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Única atualização: 20/06/2020

Capítulo Único

– Fala aí, cara! – Liam me puxou para um abraço. – Parabéns.
– Obrigado por ter vindo. – Eu retribuí o abraço. – Niall tá por aí, perguntou de você.
– Vou mandar uma mensagem pra ele avisando que cheguei. Mais alguém das antigas?
– O Josh e o Sandy também chegaram, Niall falou com eles. Eu tava acertando uns detalhes com o DJ na hora e acabei não falando com quase ninguém ainda. Mas deve aparecer mais gente.
– Você chamou o Styles?
– Por educação, sim, mas ele não vem e nem se deu o trabalho de avisar. Tá nos Estados Unidos.
– Novidade... – Liam murmurou e virou para trás.
Naquele exato momento, meu coração palpitou. Nossos olhos se encontraram rapidamente e ela abriu um sorriso enorme ao me ver. Me ver? Liam estava ao meu lado, não havia motivo para eu achar que era a razão do sorriso mas, mesmo assim, eu achei. Pelo menos, fui o primeiro a receber seu abraço, apertado como sempre.
– Tommo! Que saudade! – estalou um beijo na minha bochecha. – Eu quis tanto te ver...
– Também senti sua falta. – Disse a ela enquanto a segurava pela cintura.
– Vou ficar de fora da recepção? – Liam brincou e eu senti uma pontada de ciúmes.
A verdade era que eu havia sido apaixonado por desde o segundo em que coloquei os olhos nela em 2010, a simpática e extrovertida então estagiária de Simon Cowell. Mesmo depois de nove anos, alguns deles afastados, relacionamentos fracassados e um filho – essas duas últimas vergonhas só diziam respeito a mim, até nisso eu falhava –, meus olhos ainda brilhavam só de vê-la chegar em algum lugar.
– E então? – Liam bateu no meu ombro. – Como os vinte e oito anos te fazem sentir?
– Velho. – Eu ri.
– Não diz uma coisa dessa, eu não posso me sentir velho daqui a dois anos.
– E como vai o Bear?
– Vai bem, falante... Semana que vem, vou ficar direto com ele. A Cheryl vai precisar fazer uma viagem às pressas e eu vou estar com tempo livre. E o Freddie?
– A Briana pediu pra passar as festas de fim de ano com ele e eu vou pra casa de lá. Aproveito pra me preparar pra turnê do ano que vem e passo um tempo com ele também.
– Até quando você deve ficar por lá?
– Pelo menos, até o final de janeiro, que aí eu fico pro aniversário dele.
– Desde quando vocês ficaram idosos assim? – Niall surgiu atrás de nós dois, colocando uma mão no ombro de cada um. – Só sabem falar dos filhos.
Eu dei de ombros e ri.
– É o que tem!
– Lou! – Escutei Lottie me chamar e ela se aproximou o mais rápido que podia dentro dos limites dos saltos que ela estava usando. – Tem gente tentando entrar mas não tá na lista de convidados. O segurança da boate pediu pra eu te chamar.
– Você viu quem é?
– Se é a pessoa que tava lá, até vi, mas não faço ideia de quem seja.
– Quem foi convidado, você conhece. Pode falar pra bloquear e que só precisa me chamar se a pessoa que não estiver na lista estiver fazendo companhia pra alguém que tá.
– Beleza. – Ela assentiu.
Olhei para Niall e ele estava acompanhando minha irmã ir embora com os olhos.
– Pode parando com isso! – Eu gritei por cima da música. – Antes de você sonhar em colocar as mãos na minha irmã, eu te mato na porrada.
Liam e Niall riram de mim.
– Vou dar uma volta por aí, falar com o pessoal, pegar alguma bebida... A gente se encontra daqui a pouco, pode ser?
Eles assentiram e eu me afastei. Estava me arrependendo de ter fechado uma boate para uma festa de aniversário em pleno Natal, então fui direto para o bar.
– Kian! – Chamei um dos barmans que estava atendendo naquela noite. – Me vê um sazerac.
– É pra já, patrão. – Ele acenou e se virou para a bancada atrás dele.
– Hm, agora ele conhece drinks. Você anda chique, Tommo.
Eu sorri, com certa timidez, ao ouvir sua voz.
– Conheci algumas coisas por aí. E você... – Apontei para a margarita na sua frente, em cima do balcão. – Delicada e clássica como sempre?
– Mudar nem sempre é bom.
– Achei que você ia vir acompanhada.
