de suas coxas, e uma coisa levou a outra e aqui estamos. – deu aquele famoso sorrisinho presunçoso que fazia minhas mãos arderem de desejo para enfiar a cabeça dele dentro de uma privada. – E eu também tive essa ideia, porque vou poder observar as coxas de todas as meninas lideres de torcida.
- E você pensou nisso tudo sozinho? – comentou, comendo o pão sem miolo com duas grandes fatias de bacon.
- Para falar a verdade teve a ideia, e eu resolvi aperfeiçoar. – Ele riu, dando uma piscadinha.
- , meu filho, sangue do meu sangue. Será que eu poderia passar um dia, um misero dia sem ouvir você falar as suas táticas de fazer as meninas se apaixonarem por você e depois colocar elas para escanteio? Ou eu preciso te fazer assistir duas horas daquela palestra de como não tratar mulheres como objetos, e como se tornar um homem bem sucedido sem ser um completo idiota?
- Ah não, aquela tortura de novo, não!
- Então para de ser um idiota, que com certeza não foi esse menino que eu criei, e para de usar essas pobres garotas. – Tia Lauren fechou a cara, fazendo engolir em seco. Bem, talvez aquela manhã pudesse ser boa.
- Mãe, nós só estamos nos divertindo. As meninas que se envolvem com a gente sabem no que estão se metendo, não temos que fingir nada para ninguém. – E como se fosse uma deixa, uma buzina fui ouvida da cozinha. – Bem, minha carona chegou.
- Carona? – Tia Lauren resmungou, ainda encarando feio o filho.
- Sim, o . – E dito tais palavras fez uma cara de nojo.
Depois de rechear minha pobre torrada de cream cheese, finalmente estava pronta para abocanhar, quando no instante seguinte ela havia sumido da minha mão, e parecendo na mão de , indo em direção em sua boca. Depois de simplesmente dar uma mordida de causar inveja na minha torrada, ele se abaixou para pegar a mochila que até então estava jogada perto da geladeira.
- Parabéns, , estava uma delicia! – E ali estava aquele mesmo sorriso presunçoso de minutos antes.
- Seu babaca, eu vou... – E logo a mesma buzina, do carro irritante do irritante do tomou conta da cozinha de novo.
- Preciso ir. Encontro vocês na escola. – E com isso, ele saiu. Simplesmente saiu, com a minha torrada recheada com cream cheese.
- Eu simplesmente odeio esse menino. – Grunhi, enquanto tia Lauren ria, pegando outra torrada e colocando cream cheese para mim.

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Caminhamos tranquilamente até a garagem onde o carro de tia Lauren e o meu ainda estavam intactos, enquanto já ia tirando o dela da garagem. No aniversario de dezesseis anos dos gêmeos, tia Lauren resolveu presentear e com um carro, era uma tática da mesma para tentar fazer os dois dividirem. Já que ambos queriam um carro, ela resolveu juntar o útil ao agradável.
Eu me sentia um pouco mal por ter ficado com o meu carro, afinal quando morávamos em Londres, eu quase nunca o usava, era uma coisa que eu dividia mais com minha mãe. Afinal meu pai usava o deles, e o meu ficava para satisfazer minha e a necessidade da minha mãe. Mas depois da mudança, minha mãe me obrigou a ficar com o carro, usando a desculpa que o carro era meu, e não tinha o porquê ficar em Brighton sendo que eu continuava em Londres. Eu tentei argumentar sobre ela precisar do carro mais do que eu, para visitar meus avós, como para ir ao consultório. Mas a resposta era a sempre a mesma, “nós compramos o carro para você”, “não tem motivo algum para ficar aqui”, “Brighton é uma cidade pequena, eu consigo me virar”.
Apesar de ter que aprender a dividir o carro com , isso não durou muito. Afinal sempre pegava o carro para festas, e quando reclamava, ele simplesmente fazia a cabeça dela. E foi uma dessas festas que encheu a cara e enfiou o carro em um poste. O acidente foi realmente preocupante, já que à frente do carro ficou irreconhecível, e a situação dele no hospital era um tanto quanto critica. Depois de ficar inconsciente durante dois dias, ele finalmente se recuperou. Depois do susto que todos passaram, e um recuperado, tia Lauren decidiu tirar o carro de , o tornando exclusivamente para . Eu achava que iria entrar na briga por aquele carro, mas o garoto estava tão em choque por conta do acidente que nem questionar a decisão da mãe, ele questionou.
Confesso que quando eu vi desmaiado em uma cama de hospital, cheio de aparelhos, encheu o meu corpo de um medo que eu não sabia que existia. Eu sabia que o odiava, odiava tanto que já desejei varias vezes que o mesmo sumisse para um lugar distante e que eu não precisasse ver sua cara todos os dias. Mas saber que ele poderia sumir do mundo, da vida, me assustava em um nível que eu não sabia que era possível. Eu nem sabia que conseguiria sentir alguma coisa a não ser raiva, nojo, e ódio quando se tratava de , mas naquele momento, observando o cara que antes era cheio de vida, cheio de cortes pelo rosto, dormindo em um sono profundo, fazia um gelo passar pela minha espinha.
Balancei minha cabeça distraidamente a fim de me desligar daqueles pensamentos, que não havia fundamentos nenhum. E quando voltei a encarar a garagem, já havia saído com o carro e me encarava com uma cara um tanto quando entediada. Balancei minha cabeça mais uma vez, como certeza que os pensamentos não voltariam cedo, e caminhei em direção ao carro, jogando em seguida minha mochila no banco traseiro.
- Viajando na maionese logo cedo? – debochou, recebendo em troca a linda imagem do meu dedo médio. – Ok, você literalmente não é uma pessoa matinal.
A casa dos ’s não era longe da escola, com tudo era cerca de quinze minutos, me fazendo ganhar algum tempo de cochilo extra. Eu e não éramos consideradas muito fãs da escola, afinal estudar não era muito a nossa praia, e muito menos usar aquele uniforme ridículo, como se fossemos um tipo de atores de alguma novela ou filme de patricinhas. O que fazia a escola ser uma coisa apenas necessária, chegávamos quando faltavam dez minutos para bater o sinal, e éramos as primeiras pessoas a saírem dali. Diferente da maioria dos alunos que gostavam de chegar cedo para fofocar alguma coisa.
Era engraçado como você podia passar meses longe daquela prisão, mas quando voltasse ela estaria ali, intacta, sem nenhum defeitinho para por e nem tirar. Podia acontecer uma nevasca horrenda a um furacão, a escola não teria um arranhãozinho para contar história. E isso me irritava profundamente. Mas ali estávamos nós, estacionando o carro, naquele estacionamento entupido de carros de alunos. Ok, realmente eu não era uma pessoa matinal, já que tudo estava particularmente me irritando.
Depois de descer do carro com logo ao meu alcance, caminhamos tranquilamente até o gramado principal, que era onde todos os alunos ficavam no começo dos períodos, porque parecia que aquele era o único lugar que conseguia receber míseros raios de sol, no tempo frio de Londres.
- Eu não acredito nisso! – E antes que eu conseguisse responder um “o quê?”, minha melhor amiga já apontava para uma grande faixa, pendurada na entrada do colégio. – Eles nunca vão trocar isso?
E com uma caligrafia invejável, o cartaz perdurado simetricamente na frente do colégio, com os dizeres “Saint Mary’s Secondary School deseja a todos seus alunos um ótimo retorno, e um abençoado ano letivo. Que vocês possam usufruir de todos os benefícios que nossa escola possa oferecer a vocês.” E era inevitável não soltar uma gargalhada com tamanha ironia.
- Esse cartaz já virou piada. – Resmunguei, enquanto limpava algum resquício de lágrimas. – Como se nossa amada diretora fosse essa coisa amável, e não a mulher que deseja arrancar nossos órgãos e vender no mercado negro.
Voltamos a caminhar preguiçosamente até nossa mesa, cumprimentando algum rosto conhecido, e sendo acolhida por alguns raios quentes de sol, me aquecendo por dentro como por fora. Quando avistei finalmente nossa mesa e nenhum novato estava a ocupando, não pude sentir um alivio crescer dentro de mim. E antes que me perguntem, não, nós não éramos populares ou qualquer coisa do tipo.
Havia três tipos de alunos no Saint Mary’s Secondary School. Os populares, que achavam que tudo que as pessoas faziam eram para eles, e exclusivamente para eles. Os nerd’s, que eram a salvação das pessoas com QI baixo, e também dono dos clubes mais estranhos, como o “derrotando o seu dragão”. E por fim, tínhamos nós, os alunos que achavam a escola indiferente, que não ligavam para ela, que nem sequer queria estar ali, porém estavam. Mas, além de diferentes, ridículos e noiados, nós éramos como uma grande família, sempre um precisando do outro.
- VADIAS! – Uma voz um tanto quanto doce, me despertou novamente dos meus pensamentos, e logo eu já avistava um pontinho loiro correndo em nossa direção. – EU ESTAVA MORRENDO DE SAUDADES DE VOCÊS!
era a terceira e ultima integrante do nosso pequeno grupo. A garota era baixinha, e tinha cabelos extremamente loiros, fazendo uma combinação com seus grandes olhos azuis. Se eu fosse definir em apenas uma palavra, sem duvida nenhuma seria princesa. A garota parecia que havia fugido de algum conto de fadas, ou até mesmo da Disney. Sua voz era exatamente doce, que te acalmava apenas com um simples “oi”. Seus toques eram simplesmente gentis, e seus gestos extremamente delicados. Era como se tudo que ela fizesse fosse obra de algum filme da Disney ou alguma coisa do tipo. Se ela começasse a cantar do nada e chamar passarinhos e animais da floresta eu não me surpreenderia.
- Sua falsa, como pode falar que está com saudades da gente, se nem um SMS eu recebi? – esbravejou, enquanto abraçava .
- Eu sei, eu sei, me desculpe no fundo do coração! Mas meu irmão ficou os três primeiros dias brigando com a namorada, ficante, sei lá o que ela é. E meu pai acabou pegando o celular dele e como bônus pegou o meu também.
- Que morte horrível. – Indaguei, recebendo meu abraço, que por sinal era quentinho e cheio de amor... Ironicamente como eu imaginava que seria um abraço de princesa.
- Sim, eu também achei isso. Mas só me restava curtir as férias do que ficar lamentando a falta dele. E foi incrivelmente ótimo! Claro que eu tive que me controlar muito para não roubar o celular de algum estranho para eu simplesmente mandar algumas fotos daqueles deuses surfando. Mas por outro lado, eu também curti minha família, coisa que eu não fazia por muito tempo.
- Bem com toda certeza suas férias sem celular foram melhores do que a nossa, que se resumia em Netflix, e muita comida congelada. – sorriu orgulhosa, arrancando uma caretinha de .

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Ficamos mais algum tempo falando sobre amenidades, até resolvemos entrar para pegar nossos horários e os números dos armários. Nunca gostávamos de entrar na mesma hora que chegávamos, pois os corredores estavam cheios de pessoas, e você demorava horas em uma coisa que faria em poucos segundos. Depois de receber os horários e os números dos armários – que por sorte, eram pertos um do outro – ficamos conversando perto do armário de .
- Então, fiquei sabendo que Amber vai dar uma festa. – comentou, checando alguma coisa em seu livro de física.
- Mas já? Faz quantos minutos que estamos aqui? Vinte? E ela já está organizando uma festa? – indagou irritada, já que ela não era nem um pouco fã de Amber.
- Bem, ela é a capitã das lideres de torcidas, ter essa animação toda meio que faz parte do trabalho dela.
- Que trabalho? De dar para qualquer pessoa que tenha um pau entre as pernas? Esse trabalho? – revirou os olhos, batendo o armário com força, arrancando olhares acusatórios em nossa direção. – Ah, vão se ferrar!
- Mas olha, parece que a nossa queridinha está soltando as garrinhas logo pela manhã. – Uma voz masculina que tanto eu, como e conheciam muito bem, foi se aproximando. – Espera quando a gente chegar em casa... amor.
- , eu já te adianto que eu não estou com humor pra brincadeira nenhuma, e muito menos a fim de olhar para essa sua cara de tapado. Então por que você não pega o seu bando e cai fora daqui?
- Eu já disse que eu amo o seu senso de humor? Eu posso estar para baixo, com problemas, mas ai você vem, me fala essas coisas e eu fico aqui, todo feliz e claro, com tesão. E falando em tesão, quando que nós dois vamos nos trancar no armário de limpeza?
- Querido, esse é o meu maior sonho. – respondeu irônica, arrancando olhares tantos meus quantos de . – Eu sonho no dia de conseguir te trancar no armário de limpeza, sozinho. E explodir a chave e deixar você lá... bem longe de mim.
- Oh, meu amor! Se você continuar falando essas declarações na frente de todos, eu não sei se vou poder aguentar até em casa.
- você não tem que, sei lá, dar em cima de alguma vadia?
- Mas é o que eu estou fazendo! – E ali estava, o mesmo sorriso que o melhor amigo daquele traste o havia ensinado.
- O QUÊ? – E como se fosse à deixa perfeita, caminhou apressadamente até a gente, empurrando para uma menina do primeiro ano.
Como tendo como inferno astral para me irritar, tinha como seu tormento pessoal, e como não fosse o bastante, era melhor amigo de . Era engraçado se não fosse completamente trágico. Eu nunca questionei o ódio que ressentia por , mas essa também nunca me perguntou por que eu odiava tanto seu irmão. Mas como um pacto, os dois faziam questão de explorar o limite até a palavra chega ser gritada entre dentes e ninguém conseguisse olhar para o rosto do outro sem se atacar. Mas o que tornava a relação de diferente da minha, era que a irritava como se quisesse mostrar um ponto, enquanto eu e brigávamos como se realmente fossemos capaz de botar fogo um no outro.
- Mas olha o que eu achei! A irmã mais linda do mundo, com a amiga mais bonita dela... Ah, você por aqui, ? – Como eu ia dizendo...
- Continue latindo no meu ouvido, , quem sabe um dia eu te escuto. – Sorri sarcástica, pegando meu celular, para responder minha mãe, e fingir que a conversa que acontecia do meu lado não me importava.
- , como sua irmã. A pessoa que dividiu o útero da nossa mãe com você. Pelo amor de todos os santos que nossa avó reza. Fingi que eu e minhas amigas não existimos para você e para esses brutamontes que você chama de amigos. – apertava o ombro de como se fosse um comprimento normal, mas pela careta do garoto eu sabia que ela estava ficando suas unhas. – Eu quero no fundo do coração, que meu ultimo ano seja calmo, tranquilo, e sem precisar me preocupar com piadinhas infames que aquele lixo humano me lança. Será que pelo menos uma vez, uma única vez, você poderia fazer isso por mim?
- meu amor, eu sei que você e o não se dão bem, mas pelo amor de Deus, eu não posso fazer nada. Você sabe como o cara é sem freio, e se ele quiser zoar com alguém ele simplesmente vai zoar. Mas também não se faça de vítima, você também o provoca que eu sei.
- Eu o provoco? Eu gostaria muito de saber qual é seria sua reação ao saber que o seu melhor amigo quer me arrastar para o armário de limpeza. – lançou seu melhor argumento, sabia que o irmão era um ciumento incurável, mas a expressão confusa de logo se tornou neutra novamente.
- , o fato de você nunca dar ouvidos para o significa que você é inteligente o bastante para não cair nessas conversinhas afiadas. Daqui a pouco ele está obcecado por alguma virgem e te deixa em paz.
- Então, melhor irmão do mundo, pode me dizer como diabos eu vou conseguir me livrar dele até essa pobre menina aparecer?
- Continue fazendo o que você faz de melhor... Fugir.
- Por Deus, você é um inútil mesmo! – bufou, colocando a bolsa nos ombros. – Serio, fique longe da gente.
- Como que eu vou ficar longe de vocês se uma das suas melhores amigas está quase namorando o meu melhor amigo? – deu um sorrisinho de canto – aquele que eu odiava – e apontou com a cabeça para o garoto que caminhava em nossa direção.
era uma das maiores tentações do colégio, era capitão do time de lacrosse, e mesmo com o seu físico invejável, seu cabelo loiro caído sobre os olhos verdes, tentava passar a imagem de “foda-se o mundo”. Como um bom atleta, era sempre muito educado e parecia que sempre tinha um sorriso escondido. acabou entrando no bando do por sempre dar uma força para o próprio, já que mesmo tendo um físico bom, já não tinha forças para praticar exercícios pelos cigarros. E desde então e sempre acabavam juntos no time, o que acabou arrastando .
Não demorou muito para acabar vivendo na casa de , e foi uma dessas vezes que e se aproximaram. Afinal, ele era bonito, ela era bonita, ele parecia um príncipe do século vinte e um, e ela uma princesa. Era questão de tempo até ambos estarem em um relacionamento sério, mas como um integrante do bando de , sempre desconversava quando a palavra “relacionamento” surgia. Deixando minha melhor amiga frustrada e confusa. Afinal, o que ele queria dela?
- Por que eu sempre me esqueço disso? – se virou para mim, e eu apenas dei de ombros, dando um leve beliscão em seu braço, para que ela se comportasse.
- Oi, sumida! – sussurrou para uma um tanto quanto distraída com seu livro de física.
- O-oi, . – E logo estava toda roxa, olhando fixamente os olhos verdes de .
- Você não respondeu minhas mensagens nas férias, preciso ficar preocupado?
- Hm não, e que meu pai...
- Ah, Cristo, vem, , vamos dar o fora daqui. – E mais uma vez sendo o centro das atenções, ajeitou sua mochila nos ombros, e logo pegou meu braço me arrastando para longe.
Por estar andando muito rápido, tentei alcançar minha mochila no ombro para guardar o celular antes que o mesmo caísse com a agitação de . E depois de uma das cinco tentativas consegui alcançar o zíper, mas fazendo minha saia levantar um pouco.
- Ei, ! – Eu sabia quem era, mas me virar foi um gesto involuntário. – Bela bunda.
- O quê? – Exclamei irritada, mas esse só me deu aquele sorriso idiota, e virou de costas deixando e mais a vontade.





Capítulo Três


Suspirei pela quinta vez, encarando o relógio em cima do quadro para poder ir rumo a minha ultima aula antes do intervalo. Mas parecia que a aula de geografia não queria passar tão cedo, e ouvir aquele professor gordo falando, e falando, e falando já estava me dando nos nervos.
Para começar o primeiro dia de aula, eu notei que não tinha quase nenhuma aula com as meninas, e o que já me deixou puta, então eu fui em direção a minha tão amada aula de história. Eu realmente adorava história, a professora tinha uma voz extremamente calma, e sempre conseguia fazer os alunos entenderem sua matéria. Mas colocar aquela mulher como primeira aula do meu dia foi um erro terrível! Começou bem, com ela nos dando boas-vindas e etc. Mas então ela começou com aquele papinho que todo professor faz, aquele que fala o que vamos estudar e como as notas serão abordadas... E eu dormi, literalmente desmaiei sobre o meu caderno. E sim eu me sentia péssima por ter feito aquilo.
Eu não me sentia bem em dormir nas aulas como a maioria dos alunos fazia. Porque na maioria das vezes eu gostava dos meus professores, diferente na nossa querida e amada diretora, eles davam o ar que queria o nosso melhor ou coisa do tipo. E eu não estudava, nem um tiquinho, mas também não era a pior aluna da sala, muito menos a melhor. Eu era a garota da média, eu sempre iria tirar B, não era B- e muito menos B+, apenas B. Claro que quando eu precisava de alguma forcinha pra passar, eu conseguir um +, mas eu não saia da zona de conforto do meu amado B. Eu não precisava mais do que isso – pode me chamar de preguiçosa de merda, eu sei que eu sou – mesmo querendo estudar em Cambridge, a mesma faculdade que meus pais, eu nunca fazia nenhum esforço para isso. Por isso que dormir nas aulas não era uma coisa boa para os meus futuros B’s.
Quando finalmente o sinal tocou, sorri aliviada, fechando meu fichário e sendo uma das primeiras pessoas a sair. Revirei os bolsos da minha mochila para achar o papel do meu horário, vendo que seria química não pude deixar de soltar um sorrisinho de alívio, pois era aula laboratorial, ou seja, aula com . Caminhei apressadamente, enquanto guardava o papel no mesmo bolso da mochila. Seria realmente ótimo se eles pudessem manter o horário de cada aluno ano após anos, mas a nossa querida e amada diretora havia criado uma nova regrinha que falava da importância dos alunos mudarem os horários para novos ares. Eu achava aquilo uma pura idiotice, exatamente como minha querida e amada diretora.
Quando finalmente adentrei no laboratório, o professor Walsh conversava animadamente com um dos coordenadores. Olhei para a imensa sala a fim de procurar , e a encontrei ao lado de Sebastian rindo de alguma coisa que o menino falava. A olhei um tanto confusa, foi a primeira a criar a regra falando que se caíssemos em alguma aula juntas, teríamos que nós juntar, e ali estava ela, de graça com Sebastian. Quando finalmente ela me notou parada na entrada da sala, engoliu seco, falando alguma coisa para o garoto e logo caminhando apressadamente em minha direção.
- Me desculpa, desculpa mesmo. Eu esqueci completamente que teríamos essa aula juntas, e quando cheguei Sebastian foi todo fofo comigo, me pedindo para sentar com ele, e bem eu não resisti, né?! – Ela ia dizendo baixinho, enquanto eu tentava achar um balcão vago. – Mas se você quiser, eu falo para ele que já tinha combinado com você.
- Não, tudo bem! Eu não quero atrapalhar vocês. – Sorri da melhor maneira falsa que consegui, finalmente me sentando em uma mesa livre, jogando minha mochila no banco ao meu lado, caso alguém quisesse sentar.
- , você sabe que nunca atrapalha, eu juro que o Sebastian vai entender. Eu vou falar com ele agora mesmo. – Ela disse sorrindo daquela forma meiga, mas antes que ela conseguisse se mover, segurei seus pulsos.
- , eu sei que você está tentando com ele, e eu nunca me perdoaria por fazer você perder um garoto tão amável como ele. – Sorri, agora verdadeiramente. – E também, eu sei como você é péssima em química, e eu não quero ter que tirar C por sua causa. Meus B’s são muito preciosos.
- Você é uma vaca, sabia? Mas eu te amo do mesmo jeito. – Ela sorriu me dando um beijo na bochecha, e indo saltitante para o lado do seu amado Sebastian.
Sebastian Nicholson era o típico geek, por favor, esqueça esses estereotípicos estúpidos que garotos assim usam óculos fundo de garrafa, roupas bregas, são viciados em videogame, com rostos infestados de espinhas, e cabelo boi-lambeu. Sebastian era o geek mais gato de toda Sant Mary. O menino tinha olhos azuis, um cabelo da cor caramelo, e em minha opinião tinha o sorriso mais bonito de toda escola. Sebastian sempre teve uma paixãozinha por , desde muito tempo, e claro que iria usar isso ao seu favor. Mesmo sendo minha amiga, a menina ainda era uma , e usava o que tinha ao seu favor.
Sebastian sempre gostava de fazer par com nas aulas que os dois tinham juntos, pois ele podia ficar perto da sua grande paixãozinha, e ela com sua nota boa. Eu e já estávamos cansadas de dizer o quanto daquilo era errado para ela, afinal você não podia alimentar a esperança de uma pessoa, só para conseguir alguma coisa em troca. Afinal, Sebastian era sempre tão legal e gentil que eu me sentia mal por ver o iludindo daquela forma.
Mas então ano passado ele decidiu desistir dessa paixão sem fundamento que era , e resolveu partir para outra. E para a nossa surpresa ele escolheu justamente Leslie Franco, uma das jogadoras mais empenhadas do vôlei, sempre com o seu short de lycra para mostrar suas coxas torneadas e sua bunda definida. Ninguém acreditou que o geek invisível – porém gato – estava com a gostosa do vôlei. Mas notou, e notou muito. E depois de ficar choramingando de como Sebastian ficava extremamente gato com o uniforme da escola, que sempre odiava esse tipo de lengalenga disse que se ela queria o seu amado geek de volta, que batalhasse por ele.
E ela batalhou, pediu desculpas por ter o iludido, e acabou se aproximando como uma simples amiga, e depois que Leslie resolveu dar um fora no coitado, estava ali, pronta para consolá-lo e para o que ele precisasse. E quando ele precisou de um beijo, ela não negou. E desde então os dois estão juntos, não que afirmaram compromissos, ou coisa do tipo, gostavam de se nomear como “amigos com privilégios” e ninguém nunca reclamou. Mas eu sabia que esse ano as coisas irão tomar um rumo diferente, afinal Sebastian era louquinho por , e essa estava no mesmo caminho.
- Hm, com licença? – Uma voz masculina me chamou atenção, me fazendo balançar a cabeça e olhar em direção à voz. – Eu posso me sentar aqui?
Sabe aquele momento que você viaja completamente em alguma coisa, e quando chamam sua atenção, seu celebro começa a funcionar lentamente? Era o que estava acontecendo comigo. Meu olhar que estava vidrado na mesa fria no balcão, foi indo em direção a mãos masculinas, e em seguida a braços torneados, e depois em um peitoral de dar inveja a qualquer um. E em seguida no rosto do sujeito. E puta que pariu, que rosto.
O menino poderia ser mais branco que eu, mas não deixava de ser gato, afinal com aqueles olhos no tom de castanhos claros, cabelos extremamente alaranjados, porém bagunçados, e em uma espécie de complementar o visual “deus grego” o sorriso mais perfeito que eu já tinha visto – desculpa, Sebastian –. Olhei rapidamente para , para ver se eu estava em alguma espécie de sonho, mas essa me olhava um tanto boquiaberta. O que significava que aquela perfeição estava falando comigo, e também significava que eu estava o olhando com uma cara um tanto quanto estranha.
Chacoalhei a cabeça de uma forma para me recompor, e tentei dar o meu melhor sorriso. Enquanto o menino ainda me encarava um pouco atordoado como se esperasse alguma resposta. E eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo em minha volta com aqueles olhos me encarando.
- Então... Eu posso? – Ele disse novamente, agora com a voz um pouco mais firme. – Me sentar?
- Claro. Oi. Quero dizer. Sentar. Claro. Pode. Oi. – Soltei as palavras de uma só vez, e me arrependendo do exato momento que elas saltaram da minha boca. – Oi, pode sentar sim! Não tem ninguém aqui, não.
- Ah, obrigado! – Ele riu, e eu não pude ficar mais vermelha do que já estava. Tirei rapidamente minha bolsa do banco ao meu lado, jogando-a no chão de qualquer forma. – Sou Connor Hill.
- , mas pode me chamar de . – Tentei, eu juro que tentei sorrir de forma decente, mas pela cara de atordoado do pobre Connor eu já o havia assustado demais por hoje.
- Prazer, . – Ele logo soltou um sorriso, e puta que me pariu, aquilo foi demais para mim. – Eu realmente espero não ter roubado o lugar de ninguém, mas é a terceira vez que eu me perco aqui, sorte que o professor ainda não começou a aula.
- Não, eu iria fazer sozinha da mesma forma. – Sorri agora 100% normal, assim espero. – Então me diga, novato?
- Sim, para dizer a verdade, intercambista. – Ele sorriu mais uma vez, e pelo amor de Deus, alguém avisa para ele parar de sorrir, se não vou atacar o aluno novo?
Um dos motivos que eu adorava estudar no Sant Mary era a grande quantidade de intercambistas que nós recebíamos por ano. Era incrível conhecer novas pessoas, novas culturas, e novos meios de xingar alguém sem que ele percebesse. E era até que bonitinho ver aquele olhar perdido por estar longe de sua zona de conforto, aquele olhar que falava “ei, alguém fale comigo”, e todo mundo paparicava o cara ou a menina nova, todos queriam se enturmar e chamar para fazer parte do grupo, se inscrever em algum curso junto, e por assim vai. Era como um filhotinho de cachorro, dentro de uma creche, todo mundo queria um pouquinho. Mas logo aquele fogo acabava, e o aluno novo se tornava velho, e ninguém mais dava importância se ele tinha sotaque diferente, ou se era diferente dos demais.
- Você vai adorar o Sant Mary, espero que todos estejam sendo legais com você. Porque todo mundo ama um intercambista. – Nós dois rimos, e logo o professor se despediu do coordenador e iniciou a aula.
No pouco tempo que eu tive com Connor descobri um monte de coisas, como por exemplo, o fato dele mandar muito bem em química, e que era da Escócia. O que eu não entendi muito bem no começo, já que éramos praticamente vizinhos, mas ele havia dito que desde que visitou Londres pela primeira vez ficou tão maravilhado que prometeu a si mesmo que voltaria o mais breve possível, e eu não pude deixar de sorrir da forma fofa que ele falava.
O mico que eu passei por ter entrando em choque pela beleza acumulada do escocês foi jogado de lado, e agora nós conversamos feitos dois melhores amigos, às vezes até arriscávamos algumas piadinhas. Claro que eu ainda o achava lindo de morrer, mas eu estava conseguindo assimilar muito melhor agora sem babar no garoto.
- Mas então? Os alunos estão sendo legais com você? – Perguntei, enquanto começava a guardar meu material, já que o sinal do intervalo estava próximo.
- Bem, tudo estava dando certo... Até minha primeira aula. – Olhei confusa para ele, e ele me respondeu com um sorrisinho nervoso. – A professora havia mandando algum aluno se sentar perto de mim caso eu tivesse alguma dificuldade com as equações que ela passaria. E foi basicamente uma terceira guerra mundial, todas as meninas começaram a brigar e os meninos ficaram com aquela típica cara de “eu vou te matar enquanto você estiver dormindo”. E digamos que a notícia se espalhou rápido.
- Então quer dizer que todas as garotas querem tirar sua calça, e todos os meninos querem socar a sua cara? – Perguntei, dando de ombros.
- Elas não querem tirar a minha calça. – Ele resmungou, observando se alguém escutava nossa conversa. – Desse jeito parece que estou dando um fora nelas.
- Mas é exatamente isso que você está fazendo!
- Não! Eu estou tentando ser legal, tentando conhecer as pessoas primeiro, e depois me envolver com alguém. É basicamente toda regra de intercambista, conhecer primeiro, se envolver depois.
- Desculpa te desapontar, intercambista, mas as pessoas daqui perdem o interesse na mesma forma que ganham, de uma hora para outra. Então se você estiver sendo o rei do pedaço agora, não dou três dias para você ser apenas mais um mero plebeu.
- Ei, isso foi um pouco rude da sua parte.
- Apenas sendo sincera! – Sorri me aproximando de Connor, e depositando um rápido beijo em sua bochecha, mas para provocar do que outra coisa. – Te vejo por ai... Novato.
E nisso o sinal tocou como fosse minha deixa, e logo eu e estávamos caminhando em direção a nossos armários. Enquanto tagarelava sobre como Sebastian tinha ficado mais bonito nas férias e como estava extremamente fofo com ela, e eu só conseguia pensar nos olhos verdes do escocês.

