Finalizada em: 12/06/2022

Capítulo Único

Tudo o que queria era que sua estrela preferida também fosse alguém que esperava por ele, assim como Evangeline esperava por Ray, que podia ser um conto de fadas, mas que fez muito sentido em seus pensamentos, afinal, ele podia pensar o que queria sobre o mundo em que vivia, já que não o conhecia por completo ou melhor, nada dele. era uma pessoa feliz, mas solitário, havia crescido em um orfanato perto das montanhas de sua cidade natal, ou pelo menos a cidade que diziam ser, e nunca conhecera seus pais. A única coisa que sabia de uma das antigas enfermeiras era que sua mãe havia aparecido com ele debaixo de chuva em uma quinta-feira e que ela parecia usar uma linda roupa de seda da cor vermelha que destacava seus cabelos e olhos escuros assim como os dele.

— A estrela que caiu e teve o verdadeiro amor em suas mãos não pode aproveitá-lo o suficiente, mas o fruto desse amor está destinado ao mesmo caminho. — ele ouviu a senhora que ficava na esquina de sua casa recitar a mesma coisa de todos os dias. — Foi mandada à Terra para que aprendesse uma lição e acabou sendo mais feliz do que todos imaginavam, por isso foi caçada até deixar seu primeiro amor em mão de desconhecidos. Mas o amor de mãe vence, ela o protegeu e seu destino mudou, ele encontrará sua sorte, seu destino, sua estrela, quando sua luz tocar o solo deste mundo. Ela iluminará seus caminhos, ela iluminará a sua vida.

Aquela era uma história muita antiga de seu povo, eles não aprendiam na escola, mas haviam diversos livros que citavam a mesma lenda, dizendo que anos atrás uma linda estrela havia caído na Terra e se apaixonado por um humano.

— Ela era muito radiante, eu a conheci pessoalmente, você sabia? — uma mulher franzina disse, se aproximando dele.

, em particular, sempre se sentiu atraído por aquela história. Desde que era pequeno, se perguntou se aquilo poderia realmente acontecer e se as estrelas de fato eram como todos eles e não apenas material rochoso.

— Como? — ele perguntou confuso.
— Sua estrela! — ela respondeu sorrindo. — Sua estrela está a caminho, meu rapaz, ela recebeu uma punição assim como sua mãe, mas o destino dela, assim como o de sua mãe foi conhecer seu pai, sempre foi vir a seu encontro.

apenas tinha doze anos quando escutou isso da senhora que desapareceu sem ao menos deixar que ele perguntasse algo. Ela era como o vento, que sequer parecia existir, mas esteve ali o tempo todo, então ele sabe que não havia sido coisa de sua mente.

Mas dez anos se passaram e nada em especial havia acontecido. O mundo em que ele viveu havia até mesmo perdido o brilho da magia que tanto escutava quando era menor. Ele teve seus amores, mas nunca amou de verdade, ao menos ele era consciente daquilo, nunca tentou enganar a si mesmo ou às pessoas com quem se envolvia.

Um dia isso mudaria e ele sequer sabia.

Em um dia cinza, onde a chuva gritava que cairia a qualquer momento, fazendo com que todos saíssem com seus guarda-chuvas de casa. Na televisão da casa que estava ligada desde que havia acordado, a repórter que falava sobre o tempo disse que estranhas chuvas meteorológicas também estavam ocorrendo no espaço e que naquela noite estrelas cadentes iriam aparecer pelo céu da cidade de Seoul.

, nós precisamos avisar a sobre isso. — ele disse, conversando com a cachorra do amigo que vivia com ele. — Ele é louco por fenômenos astronômicos, certo?

“Alerta nacional” foi o que ele escutou vindo do noticiário de repente, assim que virou as costas para ir em direção à cozinha para pegar seu café.

“A tempestade branca é conhecida por acontecer de vinte em vinte anos, as alterações astronômicas causam uma noite fria e congelante acompanhada de intensas chuvas por uma noite completa. Não é recomendável que deixem suas casas em hipótese alguma.” se surpreendeu com a repentina mudança no tempo e nas previsões. Minutos atrás diziam que apenas choveria e que algo que ele não entendia muito bem aconteceria fora da atmosfera, mas agora aconteceria um fenômeno que apenas ocorreu pela primeira vez anos atrás.