– Ah... – Ela suspirou. – Assunto pra outra hora. Faz tempo que não nos encontramos, acho melhor tratarmos de assuntos mais felizes. Como vai o trabalho?
– Vai bem, na verdade. O álbum está pra ser lançado, os preparativos estão em dia, então não parece que tem chance de ter problema nesse meio tempo. E você?
Ao final da pergunta, Kian me estendeu o copo e eu tomei um gole.
– Bem... Simon anda menos rabugento, o que é bom pra mim.
– Ele não inventou nenhum novo programa por esses dias?
– Não que eu sabia. – Ela riu. – Ele disse que viria, mas o filho dele está com problemas de saúde e ele preferiu ficar em casa para ajudar a esposa.
– Sem problemas, Simon me mandou uma mensagem pra avisar.
Nós dois ficamos em silêncio, cada um tomando um pouco mais da sua própria bebida.
– Desculpa não ter vindo pra reunião sobre o lançamento do álbum, eu fiquei presa nos Estados Unidos e então...
– Tá tudo bem, , sem problemas.
– Eu não tenho sido uma boa amiga ultimamente. Prometo que vou tentar melhorar. Começando pela festa de lançamento do álbum, que eu já separei na minha agenda. Só o apocalipse pra me impedir de vir.
Eu sorri e bebi mais um pouco. Meia hora depois, eu ainda estava ali, o anfitrião da festa, focado em conversar com uma pessoa só, discutindo coisas aleatórias que surgiam nos assuntos entre nós, além de relembrar diversos momentos que havíamos vivido juntos.
– Mas eu não queria! – Ela gritou, gargalhando, e fez sinal para que Kian trouxesse mais um drink. – Sabe... Eu cheguei a ter minhas dúvidas, até mesmo sobre o Freddie, mas aquele safadinho não podia estar mais a sua cara.
– Nós não tínhamos idade suficiente pra raciocinar essas coisas naquela época.
– Diga por si mesmo. Eu estava com vinte e você, com vinte e dois. Tinha um clima, eu podia ver à quilômetros de distância.
– Nunca aconteceu nada entre eu e o Styles, . Seja lá qual seja definitivamente a sexualidade dele, nós só fomos bons amigos.
– Fomos?!
Dei de ombros.
– Harry não é mais a mesma pessoa de antes, não sei até onde a amizade durou. Você não está vendo Harry por aqui, está?
– Também não estou vendo Zayn.
– Não o chamei por respeito a você.
– A mim? – Ela perguntou, pegando o próximo drink. – Por quê? O aniversariante é você, Tommo, quem você convida pra sua festa não é problema meu.
– O que ele fez a você não se faz com ninguém, então...
– Pois é. Ele fez a mim. E eu superei, segui em frente. Se eu fiz isso, você pode fazer isso também.
Encarei o copo vazio na minha frente, refletindo sobre o que ela tinha acabado de falar. Acabei me perdendo nos meus próprios pensamentos e esqueci de responder .
– Eu vou ficar sendo conhecida pelos meus fracassos amorosos pra sempre? – Ela resmungou ao meu lado, nem sei se queria que eu ouvisse.
– Não é isso, , é só que...
– É só que o cara que era seu melhor amigo me traiu lindamente com aquela filha da puta que sabia que nós estávamos juntos, não é? E depois eu fui descaradamente trocada, traída mais uma vez, dispensada por mensagem de texto... – apoiou os cotovelos no balcão e abaixou a cabeça, apoiando a testa nas palmas de suas mãos. – Por que eu não poderia simplesmente encontrar alguém como você, Lou?
Puta que pariu, a frase. Aquela frase doeria em qualquer um, especialmente em mim. Eu nem tive como disfarçar o impacto que ela provocou. Mil respostas possíveis, favoráveis ao meu sentimento, vieram na ponta da língua, mas eu não falei nada.
– Mas eu não deveria estar falando nada disso.
Pronto. Mais uma vez, a chance tinha estado na minha cara e eu tinha desperdiçado. Parabéns duplo, Tomlinson.
– C-claro que não, você pode falar do que quiser comigo.
– Eu não mereço um amigo tão bom quanto você.
Mais uma facada e meu coração despedaçaria de vez. Toda vez que eu encontrava com , era um misto de felicidade pela presença dela por perto e tristeza por ainda experimentar ser massacrado pelo sentimento. E claro, sempre a palavra ‘amigo’ surgia por ali.