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Connor era lindo, e isso não era só eu que achava, mas além de ser lindo, era gentil e educado, o que fazia ser um pacote completo. Não era como os idiotas do colégio que se achavam a ultima bolacha do pacote, e faziam praticamente as meninas correrem atrás, as humilhando e “pegando” na hora que queriam. Eu simplesmente ficava irritada como as garotas se deixavam serem usadas dessa forma, pelo amor, o que as pessoas não fazem por um misera transa.
- Ei, Terra chamando , tem alguém ai? – passava sua mão em frente aos meus olhos, me fazendo chacoalhar a cabeça. – Finalmente, pensei que teria que chamar mais umas trezentas vezes!
- Isso é carência? – Perguntei rindo, parando em frente ao meu armário, colocando minha mochila ali mesmo.
- Não, minha querida, isso é fome! Vamos? – A loira perguntou, me abraçando de lado, enquanto trancava seu armário.
- Você não sabe a sorte que a teve hoje... – comentou, já passando o resumo da minha aula de química, não poupando os detalhes de como Connor era lindo, e tinha um físico que dava vontade de lamber, e logo era a minha vez de passar a ficha completa do escocês, fazendo as duas babarem ainda mais.
Quando finalmente adentramos ao refeitório, fomos logo para a fila pegar nossas bandejas e rezar que a fila não estivesse dando voltas. Depois que trocaram a moça no refeitório, as comidas ficaram cem por certo mais comestíveis, o que fazia a fila dar voltas e mais voltas, e tínhamos apenas vinte minutos para guardar nosso material, pegar a fila do refeitório, comer, e tentar conversar um pouco. E tudo dependia do maldito tamanho da fila. Que por sorte do senhor, estava sem ninguém hoje!
- Olá, meninas! – Ouvimos a voz doce de Sebastian, fazendo que estava pegando sua porção de batatinhas quase derrubá-las.
- Ei, Sebastian! – sorriu como sempre fazia com todos, e logo encarou o menino ao seu lado que eu não havia percebido.
- Esse é o Connor, ele é intercambista da Escócia. – E logo minha atenção foi fixada no rosto do garoto, que estava sorrindo para mim.
- Parece que nós encontramos mais uma vez! – Ele disse, sorrindo mais uma vez.
- Me parece que sim. – Sorri, dando uma beliscada disfarçadamente em para ela parar de babar.
- Muito prazer, Connor, eu sou a e essa daqui é a , acho que a você já conheceu! – retornou a ser o centro das atenções, enquanto eu pegava alguma coisa ou outra para por em minha bandeja.
- Sabe o que eu acho? – resmungou, se enfiando entre eu e . – Que você deveria convidar o Connor para sentar com a gente.
- E por que eu? – Indaguei, pegando minha porção de batatas.
- Oras, você acabou de falar que o menino se sentiu atacado por tanta atenção feminina, e você deu uma de “e te acho gostoso, mas não vou pra cama com você”, e talvez ele só precise de alguns amigos.
- Acho que ele já está se enturmando. – Apontei com a cabeça para Sebastian e Connor conversando animadamente sobre qualquer assunto.
- Ai, para de ser retardada. O cara é lindo, até eu achei ele lindo, e eu não acho quase ninguém lindo. – dizia rapidamente, roubando uma batata da minha porção. – Sem contar, que o cara é a cópia fiel do Ed Sheeran, só que é uma cópia mais sarada.
- Sem contar, que se você chamar o Connor o Sebastian vem junto. – sorriu, como se implorasse por alguma coisa, e eu sabia bem o que era aquela coisa.
- Que inferno! – Respondi, enquanto saímos da fila, e as meninas iam para nossa mesa e eu esperava pelo escocês e pelo amor geek da minha melhor amiga.
- Oi, . – Sebastian sorriu, saindo da fila, sendo seguido por Connor.
- Ei, Sebastian! As meninas queriam saber se vocês dois não gostariam de se juntar com a gente no intervalo hoje, você sabe que eu adoro a sua companhia, e você que insiste em não sentar com a gente. E acho que será uma oportunidade legal para o Connor conhecer novas pessoas. Então, o que vocês acham?
Depois de uma rápida troca de olhares entre os dois, ambos concordaram me seguindo em direção a nossa mesa. Claro que ninguém ali era importante ao fato de ter uma mesa, mas anos estudando naquela escola você se acostuma a se sentar apenas em um lugar, e as pessoas acabam respeitando aquilo.
- Ah, droga, acabei esquecendo o ketchup! – Connor resmungou, e eu apenas o respondi com um sorriso.
- Eles ficam ali do outro lado. Eu também tenho que pegar, alguém mais quer? – E em troca recebi três olhares piedosos, me fazendo bufar.
- Eu vou junto... Para ajudar. – Connor sorriu, deixando sua bandeja de lado e me seguido.
Mas claro que como o meu dia estava muito calmo alguma coisa iria acontecer para tirar a minha paz. E claro que e sua gangue tinham que estar sentados bem ao lado do balcão dos molhos, o que me fez bufar mais uma vez. Meu plano inicial era fingir que eu não estava o vendo, e assim eu podia mostrar para Connor que eu não era um ser humano descontrolando.
Comecei a conversar sobre um assunto aleatório com Connor, para fingir que estava tão entusiasmada com o assunto que acabei não notando o grandioso e sua gangue ali tão próximos. Continuei conversando com Connor, enquanto pegava os molhos, mas eu sabia que estava me observando, e era questão de tempo daquele demônio estragar minha farsa.
Depois de pegar os ketchups, dei um sorriso que julgava ser meigo para Connor, e o mesmo me retribuiu, pegando alguns ketchups para me ajudar. E enquanto estávamos começando o caminho de volta a nossa mesa, o destino quis brincar.
- Mas eu não sabia que você estava dando uma de boa samaritana hoje, ! Ajudando os novatos? – havia se levantando do seu lugar, me parando entre uma mesa e a outra, bloqueando minha passagem. – Eu nem achava que você era um ser sociável.
- , querido. Quem eu deixo ou não deixo de conversar é problema exclusivamente meu, e não seu! – Dei meu melhor sorriso, colocando minha mão em seu peito, o fazendo prender a atenção ali por um instante. – E como eu já disse milhares de vezes, eu pouco me importo com o que você acha.
O empurrei com força, o fazendo dar alguns passos para trás me fazendo passar com Connor logo atrás de mim, com um olhar um tanto perdido. Sem perder tempo, continuei caminhando, mas longo senti meu pulso ser puxado para perto de , e o mesmo estampava uma cara nada boa.
- Mas não foi você mesmo que disse que os veteranos só se aproximavam dos novatos, porque queriam tirar as calças dos próprios? – E ali estava aquele sorrisinho satânico para cima de mim, de novo. – O que foi ? Tá querendo que o ruivinho ai entre nas suas calças?
E como um passe de mágica, meu pé foi parar em sua canela, acertando um belo de um chute, fazendo soltar um gemido de dor, e sentar rapidamente na mesa para massagear o local, enquanto o olhava um tanto preocupado. Por sorte, os alunos já estavam acostumados com a minha troca de farpas com que ninguém dava importância, apenas aqueles amiguinhos idiotas de , e os meus, que tinham medo que eu perdesse a cabeça e acabasse o matando.
- Para o seu governo, pouco te importa se eu quero que alguém entre nas minhas calças. Afinal, nunca vai ser você mesmo, então porque tanto interesse ? – Respondi ácida, puxando a mão de Connor e voltando para a minha mesa, onde meus amigos me esperavam com aquelas típicas caras de assustados.
Quando finalmente cheguei a minha mesa, o clima estava mais descontraído, tirando os olhares confusos que Connor me lançava, e outros totalmente raivosos da mesa do , tudo estava indo bem. Era claro que eu não iria abrir a boca para falar sobre o acontecimento, porque em primeiro lugar eu estava um pouco envergonhada por fazer aquela ceninha na frente de Connor, e segundo, era o que queria desde o começo, chamar atenção e me deixar constrangida.
Comemos nosso almoço em silêncio como de costume, às vezes algum comentário de alguma aula era feito, mas logo voltávamos ao silêncio inicial. Até que Connor soltou um suspiro, e olhou para mim até minhas duas melhores amigas, antes de iniciar uma conversa que eu já imaginava o assunto.
- Então, todos os alunos do sexo masculino dessa escola, são rudes dessa forma? – Connor começou, apontando com a cabeça para a mesa de .
- Ei, cara, eu não fui malvado com você! – Sebastian reclamou, mas logo em seguida sorrindo. – Eles só estão putos com você, porque todas as garotas estão caidinhas pelo nosso Ed Sheeran escocês, mas logo o foco delas muda, e eles começam a te aceitar. Agora sobre aqueles três, você realmente não precisa da amizade deles!
- Eles são tão ruins assim? – Connor perguntou, dando uma rápida olhada, onde agora estava sentado em cima de mesa rindo de alguma piada que contava, enquanto quase comia uma garota na frente de todo mundo.
- Não! – resmungou, sendo o centro das atenções. – Quero dizer, o de jaqueta esportiva não é tão ruim assim! Ele às vezes é grossinho e fala umas coisas malvadas, mas ele não tem a intenção de ser grosso, entendeu?
- Não! – Connor respondeu, fazendo todos da mesa rirem.
- Cala a boca, ! – ralhou, fazendo a menina fazer um bico do tamanho do mundo. – Ela só está dizendo isso, porque eles estão tendo um casinho. O cara de jaqueta esportiva é o , capitão do time de Lacrosse, ele só vai pensar em não ser um babaca com você, se você entrar para o time, ou vender drogas, ou convidá-lo para uma festa. Sem isso, ele é só mais um escroto daquela mesa.
- Oi? Estou aqui, pode maneirar um pouquinho? – que ainda estava de bico, fechou a cara como se pudesse ficar brava, com aquela cara de princesa da Disney, que me fez gargalhar, ganhando como resposta o seu dedo do meio.
- Continuando... Aquele ali que está pouco se importando se estamos em um local público, e que praticamente está comendo a menina em cima da mesa é o . – fez uma careta só no fato de dizer o nome do menino. – Um escroto sem um pingo de dúvida, porém se você quer se aproximar dele é só apresentar uma menina ou um baseado que ele vai te achar um cara bacana.
- E por último, . – Resmunguei, fazendo uma careta de nojo. – Uma mistura de e , que se acha um cara malvado, mas na verdade é só um gatinho assustado. Viciado em bebida, drogas e sexo. Ama me irritar por algum motivo desconhecido, e é desagradável no seu tempo livre. – Ia numerando as “qualidades” de , enquanto Connor me olhava um tanto assustado. – E se ele não for com a sua cara, ele não vai voltar atrás... Talvez seja um pouco gentil por você ser amigo dos amigos dele, mas nada muito longe disso.
- E devo acreditar que o ódio de ambos é recíproco? – Connor perguntou, me fazendo rir e dar de ombros. – Ele não parece ser um cara legal.
- E ele é o meu irmão. – resmungou, enquanto roubava uma batata de .
- Sério? Nossa, me desculpe, eu não sabia...
- Ei, relaxa! Eu sei que ele é um idiota, não tiro suas razões. – resmungou, fazendo todos da mesa voltarem a rir.

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O resto do dia não houve outros acontecimentos, tive uma aula com , outra com Connor e Sebastian, e a ultima novamente com . E em seguida fui para a minha aula sobre religião do mundo, que era a única aula que eu fazia completamente sozinha com alguns engomadinhos. Talvez meu horário esse ano não fosse completamente inútil.
Quando finalmente o dia letivo acabou, não pude deixar de soltar um longo suspiro. Sai para a entrada principal e encontrei meus amigos sentados na grama conversando. Depois de mais alguns assuntos paralelos, despedi-me de , Sebastian e Connor, e eu e caminhamos tranquilamente para o estacionamento. Mas antes de alcançar o local dos carros, escutamos uma voz estridente gritando nossos nomes.
- Me diz que Amber não está nos chamando. – sussurrou, enquanto eu olhava para a menina com a mesma saia do que eu só que muito mais curta, e com três amigas no mesmo estilo. E como se fosse para completar o visual, e juntos a elas nos encarando.
- Sim, ela está nós chamando e com companhia. – Apontei disfarçadamente com a cabeça, fazendo bufar. – Vamos ver o que ela quer, quando mais rápido ela falar, mais rápidos damos o fora daqui.
E com isso caminhamos tranquilamente até o quinteto maravilha, onde eu podia ver apertando sem pudor nenhum a coxa de umas das amigas de Amber, e beijava ferozmente o pescoço da própria Amber, que gemia baixinho. Mas que porra, pornô na porta do colégio? Onde estava a diretora quando precisávamos dela?
- , ! Como foram as férias? – Ela disse, empurrando com os ombros para o menino parar, mas esse resolveu massagear sua cintura, o que fez revirar os olhos.
- Boas. Só isso? – respondeu, já pensando em dar meia volta, mas a voz fina de Amber foi ouvida de novo.
- Eu sei que vocês querem ir embora, mas eu serei rápida. – Ela me lançou um sorriso, que talvez fosse considerado fofo, coisa que eu tentei retribuir, mas meus olhos sempre iam para a coxa de sua amiga que estava ficando vermelha de tanta força que estava depositando no local. – Ficaram sabendo da minha festa? – Balançamos nossas cabeças em afirmação, mas quando estava pronta para dizer que não poderíamos ir, Amber foi mais rápida. – Acabei de cancelar, meus pais precisaram voltar antes do combinado, mas me deram permissão para fazer a festa na casa do lago, como está tudo em cima da hora, precisarei marcar para o fim de semana! Vocês vão, não é?
- Ah, sabe como é, fim de semana está longe ainda. Hoje ainda é segunda-feira, eu posso morrer agora, então prefiro não confirmar nada para você no momento. – ia dizendo, fazendo soltar uma risadinha, o menino sabia o quanto odiava Amber, e ir a uma festa com ela sendo anfitriã não estava nos seus planos.
- Vocês precisam ir, fala pra elas, meninos! – Como se fosse possível, Amber conseguiu afinar mais sua voz, para chamar a atenção dos garotos, enquanto eu só queria vomitar.
- Vai ser legal! – disse simplesmente largando a coxa da menina, que protestou com o olhar.
- A festa não vai ser a mesma sem você, . – sorriu, fazendo revirar os olhos.
- Além do mais, vocês são do time, equipe, lembra? Precisamos dar apoio para nossas colegas de equipe, não é?
- No campo sim. – Eu dei de ombros, fazendo Amber dar uma risadinha, que mais parecia com uma hiena engasgada.
- Vocês sabem que eu não vou deixar vocês em paz até ver as duas na minha festa! – Ela ia dizendo, pegando sua bolsa. – Vejo vocês amanhã no treino. Tchau, meninas!
E com três beijinhos no rosto, ela se levantou chamando seus clones, e saindo em direção à garagem da escola, enquanto ligava o seu conversível rosa. Eu detestava Amber por ela ser simplesmente Amber, mas além de detestar eu tinha um pouco de consideração, já que a mesma tinha acolhido eu e minhas amigas para as lideres de torcida, se não iríamos repetir por falta de “espírito esportivo” – sim, existia essa droga –, mas como não era como eu, ela simplesmente odiava Amber até o fim do mundo, ninguém sabia o motivo ao certo, apenas sabiam que ela seria capaz de matar Amber sem nem pensar.

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Quando chegamos em casa, deixamos nossas mochilas de qualquer jeito no chão correndo para a cozinha, encontrando três potinhos em cima da pesa, com uma folha de papel em cima deles como um bilhete. Sorri por lembrar que tia Lauren tinha essa maninha porque e achavam que ela iria fugir para algum lugar, os deixando apavorados. E mesmo depois de anos, ela ainda mantinha os costumes.
sem muita calma pegou dois pratos, despejando cada potinho em um, me fazendo pensar que o ultimo potinho que sobrou era o de . Ela ajeitou algumas sobras nos pratos, colocou o primeiro no micro-ondas e logo pegou o papel para dar uma olhada.
- O que diz ai? – Perguntei, enquanto descascava uma banana.
- , e , separei um pouco das sobras do restaurante para vocês, cada pote tem a mesma quantidade, então e nem tente brigar pelo qual tem mais. , sua mãe ligou, e mandou você retornar para ela mais tarde, acho que ela quer saber como foi o primeiro dia de aula, ou alguma coisa assim! Tive que ir até a lanchonete para resolver algumas coisas da obra, não sei que horas volto! e sem brigar, e também! riu, quando eu fiz uma leve caretinha – Beijos mamãe/tia Lauren!
- Cara, sua mãe é uma fofa mesmo! – Suspirei jogando a casca de banana no lixo, e pegando meu prato que já estava devidamente quente, enquanto colocava o dela.
- Ela nunca perde as velhas manias! - riu, enquanto pegava uma garrafa de suco para a gente.
Tia Lauren trabalhava em um restaurante renomeado em Londres, e era sempre elogiada pelos diversos críticos que iriam ali. Mas seu sonho sempre foi montar uma pequena lanchonete, onde ela podia vender de tudo um pouco. E quando finalmente se viu preparada para seguir esse sonho, não houve dúvidas. Eu adorava essa coragem de tia Lauren por simplesmente não ter medo de dar alguma coisa errada e por fazer o que queria. A lanchonete seria uma mistura de anos 70 aos 80, que como ela sempre dizia, foi a melhor época! Mas isso acabava deixando ela um pouco ausente, sendo que ela apenas fazia o almoço no restaurante, e então passava o resto da tarde e o começo da noite toda na obra, para que tudo ficasse em perfeita ordem.
Depois de comer nossas sobras, avisei que iria dormir um pouco, afinal eu sabia que a minha mãe estaria disponível apenas a noite, e eu estava morrendo de sono por conta do primeiro dia de aula. Peguei minha mochila que até então estava jogada perto das escadas, e subi rapidamente, logo me jogando em minha cama, e adormecendo com a cara no travesseiro de uniforme e tudo.
Abri meus olhos, verificando que eu apenas havia dormindo por quarenta minutos, e que havia me submetido a uma dor de cabeça horrível, uma cara inchada, e uma roupa totalmente amassada. Sabendo que só um banho resolveria meu problema, busquei por algumas roupas velhas no guarda-roupa, e em seguida fui rumo a uma ducha que me despertasse verdadeiramente.
Depois de um banho bem tomado, escutei a voz de na sala, e a encontrei deitada relaxada em um dos sofás enquanto sorria abobada com o celular preso entre os ombros. Quando me viu, me lançou o controle para que eu pudesse mudar do Bob Esponja.
- Mas tem que ser hoje? – Ela ia dizendo enquanto eu achei a reprise de The Voice. – Não, eu não tenho nada para fazer... Mas o trabalho é só semana que vem, e hoje é o primeiro dia... Sim, eu sei como você é quando o assunto é escola... Eu vou tomar um banho, você me espera? – deu uma risadinha, jogando uma almofada em mim, me fazendo a olhar feio. – Bobinho, prometo que não demoro.
- Sebastian? – Disse esperando o meu amado Adam aparecer para fazer minha felicidade.
- Sim, ele pediu para eu ir a casa dele para resolver o trabalho de biologia. – Ela respondeu, já indo em direção as escadas. – Vou tomar um banho, se minha mãe chegar, me chama.
Já fazia vinte minutos que eu estava praticamente esparramado no sofá, vendo quem a loirinha iria escolher o Adam ou a Gwen. Eu provavelmente iria para o time do Adam sem nem ao menos pensar duas vezes, mas o discurso da Gwen havia sido tão fofo, que eu realmente não sabia o que esperar!
- Cheguei, pessoas! – E como se fosse para atormentar a minha paz, a voz do meu inferno pessoal invadiu a casa. – Alguém?
- Sua irmã está no banho, e sua mãe está resolvendo assuntos da obra. – Resmunguei, levantando minha cabeça apenas para ter certeza que era ele.
- E você não é ninguém? – Ele perguntou se apoiando na porta, e eu tive certeza que ele estava bêbado.
Eu já havia visto bêbado, nada fora do padrão, falava bobagem, ficava carente feito um filhotinho, e nunca tinha noção do que fazia. Mas um dos pontos positivos do bêbado é que ele era sempre gentil comigo, sem gracinha ou coisa do tipo, só o .
- Para você eu faço mais do que questão de não ser ninguém! – Resmunguei outra vez, me jogado novamente no sofá.
- Ah, , não fala assim, você é importante pra mim. – Ele veio cambaleando em minha direção, ficando em frente ao sofá. – Se você não fosse importante para mim, eu não a deixaria chutar a minha canela daquela forma tão baixa.
- Recomendo um banho gelado, e as sobras que a sua mãe deixou na geladeira para você... Quem sabe assim esse bafo de cerveja não vai embora, junto com essa cara de tonto? – Dei meu melhor sorriso, o fazendo bufar em seguida.
- Eu aqui dando uma trégua dessas discussões infantis, e você me esnobando... Muito legal, viu! – Ele reclamou, enquanto eu apenas apontei as escadas sem tirar os olhos da televisão, e esse bufou mais uma vez.
Depois de quarenta e cinco minutos já havia decido com uma cara muito melhor e nem ao menos olhou para mim quando ia em direção à cozinha, voltou em seguida se jogando ao sofá perto das escadas, e assim como eu começou a assistir o final no episódio do The Voice. Logo escutamos barulhos de da escada, com sua mochila, enquanto a mesma procurava suas chaves.
- Preciso fazer um trabalho de biologia na casa do Sebastian. – Ela anunciou, quando a encarou com uma cara de ponto de interrogação.
- Mas o trabalho não é para sexta que vem?
- Sebastian é um pouquinho neurótico com os trabalhos da escola, ele diz que prefere fazer no dia, a entrar em desespero como qualquer aluno faz. – Ela deu de ombros, enquanto colocava um moletom por cima da blusa de alcinha. – Devo voltar antes das nove, avisa a mamãe por mim. Beijo, !
E com isso minha melhor amiga se foi... Me deixando sozinha com o ser mais desprezível da Terra. Eu estava disposta a ignorar , afinal eu não sabia se ele ainda estava chapado ou não, sem contar que eu ainda estava borbulhando em raiva daquela ceninha ridícula que ele me fez passar na frente de Connor. Então por mim, ele poderia morrer engasgado com aquele pedaço de frango.
- Sabe, eu me surpreendi hoje na escola – Ele ia dizendo, enquanto engolia o frango. – Nunca imaginei que a pessoa mais mal-humorada iria ser legal com um novato. – Silêncio, era tudo que ele teria de mim.
– Eu estou sabendo que ele virou o queridinho nas meninas, então eu aconselharia você a agir rápido, sabe como é... Existem garotas mais gostosas do que você. – Suspirei alto, como uma forma dele ficar quieto, mas não funcionou. – Mas não desanima, quando ele tiver farto de comê-las, ele ainda pode ser seu. Sabe como é o ditado, né? Fácil se vem, fácil se vai...
E como se fosse uma deixa o programa acabou, e eu apenas levantei, pegando o controle e jogando em direção a ele, que infelizmente tinha um ótimo reflexo e segurou pelo ar, fazendo-me bufar, e seguir rumo às escadas para ligar para minha mãe, que eu já estava esquecendo. Mas antes de subir o terceiro degrau, a mão de puxou meu pulso me virando, me fazendo ficar com o corpo grudado ao seu.
- Sabe, eu odeio quando você vem com aquelas respostas afiadas, como se estivéssemos com quatorze anos de novo, mas eu percebi que eu odeio muito mais, quando você fingi que não está me escutando. – Estávamos tão próximos, que cada palavra que soltava, fazia sua respiração chicotear meu rosto me fazendo ficar arrepiada.
E do nada o ar havia mudado entre nós, eu só conseguia sentir um calor insuportável com a aproximação que havia criado. Olhar tão de perto aqueles olhos inebriantes fazia meu estômago revirar, e eu só conseguia respirar fundo antes de fazer alguma besteira. Mas mesmo quando eu tentei me soltar, os braços dele me apertaram mais, me causando um calafrio.
- O que... O que você está fazendo? – Sussurrei ainda atordoada com todos aqueles efeitos que estavam surgindo em mim, e apenas encarava descaradamente minha boca, o que só me fez engolir em seco.
- Eu... Eu acho... Acho que... – Ele tentava formular uma frase, mas eu acreditava que como eu, era impossível pensar em qualquer coisa. – Eu acho que eu ainda estou um pouco bêbado.
E em uma rapidez que não consegui acompanhar, já havia me soltando, e estava deitado de qualquer jeito no sofá, mudando de canal impacientemente. E a única coisa que me restou, foi subir rapidamente para o meu quarto, e como se fosse uma forma de segurança, virei à chave me trancando ali. Meus pulsos poderiam estar coçando, meu corpo poderia estar em um calor que eu desconhecia, mas minha mente apenas gritava uma única coisa:
Que porra havia sido aquela?





