Finalizada em: 09/02/2018
Music Vídeo: Seventeen - Mansae
Contador:

I.


Dizer que detestava as aulas de educação física era um termo forte demais. Ele apenas odiava um pouco mais do que o necessário. E não, na cabeça dele as duas coisas não eram a mesma coisa.
Apenas na cabeça dele.
era um rapaz atlético. Gostava de andar de skate e de jogar basquete com os amigos. O problema mesmo era a obsessão de seu professor em colocar a turma para jogar queimada. Ele não tinha coordenação suficiente pra jogar queimada. Na verdade ele não tinha coordenação o suficiente para muita coisa. Era desligado e estabanado, mas queimada era diferente. As pessoas realmente queriam acertá-lo. Mal podia dar conta com si mesmo, que dirá fazer isso enquanto tinha que se proteger dos ataques alheios.
Pelo menos ele era ágil.
E também podia rir quando a bola acertava outras pessoas que não ele. Adorava rir dos outros. Era a melhor parte da educação física.
- . - parou com a bola nas mãos e como se nada estivesse acontecendo, olhou para o lado oposto ao amigo, fechando os lábios em uma linha fina para evitar a risada que precisou conter. - Eu juro que se você não parar de se esconder atrás de mim eu vou esquecer que somos do mesmo time e te acertar com a bola.
- Ei, vai demorar muito? - um garoto do outro time gritou e, no mesmo instante, jogou a bola, atingindo-o em cheio antes que tivesse oportunidade de ver de onde o ataque havia surgido. O garoto recebeu a bolada no estômago e se encolheu por isso. riu, mas o fez em meio a uma careta enquanto se encolhia também, como se sentisse a dor do outro.
Era por isso que ele odiava queimada. Pessoas saiam machucadas. Normalmente ele, especialmente quando não estava no mesmo time que pelo menos um dos amigos para se esconder atrás deles. Não que não quisesse matá-lo por isso toda vez, mas quem tinha medo dele?
Bom, todo mundo, mas não era todo mundo.
- , eu já disse pra ir com calma. - o professor o repreendeu, mas a cara de insatisfação de não foi pela bronca e sim por ouvir seu nome. Ele odiava seu nome, mas não era como se alguém pudesse culpá-lo, era realmente uma péssima escolha de nome.
- Desculpa. - o garoto murmurou contrariado, mas teve que pular para o lado quando foi alvo da bola que ninguém viu ser lançada. Sorte de ter bons reflexos para pelo menos conseguir fugir a tempo, mas quase derrubou para isso, que o empurrou em resposta.
riu, erguendo as mãos em sinal de rendição, mas não viu, pegando novamente a bola para arremessá-la. Ainda tinha bastante gente no time, mas ninguém se importava de que jogasse sozinho. Muito pelo contrário.
A bola quicou no chão e uma garota a pegou dessa vez. Eram times mistos e ela, se provando muito mais corajosa que aparentemente era, jogou em que não teve dificuldade em desviar, a pegando em seguida e jogando aleatoriamente para o outro lado. Mais uma vez, riu enquanto olhava para o amigo desacreditado. A cara de , na realidade, foi o principal motivo e mais uma vez teve que se conter quando o olhar assassino se voltou para ele.
- O espírito esportivo de vocês é péssimo.
- Estou mais preocupado em sobreviver a essa aula. - retrucou e, mais uma vez, ouviram o grito do professor em reprovação à conversa.
Antes que qualquer um tivesse oportunidade de responder, a bola foi jogada novamente e dessa vez estava distraído demais para se dar conta de que era o alvo. No último instante, o empurrou e o garoto caiu sentado, evitando assim que fosse atingido.
deixou o queixo cair, surpreso, e olhou para o outro time a fim de ver quem havia feito o lançamento.
estava no outro time então, bom, talvez não devesse ter ficado assim tão chocado. Ela fingia que o odiava e ele fingia que não via a garota rir sempre que ele falava besteira. Ou que não a via fingir que não era com ele quando olhava.
- Ei, isso não foi legal! - a repreendeu, mas a garota já não tinha mais a atenção voltada a ele, preocupando-se em fugir da bola quando a jogaram para o seu lado da quadra. bufou, se colocando de pé, e chamou sem querer a atenção de que passava por perto. A garota de distraiu por apenas um segundo, mas foi o suficiente para não ver a bola que vinha em sua direção, arremessada por um garoto do outro time que estava sedento por sangue (literalmente se analisarmos a força da bola). Lerdo como era, só teve tempo de ver a bola antes de se jogar na frente dela, não conseguindo, no entanto, pará-la com a mão antes que o acertasse. Foi apenas no ombro, mas o impacto o derrubou mesmo assim, especialmente em conjunto a corrida que deu para chegar até ali.
A garota arregalou os olhos, perplexa. Provavelmente tinha mais relação com o susto de ser pega pela bolada do que pela defesa excepcional do garoto. Pelo menos no primeiro instante, já que o fato de ter corado logo depois a denunciou. Ela abriu a boca para falar algo, mas o apito do professor chamou sua atenção, fazendo com que a garota olhasse para o homem no canto da quadra, junto com todos os outros.
se aproveitou do momento para levantar, fazendo uma careta ao levar uma das mãos até o ombro direito.
- Chega! Já está bom por hoje! – gritou o professor, negando com a cabeça em seguida como se aquela fosse a pior aula da história. No geral, todas pareciam ser para ele. - Vão para os vestiários antes que se matem. - ordenou e enquanto todos se afastavam, se voltou mais uma vez para .
- Ahn… Obrigada. Eu acho. - disse, sem jeito, e ele apenas concordou com a cabeça, disfarçando ao tirar a mão do ombro como se não estivesse fazendo careta até então.
- Tudo bem. - disse apenas, gesticulando para que ela fosse a frente rumo aos vestiários. A garota concordou com a cabeça, agradecendo mais uma vez antes de se afastar, e assim que o fez se juntou a e , ainda parado perto ao amigo.
- Eu quase quebrei o ombro, mas tudo bem. - caçoou e olhou feio para ele.
- Quase quebrei o ombro e você só acha que deve agradecer. Está tudo ótimo. - continuou, olhando para o local onde a garota havia sumido e riu, o fazendo rir junto enquanto olhava de um para o outro, não demorando a rir também.
- Isso realmente doeu. - confessou, se pondo a caminhar junto com os amigos para o vestiário. Nem o professor estava mais ali, apenas eles.
- Porra, uma bolada daquela abria um buraco na parede. - dramatizou como se realmente estivesse muito chocado e negou com a cabeça.
- Idiota. - resmungou enquanto ria e o encarou como se o desafiasse a dizer o contrário.
- Depois dessa ela jamais teria coragem de negar se você a chamasse pra sair. - insinuou, fazendo com que o outro o encarasse como se aquela fosse a maior besteira que já havia escutado.
- E quem disse que eu quero sair com ela? - perguntou, recebendo de um sorriso cínico e divertido.
- Cara, você já ouviu quando eu disse que uma bolada daquela abria um buraco na parede?
- Não é exatamente como se alguém te levasse a sério. - falou pela primeira vez e se inclinou para a frente para olhar para ele, mesmo com entre eles. Ignorou o fato daquilo ser totalmente desnecessário, claro, porque ser desnecessário era uma característica de ser.
- Ah, não me leva a sério, mas leva quando o diz que não quer sair com ela?
- Sair pode ser sério demais para o que ele quer na verdade. - respondeu e abriu a boca por um instante, olhando para cima como se considerasse aquela possibilidade. Foi obrigado a voltar a si quando bateu em sua nuca, o fazendo resmungar antes de levar a mão até a região para massageá-la.
- Ai. - reclamou, olhando feio para que ignorou completamente.
- Eu não quero nada com ela. - disse, mas foi a vez de de ignorar:
- Cara, você se jogou na frente de uma bola que…
- Abriria um buraco na parede, já sei. - interrompeu o garoto que em resposta, apontou em sua direção como se estivesse muito orgulhoso dele por ter entendido. - Meu ombro ainda continua aqui, .
- Você não sabe, ele pode estar prestes a cair. Pode ter descolado internamente.
- , cala a boca.
- Eu sou estúpido, eu sei. Mas você também é por não chamá-la pra sair. - insistiu, sorrindo vitorioso para o amigo que ergueu uma sobrancelha em sua direção.
- Ah, eu? Você fica olhando a de longe. - constatou o óbvio e riu sem poder negar. - Fica na sua.
- Eu também falo com ela de longe as vezes, ok? - se defendeu. - Você nem isso.
- Com "falo" ele quer dizer que se humilha. - fez questão de ressaltar e riu junto com , que ergueu uma das mãos para ele cumprimentar. Não que tenha se importado.
- Na maior parte das vezes, sim. - confessou apenas, dando de ombros em seguida. - Mas ela pelo menos ri.
- Ri de você, e não com você. - observou, rindo junto com que o impediu de retrucar quando abriu a boca, o fazendo antes dele:
- Antes que você fale, ela não ri porque você é engraçado. - falou, fazendo concordar. - Ela ri porque você é patético. - completou e fez bico contrariado, cruzando os braços.
- Pelo menos ela sabe que eu existo. - murmurou, fazendo gargalhar em retorno.
- Outch! - exclamou divertido enquanto parava onde estava, perplexo.
- O quê? - perguntou para ele. - É verdade, não me olha assim. Não é como se qualquer um aqui estivesse bem com as garotas. - falou, voltando a andar como se aquilo não fosse nenhuma novidade, mas negou.
- Eu estou. - falou de forma simples, porém, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Não com a que quer. - cantarolou e riu, apontando em sua direção para deixar claro que concordava.
- Eu não quero ninguém! - negou, batendo na mão de para abaixá-la.
- Quer sim. - e falaram em uníssono.
- Não que não! - insistiu.
- Cara, você…
- Me joguei na frente da bola, eu sei! - interrompeu novamente, antes que ele se repetisse, e o amigo riu. - Vamos fazer assim, quando vocês dois tomarem coragem de chamar a garota de vocês pra sair, eu chamo a .
- "Garota de vocês" é um termo meio forte. - o repreendeu.
- Se você chamar de "minha garota" ela quebra seus dentes. - falou para que concordou prontamente. Aquilo fazia bem o estilo dela.
- Tenho certeza que quebraria por menos. - respondeu ele e meneou positivamente, se vendo obrigado a concordar.
- Ela já é louca pra fazer isso. - admitiu e deu de ombros, não vendo ali nenhuma novidade. Ele e já haviam sido amigos em um passado distante. Muito distante. Distante o suficiente para que sequer imaginasse o que os havia separado na infância. Quer dizer, imaginava levemente, mas fazia tão pouco sentido que ele só podia imaginar que estava errado. Que era outra coisa, afinal, ela se empenhava demais em fingir que o odiava. E com "fingir" ele queria dizer que sabia não ser o único a olhar quando o outro não estava olhando. Ele até podia ser lerdo e atrapalhado, mas tudo tinha limite, até para ele.
- Sempre imaginei. - falou apenas, mas apesar do assunto deixá-lo um tanto quanto melancólico, sorriu em seguida. - Mas no fundo é só amor reprimido. - piscou para que fez uma careta enojada.
- Então se preocupe em trazer esse amor a tona ao invés de cuidar das não relações alheias. - interrompeu e o imitou antes de voltar a falar:
- Certo, então vamos fazer um acordo. - propôs, parando onde estava e fazendo com que os amigos repetissem o gesto, o encarando curiosos. - Vamos chamá-las para sair.
- Quê? - perguntou e ele revirou os olhos, muito bem ciente de que o amigo tinha sim entendido.
- Nós vamos tomar coragem de nos aproximarmos da e da e quando fizermos, o sai do muro e chama a .
- Fechado, vocês não vão fazer nada mesmo. - concordou sem levar nenhuma fé nos amigos, voltando a andar.
o puxou de volta pelo braço.
- Eu estou falando sério! - insistiu enquanto o afastava exasperado.
- Está doendo! - reclamou, voltando a massagear o ombro. - Fala sério sem me tocar. - resmungou emburrado.
- Você não está nem considerando! - se defendeu.
- Eu considerei e aceitei. - respondeu, ainda no tom "criança emburrada". - Só não levo fé em nenhum dos dois. Aliás, por isso mesmo que eu aceitei. - sorriu larga e falsamente uma vez antes de fechar a cara novamente.
- Está vendo, é um desafio pessoal. - se voltou para como incentivo.
- Sério que você quer fazer uma aposta? - perguntou e fez uma careta, como se estivesse muito ofendido.
- Cara, um acordo, você não ouviu? - perguntou. - Aposta é sujo. Soa como se fossemos usar alguém em busca de um prêmio. Nós vamos apenas tomar coragem por nós mesmos para no aproximarmos delas.
- Ainda soa como uma aposta. - respondeu em provocação e entrou na sua frente, como se tentasse se colocar entre ele e .
Era exatamente isso que estava fazendo.
- Não é uma aposta, você sabe que é diferente. - insistiu. - Estamos há quanto tempo pra fazer isso? Há quanto tempo você gosta da ? É um pacto. Pacto de que vamos tomar uma atitude.
- Tomar coragem de chamá-las para sair até o final de semana. - falou, estipulando um prazo e concordou.
- Até o final de semana. - repetiu e , ainda sem levar fé, revirou os olhos.
- Certo, certo. Até o final de semana. - falou também, dando as costas para os dois em seguida. - Agora vamos logo antes que a gente perca o horário. Seria um péssimo começo voltar fedendo para a sala.
Imediatamente, e arregalaram os olhos e, sem pensar duas vezes, se colocaram a correr em direção aos vestiários enquanto ficava para trás, sem conseguir conter uma risada que ele negaria se perguntassem.

