História por Mariana
Revisão por: Natýh Vilanova (até o capítulo 02) e Gabriella
Prólogo.
Vê-la tão frágil e desfalecida, seu rosto pálido e cansado pelos dias seguidos de dor. Minha família esteve ao seu lado há todo momento, esperando pelo fim da transformação que não chegava. Sentir sua dor era terrível para mim, levando-me ao meu momento de transformação, pois você fica sozinho. Mesmo tendo todo o amparo que dávamos, Bella, sua irmã e minha cunhada, não saia de perto dela. ficou em silêncio por um momento e suspirou longa e profundamente. Tinha uma leveza dela para mim, não era confortável, era fria. Um calafrio subia dos meus pés até a espinha.
- Jasper? Onde você está? - Disse com uma voz rouca. tentou se levantar, mas Bella a segurou.
- Bel... Eu quero ficar em pé, não estou sentindo mais dor, eu estou bem, mas acho que o veneno não fez efeito... - ela riu de suas próprias palavras.
havia sido mordida por aquele que a perseguiu durante toda sua vida, aquele que destruiu a minha, que nem mesmo com a morte iria satisfazer meu desejo de vingança. Nem Maria, com seu ciúme repentino, e a loucura de dizer que já sabia quem ela era e desejasse matá-la, supriria o que sinto agora, pois eu sei o que está acontecendo, eu que criei e matei tantos...
- Jasper? - me chamou de novo. Fui para seu lado calmamente e peguei em suas mãos, onde tinha nossa aliança de casamento na mão esquerda. E em seu pescoço o brasão de nossa família e meu diamante de noivado, presentes este que ela relutantemente aceitou, por achar caro demais.
- Estou aqui, . Estou aqui, vai acabar logo.
- Oh não, querido... Isso é só o começo... - mais uma vez com suas frases sem significado. - Só o começo.
Ela tossiu um pouco, o que trouxe de volta o meu pânico, estava próximo, eu sabia. Tinha que haver um jeito, talvez se houvesse mais veneno... Seu corpo estava curado a não ser pela mordida infectada até agora em seu pescoço, que formava um grande hematoma do pescoço ao ombro esquerdo.
- Eu queria ficar perto de você... - tentou se levantar e eu a puxei devagar, apoiando suas costas em meu tronco, e de costas para a cabeceira da cama eu a acolhi nos braços.
- Assim está melhor... - ela disse e notei um leve sorriso na sua voz. - Ah, querido. Parece que a viagem vai ser longa, não é?
- Não, querida. Vai acabar logo... - disse, fechando meus olhos dolorosamente, notando o fim inevitável.
- Ei! Não fique assim, Jasper. Eu já disse, eu volto por você, saiba disso. Sempre, para sempre.
- Eu sei, meu amor. Você volta por mim. - disse, não acreditando nas minhas palavras.
- Está mentindo para mim... - mais uma vez, misteriosamente, ela sabe. - Eu sei que é difícil, Jasper. E que agora não é o momento. Não será hoje, que ficarei com você para sempre. Mas ficarei.
- Você ficará, sim. - senti um bolo seco e venenoso se formar na minha garganta.
- Sim, mas hoje não, eu acho que vou viajar. O que você acha de me levar ao Texas? - desde que voltou a falar, diz coisas sem sentido, como viajar para qualquer lugar.
- Sim... Para onde quiser. - meus olhos arderam, sem escorrer nenhuma lágrima.
respirou com dificuldade mais uma vez, seu corpo estava tão frágil, o coração saltando descompassado, e seus pulmões ruidosos faziam o velho trabalho de respirar. Senti suas mãos apertarem as minhas, para segurar a dor que ela ainda sentia, mas mentia para nós, não querendo nos fazer sofrer. Mas podia senti-la como se fosse em mim.
- Eu te amo, Jasper. Tanto, que chega a doer. Eu o amo desde que o vi naquele dia...
- Na escola? Eu também...
- Não! - me interrompeu. - Seu bobo! - ela riu roucamente.
Ela ria, e depois passou sua mão no meu rosto. Segurei-a sentindo seu calor.
- Nos meus sonhos, e depois aqui... E depois... - ela esforçou-se a respirar, o ar começava a faltar nos seus pulmões.
- Shhh... Calma, não fale tanto...
- Vi você em sua casa de verão com a família! Cuidando de seu pai, que estava um pouco doente e mal-humorado, e depois...
- , por favor... Apenas descanse, querida.
- Está bem... Querido. - disse ela fazendo manha.
- Meu Jasper... Espere por mim... Eu volto para você... E por , nosso menino! Acredita? Ele será forte igual você e... - voltou a respirar e tremer, as tosses em busca de ar aumentaram e ela se agarrou em mim, que apertei-a nos braços. se enroscou no meu pescoço, dando-me beijos no rosto até se sentir cansada para fazer isso.
- Shh, não quero você triste, Jasper. Não. - senti suas lágrimas tocarem meu rosto frio. - Não quero. Prometa, por mim... Não vai demorar... Você vai ver.
Ela voltou a respirar normalmente, e sua paz voltou a preencher meu peito, tomando conta de toda a angústia que eu sentia.
- ... ... ... - repetia seu nome.
- Jasper, prometa, por mim e por sua família. Prometa, amor. Meu eterno amor...
- Prometo. Disse, e vi-a sorrir.
- Eu vou te cobrar depois, eu te amo. - ela sussurrou.
- Eu a amo sempre. Para todo o sempre. - declarei entregando tudo nestas palavras.
voltou o rosto para mim e me deu um beijo demorado, e depois se encolheu no meu peito.
- Eu volto por você... Só por você.
Sua voz e seu coração eram tudo o que eu ouvia. A melodia do seu sangue escasso correndo numa sinfonia fraca. Seu ar esquentando minha camisa. Sua mão esquentando de leve minhas costas, e minha mão esquerda juntando nossas alianças.
Então de repente o silêncio invadiu nosso momento, o sangue não cantava mais, seu coração lentamente cessou seu trabalho, e sua mão se afrouxou na minha. E o som parecido de folhas ao vento e sendo amassadas ruidosamente começou a surgir de seu interior, seu corpo ficando rígido e frágil, o veneno fazendo o trabalho de destruir lhe o que era fraco. O brilho de sua pele se esvanecia, e estava partindo. A tez se tornando cinza, eu sentia cada ligação de seu corpo se romper em estalos finos. Fechei meus olhos, não queria ver. O som já me torturava, as sensações emanadas por cada membro de minha família faziam doer mais o que se seguia em meus braços, o meu amor estava se desfazendo, e não havia mais nada a ser feito.
O som de areia movendo-se, o peso dela desaparecendo, eu abri meus olhos desejando que nada disso fosse real, e estava olhando para o que restara de . Seu corpo agora estava esculpido em areia, o pó da mulher que eu amei. Tentei aninhá-la uma última vez mais perto de meu peito, querendo ouvir seu coração mais uma vez. Mas ela se fora, o som de areia denunciava sua partida e um leve ruído surgiu dela meio agudo, um leve calor começava a surgir, uma luz branca como pequenas fagulhas azulando-se a medida que aumentava, e então morriam numa luz vermelha e escarlate de um fogo inimaginável. “Você morre para viver novamente, e novamente morre para renascer... Foi assim e assim será, minha cara. É nossa única chance de concertar o destino, mas não se pode mudá-lo”
A voz dele surgia em minha mente. Aquele louco e assassino, aquele que a feriu. Nem Maria fora capaz, mas ele conseguiu, e sua morte não me seria suficiente.
- Não vá, ... Não vá...
Desespero, pena, tristeza, confusão, negação. Era tudo o que rodava ao meu redor. Ninguém se movia. Carlisle era o pior deles, nosso patriarca, meu pai e mestre. Estava desolado e sentia-se culpado por não tê-la salvo.
- Jasper, eu...
- Não diga nada, você fez o possível para salvá-la, eu não o culpo. Nenhum de vocês, mas quero que me deixem a sós. Preciso ficar só.
- Papai... - a voz que eu não queria ouvir no momento soou da porta. - Onde está mamãe?
Olhei-o sem poder responder. Esme pegou-o no colo, um menino do tamanho de três anos. Crescia como Nessie, mas mais devagar, não sabíamos o porquê. Mas se alimentava de comida, como a prima, e de sangue, como nós.