— É, . — ele disse fazendo carinho na cachorra. — Parece que não vamos ao nosso passeio de hoje.
— O leite acabou! — gritou da cozinha, assustando que não vira o amigo aparecer.
— Por Deus, ! — disse com a mão em seu peito.
— O que foi? — o amigo perguntou, colocando o copo que trazia em mãos sobre a mesa.
— Você me assustou! — ele respondeu. — Eu pensei que você já tinha ido para a faculdade.
— Eu não tenho aula hoje. — ele disse rindo. — O louco do professor de meteorologia disse que uma grande tempestade estava por vir e que todos deveríamos ficar em casa, e como ele nunca erra uma previsão, a universidade decidiu dar o dia de folga a todos.
— E ele não estava errado! — disse pegando o controle da televisão e desligando o aparelho, indo em direção à cozinha onde o amigo estava.
— O jornal das nove acabou de anunciar um alerta nacional sobre a tempestade branca que tá vindo. — disse enquanto se sentava na mesa de frente a .
— Tempestade branca? — ele disse assustado. — Meu Deus, já se passaram vinte e dois anos.
— Do que você está falando? — perguntou confuso.
— Você se lembra que eu te disse quando éramos pequenos que no dia de seu nascimento aconteceu um novo fenômeno que nunca foi explicado pela ciência? — sacudiu a cabeça positivamente. — Hoje é seu aniversário de vinte e dois anos e também vai acontecer o mesmo fenômeno que aconteceu quando você nasceu, não é engraçado? Vai ver você o trouxe quando nasceu. — brincou.
— Vai ver eu fui amaldiçoado ou algo do tipo. — ele disse brincando enquanto pegava as chaves de casa em cima da mesa.
— Espera, hoje não é seu dia de trabalho na cafeteria. — disse olhando o calendário pendurado na parede para se certificar de que estava certo. — Onde vai?
— Lena ficou doente e me pediu para que eu a substituísse. — ele disse colocando o gorro em sua cabeça. — Tchau, , vejo você mais tarde, vou pedir para os céus não mandarem essa tempestade branca para que possamos passear. — disse acariciando o animal. — , eu trago um bolo mais tarde e vou aproveitar para comprar o leite, então se eu chegar tarde, esse é o motivo.
disse que traria algumas coisas também. — o amigo respondeu.
— Perfeito! Vejo vocês mais tarde. — disse pronto para abrir a porta.
! — disse antes que o amigo saísse. — Feliz aniversário!
— Obrigado! — respondeu sorrindo.

se retirou para um dia nada animador, o céu cinza junto das gotas finas de chuva pareciam grudar em si. Trabalhar em um café normalmente era agitado, mas naquele dia em particular quase não haviam clientes além daqueles que trabalhavam por perto do café. se questionava sobre o que havia comentado mais cedo e precisamente se aquilo poderia ter sido algo real, afinal, todos sabiam que o mundo em que viviam era dividido em dois: a parte mágica, onde aconteciam coisas que ele não conseguia sequer imaginar, aquela que havia visto apenas em livros, e o mundo normal no qual ele vivia.

Por isso, concluiu que não havia como ele ser algo especial, alguém com algum tipo de maldição de família ou até mesmo poderes, ele não era especial porque sua vida havia sido miseravelmente infeliz até seus dezoito anos.

— Assopre a vela, garoto! — a senhora de repente apareceu à sua frente como um fantasma enquanto encarava a enorme janela. — Faça um pedido, hoje é o dia.
— Oh, você é aquela senhora da biblioteca. — ele disse, reconhecendo a mulher que viu mais ou menos dez anos atrás.
— Você tem uma boa memória! — ela disse rindo.

a encarou, ela trazia um longo vestido dourado, reluzente como o Sol, e em sua cabeça os cabelos grisalhos eram presos por um enorme laço da mesma cor do vestido.

— Vamos, faça um pedido. — ela disse acendendo a vela em cima do bolo que colocou sobre o balcão. — E assopre a vela cinco segundos depois.

Ela pediu e ele o fez. Nem ele mesmo sabe o porquê, mas simplesmente fez o que ela havia pedido. Ele desejou o que sempre desejava em todos os aniversários: que sua vida mudasse do dia para a noite de forma mágica.

— Muito bem, meu querido! Pegue uma embalagem para lavar este bolo com você. — ela disse sorrindo e ele se virou para pegar a embalagem atrás de si. — Desculpe não poder atender seus pedidos todos esses anos, mas dessa vez será diferente, portanto, acredite.

