Última atualização: 09/07/2020

Capítulo 1

Eu estava muito animada, de mil formas diferentes. Arrumei minha mala tão cautelosamente que nem parecia a garota impulsiva que eu era. Meu irmão apareceu na porta do quarto e por lá ficou.
– Não vai se atrasar, hein.
– Corey, ainda faltam seis horas para o voo.
– Eu sei. – Ele riu de mim e entrou no quarto, sentando na beira da cama. – Leva roupa pra calor e pra frio, lá varia bem.
– Já tinha anotado isso naquelas mensagens que você me passou, separei uma boa quantidade.
– E nada de biquini, só maiô.
– Corey, por que você sempre tem que perturbar sua irmã quando finalmente para casa? – Minha mãe ralhou da porta do quarto.
– É só implicância. – Ele bagunçou o meu cabelo. – Mas leva um casaco na bolsa de mão.
– Casaco, travesseiro de pescoço, manta pequena para me cobrir...
– Você é boa nisso, vou te contratar pra fazer minhas malas quando eu for viajar.
– Deus me livre! – Protestei.
– Você trate de cuidar bem da sua irmã, Corey, ou eu vou me teletransportar até o Marrocos no mesmo instante pra te matar.
– Vai dar tudo certo, mãe. – Ele disse e, saindo do meu quarto, beijou a testa dela. – E não é Marrocos, é Espanha.
– Mas fica depois do Marrocos!
– Já podemos ir. – Eu anunciei, interrompendo os dois.
– A gente tem uma hora ainda. Acabei de checar, o trânsito tá tranquilo.
– Mas e se acontecer um acidente, a pista fechar, um policial te parar e demorar demais para liberar...
– Tá bom, tá bom! – Corey me interrompeu, dando-me razão a contragosto. – Vou pegar minhas malas e te encontro lá embaixo.
Corey era o irmão e filho mais maravilhoso que uma pessoa podia pedir. Depois que concluiu o mestrado em Estética Cinematográfica pela University of Oxford, foi indicado por um professor para um executivo da Netflix e estava trabalhando como assistente de diretor desde então. Com o salário, tirou a gente de uma casa minúscula para uma decente. Depois, reformou, transformando o que eram cinco quartos e três banheiros em três suítes com closet, a sua ainda com um estúdio anexo, no terceiro e mais alto andar da casa.
Seu mais novo trabalho era com uma grande produção. Ele viajaria por algumas semanas para as ilhas Canárias a fim de participar das filmagens de uma série. Eu tinha acabado de me formar – com ajuda dele também – em Engenharia de Software e tinha decidido me afundar na procura do meu primeiro emprego oficial na área, mas Corey insistiu que eu deveria e precisava tirar um tempo para mim mesma antes de começar a trabalhar sem parar. Minha mãe não achava que nossos cursos eram sérios ou que dariam dinheiro, mas dava total apoio. Quando Corey me chamou para ir para o território espanhol com ele, minha mãe foi quem mais insistiu. Ela passaria um tempo com sua irmã, nossa tia Lea, que estaria se recuperando de uma cirurgia na garganta, enquanto estivéssemos fora. Seriam semanas de união fraternal.
Eu estava mais que animada. Antes de Corey conseguir o emprego na Netflix, nós não tínhamos tanto dinheiro disponível em casa. Meu pai largou minha mãe quando ainda éramos pequenos, um grande babaca recheado de ignorância pura, e nós tivemos que nos virarmos para conseguir dinheiro além do que a justiça obrigara meu pai a pagar de pensão. Eu havia saído da Inglaterra para ir a Paris de trem uma vez, em excursão com o colégio onde estudava, e uma vez a Dublin, para conhecermos a família de uma ex-namorada de Corey. Tirando isso, todos os nossos passeios eram dentro do país. Então era de se esperar que eu estivesse uma pilha de nervos – no bom sentido, é claro – para aquela viagem.
