Beta-reader: Mari Lima



Capítulo 1 – Butterflies and Hurricanes

“Eu não entendia exatamente o que eu estava sentindo. Só sei que era sufocante. Aqueles olhos intensos e incrivelmente azuis me olhando, não era como se estivessem ME olhando e sim olhando o fundo da minha alma. Desvendando todos os segredos nunca revelados que minha consciência carregava. Segredos estes que nos últimos tempos estavam me mutilando por dentro, causando uma dor que ninguém deveria sentir.
Mas era só isso. Eram só os olhos extremamente, e sobrenaturalmente, azuis que eu conseguia ver. Eu me esforçava para ver o resto, quem era aquele homem que simplesmente estava virando meu mundo de cabeça pra baixo, dificultando minhas noites e me fazendo sentir como uma adolescente. Se o resto fosse igual aos olhos que eu via, aquilo era a descrição de toda a beleza existente na terra.”

E então eu acordei, os olhos se foram e eu simplesmente me senti desesperada. Por quê? Não faço a mínima idéia. Mas eu precisava daquela imensidão azul mais uma vez, mesmo sendo ela a causadora da minha insônia. Era três da madrugada e eu dificilmente conseguiria dormir outra vez, então fui para a sala e liguei a TV em qualquer canal, estava passando Skins. Aquele seriado sempre causou em mim emoções que os outros não tinham; uma mistura de culpa com tristeza, com sentimentos ruins. Talvez porque minha juventude (que por acaso ainda não tinha terminado - tenho 23 anos, poxa, sou jovem sim!) tenha sido tão ou mais insana quanto a deles. Mas isso não é algo em que eu realmente queira pensar.
Então, o sonho veio. E pela segunda vez só naquela noite os intensos olhos azuis invadiram minha mente, trazendo consigo algo a mais, causando em mim algo que eu não sabia definir, talvez excitação ou curiosidade. Eu simplesmente não sabia definir quais eram, exatamente, as reações que aquele brilho e imensidão azuis causavam em minha mente e em meu corpo. Mas eles não passavam despercebidos, eu sabia, só não admitiria. Afinal, é simplesmente doentio e louco eu estar excitada ou ter qualquer tipo de reação com algo irreal. Com um simples sonho. Bom, era isso que eu achava até acordar naquela manhã de sexta-feira.
Estava toda torta e com uma dor insuportável no pescoço. Oh, ótimo, torcicolo em plena sexta-feira! Deveria ser proibido acordarmos doentes ou machucados logo no dia em que queremos sair e nos divertir. Isso era tão injusto, fazia anos que eu não me divertia realmente, e logo hoje, que eu ia sair com um cara lindo que disse estar gostando de mim (e que não era encrenca como todos os outros eram). Mas, nos últimos tempos, o universo estava conspirando contra mim. Eu sabia que merecia todo castigo do mundo, durante anos da minha vida me comportei como uma vadia, louca, sádica e insana. E muitas outras coisas, mas eu realmente preferia esquecer.
Levantei-me e quando estava indo para o banheiro, algo chamou minha atenção. Algo branco, retangular, com um leve volume e bem embaixo da minha porta. Pra que todas essas explicações? Era um simples envelope. Eu não devia ficar desse jeito, certo? Errado! Eu morava aqui há quase cinco anos e nunca recebi cartas embaixo da minha porta. Estranho. Mas como eu sou uma criaturinha curiosa e extremamente impulsiva, peguei a carta do chão e, antes de abrir, me impressionei com a caligrafia, era masculina, mas era linda, com um “ar” antigo. “Para
Eu girei o envelope uma, três ou quatro vezes na vã tentativa de achar o remetente. Como não achei nada, abri. E, por algum motivo, me surpreendi. Esperava uma grande carta, completamente escrita. Tudo o que achei foram não mais que quatro linhas.

"Isso não é uma ameaça, nem um aviso. É uma simples constatação.
Nós nos encontraremos amanhã. Não importa onde você esteja, com quem você esteja, eu a encontrarei.
Não é como se você tivesse escolha de qualquer jeito. Você querendo ou não, nós nos encontraremos.
E não será um encontro agradável. (Não para você, pelo menos)


Eu tremi. Sim, eu tremi. Senti como se meu coração fosse saltar, sentia meu sangue gelado nas veias, um formigamento estranho nas duas pequenas cicatrizes em meu pescoço. Cicatrizes estas já esquecidas há muito tempo e que eu não estava querendo realmente me lembrar, por isso mandei todas as lembranças, que vinham com a súbita onda de culpa, para dentro de um baú que eu havia criado em meu coração e lá ficavam todos esses sentimentos reprimidos há tanto tempo.
Li e reli várias vezes aquelas poucas palavras, que me fizeram tremer de medo como eu só tremi uma vez. E eu não sentiria isso outra vez.
Não, eu era forte, tudo pelo que passei me tornara forte o bastante. Se esse sujeito queria vir ao meu encontro, que viesse. Eu estava preparada. Não que eu realmente estivesse, claro que eu não estava, mas eu precisava dessa motivação, precisava acreditar nisso, mas não era verdade, eu não acreditava. Eu nunca fui forte. Não fui forte ao menos para defender minha mãe.
Meus pais viviam em constantes brigas, meu pai bebia e quando chegava, batia na minha mãe. Um dia, ele bateu tanto nela que a fez desmaiar. Eu joguei as garrafas na cabeça dele e quando ele caiu no chão, continuei jogando garrafas; até hoje, não sei realmente o que fiz com meu pai, só sei que fugi. Sai correndo como nunca antes havia corrido, não conseguiria mais defender minha mãe.
E Phillip me encontrou, levou-me pra casa dele e cuidou de mim. E por isso eu era grata. Mas descobri que era uma troca de favores. Ele cuidava de mim,eu dava comida a ele.
Alguns anos depois, encontrei minha mãe. Ela estava bem, eu pedi desculpas, mas nunca adiantaria. Ela me odiava como odiava meu pai. Mas nunca fiz nada ela, por isso nunca entendi nem entenderia.
Estava destruída com essas lembranças. Então levantei a cabeça pra evitar que uma lágrima importuna caísse. Fui para o meu quarto, guardei aquela carta na minha gaveta de coisas variadas (só um modo de dizer que a minha antiga gaveta de calcinhas hoje guardava tudo, menos calcinhas).
Fui tomar banho, fiz tudo normalmente. Passei meu dia vendo filmes de quinta na TV. Até filme pornô eu assisti! Mas graças a Deus meu celular tocou. Eu olhei no visor e era a . Minha melhor amiga.
- Fala, vaca escandalosa! – Ah, o amor entre amigas era algo lindo, tão leve, afetuoso, carinhoso e verdadeiro!
- Tudo bem, vadia? – ta, ela conseguia ser pior do que eu. Merda.
- Tudo sim e você? – não, , não está tudo bem, tem dois meses que eu vejo olhos azuis nos meus sonhos, hoje recebi uma carta que, por mais que diga o contrário, parece sim ser uma ameaça. Todas as piores lembranças da pior época da minha vida resolveram voltar como uma enxurrada. É claro que eu não disse isso.
- Comigo está ótimo. Estaria bem melhor se a puta da minha melhor amiga não estivesse atrasada pra balada. E com um gato esperando ela. E nesse momento têm umas duas garotas dando mole pra ele. O resto está esperando essas duas irem embora, claro. - merda, estava tão absorta nos filmes pornô e nas minhas lembranças que esqueci completamente do meu encontrinho casual essa noite. Mas de qualquer maneira, meu pescoço ainda estava me matando. Então...
- , dormi no sofá essa noite, to com um torcicolo que ta doendo muito.
- Já sei, sonhou com os lindos olhos azuis, acordou no meio da noite, foi pra sala e dormiu no sofá?
- Sim. Desculpa, ok. - e suas previsões. Sério aquela garota tinha alguns problemas. Tinha que ter. Ou talvez poderes. Ou talvez um foda-se.
- Ta bom. Tchau. - ela desligou tão rápido que sequer deu tempo de eu me despedir. E eu sabia que era porque tinha aparecido um homem interessante e ela estava indo dar mole pra ele. Simples assim.
era minha amiga desde que eu cheguei a Miles City (cidade rural de Montana, pequena, fria e pouco populacional. Perfeita pra quem quer fugir do passado em que morava em Los Angeles). Sim, havia festas nas cidades vizinhas. E, sim, eram boas festas. Nem tão boas quanto às de LA, mas quebrava o galho.
Fiquei ali deitada por mais um tempo, até meus olhos pesarem e eu cair no sono. Que tolinha fui ao pensar que dormiria bem essa noite.

