Finalizada em: 11/08/2017

Capítulo Único

Os fãs ainda gritavam seu nome quando ele saiu do palco e, mesmo dos bastidores, conseguia ouví-los em alto e bom som. Queria que isso bastasse, que o amor que sempre sentiu por eles fosse o suficiente. Que o amor deles também fosse, mas não podia e se quer conseguia continuar se enganando daquela forma. Não quando a falta que sentia dela apenas se tornava pior a cada dia que se passava, o consumindo da forma mais dolorosa que ele podia imaginar.
A falta e a culpa. Não sabia, sinceramente, qual deles o deixava pior.
Sua equipe, sempre tão eficiente, veio lhe cumprimentar pelo show. Havia sido realmente uma boa performance. Ele estava se saindo muito melhor do que esperava nessa coisa de fingir estar bem, mesmo sentindo-se o pior dos lixos, a pior pessoa. Já não conseguia mais se olhar no espelho, dormir era uma tortura e compor já não era mais a mesma coisa.
Ele estava tentando seguir adiante, superar, e a cada novo fracasso repetia a si mesmo que tudo era muito recente ainda, que esse era o motivo por não conseguir, mas no fundo sabia que não, que ela havia sido parte importante demais da sua vida para que ele conseguisse esquecê-la um dia. Não ia conseguir e tinha medo disso. Não por si mesmo, sinceramente. As vezes chegava a pensar que merecia sofrer daquela forma, mas as pessoas ao seu redor, as que o amavam, não e por isso forçou mais um sorriso, torcendo para que estivesse dando certo.
Sentia como se carregasse o peso do mundo em seus ombros e não importava se ele tentava pensar em outras coisas, ou no quão injusto era dizer aquilo quando se tinha tanto. Uma carreira de sucesso, fãs, sua família, mas mesmo assim, de repente, nada mais parecia o suficiente e tudo que ele queria era poder sair dali, do meio de tantas pessoas para quem ele precisava fingir que tudo estava bem. Não estava, e ele queria estar sozinho para beber ou, simplesmente, poder tirar o sorriso do rosto.
Se quer lembrava direito dos minutos que procederam ao show, fazendo rápido demais tudo o que precisava fazer para sair de lá de uma vez, dispensando seu segurança assim que chegou em casa. Ele precisava ficar sozinho, sair sozinho, e o fez assim que o homem se foi, pegando as chaves de seu carro para dirigir até o bar mais próximo sem se importar com quem ele era ou para onde ia.
Não queria mais ser , o cantor. Ele queria ser apenas ele, um cara normal sofrendo por um amor que havia partido e pela filha lutando pela vida no hospital. Queria beber suas mágoas sem ter que se preocupar com as câmeras ou com as pessoas ao redor. Ele queria ter o direito de esquecer de tudo por um momento, a dor, a mágoa, a angustia e, sem se esconder, pediu a primeira dose. A primeira de muitas, se tivesse sorte, e deixou que o álcool queimasse sua garganta.
Estava precisando daquilo e sentiu-se quase aliviado quando pediu a próxima dose, e as outras depois dessa até que perdesse a conta e grande parte da consciência do que acontecia ao seu redor.
- Cara, você não acha que já está na hora de parar? – o barman lhe perguntou. sabia que, para chegar naquele ponto, deveria estar para lá de péssimo, mas infelizmente ainda tinha coisas demais na cabeça, dores demais no peito e isso só podia significar que ainda não tinha bebido o suficiente. E se quer se importava de beber até apagar. Na verdade, seria um enorme alivio já que não conseguia dormir há dias. Só entrava no palco após toneladas de maquiagem serem passadas em seu rosto, especialmente nas olheiras abaixo de seus olhos.
- Eu digo quando for demais. – respondeu, tendo dificuldade com algumas palavras, sem que pudesse negar. – Droga. – se amaldiçoou. – Vamos fazer assim, eu te pago essas rodadas e você continua servindo, do zero.
- E a minha rodada, também está garantida? – uma mulher se aproximou, sinalizando para o garçom que se voltou para novamente, só para ter certeza de que o podia fazer, mas o rapaz apenas bufou irritado.
- Se for para que você vá embora, sim.
- Ow. – ela riu, uma risada totalmente irritante aos seus ouvidos e ele nem achava que a culpa era da bebida. – Ouvi dizer que é simpático, acho que me enganei.