Capítulo Quatro


Eu ainda fiquei quinze minutos esparramada em minha cama, tentando entender o que diabos havia acontecido, eu queria muito que chegasse naquele exato momento para eu poder desabafar com ela, sobre como ela tinha o irmão mais frustrante e estranho do mundo. Mas ao invés disso, decidi ligar para minha mãe que eu tinha certeza que iria me distrair com suas histórias.
Na terça-feira, optou por me ignorar completamente, sem piadinhas infames, provocações baratas, ou briguinhas sem sentindo algum. Simplesmente passava por mim como se eu não existisse, e eu não sabia por quanto tempo aquilo iria durar. Eu já havia perdido a coragem de contar para sobre o que havia acontecido na escada, porque eu sabia que ela soltaria alguma coisa como “ele é um idiota”, “no mínimo bebeu demais como sempre” ou “não se incomode”. E eu infelizmente já sabia daquela ladainha toda, e me sentia uma boba por colocar tanta pilha nessa história sem cabeça ou braço.
Por sorte do destino a sexta-feira havia chegado tão rápido que eu nem acreditava, mas com ela vários acontecimentos. Como o fato de que havia assumindo uma pose de durona na frente de , e eu começava a suspeitar se havia um motivo maior para aquela decisão. e Sebastian começaram a desenvolver uma relação mais física para quem quisesse ver, se tornando o novo casal não oficial de Saint Mary’s. E Connor que chegou não querendo nada, acabou sendo integrado no nosso grupo, e eu simplesmente achava aquilo um máximo. E , continuava me ignorando firme e forte, e eu confesso que estava começando a gostar daquela paz repentina, sem ter que me preocupar se eu deveria ou não passar pelo seu lado do corredor ou me preocupar com sua próxima piadinha infame.
Quando finalmente chegamos à escola, eu e caminhamos tranquilamente para a nossa mesa, onde , Sebastian e Connor estavam em uma conversa animada sobre algum assunto que eu não fazia ideia. Sebastian e Connor haviam virado integrantes fixos da nossa mesa, estávamos juntos na hora da chegada, no intervalo, e caminhávamos todos juntos para o estacionamento para nos despedirmos. Era uma coisa até engraçada de ser ver, porque meses atrás Sebastian nem cogitaria almoçar com a gente por medo de falar alguma besteira para SCRIPT>document.write(Brandford) .
- Bom dia! – Connor soltou sorrindo de orelha a orelha.
- Bom dia, Ed Sheeran! – riu, apertando as bochechas de Connor o fazendo fazer um biquinho engraçado, enquanto todos da mesa riam. – O que estão conversando?
- Sobre qual aula extracurricular Connor deveria se candidatar, mas ele parece não gostar de nenhuma. – bufou, me fazendo rir, enquanto me sentava ao lado do próprio.
- Não o apresse, , você sabe que a gente teve que ser intimadas a entrar em alguma aula, se não teríamos problemas. – Dei de ombros, enquanto bebericava um pouco do café de Sebastian.
- Sim, mas eu já tinha escolhido teatro como uma, eram vocês que estavam à deriva.
- Eu faço francês, não sei se vocês lembram... – Resmungou , que conversava baixinho com Sebastian.
- Nem olhe para mim, eu estou em todas as aulas mais nerds possíveis. – Sebastian deu de ombros, enquanto voltava o assunto com .
- Como funciona esse negócio de aula extracurricular? Na minha escola tinha, mas quando você se torna intercambista, tudo é complicado demais.
- São três cursos mínimos que você deve se candidatar, claro que essa época de “ser aprovado em uma faculdade” deixa qualquer um louco, então todos estão se inscrevendo em cursos que não tem a mínima ideia de como são, só para ter um currículo enfeitado para ser aprovado, mas como você é intercambista não precisa de muito. – Dei de ombros, enquanto Sebastian oferecia donuts para todo mundo. – Eu faço espanhol, psicologia e faço parte do time da torcida, mas estou pensando em entrar no teatro esse ano, e entrar no francês também.
- E você vai conseguir conciliar tudo isso com suas aulas normais?
- Quando você for à secretaria se inscrever, ela vai fazer um cronograma, e fica mais fácil. – Dei de ombros, pegando um donut rosa. – E também temos o Sebastian, e ele sempre ajuda a gente conciliar tudo. Não se preocupe.
- Você deveria falar com o sobre o Connor fazer uma espécie de teste para o time de lacrosse, você sabe como o esporte conta no currículo. – deu de ombros, fazendo todos encararem .
- Você joga?
- Bem, sim. Mas o seu namorado tem cara de ser bem arrogante, e eu não quero me interferir na relação de vocês.
- Em primeiro lugar, eu e não somos “namorados”, nós só ficamos algumas vezes. – deu ombros, dando uma mordidinha no seu donut. – E em segundo, se você quer jogar e manda bem, não vejo o porquê não se inscrever, afinal o pessoal do time são todos fofos e companheiros.
- Bem, se isso não for atrapalhar vocês, então tudo bem. – Connor deu de ombros, fazendo soltar um risinho.
- Mas então, nós vamos ou não vamos para a festa da Amber? Porque sinceramente não aguento mais aquela menina se pagando de minha amiga.
- Por favor, digam que não! Pelo amor de santo Deus, digam que não! – suplicava, e eu apostava que se a gente brincasse um pouco, ela logo estaria de joelhos em cima da mesa pedindo por misericórdia.
Amber havia cumprido sua promessa como uma “ótima” pessoa. Ela havia atormentado cada pessoa do nosso grupo até escutar um sonoro “sim”, primeiro era somente , e eu jurava que era por alguma coisa que aqueles clones de Amber haviam dito, que ela estava tão estranha com . Depois de Amber fazer uma vasta pesquisa, acabou descobrindo que se ela quisesse que fosse ela teria que usar Sebastian a favor dela, coisa que Sebastian percebeu no primeiro minuto e logo foi falando para , o que deixou minha melhor amiga uma pilha de nervos. Depois ela se aproximou de Connor, que como um singelo cavalheiro, apenas lançou um sorriso e disse que “qualquer coisa aparecia”.
Mas o que estava me deixando realmente confusa era que a festa seria hoje, e ela ainda não havia me dado o bote, muito menos em . E eu tinha toda certeza que ela faria isso no treino da torcida, onde todas as meninas estariam animadas e fofocando sobre a festa, e seria o momento perfeito que Amber jogaria tanto eu e contra a parede. Eu tinha que admitir, a garota sabia jogar.
- Será que só eu que consigo entender a verdade sobre essa festa? – Ela perguntou, fazendo todos darem de ombros. – Ela quer nos deixar desconfortáveis, quer que a gente se sinta um nada no meio de tanta gente popular.
- Isso não é verdade, eu ganhei o papel da Alice no “Alice e o País das Maravilhas”. Sebastian é quase aclamado por todos, quando decidiu como prêmio mais cinco minutos de intervalo para a gente. praticamente é comida pelos olhos de toda população masculina do Saint Mary’s, e nem venha negar, porque na aula de educação física eu vi o zelador secando sua bunda descaradamente. – resmungou me fazendo soltar uma careta de nojo.
- Malditos shorts colados. – Resmunguei, sentindo meu estômago embrulhar só de pensar no zelador que tinha idade de ser meu tataravô secando minha bunda.
- E eu sou intercambista. – Connor deu de ombros, como se aquilo explicasse muita coisa. – Já me torno interessante só por esse fato, mesmo sendo da Escócia.
- Eu não estou acreditando que vocês estão realmente querendo ir para essa festa! – reclamou, batendo a cabeça na mesa, fazendo todos rirem. – Vocês sabem o que tem nas festas da Amber, muita droga, muito álcool, muito sexo, muito...
- Amiga você não está fazendo ninguém mudar de opinião com esse seu discurso. – deu de ombros, fazendo revirar os olhos. – Digo, eu sei o que acontece na festa dela, mas já ficamos o segundo colegial inteiro indo só em festas das meninas do time, onde a diversão era comer Cheetos e Coca-Cola. Não que eu não ame Cheetos e Coca-Cola, mas agora nós somos veteranas, e eu queria muito aproveitar minha vida de veterana ficando bêbada, e fazendo coisas aleatórias que somente adolescentes de dezessete anos fazem.
- E infelizmente as pessoas mais odiosas são as que dão as melhores festas. – Dei de ombro, não que eu amasse Amber, mas como eu também queria curtir minha vida de veterana, afinal dizem que é a melhor coisa que existe. – Sem contar que Amber vai passar a festa inteira se esfregando no .
- Eu pensei que ela estava com o ! – deu de ombros, enquanto eu sibilava a palavra “rodizio”, o que não era novidade nenhuma que e trocassem de parceiras.
- Exatamente! Vocês querem ir a uma festa para ver e Amber Hart fazerem sexo ao vivo? Sério, eu sinceramente me recuso! – fez sua típica cara de nojo quando era mencionado em alguma conversa.
- Eu realmente gostaria de saber qual é a sua com esse cara. – Sebastian resmungou baixinho, mas fazendo todos escutarem, apenas deu de ombros e começou a cutucar a unha.
A verdade é que nem eu que era melhor amiga de , entendia essa relação entre tapas com . Tudo bem que eu estava na beira no precipício para falar alguma coisa, considerando meu comportamento com . Mas as brigas de com , não eram aquela costumeira troca de farpas que acontecia comigo e , e sim uma forma de raiva sendo seguida por ciúmes. Afinal sempre criticava as meninas que estava, e não perdia a oportunidade de zoar Sebastian quando os dois estavam sozinhos.
- Tudo bem, eu já entendi que vocês três querem ir! – resmungou, fazendo tanto eu como e Connor reclamarem, mas ela apenas levantou a mão em sinal para ficarmos quietos. – Mas e você Sebastian, você acha que devemos ir ou não?
- Eu... Eu não acho nada! – Eu sabia como Sebastian era um tanto tímido, sendo que só falava com antigamente nas aulas para não falar nada de errado, mas ali sendo jogado contra a parede na frente de todos nós, eu podia jurar que não estava sendo fácil. – Escuta, , de todo o meu coração, eu não ligo, e muito menos me importo de passar minha sexta-feira em uma festa ou em qualquer lugar, a única coisa que eu quero é passar ao seu lado.
Ok, onde eu arrumo um Sebastian? Porque depois dessa até o meu coração tinha derretido, então não foi uma surpresa quando minha melhor amiga se jogou nos braços de Sebastian, dando um beijo cinematográfico ali na frente de todo mundo. Claro que eu e não nos importávamos com aquela demonstração de carinho dos dois, afinal eles já demoraram tanto para enfim se assumir, que não seria eu ou ela que iria estragar esse momento. Apenas Connor e mais alguns alunos que passavam por nossa mesa que encaravam boquiabertos aquela cena.
Vendo que ainda ia insistir muito naquela história de festa, e que ela estava distraída, peguei as mãos de Connor fazendo sinal para entrarmos na escola, como desculpa para guardar nossos materiais e nos prepararmos para a primeira aula juntos, que por obra do destino, íamos ter. se levantou também aproveitando a carona, e logo estávamos rumando para a entrada do colégio.
- Ei, ! – Escutamos a voz de , e logo ele corria em nossa direção. – Não te vejo desde segunda!
- , você me viu ontem! – indagou daquele jeito seco que eu ainda não estava acostumada.
- Sim, mas só passei por você e disse “oi”, isso não vale! – O capitão do time de lacrosse suspirou, passando as mãos pelos cabelos, coisa que eu sabia que amava, mas essa continuava com cara de “cheira merda”. – Eu estou começando a ficar pilhado, eu não sei se a gente está bem ou não.
- Eu já disse que estamos de boa, você que está pilhando a toa. – Ok, agora era definitivo, eu precisava conversar com sobre o porquê daquela frieza com o cara que ela soltava vinte e sete suspiros por segundo.
- Enfim, eu só queria saber se você vai à festa da Amber.
- Não! Eu não curto muito festas daquele estilo. – Ela deu de ombros, arrancando olhares curiosos tanto de mim quanto de Connor.
- Nem por mim? Você sabe, a gente podia ficar juntinhos, depois íamos para um lugar mais calmo para conversar, e...
- Quem sabe, né?! , eu adoraria ficar conversando com você, mas eu preciso entrar, e ajudar o Connor com o time de basquete. Falando nisso, você sabe se o Rob continua sendo o capitão do time?
- Sim, mas...
- Ótimo, precisamos entrar para encontrá-lo. – Ela se virou para nós, o que se arrancou olhares mais confusos que já tínhamos. -Até mais tarde quem sabe...
- , espera! – quase agarrou o corpo miúdo da minha amiga, mas se contentou apenas com a mão. – E se esse tal de Connor quisesse jogar lacrosse?
- Por que você não pergunta para ele, ? – deu de ombros olhando para Connor, e dando um espaço para se aproximar dele.
- Ei, cara, sou , o capitão do time de lacrosse. – lançou aquele sorriso total white, sempre quando precisava de alguma coisa e usava seu charme para conseguir. – Você já jogou?
- Ahn, sim.
- Quer fazer um teste? Quero dizer, esporte conta muito como aula extracurricular, e eu prometo que o meu time é os dos mais amigáveis. Já o time de basquete são uns grosseirões com os novatos. – E com isso ele deu uma olhada para como se quisesse dizer “sim, Rob vai ser um babaca com você, e você não merece isso”.
- Claro, eu ia adorar, cara. – Connor deu um sorriso amarelo, e eu tinha quase certeza que ele não fazia a mínima ideia de como jogar basquete. – Bem, eu agradeço pelo convite, mas nós precisamos ir agora, você vem ?
- Sim! – respondeu prontamente, ficando na ponta dos pés para dar um beijinho da bochecha de . – Eu disse que ser legal com as pessoas não iria te matar.
E com isso nós três passamos por , caminhando em direção à entrada da escola. Mas claro que teríamos que passar pela mesa de , que desde que se aproximou o deixou de orelha em pé para a nossa conversa. Eu já estava me preparando para piadinhas idiotas, e de provocações infantis, mas uma voz que parecia mais com um sussurro de um anjo me lembrou de que ele estava fazendo o favor de me ignorar, então apenas sorri e caminhei tranquilamente em sua direção, prestando atenção em e Connor.
- Agora eu entendi porque você ganhou o papel da Alice. – Connor sorriu, fazendo corar um pouco.
- Bem, confesso que eu tenho um dom natural para atuar. Mas estava merecendo.
E quando finalmente passamos pela mesa de , foi inevitável sentir minha mão que estava segurando a de Connor queimar, e o motivo era nada mais e nada menos que um menino emburrado esparramado na mesa, olhando fixamente para nossas mãos unidas.

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Eu tinha que concordar que mesmo odiando a política de mudar os horários todos os anos, eu definitivamente estava amando o meu. Eu tinha quase todas as aulas junto com algum amigo, e isso facilitava que eu não pegasse no sono, ou ficasse com minha famosa cara de cu tentando entender alguma coisa.
Mas mesmo não calando a boca na aula de história sobre como Sebastian estava sendo fofo com ela nesses dias, não dava para não escutar o murmurinho que infestava a sala sobre como a festa da Amber seria boa, e que por conta da menina ser veterana, ela com toda certeza iria subir o nível. Mas como mesmo havia dito se fosse para Amber subir de nível, seria de vadia a piranha.
Mas mesmo rindo das piadas cruéis de , e passando momentos maravilhosos ao lado de Connor, como também tentando entender exercícios de física com Sebastian, eu estava extremamente preocupada com , eu não aguentava ver minha amiga com aquela cara de cachorro abandonado na chuva toda vez que olhava disfarçadamente para . E foi em uma dessas olhadas, que eu percebi o sorriso maldoso de Lisa quando ela fazia questão de apertar os músculos de sem nenhuma restrição, deixando minha amiga devastada.
E com o objetivo que eu iria tirar finalmente essa história a limpo com , porque uma coisa era certa, ninguém mexia com minha amiga e com o casal que eu tinha quase certeza que iriam se casar um dia, muito menos uma vadiazinha do estilo de Lisa Hogan. E foi por um desses motivos que quando a sineta do intervalo tocou, eu já estava jogando minhas coisas de qualquer jeito em meu armário e indo em direção ao refeitório, que para a minha surpresa estava servido hambúrguer.
Quando já estava próxima a ser atendida, notei na mesa devorando seu hambúrguer, enquanto Sebastian e Connor chegavam à fila conversando animadamente, e estando apenas alguns metros de distância. Quando finalmente peguei meu hambúrguer, esperei estar distraída com a moça da cantina, para eu fazer minha pegadinha, e logo sai de mansinho em direção a .
- Um segredo por um segredo! – Disse sorridente, me jogado ao seu lado.
- Adoro segredos! – sorriu batendo palminhas como uma foca feliz.
- Digamos que uma pessoa muito má, que eu não tenho a mínima ideia de quem quer que seja, encharcou o hambúrguer de uma certa amiga nossa com maionese. – Dei de ombros, fazendo se sujar de ketchup de tanto rir.
- Você sabe que está totalmente ferrada, não sabe? – Ela resmungou, quando finalmente havia se limpado e conseguia respirar calmamente.
A piada era um tanto velha, mas tudo aconteceu no dia em que eu acabei derrubando maionese no prato de , essa acabou comendo sem ver, e fez um escândalo depois de sentir o gosto do molho. E depois daquilo era inevitável não fazer isso toda vez que davam alguma coisa boa na cantina, como por exemplo, hambúrguer.
- Eu realmente não ligo. – Dei de ombros. – Agora quero um segredo, e o segredo que eu quero é o que está acontecendo entre você e o .
Um segredo por um segredo começou pela própria que queria tirar histórias a limpo de mim ou de . A brincadeira era simples e acabou sendo aceita por nós três, você só precisava contar uma coisa que havia feito ou acontecido, e depois poderia escolher o que a pessoa teria que confessar. Mas eu começava a suspeitar pelo olhar nada amigável de que ela não gostava de quando era ela que tinha que contar um segredo.
- Se isso ajuda, eu tenho certeza que tem alguma coisa haver com a Lisa. – Resmunguei, fazendo-a soltar uma caretinha.
- Estava tudo bem, até Amber começar a se aproximar por causa dessa maldita festa, e junto com ela os clones dela também. E quando Amber estava dando uma de “somos amigas”, Lisa acabou soltando que havia esquecido um dos uniformes dele na casa dela, durante as férias... E eu sei que eu não posso acreditar em tudo que a Lisa fala, porque ela tem um ódio absoluto por mim. – soltou um suspiro derrotado, mexendo em suas batatas. – Mas eu comecei a observar o esses dias, e eu sei que ele gosta de mim, ou pelo menos sente uma espécie de afeto. Mas já percebeu que quando estamos na escola ele sempre fala comigo, quando o e o estão discutindo com você e com a , ele faz isso como se fosse uma obrigação, e não porque ele quer...
- Mas ele te chamou hoje, !
- Porque eu estava dando um gelo nele há três dias! Sabe, , eu realmente estou cansada de ser tratada como uma espécie de “namorada prêmio” ou até mesmo um “troféu” onde a única coisa que tenho que fazer é me exibir e fazer as pessoas quererem estar no meu lugar ou quererem estar no lugar dele. Eu sei que eu sou bonita, e eu sei que eu conseguiria um namorado em menos de algumas horas, mas eu estou cansada de ser apenas um rostinho bonito com um corpo “adequado”! Eu posso ser a cópia fiel de alguma princesa da Disney, mas isso não significa que a minha única ambição seja encontrar um “príncipe encantado” em uma floresta. Eu tenho ambições, eu tenho sonhos que desejo realizá-los, e claro que eu também quero alguém ao meu lado, mas eu quero uma pessoa que olhe além de mim, que goste de estar comigo, como eu gosto de estar com ele. – E com isso ela pegou uma batata, olhando fixamente para o alimento em sua frente. – E cada dia que passa, eu tenho certeza que o não está disposto a seguir esse caminho comigo.
- Mas, , vocês são...
- Perfeitos? Sim, eu sei disso. Mas já deixou bem claro que não quer um compromisso fixo. Ele é como o e , ele está feliz tendo milhões de meninas em sua volta, sendo que amanhã mesmo ele pode escolher outra sem peso na consciência. Eu sei que eu já estou com ele por algum tempo, mas isso não muda o fato que eu posso ser jogada para escanteio a qualquer hora. Eu realmente gosto dele, eu realmente fantasiei na minha cabeça que ele seria um cara especial, aquele que muda por você, sabe? Mas uma coisa é certa, ninguém muda por ninguém!
- Então? – Resmunguei, sabendo que querendo ou não estava chegando a uma solução que eu não estava gostando nem um pouco.
- Eu acho que o já demonstrou mais do que podia que não quer nada do que eu quero, acho que está na hora de deixá-lo viver a vida que ele é acostumado a viver. Sem ressentimento, ou coisa do tipo. – Ela deu de ombros, como se explicasse que não seria fácil.
- Mas, ...
- Eu gosto dele, , gosto muito. Mas eu prefiro acabar assim, a ser jogada de escanteio como qualquer outra que ele já tenha pegado.
- Eu realmente acho que você deveria ir à festa. – Disse rapidamente, fazendo minha amiga me olhar um tanto confusa. – Olha, geralmente as pessoas não dão valor naquilo que tem porque sabe que nunca irão perdê-los. Então recomendo que você vá à festa da Amber, e mostre para o quem é que manda.
- Como assim?
- Tente imaginar a cara de bobo dele quando ver quem realmente é . Eu sei como você fica quando bebe, e é a coisa mais divertida do planeta, eu sei que quando você dança, faz todas as meninas ficarem com inveja, e que todos os meninos viram seus eternos fãs. Além do mais, eu sei que você precisa disso e de uma folga para tudo isso que está acontecendo. – Dei de ombros, dando uma mordida um tanto quanto exagerada em meu hambúrguer.
- Mas e o , ? Eu realmente preciso de respostas.
- , eu realmente acho que o gosta de você, mas ele é muito idiota e lerdo para sequer perceber isso, mas olha com quem ele anda? – Dei de ombros mais uma vez. – O que eu quero dizer é que se você mostrar que está prestes a dar um basta nessa relação meio estranha de vocês, ele vai finalmente se ligar no que está perdendo, e quem vai dar cartas, será você!
- Eu realmente estou começando achar que aquelas aulas de psicologia estão te ajudando. – Ela soltou, fazendo tanto eu como ela soltar uma sonora gargalhada.
- O que vocês estão falando? – chegou finalmente à mesa, acompanhada por Sebastian e Connor, que logo se ajeitaram ao nosso lado.
- Que eu deveria ir à festa da Amber. – resmungou, dando de ombros enquanto dava mais uma mordida em seu hambúrguer.
- O quê? – Mas antes que continuasse, lancei apenas aquele olhar, que dizia para não tocar no assunto, porque era delicado demais, coisa que ela atendeu rapidamente, antes de dar uma mordida com vontade em seu hambúrguer, e logo em seguida fazendo uma cara de nojo, enquanto todos da mesa riam. – Vá se ferrar, .