- Ela foi passear, vovó Esme?
- Sim! - ela respondeu a primeira coisa em sua cabeça, tirando a atenção dele do quarto.
- Ah! Então ela já volta, não é? Não é tio Me-Eemmett? - disse sorrindo. Por incrível que pareça, ele não conseguia pronunciar o nome de Emmett direito, como se nada estivesse acontecendo.
- É, campeão. Ela já... Volta. - disse meu irmão mais querido pelos sobrinhos.
- Vovó, eu tô com fome...
- Eu vou fazer um lanchinho para você, o que acha?
- Hummm! Até mais, pai. A gente espera a mamãe juntos, né? Você faz chocolate quente, vovó?
Fechei meus olhos, desejando apenas a solidão. Eles começaram a entender, e saíram um a um.
- Eu prometi por você, . Mas não sei se consigo, meu amor. Meu amor, volte... De onde estiver, volte...
Estas palavras não faziam sentido, não mais... não voltaria. “A morte é o início... A vida o meio e o destino, o fim.” E sua risada ecoava no momento em que ele morrera queimando, olhando arder em seu veneno, em meio a luz do fogo que o consumia, seus olhos loucos e com o conhecimento do passado de , sua família e ancestrais que ele também matou, que eu jamais teria.
Ela morrera.
Capítulo 1
Bella PDV.
Estava na cozinha, fazendo meu dever de casa que deixei atrasado e revisando matérias que teria provas, até tarde. E isso não era bem verdade. Estava com dor de cabeça de tanto pensar no comportamento bizarro e elegante de Edward Cullen hoje na escola, e desisti de fazer qualquer coisa.
Saí e comecei a subir as escadas, determinada a dormir, quando ele me chamou.
- Bella, volte aqui. Nós precisamos ter uma conversa.
Estranhei seu tom, mas prossegui, voltando para a sala. Charlie estava muito esquisito ultimamente, e quando tentei falar para saber o que estava acontecendo, ele foi evasivo. Fiquei de frente para ele.
- E então? O assunto é sério? - disse.
- Sim, muito sério. Por favor, sente-se, Bell's.
Senti um frio na minha barriga, pensando que ele pudesse dizer que eu deveria voltar a viver com Renee, ou qualquer outra coisa. Charlie estava com o rosto vermelho e suando, suas mãos tremiam.
- Quando sua mãe e eu nos separamos, bem, você... Erm...
- Pai, seja o que for que tenha acontecido, isso é passado...
- Não, querida. Eu preciso falar, por favor! É importante. - ele disse um pouco alterado e com a voz trêmula.
- Está bem, continue. - eu disse.
- Bem, depois que foram embora, eu fiquei triste, entende? Mal, depressivo.
- Sim, deve ter sido difícil. - incentivei-o a continuar.
- E eu... Entenda, isso é difícil de falar mais do que imagina, Bell's. Não quero que me odeie, pois o que vou dizer é grave. Talvez você não aceite e me odeie, mas não posso fazer muita coisa, não há outro meio ou saída. É uma mudança drástica para todos nós. Bem, então. - Charlie suspirou fundo. - Numa noite, enquanto jantava uma pizza, conheci uma pessoa. - Todas as noites eram pizzas, eu imagino. - Numa das vezes que veio passar férias aqui, você atendeu o telefone. Era uma mulher, lembra?
- Uhum. - disse para fazê-lo continuar,embora nem tivesse noção - Sim, eu acho que sim. Mas o que um telefonema tem a ver, Charlie?
- Você o atendeu, Bell's. E era uma mulher. Se lembra de alguma coisa?
- Pai, eu não sei. Talvez se fosse direto ao assunto, eu poderia...
Charlie passou a mão no rosto, puxando os cabelos nervosamente para trás e voltou a me olhar.
- Bella, esta mulher e eu tivemos um caso... Quando sua mãe e eu acabamos de nos separar. - disse ele completamente sem jeito. - Nós tivemos um envolvimento.
- Erm... Você é adulto, pai. Eu entendo.
- Ela trabalhava como garçonete nessa pizzaria. Ela não era daqui.
- Daqui como? - perguntei.
- Ela veio de outro país. Na América Latina. Brasil, conhece?
- Sim, pai. Eu sei onde fica.
- Bem, eu e ela ficamos juntos algumas vezes, sabe? - Charlie falava com as mãos, para ver se me ajudava a entender.
- Entendi, pai. E o que aconteceu?
- Depois, ela sumiu por alguns meses. Ninguém sabia onde ela estava, tudo o que disseram é que ela havia se mudado para Seattle. Não tive notícias dela por três meses!
- Ok, e depois destes três meses?
- Não tive noticias dela, nunca mais. Até o início deste ano.
- E o que ela queria? - disse, tentando entender onde ele queria chegar.
- Bem, ela mandou uma carta, na verdade. Dizendo o que lhe havia acontecido e o motivo de sua partida, pedindo perdão... E que ela estava doente, muito doente...
- Ela veio te pedir ajuda? Foi isso? - falei tentando entender onde ele queria chegar.
- Não. - Charlie olhou para o nada por um bom tempo, e deixei que ele mesmo voltasse a falar.
- Sandra, era o nome dela. Ela disse que... Que eu... Eu tenho uma filha com ela.
O choque que Charlie deve ter sentido ao saber disso não foi nada comparado ao meu. Afinal, minha vida toda, eu soube que era filha única! E agora eu simplesmente tenho...
- Uma irmã... De outro lugar.
Disse, sem ter resposta dele, além dele continuar a história.
- E tem mais. Eu mandei meu DNA, antes que você viesse para cá, entende? Para tirar a dúvida de uma vez por todas, antes de qualquer coisa, e antes que você pergunte ou suspeite, deu positivo...
- Uma irmã...
- Bell's, ela está vindo para cá...
Virei para ele, meu coração aos pulos... Que tipo de noticia era esta?
- Como? Mãe e filha? - falei piscando várias vezes.
- Ela vem morar conosco... A mãe dela faleceu há alguns meses, e ela não têm mais parentes além de mim. O governo, a embaixada, essas coisas, já estão preparando tudo. Já sabem que eu sou o... Pai.
- Como soube disso? - perguntei, ouvindo um zunir irritante do meu sangue correndo.
- Bem, existem todos os trâmites sobre eu assumir a paternidade, e mais um monte de burocracias... Enfim, Bella. Como foi comprovado que eu era o pai, eu assumi... Não há mais o que fazer, entende? Se quiser me odiar, pode odiar, mas peço que não faça nada para a menina. Ela não tem culpa de nada, assim como você. Sei que é difícil saber disso agora, e que será de se acostumar também, e eu entenderei se quiser ir embora. - Charlie repetia abalado.
- Por que ela vem para cá?! -gritei. - Por que uma garota de outro lugar simplesmente viria para cá?
- Bella, eu sou o pai dela! Ela não tem mais nenhum lugar!
- Agora você é o pai? Agora! - gritei confusa e irritada.
- Eu não sabia dela até agora! Querida, eu não sabia! Não há o que fazer.
Levantei do sofá frustrada e chateada por não saber disso, na verdade, por saber disso simplesmente depois de semanas que eu cheguei. Nos primeiros dias de aula, a atenção que eu teria por simplesmente surgir uma irmã, do nada. Eu resolvi sair de casa para espairecer, entrei no meu carro e saí dirigindo. Não sabia para onde ia, mas eu queria apenas sair de lá. Não muito tempo depois, visualizei o farol do Volvo de Edward, piscando as luzes para eu encostar. O que ele queria?
PDV.
Sair de um lugar que você sempre conheceu, perder quem era sua única amiga a vida toda, sua família, e saber que você tem outra pessoa que dizem ser seu pai, que você nunca viu, e descobrir que tem uma irmã, era como ser jogada ao centro de um furacão sem fim. Era isso que minha vida estava, um furacão. Como mamãe foi embora, eu não me lembro. Só o que lembro é de acordar no hospital, com enfermeiros e médicos a minha volta, e depois é claro, saber de sua morte, piorou as coisas, e mais massacrante ainda, eram policiais me fazendo perguntas estranhas, e logo depois ser obrigada a passar por uma avaliação com psiquiatras. As horas cansativas do voo, as horas que passei revendo cada minuto destes meses intermináveis e desconhecidos, não eram nada em comparação ao que eu teria que passar agora. Dei um sorriso mecânico para a aeromoça ao sair do Boeing.