"Aqueles olhos azuis mais uma vez me fitavam como se fossem perfurar meus olhos. Mas havia algo a mais hoje. Um brilho diferente, cruel. E então eu escutei uma risada baixa, curta, fria, mas com uma carga de ironia que assustaria até o mais forte dos humanos.
E neste momento eu tive uma certeza. Eu conhecia aqueles olhos. Sim, eu os conhecia, não me lembro de onde ou quando, mas eu já os vi antes com certeza. E sabia que foi na fase mais sombria da minha vida.
Quem era? Quem era? Por Deus, isso era demais pra mim. Então vi diversão nos olhos dele e ela veio junto com fogo, com pura raiva, fúria. Mais uma vez tremi. Mais uma risada, dessa vez divertida, cruel e alta. Sim, ele estava se divertindo com o meu medo.
Então comecei a correr, foi por puro instinto de sobrevivência, eu não acreditava realmente que fosse conseguir. Mas lá estava eu correndo, bobamente, ele sequer tinha saído do lugar. Eu me virei de forma que fiquei de frente pra ele, dando pequenos passos (inevitáveis) para traz.
Tudo que eu via dele era um grande vulto preto. Apenas os olhos apareciam. E então olhei em volta e caí. Como um soco no estômago, descobri que estava na floresta.
A floresta que foi palco dos meus mais pavorosos pesadelos. A floresta onde eu me tornei alguém desprezível.
E então com uma onda vieram à minha mente as últimas palavras DELE: ‘Vocês me pagarão. Não importa onde vocês estejam, com quem vocês estejam, eu os encontrarei.’
Não era possível. Era coisa da minha cabeça, só podia. Eu sequer tinha realmente prestado atenção ao que aquele desgraçado havia dito.
Era ilusão.
Eu estava com medo do que estava por vir com o 'misterioso homem da carta’, por isso estou pensando essas coisas. O medo me fazia voltar àquela floresta, me fazia pensar em . Por isso estava criando uma ligação inexistente.
No fundo eu sabia que estava mentindo pra mim mesma. Sabia que quem quer que fosse o homem da carta, eu queria matar minha curiosidade. E se fosse o , eu morreria.
E mais uma risada. Como a outra cruel. E então eu acordei.
"
Eu estava suando frio, meu coração estava acelerado e minha respiração descompassada. Não, aquele desgraçado do não podia fazer isso comigo. Não depois de tanto tempo, depois de tanta culpa, depois de tanto sofrimento, eu não merecia. Eu acho que não merecia. Afinal, eu também perdi uma amiga, uma irmã.
Então que eu tive um click. Será que ele realmente foi atrás dos meus antigos amigos? Merda, eu tinha excluído os números deles da minha agenda. Mas se ele tivesse realmente ido, eu estava morta.
Levantei-me e fui fazer minha higiene matinal. Só depois fui perceber que era quase meio-dia. O sonho nem foi tão longo pra eu dormir tanto tempo! Eu realmente devia ter sérios problemas mentais.
Enquanto tomava meu banho, me lembrei que era hoje que eu iria encontrar o homem da carta. Estava ansiosa, queria vê-lo.Todos os meus alertas de perigo estavam apitando e mesmo assim eu queria. Sabia que não seria um encontro agradável, mas eu era curiosa demais. E agora eu tinha certeza que, além de vadia, eu era uma masoquista.
Fui criada por um vampiro, por isso tinha meus sentidos apurados. Não como os de um vampiro, claro que não, mas eram mais sensíveis que o normal. Meu instinto de sobrevivência também era bem mais apurado.
Por estar, durante toda a minha vida, correndo risco de morte, meus instintos eram bem mais sensíveis, eles me avisavam muito tempo antes quando uma situação podia me colocar em perigo. Eu agradecia por isso. Mas tinha certeza que meu pai de criação, Phillip, teria vergonha de mim agora.
Todos os meus instintos me diziam pra tomar cuidado, pra chamar Phillip, mas eu era masoquista e curiosa demais pra isso.
Sai do meu banho e resolvi ligar pra . Minha surpresa não foi tão grande quando descobri que ela estava indo pra New York agora.
Então eu estava completamente sozinha nesse lugar. Sim, porque em cinco anos eu só tinha criado laços com ela. Havia alguns homens que eu falava de vez em quando, mas eram casinhos de sexta-feira à noite. Ou seja, eu estava sozinha.
Fui comprar um pote de sorvete e fiquei comendo o dia inteiro. Não pense que eu sou gorda por comer o tempo inteiro. Eu não sou, mas certamente vou ficar se continuar fazendo nada o dia inteiro. Eu não tinha nada pra fazer. Era colunista de um jornal regional, então de 15 em 15 dias era só escrever um bom texto e pronto, meu salário estava garantido. Não era muito, mas me sustentava bem.
E como eu sou a pessoa mais preguiçosa do mundo, dormi o dia todo. Acordei às oito da noite e fui tomar banho.
Mais uma vez peguei-me lembrando da minha mãe me dizendo que eu era a vergonha da vida dela. Que eu era uma traidora. Peguei-me pensando na minha primeira transa. Não foi exatamente como todas as meninas sonham, foi um pouco a força. Mas foi boa, e eu praticamente pedi por aquilo. Se eu não me respeitasse, quem me respeitaria?
Eu realmente me arrependia de tudo que fiz. Eu matei, não exatamente, mas fui cúmplice por várias vezes. Eu humilhei tantas pessoas pelo simples prazer de ver o sofrimento nos olhos delas. Eu era má. Mas eu me arrependi. Sim eu me arrependi muito, muito mesmo de tudo que fiz.
Mas isso não parecia suficiente, pois aquele peso inumano na minha consciência insistia em ficar. Foi então que decidi fugir de tudo, decidi guardar todos esses sentimentos em meu coração e, desde então, eles não saíram mais de lá. Todos os meus erros pesavam em minhas costas e eu simplesmente me levantei e joguei todos eles para um baú no fundo do meu coração. E, realmente, não queria mais pensar e muito menos senti-los. Mais uma vez, eu fui burra de pensar que realmente conseguiria não pensar mais naquilo aquela noite.
Eu sai do banho, coloquei um conjunto de moletom preto, saindo do banheiro. Arrependi-me assim que vi aqueles olhos, ouvi aquela voz. Tive certeza; os olhos que via nos meus sonhos eram os de e aquela risada que me causou tanto medo, era dele.
Ele veio me encontrar. Todas as minhas desconfianças agora eram fatos. E eu estava ali, na porta do banheiro do meu quarto, meu coração parecia ter caído até meus pés. Eu tinha congelado. Ele estava do lado da janela, olhando pro lado de fora, a lua iluminando seu rosto pálido. Ele virou o rosto e me olhou. Mais uma vez tremi. Os olhos azuis intensos,cheios de crueldade.
- Olá, . - sua voz tinha um tom de ironia, junto com frieza. Eu estava com medo. Muito medo. Ele veio andando até mim devagar, sedutor. - Como vai? Parece... Com medo. Medo de que? - Ele estava bem perto de mim agora e começava a me rodear, como um predador brincando com sua presa.
Como eu há cinco anos.
Minha respiração havia parado. Eu não conseguia falar. Ele veio se vingar. Ele veio me matar.
E então eu falei, não sabia de onde minha voz havia saído, mas eu falei:
- Olá, . Você parece,hm... Recuperado. - Ele parou atrás de mim. Merda o que estava fazendo? Brincando com fogo? Com fogo não, com algo muito pior. Com um vampiro! - Pelo visto seus amiguinhos não eram assim tão importantes. Olha só, apenas cinco anos depois que eles morreram, você está bem!
Ele segurou em meus ombros por trás e foi inclinando a cabeça pra falar algo em meu ouvido. Mas me surpreendeu quando fez um carinho em meu pescoço com a ponta do nariz. Deu uma leve risadinha e falou:
- Ele precisou te morder naquela noite, certo? - ele perguntou sem dar a mínima para provocação que eu fiz antes. E então continuou. - Depois que eu te mordi, era pra você ter virado uma vampira. Mas ele não deixou. Ele tirou o veneno, não é?
- Isto não é da sua conta! - Eu gritei saindo de sua frente. Ele não podia me fazer lembrar daquilo. Não, ele podia, ele tinha todo o direito.
- O que foi querida, não é uma lembrança boa? - ele perguntou. Eu havia ido para o outro lado do quarto e agora ele estava vindo na minha direção. Ironia, diversão, crueldade e raiva transbordavam da voz dele. - Não é bom lembrar-se de todas as pessoas que você ajudou Phillip a matar? Não é bom lembrar a quantidade de pessoas inocentes que você matou?
- CALA A BOCA! VOCÊ TAMBÉM MATA PESSOAS! -Eu estava ficando acuada. Ele esta a menos de um metro de mim e eu já estava encostada em uma parede.
- Sim, eu mato pessoas. Mas para minha sobrevivência. Eu nunca matei por prazer, eu nunca brinquei com a comida também. Mas você... Você é humana e ajudava Phillip a matar as vítimas. Você atraia homens para um lugar fechado e os torturava até Phillip decidir se alimentar. - ele chegou à minha frente e encostou o corpo em mim. Continuou falado bem no meu ouvido. - E agora você vai ouvir o que eu tenho pra te dizer. Ou você prefere se tornar um monstro e poder matar sem culpa?
E então eu senti as presas dele em cima das minhas cicatrizes.
- Você não pode fazer isso. - eu disse com certa dificuldade, já que ele estava me prendendo na parede e minha respiração havia ficado bastante difícil. Sim, ele podia. Mas ele não faria.
- Sim, eu posso. Mas não vou fazer. - ele disse como se estivesse lendo meus pensamentos. Saiu de traz de mim e se jogou na minha cama. E então continuou: - Sua cama é bem macia, sabia? Você fica reclamando dela, mas tem ótimas noites de sono aqui.
- O que? - antes mesmo de pensar, eu havia falado.
- Ora essa, querida , você vem sonhando comigo nos últimos dois meses por quê? Eu tenho vindo aqui todas as noites, fico olhando você dormir. E sei que você sonha comigo, só tenho muita curiosidade pra saber como você me vê... - merda, merda, merda. Filho da puta desgraçado!
Eu respirei fundo e olhei bem nos olhos dele.
- O que você quer, ? Vingança? Por eu, junto com os meus amigos, ter matado seus tão preciosos amiguinhos? Mas você matou minha melhor amiga, minha irmã. Você não tem o direito de achar que é o único atingido. E falando em meus amigos, você já os procurou? - ta, eu falei demais. Ele levantou, veio a minha frente e segurou em meus ombros. Os olhos transbordando ódio. Então algo inesperado aconteceu. Ele me beijou.
Sim, ele me beijou. Com fúria, força, raiva, ódio, violência. E eu estava adorando. A mão direita dele veio pra minha nuca e a esquerda para minha cintura. A língua dele estava pedindo passagem, mas eu estava congelada. Com os olhos abertos e os braços caídos ao lado do meu corpo. Então, inconscientemente, eu cedi.
No segundo seguinte nossas línguas estavam envolvidas em uma dança; ou seria uma batalha? Eu não sei muito bem, mas meus olhos já estavam fechados e minhas mãos espalmadas em seu peitoral definido. Sua mão esquerda apertava minha cintura enquanto a direita estava na minha nuca dando o ritmo ao beijo.
Meu coração explodia em meu peito. Algo em mim gritava. Algo que eu nunca havia sentido antes. Eu queria como nunca quis ninguém antes. Eu estava confiando em e simplesmente não sabia o porquê.
Ele deu alguns passos pra frente e me encostou na parede. Minha perna direita entre as dele. E então ele parou de me beijar, foi descendo com pequenos beijos ao longo do caminho até meu pescoço. Senti mais uma vez suas presas.