🏫 🎒 📝


já estava há dez minutos tentando tomar uma atitude.
- O intervalo vai acabar… - cantarolou, olhando divertido para o amigo enquanto cruzava um pé sobre o outro, as pernas estendidas a sua frente de forma despreocupada enquanto caçoava sem piedade.
- Sua contagem regressiva não está ajudando! - reclamou exasperado, sentando-se novamente no mesmo lugar. Já havia se levantado dali e sentado novamente pelo menos umas dez vezes. - Argh, por que é que elas têm que andar em bando?
- Elas são três, . - lembrou. - E nós também.
- Ah, obrigado, senhor óbvio. - reclamou e apenas deu de ombros.
- Deixa de frescura e vai logo, cara. É uma pergunta simples, o máximo que ela pode fazer é dizer não. - falou, mas a risada que soltou de forma nasalada ao tentar reprimi-la foi resposta o suficiente para .
- Está vendo?! - falou para enquanto apontava dramaticamente para .
- Muito obrigado. - falou para o amigo. - Agora vamos ter que aguentar enquanto ele surta.
- Ele já está surtando. Não que seja uma novidade. - respondeu, sem levar a sério. Ele era dramático demais para ser considerado. - Mas vai lá, eu apoio. Foi uma risada de encorajamento. Yey! - levantou uma das mãos como se comemorasse e olhou de forma irônica para ele. - Cara, não é como se ela realmente pudesse arrancar sua cabeça.
- Arrancar minha cabeça?!
- , porra. - riu e o garoto fez o mesmo.
- Vai logo, . - incentivou, como se, na verdade, não estivesse rindo. Ou como se não fosse justamente ele quem estava atrapalhando.
- Você não está fazendo direito essa coisa de incentivo! - o repreendeu, mas apenas riu um pouco mais.
- , vai! - exclamou, mas o garoto ignorou essa parte.
- Por que ela quer arrancar minha cabeça?! - perguntou como se estivesse muito mais assustado do que estava de fato.
- Como é que eu vou saber se você não sabe?
- Vocês são amigos, se ela te contou que quer arrancar minha cabeça, pode muito bem ter contado o motivo.
- , arrancar a cabeça foi força de expressão! - exclamou. - Vai logo!
- Mas eu quero saber! - insistiu apenas para postergar o momento um pouco mais.
- Não, você só está enrolando. - respondeu, muito bem ciente do que ele fazia. - Vai logo! - o puxou para se levantar e choramingou.
- Não gosto mais desse acordo, não quero.
- Não se desiste de uma aposta sem perder a aposta. - respondeu casualmente e os outros dois se voltaram para ele de imediato.
- Não é uma aposta! - exclamaram juntos e apenas deu de ombros, deixando claro que não se importava.
- Você deu sua palavra de qualquer forma. Não pode voltar atrás com sua palavra.
- Ah, nossa. Eu definitivamente te odeio. - soltou, voltando-se a sentar, mas levantou-se novamente quanto olhou feio para ele pela atitude.
- Não odeia não. - falou ele. - E vai de uma vez. Não sei pra que tanta frescura. Não é como se você fizesse o tipo tímido.
- Está mais para hiperativo, sem noção e totalmente inconveniente. - retrucou e se fez de ofendido ao se voltar para ele. - Verdades, cara.
- Obrigado, também te amo. - ironizou. - E não é timidez, é o fato dela querer arrancar minha cabeça. - falou emburrado e revirou os olhos.
- , ninguém compra seu drama. Só vai logo.
- Não é drama! - exclamou, ignorando mais uma vez a parte em que tentavam expulsá-lo dali.
- E como você pode gostar dela, então, se tem tanto medo? - o desafiou e só entendeu onde ele queria chegar depois de responder, sem pensar:
- Não é medo!
- Drama. - os outros dois falaram juntos e bufou.
- Argh, ok. Eu vou! - exclamou, dando as costas para os amigos como se não já não tivesse feito aquilo outras vezes. A diferença era que, dessa vez, estava mais perto do que haviam notado, seguindo na direção em que estavam, preste a passar por eles. , surpreso, deu um pulo para trás, voltando imediatamente para o local que estava. - Péssima ideia, péssima idéia, péssima ideia. - resmungou, tentando disfarçar a susto, mas se levantou de imediato para impedí-lo.
- Nada disso. - segurou o amigo pelos ombros, obrigando-o a se voltar para frente e fez uma careta quando a viu mais perto. E dessa vez ela também o viu, estreitando os olhos desconfiada.
- Porra. - resmungou, dando as costas novamente para fugir, mas outra vez foi impedido por , que agora com ajuda de , segurou pelo outro braço.
Quem visse a cena de longe, acharia no mínimo cômico. de costas para a garota e amigos, os braços estendidos para frente tentando fugir enquanto o seguravam. Um fora seria menos humilhante.
- , ela está olhando pra você! – exclamou, de repente aflito com aquela cena toda.
- E a culpa é de quem?! - o garoto gritou para o amigo em resposta.
- Quem está fazendo escândalo é você! Vai de uma vez! - respondeu no mesmo tom, o empurrando para frente.
Mas só notou que o fez forte demais quando a merda já havia sido causada. estava muito perto para que ele não esbarrasse nela e , junto com , fez uma careta. Sentiu uma pontinha de culpa, mas não pode conter o riso com a cena. Especialmente quando , sendo tão quanto apenas ele podia ser, ainda caiu por cima da garota.
Típico.
No primeiro instante, se encolheu, virando o rosto enquanto estendia os braços para frente, tentando afastá-lo ao máximo enquanto , por cima dela, apoiava seu peso nos próprios braços, evitando, pelo menos, esmagá-la. Ele arregalou os olhos, em pânico, mas antes que tivesse tempo de se levantar, ela o empurrou, o fazendo cair sentado para se por de pé em um pulo.
- MAS QUE DROGA VOCÊ ESTÁ FAZENDO?! - gritou furiosa, embora a atitude tenha sido muito mais por vergonha da situação do que por qualquer outra coisa. Ela olhou para os lados, aflita. não fazia o tipo que gostava de chamar a atenção e agoratinha toda atenção do mundo. Ou, pelo menos, da escola, o que o deixou tão apavorado quanto ela. Não que ligasse que olhassem para ele ou o julgassem, mas desde pequenos ela ligava e não precisava ser um gênio para saber: Se ela não o odiava o suficiente antes, bom, agora odiava.
- A próxima vez que tentarmos ajudar… - começou aos sussurros para , que encarava a cena tão chocado quanto o outro.
- Não ajudamos, entendi.
- VOCÊ… VOCÊ… - ela começou, mas negou com a cabeça sem saber o que dizer enquanto ele apenas a encarava com a mesma expressão. - ARGH! - exclamou, dando as costas e, como se aquilo o tirasse da inércia, finalmente se levantou, seguindo atrás dela para impedi-la. Não tinha ideia do que falar ou fazer, mas precisava, no mínimo, se desculpar, mas ela não lhe deu muita chance para isso.
a puxou pelo braço e se virou para ele de imediato, dando um tapa em seu rosto por reflexo pela atitude. Ele levou uma das mãos até a região no mesmo instante, a boca entreaberta em surpresa enquanto ela arregalava os olhos pela própria atitude, colocando as duas mãos em frente a boca para esconder o espanto.
- E... eu… - ela gaguejou, mas antes que pudesse terminar, um dos inspetores apareceu, pisando firme enquanto se aproximava.
Uma roda de gente havia se formado ao redor deles afinal. Era impossível que a cena passasse despercebida.
O homem não disse uma palavra, apenas anotou os nomes em folhas distintas de seu bloquinho, destacando-as para entregá-la uma a cada um. Nenhum dos dois precisou olhar para saber que estavam na detenção após a aula. O inspetor deu as costas, se afastando em seguida sem nenhum humor para repreender alguns delinquentes, mas , definitivamente, tinha mais medo da reação da garota do que com qualquer autoridade dentro da escola. Olhou brevemente para o papel e, em seguida, ergueu o olhar para ela, forçando um sorriso sem mostrar os dentes enquanto ela o encarava furiosa.
- Eu acho muito bom você não aparecer de novo na minha frente. - disse ela, dando as costas novamente e dispersando a multidão que se juntara ali. Apenas e se mantiveram no local, parando cada um de um lado de .
- É, você começou muito bem. - colocou uma das mãos sobre o ombro de , que só então desviou o olhar do local por onde a garota sumira para encará-lo desacreditado.
- E A CULPA FOI DE QUEM, ?!
- Sua por ter começado com isso em primeiro lugar. - deu dois tapinhas em suas costas antes de passar por ele, seguindo para sua sala e concordou antes de fazer o mesmo.
- E por ser um desastre. - falou também para um que, em resposta, soltou uma exclamação exasperada.
- Eu odeio vocês! - gritou e apenas abanou uma das mãos por sobre a cabeça.
- Vamos logo, estamos atrasados. - lembrou o amigo que depois de bufar, não teve outra escolha além de obedecer. Não precisava de mais uma detenção para completar o dia.