Eu via as pessoas a minha volta, todas desconhecidas. Meu corpo doía, estava e não estava com sono, tinha fome e estava sem apetite, e frio. Mesmo ainda dentro do aeroporto, podia sentir o clima que vinha de fora, enquanto caminhava para a saída. Charlie, este era o nome do meu pai, pelo pouco que conseguimos falar ao telefone, era xerife de uma cidade chamada Forks, e que por sinal, ele disse que era fria e chuvosa. Quando saí, vi os outros passageiros encontrando seus entes queridos, já eu, começava a procurar um desconhecido. Mas não foi difícil, Charlie estava com seu uniforme, e estava nervoso, olhando para todas as garotas que saíam. Lentamente, fui à sua direção, e notei que ele tinha uma folha mão, que supostamente tinha certeza que tinha meu nome estava escrito, mas que ele tinha vergonha demais de levantá-la. Isso era bom, ele aparentava ser discreto e tímido. Parei diante dele, olhando-o, esperando que ele me notasse, quando viu que eu me aproximava, ele mediu-me de cima a baixo, olhando meu rosto, minhas roupas, e novamente meu rosto. Respirei fundo.
- , certo? - ele disse.
- Olá, Charlie. - disse com minha garganta seca. Sua expressão suavizou quando me ouviu falar inglês.
- Fala inglês, então? - disse, parecendo aliviado.
Minhas bochechas queimaram. Afinal, era normal ele pensar que sua nova filha não pudesse falar sua língua, já que vim do Brasil. Agora entendia o porquê mamãe sempre insistiu com aulas de línguas, e apesar de não gostar muito às vezes, ela dizia que eu iria usar um dia. E acho que este dia chegou e para sempre.
- Sim, sempre aprendi. - disse. Estava um pouco ruim de me acostumar a falar e pensar em outro idioma, e com certeza ainda tinha um sotaque bem acentuado, mas se ele me entendia, então estava me saindo bem.
- Isso é bom. Bem, seja bem vinda, .
- Obrigado. - disse arrumando a mala no braço.
- Deixe-me ajudar com isso. - disse pegando minhas bagagens.
- Está bem. - concordei sem graça e nos dirigimos para fora em direção ao carro, que era uma viatura de polícia, além de tudo. A viagem de início foi silenciosa, e depois de Charlie muito pigarrear, ele resolveu puxar uma conversa.
- Bem, . Eu já fiz sua matrícula para o ano letivo daqui. Sei que já fez provas para ver como estava seu desenvolvimento, só que infelizmente você terá que voltar um ano.
- Sim. Isso não tem problema, eu até acho que estava avançada demais.
- Sim, eu entendo. Bem, você pelo menos ficará com Bella, no segundo ano.
Ah, já entendi onde ele queria chegar.
- Entendo. Bella é a sua primeira filha, não? Ela já soube sobre mim, certo?
Tive que perguntar, mais por receio de saber que além de ser indesejada, teria que ser uma irmã surpresa!
- Bella, sim! Ela está esperando para te conhecer...
- Ela está brava? - queria tentar saber um pouco mais sobre minha irmã mais velha.
- Não, de forma alguma. Ela está surpresa, assim como todos nós, mas não brava.
- Claro, realmente, eu não podia imaginar uma reviravolta tão grande na minha vida. - disse deixando a frase no ar, porque nem ele e nem eu gostaríamos de terminar.
A paisagem me lembrava duma mata atlântica numa chuva e frio eternos. As casas aos poucos fizeram presença ao quadro, eram pequenas, nada extravagantes e todas de mesmo modelo, com um ou dois carros na frente. E paramos em uma delas, de cor branco gelo, uma picape laranja desbotado estava parada na frente e um carro de luxo estava um pouco mais a frente na calçada, para dar espaço em frente à casa. Acho que minha nova irmã estava em casa e com companhia, eu não queria conhecê-la agora.
- Quer pegar as malas agora? - Charlie disse saindo do carro.
- Sim, assim não precisamos voltar. - ele foi abrir o porta-malas, comecei a pegar a de mão e ele pegou a de rodinhas, que era mais pesada.
- Olá, Edward! Não sabia que estava aqui. - ele disse. E quando falou, eu senti um frio na barriga. Mais um para enfrentar, Deus podia ser um pouco mais bonzinho de vez em quando.
- Sim, Chefe Swan. Mas estou de saída.
- Daqui a pouco. - ouvi alguém dizer. Uma menina, para ser mais exata, minha irmã. Virei-me lentamente, agarrando a bolsa como se fosse a única coisa do mundo que poderia me proteger. Enfim, eu tinha que enfrentar, que fosse logo de uma vez.
Charlie olhou para trás e gentilmente pôs a mão em minhas costas, para me pôr mais a frente. Eu queria ser a última a ser apresentada, mas eles já se conheciam.
- Bella, Edward, esta é .
Sorri o melhor que pude, e estendi a minha mão primeiro, por incrível que pareça, ao garoto, que era por falta de definição melhor, bonito, suas roupas de grifes conhecidíssimas, e o cabelo castanho avermelhado, quase cor do cobre. Ele era um pouco pálido, mas nada que fosse doente, e tinha um sorriso no rosto.
- Olá, . Muito prazer, me chamo Edward Cullen.
Assim que peguei em sua mão, senti o frio de sua pele. O aperto de mãos foi leve, normal, e confesso que foi um erro inocente. Como se por um clique, uma voz interior falava-me que eu e ele seríamos irmãos e muito amigos. Senti-me confiante no início, como se o conhecesse de muito tempo atrás, na verdade, até mais. Não gostava de ter essas intuições, mas tratei de silenciá-las.
- Oi! - disse em português, esquecendo-me onde estava. - Olá, Edward. Sou , muito prazer em conhecê-lo também.
Ele ficou sério por um instante, e sorriu, então depois de soltar sua mão, era hora da prova de fogo, Bella.
Ela estava de cabeça baixa e com as mãos nos bolsos, sem dizer nada, sem estender as mãos. Ok,quem estava invadindo era eu. Que invadisse mais um pouco.
- Olá. Bella, certo? Sou , muito prazer em te conhecer.
Ela não pareceu me notar tanto, ela me olhou por um instante, e se ligou que eu estava com a mão parada, e estendeu sua mão.
- Oi, . - apertamos nossas mãos rapidamente - Seja bem-vinda.
- Obrigada.
- Bem, o que acham de entrarmos? - Charlie disse.
Então lá fomos nós, entrar na casa. Ela era simples, uma casa até que aconchegante. Tinha fotos de Bella pequena e uma mulher que parecia ser sua mãe, quadros de paisagens e outras coisas.
- Bem, . Vou lhe mostrar o seu quarto. - Charlie disse.
Subimos as escadas e eu vi um quarto com uma cama com colchas roxas, e decoração um pouco antiga, um banheiro no fim do corredor pequeno que parecia ser o único. E o quarto do lado oposto, que tinha poucos móveis, na verdade, uma cama de casal, um guarda-roupa e uma cômoda com um espelho embutido. Tudo simples e limpo, notei que na casa havia apenas estes dois quartos, o que significava que eu tirei Charlie do quarto dele. Ele e eu colocamos as malas no pé da cama, e observei o local. A cama estava em bom estado e as roupas de cama foram trocadas recentemente porque cheiravam a novas, eram todas brancas com detalhes de bordado de flores pretas, os travesseiros do mesmo detalhe.
Charlie e Bella me deixaram sozinha para que eu me acostumasse com o ambiente, e então depois, me chamariam para o jantar. Puxei minha bolsa que estava em cima da cama, e comecei a tirar alguns objetos, dentre eles meu caderno de desenho, ignorando as pastas de desenhos feitos onde eu não queria ver imagens que me assustavam e me deixavam triste e saudosa.
Bella me chamou enquanto eu desenhava animadamente seu colega Edward. Seus olhos me inspiraram. Fazia os olhos com cor mais forte de ouro, mas aos poucos vi que deveria dar um rosto a ele e comecei a traçá-lo, o rosto era quadrado e com traços delicados, sua feição era séria, triste também, e os lábios eu pintei de um rosa antigo. Fiquei admirando por um bom tempo, até Bella me chamar para jantar.