Capitulo 2 - Hysteria
’s Pov
Eu havia mordido ela.
Foi por puro impulso. Às vezes me achava um babaca. E eu era.
Queria terminar o que comecei naquela floresta. Precisava me vingar.
E atualmente a única maneira de fazer isso era utilizando o peso que ela tinha na consciência por tudo que fez. Transformei-a, para ela matar.
Agora ela mataria pela sobrevivência. Não que eu realmente a deixasseela sobreviver por muito tempo. Deixá-la-ia viva por tempo suficiente. Tempo em que eu a torturaria das piores formas. Torturaria utilizando as dores e lembranças mais sombrias e pavorosas do passado dela. Faria com que ela matasse outra vez. E a faria sentir na pele como é ser enganado pelo golpe mais baixo.
Ela conquistava os homens, transava com eles e os matava em seguida. Não exatamente ela os matava, mas Phillip, parceiro dela. E eu faria o mesmo. Utilizaria seus desejos, seu instinto sexual. Que agora aumentara drasticamente devido à transformação.
Um dos motivos pra eu ter a transformado. Seus desejos sexuais aumentariam muito e agora ela seria mais forte. Eu não poderia ter nada com ela enquanto humana. Matá-la-ia durante o sexo. Por isso a transformei.
Ela era linda, não posso negar. Sexy, gostosa. E qualquer ser do sexo masculino desejaria aquela mulher ao primeiro olhar. Então, antes de matá-la, me satisfaria. Sei que eu sou um canalha por isso, mas sim, eu a usaria. Como ela usou os homens que Phillip matou.
era como uma viúva negra.
Eu já tinha tentando transformá-la naquela noite na floresta. Mas aquele desgraçado do Phillip tirou o veneno do sangue dela.
Ele não queria que a filhinha virasse uma aberração como ele.
Eu ainda não conseguia realmente entender a ligação que eles criaram.
Eu sabia que Phillip nunca teve relações sexuais com a . Se tivessem tido, eu entenderia, ela era quente, macia e simplesmente deliciosa.
Ela era uma das poucas humanas que conheciam as criaturas da noite. Como vampiros, lobos, feiticeiros e bruxas.
E talvez por isso eles pudessem ter uma ligação tão forte. Porque ele sabia que nunca mais encontraria uma mulher quente e que não tivesse medo dele.
E como eu sei que eles nunca tiveram nada?
Simples. Nós vampiros temos uma força de super-homem. E como todo mundo, quando fazemos sexo, não pensamos em muita coisa, inclusive em controlar a força. Como todo mundo, nós aplicamos força porque sabemos que a maioria das mulheres quer mais e mais e mais. Só que se um vampiro aplicar força numa humana, ele parte a ao meio. Simples assim.
Eu até havia pensado em fazer algo antes de transformá-la. Mas a mataria, e isso estava fora de cogitação, por enquanto.
E eu teria que tomar todo cuidado do mundo pra não me distrair dos meus planos.
Trouxe-a pra minha “casa”, pra não haver nenhuma interrupção. Nesse momento ela estava deitada na minha cama, gemendo de dor e se revirando.
E eu não conseguia evitar imaginar ela gemendo de prazer, gemendo meu nome. Sim, eu desejava aquela mulher tanto quanto queria ela morta. Por isso satisfaria ambos os desejos.
foi tão burra ao vir pra cá. Eu entendo que ela queria fugir do passado e esquecê-lo. E a melhor forma era vir pra uma cidade completamente diferente de LA. Mas Miles City era uma cidade pequena - com pouquíssimos habitantes (pouco mais de 8.000) e muitas florestas - e chuvosa. Muito chuvosa. O melhor lugar para vampiros. Eu não tinha contado direto com o sol, por isso podia sair de dia.
Então, eu estava “hospedado” na casa de um homem que eu “lanchei”.
O homem morava sozinho e a casa dele era pequena e no meio da floresta. Devia ser um caçador.
Fui surpreendido com os olhos de me fitando. Com ódio, fúria, fogo, raiva e todos os sentimentos mais sombrios e mais odiosos que podem existir.
’s Pov off
’s Pov
Estavam tudo negro, todas as minhas lembranças passando como uma avalanche pela minha cabeça e então eu senti uma queimação em minhas veias. Cada centímetro do meu corpo fervendo; não, fervendo é pouco, meu corpo estava entrando em um processo de combustão.
Dor e fogo eram tudo que eu sentia.
Ele não tinha me matado. Disso eu tinha certeza.
Mas ele me mordeu. Então isso significava... Não! Desgraçado, filho da puta. Aquele babaca me transformou! Como eu pude confiar nele.
Eu era uma burra.
Apesar de eu ter vivido ao lado de vampiros nunca quis realmente ser uma.
Mas o que eu não conseguia compreender é por que ele fez isso se veio aqui para me matar? Eu como uma recém-criada, seria mais forte e rápida que ele.
Ele devia estar querendo uma disputa justa, já que sabia que eu não ia me entregar fácil.
Ela certamente estava achando que eu não teria habilidade e experiência. Tolinho, fui criada por vampiros. Tinha todos os meus sentidos já treinados. Conhecia todas as técnicas de luta.
E agora sim, eu iria entrar nessa briga. Agora ele ia me pagar.
Eu teria que matar. Teria que matar para sobreviver.
Então era isso que ele queria. Ele queria me fazer ter a necessidade de matar.
Ele sabia que minha consciência me condenaria a cada dia da minha existência por isso.
Eu teria que me afastar da minha amiga por isso. Já que recém-criados nos primeiros meses ou anos, dependendo dos hábitos humanos da pessoa, sentiam uma sede incontrolável.
Phillip me explicou que se os hábitos alimentares do recém-criado enquanto era humano fossem bons, se os manteve forte pelo menos, o tempo de sede incontrolável seria menor. Quero dizer, ele não sentiria tanta sede e ela passaria em menos tempo.
Ou seja, ele não mataria o primeiro ser humano que aparecesse na frente.
Agora eu tinha que torcer pros meus novos instintos de vampira achasse meus hábitos alimentares bons. Pra eu poder pelo menos explicar pessoalmente à que eu não poderia vê-la mais. Não que eu fosse realmente falar que agora eu era uma vampira. Eu diria que ia viajar e talvez não voltasse.
E então meus pensamentos foram interrompidos por algo inesperado. Sede.
Então eu tinha me transformado. Agora eu era oficialmente uma vampira.
E tinha sede. Tinha fome. Queria sangue.
Abri meus olhos e me deparei com um pensativo ao meu lado.
E aquela imagem era perfeita. Ele era lindo.
Vê-lo agora me dava ódio. Queria estrangulá-lo. Queria destruir cada centímetro daquele corpo maravilhoso.
Mas ao mesmo tempo queria beijá-lo e agradecê-lo por ter nos unido desta maneira.
A ligação de um vampiro com seu criador era muito grande. (n/a: finge que você nunca leu isso ta bom)
Mas no momento a sede e a fome eram bem maiores que esse desejo.
- Seja bem vinda ao meu mundo!
Filho da mãe!
Eu não sentia nada. Meu coração não batia. Minha respiração não era necessária. Não me sentia quente.
Eu era fria. Eu era fria. Não queria isso. Queria o fogo! Queria o calor!
- Desgraçado! – Eu disse com a voz rouca enquanto sentava na cama.
- Uau! Seu humor não mudou hein? – Fome, fome, fome, sede, sede, sede, de que eu chamaria aquilo daqui em diante? Eu sentia fome. Mas aquilo era chamado de sede. – Sentindo algo? –Ele perguntou me despertando dos meus pensamentos. E ele realmente parecia preocupado.
- Fome, sede. Do que eu chamo isso afinal?
-Sede. – AEW! Descobri afinal!
Mas aí veio algo. Eu teria que matar um humano. Eu teria que matar outra vez. E entendi que isso fazia parte da vingança dele. Mas a necessidade era maior do que qualquer culpa que eu pudesse sentir em longo prazo.
- Vamos. Nós estamos na floresta ao sul da cidade certo? Têm mais caçadores como esse que você matou. – Eu falei. E vi a expressão de surpresa dele. Eu conhecia bem essa cidade. E, como eu disse, meus sentidos que já eram apurados agora estavam bem mais. Eu sentia o cheiro de alguns humanos.
- Então vamos. – Ele disse se levantando. Pegou um sobretudo e me entregou.
- Pra quê isso? – Eu perguntei sem entender o porquê de ele me entregar aquele sobretudo. E ele simplesmente olhou meu corpo.
Droga! Eu estava de lingerie! Pra que ele tirou minha roupa afinal?
- Você estava suando muito. Eu precisei tirar.
- Desgraçado, filho da puta! – Eu xinguei enquanto dava uns socos fracos no braço esquerdo dele. Ele segurou meus braços e se inclinou em cima de mim, me obrigando a me inclinar também. Por que eu ainda estava nessa cama afinal? Já era pra eu ter levantado, droga.
- Não haja como se daqui a uns dias, ou talvez horas, você não fosse implorar pra eu tirar toda a sua roupa e te deixar nua, gritando e gemendo embaixo de mim.
- Tolinho, eu sempre preferi ficar em cima. – Ele deu uma risadinha bem sapeca eu diria. Com a ponta do dedo desceu do meu queixo até a barra da minha calcinha.
Ele colocou o dedo menos de um centímetro dentro da calcinha e foi de um lado ao outro do meu quadril. E então soltou, fazendo com que uma leve dor corresse meu corpo por causa do atrito do tecido esticado da calcinha com a minha pele.
- Você é bem safadinha, sabia? – Ele disse no meu ouvido antes de levantar e ir pra porta.
Eu ri e coloquei o sobretudo.
Saímos correndo e vi um caçador a uns dois quilômetros a frente.
E no primeiro passo que eu dei, tive certeza, a antiga ainda estava ali, querendo voltar; E agora eu teria que decidir: se ela voltasse seria bem mais fácil sair viva desse jogo que decidiu fazer. Mas eu nunca mais conseguiria esquecer essas coisas. E ela poderia nunca mais ir embora.
Se eu a matasse. Minha luta seria bem mais difícil e meus dias na Terra poderiam estar sendo contados.
E assim que encontrei o caçador, não hesitei em mordê-lo sem ao menos falar nada.
E no momento que o sangue invadiu minha boca, já havia feito minha escolha.
’s Pov.
Eu não entendi muito bem quando ela não se importou de ter que matar uma pessoa. Ela estava sugando cada gota do sangue daquele homem sem um pingo de piedade.
Mas eu sabia que depois isso iria pesar na consciência dela.
Pelo menos era o que eu esperava.
Talvez eu tivesse despertado a antiga . Mas se isso acontecesse, eu simplesmente a mataria. Não antes de me satisfazer, claro.
Mas a mataria. Seria fácil. Eu não a ensinaria nada sobre lutas nem sobre nossos sentidos e alertas. Mas por algum motivo uma voz dentro de mim estava me chamando de burro.Será mesmo que Phillip havia ensinado a sua menininha essas coisas?
Se ele ensinou, eu acabara de dar vida ao ser que poderia me matar. Mas, se isso acontecesse, talvez o jogo ficasse mais interessante. Mais equilibrado. Ela atacou aquele caçador tão rápido, com tanta habilidade, que eu realmente estranhei. Eu conseguiria ver um vampiro de 10 anos fazendo aquilo. Mas ela não tinha nem 1 hora!
Além disso, os sentidos dela estavam extremamente sensíveis. Sim. Phillip a treinou. Eu estou oficialmente fodido. Pode me chamar de burro.
Tinha um brilho estranho nos olhos dela. Como se ela tivesse constatado algo ao morder aquele homem. Ele era gordo. O sangue devia estar gorduroso e com muito álcool, já que eu estava sentindo o cheiro. Mas para um recém-criado, sangue é sangue.
Ele estava caído no chão com uma expressão de dor e ela agachada ao lado dele chupando o sangue pela jugular. Era o melhor lugar pra fazer aquilo. O sangue vinha com pressão e você não precisava chupar de fato.
E então ela terminou.
Levantou-se e parecia estar limpando o resto de sangue que havia em sua boca.
- E então, , gostou? - Eu não resisti.
- Ele enfartaria daqui a um mês se continuasse bebendo uísque e comendo os hambúrgueres do McDonald’s mesmo.
- Eu imaginei.
- Mas não era tão ruim. Eu gosto de Jack Daniel’s. Só não gosto de McDonald’s.
- Eu nunca comi.
- O quê? Como assim você nunca comeu?
- Ei! Eu tenho quase duzentos anos. Nem existia McDonald’s quando eu deixei de comer para beber.
Ela riu e veio andando até o meu lado, virando-se de frente para o corpo do caçador estendido a nossa frente.
- O que fazemos com o corpo? Deixamos aqui? – Ela me perguntou e eu não soube o que responder. O sobretudo estava meio aberto e o sutiã dela havia descido um pouco, deixando à mostra uma boa parte do seio. Aquilo me fez pensar em coisas pra fazer essa noite. Ela percebeu a direção do meu olhar e viu a situação em que estava.
- Seu tarado! Eu aqui fazendo uma pergunta séria e você me olhando desse jeito! – Ela disse, me dando um tapinha leve no braço.
- Ou! Calma aí, ta bom! O que eu posso fazer? Você é gostosa, apesar de ser uma vadia desprezível! –Ta eu não devia ter dito isso. E eu só fui perceber quando no segundo seguinte o punho dela estava no meio da minha cara.
- Você é um nojento, desgraçado!
Depois de dizer isso, ela saiu correndo para “minha casa”.
Eu sei que não deveria dizer aquilo mesmo sendo verdade. Agora meu “relacionamento” com ela seria algo bem mais difícil. E eu teria que apelar. Só não sei se seria certo.
Será que eu podia realmente fazer aquilo sem ser um monstro tão ruim quanto ela?
’s Pov Off

