Contador:
Última atualização: 26/05/2020

Teenage Dirtbag

She’s walking over to me
This must be fake
My lip starts to shake
Who does she know who I am?
And why does she give a damn about me?



Quando ela entrou na sala, eu não sabia o que fazer. Meu queixo caiu, com certeza, ainda mais pelo cutucão que Jimin me deu. Não era a primeira vez dela ali e era justamente esse o motivo que me fazia observá-la com mais atenção ainda.
– Já fizeram o aquecimento? – Ela perguntou a nós.
Meus colegas confirmaram com palavras, eu olhei para baixo e afirmei com a cabeça.
– Ok então, nas suas posições. Vamos começar com o take inicial do quarto cenário, pode ser?
Assumi a frente, ainda olhando para o chão. No único lugar na minha frente, Tae olhou para trás e riu. Desgraçado.
Ela caminhou até o banco que estava próximo aos espelhos. Pegou o controle e apertou o play. A música chegou no ponto certo logo depois. Respirei fundo e disse a mim mesmo que não havia necessidade daquele nervosismo todo. Afinal de contas, aquela não era a minha primeira vez fazendo aquilo e eu já tinha decorado aquela parte da coreografia. O problema é que ela sentou no banco e virou para nós. Ou seja, ela não iria dançar naquele dia. Ela ia nos observar. Então eu ia dar o meu melhor, mais do que tinha dado nos dias anteriores. Uma hora e meia depois, ela finalmente nos deu uma pausa.
– Se eu soubesse que trabalhar com os americanos ia ser tão puxado assim...
– Jin, os caras são exigentes do jeito deles, só isso. – Namjoon disse.
– A gente vai almoçar agora?
– Acho que vai ter mais antes disso.
– Jungkook?
– O que foi?
– Tá viajando aí. – Yoongi falou.
– Ah, não foi nada demais.
– “Nada demais”. – Hoseok fez aspas no ar e apontou de forma nada discreta para ela, me fazendo dar um tapa na sua mão antes que ficasse óbvio.
– Olha que fofo, nosso bebê tá se apaixonando.
– Para, Tae.
– Pois é, pode parando. A gente já tem problemas demais tendo que lembrar todo dia que não podemos passar por isso por causa das saesengs. Mais perturbação, ninguém quer. – Jimin chegou do meu lado e apoiou o braço no meu ombro. – Vamos trocar de assunto que é o que temos de melhor pra fazer.
Agradeci Jimin rápido por ter forçado os meninos a falarem de outra coisa. Mesmo assim, minha paz não durou muita coisa. Uma das assistentes dela foi chegando perto. Não tinha como ter certeza, mas acho que fui o único que viu.
– Oi, meninos. A quer que vocês vejam os passos planejados pra depois do primeiro refrão.
Todo mundo dispersou, mas eu fiquei no lugar por um tempo. Levantei o rosto a tempo da assistente me ver. Ela deu um sorriso pequeno e afastou-se na direção dela. Nós sete sentamos no chão do estúdio. As cinco mulheres foram para o centro e, mais uma vez, ela deu play na música. Não sei o que era, mas ela parecia mais bonita ainda naquele dia. Eu estava mais babaca do que antes. E cada curva...
– Ei, fortão. – Jin me chamou. – Não vai comer a carne hoje?
– O quê?
– A carne. – Ele apontou para o meu prato.
– Ah, não.
– O que houve? – Jin perguntou, já roubando os pedaços para ele mesmo e enchendo a boca.
– Só não to com fome.
– Você? Sem fome? – Namjoon virou a cabeça para mim.
– É, acontece.
– Você tá doente, só pode.
– Cala a boca, sobra mais pra mim.
Namjoon revirou os olhos.
– Jungkook?
Eu tremi na base. Era a voz dela? Era realmente a voz dela? Chamando o meu nome?
Levantei o rosto, sentia as minhas bochechas pegando fogo. Ela sorriu e eu senti que meu coração estava completamente fora de ritmo.
– Podemos conversar?
Enquanto eu levantava – com muito medo, eu tinha que admitir –, Jimin, que estava de frente para mim e de costas para ela, olhou para mim e sorriu. Taehyung fez cara de malandro, mas eu nem olhei muito para não perder a linha. Acompanhei a mulher até o corredor que levava para o salão principal do estúdio. Quando ela virou para mim, prendi a respiração.
– Espero não ter atrapalhado seu almoço.
– E-eu... Eu já... Já tinha acabado.
Não entendi como minha voz simplesmente não saía direito.
– Que bom então. Eu só queria dizer que você tem ido muito bem nos ensaios, de verdade. Eu mandei uns vídeos pro Steve, ele achou sensacional e pediu pra eu repassar o elogio pra frente.
Eu tentei não fazer, mas acabei sorrindo. Então ela tinha me notado? Ela sabia quem eu era? Jeon Jungkook, você está sendo infantil demais.
– Bem... Obrigado.
– Eu queria saber se você aceitaria conversar comigo sobre alguns detalhes mais específicos, já que eu to me identificando mais com o seu estilo... Pra gente poder encontrar um meio termo entre o estilo do Steve e o estilo do BTS. Entende o que eu quero dizer?
– Sim, entendo sim.
– Perfeito então, eu falo com você quando precisar. – Ela sorriu e me deu as costas, virando só a cabeça para olhar para trás. – Continue assim, tá fazendo um ótimo trabalho.
Ela saiu andando sem me dar tempo de responder. Tudo bem que, se eu fosse justo, teria que admitir que nem saberia responder. Meu coração estava disparado. A gente estava até reclamando, no começo, que o Steve Aoki tinha exigido que a equipe de coreografia dele estivesse acompanhando todo o processo para a produção do clipe e preparação para o show mas, naquele momento, eu estava nas nuvens com .
... O nome só me fazia sonhar. Os cabelos cumpridos, os olhos profundos, a pele sem defeitos... E ela sabia quem eu era! tinha me notado! “Quando eu precisar...”. Ela precisaria de mim?! Estava quase sério por fora mas, por dentro, estava pulando de alegria. Desde que ela e as colegas tinham chegado, ela nunca tinha olhado para mim. E então, de repente, ela me chama pelo nome para uma conversa e me elogia. Eu estava no paraíso, era a sensação mais gostosa que eu já tinha vivido. Melhor que os prêmios, melhor que os shows... Parecia que eu estava no colégio de novo. É, a merda estava firmada. Eu estava apaixonado. Não restava dúvida.


Stole my Heart

I don’t mind, this time it doesn’t matter
‘Cause your friends
They look good but you look better
Don’t you know all night
I’ve been waiting for a girl like you to come around

...

I’m weaker
My worlds fall and they hit the ground
Oh, life, come on, head
Don’t you fail me now
I start to say
I think I love you but I make no sound

...

There is no other place that I would rather be
Than right here with you tonight
...
And we can stay here tonight
‘Cause there’s so much that I wanna say

Under the lights tonight
You turned around, and you stole my heart
With justo ne look, when I saw your face
I fell in love
It took a minute, girl, to steal my heart tonight
...
I’ve waited for a girl like you