O jantar foi em silêncio a maior parte do tempo, até eu resolver elogiar a comida de Bella. Quando terminamos, Charlie foi assistir TV e eu fiquei na cozinha enquanto minha irmã lavava a louça. Fiquei um pouco incomodada com isso, sentia que estava invadindo o espaço deles. Queria muito voltar para casa, mesmo que tivesse que viver sozinha, embora eu ainda não pudesse fazer isso.
- Bella? Você quer que eu ajude? Posso secar se quiser. - disse, tentando me familiarizar com meus novos parentes.
- Não precisa, . Deve estar cansada, pode deixar que eu termino. - ela sorriu e voltou para a pia.
- Está bem, então vou subir para o meu quarto.
Saí em direção a sala, vendo Charlie assistir TV.
- Boa Noite, Charlie. Eu vou dormir.
- Boa noite, . - virei para ele quando me chamou. - No começo desta semana você vai de carona com Bella para a escola, mas no fim de semana nós vamos comprar um carro para você.
- Tem certeza? Eu posso ir de ônibus escolar, não tem problema.
- Bom, acho que seria melhor para você se adaptar, mas não será nenhum carro de luxo...
- Não, Charlie. Desde que ande, está ótimo. - disse.
- Ok, boa noite.
- Boa noite, Charlie. Boa noite, Bella. - subi de novo e comecei a desarrumar minha mala aos poucos.
Depois de muito tempo, eu dormi em cima de roupas, cobertas, desenhos e com minha roupa do corpo.
Acordei no dia seguinte, bem cedo, com a primeira luz do dia e antes de meu pai sair. Inclusive pedi que ele me deixasse ajudar no café da manhã, que para ele era um copo de leite e cereais, mas tratei de fazer umas torradas e o café. Logo ele saiu e eu fui me arrumar para a minha nova escola.
Capítulo 2
Subi para me arrumar e pegar um caderno simples para as primeiras aulas, e uma blusa, porque estava frio. Ouvi que Bella havia acordado e se arrumava, e depois desceu para tomar o café da manhã. Quando desci para esperá-la, ela já estava pronta.
- Oi, já estou pronta, se quiser ir...
- Certo, mas antes eu tenho que te dar isto, Charlie pediu que eu comprasse algumas coisas para o colégio. - Bella me deu a sacola e eu peguei e abri. Lá tinha um fichário simples de cor preta e com folhas brancas, e canetas, o básico.
- Comprei o básico, pois não sabia o seu gosto.
- Não, assim está ótimo! Nem esperava comprar agora... Obrigada, Bella.
- Então, vamos? - ela perguntou pondo a mão no bolso e afundando-a na blusa.
- Sim. - disse. Entramos no carro laranja dela, e por um longo tempo ficamos quietas, mas eu tinha que perguntar como ela se sentia.
- Bella? O pessoal sabe sobre... Eu... Sobre eu ser a sua irmã?
- Bem, sabe como é... Cidade pequena, a noticia já foi espalhada, e eles sabem sim, mas acredito que não vão falar tanto,será mais por você ser aluna nova e de outro país do que por ser minha irmã...
- Está bem, deve ser difícil saber disso tudo em tão pouco tempo, e estas mudanças, sei que é difícil para nós duas, mais para você, me desculpe por causar tudo isso, sabe...
- Não há do que se desculpar, ... Isso acontece. Vai ficar tudo bem. - Bella disse quase atropelando as palavras. Enfim eu visualizei o estacionamento da escola, e ela estacionou um pouco distante da entrada. Quando descemos senti que todos me olhavam, inclusive Bella. Algumas pessoas que eu julguei que a conheciam, vieram até nossa direção.
- Oi, Bella, como vai? - disse uma menina loira, e depois ela olhou para mim - Olá, sou Jessica! E você é?
- . .
- É um prazer conhecer a irmã misteriosa da Bella! – ela riu - Não é, gente?!
Os outros acompanharam a risada e eu e Bella ficamos quietas. Isso ia ser ótimo. Além de primeiro dia de aula, tinha que encarar isso.
- Sim,sou eu. - disse sem mais delongas.
- Bem, eu sou Ângela, estes são Mike, Tyler e Eric. - eles acenaram com a cabeça, me encarando sorridentes.
- Bem, , quer que eu vá à secretaria com você? - Bella me perguntou.
- Se quiser, não tem problema, mas é só me indicar...
- Bem, é por ali, naquela porta. - ela indicou.
- Está bem, então até mais tarde. - acenei para todos e deixei Bella por lá.
Caminhei até lá quando vi a secretária, nem falei com ela direito porque ela já sabia de mim. Ela me deu o horário, um mapa e o código do meu armário. Comecei a caminhar pelo corredor, que já estava lotado de pessoas me encarando e outras cochichando, me dando mais pânico de ser nova em algum lugar no fim do mundo. O mapa já não ajudava muito, os prédios eu havia decorado, mas as salas, por favor, né! Sei que enquanto andava eu esbarrei em alguém muito alto, que por sinal fez com que eu derrubasse tudo no chão e caísse, claro. Fiquei até dolorida, quando olhei o chão tentando apanhar minhas coisas, uma mão pálida e seguida de braços e ombros extremamente pálidos e fortes me apanharam de surpresa, incluindo o tom de voz alto e claro.
- Ei, novata, foi mal, não te vi passar. Te machuquei? - o cara tinha um sorriso contagiante no rosto, muito bonito por sinal. Era forte e de porte atlético, e o sorriso faria qualquer geleira da Antártica derreter... Sem graça com meus pensamentos, respondi depressa.
- Não, eu é que deveria te pedir desculpas, quase que derrubo você no chão... Com essa delicadeza de elefante que eu tenho... Sou capaz de destruir o prédio! – disse ativando meu “modo irônico”. Quando fico numa situação assim, ele é minha válvula de escape.
Ele soltou uma gargalhada exagerada, chamando atenção. Eu ri um pouco sem graça, pois parecia que ele ria por outra coisa, que talvez estivesse nas entrelinhas. Nem sabia mais o que eu havia falado.
- Emmett, para de rir assim. - uma menina loira, de cabelos longos e sedosos e corpo perfeito, surgiu detrás dele e enlaçou seu braço – Está tudo bem? - ela sorriu. A garota era ainda mais que perfeita, como se tivesse saído de um filme de Hollywood, como a mocinha mais linda do mundo.
- Estou bem. - terminei de pegar minhas coisas do chão. Este já tinha dona, e das poderosas! - Só preciso encontrar meu armário antes que o sinal toque.
Ela olhou o papel por cima.
- É dois armários depois do meu. - ela indicou o dela dando alguns passos para trás - Este aqui. - ela indicou o meu.
- Muito obrigada... - disse indo até ele.
- Por nada, novata. Qualquer coisa é só pedir socorro! - a menina o cutucou, como se ele tivesse feito algo errado – O quê, Rosalie?
- Vamos embora, Emm...
- Tchau! - disse aos dois - Valeu por ajudar, e me desculpe de novo. - eles acenaram.
Notei que eram pálidos, a cor dos olhos iguais ao de Edward, colega da Bella. Será que eram irmãos? Mas se fosse pensar nas semelhanças... Eles eram diferentes, só os olhos e o tom da pele eram iguais... E claro, a beleza incrível... Corri até minha sala, que era no prédio um, porque o meu armário era no prédio três. Minha primeira aula era de Geografia. O professor, muito bondoso, fez apresentar-me à sala inteira... Incluindo o país de onde vim. Imagina os comentários que saíram sobre isso... ”Você Samba?!”
Sentei na quarta carteira, na primeira fila da parede. A aula era um pouco monótona, o jeito do professor falar não ajudava muito, ele tinha uma cara de doidão, me lembrava da lebre de março, de Alice no País das Maravilhas. O bigode esquisito dele, o jeito como movia os olhos alucinadamente, tinha uns tremeliques... Ouvi alguém rir logo atrás de mim e me virei para ver quem era. Vi Edward, ele estava de cabeça baixa escrevendo alguma coisa, o professor disse algo para ele rir, ou eu disse alguma coisa em voz alta?