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Finalmente eu havia chegado a minha penúltima aula no dia, mas que infelizmente era uma das poucas aulas que eu não tinha companhia de nenhum dos meus amigos, mas em compensação eu tinha que aguentar ficar cinquenta minutos trancada em uma sala com os piores seres humanos da Terra. Como por exemplo, Lisa e Brandi que fofocavam alguma coisa inútil na maior altura possível, enquanto Amber ria de uma forma exageradamente insuportável de alguma coisa que algum jogador falava. que foi obrigado a se sentar na frente de Amber para a garota não se sentir solitária, estava mais interessado em jogar pedacinhos de borracha na calcinha fio-dental de Yvonne, que fazia questão de empinar a bunda toda vez que sentia a borracha tocá-la, fazendo a legging da sua irmã de oito anos, ser quase inexistente pela bunda estilo Nicki Minaj. E perto do melhor amigo, estava cercado por seis meninas, que infelizmente eu conhecia como minhas companheiras lideres-de-torcida, e confesso que algumas eu ate tinha respeito, mas agora não saberia dizer ao certo.
A aula de literatura nunca mudava, depois que nossa professora, Vera Sargent, foi diagnosticada com estresse profundo depois que o marido a deixou por uma menina vinte anos mais nova. Ela não conseguia dar sua aula direito, e a pedido da nossa querida diretora, ela foi mandada para a enfermaria onde poderia descansar um pouco. Mas qual foi à surpresa da nossa querida professora ser despertada do seu sono com um casal mandando ver na sala ao lado?
Depois disso não se sabia muito o que realmente havia acontecido com a professora Vera. Alguns diziam que ela passou suas férias em um retiro budista, outros diziam que ela fez uma cena na diretoria alegando ter ódio, nojo, de todos os adolescentes sem pudor daquele colégio, e outros apenas alegavam que ela superou uma fase difícil.
Então não era uma surpresa quando chegávamos a sua sala, e os trabalhos que teria que fazer estavam marcados na lousa, juntos com as páginas dos livros que teríamos que ler ou fazer exercícios. Para ser sincera, a senhora Sargent apenas falavam três frases durante a aula toda, e depois de explicar o que teria que ser feito, sentava em sua mesa, abria seu notebook, e deixava-nos tacar fogo um no outro.
Mesmo sendo uma professora com problemas, ninguém ousava desobedecê-la, porque acreditávamos que se a vida já arrancou as coisas que ela mais amava, o que a impedia de arrancar nossa nota? E era com esse pensamento que as poucas palavras proferidas em sua sala, eram mantidas como lei, fazendo todos se darem bem em literatura.
Apesar de ser o sonho de qualquer aluno não fazer nada em uma aula, eu me sentia totalmente fora de órbita naquele momento, afinal eu não tinha nenhuma amiga para conversar além das meninas do time, e eu já havia tentando puxar assunto com meus amigos no grupão, e esses me ignoram fortemente. E o que me restava era fazer alguns rabiscos no caderno depois que eu já tinha feito os exercícios mandados e lido as paginas necessárias.
Mas o que realmente estava me incomodando era o olhar nada disfarçado que o ser humano do outro lado da sala me lançava. Eu já estava a um passo para me levantar e ir até sua direção perguntando se ele estava com algum problema, ou se aquelas seis meninas quase sentadas em seu colo eram poucas, e se ele precisava que eu arranjasse mais. Mas balançando de leve minha cabeça, percebi que aquilo iria apenas fazê-lo voltar a me irritar e toda aquela paz de três dias, seria jogado drasticamente no lixo.
- Você pode falar para o parar de encarar nós duas? Porque eu sinceramente não consigo me concentrar aqui. – Annie resmungou, enquanto fechava o livro em um suspiro.
Annie era mais uma das meninas do time, e eu não sabia o porquê, mas tinha um forte carinho por ela. Enquanto a maiorias das meninas estavam falando de calcinha, depilação, festa, Annie estava disposta a falar sobre vampiros, lobisomens, imortais, anjos, demônios, sereia, enfim qualquer coisa fictícia. E eu também começava a acreditar que ela gostava um pouco de mim, porque ela foi à única pessoa que levantou a mão para mim e sorriu quando se ofereceu para se sentar ao meu lado.
- Bem, eu posso resolver o seu problema se você puder arremessar um lápis bem no olho desse infeliz. – Dei de ombros, fazendo Annie pensar um pouco.
- Bem, no livro que eu estou lendo a garota arremessou uma estaca nos ombros do principal. Claro que não foi o alvo certo, mas eu posso voltar nesse capitulo para ver se ela ensina a técnica. – Ela deu de ombros também, fazendo tanto eu quanto ela cairmos em uma sonora gargalhada.
- Não se preocupe o sinal já está para tocar. – Respondi, logo sendo pega por uma conversa animada do tal livro que Annie havia ganhado de sua avó.
E depois de quinze minutos, a sineta finalmente tocou, me fazendo suspirar de alívio por finalmente estar fora do olhar de águia de . Caminhei tranquilamente para o ginásio com Annie ao meu lado, ainda comentando sobre o tal livro antigo, que falava sobre uma guerra entre demônios e anjos. Como de costume, esperei as meninas no vestiário, e logo as duas apareceram toda afobadas, tirando seus uniformes e substituindo pelo uniforme da torcida.
Quando finalmente adentramos no ginásio, o treinador Parks já estava gritando com todos. A verdade era que na primeira semana de aula todos podiam ter meio que uma aula livre de educação física, assim os garotos do time podiam treinar, as lideres poderiam ensaiar a coreografia e os restantes eram obrigados a correr em volta da quadra, porque como o treinador mesmo dizia: ninguém ficaria obeso em sua aula.
- Meninas, juntam aqui. – Escutei a voz fina de Amber, e logo estava bufando ao meu lado. – Eu e as meninas ensaiamos uma coreografia durante as férias, e em minha opinião é perfeita para ser a coreografia das novatas. Mas nesse ano, ao invés de só eu e as meninas fazermos, eu conto com a colaboração de todas vocês!
- Como assim? – Uma das meninas perguntou, fazendo tanto eu quanto minhas amigas revirarem os olhos.
- Escutei boatos que algumas meninas do primeiro ano estavam falando para outras meninas que queriam entrar no time, que vocês são uma espécie de “minhas cachorrinhas” e que a equipe em si era uma farsa, e só servia para pegar os caras do time. – Amber soltou, e podíamos notar que ela estava um tanto quanto alterada. Mesmo sabendo que Amber comandava o time, e que já havia dado para vários jogadores diferentes, ela odiava quando outras pessoas falavam mal das lideres, e aquilo não seria diferente. – Então eu quero mostrar que somos um time, e por isso todas irão mostrar a coreografia para os novatos.
- Todas de acordo? – Lisa resmungou, me fazendo quase vomitar por ouvir aquela voz um tanto enjoativa. – Bem, se não temos nenhuma objeção acho que podemos nos alongar, não?
- Claro. Meninas, quinze minutos para os aquecimentos. – E sendo dispensada por palmas da própria Amber, tanto eu como e caminhamos tranquilamente para um canto reservado na quadra que sempre ficávamos.
Depois de dez minutos esticando nossos braços e nossas pernas para um lado e depois para outro, avistamos um grupo de seis meninas do time, que eu me lembrava de estarem no colo do , caminhando em nossa direção... E naquele momento eu sabia que aquilo não era nada bom.
- Com licença? – A mais nova da turma perguntou, tendo nossa atenção. – Isso pode parecer estranho, mas o falou que não teria problema perguntar para vocês, e...
- O que ela quer dizer é que queremos detalhes sórdidos do dia-a-dia do . – Uma ruiva interrompeu a mais nova, lançando um sorriso um tanto falso em nossa direção.
- Como é? – resmungou um tanto atordoada.
- Ele nos contou que a tem um diário, e marca o passo a passo do nele, e ele deu permissão para a gente ler também. – A mesma ruiva dizia com um tom arrogante. – E nem adianta negar, porque nós sabemos que você escreve sobre a vida dele, e ele próprio nos deu permissão.
- EU O QUÊ? – Gritei, não conseguindo acreditar na infantilidade de cuzão . – Cadê esse desgraçado? Eu vou matá-lo!
- Não, você vai ensaiar com a gente, e depois pode matar esse idiota, seja lá quem ele for! – Amber resmungou segurando meu braço me levando para um grupo de meninas já preparadas para aprender a nova coreografia.
Já era difícil acreditar que era capaz de se rebaixar a um nível extremamente baixo, ao ponto de inventar uma mentira apenas para me irritar. E com toda certeza era muito pior quando Amber decidiu colocar duas meninas das seis ao meu lado, e eu era obrigada a escutar perguntas como “qual é o condicionador que ele usa que deixa seus cabelos tão brilhosos?” ou “ele já apresentou alguma garota para a mãe?”. E se não fosse Amber me segurando cada vez que cogitei a ideia de atacar as duas garotas, ou mesmo na hora que quase sai correndo em direção do principal culpado daquele história, para dar uma boa surra, eu não saberia dizer o que realmente teria acontecido.
Quando finalmente Amber nos liberou para tentarmos fazer os passos sozinhas para memorizarmos melhor, me juntei com e , e pela cara das duas eu sabia que deveria estar saindo espuma da minha boca, porque meus pensamentos não eram nada fofinhos. E como se fosse obra do destino, as seis voltaram a caminhar em nossa direção, e eu tive quase certeza que eu iria realmente bater nelas se elas continuassem com aquele papo. Mas para minha surpresa, como para minhas amigas, Amber entrou no meio pedido um minuto para as seis, e logo se aproximando de nós três.
- Soube o que está acontecendo. – Ela resmungou dando de ombros. – Confesso que foi uma jogada bem suja do fazer as pirralhas perseguirem você.
- Comose você se importasse. – resmungou, fazendo segurar seu braço por reflexo.
- Na verdade, , eu realmente me importo. Vocês fazem parte do meu time, e esse time é tudo para mim, e se eu não posso proteger meu time, não sei que espécie de capitã eu sou. – Amber novamente deu de ombros. – Mas eu não posso sempre ajudar vocês e não receber nada em troca.
- Quanta novidade. – se intrometeu novamente, fazendo Amber revirar os olhos. – Você sempre quer alguma coisa em troca Amber, foder com meu irmão e o melhor amigo dele não está de bom tamanho?
- Ora, , eu não fico falando para as pessoas com quem você fode ou deixa de foder, porque na verdade é bem grosseiro. Mas o que eu estou pedindo é uma troca de favores. Enquanto eu deixo as seis longe de vocês três, eu imagino que saibam que eu espero vocês na minha festa. Como eu estou as apoiando, eu espero que estejam lá, me apoiando também.
- A gente estará lá! – se intrometeu, recebendo um olhar atravessado tanto meu como de .
- Ótimo, e eu realmente espero vocês lá! – Amber sorriu batendo palminhas, enquanto encaminhava em direção as seis, fazendo todas as seguirem.
- EU POSSO SABER QUE MERDA QUE VOCÊ ACABOU DE FAZER? – gritou fazendo segurar seu braço com mais força do que o necessário.
- Em primeiro lugar, você vai parar de gritar comigo, porque eu não sou suas negas e muito menos estou a fim de sentir saliva de no meu rosto. – Ela resmungou, fazendo fazer sua famosa cara de “cu” quando comentávamos que ela sempre cuspia quando estava agitada. – E segundo, a estava pronta para cometer não só um, mas sete homicídios se aquelas meninas não parassem. E em terceiro, você já estava a um passo de se atacar com a Amber nesse chão, e acredite, eu odeio brigas, principalmente quando minha amiga está envolvida.
- Tudo bem, tudo bem. Mas eu aposto que tinha outra forma de persuadir Amber, que não envolvesse a gente naquela festa. – Tanto eu como a encaramos com aquela cara que dizia “você realmente acredita nisso?” a fazendo soltar um suspiro fracassado. – Eu juro que quando encontrar o , eu mesmo vou cometer o sétimo homicídio.
- Não, esse é por minha conta. – Resmunguei entre dentes, olhando a imagem do meu inferno astral rindo com alguns garotos do atletismo.

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Como se os astros quisessem me presentear por toda a situação, acabou deixando na hora exata em que colocava o seu carro na garagem. O caminho da escola de volta pra casa não era grande, mas eu fiz questão de passar a curta distância pensando nas piores maneiras de fazer sofrer. E ali estava ele, meu presente dos astros, prontinho para ser assassinado da pior forma possível.
E como se estivesse em sintonia com meus pensamentos, quando ele finalmente teve coragem de se despedir de e dirigir seu olhar de encontro ao meu, ele só teve tempo de apressar os passos em direção da porta, coisa que eu e também fizemos com a melhor agilidade. E como outro presentinho dos cosmos, parecia que estava enfrentando uma batalha com a fechadura, fazendo tanto eu como o alcançarmos. E quando a porta finalmente cedeu, todas as palavras ameaçadoras morreram em nossa garganta quando avistamos três cabecinhas nos encarando.
- E eles chegaram! – Escutei a voz de tia Lauren, e essa logo já estava de pé nos cumprimentando com um sorriso.
- Tia Ruth! – gritou, logo jogando sua mochila nas escadas e correndo em direção a uma mulher que também continha um sorriso no rosto.
- Eu literalmente preciso sair do meio do mato. Olha o tamanho que você já está! – A mulher sorria calorosamente para , e eu entendi na hora o porquê da simpatia inesperada da minha melhor amiga.
sempre se sentia culpada por só passar as férias do fim do ano escolar com seu pai, porque como professor, esse era o único momento livre que ele tinha para passar com os filhos. Mas depois que o seu pai mudou para o Texas, ela acabou perdendo o contato com sua família paterna por falta de tempo e de convivência, já que todos moravam em um sitio longe de Londres. E sempre quando um parente ia visitar os ’s, se sentia totalmente nostálgica.
- E, meu Deus do céu, não venha me dizer que esse homem é o meu sobrinho? – A mulher resmungou admirada encarando , quando se soltou de . – Não é a toa que todas as meninas da cidade ficam me perguntando quando que “aquele primo do ” volta.
- E o que seria do meu ego sem você tia, Ruth? – respondeu em modo brincalhão, logo abraçando e dando um beijo estalado na bochecha da mulher.
- Ora, e quem seria aquela mocinha parada na entrada? – A mulher, conhecida mais como “tia Ruth” voltou a falar, mas agora me encarando, e me deixando totalmente sem reação.
- Venha, , Ruth é um pouco animada, mas eu prometo que não te fará mal. – Tia Lauren respondeu, me fazendo ficar mais vermelha que um pimentão. – Essa é a amiga da que eu te falei, os pais dela se mudaram, e ela acabou sendo adotada por mim. – Tia Lauren sorriu, me abraçando de lado quando finalmente me aproximei. – Como se eu já não tivesse implorando para a sua mãe há anos.
- Mas você é belíssima . Ah se eu tivesse esse rostinho que essas duas têm na minha época, com toda certeza não teria me casado com aquele balofo do Timothy. – Tanto ela quando tia Lauren riram, fazendo tanto eu como ficarmos com aquele sorriso falso no rosto, como se estivéssemos entendendo e achando a maior graça. – Ora, cadê a educação daquele menino? venha já aqui cumprimentar sua prima e a amiga dela.
E foi ai que eu me lembrei de que na verdade eram três cabeças que eu havia visto na sala, e que a ultima pessoa se tratava nada mais, e nada menos que um garoto da nossa idade, e que maldito seja a geração , o cara era um perfeito Adônis. Diferente de mim e de , ele estava totalmente entretido com a conversa que rolava entre ele e , fazendo sua mãe o chamá-lo três vezes para finalmente prestar atenção, e meu Deus a imagem dele vindo em nossa direção, não poderia ser melhor.
Ele não era muito diferente de por assim dizer, mas gostava de mostrar sua beleza para todos os mortais em sua volta. Os cabelos estavam totalmente despenteados propositalmente, dando o ar de que não se importava com nada ou alguém. Os ombros para a minha felicidade eram largos, e sobre eles continha uma jaqueta preta, e debaixo dessa uma blusa colada da mesma cor, me fazendo ter ideia de como seria seu abdômen. O jeans escuro marcava a musculatura rígida e bem torneada de suas coxas, me fazendo ter o pensamento nada limpo de arrancar aquela calça à força.
Eu queria simplesmente matar por nunca ter me contando que tinha um primo gostoso como aquele, quero dizer, quem tem a personificação do Adônis como parente e não conta nada para a melhor amiga? Quando ele já estava a passos de nós duas, pude notar o tom bronzeado de sua pele, e os reflexos loiros se misturando entre o castanho claro de seu cabelo. Os olhos tinham um tom de verde, que eu não me importaria de passar horas e horas encarando aquelas cópias fieis do mar mediterrâneo, e o mesmo acontecia com o seu sorriso, que em minha opinião era de molhar calcinha de qualquer mulher. Eu não sabia quem era o balofo do Timothy, mas sabia que tanto ele como Ruth, tinham feito um ótimo trabalho.
- Hey, prima, me diz qual é nome do sabichão que anda enchendo o seu saco, para eu enchê-lo de porrada. – E como se fosse um bônus para completar o visual, a voz dele não poderia ser melhor.
- Bem você o conhece melhor do que ninguém! Começa com e terminar com . – Ela deu um sorriso “fofo”, fazendo o projeto de Adônis rir, coisa que me fez arrepiar por inteira.
- Ele ainda não se tocou de que você não é pra ele? – Ele ainda ria, enquanto simplesmente dava de ombros, olhando para mim. – E quem seria essa?
- Essa, , é minha melhor amiga, ela esta morando com a gente até o ano letivo acabar. – sorriu, dando a língua pra mim.
- Para a minha infelicidade. – A voz que eu tanto odiava resmungou, me fazendo lembrar a pobre existência de , que me encarava sem nenhuma reação.
- Diga isso por você, primo, porque se eu tivesse essa “amiga” morando no mesmo teto que eu... Prefiro até não comentar. – E era oficial, de , eu tinha virado Tomate . – Prazer, .





Capítulo Cinco


- Como você teve coragem de fazer isso comigo? – Resmunguei tacando minha mochila de qualquer jeito em direção de , quando a mesma fechava a porta.
- Mas que porra!? – O grito de veio logo em seguida, quando para sua sorte e para o meu azar ela conseguiu pegar a mochila bem a tempo. – Primeiro a quase arranca o meu braço fora, e agora eu quase sou atacada por uma mochila matadora? Que eu sabia, é o meu irmão que merece a sua ira, não eu!
- Merece sim! Você escondeu esse projeto de deus grego de mim, que sou sua melhor amiga! Como pode fazer isso comigo? – Gritei de volta, fazendo soltar uma careta.
- Acredite ter o como primo não é nenhum motivo grandioso. – Ela deu de ombros, enquanto tirava seu tênis da Nike, junto com suas meias. – Ficar feliz porque eu tenho o na família, seria como agradecer a Deus por ter o como irmão.
- Mas, querida, se o seu irmão fosse tão gostoso como o seu priminho, eu não me importaria nem um pouco de conviver com mais um . – Sorri maliciosa, fazendo minha amiga me olhar um tanto cética.
- Por acaso, só por acaso, você já viu o meu irmão pelado? – Ela simplesmente deu de ombros, agora tirando a saia com a gravata, as trocando rapidamente por um short de malha e um chinelo de dedo. – Porque, minha amiguinha do coração, se você visse o meu amado irmãozinho peladinho, suspiraria como as meninas do primeiro ano.
- Que nojo, ! – Balancei minha cabeça tentando me livrar da imagem de pelado em minha frente. – E por acaso você já viu o seu irmão pelado sua tarada?
- Mas é óbvio né, , eu moro com aquele ser humano por quase dezoito anos, e ainda por cima eu divido o banheiro com ele. Então é meio que inevitável eu abrir a porta, e ele está, sei já, mijando ou tomando banho.
- Isso é incesto, você sabia né? – Resmunguei me levantando de sua cama, que até então estava jogada, quando constatei que minha amada amiga já tinha terminado de se trocar.
- Ai, sua nojenta, sai daqui e vai trocar de roupa que minha mãe já deve estar pirando com a demora.
Quando eu finalmente desci as escadas indo em direção à cozinha, o adorável cheirinho de bolo de laranja recém-saído do forno me enfeitiçou de uma forma que eu nem sabia descrever direito. A verdade era que eu amava a ideia de tia Lauren ser uma chef porque a comida daquela mulher era como um paraíso dos anjos.
Depois de meia xícara de café, tia Lauren perguntou para Ruth se ela não preferia conversar no escritório, parar dar mais espaço as “crianças”, o que na verdade significava que qualquer coisa que fosse discutida no escritório elas não precisavam de quatro adolescentes escutando.
- Então, o que aconteceu para você sair daquele buraco que chama de casa? – resmungou, se jogando na cadeira da mesa de qualquer jeito, com logo ao seu alcance.
- Fui expulso de mais uma escola, e minha mãe está apavorada no que possa acontecer comigo durante esse ano, e meu pai está mais preocupado com os valores da bolsa.
- Como é possível você ser expulso de quatro escolas diferentes em apenas dois anos? – resmungou, enquanto abria sua garrafinha de água. – Isso é alguma espécie de recorde que você deseja bater, ou alguma coisa assim?
- Na verdade, acredito que o povo daquele fim de mundo não saiba o verdadeiro significado de “pegadinha”, e acabam descontando a falta de sexo no único aluno que só quer se divertir.
- Acredito que dar aquele suco com corante vermelho para o menino mais neurótico da escola, e deixá-lo achando que ele estava mijando sangue, não foi lá muito divertido.
- Cala a boca. , babou tanto nessa brincadeira que ficou atentado em fazer com o seu tão precioso Sebastian. - resmungou, com aquele sorriso presunçoso que nunca sumia em seus lábios. – Mas ando pensando em fazer com outra pessoa.
- Você e aquele traste do nem ouse fazer nada com o Sebastian ou com algum amigo meu, estamos entendidos?
- Ou então você fará o quê? – levantou o nariz tentando mostrar ser mais superior, mas muitas vezes ele esquecia que também era uma .
- Eu só vou contar para a nossa tão querida diretora que quem colocou aquela bombinha na cadeira do senhor Burgess, foi nada mais e nada menos que você e os seus amiguinhos.
- Você e eu sabemos que esse caso foi arquivado. – rebatou com o mesmo sorriso nos lábios, mas dessa vez menos relaxado.
- Nada que novos suspeitos não façam o caso abrir novamente. – sorriu presunçosa. – E aposto que você não quer isso, não é mesmo ?
- Que seja, , que seja. – Ele respondeu de qualquer jeito, e logo senti seu olhar me queimando já que era bem comum ele se irritar com qualquer coisa e vim descontar em mim. – E você ? O gato comeu sua língua ou você se faz de boba mesmo?
- Não que seja do seu interesse, mas eu estava procurando isso. – Ergui minha apostila de biologia, que até então estava jogada em um banco vazio na cozinha que havia tirando hoje de manhã. – E acho que isso te pertence.
- O que... – E antes que ele conseguisse reformular uma frase, a apostila foi depositada com toda raiva e desprezo que estava sentindo desde o treino de manhã, em sua linda carinha de verme. – MAS QUE PORRA FOI ESSA, GAROTA?
- Isso é o seu “diário”, seu idiota, e se você quiser saber, na página quarenta e um tem um capítulo inteiro falando sobre você.
- Mas que porra. – resmungou baixinho, enquanto massageava o rosto com um braço e outro abria a apostila de mau gosto. – Vírus, vermes, e lombrigas?
- Pode escolher em qual categoria você se classifica, porque para mim não faz a mínima diferença. – Dei de ombros.
- Sabe , eu acho tão bonitinho você passar minutos e horas do seu dia pensando em alguns animais ou uns parasitas nojentos, para poder chegar e dar uma de inteligente ao tentar me insultar.
- Me faça o favor, , quando o meu mundo começar a girar em torno de você, levanta esses seus bracinhos molengas que você tem para os céus e agradeça por esse milagre vindo exclusivamente para você. – Rebati já entediada daquela conversa, e também porque eu sabia que restavam poucas palavras para eu dar um tapa na cara daquele verme.
- Bracinhos molengas? Por favor, se eu te jogasse na parede, e te prensasse com esses braços aqui, você não precisaria de muito para gemer o meu nome por uma semana!
- Faça um favor para a humanidade, , e vá se ferrar.
- Só se for com você, meu amor.
E deixando a imagem linda do meu dedo médio para aquele que eu considerava meu inferno astral, tentei sair calmamente da cozinha em direção à sala, em busca da única coisa que me acalmaria naquele exato momento. E com toda certeza, era Adam Levine sendo irresistivelmente sexy como jurado do The Voice.