Os ensaios estavam correndo bem para a grande apresentação do ano. Eu mal podia acreditar que nós iríamos estar em um palco só nosso na maior premiação musical asiática, ainda mais acompanhados de um dos DJs mais renomados da nossa época. Só de pensar nisso, eu tinha calafrios e meu estômago embrulhava. Mas o legal era que nós tínhamos uma equipe muito boa ao nosso lado, o que facilitava tudo.
As garotas estavam fazendo todos os movimentos muito bem. Havia algo que eu nunca tinha visto em outro lugar, que era diminuir o ritmo da música e realizar os passos com lentidão. Enquanto observava a sincronia delas, pensava se seria capaz e se meus colegas estavam com o mesmo pensamento que eu. E embora todas as garotas estivessem muito bem, só uma se destacava, na minha opinião.
tinha mais firmeza que todas, era mais bela que todas, confiava mais em si mesma que todas. Acho que eu estava emocionalmente abalado por ela ser tão boa em tudo. Até quando ela cantava, e esses momentos eram raros e só para ilustrar de qual parte da música ela estava falando, eu ficava embasbacado. Era um perfeito idiota mesmo.
– Ei, caçula... – Seokjin me chamou baixinho. – Vamos fazer uma competição de Guitar Hero mais tarde. Tá dentro?
– To sim, que horas?
– Entre oito e nove.
– Nós não temos ensaio amanhã?
– Ah, para de ser certinho.
Olhei para mais uma vez. Ela estava formando um vértice com seu corpo e eu me peguei tendo pensamentos nada bons com o posicionamento dela. Quase quis me punir por aquilo.
– Pode ser. – Respondi sem pensar.
– Ficou alguma dúvida, meninos? – A voz de surgiu quando a música acabou.
Todo mundo fez que não. Eu fiz a mesma coisa, mas nem sabia do que se tratava.
– Ok então. Intervalo de dez minutos e aí nós começamos, pode ser?
O grupo se levantou junto do chão, onde estávamos sentados. Cada um foi para uma parte do estúdio de dança e eu fiquei ali no meio, quase que sem saber o que fazer. Quando fui me dar conta, estava andando na direção dela, que ajeitava alguma configuração na caixa de som.
– Oi. – Disse, quase sem ouvir minha voz.
– Oi, Jungkook. Algum problema?
– Eu... – Cara, não passa essa vergonha na frente dela. – Eu... Eu achei que a coreografia ficou muito boa.
– Ah, muito obrigada. Não tem nenhuma dificuldade, você vai ver. É só pegar a prática e, quando você menos esperar, vai saber tudo de trás para frente.
– Nós vamos...
, vem aqui! – Uma de suas dançarinas a chamou.
– Já volto. – Ela disse para mim e saiu correndo na direção da outra garota.
Estúpido, Jungkook, estúpido.
Contados dez minutos depois, nós começamos a ensaiar. Primeiro, eu e Jimin com Yoongi entre a gente. Mãos para cima, uma vez de cada lado, mãos para baixo, uma para cada lado também. Fazer cara de quem sente muito? Ok, confere. Até que foi na caixa de som e pausou a música.
– Jungkook, vem pra frente. Acho que você não entendeu. Fica do meu lado e tenta me acompanhar pelo espelho.
Eu tentei, eu juro que tentei, mas eu estava mais hipnotizado pelo reflexo dela do que preocupado em fazer os movimentos certos. Até pensei no tanto que eu ia parecer idiota, mas quem se importava? estava simplesmente magnífica, eu estava doido de amores por ela e não tinha nada facilitando quando ela usava só um top do meu lado. Meus hormônios estavam me odiando àquela altura. Eu podia ficar observando pelo espelho a noite inteira.
– E aí? Acha que dá pra fazer?
– Dá sim. – Respondi.
– Então vamos fazer o seguinte... Tentamos o primeiro refrão, Jungkook na frente, depois o Jimin, ok? Vou botar pra repetir e aí colocamos o V e o Jungkook depois. Vamos fazer algumas repetições e depois voltamos nessa parte, já que parece que você tá tendo um pouco de dificuldade.
Todo mundo foi pra sua posição e apertou o play. Mão direita para cima, mão esquerda no cabelo, mão direita no cabelo... Eu me embaralhava só de pensar. Pé cruzando por trás para a direita, mão direita caída. Pé cruzando por trás pela esquerda, mão esquerda caída. Pé cruzando pela frente para a direita, voltando à posição inicial... Bem, pelo menos eu sabia bem aquela parte e estava dando o meu máximo.
Ela rodava a gente o tempo inteiro mas, em certa parte, ficou olhando para mim. Eu estava concentrado nos movimentos e acho que demorei para notar. Mas então ela sorriu e eu fiquei torcendo com todas as minhas forças para que aquele sorriso fosse para mim. Tinham outros seis para olhar, Taehyung estava na frente naquele instante. Então qual seria a justificativa para eu chamar sua atenção? Nem era o melhor dançarino!
– Namjoon... Cara, eu preciso falar com alguém. – Murmurei para meu colega quando terminamos e já estávamos de saída.
– Fala. O que houve?
– Eu to perdido.
– Com o quê?
– Como assim ‘com o quê’? – Perguntei, porque era bem óbvio para mim. – !
– Ainda nessa, caçula?
– Eu não consigo sair dessa.
– Olha... – Ele parou, viu se tinha alguém por perto e virou para mim. – Eu sei que você é novo, é a primeira vez que se sente assim, mas não vou te enganar. As probabilidades não estão muito boas pra você.
– Eu quero tentar mesmo assim. Só me diz como.
– Você sabe que a gente tem fãs malucas que vão surtar ao menor sinal de um de nós tendo um relacionamento? Lembra do que aconteceu em Tóquio?
– Lembro, cara, mas, por favor, me ajuda. O que eu faço pra chamar a atenção dela?
Namjoon ficou sem jeito com a minha pergunta.
– Primeiro, ela tem que querer a mesma coisa que você. Se ela não quiser, já era.
– Como assim?
– Você é novo, como eu disse, e não entende muito o que você tá sentindo. A pode até ter descendência coreana, mas ela foi criada com a maioria dos costumes americanos e as garotas de lá agem de forma diferente. É como se você precisasse provar a ela que vale o risco de te dar uma chance, entende?
– Na verdade, não entendo.
Ele respirou fundo e bufou.
– Você vai pra noite do videogame?
– Vou sim.
– Então chega mais cedo que eu te explico.
– Beleza, obrigado. – Disse e seguimos com os afazeres.


Spaces

Who’s gonna be the first one to compromisse?

...

The spaces between us
Keep getting deeper
It’s harder to reach her
Even though I’ve tried
Spaces between us
Hold all out secrets
Leaving us speachless
And I don’t know why



– Oi, , bom dia!
Ela olhou para mim como se eu fosse um bicho e virou a cara, continuando a conversar com a amiga como se eu nem estivesse ali. Ou melhor... Talvez um bicho teria um olhar melhor que aquele. Não entendi nada, mas não tinha tempo para processar. Tae me deu um tapa leve nas costas, praticamente me empurrando na direção do centro do estúdio.
– O que aconteceu ontem? – Ele me perguntou. – Ficamos te esperando até tarde pra sair. Fui no seu apartamento, chamei, bati na porta...
– Ah, eu não tava me sentindo bem.
– Comeu alguma coisa estragada?
– Não. É que meus pais estavam resfriados quando vieram me visitar da última vez. Acho que eu posso ter sido contaminado.
Meus olhos continuavam fixos nela. Estava diferente. O cabelo não estava mais no rabo de cavalo de sempre, era um coque muito bem preso dessa vez. O top com calça justa haviam sido substituídos por uma camisa três vezes o tamanho dela e uma calça igualmente larga. Sua postura estava muito rígida e, na conversa com as amigas, as risadas que ela costumava distribuir deram lugar a lábios sérios. Não conseguia escutar o que estavam falando, mas ela estava sendo extremamente curta e eu podia sentir o tom áspero na voz dela. Olhei para Namjoon por reflexo, ele só deu de ombros e olhou de volta para ela. Eu não havia sido o único a notar a mudança em , definitivamente.
Era normal que todo mundo conversasse um pouco antes do começo do ensaio. Sabe, era como se fosse um momento em que nos permitiam descontrair antes do trabalho pesado. Muita gente olhava de fora e pensava que nós éramos apenas dançarinos, que não tinha esforço, mas o que quase ninguém conhecia era a rotina. Estávamos há mais de um mês nos esforçando para termos tudo perfeito para uma apresentação com o Steve Aoki, um dos DJs mais incríveis que eu já tinha ouvido e conhecido. Era muito cansativo, e eu ainda arrumei tempo para me apaixonar pela pessoa errada nos ensaios.
– Vamos para o final do pré-refrão. – A voz seca de se fez audível e todo mundo ficou tenso. – Jimin, pra frente, por favor.
Eu não sei que porra que aconteceu, mas ela forçou alguma coisa com ele. Segurou em suas mãos para demonstrar correta e precisamente os movimentos e tinha algo de diferente no contato olho-no-olho que estavam fazendo. Ao terminar, Jimin olhou para trás, para mim. Ele também estava sem entender muita coisa. O problema, como sempre, era ter trabalho para fazer e não poder esperar para pensar no assunto.
– O que houve com a sua ‘raio de sol’?
Dei de ombros em resposta a Hoseok.
– Também gostaria de saber. – Falei. – Ela e o Jimin...?
– Nem pense em terminar essa frase. Jimin é seu amigo, acima de tudo. Ele nunca faria isso, tenho certeza.
– Mas... – Eu murmurei e apontei disfarçadamente na direção deles.
Hoseok olhou para mim, negou com a cabeça e voltou a atenção para os dois. Então levantou do chão, bateu as mãos nas coxas e andou até ela. Eu gelei. Achei que ele ia falar alguma coisa sobre mim.
– Olha, eu gostaria que nós ensaiássemos a minha parte. Queria acertar alguns detalhes.
assentiu, fingiu um meio sorriso e deixou Jimin se afastar. Ele me deu a mão para me ajudar a levantar do chão.
– Eu não sei o que foi isso. – Ele sussurrou para mim.
– Tá tudo bem. – Sussurrei de volta.
Eu parei no meio do estúdio no exato momento em que me deu as costas. A música começou. Eu adorava a sonoridade daquela música. Desde o primeiro momento em que ouvi a música finalizada e remixada pelo Aoki, eu fiquei doido. Senti que era aquilo que eu queria fazer, que aquilo abria potencial para mim e para o grupo. Mas fiquei totalmente parado quando todo mundo começou a dançar.
– Jungkook!
me chamou mas deu para perceber na voz dela que não queria ter feito. Acordei rápido do meu transe e outra menina colocou a música para recomeçar. Fiz o que tinha que fazer mecanicamente. Em um dia normal, teria reclamado e feito um discurso sobre como nós precisávamos sentir a música “entrando” na gente, mas ela nem ao menos olhou para mim.
– Mais uma vez? – Hoseok perguntou, sorrindo e animado como sempre.
– Cara... – Murmurei e dei dois passos para trás. – Melhor não.
– Vamos! – Ele murmurou e fez um gesto sugestivo com a cabeça, como quem dizia “deixa pra lá”. – Não vai querer errar um passo de jeito nenhum quando todos os olhos estiverem em nós.
Eu cedi. Hoseok era persuasivo demais, na verdade. Fizemos o conjunto total depois mais três vezes e fomos liberados para uma pausa de vinte minutos. Não sei exatamente o que me motivou, mas eu saí andando na direção de antes mesmo de perceber.
– Ei. – Eu a chamei, pensando se usar ‘’, como as amigas dela usavam, não seria demais. – A gente pode falar sobre a minha parte solo no segundo pré-refrão?
– Ah, Jungkook! Desculpa, eu preciso fazer uma ligação. – Ela fingiu surpresa quando eu me aproximei.
podia ser uma dançarina e tanto, mas era horrível como atriz.
– É rapidinho, eu prometo, não vai levar nem dois minutos.
– Eu realmente preciso falar com uma pessoa, é...
– O que eu preciso falar é importante.
Quanto mais eu insistia, mais andava para trás. Não tinha mais sorriso, mas fingia simpatia. Eu acabei desistindo eventualmente, é claro, mas saí de perto e quase corri na direção do banheiro. Estava metade curioso e metade puto da vida. Entrei batendo a porta de qualquer jeito.
– O problema sou eu. – Falei.
– O quê? – Namjoon perguntou com as sobrancelhas levantadas depois de sair de uma das cabines.
– A .
– O que tem ela?
– Você não viu com seus próprios olhos?
Namjoon deu de ombros e foi para a pia.
– Tá, mas e daí?
– E daí, cara? Eu caio de amores por ela e descubro que to deixando a garota puta. Como era pra eu me sentir?
– Ah, sei lá, talvez você só esteja vendo coisa.
– Você acha então que ela tá normal? – Rebati.
Ele riu e se virou para mim.
– Nós conhecemos a fachada, Jungkook. E se ela já tiver visto que você tem interesse mas tiver medo de se aproximar?