Corey já havia viajado um bom bocado a trabalho, então ele não estava tão animado quanto eu, mas entendia como eu estava me sentindo e até incentivava um pouco. Afinal de contas, ele mesmo tinha dado a ideia. E é claro que eu sabia que chegaríamos ao Heathrow a tempo do voo, ainda mais com quase seis horas de vantagem. Se tudo desse certo, não levaríamos nem uma hora até lá. Eu já tinha feito o check in online e o único procedimento necessário no Heathrow seria o de despachar as malas. Para evitar o cansaço desnecessário da nossa mãe – que quase não desistiu da ideia de nos levar –, optamos por pagar um Uber até o aeroporto. Seria mais barato que deixar o carro de Corey lá, estacionado, ou até mesmo do que o combustível e o curto estacionamento do carro de nossa mãe.
– Quanto tempo até a gente poder entrar no avião?
– Você sabe que tá parecendo uma criança, né? – Corey implicou. – Não estamos nem na sala de embarque ainda.
– Não?!
– Não. Nós só vamos pra lá quando nosso voo começar a ser chamado.
– É quanto tempo de voo mesmo?
– Um pouco mais que seis horas.
– Eu nunca ouvi falar dessa companhia aérea. – Apontei para o grande telão que mostrava as informações dos voos que estavam pousando e partindo do Heathrow. – Brussels Airlines...
Corey começou a rir e olhou para mim.
– Você tá precisando tomar remédios pra ansiedade e não to sabendo, mocinha?
– Mamãe, com certeza, teria te alertado.
– Provavelmente, é uma companhia aérea belga.
– Pensei nisso também. – Murmurei e olhei para o meu cartão de embarque, dentro das páginas do meu novíssimo passaporte. – Sem chance de conhecermos Casablanca, né?
– Eu já pesquisei os preços e vou tentar achar uma promoção enquanto estivermos por lá. Talvez possamos passar na hora de ir embora. Mas lá tem bastante coisa pra ver, fica tranquila que você não vai ficar deitada, de perna pra cima.
– A casa lá é legal? – Perguntei.
– Não é a mesma casa que eu aluguei da última vez, então não sei. Quando fomos filmar lá antes, a equipe inteira alugou um lugar, então ficou um monte de gente dentro de um albergue ou coisa do tipo.
– Não vai sair muito caro pra você?
– Eles ainda vão pagar a minha hospedagem. Eu tinha direito a gastar cento e cinquenta dólares por dia com hospedagem, alimentação e aluguel de carro. Vai dar pra bancar o aluguel da casa mais o aluguel dos carros. Aí a gente fica só pagando a alimentação.
– Dos carros?! – Questionei. – No plural?
– É. Eu vou precisar do meu e não vai ser exatamente perfeito pra você se ficar sozinha por lá, dependendo de transporte público, sendo que você mal sabe falar espanhol.
– Tem certeza?
Meu irmão assentiu e checou o celular.
– Onde você vai filmar... Não é próximo da casa, certo?
– Não exatamente, mas a ilha é pequena. Dá pra dar uma volta inteira nela em menos de duas horas de carro.
– Qual a distância do lugar onde você vai filmar pra casa?
– Depende. São cinco locações. A mais longe delas fica a menos de uma hora e meia de distância.
– O que tem de legal pra fazer lá?
– Eu montei uma lista pra você, tá no meio das minhas pastas, que estão na mala principal. Me lembra de te entregar quando a gente chegar lá. Mas tem o aquário, os cânions, as igrejas... A casa lá é colada no mar, de frente pra ele. Inclusive, tenho uma surpresa pra você.
Meu irmão se virou para a terceira bolsa dele, dentre as que iam dentro do avião conosco, e me entregou. Eu estranhei na mesma hora.
– O que é isso?
– É pra você aproveitar direito a viagem. Abre aí. – Ele apontou e olhou para outro lugar, como se quisesse me dar privacidade. – Só toma cuidado na hora de abrir.
Eu deitei a bolsa no meu colo. Não era muito grande, mas também não era pequena. Comecei a abrir o zíper e levantei o tampo da bolsa, revelando um conjunto com corpo, tripé e lentes de uma câmera fotográfica profissional. Eu saí mexendo nas lentes que, mesmo devidamente protegidas, eu reconheceria em qualquer lugar.
– Eu sei que você ficou chateada quando roubaram a sua câmera antiga. Essa aí tem tudo que a outra tinha e mais algumas coisas. As lentes têm estabilizador de imagem, todas elas, e eu comprei aquela 50mm que você tanto queria. Ela tem conexão wireless, então você pode enviar as imagens pra uma conta na nuvem, mas eu comprei alguns bons cartões de memória também caso você prefira ficar com o usual. Ah, e tem os filtros, bateria extra e alguns outros acessórios. Estão no bolso externo frontal e...