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Já era fim de tarde quando os créditos do reality começaram a subir na tela preta da televisão. Suspirei ainda chateada pela última candidata, que em minha opinião havia cantando melhor do que muitos ali, mas que infelizmente não foi escolhida porque apenas o Blake tinha vaga no time, e aquele filho da mãe escolheu não virar a bendita cadeira.
- Você é literalmente uma manteiga derretida quando se trata de programa de talentos, não é não? – que até então estava jogada no chão riu, enquanto eu só dava de ombros concordando silenciosamente. – Sabe, Sebastian pode ser um sonho, não, ele é com toda certeza a padaria inteira! Mas meu Deus do céu, ele tinha que me obrigar a terminar o trabalho de química hoje, sendo que a entrega é só daqui duas semanas?
- Você sabia que 90% dos problemas dos estudantes adolescentes, são causadas pela insônia forçada por ter que fazer ou estudar para provas na madrugada? E como não dormimos o suficiente acabamos ficando irritados ou lesados. – Dei de ombros mais uma vez pegando meu celular para abrir o aplicativo do twitter, com a intenção de desabafar a injustiça que o Blake havia feito. – Acredito que deve ser por isso que Sebastian é a personificação de um monge.
- Monge para os outros! Porque ele já me mandou cinco mensagens em menos de dez minutos, perguntando a mesma coisa.
Eu até responderia que ela estava sendo uma ingrata já que ela ganharia um maravilho A+ só por ter o seu nome ao lado do de Sebastian. Mas o barulho da porta sendo aberta, e a imagem de , e entrando em casa com regatas completamente justas, e bermudas caídas me fez calar a boca imediatamente. Eu podia sentir um ódio descomunal por , e achar que sofria de algum distúrbio mental não diagnosticado, mas os dois ficavam extremamente gostosos e quentes com aqueles cabelos bagunçados por conta do suor. Mas de uma escala de zero a mil, não importava a posição dos dois, já que com toda certeza estaria no mil com aquele corpo esculpido, e com aquele sorriso ridiculamente maravilhoso.
- O que estão fazendo? – O Adônis, quer dizer, perguntou, enquanto se caminhava tranquilamente em nossa direção e em seguida se jogando no sofá ao lado do meu.
- Eu estou tentando fazer um trabalho que já deveria ter terminado se não fosse o meu “parceiro” que resolveu me encher de mensagens. – grunhiu bloqueando o celular que tinha acabado de se iluminar novamente. – Por Deus, eu vou matar esse infeliz!
- E o que você... – ia dizendo, até que um gritinho estridente estourou o tímpano de todos dali. – fazendo?
- , você está todo melecado! Que nojo, seu armário nojento. – A voz fina e doce, porém ácida de foi ouvida, fazendo tanto que estava na porta, quando o restante se virar em sua direção.
- , sempre tão doce. – sorriu, bagunçando os cabelos da mesma dando passagem. – E para o seu governo o meu tamanho é completamente normal, diferente do seu.
- Vai à merda, ! – grunhiu, entrando logo na residência dos ’s, deixando tanto eu como confusas.
Afinal, sempre ria do nosso descontrole quando e estavam por perto, mas como Sebastian, era a personificação de um monge com sua paz. Então o quão assustador era ver nossa amiga quase pular em cima de por uma simples piadinha?
- Nossa, o que o fez de tão errado para te deixar tão mal-humorada? – riu, deixando a bola de futebol que até então estava nos seus braços perto da porta, e em seguida a fechando a mesma com o pé.
- Mesmo que fosse da conta de vocês, coisa que por sinal não é, eu não contaria. E o amigo de vocês deve ser ótimo mesmo, para vocês já cogitarem que ele é o culpado de alguma coisa. – rosnou, caminhando em minha direção logo se jogado ao meu lado.
- Desculpa, florzinha, mas sempre quando eu vejo uma mulher querendo matar outra pessoa que não tem nada a ver com a história é porque ela não gozou, e... espera ai, o não te chupou direito, foi isso?
- O QUÊ?
- Meu Deus, esse um dia vai me matar de vergonha. – riu, passando as mãos no cabelo como se estivesse indignado. – Vamos ao meu carro rapidinho que eu resolvo o seu problema, a sabe dividir mesmo.
- Escuta aqui seu... – rosnou mais uma vez, fazendo gargalhar mais ainda.
- CHEGA! – gritou enquanto se levantava, começando a fechar suas apostilas com seus cadernos. – Vamos subir logo, e quantas vezes eu tenho que dizer que eu estou pouco me importando com quem você come ou deixa de comer?
- Mas...
- “Mas” digo eu, se você encostar esses seus dedinhos enrugados de tanta punheta que já bateu, em mim ou nas minhas amigas, eu juro por tudo que é mais sagrado, que eu corto o seu amigo enquanto você dorme. Quem sabe assim os seus dedos não voltam ao normal?
E eu sabia que eu se não levantasse naquele momento, seria que mataria e com o humor negro de ela com certeza ajudaria a esconder o corpo. Soltando mais um suspiro por ter minha paz interrompida, levantei calmamente puxando que até então continuava jogada no sofá. E quando finalmente a princesa decidiu se levantar, eu já estava pronta para segui-la.
- Ei, loira! – A voz grossa de soou, fazendo erguer o olhar em sua direção um tanto surpresa, agora se era por finalmente ter notado a presença do moreno ou se era por ver como ele era perfeito, eu já não sabia. – Se esse cara não se preocupou em te fazer gozar, eu faço! E faço muito bem!
E ali estava à boca de , jogada contra o chão, porque confesso que depois dessa proposta até eu estava de boca aberta. Por Deus, um homem desse não podia fazer uma proposta dessas tendo o corpo que tem... enfim, não pode. E era nesse momento que eu me perguntava o porquê daquela proposta não ter sido lançada para mim.
- E quem é você? – A voz firme, porém um pouco fraca de finalmente foi ouvida, e agora a loira não estava mais de boca aberta, apenas olhava com certa indignação e fascínio para , que ainda estampava um sorriso um tanto debochado.
- Prazer, , o primo mais gostoso que a poderia ter. – E agora começava a fazer sentindo a comparação até então estranha de , que era na verdade uma segunda versão de . E por Deus, eu estava rezando que aquilo fosse mentira.
- Por Deus, será que a sua masculinidade anda tão baixa, que você sente necessidade de cantar uma desconhecida só para se sentir bem? Por favor, mais amor próprio para você, querido. – não apenas me deixou de boca aberta, como todos ali presentes, menos , que ainda sorria em sua direção.
- Ah, princesinha, eu sinto muito que eu fiz você ficar com a impressão errada de mim. Minha masculinidade está no nível certo, obrigado por perguntar, e eu não tenho necessidade de cantar qualquer uma, eu apenas canto quem eu realmente quero na minha cama. E vamos ser sinceros, você está bem longe de ser qualquer uma! – Ele finalizou dando uma piscadinha em direção a , e logo voltando o mesmo sorriso de minutos antes.
- Vamos subir, por favor? – implorou, fazendo rir fraco segurando as mãos da mesma e logo subindo as escadas.

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Já fazia quinze minutos que estávamos no quarto de , continuava jogada na cama, rodopiava em sua cadeira perto da escrivaninha, e eu me apoiava perto da porta, caso alguns dos meninos quisesse invadir o quarto, coisa que o adorava fazer.
Eu já estava perdendo a conta de quantas vezes me lançava um olhar questionador, como se eu soubesse o que afligia tanto . Enquanto a mesma continuava olhando para o teto, como se as pequenas estrelinhas noturnas que havia colado quando era criança, fosse à coisa mais interessante.
- Eu não aguento isso! – bufou, jogando uma almofada em assustando-a. – Que merda que o fez?
- Porque todo mundo acha que o fez alguma coisa? – Foi à vez de bufar, fazendo tanto eu como rir.
- Deve ser porque ele é o único cara que faz você suspirar em seis e seis segundos, e sim, eu pedi para o Sebastian cronometrar. – Falei sorrindo, dando de ombro logo em seguida.
- A deve ter te contado... – começou encarando , que logo se levantou de sua cadeira indo em direção da cama, já que se encontrava sentada.
- Sobre colocar um suposto fim no relacionamento do ? Sim, ela me contou. – deu de ombro, pegando as pequenas mãozinhas de . – Eu não sei o que ele fez, mas estaremos aqui para o que você precisar!
- Eu ainda não acredito que ele fez alguma coisa. – Dei de ombros, quanto me lançava um olhar totalmente feroz. – Eu não tenho culpa se eu sou do time .
- Parece que você não é a única nesse time. – soltou um murmuro enquanto pegava seu celular na calça jeans justa. – Lisa fez questão de mandar uma foto para mim, e depois usou como desculpa que havia mandando para o número errado.
- ... – Comecei com meu discurso sobre como vadias como a Lisa, e o clube da Amber não prestavam. E era claro que Lisa tinha uma paixão mais do que assumida por , e faria de tudo para afastar .
- Sim, eu sei que a Lisa me odeia, e ela é tudo aquilo que eu já estou cansada de ouvir. Mas isso simplesmente não dá para negar. – balançava o celular em minha direção, enquanto eu saia do meu encosto para ir à busca do aparelho.
E definitivamente Lisa tinha subido de nível, a foto na verdade era uma selfie de Brandi com Amber, mas bem ao lado, Lisa e estavam em uma pegação de causar inveja para qualquer garota. Lisa usava um vestido justo vermelho, que eu poderia enxergar sua calcinha sem nenhum esforço. Já usava uma simples calça jeans e a jaqueta azul marinho do time. Realmente não tinha como achar alguma desculpa plausível para , já que o mesmo agarrava com total desejo os cabelos loiros de Lisa, e a própria tinha suas duas mãos apalpando seu abdômen.
- Mas isso é foto antiga. – basicamente gritou, puxando o celular da minha mão de forma brusca. – Isso foi na festa de comemoração do Josh, quando ele conseguiu aquele contrato de nadador profissional.
- A festa do Josh que aconteceu dois anos atrás? – Arqueei a sobrancelha, enquanto tentava raptar o celular novamente.
- Um ano e meio, . – deu de ombros, enquanto segurava o celular como fosse à coisa mais preciosa do mundo.
- E como você sabe disso? – questionou, também tentando pegar o celular de volta.
- Porque eu sei, ué!
- Devolve essa bosta logo. – Puxei o celular da mão de , tentando focalizar em alguma coisa que me fizesse lembrar a festa de dois anos atrás do Josh, mas a cena que eu me deparei não fazia total sentindo para mim.
No lado esquerdo de Amber e Brandi, Lisa ainda continuava aos beijos com , quase ocupando toda a foto, mas bem ali no cantinho direito ao fundo, se encontrava uma totalmente sorridente encostada na parede, e com o corpo totalmente colado ao seu, nada mais e nada menos que , que sorria abertamente para minha melhor amiga.
- MAS QUE PORRA É ESSA? – Exclamei dando o maior número de zoom possível na foto, despertando a atenção de . – ESSA É VOCÊ!
- EU SEI! – Ela exclamou de volta, enquanto bagunçava os cabelos, típico sinal de nervosismos. - MEU DEUS! VOCÊ PEGOU O ! O ! – berrava para quem quisesse ouvir, fazendo se jogar em cima dela em uma forma tipicamente bruta.
- Quer calar a boca? Ninguém pegou ninguém, ouviu bem?
- Isso é meio contraditório... – Balancei o celular em sua frente, enquanto ela voltava a bufar, deixando respirar.
- Eu estava bêbada, não lembro o que ele queria, mas com certeza eu não peguei nenhum!
- Esse sorriso não parece ser de uma pessoa que está dando fora em outra pessoa. – deu de ombros, avaliando a foto novamente.
- Eu estava bêbada, eu dou sorrisos melhores até para os mendigos na rua quando estou bêbada... E outra isso aconteceu há dois anos, não faz a menor diferença.
- Na verdade um ano e meio...
- Vai se ferrar, !
- Por que está tão nervosa? – indagou, fazendo bufar novamente.
- Porque estamos aqui para resolver o seu problema, não o meu! – pegou o celular novamente, tentando cortar a foto, onde tiraria ela e , coisa que ela não conseguiu. – Que inferno!
- Não é por nada não, mas como você pode esquecer o que aconteceu nesse momento, mas não esquecer que esse momento foi na festa do Josh? – Dei de ombros, fazendo ameaçar um soco que, talvez eu recebesse mais tarde.
- Deve ser porque todo mundo falou dessa festa por meses. – ia indagar alguma coisa, mas o olhar que a lançou a fez se calar rapidamente. – Agora porque as duas não param de dar uma de Ted Mosby, e vamos ao que interessa tipo um jeito do ver a merda que ele está fazendo?
- Pensei que havíamos chegado à conclusão que estava limpo. – Dei de ombros, fazendo concordar com a cabeça.
- Ele pode estar limpo agora, mas se não dermos um jeito do assumir seus sentimentos pela nossa linda , ele sempre vai ser um babaca que faz a Huck aparecer, e acredito que não queremos isso. – voltou a se sentar em sua cadeira giratória, a rodando em busca de alguma ideia.
- Se voltamos para o plano antigo? – Dei de ombros pela vigésima vez naquela tarde, mostrando que aquilo era o melhor que eu conseguiria, mas, na verdade, eu estava louca para esfregar o dedo na cara de e mostrar a grande merda que ele estava fazendo.
- O fato de vocês estarem resolvendo a minha vida amorosa, na minha frente, como se nem ao menos eu estivesse aqui, é estranho apenas para mim ou para mais alguém? – resmungou, voltando a se deitar na cama, enquanto eu jogava uma almofada em sua cara.
- ISSO! – gritou se levantando rapidamente de sua cadeira, enquanto a mesma ainda girava a fazendo cair. – Droga.
- Que tal respirar um pouco antes de continuar? – voltou a falar, ainda olhando o teto, fazendo bufar pela centésima vez.
- Enfim, nós vamos continuar no plano inicial, onde a vai provocar o nosso querido . Mas esperaremos o momento em que a Lisa irá atacá-lo.
- Como assim? Você vai deixar a Lisa chegar perto do ? Pensei que o plano era para fazer a Lisa dar o fora. – se levantou rapidamente indagando de uma forma extremamente fofa, acho que esse era o problema de , ela uma espécie de ursinho carinhoso com raiva.
- Esse é o objetivo, fazer Lisa atacar nosso pobre é parte do plano. – deu de ombros, como se aquilo fosse normal.
- Talvez eu não esteja gostando do plano. – desafiou, fazendo grunhir.
- Tenta esquecer esse amor estilo novela mexicana que você tem por ele, e apenas escute o plano. – puxou a cadeira giratória novamente, fazendo se sentar novamente na cama. – estará lá, Lisa estará louquinha para arrastá-lo a um quarto vazio, então você aparece.
- Gostosa. – Afirmei, fazendo abrir um sorrisão, igualzinho a tal foto que eu investigaria mais tarde. – , você pode ser a personificação de alguma princesa da Disney, mas hoje precisamos da irmã gostosa da princesa, aquela que só quer curtir. Consegue fazer isso?
- Sim, ser gostosa é essencial para o nosso plano. – fez uma caretinha, mas concordando de qualquer forma. – Quando você aparecer, a magia começa.
- Pelo amor de Deus, , tudo isso para a chegar linda e o largar a Lisa com cara de chão, enquanto prefere a ?
- Será que um dia vocês vão esperar eu terminar de falar? – Minha melhor amiga revirou os olhos, respirando fundo. – Então vai aparecer o cara, aquele cara que todas irão querer, fazendo todos os homens ficarem com raiva por não ser ele ai.
- Um cara?
- Um cara não, O cara. Quando ver com quem e como você está, vai se morder de ciúmes, fazendo você se impor. Então você usa suas aulas de teatros para dar um intimado no nosso querido , e nós duvidamos dele se impor a uma meiga e gostosa.
- Ok, ótimo plano, ótima imaginação. Mas onde diabos arrumaremos o cara perfeito que vai fazer toda essa magia acontecer?
- Eu acho que eu tenho uma ideia. – Soltei, fazendo um sacrifício interno por ter que doar meu Deus Grego para minha amada amiga.
- Quem? – Tanto quanto e me encararam, enquanto eu me arrastava de forma lenta em direção à escrivaninha.
- Seu primo, . – Dei de ombros, enquanto sorria de orelha a orelha novamente.
- Epa, eu nem conheço o seu primo. Tirando o fato que ele é um nojento e grosseiro, nem sabemos se ele topará esse plano de três garotinhas...
- Eu acho que o primo dela aceita. – E ali parado no batente da porta, com um sorrisinho completamente malicioso, estava nada mais que . – Então, o que eu devo fazer?

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Se eu fosse fazer uma lista de todas as coisas mais constrangedoras que eu já fiz na vida, repassar o plano com está, com toda certeza, no topo da lista. Quero dizer, além de aquele ser humano ser perfeito de longe, de perto ele era lindo, cheiroso e ainda todo simpático. E eu estava tentando explicar um plano que menininhas de quinze anos fazem, para chamar atenção no carinha popular do colégio.
Era claro que teve que dar aquele showzinho falando que aquilo não era preciso, e que ela não ia ficar se esfregando no primo de ninguém para ter atenção do . E também é claro que disse que mudaria algumas partes do plano para que ela ficasse confortável, mas, na verdade, o que ela fez foi falar “chega e já puxa pela cintura que ela se derrete fácil”. É realmente, se não fosse minha amiga, eu teria medo de tê-la como inimiga.
Eu havia combinado de nos arrumarmos na casa de , já que a mesma fazia questão de arrumar algum defeito tanto no plano, como em . E eu já estava a poucos minutos de pegar o para mim, e curtir a noite só nos dois. Mas o que não fazemos por nossos amigos?
morava em uma típica casa britânica enorme com vários andares, resumindo, morava em uma mansão. Era engraçado as várias vezes que já dormimos ali e os pais dela foram descobrir da nossa existência quando estávamos indo embora. sempre falava que se quisesse trazer garotos para casa, aquilo não seria nenhum problema. Mas era... bem era e para ela aquilo era um absurdo.
Agora se tinha uma coisa que eu não estava me importando era com a roupa de hoje, ao contrário de que estava surtando com toda opção que lançava, eu havia pegado as primeiras peças “apresentáveis” no meu guarda-roupa e estava feliz com aquilo. também não fazia nenhuma questão de que roupa iria, afinal, além de estar indo na festa da pessoa que ela detestava, ela conseguia ficar maravilhosa em até um saco de batatas.
- e aquele vestido que seu pai te deu de natal? – Tentei enquanto minha amiga fuzilava o próprio guarda-roupa.
- Aquela coisa velha? Por Deus, o mundo já me viu com aquela peça, que é capaz dele saber andar...
- Ah, eu desisto! – Ergui meus braços para os altos, enquanto sai do quarto de e indo em direção do quarto de hóspedes.
A verdade era que estava nervosa, e no começo eu entendia... na verdade, eu não entendia. Quero dizer, quando se tem um quase namorado como o e usar nada mais que para fazer ciúmes, você não fica nervosa, você fica excitada, muito excitada.
Mas era uma princesa e muito insegura, e só no fato de saber que iria para a festa com um cara gato para fazer ciúmes para sua grande paixão enquanto o mesmo dava em cima de uma piranha qualquer, que não poupava insultos, não era nada excitante para ela.
Enquanto eu deixava a bomba para , que não poupava os gritos no quarto ao lado, eu começava a me trocar. Já estávamos ficando sem tempo, quando finalmente observei meu reflexo no espelho, a calça skynny de cintura alta, com os rasgos no joelho, deviam bastar. E a blusa sem mangas e com listras, de gola alta com minha inseparável ankleboots, me dava um ar desarrumado. Isso deveria servir.
Quando voltei para o quarto, mordia os lábios de frente ao espelho, enquanto brincava com a barra da saia escura e evazê, aposto que estaria se perguntando se aquela blusa polo cor café, e as meias-finas haviam se adequado aos finos e altos saltos de seu scarpin.
- Todas prontas? – apareceu na porta do banheiro de , vestindo desleixadamente um jeans rasgado e um suéter de tricô verde-musgo, fazendo companhia para seus saltos cor nude. Como eu disse, ela ainda continuava parecendo uma supermodelo, na capa da Vogue.
- O quê? – chacoalhou a cabeça de frente ao espelho, se virando para nós duas. – Mas que porra... aonde vocês conseguiram essas roupas? E eu sou a única que vai de saia? Eu não quero ser à única que vai de saia, eu posso ser a otária da saia, já imaginou isso? A otária da saia?
- Por Deus, você não vai ser a otária da saia e nem de ninguém. Você está maravilhosa usando essa saia, se eu fosse você se casava com essa saia agora mesmo! – ia falando enquanto empurrava porta a fora, me fazendo apagar todas as luzes e pegar nossas coisas.