A senhora, mais uma vez, havia desaparecido assim como da última/primeira vez que a havia visto.

Assim como aquele momento, seu dia também não havia sido muito longo. Às seis e meia, o funcionário responsável por aquele turno havia chegado assim como o próprio chefe, que lhe desejou os parabéns assim que o viu.

— Onde vai comemorar essa noite? — o chefe perguntou de forma amigável.
— Em casa! — ele respondeu e um trovão soou pelos céus da cidade, fazendo com que ele desse risada. — Essa tempestade ainda vai ficar feia pelo que eu vi, quero chegar em casa antes de ela engrossar os pingos da chuva.
— Certo! — ele disse rindo. — Nos vemos na segunda.

saiu pela porta do estabelecimento e assim que pisou seus pés na rua, viu algo brilhar nos céus da cidade, uma estrela cadente caía e ele sequer sabia disso.

A chuva engrossou não muito tempo depois, sua corrida à loja de conveniência mais próxima teve que ser um pouco mais rápida para que não se molhasse tanto, já que havia esquecido seu guarda-chuva.

— Onze e cinquenta. — a atendente disse, empacotando as coisas dele enquanto ele procurava por sua carteira.
— Aqui! — ele disse o dinheiro a ela.

“Chuvas estelares estão acontecendo nesse exato momento, não se sabe a exata razão da previsão ser tão repentina, mas se você olhar pela sua janela neste exato momento, verá estrelas cadentes por todo o céu de Seoul”

A repórter falava do lado de fora da própria emissora, o cinegrafista filmava algo realmente extraordinário, um céu azul e rosa onde a chuva caía junto das estrelas que atravessavam o céu com precisão.

— Uau! — a atendente disse olhando pela janela da loja.

“Mas ainda pode ser perigoso, são previstas temperaturas repentinas de menos dez graus, portanto, a segurança nacional recomenda que não haja pessoas nas ruas depois das sete e meia da noite”

— Melhor eu ir indo! — ele disse, pegando seu troco da mão da atendente.

podia ver todos recebendo ligações preocupadas das pessoas que passavam por ele na rua, todos pareciam preocupados com o que estava acontecendo, mas tampouco significava que aquele era o fim do mundo, e se fosse, o que eles poderiam fazer a respeito?

Absolutamente nada!

— Alô? — ele disse atendendo seu próprio celular que vibrava feito louco em seu bolso.

Onde você está? — escutou a voz feminina dizer do outro lado da linha.

— A cinco quarteirões de casa, ! — ele disse, reconhecendo a voz da amiga.

Você precisa ser mais rápido. — ela disse com um leve desespero. — O tempo está horrível por aqui.

— Mas estamos apenas a cinco quarteirões de diferença, como pode estar tão diferente daqui? — ele perguntou confuso.

Eu não sei, apenas sei que estamos sem energia e que pedras enormes de gelo estão caindo por aqui. — ela disse um pouco desesperada. — Quem sabe não seja melhor você se abrigar em algum outro lugar ou até mesmo voltar para o café. Nós esperamos esse tempo melhorar e vamos te buscar.

— Eu já estou no meio do caminho. — ele disse de forma manhosa. — Não vou voltar.

Tudo bem. — ela suspirou — Mas tenha cuidado.

tentou caminhar mais rápido para que chegasse em casa mais cedo, mas o som de uma respiração descontrolada dentro dos arbustos que se mexeram bruscamente e gritos de homens pelos trilhos de trem que passava perto acabaram chamando sua atenção. Por puro impulso, ele olhou para ver se ninguém estava por perto e decidiu ver se a pessoa escondida – que tinha seus pés para fora dos arbustos – estava bem.

— Oi, está tudo bem? — ele perguntou se aproximando. — Eles já foram, você precisa de ajuda?

A voz de , e ele mesmo, pareceu brilhar em meio à escuridão. Ela sabia que aquela voz era a mesma que ouvia todas as vezes que olhava no espelho reflexivo.

De onde ela vinha, aquele espelho permitia que a pessoa em um dia difícil ouvisse palavras amorosas da pessoa que era seu outro eu em algum lugar do universo e, além disso, quando o espelho tinha vontade, ele lhe dava a possibilidade de enxergar a verdade sobre alguma parte de seu futuro, mas a opção era proibida por pessoas de sua hierarquia, tal processo era permitido apenas para o alto escalão.