What a Feeling

Through the wire
I’m watching her dance
Dress is catching the light
In her eyes there’s no lies
There’s no question
She’s not in a disguise

With no way out and a long way down
Everybody needs someone around
But I can’t hold you too close now

...

I’m watching you like this
Imagining you’re mine
It’s too late, am I too late?
Tell me now
Am I running out of time?

...

Whatever chains are holding you back
Don’t let ‘em tie you down

...

What a feeling to be right here beside you know
Holding you in my arms
When the air ran out and we both started running wild
The sky fell down
But you’ve got stars, they’re in your eyes
And I’ve got something missing tonight
What a feeling to be a king beside you somehow
I wish I could be there now



Eu assisti cada movimento como se fosse único e como se eu dependesse dele para continuar respirando. Não queria, não podia e não admitia perder um segundo sequer. Meus olhos estavam ardendo, não sabia dizer se era por estar cansado da rotina de ensaios pesada ou se eu realmente não estava piscando. Mas se destacava. De acordo com a organização entre as dançarinas, ela não parecia ser a principal de forma alguma, muito pelo contrário, porém ela definitivamente era a melhor dentre elas. Eu podia não entender nada sobre estar apaixonado por alguém, só que eu entendia perfeitamente sobre dança.
– Ei! – Namjoon deu um tapa no meu ombro depois que a peça terminou. – Vamos lá embaixo falar com as meninas. Você quer vir com a gente?
– Não sei se é uma boa ideia.
– Qual é, cara? Você vai estar com a gente, não tem problema.
– Eu estou com vocês o tempo inteiro.
– Você vem, Jungkook? – Yoongi estava já saindo do camarote quando me chamou.
Meus ombros caíram e eu fui só seguindo o fluxo. Descemos uma escada e começamos a entrar por corredores. Hoseok ia liderando o caminho. Ele conhecia o dono da casa de espetáculos e parecia que nossa passagem pelos bastidores já estava liberada. Rapidamente, nós estávamos em uma grande sala com diversas penteadeiras e araras de roupas. Tentei disfarçar o quanto fiquei afetado quando eu a vi.
– Meninos! – Karol, uma das assistentes de coreografia de , veio nos cumprimentar.
Ela se pendurou no pescoço de Jimin, que só ria com a atitude espontânea dela. Americanos realmente tinham hábitos muito estranho para nós e não era exatamente fácil se acostumar. Depois, ela foi pendurando no pescoço de cada um de nós, até em mim.
– E aí, Karol? e Bailey também estão por aqui?
Namjoon!
– Estão sim, eu acho que a ... Ah, olha ela aí!
– Oi, meninos!
era mais contida, talvez por ser filha de um coreano e saber mais da nossa cultura e dos nossos hábitos. Posicionou-se ao lado da amiga e abriu um sorriso bem pequeno, olhando para mim por uma fração de segundo. De repente, surgiram algumas meninas, vestidas como dançarinas do espetáculo. Reconheceram a gente e começaram a pedir fotos. Eu não sei em que momento exatamente eu fui liberado por elas e fiquei de frente para . Ela olhou para mim, abaixou a cabeça e não falou exatamente nada. Queria pedir ajuda, mas parecia que eu estava completamente sozinho naquilo.
– Você estava muito bem lá no palco. – Disse a primeira coisa que veio na minha mente.
– Obrigada. – Ela respondeu, simples.
Vamos, Jungkook, você precisa falar mais que isso.
– Os movimentos são bem diferentes dos que você trabalha com a gente nos ensaios.
– São, né? – Eu notei que, ao dizer isso, as bochechas delas ficaram vermelhas.
Isso!
– Eu acho bem incrível quando alguém consegue dominar estilos tão diferentes de danças assim e ser tão bom nisso quanto você é.
– Não é pra tanto, Jungkook.
– É sim! Você estava perfeita no palco, se destacando muito mais que as outras.
Quando eu soltei aquela frase, tudo pareceu muito infantil para mim. Eu percebi que não fazia ideia de como flertar com alguém e estava parecendo forçado e sem sentido.
– Você tá exagerando. Eu nem devia estar lá em cima.
– Por quê não?
– Uma menina torceu o pé mais cedo.
– Bem, você parecia bem natural. Se você não dissesse, eu nunca saberia.
– Existem pessoas que nasceram pro palco e pessoas que nasceram pro backstage. Eu faço parte do segundo grupo.
Eu cocei a cabeça, nervoso. Os meninos estavam livres, mas eu percebi que não tinham se aproximado novamente de propósito.
– Você nunca ensinou qualquer desses movimentos pra gente. – De novo, falei a primeira coisa que veio na mente, e aí eu me achei mais estúpido do que em qualquer outro momento da minha vida.
Mas, pelo menos, eu fiz rir. Ela, enfim, relaxou os ombros.
– Vocês não conseguiriam, pede muita flexibilidade. Talvez o Jimin mas, mesmo assim, exige muita prática.
– Eu acho que eu conseguiria se tentasse um pouco. – Falei.
levantou uma sobrancelha, ficando com cara de desafiadora. Deu a volta em mim e pegou no meu braço por trás. Ela forçou a minha mão até dar a volta no meu corpo por trás. Colocou uma das mãos no meu ombro e forçou mais ainda. Naquele momento, eu me retraí de dor e não consegui evitar puxar o braço de volta. riu de novo.
– Se tentasse muito, você quer dizer. – Ela falou e fez o movimento que tentou me obrigar a fazer, sem a ajuda de ninguém.
Eu acabei sorrindo. Então fui me virar, quase buscando uma ajuda, e vi que estava sozinho ali. Meu grupo havia desaparecido.
– O que houve? – perguntou.
– Todo mundo sumiu. – Peguei meu celular e tentei ligar pra Taehyung, mas deu ocupado.
Fui tentando, de um em um, mas ninguém atendeu.
– Eles estavam com a Karol.
– Bem, a Karol acabou de sair. – apontou para uma das penteadeiras. – As coisas dela não estão mais ali.
– Merda... Eu... Eu vou tentar encontrar os garotos, preciso ir pra casa logo.
assentiu, mas ficou pensativa logo depois.
– Precisa de carona, Jungkook?
– Não se preocupe, eu posso pegar um táxi. – Respondi.
– Vamos lá, eu deixo avisado aqui e aí, se eles voltarem, já sabem. É caminho pra onde eu estou ficando.
Eu queria aceitar mas também não queria deixar o meu grupo para trás – da mesma forma que não estava gostando da sensação de estar sendo deixado para trás. Contendo a criança dentro de mim, eu aceitei a proposta. Não estava confortável com a ideia de ficar dentro de um carro com , mas mal podia esperar por aquilo. No caminho para o estacionamento, chegou uma mensagem no meu celular.
“Ela não estava de mau humor com você. Estava de mau humor com todo mundo. Karol disse que ela e o namorado tinham brigado. Aparentemente, ela está solteira agora. Nada fácil pra você, mas é melhor do que antes.”
Ah, claro, Namjoon... É claro!
– São os meninos? – perguntou quando me viu lendo.
– Não. – Respondi rápido e escondi o celular no bolso. – É besteira.


Last First Kiss

We’ve been friends now for a while
I wanna know that when you smile
Is it me, yeah?
Are you thinking of me, yeah?

...

Baby, tell me, would it change?
I’m afraid you’ll run away
If I tell you what I’ve wanted to tell you

...

Girl, what would you do?
Would you wanna stay
If I were to say

I wanna be last, yeah
Baby, let me be your
Let me be your last first kiss
I wanna me first, yeah
Wanna be the first to
Take it all the way like this
And if you only knew
I wanna be last, yeah
Baby, let me be your last
Your last first kiss