“Ela o reconheceu, claro que sim”, ele pensou consigo mesmo, sorrindo de forma falsa pra ela em resposta. Uma groupie era a última coisa que ele precisava.
- não está aqui no momento. Me procure em um bom dia. – respondeu, fazendo uma careta em seguida. – Não, por favor, não me procure.
- Sabe, eu tenho a fórmula certa para curar esse seu mal humor... – ela começou, aproximando-se dele, mas o rapaz lhe afastou sem se importar em ser gentil. Ele só queria ficar em paz, sem ter que se preocupar com o que as pessoas iam pensar, mas, quando viu, a mulher tropeçava no banco atrás de si, indo ao chão.
Mesmo naquele estado, não teve dificuldade nenhuma em notar a falsidade no gesto. Não havia usado de tanta força assim, ao ponto de derrubá-la, e apenas revirou os olhos, não se importando em lhe prestar socorro. O máximo que ela ganharia era um hematoma roxo na bunda. Ia sobreviver.
Voltou-se para sua bebida, ignorando os resmungos irritados da mulher. Ele só queria tranquilidade apesar de tê-la ido procurar no lugar errado e antes que pudesse conquistá-la, se é que era possível fazê-lo em um bar, foi agressivamente puxado para trás e bufou impaciente.
- Mas que merda foi agora? – reclamou, mas mal teve tempo de ver o que acontecia quando foi empurrado contra o bar, caindo de bruços sobre o balcão.
- Gostou disso, idiota? Gostou de brincar com alguém do seu tamanho? – o homem que havia lhe empurrado perguntou quando se recompôs, virando-se para ele. O homem era, pelo menos, uns dez centímetros mais alto que , e nem era como se o rapaz fosse baixo de qualquer forma. O outro é que era um brutamonte de tão grande. Se estivesse em um bom dia, provavelmente teria enfiado o rabinho no meio das pernas e se desculpado, porém, “bom dia” não eram mais duas palavras que andavam juntas no seu vocabulário e a única coisa que ele queria era paz para voltar a beber.
- Que seja. – respondeu simplesmente, dando as costas para o homem enquanto revirava os olhos em um claro sinal de pouco caso. – Se isso fazer com que se sintam melhor.
- Só porque é famoso, pensa que pode fazer o que quiser? – a mulher retrucou e ele suspirou decepcionado com o tom de voz desnecessariamente alto e com sua liberdade que havia, clamante, se esvaído.
- Ah, famoso, é? – o homem perguntou com desdém. – É por isso que pensa que pode tratar as mulheres dessa forma? – se aproximou, puxando pela gola da camisa e o rapaz afastou sua mão agressivamente, irritado com a intromissão.
- Tira sua mão de mim. – respondeu, sério e inabalável antes de se voltar para o barman. – Quantas doses eu estou devendo?
O homem que o provocava, riu.
- Nem pensar que você vai fugir assim. – o puxou novamente, e sem conseguir mais se conter, fechou uma das mãos em punhos, acertando o homem em cheio no nariz a ponto de fazê-lo vacilar, surpreso. Era o dobro de seu tamanho afinal, era provável que não estivesse de fato esperando que começasse.
- Ah, seu... – ele avançou em , que sóbrio, até conseguiria desviar por ser menor e mais ágil, mas não deu certo dessa vez. Ele foi atingido, caindo sobre o balcão novamente e, antes que pudesse se recuperar, o homem lhe puxou pelos cabelos, jogando-o longe em seguida, no chão.
- Ei, ei, ei! Sem brigas no meu bar! – o barman se prontificou em colocar-se entre eles quando o homem fez menção de avançar em novamente, mas o garoto, mesmo bêbado, foi mais rápido, empurrando o barman para se jogar sobre o brutamonte, pulando em seu colo para isso.
- Desgraçado! – o homem gritou, tentando se soltar quando tampou seus olhos. Segurou o rapaz pelos cabelos novamente, para tentar fazer com que descesse, mas tudo que fez, apesar da dor, foi esmurra-lo na cabeça, simultaneamente, como uma criança.