Capitulo 3- A Beautiful Lie
’s Pov.
Aquele desgraçado me chamou de vadia?! Eu adorava sim um dirty talk, mas porra! Nem transando a gente estava! (Não que ambos não quisessem, estava meio óbvio nos nossos olhos que queríamos) E ele ainda me chamou de desprezível. Vadia e desprezível na mesma frase não da!
Eu sei que ambas são verdade. Mas eu estava tentando mudar e ninguém parecia realmente se importar com isso.
Eu queria arrancar a cabeça do primeiro que aparecesse na minha frente, mas eu não faria isso. Eu ia me controlar.
Entrei na casa e me joguei na cama. Olhei pro lado e encontrei uma mala minha lá.
Levantei e abri a tal mala. Ela estava cheia de roupas minhas e outras que não eram minhas; peguei uma dessa e nem era uma roupa realmente, era um corset vermelhão extremamente sexy e em algum lugar ali devia ter o resto do conjunto.
Então tinha outros planos além de me matar quando veio me procurar... Interessante. Mas eu pensaria nisso depois.
Joguei o corset de volta na mala e peguei uma calça de moletom cinza e uma regata branca e me vesti. Agora que eu não sentia frio, era bem mais fácil usar minhas camisetas.
Não sei se ter uma mala minha aqui era bom ou ruim.Bom porque eu não ia ficar de calcinha e sutiã apenas. Ruim porque significa que ele quer me prender aqui por mais tempo.
Filho da puta esse , viu!
E foi só falar no desgraçado que ele chegou.
Graças a Deus eu tinha acabado de colocar minha camisa e já estava deitando na cama de novo. Ele olhou pra mim como se estivesse lutando com algo dentro de si. E disse as três palavras que eu nunca esperei ouvir da boca de :
- Eu te amo. – ta, eu não esperava por aquilo. E eu não acreditava realmente. Mas ele falou com tanta convicção que algo dentro de mim amoleceu.
E mais inesperado ainda foi o que aconteceu em seguida.
Ele veio em direção à cama, não muito rápido. Sentou-se ao meu lado, meio que de costas pra mim. Eu estava sentada na cabeceira da cama e ele senta ao lado do meu joelho mais ou menos. Ele segurou a minha mão e começou:
- Eu nunca imaginei sentir isso por alguém. Por isso tenho tanto ódio de você. Afinal, foi você quem tirou de mim as pessoas que eu amava como uma família. – Eu engoli em seco. Ele olhou pros próprios pés e continuou:
- Tenho raiva de estar amando a assassina da minha família. Tenho raiva de você por me fazer te amar. Você não sabe o que é amar quem você sabe que pode ser seu algoz. Me perdoa por te odiar. Mas me perdoa também por te amar.
Meus instintos me chamavam de burra, mas eu acreditava.
Para falar a verdade eu não sabia o que era realmente o amor. Talvez por nunca ter sido amada. Eu só vi o que era o amor uma única vez. E foi logo com e aquela vadia que eu matei na floresta.