Não deixei meu irmão terminar a frase. Colocando a bolsa de lado por um momento no assento ao lado do meu, eu agarrei seu pescoço em um abraço e deixei um beijo com força na sua bochecha direita. Corey ria do meu abraço, mas passou os braços em volta de mim também. Um casal passou por perto, estranhando a situação e quase apertando os passos pra ficarem mais distantes de nós. Eu e meu irmão rimos. Afinal de contas, nós sabíamos o porquê daquele carinho todo e era isso que importava.
– Obrigada, Corey. De verdade. – Eu peguei na bolsa com tudo e comecei a fechá-la em cima do meu colo. – Eu... Eu nem sei o que dizer!
– Não precisa dizer nada. Use pra boas fotos. Quem sabe a gente te transforma numa fotógrafa mundialmente conhecida, ganha mais dinheiro do que eu, me paga o que deve...
Estreitei os olhos e virei para ele de cara feia.
– Esse presente tá saindo muito caro.
Corey riu e apontou para uma máquina do outro lado do saguão onde estávamos.
– Quer pipoca?
– Pode ser.
Ele se levantou e foi até a máquina. Eu olhei o celular. Meu impulso me dizia para postar mil fotos, contar a Deus e o mundo que eu estava indo viajar para longe. Muito longe. Eu estaria praticamente na África! Mas Corey havia me explicado que nada poderia associar-nos ao lugar onde estaríamos, inclusive me fez assinar um contrato de confidenciabilidade que, de acordo com ele, todos da equipe assinavam. Aparentemente, o tamanho da produção era grande demais para ser descoberta aleatoriamente. Se as notícias saíssem para a imprensa pela boca de uma pessoa qualquer, tudo bem. Caso contrário, nós devíamos permanecer quietos a respeito de qualquer detalhe a respeito daquela viagem enquanto a própria empresa não liberasse a notícia para os meios de comunicação.
– Toma aqui. – Meu irmão, de repente, estava de volta, e me entregava uma caixa enorme de pipoca junto a uma garrafa de suco industrializado. – Pipoca dá sede, achei melhor já pegar pra você.
– Tudo bem. Quanto foi?
– A gente acerta isso depois. – Ele disse, sentou ao meu lado e começou a comer a própria pipoca, distraído com qualquer outra coisa que não fosse a minha presença.
– Corey...
– Sim?
Eu hesitei.
– Você não precisava ter feito tudo isso por mim e pela mamãe.
– Eu sou o homem da casa. É claro que eu precisava ter feito.
Olhei para a minha pipoca, peguei um pouco e coloquei na boca.
– Obrigada. – Disse, antes de decidir deixá-lo definitivamente em paz. – Você é o melhor irmão que eu poderia sonhar em ter.
Ele sorriu, me puxou para deixar um beijo na minha testa e voltou à sua distração.
– Ei, Corey...
– Vai comer, sua tagarela! – Ele reclamou e eu ri. – Comprei a pipoca maior pra você calar a boca por mais tempo.
Revirei os olhos por conta de sua palhaçada mas, finalmente, fiquei quieta na minha. Alternei entre a pipoca e um jogo qualquer no celular por alguns minutos, tentando me manter menos ansiosa, mesmo sendo uma árdua tarefa. Não muito tempo depois, fomos para a sala de embarque, de onde eu podia ver os aviões decolando e pousando. Aquilo só piorou meu nervosismo mas, para a felicidade do meu irmão – porque ele ia me jogar do céu se eu continuasse perturbando sua paz –, nós rapidamente fomos parar no corredor retrátil que nos levava para dentro da aeronave responsável por fazer o nosso transporte.
Sentei ao lado dele e afivelei o cinto correndo, quase tremendo de tanta excitação. Ele estava tranquilo enquanto colocava as malas no compartimento acima de nossas cabeças. Peguei o celular, coloquei no modo avião, abri a minha playlist favorita e coloquei para tocar no fone de ouvido. Quase uma hora depois, Londres estava pequenina sob os meus pés e eu estava mais agitada do que nunca na minha vida inteira.


Continua...



Nota da autora: Fiz mais uma pro meu crush eterno e ai de vocês se não gostarem haha





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