- Srta. ? Algum problema ou dificuldade na aula? Estou indo rápido demais na explicação? Raciocinei rápido demais? Quer que eu fale em espanhol?
Como assim raciocínio? Tá me chamando de burra? Burro é ele que não sabe que minha língua nativa é o português!
- Na verdade, professor. Kham, seria o português... - ouvi Edward dizer, ele tinha um sorriso no rosto – Não é, ? - ele disse numa pronuncia perfeita, até fiquei de boca aberta. Assenti, pois alguns alunos começaram a olhar demais para nós. O professor voltou-se para a aula, carrancudo.
Quando a aula acabou, eu não vi Edward, mas fiquei grata dele não ter vindo falar comigo.
- O professor é um mala arrogante, não ligue para ele. - uma menina de cabelos encaracolados e curtos, tingidos de loiros oxigenados, falou comigo. Ela estava na frente.
- Eu sei, não ligo para isso.
- Você é a irmã da Bella Swan, certo? - Sou Lucinda Price, Luci. - ela estendeu a mão, que aceitei de bom grado.
- , mas pode me chamar de . - Luci, minha nova colega, ou aquela que teve a bondade de ser gentil e não enxerida, caminhou comigo pelo corredor enquanto perguntava o que eu estava achando da escola, da nova cidade, novo país...
- O que está achando da escola até agora? - ela disse parando numa sala.
- Ainda normal, por enquanto...
- Bem, daqui a pouco você se acostuma, você tem aula do que agora? - ela perguntou, pegando meu horário.
- História Americana. - disse.
- É no prédio três, sala 12. Professora Crowford. Boa sorte com ela, .Te pego lá na hora do intervalo.
- Ok, espero você na porta. - fui até lá. Alguns alunos que eram amigos da Bella acenaram enquanto passei. Eu sorri de volta.
Quando vi, a sala era dividida em fileiras de carteiras duplas, mal iluminada, e a professora era magra, ossuda e tinha cabelos desgrenhados. Ela estava sentada, e eu dei meu formulário de presença para ela assinar, e ela me indicou o lugar que deveria sentar, no fundo da sala, último lugar, no canto, encurralada na janela. E mais uns três livros pesadões, para ler durante o semestre, e os alunos dela estavam no segundo. Todos que entravam comentavam alguma coisa, faziam uma careta e não me olhavam mais, eu não entendi até uma garota falar um pouco mais alto, pensando que eu estava fuçando nas minhas coisas.
- Nossa, ainda bem que ela é a última a entrar aqui e completar a sala, assim não há ninguém para trocar de lugar com ela, com o esquisitão do Cullen. Da última vez que sentei lá eu quase chorei de medo dele.
Opa! Vou sentar com o aluno mal-encarado da sala, que beleza! Show de bola! Troféu jóinha para a garota! Quando a sala estava cheia e a professora quase fechando a porta, o último aluno entrou, na verdade, o meu parceiro de História Americana. Enquanto ele passava, ninguém o olhou de frente, sempre olhavam quando ele estava de costas e sustentavam o olhar até mim. Eu fiquei pálida de início, pois eu o conhecia do esboço que havia feito noite passada! Como pude chegar tão perto?! Exceto pelos olhos, que eram de um dourado mais escuro... Ele me olhou, sua postura era completamente tensa, como se ele estivesse pisando em espinhos, cada movimento dele era contido e cuidadoso.
Quando ele chegou perto o suficiente, resolveu botar os olhos no intruso... Eu, mais especificamente. Seu queixo travou e seu rosto se inclinou levemente para baixo, os olhos ficaram sérios demais para o meu gosto. Ele sentou-se sem tirar os olhos de mim, e nem eu dele. Agora quem estava tensa e com medo era eu, que garoto era aquele? Meu coração começou a palpitar. Eu sentia alguma coisa vindo através dele... Só não sabia dizer o quê. Uma ansiedade, angústia. Os meus pensamentos repentinos sobre o desenho da noite passada faziam sentido, mas ao mesmo tempo me confundiam.
Senti-o se recostar na cadeira, com um dos braços sobre a mesa e a mão em cima do caderno aberto. O direito apoiava-se no esquerdo, que estava na mesa, e ele não se mexeu mais, pelo menos foi o que vi. Tratei de contar os pigmentos de linha azul das linhas do meu caderno.
- Bom dia. - sua voz soou baixa demais, mas o suficiente para me causar arrepios. Eu ficava calma e nervosa o tempo todo, não conseguia me controlar. Alguma coisa estava errada.
A aula não fazia sentido, a professora falava algo sobre a descoberta do Oeste...
- Bem, classe. Quero que façam uma redação em dupla, após eu passar o trecho deste filme. É um romance com um pouco de aventura, o nome é Apaloosa.
As luzes se apagaram, eu me inclinei para frente, abaixando na mesa; o menino do meu lado tirou o braço do caderno e passou perto de mim. Ele apoiou-se nas costas da minha cadeira, o que me deixou ainda mais tensa. Porque agora eu tinha certeza: ele estava me olhando. Os meus ouvidos chiavam, pois o sangue corria rápido. O trecho do filme eu já sabia, mas tentava prestar atenção nele arduamente e resistir à vontade de ver o que o meu parceiro estava fazendo.
Tentei respirar fundo, acalmando minha cabeça. A qualquer custo tinha que fazer aquilo. Minha curiosidade de espiar estava me matando, eu tinha que ver só um pouco, eu tinha medo de que ele estivesse pregando alguma coisa na minha blusa, já que sua fama não parecia ser das melhores.
Enfim, eu cedi aos meus desejos e me virei só um pouquinho, olhando-o de esguelha, logo em seguida virando minha cabeça. Ele estava de olhos fechados; seu braço, como pensei, estava apoiado na minha cadeira, o outro largado ao lado do corpo, o rosto estava virado para mim; parecia que ele estava ouvindo música, só queria saber onde estava o aparelho de som. De repente, ele abriu os olhos e me viu olhando-o, mas ele não se moveu nem um pouco. As luzes se acenderam, despertando sua atenção; eu me virei de volta e o vi vir para frente, em resposta eu fui para trás o mais delicada que podia ser, isso quer dizer, batendo as costas na cadeira, elefanta de novo. Ele virou só mais um pouco, antes de a professora começar a falar.
- Bem, a redação pode ser entregue até a próxima aula, mas quero que comecem agora! Vou vigiar vocês. No mínimo 130 palavras. À caneta preta, nada de coisas coloridas e, por favor, uma letra legível! - a professora veio até o fundo, na nossa direção. - Onde está o Cullen? Jasper? Bom dia, meu bem. Sei que não está acostumado com aulas em dupla, mas de agora em diante a Srta. vai se sentar aqui, e como ela é nova e você tem a maior nota da sala sobre a História Americana, quero que a ajude, tudo bem? E, , qualquer dúvida é só perguntar, depois quero que fique um pouco para que eu lhe adiante a matéria, ok?
- Sim, professora. - disse, pegando uma folha do meu fichário para a redação, mas Jasper já estava escrevendo. Ele não respondeu nada à professora, apenas concordou com a cabeça. Tentei me aproximar para ajudar de alguma forma, mas ele se afastou com folha e tudo. Já entendi, ele ia fazer o trabalho por mim, que ótimo!
Isso não era justo, poderia não saber a história de cor, mas podia procurar as respostas, ganhei três livros para quê? Ou pesquisar, não? Por que ele tinha que fazer isso? Credo, parecia que estavam me achando com cara de criança! Que eu estava no jardim de infância! Quando ele já estava escrevendo seu nome, eu tomei coragem e falei com ele.
- Posso pelo menos fazer o árduo trabalho de pôr o meu nome e entregar, já que você já fez tudo? - disse irônica – Afinal, eu não sei escrever, né? Imagina em inglês, então?
Jasper me olhou com cara de poucos amigos, fazendo minha coragem quase ir ralo abaixo, mas eu não recuei, apesar de estar na parede e que ele desejasse moldar minha cara nela. Ele estendeu a folha, na verdade jogando-a na minha mesa.
- Use uma caneta da mesma cor... De preferência, Srta. . - ele disse meu nome num tom igual ao meu.