Ela passou por mim, sorriu e deu um tchau com a mão no ar. Meu coração acelerou um bom tanto nessa hora. Era bem contrastante com a situação que eu havia vivido com ela poucos dias antes. parecia ser o tipo de garota sobre a qual as bandas grandes cantavam, que deixavam o cara louco e sem saber como agir. A poucos dias da nossa grande apresentação, ela era só mais um dos motivos para eu sair dos trilhos e perder a cabeça.
– Jungkook?
– Oi. – Respondi, animado demais, e me virei na direção da voz que eu reconheceria a quilômetros de distância.
– Nós vamos até o Casa Corona. Tem comida mexicana, ambiente privativo... Você quer ir junto?
Por um segundo, o Jungkook dentro de mim quase pulou de felicidade, achando que estava realmente me chamando para sair, aí percebi o “nós vamos”. Tudo bem, eu toparia qualquer coisa ao lado dela. Mas espera aí... Quem eram “nós”?
– Adoraria. – Respondi antes que o convite fosse desfeito. – Quem vai?
– Bem, vou chamar os meninos, mas quis saber de você primeiro. – Ela abriu um sorriso tímido que nada parecia com a confiante de sempre.
– Mais alguém?
– As meninas vão comigo, e também algum pessoal da equipe.
– Claro. A que horas eu devo estar lá?
– Oito? – Ela falou, mais sugestiva do que informativa. – Eu acho que vou estar chegando lá entre oito e oito e meia.
– Ok, vou estar lá.
– Nos vemos então.
Ela se despediu rapidamente e partiu na direção da saída do estúdio. Eu fiquei ali, parado no corredor, confuso. Hoseok passou por mim, ia ignorar, mas deu meia volta.
– Hm... Olha só quem tá cheio de dentes.
– Me deixa. – Resmunguei.
– Esses dias, você tava todo estressadinho porque ela tava estranha. Agora ela tá ok então?
– Pois é, vai entender.
– Mulheres... – Ele murmurou e revirou os olhos.
– Ah, claro, porque você entende muito delas, não é? – Jimin passou por nós e sacaneou Hoseok, gritando em seguida para comemorar o compromisso. – Casa Corona hoje!
Fui para o apartamento depois do ensaio correndo. Procurei por algumas roupas, mandei mensagem no grupo com os caras, eu queria fazer uma boa impressão. Ainda mais depois que Yoongi deixou escapar que só estava fazendo aquilo porque era aniversário dela e seus familiares e amigos estavam nos Estados Unidos, impossibilitando de ter uma comemoração decente. Então eu tinha que escolher roupa e escolher um presente.
Uma luz se acendeu sobre a minha cabeça: joias. Mulheres gostavam de joias, certo? Bem, eu não era mulher e não tinha ninguém de confiança a quem perguntar, então fui às cegas até o shopping mais próximo de casa. Com máscara no rosto e dois seguranças por perto, que eu tinha solicitado antes de sair, entrei na primeira joalheria. Dei uma boa olhada no que havia exposto e achei o que seria ideal, um par de brincos em formato de sapatilha e um colar para combinar com uma bailarina de pingente. Escolhi, paguei e voltei para casa. Ainda tinha que tomar banho, arrumar o cabelo...
Naquele dia, eu tive uma pequena amostra, muito pequena mesmo, do que uma garota devia sentir de ansiedade na hora de se arrumar. Eu tinha muito menos para arrumar e, ainda assim, estava uma pilha de nervos. Felizmente, deu tudo certo e eu consegui sair de casa a tempo de não me atrasar. Na verdade, eu cheguei antes de todo mundo. Tudo bem por mim, estava lá trinta minutos mais cedo do que o combinado. Mandei mensagem no grupo, perguntei três vezes se era no lugar certo. Mas eu tinha sido recebido, tinham me encaminhado para uma área separada, não havia motivo para eu pensar que estava no lugar errado. Mas eu estava nervoso. Muito nervoso.
– Jungkook! – Karol quase gritou e veio me abraçar, exigindo concentração para que eu lembrasse dos hábitos de cumprimentos do ocidente. – Você chegou faz tempo?
– Quase agora, na verdade.
– A já tá vindo aí. Eu mandei mensagem pro Tae, ele disse que talvez não viria. Você sabe o porquê?
– Eu achei que todos fossem vir.
Nessa hora, a minha visão se iluminou. estava deslumbrante, em um vestido que ia até o chão com brilho dourado. Pela primeira vez, ela se encaminhou diretamente para mim e usou um abraço como cumprimento. Eu estava no céu.
– Que bom que você veio, JK!
– Toma. – Estiquei o saco de presente da joalheria na direção dela antes que perdesse a coragem ou esquecesse do que havia comprado. – Feliz aniversário!
– Não precisava! Quem te contou?
– Jin comentou que ele descobriu com a Karol.
O sorriso dela se iluminou quando abriu a caixa de veludo, o que me deixou mais feliz ainda. Ela mordeu o lábio inferior e olhou para mim, esticando mais os lábios.
– Jungkook, eu não tenho palavras. São lindos! Muito obrigada, JK. Vou usar com muito carinho.
– De nada.
Namjoon chegou logo depois e juntou-se à conversa. Nós acabamos descendo eventualmente para a área geral, pois queria dançar com as amigas. Eu me limitei a encostar no balcão onde serviam bebidas – coisa que eu havia dispensado naquele dia, queria passar por aquilo completamente sóbrio – e fiquei observando enquanto jogava o cabelo para trás e, junto com as amigas que faziam companhia a ela, dançava e sorria o tempo inteiro. No meio dessa observação, Jin me cutucou com o cotovelo, brincando. Eu nem dei bola, só sorri para a cena bonita que estava vendo.
Não muito distante das meninas, um casal dançava junto. Eu podia ver os olhares que eles trocavam, havia amor verdadeiro ali. Em cada passo deles, havia sincronia. Eu poderia facilmente escrever uma música observando aquela cena, pois a conexão era tão grande entre os dois que não seria nem um pouco difícil a inspiração me atingir. De repente, eu estava me perguntando se, em algum dia, poderia viver aquilo com . Se, algum dia, eu teria coragem de declarar meus sentimentos a ela. Se, algum dia, ela corresponderia os sentimentos de um rapaz mais novo que ela e que não era tão bom quanto ela. Eu não tinha como saber, mas torcia para que eu tivesse coragem de fazer um movimento antes que fosse tarde demais.
Quando o casal se beijou, eu pensei em como eu gostaria de fazer aquilo com . Não sabia se aquela era exatamente a sensação de estar me apaixonando, mas eu gostava de estar sentindo aquilo.


Right Now

Late night, spaces
With all our friends, you and me, yeah

...

And I could do this forever

...

Lights go down
And I hear you calling to me, yeah

Right now
I wish you were here with me
‘Cause right now
Everything is new to me
You know I can’t fight the feeling
And every night, I feel it


Meu corpo estava extremamente cansado. Cada fibra muscular em mim doía muito, mas eu não podia pensar em descansar. Só pensar já levaria tempo demais, e nós não tínhamos tempo. A data da apresentação onde lançaríamos o single com Aoki estava se aproximando e nós ainda não estávamos sincronizados em tudo. Faltavam detalhes para acertarem, sempre havia alguma coisa para mudar. Quando chegava alguma notícia nova, nós sete sentíamos o peso nos ombros de sabermos que a coreografia deveria ser ajustada.
Naquele dia, em especial, foi a primeira vez em que ensaiamos com as marcações no chão para delimitar o espaço disponível no palco. Muitas adaptações foram necessárias, o que fez necessariamente com que tudo se tornasse cansativo. Nós já estávamos saturados daquilo. Era a nossa equipe brigando com a equipe do Aoki para defender interesses que sempre cismavam de irem de encontro um ao outro. Saturava. Muito.
Em certa altura da noite, depois de já termos avançado mais de duas horas além do horário normal, eu me olhei no espelho. Não reconheci a imagem. Não me reconheci. Minhas olheiras estavam mais fundas ainda do que mais cedo naquele mesmo dia. Minha pele estava uma porcaria, sabe lá quanto tempo eu precisaria para recuperar. Mal conseguia manter meus olhos abertos e sentia como se minhas pernas não fossem conseguir me sustentar por muito mais tempo.
– Galera... – suspirou. – Chega por hoje, já deu. Voltamos amanhã, no horário de sempre. Só não... Não dá mais.
Até aquela voz, que sempre era angelical para mim, estava a ponto de me irritar. Eu olhei para meus colegas e todos estavam aliviados. Infelizmente, ninguém parecia melhor do que eu. A última vez em que eu me lembrava de estar tão cansado daquele jeito foi em uma turnê pela Europa. Turnês eram cansativas, mas aquilo estava sendo surreal. Eu estava perto de casa, mas me sentia muito longe. Aquilo tudo estava me deixando irritado.
Não conseguiria dirigir, então pedi um táxi e deixei o carro no estacionamento do estúdio. No dia seguinte, eu pegaria outro táxi e tudo bem. Se roubassem o carro, tudo bem também, eu tinha seguro. Só não tinha saco para tomar decisões importantes naquele dia. Queria desligar mas queria sentir poder sobre o meu corpo, e não o contrário. Até segurar o celular na minha mão estava difícil, porque eu simplesmente não tinha firmeza. Seul passava rápido pela janela, mas eu sabia perfeitamente que os borrões não eram por conta da velocidade e sim por conta da minha vista, que já nem estava mais funcionando direito àquela altura.
Cheguei em casa naquela noite com o modo automático ligado. Não lembro de ter aberto a porta, muito menos de ter trancado. Passar pelo corredor até a porta do apartamento? Aí que eu não lembrava mesmo. Fui em ritmo robótico para o banheiro e, da mesma forma, tomei banho. Tinha fome e tinha comida, mas precisaria fazer a comida, o que me tomaria tempo, e tempo era o que eu menos tinha. Olhei no relógio. O tempo que eu tinha à minha disposição não seria suficiente para descansar o tanto que eu precisava, então qualquer segundo a mais era muita vantagem.
Os filmes de Hollywood retratavam bem como eu me sentia quando deitei na cama aquela noite. Primeiro que eu estava tão cansado que não conseguia descansar. Essa sensação era comum nas nossas rotinas, infelizmente. Havia sempre a necessidade do BTS ser o melhor em tudo. E não era só sobre a gente. Nós tínhamos que competir contra outros grupos, alguns dos nossos amigos pessoais. Não era aceitável que alguém fosse melhor que a gente nunca, o que colocava a indústria em uma constante corrida para ver quem conseguia mais conquistas.
Depois, eu estava cansado mas a minha mente não desligava porque eu pensava nela. Pensava se ela estaria cansada também, se conseguiria descansar com o corpo exausto, se tinha dores, se estava ao seu alcance fugir daquela realidade. Não sabia o quanto que entendia daquilo. Talvez ela nem soubesse que nós éramos tão cobrados. Mas uma coisa eu tinha certeza de que ela não sabia: o tanto que ela ocupava a minha mente.
Eu nunca havia me sentido daquela forma antes, então tudo era estranho. Os meninos tentavam acompanhar, me aconselhar, mas eles também não tinham vivido experiências significativas com mulheres – nem antes nem depois do BTS. Talvez eles tentassem fazer algo por mim porque ainda tinham a sensação de, por eu ser o caçula, terem que me proteger. Eu já estava em uma fase que me fazia odiar aquela proteção. Eu pensava, raciocinava, podia tomar minhas próprias escolhas. Só não tinha coragem para tomar escolha no que dizia respeito a .
Cada detalhe dela me vinha à mente, desde o modo como o dedo mindinho direito dela era torto, o sorriso que havia passado por tratamento para reposicionamento dos dentes, a pele mais avermelhada na área dos ombros por uma doença que ela falou o nome mas eu esqueci, até os fios de cabelo que caíam muito e sempre deixavam um rastro por onde ela passava. É claro que eu estava ciente de que estava cheia de defeitos, mas meu lado poético via perfeição até mesmo neles. Eu queria tentar. Eu queria saber como era estar com uma mulher já havia um bom tempo. ter aparecido na minha vida só me fez ter certeza sobre com quem eu queria ter aquela experiência. Mas não era só isso. Eu não queria viver só por viver. Eu queria dar passos certos para começar ali e viver o que chamavam de “felizes para sempre”.
É, eu sei. Pode ser bem estranho uma pessoa sem experiência falar assim. Mas eu tinha certeza absoluta do que eu queria. Como? Aí eu não saberia explicar. Mas minha mente e meu coração já haviam escolhido. Tanto que, naquela noite, o tempo que eu deveria ter usado para descansar foi utilizado para repassar filmes de no estúdio, fazendo o que ela amava e fazendo com que eu ficasse obcecado nela mais e mais. E eu queria, estranhamente, que eu não estivesse sozinho ali naquele quarto, que ela estivesse ali comigo. Assim, passei mais uma noite em branco. Eu, meus pensamentos e minha solidão incompreensível.