🏫 🎒 📝


olhou de canto de olho para a garota mais uma vez, mordendo o lábio inferior antes de desviar o olhar. não estava muito feliz.
A decepção dela quando soube que haviam sido colocados juntos nas tarefas fez com que perdesse qualquer esperança que ainda podia ter de que se entenderiam e o garoto não podia se sentir mais frustrado. Já haviam sido amigos em um passado distante e independente do que sentia, desejava as vezes que pelo menos aquela parte pudesse dar certo, voltar a ser como era. Ficaria satisfeito em ter pelo menos isso.
Mas no momento, tudo que ela queria era matá-lo. E podia não ser de verdade antes, podia ser apenas uma provocaçãozinha, mas agora ele havia, definitivamente, conseguido. Se ela não o odiava antes, sabia que isso havia mudado e por mais que quisesse se desculpar, não sabia o que dizer ou como começar. Imaginava que qualquer coisa que dissesse poderia e seria usado contra ele, exatamente como em um tribunal. E não era como se fosse do tipo que falava as coisas certas. Ele tinha o dom de falar a coisa errada no momento mais errado que poderia existir e sabia que faria mais alguma besteira se abrisse a boca.
Mas o silêncio o estava matando. Ele provavelmente tinha batido seu recorde pessoal de tempo em silêncio. Até sozinho ele costumava falar, afinal e após olhar para ela de canto de olho mais uma vez, não aguentou e falou a primeira coisa que lhe veio em mente: A errada para o momento.
- Sabe que sou eu quem deveria estar irritado, não sabe? Fui eu quem apanhei. - ele fez uma careta ao se dar conta de que aquela, definitivamente, era a pior forma de começar. - Ahn, me desculpa também.
- Você quer dizer por ter caído em cima de mim, pela vergonha ou pela detenção? – ela resmungou ácida, sem encará-lo e voltou a morder o lábio inferior, apoiando-se no cabo da vassoura que usava para isso.
- Uma desculpa só vale pelos três? – arriscou, a ouvindo bufar em seguida, provavelmente pelo tom de gozação. Não era de propósito, ele apenas desconhecia outro tom.
- Eu definitivamente não sei o que vi em você. – ela respondeu baixo, como se falasse sozinha, e congelou onde estava ao se dar conta do que havia dito.
Não que tivesse entendido, mesmo tendo escutado.
- Sabe, doeu. – falou ao invés disso, iniciando um novo assunto não tão novo assim. - O tapa. Não sou o único que devia pedir desculpas. – disse e ela acabou rindo de forma nasalada, negando com a cabeça antes de se voltar para ele, como se não acreditasse de fato no que estava ouvindo.
- Típico. – resmungou, deixando-o confuso. Especialmente quando revirou os olhos. – Você é tão estúpido, mas tão estúpido, que nem dá pra me sentir culpada por ter te batido. – se voltou para ele e se endireitou onde estava, com o esfregão em uma das mãos.
- Eu te perdôo se sair comigo. – tentou, ignorando todo o resto que havia sido dito e ela riu novamente, sem humor.
- Idiota. – falou, voltando ao que fazia.
- Não custava tentar.
- Eu deveria te bater de novo. – olhou novamente para ele e fez bico sem notar que o fazia. - Eu realmente queria te bater de novo, na verdade. – continuou após ver a expressão em seu rosto. Por mais que quisesse negar, o conhecia o suficiente para saber que o pior de tudo era a parte dele realmente não fazer de propósito. – Quer saber, só continua trabalhando. Quanto antes terminarmos, antes me livro de você. – falou simplesmente e voltou a ignorá-lo, como se estivesse sozinha ali. Era o que ela estava fazendo até então, o enlouquecendo por estar no mesmo cômodo que ela sem dizer ou fazer absolutamente nada. Sem ao menos saber como reagir e bufou por isso, completamente insatisfeito consigo mesmo. – Você vai demorar muito? – ela voltou a falar apenas para repreendê-lo, apontando para a vassoura na qual ainda se apoiava.
No colégio em que estudavam, as punições vinham em forma de atividades domésticas e haviam sido colocados para lavar a cozinha. Tinham sido até que gentis dessa vez, já tinha sido colocado para fazer coisas piores.
Por um instante, apenas a encarou, pensando no que responder. ergueu as sobrancelhas para ele, como se perguntasse o motivo da demora, mas o garoto acabou por apenas negar com a cabeça. Sempre que tentava dizer algo terminava por piorar sua situação.
- Desculpa. – falou apenas, voltando para sua tarefa sob o olhar confuso dela. , por fim, deu de ombros, mas quando finalmente desistiu de tentar entendê-lo, se virou novamente, de súbito. – Quer saber, não. – falou, chamando sua atenção. – Eu sei que sou estúpido, mas juro que estou tentando. Eu nem sei o que eu fiz pra você me odiar!
- Odiar é um termo forte demais, eu só prefiro que você fique longe de mim.
- Mas por quê?! – quis saber, não conseguindo esconder sua frustração ao falar. – Já fomos amigos e eu nem sei o que aconteceu para não sermos mais!
- O fato de não saber demonstra o problema.
- Você não acha que se me contasse, podíamos fazer o problema deixar de ser um problema?
- Não.
- Não?!
- Não. – ela insistiu. – As coisas estão bem assim.
- Bem pra quem?!
- Pra mim. É óbvio que estou falando de mim. – completou, dando o assunto por encerrado ao apontar para a vassoura que , agora, havia deixado de lado.
Mas ele não se deu por vencido.
- Eu quero me redimir, mas para isso eu preciso saber o que fiz. – falou. – , por favor...
- . Vamos manter as formalidades. – respondeu e ele murchou, lhe encarando com olhos tristes.
- Conversa comigo.
- Volta para suas tarefas, . – insistiu, voltando a fazer o que precisava. Não se dando por vencido, ele se aproximou dela, parando atrás da garota sem tocá-la.
parou o que fazia ao notar a aproximação, mas além disso, não fez qualquer outro movimento enquanto estendia a própria mão para segurar a dela com a sua, fazendo com que soltasse o pano que segurava antes de envolver seus dedos nos dela.
- Me dá uma chance. – pediu com um sussurro, aproximando mais um passo. Seus corpos ainda não se tocavam, mas pode encostar a testa no topo de sua cabeça, sentindo o coração se apertar em saudade ao sentir o perfume dela tão próximo, junto com a maciez dos fios. – Vamos começar de novo, por favor. – insistiu, tomando o fato dela não ter fugido como incentivo.
Mas como um gatilho, a garota se deu conta do que fazia e se voltou para frente mais uma vez, espalmando seu peito para afastá-lo, mesmo que o olhar dela para ele não fosse exatamente de ódio agora. Pareciam muito mais vulneráveis do que qualquer outra coisa e ele podia ver ali uma certa dose de melancolia.
- Eu definitivamente deveria te bater de novo. – falou, mas o tom de voz rude não condizia com a confusão mental que ela demonstrava. Ela passou as mãos pelos cabelos e negou com a cabeça, pegando o celular que havia deixado de lado antes de simplesmente seguir para a porta.
- . – ele chamou, a acompanhando com o olhar, mas a garota não vacilou nem mesmo ao passar por ele. – Por favor...
- Termina hoje e amanhã não precisa ficar, eu te cubro. – disse simplesmente antes de sair, deixando-o para trás ainda mais confuso do que antes estava.


II.


- Então deixa eu ver se entendi. O único que tentou aproximação com a garota foi o , mas ele não fez nada além de merda? – perguntou no outro dia e apesar do momento ter sido muito mais dramático do que cômico, não pôde deixar de rir.
- Ei! – repreendeu o amigo que não o estava facilitando naquela coisa de sentir pena de si mesmo.
- É só chamar pra sair. O que tem de tão difícil nisso? – voltou a perguntar, fazendo um barulho com a boca em seguida, como se ponderasse sobre o assunto. – Bom, tirando o que decidiu gostar da única garota que o odeia.
- Ela não me odiou sempre, ok?! – se defendeu, suspirando decepcionado antes de afundar o rosto nos braços, apoiados sobre a mesa do intervalo. – Ah, ela me odeia.
- Por que você não começa tentando se desculpar pelo que fez no passado? – sugeriu e voltou a erguer a cabeça um tanto quanto chocado.
- Eu tentei, ok? Você acha mesmo que eu não tentaria? – perguntou, jogando os braços para o alto desacreditado. – Foi a primeira coisa que eu tentei ontem. Certo, talvez não a primeira, mas eu tentei.
- Não fez direito, podemos notar. – caçoou e voltou a bufar.
- Odeio vocês. – resmungou, mas apenas deu de ombros enquanto o ignorava completamente. – Sabe, você deveria fazer algo de útil com o posto de melhor amigo que roubou de mim e descobrir o que eu fiz.
- Se nem você sabe, eu não posso fazer nada. – respondeu e voltou a resmungar, escondendo a cabeça novamente.
- Males que vem para o bem. – falou e os outros o encararam sem entender. – Pelo menos você saiu da friendzone. – explicou, mas tudo o que fez foi deixar que a cabeça caísse sobre os braços novamente.
- Já ficaria feliz se ela não me odiasse. – respondeu mal humorado, sua voz soando abafada devido a posição em que ele se encontrava.
- Essa coisa toda de “pelo menos sua amizade” é linda na teoria, mas nós sabemos que não ia funcionar. – foi sincero e revirou os olhos, mesmo que os outros não fossem capazes de ver.
- É verdade.
- Não é não. – e falaram juntos e bufou, erguendo a cabeça para apoiá-la sobre uma das mãos.
- Esse acordo foi uma péssima ideia. Antes ela pelo menos olhava para mim vez ou outra, agora nem isso. Ela passou a manhã ignorando completamente a minha existência.
- Você sabe que ela gosta de você, não sabe? – perguntou e ergueu uma sobrancelha como se perguntasse do que diabos ele estava falando. suspirou, deixando claro o quão estúpido achava que o amigo era por não notar. – Chamar uma garota para sair é simples. Você pergunta e ela diz sim se quiser, não se não quiser. Fim. Só é tão dramático e difícil porque não é só isso, porque ela gosta de você, mas você pisou na bola. – abriu a boca para fazer, mas ergueu a mão como se o mandasse ficar quieto. – Isso se o fato de você não saber o que fez, não for exatamente o motivo pelo qual ela te afasta. – continuou, respondendo exatamente a fala que não teve a chance de verbalizar. – Ela olhava para você antes e agora não olha mais. Ela olhava para você, que é estúpido demais para notar. Mas agora você a chateou ao mesmo tempo que a lembrou porque gosta de você. Aliás, a chateou justamente por isso.
- Desde quando você virou conselheiro amoroso? – perguntou, surpreso e apenas se sentou direito, apoiando as costas preguiçosamente contra o encosto da cadeira como se aquilo não fosse nada demais.
- Não estou dando conselhos, só dizendo o óbvio já que ele não consegue ver. Ficaram próximos como não ficavam há muito tempo, ela sentiu o que achava que não devia. É por isso que hoje não olha mais. É por isso que está te evitado. Sabe que se olhar, vai se sentir da mesma forma.
- Já que você está tão entendido sobre tudo, podia realmente me dar um conselho. – disse. – Já me chamaram de estúpido tantas vezes nos últimos dois dias que eu estou começando a acreditar.
- Ah, mas isso é mesmo verdade. – falou. – Isso eu não neguei.
- Era pra eu me sentir melhor? – perguntou, confuso, e negou com a cabeça.
- Não, só constatando o obvio.
- Ótimo, mas você pode me ajudar agora?
- Cara, confiança só se reconquista com o tempo. Seja sincero, diz que não sabe o que fez, mas que está disposto a tentar e então tente. Mas seja sutil, um pouco por vez, e tenta não fazer com que ela te odeie mais.
- Essa parte é bem difícil. – falou, fazendo uma careta. Aparentemente, ele tinha o dom de fazer com que ela o odiasse.
- Cara, ela ri quando você é idiota. Isso já é algo a ser levado em consideração. – ressaltou.
- Se você não cair em cima dela de novo, acho que dá pra fazer alguma coisa. – falou e deixou o queixo cair ao encará-lo.
- Você lembra que a culpa foi sua, não lembra?! – perguntou, alto o suficiente para que todas as pessoas próximas escutassem.
- Certo, certo. Agora fala mais baixo. – pediu, fazendo sinal para que ele se contivesse.
- É verdade! – exclamou novamente e apoiou a testa em uma das mãos enquanto ria. Um segundo e já tinha chamado atenção de metade dar pessoas ali. Aquela parte de ser sutil definitivamente não era com ele.
- , vem cá. – chamou, aproximando-se do garoto que estreitou os olhos em sua direção.
- O quê? – perguntou confuso, sem fazer o que o amigo pedia, mas não teve importância, pois já estava próximo o suficiente e prendeu os lábios do outro entre os dedos para mantê-los fechados, impedindo que voltasse a gritar. Teria explicado que o fez porque se aproximava, mas não lhe deu chance, o empurrando antes disso. – Me solta! – pediu, quase derrubando com o empurrão. riu, mas se segurou nele e juntos, caíram das cadeiras. por cima de e as cadeiras sobre ambos enquanto ria com uma das mãos em frente ao rosto.
Foi só então que entendeu o porquê de ter pedido silêncio. Jogado no chão, ainda sobre o amigo, viu olhando a cena junto com as duas amigas. Normalmente ela ria quando ele fazia esse tipo de coisa, mas a cara dela, nem de longe, podia ser considerada divertida. Ela negou com a cabeça, como se reprovasse a atitude, e mesmo antes de se levantar, deu um riso sem graça.
- Olha pelo lado bom, não é você que está embaixo dessa vez. – caçoou e ela revirou os olhos antes de dar as costas, perdendo a careta que fez.
- É, sou eu. – o respondeu por ela, empurrando para que pudesse se levantar. – E faz o favor para si mesmo de calar a boca.
- Vamos precisar de uma aula de sutileza. – respondeu enquanto pousava uma das mãos na cintura, olhando como se perguntasse onde diabos havia errado para ter que aturá-lo.
- Foi tão mal assim? – perguntou sem jeito.
- Foi pior. – e , novamente, responderam em uníssono.
deixou os ombros caírem.
- Eu sou tão estúpido. – falou em um suspiro e os outros dois só puderam concordar.
- Definitivamente. – falou antes de se sentar novamente.