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Já estávamos cerca de vinte minutos na festa de Amber, vinte minutos de bebendo quase o estoque inteiro de bebidas, vinte minutos de Connor me mandando mensagens falando que Sebastian estava perdido pela milésima vez, e o mais importante, vinte minutos de reclamando sem parar.
- É oficial, estou me sentindo uma idiota aqui. – voltou a reclamar pela milésima vez. – Está claro que o seu primo não vem, e muito mais claro que o mudou de ideia sobre essa festa... talvez ele não venha porque eu disse que não viria, e ele...
- Não tenha tanta certeza disso. – a cortou, apontando o copo na direção de uma pessoa que havia acabado de chegar.
- O que... O que eu devo fazer? Dançar? Ir até o chão? Beijar alguém?
- Acredito que você possa fazer tudo isso, se mudar o “alguém” para “”. – Era impossível não reconhecer a voz de , e pela quinta vez no dia eu estava me amaldiçoando por não me chamar , e receber toda aquela atenção.
- Menos, amigo. Se a minha boca for encostar na sua, será para fazer aquele cara ali se arrepender dos pecados dele. – rosnou, fazendo abrir um sorrisinho sacana.
- Pensei que você soubesse que eu não me importo com isso...
- Chega vocês dois. – Me coloquei no meio dos dois, e pegando meu copo com uma caipirinha de morango, que estava mais para caipirinha de vodka com vodka do que outra coisa, e dei para . – Que tal um gole, hein?
- Você é louca? Quer deixar a menina bêbada agora? – sussurrou ao meu lado, enquanto fazia questão de dar mais do que um gole no meu copo.
- Você já viu o estado dela? Eu juro por Deus, que se ela abrir a boca para reclamar de mais alguma coisa, ela vai ficar careca. – Rosnei ainda baixo, para somente ouvir. – E outra, a bebida não vai deixá-la bêbada, apenas alegre e um pouco soltinha. – Dei de ombros, pedindo uma água com gás para o barman que rondava por ali, sim Amber havia contratado um barman. – Se ela for colocar o plano em prática tensa desse jeito, vai ser motivo de piada, e não queremos isso!
Depois de acabar com a minha bebida, segurei sua mão indo em direção à pista de dança improvisada, com alguns colegas de escola dançando por ali. No final o papel de de trazer para perto de nós não foi preciso, já que o mesmo estava parado a um canto qualquer conversando com uma Lisa seminua. Bingo!
- Acredito que os astros estejam ao nosso favor. – comentou, enquanto dançava os últimos acordes da música que tocava ao meu lado.
- Você não imagina como. – Sorri um tanto maliciosa quando os primeiros acordes de Haunted da Beyoncé começaram a tocar.
Não precisamos chamar , pois esse já estava na espreita esperando a melhor hora, e aquela com toda certeza era a melhor hora. Sem muito esforço logo se entregou a , o deixando conduzir. A única coisa que faltava era assistir, o que rapidamente me ocupei a fazer, porque estava curtindo ao lado de algumas meninas do time.
- Oi, . – Disse sorridente, arrancando uma careta de Lisa e um sorriso fofo do meu alvo.
- Hey, . – Ok, o que eu falo?
- Você sabe onde está o ? – Ok, de todas as coisas do mundo que eu poderia falar, eu solto isso? O quê?
- O ? – Você não é o único confuso aqui, .
- Sim, eu pensei que o havia visto na pista de dança, mas parece que ele praticamente sumiu. Pensei que ele tivesse vindo falar com você.
- Ou talvez ele tenha ido comer alguém. – Lisa tão simpática.
- Pista de dança? Não ele não veio aqui não, mas... – E foi tentando achar o amigo na pista da dança, que logo ficou mais branco do que a parede da sala da casa de Amber. – O que... O que ela está fazendo aqui?
- O ? – Lisa perguntou, tentando um pouco de atenção do seu alvo.
- Não. A . – Bingo parte dois!
- Bem, vou tentar achar ele. – Disse enfim, tentando sair de mansinho dali e deixar o show acontecer.
- Achar quem? – Escutei uma voz um tanto familiar atrás de mim, me fazendo arrepiar inteira.
Droga!
- Você! – Me virei, encarando o ser humano que sentia certa repulsa, mas que hoje estava especialmente... gato. – Você me prometeu uma dança.
- Eu prometi?
- Sim.- E com isso dei um tchau para , que nem ao menos notou, já que estava prestando atenção em uma certa loira na pista de dança.
E como fosse para atentar mais o meu casal favorito, The Hills do The Weeknd começou a tocar de uma forma remixada, fazendo tanto tirar uma casquinha de , com ela tirar uma dele. E enquanto isso, eu estava agarrada com nada mais do que .
- Se estava toda animada para dançar comigo, poderia prestar atenção em mim. – resmungou, me fazendo o encarar e me deparar com aquele olhar intenso.
- Olhe ao seu redor, , como eu disse o mundo não gira ao redor do seu umbigo. – Sussurrei em seu ouvido o fazendo arrepiar.
Não demorou muito para entender o que estava acontecendo, muito menos para me lançar um olhar nada bonito. Mas logo sua expressão suavizou, quando seu velho e típico sorriso malicioso voltou aos seus lábios, e eu sabia que alguém pagaria por aquele plano, e eu também sabia que seria eu.
- Isso não é nada bonito, você sabe. – riu, enquanto observava do outro lado da pista. – Eu poderia contar esse seu plano de oitava série para ele agora mesmo.
- Mas não vai. – Respondi com autoridade, o fazendo me encarar. – Você mais do que eu sabe que ele quer alguma coisa concreta, e sinto informar, mas minha amiga não é qualquer uma que aceita essa maneira “peculiar” que vocês têm. Então ou assistia a essa simulação ou ele vivenciaria a realidade. Eu deixo você decidir.
Dei uma piscadinha nada inocente para , enquanto me afastava um pouco em busca de ar. Qual é, eu podia xingá-lo e ter vontades homicidas quando estava perto dele, mas ele tinha que estar simplesmente... lindo? E com o mesmo sorriso, ele voltou a puxar minha cintura, agora colando de vez nossos corpos, ficando apenas centímetros de colar minha boca na dele. E naquele momento eu já não escutava mais The Weeknd, e mais ninguém, apenas .
- Sabe o que é engraçado? – Ele sussurrou de uma forma tortuosa, me fazendo suspirar.
- O quê?
- Mesmo brigando com você na maior parte do meu tempo, hoje eu só quero...
- Você só quer? – Forcei, soltando um suspiro sôfrego por estar tão perto do cara que eu achava que odiava.
Quer dizer, eu o odiava, certo?!
- Eu quero muito te beijar agora. – Empurra ele. Empurra ele. – E seria legal, se você quisesse isso também.
- Isso é você que tem que descobrir... – Sussurrei da mesma forma fazendo sorrir, e se aproximar mais um pouco mais dos meus lábios.
Mas antes de qualquer coisa acontecer, The Weeknd não tocava mais, e as pessoas já não falavam e sim gritavam. E com isso, tanto eu quanto nos separamos rapidamente, achando de uma forma bem escrota que nós éramos os culpados da bagunça. E é claro que estávamos enganados.
No meio da pista de dança, gritava com , e fazia questão de xingá-lo de volta. Enquanto isso tentava desesperadamente acalmar a briga que estava prestes a acontecer ou que já estava acontecendo. E eu e só sabíamos correr até o meio daquela confusão.
- Ei, que merda que vocês pensam que estão fazendo? – rosnou baixo, de uma forma que eles seguissem o conselho.
- Acontece que esse merda estava machucando a . – rebatou, não ligando para o conselho de .
- Eu o quê? Não começa, idiota, nós estávamos dançando, você deveria entender o significado de um fora. – rebatou, de uma forma desleixada, fazendo se arder de raiva.
- O quê? Ela é minha...
- Ela é o quê? Porque eu perguntei para ela se ela tinha namorado, e a resposta foi um sonoro não! Você é o que então, amigo?
- Eu sou... – Ok, só precisava cutucar a ferida, não enfiar o dedo inteiro nela.
- Chega vocês dois. – E com um puxão de braço, conseguiu rapidamente tirar os dois da pista de dança, e ainda fazer um sinal para o DJ continuar.
Eu tentava achar em busca de informações, mas essa estava mais perdida que eu no momento, a única que sabia da verdadeira história era , e essa estava correndo atrás de , resultando a gente correr atrás da mesma.
- , espera... – tentou segurar o braço da princesa, o que não adiantou.
- Não, , espera você, quer dizer, espera vocês duas. Eu sabia que isso não tinha sido boa ideia, eu sabia desde o começo! Agora acha que sou uma vadia, e o acha que eu sou... eu sei lá, o que o acha que eu sou. Mas acontece que para o cara que eu gosto, e para metade da escola, eu sou uma vadia.
E sem dizer uma palavra, continuou seguindo , deixando tanto eu como estáticas perto da cozinha. A verdade é que eu já não imaginava boa coisa do plano, afinal, a gente tinha a base inicial, tinha que ver que podia seguir em frente, mas o que aconteceria a partir disso? Bem, agora nós duas sabíamos.
Quando finalmente criamos coragem para voltar a andar, encontramos na grande lavanderia, parada perto da porta que dava caminho para o quintal, onde estava gritando ao lado de fora com e . Não era possível escutar o que eles falavam, mas pela expressão dos dois, não era nada boa.
- Você não vai até lá? – A cutuquei, chamando sua atenção para nós duas.
- O que adiantaria, além de fazer papel de boba? – suspirou, pegando uma garrafa de água com gás. – Eu quero ir para casa. Talvez Sebastian saiba o caminho para minha casa. A gente faz nossa festa lá mesmo, como sempre fizemos. A nossa festa sempre foi do Cheetos e Coca-Cola, não deveríamos tentar mudar isso.
- Claro. – falou rapidamente, em uma forma silenciosa de pedir desculpas pela bagunça.
- Cheetos e Coca-Cola uma ova. – Disse não esperando resposta de ninguém, apenas sai em direção a três garotos. – Ei, vocês!
- Ah não, , eu realmente não estou a fim de escutar seja lá o que a disse. – se levantou rapidamente passando a mão no rosto.
- Então escuta o que EU tenho para falar. Eu posso ter amigas doidas, amigas inteligentes, amigas de todos os sentidos, mas eu tenho amiga com sentimentos. E essa amiga, meu caro, tem sentimentos por você, seu babaca. Mas eu não posso falar nada, porque você prefere seguir um legado escroto, a assumir seus sentimentos por ela. E digo mais, eu não me importaria dela ter pegado o gostoso do primo do , porque é isso que você merecia. Sabe essa sensação bosta por ver ela nos braços de outro, ela sente isso praticamente todos os dias, quando a vadia da Lisa vem esfregar na cara dela que ela é apenas mais uma na sua lista.
- Eu...
- Olha nem tente, porque eu realmente gostava de você. , mas agora, eu realmente nem sei o que pensar. – Disse por fim, não deixando apenas e de boca aberta, como um totalmente sem palavras.
- Olha, eu sinto na obrigação de me explicar e...
- Não. Você se sente na obrigação de se explicar para uma garota que está ali na porta, observando toda essa merda, e não para mim. – Disse por fim, voltando em direção para uma em choque, e para uma com um sorrisinho presunçoso nos lábios.
Eu me sentia mal, quero dizer, eu realmente gostava do , e também queria que os dois ficassem juntos. E mesmo sabendo que o plano viraria uma confusão, e ainda por cima ter que jogar aquele monte de coisas para cima dele, eu acreditava que havia feito certo. Porque a regra sempre foi clara, ninguém mexia com as minhas amigas.
- Acho que podemos ir, não? – disse por fim, jogando a garrafinha de água de no cesto de lixo.
- ... – E atrás de estava nada mais que , com aquela típica cara de cachorro sem dono. – Será que... nós poderíamos... tipo... conversar?
- Depende? Vai xingar e fazer minha amiga se sentir pior do que já está? – interveio o encarando dos pés a cabeça.
- NÃO... Eu realmente só quero conversar com ela. – Se tinha uma forma de ficar mais vermelho do que já estava... eu precisava saber.
- Mande uma mensagem, ok? – Apertei os ombros de , que apenas chacoalhou de uma forma positiva, indo para fora com .
- Você vai deixar ela sozinha com aquele cara? Olha eu sei que você é team e tal, mas sério isso? – bufou, fazendo uma careta nada agradável.
- , nós duas sabemos que precisa se defender sozinha, e acredito que lidar com essa situação com , seja um ótimo começo. – Murmurei, encarando meu celular, e vendo que Connor tinha acabado de me mandar outra mensagem. – E acredito também, que Sebastian chegou.
- Eu te odeio. – Ela disse por fim, saindo em direção à entrada da casa, em busca do seu nerd encantando.
Quando os alunos do Saint Mary’s haviam dito que as festas de Amber subiriam de nível, eu não estava acreditando que nível seria aquele. E antes que eu pudesse pensar em fazer alguma coisa, a porta da lavanderia foi aberta novamente, e um da forma mais relaxada possível apareceu.
- O banheiro seria...
- Acredito que no fim do corredor você encontra um. – Disse sorrindo, o que eu podia fazer se o cara mexia comigo?
- Certo. – Ele sorriu sedutoramente, me encarando novamente. – E eu também te acho gostosa.
- Quê? – Ok, eu havia pensando aquilo alto ou ele lia mentes?
- Lá fora, quando você estava falando e falando, você me chamou de gostoso, e eu não tive a oportunidade de retribuir o elogio...
- Ah, sabe, o calor do momento, essas coisas... Mas, eu meio que, agradeço... eu acho. – Ótimo, sua imitação de retardada, é realmente muito boa, .
- Talvez, se você quisesse eu poderia... – E com o mesmo sorrisinho no rosto, ele foi se aproximando mais e mais, e...
- Atrapalho alguma coisa? – A voz de foi ouvida, fazendo se sobressaltar e dar um pulo para trás seguindo em direção ao corredor.
- Não, eu só preciso mijar. – E com isso, sumiu corredor a fora, me deixando de pernas bambas, com um totalmente emburrado ao meu lado.
- Ele te fez alguma coisa? – perguntou me deixando um tanto estática.
- Não, só perguntou onde era banheiro. – Dei de ombros, tentando parecer indiferente, coisa que não estava dando certo.
- Então por que ele estava tão perto de você? – Reclamou, me fazendo franzir o cenho.
- , por que de repente você se importa? Nunca foi de se importar com ninguém, imagina comigo...
- Acontece que antes eu não queria te beijar, e agora eu quero. E eu teria conseguindo isso, se não fosse o escroto do , que resolveu dar um show na pista de dança. E depois de ficar horas tentando ter uma conversa civilizada com aqueles animais, eu encontro a menina que eu continuo querendo beijar, praticamente agarrada com meu primo. – Ele deu de ombros. – Acho que é um bom motivo para me importar.
- Você quer o quê? – Perguntei estática, fazendo revirar os olhos.
- Só cala a boca, por favor. – E sem nenhum aviso-prévio, a mão direita de foi de encontro com minha nuca, puxando-me em sua direção, enfim selando nossos lábios.
Na mesma forma rápida que juntou nossos lábios, sua mão esquerda veio em direção a minha cintura, colando nossos corpos de uma maneira que não sabia ser possível. Não demorou muito para ele contornar meus lábios com sua língua, como uma forma de pedir passagem para mesma, e eu não recusei.
E foi naquele emaranhado de sensações, que eu só conseguia pensar que sabia muito bem o que fazer com a língua.





Capítulo Seis


Fazia vinte minutos que havia saído para conversar com . Fazia vinte minutos que Sebastian tentava acompanhar em uma dança estranha que ela pensava que estava arrasando. Vinte minutos que Connor falava sobre um assunto que eu não fazia ideia do que era. Vinte minutos que encontrei se agarrando com Yvonne em um canto qualquer. Vinte minutos que havia me beijado. Vinte minutos que eu havia retribuído o beijo de , e admitido que havia gostado. Fazia vinte minutos. E eu estava surtando.
Eu já não tinha controle do meu próprio corpo, meus dedos apertavam os outros em sinal de nervoso, meus ouvidos não captavam nenhum sinal, minha mente reproduzia apenas aquela mesma cena, e meus olhos... Esses tentavam achar de qualquer maneira.
Depois do beijo, ficamos mais cinco minutos nos encarando e tentando raciocinar que merda que tínhamos feito. E sem mais nem menos, ele simplesmente saiu da lavanderia sem dirigir uma palavra a mim ou até mesmo me olhar pela última vez. Confesso que uma parte de mim estava aliviada. Quero dizer, ele podia fazer uma piadinha, brincar com meu juízo, rir da minha cara de tonta ou qualquer coisa do tipo. Mas em compensação outra parte de mim estava profundamente magoada. E o que me preocupava era que a segunda parte estava ganhando.
- Então ele virou a segunda esquerda, e nós finalmente escutamos o barulho da casa. – Connor finalizou sua história, que imaginei que seria a sua aventura com Sebastian no volante, sorrindo orgulhoso de si.
- Não fique tão orgulhoso, até meu avô de sessenta e cinco anos que viveu toda sua vida em Brighton, sabe mexer melhor no GPS do que o Sebastian. E ele odeia a tecnologia. – Dei de ombros, como se eu estivesse realmente prestado atenção em toda a conversa.
- Bem, dessa vez eu me recuso a deixar você me desvalorizar. – Connor empinou o nariz me fazendo rir, eu era humana, e ele ficava simplesmente lindo quando fazia isso com o nariz.
- Longe de mim. – Levantei minhas mãos em sinal de rendição. – Mas vamos comentar o fato de você estar na sua primeira festa britânica e não estar com nenhum copo de cerveja barata ou alguma bebida com nome sangrento no meio.
Sorri de canto puxando Connor pela mão em direção à cozinha, já que era a maneira mais fácil de conseguir alguma coisa, pois a casa estava ficando cheia de bêbados e esses adoravam virar qualquer copo que aparecesse em sua frente.
Quando finalmente chegamos à cozinha, essa não estava barulhenta como os outros cômodos da sala, mas também não estava vazia como eu imaginei que estaria. Mas o que estava me incomodando, não era o número de bêbados se apoiando na parede, ou casais tentando se fundir na frente dos demais, e sim uma pessoa. Na verdade duas.
- Acha melhor voltarmos mais tarde? – Connor sussurrou em meu ouvido, me fazendo o encarar sem entender. – O irmão da está ali, e Sebastian me contou um pouco da sua relação nada amigável com ele, e atrapalhar sua noite é a ultima coisa que eu quero.
E ali encostado no balcão improvisado que os barman haviam feito, estava com Mary, mas conhecida como clone número três de Amber, no meio de suas pernas, e ambos sorriam um para o outro, principalmente quanto acariciava a coxa exposta da menina.
Foi como ganhar um belo de um tapa na cara. Enquanto eu, a babaca, estava preocupada e formando dez teorias em minha cabeça, como se o beijo havia ou não significado alguma coisa para o , o mesmo já estava nos braços de outra, tentando ganhar a noite. E o pior, eu tinha Connor ao meu lado os vinte minutos inteiros e simplesmente não aproveitei.
- Connor, a existência de chega ser um tanto quanto insignificante para mim. Eu já entendi que ele vai continuar tentando chamar minha atenção, mas isso não me impede de festejar com os meus amigos. – Sorri de lado, fazendo o mesmo abrir aquele sorriso que eu tanto babava. – Mas me fale, escocês, o que vai querer beber?
Continuei puxando Connor para o balcão que agora havia um barman para ajudar contra o desperdício de bebida, me fazendo ficar aliviada por saber que não demoraria muito para pedir a nossa bebida e sair dali, afinal, eu poderia estar ouvido meu lado racional e tentando voltar a de algumas horas atrás, mas eu não podia negar que uma parte de mim doía por ver Mary tão próxima de , enquanto o mesmo apertava suas coxas, do mesmo modo que apertou minha cintura vinte minutos atrás.
- O que vai ser? – O barman que tinha mais cara de ator de Hollywood do que de barman de festa de adolescente perguntou, deixando um sorriso de lado olhando em minha direção.
- Uma cerveja para o escocês. – Retribui seu sorriso, esperando abrir a cerveja de Connor e o entregar, ainda me encarando.
– E para moça, o que vai ser?
- Uma água, de preferência com gás. – Escutei a voz grossa de , me arrepiando logo em seguida, e também me fazendo o encarar.
Merda de corpo. Merda de voz. Merda de beijo.
continuava na mesma posição de minutos atrás, só que agora estava a poucos metros de mim e de Connor. Provavelmente se eu fosse a , eu iria sorrir de canto e comemorar internamente que ele estava se preocupando comigo, mas eu não era , eu não vivia em um mundo de contos-de-fadas onde tudo era perfeito.
- Espere a sua vez de ser atendido, . – Bufei, fazendo-o arquear a sobrancelha. – Um Bloody Mary, por favor.
Cerca de poucos minutos depois, meu copo vermelho já estava pronto, ainda me encarava de uma forma surpresa e carrancuda, Mary continuava arranhando levemente o pescoço de para esse ter alguma reação desejada, enquanto Connor implorava internamente para que saíssemos dali, provavelmente com medo de eu pular em cima de ou algo do tipo.
- Vem Connor, vamos dançar um pouco. – Voltei a puxar a mão de Connor, agora em direção à saída da cozinha, mas não tão rápido o bastante para deixar de escutar o diálogo atrás de nós.
- O que você acha de subir, e começar a esquentar as coisas por aqui?
- Eu acho uma ideia incrível.
E passando por mim, já se ia e Mary em direção as escadas e meu estômago em direção ao chão. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas eu não estava gostando de nada disso.

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Eu já não tinha noção da hora e muito menos queria ter, eu só sabia que voltou algum tempo depois com ao seu alcance falando que iria embora, e se alguém queria alguma carona, ganhando como resposta um uníssono de nãos.
Minha mente começava ficar turva, mas eu era forte para bebidas e sabia se eu bebesse uma Coca-Cola ou alguma água com gás eu já estaria lúcida novamente. Fazendo companhia para os lúcidos do grupo, Sebastian era o único que tinha parado com a bebida, isso porque tentou chegar perto de e essa simplesmente não impediu a aproximação.
Agora o nosso grupo era composto por um Sebastian emburrado com , bêbada chorona pedindo desculpa para Sebastian, Connor dançando a pior dança que eu já vi em toda a minha vida, e eu tentando acompanhar os passos do meu escocês preferido.
Sobre ? Esse já tinha deixado de ser importante depois de duas garrafas de cerveja. Se ele me beijou? Beijou. Se eu retribui? Retribui. Se ele deveria ter tratado a situação como um homem que deveria ser e não como um menino babaca? Deveria. Mas não tratou, e eu não iria me culpar e criar milhões de paranoias em minha mente porque me beijou e foi para a cama com outra. Era assim que agia, era assim que tinha que ser feito. Se eu fui uma estúpida por cair na lábia dele, não era problema de ninguém, apenas meu, e eu estava totalmente a fim de esquecer e voltar a minha vida normalmente.
- Eu preciso muito mijar – Connor gritou no ouvido me fazendo rir.
- Então era por isso que você está dançando estranho? – Voltei a rir, vendo sua expressão mudar de animado para confuso.
- Eu danço estranho?
- Você disse mijar? Eu te levo no banheiro. – Desviei do assunto, rezando para que ele tivesse tão bêbado como eu achava que estava.
Por Deus, , você quer pegar o escocês ou não?
Chacoalhei a cabeça enquanto pegava a mão de Connor e tentava arrastar aquele corpo molenga, porém definido em direção a um dos corredores. Eu sabia que havia um banheiro escondido por aqueles cantos, pois no começo da festa fez questão de afirmar que não usaria banheiros vomitados ou cheios de xixi fora do vaso sanitário.
Quando finalmente encontrei o banheiro, Connor correu em direção ao mesmo fechando a porta, não esperando minha resposta se eu queria ir primeiro ou se eu gostaria de acompanhá-lo.
Nota mental, o escocês fica mal educado e desligado quando fica bêbado.
Nota mental dois, deixar o escocês bêbado com mais frequência.

- Ora, ora, ora veja o que temos aqui. – Escutei aquela voz, que eu conhecia tão bem, próximo ao meu ouvido, me fazendo rezar para todas as forças superiores não me fazer arrepiar naquele exato momento.
- O que, Sherlock? Uma garota esperando sua vez para usar o banheiro? – Resmunguei como não quisesse nada, me encostando à parede, o que era uma desculpa para não cair ou demonstrar fraqueza.
- Não, minha querida Watson. Eu vi o escocês entrando no banheiro, e confesso que fiquei muito aliviado em não ver você entrando com ele. – E ali estava aquele sorrisinho presunçoso de volta ao jogo.
- Na verdade, Connor tem o estranho ritual de fazer xixi sempre quando quer comer alguém, então eu só estou aqui esperando. Depois eu te conto como foi. – Respondi, dando o meu sorrisinho sarcástico como resposta, vendo revirar os olhos em sinal de irritação.
- Por que não para com esse jogo e vem comigo?
- Que jogo? E ir com você para onde?
- Esse jogo de quem mostra menos interesse, enquanto nos dois sabemos que interesse é o que temos de monte. E ir comigo para um carro, um quarto, não sei, pode ser nesse banheiro mesmo, não me importo com o lugar, apenas quero estar dentro de você.
E no acesso da raiva, minha mão foi de encontro com sua linda face, onde logo a vermelhidão foi se espalhando, mas eu não iria prestar atenção naquilo. Dei um chute na porta do banheiro, fazendo Connor abrir rapidamente, aparecendo com a mão no feixe do zíper da calça, olhando para um com o olhar chocado e com a mão no rosto, enquanto eu mantinha a cara fechada como se fosse matar alguém naquele momento, e eu não duvidava daquilo. Cerca de cinco segundo se passaram, e Connor já estava com o zíper no lugar certo, e me puxando para bem longe daquele corredor.
Então era aquilo? Enquanto eu fantasiava uma paranoia em minha mente, estava mais interessado em me comer, e não importava o lugar, ele só precisava estar dentro de mim. Meu bem estar? Não existia. Meus sentimentos? Era apenas lixo. E ali estava àquela confirmação mais do que linda, eu era apenas qualquer uma como tantas da nossa escola que gostavam de serem usadas por . Tudo iria bem, se gozasse. Mas uma coisa eu tinha certeza, ele iria gozar... Só que bem longe de mim.

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- Eu amo você, nossa eu amo tanto você. – praticamente lambia o meu rosto, enquanto eu tentava abrir a porta de sua casa, para que nós duas pudéssemos entrar. – E você tem um corpo tão bonito, a gente deveria ter aquela experiência lésbica que todas as melhores amigas têm.
- Jesus, . – Sebastian sussurrou, enquanto tentava tirar minha melhor amiga de cima de mim.
- Ei, eu não estou falando que iria me tornar lésbica, estou falando que seria uma experiência a ser vivenciada. – sussurrou para Sebastian, enquanto eu finalmente consegui abrir a porta, fazendo a entrar sem nenhuma cerimônia. – Você e o Connor deveriam experimentar também.
- E sabe o que você deveria experimentar agora? – Perguntei, jogando meu celular e minhas chaves no pequeno pote que tinha na entrada. – Tomar um banho gelado e dormir, para podermos rir disso tudo amanhã.
- Eu odeio você. – E sem mais delongas, subiu as escadas tropeçando em tudo que era possível, até sumir de vista.
- Certeza que não quer ajuda? – Connor perguntou, enquanto nós três escutávamos a porta do banheiro bater e logo em seguida o barulho de água caindo.
- Ela já fez isso milhares de vezes. – Sorri de canto, enquanto agora acompanhava os dois em direção à porta. – Amanhã ela irá acordar soltando cerca de vinte e sete palavrões por minuto. Não tem nada que se preocupar.
Depois de agradecer a carona de Sebastian, e pedir mais um milhão de desculpas pelo vexame que adorava fazer quando estava bêbada, me despedi dos meninos, trancando a porta e tirando a minha inseparável ankleboots. Que eram lindas, mas que sabiam judiar de um pé quando era preciso.
Depois de ficar descalça e tentar estalar todos os ossos possíveis do meu corpo, caminhei tranquilamente em direção à cozinha, pegando uma garrafinha de água com gás, secando em menos de um minuto, pronta para subir as escadas e ver se minha melhor amiga havia se afogado no banho ou dormido em volta do vaso sanitário.
era aquela típica bêbada que piorava com a atenção, quando ela ficava sem plateia agia como nada tivesse acontecido. E como exemplo, eu tinha a minha melhor amiga de banho tomado, com apenas uma calcinha e uma regata surrada no corpo desmaiada na própria cama, sem ter dado nem ao trabalho de tirar a coberta ou os travesseiros antes de se deitar.
Depois de tentar arrumar o máximo que eu consegui, tomei um banho totalmente frio, saindo dali apenas quando meus lábios já estavam roxeados pela queda de temperatura. Na verdade, eu era uma das únicas pessoas no Reino Unido que era fã de um banho frio, mas depois dos recentes acontecimentos nem Jake Frots poderia me julgar.
Meu corpo poderia pedir por misericórdia, meus pés estavam planejando me matar da maneira mais cruel possível, e meus olhos já se fechavam sozinhos, mas eu insistia em descer as escadas em busca do celular que eu havia esquecido no pequeno pote de entrada.
Mas foi só no penúltimo degrau que eu me arrependi totalmente de ter voltado para pegar o aparelho, pois estava em casa, e nunca voltava para casa depois de uma festa.
- Oi. – Oi? Depois de tudo que passei eu recebo um oi?
- Oi? – Devolvi a saudação, o encarando um tanto quanto cética.
- A está bem? – Ok, era impressão minha ou estava fingindo que nada havia acontecido?
- Sim, tomou um banho e deve estar no oitavo sono. – Dei de ombros, terminando de descer as escadas para enfim pegar o meu telefone. – Boa noite, .
- Espera... eu preciso... falar... com você. – E ali estavam àquelas seis palavras que eu esperei a noite toda para escutar.
- Se for rápido. – Voltei a dar de ombros, tentando parecer desinteressada... só tentando mesmo.
- Sobre tudo o que aconteceu hoje a noite, preciso ser sincero que não consigo me recordar da metade, mas me recordo do mais importante. – Ele deu de ombros, respirando fundo antes de continuar. – Eu sei que fui um grande babaca com você, e sei que você me odeia mais do que me odiava ontem, por isso que eu estou disposto a esquecer de tudo que aconteceu entre a gente.
- Esquecer? – Sussurrei, ainda tentando entender o que aquilo significava... foi tão ruim assim?
- Sim. Não quero que pense que sou aquele sujeito escroto que vai se gabar para os quatro cantos do mundo que acabou de fazer, ou com quem acabou de fazer.
- Mas, , você é exatamente assim.
- Não com você. – Não comigo? – Você faz parte da família agora, , mesmo eu gostando ou não, família a gente não se gaba e sim protege.
- Ok, definitivamente você deve estar bêbado ainda. – Ri fraco, fazendo dar de ombros mais uma vez.
- Boa noite, .