— Só você pode me ajudar! — ela disse saindo de meio dos arbustos, o assustando por alguns minutos. Seu corpo estava trêmulo pelo frio e principalmente pelo vestido azulado que trazia estar ensopado, seus cabelos escorriam pelo seu rosto e sua boca, assim como sua pele, se encontravam pálidos, sua expressão, apesar da animação por vê-lo, era de quem poderia desmaiar a qualquer momento. — Eu vim! — ela disse eufórica. — Eu vim por sua causa, aliás, fui castigada por sua causa, mas o espelho me mostrou que era o caminho certo a ser tomado ou todos os outros teriam finais trágicos, menos esse.

— Do que você está falando? — ele perguntou, confuso e assustado.
— O que foi que o espelho me disse para te dizer que faria sentido? — ela perguntou para si mesma. — Ah, sua mãe!
— O que tem ela? — ele perguntou.
— Ela era igual a mim. — ela disse, estendendo seu braço em seguida. — Ela tinha uma marca dessa, provavelmente de uma hierarquia reluzente mais alta, mas nossas marcas, elas são iguais.

Em seu braço, uma numeração junto de uma estrela desenhada marcava seu braço.

— Esse é meu nome. — ela disse referindo-se aos números. — Mas todos me chamam de .

Brincar com os números e criar nomes humanos havia se tornado algo comum entre as estrelas de sua hierarquia reluzente, todas eram novas, então os números 1114 que carregava acabaram se tornando seu nome em letras.

— Eu nunca conheci minha mãe. — ele disse de repente, fazendo com que o peso batesse em seu peito por ter comentado.
— Me desculpe, eu não... — ela se desculparia se não escutasse os gritos se aproximarem mais uma vez. — eles estão voltando.
— Quem? — ele perguntou olha só ao redor.
— Pessoas que sabiam da minha vinda. — ela disse, puxando-o para trás de um dos arbustos. — nas palavras humanas, eu chamaria de Comitê disciplinar.
— O que você fez de tão grave? — ele perguntou sussurrando, já que as vozes realmente pareciam próximas.
— Quebrei o espelho reflexivo. — ela disse, fazendo ele arregalar os olhos. — Em minha defesa, ele me pediu para que fizesse isso. — ela se defendeu. — Era a única maneira de ser mandada para cá.
— Vem, eles foram por ali. — ele tocou seu pulso com cuidado. — Céus, você está uma pedra de gelo.
— Tecnicamente, estrelas tem um tipo de aura gélida. — ela disse, fazendo com que ele suspirasse e a puxasse pela mão para que atravessassem a rua. — Onde vamos?
— Para a minha casa! — ele diz, guiando ela sem soltar sua mão.
— Obrigada. — ela diz de repente. — Por acreditar em mim.

sabia que aquilo definitivamente não era de seu feitio, mas ainda assim não conseguia tirar a ideia da cabeça. Ele sabia que de alguma forma deveria se agarrar àquele momento.

! — ele disse, entrando com pressa em casa.
— Na cozinha! — o amigo gritou do outro cômodo.
— Será que você e podem me trazer duas toalhas secas? — disse enquanto tirava os sapatos, percebendo que a garota que sorria agarrada a seu braço não trazia nenhum par em seus pés, e por isso a vermelhidão parecia feia no momento.
— Não se preocupe, não dói! — ela disse, acalmando seu olhar preocupado.
— Aqui! — disse colocando pantufas fofas e confortáveis perto dela para que ela usasse. — vai te fazer sentir mais confortável.
— Obrigada! — ela sorriu.
— O tempo está horrível lá fora, cara! Eu não... — disse entrando no hall de entrada sem sequer perceber a garota até estender as toalhas ao amigo — Huh, olá!
, esta é . — começou a dizer. — , este é .

se assustou um pouco com a garota, definitivamente nunca havia levado ninguém para a casa sem que avisasse. De fato, nunca havia levado ninguém para casa.