🏫 🎒 📝


Olhando ao longe, suspirou. Fazia isso com uma frequência muito maior do que gostaria de fato. Havia conhecido a garota através de , mas nunca falara de verdade com ela, sempre ficava sem jeito perto dela e, no final, acabava fugindo.
estava certo e ele sabia, não era tão difícil chamar uma garota para sair. Pelo menos não em tese porque na prática, ele disfarçava e voltava para trás sempre que se aproximava demais dela para tentar fazer o convite.
E ele já havia tentado vezes demais. Vezes o suficiente para desistir e aceitar o fato de que estava fadado a observá-la de longe simplesmente porque era covarde demais para chegar em uma garota.
Estavam em aula vaga e brincava com algumas amigas há alguns metros, tentando acertar a bola na cesta de basquete. Nenhuma delas vinha tendo algum progresso, mas a risada da garota sempre que errava era algo a ser apreciado.
estava distraído, vendo-a tentar arremessar na cesta quando uma sombra a sua frente chamou a atenção que antes ele voltava para . All Star vermelho, meias brancas até a panturrilha e saia rodada, peças do uniforme feminino e ele ergueu o olhar apenas para dar de cara com ali, de braços cruzados e uma expressão de poucos amigos. No mesmo instante, ele se endireitou no banco, tentando lembrar de algo errado que pudesse ter feito.
- Pode ir falando. – pediu e ele piscou duas vezes ao encará-la.
- Uhm? – perguntou, sem entender ao que ela se referia. , então, revirou os olhos, sentando-se ao lado dele que desviou sua atenção para a garota ao lado.
- . – disse ela, deixando-o, se possível, ainda mais confuso. – Eu quero saber o que está havendo, de onde saiu toda essa atenção repentina.
Dessa vez, entendeu onde ela queria chegar. Até mesmo sua lerdeza tinha limite, mas ao invés de respondê-la de imediato, se fez de desentendido, embora o fato de ter desviado o olhar o tivesse denunciado.
- . – ela o chamou pelo nome completo e ele se voltou para ela, tentando não demonstrar o pânico que sentia pela atitude. podia ser sua melhor amiga, mas ainda assim podia ser assustadora quando queria. – Não se atreva a mentir para mim, já vou avisando. Eu sei que tem algo e eu quero a verdade. – o intimou e após suspirar, se deu por vencido. Tinha mais medo dela do que de .
- Tenho certeza de que você sabe que não foi tão repentino assim. – ele respondeu e ela apenas esperou que continuasse. Só aquilo não era resposta o suficiente para ela e antes de continuar falando, optou por voltar a olhar para na quadra. Ela tentava arremessar, mas só de olhar o ângulo, ele já sabia que ia errar. – Ele gosta de você. O que pode ter feito de tão errado para não merecer uma segunda chance? – perguntou ele e foi a vez dela de suspirar, apoiando os cotovelos nos joelhos para que pudesse apoiar a cabeça nas mãos em seguida, olhando para a mesma direção que olhava.
- Ele foi embora, . Ele foi embora sem se despedir. – falou de uma vez e ele lhe encarou chocado, tentando imaginar uma forma daquilo fazer sentido ou ao menos condizer com o que ele conhecia. Lembrava-se de quando ele tinha se mudado. Não durou dois anos. Foi logo que seus pais se separaram e ele teve que ir embora com a mãe. Havia sido uma fase difícil para ele na época, mas havia se despedido dele e de , mesmo não sendo ainda tão próximo deles na época quanto era de .
- O ? Ele não faria isso. – decidiu por mim. Não podia imaginar fazendo algo assim, nem com toda a infantilidade e lerdeza do mundo.
- Eu sei que ele não foi o único culpado por isso. Tínhamos nos afastado por culpa minha, eu estava com ciúmes do namoro dele com uma garota. Namoro de criança, ainda por cima, mas eu também era criança e deixei que isso nos afastasse. Eu sabia quando ele ia embora, mas esperei que viesse se despedir e talvez ele tenha feito o mesmo. Talvez tenha se decepcionado tanto quanto eu, mas então ele voltou e... Só isso. Ele se aproximou de todos os amigos do passado, menos de mim. De novo, eu sei que tenho uma parcela de culpa, eu sei que nunca colaborei para uma aproximação, mas eu tenho medo de não ser importante o suficiente para ele, . O não foi o único homem da minha vida que me deixou e que me fez chorar por isso. Não quero correr o risco de ter que viver essa dor novamente e sei que se der uma chance para ele e amanhã ele decidir voltar a morar com o pai, eu vou quebrar novamente em mil pedacinhos.
- ... – ele suspirou, abrindo um dos braços para que ela se aconchegasse ali e ela o fez, deixando que ele a envolvesse pelos ombros, apoiando a cabeça na curva de seu pescoço. – Ele gosta de você, não acho que faria isso se tivesse uma chance. – disse, mesmo não se sentindo totalmente confortável em opinar quanto a um assunto tão delicado, especialmente quando não podia falar ou prometer nada por outra pessoa. Ele sempre viu a garota como alguém cuidadosa. Ele sentia que ela tinha dificuldade de se abrir. Mesmo com ele, sentia que ela se afastava as vezes, raramente entrava em assuntos tão pessoais, mas jamais imaginaria ser alguma espécie de complexo de abandono. Sempre achou que fosse medo de que as coisas chegassem ao ouvido de , devido ao fato de serem amigos. - Não posso falar pelo ou te aconselhar quanto a ele de qualquer forma, mas eu posso te dizer que você não pode viver a sombra disso. Pior, deixar de viver. Por medo. Pense sobre isso com calma. Você tem que fazer o que te deixar bem e você tem que decidir se afastar o completamente vai te deixar feliz, ou chateada. Se depois disso decidir se afastar, tudo bem, eu te apoio no que precisar, mas você precisa ter certeza de que não está escolhendo em nome do medo, que não vai estar se privando de algo que te faria bem.
Sem dizer nada, a garota apenas fechou os olhos e ficou ali em seus braços, como se ponderasse sobre o assunto. ficou satisfeito com o fato dela ter lhe confiado aquilo, talvez aquele simples fato já fosse um progresso e não só por ter se aberto com ele mesmo com medo, mas também por admitir que tinha um problema. Por poder enxergar isso sozinha.
- Você é ótimo nessa coisa de não dar conselhos. - ela brincou e ele riu, deixando que ela se afastasse quando o fez. voltou a olhar para a mesma direção que , para , e levou alguns segundos para voltar a falar. - Mas por que agora? - quis saber. - Ele sempre esteve aqui, mas… Ele nunca tentou.
mordeu o lábio inferior, tentando decidir se contar era ou não uma boa ideia. Especialmente depois do que havia descoberto. Talvez ela odiasse saber que precisava de um incentivo para falar com ela, mesmo que este tenha partido dele. Não podia correr o risco, mas quando deu por si, a garota já tinha um olhar desconfiado no rosto, graças a sua própria reação.
- , o que você está escondendo? - perguntou, já crente de que havia algo e de repente apavorado, ele olhou para os lados como se procurasse uma forma para fugir.
- Eu… Ahn… Olha, acho que estão me chamando! - exclamou, mesmo que não houvesse mais ninguém ali nas arquibancadas além deles. se colocou de pé, mas o puxou de volta pelo blazer do uniforme antes que tivesse oportunidade de escapar, fazendo-o cair sentado exatamente onde estava antes.
- Vai falando, . - ordenou de forma autoritária e ele, sem ver muita escolha, riu nervoso.
- Sabe, é uma história um tanto quanto engraçada… - começou, tentando ganhar tempo. Não sabia para que exatamente queria ganhar tempo, mas em sua cabeça, quanto mais pudesse postergar o momento, melhor. - Cômica, até. - continuou, vendo-a revirar os olhos por saber muito bem onde ele queria chegar: Lugar nenhum, basicamente.
- Vamos, . Estou esperando.
- Antes de começar, eu quero deixar claro que não foi uma aposta…
- Vocês fizeram uma aposta?!
- Não! - exclamou, decidindo que, no final, aquela havia sido a pior abordagem. Deveria estar passando tempo demais com , aparentemente. - Eu disse que não foi uma aposta!
- E por qual diabos de motivo você teria que se justificar por isso se não fosse o fato de ter feito?!
- Não fizemos! Não foi isso! Não tínhamos coragem de nos aproximarmos das garotas que gostamos então o propôs um acordo para fazermos isso. Foi só.
- Vocês fizeram uma aposta!
- Não foi uma aposta! ! Não estamos apostando nada. Não tem prêmio, nem punição, é só isso. Prometemos a nós mesmos que até o final da semana teríamos tomado coragem e chamado vocês para sair. Não importa a resposta, sim ou não. Só precisávamos chamar. Era isso.
- Foi só isso mesmo? - ela perguntou desconfiada e ele concordou rapidamente com a cabeça. - , se eu souber que está mentindo pra mim, você é um homem morto. - ameaçou e ele resmungou em alto e bom som, fazendo uma careta.
- Não me chama assim, você nem imagina o quão assustador é.
- Ah, eu estou bem ciente. - ela respondeu orgulhosa, cruzando os braços em frente ao peito satisfeita antes de apontar com a cabeça em direção a . - Então, ela é sua garota. - afirmou, mesmo que nunca tivesse verbalizado aquele fato. Nunca foi exatamente bom nessa coisa de disfarçar então nem ficou tão surpreso com o fato dela ter notado. - O que você fez para se aproximar da garota?
- Olhei atentamente do local mais longe possível durante todo o dia. - respondeu sincero e ela revirou os olhos.
- Então vai lá. - o empurrou para se levantar e ele lhe encarou como se tivesse algum problema.
- Você não acha que se fosse tão fácil eu já não teria ido?
- É fácil, você que está fazendo drama.
- Não é drama! - exclamou. - O que eu vou dizer?
- "Oi, quer sair comigo?" - exemplificou antes de empurrá-lo novamente. – Viu? Fácil.
- Aqui é mesmo. Quero ver falar para ela.
- Está bem. - disse e ele, imediatamente, arregalou os olhos, especialmente quando a viu se levantar.
- , ficou louca?! - repreendeu entredentes, porém verdadeiramente apavorado. Ela colocou as mãos ao redor da boca, como se fosse gritar, e perdeu o ar. - ! - protestou, mas já era tarde demais.
- ?! – ela gritou e ele fez o máximo que pôde para esconder o rosto. parou o que fazia para procurá-la e quando viu , acenou para a garota que fazia o mesmo. - Precisa de ajuda para jogar?! - perguntou, gritando alto o suficiente para que o mundo inteiro escutasse. Pelo menos essa era a sensação que tinha, a de que o mundo todo ouvia e olhava para eles depois do escândalo. - se ofereceu para ajudar, ele é bom! - falou e ele não conseguiu esconder o choque.
- , o que diabos… - perguntou, desesperado, mas se calou quando ouviu a resposta vinda do outro lado do pátio:
- Claro! - ela aceitou e ele precisou encará-la boquiaberto.
- O quê? - perguntou, desacreditado, e por sorte não foi alto o suficiente para que ela escutasse.
- Vai logo. - o empurrou novamente para se levantar e, dessa vez, ele o fez, mas agora o único motivo foi o fato de não ter escolha. Ao longe, o encarava com um sorriso nos lábios e acenou quando ele olhou para ela, como se o chamasse para perto. desviou o olhar para em um pedido silencioso por socorro, mas ela apenas fez sinal para que ele fosse logo.
prendeu a respiração, mas passo a passo desceu as arquibancadas, notando só então que não havia mais várias garotas ali, era apenas ele e ela, mesmo que não tivesse idéia de para onde todos haviam ido. Ergueu novamente o olhar e se desesperou quando não viu nas arquibancadas também. Havia ido embora e ele somente se voltou para a garota quando a ouviu rir.
- Você disse que era bom. - ela jogou a bola nele que a pegou no ar sem dificuldade apesar do nervosismo. - Mostra.
Ainda surpreso, ele a olhou sem entender. Era quase como se pudesse vê-la falando, e ouví-la, mas não pudesse assimilar as palavras. Nunca tinha estado tão perto dela assim. Não sozinho com ela, pelo menos. Era mais fácil quando ela não sabia que ele estava ali, o que claramente não era o caso.
Apenas quando ergueu uma sobrancelha em sua direção, como se esperasse por uma resposta, que ele percebeu que ela de fato esperava, chacoalhando a cabeça um pouco mais rápido do que o normal por isso.
Por sorte, ela apenas riu. Não como se ele fosse um otário, o que de fato era, mas como se achasse graça daquele nervosismo todo. Sorte dele que achava.
- O… quê? - perguntou receoso devido ao fato de, literalmente, tê-la ignorado e apenas apontou para a cesta, como se aquilo fosse explicação o suficiente. - Mostra. Você disse que era bom.
- Ah. - ele soltou, lançando a ela um olhar um tanto quanto incerto. Em incentivo, ela estendeu a ele a bola e se aproximou para pegar. sorria, e ele foi obrigado a desviar o olhar, ouvindo a rir novamente como se soubesse exatamente o que se passava na cabeça dele. odiou pensar que soubesse e apenas foi para frente da rede, arremessando a bola nela em seguida e acertando-a em cheio. pegou a bola no ar assim que passou pela cesta e meneou com a cabeça, fingindo estar impressionada. E ele decidiu ser fingimento porque ela riu em seguida, jogando a bola novamente para ele.
- Sabe que eu não te chamei pra isso de verdade, não sabe? - perguntou enquanto ele segurava a bola nos braços e estreitou os olhos.
- Não foi você que chamou. - ele falou, mas seu tom continha uma certa dose de incerteza, especialmente quando ele jogou na balança o fato de todos terem desaparecido assim que ele desceu. Droga, ela quem havia chamado. - Como? - perguntou, inclinando a cabeça para o lado como um gato e ela sorriu. Sem dizer nada, se aproximou e sentiu o ar fugir em de seus pulmões com a cena, por mais simples que fosse. caminhava em sua direção com um sorriso no rosto, aquela era a única coisa na qual ele era capaz de pensar, o que muito provavelmente era bom pois o contrário, estaria surtando e se perguntando o motivo da proximidade. já estava muito mais perto do que o humanamente saudável quando demonstrou suas reais intenções. A de tomar de volta a bola, no caso, antes de dar as costas para ele, sem desviar o olhar do dele até que não fosse mais possível mantê-lo.
Mesmo naquela posição, estavam tão próximos que quase podia tocá-la. Podia ser coisa da sua cabeça, e muito provavelmente até fosse, mas se perguntassem, ele juraria que podia sentir o calor de seu corpo emanar para o dele. O perfume de seus cabelos ele certamente sentia, mas sua atenção foi totalmente desviada para a cesta a sua frente quando , sem qualquer dificuldade, arremessou e, para espanto de , acertou.
- V… você… Estava fingindo! - ele exclamou e ela sorriu largamente.
- Adoraria ir no cinema com você na sábado a noite, aliás.
- O quê? - perguntou, confuso, e ela apenas riu.
- Sábado a noite. Eu saio com você. - disse, deixando-o literalmente boquiaberto. - A menos que você não queria, é claro.
- E… eu… Não. Quer dizer, sim. Sábado. Ótimo. - se atrapalhou, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo. Não tinha nenhuma forma dela saber daquele acordo, antes, então… Aquilo realmente partira dela?
- Ótimo. - ela repetiu, mordendo o lábio inferior de forma travessa. Agora vai, você deveria estar na aula.
- É, eu… Sim. - repetiu, sem nem se dar conta de que não era o único. Se ele deveria estar em aula, ela também, mas em sua mente só conseguia repassar o fato de que teria um encontro com a garota. Tinha conseguido e nem imaginava como. - Eu vou. - concordou, andando de costas sem desviar o olhar dela, que ainda segurava a bola nas mãos.
- Sábado a noite. - ela confirmou e ele concordou antes de rir.
- As oito?
- Perfeito. - ela concordou e ele riu novamente, como se só então se desse conta do que havia acontecido. Animado, finalmente deu as costas e sem se conter, andou entre pulinhos animados que a fizeram rir, se perguntando onde havia se enfiado.
Até porque ele não sabia onde ela morava e, aparentemente, não se lembrou de pedir seu telefone.
- Não me decepcione! - gritou, e ele apenas gritou de volta que não, a fazendo negar com a cabeça entre risos, já imaginando que teria que procurá-lo para passar o número pois, se dependesse dele, ficariam apenas no convite.
- O quê…? - , que vinha procurar o amigo, perguntou confuso ao ver a cena e , ao seu lado, parou com um pirulito a meio caminho da boca para estreitar os olhos, vendo pouco mais a frente.
- Ah, sem chance. - soltou desacreditado.
- Ele conseguiu um encontro? - perguntou, levando tanta fé no amigo quando , aparentemente, mas ambos foram surpreendidos por que estendeu a eles um pedaço de papel.
- Meu telefone, esqueceu de pedir. - disse ela. apenas conseguiu encará-la totalmente pasmo enquanto , não muito diferente, estendia a mão para pegar o número. - Mas deixem-o sofrer um pouco antes de entregar. Vai ser divertido. - riu ao imaginar, não esperando uma resposta para dar as costas e simplesmente se afastar.