Flashback on

Eu estava indo para uma caverna que eu sempre ia quando estava frio em LA. E hoje era um desses raros dias. Eu passei por umas pedras que formavam pequenos montes e algo chamou minha atenção.
Era um homem de cabelos negros e olhos extremamente azuis e uma mulher ruiva, ela estava de costas para mim por isso não vi bem.
Eles pareciam tão apaixonados.
O jeito doce que ele olhava pra ela. As risadinhas. Um lindo casal...
Até a noite quando eu vi tudo que eu não queria ver.
Ela estava transando. Gemendo e quase gritando.
Tudo bem. Se não fosse pelo homem que estava lá.
Eu só podia estar vendo coisas. Ela parecia estar tão apaixonada pelo homem dos olhos azuis que eu nunca imaginei que pudesse fazer isso. Estava o traindo com outro homem. E isso não era justo.
A dor que eu senti foi mais forte que o ser extremamente racional que eu geralmente era. Então, na noite seguinte, quando encontrei os três na floresta, não hesitei em matar os dois traidores.

Flashback off

Talvez ninguém entenda por que eu fiz aquilo com ela, mas é algo que está fora até do meu entendimento. Doeu tanto vê-la o traindo.
- Eu não sei do que você está falando, . – Eu falei sem sequer ter pensado.
- Como assim? – Ele perguntou. Nem eu entenderia aquilo se não fosse eu quem havia dito.
- Eu não sei o que é o amor. Eu não sei como se sente quem ama e muito menos quem é amado. Desculpe-me, desculpe mas eu nunca entenderia.
Ele respirou fundo e pareceu pensar. Mas quando falou, eu realmente quis morrer.
- Quando você ama, você esta disposta a dar a vida pela pessoa amada. Quando você ama, sua vida passa a depender do ser amado. Tudo o que você vê é aquilo. É como uma obsessão. É incontrolável. É destrutivo. Você mata e morre quando ama. Os seres humanos só veem o lado bonito do amor porque eles não querem ver que um sentimento tão puro pode sim matar. Por isso muitas pessoas acham que não conhecem o amor, porque elas só veem o lado mais bonito dele. Eu vejo o lado sombrio e é esse lado que geralmente se mostra primeiro. É esse lado que te faz pensar que odeia o ser amado quando não é realmente isso. - quando ele terminou de falar, estava suando e no fundo eu sabia por que, só não queria acreditar.
- Mas quando matam o ser amado, cresce um sentimento de vingança dentro de si. E tudo que você quer é fazer justiça. Por mais que isso não traga o ser amado de volta, TE faz sentir melhor pra seguir com sua existência que agora julga miserável e desnecessária. É difícil viver sem o ser amado, sabendo que ele nunca mais estará ao seu lado. Mais difícil ainda quando você é imortal e tem toda a eternidade te esperando. – Ele olhou pra mim. E só havia dor nos olhos dele. Talvez ele entendesse o que eu havia dito.
- Você não acredita no que eu estou dizendo, certo?
- , você não conhece minha história. Você não entende o que me levou a fazer o que fiz.
- Então o que te levou a fazer o que fez? Por que você matou Rosalie? – O ódio na voz dele só confirmava tudo que eu havia dito antes. Mas eu não queria acreditar que eu estava certa. Eu nunca ouvi um eu te amo.
- Por que você nunca abriu seus olhos? Por que você está mentindo pra mim? Você não vê que fazendo isso só esta se tornando um monstro?
- Eu sou um monstro. – Ele disse isso com um tom de sarcasmo e ironia. – Você me convenceu disso.
- Não, , você não é um monstro. - Eu puxei o queixo dele e fiz com que ele olhasse dentro dos meus olhos. – Se você quer me matar agora, simplesmente me mate. Porque eu posso ter feito coisas horríveis, mas tenho certeza que isso que você esta fazendo é muito pior. Eu nunca fui amada. O único sentimento que alguém teve por mim foi ódio e uma gratidão que Phillip sentia por mim. Ele me criou e em troca eu facilitava as coisas pra ele quando o assunto era comida. Eu não conheço o amor. – Eu estava lutando contra todas as barreiras que existiam dentro de mim para falar aquelas coisas. O olhar de passou de dor para arrependimento ou algo do tipo.
Ele levantou e foi para frente da cama; em pé de costas pra mim. Eu abracei meus joelhos e escondi meu rosto de forma que ele não visse as lágrimas que insistiram em descer.
Eu estava certa, ele não me amava. Mas por que isso doía tanto?
E antes que eu pudesse me segurar, as palavras saíram da minha boca junto com o choro.
- Por que você a amava tanto?
- Porque ela era linda de espírito. Porque ela me amava...
A partir daí eu não escutei nada. E mais uma vez o ódio me dominou e eu não me controlei. Fiquei de pé e comecei a gritar entre as lágrimas que ofuscavam minha visão:
- Te amava? Ela te amou durante o dia e à noite estava fazendo sexo selvagem, gritando embaixo daquele outro cara que eu não sei o nome! Foi por isso que eu os matei! Porque eu vi o quanto você amava aquela vadia! E eu vi que ela não merecia, ela te traia com aquele outro debaixo do seu nariz! Abra os olhos, ! Você não pode me julgar. Você não me conhece por mais que pense o contrário.
tinha ouvido tudo de costas pra mim. Quando eu terminei, ele virou e veio na minha direção. Quando estava na minha frente, segurou em meu pescoço, me levantou e me apertou na parede.
Era ódio puro que exalava dos olhos dele.
- Você é uma vadia desgraçada que não tem o direito de falar as mentiras que está falando da Rose. Você não passa de uma puta que transava com os caras pra continuar recebendo o mínimo de atenção de um assassino que te criou por puro interesse. - Ele apertou mais ainda meu pescoço. – A Rose nunca faria isso.
Ele me soltou e eu caí no chão. E até ele percebera o quão falsas eram suas palavras, nem ele mesmo estava acreditando nelas.
E eu era a pessoa mais masoquista do planeta que estava implorando pela morte.
- Nem você mesmo acredita no que disse, não é mesmo, ? – Eu disse enquanto me levantava.
- Me fala um único motivo pra não te matar nesse momento.
- Ora essa, ! Foi você quem disse que me ama e sou eu quem tem que te dar motivos pra não me matar?
- Vadia! – Ele gritou e virou me olhando.
- , se você quer me matar, me mata. Me fala um único motivo que eu tenho para continuar viva.
- Eu.
- O quê?
- Você vai ficar viva por mim. Eu vou fazer você pagar por tudo que fez. E você vai se arrepender.
- Eu só te peço que abra os olhos.
Dizendo isso, eu saí de lá. E simplesmente corri.
Corri de todos os monstros que vinham com as lembranças daquela noite.
Certa vez li em algum lugar que paramos de procurar os monstros embaixo de nossas camas quando descobrimos que eles estão dentro de nós.
Isso era verdade. Talvez fosse a maior verdade do mundo.
Esse era o grande motivo pra eu não gostar de ficar sozinha. Meus monstros me atacavam de uma forma que às vezes era difícil fugir. Eu sempre corria, mas eles me encontravam.
E agora que fez o favor de despertar todos esses monstros, era ainda mais difícil de fugir. Era quase impossível.
E então vi ao longe ele. A última pessoa no mundo que eu queria encontrar agora