— Será que você pode me explicar? — disse puxando para a cozinha enquanto observavam conversar com a garota animadamente. — Você simplesmente chegou com uma garota que parece estar vestindo roupas de 1800 no meio de uma das maiores tempestades do ano e que aparentemente parece ter ido bastante com a cara dela, o que é raro. — riu da expressão confusa do amigo. — E, ainda por cima, é seu aniversário. De onde você a conhece? São amigos? Vocês estão namorando? Você surtou de vez? Está com febre? Está querendo se vingar do fato de eu e estarmos namorando a mais de dois meses e você só saber desde a semana passada?
— Calma! — disse interrompendo e segurando os ombros do amigo para que ele se acalmasse. — Você fala muito, sabia? Ela, na realidade, precisava da minha ajuda.
— Elabore sua explicação. — o amigo disse. — Eu tenho a noite toda para ouvir, se você quiser.
— Olha, eu não sei, está bem? — disse colocando a toalha que secava o cabelo sobre o balcão. — Eu apenas senti que deveria...
— Hm, , temos um problema. — disse segurando a garota pelos braços gélidos.

explicava para com naturalidade sua história quanto seu corpo simplesmente colapsou e ela de repente desmaiou. Seu corpo estava mais gélido que antes, é como se, mesmo que quisesse, não pudesse esquentar-se, ao menos não longe dele.

— O que aconteceu? — ele perguntou ajudando a colocar mais uma vez sobre o sofá, com cuidado.
— Ela estava conversando normal e disse que precisava te dizer algo, então ela se levantou, mas travou ao mesmo tempo, disse que sua cabeça doía e desmaiou de repente. — explicou. — Ela está gelada demais, talvez ter ficado tanto tempo na chuva tenha lhe dado uma hipotermia.

se aproximou, segurando sua mão para que pudesse tentar sentir a pulsação que ela trazia e de repente um arrepio correu por seu corpo. No mesmo instante, os olhos da garota se abriram.

— Não podemos ficar longe por tanto tempo. — ela disse baixinho assim que o viu próximo quando abriu os olhos. — Eu dependo do seu calor nesse mundo, assim como dependia das suas palavras vindas do espelho reflexivo, é como minha fonte de energia, principalmente a partir do momento em que a nossa linha invisível se entrelaçou.

Ela não ficou acordada para explicar mais, voltou a dormir em seguida, com sua mão grudada na dele.

— Que tipo de romance exótico você anda lendo? — perguntou depois do amigo explicar detalhe por detalhe o que havia acontecido.
— Para ser sincera, parece completamente aceitável para mim. — disse, fechando as cortinas da sala com rapidez. — Por que tem alguns caras estranhos com aparelhos estranhos do lado de fora olhando para cá nesse exato momento?
— Comitê disciplinar. — disse se lembrando das palavras da garota mais cedo.
— O quê? — perguntou confuso.
— Ela falou sobre isso mais cedo. — disse também se lembrando.
— É, parece que eu sou o único perdido! — disse, se jogando pelo sofá.

No mesmo momento, escutaram batidas na porta, batidas fortes que os assustaram.

— Polícia! — disseram da porta com batidas ainda mais fortes.
— Ótimo, você trouxe uma foragida da polícia para casa. — sussurrou.
— Fica quieto, pegue a e a e saiam pelos fundos. — disse tirando a jaqueta e abrigando a garota que dormia confortavelmente no sofá. — Vou dar um jeito nisso.
— Nós não vamos sem você. — disse, ajudando a levantar . — Eu tenho um plano.

contou seu plano e, óbvio, não sabiam se funcionaria ou não, mas tentariam mesmo assim.

entrou com em um dos armários da área do fundo e pela fresta do mesmo observou abrir a porta da frente, fingindo estar sonolento, e conversar com os supostos policiais que entraram de uma vez na casa e começaram a inspecionar cada centímetro dela.

— Minha namorada é a única garota nesta casa, senhor, e ela está dormindo. — ele disse, tentando impedir que entrassem no quarto. — Meu colega que vive comigo ainda está trabalhando, então somos os únicos na casa.
— Te encontramos! — pode ouvir vindo do quarto junto de um grito assustado de e pedidos de desculpas vindo dos policiais.

se deitara com o rosto coberto na cama de para despistar aqueles que a procuravam e assim ocorreu.

— Vocês não podem ficar aqui! — a senhora que antes lhe deu o bolo de presente disse aparecendo de repente. — Vão para o carro agora.

O plano de deu tempo suficiente para que e , que a esse ponto já havia acordado, entrassem no carro de , na parte de trás, com cuidado para que não fossem vistos.