III.


arrumou a touca vermelha na cabeça mais uma vez e bufou no ouvido de quando este bateu em sua mão, em repreensão pela atitude.
- ! – exclamou ele para o amigo que olhou feio em sua direção, tão insatisfeito por estar ali quando o próprio por ter sua companhia.
- Para de praticar bullying com minhas toucas! - exclamou contrariado e jogou os braços para o alto, inconformado.
- Você tem a droga de uma touca verde florescente no armário! Por que é que você tem uma touca florescente? - respondeu, um pouco mais alto do que o necessário por estarem no meio da rua e mal notaram alguns olhares que já recebiam. A culpa daqueles nervos a flor da pele claramente se deviam ao fato de estarem indo se encontrar com para o encontro dela com . E sim, estava de acompanhante por motivos de ter sido a única condição para que a mãe do outro o deixasse sair de casa.
Ninguém além dela estava feliz com aquilo.
- Eu nem estou usando ela! Deixa minha touca em paz! - exclamou, também aumentando o tom mesmo que nenhum deles tivesse percebido.
- Tirou ela pra usar uma vermelha! - respondeu com certo deboche.
- E daí? Você reclamou que a verde não combinava com nada, agora combina com o emblema no moletom. - devolveu, apontando para o número dezessete no canto superior esquerdo da blusa e revirou os olhos. Enquanto ele fazia o estilo arrumadinho e vestia jeans novos e uma camisa social, usava jeans rasgados, um moletom branco mais comprido que o necessário e uma touca vermelha.
- Você é ridículo. - retrucou enquanto negava com a cabeça.
- Não sou eu que estou levando acompanhante pro primeiro encontro com a garota. - sorriu cínico, sentindo-se vitorioso por poder jogar aquilo na cara do amigo.
- Fala como se a culpa não fosse sua. - respondeu mal humorado e apenas deu de ombros.
- Se a sua mãe ama mais a mim do que a você, a culpa é sua por ser um péssimo filho.
- Ela realmente te ama pelo que você é e não por todo o seu cinismo. - ironizou.
- O que os olhos não vêem o coração não sente. Se você praticasse, não teria que levar um acompanhante para o primeiro encontro.
- Você não é um acompanhante, ! - voltou a exclamar, odiando tanto aquela palavra quanto ao fato de repetí-la sempre que tinha oportunidade. Se perguntou mais um vez porque não tentou oferecer para a mãe no lugar de . pelo menos fazia o tipo quieto. Não que fosse ser fácil convencê-lo a ir junto.
- Estou indo com você então sim, sou. - devolveu, o trazendo de volta para a conversa. - Desculpa se a sua definição está defasada.
- Não é porque você vai fingir que é um bom amigo e assistir um filme na outra sala. - repetiu para . Já tinha dito aquilo mil vezes.
- Não quero ir pra outra sala. - também repetiu a mesma resposta pela milésima vez apenas por implicância. Não pretendia realmente atrapalhar os lances de , o que ele provavelmente faria mesmo sem querer se ficasse perto.
Mas se era idiota o suficiente para acreditar que estava falando sério sobre não colaborar, claro, poderia se divertir com isso.
Irritar os coleguinhas era o que fazia de melhor na vida.
- , colabora. - praticamente implorou e sentiu uma pequena satisfação por isso. Uma sensação de missão cumprida.
- Eu aguentei seu bullying com a minha roupa. Sai de casa, onde eu poderia estar tranquilo fazendo qualquer outra coisa e você tem coragem de me pedir para colaborar? O que mais você quer? Que eu te abane? - fingiu estar muito mais chocado do que estava de fato, parando de andar para encará-lo com sua melhor expressão de descrença.
- Para de drama, eu estou pagando o seu cinema. - parou também para encará-lo e deixou o queixo cair para dramatizar um pouco mais.
- Ah, só faltava querer que eu pagasse!
- Você é tão insuportável as vezes. - murmurou, ignorando para voltar a andar e o outro apenas riu, acelerando os passos para alcançá-lo e quando o fez, se jogou contra as costas de , passando um dos braços por seu ombro. Ia caçoar um pouco mais, dizer que se orgulhava dele por ter conseguido sair com a garota, mas congelou onde estava quando viu se aproximar com .
E a reação de foi exatamente a mesma que a dele.
- Você não planejou isso não, né? - sussurrou para que olhou para ele de canto de olho.
- Ah, porque a meta da minha vida é ter vocês dois brigando na minha orelha.
- Certo, não faz sentido.
- Não faz. - concordou, mas se calou quando a garota bufou, demonstrando sua insatisfação em vê-lo.
Normalmente não fazia o tipo que se abalava facilmente, mas sentiu-se ligeiramente chateado pela reação, mexendo novamente na touca embora sua vontade agora fosse a de se esconder embaixo dela.
- Para de mexer nessa droga. - murmurou, tentando não mover a boca para isso. - Veja como uma oportunidade. Só aproveite-a longe de mim, por favor.
- Sua fé em mim me comove. - em resposta, apenas concordou, soltando-se do amigo para seguir até , não antes de dar dois tapinhas em suas costas como incentivo. detestava aquela mania dele de dar tapinhas.
- Disponha. E para de mexer nessa droga de touca.
- Parar de mexer na touca. Certo. - respondeu, vendo o outro se aproximar de para cumprimentá-la. Como se eles não existissem, e simplesmente deram as costas sem falar mais nada, pelo menos não com e . - Isso porque ia pagar meu cinema. Traidor. - resmungou, mas desviou sua atenção para quando esta cruzou os braços emburrada.
- também. - respondeu e não conseguiu lembrar de outra vez, não desde que voltara, em que ela simplesmente respondeu algo que ele dizia sem nenhuma farpa inclusa.
- Eu pago. - se ofereceu de imediato, mas tudo o que ela fez foi revirar os olhos, como se finalmente se lembrasse dele ali.
- Tchau, . - disse, dando as costas para se afastar e dessa vez ele cogitou seriamente deixar, mas não sabia ao certo, na verdade, se era o melhor a se fazer. Tudo em relação a ela o deixava ainda mais confuso do que o normal. Por um lado, já tinha sido repreendido, atacado e recusado tantas que talvez fosse realmente a hora de deixá-la ir. Era o que ela pedia, afinal, mas então ele a pegava sorrindo por algo que ele fazia e só conseguia pensar que não podia deixá-la ir novamente. Tudo bem, da última vez ele quem havia "ido", mas não precisavam ter se afastado como deixou que acontecesse.
Mas ela não era a única ressentida afinal e cada vez que o afastava, doía um pouco mais. Enquanto ela se aumentava a distância entre eles, suspirou e olhou para cima. Talvez deixá-la ir fosse algo que ele deveria fazer por si mesmo, mas uma pausa para olhar para a lua foi o suficiente para que ele fizesse uma careta.
Estava escuro. Do tipo escuro demais para que ele fosse capaz de simplesmente ignorar e deixar de se preocupar. já estava longe, mas ele correu até ela mesmo assim, limitando-se em se por ao seu lado para acompanhá-la.
- Não precisamos ver a mesma seção se você não quiser, mas já está escuro pra você ir embora sozinha. - declarou e ela apenas o encarou pelo canto dos olhos antes de se voltar para a frente novamente.
- Eu posso me cuidar sozinha.
- Eu não duvido que possa desde que não envolva brigar fisicamente com alguém maior que você.
- E você consegue brigar fisicamente com alguém maior que você? - ela perguntou. - , nós dois sabemos que você perderia para mim.
- Talvez, mas dois são melhores que um. - respondeu e ela revirou os olhos, mas abaixou o rosto para conter um sorriso que o fez sorrir. - Na pior das hipóteses, você me protege e vai ter feito uma boa ação. Vai até poder dizer que eu te acompanhei porque estava com medo de ir pra casa sozinho.
- Você é muito estúpido.
- Eu sei, repito isso pra mim mesmo todos os dias. - respondeu com o sorriso ainda nos lábios, mas o deixou morrer ao olhar para cima novamente, para o céu. - Já fiz muita besteira das quais me arrependo, especialmente em relação a você, mas não vou te deixar ir sozinha para casa a essa hora. - ela o encarou e notando seu olhar sobre ele, voltou a sorrir para encará-la. - E não precisa falar comigo se não quiser, ou andar do meu lado, mas eu vou ficar aqui e te seguir até saber que chegou em segurança.
manteve seu olhar no dele por alguns instantes, sem dizer nada. A forma como ele sorria tinha aquele dom de aquecer seu coração, sempre teve, e ela acabou por apenas concordar, vendo o sorriso de se alargar por isso. Ela voltou a olhar para a frente, sem dizer nada, e ele continuou lhe acompanhando, também em silêncio. Tinha muitas coisas que ele queria dizer na realidade, mas ficava satisfeito em apenas acompanhá-la enquanto torcia para que ela visse o respeito por seu silêncio com bons olhos.
E céus, como aquilo era difícil. Não falar, no caso, era terrível. Várias vezes ele abrira a boca, mas tentava disfarçar ao fechá-la. E ela viu. O olhou de canto de olho e até negou com a cabeça algumas vezes, embora ele desconfiasse de que ela, na realidade, continha um sorriso. Ela fazia muito aquilo, alias, e ele estava louco para perguntar o motivo de afastá-lo tanto se sorria quando ele falava, mas sabia que a possibilidade de apanhar novamente era enorme e essa pergunta foi uma das quais precisou se controlar para não fazer.
Quando finalmente entraram na rua onde se lembrava que ela morava, sentiu uma certa decepção inundá-lo. Em parte por tê-la que deixar entrar, em outra por não terem trocado uma palavra (embora o fato de também não terem brigado ser um progresso) e também por sentir que tinha perdido uma oportunidade ficando apenas em silêncio, mesmo que tivesse feito a vontade dela dessa forma.