- Os dois, parem agora! – o barman voltou a gritar enquanto o brutamonte fazia o mesmo. – Não vou avisar mais uma vez! – falou, e ouviu algo ser quebrado atrás de si. Desviou a atenção do homem por apenas um segundo, virando-se para trás a fim de descobrir o que havia acontecido, mas foi o suficiente para que o mais alto o empurrasse para longe. caiu, no momento exato que o barman tentava acertá-lo com um dos pés da cadeira que quebrara e quem foi atingido foi o brutamonte agressivo.
riu. Gargalhou, na verdade, enquanto se levantava cambaleante, mas antes que tivesse tempo de dizer qualquer coisa, no entanto, o barman bufou frustrado pelo erro, virando-se de frente para e o acertando para compensar. Imediatamente, o rapaz foi ao chão, perdendo a consciência enquanto os curiosos se aproximavam com os celulares em mão para filmar um pouquinho de , desacordado no chão do bar.

+++


A cabeça de doía como um inferno quando os primeiros sinais de consciência invadiram sua mente, distantes o suficiente para que ele não se lembrasse do que havia acontecido, ou notasse que não estava em sua própria cama, que aquelas não eram suas cobertas e lençóis e que aquele não era o seu cheiro, muito pelo contrário. A única coisa que conseguiu notar, foi a voz vinda ao longe, mas demorou tempo demais para conseguir entender que vinha de uma TV e, mais tempo ainda, para perceber que era dele que falavam. Mesmo que a mulher tivesse começado a matéria com o seu nome. Ele nem ao menos foi capaz de lembrar o próprio nome nas condições que estava.
- , sucesso mundial, precisou ser socorrido na madrugada da noite de ontem após se envolver em uma briga de bar. Testemunhas dizem que ele iniciou a confusão ao agredir uma mulher que se aproximou para saber se ele estava bem, visto que já se encontrava alterado demais para continuar bebendo.”
- “O barman já tinha tentado parar de servir, mas desistiu para evitar o escândalo que ele tentou iniciar.”
– falou uma voz feminina um tanto quanto familiar, mas ele ainda assim não foi capaz de identificar aquela história como sendo a sua história, a sua aventura da noite anterior. Eram tantas mentiras que, talvez, nem fosse surpresa não conseguir ver a si mesmo naquelas palavras. - “Eu o reconheci, é claro. , acompanho sua carreira de perto como uma fã e me preocupei de verdade com a situação. Tentei ajudá-lo e até ofereci uma carona para onde quer que ele quisesse, mas tudo o que ele fez foi me jogar contra o bar.” - falou ela. - “Não sei o que houve, ou o motivo para tudo isso. Ele até podia estar tendo um mal dia, mas não justifica o que ele fez. Fiquei realmente chateada, você nunca espera esse tipo de coisa de um ídolo, uma pessoa que você admira.” - finalizou seu relato.
- Mas que porra, . – ouviu seu empresário xingar, alto demais para que sua cabeça não latejasse, fazendo com que ele resmungasse de dor enquanto remexia-se na cama.
Só então, as pequenas coisas passaram a ficar mais claras em sua mente. A luz entrando pela janela, a dureza da cama, diferente do que estava acostumado, o cheiro tão odiável de morte e hospital, dois cheiros com os quais ele estava muito mais habituado do que gostaria de admitir, certamente. Até mesmo o relato, repentinamente, passou a fazer algum sentido, por mais mentiroso que fosse. Vagamente, lembrou-se do bar, e da briga que ele se quer tentara provocar. Lembrou-se também da mulher, o início de tudo, e bufou.
Se o empresário estava ali, bom, ele claramente tinha um problema. Um enorme.
- Eu sei que está acordado, . Pode parar de enrolar. – o homem falou e ele apenas resmungou novamente. Querendo, mais do que tudo, se enfiar em um buraco para nunca mais sair. Já não aguentava mais essa coisa de ser sociável enquanto via sua vida desabar diante dos seus olhos.
- Gostaria de ainda estar dormindo. – ele resmungou ao abrir os olhos, levando uma das mãos até a cabeça, dolorida, quando a claridade veio de encontro com eles, sentando-se na cama com uma careta. – Tem como fechar a cortina? – perguntou, mas como o esperado, o homem ignorou totalmente o seu pedido.
- Mas que porra você estava pensando? – perguntou imediatamente, e teria revirado os olhos se sua cabeça não fosse doer mais por isso.
- Que eu precisava beber, definitivamente. – respondeu, ainda massageando as têmporas e não conseguiu evitar o pensamento de que ainda precisava, mas certamente mentiu quanto a quantidade. Sua meta ainda era algo próximo do coma alcoólico.