Capítulo 4 - New Devide (Linkin Park)
Sim, era Phillip. Mas como meu pai de criação havia me encontrado?
Talvez por ter me tornado uma vampira, como nossa ligação era forte, ele tivesse detectado.
Não, isso era muito improvável.
- ! Você... Você não é mais humana? – Ele falou isso tentando conter a desaprovação e o desespero na voz. Mas, claro, isso não deu muito certo.
- Phillip, aconteceu. – Como eu iria explicar aquilo a ele? Era simplesmente impossível. Então, tentei mudar de assunto. – Mas como você me encontrou?
- Eu detectei. Nós vampiros temos um tipo de radar, eu já te falei sobre isso.
- Sim, falou. Mas, pra que você veio? – Eu estava completamente nervosa. Não fazia ideia de como lidar com a situação. Estava presa e completamente nervosa.
- Eu vim pra saber o que aconteceu! Você virou uma vampira!
- Phillip, aconteceu. Foi um descuido.
- Você tem idéia de quanto esse descuido vai afetar sua vida!? – Ele estava com raiva?
- Desculpa, Phillip! Mas você não faz parte da minha vida agora! Eu quero mudar. Eu quero esquecer o que você me fez fazer. Eu realmente queria ser uma humana normal, mas agora as coisas mudaram e você não pode fazer nada! NADA! Entendeu? – Eu perdi a cabeça. Afinal, o que aquele cara tava pensando? Eu tinha me afastado dele, estava tentando uma vida nova e isso não o envolvia.
- Me desculpa ter me preocupado com você, tá bom!
- Ah, claro. Agora vai dar uma de vítima!
- , por favor, vamos parar com isso.
- Foi você quem começou. Você que pare.
- Tá bom. - Ele falou, meio que se rendendo, e continuou. – Como está a sua vida agora?
- Tá indo. E a sua?
- A mesma coisa. Mas... Você já se adaptou a esse lugar?
- Sim. É legal. É frio.
- Você sempre preferiu o frio, né? – Ele disse com um leve sorriso no rosto.
Phillip era bonito. Não como , claro. Mas era bonito.
O cabelo castanho, não tão escuro e nem tão claro. Tinha os olhos extremamente negros e a pele branca como a de todos os vampiros. Tinha um aspecto maduro. Não velho, só maduro. Tinha um queixo mais quadrado com um furinho no meio. E era grande. Sim, ele era alto e tinha o corpo “parrudo”.
Ele era rude, tinha uma beleza rude.
- O calor nós não podemos mudar sem utilizar as tecnologias, mas o frio nós podemos esquentar com nosso próprio corpo. É pura física. – Eu respondi a pergunta dele. Meio atrasada, mas respondi. – E fiz alguns amigos por aqui também.
- E como está sendo essa vida de recém criada?
- Surpreendentemente fácil. Mas eu fui transformada hoje e já me alimentei. Então, está fácil.
- Quem te transformou?
- Por favor, Phillip. – Se ele soubesse que foi o , certamente o mataria. E por algum motivo, eu não queria isso.
- Tá bom, tá bom! Mas... Por quê?
- Simplesmente aconteceu! Para de perguntar sobre isso, por favor!
- Tá bom! – Ele riu. – Você conseguiu esquecer tudo aquilo?
- Nunca vou esquecer. Por mais que eu tente, o passado vai continuar aqui. Os meus erros não serão apagados, mas eu realmente quero me redimir. O passado nunca irá mudar, muito menos me deixar.
- Mas, então, por que se tornar uma vampira? Se está querendo se redimir, deveria lutar a favor da humanidade. E não passar a matar por necessidade.
- Tem coisas que estão fora do nosso controle e essa é uma delas. Eu não escolhi me tornar uma vampira. Simplesmente fugiu do meu controle. Mas isso não significa que eu vá matar realmente.
- Como assim?
- Eu posso perfeitamente tirar o sangue de três ou quatro humanos em uma noite. Eu não preciso necessariamente matá-los. – Sim, isso passou pela minha cabeça nesse mesmo segundo e eu não pensei nem um pouco antes de falar.
- Isso seria difícil e colocaria em risco nossa segurança. Nós não podemos deixar os seres humanos saberem de nossa existência, .
- Eu sei.
- Então você falou sem realmente pensar, certo?
- Sim. – Ele deu uma risada gostosa, e nesse momento eu tive certeza. Eu amava meu pai. Ele realmente se preocupava comigo.
- ! Minha pequena, você não muda mesmo, não é? Continua falando sem pensar.
- É, já está na hora do meu cérebro deixar de ser preguiçoso e pensar um pouco mais. O problema é que minha boca é impulsiva.
Ele olhou pro lado, e eu senti com meus radares que havia um vampiro por perto.
Eu gelei. E naquele momento tive certeza de que era .

’s Pov.