More than This

I’m blinded ‘cause you are everything I see
I’m dancing alone
I’m praying that your heart will just turn around

And as I walk up to your door
My head turns to hit the floor
‘Cause I can’t look you in the eyes

...

Then I see you on the street
In his arms, I get weak
My body fails, I’m on my knees
Praying

...

I’ve never had the words to say
But now I’m asking you to stay
For a little while

...

And as you close your eyes tonight
I pray that you will see the light
That’s shining from the stars above

...

When he opens his arms and holds you close tonight
It just won’t feel right
‘Cause I can love you more than this


Foi a noite mais difícil da minha vida. Eu não consegui perder a consciência nem por um segundo sequer. A minha mente não parava de trabalhar. Por não conseguir dormir, eu estava irritado e mais cansado ainda. Foi com a mente assim, uma verdadeira bagunça, que eu decidi levantar assim que o sol começou a aparecer. Não sabia o que ia resultar daquela minha invenção, mas eu achava que ter coragem para tomar o primeiro passo era importante.
Nem me dei o trabalho de tomar outro banho. Coloquei uma roupa normal e fui para a rua. Busquei o endereço dela em uma das conversas em grupo, porque lembrava de terem falado algo a respeito. Não ficava muito longe, então fui andando mesmo. Seul ainda estava começando a acordar, mas eu estava em velocidade máxima na rua. Se não me estranhassem por me reconhecerem, estranhariam os meus passos apressados.
Quando cheguei na frente do prédio, tive que respirar fundo algumas vezes. tinha o péssimo hábito de me deixar mais nervoso do que eu jamais havia estado na vida, e ela nem sabia daquilo, muito menos fazia de propósito. Como não havia porteiro e o portão principal estava destrancado, eu entrei de primeira.
No corredor do andar do apartamento dela, eu senti como a decisão que eu havia tomado começava a pesar nas minhas costas. Eu era jovem, inexperiente. Podia estar, muito bem, interpretando errado os sinais que eu achava que estava me dando. Não, não dava sinal de que ela estava afim de mim também, mas ela parecia ser do tipo que me ouviria e daria uma chance. Não sei por qual motivo eu pensei assim.
Mas quando parei na frente do apartamento dela, o dedo a um centímetro da campainha, eu travei. Escutei uma risada lá dentro. Era a dela, tinha certeza, porque era inconfundível. Só que o medo e todas as dúvidas que ele trazia junto me atingiram em cheio. Eu estava ali sem nem ter consultado ao menos um dos meus melhores amigos, aqueles que haviam me criado e cuidariam de mim a qualquer custo. Estava desprotegido. Talvez ter entrado tão novo no BTS tivesse causado aquele efeito em mim, de me sentir sem proteção sempre que não estava com um dos meninos. Eu queria a liberdade, a independência, mas simplesmente não sabia como seguir por aquele caminho. Como o covarde que eu era, dei meia volta e saí do prédio antes que tivesse que me explicar sobre estar ali àquela hora.
Assim que cheguei na calçada, mandei mensagem para a única pessoa que não iria me perturbar quanto àquele assunto. Pedi que me encontrasse na cafeteria que ficava de frente para o estúdio. Estava cedo, mas eu sabia que podia contar com qualquer um dos sete a qualquer hora. Yoongi era mais provável ainda de não faltar. Ele saberia que eu estava com um problema, mas também não ficaria perguntando insistentemente até eu falar alguma coisa. Era só isso que eu queria.
– E aí, cara? – Ele me encontrou já sentado em uma mesa perto da janela e me cumprimentou. – Tá aqui faz tempo?
– Não, cheguei quase agora. Pedi panquecas japoneses pra gente.
– Tudo bem, obrigado. Vai pagar a conta, né?
– Posso pagar. – Respondi, rindo dele.
Nós começamos a conversar sobre assuntos aleatórios, todos fugindo de qualquer coisa relacionada ao estúdio e aos ensaios. Estávamos cansados, mal podíamos esperar que tudo aquilo acabasse. E isso não era um sentimento exclusivo entre eu e Yoongi. Nós sete mais a equipe inteira pensávamos assim. Esperar pelo dia em que tudo aquilo acabaria estava sendo mais demorado que o normal. Eu odiava a criação de uma nova coreografia quando nós participávamos do processo junto, mas tinha muito mais por trás daquilo tudo.
Logo depois que trouxeram as panquecas, eu olhei para o outro lado da rua e vi . Um sorriso quase nasceu no meu rosto, até que notei que estava acompanhada por um homem e eles estavam de mãos dadas. Ele tinha feições americanas, não era coreano nem de qualquer outro país asiático. Namjoon tinha comentado algo sobre ela ter namorado. Seria ele então? E o que o cara estava fazendo por ali? Eles não tinham terminado? Nunca tinha escutado uma palavra sobre a existência dele, então concluí que, se ele existia, devia estar nos Estados Unidos, onde morava. Mesmo assim, lá estava eu, sentindo ciúmes de algo que nem meu era.
Eu fechei a conta e nós entramos no estúdio. Jimin já estava por lá, eu não havia visto quando ele entrou no prédio. Nós nos cumprimentamos e começamos, lentamente, os aquecimentos. estava de bom humor, o que me fez pensar se aquilo não era por causa do cara. A primeira coisa que me veio à cabeça é que eu poderia fazer aquilo por ela, que eu poderia até fazer mais que aquilo. Aquela cena, aquela realidade, nada daquilo parecia certo para mim. Então meu corpo, que já estava falhando pelo cansaço físico, começou a querer falhar mais ainda por conta daquele sentimento. Até o momento em que estava se preparando para ir embora para casa ao final da rotina e eu saí falando coisas sem pensar.
, você pode me dar um minuto? – Pedi quando todo mundo se afastou. – Eu sei que tá todo mundo cansado, mas eu queria ajuda com uma das minhas partes. Tenho uma sugestão que acho que pode ficar boa.
Eu queria pegar nas mãos dela, implorar para que ela ficasse, mas eu não tinha palavras – muito menos coragem – para aquilo. Por enquanto, seria suficiente que ela só ficasse para que nós dançássemos juntos. Claro, não era a dança que eu gostaria de praticar com ela mas, só de saber que ela estava ali comigo e não com o tal cara, já ficava feliz. Meu corpo estava mais exausto ainda, principalmente porque ele parecia entender que eu estava forçando os ensaios além do necessário, mas meu coração estava um pouco mais feliz. Se aquilo não valesse a pena, nada na minha vida valeria. Eu precisava começar a fazer as coisas pelas minhas próprias vontades e estava gostando de começar daquele jeito. Nem que, para isso, eu precisasse trapacear e tirar de perto do namorado.
Meu Deus, eu fui doentio naqueles dias.


Nobody Compares

Wasn’t ready to hear you say goodbye
Now you’re tearing me apart

...

Did I do something stupid, yeah, girl, if I blew it
Just tell me what I did, let’s work through it

...

‘Cause no one ever looked so good in a dress
And it hurts ‘cause I know you won’t be mine tonight
No one ever makes me feel like you do
When you smile, baby, tell me how to make it right
Now all of my friends say
It’s not really worth it
But even if that’s true
No one in the world could stop me from not moving on
Baby, even if I wanted to
Nobody compares to you