Peguei uma caneta roxa com cheiro de uva que eu já tinha, só para provocá-lo. Que a professora descontasse o ponto depois, mas esse eu teria orgulho! Ele estava me deixando brava, será que todos iriam me tratar assim?
- Esta foi difícil, não? - ele disse. Devolvi-lhe a folha, com vontade de rasgá-la em pedaços. Jasper olhou minha letra por um bom tempo antes de resolver se levantar e entregar para a professora. Já que estávamos adiantados uns 10 minutos, ele saiu da sala. Peguei minhas coisas, rápido, queria falar com ele no corredor, não queria que as coisas fossem assim. Ele teria de me engolir...
Mas quando vi, não havia uma alma viva no corredor, então decidi ir até a sala de Luci. Cheguei lá mal humorada, e a vi na ponta da sala. O sinal tocou e ela ficou surpresa em me ver.
- Ué, saiu cedo? - ela disse – E encontrou o caminho de volta...
- Uhum... Vamos, eu estou com um pouco de fome.
- E brava, não é? O que houve? Não gostou da professora? Isso é normal.
- Quem me dera fosse ela... Foi o meu parceiro.
- Hm... Isso é crítico, quer desabafar?
- Depois que eu comer, pode ser?
- Com certeza, e enquanto come pode me contar um pouco do seu país, se quiser. Não fique brava, eu tenho curiosidade sobre lá.
- Ok, sem problemas, estes ficam para depois.
Eu falei tudo e mais um pouco que Luci pediu gentilmente, como que contasse sobre as praias que já conheci, sobre os garotos do Brasil, principalmente, e até quis saber quantos deste perfil eu tinha de amigos.
- Hum, então tem caras sarados lá! Vou passar as férias lá o mais breve possível.
-T e dou até as coordenadas. - bebi um pouco do meu suco.
- Então me fala, que bicho te mordeu na aula de História Americana?
- Um aluno que será meu parceiro na aula, é o bad boy psicótico, e além de tudo ele fez o trabalho da aula, pode uma coisa dessas?
- De quem está falando? - ela disse se curvando na mesa.
- De um tal de Jasper Cullen...
- O fortão?! Menina, não sabia que ele era esse ogro... - pelo que ela pensou devia ser o Emmett Cullen, que eu já havia conhecido.
- Não, ele é alto, magro, mas forte e loiro de cabelos cacheados...
- Ah, sim! O esquisitão!
- Isso. - nós concordamos rindo.
- Ele foi um grosso, mal-educado, e posso não conhecer a história americana de cor, mas também posso aprender.
- Eu sei, não esquenta não.
Continuamos a comer em silêncio e alguns amigos da Bella me acenaram, como bom costume meu, mandei um beijo, o que parece tê-los deixados mais ouriçados, ou sei lá mais o quê, até Luci me perguntar uma coisa mirabolante novamente.
- Me ensina? Eu quero aprender esse “sex appeal” brasileiro.
- O que eu fiz? - falei olhando em volta e em minha roupa, para ver se não tinha nada aparecendo.
- Esse negócio de mandar beijinhos, eles ficaram loucos. Também, quem dera, né? Ter esse corpão “violão” e até chamando atenção do Jasper Cullen, um Cullen?! Imagina.
- Espera aí, eu briguei com ele, não o contrário.
- Os opostos se atraem... - ela cantarolou.
- Tá bom, só não falo mais nada porque não quero perder a única amiga que tenho neste primeiro dia.
- Meu, estou me sentindo estrela de Hollywood. Ela não quer me perder... - disse Luci.
- Aham, sei. Vamos, está na hora da próxima aula.
- De volta para o tormento. - ela disse se arrastando.
Capítulo 3
Bem, com a escola os dias se seguiram assim: via alguns amigos de Bella que falavam comigo, mas eu me liguei mais a Luci, inclusive ela me ajudava a acompanhar as aulas que eu tinha mais dificuldade; com minha irmã as coisas iam fluindo. Já com relação ao meu parceiro de história americana e sua família, eu ia me adaptando, cumprimentava Edward sempre que o via nas aulas e Rosalie, a namorada de Emmett, sempre me davam um olá quando os via, o que parecia me dar mais status com os alunos e inveja, afinal, além deles serem alunos do terceiro ano, eu era novidade entre as celebridades escolares. Já viram no que está dando nessa “bagaceira”.
E voltando ao meu parceiro Jasper, eu tive três aulas com ele durante a semana, três que simplesmente acabavam com meu alto astral. Uma era História Americana, depois Química e Educação Física, que tinha dois períodos num mesmo dia, o que fazia eu vê-lo sempre por mais tempo. Ele continuava com este tom de indiferença comigo e eu mantinha distância dele, exceto na aula de história.
Depois de duas semanas nesta rotina, Charlie disse que íamos comprar o meu carro depois das aulas, então ele viria de viatura. Luci estava comigo no intervalo:
- Então, quando você tiver o seu carro, de preferência hoje, você vai me dar carona, né?
- Huhum, dou sim, se tiver com ele hoje. - Disse bebendo um pouco de coca-cola.
- Ok, eu divido a gasolina com você.
- Vou adorar sua companhia, se é isso que quer ouvir, Lucinda.
- Te adoro, amiga!
Depois da aula, enquanto eu saía, vi o carro de Charlie perto do de Bella. Aproximei-me devagar.
- Oi, Charlie, Bella.
- Pronta para comprar seu carro? - Ele me perguntou.
- Bem, eu já cheguei a falar que não tem problema eu ir de ônibus escolar, Charlie, não precisa ter esta despesa comigo.
- Eu economizei muitos anos, . Do dinheiro do carro da Bell’s eu ainda tenho uns 60 por cento guardados, dá para achar um carro para você, sim. Não vamos falar mais disso, ok?
- Claro – disse, vencida – Bella, você vem?
Ela olhou de Charlie para mim e concordou com a cabeça, depois de entrar no carro dele, nós seguimos a uma concessionária de carro usado. Meu pai parecia conhecer o dono, pois, logo que chegamos, um senhor de talvez 60 anos se aproximou.
- Olá, Chefe Swan! Suas filhas? Que belezocas, não?
- Sim, estas são Bella e , a que vai comprar o carro.
- Olá, crianças. Bem, , eu andei separando alguns carros para você.
E lá fomos nós passear pelo estacionamento.Ele nos mostrou alguns carros, bem velhinhos por sinal, mais enferrujados que o de Bella, com lanternas faltando e pneus pelados. Charlie dizia não a todos que via e também ao preço que o velho queria. Ficamos uns 30 minutos discutindo e, enfim, não chegamos a nada.
- Charlie? - Chamei meu pai - Posso dar uma olhada por aí? Para ver se encontro algum diferente dentro da quantia que você quer?
- Claro, pode ir... Bella, quer ir junto? - Ele perguntou.
- Não, eu fico aqui. - Ela disse quase se enfiando no casaco.
Então, lá fui eu passear. Andei pelos carros, com o chão de cascalho molhado fazendo barulho em minhas botas de saltinho, e, num canto, eu vi uma árvore que sombreava desnecessariamente um carro com uma capa de lona podre em cima. Curiosa eu fui vê-lo e levantei a capa. E revelou um carro velho, mas muito bonito, muito vintage... Era o carro daquele filme de terror, O Carro Assassino.
Comecei a imaginar o carro reformado, no seu tom vermelho, o couro do banco branco e as rodas originais ou réplicas mesmo. Eu com um lenço nos cabelos, óculos formato gatinho, batom vermelho, ao lado do rapaz que eu desenhei - esquece este! - Com sua mão entrelaçada a minha... Ok, viajei, pior ainda é colocar o Jasper no meio. Quanto será o preço?
Saí correndo, ouvindo a voz de Charlie negociando com o vendedor e eu gritei por ele:
- Charlie! Ele continuou a falar, mas aí eu escorreguei numa mancha de óleo perto deles e sai deslizando no meio dos dois, parando com as pernas embaixo da viatura dele:
- Charlieeeeeeee!
- ?! Você está bem? Se machucou? - Ele e Bella vieram me levantar e o dono da loja pedia desculpas.
- Tem... - falei ofegante - Um ca-carro pra ver....Quero ver o carro...
- Que carro? - O cara disse.