- E você não podia ficar bêbado na sua própria casa? Precisava fazer isso em público? Na porra de um bar? Qual a droga do seu problema?!
- Não podemos ter essa discussão quando minha cabeça não estiver explodindo, por gentileza? – quis saber, mas foi bem óbvio a resposta do outro quando este lhe fuzilou com um olhar no mínimo assassino. – Desculpa se eu imaginei que podia sentar em um bar qualquer e ficar bêbado como um cara qualquer.
- Você não é um cara qualquer. – o empresário respondeu como se fosse obvio e como se também não estivesse não só cansado de saber disso, como também de viver depois de tudo que a fama havia causado em sua vida.
- Estou ciente, obrigado. Já posso ir agora? – cortou a conversa, empurrando os lençóis para longe a fim de se levantar, mas o homem fez o mesmo.
- Dá pra voltar pra essa cama? – perguntou. – Você precisa receber alta para ir embora.
revirou os olhos, colocando-se de pé.
- Eu bebi mais do que deveria e levei uma pancada na cabeça, foi só isso. – explicou, não vendo necessidade para todo aquele cuidado.
- Só isso? Desde quanto uma pancada na cabeça é só isso?
- Desde quanto eu estou bem. Se fosse sério, você já saberia.
- , deita logo ai. – o empresário lhe empurrou de volta, e se deixou cair na cama, bufando insatisfeito. – Eu vou buscar um médico pra te examinar e te dar alta se estiver bem, mas você espera aqui. – insistiu, e gesticulou para que ele fosse de uma vez, cruzando os braços em frente ao peito totalmente emburrado enquanto se voltava mais uma vez para a televisão, onde o assunto ainda era ele, o que sequer chegava a ser uma novidade, infelizmente. Prestou atenção na TV por alguns instantes, agora quem falava era o outro homem, que diferente de , já havia tido alta. Sua história batia exatamente igual a da mulher e se perguntou se ambos se conheciam, afinal, vender a mesma mentira sobre uma pessoa que se quer conheciam era uma novidade para ele.
Instantes depois, no entanto, a voz da ancora do jornal voltou a soar, mas não foi a imagem dela na televisão, muito pelo contrário, e sentiu seu coração doer quando o carro destruído apareceu na tela, ficando totalmente sem fala e reação. Petrificou enquanto olhava para a imagem, sentindo mais coisas do que queria sentir, feridas sendo abertas de forma angustiante antes mesmo de cicatrizarem totalmente.
se lembrava muito bem daquela visão, muito mais do que gostaria. Lembrava daquele carro, seu carro, e lembrava daquele dia. O pior e mais horrível de toda a sua vida. Havia começado muito bem, na verdade, um dia feliz antes de desabar completamente e inundar todos os seus pesadelos. Estava com uma das pessoas que mais amava na vida, ambos sorrindo enquanto voltavam para casa, isso até o outro carro aparecer.
sentiu as lágrimas queimarem em seus olhos enquanto a ancora falava o que ele não era capaz de ouvir, preso demais em seu sofrimento para conseguir pensar em qualquer outra coisa.
Com certa agressividade, limpou as lágrimas que escorriam de seus olhos e se colocou novamente para fora da cama, recusando-se a ficar lá. Não podia, não ouvindo aquela história mais uma vez, machucando tanto quanto aquele fatídico dia onde perdeu um pedaço consideravelmente importante de si. Talvez dois, e se quer conseguia visitar o segundo porque a dor se saber que também podia perdê-la o consumia de forma cruel e grotesca.
vestiu as roupas jogadas em uma poltrona próxima a cama, sem se importar com o cheiro de álcool. Escondeu a cabeça do gorro da jaqueta e saiu de lá de uma vez, sentindo-se sufocado de repente com o ambiente ao seu redor. As paredes brancas, os lençóis claros, o odor de doença.
Era demais para ele que, sem esperar pela volta do empresário, deixou o quarto para trás, sem se importar em saber como chegar em casa. Só precisava estar longe dali o quanto antes para não enlouquecer pois, caso contrário, não sabia mais quanto suportaria.

+++


estava cansado quando chegou em casa, mas não era devido ao acidente, ou falta de descanso, muito pelo contrário. Os remédios que haviam dado a ele no hospital ou, quem sabe, a própria surra no bar o havia feito ter a sua primeira noite completa de sono em dias. O seu problema, na verdade, era outro. Não que ele não desejasse que fosse apenas isso, uma noite mal dormida. Ele, na verdade, estava cansado de sofrer a dor da perda, do medo de perder mais alguém, a filha.