Os “policiais”, ou “comitê disciplinar”, receberam uma ligação e saíram pela porta da frente, se desculpando e agradecendo a e , passando ao lado do carro sem sequer notar ambos dentro dele.

— Aqui. — disse entrando no carro minutos depois e jogando algumas bolsas para ele e na parte de trás do carro.
— O que é isso? — perguntou confusa.
— Vocês precisam ficar fora de vista por um tempo, então estou emprestando meu carro para essa loucura toda. — disse rindo. — Eu não sei o que você é ou quem você é, mas eu tenho um bom pressentimento sobre isso. — ela disse, apontando para as mãos dadas. — Mas é bom devolverem meu carro inteiro ou eu mesma entrego os dois para os fiscais das estrelas, ou seja lá qual for o nome.
— Eu ainda acho um absurdo. — disse e revirou os olhos. — Mas quando ela desmaiou na sala e segurou sua mão, parecia que tudo brilhava, inclusive você. — ele disse apontando com a cabeça para o amigo. — E você não vê isso todos os dias, o seu melhor amigo brilhando no meio da sua sala de estar com as mãos dadas a uma garota que diz ser uma estrela, não quando o assunto é você, .

O amigo deu risada, sabia que, por trás de suas palavras, havia mais sentimentalismo do que ele esperava.

— Não podemos agir como se ele fosse normal também. — disse rindo. — Ele nunca foi.
— Vocês precisam ir! — mais uma vez a senhora disse, aparecendo e assustando a todos. Seu olhar mirava o fim da rua, observando a cada movimentação. — Eles estão no fim da rua, checando ao redor de outras casas.
— Quem é você? — perguntou confuso.
— Cassy! — disse agitada. — Você estava na Terra o tempo todo?
— Eu precisava manter minha promessa a Estella. — ela respondeu. — Prometo que explicarei melhor quando retornarem, mas, agora, vocês precisam ir para a costa, o mar assusta o comitê disciplinar, então lá estarão seguros, pelo menos por alguns dias.
— Coloquei na mala algumas roupas minhas que tinha por aqui. — disse para . — Quando vocês voltarem, podemos ir comprar, portanto, voltem.
— Sim, senhora! — disse eufórico.
— E você. — Cassy disse a . — Guarde isso muito bem, é o motivo para eles estarem atrás de você. — ela segurou o colar com uma pedra avermelhada dentro de um frasco. — O espelho escolheu você para que ficasse com uma das pedras estelares mais raras como proteção, não pode ser perdida ou levada por eles em hipótese alguma ou ela desaparecerá e isso gerará um caos na Terra.
— Está bem! — ela disse com firmeza. — Nada acontecerá, não se preocupe.
— Agora, vão! — Cassy disse.
— Vejo vocês daqui uns dias. — disse a e .

girou a chave e deu partida no carro, não demorando muito. Saiu de frente da casa observando seus amigos pelo retrovisor, era grato por todas as loucuras que aqueles dois enfrentavam com ele.

— Quem é Cassy? — ele perguntou sentindo uma pontada estranha em seu peito.
— A irmã de sua mãe. — ela foi sincera com a resposta. — Depois que sua mãe foi enviada à Terra por violar as regras hierárquicas, ela fez de tudo para vir atrás da irmã e de você.
— Você sabe quem é a minha mãe? — ele perguntou.

hesitou em dizer, mas, ainda assim, balançou a cabeça positivamente, segurando seu colar com força.

— Sua mãe foi alguém muito comentada mesmo antes de eu nascer. — ela sorriu. — Sua mãe era uma princesa no lugar de onde eu vim, ela foi criada com a função de criar diversas outras estrelas quando estivesse pronta para deixar com que sua luz apagasse, mas ela se apaixonou por um humano que sempre a admirava da Terra, o espelho o mostrava todas as noites a ela. — ela disse, segurando mais forte o colar. — De fato, aquele artefato, o espelho, de início era algo dela e apenas dela, mas depois que ela se foi, criaram uma regra onde estrelas de uma nova geração poderiam visitá-lo, não me pergunte o porquê, a única coisa que eu sei é que foi liberado depois do meu nascimento.
— O que aconteceu com ela? — ele perguntou.
— Ela caiu. — disse com pesar. — Foi castigada por algo insignificante e mandada para a Terra para ser disciplinada, mas ela desapareceu logo após cair.
— Ela encontrou meu pai. — ele disse, certo de seus pensamentos.
— Sim. — ela respondeu. — Eles puderam ficar juntos até seu nascimento, mas o comitê acabou a encontrando por ter sido delatada por uma das pessoas que mais confiava aqui na Terra, sua melhor amiga que veio à sua procura, Nix.

riu e ficou confusa com sua reação.