Quando anunciou que queria reunir a todos nós, claro que estávamos pensando no pior. Teríamos que refazer a coreografia toda, eu tinha certeza. Seria o pesadelo geral, com praticamente nenhum tempo útil para trabalhar. Teria gente na equipe vomitando de nervoso, além de prováveis pedidos de demissão. Àquela altura, até eu consideraria pedir demissão do BTS. Tinha que ter realidade além daquilo tudo. Mas era só quem ia falar. Tudo bem, ela era representante do cara. As notícias não eram boas, era a única certeza que nós podíamos ter.
– Boa tarde, pessoal. – Eu disse, sorrindo para todos nós. – Eu pedi que vocês se unissem por um motivo bem especial hoje. Espero que vocês não me odeiem por tudo o que eu fiz vocês passarem, mas garanto que vocês vão ficar satisfeitíssimos com o resultado final no sábado à noite.
Ela estava nervosa. nunca estava nervosa. Até quando ela agiu estranho comigo, estava plena e consciente do poder que tinha sobre si mesma.
– Como vocês sabem, eu vim pra Coreia apenas porque era uma dentre os poucos integrantes do grupo do Aoki que fala coreano e é da confiança dele. Trabalhar com vocês todos foi incrível de mil formas diferentes, e eu não poderia começar a descrevê-las sem levar semanas ou meses pra terminar. – Ela estava só fazendo um discurso motivacional? – Mas, como tudo que é bom, isso também tem que chegar ao fim. Vocês foram maravilhosos, estão mais do que preparados para uma apresentação mais do que perfeita. E, com isso, eu queria agradecer, mais uma vez, a paciência de vocês em trabalhar comigo. Não foi fácil ser intermediária, ter que receber mensagens lá dos Estados Unidos e repassar pra vocês, mas foi uma das experiências profissionais mais gratificantes de toda a minha vida como coreógrafa. Infelizmente, eu só fico com vocês por hoje, para ter certeza de que todos os detalhes estão em ordem. A partir de amanhã, vocês vão ficar nas mãos da Karol e da Patty, que serão minhas representantes aqui. Eu estou organizando minha volta para casa, mas espero que possamos nos encontrar de novo em algum momento dessa nossa vida corrida e que vocês todos tenham todo o sucesso do mundo, não só na apresentação de sábado como em todo o resto da vida de vocês.
Era pior do que refazer a coreografia. estava se despedindo. Seria, certamente, idiotice minha imaginar que aquele dia não chegaria. A vida dela era nos Estados Unidos, ela só tinha conexão coreana por causa do pai. Não havia motivo lógico para que ela ficasse na Coreia, ainda mais fazendo parte de uma equipe tão importante quanto a de Steve Aoki, um dos DJs mais bem reconhecidos mundialmente, a ponto de estarmos atônitos com a oportunidade de trabalharmos com ele. Qualquer um ficaria feliz com essa chance, o que deixava claro que jamais abriria mão daquilo.
estava linda no vestido que usava, e eu podia jurar que jamais havia visto outra mulher mais bonita do que ela naquele dia. Eu estava hipnotizado, como qualquer homem ficaria. Ela não entrou em ação, apenas ficou observando enquanto nós repetíamos a música sem longos intervalos. No final do dia, estávamos cansados de novo.
– Ei, você vai fazer alguma coisa hoje à noite? – Jimin me parou no meio do corredor que levava para a saída.
– Ia terminar um desenho que comecei na semana passada.
– Tava pensando em fazer noite do videogame.
– Você não tem que dormir, cara?
– Faz tempo que a gente não faz, os outros não querem, pensei que você pudesse querer e...
– Jimin, posso falar contigo mais tarde?
Eu vi saindo e acabei deixando meu amigo falando sozinho enquanto disparei. Quando eu a encontrei, ela já estava na calçada.
– Ei, !
– Jungkook! Oi. – Ela respondeu.
– Você tá indo pra casa?
– To sim.
– Seu carro não tá na garagem?
– Ah, não, hoje eu não vim de carro. Quis andar um pouco pra espairecer.
– Eu posso te fazer companhia, seu apartamento fica no caminho pro meu. Se você não se importar, é claro.
– Você não veio de carro?
– Não, vim de táxi. – Falei a mentira mais lavada do mundo.
– Tudo bem então. – Ela sorriu para mim e nós dois começamos a andar na direção das nossas casas. – E aí, o que você acha? Tudo certo pra sábado?
– Vai dar tudo certo, você fez um ótimo trabalho ensinando a gente.
– Fico feliz que você pense assim.
– Eu sinto muito que você tenha que ir embora. – Falei e percebi que havia soado um tanto quanto estranho. – Quero dizer, trabalhar com você realmente foi ótimo.
– Que bom que você gostou, JK. Mas surgirão outras oportunidades. Quem sabe nos encontramos quando vocês forem à America?
– É, quem sabe...
Nós trocamos alguns assuntos triviais até chegarmos à porta do prédio. Mais uma vez, eu estava sem palavras e a primeira coisa que saiu da minha boca foi impensada.
– Você não vai poder ficar nem pra apresentação?
– Acho que não, Jungkook. Mas vou assistir a transmissão, com certeza. Vocês vão ficar bem sem mim, vocês são ótimos. Eu só ajudei um pouco, vocês que fizeram o trabalho sujo.
– Mas você merecia ver. A coreografia foi uma criação sua.
Ela sorriu e ajeitou o cabelo. Éramos duas pessoas sem jeito no meio da calçada.
– Eu preciso subir.
– Claro, vai lá.
– Foi um prazer te conhecer, JK. Tudo de bom pra você.
– Pra você também. – Eu respondi com um sorriso amarelo.
Assisti enquanto ela desaparecia para dentro do prédio e, logo depois, peguei um táxi que passava na rua em direção ao estúdio. Estava cansado e ter andado aquilo tudo não havia sido a melhor ideia. De qualquer forma, eu precisava pegar o carro que ainda estava estacionado lá. Quando eu cheguei na frente do meu apartamento, Taehyung estava me esperando logo na entrada.
– Por onde você esteve?
– Fui caminhando com até onde ela tá ficando.
– Caminhando de carro? – Tae apontou para o meu.
– Não, eu voltei no estúdio pra pegar.
– Você tá fazendo isso tudo por ela mesmo, né? – Ele perguntou. – JK, deixa disso. Ela vai voltar pros Estados Unidos e nós vamos continuar aqui. Não vale a pena, você pode acabar chateado no final das contas.
Talvez, lá no fundo, Tae tivesse razão naquela frase.


Ready to Run

There’s a lightning in your eyes, I can’t deny

...

There’s a devil in your smile that’s chasing me
And every time I turn around is only gaining speed
There’s a moment when you’ll finally realize
There’s no way you can change the rolling tide
But I know, yes I know, that I’ll be fine

...

There’s a future in my life I can’t foresee
Unless, of course, I stay on course and keep you next to me
There will always be the kind that criticize

...

I’d give everything that I got for your love

This time I’m ready to run
Escape from the city and follow the sun
‘Cause I wanna be yours, don’t you wanna be mine?
I don’t wanna get lost in the dark of the night

...

Wherever you are is the place I belong
‘Cause I wanna be free and I wanna be yours
I will never look back, now I’m ready to run


Nossa vida era baseada em reclamar das rotinas de treino mas, depois de uma apresentação espetacular e milimetricamente perfeita, pensávamos sermos os melhores do mundo no que fazíamos. O show foi um dos mais incríveis, fosse por tudo dando certo entre nós sete e a equipe ou entre nós e a plateia. Nenhum movimento sequer foi feito fora de onde deveria. Nenhum tombo, nenhum tropeço, nenhum atraso ou adiantamento. Tudo tinha dado mais que certo e nós, mais uma vez, havíamos dado orgulho a nós mesmos pelo show impecável e emocionante.
Mas o que eu mais pensei durante todas as músicas, não somente quando Steve Aoki subiu ao palco conosco, foi que estava na plateia. Depois que ela foi embora do estúdio no dia do discurso de despedida, eu realmente achei que não a veria novamente. Para mim, estava certo de que ela já teria pegado o avião de volta para a América e levado meu primeiro sonho próprio com ela, até mesmo porque nós estávamos sendo acompanhados por outra pessoa nos ensaios. Karol e Patty eram meninas bem legais, mas meu coração estava preso a de um jeito que eu não conseguia disfarçar. Mas ela estava na plateia, estava nos prestigiando e, pelo seu sorriso, parecia estar aprovando e muito nosso desempenho. Aquilo era suficiente. Ganhar o coração dela necessariamente não era mais um objetivo, eu estava feliz de termos feito se sentir competente e boa no seu trabalho.
Quando o show acabou, aproveitamos o pouco tempo livre para tomarmos banho e nos prepararmos para a after party que Aoki tinha programado. Nós iríamos a uma festa de um dos DJs mais reconhecidos do mundo. Isso, por si só, era incrível. Anos antes, quando nós estreamos como um grupo, eu jamais acreditaria se me dissessem onde estaríamos quase uma década depois. Eu gostava da sensação, todos nós gostávamos. Pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti sentir orgulho. Tínhamos feito um ótimo trabalho e merecíamos comemorar como quiséssemos.
– Olha só, você deveria pegar leve na bebida. – Namjoon me disse, mas ele mesmo estava tomando um dondonju.
– Você já foi um exemplo melhor, cara.
– Se quer exemplo, vai atrás do mais velho.
– Ele já tomou mais makoli do que eu poderia contar.
– Trouxe um bekseju pra você, bonitão. – Hoseok passou um braço pelo meu ombro e esticou um copo para mim, mas eu dispensei logo.
– Já tomei duas doses de bokbunja, não vou misturar.
– Melhor pra mim então. – Ele disse e virou o conteúdo todo do copo na própria boca. – Vocês viram o Taehyung?
– Estava com os amigos que ele convidou perto da área do bar secundário da última vez que eu vi. – Namjoon respondeu.
Hoseok se afastou e Namjoon começou a me contar dos detalhes do próximo projeto solo do Yoongi porque nós dois vimos ele resolvendo coisas com executivos da gravadora no meio da festa. Enquanto isso, alguém passou e puxou a atenção dele. Acabei ficando meio sozinho até que Jimin se aproximou.
– Você tá tomando somek? – Levantei uma sobrancelha para ele, que riu.
– A gente nunca pode beber, vou aproveitar.
Enquanto ele estava falando, eu sentia uma sensação estranha. Acho que acabei reagindo de alguma forma a essa sensação, porque Jimin notou alguma coisa de diferente. Mas aí ele olhou por cima do meu ombro e disfarçou, então tinha alguma coisa real ali.
– O que houve?
– Ou essa bebida tem muito mais soju e quase nada de cerveja, o que me levaria a ver coisas, ou a não tira o olho de você.
– Com certeza, é a primeira opção. – Fingi que estava desinteressado na informação, mas estava surpreso que ela estivesse ali e chateado por ela não ter falado comigo, sentimento que passou logo porque eu concluí que ela não tinha obrigatoriedade nenhuma de ser minha amiga ou qualquer coisa do tipo.
– Eu escutei um ressentimento na sua voz?
– Deve ser a bebida. Te faz ver coisas, agora tá te fazendo ouvir...
– Jungkook, olha pra mim.
Revirei os olhos e fiz o que ele pediu. Jimin revirou os olhos também e riu de mim.
– O que você quer?
– Você finge muito mal que não gosta dela.
– É uma realidade que eu já vi que é inalcançável e me convenci disso, então tudo bem.
– E quem te fez se convencer disso? – Ele me olhou de cima a baixo.
– Eu mesmo.
– Hm, tem certeza de que não foi um certo amigo nosso que é pessimista?
– Não, Park Jimin, fui eu. – Respondi e virei para o bar, pedindo outro bokbunja.
– Ela não para de olhar pra cá.
– Já disse que você tá vendo coisa por causa da bebida, cara.
– Uma vez, ok. Duas vezes, acontece. Três vezes pode até ser acidente. Quatro, ainda dá pra culpar a bebida. Mais várias? Eu não to tão bêbado assim. Ainda.
– Como você tem tanta certeza?
– O mundo ainda não tá girando.
Eu peguei a bebida que me serviram e pensei em ignorar Jimin, mas ele não ia me deixar em paz tão facilmente.
– Você deveria ir falar com ela. – Jimin insistiu. – Imagina se você ficar se perguntando, daqui a anos, se isso poderia ter dado em alguma coisa. Ela sabe que você tem sentimentos por ela, JK, seria muito burra se não tivesse percebido, porque todo mundo já se tocou. Agora você seria um burro e idiota se deixasse a ir embora sem tentar. O ‘não’ já tá certo.
Jimin só era negativo quando se tratava dele mesmo. Eu odiava como ele estava conseguindo me convencer a seguir a vontade do meu coração. Mas aí a bebida alcoólica estava me dando mais coragem do que eu devia ter e eu acabei cedendo de uma hora para a outra. Deixei o copo vazio na bancada do bar e Jimin sozinho. Disparei pela festa. Procurei por em todos os lugares, me arrependendo em cada passo de não ter me declarado quando fui na porta do apartamento onde ela estava ficando. Maldito fosse o álcool que estava me dando aquela coragem toda. O problema era que nada de aparecer, e eu estava tendo que lutar mais do que era recomendado para manter a coragem dentro de mim e não amarelar de novo.
– Karol! – Eu achei a melhor amiga de . – Onde ela tá?
– Ela quem?
! – Gritei como se fosse óbvio.
– Ah, a ? Ela foi embora, JK. O voo dela sai em algumas horas.