– Vamos dançar?! – finalizou o drink, colocou a taça vazia em cima do balcão e me ofereceu a mão. – Quem sabe a música ajuda a espantar a má energia.
Eu e meu coração quebrado tentamos sorrir e aceitei sua mão. esperou que eu a guiasse. A música anterior terminou e o DJ contratado começou a tocar um remix Get Low.
– Parece até proposital. – brincou.
– O quê?
Ela não falou nada, só começou a se mexer no ritmo da música e praticamente me deixou sozinho, observando-a. Liam estaria dançando com ela. Niall também – desengonçado, mas estaria. Eu não fazia ideia de como dançar, era péssimo naquilo, então me contentei com assistir enquanto relaxava, até que ela notou que eu estava vigiando. Ela sorriu para mim e, me encarando, começou a cantar a música.
Maybe you don’t believe in me, it’s hard to know what you see in me. cantou o verso perfeitamente.
Logo depois, ela baixou a cabeça e murmurou alguma coisa, completamente fora do estado de espírito em que ela estava segundos antes. Claro que, pelo volume da música dentro da boate, eu não consegui ouvir. Eu ter me aproximado mais ainda dela naquele instante não foi proposital, foi por puro instinto.
– Desculpa, eu não ouvi. – Gritei por cima do barulho.
O poema e o ritmo não tinham nada a ver com o momento mas eu senti, no olhar que me direcionou, que eu não era o único com o coração quebrado ali dentro. Só sabia que o motivo pelo qual o meu estava quebrado certamente não era o mesmo motivo que estava escondido sob o pesar daquele par de olhos castanhos. De repente, alguém me puxou.
– Louis, – Liam gritou. – você viu minha irmã por aí?
– Espera só um minuto.
Quando eu me virei, não estava mais lá. Liam continuou chamando a minha atenção, no entanto. Eu o ignorei e puxei o telefone. Estava pronto para ligar para ela, mas a mensagem chegou mais rápido do que a minha ligação.

Desculpa, não estou num dia bom
Me liga amanhã, por favor?


Eu ia ligar, como bom cachorro mandado que era. Até tentei insistir, mas o telefone deu como desligado. Liam continuava chamando a minha atenção para o fato de eu ser o anfitrião da festa, o aniversariante, e não ter tempo para resolver problemas pessoais enquanto tivesse dezenas de pessoas para receber. Felizmente – ou não, depende do ponto de vista –, eu consegui ir embora cerca de três horas depois, simplesmente sumindo do mapa, extremamente arrependido pela ideia.
Dentro do táxi, no caminho da boate para o meu apartamento, eu fiquei repetindo as palavras que havia dito para mim. ‘Por que eu não poderia simplesmente encontrar alguém como você?’. Eu estava bem na frente dela. Como ela não via? Ok, eu tinha a minha parcela de culpa por não falar nada a respeito, não tomar a inciativa de ir atrás do que eu queria, mas como não enxergava que eu estava bem na frente dela, já que ela queria ‘alguém como eu’? Eu simplesmente não sabia.
Entrei no apartamento, tirei o casaco que estava usando e joguei no sofá de qualquer jeito, caindo sentado logo ao lado dele. Estava um pouco tonto ainda porque não tinha bebido pouco, mas me sentia muito cansado. Sabia e sentia que aquele cansaço era mais mental do que físico. Então mais arrependimento pela festa caiu sobre mim, e não era arrependimento só sobre ter tido a ideia de realizá-la, mas também sobre como eu agi durante ela, principalmente com .
Ela estava bem na minha frente. Eu deveria ter aproveitado a chance, mas fiquei tão apavorado que acabei perdendo a oportunidade. De novo. Não conseguia parar de pensar em como tinha sido idiota com aquilo. Vinte e oito anos e não conseguia ter uma conversa sincera com a garota que eu conhecia por mais de um terço da minha vida? Garota não, mulher. Ainda tinha isso, eu precisava me convencer, em partes, de que não éramos mais crianças.
Tomei a decisão sem nem perceber. Peguei o casaco de novo, vesti e procurei meu celular no bolso da calça. Liguei para o número de , que estava desligado. Estava em pânico, como sempre ficava perto dela, e acabei esquecendo de perguntar onde ela estava ficando enquanto estava em Londres. Aí lembrei de Paige, sua assistente. Fiz as contas mentalmente. Era três horas da manhã em Londres, mas apenas oito horas da noite em Los Angeles. Disquei então o número dela, que eu tinha salvo para emergências. Aquilo não era emergência, mas eu precisava.