Com passos lentos, foi até a cozinha. Decidiu que estava sóbrio demais para passar por mais um dia, sozinho naquela casa tão grande e cheia de lembranças demais.
Ainda se lembrava da sensação calorosa de voltar para a casa, mas já não a sentia mais. O ambiente parecia mais frio, pesado, morto e a solidão era avassaladora.
chegou até a geladeira, mas tirou de lá apenas uma cerveja embora precisasse de algo mais forte. Usou um pano para tirar a tampa da garrafa e se encostou na pia para o primeiro gole, fechando os olhos por um pequeno instante que, infelizmente, acabou sendo longo demais.
Ele vinha tendo esse tipo de problema ali, naquela casa. Bastava se descuidar por um único momento e tudo voltava, tudo o que ele não precisava que voltasse, mas já estava feito e, por alguns instantes, pode até mesmo vê-la ali, parada de frente para a pia da cozinha enquanto ele lhe observava, sem que soubesse.
Aquele havia sido um dos melhores dias de sua vida, tinha acabado de finalizar, oficialmente, mais um álbum e estava orgulhoso do resultado. Seria, provavelmente, o melhor de sua carreira. Estava animado para contar e ela, convidá-la para ouvir antes de todos, como normalmente fazia, mas parou na porta, silencioso, ao vê-la cantarolar sozinha uma música qualquer, dançando animada enquanto mexia em uma coisa aqui, outra ali, ele não se importava de verdade.
A visão, daquela forma, já era divertida e reconfortante para ele, como se tudo estivesse no seu mais devido lugar e sem se conter mais, caminhou na direção da garota, cuidadoso para que ela não o notasse ali até que a envolvesse em seus braços.
Assim que se viu próximo o suficiente, a abraçou por trás, envolvendo-a pela cintura e a garota riu com o corpo colado no seu, erguendo o rosto para encará-lo com um sorriso no rosto. O mesmo com o qual estava acostumado, o mais bonito que já havia visto. Sorrindo de volta, ele beijou sua bochecha e sentiu as mãos dela irem de encontro as suas enquanto fechava os olhos, abrindo-os novamente apenas quando escondeu o rosto em seu pescoço, apreciando seu perfume, seu contato, e cada vestígio dela que poderia alcançar.
Ele sempre apreciou aqueles pequenos momentos, abraços, sorrisos, palavras de afeto. Mesmo que não precisassem de palavras para se entenderem na maior parte do tempo. Um olhar, normalmente, costumava bastar e foi tudo o que precisou para saber que havia mais, fazendo-o sorrir também quando ela segurou suas mãos para se soltar, virando de frente para ele.
- O quê? – ele perguntou em meio a uma risada enquanto ela colocava os braços ao redor de seu pescoço, o puxando para mais perto enquanto escorava-se na pia. Ele podia ver seus olhos brilhando, a felicidade contida neles e lhe roubou outro beijo rápido, agora nos lábios. – Não vou resistir se não contar logo. – falou, mas ela apenas riu.
- Eu tenho realmente uma notícia pra contar. – confessou, segurando em seus cabelos enquanto mordia o lábio inferior, incerta.
- O quê? – insistiu, apertando brevemente sua cintura para lhe fazer cócegas rápidas e ela riu, esquivando-se por um segundo antes de finalmente lhe dar a melhor notícia do mundo:
- Você vai ser papai.
sentiu uma lágrima escorrer de seus olhos ao se lembrar daquele momento, daquele dia há alguns meses atrás, quando ambas estavam bem e em um acesso de fúria, jogou a garrafa longe, do outro lado da cozinha, sem se importar com o estrago que aquilo causaria. Sequer esperou para ver se havia quebrado alguma outra coisa além da garrafa, apenas deu as costas, subindo para seu estúdio onde, provavelmente, terminaria apenas com mais uma música triste porque tudo, absolutamente tudo que ele escrevia ultimamente, era para ela, sobre ela. E ele estava tentando. Sabia que ela desejaria que seguisse em frente, que se recompusesse. Se não fosse por si mesmo, por Madalena, mas aquela força também lhe faltava e vê-la tão pequena, frágil e fraca só o deixava ainda pior. Ele mal conseguia olhá-la, prematura de semanas demais para conseguir respirar sozinha, para conseguir viver e quando se deu conta, mais lágrimas escapavam de seus olhos, nebulando sua visão e borrando as letras escritas no papel em forma de carta, não com os habituais versos que estava acostumado.