Aquela vadia ia morrer! Ela não tinha o mínimo direito de falar aquelas coisas da minha Rosalie.
Por isso, agora, eu estava correndo atrás dela.Ela não podia estar tão longe. Foi quando senti que ela estava perto.
E, então, corri ainda mais rápido.
Talvez pela ira, meus instintos tenham me enganado. Quando cheguei a menos de cem metros, vi que tinha outro com ela.
Era Phillip.
O que ele estava fazendo aqui? Ele certamente já sabia que , agora, era uma vampira, e devia estar com raiva. Muita Raiva!
Ele me viu.
Me olhou com toda a raiva do mundo e correu em minha direção.
Eu fiquei parado, sem nenhuma reação. Mas coloquei a máscara mais fria que tinha em mim. E esperei. Ele me rodeou e riu abertamente. Havia raiva, crueldade, diversão e ironia naquela risada.
- Então foi ele, ? – Ele perguntou a que agora nos olhava a uns cinco ou sete metros, ao lado de uma árvore. Ela engoliu em seco. – Foi ele, ? – Ele perguntou mais uma vez. Agora com autoridade.
- Phillip...
- Por que você deixou esse desgraçado fazer isso?
- É, ! Por que você deixou um sanguessuga nojento fazer isso com você? – Eu não podia me deixar diminuir. Parecer que eu tinha medo era a pior coisa que eu faria agora.
Ou não.
Ele me deu um soco pelas costas. Eu cai.
Já estava me levantando quando, pra minha surpresa, me defendeu.
- Phillip! Pára! Por favor, não faz nada! Me deixa, eu sei resolver meus problemas! – Como assim, estava me defendendo?
- ! Esse sanguessuga te transformou e você está o defendendo?
- Phillip, entenda, por favor!
- Entender o quê?! Esse desgraçado matou todos os outros, sabia?! – Os olhos dela se arregalaram e eu juro que vi uma lágrima tentar sair. – Ele foi atrás de mim, mas fugiu como uma gazelinha foge do leão!
Eu não aguentei. Gazelinha era a mãe dele!
Fui pra cima dele com todas as minhas forças, e nós começamos a batalha. Ouvia os gritos da pedindo pra parar, eu acho. Mas agora eu não pararia. Por nada no mundo eu pararia. E quando terminasse meu serviço com ele, mataria ela também.
Ele estava com vantagem. Talvez por ser bem mais velho que eu. Ele era um dos vampiros mais respeitados. Era do clã abaixo dos Originais.
Os Originais tinham mais de 500 e até 600 anos. Foram eles que deram origem aos vampiros. E Phillip tinha pouco mais de 400. Ao contrário da maioria dos Originais e de seus ancestrais mais próximos, Phillip era do Sabbat, o lado mais obscuro de nossa hierarquia vampírica. Os Sabbat rejeitam a sua natureza humana e apenas vêem os seres humanos como a sua fonte de alimentação. E é só o instinto de preservação que os impede de matar os Masquerades, lado que preserva o total silêncio sobre nossa existência e um cuidado com nossos hábitos alimentares e cotidianos. Phillip era do clã Tzimisce, um dos mais antigos.
Tanto por sua inteligência quanto por sua experiência, Phillip era um lutador exímio. E eu estava quase perdendo. As habilidades na luta eram um aspecto de seu clã. Foi passado a ele por seu criador. E ele passou todos os seus conhecimentos e habilidades a , que tinha uma grande possibilidade de entrar para o mesmo clã de Phillip. Eu realmente esperava que se atrapalhasse um pouco agora no começo. Sim, porque ela ainda não conhece toda sua força e isso a atrapalhara. Mas em alguns anos ou meses, ela certamente estaria lutando tão bem ou até melhor que Phillip.
Será que ela realmente iria para o mesmo clã de seu pai de criação? Ela se tornaria ainda mais má. A convivência com vampiros que matavam por prazer, e que eram habilidosos e inteligentes, a tornaria uma máquina mortífera, com certeza.
Os Tzimisce eram o clã mais dotado de inteligência. Ao longo de minha existência, descobri que vários dos cientistas mais conhecidos da história, eram vampiros e pertenciam a esse clã.
Nesse momento um som chamou minha atenção.
Olhei para o lugar onde se encontrava e ela estava sentada no chão chorando. Sim, estava chorando como uma criança quando vê seus pais brigando. Percebendo esse meu breve momento de distração, Phillip me deu um soco bem no tórax, tão forte que me jogou a uns trinta ou quarenta metros de distância e conseguiu me deixar tonto. Eu não conseguia ouvir muita coisa. Meu peito doía, e a dor era a única coisa que estava em minha mente.
- Você não pode fazer isso! Ele veio te matar! Eu estou te defendendo. Eu te amo, minha pequena, minha filha. Eu confiei em você!
Então, eu ouvi o som de um galho se quebrando e um breve grito de um homem.
O que será que tinha acontecido?
Minha dor já estava passando e eu já estava recuperado. Levantei-me e corri até a clareira onde estava antes. E nunca, em nenhuma circunstância, imaginaria que estaria vendo essa cena.
estava sentada ao lado do corpo de Phillip, que já começava a se decompor.
Ela estava com as mão nos dois lados do rosto dele, chorando. Chorando como eu nunca imaginei que alguém pudesse chorar.
Olhei para o peito dele e um galho de uma oliveira estava cravado lá. Então, ela o havia matado pra me defender. Isso era insano demais. Até mesmo pra mim.
Ela começou a murmurar algumas coisas entre as lágrimas. Eu precisei me esforçar um pouco pra escutar.
- Papai, por favor, me perdoe. Eu não... Eu não sei o que me deu. Eu não queria. Eu te amo. Me perdoa, papai.
Ela tinha uma carga de dor na voz que assustaria até a mim. Por que ela havia feito aquilo? Por que ela matou o próprio pai pra ME defender?
Então ela se levantou.
Eu olhei dentro dos olhos dela e senti medo. Havia ódio, dor, fúria, raiva, arrependimento, orgulho, amor. Havia ali, naquele olhar, todos os sentimentos que um ser humano é capaz de sentir. E eu realmente estava com medo do que ela faria.
’s Pov Off.

Capítulo betado por Giovana



Capítulo 5 - Supermassive Black Hole (Muse)

’s Pov.
Ela saiu correndo pela segunda vez naquele dia. Me deixou sozinho no meio daquela clareira, com um milhão de dúvidas e nenhuma resposta. Eu não estava entendendo nada. Por que ela matou o próprio pai? Ele ia ME matar pra defendê-la, e ela o matou. Que falta de gratidão a dela. Foi uma atitude bem idiota essa. Mas de qualquer jeito, foi isso que me manteve não-vivo.
Depois de uns cinco minutos, eu resolvi levantar e ir embora. E por algum motivo fiquei surpreso quando cheguei a casa e ela estava lá, sentada no chão, recostada na cama, com as mãos encostadas nos joelhos levantados. Na mão esquerda, uma garrafa de Jack Daniel’s; e na direita, um cigarro. Os cabelos longos estavam um pouco bagunçados. O que antes era uma calça de moletom, agora era um short (e eu me segurei pra não perguntar o por quê); a regata tinha alguns rasgos e por isso o decote, que já era grande, ficou ainda maior. Ela tinha leves arranhões pelo corpo. Não sei se eram meus olhos ou minha atual abstinência, mas essa cena parecia extremamente sexy aos meus olhos. Sexy, até ela olhar pra mim. Depois disso eu tive medo. Eu esperava arrependimento, ou algo do tipo raiva, qualquer coisa. Menos o que eu vi.
’s Pov Off.

’s Pov.