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Estava em uma tempestade, no meio do oceano, em um barquinho velho de pescaria quase caindo aos pedaços. Eu não sabia como havia chegado ali, mas parece que aquilo não estava me preocupando no momento. Apenas aquela voz me preocupava, aquela voz rouca que chamava meu nome e me deixava com os pelos dos braços arrepiados. Aquela voz.
- Eu prometo não fazer mais isso com você. – Me virei bruscamente, enfim dando de cara com a voz que eu tanto desejava reconhecer o dono.
- , o que estamos fazendo aqui? – Sussurrei, notando que o seu olhar sereno fazia total contraste no meu olhar de pânico.
- Você é da família, não podemos fazer isso com as pessoas da família. – Ele voltou a falar, agora sorrindo entre as palavras.
- , mas que diabos você está falando? – Esbravejei, agora tentando alcançá-lo, mas eu já não saia do lugar.
E naquela hora o velho barco começava a balançar de uma forma totalmente medonha, me deixando um tanto apreensiva olhando para , mas esse continuava sereno dos pés a cabeça. Tão sereno que conseguiu tirar um baseado do bolso logo acedendo.
Ok, ou já havia fumado uns vinte daquele e por isso estava tão calmo por estar em um barco velho, caindo aos pedaços no meio de uma tempestade. Ou ele já tinha visto que nós iriamos morrer, e que àquela hora era ótima para um baseado.
- , por favor. – Implorei novamente, tentando alcançá-lo, mas sem sair do lugar. – Por favor.
- Acorde.
- ...
- Acorde.
- O quê? – Gritei, enquanto a imagem de começava a sumir da minha frente. – .
- ACORDA.
- Acorda, acorda e acorda. – Acordei em um pulo me deparando com uma cabeleira loira, pulando sem parar na minha cama, fazendo a mesma balançar e ranger.
Ah o barco.
- Acordei! – Grunhi, voltando a me jogar na cama, quando a cabeleira loira se mostrou ser uma totalmente animadinha.
- Finalmente, estava pensando que precisaria jogar um balde de água fria em você. – Ela suspirou, saindo de cima de mim, enquanto ajeitava o seu macacão de malha azul escuro.
- Que horas são? – Perguntei coçando os olhos com uma mão, enquanto tentava caçar meu celular com a outra.
- Exatamente meio dia e quinze. – sorriu como se tivesse ganhado o maior pirulito do mercado. – Sim, eu segui o código das amigas e só acordei você depois do horário combinado.
Grunhi irritada, enquanto me levantava da cama pegando o primeiro shorts jeans e qualquer t-shirt velha que faria par com meu short. Depois das peças escolhidas, caminhei em direção ao banheiro para minha higiene matinal, isso tudo com ao meu alcanço.
Ter irritada no seu lado era como andar em um campo minado, sempre em alerta para pisar em qualquer momento em uma bomba e fazer a terceira guerra começar. Ter ansiosa ao seu lado era como ter uma bêbada, ou seja, um bebê resmungão e inseguro que só sabe falar, falar e falar. Agora ter uma feliz e saltitante ao seu lado sem saber o motivo, era parecido como ter um filho de um ano que acompanha a mãe em todos os momentos... principalmente em banheiros.
- Tudo bem, chega! – Exclamei voltando para o quarto, fazendo dar um pulinho. – O que você quer?
- Nossa, é assim que se trata uma amiga que vem ver você depois de uma noite de bebedeira, toda preocupada com o seu bem estar? – Revirei os olhos em sinal de frustração. – Tá, talvez eu esteja aqui por um motivo a mais do que minha preocupação de amiga.
- Então porque você não conte para mim, o a mais dessa sua visita? – Resmunguei de volta, fazendo a mesma revirar os olhos.
- Precisamos acordar a outra. – Ela indicou com o dedão o sinal da porta, indicando que a outra significava uma com resseca pronta para matar e xingar quem quer que aparecesse na sua frente.
- Você me paga. – Suspirei, pegando meu celular no meio das cobertas, e colocando no bolso do short.
- Eu te amo. – cantarolou, me fazendo respirar fundo pela quinta vez naquela manhã.
- Ok, eu já acordei. – grunhiu, depois de subir e começar a pular em sua cama, quando a mesma anunciou que não estava a fim de saber qual era o motivo do sorriso que não saia do rosto da nossa amiga. – Meu Deus, garota, você transou por acaso?
- O... o quê? – Ela gaguejou, fazendo tanto eu como arquear as sobrancelhas em sua direção. – Vocês são loucas?
- Bem, isso explicaria a felicidade sem motivo. – Dei de ombros, cutucando minhas unhas, enquanto saia de cima da cama, e se sentava na mesma.
- Como vocês são mentes sujas. – A princesa grunhiu, fazendo tanto eu como rir, e ela corar mais do que já estava.
- Enfim, o que aconteceu?
- é um babaca. – Ela decretou, fazendo tanto eu como voltarmos a encará-la, exigindo mais explicações silenciosas. – Quando saímos para conversar, ele veio derrubando pilhas e mais pilhas de pensamentos machistas sobre mim, como se eu fosse ficar calada escutando que como aquilo estava errado, como era inaceitável outro homem dançar comigo sem ser ele, entre outros clichês. – bufou agora se jogando na cadeira giratória de . – É extremamente patético saber que ele tem essa visão sobre mim, é como assistir pela milésima vez aqueles filmes do século vinte, onde a mulher perfeita e bonita serve o cara e arruma a casa, enquanto as que preferem viver a vida tem que viver em um bordel dando prazer para... homens.
- Então você chutou o ? – perguntou um pouco confusa, coisa que eu também estava.
- Não vou mentir, mas minha vontade naquela hora era grande. – voltou a suspirar, como se estivesse vivenciando a cena. – Mas então eu percebi que eu não era uma mulher do século vinte, e que não era o único bonitão da cidade para que eu ficasse tão sedenta por ele. E acho que ele percebeu isso, por isso se desculpou.
- Foi sincero? – Perguntei alarmada, fazendo as duas me olharem. – Quero dizer, de nada adianta ele ter sido um grosso com você, para depois falar alguma frase bonitinha e você voltar à estaca a zero.
- Eu pensei nisso também, por isso tentei escapar dele três vezes. – voltou a suspirar, fazendo tanto eu como ficar apreensivas. – Acontece que a gente fez aquilo que mais precisávamos fazer, e de repente tudo se ajeitou.
- O quê? Sexo? – voltou a interferir, fazendo tacar uma almofada em sua cara e eu gargalhar em bom tom, para logo em seguida colocar as mãos na cabeça com a dor aguda.
- Conversar, eu quis dizer conversar. Nem tudo se resolve em sexo, suas ninfomaníacas. - deu de ombros, se ajeitando novamente na cadeira. – Só sei que depois de conversar muito, e tentar colocar o máximo de pontos nos “i’s” a gente chegou a uma conclusão.
- Que é... – Resmunguei, ainda segurando minha cabeça.
- Nosso primeiro encontro. – sorriu de orelha a orelha, fazendo revirar os olhos.
- Vai me dizer que vocês nunca tiveram primeiro encontro?
- Se pegar atrás das arquibancadas não é um encontro. Se “esbarrar” no bar do Mark depois da aula não é um encontro. Olha, eu esperei isso por meses, então eu acho que eu tenho direito a um jantar em um restaurante italiano no coração de Londres, com uma boa taça de vinho, e um bom prato de macarronada.
- Meu Deus. – Suspirei, arrancando olhares das duas em minha direção. – Você acabou de falar que o seu encontro perfeito é a encenação da velha e maravilhosa cena da Dama E O Vagabundo. , você literalmente nasceu de uma historia da Disney.
- Vá se ferrar, .

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Fechei meus olhos pela nona vez só naquele segundo, encostando minha cabeça na pequena barra da escada de incêndio. Eu sabia que quando fosse abrir encontraria as estrelas sorrindo para mim, isso antigamente costumava me acalmar, mas parecia que encará-las hoje só trazia más lembranças.
Era inevitável não se lembrar de mamãe nessa situação, ela mesma dizia que para pensamentos negativos não invadirem nossa mente, devemos estar cercados por pessoas que amamos. Mas estava um pouco complicado estar perto daqueles que amava.
Depois que foi embora com a desculpa que iria encontrar a roupa perfeita para o encontro que aconteceria hoje à noite, foi logo se ajeitando para pedir milhões de desculpas possíveis para Sebastian sobre o seu comportamento de ontem à noite. Tia Lauren estava na cozinha preparando o jantar, mas eu não queria encher a minha segunda mãe com problemas de adolescentes, sendo que ela já tinha dois que faziam esse papel. Meus pais estavam em outra cidade, e se eu entrasse em contato com eles naquela situação, eu teria uma passagem de trem em minhas mãos e menos de cinco minutos. E enfim , que havia saído para uma partida de futebol com e , mas esse não fazia tanta diferença.
Suspirei novamente, tentando afastar qualquer pensamento em minha mente, já que logo começaria a chorar feito uma garotinha, e aquilo estava fora de cogitação. Chorar por ele novamente não fazia parte dos meus planos há meses, e não era por conta de um comentário idiota de Mary que eu iria voltar à estaca zero.
- Ei, você. – Se escutar a voz que me assombrou a noite toda, e inclusive invadiu meus sonhos já era difícil, naquele momento estava três vezes pior. – Você está bem?
- Sim, eu estou... bem. – Dei de ombros, encarando o dono da voz, que agora tinha trocado a regata preta da Adidas por um moletom surrado branco. – O jantar está pronto?
- Está quase... eu só queria saber se você estava bem. – Ele deu ombros, me fazendo o encarar um tanto cética. – Eu te disse ontem, , família a gente não se gaba e sim protege... O que houve?
- Porque você acha que “houve” alguma coisa? – Resmunguei na defensiva, agora encarando minhas pantufas coloridas, do Sullivan, que eu havia ganhado da última vez que fui para a Disney parisiense.
- Porque esse era o esconderijo da do “eu não estou bem”. – Ele voltou a dar de ombros. - Ela podia se trancar no quarto e ficar por horas lá, mas se subisse para cá a coisa era séria.
- É, eu sei. – Sorri de canto, me lembrando de quantas vezes encontrei choramingando sozinha nesse mesmo cantinho.
- Então, o que aconteceu?
- Apenas um comentário idiota... coisas de menina. – Dei de ombros, voltando a abraçar meus joelhos enquanto apoiava meu queixo no mesmo.
- Me conte, e eu avaliarei se é idiota ou não. – Senti seu cheiro antes mesmo dele se sentar ao meu lado. – Sua mãe é terapeuta, certo? – Concordei levemente com a cabeça. – Eu sou praticamente especialista em terapia, já fui quase a todas que você possa imaginar. Mas o ponto que eu sempre escuto, é que guardar uma coisa que te faz mal, é suicídio. Liberte-a, não importa se seja chorando, falando, gritando, apenas liberte. Liberte para ser libertado.
- Desde quando você se tornou conselheiro? – Sorri de canto, sentido que ele também sorria.
- Ora, eu falei para você que sou uma espécie de especialista. – Ele voltou a dar de ombros, agora me cutucando na cintura. – Vamos, liberte esse comentário.
- Lembra quando o estourou com a quando ele a viu dançar com o ? – Perguntei, não esperando sua resposta para continuar. – No meio da confusão eu escutei a Mary dizer que a nossa especialidade era dar uma de santa, enquanto todo mundo sabia da verdade.
- Escuta, Mary faz de tudo para poder machucar ou magoar alguém se ela estiver infeliz. E bem, ela sempre está infeliz. é um amor de pessoa, sei disso porque convivo com vocês mais do que deveria conviver. – riu fraco, logo continuando seu raciocínio. – Se sua preocupação for o que vão pensar da por conta dessas historias, fique tranquila, vai tomar conta disso.
- não era a referência... eu era. – Voltei a falar, agora sentindo a voz franca e arranhada, sabendo que o choro já estava à espreita.
- E porque estavam falando de você...
- Mike.
E ali estava aquele nome que eu evitei falar por meses e mais meses. Aquele nome que até então só me trouxera dor e sofrimento que eu ainda não acreditava ter passado por tudo aquilo, só por um cara. Em ato de reflexo, voltei a fechar os olhos com força, tentando a qualquer custo bloquear os pensamentos e lembranças que eu tinha daquele verme, mas minha mente não parecia querer obedecer.
- Aquele verme não é mais um problema. – sussurrou, enquanto me puxava de lado, fazendo minha cabeça tombar em seu ombro. – Eu prometo que Mike nunca vai ser um problema.
E ali naquela escada, nos braços de , eu nunca havia me sentindo tão segura como naquele momento.





Capítulo Sete


No domingo recebi uma mensagem da minha mãe avisando que ela estaria em Londres, e que os planos seriam compras e mais compras. Mesmo mamãe não falando, eu sabia que ela sentia uma onda forte de remorso por ter me deixado sozinha em Londres, enquanto ela seguia sua vida com o meu pai em Brighton.
Mas era impossível não sentir falta daqueles nossos momentos, onde comentávamos sobre nosso dia, falávamos de bobagens, fofocávamos sobre pessoas aleatórias e por ai ia. Minha mãe não precisava ser mágica para saber que alguma coisa estava errada comigo, mas ela também não forçou que eu falasse em momento algum, apenas me deu apoio e mostrou que estava ali. Isso era uma das coisas que eu mais amava nela.
Lembrar-se de Mike era sempre difícil para mim, é difícil quando uma simples pessoa destrói sua vida de uma forma nojenta como Mike fez. São esses tipos de pessoas que você não deseja lembrar, mas eles sempre deixam uma marca na sua história, e Mike era campeão de fazer aquilo.
Se foi uma surpresa o fato de ter me consolado? Totalmente. não saiu do meu lado até eu confirmar seis vezes que eu estava bem, e que só precisava de um tempo para me recompor. Quando voltou do seu momento “humilhação Sebastian me perdoa”, como a mesma nomeou, eu havia resolvido que não contaria o incidente para ela. tinha certas oscilações de humor quando o assunto era alguma pessoa que ela não gostava, e Mike era a última pessoa do mundo que aceitaria, e ainda afirmava que se ele estivesse pegando fogo e ela estivesse com um copo de água, ela faria questão de beber.
Segunda-feira começou mais rápido do que o esperado, e ali estava eu na nossa mesa com a cara totalmente enfiada em minha blusa reserva com os olhos fechados recebendo os primeiros raios de sol que Londres poderia me oferecer. Enquanto brincava com os filtros do snapchat,, rindo algumas vezes de um ou exclamando o quanto ela estava gostosa em outros.
- Olha esses cílios! – ela exclamou colocando o celular na minha frente, fazendo o filtro focalizar em mim, e eu virar um leão, urso, ou qualquer espécie não definida. – Se eu tivesse apenas um terço desses cílios, eu não teria autoestima baixa nunca mais.
- Você não tem autoestima baixa... – Resmunguei, voltando a enfiar a cara no meio da minha blusa.
- Eu tenho meus momentos. – Eu não precisava estar de olhos abertos para saber que estava dando de ombros ou revirando os olhos. – E se prepare para longos surtos, porque ali vem a .
teve seu primeiro encontro com no sábado à noite, e não obtivemos uma resposta no domingo. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem no whatsapp ou qualquer coisa do gênero, apenas um completo silêncio. achava que o encontro tinha saído do jeito que havia sonhado, e isso acabou resultando a uma noite de sexo, mas ambas sabíamos que não iria para cama com ... por enquanto.
- Ora, ora se não é a nossa menininha crescida, . – voltou a me cutucar, me fazendo levantar a cabeça a tempo de ver uma totalmente... desleixada se não fosse o uniforme que éramos obrigadas a usar.
- O que foi agora? – E foi naquela nota aguda vindo da boca da nossa princesa que eu soube que o encontro havia sido tudo, menos perfeito.
- O que o fez agora? – bufou bloqueando o celular e encarando uma que jogava de qualquer jeito sua mochila da Marc Jacobs.
- Por que ele precisa fazer alguma coisa necessariamente? – voltou sua atenção em nós, com aquele olhar de Scott Summers, mais conhecido como Ciclope. – Se vocês sempre o julgam quando alguma coisa não está certa, por que deixaram eu me envolver com ele?
- Escuta aqui, se você quer dar uma de revoltada com a sua Marc Jacobs e culpar o céu, a terra e o ar pela desgraça que você passou, pode ficar a vontade só que longe de mim de preferência. Ou você pode contar de uma vez por todas o que diabos aconteceu e parar de drama. – Rosnei de raiva, enquanto uma assustada me encarava e uma com os olhos cheios de lágrimas estava de cabeça baixa. – Então o que vai ser?
- Foi um desastre. – sussurrou, deixando algumas lágrimas descerem por suas bochechas. – O é tão estúpido, tão... tão... tão idiota. Eu não entendo porque eu tento fazer isso dar certo, sendo que claramente isso não vai dar.
- Ei, por que não conta o que houve? – tentou, enquanto oferecia sua squeeze azul, ao mesmo tempo que eu apenas segurava uma das mãos trêmulas de , e me julgava internamente por ter sido uma escrota com a própria. – O que de tão ruim aconteceu?
- Seu primo aconteceu. – rosnou baixinho, enquanto dava pequenos goles na squeeze azul de . – Bem, a culpa na verdade foi dos dois, claramente. Estava tudo ocorrendo perfeitamente, até o seu primo chegar, e a partir desse momento tudo virou um inferno. – fechou os olhos com força, fazendo outras lágrimas caírem com pressa. – acabou me cumprimentando normalmente, ele estava indo jantar com uma senhora, e foi a partir do momento que os lábios de tocaram minhas bochechas, virou o inferno na Terra.
- Como assim? – Perguntei baixinho, querendo chamar o mínimo de atenção possível, já que aquele horário o pátio frontal começava a ficar extremamente cheio.
- O fato de eu ter aceitado o cumprimento do seu primo, foi para à mesma coisa de eu estar fazendo sexo sentada no colo de . começou a ficar amargo, seco, frio, se eu perguntava alguma coisa era como eu estivesse conversando com as paredes, o pior mesmo era quando ele resolvia responder daquela forma fria que me fazia sentir que eu havia cometido um dos crimes mais perversos. – suspirou irritada. – Não foi questão de tempo para o perceber que a situação na nossa mesa não estava nada bem, e ele acabou achando engraçado provocar o mais ainda.
- O que de fato aconteceu, ? – Perguntei impacientemente, sabendo que o pior ainda estava por vir.
- O fato é que o ficou tão puto, mais tão puto, que ele me acusou de traição. Voltou na história do beijo da festa, e jogou na minha cara o quão infantil eu era, e se eu estava querendo tanto um relacionamento que eu começasse a mudar meus atos para merecer estar em um. – rosnou, apertando minha mão com uma ligeira força nada cuidadosa. – E como se não fosse o bastante, ele simplesmente saiu, pagando a parte da conta dele e me abandonando naquela merda de restaurante italiano, tendo que me fazer ligar para Willian me pegar.
Talvez eu não tivesse entendido direito por conta dos cinco episódios de Teen Wolf que eu havia assistido pela madrugada, mas havia acabado de provar que era um babaca, ou melhor, o rei da escrotice. Nossa mesa estava em silêncio por exatos cinco minutos, estava de cabeça baixa, enquanto estalava todos seus dedos da mão, mostrando sinal de nervoso e impaciência. Eu tentava desmanchar qualquer cena perfeita que eu tinha montado em minha mente onde e protagonizavam como casal perfeito. E , estava na posição que iria atacar alguém, e olhando para seu campo de visão, pela primeira vez eu iria deixar ela realizar tal ato.
- Eu vou matar esse babaca. – rosnou, quase se levantando, freando apenas pelo puxão que havia dado nela.
- Escute, eu sei que vocês querem matar, torturar, xingar o nesse exato momento, eu fico muito feliz por ter amigas como vocês, mas eu realmente não quero ver, falar ou ouvir o nunca mais. morreu para mim no exato momento que atravessou a porta do meu restaurante favorito, no exato momento que manchou minha noite como a pior noite de todas, então pelo amor que vocês tem por mim, matem o perfeito que tem dentro de vocês e vamos agir como nada tivesse acontecido.
- , ele te abandonou! – Exclamei irritada, recebendo algumas atenções indesejadas. – Perdeu alguma coisa aqui, agora?
- , por favor. – voltou a apertar minha mão chamando minha atenção. – Por mim, por favor!
- Está bem, mas se esse... esse... esse moleque chegar perto de mim, ou pior de você, eu não me responsabilizo perante meus atos. E eu vou sim matar esse canalha, que me apareça com esse merdinha pra ele ver. – rosnou, se levantando com sua bolsa esperando que nós duas a acompanhássemos para a entrada do colégio, já que faltava apenas dez minutos para o sinal bater.
Como de costume, a entrada do colégio ficava ao lado da mesa onde o bando do e de Amber gostavam de ficar. Alguns dias atrás eu rezaria mentalmente torcendo para que me deixasse passar por ali tranquilamente, mas desde os acontecimentos da festa pela primeira vez não era o problema e sim . Coisa que percebeu rapidamente nossa reação e fez questão de trocar de lugar com para que ela passasse ao lado da mesa e não uma assassina e sua cúmplice.
Mas antes mesmo de nós três conseguirmos alcançar a escadaria da entrada principal do colegial, uma sombra alta e com o melhor perfume que eu já havia sentindo fez nós três frearmos de repente. E ali parado na nossa frente, com os cabelos totalmente desgrenhados, com o uniforme habitual masculino do colégio Saint Mary’s Secondary School, que era um tanto parecido com o nosso, mudando apenas a saia por uma calça social, e adicionando um suéter azul petróleo em cima da blusa social com a gravata de sempre, estava .
- Oi, meninas. – nos saudou com o habitual sorriso de lado, recebendo uma bufada de , um desvio de olhares de , e uma cara de tonta vindo por minha parte.
- O que você quer? – rosnou, ficando em forma de ataque pronta para brigar com quem ela precisasse. – Ou melhor, o que você está fazendo aqui com esse uniforme?
- Calma ai, baixinha, eu estudo aqui agora. – Bem, talvez Deus estivesse escutando minhas preces. – E eu vim aqui falar com a .
- Eu acho melhor não. – Me impus pela primeira vez na frente daquele Adônis perfeito, que pagasse minha conta da cantina hoje.
- Olha, eu sei que vocês querem protege-la, e eu acho legal essa irmandade de “quebrou o coração da minha amiga, eu quebro a sua cara”, mas eu estou aqui apenas para me desculpar. – se aproximou apenas um pouco de , dando espaço para ela fugir dali e também para que nenhum aluno curioso prestasse atenção na aproximação dos dois. – , fiquei sabendo do que houve, e bem, eu meio que vi o que houve, e eu realmente sinto muito. Nunca foi minha intenção causar o estrago que eu causei no sábado, para mim era tudo uma grande brincadeira, e eu realmente não estava prevendo que o mauricinho ali iria agir daquela forma com você. Mas para ser sincero? Você fica bem melhor sem ele, se ele não aguenta o tipo de mulher forte e decidida que você é, existem milhares que aguentam, e que vão fazer de tudo para tornar você à mulher mais feliz do mundo. Fique bem.
E da mesma forma que chegou, ele se foi, sumindo em minutos na entrada do colégio. Deixando uma com a maior cara de interrogação da história, uma com os olhos lagrimosos e eu suspirando com certa inveja boa de .
- ? – Chamei, recebendo apenas um murmuro que ela estava ouvido. – Eu já disse que queria ter sua vida?
- Mil vezes. – respondeu, agora voltando a me encarar.
- Pois bem, agora são mil e uma. – Com isso, riu pela primeira vez naquela manhã, fazendo tanto eu como sorrirmos em resposta e finalmente rumarmos para a entrada do colégio.