Estranhando a própria atitude impensada, ele secou algumas lágrimas, olhando o que havia escrito embora fosse ligeiramente obvio quando tudo parecia tão repetitivo em sua mente.
Ele tentava não lhe cobrar de tudo que havia dito em vida, que iria ser pra sempre. Não era culpa dela se não havia sido, era culpa dele e doía mais do que tudo saber que a única coisa que lhe restava, era escrever aquela carta para lembrar do que haviam sido.
Mas foi então que, como um mal presságio, tudo piorou. Fechou os olhos quando sentiu um arrepio gélido lhe subir pela espinha, mesmo sem qualquer vento ou brisa para adentrar o cômodo e, no mesmo instante, ele soube, sentiu. Era Madalena.
olhou ao redor em um movimento quase mecânico, buscando o aparelho celular. Havia deixado no andar inferior, mas demorou para lembrar disso. Em passos receosos, ele se levantou, sentindo-se de certa forma anestesiado, como se aquilo fosse demais e tudo ao seu redor tivesse se desligado.
Ele estava lutando para se manter firme por ela, pela garotinha em risco no hospital. Sabia que independente do seu luto, Madalena precisaria dele e que era aquilo que desejaria, mas se a perdesse também, ele não suportaria.
ouviu seu celular tocar antes de chegar até ele e, perdido como se sentia, foi de certa forma útil, pelo menos para encontrá-lo, pois duvidava que o faria em seu atual estado, tão certo da notícia que receberia em instantes. Certo de uma forma que se quer saberia explicar.
Seguiu até o aparelho, quase rindo da ironia quando viu o nome do hospital no visor.
Era isso. Ele estava certo e sem pensar no que fazia, apenas levou a mão até o aparelho, o levando ao ouvido após atendê-lo.
- Bom dia, Sr. ? – uma voz familiar soou do outro lado e ele apenas suspirou no primeiro instante, agradecendo ao seu estado catatônico por impedí-lo de surtar totalmente, ou desabar de uma só vez.
respondeu, mas jamais saberia dizer o que. Não se lembraria se perguntassem, mas no instante seguinte a mulher do outro lado lhe pedia para comparecer ao hospital, pois tinham notícias para lhe fornecer. Não via motivos para evitarem fazê-lo por telefone se fosse algo bom e apenas negou com a cabeça, levando instantes demais para se lembrar de que deveria responder.
- Sr. ? – a mulher lhe chamou novamente e ele a interrompeu:
- Ela não sobreviveu. – afirmou, a voz soando rouca demais para seus ouvidos. Não só rouca, alias. Pesada, amarga e a resposta demorou alguns instantes para chegar, como se a mulher também tentasse decidir se era bom dizer por telefone.
- Eu sinto muito. – respondeu por fim, depois de segundos longos demais para ele que, em resposta, apenas desligou o telefone, o deixando de lado enquanto mantinha-se ali, imóvel no meio da sala.
Levou cerca de cinco minutos para assimilar, de fato, as palavras da mulher. Cinco minutos para que aquela aflição lhe atingisse em cheio, como uma flecha disparada no meio do seu peito. Ele sabia que haviam pessoas que se importavam com ele, mas Madalena era a única que ainda conseguia lhe manter firme e sentiu-se desabar imediatamente.
Sentia como se não tivesse mais nada e caminhando como se cada passo fosse ainda mais torturante que o anterior, voltou para a geladeira, tirando lá uma garrafa de vodka que não se importou em levar até a boca, tomando um gole longo o suficiente para lhe queimar por inteiro. Não que aquilo fosse, mesmo de longe, próximo a dor que sentia por saber que havia perdido as duas, mas ele precisava daquilo e com a garrafa em mãos, voltou a subir as escadas para o próximo andar, com lágrimas escorrendo de seus olhos sem que ele fosse capaz de notar.
foi primeiro para seu quarto, sentando-se na cama em frente ao guarda roupa. Ele sabia o que queria de lá, conseguia visualizar perfeitamente a caixinha escondida no fundo mesmo sem abrir a porta. o havia feito prometer que se livraria daquilo quando Madalena nascesse, mas ele nunca chegou a fazê-lo simplesmente porque estava tentado demais a usá-lo. O revolver de seu pai.