De qualquer modo, achou pelo menos que estava salvo daquela coisa de conter a fala, mas abaixar a guarda foi sua falha quando viu, no começo da rua, o parquinho onde se lembrava de ter brincando com ela tantas vezes na infância. Ele ainda estava de pé, exatamente como era quando eram pequenos e se viu surpreso por isso, não conseguindo conter a exclamação que soltou em vê-lo.
- Caramba, ainda existe! - falou empolgado, avançando em direção ao parquinho antes de notar o que fazia. Quando percebeu, parou onde estava, escondendo as mãos no bolso pra disfarçar e fazendo bico para esconder a expressão animada, como se nada tivesse acontecido. - Uhn... Desculpa. - mordeu o lábio inferior, como uma criança que acaba de ser repreendida pelos pais, mas dessa vez ela não se importou de rir, gesticulando que ele fosse em frente como incentivo.
O sorriso de em retorno foi o maior possível e ele só faltou comemorar com pulinhos quando seguiu em direção ao parquinho. Com brilho nos olhos, ele encarou o balanço vai e vem como se perguntasse a si mesmo se devia e arriscou um olhar para . Ela ergueu uma sobrancelha de forma divertida, tentando entender se, assim como parecia, ele estava mesmo pedindo permissão. Quando meneou com a cabeça, ele avançou rapidamente para o balanço, dando impulso para brincar nele.
- Yupi… - falou baixinho, como se comemorasse com si mesmo, e riu novamente, colocando a mão no rosto como se reprovasse a própria atitude de rir.
- Como pode ser tão bobo? Me diz? - ela perguntou, sem parar de rir, mas apenas de saber que ela caçoava com ele muito mais do que qualquer coisa, riu junto, decidindo que aquilo, pelo menos, era melhor que gritos.
- Se você vir também, prometo que guardo segredo. - estendeu a mão, sorrindo largamente em incentivo. - Só nós vamos saber.
negou com a cabeça, mas era muito mais como se não acreditasse no fato de querer realmente aceitar. Não pegou a mão dele, mas se sentou no mesmo balanço, de frente para , deixando que ele desse o impulso inicial para balançarem.
sorriu largamente mais uma vez, mostrando todos os dentes, e ela não conseguiu simplesmente não rir daquilo. Sempre ria de vê-lo rir, era automático, e algo que até mesmo ele, lerdo como só ele podia ser, já havia notado. Usava aquilo ao seu favor sempre que podia, mas dessa vez não. Dessa vez ele ria apenas porque queria rir e ficou satisfeito em recordar dos velhos tempos dessa forma, quando tudo estava bem entre eles. Um passado onde até mesmo seus pais falavam deles como se fossem um só. Eram inseparáveis até terem que se separar e nunca mais foram os mesmos.
Ele sentia falta daquilo, sentia falta dela, mesmo como amiga e por alguns minutos sem falar nada, apenas tentando alcançar o mais alto que podiam com aquele tipo de balanço, foram os mesmos de antes e ainda riam mesmo depois de parar.
passou a mão pelos cabelos para arrumá-los e suspirou com um sorriso nos lábios. Parecia até mesmo mais calma, leve, como se estivesse precisando daquilo para tirar um enorme peso dos ombros.
- Nossa, fazia tanto tempo que eu não vinha aqui. - falou, mas ele mal absorveu suas palavras, se concentrando em admirar aquela versão contente dela, tão parecida com a menina que deixou para trás um dia. - Foi desde… - ela se calou, e tão rápido quanto surgiu, o sorriso morreu em seu rosto, levando junto consigo toda a animação de , especialmente por saber que era o culpado disso. - Eu acho… é melhor eu ir. - falou ela, mas foi mais rápido em impedí-la. Ele levantou, e se colocou de frente para ela que voltou para trás. Quando o fez, voltando-se a sentar no balanço, fez o mesmo, mas agora de frente para ela.
- Desculpa. - pediu novamente, segurando uma de suas mãos e desviou a atenção para seus dedos juntos, que ele fez questão de entrelaçar. - Me desculpa, . Eu sinto sua falta.
- … - ela o chamou pelo nome, o que chegava a ser engraçado porque ninguém o chamava daquela forma. Nem mesmo os seus pais, mas sempre foi a forma como ela o chamava. Gostava se ser diferente, quando criança dizia que os fazia especiais, mesmo que utilizasse o apelido que as outras pessoas também usavam. Ele costumava repreendê-la quando o chamava daquela forma, mas na realidade, gostava e ela sabia disso. Ouvi-la chamá-lo daquela forma, depois de tanto tempo, fez com que quisesse abraçá-la, mas se conteve, limitando-se em segurar sua mão com mais firmeza.
- Eu estou aqui.
- Você sabe. - ela disse, soando realmente surpresa. - Você sabe porque eu não te deixei se aproximar novamente. Mas diz que não.
- Eu sou estúpido, mas nem tanto. Eu tive que ir embora e não nos despedimos. Passei tempo demais decepcionado com isso para não saber que se sentia da mesma forma. - respondeu, segurando em seu queixo para fazer com que ela erguesse o olhar para ele e o encarasse. - O que eu nunca entendi foi o por quê de brigarmos. O que fiz pra te deixar brava ao ponto de não querer se despedir quando eu fui embora.
- Eu queria. Mas queria que você viesse. - admitiu. - A culpa foi minha, porque eu comecei a briga. Mas não via assim na época. Acho que nem mesmo eu entendia os motivos, na verdade. - riu sem muito humor, e se esquivou de seu toque para poder desviar o olhar novamente.
- Me diz agora. – suplicou, em agonia para finalmente resolver aquela situação, para finalmente tê-la de volta. - Me conta pra que possamos voltar a ser o que éramos. – pediu, mas ela negou com a cabeça e o gesto fez com que seu coração se afundasse novamente. Levou todas as esperanças que haviam florescido em seu peito há alguns minutos. Mera ilusão.
- Não? - ele sussurrou e o medo que sentiu da resposta foi o suficiente para que ele entendesse o real motivo de nunca tê-la procurado para conversar seriamente como agora. A possibilidade dela pedir que ele se afastasse de verdade era assustadora demais. A possibilidade de ter que se afastar definitivamente, era assustadora demais.
voltou a erguer o olhar, dessa vez sem que fosse necessário um incentivo por parte dele e não pode deixar de achar ótimo. Provavelmente não conseguiria fazê-lo enquanto ainda sentia o choque que as palavras dela provocaram nele, o baque.
- Eu nunca quis que voltássemos a ser como éramos, . O problema sempre foi querer mais. Desde aquela época. – respondeu no mesmo tom que ele usara há pouco, mas ele negou com a cabeça no primeiro instante, atordoado demais para entender de imediato.
Quando o fez, a encarou em choque.
- M... mais? – perguntou e ela sorriu triste. – O que isso quer dizer?
- Você sabe, . – ela respondeu, mas ele negou com a cabeça. Se tinha entendido direito e ela gostava dele, quando ele já deixara bem claro o que sentia por ela, então qual era o problema? Por que ela parecia tão triste? Por que simplesmente não podiam ficar juntos? não podia estar mais confuso e nunca antes odiou tanto se sentir daquela forma. Nunca se sentiu tão frustrado ou tão agoniado por isso. Ele precisava entender para tê-la de volta, mas simplesmente não fazia sentido.
- , qual o problema então? – perguntou, deixando que sua voz denunciasse todo o desespero que sentia. Desespero que só aumentou quando ela negou com a cabeça mais uma vez, incerta. – ... – ele insistiu, aproximando-se dela e, por um instante, a sentiu recuar. – Ei, ... – ele repetiu de forma calma, o tom suave em uma tentativa de tranquilizá-la. segurou seu rosto com uma das mãos e cuidadosamente, aproximou suas testas, tentando inutilizar todo o espaço que a posição que estavam permitisse. Queria ficar o mais perto possível e evitou fechar os olhos mesmo após sentir a respiração dela contra seus lábios. – Olha pra mim. – pediu, acariciando a mão que ele ainda não havia soltado. – Olha pra mim, . Por favor. – quando ela finalmente o fez, ele sorriu de lado, da forma mais serena que achou possível. Não foi difícil na verdade, não depois de ter escutado sua última fala, mesmo que fosse evidente para ele que havia algo mais. – Eu nunca tentei negar a forma como eu me sinto. Não sei o que está havendo, ou qual é o problema, mas podemos fazer isso. – diminuiu a voz, inclinando a cabeça levemente e roçando o nariz em sua bochecha. Sentiu seu estômago revirar em expectativa e desejou tomar os lábios dela para os seus de uma vez, especialmente quando a viu fechar os olhos com a proximidade. – Me deixa ficar com você. – pediu baixinho, e ela não se moveu, mesmo quando roçou seus lábios nos dela com toda a calma que possuía. Não queria que ela fugisse ou se afastasse, mas deu a essa chance e quando a garota não o fez, os encostou novamente em um selinho delicado antes de tentar aprofundar o beijo.
direcionou sua mão livre até a barra lateral de sua camisa, mas não foi para afastá-lo. Foi impensado e mais uma vez se permitiu ter esperanças, mesmo temendo fazê-lo. Sabia que a queda seria maior se desse errado, mas não pôde evitar a euforia em seu peito. Finalmente, depois de anos, iria beijá-la, mas antes que o fizesse a buzina de um carro soou e deu um pulo para trás, assustada. não podia culpá-la, pois pulou no lugar, mas já era tarde. O que quer que houvesse surgido entre eles naqueles minutos, se desfez e antes que ele pudesse pensar em tomar qualquer atitude, ela já se levantava.
- Eu... tenho que ir. – falou rápido, sem esperar por uma resposta. tentou segurá-la, mas mais uma vez escapou por entre seus dedos e conseguiu fugir.
- ! – ele chamou, mas ela já atravessava a rua.
- Conversamos depois.
- ! – insistiu, mas bufou frustrado pois sabia que qualquer progresso que tivessem feito naquele dia, havia parado por ali.
Não que ele pretendesse desistir por isso. Depois do que havia escutado, desistir era a última coisa dos seus planos.