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Minha primeira aula naquela semana seria química teórica, coisa na qual eu não me importei muito, já que Sebastian era o meu parceiro e ele tinha o pequeno defeito de fazer tudo sozinho, e ai de mim se tentasse ajudá-lo, então passei a aula inteira mandando mensagem para sobre o que deveríamos fazer para animar a , o que se resumia em maratonar mais uma vez Gossip Girl e encher a cara de pizza e coca ou ir ao cinema assistir Mulher Maravilha, apesar de que eu queria mesmo era assistir Homem-Aranha para ver o gostoso do Tom Holland em ação, mas de acordo com , o melhor seria ver a maravilhosa da Gal Gadot exalando empoderamento.
A aula de química acabou um tanto rápido, o que significava que eu teria história. Despendi-me rapidamente de Sebastian notando certo mau-humor do meu geek favorito, pensei que já tivesse resolvido isso quando ela disse que pediu desculpas e fez juras de amor quinhentas vezes, porém mais tarde eu falaria com ela sobre isso.
A aula de história era uma das únicas aulas que eu dividia com os irmãos ’s, o que resultava sempre uma alfinetada aqui e outra ali, sempre por parte deles, nunca por minha. chegou cinco minutos depois de mim, logo se jogando ao meu lado falando que era melhor a gente decidir o que iriamos fazer, porque estava definhando com aquele rompimento, se é que podemos chamar assim.
Não demorou muito para chegar daquele jeito molenga dele, arrancando suspiros de algumas meninas e dando um sorrisinho de lado para outras, coisa no qual me deixou um tiquinho incomodada, mas não daria atenção para isso agora. foi logo se jogando na cadeira atrás de mim, que também era a cadeira que os colegas do lacrosse sempre guardavam para ele. Eu não estava reclamando, mas entre tantos lugares perto dos colegas de time, precisava justamente guardar bem atrás de mim?
- Qual é a sua, ? – rosnou de uma vez, dando um giro de 360 graus para encarar o irmão que até então estava com um belo ponto de interrogação.
- O que eu fiz agora, ? – devolveu o rosnado de com uma bufada, logo se preocupando em abrir a apostila na página que o Sr. Jenkins havia anotado no quadro.
- e . – reclamou baixinho, como se aquelas palavras explicassem tudo.
- E o que tem os dois? Eles tiveram aquela bobagem do encontro mais esperando do ano, e o que eu tenho haver com isso? – deu de ombros, voltando a folear as páginas de sua apostila despreocupadamente.
- O quê? , abandonou a depois dela simplesmente falar oi para o quando ele foi jantar com a tia Ruth. – sussurrou baixinho, afim de não alarmar os fofoqueiros de plantão da nossa escola.
- Como assim abandonou? O que o tem haver com isso? , do que você está falando? – suspirou fundo, finalmente olhando para nós duas.
- O chamou a para sair, mas foi só o aparecer no encontro que ele virou um babaca e a abandonou sozinha no restaurante, sem mais nem menos, alegando que ela tinha o traído com e que se ela quisesse um relacionamento, que parasse de agir como uma infantil. – Soltei de uma vez, da forma mais baixa que eu pude, enquanto me encarava um tanto quanto cético.
- Ok, eu irei matar esse desgraçado. – E sem mais explicações, abriu finalmente na página pedida enquanto o professor iniciava a aula voltando a falar sobre Henrique IV, deixando eu e com caras de tontas.
A aula de história não teve outros acontecimentos, a não ser uma extremamente curiosa que cutucava a cada sete a sete segundos perguntando o que ele iria fazer e porque ele iria fazer alguma coisa. O que resultou a dar um tapa na cabeça de recebendo uma advertência do professor e alguns olhares curiosos em nossa direção.
Já no fim da segunda aula, foi o primeiro a arrumar todo o seu material e caminhar apressadamente para o intervalo, enquanto eu e encarávamos a porta recém-aberta por ele com a maior cara de interrogação do mundo.
- O que deu no seu irmão? – Resmunguei enquanto fechava lentamente minha apostila afim de que minhas anotações não voassem, já que eu fazia sempre questão de esquecer meus post-it em meu armário.
- O que deu em vocês? – retrucou de volta, me encarando com suas perfeitas sobrancelhas arqueadas, me fazendo olhá-la com certa lentidão enquanto tentava acalmar a escola de samba que estava acontecendo dentro do meu peito.
- O... o quê? Como assim? O que eu fiz? – Gaguejei. com toda certeza havia visto o meu beijo com o irmão dela na lavanderia de Amber, e do nosso momento “fofo” na sua velha escada de incêndio, e eu com toda certeza estava ferrada.
- Ué, ele sentou atrás de você e não rolou nenhum comentário obsceno ou um “vai se ferrar, ”! – se levantou, ajeitando suas apostilas no braço, esperando eu me levantar também. – Tem alguma coisa que queira me contar?
- Ué digo eu, né, , não vejo você praguejando milhares de palavrões para o há séculos, e se eu me recordo à última vez que eu vi vocês juntos, foi na festa da Amber onde você estava bem animadinha para o lado dele. – Dei de ombros, começando a rumar para a saída da sala.
- Vamos focar na , que tal? – bufou, me fazendo rir... de alivio por deixar aquele assunto enterrado.

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Quando finalmente eu e deixamos nossas coisas em nossos armários e rumamos para a cantina, encontramos aquele lugar que era quente e confortável cheio de pessoas molhadas, gritando e espalhadas por diferentes cantos.
- Ah, não me diga que está chovendo! – Exclamei chorosa, encarando os pingos grossos de água que batiam nas grandes janelas transparentes da área da cantina.
A cantina era por incrível que pareça o lugar mais calmo na hora do intervalo da nossa querida Saint Mary’s Secondary School, pois por algum motivo secreto a maioria dos alunos preferiam fazer alguma coisa no lado de fora do colégio e não no lado de dentro, mas isso mudava completamente de contexto quando chovia.
- Sim, infelizmente está chovendo. Sebastian está segurando nossa mesa, vamos pegar logo nosso lanche para que ele e Connor possam comer também. – apareceu puxando levemente minha mão, enquanto eu puxava a de em direção à fila da cantina.
Pagamos nossa comida tranquilamente e seguimos em direção a nossa pequena e aconchegante mesa, isso se não tivesse parado no meio do caminho, quase fazendo meu especial do dia cair no chão.
- Cristo, , isso é lugar de parar? – Resmunguei, enquanto tentava ajeitar o prato que tinha quase pulado para fora da bandeja.
- Alguém, por favor, fala que eu não estou vendo isso. – sussurrou, fazendo tanto eu, como encararmos a cena por cima de seus ombros.
E logo a frente de estava nossa mesa, com Sebastian e Connor sentados como de costume, mas o que não era nada de costume era a visão de um garoto alto e magrelo na frente de Sebastian fazendo gestos e falando alguma coisa, na qual eu não conseguia escutar pelo barulho dos demais alunos, fazendo o restante do seu bando gargalharem em alto bom tom.
- Me fala que aquele ali não é o . – voltou a sussurrar, mas antes de eu tentar cogitar a ideia de responder qualquer coisa, duas gargalhadas me fizeram encarar o bando de amigos, e encontrar o rosto de e .
- ... – Antes de eu sequer terminar a frase, já tinha voltado a andar, digo correr, em direção a nossa mesa, logo comigo e ao seu encalço, mas antes da gente pensar em fazer alguma coisa à figura antes miúda e tímida de Sebastian se levantou, fazendo dar um pequeno passo para trás por surpresa.
- Escuta aqui, , eu já aguentei muita merda vinda de você, já aguentei você dando em cima da minha namorada na minha frente, humilhando meus amigos, me humilhando só para engrandecer esse seu ego escroto. Desculpa se a preferiu ficar comigo a um babaca que trata as meninas feito bosta como você, mas isso é problema seu e dela, e você aceitando ou não, foi a mim que ela escolheu, então se eu fosse você aceitaria de uma vez que você é um bosta e deixaria tanto ela como eu em paz.
- Você provavelmente não sabe nem da metade da merda que está falando, seu imbecil. – rosnou, dando um passo para possivelmente atacar Sebastian, porém parou na hora que sentiu a mão firme de em seu ombro.
- Chega... os dois. – resmungou fazendo o papel de bom amigo e acabando com uma possível briga, na qual acabaria com a raça do seu cunhado. Mas eu sabia muito bem que aquilo era apenas pose, pois na verdade estava mais preocupado em avisar o amigo que o coordenador poderia chegar a qualquer momento e dar apenas um aviso a Sebastian que ele era peixe pequeno perto deles.
- Não, chega vocês! – Sebastian exclamou alto, agora recebendo olhares da maioria dos alunos ali presentes. – Você também é igual, , sempre tentei dar o meu melhor, tentei relevar a maioria de merda que ouvia você falar para mim e atrás de mim, porque você é irmão da . Mas toda vez que o chega a comer sua irmã com os olhos, ou até mesmo trata-la feito um dos piores lixos, você não faz nada além de rir e dar tapinhas nas costas, encorajando ele a continuar. Cadê aquele todo família que todo mundo tanto comenta? Se você viu, me avisa, cara, porque eu sinceramente nunca o vi. – Eu não sabia o que Sebastian estava querendo com aquele show de verdades, mas se o intuito dele era conseguir um totalmente vermelho de raiva, ele tinha conseguindo. – E eu nem irei perder meu tempo com você, .
- O que você quer, cara? – resmungou atrás de , com os braços cruzados na altura do peito, mostrando ao mesmo tempo desleixo e que estava seguro de si mesmo.
- Eu quero que vocês deixem tanto eu, como os meus amigos em paz, ou melhor, todo mundo dessa escola em paz. Eu estou cansado em ir ao banheiro no meio da aula e ver a cabeça de algum cara que vocês acham serem “inferiores” a vocês na privada. Cansado de ver vocês serem tratados como verdadeiros heróis, sendo que as únicas coisas que vocês sabem fazer é fumar maconha, encher as caras e serem completos idiotas com as pessoas que querem ser legais com vocês. Então porque não deixam eu, meus amigos e o resto dessa escola em paz, enquanto vocês fazem o que sabem fazer de melhor, que é um acumulado de bosta, bem longe da gente?
Se eu já estava achando difícil entender à cena que acontecia na minha frente, foi mil vezes mais difícil eu tentar acompanhar quando avançou em direção a Sebastian, segurando seu uniforme com as duas mãos, colocando o corpo magro dele bem colado ao seu.
- , vai matar o Sebastian. – Exclamei com urgência, já tinha visto a mesma cena várias e várias vezes, a única coisa que mudava era a vítima de .
- Isso, , explica para mim a forma que você vai matar meu namorado com a ajuda desses seus amiguinhos. – falou firme, agora sendo o foco de atenção de todos. – Mas aproveita, e explica para o Sr. Cortez também.
E logo no lado esquerdo de , um senhor um pouco acima do peso, usando suas roupas sociais, com seus óculos estilo Harry Potter e com sua inseparável prancheta de anotações, estava ali Sr. Cortez, o coordenador da escola. Eu sempre havia achado aquele velho um porre, mas naquele momento eu era capaz de dar um abraço de urso no próprio que nem ao menos ligaria.
- Sr. , Sr. e Sr. , favor acompanhe-me até minha sala. – E sem dizer mais nada, o velhinho já tinha sumido entre a multidão de alunos. e foram os primeiros a sumirem juntos na multidão, enquanto soltava o uniforme de Sebastian de forma rude, fazendo o mesmo dar alguns passos para atrás pelo impulso.
não direcionou um olhar sequer em minha direção quando passou por mim, e pela primeira vez naquele dia eu me senti feliz por isso.

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Nos primeiros quinze minutos depois do incidente, não houve conversa, não houve brincadeirinhas ou comentários, houve apenas um profundo silêncio. A chuva tinha diminuído razoavelmente, o que fazia alguns alunos arriscar passar o restante do intervalo ao lado de fora do colégio. Sebastian e Connor aproveitaram o pouco movimento da cantina para poder comprar o almoço, e logo estávamos nós cinco almoçando em um completo e desconfortável silêncio.
- O que deu em você? – rosnou, dando um tapa no cotovelo de Sebastian, fazendo o revirar os olhos. – E não ouse revirar esses olhos para mim, Sebastian Nicholson!
- O que você quer, ? – Sebastian rosnou de volta, fazendo não só como nós três encaramos com certa confusão.
- O que eu quero? O que eu quero? – voltou a bater em Sebastian, só que agora em todas as regiões visíveis do seu corpo. – O que você tem na cabeça? poderia ter te matado! Você mais do que eu sabe disso. O que você queria arrumando briga com aquela “gangue” imunda do meu irmão? O que há com você, Sebastian Nicholson?
- CHEGA, ! – E em um passe de mágica, Sebastian havia segurado os dois pulsos de , levando o braço da minha melhor amiga o mais longe possível do seu corpo. – Eu estou cansado.
- DO QUÊ, NICHOLSON? – tentou se debater, mas Sebastian parecia ser bem mais forte que ela. – ME SOLTA SEU... SEU...
- ! – Gritei, chamando atenção do casal e de um par de gente. – Se querem plateia pela briguinha de vocês, se inscrevam em algum programa da MTV. Mas eu realmente estou querendo almoçar sem olhares curiosos sobre essa mesa.
E em um passe de mágica Sebastian já havia soltado o pulso de , enquanto ela ajeitava seus cabelos como se aquela cena de segundos atrás nunca tivesse acontecido. Mais cinco minutos se passaram em completo silêncio, se bem que esse era muito bem-vindo para mim, até Sebastian suspirar e descansar seus talheres no seu prato vazio.
- Eu estou cansado. – Nicholson voltou a suspirar, como se tivesse em uma batalha interna se deveria se abrir com a gente ou não.
- O que houve, Sebastian? – perguntou docemente, apertando delicadamente sua mão. – Pode contar com a gente, para o que for.
- Vocês devem saber que meus pais consideram mais Chad como filho do que eu. – Sebastian deu de ombros, fazendo Connor encará-lo com certa confusão estampada no rosto. – Chad é meu irmão mais velho, ele já está no segundo ano da faculdade. Ele sempre foi o cara, sempre capitão do time, sempre sendo disputado pelas garotas, sempre popular. Então veio eu, o excluído, o que prefere estudar para provas a ir a festas, o perdedor da escola.
- E o que Chad tem haver com isso? – Questionei ignorando a baixa autoestima de Sebastian, enquanto terminava de comer minhas últimas migalhas.
- Meu pai disse que eu deveria ser mais como o Chad, que eu já estava no meu ultimo ano no colégio, e eu não iria gostar de olhar para trás e ver que eu poderia ter feito mais.
- Ou seja, seu pai disse que você era um molenga. – resmungou, recebendo um chute em sua canela. – Ei, doeu.
- Sim, meu pai praticamente disse que eu era um molenga. – Sebastian riu da careta da namorada, logo arrumando alguns fios soltos do coque da mesma. – Só que eu não quero ser mais um molenga, porque você acha que veio encher o meu saco? Ele sabe que eu nunca revido e que eu não gosto de brigas, mas se fosse o Chad no meu lugar já daria um soco bem dado naquela cara de lesado dele.
- Sebastian, a gente ama você por você ser simplesmente assim. – deu um leve apertão em sua mão como sinal de apoio. – Não tente mudar a sua essência.
- Eu sei, , e eu agradeço muito por isso. Mas vocês não estão cansados de agirem da mesma forma? – Sebastian indagou, voltando a chamar atenção de todos. – Quero dizer, vocês nunca pararam de pensar e simplesmente agiram? Fazer aquilo que sempre duvidaram fazer? Eu quero poder olhar para meus filhos e falar “teve uma vez na escola...”. Eu queria pelo menos uma vez agir como o não Sebastian.
- E o não Sebastian quer ser morto pelo meu irmão e sua quadrilha? – revirou os olhos, agora deitando a cabeça nos ombros largos do namorado.
- O não Sebastian só quer mostrar que não é trouxa, e se o seu irmão quer brigar, eu não vou fugir, posso até virar um mero cadáver, mas pelo menos irei saber que fiz alguma coisa. – E como fosse à deixa do seu monólogo, a sineta tocou fazendo nós cinco suspirarmos fundo e caminharmos em direção ao nosso armário.

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- Sebastian é uma gracinha, mas acho que ele enlouqueceu de vez. – sussurrou baixinho, enquanto tentava fazer os exercícios de matemática que a professora havia passado.
- Talvez namorar foi muito para sanidade dele. – Dei de ombros, recebendo um tapa nas costas enquanto ria baixinho.
- Eu acho que Sebastian está certo. – sussurrou, fazendo tanto eu, como encararmos. – Vocês não pararam para pensar que a gente nunca sai da nossa zona de conforto?
- Bem, eu gosto da minha zona de conforto. – Voltei a dar de ombros, me debruçando sobre a mesa de para pegar a folha do seu fichário que continha às respostas do exercício.
- Talvez esse seja o problema, estamos tão acostumados a ficarmos na nossa bolha que perdemos totalmente a vida lá fora. – suspirou, enquanto eu passava sua folha agora para . – Veja a Amber mesmo, ela tem tudo, faz exatamente o que quer, quando quer, e não está nem um pouco preocupada com o que as pessoas vão falar dela.
- Quer dizer que você quer ser igual à Amber? – riu em deboche. – Posso perguntar quando vai abrir o processo seletivo para clones, para você.
- Está vendo? Esse é seu defeito. – apontou seus dedos finos em direção a , fazendo a professora encarar nós três sobre os óculos, enquanto eu dava um sorriso amarelo para ela. – Você sempre está julgando alguém, sempre com as mãos cheias de pedra para jogar no primeiro que aparecer, só porque acha “certo”. Talvez goste de você, por causa desse seu ar de superioridade.
- O que o tem haver com isso? Não acha que ele já deu o que falar suficiente por hoje?
Como se fosse a segunda deixa do dia, a sineta do fim do horário letivo finalmente tocou, fazendo todos os alunos fecharem os cadernos e correrem em direção à porta. Enquanto nós três fazíamos a mesma coisa, só que de forma lenta e preguiçosamente.
- Só estou tentando dizer para você experimentar. – deu de ombros, abraçando o seu livro de álgebra, fazendo encará-la confusa. – Tentar ser mais legal... com todo mundo. Na verdade, as duas deveriam tentar.
- Desculpa te desapontar, mas eu não tenho ar de superioridade. – Resmunguei, enquanto tentava pegar meu celular do bolso da calça jeans, abrindo meu Instagram para ver os stories recentes das pessoas. – E estou vivendo a maior paz com o , de uma forma totalmente... estranha. Minha zona de conforto está muito bem, obrigada.
- E quando você vai parar de pensar em mim e na e começar a focar mais em você? – resmungou, me fazendo abaixar o celular para encará-la. – Parece que nada na sua vida dá certo, se você não ajudar a gente a resolver a nossa.
- Isso é verdade. – que até então estava mais interessada em refazer o seu coque, resmungou levando uma fuzilada e a minha pior careta.
- Mas vocês são bem ingratas, não? Eu sou extremamente amorosa com vocês, milhões de pessoas dariam tudo para ter uma amiga como eu.
- Não estamos reclamando! – me abraçou de lado, ganhando como resposta um revirar de olhos. – É que você sempre está dando conselhos para a gente seguir em frente, mas sua vida está mais monótona do que a da minha vó, e olha que a velhinha tem uma agenda bem agitada, viu?!
- O que a está tentando dizer, é que você vive em função da gente, é como se sua vida não tivesse nenhum sentindo sem nós. Qual foi a ultima vez que você ficou com alguém sem o cara ter que preencher um questionário falando que nunca mais vai ter ver? Eu entendo que depois de certas pessoas, você fica ressentida por se envolver com alguém conhecido, mas nem todos os caras são como o Mike, na verdade acho que existe uma categoria chamada “pessoas extremamente escrotas, achadas no meio do lixo, no qual a bunda tem inveja da boca pelas merdas que sai” e só vai ter ele lá... serzinho desprezível... se eu visse ele novamente eu...
- Por que a gente está gastando tempo falando sobre esse verme mesmo? – indagou, enquanto eu tentava acalmar uma vermelha. – Enfim, acho que você deveria ter a cabeça aberta para relacionamentos não românticos, e eu sei que existem pessoas que querem essa oportunidade.
- Não sei não. – Resmunguei, voltando a olhar meu celular.
- Acho que deveríamos fazer uma aposta. – resmungou, ajeitando sua franja enquanto passávamos pelo portão principal do colégio. – Vocês sempre funcionam na base da aposta. Então quem conseguir agir como não nós por mais tempo ou até atingir o objetivo, ganha.
- Ganha o quê? – Indaguei, finalmente recebendo alguns raios de sol do lado de fora do colégio.
- Ganha o que quiser das duas perdedoras. E eu sei o que eu vou querer, já que com certeza eu irei ganhar.
- , não dá pra simplesmente ser legal com o , imagina ser muito legal? Olha o que ele quase fez com o Sebastian, não posso deixar isso passar. – deu de ombros, vendo o namorado a alguns metros entrando em seu carro com Connor ao seu lado.
- E não dá para eu simplesmente ficar com alguém e...
- Cala boca as duas! , ser legal com as pessoas não quer dizer dar para . E , só cala a boca.
- Ok, senhorita Eu Sei Os Defeitos de Todos Porém Sou Perfeita, qual vai ser a sua não ?
- Eu vou tentar chegar aos finalmentes com alguém.
- Como é que é? – Indaguei estática. – , chegar aos finalmentes não é nada você!
- Exatamente por isso. Eu poderia ficar aqui horas dialogando o porquê, porém isso daqui não é lugar e eu não vou discutir isso.
- Mas, ... – tentou, enquanto já corria em direção ao Bentley estacionando com Willian esperando o ser humano loiro.
- Quantos dias para a ideia do Sebastian ferrar as nossas vidas? – indagou, enquanto tentava achar as chaves do seu carro no bolso da mochila.
- Sinceramente? Não dou uma semana.

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A noite chegou mais rápido do que eu havia imaginado isso porque a minha soneca que era para ser de apenas quarenta minutos, se tornou uma soneca de quatro horas.
Levantei preguiçosamente, em busca da minha camiseta gigante do Mickey e do meu short velho das Cheers e rumei para o banheiro do fim do corredor ou o meu banheiro como tia Lauren sempre dizia, para o meu banho.
Na parte da tarde quando chegamos do colégio, não demorou cerca de dois minutos para ficar com raiva do mundo e condenar tanto o pai de Sebastian como o próprio por colocar ideias absurdas na cabeça da nossa princesa. E isso só piorou quando e resolveram fazer uma visitinha para , e perdeu a oportunidade de xingar tanto quanto da maneira que ela gostava de xingar.
Por mim, teria desistindo da aposta naquele exato momento, mas minha melhor amiga tinha o dom de se superar, e ela apenas cumprimentou os amigos do irmão anunciando que iria passar à tarde na casa de Sebastian fazendo algumas atividades que envolvia a cama do rapaz. Antes da minha soneca eu havia conversando com minha mãe sobre a ideia boba de , minha mãe como sempre fazia quando eu contava alguma novidade ou fofoca da escola, apenas ficou ouvido e resmungando afirmações quando era preciso. E quando eu finalmente terminei, ela disse que seria uma boa experimentar novas aventuras, que ela, mais do que eu, sabia como eu havia travado minha vida social pós Mike, e que aquilo estava na hora de mudar. De acordo com ela, eu poderia esbarrar no meu the one a qualquer momento e só estava perdendo tempo.
Refleti bem sobre isso enquanto massageava minha cabeça fazendo as espumas do shampoo aparecerem, eu não havia me privado de me relacionar com ninguém, alias, me relacionava muito bem quando saia em baladas no centro de Londres ou até mesmo em festas em Brighton com Katie. Se eu não gostava de ficar com pessoas do meu dia-a-dia? Sim, mas isso não era um problema causado por um trauma chamado Mike. Isso não era trauma, era apenas uma preferência, eu conseguia sim, ficar com alguém conhecido sem nenhum problema, estava como principal exemplo, se bem que tanto , como não precisavam saber disso. Se eu surtei um pouco depois do ocorrido? Surtei, mas isso não quer dizer nada.
Eu realmente odiava a falta de fé que as minhas amigas depositavam em mim, eu não tinha o ar de superioridade de e nem a força de vingança de , mas eu tinha potencial sim para ganhar a aposta. E eu iria ganhar. Depois do banho, e de fazer toda minha higiene matinal, vesti minhas roupas e peguei minha escova de cabelo enquanto descia as escadas em direção à sala para assistir The Voice.
Eu não precisei terminar de descer as escadas para ver jogado no sofá vendo a reprise do jogo entre Chelsea vs United Manchester, muito menos precisou se virar para saber que eu estava parada na entrada da casa penteando lentamente meu cabelo.
- ainda não voltou e minha mãe foi na lanchonete pegar alguns lanches para gente. – Sua voz rouca ressoou, me fazendo encarar sua nuca e o logotipo da Nike em seu boné.
- Falta muito para terminar? – Tentei falar do modo mais neutro possível, enquanto dava passos curtos e lentos até o sofá. – Queria ver The Voice.
- Você e seus programas chatos. – Eu podia não ver seu rosto, mas sabia que ele estava revirando seus olhos, e a minha confirmação veio logo após uma longa e audível bufada dele. – Daqui cinco minutos acaba.
- Tudo bem, eu espero. – Disse por fim, sentando no braço do sofá enquanto terminava de pentear meus cabelos.
- Você não me perguntou, muito menos xingou por eu ter agido como um idiota hoje.
- Você sempre age como um idiota, , não serão meus xingos e gritos que mudarão isso. – Dei de ombros, fazendo um de boca aberta me encarar. – Sebastian é uma pessoa muito querida para mim, e eu gostaria que você parasse de encher tanto ele, mas vou deixar a parte do sermão para e para sua mãe, não é isso que eu quero.
- E o que você quer, ? – resmungou se levantando, enquanto os comentaristas narravam o fim do jogo.
- Eu quero isso. – Me ajoelhei no braço do sofá, ficando na mesma altura de , assim colocando minhas duas mãos na lateral do seu rosto puxando-o em minha direção e o beijando por fim.



Continua...


Nota da autora: (04.09.17): OLÁ MENINAS, TURUBOM?
Eu sei sobre a demora, eu sei e sinto tanto, mas eu já dei as explicações básicas lá no grupo de Say You Love Me, se você não faz parte, corre pra lá menina!
Só queria avisar que esse foi o capitulo mais difícil de escrever na história, porque eu sabia o que tinha que escrever, mas não sabia como abordar o assunto, e ai saiu isso... confesso que criei um ranço fortíssimo com ele, mas sou toda apaixonadinha por esse final por motivos óbvios.
Não vou ficar falando muito nessa nota da autora (amém), mas sobre previsão de quando atualizar... só Deus sabe. Mas eu aceito totalmente ameaças lá no grupo do FB e por Twitter também.
Amo demais todas vocês, e agradeço demais todo o carinho, apoio e por nunca desistirem desse meu bebezinho <3
Um beijo, e até a próxima atualização!

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Nota da Beta: Ai, meu Deus! Essa atualização superou todas as minhas expectativas! Foi maravilhosa, Naty, que arraso! Amei o Sebastian desafiando a trupe do , amei a história de mudar o jeito de cada um, e passei muito mal com esse final, caracaaa! Posso dizer que estou ansiosíssima com a próxima atualização, então quando puder atualize! Beijos <3




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Para saber quando essa fanfic maravilhosa vai atualizar, acompanhe aqui.



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