Última atualização: 09/07/2020

Capítulo Único

De repente, a sombra na escuridão de onde vinham os aplausos se fez clara. A respiração de Jungkook foi cortada na metade, ele estava em choque. Deveria ter sentido, ele pensava. Julgava-se por ter acreditado em seus colegas, por eles terem dito que ele deveria olhar pelo lado positivo da sensação estranha que sentia desde que colocara os pés no palco naquela noite, que aquela sensação lhe traria a devida emoção quando precisasse atuar para tornar certas músicas mais intensas.
O show acabou, mais um que ele deixava para trás. Era só uma missão que ele podia dar como cumprida. Desde que tudo havia acontecido, não via mais prazer naquilo, fazer parte do grupo era só mais uma ação mecânica que realizava em sua rotina. Estava ainda tentando se convencer de que o pressentimento estava errado quando entrou no camarim com seu nome na porta. Do lado de dentro, a escuridão completa reinava. Até que aquela sensação, de repente, piorou muito e ele praticamente correu para o interruptor.
?
– Oi, JK. – A mulher disse com a voz extremamente baixa, quase inaudível.
A tristeza silenciosa em sacudia Jungkook por dentro. O mar de sua alma finalmente havia se aquietado e apenas a imagem dela causava ondas que quebravam sem parar. A dor dentro de si transcendia as barreiras físicas de seu íntimo desde a primeira vez em que pôs os olhos em quando eles ainda eram namorados e percebeu que as expressões faciais eram fingimentos. Jungkook se sentia quebrando novamente.
– Eu sabia, eu senti sua presença lá do palco, eu... – De repende, Jungkook sentiu que havia algo de mais estranho ali. – Aconteceu alguma coisa?
– Você deixou algumas coisas no meu apartamento, eu vim entregar.
– Veio até aqui só pra isso?
– Sim, Jin coordenou a minha entrada. – soltou a alça da bolsa de seu ombro e deixou que ela ficasse no sofá à sua esquerda. – Eu precisava me livrar disso.
– Eu não significo nada, , não precisava ter se importado.
– Não é sobre você, é sobre mim. Eu não aguentava mais ver as suas coisas lá. Precisava devolvê-las pelo meu próprio bem. Vim entregá-las e apenas isso.
Quando se virou para ir embora, Jungkook estava pronto para seguir com a vida de quem tinha desistido dela quando achou que poderia ter uma chance se insistisse.
– Você não quer nada de mim? – Ele praticamente gritou.
Ela se virou. Silenciosa, ficou encarando-o por longos segundos. Ambos sentiam o coração saltar no peito.
– Você significa muita coisa, eu só não posso lidar com isso.
– Por favor, não desiste da sua vida. Da nossa vida.
– JK, já tomei a minha decisão.
Enquanto ouvia sua voz, passava um curta metragem na mente de Jungkook, percorrendo todas as memórias que ele ainda tinha desde que fora recrutado pelos empresários. O primeiro show, o primeiro prêmio, do trabalho para panfletar e convencer outros a irem às suas primeiras apresentações ao estádio lotadíssimo à frente do qual tinha acabado de performar mais um show impecável. Todas, conquistas suadas que nunca tinha reconsiderado antes de conhecer . Então tinha tanto amor por ela quanto tinha medo pelo que poderia acontecer se descobrissem sobre os dois.
Tinha tantos amigos e conhecidos que haviam sofrido variadas consequências por causa das fãs obsessivas que teimavam em adotarem comportamentos agressivos se algum deles sequer pensasse em flertar com uma mulher. Se soubessem que ele e tinham até juntado parcialmente as escovas, poderia haver um problema gigantesco. Tinha medo não por ele. Tinha medo por ela.
– Sabe... – Jungkook começou a balbuciar, sentindo que lágrimas se formavam no canto de seus olhos. – Todo dia, desde que... Desde que você me deixou, eu rezo por dias melhores. Não me encontrei desde que te vi partir, é como se minha mente tivesse se transformado em um labirinto, dos mais difíceis... , eu não sei mais se aqui é o meu lugar.
– Não se esqueça de que eu fui sua fã antes de qualquer coisa. Se eu sei alguma coisa sobre você, é que aqui é definitivamente o seu lugar.
– Por favor, me deixa...
– Não, Jungkook. – Ela foi firme. – Eu cansei. Me perguntei diversas vezes se o caminho que tinha escolhido seguir era o correto, me perguntei se estava em um caminho de fato ou se só achava que estava. Todo dia, eu sentia como se estivesse andando sobre uma corda bamba, como se o chão não estivesse firme em seu lugar. Eu me sentia sozinha, Jungkook, porque você dizia que me amava mas precisava dar conta de cumprir sua função, e isso necessariamente me excluía da sua vida.