Moments

I cannot hide this even though I try

...

Don’t wanna be withouth you

...

You know I’ll be
Your life, your voice
Your reason to be my love
My heart is breathing for this
Moments in time
I’ll find the words to say
Before you leave me today


Eu continuava pedindo – a melhor palavra seria implorando mesmo, mas eu ainda estava tentando manter o pouco de dignidade que eu tinha, bem pouco mesmo – ao motorista do táxi que andasse mais rápido porque eu estava com muita pressa. Ou ele se fazia de surdo muito bem ou era estúpido como uma porta. O lugar onde a festa estava acontecendo nem era tão longe assim do apartamento dela e estávamos levando tempo demais. Será que era eu quem estava vendo tudo passando muito lento? Não sei. Só sei que eu estava muito puto com a demora.
Quando enfim o carro parou na frente do prédio, eu disparei para dentro dele e para o andar que eu sabia que era o dela. Toquei a campainha uma vez. Um minuto depois, quando ninguém respondeu, toquei de novo. Não tinha como alguém estar dormindo porque, menos de uma hora antes, ela estava na festa. Toquei de novo, deixando o dedo em cima do interruptor por mais tempo ainda. Continuei sem resposta, então sei três socos leves na porta. Mais uma vez, precisei repetir. Então uma porta se abriu, e não era a dela.
– Posso ajudar? – Uma senhora no final do corredor perguntou.
– Eu preciso falar com a mulher que alugou esse apartamento nos últimos dias.
– Acho que você chegou tarde. Ela saiu cedo com malas, deve ter ido embora de vez.
Meu cérebro demorou para raciocinar. Ela havia ido para o show com as malas, ela estava na festa já com as malas. Merda. Eu nem agradeci a mulher que me atendeu, só saí correndo escada abaixo. A rua estava bem vazia pela hora, e eu dificilmente conseguiria um táxi se ficasse parado ali, só esperando. Comecei a correr na direção das ruas mais movimentadas com o celular na mão. Em um certo ponto, quando vi que por um aplicativo que haviam carros perto de mim, fiz a solicitação. Mal entrei no carro e já abordei o motorista.
– Preciso ir pro aeroporto o mais rápido possível. Pago setenta mil wons a mais pela corrida se você chegar lá em vinte minutos.
O homem se deu por satisfeito e arrancou com o carro. Dessa vez, sim, parecia que estávamos rápido. Talvez rápido demais para ser seguro? Não me importava. Eu precisava ser mais rápido que aquilo até. Enquanto isso, ia mandando mensagem para todos os garotos, medindo que me enviassem qualquer informação que conseguissem sobre . Estava nervoso, suando em uma noite fria. Se era bebida, não tinha como saber, mas até enjoado eu estava.
Saí tropeçando do carro quando chegamos ao aeroporto. Entrei, passei pela escada rolante e dei de cara com um painel gigantesco com as informações sobre os voos. Havia um indo para Los Angeles, e eu me lembrava de ter falado que morava lá. Fui acompanhando com os olhos até o final da linha quando li “decolou”. Chequei mais mil vezes para ter certeza de que não estava errado, confundindo com outro voo. Abatido, eu engoli a tristeza, me preparei para fingir que nada tinha acontecido e segui para fora do aeroporto novamente.
O motorista do táxi que peguei para casa foi silencioso. Não perguntou sobre nada, só sobre o endereço e pronto. Jimin e Namjoon estavam pedindo notícias por mensagem de texto, mas eu não tive coragem nem de desbloquear a tela do celular. Estava sofrendo por ter perdido uma coisa que nunca tinha sido minha. Era estranho e surreal. Eu estava tentando me convencer de que a vida era daquele jeito mesmo e pronto. A culpa era minha por ter demorado. Quem sabe o destino resolvesse ser legal comigo e me desse a chance de reencontrá-la quando eu voltasse a estar nos Estados Unidos? Sonhando demais, Jungkook. De novo.
Eu poderia ter optado por voltar para a festa, mas estava mentalmente exausto e nem um pouco disposto a ficar distribuindo sorrisos que não eram reais. Provavelmente, eu seria questionado pelos meus empresários no dia seguinte sobre a minha ausência repentina e talvez ganharia um discurso sobre como o fato de eu simplesmente estar lá era uma das minhas responsabilidades. Que eles fossem para o inferno, não estava com cabeça para aquilo. Mas tudo mudou quando eu levantei a cabeça pela primeira vez desde que vi a informação sobre o voo de Seul para Los Angeles. A intenção era só olhar para a porta do meu apartamento, mas eu encontrei algo que nunca esperei ver nem nos meus melhores sonhos.
Nunca estive tão sem palavras na minha vida inteira.
– Jungkook... – A voz de , com um conjunto completo de malas aos seus pés, fez meu nome soar estranho para os meus próprios ouvidos.
– O que houve?
– O J-Hope falou comigo.
– Sobre o quê?
– Por que não falou comigo antes? – Ela implorou, parecia estar suplicando na voz. – Você teria facilitado muito as coisas.
– Não sei do que você está falando, .
– J-Hope disse que você tem sentimentos por mim desde... Desde... – Ela suspirou. – É verdade?
Eu estava sem reação, mas acabei dando de ombros e confirmando com a cabeça.
– Por que não falou comigo sobre isso? – repetiu a pergunta.
– Porque estava confuso a respeito dos meus sentimentos. Porque tinha medo de uma negativa sua. Porque você tem outra pessoa. – O rosto de se contraiu quando eu falei aquilo. – Não poderia te desrespeitar. E por diversos outros motivos que me levariam horas pra detalhar, provavelmente.
– Você foi sincero quando disse que sentia muito por eu ter que ir embora?
– Claro que fui.
– E por qual motivo você não queria que eu fosse embora?
, eu... Eu não quero me humilhar aqui. Não me entenda mal, eu realmente não sei o que estou fazendo. Nunca flertei, nunca tive interesse em uma garota... Eu não teria como chegar pra você e abrir meu coração. Poderia soar poético demais, você faria piadinha com suas amigas sobre como eu fui ridículo e eu seria humilhado por sabe lá quanto tempo...
– Só responde a minha pergunta, por favor.
Eu suspirei e coloquei as mãos no bolso da calça que estava usando.
– Se você fosse embora, eu não teria tempo pra criar coragem e te dizer como eu me sinto a respeito de você.
– Naquele dia no estúdio, quando você pediu ajuda com suas partes... Você não estava querendo ajuda real, certo?
– Não, sinto muito.
– Jungkook...
– Olha, eu não quero te desrespeitar ou desrespeitar o homem que está contigo, e você sabe como eu me sinto agora, mas eu acho que o mais sábio...
– Jungkook, eu não estou com mais ninguém.
– O quê?
– É verdade que eu estava voltando pros Estados Unidos, voltando pra alguém. Eu não via outro jeito pra mim. Mas aí o J-Hope me parou na festa, disse o que disse sobre você... – Enquanto ela falava, dava passos curtos na minha direção. – Minha cabeça mudou, eu vi coisas que eu estava fazendo errado, quis sair do universo onde eu estava e falar contigo. Eu não podia te atrapalhar na festa, então decidi vir e te esperar onde sabia que poderia te encontrar.
– Você podia ter me atrapalhado na festa.
– Mas aí eu não poderia fazer isso.
Claro... Semanas sendo um covarde e eu teria mesmo coragem de tomar a iniciativa de beijar ? Por nada nesse mundo! Foi ela quem me beijou primeiro.


Truly, Madly, Deeply

Am I asleep, am I awake or somewhere in between?
I can’t believe that you are here and lying next to me
Or did I dream that we were perfectly entwined
Like branches on a tree or twigs caught on a vine?

Like all those days and weeks and months I tried to steal a kiss
And all those sleepless nights and daydream where I picture this
I’m just the underdog who finally got the girl
And I am not ashamed to tell it to the world

...