🏫 🎒 📝


estava frustrado. Já odiava as segundas normalmente, mas aquela em especial o estava irritando. Primeiro tinha , falando de a cada segundo. Ele estava feliz pelo amigo, de verdade. A questão não era essa. Era o fato de ter que escutar a mesma história mil vezes quando ele se sentia tão frustrado.
“Dor de cotovelo”, essa era a expressão correta para o que sentia. Especialmente quando o progresso com se quer continuava parecendo um progresso.
se recusou a passar o telefone de pois, de acordo com ele, ela o mataria. Tudo bem, não duvidada que o fizesse, mas ele podia pelo menos ter colaborado como informante, mas nem isso.
“O problema não é você, abra um pouco mais a mente”. Foi o que disse quando pediu ajuda sobre o que sentia, especialmente depois de se declarar e fugir, mas ajudar não era uma palavra que entendia, aparentemente. Isso ou tinham versões completamente distintas de ajuda.
- , volta pro planeta! Está me ouvindo?
- Ah, eu tenho certeza de que não precisa. Tenho certeza que já sei o que é.
- . – respondeu e apontou em sua direção para deixar claro a que era exatamente aquilo.
revirou os olhos.
- A história da pipoca de novo? – perguntou, sem desfazer a carranca de tédio.
- Exato. – o respondeu.
- Previsível.
- Argh, vocês são horríveis. – bufou indignado. - Eu estou feliz. Deveriam ficar felizes por mim.
- No momento da notícia eu fiquei, mas não teria ficado se soubesse que você ia falar disso o tempo tudo durante os próximos dias. – retrucou, com o mesmo tédio aparente na expressão de .
- É o primeiro dia, cala a boca.
- Terceiro, na verdade. – corrigiu.
- O primeiro que passamos aqui então é o primeiro. – devolveu rapidamente, impaciente.
- Se concordarmos você para de falar? – tentou, demonstrando mais animação que o necessário com a possibilidade apenas para provocá-lo.
- Se parar eu concordo. – respondeu de imediato.
- Vocês dois. – apontou de um para o outro. – São insuportáveis. E só estão assim porque não tiveram progresso com a garota.
- Eu? – perguntou confuso. – Isso é entre os dois. Não me envolvam.
- O acordo foi chamar a garota para sair, e você faria o mesmo com a . – o lembrou. – Não estou vendo nenhum progresso.
revirou os olhos.
- Não tenho nenhum problema em chamar garotas pra sair. Posso fazer isso quando quiser.
- Estamos esperando.
- Tá. – deu de ombros. – Querem com ou sem testemunha?
- Com! – e responderam em uníssono. Foi a primeira vez no dia que ficou tão animado. Como os ótimos amigos que não eram, estavam em êxtase com a possibilidade de assistir a humilhação pública do amiguinho.
- Que surpresa, não? – respondeu com certo deboche, passando as mãos pelas roupas ao se levantar do banco onde estava sentado a fim de desamassá-las. – Preciso parar de superestimar essa amizade.
- Okay, okay. Vai de uma vez, Romeu. – caçoou, o empurrando para fora da mesa. Não levava fé, de verdade, que fosse só fazer de uma vez, mas isso foi até ele gritar no pátio, chamando a garota ao longe:
- ! – exclamou, chamando-a direto pelo apelido como se fossem totalmente íntimos, o que não eram nenhum pouco. No máximo conhecidos. Os meninos arregalaram os olhos graças a sua atitude e o viram sorrir quando se virou para ver quem chamava.
Ela corou ao ver e ele acenou enquanto dava uma corridinha até ela, parando a sua frente sem parar de sorrir.
- Como esse maldito consegue? – perguntou perplexo a , que negou com a cabeça boquiaberto e totalmente sem fala.
- Ele faz parecer fácil.
- Faz. – concordou, voltando a prestar atenção quando se pôs a falar.
- Desculpa te chamar assim. – riu, coçando a nuca como se estivesse realmente muito sem graça, o que na realidade não estava.
- Tudo bem. O que foi? – ela respondeu com um sorriso tímido.
- Ahn... Eu só queria saber se topa sair comigo qualquer dia desses. – falou de uma vez, sem vacilar, sem parecer nervoso e ela sorriu sem jeito apesar de concordar.
- Sim, pode ser. – ela respondeu simplesmente e tanto , quanto , arregalaram os olhos ao longe.
- Eu estou livre a semana toda, mas pode ser no final de semana mesmo, se preferir. – sugeriu.
- Durante a semana não tem problema. – ela respondeu e ele sorriu satisfeito, sem desviar sua atenção dela.
- Quarta, então? – tentou e ela concordou com a cabeça.
- Está ótimo.
- Legal. Me passa seu número? Marcamos só um horário. – tirou o telefone do bolso, desbloqueando a tela, e entregou a ela que digitou o número antes de devolver. sorriu. – Não tem mais volta. Agora eu vou te ligar.
- Espero que sim. – ela concordou antes de dar as costas para se afastar e não pode evitar o sorriso satisfeito em seu rosto por ter aceito o pedido. Quando ela finalmente saiu do seu campo de visão, foi que notou o que fazia e tentou se conter, mas já era tarde.
- Nós vimos, não tem mais volta. – falou, sem deixar passar o que havia visto.
- O que você viram? Minha performance extraordinária?
- Não, o seu sorriso bobo e apaixonado. – respondeu por .
revirou os olhos, mas se odiou por realmente não conseguir conter o sorriso em sua face. riu por isso, passando o braço pelos ombros de .
- Olha, você pode até não ter conseguido a garota, mas fizemos uma boa ação com isso. – apontou ara . – Demos um empurrãozinho em um casal apaixonado.
- Não tem nada de paixão. Calem a boca. – retrucou.
- Ah, não. Imagina! – o respondeu, rindo junto co por caçoá-lo.
- Vão cuidar das garotas de vocês, vão. Vocês ainda precisam ensaiar muito pra ter toda essa desenvoltura. – falou, seguindo sozinho até os corredores enquanto o imitava com voz afeminada.
ergueu o dedo do meio sobre a cabeça e abriu a boca para xingá-lo, mas se calou ao ver ao longe entrando na sua sala.
- Vão ter outras chances. Relaxa. – falou após seguir seu olhar, dando os desnecessários dois tapinhas nas suas costas antes de seguir atrás de . – Você sabe onde enfiar esse dedo! – gritou para o amigo, mas , alheio a brincadeira, suspirou.
“Outras chances”. Tinha passado o dia inteiro atrás de “outra chance”.