– Louis! – Paige atendeu no terceiro toque. – Tudo bem? Aconteceu alguma coisa com a ?
– Onde ela tá?
– Como assim? Ela foi pra Londres pra sua festa.
– Eu já fui embora da festa, ela também. Quero saber se ela alugou um apartamento ou se ela tá ficando em algum hotel.
– Ah sim! Ela reservou um quarto num hotel. Se você esperar, eu abro minhas anotações aqui e te passo o nome dele certinho.
– Espero sim, Paige, sem problemas.
Os segundos pareceram durar muito mais do que deveriam. Eu conseguia ouvir Paige mexendo em algumas coisas do outro lado mas estava tão nervoso que comecei a tremer.
– Louis?
– To aqui.
– Ela tá ficando no Intercontinental.
– Ok. Obrigado, Paige.
Ela começou a falar mais alguma coisa, mas eu desliguei. Esperando o elevador, usei o celular para pedir um carro para mim. Já dentro do veículo, recebi uma ligação de Liam. Ia deixar passar, mas acabei atendendo.
– Oi.
– Onde você tá, cara?
– Fui embora. – Respondi. – Não tava mais aguentando.
– O que houve?
Respirei fundo e dei uma checada. Como o carro tinha divisória, só chequei para ver se o motorista não teria deixado uma fresta da portinhola aberta.
– To indo atrás dela.
? – Liam perguntou e entendeu meu silêncio como uma resposta afirmativa. – Louis, você não tá ultrapassando os limites?
– Você é meu amigo, não é?
– Claro que sou.
– Eu amo aquela garota, Liam. Quando eu tenho que ir trabalhar, eu procuro por ela, mesmo que, às vezes, eu saiba que não vai estar lá. Eu vi nos olhos dela, Liam. Eu vi como ela olhava pra mim. Não é possível que não exista alguma coisa.
– Cara... Você tem certeza disso?
– Eu só vejo a quando fecho os olhos, Liam. Eu vou enlouquecer se não descobrir.
– Descobrir o quê?
– Se tem alguma chance, mesmo que mínima, de ter reciprocidade.
Liam respirou fundo do outro lado, eu ainda podia ouvir a música da boate distante.
– É isso o que você quer, então... – Liam suspirou. – Vai fundo. Me liga ou manda mensagem com notícias. E boa sorte.
– Obrigado.
Eu só senti de verdade o que estava acontecendo quando saltei do carro. Caminhei para a entrada do hotel com a minha cabeça implorando para eu dar meia volta e sair correndo, mas aí eu pareceria mais idiota ainda. A merda tinha sido feita, eu tinha dado o primeiro passo para o famoso ‘agora ou nunca’.
– Boa noite. – Cheguei à recepção. – Preciso falar com a hóspede , é urgente.
– Senhor, a essa hora, não temos o costume de incomodarmos hóspedes.
Eu me estiquei e mudei de posição para ler o crachá da menina que estava me atendendo.
– Olha só, Claire, eu realmente preciso falar com essa hóspede. Você acha que eu estaria aqui a essa hora se não fosse sério?
– Eu entendo, mas realmente não posso incomodá-la.
– Então me deixe falar com o gerente, por favor.
Ela hesitou, mas acabou chamando seu superior. Com muita lábia e considerando até oferecer suborno, consegui o número do quarto e acesso às dependências do hotel. Nunca na vida – nunca mesmo – fiquei tão nervoso quanto estava dentro daquele elevador. Eu praticamente congelei quando a porta abriu no quarto andar e levei cerca de cinco minutos, parado na frente da porta indicada, hesitando em apertar a campainha, até que um hóspede apareceu no corredor e eu precisei fazer alguma coisa para não parecer maluco. atendeu a porta enrolada em um roupão do próprio hotel e estava tão sonolenta que levou um tempo até me reconhecer, arregalando os olhos em seguida.
– Lou!
– Me desculpa, mas eu posso entrar?
Ela pensou duas vezes, mas terminou de abrir a porta e me deu passagem, fechando o quarto novamente logo em seguida.
– O que houve?
– Você tem alguém agora?
– Louis, do que você tá falando?
– De você. – Eu falei, percebendo só naquele momento que estava ofegando. – Tem alguém na sua mente, no seu coração...?
– Lou, eu não to entendendo.
Girei em torno do meu próprio corpo, passando as mãos no cabelo em desespero.