- Um Plymouth Fury 1958! É o carro do Stephen King... é o Cristhine! Charlie, é lindo! Você vai amar, eu te deixo dar uma volta nele!
- Hein?! - O homem disse e saiu atrás de mim, que sai puxando Charlie. Bella veio junto pela minha empolgação.
- Olha que amor...Charlie, eu tenho algumas economias, posso ajudar no preço se ficar acima...
- Calma, , vamos ver...Sr. Nobbs, quanto acha que vale?
O velho nada idiota disse um valor...
- US$16.000!
- Bem... - Charlie ia dizendo.
“Seja teimosa, negocie, seja detalhista, irrite-o e desafie-o, ele não gosta disso” Bem, esta é uma constante na minha vida, esta vozinha que me ajuda de vez em quando... Voz Sininho me ajudando!
- Bem, acho que a gente pode ver o preço, não acha, Sr. Nobbs? Afinal, vamos dar o valor à vista, não é, Charlie?
- Mas o carro é uma relíquia! - Nobbs dizia.
- Sim, concordo, - nisso meu pai já estava olhando porque eu tomei a frente da conversa - mas pelo preço - que com certeza ele não sabe o valor direito - valeria se o motor pelo menos engasgasse!
- US$14.900. - Nobbs disse, ele gostava de dar a última palavra. Bom saber...
- E também, Sr.Nobbs, imagina o que você gastará até tê-lo inteiro, tudo o que quero é um carro que possa andar para minha filha com segurança. Não pode fazer um preço justo? - Charlie disse em minha defesa, ele gostou desse carro também.
- Olhe, repare bem, sem lanternas traseiras, calota faltando, banco rasgado, mas isso eu dou um jeito, provavelmente vou ter que comprar um estepe. US$13.000.
- Eu não sei, talvez, então US$13.500. Assim ninguém sai perdendo. - Nobbs sorriu, esfregando as mãos.
- Ahn... Eu não sei. - disse de um jeito irritante e mimado - Eu queria tanto ele, andar com uns óculos de sol, lenço segurando meus cabelos, apesar de não ter capota que abra. Teto solar não existia na época... US$12.500. Sr Nobbs, eu pago a documentação. Imagina eu e meu pai, com sua estrelinha dourada, andando na estrada com ele, na verdade eu ia ter que tomar cuidado para que nenhuma sem vergonha fosse correndo dar em cima dele, né, Charlie? - disse dando um tapa no peito dele, que só acenou - Ou eu e Bella, que nem no filme Telma e Louise! - Disse dando pulinhos irritantes, até Charlie estranhou.
Ele de repente ficou vermelho e nervoso, seu rosto tremia e eu senti uma empolgação, acho que deu certo, Nobbs gosta de dar a última palavra mesmo.
- US$10.935.97! - Gritou irritado.
- Fechado! - Gritei de volta, um preço bem menor do que eu esperava. Acho que fui no ponto fraco dele, talvez até mesmo US$11.000, mas eu ainda vou ajudar Charlie. – Pai, o que acha? Dá para levar?
- Ham... Quando posso dar o cheque, Nobbs?
- Ah! Você é ninja, Charlie! - Nobbs ficou sério e, se dando conta do que tinha feito, não gostou nada, mas teve que aceitar. Afinal, eu era a filha do xerife!
- , você foi incrível... Negociar deste jeito... - Bella disse enquanto Charlie estava no escritório do Nobbs resolvendo a papelada.
- Eu juro, de repente eu sabia que tinha que insistir um pouco mais que ele baixaria o preço. Sabe, foi quase como uma intuição. - Sorri de volta. - Depois vai querer andar nele, não vai?
- Acho que sim, ele é muito bonito. - Bella disse, apontando a minha Little Christine, já dei nome para ela...
Nobbs chamou um mecânico auxiliar e este conseguiu checar o freio, o acelerador, câmbio, marchas. Só precisava mesmo de óleo no motor e tudo ok. Ele disse que pela umidade, o óleo não ressecou e também pela capa de lona, não enferrujou o motor. Depois de Charlie dar uma volta mais longa de meia hora para ver se estava tudo certo, poderia ir com meu carro para casa!
- Veja, Charlie voltou. - Ele chegou com meu carro e aí desceu.
- Está bom para andar, mas vou pedir que deem uma olhada. Até sexta pode andar com ele, quero ver como aguenta e, se der algum problema, é só me chamar.
- Posso andar? Agora? - Disse ansiosa.
- Sim, pode. Bella, quer uma carona ou quer ir comigo? - Charlie disse.
- Posso ir com ... - Ela disse, provavelmente porque não gosta de chamar atenção e também por que hoje fomos de ônibus escolar para o colégio.
- Vamos no meu carrinho novo! - Cantarolei.
O caminho todo Bella e eu ficamos quietas, mas depois de mais um tempo ela me elogiou.
- Sabe, você tem talento para persuadir as pessoas, o que fez com o preço do carro foi realmente muito incrível, .
- Obrigada de novo, Bella.
- Eu não perguntei ainda, mas como você está na escola? - Ela passou a mão no cabelo.
- Bem, uma coisa posso te dizer, ela é igual para qualquer adolescente do mundo, mas estou me adaptando, Bella. Aquela fase de ser a novata está passando, já tenho alguns amigos, que inclusive são seus, né? O problema mesmo é o choque cultural...
- Huhum. - Ela disse.
- E, você sabe, eu chegar assim, do nada...
Bella pensou um momento, olhou a janela um bom tempo, achei que não responderia, mas por fim disse:
- Quando eu soube de você – ela disse um pouco nervosa - eu pensei que fosse surtar. Uma irmã? Jamais imaginaria isto para mim e ainda por cima depois de quase 15 anos, sei lá. Fiquei com raiva de Charlie e de minha mãe, até mesmo de você. Desculpe, mas vi que ninguém podia ter culpa por você vir. Como meu... nosso pai disse, você não sabia quem era ele até sua mãe dizer e ele também.
Balancei a cabeça...
- E não posso julgar Charlie ou você por isso, achei que foi uma traição se contar pela minha mãe, mas ela que foi embora antes de tudo. Conhecer você até que é uma experiência e tanto, também estou me adaptando, afinal de contas.
- Isso é bom, Bella, eu achava que estava invadindo a vida de todo mundo. Você, Charlie, Edward, Jasper e sua família...
- Conhece Edward? E o irmão dele?
Achei que ela já tinha reparado.
- Conhecer, conhecer mesmo, não, só que o Jasper é meu parceiro de História Americana, tenho aula de química e educação física com ele. Só que a gente se estranha, sabe? E o Edward é meu colega em Geografia. Nada de mais.
- Ah, sim, é que ouvi dizer que você tem muita amizade com o irmão mais velho, Emmett. - Ela disse, passando a mão no cabelo que estava bagunçado pelo vento, afinal, o carro saiu do mofo, então imaginem o cheiro disso e o frio...
- Emmett? Não, mal falo com ele e a namorada, só dou um oi. Mas ele é divertido.
- Sei. - quando ela disse isso, nós já estávamos perto de casa. Charlie já estacionava a viatura. - Chegamos. - Bella disse assim que parei, ela desceu do carro e se juntou ao Charlie.
- Bem, o carro chegou até aqui, isso é ótimo. Domingo eu chamo um mecânico para dar uma olhada, ok?
- Ok, Charlie, obrigada mesmo. Estou muito feliz de ganhar um carro!
- Acho bom mesmo, mas não quero que corra e eu vou dar uma volta por aí mais tarde com ele...
- Depois de me deixar comprá-lo, pode andar sim! Amanhã quando eu voltar, eu vou lavar o carro! Tadinha da Bella, ela quase virou um leãozinho! - Charlie riu e Bella até riu um pouquinho.
- Quase. - Bella disse e nós entramos, Charlie pediu pizza para o jantar. Nós comemos na sala, vendo o noticiário. Por fim, decidi subir e estudar um pouco. E arrumar o meu quarto, ainda não tinha desfeito minhas malas direito.
Fiz um trabalho de matemática, um de espanhol, que a professora mandou só para mim, pois estava atrasada na aula, e assim foi minha noite. Antes de dormir, mandei uma mensagem para Luci.
“Luci, não esquece de trazer sua parte da gasolina, ok?”