— O que foi? — ela perguntou.
— Curiosamente, esse nome me lembra uma das cuidadoras do orfanato em que cresci. — ele disse descrente. — Ela não era uma boa pessoa, mas me tratava tão bem que me fez ser mal visto pelas outras crianças. Se não fosse por , eu não teria amigos hoje.
— Provavelmente era ela. — disse. — Sua localização ficou apagada nos registros por anos, ninguém nunca soube de sua existência até que o espelho me contou, então isso significa que alguém...
— Ocultou. — ele completou a frase.
— Exato! Porque você continua sendo meio sangue e seria rastreado pelo comitê de qualquer forma, porque eles são responsáveis pela ordem de tudo que envolve daquelas que caem aqui na Terra. — ela concluiu.
— E o que é essa pedra que eles estão atrás? — ele disse, apontando para o colar em suas mãos.
— O coração de sua mãe. — ela disse com cuidado. — Sua mãe, quando foi pega pelo comitê, acabou não deixando com que soubessem sua localização por ela. Se fizessem um exame completo nela para ver seu estado depois de todo esse tempo na Terra e descobrissem que seu DNA, que estava computado na base de nascimentos, batia com o dela, eles iriam atrás de você e o estudariam por toda sua vida. — ela disse com um tom triste, afinal, o espelho havia mostrado essa possibilidade a ela e ele sofreria muito se a mulher não tivesse se sacrificado por ele. — Então ela tomou uma poção logo depois de te deixar no orfanato. Eles a pegaram e, quando chegaram à base, ela se desintegrou, deixando apenas seu coração como uma pedra protetora.
— E como isso foi parar com você? — ele perguntou confuso.
— Eu disse para você que somos ligados. — ela disse rindo. — A pedra meio que veio ao meu encontro quando eu estava procurando por uma chave perdida nos arquivos da biblioteca estelar, o espelho a enviou.
— Esse espelho parecia ser algo muito importante mesmo. — ele disse, ainda tentando assimilar toda aquela história.
— Ele era! — ela disse se lembrando das inúmeras vezes que ouviu a voz de através dele. — Mas a proteção de sua mãe está conosco, então tudo estará bem.
— E o que fazemos agora? — ele disse, voltando sua atenção a ela por alguns minutos.
— Vamos para o mar. — ela disse, encostando sua cabeça no vidro do carro observando a escuridão afora ser iluminada pelas diversas estrelas que conheceu em pessoa. — Obrigada. — ela disse, surpreendendo-o.
— Pelo quê? — ele perguntou.
— Por acreditar em mim. — ela respondeu sorrindo. — Prometo iluminar a sua vida como jamais quis iluminar a vida de ninguém.

O coração de ardeu. Era como se aquelas palavras fossem tiradas de um sonho que já havia tido antes e colocadas na vida real. No fundo, ele sabia que aquilo era o que havia desejado todos os anos em seu aniversário. Que uma estrela viesse e iluminasse aquela estrada escura e confusa, que sempre havia sido sua vida.
Mesmo que aquele tivesse sido um sentimento repentino e rápido, observando o reflexo da garota na janela, sorrindo ao olhar para o céu, realmente fez com que ele visse aquela oportunidade como um milagre, então, ele disse a si mesmo que se agarraria a isso, pois daquele dia em diante ele protegeria os dias e as noites de sua estrela.




FIM.



Nota da autora: Meu deus o que essa fic demorou e como eu amei esses três, sério! sem condições...
Enfim, gostaria de agradecer a quem leu e já avisar com antecedência que uma futura continuação pode vir aí, por isso o final aberto hahaha Obrigada por terem lido, realmente me deixa muito feliz, espero de coração que tenham gostado.

Não esqueça de comentar no link que vai ficar aqui embaixo, é sempre legal saber a opinião de vocês.

Xoxo Caleonis



Nota da beta: Ainda bem que nem precisou eu implorar e ameaçar a autora por uma continuação cof cof
Que fic linda *-*
Bem, o Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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