Eu não sentia nada. Nada. Nem culpa, nem arrependimento, nem raiva. Nada.
Por que eu fiz aquilo? Eu simplesmente agi por impulso. Quando vi, meu pai estava caído no chão, morto. E fui eu quem o matou. Ele queria me salvar. Ele queria me proteger. A vida inteira ele me afastou do destino que agora eu sigo. O destino que, ele sabia muito bem, eu abominava. E agora enquanto ele estava me protegendo, eu o matei. Eu realmente era uma vadia desprezível. Eu queria morrer nesse momento.
Quando saí daquela clareira, comecei a me rasgar e arranhar inteira. Minha calça virou um short e minha regata, que já tinha um decote avantajado, agora chegava a ficar vulgar. Eu estava confusa. Não entendi muito bem o que fiz, a única coisa que eu queria era matar alguém. Mas tenho que prender esse sentimento. Agora não é algo que eu realmente possa controlar, então, é melhor prevenir.
Estava tão absorta em meus pensamentos que nem percebi a porta abrindo. Quando olhei para o lado, tive vontade de voar no pescoço dele.
me olhava completamente descarado, como se fosse me comer com os olhos. Eu não acreditei naquilo. O desgraçado, além de me fazer matar meu pai, ainda me olhava daquele jeito?
- Oi, . – Foi a única coisa que eu consegui dizer depois de conter todo o ódio que dominava meu ser naquele momento.
- Tá tudo bem?
- Claro, com certeza! Por que não estaria?
- Não sei. Hmm, ...
- Só os íntimos me chamam pelo apelido. E você não esta nessa lista.
- Olha aqui, eu não sei por que você fez aquilo, mas não vem descontar em mim, tá bom?
Eu levantei devagar e fui até uma mesinha pequena, peguei mais um maço de cigarros. Tirei um, acendi e levei até minha boca. Bebi um gole da garrafa de Jack, que não saiu da minha mão um minuto sequer desde que cheguei à casa. Encostei o lado direito do meu quadril na mesinha e fiquei de frente a .
- , você foi lá pra me matar, certo? Então, por que você não faz isso? Agora, por favor! Eu estou entregue a você, pode me matar. Eu não vou me importar. - Ele deu uma leve risada e olhou pra mim, mas eu continuei - Seria tão mais fácil, pra ambos os lados, se você fosse menos covarde e me matasse!
- , não é uma questão de covardia, é uma questão de justiça. Você morrerá, mas antes vai sentir exatamente como eu senti.
- A morte não é uma forma de justiça. Você se torna igualmente assassino.
- Fala isso porque nunca perdeu alguém que amasse realmente.
- Será que você não pode ser um pouco racional?
- Racional? Eu sou um vampiro, o ser menos emocional de todo o planeta.
- Preste o mínimo de atenção. A morte não é uma justiça, ela te torna igualmente assassino. A justiça só seria feita se não houvesse assassinato.
- Bom, foi você a algoz de minha família. Como fará para se redimir?
- Não existe remissão quando se tira a vida de outra pessoa. Assim como não existe preconceitos ou enganações, existe ignorância, a mãe de todos os males.
- Você nunca teve medo dos vampiros e criaturas da noite? – Ele perguntou ignorando, completamente, minha indireta.
- Eu sou a meia-noite. – Fui pra frente, rodeando ele enquanto falava. - Posso ser a mais sombria escuridão, posso ser o mais leve dos raios solares, posso te envolver, te queimar, te assustar, te esquentar, te congelar, te seduzir.
- Matar.
- Sim, , eu posso matar. Matar antes que a vítima perceba o perigo.
- Covardemente linda.
- Predadora nata. – nesse momento já estávamos envolvidos numa dança; eu parada a frente dele, passando a mão em seu pescoço e rosto, e ele com as mãos em minha cintura. Nossos rostos estavam a alguns centímetros e a atmosfera de sedução e excitação estava dando sinais bastante perceptíveis. Então, eu recomecei a rodeá-lo, passando a mão em seus ombros, em suas costas, ou com o corpo colado em seu abdômen, parando às vezes. – Você quer me matar, mas não consegue evitar a fraqueza que é o sexo. A fraqueza que eu causo em você.
- Mas eu não quero esconder nada. Você, seu corpo e todas as suas células estão implorando por mim. Talvez, eu seja sua fraqueza, não o contrário.
- Não foi bem isso que seu olhar transpareceu quando entrou por essa porta.
- E você não parecia nem um pouco forte em relação a mim quando matou seu pai.
- , você está excitado, certo? – Eu falei com a parte frontal do meu corpo completamente grudada nas suas costas e com a boca em seu ouvido, sussurrando. – Oh, sim. Você está excitado apenas com minhas palavras. - Eu comecei a descer a mão por seu abdômen. - Você não consegue se controlar, certo? – E, então, eu passei a mão por seu membro. E, sim, ele estava excitado, bem mais do que eu imaginei que estaria, ou era por causa da longa abstinência que ele vinha enfrentando, ou eu era foda. – Oh, sim. Você está excitado. – Eu fiz uma leve pressão com a mão por cima da calça jeans e ele soltou toda a respiração, eu dei uma leve risadinha e disse algo que talvez não devesse ter dito. – Eu te excito mais que sua tão amada Rosalie, certo?
Ele saiu da minha frente e foi pro outro lado do quarto. Olhou pra baixo e depois levantou o olhar. Ódio foi tudo que vi, ele queria me matar. E, talvez, se eu me esforçasse mais um pouquinho, ele faria isso e eu atingiria meus objetivos.
- Não fala da Rose, eu já te avisei. Você é uma vadia, desgraçada, assassina, que sequer se compara a minha Rose. - Ele disse em tom baixo e ameaçador.
- , ela não era apenas sua; ela era do seu amiguinho. - Ele levantou a cabeça e fechou os punhos, eu continuei.- Pensando bem, eu deveria ter matado apenas ela. Porque, bom, pra uma vampira estar gritando do jeito que ela gritava por ele, o cara tem que ser bom, hein. - Eu voltei pra mesa, acendi outro cigarro, e me encostei da mesma maneira que antes. - Falando nisso, ela também gritava por você? - Ele veio até mim tão rápido que eu não tive nenhuma reação.
Segurou-me com as duas mãos e me apertou na parede, tentando, em vão, me enforcar.
- Você é uma desgraçada, eu te odeio! Não fale mentiras da Rose. Eu realmente quero te matar, mas tenho que fazer você sofrer antes. – Ele me soltou, e eu dei uma leve risada enquanto ele virava as costas pra mim.
- , vocês já tinham transado, certo? Ou não? Porque, sério, foram quase duzentos anos juntos!
- Cala a merda da boca, porra!
- Só me matando pra você conseguir isso, . – Eu estava falando em um tom irônico que eu nunca imaginei ter.
- Como eu quero fazer isso.
- Não faz porque é covarde.
Ele veio até mim mais uma vez, mas agora eu estava preparada. E a luta começou. Talvez nem fosse uma luta; estávamos tão sincronizados que mais parecia uma dança. Pela primeira vez, eu utilizava as técnicas que meu falecido pai me ensinara.
Ele tentava socar minhas costelas e, covardemente, meus seios. Então, eu ia para as suas áreas íntimas e seu estômago. Setenta por cento dos golpes de ambos eram bloqueados e os que nos atingiam eram mais fracos.
estava com fúria, ódio, dor, angústia e desejo nos olhos. Todos os sentimentos eram completamente recíprocos.
Eu cai de bruços no chão e me prendeu, me deu uma chave de braço e colocou um dos braços em volta do meu pescoço. Agora ele podia me matar. Mas não o fez. O volume entre suas pernas estava cada vez mais pressionando minhas nádegas e eu não queria realmente sentir aquilo, já estava bastante excitada pra ter que me segurar diante de algo assim.
- A única pessoa covarde aqui é você. Que matou várias pessoas por pura diversão, por puro prazer. As duas pessoas que eu mais amei, foram mortas pela sua loucura, pela esquizofrenia de sua mente sádica.
- Continue, meu caro . Quero entender um pouco mais sua filosofia. - Ele me soltou e levantou; me virei e me arrastei até a parede, onde fiquei encostada.
Ele estava do outro lado do quarto, com a mão na testa e a respiração, desnecessária, estava descompassada. Eu estava quase sem roupas e meu peito subia e descia incessantemente devido a respiração igualmente desnecessária.
Ele virou e olhou pra mim.
- Por que você quer tanto a morte? Eu sei que isso tudo foi de propósito, só não entendo o porquê.
- Você me transformou num monstro. Agora não existe mais fogo, nem calor, nem adrenalina correndo por minhas veias. Eu sou um ser frio, congelado. - Ele me olhou sem nenhuma emoção.
- Então, entenda que vai demorar bastante pra você morrer.
Ele já ia saindo, eu levantei e parei a frente dele.
- Você é um corno! - No segundo após eu dizer isso, a mão dele já tinha atingido minha mandíbula. Ele começava a me bater sem parar, mas dessa vez eu não faria nada. Deixaria ele me bater e quando parasse, eu voltaria a xingá-lo até ele me matar.
Ele parou e segurou meu rosto. Me encostou na parede e colou seu corpo no meu.
- Não faz isso, por favor. - Ele quase implorou.
- Você é um idiota. - E antes de eu terminar o que ia dizer me surpreendi. Esperava tudo, menos um beijo.

Capítulo betado por Giovana



Continua...



N/A: E aí? O que estão achando?
Ainda tem mais gente pra morrer, então preparem o coração!
Me falem o que estão achando, nos comentários, na tag... Não tem muito o que falar hoje, então...
Bye! :*

N/B: ai meu deus, é permitido surtar aqui? asdlçka~sld O que foi essa cena no quarto???????????????
Nways asçdlkaçdsl gostaram da att? Comentem para deixar a autora feliz!
Qualquer erro, seja de script, português ou ambos, enviem diretamente a mim, ok? Seja por tweet ou email. Muito obrigada!
xx, Mari Lima


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