Demorou uns três minutos e Luci respondeu.
“Pode deixar, mal posso esperar para vê-la de carro”
Quando acordei no dia seguinte, como sempre, todo mundo tomou café e fomos aos nossos afazeres do dia. Antes, parei para pegar Luci em sua casa. Cinco minutos depois, ela saiu e ficou parada com uma expressão chocada no rosto.
- Ai, meu pai, - eu disse dentro do carro enquanto ela se aproximava - meu carro é horrível.
Luci chegou até a porta e ficou de braços abertos. Abriu a porta.
- Este é seu carro, ?
- É... - Eu disse com a voz fina e rouca - É muito...Surrado..
- Legal! - Até pulei do banco quando ela disse isso.
- Você acha? - Falei.
- Claro!
- Então quer vir? Uma carona, talvez? - Disse e, num instante, ela já estava no banco do passageiro. Dei partida e fomos para a escola.
Quando chegamos, Bella já estava lá. Eu e Luci fomos entrando para ir a aula.
- Hoje eu tenho trabalho de espanhol! - Ela reclamou.
-Hoje eu tenho dois períodos de história americana...
- Você ainda não se animou sobre o seu parceiro, né?
- Ainda não, mas temos uma relação diplomática...Eu acho.
- Mas acho que isso vai mudar, ele é bonito, charmoso, lindo... - Luci enumerava as qualidades que ela via.
- Isso porque você não senta do lado dele.
- Às vezes eu adoraria. Te vejo depois, .
- Ok, até depois.
Fui até o meu armário pegar um dos livros sobre a Guerra da Secessão. Depois de trancar o meu armário, eu fui ao banheiro dar uma olhada no meu cabelo, que estava sendo mal tratado pela umidade daqui. Quando entrei, vi Rosalie de frente para o espelho, mexendo em sua roupa, na manga de sua blusa. Comecei a fazer uma trança frouxa no meu cabelo e a ouvi-la pestanejar:
- Mas que droga, esta roupa tinha que rasgar logo agora!
Vi que, bem no ombro de sua jaqueta, tinha aberto um buraco na costura.
- Se quiser eu posso dar um jeito...
- Ah, olá! Não precisa, , eu aguento até o final da aula.
- Mas todo mundo vai ver isso aí. - Rosalie me olhou e inspirou fundo, senti que estava um pouco mal humorada.
- Se tiver agulha e linha... E souber costurar.
- Eu tenho, sempre deixo na bolsa. Pode apostar que me viro na costura quando preciso. Posso te ajudar a costurar. - Sorri para ela.
- Tudo bem. - Ela se rendeu. Mas sentia umas agulhadas, sabe? Eu via que Rosalie era muito educada, até demais, chegava a ser artificial, soava meio falsa para afastar as pessoas.
Peguei na minha nécessaire a agulha e a linha transparente.
- Posso? - Ela ia tirar a jaqueta. - Não precisa, eu tenho um ponto especial.
Ela jogou o cabelo para o lado oposto e eu comecei a costurar para ela.
- Vi que você comprou um carro. Plymouth Fury 1958. Sou vidrada naquele carro.
- Nossa! - Estranhei - Obrigada! Eu adorei ele, simplesmente tinha que tê-lo.
- Ele precisa de muito reparo, isso sim.
Fiquei um pouco sem graça.
- Bem, é só para eu andar por aqui, mas vou dar um jeito nele devagar.
- Com um carro em pedaços, prefiro ir a pé, ...
Agora, detonada.
- Tudo bem. Você e sua família, por acaso, tem carros de luxo. Aquele Jeep, o Volvo. Mas eu gosto do meu carro mesmo assim...
Acho que ela percebeu o que tinha feito e tentou arrumar o estrago.
- Sim, se der um bom reparo nele! Está terminando? - Ela perguntou.
- Falta uns dois minutinhos. - comecei a dar o nó - Pronto!
Ela olhou a manga a deu um sorriso.
- Está bem melhor do que eu esperava. Obrigada, .
Depois de me despedir de Rosalie, saí para a minha aula de História Americana.
Quando cheguei, todos já estavam na sala e a professora já tinha começado a aula. Quando fui para o meu lugar, Jasper já estava lá, sentado na sua carteira bloqueando o meu assento. Cheguei calmamente e falei com ele:
- Bom dia, Jasper, você pode me dar licença?
Ele me olhou sério e acenou com a cabeça, ele estava vestindo hoje uma jaqueta branca, camisa também branca, calça jeans preta e as inseparáveis botas, o cabelo divinamente cacheado. Quando se levantou, ele gesticulou com a mão gentilmente. Confesso que esse gesto me deixou encabulada, afinal, ele era sempre frio, depois vira todo gentleman assim, meio bipolar. Senti minhas bochechas esquentarem, ele observou o fenômeno e engoliu em seco. Estranho. Fiquei mais quente ainda.
Ele ficou parado me esperando...
- Algum problema meninos? - A professora falou, chamando a atenção da classe.
- Não, professora! - Falei indo rapidamente me sentar, o que acabou dando um belo de mais um problema! Na hora que eu fui passar no meu lugar, acabei pisando no pé da mesa, que deslizou e foi para o lado, me fazendo escorregar para trás. Escorregando, eu ia cair em cima da cadeira do Jasper, caindo ainda mais para trás em cima dele, que me segurou pelos cotovelos. Nisso, a sala inteira já estava aos burburinhos e risadas discretas, pois a professora já estava escrevendo na lousa. Senti minhas costas encostarem nele, no peito dele, senti que ele era frio, suas mãos também eram frias, senti um arrepio subir na minha pele. Seu rosto estava perto do meu, mas eu estava de costas e senti-o soltar o ar frio também contra meu pescoço...
- Ui, que frio. - Falei sem pensar.
- Sente-se logo! - Jasper disse, me erguendo, ainda pelos ombros, sem dificuldade nenhuma. Me levantou de sua cadeira, me jogando sentada na minha, tão rápido que eu me assustei e dei um gritinho.
- Ai! -Primeiro quando ele me levantou de sua cadeira – Ai, ai! - depois quando ele me jogou na minha com bolsa e tudo.
A professora, nada boba, resolveu se intrometer.
- Será que o casal já terminou? - Eu não tina palavras para responder, mas Jasper falou bem irritado.
- Não somos um casal! E ela tem falta de coordenação motora... Ela precisava de ajuda para se sentar, professora.
Jasper, literalmente, não sabe com que ele senta.
- Falta de coordenação é o escambal! Seu babaca, grosso! – Ok, eu tinha segurado minha raiva até demais com ele.
- Srta. Swan! Sente-se agora mesmo.
- Aprenda a não ser tão desastrada que você melhora. - Jasper ignorou a professora como eu e me respondeu rudemente.
- Se você não fosse tão irritante e estúpido, talvez eu te agradeceria a gentileza de ter me ajudado. - Nós nos sentamos.
- Então faça, srta. - Ele disse, voltando a sua atenção para o caderno.
- Eu não vou fazer isso.
- Então não faça. - Ele sussurrou.
- Você é um inferno! - Sussurrei de volta.
- Eu já sei disso. - Ele respondeu com um sorriso de escárnio ao meu comentário. Mas que droga de cara.
- Cala a boca! – Gritei e a professora voltou a olhar para trás.
- Saiam! Agora! Os dois! Para a diretoria!
Ele se levantou num rompante, eu fui logo em seguida e peguei meus materiais. Ainda não ia deixar barato. Por incrível que pareça, eu o vi no corredor.
- Ei, Jasper! - Gritei, ele parou, mas não se virou. - Você não pode agir assim com as pessoas! Inclusive, não me lembro de ser rude com você como está agindo comigo!
Embora meu sangue fervesse de irritação, sentia que não podia deixar as coisas assim. Tinha que manter algo sociável entre nós dois. Pelo nosso bem. Estranho.
- Quem é você para dizer como devo agir, mocinha? Eu falo do jeito que eu quiser. Não sabe de nada e não tenho tempo para aturar estas discussões completamente tolas. Tenha um bom dia.
- Meu Deus, como você é insuportável! – Falei, indo na direção do prédio de Luci. - Detesto quando me chamam de mocinha. - Falei.
Esperando por ela na porta de sua sala, mas com a cabeça naquele ogro!
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