– Desculpa, desculpa, é que eu to tão confuso...
se aproximou de mim e me segurou pelos ombros.
– Eu preciso que você se acalme pra eu tentar te entender.
Respirei fundo e olhei para ela.
– Eu cheguei tarde demais?
– Tarde demais pra quê?
Continuava hipnotizado por e me sentia arrependido de ter ido até ela, mas o ‘agora ou nunca’ tinha chegado a um ponto sem volta. Eu tinha dois possíveis futuros depois dali: dar tudo muito certo ou muito errado.
... – Eu comecei, tentando ficar calmo tanto quanto era possível naquela situação. – Como você se sente sobre mim?
– Do que você tá falando, Louis?
– Você sabe exatamente do que eu to falando.
Quando olhou para mim e, logo depois, desviou o olhar para o chão, eu soube. Tudo o que veio à minha cabeça foi quando ela estava lá, na minha frente, dançando comigo, a menos de um passo de distância, e olhou para mim... Eu deveria ter notado. Se eu soubesse naquele instante que eu me sentiria daquele jeito horas depois, se eu pudesse voltar no tempo, eu nunca teria deixado ir embora.
– Eu sinto muito. – Murmurei.
– Pelo quê? – Ela perguntou, ainda sem olhar novamente para mim.
– Por ter te deixado ir embora quando eu deveria ter te beijado. Eu não... – Respirei fundo de novo, sentindo um peso enorme saindo aos poucos de mim. – Eu não acredito que cometi esse erro.
O silêncio depois do que eu falei foi ensurdecedor. Eu sentia que a chance de perder uma amizade de quase uma década estava bem próxima de mim. Naquele instante, eu tomei a decisão que mudaria a minha vida para sempre. O ‘não’ já estava certo, perder já era garantido. Mas eu precisava tentar, eu queria tentar, até o último segundo. Então dei um passo na direção dela, colando nossos corpos, e tentei levantar seu rosto com o máximo de delicadeza que consegui. olhou para mim mais uma vez mas, finalmente, consegui sustentar seu olhar e prendê-la ali comigo.
– Eu não sou o Zayn.
– Eu sei que não é. – Ela disse e fez o que eu não tive coragem de fazer com ela.
me beijou. Eu não poderia descrever em palavras como eu me senti naquele momento. O ar sumiu mas, ao mesmo tempo, eu não estava dando a mínima para respirar. Só queria que aquele beijo durasse para sempre. O meu corpo todo esquentou, mesmo com o frio que estava fazendo em Londres naquela noite. Eu demorei a reagir mas, quando vi, já estava com os braços em volta do corpo dela, segurando perto porque tinha medo de que ela visse o que tinha acabado de fazer e se arrependesse. O que eu havia esquecido e ignorado por completo é que não se arrependia de nada, o completo oposto de mim.
– Por que não fez isso antes? – Ela perguntou com lágrimas nos olhos, encostando sua testa no meu peito.
– Preferia ter você como amiga do que não ter você.
– Desde quando? – levantou o olhar para mim. – Desde quando você se sente assim?
– Desde sempre. – Eu dei de ombros.
– Você deveria ter me dito. – Ela murchou novamente. – Assim, eu não teria segurado esse sentimento por tanto tempo como segurei.
O choque me atingiu em cheio. Eu me senti mais idiota do que nunca – e mais feliz do que nunca também. Era melhor do que achar dinheiro na rua, do que poder dormir até mais tarde em um dia de semana, do que rir até a barriga doer e os olhos lacrimejarem, do que ganhar na loteria, do que receber um abraço animado de um cachorro de estimação. Se ela se sentia como eu, eu só tinha uma certeza: dali para frente, ia dar tudo muito certo. Então eu fiz o que devia ter feito várias e várias vezes durante aquele tempo todo e beijei novamente, quantas vezes pude, sabendo que a possibilidade de eu cansar de ter seus lábios nos meus era remota. Na manhã seguinte, quando acordei achando que era tudo um sonho, eu percebi que o que importava era fazer por onde para recompensar a e a mim mesmo pelo tempo perdido.


Fim.



Nota da autora: Esse pedaço de fic (haha) já tinha sido todo pensado no meu coração e eu até já tinha rascunhado algumas coisas, aí surgiu a oportunidade perfeita pra jogar ela pro site. Eu espero que gostem e não se esqueçam de deixar as opiniões aqui embaixo!





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