As palavras eram como bombas para os ouvidos de Jungkook. Cada uma delas só servia para machucá-lo mais e mais. O som era altíssimo para seu pobre e destruído coração.
– Olha, eu queria te dizer que é só o ser humano sendo o ser humano, com toda a maldade que algumas pessoas nascem possuindo. E isso existe em todo lugar, não só aqui, não só comigo. Mas você não precisa ter medo, . Seja lá qual for a maldade que estiver lá fora nos esperando, eu vou lutar por você. Não vamos desistir, , por favor.
– Já chega. – murmurou para si mesma.
Mais uma vez, ela se virou para ir embora. Mas Jungkook já havia decidido. Independente da decisão de , ele tinha desistido daquilo que deveria ter sido deixado de lado desde o começo. Então ele tomou uma decisão súbita e pegou pelo braço. Ela se virou para trás, pronta para brigar com ele, mas ficou repentinamente sem palavras.
– Nós dois sentimos tudo, . A tristeza, o sofrimento... Nós escolhemos sentir isso, , quer você goste ou não. E pode ter dado tudo errado até agora, você pode ter ficado chateada, eu posso ser culpado por isso. Mas o que nós temos não é uma coincidência, amor, definitivamente não é.
– Queria ver se você teria coragem de me chamar assim em público.
– Eu chamo! – Jungkook soltou seu braço e abriu os dele, como se estivesse mostrando propositalmente sua vulnerabilidade. – Eu digo pro mundo inteiro, . Eu me afastei de você, eu fugi de você. Mas não quero mais. Isso, o luxo, as noites em turnê, o cachê gordo no final do dia... Eu sei, é tarde. Eu fui um babaca, me desculpa. Mas eu não quero mais. Eu quero você, , eu quero você. Não quero mais fugir.
As palavras quebraram a barreira que criara em volta do próprio coração, para defender-se de vê-lo quebrando novamente. Tinha sofrido demais, as noites em claro com lágrimas e mais lágrimas levaram muito tempo para chegarem ao fim e mostrarem que a ferida havia cicatrizado.
– Não importa o que eu faça, eu to na merda. – Ele forçou um sorriso fraco. – Só você pode me fazer feliz, .
Eles se aproximaram involuntariamente. A atração entre os dois era maior do que poderiam explicar. Sabiam que negar era adiar o inevitável. Nenhum dos dois queria estar machucado, mas também não queriam estar separados. E, para , ouvir Jungkook dizer que abriria mão daquilo em troca dela era tudo o que podia trazer-lhe felicidade.
– Leva as coisas de volta pro seu apartamento. – Jungkook murmurou, a mão na nuca dela. – Eu chego lá em menos de meia hora.
– Você tem certeza? Tem certeza de que suas... Fãs... Elas não vão...
Ele conseguiu soltar um sorriso finalmente sincero.
– Elas têm inveja de nós, . E de qualquer forma, se não formos nós a carregar o estigma de assumir um relacionamento nesse universo distorcido de idolatria a artistas coreanos, meu amor... – Ele deu de ombros. – Quem mais seria?
O beijo que os dois dividiram naquele instante selava toda e qualquer desavença em um depósito que não poderia ser reaberto. Começou como algo inocente, carinhoso, mas nenhum dos dois pôde evitar o aumento da pressão enquanto um abraçava o outro. Eles se desejavam como nunca, a saudade mais intensa ainda por estarem próximos. O mundo poderia acabar naquele instante. Desde que estivessem um no braço do outro, não importava.
– Eu prometo, – Jungkook disse enquanto os dois mantinham as testas coladas, ofegantes pela repentina separação. – pra você e pra mim, que não importa o que aconteça, não importa o quanto sejamos atacados, eu vou continuar sendo tudo o que você precisar. Seja de cima do palco ou seja do quarto do seu apartamento, sendo a pessoa mais feliz do mundo simplesmente por ter você comigo.
Então ele tirou do bolso interno do casaco uma peça que carregava consigo desde que lhe devolvera. Entregou o anel de noivado na mão dela, que estava derramando lágrimas àquela altura. Sorriu levemente, exalando zelo através de seu olhar carinhoso.
– Ele nunca deveria ter saído da sua mão.


Fim.



Nota da autora: Eu precisava escrever algo com Louder than Bombs porque ela é mais perfeita do que eu posso descrever. Espero que tenha ficado minimamente merecedor dessa música linda e maravilhosa.





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