Should I put coffe and granola on a tray in bed
And wake you up with all the words that I still haven’t said
And tender touches just to show you how I feel
Or should I act so cool, like it was no big deal?

Wish I could freeze this moment in a frame and stay like this
I’ll put this day back on replay and keep reliving it
‘Cause here’s the tragic truth, if you don’t feel the same
My heart would fall apart if someone said your name

...

I hope I’m not a casualty
Hope you won’t get up and leave
Might not mean that much to you
But to me it’s everything

Truly, madly, deeply I am
Foolishly, completely falling
And somehow you kicked all my walls in
So, baby, say you’ll always keep me
Truly, madly, crazy, deeply in love with you


Quando eu acordei, tomei um susto. Eu lembrava de tudo da noite anterior, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi que eu tinha só tido mais um dos meus sonhos estranhos e pervertidos. Mas então ela estava ali, deitada ao meu lado. Respirei fundo, mas foi como se não tivesse nenhum ar nos meus pulmões. Eu estava bobo.
Não sabia se estava acordado, se estava sonhando ou se estava em algum lugar entre esses dois. Não podia acreditar que ela estava ali, deitada ao meu lado. Eu tinha tentado por tantos meses chegar naquele ponto e tinha sido tão difícil passar por aquele processo todo que era como se não pudesse ser verdade. As noites em claro, os sonhos quando eu estava acordado... Eu finalmente estava com ela e queria gritar para o mundo inteiro sobre como estava feliz naquela manhã.
Da cama mesmo, alcancei um bloco de papeis que eu tinha na cabeceira e uma das canetas que estava por ali. Comecei a pensar no que deveria escrever, e devo assumir que levei mais tempo nisso do que deveria. Não sabia o que fazer, isso era o fato mais óbvio da minha vida. Então escrevi um dos recados mais sinceros da minha vida para que visse quando acordasse.

“Eu espero que eu não seja uma casualidade.
Eu espero que você não levante e vá embora.
Pode não significar muito pra você, mas significa tudo pra mim.”

Sem querer atrapalhar seu sono, levantei, vesti uma roupa qualquer que estava jogada pelo quarto e fui para a cozinha. Então a dúvida bateu em mim como se fosse um gancho de direita. O que eu deveria fazer? Montar uma bandeja de café da manhã e levar pra ela na cama? Acordar e fazer uma declaração com todas as palavras que eu quis dizer a ela e não tive coragem antes? Fingir que não significava tanto assim para mim e ficar lá na cama, esperando que ela acordasse? Eu definitivamente era novo demais naquilo.
Liguei a máquina de café e coloquei uma cápsula dentro. Enquanto isso, fui no armário e peguei um pacote de biscoito que já estava aberto. O café ficou pronto e eu fui até a bancada da cozinha, comendo ali mesmo. Abri o celular, respondi genericamente a mensagem de todo mundo que estava preocupado com eu ter saído no meio da festa sem explicação e fui no widget de notícias do celular.
Eu estava tão concentrado em ler as primeiras notícias do dia que não notei que já não estava mais sozinho. , ainda um pouco sonolenta, não disse nada e andou até mim. Jogou os braços sobre meus ombros e me abraçou forte. Eu só retribuí, não conseguiria fazer nada além daquilo. Então, espontaneamente, beijei seu cabelo.
– Você não é uma casualidade pra mim. – disse.
– Que bom. – Eu respondi e não consegui impedir um sorriso. – Fico feliz de ouvir isso.
– Ontem à noite... Eu...
– Não precisa se preocupar, . A gente vai ter que descobrir, de qualquer forma. Bem... Eu vou.
– Nós vamos. – Ela sorriu para mim.
– Você quer um café? Tenho de alguns sabores, você pode escolher à vontade. Só to um pouco limitado com comida. Tem biscoitos e cereais.
– Acho que só um café está bom.
– De qual sabor você quer? – Eu perguntei e levantei.
– Pode deixar, Jungkook, eu faço. A máquina e as cápsulas estão bem visíveis daqui.
Eu observei enquanto ela sorriu e foi preparar o café. Indiquei onde estavam as xícaras. Parecia tudo diferente. Não era só ela, era tudo. O céu estava brilhando mais, o café estava mais gostoso, o tecido da roupa estava mais confortável. Então era aquilo? Estar apaixonado e ter a paixão correspondida era aquela sensação? Eu tinha pouquíssimo tempo de experiência, mas já estava gostando demais de estar naquela posição.
– O que Hoseok disse a você ontem? – Fiz a pergunta que estava entalada na minha garganta desde que ela disse que ele havia intervindo em meu favor.
Ela se fez de misteriosa e bebeu um pouco do café antes de me responder.
– Disse que você está... Qual foi a palavra mesmo? Insanamente! Ele disse que você está insanamente apaixonado por mim e que eu fui a única pessoa que conseguiu passar pela sua barreira de constrangimento. – Ela disse e eu fiquei por alguns longos segundos sem palavras para responder. – Isso é verdade?
– Poeticamente verdade. – Falei.
– Seu recado é bem poético também, e eu não reclamei disso. – disse e sentou ao meu lado.
Ficou alisando a xícara de café, do mesmo jeito que eu estava fazendo. Estávamos, os dois, nervosos. Eu não sabia como lidar com aquela situação, não sabia também se ela sabia como. Estava feliz ao extremo e fiquei com medo de deixar transparecer e fazer achar que eu era uma criança.
– Eu me sinto honrada pelos seus sentimentos. – Ela sussurrou. – Mas não sei se posso fazer você se sentir assim pra sempre, Jungkook.
– Nós vamos dar um jeito. – Eu disse, me sentindo repentinamente mais disposto do que nunca.
– Eu... Eu não sei o que fazer. Eu tenho uma vida toda nos Estados Unidos. Voltar pra cá seria complicado, demorado...
– Eu te espero. – Dei de ombros como se aquilo fosse simples. – Te espero pelo tempo que for preciso.
– Você não existe. – Ela falou e revirou os olhos.
– O que eu fiz?
– Sendo todo fofo assim! Você tá complicando a minha vida, Jeon Jungkook!
À primeira vista, parecia que eu estava levando uma bronca. Mas ela ter me chamado pelo nome completo acabou me fazendo rir. Eu estava nervoso, muito nervoso, mas era um nervoso bom. A pior parte já tinha passado. Eu e tínhamos passado a noite juntos e estávamos tomando café juntos na minha cozinha. Claro que eu fazia ideia de que aquilo era pouco para um relacionamento, mas a pior parte tinha passado. sabia dos meus sentimentos, eu não precisaria mais ficar me escondendo atrás deles. Só de saber que, por ela ter passado a noite comigo, significava que havia uma mínima chance de reciprocidade, já era bom para mim.
Pela primeira vez, eu tive um propósito próprio, algo que senti que foi tirado de mim desde que eu entrei para o grupo. Mas então apareceu e mudou tudo. Eu sabia que eu não era perfeito, sabia que ela também não era. Sabia das dificuldades em relação à minha agenda e ao fato de ela ter uma vida estabelecida em outro continente. Mas eu tinha a garota. Eu finalmente tinha a garota. Então não importava o que aconteceria dali para a frente, eu tinha o combustível que eu precisava para me manter motivado e continuar lutando por ela.


Fim.



Nota da autora: Esse plot veio num momento que eu tava caindo de amores pelo JK de um jeito que nem sei descrever, o especial foi só uma desculpa pra desenvolver haha espero que gostem, que apareçam mais vezes e que deixem um comentário aqui embaixo!

MENINAS! AGORA TEMOS UM GRUPO NO FACEBOOK! A pedido de algumas leitoras, estou criando um grupo onde podemos conversar melhor do que aqui sobre os capítulos, sobre as atualizações e sobre quase qualquer outra coisa! Para entrar, clique AQUI!.





TODAS AS FANFICS DA AUTORA:

All Roads Lead to You [Supernatural - Em Andamento]
Badges and Guns [Henry Cavill - Em Andamento]
Before She's Gone [BTS - Finalizada]
02.Black Swan [BTS - Ficstape BTS: Map of the Soul 7] (em breve)
Come with Me (Riding Off the Rails) [BTS - Em Andamento] (em breve)
Don't Tell My Ex [Henry Cavill - Em Andamento]
03.Gorilla [Sebastian Stan - Ficstape Bruno Mars: Unorthodox Jukebox] (em breve)
I Don't Want Somebody Like You (I Only Want You) [McFLY - Em Andamento]
01.I Forgot that You Existed [Original - Ficstape Taylor Swift: Lover] (em breve)
Insólito Destino [Zayn Malik - Em andamento]
In the Eye of the Hurricane [Bon Jovi - Em andamento]
Just a Heartbeat Away [Louis Tomlinson - Shortfic]
Kissed by the Sun (I Guess We Are the Lucky Ones) [Henry Cavill - Em Andamento] (em breve)
Me Peça para Ficar [Clube de Regatas do Flamengo - Em andamento] (em breve)
Move If You Dare [McFLY - Shortfic]
No Angels [Supernatural - Em Andamento]
Para Ter Você nos Meus Braços [Clube de Regatas do Flamengo - Shortic]
Por um Acaso do Destino [Clube de Regatas do Flamengo - Em andamento]
Signals I'm Receiving [Louis Tomlinson - Shortfic]
13.Something for the Pain [Sebastian Stan - Ficstape Bon Jovi: One Wild Night] (em breve)
01.The Crown [BTS - Ficstape Super Junior: Time Slip] (em breve)
Traded Nightmares for Dreaming [McFLY - Em Andamento]
Tudo por um Gol [Clube de Regatas do Flamengo - Finalizada]
02.Ultraviolence [John Bongiovi - Ficstape Lana del Rey: Ultraviolence] (em breve)
06.Walls [Henry Cavill - Ficstape Louis Tomlinson: Walls] (em breve)


comments powered by Disqus