Ficou vários minutos ali, tomando longos goles da garrafa até decidir levantar, quando ela finalmente chegou ao fim. Já estava na metade quando a abriu, mas não era como se não tivesse outras perdidas pela casa. Seguiu primeiro até o armário, pegando a pequena caixa de madeira em mãos e contemplou seu conteúdo por tempo demais antes de finalmente pegar a arma em mãos, carregando-a em movimentos automáticos e, em seguida, buscou pela outra garrafa de vodka, uma das que ele matinha embaixo da cama desde a morte de , para quando acordava no meio da noite, transtornado demais para conseguir se acalmar sem ajuda da bebida.
Sentindo-se em frangalhos, voltou para o estúdio, pegando novamente a carta em mãos. Sabia o quanto reprovaria aquela atitude, aquela decisão, mas só conseguiria passar por aquilo com ela, e já não a tinha mais.
Sempre achou absurdo aquele tipo de coisa, desistir da vida. Sempre acreditou que, diferente do que todos dizem, precisava de muita coragem para tirar a própria vida, não o contrário, mas nem mesmo isso importava mais. Ele só queria que passasse, que acabasse. Não sabia se, daquela forma, encontraria as duas em um lugar melhor, ou se simplesmente acabaria tudo, mas nenhuma das suas opões lhe parecia ruim, não quando ele já não tinha mais forças para continuar.
Sabia que sofreriam por ele, fãs principalmente, e desejou, do fundo do coração, que elas fossem o suficiente para lhe manter em pé, mas não eram, não mais, não diante de tudo aquilo. Seu sonho já não era mais o suficiente, a vida que tinha, e enquanto analisava as letras na carta sem lê-las novamente, soube que era aquilo que ele tinha que fazer.
tomou mais um gole de vodka e, então, buscou o isqueiro em seu bolso, colocando fogo na carta. A segurou em uma só mão enquanto a via queimar com uma atenção genuína. Quando estava quase no fim, deixou a garrafa cair no chão, e a soltou por cima, assistindo de perto enquanto o incêndio começava, a partir de seu estúdio.
Com toda a calma do mundo, seguiu até a janela, fechando as cortinas e então se encostou ali, olhando para as chamas enquanto se espalhavam, a cada instante mais certo do que deveria fazer, mais ansioso para que tudo terminasse enquanto o ambiente ao seu redor esquentava gradativamente.
Queria ter coragem para se deixar apenas queimar pelas chamas, para se deixar no chão, de braços abertos, enquanto esperava que elas lhe consumissem como faziam com os equipamentos ao seu redor, mas por pior que estivesse, aquilo era demais até mesmo para ele, que apenas esperou até que fosse a hora, até que o fogo estivesse alto demais para finalmente destravar o revolver, o levando até sua cabeça com lágrimas dos olhos.
- Me desculpem por isso. – sussurrou, em um último pedido antes de finalmente disparar.
A carreira de terminava ali.


Morre, aos 25 anos, o cantor e compositor


“Um enorme incêndio atingiu a casa onde o cantor residia, em Los Angeles, no início dessa semana. De acordo com testemunhas, um tiro também foi disparado e, segundo porta voz da polícia, trata-se de um caso de suicídio.
No final do mês passado, o cantor sofreu junto com sua companheira de anos, (24), um acidente de carro que a levou a óbito, deixando a primeira filha do casal hospitalizada meses antes do tempo previsto para seu nascimento.
O acidente foi causado devido a perseguição de fotógrafos que seguiam o carro do casal enquanto voltavam de um evento e o caso ainda encontra-se em investigação.
O incêndio na residência do cantor teve início logo após a confirmação da morte da criança, assim como o disparo, levando as autoridades a desconfiarem de um suicídio desde o primeiro instante. Somente nessa terça-feira (08), no entanto, sua morte foi confirmada após exames que comprovaram que o corpo encontrado era, de fato, do cantor.
O mundo está transtornado e os fãs, devastados após a notícia, mas a equipe ainda não se pronunciou sobre o assunto. Estão todos de luto pela morte tão trágica do cantor. ”




Fim.


Nota da autora: Mais uma fic dramática da pessoa dramática. Hahaaha Mas alguém ai chocado com esse final?
Em minha defesa, foi a música, mas podem xingar que eu deixo. Hahahaha
Xx
Mayh.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.




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