🏫 🎒 📝


andava distraído, batendo no chão a bola de basquete que levava para o jogo marcado com os amigos, na quadra do bairro. Não tinha a mínima vontade de comparecer ao jogo, ou participar de qualquer atividade social, mas havia sido coagido a isso. A verdade era que estava deprimido demais para sair de casa e sabia que esse era o principal motivo para que os amigos tivessem marcado aquele jogo.
Com o pensamento longe, parou no farol vermelho mesmo que não houvesse qualquer carro na rua, mas esse não foi o real motivo para não ter atravessado mesmo depois de olhar para os dois lados e conferir que era seguro.
estava logo a frente, ainda vestindo o uniforme escolar apesar do horário, como se não tivesse tido tempo ainda de trocá-lo. Ela tinha um headphone vermelho na cabeça, com orelhas de gatinho, e cantarolava a melodia de uma música que ele desconhecia. Não era uma música animada, muito pelo contrário, mas era adorável vê-la daquela forma ainda assim, andando tão distraída quanto ele andava, mas sobre um muro baixo com cerca de um metro de altura.
estava apaixonado pela garota há tanto tempo que jamais poderia dizer quando havia começado, mas tão rápido quanto a imagem dela ali aqueceu seu coração e o fez sorrir, também o afundou simplesmente porque, independente do que fazia, não conseguia tê-la. Por que sabia que ela sentia algo, mas não conseguia fazer com se rendesse a isso.
Passou os últimos dias tentando encontrá-la, buscando uma brecha para estar a sós com ela, mas ali, ao finalmente encontrá-la, perdeu a coragem. Mas não tinha nenhuma relação com o medo que sentia antes de se aproximar, era muito mais relacionado a desistência depois de tantas recusas. Ao fato dela não estar acessível, não lhe dar abertura para conversa, mesmo quando ele achava que tinha conseguido algo. Chateado, suspirou e segurou a bola em suas mãos com mais força, dando um passo para trás antes de tomar coragem para se virar e ir embora, mas antes que o fizesse, a viu se desequilibrar do muro onde estava andando.
sequer precisou pensar sobre o que fazia antes de deixar a bola de lado e correr até ela, por muito pouco não chegando tarde demais. ainda tentou se equilibrar, abrindo os braços, mas não teve jeito. Soltou um gritinho pelo susto, mas antes que caísse a amparou. Foi o suficiente para que ela não se machucasse, mas não para evitar que caísse e ambos terminaram no chão, com sentada de lado entre as pernas dele, uma das mãos em seus ombros e a outra pausada em seu peito enquanto ele a segurava pela cintura.
A primeira reação dela sempre que acabavam próximos, era a de fugir. Todas as vezes, mesmo que tivessem sido poucas, foram daquela forma, mas não dessa. não sabia dizer se era o resquício da tensão iniciada no final de semana, ou a proximidade muito maior dessa vez, mas ela não fugiu e se viu novamente preso em cada mínimo detalhe acerca dela. Seu perfume inebriante, sua respiração tão perto, seu toque, que parecia queimar a pele dele onde tocava e seu olhar sobre o dele, tão tomado pelo momento quanto ele mesmo se sentia.
E todo aquele turbilhão de emoções foi o suficiente para que ele soubesse que desistir dela seria algo humanamente impossível. Ele não podia desistir, não de novo. Não depois de conhecer na pele as consequencias daquela atitude. Já tinha desistido antes e se arrependia de cada segundo disso. Todos os dias, sempre que a via passar no colégio, sempre que trocavam respostas irônicas. Não podia deixá-la ir, especialmente agora que sabia que seu sentimento era correspondido. Não podia.
- Eu não te encontrei mais. - ele falou, limitando-se a um sorriso triste. Levou uma das duas mãos em sua cintura, para seu rosto e a viu fechar os olhos com o gesto. - Eu tentei, mas não te encontrei mais.
- Eu precisava de um tempo. - ela respondeu. - Pedi a que passasse o recado.
- Quis matar a todas as vezes que passou o recado. - respondeu, e sorriu ao vê-la fazer isso antes de abrir novamente os olhos.
- É difícil pra mim, . - foi sincera e soltou um suspiro ao final da frase. Não precisou que ela dissesse mais nada além disso para que ele entendesse que, finalmente, ela estava dando uma chance para que pudessem conversar. - Gostar de você, é difícil.
- Por quê? - perguntou, o mais suavemente que pôde apesar da adrenalina em suas veias, da euforia dominando sua mente. - Não tem que ser difícil, .
- Mas é. - ela sorriu melancólica, abaixando o olhar em seguida para evitar encará-lo. - Meu irmão se foi muito jovem, meu pai foi embora e meu melhor amigo se mudou, sem se despedir de mim. - falou, deixando completamente boquiaberto. Ele sabia do irmão, mas seu pai… Jamais imaginaria e se sentiu totalmente culpado por ter feito o que havia feito. Por ter sido mais um dos que a deixaram de lado.
- … Me descul…
- Você não tem que se desculpar. - ela falou, ainda evitando seu olhar. Fechou a mão em seu peito, contra o tecido da camiseta que ele usava e levou sua mão até a dela em sinal de apoio. - Eu já disse, termos nos afastado não foi culpa sua, mas… É difícil. - completou apenas, mas dessa vez ele entendeu. Agora ele pelo menos era capaz de entender e não vacilou ao puxá-la para um abraço, fazendo com que escondesse o rosto em seu peito. Ela suspirou ali, e relaxou em seus braços, como se estivesse esperando por aquilo há muito tempo. Tudo bem se estivesse, ele também estava e enquanto sentia o corpo dela junto ao seu, escondeu o rosto em seus cabelos, aproveitando cada segundo daquele toque tão precioso enquanto durasse.
- Me dá uma chance, . - ele pediu, a segurando com mais firmeza contra seu corpo. - Me dá uma chance de fazer tudo certo, uma chance de te provar que eu estou aqui e vou continuar aqui por você. E eu não me importo se escolher fazer isso como amigos, eu não me importo com mais nada se você me der uma chance de consertar o passado. Ter você na minha vida novamente é tudo o que eu quero, mas preciso que você me aceite de volta. Me aceita de volta. - ele pediu, e ela se agarrou com mais força em sua camisa.
- … - ela sussurrou seu nome antes de se afastar minimamente, deixando seus rostos à centímetros um do outro.
- Por favor. - ele pediu, segurando em sua cintura com mais firmeza e foi nesse instante que ela fez o que ele, possivelmente, menos esperava. Ao contrário de tudo o que tinha dito, tomou a iniciativa e simplesmente colou seus lábios aos dele, puxando-o para mais perto pela camisa.
Surpreso, soltou uma pequena exclamação contra seus lábios, mas levou menos de meio segundo para segurar em seus cabelos, imiscuindo os dedos nos fios ao segurá-los, mantendo-a próxima de si enquanto finalmente tinha o incentivo necessário para aprofundar o beijo.
Em uma sincronia perfeita, ambos entreabriram os lábios e permitiram que um explorasse o outro, que sentissem um ao outro. provou o gosto dela contra sua boca e teve certeza de que a qualquer momento seu coração pularia para fora do peito batendo tão rápido quanto batia, inquieto e totalmente eufórico.
Imaginou aquele momento tantas vezes, mas nunca, jamais, chegaria próximo do que era de verdade. Aquela agitação crescendo na boca do estômago, seus lábios movendo-se lentamente contra o dele, como se pudesse prorrogar o momento dessa forma. O jeito como o segurava mais perto, como a língua dela se movia junto com a dele. Era demais para que sua mente pudesse simplesmente projetar por conta sem de fato sentir.
E ele sabia que não ia querer outro beijo além daquele tão cedo. Que dificilmente teria outro tão bom quando aquele e só permitiu que o beijo fosse rompido quando não tinha mais qualquer vestígio de oxigênio em seu peito.
- Caramba, eu sou louco por você. - admitiu sem pensar e ela acabou rindo ainda sem se afastar. As testas coladas uma na outra. - Não tem nenhuma chance de eu te deixar em paz depois disso.
- Eu não quero que deixe. - ela respondeu, respirando fundo. - Não… não quero que deixe, . - essa sempre foi a questão, gostar de você quando tenho tanto receio…
- Podemos fazer isso aos poucos. - tentou dizer em incentivo. - Eu não vou a lugar nenhum.
- Eu acho realmente bom que não vá, .
Ele riu.
- Depois disso não é possível sequer cogitar a idéia. - respondeu e apesar de rir, ela o estapeou fraco.
- Sou mais do que alguns beijos!
- Com certeza é. - ele respondeu, lançando a ela o sorriso perfeito que a fez rir também, antes de suspirar. E ele sabia que era um suspiro de incerteza, como se perguntasse se estava mesmo fazendo o certo, mas ele optou por ignorar. Mas não porque não ligava e sim porque estava disposto a provar que dariam certo, que podiam fazer isso.
Tinha experimentado o tempo longe dela e se tinha uma certeza na vida, era que aquilo não dava certo. Os dois, longe um do outro, não davam certo e, sem pensar duas vezes, simplesmente a beijou outra vez.
Ainda estavam sentados no chão, no meio da calçada, mas ele não ligava. Finalmente tinha nos braços a garota por quem sempre tinha sido apaixonado, antes mesmo de saber que estava apaixonado e o lugar era a última coisa com a qual estava preocupado.
Tinha conseguido a garota, afinal.


Fim.



Nota da autora: Aaaaaaah essa fic, esse MV, esse grupo. <3 Vocês já devem ter notado que eu me afundei em kpop, né? Pois hé, me afundei. E SVT é minha recente descoberta que já virou um vício sem igual.
Vernon <3
Enfim, ignorando meu ataque fãgirl, espero que tenham gostado da fic, porque ela é meu novo xodó. Haha
Me digam o que acharam, pls!
Xx
Mayh.



Outras Fanfics:
Longfics
» Lucky One [One Direction/Em Andamento]
» Cheap Thrills [Restritas (Outros)/Em Andamento]
» Fabulous [Restritas (One Direction)/Em Andamento]
» When Your Nighmares Come True [McFly/Sendo Reescrita]
» Flashbacks de Verão [Originais/Finalizada]
» Phoenix [Restritas (Outros)/Finalizada]

Especiais
» 01. Black Magic [Little Mix - Ficstape/Finalizada]
» 02. DNA [BTS - Ficstape/Finalizada]
» 02. Complicated [Avril Lavigne - Ficstape/Finalizada]
» 03. It's You [Zayn - Ficstape/Finalizada]
» 03. My Hair [The Maine - Ficstape/Finalizada]
» 04. Raining Spell For Love [Super Junior - Ficstape/Finalizada]
» 04. Two Ghosts [Harry Styles - Ficstape/Finalizada]
» 05. You Gotta Not [Little Mix - Ficstape/Finalizada
» 06. Heart Attack [One Direction - Ficstape/Finalizada]
» 07. Reflection [BTS - Ficstape/Finalizada]
» 06. Skit: Billboard Music Awards Speech [BTS - Ficstape/Finalizada
» 06. This Is Love [Super Junior - Ficstape/Finalizada]
» 06. Shades On [The Vamps - Ficstape/Finalizada]
» 03. Somebody To You [The Vamps - Ficstape/Finalizada]
» 08. Yeah, I Said It [Rihanna - Ficstape/Finalizada]
» 08. OMG! [Little Mix - Ficstape/Finalizada]
» 09. Honest [Shawn Mendes - Ficstape/Finalizada]
» 09. Secret [Maroon 5 - Ficstape/Finalizada]
» 10. Crazy [Shawn Mendes - Ficstape/Finalizada]
» 12. They Don't Know About Us [One Direction - Ficstape/Finalizada]
» 12. Too Much to Ask [One Direction - Ficstape/Finalizada]
» 12. She Was The One [The Vamps - Ficstape/Finalizada]
» 14. Lovestruck [The Vamps - Ficstape/Finalizada]
» 15. Smile [The Vamps - Ficstape/Finalizada]
» 17. Like I Would [One Direction - Ficstape/Finalizada]
» Mixtape: Don't Cry [Mixtape: Classic Rock/Finalizada]
» Mixtape: Na Sua Estante [Mixtape: Brasil 2000/Finalizada]
» Mixtape: Cartas Pra Você [Mixtape: Brasil 2000/Finalizada]

Shortfics
» Survive The Halloween [Originais/Finalizada]
» Boy [One Direction/Finalizada]
» By Our Hearts [Super Junior/Finalizada]
» Shout About It [The Vamps/Finalizada
» My Dirty Secrets [Restritas (One Direction)/Finalizada
» Father's Little Girl... or not [Restritas (One Direction)/Finalizada


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus