A porta foi aberta com toda a força por um Tom altamente excitado. Todos presentes olharam assustados para ele, esperando alguma resposta para aquilo.
- Vocês não vão acreditar – finalmente falou.
- Diga então – falou, levantando as sobrancelhas.
- Amor, tá tudo bem? Tu tá ofegante. – parecia preocupada.
- Não é hora de se preocupar, diga logo o que é, Tom! – estava mais curiosa.
- Vamos tocar em um festival amanhã! – falou pausadamente fazendo movimentos engraçados com as mãos.
- AAAAH, que legaaaal! – pulou no colo do garoto.
- Ai, Tom que máximo! Festival não é pra qualquer um, hein? – se juntou no abraço do casal, sem se preocupar se estava atrapalhando ou não.
- Parabéns, Tom!! – não parecia tão animada, mas não deixou de demonstrar felicidade pelo amigo.
- Precisamos avisar a ! – se direcionou à porta do apartamento. – Quem vem comigo?
Todos acabaram indo até o apartamento de cima, onde agora residia a amiga.
- , ! Nem sabe, amiga! – entrou primeiro no apartamento da garota, enquanto essa arrumava alguma coisa na cozinha e correu para ver o que se passava.
- O quê?
- McFly vai tocar em um festival amanhã! – dava pulinhos de alegria.
- Jura? – olhou para Tom que assentiu com a cabeça e um mega sorriso no rosto.
- No mesmo festival que o Son Of Dork vai tocar. Só que nos aceitaram de última hora. Parece que uma banda desistiu e colocaram a gente lá.
Depois de Tom falar isso, um sorriso inevitável surgiu nos lábios de . Ela sempre relaciona SOD ao Ed.
- Que máximo, não é? – abraçava Tom de lado.
- E vocês não precisam ensaiar? Tipo, assim de última hora dá certo? – pareceu preocupada.
- A gente ensaia todo santo dia. – Tom deu uma risadinha.
- Ah não! – falou de repente.
- Que foi? – Tom a olhou confuso.
- Não tenho roupa.
- Putz! Também não tenho! – concordou com a amiga.
- Nada que um shopping nesse final de sábado não ajude. – se animou.
- Se meu salário permitir. – desanimou.
- Ah, não, !! Não vai desanimar só por causa de roupa. Vamos comprar alguma coisa, mesmo sabendo que tu tem um monte lá no teu roupeiro. – pôs as mãos na cintura.
- Acho que sobro nesse momento. – Tom se referiu a ir ao shopping e comprar roupas.
- É, sobra. – foi direta.
- Me esperem!! – fechava o porta malas do carro com o cotovelo, já que as mãos estavam carregadas de sacolas. – Nem pra me ajudar com essas sacolas.
- Deixa de drama, . – gritou lá da frente.
- Quem tá falando em drama? Se fosse contigo tu já estaria caída no chão reclamando de dor em algum lugar. – chegou até onde as amigas estavam.
- Ah, não! Não subo essas escadas. – hesitou ao ver as amigas se dirigirem às escadarias do prédio.
- Concordo com a . Muitas sacolas, vamos de elevador. – fez cara de cansada.
- Deixem de ser sedentárias. – reclamou.
- Não é por isso – disse apertando o botão do elevador e cruzando os braços. – Tem um rato nojento por ai.
- Eca! Rato! – correu até a amiga.
- É, acho que eu prefiro ir de elevador. – se juntou a elas.
- Ai, gente fresca. – revirou os olhos e entrou no elevador que já tinha chegado.
- Fica com a gente, ? – perguntava para a amiga. – A gente pode pedir uma pizza e ver alguns filmes que eu trouxe lá da locadora.
- Ahn, é uma ideia boa demais para se recusar. – riu. – Só vou deixar minhas compras lá no meu apartamento e já desço. – Ela deu uma piscadinha e as três amigas saíram do elevador, deixando-a sozinha.
Assim que saiu do elevador, o celular de começou a tocar. Como estava cheia de sacolas na mão e pronta para abrir a porta do apartamento, não conseguiu pegar a tempo. Quando entrou em casa, largou tudo para ver quem estava ligando. Não era muita novidade ver o nome de Harry nas chamadas não atendidas. Sorriu consigo mesma e retornou a ligação.
- Olá! – ela falou carinhosamente.
- Por que não atendeu antes? – Harry parecia brabo.
- Nossa! Tudo bem comigo, sim. E contigo?
- Tudo bem. Mas por que não atendeu o celular antes?
- Porque eu estava chegando em casa cheia de sacolas nas mãos e não deu tempo de pegar o celular. Agora posso saber o motivo da grosseria?
- Ah, bom. Não fui grosso, só queria saber.
- Ah, sim. Esse ataque nem foi grosseria.
- Não.
- Tá, Harry. Me ligou pra quê, então?
- Pra saber como tu tava.
- Ótima maneira de me perguntar como eu estou. – não tinha gostado nada da atitude do garoto.
- E pra saber se tu já sabe que a gente vai tocar no festival amanhã.
- Sim, o Tom nos contou.
- É, imaginei que ele ia correndo praí – ele riu e ela acompanhou com uma risada mais fraca.
- Parabéns. – Já estava mais calma.
- Brigado! Então, vocês vão, né?
- Claro, né, Harry! – ela disse como se fosse óbvio. – Compramos até roupas pra ir lá amanhã. – Agora sim ela estava mais animada.
- Nossa, vocês mulheres sempre arranjam motivos pra comprar roupas. – Eles riram.
- Ótimo motivo, não acha? Devia se sentir lisonjeado.
- E me sinto. – Harry sorriu abobado no outro lado da linha.
- Mas, bem, preciso ir lá pra . Vamos comer pizza e assistir a alguns filmes.
- Ok, me troca então.
- Hoje eu te troco, mas amanhã a gente se vê e eu dou mais atenção pra ti, tá bom?
- Tenho que me conformar, né? – riu. – Beijo.
- Beijo.
desligou e soltou um suspiro. Já tinha até esquecido o começo conturbado da conversa. Colocou o celular no bolso da calça e desceu ao encontro das amigas.
chegou à casa de Dougie cedo. Quer dizer, não tão cedo, mas ainda era antes do almoço. Ele estava sentado em frente à TV, mas sem assistir nada. Estava praticamente dormindo de olhos abertos.
- Doug? – se pôs na frente dele.
Mas ele não respondeu, então ela se abaixou, apoiando as mãos nos joelhos dele e o olhando nos seus olhos.
- Ah, já chegou – ele disse, “acordando”.
- Vamos almoçar?
- Não tô com muita fome.
- Ah, qual é! Dougie Poynter sem fome? – brincou. – Vamos lá, levanta daí. Tenho certeza que vocês vão se sair super bem.
- A veio contigo? – perguntou se levantando.
- Não, por incrível que pareça – ele a olhou confuso. – Ela ficou tentando convencer a a ir ao festival.
- Por causa do Danny? – Ela assentiu enquanto eles se dirigiam à rua. – Chama o Fletcher lá que eu espero aqui.
- Seu folgado. – seguiu em frente com uma careta.
- Ainda tô dormindo. – Dougie falou mais alto e ela riu.
Ela adentrou a casa de Tom e seguiu o barulho da TV. Certamente ele estaria do mesmo jeito que encontrou Dougie. Eram umas bichinhas aqueles guris. Mas pior que isso, ela encontrou um Tom tricotando com uma taça de vinho ao lado, vendo televisão.
- Ah, não! – riu. – Espera aí, não se mexe. – Tom a olhou confuso e ela sacou o celular da bolsa e, logo depois, apontando para ele: – Tinha que registrar essa cena! – ria escandalosamente.
- Oi, ? – Tom abanou de leve. – Algum problema?
- Problema nenhum! Só gostaria de entender essa cena que eu acabei de presenciar.
- Só por que eu estou tricotando em frente à TV tomando um bom cálice de vinho?
- Só? – continuava rindo.
- Estou aprendendo a tricotar. É uma terapia pra mim, quando estou ansioso, pratico.
- Ai, ai... – parou para respirar. – Tudo bem, Tom. Vamos almoçar?
- Ah, nem vou, .
- Ah, por quê? Só porque a não vai?
- Também. Mas tô sem fome.
- Já disse que vocês são umas bichinhas?
- E tu já tocou em algum festival pra saber o que a gente tá sentindo?
- Tá bom, Tom. Continua teu tricô aí, que eu tô morrendo de fome.
- Não traga Dougie muito tarde. – Tom falou mais alto para a garota que quase saia da casa escutasse. – Precisamos chegar cedo para passar o som.
Ele pode ouvir um “Ok” da rua.
As garotas se divertiam com a foto de Tom tricotando no celular de . dizia não se divertir, mas no fundo ela estava achando mega engraçado. Só para não expor o namorado ao ridículo.
- Ei, não tá na hora de irmos? – disse, depois que as risadas amenizaram.
- Resolveu ir então? – abriu o sorrisão.
- Vou, né?
- Eba! É isso aí, sem bobagens por causa do babaca do Danny. – comemorou e sorriu fraco.
- Só preciso buscar meu casaco lá em cima. – saiu do apartamento, mas logo estava de volta, vestindo o casaco xadrez rosa e preto, colocando os brincos e com um tique taque, que colocaria no cabelo depois, na boca. Estava com uma camiseta e calça jeans e seu All Star preferido, o verde. (Veja o look.)
- Tá linda! – disse, terminando de colocar o tênis Vans laranja. Estava com uma blusa mais coladinha e uma skinny preta. Um casaco confortável cinza e um lenço para fechar o visual. (Veja o look.)
- Quem arrasou foi a com essa blusa linda. Vai me emprestar um dia, hein? – motivava a amiga que vestia jeans e, por cima da camiseta linda, um casaco preto. Nos pés, All Star xadrez cinza. (Veja o look.)
- Obrigada, . Está às ordens! – ela sorriu. – Tá pronta?
- Quase, quase. Só preciso terminar meu cabelo. – respondia em frente ao espelho, arrumando alguns grampos. Ela estava de jeans, camiseta mais comprida e um casaco verde muito bonito e All Star preto. (Veja o look.)
Elas chegaram ao lugar do festival um pouco perdidas, era bem grande e tinha várias tendas. Não sabiam exatamente onde encontrariam os garotos. Lembraram então que existe celular para se comunicar.
- Ai, finalmente! – chegou e deu um beijo em Harry. – Achei que a gente não ia ver vocês antes do show.
Todos se juntaram com seus devidos casais, menos e Danny, que ficaram sobrando. parecia extremamente incomodada, mesmo com as amigas fazendo de tudo para ela não sobrar. Mas o problema não era sobrar, era ficar no mesmo ambiente que Danny.
- Vou dar uma volta – ela disse, virando-se para sair dali.
- Vai sozinha? – perguntou preocupada.
- Ahã. Sei voltar pra cá depois – e saiu.
Ela andava com as mãos nos bolsos do casaco sem rumo, passeava sem ver as pessoas, batia em um ou outro, mas nem dava bola para isso. Queria mesmo era se afastar de onde estava antes. Achou uma árvore bastante convidativa. Sentou-se ali e ficou vendo de longe o show que se passava naquele momento. Não conhecia, mas eles eram bons. Fechou os olhos por um momento, assim relaxava e curtia a música que a banda tocava, mas antes de abri-los novamente sentiu que alguém sentou do seu lado.
- Cansada? – a pessoa perguntou.
- Psicologicamente, sim. – Ela reconheceu a voz e tentou não mostrar o efeito que causava nela.
Ela abriu os olhos e olhou fundo nos olhos de Ed. Ela nunca havia olhando tão profundamente assim. Como eram lindos. Como ele era lindo.
- Posso ajudar de alguma maneira?
- Só fica aqui comigo.
- Isso não precisava pedir.
É, ela estava certa em relacionar SOD com Ed. Sorriu consigo mesma, de olhos fechados novamente.
- Son Of Dork toca quando? – ela perguntou depois de um pequeno silêncio.
- Não sei direito.
- Tu é amigo deles e não sabe a hora que eles tocam? – ela abriu os olhos espantada.
- Precisava saber? – ele levantou uma sobrancelha e ela riu. – Sei que é depois do McFly.
- Hum...
- A principio, eles entram daqui a pouco. Não vai ver?
- Vou, mas quero ter certeza que eles já foram pro palco.
- Se quiser que eu te acompanhe...
Ela ficou um tempo parada pensando na proposta. Aquilo poderia causar alguns problemas. Mas o que ela teria a ver com isso? Ela era livre e desimpedida, dona de suas escolhas, certo?
- Ok, eu aceito tua companhia – ela olhou pra ele com um sorriso. Ed sorriu mais largo ainda.
Os dois se levantaram e seguiram até onde os outros estavam. Ela se sentiu extremamente baixa ao caminhar ao lado dele. Isso não era novidade. Sentia-se assim quando caminhava com Danny também. Mas ela não queria pensar em Danny, não agora.
Tom tentava contar alguma piada, que para ele era muito engraçada, para os amigos. Porém, pelas caras desses, não agradava muito.
- Cara, desiste. Tu não sabe contar piadas – Danny o cortou.
- Cala a boca! Vocês que não ouviram a piada até o fim e estão perdendo de dar boas risadas.
Os amigos riam mais do que causara a piada de Tom do que da piada propriamente dita. Os garotos tinham garrafinhas de cerveja nas mãos, já as garotas os acompanhavam com refri.
- Hey, McFly! – uma mulher com luzes loiras no cabelo ondulados até os ombros e alta chegou perto deles, chamando a atenção. – Quase hora de vocês subirem ao palco.
- Estamos indo, Andrea! – Tom respondeu.
- Estão todos lindos! – a mulher apontou para eles com a caneta que tinha em mãos. - Quero ver vocês arrasando naquele palco, hein?
- Sempre arrasamos. – Harry se exibiu.
- É, não posso negar. – Andrea deu uma piscadinha e saiu andando, quase desfilando com seu salto desnecessário.
Quando ela se distanciou o suficiente para não ouvir mais nada da conversa deles, as garotas os olharam desconfiadas.
- Quem é essa? – perguntou, fazendo cara de nojo.
- Ela trabalha lá na produtora. – Dougie respondeu.
- Bem íntima, né? – comentou.
- Ô... – preferiu não falar mais nada. Cruzou os braços e olhou rapidamente para Harry, que levantou os braços como quem diz ser inocente.
- Ela nos ajuda bastante – Tom completou.
- E é bem gostosa. – Danny riu engraçado.
- Que gosto horrível, Danny!! – continuava com sua cara de nojo.
- Acabou de falar mal da – Dougie falou mais baixo, para que só ela ouvisse, mas acabou que todos ouviram e olharam assustados para Danny, que tentou disfarçar e sorriu fraco.
- Não foi isso que eu quis dizer... – tentou se explicar.
- Bom, vamos então, né? - Danny disse sem jeito.
- Onde se meteu a ? Ela precisa estar aqui pra irmos juntas lá pra frente. – olhava em volta, a fim de achar a amiga por ali.
- Não podemos esperar mais – Tom disse largando sua garrafa em uma mesa. Deu um selinho em , sendo imitado por Harry e Dougie com e .
- Boa sorte, guris! – elas disseram em coro.
Não deu cinco minutos que eles saíram, apareceu com Ed, fazendo as amigas suspeitarem de alguma coisa. Ele deu um breve aceno para as garotas.
- O show vai começar agora. Ainda bem que tu apareceu – falou, seguindo para o meio das pessoas, para ficar em frente ao palco. – Vamos logo! – ela chamou as outras, que ainda olhavam para Ed, que estava parado ao lado de .
- Vamos! – correu até a amiga. fez o mesmo, deixando e Ed indo atrás sozinhos.
Todas se meteram no meio da multidão e conseguiram ficar bem pertinho do palco sem problemas. Diferente de como seria no Brasil, certamente. e Ed chegaram logo depois delas e ficaram ali, esperando o show começar. Eles conversavam qualquer coisa, deixando as amigas irritadas, querendo ouvir algo mais interessante deles. Riram entre si da situação.
De repente um cara aparece no palco e anuncia a entrada de McFly, logo eles entraram sorrindo e abanando para todos. Olham pela plateia por um tempo, até acharem as garotas. Tom e Dougie sorriram e abanaram mais animados, mas quando Danny viu com Ed, fechou a cara. As garotas perceberam e olharam para que deu de ombros.
Discretamente, deu para ver olhares entre os garotos no palco, tentando manter os sorrisos e começar logo o show. E assim fizeram, Danny voltou a si e se concentrou no show, começando-o e fazendo com todos pulassem e cantassem juntos. Incrível o poder que eles tinham em fazer as pessoas pularem.
- Eles são maravilhosos! – quase gritava para as amigas, devido ao som alto.
- Perfeitos! – olhou para Tom.
- Pena que o Harry mal aparece. – ficou nas pontas dos pés, tentando ver o garoto atrás da bateria. – Mas ele toca tão bem, né? – falou orgulhosa.
O show foi decorrendo bem, animando todos ali perto. Levando as fãs ao delírio e até ganhando mais fãs. Incrível mesmo.
- Sabe, ... – Ed falou perto do ouvido da garota, que se assustou com a proximidade repentina. – Eu acho essa banda bem legal.
- É, eles são bons mesmo.
- Sabe, ... Não era aquilo que eu queria dizer – ele disse depois de um tempo e riu.
- O que era então?
- Já passou um tempo do ocorrido lá na festa de Halloween e tal... Não quero forçar nada, mas fiquei sabendo que tu não tá mais com o Danny... – sentiu suas pernas bambas. – E eu ainda gosto muito de ti...
- Tu prometeu nunca mais falar comigo.
- Prometi. – Deu uma pausa. – Mas tu conversou comigo numa boa, sem reclamar de nada. Achei que podia ir adiante.
- É... – ficou de frente para o garoto, sorrindo. – Achou certo.
Por que não, não é? Ele sorriu e segurou sua cabeça com muita delicadeza, aproximando os rostos devagar. sentiu o calor do rosto dele chegar até ela, passou as mãos em sua nuca e o puxou para finalmente encostarem seus lábios. O beijo foi se intensificando aos poucos. Ed já a segurava pela cintura, levantado-a um pouco para aliviar sua coluna. A curiosidade de estava morta, ela finalmente soube como era beijar Edward Bass. E, cá entre nós, era muito bom.
Durante uma música, Danny não se conteve e olhou para o ponto da plateia onde estavam as garotas. Por um instante não conseguiu continuar a música que cantava e Tom, no improviso, pediu para a plateia cantar. Danny continuava estático olhando para o mesmo ponto, fazendo com que os curiosos olhassem e vissem um casal se beijando. , e abriram a boca espantadas com o que viam. Dougie olhou com cara de “fodeu” para Harry, mas sem parar de tocar. Tom falou alguma coisa no ouvido de Danny, que pareceu se dar conta do que se passava e continuou a música, como se nada tivesse acontecido.
Eles continuaram tocando, e Danny evitando olhar pra qualquer pessoa. E então, o intervalo do show chegou. Eles saíram quase na velocidade da luz do palco, deixando fãs histéricas gritando pela volta deles.
- Acho que o Danny gosta mesmo da ... – se virou para as amigas, chateada.
- Mas ele fez uma burrada sem tamanho, ele que sofra as consequências. – também estava chateada.
- Só espero que isso não tenha fodido com o show deles – disse do mesmo jeito das amigas.
Ed e se afastaram um pouco delas, e ficou pior de vê-los pelo palco.
As fãs continuavam gritando pela volta da banda, mas ao lado de tinha uma que não gritava.
- Não são bons? – uma garota de cabelos negros lisos, não muito longos e olhos levemente puxados perguntava para a outra. – É a banda do Harry.
- Como assim a banda do Harry? – perguntou baixinho.
- Falando sozinha, ? – perguntou divertida.
- Essa guria conhece o Harry – apontou para a garota do seu lado.
- Sim, ele toca numa banda. E tem vários fãs aqui, é um pouco óbvio que ela conheça o Harry, né?
- Não, ! Ela conhece o Harry de antes.
- , para de paranoia. O Harry não pode conhecer pessoas de antes?
- É, . – se meteu na conversa. – Deve ser uma amiga de escola, talvez.
- Não sei por quê, mas não gostei dessa garota. – cruzava os braços.
- Olha o ciúme! – ria da amiga.
Os garotos voltaram para o palco mais estabilizados depois do intervalo, e terminaram o show, que não deixou de ser ótimo. Assim que acabaram agradeceram a todos, em meio a gritos de “mais um” da plateia. Pena, não podiam atender ao pedido, era hora de eles saírem do palco, senão podia dar problema. Abanaram para todos e jogaram suas toalhas para as fãs loucas, que agarraram como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Era legal ver aquilo, eles conseguindo conquistar o que tanto queriam.
As garotas foram até onde tinham combinado se encontrar. Na plateia que não ia ser, senão eles não sairiam vivos dali. Quando se direcionavam à parte que não tinha tanta gente, pôde ouvir a garota que conhecia Harry fazer outro comentário:
- Queria falar com ele. Faz tanto tempo que não nos falamos.
- Mas, Rebecca, será que é uma boa? – disse a amiga dela.
- Não sei... Mas não custa tentar, né?
puxou as amigas para mais longe para conversarem.
- Que foi, ? – perguntou assustada.
- A garota.
- Que garota? – estava curiosa.
- A que conhece o Harry.
- O que tem ela? – estava se irritando com a enrolação.
- Eu acho que é a ex-namorada dele.
- Como tu sabe? – disse surpresa.
- Intuição.
- Ai, , acho que a paranoia do Harry tá passando pra ti. – revirou os olhos. – Chama a pra gente ir.
levou Ed consigo, sem dar bola para o que poderia causar. Danny já tinha visto mesmo. Ed não pode deixar de sorrir vitorioso.
Acabaram encontrando os garotos no meio do caminho, rodeado de garotas pedindo autógrafos e fotos. Esperaram um pouco distante dali para não atrapalhar. Mas foi à toa, uma garota avistou e deu um gritinho, assustando-a.
- Tu é a namorada do Tom, né? A ?
- Sim, sou eu. – demonstrava um certo medo.
- Tira uma foto comigo, por favor! – a garota quase suplicava.
olhou para Tom como se perguntasse o que fazer. Ele fez que sim com a cabeça, dizendo que não havia problema.
- Tá... – ela disse, e não deu tempo de piscar: a garota já a agarrava, direcionando a máquina fotográfica para as duas.
Depois daquilo, não pode deixar de rir. Ela estava famosa pelo namorado. Outra chegou pedindo uma foto também, só que com o Tom junto. , e só observavam, achando graça da amiga famosa.
- Heey! Te vi numa foto com o Danny! – uma garota avistou de longe. Ela quis enfiar sua cara num buraco. – Vocês não tão mais juntos? – ela perguntou, olhando para Ed, abraçado em .
- Danny e eu somos amigos – foi o que disse, lembrando das mesmas falas de famosos que respondem sobre os relacionamentos às escondidas. Mas o dela não era às escondidas, realmente tinha acabado, seja lá o que era que eles tinham.
- Ah, que pena. Achei que vocês combinavam tanto. – a garota saiu meio chateada.
Depois de um tempo, os garotos conseguiram se desvencilhar daquele bando de fãs loucas por fotos e autógrafos. Saíram de lá rindo das coisas que elas falavam e pediam. Era uma sensação boa, mas cansava.
- É, sério! Eu fiquei com medo! – dizia aos amigos que riam de sua cara. – Uma doida veio pedir uma foto comigo, que nem tenho banda nem nada.
- Vai te acostumando... – disse .
- É sinal que gostaram de ti. Podiam te odiar por estar com o Tom. – encarava o lado positivo daquele ataque.
- É! Até eu fui atacada. – comentou sorrindo, mas depois desfez o sorriso lembrando o porquê de ter sido abordada.
Danny a olhava com mágoa. Ela estava entre as pernas de Ed, que estava encostado em um pilar.
- Vocês arrasaram mesmo! É merecido esse monte de fãs. – sorria para Tom, dando-lhe um beijo depois.
- Os SOD são muito bons também, né? – comentava, depois de ver pela primeira ver eles tocarem.
- Não é à toa que eles são nossos amigos – Danny se exibiu.
- É, meus amigos também. – Ed o encarava como se competisse alguma coisa.
- Onde eles estão, afinal? – perguntou, tentando não deixar o clima chato no ambiente.
- Parece que foram falar com o empresário deles – Dougie respondeu.
- Já tá tarde, né? – bocejou.
- Quer ir embora? – Tom perguntou a ela.
- Acho que sim... Vamos, gurias?
- Vamos sim - respondeu , que estava com a cabeça apoiada no ombro de Harry.
- Nós que tocamos e vocês que estão cansadas? – disse Dougie rindo.
- Nós ficamos em pé, pulando e gritando por vocês, tá? – mandou a língua para o garoto, que fez uma careta e logo a puxou para um beijo.
- Nossas melhores fãs! – ele disse após quebrar o beijo e a abraçou forte.
- Ai, Dougie! Preciso respirar, obrigada. – ironizou e ele a soltou rindo.
- Vou embora com o Dave – Ed falou para . – A gente se vê, né?
- Claro que sim. – Ela lhe deu um longo beijo, fazendo Danny voar dali para não ver a cena.
Eles se separaram e Ed seguiu até onde os SOD se encontravam.
- Manda um abraço pros caras, Ed – Harry falou antes que ele se distanciasse, e ele fez um "joinha", confirmando.
- , vamos lá pra casa? – Tom convidava a namorada com uma carinha irresistível.
- Ai, Tom...
- Faz um tempão que tu não vai pra lá – ele fingiu ficar triste.
- Como não aceitar? – ela riu e lhe deu um selinho, indo para o carro do garoto.
- Já que sobrou lugar no carro, o Harry vai comigo. Tá, ? – olhou para a amiga, que concordou com a cabeça.
- Então vamos. – apertou o controle do alarme para destravar as portas do carro.
- Hey, Harry! – todos olharam na direção da garota que gritava.
- Rebecca? – Harry ficou surpreso e olhou para os lados sem saber o que fazer.
- Que bom que eu te encontrei – ela disse ao chegar perto. - Queria te parabenizar pelo show. Foi ótimo!
- Erm... Obrigado. – ele respondeu com a mão na nuca, visivelmente sem jeito.
- Finalmente conseguiu fazer a banda que tanto queria, né? E com esse sucesso todo – ela sorria animada para o garoto.
- É, consegui. Tá sendo ótimo!
- Que bom, Haz.
- Haz? Que intimidade. – falou baixinho do outro lado do carro.
- Vamos nos ver qualquer dia desses – Rebecca colocou a mão no braço de Harry, fazendo um leve carinho. – Nossa, quanto tempo não te via. Tava com saudades...
Todos assistiam a cena meio desconfortáveis.
- Ah, sim. Outro dia a gente se vê. – Harry delicadamente afastou a mão da garota. – Tenho que ir, tchau.
Ao entrar no carro, já o esperava lá com os braços cruzados, esperando que ele dissesse quem era a garota.
- ... – ele começou. – Ela é a Rebecca.
- Sim, eu percebi – ela disse, seca.
- É a minha ex – ele disse assim que o carro começou a andar, e permaneceu quieta.
- , leva o Harry pra casa dele? – disse, depois de um longo suspiro.
- Mas por quê, ? – Harry estava inconformado. – Eu não fiz nada de mais. Ela só veio conversar comigo. Fazia séculos que eu não a via, a gente nem se falava mais.
- É, mas eu não gostei. – Era aparente o ciúmes de , mas ela não queria ser ridícula. – Tudo bem, vamos pra casa.
e continuaram caladas o resto do trajeto até o prédio. Nem Harry nem conversaram mais entre si. Obviamente deixariam para conversar quando estivessem a sós.
Capítulo 37
- Que mania de irem sempre juntas. – Foi o último comentário que as garotas ouviram de Harry.
Elas não deram ouvidos e correram para o banheiro, que, felizmente, não era tão longe.
- Por que esses banheiros ficam sempre cheios? – se contorcia de vontade de fazer xixi.
- Fica quieta, ! Vai amassar todo o vestido. Até desfez o lacinho, ó – falou, pegando os cordões do vestido da amiga para amarrar de novo. – Tem que estar bonita pra tirar fotos com o Tom depois.
- Ai, . Depois eu faço o laço de novo, deixa eu ir pro banheiro. – afastou a mão da amiga e correu para a cabine que ficou vaga.
Assim que ela saiu da cabine, soltou um suspiro de alívio.
- Agora sim, o laço. – Ficou do lado das amigas e em frente ao espelho grande que era iluminado por uma forte luz, amarrando os cordões que ficavam abaixo dos seios. Seu vestido era preto, soltinho a não ser onde tinha o laço. Seu sapato era rosa, alto e fechado. (Veja o look.)
- Tá linda! Pronta pra tirar fotos e se exibir ao lado do Tom – sorriu para a amiga pelo espelho.
- Se exibir nada. Tô morrendo de vergonha – riu.
- Que foi, ? – percebeu a incomodação de com alguma coisa.
- Vocês não acham que esse vestido tá muito curto? – ela se virou de costas para se olhar no espelho por outro ângulo. – Se eu me abaixar, vai aparecer até meu útero. – As garotas riram, até mesmo outras que estavam presentes no banheiro.
- Que nada, . Tá arrasando com o napolitano. – apelidou carinhosamente o vestido de , que tinha um bonito detalhe: uma faixa na diagonal que ia de um lado a outro do corpo, na altura da cintura e o sapato preto de salto favorecia suas pernas. (Veja o look.)
- Esse salto vai me matar, já tô vendo... – comentou, antes das garotas se dirigirem à porta.
- Se vai te matar, eu não sei. Mas eu quero ele emprestado um dia - disse olhando para o lindo sapato preto com sola vermelha. A sola combinava com o vestido tomara-que-caia, também vermelho, que fechava com um toque especial: um cinto preto na cintura. (Veja o look.)
- Tá bom, tá bom. Nós enrolamos demais. Vamos lá. – arrumava o decote do vestido para sair do banheiro. Seu vestido era um pretinho básico que chamava a atenção no decote, onde tinha algumas pregas. Seu sapato era meio escamado e muito alto também. (Veja o look.)
- Já tô vendo o Dougie reclamar da demora. – acompanhou .
- Não só o Dougie – completou e todas riram, concordando.
- Meninos! – Andrea apareceu no meio da rodinha formada por eles e as garotas. – Hora das fotos.
revirou os olhos quando a mulher pegou a mão de Dougie e o puxou para onde tirariam as fotos, fazendo os outros garotos o seguir.
- Vem, ! – Tom a levou consigo. Ela fez uma careta sem vontade, mas foi.
A maioria das fotos foram só os garotos. Depois, se juntou a Tom e eles tiraram só os dois juntos. As outras observavam mais de longe e achavam tudo lindo. Andrea parecia inspecionar tudo. Estava do lado de um dos câmeras falando alguma coisa para ele.
Eles voltaram até onde se encontravam antes e alguns fotógrafos, não autorizados a acompanhá-los, tiraram fotos de longe de onde eles estavam. Andrea falou alguma coisa que fez eles se afastarem.
- Esse lançamento do CD tá maravilhoso! Parabéns, guris! – Andrea falou, saindo logo depois para tratar de alguma coisa.
- Cara, nem me fala. Não parece que a gente tá lançando o CD hoje. – Danny falava muito feliz, ainda sem efeito do álcool.
- Amanhã as pessoas já vão poder comprar e nós vamos ficar mais famosos! – Tom entrou no clima.
- Isso me dá medo – Dougie não entrou no clima.
- Deixa de ser gay, Poynter! – Harry deu um pedala no amigo.
- Mas é sério, imagina se agora eu já sou atacado por essas fãs malucas imaginem quando a gente for mais famosos. Eu sou muito pequeno e inocente! Elas vão me matar!
- Ai, pobrezinho do meu anãozinho. – brincou, dando-lhe um selinho depois. - É, deixa de ser gay. Aproveita que vocês tão alcançando o que tanto queriam.
- Eu só não gosto de pensar na turnê. – falou um pouco chateada.
- , deixa de ser egoísta. A turnê é um grande passo pra eles. – já se sentia mais à vontade com a presença de Danny, mas este não parecia sentir o mesmo. Ele a olhou de canto de olho.
- Olha quem chegou!! – levantou um pouco a cabeça para enxergar melhor. – Thiago, aqui! – ela gritou, levantando a mão para o garoto, que estava um pouco perdido.
Ele estava acompanhado de Amy, como sempre. Mas as garotas só não esperavam que Casey fosse junto com ela depois de todo o escândalo do Ano Novo.
- Não acredito que ela veio. – revirou os olhos.
Danny olhou para imediatamente, que se manteve inexpressiva. Por fora, porque por dentro estava a ponto de pular no pescoço daquela vadia e arrancar todo seu cabelo loiro de farmácia. Tinha certeza que se pulasse ela iria rasgar todo aquele vestido curtérrimo dela – mais do que já era, pois o decote ia até a cintura quase e a saia era praticamente um cinto; só para variar. Seria maravilhoso também quebrar um salto só do sapato mega alto, para ela sair mancando que nem uma retardada. (Veja o look.) Mas era melhor ser superior e se manter inexpressiva, como se aquilo não a afetasse.
Amy, pelo contrário – também para variar - vestia um vestido muito mais bonito. O seu era preto justo nos peitos e na cintura, ficando mais solto na saia e tinha nos pés um sapato romântico verde, com salto anabela. (Veja o look.)
- Hey, perdemos muita coisa? – Thiago falou ao se aproximar.
- Só uma sessão de fotos cansativa – Harry respondeu com um sorriso.
- Sentem aí. – Dougie puxou algumas cadeiras entre ele e Danny, que ficou mais nervoso ainda. Casey, pela primeira vez na vida, fez alguma coisa sensata, sentou ao lado de Dougie, fazendo franzir o cenho.
O tempo foi passando e Casey não se agUentou em ficar parada sem se agarrar com alguém, então saiu dali, deixando as garotas mais felizes. Era horrível isso, mas elas ficavam muito melhores sem a presença da garota.
- , o Ed vem? – perguntou baixinho.
- Não, parece que tem um evento do jornal dele lá.
- Hum... – voltou a encostar as costas na cadeira, mas logo voltou de novo para perto da amiga. – E vocês têm alguma coisa séria?
- Não, ! – quase berrou, como se fosse óbvio.
- É que vocês se vEem todos os dias.
- Eu gosto dele, mas... – não completou, mas pode ver o olhar de alcançar Danny muito rapidamente.
- Sei bem – se contentou com isso.
- Não sei quem conseguiu o DJ, sei que ele é muito bom. – elas ouviram Tom falar assim que voltaram para a conversa do grande grupo.
- Acho que foi a Andrea – Danny disse, com cara de quem tentava lembrar.
- Mas tudo foi essa tal de Andrea que fez! – reclamou.
- Ih, olha o ciúme. – Harry implicou com a garota, que fez uma careta pra ele em resposta.
- Mas se tocar Dancing Queen do Abba eu me levanto e vou dançar que nem um louco – Tom falou, depois de tomar um gole de sua cerveja.
- Que nem uma louca, tu quer dizer.– Dougie ria do amigo que fez um movimento com a mão e um beicinho, imitando um gay, fazendo todos rirem.
- Não faz essas promessas que depois vai ter que cumprir, hein? – falou, como se avisasse Tom de um perigo.
- Tá louco! Esse aí tá doido pra soltar a franga – disse Harry, que entregava uma cerveja para e passava seu braço pelos ombros dela.
- Só não me leva junto, tá, Tom? – se afastou um pouco do garoto.
- Tu não tem escolha, . Vai dançar até o chão comigo – ele riu e fez cara de desesperada.
Agora o grupo havia aumentado com a presença da banda amiga, SOD. James, como sempre, feliz ao extremo. Mas dessa vez trouxe uma surpresa. Apresentou para os amigos a garota com quem ele estava saindo. E olha que James Bourne não sai seguido com uma mesma garota. Parece que estava se acertando. Dave, ao saber que Casey estava na festa também, tratou de procurá-la.
- Pobre Dave, se apaixonou pela guria errada. – Harry admitiu que Casey era safada, mesmo não usando essas palavras.
- Finalmente enxergou quem é Casey! – quase deu graças a Deus por aquela conclusão de Harry.
Danny Hall, Chris e Steve diziam que acompanhavam um ao outro. Era um triângulo amoroso.
- Caras! Vocês não vão acreditar! - Thiago chegou com uma cara de assustado.
- O quê, cara? Conta logo! – Dougie se mexeu na cadeira, inquieto.
- Tem um bando de fãs lá na rua querendo entrar.
- Há! Sério? – Danny riu engraçado e Thiago concordou.
- Parece que tão tentando seduzir os seguranças. – Todos riram. – Querem CD de graça também.
- Mas aí é pedir demais! Se são mesmo fãs, elas que comprem pra ajudar a banda! – falou indignada, tomando um gole de seu drink azul.
Eles continuaram rindo e conversando sobre o assunto por algum tempo. Aquilo havia os deixado animados, então puxaram o assunto da turnê, que fez com que as garotas não quisessem mais ficar por ali ouvindo. Elas saíram para pegar mais bebida e dançar, exceto por , que preferiu ficar no bar observando a festa. Ela já se sentia um pouco tonta, devido ao seu drink forte. Ela tomava este só porque era de cor diferente. E nem percebia o álcool fazendo efeito. Ela ria sozinha de vez em quando de alguma bobagem que as amigas faziam na pista de dança, mas não se desencostava dali. Perigava cair se desencostasse do balcão.
Virou para o barman e pediu mais um azulzinho – era assim que ela chamava e o garçom sempre ria, entendendo o que ela queria. Quando voltou a sua posição de antes, percebeu que sua visão não era a mesma. Não conseguia ver as garotas, não conseguia nem mesmo ver a pista de dança. Quase impossível, pois não estava tão longe. O que via era uma silhueta parada bem a sua frente. Foi subindo o olhar e deu de cara com Danny observando-a com uma expressão ilegível. A dela com certeza era possível entender, ficou assustada, constrangida e um pouco braba; tudo junto.
Danny não falou nada, e ela continuou sem entender o que o garoto queria. Podia imaginar, mas não tinha certeza.
- Danny, veio me atormentar de novo? – finalmente falou para quebrar o silêncio entre eles. Coisa que não falaria sóbria.
- Vim – ele respondeu.
- Não tô a fim de atormentações.
- Mas vai ter que aguentar.
- Quer parar de encher meu saco? Já não entendeu que eu não quero falar contigo?
- , não podemos deixar as coisas desse jeito.
- Que jeito? Pra mim tá tudo normal.
- Tu morre raiva de mim – Danny disse chateado.
- Hum... não, não morro. Só evito lembrar da minha festa de Ano Novo.
Os dois ficaram quietos por mais um instante. Danny já tinha saído da frente dela e se encostado no balcão ao seu lado.
- Tudo bem...
- Não, Danny, não tá tudo bem. – o interrompeu. – Tua presença me irrita – e saiu dali, voltando para a mesa que os outros estavam.
- Mas quando tu ficar mais famoso, conhecido pelo mundo inteiro, tu nem vai mais lembrar de mim. – estava sentada no colo de Dougie, fazendo uma cara manhosa.
- A gente nem vai ficar tão famoso assim, .
- Isso é o que tu pensa. Vocês não se levam a sério. – Dessa vez sua expressão era indignada. – Vocês são muito bons e nem percebem!
- Até fiquei sem graça agora.
- E deixa de frescura. Vai ter que te acostumar com esse tipo de elogio. – Dougie riu.
- Eu não vou esquecer de ti, nunca – ele respondeu depois de um tempo.
Ele puxou sua cintura para mais perto e ela passou a mão em seu cabelo, “ajeitando” para o lado. Depois segurou sua cabeça e lhe beijou intensamente.
- Promete? – perguntou ao quebrar o beijo e ele fez que sim com a cabeça, fazendo-a sorrir abobada. Os dois então se beijaram novamente e assim ficaram por longos minutos, esquecendo o mundo em volta.
- Se foi mesmo a Andrea que escolheu o DJ, vou ter que parabenizar ela. – sentou na cadeira que era para ser ao lado de Harry, mas ele não estava ali.
- É ótimo. Vou até pegar o contato desse cara pra futuras festas – Tom falou de sua cadeira, ao lado de .
- Cadê o Harry? – sentiu falta do garoto.
- Disse que foi buscar mais bebida pra gente – disse Tom.
- Ah... E esses dois não vão parar de se agarrar? – ela apontou para e Dougie, que estavam em uma cadeira um pouco mais afastada deles.
- Deixa eles, . São tão lindinhos juntos. – riu sem motivos.
- Vejo que a tá se divertindo. – brincou e riu de novo.
- É, tá – concluiu.
Ficaram os quatro rindo das pessoas em volta, claro que muito mais, mas aquilo era divertido. De longe, pôde ver Harry com um balde de gelo cheio de cerveja dentro.
- Olha, o Harry não se perdeu! – ela disse, apontando para o local.
Ele parou no balcão e largou o balde ali, fazendo com que eles que observavam, estranhassem. Então ele olhou para alguma direção, como se alguém tivesse o chamado. E tinha mesmo. Rebecca apareceu em sua frente, sorrindo e falando mil coisas.
- O que essa guria tá fazendo aqui? – estreitou os olhos.
- O Harry convidou ela.– Tom respondeu, como se não afetasse em nada. Ele é quem estava afetado pelo álcool, pois na sua sã consciência não falaria aquilo de forma tão simples.
- Convidou? – ficou perplexa.
- Calma, . A Rebecca acompanhou e apoiou ele quando ele queria entrar numa banda. Ele achou certo que ela estivesse presente na festa de lançamento do primeiro CD dele. – Tom pareceu mais sóbrio.
- Mas eu achei que eles não se dessem bem. – continuava olhando para Harry conversar com ela de forma animada.
- Na verdade, eu também achei. – Tom também observava.
- Mas parece que se dão. – falou depois de terminar com mais um drink azul.
Eles puderam ver Rebecca ficar olhando para ele de forma intensa e ele disfarçar apontando para a mesa em que os outros estavam. Deram três beijinhos de despedida e por fim ela fez carinho em seu braço. não queria demonstrar sua fúria. Ele pegou o balde de volta e logo chegou até eles. Viu que estava com os braços cruzados e com cara fechada.
- Que aconteceu? – Harry, antes de sentar, deu um beijo no topo da cabeça dela. Ela somente virou a cara para o lado contrário da dele. – ? – ele puxou seu rosto para que pudesse olhá-la.
Ele olhou para os amigos em volta, em busca de uma explicação. Tom deu de ombros, não querendo se meter, mas Harry entendeu que eles tinham visto a cena com Rebecca.
- , olha pra mim. – Ele voltou a puxar seu rosto para frente do dele. – É sério, me escuta.
- Tô escutando – ela disse, ainda olhando para o outro lado.
- Eu convidei ela porque ela sabe como foi pra eu entrar numa banda e...
- Eu sei disso. O Tom falou – ela o cortou.
- Mas então, por que tá braba?
- Harry, tu me disse uma vez que o teu último namoro acabou de um jeito meio conturbado, que tu não falava mais com a tua ex e daí me vem cheio de carinhos conversar com ela assim na minha frente! – ela olhou para ele, então.
- E foi isso mesmo – ele respondeu, um pouco surpreso com aquela situação toda. Ela ficou esperando que ele continuasse. – Só que aquele dia do festival ela veio toda feliz conversar comigo. Achei que a gente estivesse bem, como amigos só – especificou. – E nada mais justo do que convidar ela para a festa que me lança como músico profissional.
- E de repente vocês estão amiguinhos! – ironizou.
- Sim, de repente. Fiquei surpreso também – Harry admitiu. – Mas a gente prometeu não discutir mais sobre isso, lembra?
- É, lembro. Mas eu não esperava que ela aparecesse de novo.
- , não fica assim vai. – ele passou o polegar no rosto dela, acariciando. – Tô contigo, não tô? – ela fez que sim com a cabeça. – Então! – suspirou forte.
- Tá bem, Harry – preferiu não prolongar a discussão, mais do que já tinha prolongado. Afinal a festa era importante pra ele.
- Me dá um beijo agora? – ele fez uma cara tão irresistível que teve que sorrir e beijá-lo carinhosamente.
- Olhem! – Tom gritou, fazendo os dois se afastarem. – Ou melhor, ouçam! – riu sozinho. – É Dancing Queen.
A música que ele prometeu dançar que nem louco começava a tocar e Tom se animou, puxando .
- Vamos dançar todo mundo! – chegou onde e Dougie estavam. – É Dancing Queen, vamos!
- Aaah, vamos! – enlouqueceu com ele e puxou Dougie junto.
- Vamos, ! – Tom a chamou.
- Ah, não sei, Tom... – ainda estava meio chateada com o acontecido com Harry.
- Como assim não sabe, ? É Abba, vamos! – não aceitou não como resposta e levou a amiga junto.
Dougie disfarçou e ficou junto com e Harry, que também não foram. Mas não durou muito seu disfarce. e voltaram ao ver que ele e Harry não as acompanharam.
- Quem disse que era pra vocês ficarem aqui? – disse mais animada.
- ? – a convidou.
- Tu sabe que eu não sou muito fã – ela riu e se convenceu.
, , , Harry, Dougie e Tom – principalmente Tom – dançavam freneticamente na pista ao som de Dancing Queen. Às vezes tentavam fazer coreografias, mas não se acertavam muito. Tom até cantava junto, mas não se ouvia muito bem sua voz mais afeminada. Por sorte. As garotas riam de garoto dançando e cantando daquele jeito. Elas nunca tinham visto ele assim. Era divertido. Os outros dois dançavam de forma desengonçada, motivos para risadas também.
percebeu que era hora de parar com seus drinks azuis. A tontura já havia passado para a moleza, se estivesse falando sua língua iria enrolar, com certeza. Mas ainda estava sozinha. Não por muito tempo, Danny apareceu de novo. Fazia um tempo que ele tinha sumido. Vai ver foi comer alguma oferecida por aí.
- Vim te atormentar de novo – ele disse, ao sentar na cadeira ao seu lado.
Mas que mania de aparecer quando ela estava sozinha e tão vulnerável. preferiu não falar nada.
- , se eu te dissesse que te amo? – ele também já havia passado da etapa tontura.
- Eu não ia acreditar. – Ela sabia que aquilo era da boca para fora, mas não deixou de sentir um frio na espinha ao ouvir aquelas palavras.
- Por que não?
- Porque não se ama desse jeito aí, Jones.
- Que jeito?
Ela apenas o olhou expressivamente e ele se calou. Ficaram mais um tempo em silêncio. Até que o barulho de cadeira chamou a atenção dela. Só para completar Casey resolveu se juntar a eles. nem se prestou a olhar diretamente para ela, mas percebeu que ela fez cara de nojo ao ver Danny com ela.
Casey foi se aproximando de Danny aos poucos, deixando inquieta e Danny paralisado. Mas foi tentar encosta a ponta do dedo nele que não se aguentou.
- Vem cá, sua vadia, não dá pra largar do pé, não? – disse jogando a mão da garota longe.
- Vadia é a tua mãe! Quem tu pensa que é pra falar assim comigo? – Casey não deixou barato dessa vez.
- Eu sou a pessoa que está com o Danny. E se tu meter essa mão nojenta de novo nele, tu vai apanhar de verdade. – se levantou e meteu o dedo na cara de Casey, que ficou calada, sem reação.
Danny continuou paralisado, talvez assustado. Olhou para e depois para Casey, que pedia ajuda com o olhar, mas ele não fez nada para ajudá-la. Olhou de novo para que agora também olhava para ele. Casey saiu, puta da cara. E sorriu vitoriosa.
- Tu tá comigo? – Danny desparalisou completamente.
- Não.
- Mas por que tu disse aquilo?
- Porque eu não queria que ela se esfregasse em ti de novo.
- Então tu gosta ainda de mim. – Danny sorriu e o olhou, séria.
Sustentaram o olhar por um longo tempo. Danny se sentiu na liberdade de passar sua mão pelo rosto dela, emaranhar nos seus cabelos e chegar até a nuca, puxando-a devagar para próximo dele. não teve forças para evitar aquilo. Os dois se beijaram. O beijo foi se intensificando e eles foram matando a saudade. sabia que não devia fazer aquilo, mas era mais forte que ela. O desejo que sentiu, a raiva que a tomou, ela não tinha como controlar.
Quando percebeu, estava no colo de Danny e as mãos dos dois vagavam pelos seus corpos. A vontade de ir além também era incontrolável. “Merda! Tudo culpa do azulzinho!”, ela pensava ao mesmo tempo em que colocava sua mão por debaixo da camisa dele. Danny tinha as mãos na coxa de , estava prestes a passar por debaixo do vestido dela, mas ela segurou sua mão forte e eles romperam o beijo. Se olharam, mas logo retomaram o beijo e ela soltou a mão do garoto.
De repente Danny levantou, olhou em volta e a puxou pelo braço. Ela o seguiu confusa. Eles foram para o fundo do lugar em que a festa estava rolando. Era escuro e não enxergava muito bem, só viu que Danny abriu uma porta e a puxou para dentro.
- O que é isso? – ela perguntou antes de ele a agarrar de novo.
- Um mini camarim. – ele respondeu com pressa. – A gente já tocou aqui uma vez e tivemos que nos enfiar nesse cubículo antes do show.
- Qual é a tua intenção em me trazer aqui?
- A mesma que está passando na tua cabeça nesse momento. – logo que disse isso, Danny a puxou, grudando seus corpos e voltando a colocar sua mão na coxa de , dessa vez puxando o vestido para cima, a fim de tirá-lo logo. Ela não hesitou, mas mentalmente culpou o drink azul, de novo. Levantou os braços e afastou seu rosto do dele para que o vestido pudesse sair. Logo que ele caiu no chão, a camisa de Danny caiu também para fazer companhia a ele. Danny mesmo abriu o cinto da calça, fazendo-a cair no mesmo lugar onde estavam o vestido e a camisa. Só levantou um pé depois o outro para deixá-la ali. Conduziu até o sofá preto de três lugares que estava encostado na parede e deitou por cima dela. só se deu conta de que estava nua, quando Danny buscou o preservativo de sua carteira. E então, os dois se uniram como se fosse um só corpo. pode sentir as costas de Danny suadas, passou as mãos firmemente por elas, se contendo para não enfiar as unhas e machucá-lo. Ele por sua vez, passava suas mãos firmemente pelas pernas dela, variando para seu busto. Até que os dois pararam, mais suados que antes. Ele caiu sobre ela, que logo caiu na realidade e o empurrou, na tentativa de levantar dali. Vestiu suas roupas rapidamente, enquanto Danny sentado a observava confuso.
- Isso não quer dizer que eu te perdoei e que eu vou voltar a falar contigo – ela disse assim que estava completamente vestida. – Considere isso como um presente pelo lançamento do CD – e saiu do mini camarim ao encontro das amigas.
- Vamos com eles, Tom? – convidou o garoto ao ver os amigos voltando para a mesa.
- Não, quero ficar sozinho contigo – ele a puxou para mais perto e a abraçou fortemente.
- Nós podemos ficar sozinhos em casa.
- É, podemos. E podemos fazer coisas bem mais interessantes também. – Tom sorriu malicioso e a beijou.
- Em casa, Tom, em casa – ela riu, afastando o garoto animado por demais.
Os dois ainda dançavam na pista de dança. Quer dizer, mais se agarravam do que dançavam.
- , casa comigo? – Tom disse enquanto abraçava ela, que tinha a cabeça em seu peito.
- Tá louco, Tom? – ela riu afastado sua cabeça do peito do garoto para olhá-lo.
- É sério.
- Tu bebeu demais hoje. Outro dia conversamos sobre isso. – voltou a encostar a cabeça no peito dele, rindo do que acabara de ouvir.
Capítulo 38
A música estava mais alta que o normal. Para falar a verdade, muito mais alta que o normal. Elas arrumavam a casa ao som de I Want To Break Free, do Queen. , , e até limpavam o apartamento de , dançando e cantando freneticamente. Assim, se divertiam fazendo os serviços da casa.
- God knows! – levantou seu espanador para fazer uma pose.
- God knows I want to break free! – completou a música, usando o cabo da vassoura como microfone.
- I've fallen in love – foi a vez de cantar do banheiro com seu esfregão em mãos.
- I've fallen in love for the first time. And this time I know it's for real – cantou da cozinha, com a esponja cheia de sabão.
Elas paravam para dançar juntas no meio da sala. Faziam danças engraçadas e continuavam a música mega emocionadas.
- It’s strange, but it’s true. – usou novamente o cabo da vassoura de microfone, quase se jogando no chão para dramatizar.
- Yeah! – elas cantaram juntas, virando sem querer para a porta de entrada e vendo um ser assustado com a cena.
- Dougie! – se surpreendeu. – O que tu tá fazendo aqui? – quase gritava devido ao som alto.
- Estou aqui há um bom tempo, esperando vocês terminarem a bela cantoria e coreografia, para conversar com a – disse ele, depois de ir abaixar o volume do som.
- Sério? Por que não nos chamou? – perguntou.
- Chamei, mas vocês não ouviram. Tava quase indo me sentar no sofá para esperar.
- Estávamos distraídas com a limpeza. – chegou, tirando as luvas de plástico.
- Muita limpeza. Mais dançaram e cantaram do que limparam.
- Limpamos muito, ok? Estávamos quase terminando. – ficou ofendida. – Olha só, nenhum pozinho. Tudo brilhoso. – Passou o dedo no armário que recém terminara de espanar.
- Ahã... tá bom – Dougie brincou. – Mas vim aqui pra convidar vocês pra uma reuniãozinha no Fletcher hoje à noite.
- Hum... a troco? – perguntou.
- A troco da companhia adorável de vocês – ele sorriu.
- Iiih, eles querem alguma coisa. – continuava desconfiada.
- Só porque eu elogio vocês, é porque eu quero alguma coisa?
- Uhum – concordava com a amiga.
- Mas estão enganadas. Sou super querido e vim aqui convidar vocês pra ir lá. Vocês vão? – Dougie finalizou a discussão.
- Vamos! – lhe deu um beijo estalado.
- Às nove, ok? – Dougie foi se levantando.
- Peraí, tu veio aqui só pra nos convidar? Não vai ficar um pouquinho? – fez biquinho.
- Não posso. Temos uma reunião com a produtora.
- Mas que mão. Podia ter ligado, era bem mais fácil do que vir até aqui. – comentou.
- Mas como eu já disse, eu sou um cara muito querido e vim até aqui ver vocês.
- Veio ver a , isso sim. – , que estava quieta, comentou, revirando os olhos.
- É, vim. Mas vocês são amigas legais. – Dougie sorriu e se dirigiu até a porta. o acompanhou.
- Aquela Andrea vai tá lá? – ela perguntou, quando estavam no corredor esperando o elevador.
- Sim, . Ela sempre tá lá.
- Sempre? – ela perguntou um pouco afetada, e ele concordou com a cabeça. – Sempre dando em cima de vocês?
- Ela só é atenciosa e empenhada. Dá uma grande ajuda pra gente.
- Tá bom, tá bom. Vai lá e abre o olho com aquela, hein? – disse ela, puxando o olho direito com o dedo. Ele riu e abriu a porta do elevador.
- Te vejo mais tarde, querida. – Ele deu um beijo longo e bom nela, deixando vontade de continuar.
- Tu tá muito carinhoso hoje, Poynter – ela riu antes da porta fechar, e pôde ver ele fazendo uma careta bonitinha. Ela sorriu abobada.
- Não vou, gurias. Tá decidido! – pôde ouvir falar um pouco alterada quando entrou de volta no apartamento.
- Ah, ! Deixa de frescura. Nós somos todos amigos. – tentava convencer a amiga.
- É. E além do mais tu e o Danny já se encontraram várias vezes e não deu problema nenhum – completou.
- Isso é o que vocês pensam. – largou, em tom de voz mais baixo.
- O que tu andou aprontando, ? – perguntou desconfiada, com a mão na cintura.
- Ah, não foi nada. – Ela ainda não havia contado para as amigas o ocorrido na festa de lançamento do CD.
- Nada, não. Já vi que pela tua cara a coisa foi séria. – colocou a mão na cintura também e se aproximou da garota, seguida por e .
- Tive uma recaída.
- O quê? Conta mais!! – se animou.
- , te aquieta! – deu um “paratiquieto” na garota.
- Tá, eu conto. – soltou um suspiro e se jogou no sofá atrás de si. – Aquela vadia da Casey tava dando em cima dele de novo e eu não me aguentei. Até descobri um mini camarim lá naquele lugar. – Ela riu da última coisa que falara.
- ! Vocês chegaram a ir mais além? – estava sentada ao lado dela com o semblante curioso. A garota concordou com a cabeça ainda rindo, um pouco corada.
- Mas é agora que tu tem que ir! – falou com bastante certeza.
- Mas é agora que eu não vou! – a garota corrigiu a amiga. – Só porque eu tive uma recaída, não quer dizer que eu perdoei ele.
- Ah, ! Vamos lá, vai ser meio que uma despedida antes da turnê. – tentava convencer, sem muito sucesso. estava certa de que não iria.
- Mas vocês não pensem que eu não vou me divertir. – sorriu maliciosa. – Já que vocês vão e, concluo eu, que dormirão por lá, eu posso trazer o Ed pra cá? – sorriu para como um pedido.
- Sua safada!! – lhe deu um tapinha no braço, rindo.
- Ai, ! – ria também, esfregando a parte dolorida pelo tapa da amiga. – Posso, ?
- Vou fazer o quê, né? Já que tu não vai te divertir lá na casa do Tom, que te divirta aqui. – acompanhou as risadas e sorriu agradecendo com um abraço.
Quando perceberam, estavam as quatro falando besteira sobre garotos e rindo que nem umas retardadas, esquecendo completamente de acabar a limpeza da casa.
- , tá linda, vamos! – apressava a amiga que se olhava no espelho trezentas vezes, e vestia uma legging e um blusão mais comprido, com um cinto fino na cintura, nos pés uma sapatilha de bolinhas (veja o look).
- É, vão que o Ed vai chegar daqui a pouco. – expulsava as amigas de casa, vestindo também uma legging preta e uma blusa solta e comprida com um detalhe no meio, nos pés uma sapatilha aveludada (veja o look).
- Ai, mas essa calça me deixa tão gorda. – reclamava ainda em frente ao espelho.
- Cala a boca, ! Tá linda, magra e o Harry vai amar. Vamos! – já estava com a bolsa no ombro, só esperando que resolvesse sair da frente daquele espelho. Ela vestia uma calça skinny azul normal e uma blusa soltinha, nos pés um sapatinho de salto baixo (veja o look).
- Nem sei por que vim me arrumar aqui com vocês – ela mandou a língua para as outras.
- A gente aqui te elogiando, e tu mostra essa língua feia aí. – se fingiu ofendida.
- Mostra essa língua pro Harry que ele vai gostar. – riu. – Mas pra isso temos que i-ir. – Ela meio que cantarolou a última palavra, tentando enfatizá-la. Ela vestia uma skinny azul escura e uma blusa de manga curta, nos pés uma bota bem quentinha e confortável (veja o look).
- Tá bom, vou com essa calça que me deixa uma orca mesmo. – saiu da frente do espelho, e as amigas reviraram os olhos. – E sem revirar os olhos, eu sei que tô gorda!
- Tá gigante! – acompanhou-as até a porta.
- Bom divertimento com o Ed, . – deu uma piscadinha para a amiga, que riu de volta.
Elas puderam sentir o frio no hall do prédio, mas só foram se dar conta do quão baixa a temperatura estava quando chegaram na rua e viram a neve caindo.
- É tão linda a neve, né? – falou olhando a paisagem branca.
- É linda, mas congelante. – se encolheu ao sentir o frio. – Podia ter deixado o carro na garagem, né, ?
- Ah, não ia colocar ele de novo lá se a gente ia sair logo – disse ao abrir a porta do carro e adentrar neste.
, que estava no banco do passageiro, ligou logo o rádio para ouvirem uma música qualquer.
- Bem que McFly podia tocar de novo – comentou, se aproximando dos bancos da frente.
- É, podia. Mas essa estação tá uma porcaria. – ia mudando à procura de uma boa.
- Tá deserto hoje, né? – comentou, atenta à estrada.
- Também, com esse frio quem se anima a sair de casa? – falou, ainda próxima dos bancos da frente.
- Nenhuma estação tá dando música boa... Que saco! – desistiu, e voltou a se encostar direito no banco do carona.
- Deixa nessa mesmo, vamos ouvindo notícias. – concordou com a estação “escolhida”.
Elas ficaram em silêncio por um instante. A única coisa que era possível ser ouvida era a voz do locutor dando notícias sobre esportes. Até que entrou em outro assunto. “Falando agora sobre o clima. Podemos sentir que o frio está com tudo nesse inverno. Já era tempo de cessar a neve, mas parece que uma nova frente fria chegou, trazendo-a consigo. E essa tempestade de neve não é brincadeira, ela vem com tudo. É recomendável que não saiam de casa enquanto a nevasca não parar e o gelo não derreter. Então aproveitem para fazer um programinha em frente à lareira com um bom vinho junto com o namorado ou namorada. Não é nenhum esforço, não é?”
- Uh, e nós já saímos de casa. Tarde demais essa notícia – disse, assustada.
- Ah, já estamos chegando agora. Sem perigos – falou, confiante.
- Agora sim é que vamos ter que dormir por aqui – concluiu.
- Espero que o tempo esteja bom quando os guris forem sair em turnê. Imagina o perigo, eles saírem de ônibus com essa neve – disse preocupada. – Nem gosto de pensar.
- Tu nem gosta de pensar na turnê em si, – falou, diminuindo a velocidade do carro ao chegar perto da casa de Tom.
- Vai me dizer que tu gosta? – revidou e ficou quieta.
As três desceram do carro e foram correndo para dentro da casa quentinha que as esperavam com a porta destrancada, o que não era novidade nenhuma.
- Ô, Fletcher, traz mais vinho pra gente! – Harry gritou para o garoto que estava na cozinha.
- Ai, Harry, chega! Não quero mais. – largou sua taça vazia na mesa ao lado do sofá em que estava e encostou-se no ombro de Harry.
- Tu tomou só uma taça, – Harry comentou, estranhando.
- É, mas não tô a fim de beber mais – ela respondeu, e Harry deu de ombros.
- Trouxe mais uma garrafa e o vídeo game! – Tom mostrou o que tinha em mãos. – Alguém instala aí.
- Eba! Que jogos tu tem? – perguntou, enquanto Dougie pegava o aparelho para instalar e Tom lhe entregou o porta cd com os jogos dentro.
- O Danny também não veio, achando que a vinha – Tom falou voltando ao assunto que conversavam antes de ele se ausentar da sala. – Algum motivo especial?
- Eles tão brigados, Tom – falou, como se fosse óbvio.
- Eu sei, – disse sem paciência. – Mas eles já tinham se visto várias vezes depois da briga.
- Tom, tu tem Crash!! – quase berrou, interrompendo a conversa.
- Sim, eu tenho.
- Eu amo Crash! – se prontificou em colocar o CD dentro do aparelho de vídeo game.
- Oba, vou jogar também. – se animou.
- Ei, eu também quero! – Harry se sentou no chão ao lado de .
- Vamos fazer uma competição. – Dougie ficou a postos também.
- Mas ninguém me respondeu ainda se tem algum motivo especial pro Danny e a não querer se ver. – Tom insistia no assunto.
- Por que te interessa tanto saber disso, cara? – Harry falou com o controle na mão.
- Porque eles são meus amigos e eu me preocupo com eles – Tom respondeu simplesmente. – E fico com pena deles sozinhos...
- Não se preocupa que a não tá sozinha. O Ed foi pra lá fazer companhia pra ela. E o Danny não é trouxa de ficar sozinho também – respondeu assim que apertou o botão “power” de aparelho para iniciar o jogo. – E eles não querem se ver por causa da recaída na festa de lançamento do CD – ela completou, mas assim que disse se deu conta que falara demais e rapidamente levou a mão na boca, fazendo um barulho que dava a impressão que a batida fora forte.
- ! – a olhou incrédula de que a amiga tinha falado aquilo.
- Quantas taças tu já bebeu, ? – perguntou com a expressão igual à de .
- Ah, sei lá... Algumas. – sorriu forçado.
- Sério que eles tiveram uma recaída? – Dougie perguntou diretamente para que concordou com um movimento de cabeça.
- O puto do Jones nem pra nos contar... – Harry comentou.
- Mas ô, vamos parar de falar de quem não está aqui presente e vamos começar esse jogo de uma vez. – tentou melhorar a situação. – Aperta start, Harry! - Quase gritou assim que viu que o garoto não percebera que era ele quem estava com o controle 1.
A campainha tocou e quase teve um treco. Estava terminando de arrumar as almofadas no sofá e de tirar a comida pré-pronta do microondas. Correu para frente da porta, mas antes de abrir deu uma ajeitada na roupa e no cabelo, tentando parecer normal. Abriu a porta e não viu ninguém, até que um buquê de gérberas rosa apareceu do nada, vinda do lado direito do corredor. Em seguida. Ed se posicionou atrás deste e sorriu maravilhosamente para ela. Ela retribuiu o sorriso.
- Oi – falou após um tempo em silêncio. – Vai ficar aí parado ou vai entrar? – ela brincou e ele riu.
- É que eu fico estático ao ver como tu é bonita – ele disse, depois de parecer acordar de um transe, entrando no apartamento e fazendo-a corar.
Ela pegou as flores que ele ofereceu novamente e, ainda corada, agradeceu e levou até a cozinha para pôr num jarro de água.
- Eu fiz uma comida pra gente. – chegou da cozinha mais normal. – Nada muito especial. Até porque eu não sei fazer essas coisas. – ele riu.
- Pra mim qualquer coisa tá boa. Eu que tô acostumado a passar o dia com café de vez em quando. – Ed ainda estava de pé no meio da sala. – Mas antes eu queria um beijo. – Ele a puxou assim que ela começou a se direcionar para a cozinha novamente, convidando-o para ir junto. Eles ficaram um tempo com os rostos muito perto, apenas sentindo a respiração do outro. Até que Ed a pegou pela cintura e a puxou delicadamente para mais perto, ela automaticamente passou as mãos pela nuca dele e juntaram seus lábios, beijando-o calmamente. – Ok, agora eu posso matar a minha fome – disse em meio de um sorriso quando quebraram o beijo.
- Lasanha à bolonhesa congelada de microondas, gosta? – ela perguntou um pouco receosa. – Acompanhada de um bom vinho. – Sorriu, achando que isso pudesse melhorar sua situação.
- Meu prato favorito – ele mentiu, e ela percebeu. Os dois, então, riram juntos sentando-se à mesa. – Tudo bem, não é o favorito, mas eu gosto de verdade. – Ela o olhou, desconfiada. – É sério! – Ed levantou as sobrancelhas e sacudiu a cabeça afirmativamente.
- Bom, o problema vai ser teu se tu estiver mentindo – ela disse rindo, ao servir um pedaço consideravelmente grande para ele e sobrar um mini para ela. Ele olhou, preocupado. – Não se preocupa, tem mais sendo aquecido nesse mesmo instante. – apontou para o micro, percebendo a preocupação dele.
- Mas que merda!! Vocês tão há séculos nessa fase! – Dougie reclamou ao ver que e continuavam jogando a mesma fase há um tempo.
- Nem vem, Poynter! Essa fase é difícil, estamos quase virando o jogo. – falou, sem tirar os olhos da tela da TV. – Duvido que tu já tenha chegado nela.
- Eu desisto de vocês. – Harry se levantou do chão e foi sentar perto de e Tom, que conversavam alguma coisa séria.
- Não importa se eu já cheguei ou não. Eu quero jogar logo – Dougie continuou reclamando.
- Dougie querido, se tu ficar reclamando, vai nos atrapalhar, e daí não vamos conseguir passar. – também não tirou os olhos da tela da TV e Dougie encostou-se ao sofá, cruzando os braços. riu baixinho.
- Ei, tu quase me matou, ! – se assustou assim que voltou a se concentrar no jogo. Foi a vez de Dougie rir baixinho.
- Atrapalho o casal? – Harry falou ao se sentar ao lado de .
- Não, não... – respondeu amigavelmente.
- Tava contando pra nossa reunião de hoje. – Tom deixou Harry a par do assunto.
- É. Ele me disse que o CD vai pra loja segunda.
- Sim, tô muito nervoso pra ver como vai ser a venda – Harry se interessou.
- Nem me fala, cara. – Tom passou o braço pelo ombro de e se virou um pouco de lado para ficar de frente para os dois.
- Cara, tu viu que o primeiro show da turnê já esgotou os ingressos? – Harry falava animado, esquecendo que estava no meio deles.
- Vi!! Não consigo acreditar que já temos fãs assim, antes de vender o CD.
- Acho que a gente poderia sair da mesa, o que tu acha? – Ed já se sentia mais à vontade, vendo que estavam há um tempo ali, sentados, conversando e se beijando entre uma conversa e outra, já tendo terminado o jantar.
- Acho uma ótima ideia. – se levantou prontamente.
Os dois se dirigiram ao sofá da sala, onde não perderam tempo para se beijar e aprofundar os amassos. é que não conseguia se sentir muito à vontade. Talvez por que ali onde eles estavam tinha sido a primeira vez dela com Danny, ou talvez por que ainda gostasse muito do Danny, ou então por fazer uma semana que ela tivera a recaída por ele, não sabendo se estava arrependida ou não, ou uma última hipótese era que Ed e ela não tinham tanta intimidade, por mais que eles já tivessem ficado algumas vezes. Ela se sentia um pouco diferente com ele. Algum desses motivos era, com certeza. Ela só não conseguia identificar qual. Preferiu interromper e tirar a mão dele que já subia sob sua blusa.
- Vou buscar mais vinho pra gente – arranjou uma desculpa para poder respirar e também para tomar coragem e ir fundo na sua decisão, que era ficar com Ed e esquecer o Danny.
Ele, meio zonzo, concordou com ela, mesmo achando desnecessário interromper o momento em que estavam. Ela voltou com duas taças já cheias e uma garrafa com o resto do conteúdo dentro. Veio tomando o seu com um pouco de pressa. Ed pegou a taça dele e tomou rapidamente, largando a taça na mesa de centro e voltando a beijar , que depois da última taça já se sentia mais solta. O calor já começava a subir e ela conseguia retribuir mais aos carinhos que Ed fazia. Mas ainda assim fez questão de terminar com o vinho que tinha na garrafa. Até se sentir cem por cento confiante e ir fundo no seu objetivo. Afinal não ia desperdiçar aquele homem lindo que estava bem à sua frente.
O vinho era um bom aliado, certamente. O calor ajudava a ter mais vontade de tirar a roupa. mesmo começou a abrir os botões da camisa de Ed, que sorriu entre o beijo ao perceber a atitude da garota. Assim que abriu o último botão escorregou sua mão pelos ombros largos do garoto, a fim de tirar a camisa.
- Vocês me aceitam nesse grupo ou vão me ignorar também? – chegou onde estavam , e Dougie jogando vídeo game.
- Nesse grupo quem está sendo ignorado sou eu. Podemos formar um outro grupo. – Dougie sorriu para a recém chegada.
- Deixa de frescura, Dougie. – ouviu e não deixou de responder alguma coisa.
- Então, , o que me conta? – ele fez questão de ignorar e puxar um assunto com , que riu da cena.
- Bem lembrado, Dougie! Precisava te contar uma mesmo. Chegou um filme na locadora essa semana que eu achei a tua cara.
- Qual é? – ele perguntou animado.
- Não lembro o nome – ela riu, e ele fez uma careta. – Mas tenho certeza que tu e o Tom vão gostar. É desses estilos de ficção cientifica.
- ACABAMOS! – berrou, assustando todos na sala.
- Viramos o jogo! – entrou na comemoração da amiga, fazendo uma dancinha engraçada.
- Finalmente. Já tava até torcendo pra acabar logo. – Dougie olhou as duas dançando e não conseguiu não rir.
- Meu chatinho, agora eu sou só tua. – , que agora estava de pé, se abaixou e pegou o rosto de Dougie com as duas mãos e lhe deu um selinho forte.
- Eu não queria tu, queria o vídeo game – ele disse quando ela desgrudou os lábios dos dele.
- Seu imbecil. – ela largou seu rosto com violência e virou de costas para ele.
- Eu tô brincando, . – Dougie tentou puxá-la para baixo novamente, mas ela continuou parada na mesma posição.
- Eu não sou imbecil – Harry falou do sofá onde estava. – E quero a aqui comigo. – Bateu no lugar vago do sofá ao seu lado, convidando a garota a sentar-se ali.
- ... – Tom chamou um pouco malicioso.
- Agora tu lembra de mim?
- Veeem, amor! – ele disse, manhoso, e ela não resistiu.
- Viu, , só tu é orgulhosa e não vem aqui comigo. – Dougie disse ao ver que os dois casais se beijavam.
- Sou orgulhosa e chata. Se não gosta de mim assim, eu vou embora. – sentou-se no chão novamente, mas ainda sem olhar para Dougie.
- Tu nem pode embora com essa neve aí fora.
- Vou a pé.
- Vai congelar.
- Aaai, chato! – ela ficou sem o que falar e ele riu.
olhou de canto para ele e viu que ele a olhava de um jeito provocante, mas ao mesmo tempo engraçado. e ela riu.
- Do que tu tá rindo? – Dougie perguntou. chegando mais perto dela.
- Tu não consegue me provocar, Poynter.
- Ah, não? – ele chegou mais perto, afastando o cabelo dela, deixando sua nuca a mostra e depositando um beijo ali. Ela se arrepiou e encolheu o pescoço.
- Não – ela se manteve firme.
Ele voltou a beijar-lhe a nuca, subindo um pouco para a orelha.
- Não mesmo? – sussurrou em seu ouvido e ela se arrepiou novamente, repetindo o movimento de antes. Dougie seguiu os beijos até ela virar de frente e se render, beijando intensamente a boca do garoto.
- Tudo bem, só um pouquinho – ela respondeu entre o beijo e ele riu.
- Ô, quem sabe vocês não vão para um quarto? – eles ouviram Harry falar.
- Nem vem, Judd, que tu tava te agarrando com a aí que eu vi – Dougie respondeu. – Mas não deixa de ser uma boa ideia. – ele voltou a olhar para sorrindo maliciosamente.
- Ai, mas tem que sair nesse frio? – desanimou ao pensar em ir para a casa de Dougie.
- Agora tu que tá sendo fresca, . – falou, agarrada ao namorado. – É só atravessar a rua.
- Vocês enchem o meu saco, hein? – se levantou, mostrando que tinha aceito atravessar a rua.
- Mas olha só! É o casal de vítimas! – Tom brincou e enquanto lhe mostrava a língua, Dougie lhe mostrava o dedo do meio.
- Se a reclamar depois que tem que atravessar a rua também, encham o saco dela. – apontou para a amiga que abriu a boca em sinal de indignação.
- Tô tão quietinha aqui no meu cantinho – se defendeu, acolhendo-se no peito de Harry.
Ouviram a porta bater e as vozes de e Dougie ficarem cada vez mais baixa.
- Vocês não vão também? – Tom falou para Harry e .
- Tá nos expulsando? – se sentiu ofendida.
- Não, imagina. – Tom ironizou. – Mentira, podem ficar até quando quiserem.
- Tu anda muito engraçadinho, Thomas. – estreitou os olhos para o garoto que estava ao seu lado, que riu, se achando.
- Já que tu tá te achando o garanhão, busca mais vinho lá pra gente. – Harry cortou o amigo.
- O que isso tem a ver? – ele perguntou confuso.
- Nada. Mas eu tô mandando tu ir e tu tem que me obedecer.
- Só vou por que quero tomar também, não por que tu tá mandando.
- Parecem duas crianças. – ria, acompanhada de .
O quarto estava escuro, apesar do feixe de luz que vinha da sala. estava quase pegando no sono com a cabeça encostada no peito de Ed. Eles preferiram migrar para o quarto, já que era bem mais confortável.
- ? – Ed a chamou baixinho. Ela gemeu em sinal de que estava meio acordada ainda. – Essa noite foi a noite mais maravilhosa da minha vida – ele falou, soltando um suspiro em seguida e deixando uma sem palavras.
- Foi maravilhosa. – ela preferiu falar alguma coisa para não deixar o garoto no vácuo.
Claro que ela concordava que foi maravilhosa, mas infelizmente não fora a melhor da vida dela. Ed era maravilhoso, ela não tinha do que reclamar, fez tudo perfeitamente bem. Ela suspirou e fechou os olhos, abraçando-o mais forte e pode sentir ele fazer cafuné em seu cabelo e logo em seguida beijar o local.
- Boa noite, linda!
Era possível fazer uma coleção de garrafas vazias só com as que tinham na mesa de centro. Mesmo com e tendo parado de beber o vinho há um tempo, Tom e Harry continuavam depositando mais e mais garrafas vazias ali. Os dois já falavam besteira e era muito aparente seu estado alcoólico. começava a ficar com medo do que Tom estava por fazer. Ele era um tanto perigoso bêbado. Ela e conversavam entre si sem dar muito ouvido para as bobagens deles.
- E quando a gente tiver no ônibus a gente pode jogar qualquer tipo de jogo. – Harry comentava animadamente. – Até a Andrea disse que joga com a gente.
- Cara, a Andrea é sem noção! Ela soube até que tu foi ver a Rebecca hoje e fez um comentário engraçado – Tom falou em alto e bom som, fazendo se virar imediatamente.
- Como é que é? – ela perguntou fazendo os dois se calarem.
Harry fez uma careta de “puta merda” e Tom uma parecida, de “fodeu”.
- Tu foi ver a Rebecca hoje, Harry? – insistiu.
- Ai, Tom! Tu e essa tua boca. Não vou mais te deixar beber desse jeito. – o repreendeu baixinho.
- Não, ...
- Eu ouvi bem, Harry. Tu foi ver a Rebecca hoje sim. – começava a se exaltar.
- Por que me perguntou se já sabia? – Harry tentou brincar. Só tentou, por que não teve sucesso nenhum.
- Deixa de ser retardado!
- Calma, ... – tentava acalmar a amiga acariciando seu braço. – Deixa ele se explicar.
- Não tem calma, – ela sacudiu o braço tentando recusar o carinho da garota. - E a explicação eu prefiro nem ouvir. Se era pra ser secreto esse encontro deve ser por que aconteceu certas coisas que a babaca aqui não poderia saber.
- Não era secreto, ... – Harry falava calmamente, tentando não perder o controle. – Deixa eu te explicar, vem cá. – e puxou a garota que se levantava para sair dali.
- Eu. não. quero. saber. – ela falou pausadamente, com raiva e se levantou novamente pegando seu casaco e bolsa.
- , pra onde tu vai? – Tom se pronunciou, preocupado.
- Embora. – foi grossa com o garoto.
- Mas não tem condições. É perigoso, . – Harry ia atrás dela, na tentativa de impedir que ela fosse.
- É sério, . – se meteu na frente da amiga. – Não dá pra ir. Tu ouviu no rádio. A gente dá um jeito, o Harry vai pra casa dele e tu dorme num dos quartos aqui na casa do Tom e amanhã vocês conversam com mais calma.
- , não tem o que conversar. Eu vou pra minha casa. – Sem pensar duas vezes, pegou as chaves do carro de na mesa do hall e colocou a mão na maçaneta para abrir a porta, mas Harry impediu que ela abrisse.
- Tu não vai – ele falou mais firme.
- Vou.
- Pelo amor de Deus, não têm motivos pra essa cena toda. Eu só me encontrei com a Rebecca como amigo.
- Essa cena? Agora eu sou uma atriz? – falou indignada. – Quem está mais para ator aqui é tu, Harry. Mas não me engana com essa historinha de amigo.
Ela, de alguma forma, conseguiu abrir a porta e se direcionar até o carro.
- ! – gritou indo atrás da amiga ao mesmo tempo em que colocava seu casaco. – Eu vou contigo então. – não falou nada.
- Não, ! – Tom falou desesperado.
- Mas eu dirijo. – ignorou o namorado e ignorou ela, entrando no carro e ligando-o.
soltou um urro de raiva e entrou no carro pela porta do passageiro, e lá dentro continuou tentando convencer a amiga de trocar de lugar. Porém parecia fora de si e nem deu ouvidos para ela, dando partida no carro.
- Merda, bosta, cu! – Harry deu um murro no batente da porta com tanta força que chegou a rachar de leve.
- Porra, cara! Por que a tinha que se meter nessa? – Tom ainda estava desesperado colocando violentamente as mãos na cabeça e quase arrancando seu cabelo.
Os dois acompanharam o carro fazer o retorno e virar a esquina, se olharam sem saber o que fazer.
- , pelo amor de Deus, eu tô falando sério, é perigoso! – falava, olhando ora para a estrada ora para a amiga, que estava bufando de raiva. – Deixa pelo menos eu ir dirigindo, tu tá fora de si.
- Cala a boca, ! – gritou com a amiga, assustando-a um pouco.
Ela pode sentir as lágrimas embaçando sua vista e tratou de limpá-las rapidamente. continuou falando, mas ela não conseguia prestar atenção no que a amiga dizia. Só conseguia imaginar Harry e Rebecca juntos. sabia que ele ainda gostava dela, ele havia dito que a garota tinha terminado o namoro, deixando-o sozinho. Era óbvio que ele ainda gostava dela. E se foi só um encontro de amigos, por que não contara pra ela? Ela lembrou também do dia em que tentou conversar com ele querendo ter um compromisso com ele e Harry não quis. É, estava certa de que ele era apaixonado pela ex e ela era só um divertimento, um passatempo. E ela, a retardada, apaixonada por ele. Muitos pensamentos rondavam a cabeça de , fazendo-a ficar desatenta à estrada. Até que ouviu gritar seu nome e sua atenção voltou para a rua, vendo uma pessoa parada no meio desta olhando assustada para o carro.
- Eu gosto mesmo é do Sol. – comentava deitada de barriga para cima, olhando para o teto do quarto de Dougie, onde tinha adesivos que brilhavam no escuro em formato de planetas e estrelas.
- Prefiro Júpiter – Dougie disse, apontando para o planeta.
- Júpiter é feio. Gordo e grande e com um anel desproporcional.
- Eeei, não fala assim do meu planeta.
- Teu planeta? – desviou o olhar, a fim de vê-lo.
- É, ele rege Sagitário, meu signo – ele olhou para ela também.
- Que informado. – riu.
- Não tem graça.
- Eu seria muito gorda lá. Teria 20 meses e 152,4 Kg. – disse ao parar de rir.
- Como tu sabe disso? – Dougie olhou para ela perplexo.
- Daqueles papeizinhos do Mcdonalds. – ela riu novamente, dessa vez de si própria.
No meio das risadas de , pode-se ouvir um som de vibracall sobre a madeira e logo em seguida a música Mr. Tambourine Man tocar. O celular de tocava no criado mudo ao seu lado. Ela fez menção de pegá-lo e Dougie segurou seu braço.
- Não atende – e beijou a boca da garota, mordendo de leve seu lábio inferior.
- Deve ser importante, Doug. – tentava pegar o celular, mas não conseguia desgrudar seus lábios dos do garoto.
- Viu? A pessoa desistiu, deve ser porque não era importante – e ele voltou a beijá-la vendo que a música havia parado de tocar.
Mas a pessoa não havia desistido, o celular começou a tocar de novo. realmente ficou curiosa e com uma pontinha de preocupação, sem saber direito por quê.
- Não desistiu. – ela falou séria e virou-se para atender o celular. – Alô? Oi , o que aconteceu? – sentou na cama, ouvindo atentamente com uma cara de espanto.
- O que foi? Aconteceu alguma coisa séria? – Dougie ficou preocupado também, sentando-se de frente para ela.
- Meu Deus! – finalmente falou alguma coisa e seus olhos se encheram de lágrimas. – Onde foi? Como aconteceu? Onde elas estão? Elas estão bem, né? - fazia pergunta atrás de pergunta com a mão na boca, assustada. – Elas estão... – se esforçou para completar a frase, engolindo em seco – vivas?
Capítulo 39
Aquela luz branca, aquele ambiente branco, aquelas pessoas de branco e até aquele silêncio branco começava a incomodar. e estavam sentadas uma ao lado da outra, com o rosto inchado de chorar e olheiras fundas de preocupação. tinha os joelhos dobrados próximo ao corpo, com os pés sobre a cadeira, abraçando suas pernas e afundando seu rosto nelas; apoiava seus cotovelos nos joelhos e suas mãos agarravam sua cabeça, emaranhando seus dedos entre os cabelos, puxando-os para trás. Dougie e Harry estavam sentados nas cadeiras a frente delas, e Tom caminhava de um lado para outro no meio de todos. Cada vez que um médico passava alguém o atacava para saber notícias de suas amigas, mas a resposta era sempre a mesma, vaga.
- Cara, vim o mais rápido que pude! Como elas tão? – Danny chegou atordoado.
- É o que todos queremos saber – respondeu, sem nem direcionar o olhar para ele.
- Vocês são familiares de ? – um médico que não tinha passado por ali antes perguntou, se aproximando deles depois de um tempo, sem condições de ser contado.
- Sim! – Harry levantou rapidamente.
- Na verdade, somos amigos, ela não tem familiares aqui em Londres. – também levantou, sendo seguida de e Dougie.
- Então, o acidente foi grave – o médico começou, e desabou a chorar novamente, sendo abraçada por Dougie. Todos estavam apreensivos. – Sinto muito, mas...
- Aaai, não!! – chorava mais ainda depois do começo da frase do médico e não fez diferente.
- Acalmem, por favor. Ela está viva, mas está em coma – o médico concluiu.
- Ela corre risco de vida, doutor? – recuperou a voz.
- Ainda não sabemos, ela está em observação, ligada a aparelhos e sendo medicada. Esperamos qualquer sinal para podermos informar algo mais exato. O que podemos dizer é que o coma não é profundo, talvez essa seja uma notícia não tão ruim.
- E a ? A moça que estava com ela no carro? – Tom estava inquieto, o que era de se esperar.
- Ah, não vieram avisar ainda? – o médico ficou surpreso quando todos negaram com a cabeça. – Ela passa bem. Está dormindo ainda, mas daqui a pouco deverá acordar e amanhã poderá ir para casa. Fraturou a clavícula e teve alguns cortes pelo corpo.
Um suspiro de alívio se apossou do ambiente. Pelo menos estava bem.
- Podemos vê-la? – fungou, passando as costas da mão no nariz.
- Claro, ela já está no quarto. Vou pedir para uma enfermeira acompanhar vocês.
- E a , doutor? Podemos ver ela também? – Harry perguntou.
- Ela ainda está na UTI, só poderá um de cada vez. Mas já aviso que ela está inconsciente e não sabemos quando e se ela vai acordar.
Aquele “se” mexeu com todos, voltando toda a preocupação e medo que nem chegaram a ir embora.
- Obrigado, doutor! – Tom agradeceu, assim que o médico fez menção de sair do círculo que eles tinham formado.
Assim como o médico indicou, um de cada vez foi ver , com a roupa adequada para se entrar em uma UTI. Ela não aparentava muito bem, tinha cortes pelos braços e um pouco no rosto, devido aos estilhaços de vidro; tinha uma “coleira” no pescoço, imobilizando-a; a perna direita engessada e vários aparelhos ligados a ela. Uma cena bastante triste de se ver. As amigas e Harry ficaram tempo demais conversando com ela, mesmo que ela não respondesse, o que fez com que uma enfermeira viesse expulsá-los dali. Harry se desculpava o tempo inteiro, abraçando-a e chorando o que não tinha chorado na frente dos outros.
Quando todos estavam reunidos novamente, mais recompostos e sem muito drama, outra enfermeira acompanhou-os até o quarto em que estava.
Os barulhos que estavam distantes foram se aproximando cada vez mais. Podia sentir alguém a tocando no braço e, principalmente, as dores pelo corpo. Percebeu uma movimentação se aproximar dela. gemeu e abriu os olhos, enxergando todos os seus amigos em volta dela, olhando-a de forma constrangedora.
- Oi! Aaai! – tentou se mexer, mas a dor não colaborou.
- , como tu tá se sentindo? Tá tudo bem? Quer que eu chame um médico? – Tom se aproximou mais ainda da garota.
- Não, não. Aai. Tá tudo bem, só tê com muita dor aqui – apontou para o local fraturado.
- Vou chamar um médico. – Tom saiu do quarto à procura de um, sem esperar resposta.
- Tom besta, é só apertar esse botão. – apertou o botão ao lado do leito.
- Gente, cadê a ? Ela tá bem? – perguntou, vendo que todos ainda ostentavam um olhar preocupado.
- Ela tá na UTI. – baixou a cabeça, contendo o choro.
- Ai, céus! – olhou para cada um procurando mais detalhes, mas ninguém falou mais nada. – Eu disse que não era pra ela dirigir aquele carro!
- Calma, . Não foi culpa tua. – Harry passou as mãos pelos cabelos da garota. – Foi minha. – completou mais baixo.
- Também não foi tua, Harry. Não foi de ninguém – Dougie se pronunciou.
- Aliás, ainda não entendi o que aconteceu. – Danny havia se sentado no sofá perto da janela.
- A gente brigou e ela saiu que nem louca com aquele carro, num dia proibido de sair de casa por causa da neve. – Harry parecia indignado.
- É, e ninguém conseguiu convencer ela de não ir – continuou. – Daí, numa distração, ela não viu uma criatura atravessando a rua e freou, mas o gelo no asfalto não permitiu que o carro parasse.
- Teve mais um acidentado? – Danny perguntou assustado sobre o pedestre.
- Não, ainda bem! – respondeu com um tom de voz mais alto. – Só que pra não atropelar o cara ela desviou muito rápido e o carro capotou. A partir daí não lembro de mais nada. Só de acordar agora com vocês todos me olhando.
- Olá, com licença. – Uma enfermeira entrou no quarto devagar seguida de um Tom apressado. – Como a paciente se sente? – ela se aproximou com uma bandeja com algumas pílulas, comprimidos e cápsulas.
- Com dor aqui – repetiu o movimento de antes.
- É normal, mas logo passa. É só tomar esses remedinhos – ela lhe ofereceu a bandeja com um copo de água.
- Tudo isso? – se espantou com a quantidade de remédio.
- É necessário – a enfermeira concordou.
- Se for pra passar a dor, eu tomo quantos precisar. – não complicou e logo tomou todos de uma vez só.
A enfermeira saiu e todos ficaram em silêncio.
Um silêncio perturbador. Ninguém viu o tempo passar. Só conseguiam ficar perdidos em seus pensamentos. No momento nenhum outro problema foi lembrado. Danny e nem sequer pensaram na presença do outro. Até que a mesma enfermeira entrou novamente no quarto avisando que o horário de visitas havia acabado. Só assim se deram conta que o dia tinha amanhecido há algumas horas e que não saíram daquele hospital nem para comer.
- Precisamos ir pra casa tomar um banho e comer alguma coisa. – Dougie falou, convidando a ir com ele.
- Não quero comer nada, Dougie – ela recusou.
- Mas vocês precisam! – Tom falou em tom autoritário. – Além do mais nós precisamos arrumar nossas coisas pra turnê e vocês precisam alimentar os bichos.
- O Be!! – quase gritou. – Dêem comida pra ele, gurias?
- Putz! A Lady e o Bili devem estar desesperados. – pareceu se dar conta da realidade. – Pode deixar, . O Be vai ficar bem alimentado. – Ela forçou um sorriso .
- Mas quem é que vai passar a noite aqui com a ? – perguntou depois de ter se convencido que realmente precisava ir.
- Eu, oras. – Tom disse como se fosse óbvio.
- Mas tu tem que arrumar as coisas, cara! – Danny pareceu pensar por um instante.
- Eu arrumo e venho aqui. Amanhã na hora de viajar eu vou.
- Que seja. Nós vamos voltar aqui pra ver a também – falou, concluindo o assunto. – Até mais, !
- Tchau, gente! – abanou para todos que saiam do quarto.
- Fica bem, amor. Eu volto logo, tá? – Tom lhe deu um beijo carinhoso e saiu junto com os outros.
- Preciso ver a de novo. – Harry estava cada vez mais atordoado.
- Harry, ela tá na UTI, não dá pra ficar o tempo todo lá. – Dougie tentou convencer o amigo.
- Só mais uma vez. Preciso saber como ela tá. – Ele saiu corredor adentro e Dougie olhou para , que parecia segurar o choro novamente, e logo depois para , que limpava uma lágrima no rosto. – Vocês precisam descansar, é sério – ele disse, preocupado.
- Não estamos em condição. – respondeu.
- Vão ficar em menos condição ainda se não comerem, tomarem banho e dormirem um pouco. Nem que seja vinte minutinhos – ele disse, fazendo carinho no rosto de .
- Tá, vamos logo! – disse, impaciente. – Precisamos voltar depois. – Pareceu nem dar bola para o que o garoto havia dito.
Harry voltava ao grupo, um tanto quanto vermelho de raiva. Os médicos proibiram ele de entrar de novo na UTI para ver . E foi embora resmungando palavras indecifráveis.
Quando saíram do hospital, a luz do sol cegou-os de imediato. Para ter nevado no dia anterior, o dia atual estava maravilhoso. O frio tinha até sumido um pouco. Mas quem se importava com isso enquanto tinham uma amiga em coma numa UTI de hospital sem saber nada do estado dela?
Dougie levou e para casa e Danny levou no seu carro Tom e Harry para o caminho oposto. Logo se encontrariam, tinham certeza.
Os cachorros e o peixe estavam alimentados e a bonsai, umedecida. Elas estavam de banho tomado. Sentaram as duas em silêncio desde a hora em que saíram do hospital no sofá e ficaram olhando o nada. Lady estava sentada em frente a elas, olhando-as e tentando decifrar o que estava acontecendo de errado. Bili fazia o mesmo, só que este estava no colo de e com a cabeça apoiada em seu peito. Seria até engraçada a cena, se elas não estivessem tão preocupadas pensando na amiga.
- Não tô com fome – falou finalmente.
- Eu também não – respondeu.
E mais um pouco de silencio até se levantar repentinamente.
- Mas os guris têm razão. Precisamos comer, senão ficaremos fracas e nem aguentaremos mais maratonas no hospital – ela disse, e a olhou, parecendo concordar sem querer concordar. – Vem, eu faço alguma coisa.
A garota se levantou também, convencida.
Ficaram em silêncio durante toda a refeição e, assim que terminaram, resolveram que dormir poderia ser uma boa ideia, se conseguissem. Exatamente, se conseguissem. se revirava de um lado para o outro em sua cama, só pensando em e qualquer sinal que ela poderia dar. Com não foi diferente, mas com ela os pensamentos foram interrompidos pelo celular tocando insistentemente. Decidiu atender ao ver o nome de Dougie na tela.
- Oi.
- Como tu tá? Dormiu um pouco? – Dougie estava bem preocupado.
- Tô na mesma. Mas não consegui dormir – ela respondeu, deixando um minuto de silêncio. – Já fez as malas? – mudou de assunto, senão ia começar a chorar de novo. Mas nem foi para um assunto melhor, pois a deixava triste lembrar que ele ficaria longe por um mês, ainda mais agora que precisava tanto de sua companhia.
- Tô fazendo e queria uma sugestão tua – ele riu fraco.
- Diga pra ver se posso te ajudar.
- Não sei quantos casacos levo – ele parou, mas ela o esperou continuar. – Coloquei três, mas não sei se é pouco.
- A previsão é que o tempo não fique tão frio assim, mas é sempre bom levar um abrigo – ela falou, se distraindo um pouco. – Leva mais um. – Conseguiu até sorrir um pouco. – Aquele vermelho da Element que eu adoro.
- Tá, vou colocar ele – ele riu fraco novamente. – E calça? Bermuda não, né?
- Tá louco, Dougie? O tempo vai mudar, mas não vai ficar calor de uma hora pra outra. – Ela até se sentou na cama. – Leva umas cinco calças, acho que tá bom. Mas tem que mandar pra lavanderia assim que ela sujar, senão pode faltar depois.
- Certo, capitã. – Ela riu fraco dessa vez também. – Brigado, .
- De nada. – Ela passou o dedo indicador pelo desenho da coberta que tinha estendida na cama. – Vou pro hospital daqui a pouco.
- , dorme antes.
- Não consigo, não adianta insistir. Tu vai pra lá mais tarde?
- Vou sim. – Dougie soltou um suspiro.
- Então até mais! Beijo.
- Beijo.
Ela largou o celular de qualquer jeito do seu lado na cama e ficou olhando um ponto fixo sem perceber que estava parada na porta.
- Não conseguiu dormir também, né? – ela falou, entrando no quarto e se sentando na cama, ficando de frente para a amiga, que negou com a cabeça.
- Preciso ter notícias dela, . Não aguento essa angústia.
- Vamos voltar pro hospital. Também não tô aguentando. – acariciou a mão de , que estava apoiada no colchão. – Só vamos descer um pouco com o Bili e a Lady, pra eles ficarem melhor depois que a gente sair.
- Tudo bem, vamos lá.
Quando fizeram tudo que tinham que fazer, pegaram o metrô para chegar até o hospital, até porque de carro seria bem impossível depois do acidente. Não sabiam a hora até verem um relógio digital dentro do metrô que marcava três horas da tarde. Como assim? Onde foram parar todas as outras horas do dia? Obviamente não perceberam que passaram a noite e a manhã inteiras no hospital. E lá iam elas de novo passar mais algumas horas.
A mesma sala de espera esperava por elas – que ironia - já que ainda não era horário de visitas pra ver . Aquele era o pior lugar para se esperar, ainda que seja uma sala de espera – outra ironia. Era agoniante demais ficar ali sem notícias, esperando e esperando. O médico que havia falado com eles antes não tinha aparecido ainda para poder tirar mais algumas dúvidas. Elas resolveram ler revista, ou melhor, folhar revista, e andar um pouco para que o tempo pudesse passar mais rápido. Até que funcionou um pouco, eram cinco da tarde e o horário de visitas tinha começado novamente. Os garotos, sempre muito pontuais, apareceram para entrar no quarto de . Harry continuava quieto e atordoado.
- Boa tarde, ! – O médico entrou na sala, atraindo a atenção de todos. – Olha só, tem visitas! – falou ao ver os amigos.
- Boa tarde, doutor – ela esboçou um sorriso.
- Vamos ver como estão esses ferimentos? – o médico se aproximou, e fez que sim com a cabeça.
Ele parecia concentrado ao examinar a parte fraturada da garota e todos observavam quietos, esperando uma resposta do médico.
- E então, doutor? – Tom se aproximou, não aguentando o silêncio.
- Está ótima! – o médico se afastou, olhando para o garoto. – Vai ficar com uma tala, mas pela rápida recuperação vai poder tirar logo. Em torno de duas ou três semanas.
- Doutor... – Harry o chamou, levantando do sofá onde estava sentado. – E a , alguma novidade?
- Bom, eu ia mesmo procurar vocês para conversar.
- Ela acordou? – saltou do sofá.
- Não, infelizmente. Mas como o quadro dela está estável, transferimos ela para um quarto diferente. Não é como esse, porque ela ainda está na UTI, mas separada dos outros pacientes.
- E nós podemos vê-la? – perguntou, também de pé.
- Claro, mas ainda precisa ser um de cada vez. – O médico se despediu e saiu da sala, chamando uma enfermeira para levá-los até o novo quarto da amiga.
- Eu também quero ver a . – foi se levantando da cama.
- Não, senhora! Tu fica, . Não dá pra ficar se esforçando muito. – Tom a repreendeu.
- Mas Tom, eu tô bem, não ouviu o doutor? E ainda por cima minhas pernas estão funcionando muito bem, foi a clavícula que eu quebrei e isso não me impede de caminhar. – Ela não deu bola, e se levantou seguindo os outros, fazendo Tom bufar.
O quarto de agora era daqueles com um grande vidro, em que do corredor dava observar o leito. Ela ainda estava cheia de aparelhos e dormindo, como se nada tivesse acontecendo. Não estava sentindo dor, pelo menos não aparentava.
- Ai, tadinha da minha amiga! Eu disse que ela não podia dirigir. – , que a via pela primeira vez, chorava atrás do vidro, enquanto Harry falava alguma coisa ao lado de , dentro do quarto. – Foi culpa minha, eu devia ter impedido!
- Não fala bobagem, . – passou o braço pelos ombros da amiga delicadamente, para não machucá-la.
- , tu tentou, mas a é grandinha o bastante para saber o que tava fazendo – Tom falou do outro lado dela.
- Mas ela não tava em condições de ter essa consciência, ela tava fora de si.
- , não adianta achar um culpado agora. Já aconteceu e nem tu, nem o Harry, nem ninguém aqui tem culpa disso. – tentava ser racional no momento.
- Ela vai sair dessa. Vocês vão ver. – Dougie estava sendo otimista.
- É, vai sim! E nós vamos dedicar nossos shows da turnê pra ela. – Danny parecia emocionado. teve até que olhar para ele para acreditar no que estava ouvindo. Ele retribuiu o olhar, fazendo-a desviar rapidamente.
- Tom, amanhã cedo nosso ônibus vai estar lá em frente de casa. Não te atrasa! – Danny se despedia do garoto e de , que ficaria mais essa noite no hospital.
- Estarei lá – Tom disse, sem vontade.
Depois de todos se despedirem, saíram do hospital e perceberam que o dia já tinha passado. Mais um dia. Já estava escuro, e dali a algumas horas eles viajariam em turnê.
- Cara, não sei se eu vou conseguir tocar. – Harry finalmente falou algo diferente de “quero ver a ”, ou “como está a ?”
- Como assim, cara? A gente não pode desistir agora – Dougie disse surpreso.
- Se a ... – Harry deu uma pausa e e prenderam a respiração, na espera do que ele falaria. – Se acontecer alguma coisa? O que eu vou fazer? Como eu vou tocar?
- Harry, escuta bem. A vai acordar e vocês vão tocar nessa merda de turnê! – quase pulou no pescoço do amigo, mas se contentou em apontar o dedo na cara dele. – Não é hora de dar pra trás, olha onde vocês tão chegando. É o passo mais importante pra banda, e tu não pode acabar com tudo isso. Nós vamos ficar aqui e vamos dar notícias dela de minuto em minuto se tu quiser, mas tu não pode fazer isso. Pensa nos teus amigos, tu iria prejudicar muito eles. É o sonho de vocês, tu tá me entendendo? Levanta essa cara e dá o melhor de ti naquela porra de bateria. – acabou de falar praticamente ofegando. – E vocês também, arrasem em todos os shows! – se virou para Dougie e Danny, que a olhavam perplexos.
- Mas, ...
- Não tem "mas", Harry. Tu acha que é só tu que tá sofrendo? Vamos lá, já mandei tu levantar essa cara e reagir.
- Cara, a devia ganhar um prêmio depois dessa lição de moral – Danny falou, abobado.
- Cala a boca, Danny! – Dougie lhe deu um pedala e riu baixo. – Mas a tem razão, Harry. Vamos lá, cara! Essa turnê é muito importante pra nós e vai dar tudo certo!
- Tá bom, eu não iria deixar vocês na mão mesmo. – Harry forçou um sorriso e apertou a mão de Dougie. que lhe puxou para um abraço. Danny ficou com ciúmes e abraçou os dois, quase os derrubando.
- É, isso aí! – sorriu, passando a mão nas costas de Harry, em forma de carinho.
- Bom, vamos? Já tá esfriando. – Dougie falou ao desfazer o abraço. – Vai lá pra casa, né, ?
- Sim, mas precisamos passar em casa antes, tudo bem? – ela perguntou e Dougie fez que sim com a cabeça. – E a vai dormir lá na tua casa também.
- Vou? – perguntou, confusa.
- Vai, pra não ficar sozinha e pra se despedir dos guris amanhã. – falou como se fosse óbvio, e lançou um olhar para Danny, que já a olhava antes.
Danny então levou Harry e Dougie, as garotas, passando na casa delas antes para verem os cachorros e pegarem uma muda de roupa.
O dia havia rececentemente amanhecido, e pôde ouvir o despertador de Dougie tocar sem parar. Pelo jeito, ele não tinha ouvido ainda. Ela resmungou, mas não adiantou, o garoto continuava dormindo como uma pedra.
- Dougie – ela chamou, sem nem abrir os olhos, mas não obteve resposta. – Ai, saco! – se virou e viu o garoto de bruços com o rosto virado para ela, com a boca levemente torta. Ela não pode deixar de sorrir ao ver a cena. Passou o corpo por cima dele e desligou o maldito despertador com som irritante. – Dougie! – ela passou a mão pelos seus cabelos, colocando-os para trás. Ele resmungou. – Tá na hora.
- Já? – ela continuou resmungando de olhos fechados.
- Já. E o ônibus deve estar chegando. Melhor levantar, se arrumar e tomar um café bem gostoso.
- Mas eu acabei de pegar no sono. – Ele abriu os olhos com dificuldade.
- Eu sei que é cedo, mas é essa a hora marcada. E tu pode dormir mais no ônibus. – Ela voltou a se deitar, agora de frente para ele.
Eles ficaram um momento em silêncio, apenas se olhando e fazendo carinho um no outro.
- Que foi, ? – ele perguntou, ao ver que ela aparentava estar triste.
- Não queria que tu fosse, precisava tanto de ti agora.
- Eu sei.
- Eu vou sentir saudade. Não vai! – ela o abraçou com força.
- Eu também vou morrer de saudade! – ele retribuiu o abraço, emaranhando seus dedos no cabelo dela. - E toda aquela tua lição de moral ontem? – ele se afastou um pouco para olhá-la.
- Era meu lado racional falando. Agora é o emocional. – Ela riu fraco. – Mas eu não posso te impedir de ir. Vamos levantar logo antes que alguém venha dar um piti – ela se levantou, puxando-o consigo.
Saíram do quarto arrumados já. Dougie levava sua mala numa mão, sua mochila num ombro e o baixo no outro. ajudava levando outro baixo em seu ombro.
- Pra que dois baixos? – ela perguntou, achando que era frescura levar dois.
- Porque umas músicas eu toco com um e outras com o outro – ele respondeu simplesmente e ela não se convenceu, mas preferiu não prolongar a conversa.
Deixaram as coisas no hall e foram para a cozinha, encontrando vasculhando a geladeira com Flea em seu encalço.
- Tomei a liberdade de arranjar um café da manhã pra mim – ela disse ao ver o casal aparecer por ali.
- Tu é de casa, – Dougie falou, dando a entender que ela não precisava pedir permissão.
- O problema é que eu não encontro nada aqui – ela falou, ao fechar a geladeira e tirar uma caixa de leite de dentro dela.
- É que eu vou sair de viagem, não tinha como comprar mais coisas.
- Isso não é desculpa, Dougie. Nunca tem comida na tua casa – o entregou.
Mas por incrível que pareça, conseguiram fazer um café com o que tinham.
Entraram na casa de Danny e encontraram Harry sentado no sofá com o olhar vago. Suas malas estavam perto da porta, junto com as de Danny.
- Onde tá o Danny? – Dougie se sentou ao lado do amigo, que saiu do transe.
- Foi buscar as guitarras.
- O Tom não chegou ainda? – se sentou no outro sofá.
- Ainda não – Harry respondeu, apoiando seu cotovelo no braço do sofá e sua cabeça na mão.
- Eu sabia que aquela bicha ia se atrasar – Danny respondeu quando chegou no fim das escadas.
- Mas o ônibus nem chegou ainda – Dougie falou calmamente.
- Ó, foi só falar. – apontou para cima ao ouvir o barulho do automóvel. – Agora sim o Tom tá atrasado.
- Vamos colocando as coisas pra dentro do ônibus – Harry falou, se levantando. – O Tom deve ter deixado as coisas dele prontas no hall da casa dele. Vou lá buscar pra ir adiantando – e se direcionou para a rua, levando sua mala e mochila.
Os outros dois fizeram o mesmo com a ajuda das garotas. Elas apenas deixaram as coisas na rua e voltaram para dentro de casa. Era mais quentinho e aconchegante. O dia estava com uma neblina baixa, que devia ser pelo fato de ter recém amanhecido, horário que eles raramente estavam acordados. As duas permaneceram quietas, sentadas no sofá em frente a televisão desligada. Era notável o desconforto de por estar na casa de Danny.
De repente, Tom entra às pressas em casa, seguido de , que não tinha condições de estar com tanta pressa. As amigas levantaram rapidamente ao encontro dela, que sorriu em agradecimento, tentando abraçar as duas ao mesmo tempo.
- Tom, te falei pra não atrasar! – Danny entrou logo em seguida.
- O que eu posso fazer se o médico resolveu fazer uma revisão na antes de liberá-la? Não dava pra largar ela lá sozinha, né? – Tom respondeu um pouco alterado.
- Calma, caras! Vocês estão estressados demais pro meu gosto. Melhor darem uma dormidinha durante a viagem, hein? – se sentou devagar.
Harry e Dougie entraram logo em seguida, respirando fundo e parando em frente aos outros.
- Tudo pronto. – Dougie disse, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça.
- Vamos, então? – Harry perguntou, esperando que os amigos tomassem uma iniciativa.
Todos se direcionaram para a rua e pararam em frente à porta que dava para dentro do grande ônibus.
se despediu de Danny, Harry e Dougie, deixando Tom por último, o que não foi diferente de que deixou Dougie por último e que, por motivos diferentes, deixou Danny por último.
- Harry, não esquece do que eu te falei ontem, tá? Vai dar tudo certo! – abraçava o amigo, que retribuía fortemente.
- Me manda notícias, pelo amor de Deus – ele falou ao quebrar o abraço.
- Não se preocupa, Harry, ficará super informado. - o abraçou.
- Bons shows, Danny. E sem frescura com o Tom no palco, hein? – tentou fazer uma piadinha e abraçou o amigo.
- Tom... – chegara a hora que não queria que chegasse. – Me liga quando chegar, tá?
- Claro, . – Ele a abraçou, e ela sentiu sua garganta apertar. – É só um mês.
- Eu espero que esse mês passe correndo – ela se afastou e beijou-o. – Bons shows, amor!
- Brigado, amor! Te amo! – ele disse, segurando sua cabeça e dando um selinho demorado.
- Também – disse, antes de ele entrar no ônibus.
Do outro lado a cena parecia se repetir. abraçava Dougie de modo que parecia que não queria soltá-lo nunca mais.
- Cuida bem do meu Flea! – Dougie beijava o topo da cabeça de , que ficaria com o cachorro até ele voltar. – E te cuida também. Vou te ligar pra ver se tu tá dormindo e comendo direito.
- Só de tu me ligar, eu já vou ficar bem. – ela beijou-o rapidamente. – E eu cuido bem do Flea, pode deixar. A Lady vai ficar feliz com ele lá. – ele sorriu.
- Cara, falando em Flea... – Danny se meteu na conversa.
- Tu tava ouvindo nossa conversa, Danny? – levantou uma sobrancelha.
- Tava. – Ele riu abobado. – Mas então, minha irmã me avisou ontem que não vai poder ficar com o Bruce...
- Ai, céus! Tudo bem, onde cabe três, cabe quatro. – riu.
- Podíamos cobrar hospedagem da próxima vez. “Canil Feliz”, que tal? – não foi feliz com sua piada. – Tudo bem, eu sei que foi ruim.
- Brigado, gurias! – Danny agradeceu sem jeito. – Bom, tchau, então!
- Tchau, Dan – quase foi carinhosa, mas se lembrou que estava de mal com ele. – Danny – corrigiu rapidamente.
- Tchau, – ele respondeu, um pouco triste.
deu um último beijo em Dougie e todos entraram no ônibus, deixando as três amigas vendo o automóvel se distanciar e o coração apertar.
Capítulo 40
Agora, estavam as amigas reunidas, tomando um café da manhã para a longa jornada do dia. Seria normal, se não estivesse faltando uma. A jornada aumentaria ainda mais com a função de ir para o hospital para ver como essa uma estava. não saía da cabeça de , e .
- Puta merda! – quase berrou, quebrando o silêncio em volta da mesa.
- Que foi? – perguntou , que tentava comer seu cereal, mas a tala dificultava seu movimento.
- Temos que avisar os pais da . Eles precisam saber do acidente e do estado dela. – respondeu, ainda com sua cara de quem tinha lembrado de algo muito importante.
- Caralho! – bateu em sua própria testa. – E quem vai fazer esse papel de ligar para eles? – ela olhou para as amigas, que ficaram quietas.
- Eu não sei dar esse tipo de notícia. – abaixou a cabeça.
- E quem sabe? – falou, também com a cabeça baixa. – Tudo bem, eu aviso eles.
- Temos que avisar o chefe dela também. – lembrou.
- Verdade. – concordou. – Deixa que pra lá eu ligo.
preferiu se retirar da sala e conversar com os pais de no quarto, onde teria silêncio e ela saberia como dar a notícia. Voltou chorando, sem conseguir falar o que tinha conversado com eles para as outras de tanto que soluçava.
- ... – tentou abraçá-la. – Vai ficar tudo bem. – Mas estava difícil segurar o choro também.
- A mãe dela... – fungou, passando as costas da mão no nariz. – Ficou muito mal, coitada.
- Imagino... – se aproximou das amigas. – O que ela disse?
- Nada com nada. – Deu mais uma fungada, se recuperando. – Mas acho que ela vai dar um jeito de vir pra cá.
chegou no trabalho já sabendo como seria a reação de Phil. Estava pronta para explicar tudo para ele. E não foi diferente do que ela imaginava.
- ! – Phil correu para perto dela, quando ela apareceu na porta. – O que aconteceu contigo?
- Eu me acidentei. – Ela respondeu, sem graça.
- Sério, ? E como tu ‘tá? Não devia ter vindo, precisa repousar.
? Calma, Phil, eu já recebi alta. Já ’tô bem. – Ela respondeu, segurando o garoto para que ele se acalmasse. – O pior é que minha amiga que se acidentou junto ainda não se recuperou. – Ela abaixou a cabeça.
- Putz! Qual delas? Ela ‘tá no hospital? – Phil continuava com suas mil perguntas.
- A . Ela ‘tá em coma. – engasgou.
- , tu não precisa ficar, se não quiser.
- Tu é bom demais, Phil. Seja um pouco carrasco com sua empregada. – tentou um risinho. – Eu preciso me distrair, quero ficar.
- Tudo bem. Mas, já sabe, quando quiser ir embora pode ir, viu? – ele passou a mão nos cabelos dela.
- E, pra completar, o Tom saiu em turnê. – Ela falou, mesmo sem querer ter falado.
- Nem pra ficar aqui te dando um apoio... Ele, pelo menos, sabe do teu acidente?
- Phil, não fala assim! É o trabalho dele, não tinha como ele ficar. E ele foi hoje bem cedo, me ajudou em tudo.
- Não ‘tá mais aqui quem falou. – Phil falou, contrariado, mas não deu bola. Não ia ficar agüentando implicância, já agüentava pelo lado do Tom.
- Mas que carinha é essa, ? – Nancy perguntou, ao ver a garota muito séria e seus olhos um pouco inchados.
- Ai, Nancy... – suspirou. – Minha amiga se acidentou e ‘tá em coma num hospital.
- Nossa, ! Tu deve estar muito mal.
- Não sabe como...
- Opa! Ouvi alguém dizer que estava muito mal? – Will apareceu na cozinha, onde as duas conversavam e sorriu fraco, abaixando a cabeça. – O que foi, ? É alguma coisa séria?
- Uma amiga se acidentou. – Ela respondeu.
- Putz, que droga! E foi sério?
- É, ela ‘tá em coma, não sabemos se ela vai reagir ou não.
- Pode contar comigo, viu? – ela sorriu em agradecimento. – Aliás, não vi teu carro lá em baixo...
- Foi com o meu carro o acidente.
- Ah... – Ele ficou sem jeito. – Bom, se precisar de uma carona, estou disponível. É só chamar o disk car Will. – Ele brincou e ela sorriu fraco.
- Bom, preciso ver se os meninos já acordaram. Com licença. – se retirou mais para ficar sozinha do que para ver realmente se os garotos tinham acordado.
Na livraria, as coisas andavam numa calmaria. Ainda bem, porque não estava com saco para atender clientes, ainda mais os chatos. Ela preferiu arrumar as prateleiras do fundo da loja.
- Rupert! – ela chamou o colega, que respondeu de onde estava. – O que essas revistas estão fazendo aqui?
- Quais? – ele chegou perto para ver. – Ah! São do mês passado que não foram vendidas.
- Hum... E elas vão ficar aqui?
- É, não sei o que o seu Oscar faz com elas.
- Será que ele me dá? – olhou para o pequeno bolo de revista que estava em suas mãos. – Sabe como é... Preciso me distrair o máximo possível.
- Claro, entendo. – Rupert já sabia do acontecido e lhe mandou um olhar reconfortante. – Fala com ele, acho que não tem problema.
Foi o que fez. E como Rupert havia dito, não tinha problema algum e separou-as para levar ao final de seu expediente.
O dia foi passando lentamente, parecendo até fazer de propósito. O que mais queria era saber alguma notícia de sua amiga. Assistiu a alguns filmes no quartinho dos fundos, mas eles não pareciam tão interessantes. E nem arranhados, que era o que ela tinha que ver realmente. Phil abriu a porta, assustando-a.
- Desculpa. – Ele falou, baixinho, sem motivos. – Tudo certo com “Neve para Cachorro”?
- Certinho. – se levantou e tirou o DVD do aparelho. – Isso me fez lembrar que a gente ‘tá com um canil lá em casa. – Ela riu fraco, chegando até a porta onde o garoto estava.
- Canil? – Phil não entendeu.
- É, os cachorros do Dougie e do Danny ‘tão lá, além do da e da . – Ela explicou, caminhando até o balcão e se sentando no banco atrás desse.
- Nossa! Isso tudo num apartamento só?
- Pois é. Só quero ver o estrago que eles vão fazer.
Phil ameaçou uma risada nasalada. Os dois ficaram um instante em silêncio, apenas olhando para o nada. Mas a que ficou olhando para o nada, pois Phil olhava-a tentando decifrar o que ela estava pensando.
- Não adianta, Phil. Tu não vai conseguir ler a minha mente. – Ela brincou, ao perceber seu olhar para ela.
- Só quero saber se tu ‘tá bem e não quer ir embora. – Ele ficou sem graça.
- Querer ir embora eu até quero...
- Viu? Eu li tua mente! – ele falou, com um sorriso largo. – Pode ir, mesmo, . Não fica tentando dar uma de boa empregada.
- Aaai, Phil! Quando eu tento ser uma boa pessoa, tu não deixa! – ela sorriu de volta e ele riu alto. – Mas eu acho que vou aceitar tua proposta e ir embora.
- Vai mesmo. Até porque, em poucas horas, já seria a tua hora de ir mesmo.
- ‘Ta bom, então. Brigada, chefe! – ela brincou, indo pegar suas coisas para sair.
E ela não iria para casa. Iria direto para o hospital.
- É sério, Will, não precisa! Eu vou a pé. – falava insistentemente, enquanto pegava suas coisas para ir embora. – Eu ainda vou pra casa, depois eu vou pro hospital.
- Mas não tem problema, . Olha o tempo que tu vai demorar pra fazer tudo isso. Eu te levo em casa e depois te levo pro hospital. – Will a seguia, também falando insistentemente.
- Ai, meu Deus. ‘Tá bom, vamos logo, então. – se convenceu e pegou a carona que Will oferecia para ela. Despediu-se de Nancy e dos garotos e seguiu até o carro dele.
Durante o trajeto, Will falava coisas aleatórias, tentando distraí-la e diverti-la um pouco. A cara de tristeza dela não o agradava nem um pouco. Ao chegar em frente ao prédio, ela desceu do carro e viu que ele não fez o mesmo.
- Não vem? – voltou até o carro e se abaixou na janela a fim de vê-lo.
- Eu espero aqui.
- Deixa de bobagem. Vem, sobe comigo que é capaz de eu demorar um pouco.
O garoto, então, a seguiu até seu apartamento.
- Não repara na bagunça que deve estar. – falou, antes de abrir a porta, imaginando o que os cachorros pudessem ter feito.
Até que o apartamento estava inteiro, ainda. Os quatro cachorros foram os recepcionar perto da porta, deixando sapatos que brincavam anteriormente no meio do caminho. Flea ainda tinha um sapato na boca, balançando o rabo e convidando-os para brincar.
- Flea, é feio pegar o sapato dos outros! Devolve. – pegou o sapato da boca dele e ele esperou que ela jogasse para que fosse buscar. riu do jeito do cachorro.
- Tua casa é sempre assim? – Will pareceu assustado.
- Não, só quando os guris estão em turnê. – Ela riu. – Na verdade, é a primeira vez que acontece isso. O normal é só o Bili e a Lady. – E apontou para cada um, respectivamente.
- Ah... Os guris que tu fala são aqueles da festa de ano novo? – ele pareceu interessado.
- É, eles têm uma banda, McFly. – conversava com o garoto, enquanto dava um jeito na casa e nos animais. – Eles saíram pra primeira turnê deles.
- Sei, ouvi falar deles.
- Senta aí. – reparou que o garoto continuava em pé. – Quer alguma água ou alguma coisa pra comer? – ela preparava um pão com nuttela e colocava na boca logo em seguida.
- Não, obrigado. – Ele respondeu, sentado no sofá, passando a mão na cabeça de Lady, que sempre que tinha alguém diferente aproveitava para mendigar um carinho.
De repente, o celular de começa a tocar dentro de sua bolsa e ela corre para atender, vasculhando-a para achar mais depressa. Podia ser uma notícia de . Mas viu que era seu primo, pelo visor do aparelho.
- Oi, Thiago! – ela disse, ao colocar o telefone no ouvido.
- Como assim as gurias sofrem um acidente e eu só fico sabendo agora? – Thiago parecia nervoso no outro lado da linha.
- Ah, desculpa. Eu ‘tô tão atordoada, não sei o que fazer! Esqueci até de avisar os pais da .
- Tudo bem, . Não precisa se sentir pressionada. – Ele percebeu que o tom de voz dela havia mudado. – Eu falei com os guris pra saber se eles tinham chegado bem lá e eles me contaram do acontecido. Como elas estão?
- A ‘tá bem, mas a ‘tá no hospital, ainda. Vou pra lá daqui a pouco, não quer ir também? Conversamos melhor lá.
- Ok, vou pra lá, então. – Ele concordou. – Beijo.
- Beijo. Até mais!
suspirou e colocou o celular em cima da mesa que estava mais perto.
- Desculpa te fazer esperar, Will, mas é que...
- , eu já disse que não me importo. Eu te ofereci a carona, esqueceu? – ele a interrompeu, tentando acalmá-la.
Após fazer tudo que tinha que fazer, eles seguiram até o hospital. Will achou que seria melhor ele ficar fazendo companhia a ela, mas, dessa vez, ela o convenceu de que não precisava, que teria suas amigas e seu primo para fazer isso.
No hospital, e estavam sentadas nas cadeiras de espera. As duas com revistas abertas para passar mais rápido o tempo.
- Oi, gurias! – se sentou ao lado de . – Alguma notícia?
- Nada ainda. – falou, ao folhar a revista que estava em seu colo. – Nem o médico apareceu ainda.
- A gente foi lá dar uma olhadinha nela também. – disse, fechando sua revista. – E parece igual.
- Até quando vai essa agonia? – suspirou e se encostou na cadeira direitinho, pegando uma revista do bolo que tinha trazido da livraria. – De onde surgiram essas revistas de fofoca? – falou, ao perceber a revista que tinha na mão.
- Lá da livraria. É do mês passado. – respondeu, olhando a sua nova revista.
Passaram um tempo em silêncio, apenas lendo futilidades que até as divertiam um pouco. Thiago não demorou muito para aparecer, dando um abraço forte em e cumprimentando as outras de forma carinhosa também. Deixaram-no a par de toda a história e lhe ofereceram uma revista, que era a única coisa que poderiam fazer.
- Olha isso! – quase berrou, rindo em seguida.
- O quê? – entortou o pescoço para poder ver do que a amiga ria. Não obteve sucesso, além da pequena dor que sentiu, se contorcia para não rir alto. Então, arrancou a revista de sua mão e pode ver o que era, rindo também.
- Fiquei curiosa. – falou, pegando a revista de .
- Eu também. – Disse Thiago, se aproximando de para ver com ela o que tinha na revista de tão engraçado.
tentou prender o riso, um pouco constrangida.
A matéria era sobre os garotos. Mas só Tom, Dougie e Danny se encontravam nas fotos. O fato era que Danny saíra nas fotos com o nariz inchado do soco que havia lhe dado na festa de ano novo. Era a matéria do dia em que Tom dera Bernardo para . E a matéria era justamente sobre isso, comentando, ao final, sobre o nariz estranhamente inchado de Danny.
- Peraí, deixa eu ler melhor isso. – puxou de volta a revista. - “Parece que o amor está cada dia maior. Tom Fletcher, do McFly, presenteou a namorada com um peixinho dourado ao qual ela deu o nome de Bernardo...”
- Ei, como eles sabem que eu dei o nome de Bernardo pro Be? – pareceu indignada, enquanto lia a matéria em voz alta.
- Eles sabem de tudo. São ninjas. – comentou.
- Não me interrompam. – falou. – “...Pelo que sabemos, não havia nenhuma data especial para dar o presente a ela, ele apenas ficou com vontade de agradá-la. Quem não queria um namorado assim?” – acabou de ler, olhando para os outros que a miravam atentos. – Ainda tem mais coisa embaixo das fotos. Essa aqui diz assim: “Dougie e Danny acompanhando o amigo. Danny parece que se meteu em briga, o nariz o entrega.” – Ela apontava para a foto em que os três caminhavam em direção à locadora. Pôde-se ouvir risos abafados de todos.
– , olha o que tu fez com o guri, agora, ele vai ter fama de briguento. – falou, para a amiga ao seu lado.
- Ele mereceu. A culpa não é minha. – se isentou. – O que tem na outra foto, ? – ela perguntou, curiosa, desviando o assunto.
- A outra diz assim: “Na seqüência, podemos ver o amor entre os pombinhos. abraça e beija Tom, em agradecimento.” – Ela mostrava de qual foto falava, era uma seqüência de fotos mostrando Tom dando o presente para e logo depois ela o abraçando e beijando, se pendurando no pescoço dele.
- Que vergonha. – dizia.
- Vergonha pelo Danny, tu quer dizer. – Thiago resolveu se pronunciar na conversa de garotas. – Tu vai ter que te acostumar a sair nesse tipo de revista. – Ele riu uma risada sem som.
- Não sei se me acostumo.
- Como tu não leu essa revista antes, ? Deixou passar um mês... – ainda não acreditava na matéria.
- Devo ter me distraído. – Ela não soube o que responder.
- Precisamos contar essa pros guris. – Thiago falou, pegando o telefone.
Antes de ele terminar de discar o número de um deles, elas viram o médico que cuidava de passar pelo corredor e foram correndo até o seu encontro.
- Doutor! – o chamou e ele se virou de imediato.
- Olá! Como está o braço? – ele a reconheceu.
- Meu braço ‘tá bom. – Ela sorriu sem jeito. – Queremos saber notícias da .
- Ah, a ... – ele ficou pensando. – Sinto muito, mas não evoluiu, mas também não regrediu. Está a mesma coisa.
- Não tem uma previsão de quando ela vai acordar, doutor? – perguntou, antes que ele saísse dali. Como esses médicos eram apressados.
- Ainda não, querida. Tenham paciência. – Ele falou, em tom consolativo. – Vocês não deviam passar tanto tempo assim no hospital. – Ele disse, ao se despedir, com sua pressa irritante.
- Acabaram de falar com o médico, peraí. – Thiago afastou o celular do ouvido, colocando uma mão por onde a voz dele era transmitida para o outro lado da linha. – Alguma novidade? – elas negaram com a cabeça, numa feição de desapontamento. Haviam até esquecido do momento divertido anterior. – Parece eu não tem novidade, ‘tá a mesma coisa. – Ele voltou a falar no telefone. – Ok, avisamos qualquer coisa sim, não se preocupa. Abraço e bom show! – Então, desligou.
- E aí? – perguntou, ao sentar-se no mesmo lugar de antes.
- O Dougie quase morreu de rir do outro lado da linha e, pelo visto, Danny quase o quebrou. – Riu. – Depois, o Tom perguntou como a ‘tava e o Harry pegou o telefone a força dele e perguntou da . – Resumiu a ligação.
- Já ‘tô com saudades... – ficou, mais desolada ainda.
- Nem me fala. – concordou.
não falou nada, mas as amigas tinham certeza de que ela também já estava com saudades.
- Cansei de ler revista. – jogou a que estava em sua mão no bolo da cadeira do lado.
- E eu tenho que ir. – Thiago largou a sua no mesmo lugar e olhou para o relógio.
- Já? – não gostou, mas ele fez que sim com a cabeça, mostrando que era realmente necessário ir. – Tudo bem, preciso dar uma volta por aí. Vou contigo até a entrada.
Eles seguiram pelo corredor branco e movimentado até a entrada. Na volta, decidiu conhecer outras partes do hospital. Ela realmente precisava dar uma caminhada, suas pernas estavam doendo de tanto ficar sentada. Ao invés de seguir pela esquerda ao encontro das amigas, seguiu pela direita. Passou pela ala da maternidade. Ali era calmo, tranqüilo, com um clima de felicidade. Era vida. Passou pelos elevadores e sabia que nos andares de cima eram quartos normais e por lá não queria passar. Continuou reto até as paredes começarem a ficar coloridas e cheia de desenhos. Pelo jeito havia chegado na ala infantil. Sentiu-se em casa ao ver algumas crianças brincando com peças de montar. Mas, logo depois, lhe veio uma dor no coração, lembrou que estava em um hospital e elas estavam ali por algum problema de saúde. Observou os leitos e viu que a maioria tinha a cabeça raspada. Devia ser câncer. Era realmente triste. Quando se virava para voltar, sentiu alguém puxar a barra de sua calça. Virou para trás e viu uma criança de mais ou menos três anos, ajoelhada, olhando para ela.
- Oi. – Ela falou, tentando mostrar felicidade. – O que tu ‘tá fazendo aqui fora, hein? Acho melhor tu entrar antes que alguém veja. – Se abaixou para ficar na mesma altura dele.
- Bincá. – O menininho puxou novamente a barra da calça dela.
- Tu quer brincar comigo? – ele fez que sim com a cabeça. – Não sei se eu posso entrar aí. – Ela olhou em volta para ver se tinha algum aviso e, sem perceber, o garotinho pegou sua mão e tentou puxá-la para dentro. – Tudo bem, vamos lá. – E o seguiu.
e zanzavam de um lado para o outro na salinha, sem ter o que fazer. E, então, sentiu seu celular vibrar no bolso da calça. Atendeu, com um sorriso tímido e ficou curiosa.
- Oi, Ed! – ela disse e logo riu, entendendo. – Não, estou no hospital. – Ela se distanciou um pouco. – É que a sofreu um acidente. Pois é, estamos esperando notícias. Não, não, foi na madrugada de anteontem. Não precisa vir. Daqui a pouco vamos pra casa. Nos vemos outro dia, pode ser? É, ‘tá um pouco complicada a coisa. – Ela riu fraco. – Tudo bem. Beijo. – E desligou.
- Firme com o Ed? – perguntou, quando a amiga voltou para mais perto.
- Não sei. Estamos indo. – Ela pareceu sem jeito. Talvez não soubesse, mesmo. – A ‘tá demorando, né?
- É, onde será que ela foi? – espiou o corredor, a fim de ver a amiga. – Deve ter ficado conversando com o Thiago. – Ela voltou e se sentou novamente. – Acho que vou ligar pro Tom.
- Mas o Thiago acabou de falar com ele. – imitou a amiga.
- Falou certo, o Thiago. Eu não. – Ela pegou o celular e ligou para o namorado.
- Nunca pensei te ver assim... – comentou sobre a atitude da garota, que antes não acreditava que um namoro pudesse durar. pareceu ficar pensando naquilo.
Capítulo 41
Doze dias. Doze miseráveis dias haviam se passado. A rotina nem parecia que estava diferente, visto que as garotas se acostumaram com a “nova”. Trabalho, hospital, casa. Fim de semana não tinha nada de especial. Com internada e sem os garotos, a vida parecia monótona demais, mas nunca tranqüila. ainda preocupava muito, pois não tinha sinal nenhum, nem de melhora e nem de piora. Bom por esse último. Sua mãe chegara em Londres três dias depois do acidente e permanecia até o dia atual. Ela preferiu ficar no apartamento de , quando não estava no hospital, mesmo convidando-a para ficar em seu apartamento. Tentou de todas as maneiras levar de volta ao Brasil, mas sabe-se lá como, as amigas e até os médicos convenceram-na de que era melhor ela ficar em Londres. A saudade dos garotos tinha de ser matada pelo telefone mesmo, ainda que fossem um pouco raras suas ligações. A desculpa era sempre que estavam cheio de coisas para fazer. Não que elas não acreditassem, mas concordavam que era ruim. sentia saudade, isso era visível, mas nunca comentava. Saia com Ed às vezes, quando ela não agüentava mais dar desculpas ao garoto e vê-lo insistindo. Não era que ela não gostasse de sair com ele, muito pelo contrário, estava sendo ótimo. Mas era difícil se divertir numa situação daquelas. e a criticavam por não aproveitar, dando como exemplo a situação delas, que queriam a todo custo seus garotos aos seus lados nesse momento difícil.
- BRUCE! – gritou da sala. O cachorro se encolheu de medo, o que assustou os outros também. – QUE PORRA É ESSA AQUI NO MEU SOFÁ?
- O que ele aprontou dessa vez? – perguntou, da bancada onde comia seu café da manhã.
- Mijou aqui! – bufava de raiva. – Já não bastava ter mijado todo meu carpete, agora, foi a vez do sofá. Que lindo!
- , ele é filhote ainda. – tentava defender o cachorro, que continuava encolhido num canto do apartamento.
- Não me interessa! Ele já mijou em tudo que é lugar e ainda roeu o pé da cadeira. – andava pela casa, pegando produtos de limpeza e panos limpos. – Não dá pra agir que nem os outros cachorros? – ela falava diretamente para Bruce.
- Ai, , tadinho. – tomou as dores também.
- Tadinho o cacete! Vem limpar, então. – continuava com raiva.
- ‘Tá, não é tadinho. – deu uma leve risadinha, se livrando de ter que limpar.
- Ai. - suspirou, sentando-se na bancada, depois de limpar tudo. – Ótima maneira de começar o dia. – Disse, mais calma.
Passaram-se alguns minutos em silêncio.
- Mas, então, tô na minha hora. – levantou. – Vocês vão para o hospital depois do trabalho? – as duas concordaram com a cabeça.
- Tu é que não vai. – falou para a amiga, que pareceu surpresa. – Tua vez de vir pra cá antes para ver esses pestes e descer com eles. - Apontou para os cachorros, que já tinham se esquecido do chilique de antes e estavam em volta delas.
- Putz, verdade. – Ela fez uma cara de cansada, mas concordou.
- E não se esquece da comida do Bê. – também se levantou. – E a água da Bella, deve estar na hora já de molhar. – A bonsai havia voltado para o apartamento de , para ser mais bem cuidada.
- Não esquecerei. – bateu continência. – E tu, quando tira essa tala? Não era em uma semana?
- Tiro hoje! – ela sorriu. – Finalmente, não agüentava mais. Vou sair mais cedo do trabalho até.
- Já foram quase duas semanas... – disse, pensativa.
- É, quase duas semanas sem saber o que vai acontecer. – ficou da mesma forma.
- Gurias, vamos levantar a cabeça, vai! – tentava incentivá-las. – Vocês vão ver, logo logo ela acorda e tudo vai ficar maravilhosamente bem.
- É, é o que nós esperamos. – voltou a se movimentar para sair.
- Amor! – Tom falou tão alto que até Phil ouviu do outro lado do balcão onde estava com o telefone no ouvido.
- Tom! Que bom ouvir tua voz, ‘tô morrendo de saudade! – falou, sorrindo de forma triste.
- Também ‘tô morrendo de saudade! – Tom respondeu com sorriso também. – Não vai acreditar, nossos shows estão sendo maravilhosos, tudo lotado e todas as pessoas cantando as nossas músicas. É incrível!
- Claro que eu vou acreditar, como se eu não esperasse isso de vocês. – mostrou certa indignação.
- Ah, tua opinião não vale.
- Por que não?
- Porque tu é minha namorada.
- E, agora, namoradas não podem opinar?
- Não. – bufou e Tom deu uma risadinha abafada.
- Mas, então, como estão todos? E o Harry?
- Estão todos bem. – Tom pareceu sorrir e falar alguma coisa para os amigos. – Harry ‘tá melhor, já até saiu numa festa depois do show com a gente.
- Como assim festa depois do show, Thomas? – colocou a mão na cintura e Phil revirou os olhos.
- Ah, quase sempre tem festa depois do show. Achei que tu soubesse.
- Não, eu não sabia.
- Eu achei que tu confiasse em mim o suficiente pra eu não precisar ficar te avisando a cada festa que eu for.
- Eu confio em ti, mas... – ficou sem saber o que dizer.
- Mas nada. – Tom falou, antes que ela pensasse em algo. – Dougie disse pra ligar pra ele mais tarde. – Ela ouviu Dougie falar alguma coisa no outro lado da linha e Tom riu.
- Eu aviso, mas ele podia fazer o esforço de ligar mais vezes, né? A fica toda ansiosa quando ele não liga.
- Tu sabe como é o Dougie, . Mas eu falo pra ele. Se ele não ligar, o deixo de castigo. – Tom riu de novo.
- É bom deixar mesmo. – riu junto. – E o Danny? Galinhando muito nas festas?
- Ahn... – Tom pareceu incomodado com a pergunta. – Ele ‘tá se divertindo.
- Ahã. Sei como é o se divertir do Danny.
- , não fica falando essas coisas pra . O Danny não gosta. – Ele pareceu falar mais baixo para não ser ouvido.
- E só por que o Danny não gosta, eu vou ter que ficar quieta? – revirou os olhos. - Mas eu não vou contar, mesmo. Não tem por quê fazer a sofrer.
- É, também acho.
- E avise-o que o Bruce ’tá fazendo muita arte. – Assim que falou, Tom repassou a mensagem para Danny, que soltou uma gargalhada alta. – Mas! E ainda ri! Porque não é ele que agüenta os chiliques da . – Foi a vez de Tom rir.
- Ele disse que o Bruce é só um filhote ainda. - Tom repassou o que o amigo disse e deu uma pausa, ouvindo o que diziam para ele. – O Harry perguntou se tem alguma novidade. – sabia do que ele se referia.
- Nada ainda. – Ela disse, com pesar. – Mas ele não se agüenta, né? Foi só elogiar. – Tentou descontrair.
- Amor, ‘tão me chamando para uma reunião. A gente se fala depois, ‘tá?
- ‘Tá bom, preciso me arrumar pra sair também. Beijo. Bom show! Te amo!
- Te amo! – ele respondeu e desligou o celular, percebendo que Phil a cuidava.
- Gosta de ouvir conversa dos outros? – ela tentou não ser grossa.
- Não, mas é que fica difícil quando conversam bem do meu lado.
- Tudo bem, ganhou essa. – sorriu torto para ele. – Posso me ausentar?
- Pode te ausentar. – Ele riu, enfatizando a última palavra. – Boa, ahn... tirada de tala. – Foi mais uma pergunta do que uma afirmação, não dando tanta certeza a frase sem sentido que ele falara.
- Obrigada. – Ela riu.
- Mas se aquele cachorro fizer mais uma merda lá, eu ponho pra rua! – dizia, ao mesmo tempo que arrumava o quartinho da televisão dos meninos.
- , tu tem que te acalmar. Tu anda muito estressada. – Will falou, ajudando-a com os brinquedos. Ultimamente, ele estava passando grande parte do tempo com ela.
- Eu sei. – Suspirou e sentou-se no sofá, cansada. – Quando é que isso vai terminar? – Ela já não se referia mais ao cachorro.
- Logo, , logo. – Will sentou-se ao lado dela e a abraçou.
- Tia , tia ! – Johnny entrava correndo pela porta, parando ao ver os dois abraçados. – Vocês são namorados? – os dois riram, deixando um pouco corada.
- Não, Johnny, somos apenas amigos. – Will respondeu, pegando-o no colo e sentando-o no meio deles.
- E amigos se abraçam?
- Claro que sim! – disse, como se fosse uma regra. – Amigos podem fazer carinhos em outros amigos.
- E podem beijar também? – Johnny riu de sua pergunta.
- Beijam-se na bochecha. Outra forma de carinho. – Disse . – Mas o que tu queria me dizer, hein?
- Ah! É que o Jimmy pegou meu carrinho e não quer devolver. – Ele disse, lembrando, enfim, o que estava fazendo ali. – E ainda fica babando todo ele.
- E tu não brigou com ele, brigou?
- Não, por isso eu vim aqui te pedir ajuda. Eu peço meu carrinho de volta e ele não dá.
- ‘Tá bom, vamos lá conversar com ele. – se levantou e Johnny a imitou, agarrando sua mão e indo em direção ao quarto do garoto. Will apenas observou os dois.
A livraria estava mais cheia do que o comum. Até seu Oscar estava trabalhando no caixa para ajudar os funcionários. Jasper por pouco não perdeu o emprego, pela milésima vez que não aparecia para fazer entregas. Mas ainda bem que nesse dia movimentado ele tinha ido. E diz agora não faltar mais. Depois do xingão de seu Oscar, ele tinha de tomar jeito mesmo.
- Eu estou procurando um livro que fala sobre o nazismo, mas eu não lembro o nome. – Uma mulher pedia ajuda à .
- Existem muitos livros sobre o nazismo, senhora. Não lembra nem o autor?
- Não... – ela ficou pensativa, olhando para a prateleira.
- Não lembra se é um livro novo ou velho? – implorava por dicas.
- Não, ele é recente.
- O menino do pijama listrado? – arriscou, depois de pensar um pouco.
- Esse! Esse mesmo! – A mulher abriu um sorriso aliviado. – Vocês têm?
- Claro, vem comigo. – chamou-a para outra prateleira e passou os olhos por ela a procura do livro. Achou logo em seguida, entregando para a mulher. – Mais alguma coisa?
- Não, só isso mesmo. Muito obrigada, moça!
- De nada! Pode passar ali no caixa. – Ela apontou para o balcão no fundo da loja. – E volte sempre.
- ! – ouviu um sussurro chamando-a. Olhou em volta para ver de onde vinha, até enxergar no canto da porta, meio escondido, Ed com seu cachecol lindo, que dava um charme a mais no garoto. arregalou os olhos e ele a chamou com um aceno.
- O que tu ‘tá fazendo aqui? – ela perguntou ao se aproximar, se escondendo também.
- Vim te ver. – Ele sorriu e ela se derreteu.
- No meio do meu expediente? A loja ‘tá lotada hoje! – o repreendeu.
- É que eu não agüento o fato de tu não fazer entregas. Posso comprar um livro se tu quiser, é uma desculpa pra ficar mais tempo contigo. – Não tinha jeito, ele tinha um charme que conseguia fazer com que qualquer uma fizesse o que ele queria. – Mas eu quero ser atendido por ti.
- Tu não presta! – falou, quando viu que ele percebera seu derretimento. – Quando acabar aqui eu te encontro, pode ser?
- Eu ‘tô achando que tu ‘tá me evitando, .
- Não ‘tô te evitando, Ed. Só que eu to passando por um momento difícil e não tenho ânimo de ficar saindo o tempo todo. E, agora, muito menos, até porque se eu sair, perco meu emprego.
- Tudo bem, desculpa pela cobrança. – Ele falou, ao perceber que fora egoísta. – Quer uma carona até o hospital?
- Vou pra casa antes.
- Então uma carona para casa?
- Claro. – Ela riu.
- Uma ultima coisa! – ele falou, antes que ela voltasse para a loja. Ela esperou o seu pedido. – Um beijo.
Ela riu e abraçou-o pelo pescoço, dando-lhe um beijo rápido, porém caloroso.
- Até mais, Ed. – Ela voltou de vez para a loja, sendo logo abordada por um cliente.
saíra do consultório do ortopedista finalmente livre daquela tala que a impedia de fazer tantas coisas. Já que estava no hospital, não teve que se deslocar até este para ver . Correu até a UTI para “assistir” sua amiga dormir. Era o que ela mais fazia neste horário. Encontrou a mãe de e Mitch, que estava freqüentemente lá junto da sua irmã, Rosalie. Eles foram visitá-la assim que souberam do acidente. Já estavam bem enturmados, tanto com as garotas quanto com a mãe de . Esta parecia estar mais acostumada, mas não desgrudava da janelinha que dava para o quarto de sua filha.
- Olá, dona Deise. Oi, Mitch! – cumprimentou-os ao chegar ali. – Rosalie não quis vir hoje? – perguntou para o garoto. Estava na cara que ele gostava de . Não perderia tanto tempo num hospital por uma colega de trabalho qualquer.
- Oi, ! – Deise respondeu. – Livre da tala, então? – falou, ao observar o braço livre da garota.
- Finalmente! – ela falou, fazendo movimentos com o braço.
- Oi, ! Rosalie teve que ficar mais lá no trabalho dela. – Mitch respondeu, assim que a conversa das duas acabou.
- Ah, que pena. Gosto da companhia dela.
- Minha companhia é tão ruim assim?
- Nãão! – ela riu. – A ia gostar de saber que vocês vêm quase sempre aqui.
Eles ficaram um tempo quietos. Até que chegou, conversou com a mãe da por um tempo, ao mesmo tempo em que olhava a amiga deitada, na mesma posição, com os mesmos aparelhos, do mesmo jeito nos últimos 12 dias. Voltou-se para a amiga e Mitch, que estavam sentados nas cadeiras tão familiares.
- Oi, pessoas! – sentou-se ao lado de .
- Oi, ! – pegou uma revista da mesinha de centro. – Não vai ver as crianças hoje?
, depois de conhecer a ala infantil, ia muito visitar as crianças para se distrair e distrair elas também, pois elas não estavam numa situação melhor que a dela. Era uma satisfação até ver como apenas uma visita fazia a felicidade deles. Ela realmente gostava.
- Hoje não. – ela suspirou. – Jimmy me deu muito trabalho, quero uma folguinha de crianças. – riu fraco.
Depois de um tempo foi a vez de chegar, contando histórias dos cachorros, certamente de Bruce e suas artes. Ed veio logo atrás, acompanhando-a. ele disse que levar até em casa não era o suficiente. Ficaria com ela no hospital também. Juntaram-se ao grupo das cadeiras e conversaram qualquer coisa para passar o tempo.
Mitch foi embora um pouco depois, alegando que já estava muito tarde e que talvez voltasse no outro dia junto de sua irmã. Ed não demorou muito para ir também. Apesar deste dia ele estar um pouco livre, o outro seria bastante corrido e ele precisaria acordar bastante cedo. Despediu-se de , mas demonstrou que queria que ela fosse com ele. Obviamente a garota deixou claro que não sairia dali até as enfermeiras expulsarem, como sempre acontecia.
Ficou então as mesmas pessoas de sempre, com as mesmas noticias e aflições de sempre. O médico nada acrescentava. Elas conversavam com ele todos os dias e ele nunca tinha uma novidade. Era até irritante.
Deise sentou, não agüentando o cansaço. Então resolveu levantar-se e ficar próxima a janela, observando a amiga, pois a cada instante alguma coisa poderia acontecer. Era isso que o médico sempre dizia. Ela observava cada detalhe, desde a unha do pé até o fio de cabelo. Passava os olhos pelos aparelhos, vendo se estavam todos normais, olhava para as mãos, caso elas pudessem mexer. Em filme era sempre assim, os pacientes sempre mexiam o dedo da mão primeiro, podia ser igual com . Mas nada mexia. Continuou vagando seu olhar por toda a extensão do corpo dela, parando para ver sua feição. Parecia diferente. Não sabia dizer o que, mas alguma coisa em sua feição estava diferente. De repente, enxergou. tinha as sobrancelhas erguidas. Ela mexeu as sobrancelhas!
- Ela mexeu as sobrancelhas! – falou um pouco alto, surpresa, feliz, incrédula, sem tirar os olhos do rosto da amiga.
que quase dormia toda torta em sua cadeira deu um pulo e todas as outras correram para ver tal acontecimento.
- Ah meu Deus! Ela mexeu a sobrancelha!! – confirmou.
- Minha filha! Ela deu sinal de vida! – Deise chorava compulsivamente.
- Enfermeira, enfermeira! Cadê a enfermeira daqui? – gritava no corredor.
- , ainda estamos num hospital! – a repreendeu, mesmo estando com a mesma vontade de gritar.
- Meu Deus, a vai acordar! – continuava fixa no mesmo lugar.
E então, a sobrancelha que estava erguida se fechou.
- Ela se mexeu de novo! – não continha a emoção. Estavam todas chorando de felicidade.
- O que está acontecendo aqui? – a enfermeira finalmente chegou.
- Ela se mexeu! – apontou para , que agora tinha o cenho franzido.
A enfermeira correu logo para dentro do quarto e acionou o botão que chamava um médico.
Deise não agüentava, começava a passar mal.
- Minha filha ‘tá acordando! Finalmente Deus ouviu minhas preces! – ela teve que sentar-se ou então cairia no chão com suas pernas bambas.
- Céus! Precisamos de outra enfermeira. – falou ao perceber o mal estar de Deise, chamando uma logo em seguida.
Elas observavam todo o processo dos médicos em volta de sua amiga, enquanto Deise era atendida, tomando um copo de água com açúcar. Viram abrir os olhos devagar, parecendo bastante confusa. Uma enfermeira olhou para elas e pediu para que se afastassem para não levar um susto e que depois chamariam elas. Sentaram-se apreensivas querendo falar com a amiga, mas a espera, que pareceu longa no ponto de vista delas, foi rápida. Logo o médico saiu e atrás veio a enfermeira que foi falar com elas. Pediu que se fossem entrar em grupo que não fizessem muito barulho. Elas preferiram deixar Deise entrar antes sozinha para falar com a filha, por mais que a vontade delas no momento fosse entrar o quarto e abraçá-la.
Aquilo tudo era desconhecido para ela. O quarto, o barulho, a cama. O que estava fazendo ali afinal? Por que todos aqueles médicos estavam em sua volta. Eles explicaram alguma coisa, mas ela não entendeu direito. Não esperassem que ela fosse entender tudo logo que acordasse assim, certo? Olhava fixamente para o teto, tentando lembrar-se o que estava acontecendo, como ela foi parar lá, quando a porta se abriu, desviou o olhar para esta a fim de ver quem adentrava. Pulou de susto ao ver sua mãe.
- Mãe? – ela perguntou sem ter certeza se estava realmente acordada.
- ! Ai, minha querida! – Deise chegou até a filha e a abraçou, voltando a chorar. – Que desespero tu me causou! Não faz mais isso, ‘tá bom? Nunca mais!
- Mãe, o que ‘tá acontecendo? O que tu ‘tá fazendo aqui? Eu ‘tô em Londres ainda, né? – ela ainda estava muito confusa.
- Sim, ‘tá em Londres. Mesmo eu querendo que tu voltasse pro Brasil. – ela respondeu se afastando e olhando para o rosto de , acariciando suas bochechas. – Tu sofreu um acidente, filha. Tu e a , mas ela já está bem. Eu vim aqui para te acompanhar. – assim que ela falou conseguiu lembrar do acidente de duas semanas atrás, não muito nitidamente, mas lembrou da causa, ou melhor, causas: Harry e gelo.
- O pai veio? – perguntou olhando para a mãe.
- Não, vim só eu.
- Faz quanto tempo? – perguntou ao perceber que poderia ter se passado alguns dias.
- Quase duas semanas. – Deise fungou, parando de chorar e arregalou os olhos pensando que não seria possível ter dormido todo esse tempo. – Vou deixar tuas amigas entrarem para te ver. Elas devem estar agoniadas.
- As gurias ‘tão aqui também?
- Estiveram o tempo todo. Eu volto depois, meu amor. – deu um beijo em sua testa e saiu do quarto.
Não deu meio segundo e as três entraram correndo, praticamente pulando sobre a amiga recém acordada, desobedecendo o que a enfermeira havia pedido minutos atrás.
- Aaai, ! – chorosa ia começar a falar.
- Já sei: não faz mais isso, pelo amor de Deus! – falou com um sorriso fraco. – Não farei, pode deixar. Eu estava atordoada, nem pensei duas vezes.
- Eu sei, lembro bem! – falou afastando-se um pouco do montinho que tinha se formado em volta da cama.
- Que aflição tu nos deixou, ! Foram quase duas semanas em coma! – fez o mesmo que .
- Coma? – por mais que ela fosse avisada que passara quase duas semanas dormindo, ouvir a palavra coma deu um impacto diferente.
- Sim, tu acha que ficar dormindo por duas semanas sem dar nenhum sinal, com risco de vida é o que? Tirar um cochilo? – disse mais descontraída.
- Mas então... – ficou pensando no tempo que em que dormira. – Os guris...
- ‘Tão em turnê. – completou. – Harry quase não quis ir, mas se convenceu depois.
- Eu nem dei tchau pra eles! – ficou triste. – E como ele ‘tá? – ela se referia a Harry.
- Mega preocupado, né? Ele acha que foi o culpado. – respondeu. – Toda vez que a gente fala com algum deles por telefone ele pergunta de ti, se tem novidades e tal.
- Aliás, temos que avisar. – lembrou.
- Não! Não avisem! – quase berrou.
- Por quê? – perguntou confusa.
- Porque eu não quero. – ela lembrava bem o motivo da briga que causara o acidente. As lembranças foram aparecendo aos poucos.
- Ah, , deixa a birra de lado. Ele ‘tá muito preocupado contigo, tem o direito de saber! – falou pegando o celular, sem dar bola para a amiga, que bufou. – Vou ali ligar.
- Ah, ! – pareceu ter se lembrado de algo. – Falei mais cedo com o Tom e o Dougie pediu pra ti ligar pra ele mais tarde, ou seja, agora. – ela deu um sorrisinho.
- Sempre me avisando cedo, hein ?! – riu, saindo do quarto e discando o número do garoto.
- Oi, oi! – falou, feliz.
- Nossa, que felicidade! – Dougie estranhou.
- É, tenho ótimas novidades!
- Sobre a ?
- É! – um largo sorriso formou-se no rosto de . – Ela acordou!
- Jura? Que novidade maravilhosa! – ele realmente ficou feliz.
- Avisa ao Harry, ele vai amar saber. – mandou e ele foi, sem reclamar. Nessa situação, ele nem tinha como pensar em reclamar.
- Cara, a acordou! – ouviu Dougie gritar para Harry.
- O QUÊ? SÉRIO? COMO ELA ‘TÁ? QUERO FALAR COM ELA! – ouviu Harry gritar mais alto ainda e riu sozinha.
- Ele quer falar com ela. – Dougie voltou a falar com .
- Ah, Doug... Aí. já é outra história! – desfez sua feição de felicidade. – Ela não quer falar com ele, não queria nem que eu ligasse avisando.
- Putz! Ela lembra da briga, então?
- Lembra e ainda ‘tá puta com ele.
- ‘Tá, vou avisar ele. – Ele voltou a falar com o amigo, com tom de voz mais baixo dessa vez. – Avisado. O Tom e o Danny acabaram de chegar e já sabem. Estão mega felizes também, mandaram abraços.
- Vou mandar. – Ela voltou a rir. – Mas, então, como vocês estão? – mudou de assunto.
- Bem, acabamos de voltar de um show sensacional, agora. – Falava, orgulhoso.
- Ah, que ótimo! ‘Tá sendo sucesso, então?
- Total!
- E o que vocês vão fazer, agora? – falou, assim que ouviu uma voz feminina falar com eles do outro lado da linha.
- Vamos numa festa.
- Ah. - não conseguiu demonstrar muita alegria. – E tem mais alguém aí com vocês?
- Tem o Fletch, o Tommy e a Andrea.
- Hum.
- ! – Dougie entendeu a repentina falta de ânimo da garota. – Vamos todos nos comportar, ok?
- Eu espero, Dougie! – ela falou, séria.
- Tô com saudades.
- Eu também. Muita! – passara do sério para o triste. – Voltem logo, por favor!
- Só mais alguns dias.
- Tudo bem, não quero estragar a turnê de vocês. ‘Tô feliz pelo sucesso, de verdade! – ela sorriu. – Vão lá pra festa e aproveitem!
- Obrigado, . Aproveitem vocês também com a acordada, agora. – Dougie sorriu e ela também.
- Beijo.
- Jura que o Mitch e a Rose vieram aqui também? – parecia incrédula, assim que voltou ao quarto.
- Ahã! – disse . – O Thiago, o Ed e o Will vieram em uns dias também.
- Viu como tu é querida por todos? – sorria, pegando a mão da amiga.
- E, então, ? Avisou? – perguntou, assim que viu a amiga dentro do quarto. Esta só acenou com a cabeça, sorrindo e querendo não prolongar o assunto.
- E eu perdi muita coisa? – continuava curiosa para saber o que aconteceu durante esse tempo que ela estava inconsciente.
- Nada, passamos mais aqui do que em outro lugar. – introduziu-se na conversa. – Ou tu quer saber das artes que o Bruce tem aprontado lá em casa?
- Ele ‘tá lá? – ria, imaginando o apartamento todo bagunçado.
- Temos um canil lá em casa: além de Bili e Lady, tem mais Flea e Bruce. Dá pra imaginar a bagunça, né? – também ria.
- E a Bella? – assustou-se, ao lembrar de sua arvorezinha.
- ‘Tá bem cuidada, assim como o Bê e os quatro cachorros. – acalmou-a.
E assim passaram o resto do tempo que tinham, deixando a par dos acontecimentos passados. Até que uma enfermeira chegou, pedindo que só uma ficasse para acompanhar a paciente. Afinal de contas, ela ainda estava internada em um hospital e não sabiam quando teria alta, pois o médico já havia ido embora antes de elas se darem conta que precisavam perguntar a ele o que estava se passando agora com a amiga, que, aparentemente, estava bem.
Capítulo 42
Era um barulho insuportável. Não era música, nem toque de celular, era o som do vibracall sob a madeira da mesinha. não gostava de colocar músicas como toque e os toques que vinham com o celular eram muito sem graça, então, preferia deixar no vibracall. Mesmo assim, irritava-a profundamente aquele barulho tentando acordá-la. Sim, tentando, porque ela ainda estava no estágio de sono que não era nem acordada e nem dormindo. Mas quem seria uma hora daquelas? Ela, infelizmente, teve de acordar para fazer aquele barulho chato parar. Quando abriu os olhos, viu que ainda era escuro.
- Quem é o desocupado que não trabalha e fica ligando no meio da madrugada? – falou sozinha ao tirar a mão de baixo do edredom para pegar seu aparelho. – Alô? – falou, sem vontade, após apertar a tecla send.
- ?
- Quem ‘tá falando? – estranhou o barulho muito alto que tinha na outra linha, mas pôde escutar o seu nome.
- , sou eu! Como tu ‘tá? Eu ‘tô com saudades tuas, !
- Eu quem, merda? – ela começava a ficar nervosa.
- Eu, o Danny! – ele disse, rindo.
- Que diabos tu ‘tá fazendo a essa hora acordado?
- ‘Tô numa festa, ó. – E mostrou o barulho, que, agora, ela identificava como música.
- E por que resolveu me acordar? Vai aproveitar tua festa sem me atrapalhar, por favor!
- Ah, te acordei? Desculpa. É que eu ‘tô com muita saudade! Me perdoa, ?
- Danny, tu ‘tá bêbado!
- Só um pouquinho. – Ele riu. – Mas eu ‘tô falando sério.
- Pessoas bêbadas não falam sério. – o cortou. – Tenho mais o que fazer, Danny. Vai pegar as tuas vadiazinhas aí que eu tenho que trabalhar amanhã cedo.
- Não, ! Não desliga.
- Tchau, Danny. – Ela desligou.
Deitou novamente, se acomodando na cama para voltar a dormir. Mas sua intenção foi fracassada. A ligação de Danny tinha tirado totalmente o sono dela. Olhou para o relógio: quatro e cinqüenta e três.
- Que ótimo, Danny Jones! Muito obrigada por acabar com meu sono! – ela se levantou, reclamando baixinho para não acordar ninguém e foi até a cozinha beber um copo d’água. Foi no escuro, abriu a geladeira, tirou a jarra de lá, apoiando-a na pia, e pegou um copo do secador de louças. Serviu cuidadosamente para não virar água para fora do copo. Apoiou-se na pia e começou a tomar sua água, bem devagar, pensando no fato ocorrido alguns minutos atrás. Não podia negar que não tinha gostado. Danny ainda pensava nela. Suspirou e deu o último gole, colocando o copo dentro da pia. Ao virar para voltar para sua cama, se não conseguisse dormir, pelo menos ficaria deitada, deu de cara com um vulto no batente da porta da cozinha. Ela e o vulto gritaram, num impulso. O vulto ligou a luz.
- Caralho, ! O que tu ‘tá fazendo a essa hora aqui na cozinha? – perguntou com a mão no peito, respirando ofegante.
- Eu que te pergunto o que tu ‘tá fazendo aqui a essa hora! – estava do mesmo modo. – Vim tomar água, perdi o sono.
- Também vim tomar água. – , já mais calma, pegava a jarra que estava em cima da pia ainda e serviu-se, tomando rapidamente o conteúdo. – Mas perdeu o sono por quê?
- Ah, nada de mais. – já se dirigia a sua cama de volta. – E a não acordou com os nosso gritos? – falou, tentando desviar o assunto.
- Aquela tem o sono pesado. – riu.
- Ei, eu ouvi, ok? – gritou com a voz rouca do quarto. – Só não me dei ao trabalho de levantar para ver do que as fiasquentas estavam berrando. – Saiu do quarto, aparecendo na sala com o cabelo um pouco bagunçado.
- Já que todo mundo perdeu o sono, podíamos fazer um brigadeiro, né? – sugeriu.
- Opa! Eu topo! – se jogou no sofá que, agora, estava montada a cama de .
- Então, vai fazer! – riu ao ver a cara de tédio da amiga.
O brigadeiro ficou pronto e foi levado as pressas para todas comerem direto da panela, mesmo.
- ‘Tá, agora, me conta, , por que tu perdeu o sono? Tua desviada de assunto não funcionou. – voltou ao assunto que tinham na cozinha, suspeitando que tinha alguma coisa estranha no meio.
- Pessoas perdem o sono, é normal, certo? – falou com a colher de brigadeiro na boca.
- É normal, mas no teu caso, não. – insistia. – Conta logo! Sonhou com o Danny?
- Mas por que isso teria a ver com o Danny?
- Ora, ! – foi a única coisa que disse, convencendo a amiga a contar.
- Tudo bem, tem a ver com o Danny. – Ela disse, num suspiro. – Ele me ligou agora pouco.
- Quê? – ficou interessada.
- É, ‘tava bêbado queria que eu perdoasse ele, disse que ‘tava com saudades.
- Ai, , ele foi querido! – disse, achando a coisa mais amada aquilo tudo.
- Ah, sim! Muito querido me acordar quase cinco horas da manhã!
- Mas tu há de convir que ele ainda gosta de ti. Senão, ele não teria ligado no meio da noite, enquanto ele podia estar pegando outras gurias. – falou, tentando ser sensata e concordou com a cabeça.
- Isso não impede nada de ele ficar com outras gurias. – mostrava seu ponto de vista.
- , tu não acha que já é hora de perdoá-lo? – disse, parando para pensar um pouco. – Olha só, ‘tá na cara que ele ainda pensa em ti. Tu nem se fala que gosta dele ainda e morre de saudades...
- Quem disse isso? – interrompeu a amiga, indignada.
- Eu disse. ‘Tá na cara! – disse, sem se afetar. – Mas não interrompe meu raciocínio. Então, vocês se gostam. E o Ed... Bom, o Ed é lindo, querido, charmoso e tudo mais, mas não causa o mesmo efeito que o Danny causa em ti. É muito visível isso, .
- Ah, ... Não é bem assim... – não sabia bem o que falar.
- Acho que a ‘tá certa, . – deu seu aval.
- Mas, gurias, é difícil perdoar pelo que ele fez. Aquilo me deixou muito chateada, muito, mesmo!
- Bom, vai pensando... – deixou a mensagem no ar, terminando a última colherada de brigadeiro da panela. – Agora, já que já está amanhecendo, vamos nos arrumar e descer com os cachorros.
concordou sem dizer nada, parecia realmente ter ficado pensando.
- E vamos ver quando a recebe alta hoje! - animou um pouco o ambiente.
passou alguns dias em observação e, então, foi dado o laudo: pronta para a alta. Logo ela estaria em casa e ninguém mais teria que ir a hospital nenhum. Claro, disse que continuaria indo lá para ver as crianças quando pudesse. Mas sem o intuito de ver a amiga e esperar por uma notícia de um médico. Deise ficou até o momento em que voltou para casa. Tempo demais para ela, que precisava voltar para trabalhar. Então, assim que voltou para casa, se despediu de todos e foi embora, aliviada e tranqüila, sabendo que ela teria amigas que a ajudariam no fim de sua recuperação. Ela usava apenas uma bota, daquelas que podia tirar e colocar, para imobilizar a perna. As garotas preferiram, já que não aceitou ficar no apartamento de , que uma delas fosse passar um tempo com ela. A escolhida foi . Mas era óbvio que elas sempre passavam o tempo livre juntas, ou no próprio apartamento de ou no de .
Era sábado e o tédio batia muito forte em e . Viram tantos filmes que até perderam as contas. Saíram um pouco para caminhar com os cachorros, mas logo que acabou o passeio, que não tinha como ser muito longo para poupar a perna de , voltaram para o apartamento desta para continuar vendo filmes.
- Esse eu já vi. – disse, quando deixou em um canal onde o filme recém tinha começado. – Mas ,tudo bem, eu vejo de novo. – Ela riu.
- Ai, eu não agüento mais! Preciso fazer alguma coisa. – falou mais alto, de repente, assustando . – Eu fiquei todo aquele tempo no hospital, enferrujei. Preciso desenferrujar. Vamos achar alguma coisa pra fazer!
- Mas o quê, ?
- Bem que os guris podiam ter deixado o vídeo game com a gente. – falou, se levantando.
- Queria eles aqui. – choramingou e ficou quieta, preferindo não demonstrar seus sentimentos.
Após o momento de silêncio, a porta de entrada foi aberta e e entraram, conversando alto.
- Oi, gurias! – elas falaram em coro.
- Não encontramos vocês lá embaixo e deduzimos que estavam aqui. – falou, se acomodando no sofá.
- Ó, ! – chegou perto da amiga, alcançando um aparelho celular. – ‘Tava tocando lá embaixo.
- Ah, eu o esqueci lá! – pegou da mão da amiga. – Será que o Dougie lembrou de mim? – falou, ansiosa para ver a chamada perdida. – Ah, não é ele... É o Will.
- Ih, o Will? – disse, receosa. – O que ele quer?
- Que implicância, ! – disse. – E vou ver o que ele quer, não tem como eu adivinhar assim do nada, né? – apertou o botão send para retornar a ligação.
- Nem disse nada de mais! – se sentiu ofendida.
- Oba! Desejos atendidos! – voltou depois de falar ao telefone com o garoto.
- O quê? O quê? – estava curiosa.
- Temos uma festa pra ir hoje!
- Ah! Esse Will ganhou um ponto! – falou, batendo palminhas. – Era tudo que eu precisava para sair desse tédio.
- Ah, não sei se eu vou. – não estava animada quanto as outras.
- Por que não, ? – perguntou.
- Ah, não falei com o Tom ainda. Teria que avisar ele e tal. – Ela falou, se embolando nas palavras. – Na verdade eu queria ir com ele.
- Deixa de frescura, ! – disse, dando um tapinha leve no braço da amiga. – Quantas festas ele já foi sem ti?
- É verdade, eles tão se divertindo um monte lá e a gente ‘tá aqui sem fazer nada de divertido. – concordou.
- Eu entendo que tu queira ir com ele, , mas, agora, não dá. Quando eles voltarem, a gente vai em várias festas, todos juntos. – disse, tentando animá-la. – E, é verdade, eles ‘tão indo em um monte de festas por lá. – Falou, não tão animada dessa vez.
- Ah! ‘Tá bom, me convenceram. – disse, se rendendo e todas comemoraram. – Onde é?
- Ah, ele deu o endereço, mas nunca fui. – mostrou o papelzinho anotado com o nome do lugar e a rua.
- tu é doida? – perguntou, ao terminar de escovar os dentes.
- Não, por quê? – ela não entendeu.
- Cadê tua bota? Tu vai com esse salto?
- Óbvio!
- Como assim “óbvio”, ? – se meteu na conversa. – Tu ‘tá com a perna quebrada ainda. Não dá pra colocar um salto desse tamanho!
- Ah, ‘tô quase boa. – deu um tapinha no ar. – E vocês queriam que eu fosse com aquele trambolho pra festa?
- Sim, qual seria o problema? – também se meteu.
- Estragaria todo o meu look. – Ela respondeu, passando as mãos pelo lado do corpo, mostrando seu lindo vestido rosa bebê tomara-que-caia com um cinto preto abaixo do busto. O sapato era preto, básico. Tinha uma correntinha dourada com um pingente pequeno, dando um delicado detalhe no visual (veja o look).
- Tudo bem que não ficaria tão lindo quanto ‘tá agora, mas pode piorar tua perna. – disse, colocando os brincos.
- Eu juro que não abuso. – não trocaria seu lindo salto por uma bota de imobilizar a perna. – E tu vai de casaco, né? – perguntou para .
- Sim, vou buscá-lo lá no roupeiro. – Ela vestia uma saia cintura alta em cima de uma blusa tomara-que-caia xadrez. Tinha um cinto preto na cintura onde terminava a saia. Os sapatos também eram pretos (veja o look).
- Vamos logo que o Will já deu um toque. – disse, após colocar seu sapato vermelho mega alto e terminar de se arrumar. Ela vestia uma saia preta também, combinando com uma blusa de manga comprida justa no corpo, cinza, com um detalhe na gola (veja o look). – ‘Tá pronta, ?
- Sim, só preciso que fechem esse colar pra mim. – saiu do banheiro após terminar de se maquiar. Sua blusa roxa era soltinha, que junto com a saia preta, justa, ajudava a deixar sua silhueta bonita. Nos pés um sapato escuro, brilhoso e com a sola vermelha (veja o look). – Liguei pro Ed, agora, e o convidei, não tem problema, né?
- Claro que não. – disse, pegando sua bolsa que estava em cima da mesa, apenas esperando para sair.
caminhou com certa dificuldade e as amigas olharam um pouco torto. Ela logo disfarçou e forçou um caminhar normal. Isso acostumaria, tinha certeza.
e Ed dançavam na pista não muito grande, enquanto , , e Will conversavam na mesa perto do bar. Incrível como sempre acabavam perto do bar. Achavam que isso era influência dos garotos, mas, pelo jeito, elas faziam o mesmo. Ou pegaram a mania deles. Quem vai saber? O lugar em si não era muito grande, mas não estava muito cheio, então, dava para se locomover e respirar bem.
- Eu queria dançar! – reclamou.
- Tu prometeu não abusar. – disse, parecendo sua mãe.
- Ah, . Só um pouquinho. – pedia permissão e e Will riam da cena. – Vem comigo, tu me cuida, assim. – Ela a puxou pela mão e revirou os olhos, acompanhando a amiga até onde os outros dançavam.
- A é uma figura. – comentou, observando a amiga. – ‘Tava com tanta saudade dela. Ainda bem que ela ‘tá aqui com a gente.
- Eu te disse que ia acabar tudo bem. – Will disse, aproximando sua cadeira da de .
- Falou o profeta. – riu. – Quer saber seu futuro? Ter seu amor em três dias? Fale com Pai Willian, ele vai te dizer tudo o que vai acontecer. – Continuou a brincadeira, ainda rindo e dessa vez Will a acompanhou.
- Que engraçadinha. – Ele parou de rir, visivelmente forçando, e aproximou mais ainda sua cadeira da dela.
- Eu... ahn... vou ali no bar pegar uma bebida. – sentiu a aproximação e ficou sem jeito, levantando rapidamente sem esperar resposta do garoto.
Ela chegou no balcão e se escorou, respirando fundo. Assim que o barman chegou, ela pediu um uísque. Esperou que ele trouxesse, já se sentindo mais calma. Não sabia por que havia pedido um uísque, afinal ela não era muito fã. Quando sua bebida foi entregue, ela bebeu de uma vez só, sentindo sua garganta arranhar e, logo em seguida, uma sensação ótima de relaxamento. Pediu outro, sem hesitar. Fez o mesmo quando o barman o trouxe para ela. Sentiu-se melhor ainda. Virou-se para voltar onde estava antes, mas viu tudo girar. Apoiou-se no balcão, rindo, e, quando foi continuar, já vendo tudo em volta no seu devido lugar, algo lhe impediu. Will se pôs em sua frente, colocando seus braços nos dois lados do corpo de e a olhando fixamente.
- Que foi, Will? – ela perguntou, rindo, e ele não respondeu. – Will? ‘Tá tudo bem?
- ‘Tá... tudo ótimo. – Ele sorriu.
pôde ver bem seus olhos verdes, mesmo na luz fraca do lugar. Não conseguia desviar seu olhar, parecia que algo a prendia ali. Will movimentou suas mãos, tirando-as do balcão e colocando-as na cintura de . Ela estremeceu.
- Ahn... Will, preciso passar. – Ela disse, empurrando de leve o peito do garoto. – Nossas coisas ‘tão lá na mesa.
Porém o garoto não se moveu, nem falou nada. Apenas se aproximou mais ainda. podia estar alterada, mas sabia bem o que estava acontecendo.
- É sério. – Ela falou, sem sorrir, ainda olhando nos olhos do garoto.
- ... Me dá uma chance. – Ele finalmente disse alguma coisa. – Eu gosto tanto de ti. – E segurou mais firme sua cintura.
- Desculpa, Will. – Ela se sentia mais tonta ainda. As coisas em volta não paravam de girar. – Eu não posso fazer isso. – Continuou tentando, delicadamente, empurrar o peito do garoto.
- Não pode por quê? Que eu saiba tu não namora.
- É, eu não namoro, mas eu gosto muito de uma pessoa. – Não pôde deixar de ficar chateada por isso.
- Ele pode não pensar o mesmo que tu. – Ele disse, insinuando que Dougie poderia estar ficando com outras garotas onde ele estivesse.
- Eu prefiro acreditar que ele pensa como eu. – começou a ficar um pouco irritada. O assunto não estava tomando um caminho muito agradável. – Por favor, Will. – E o empurrou com um pouco mais de força, fazendo o garoto se afastar para sua passagem.
e dançavam um pouco calmas apesar da música animada, pela sua perna e para acompanhar a amiga. , então, pôde sentir sua cintura vibrar. Ela havia tirado o celular da bolsa e colocado na cintura, pensando que alguém, mais especificamente Tom, poderia ligar para ela enquanto dançava. Pegou seu aparelho e pode ver que era ele, mesmo. Estranhou a hora da ligação, mas, como no fundo já esperava, atendeu sem ficar pensando muito. Puxou a amiga para um lugar menos barulhento. Conversou com ele, rapidamente, apenas falando que estava numa festa com as amigas e ele contando o que acontecia onde estava. Ela estava bem mais calma agora que Tom havia ligado.
- , o Tom que falar contigo. – estendeu o telefone para a amiga que estava ao seu lado, se apoiando na parede para não sentir a dor na perna.
- Comigo? – estranhou, mas pegou o telefone. – Alô?
- Oi. – percebeu, por mais que tivesse muito barulho onde estava, que aquela voz não era de Tom.
- Já disse que não quero falar contigo, não se convenceu ainda? – falou, irritada, desligando o telefone. – , até tu?
- Desculpa, . O Harry insistiu demais. – fez uma careta e bufou.
- ‘Tá, vamos voltar pra mesa porque eu não agüento mais a minha perna.
- Eu disse que ia dar problema, mas tu não me ouviu.
- Bla bla bla. – debochou da amiga.
- Can’t read my, can’t read my, no he can’t read my poker face. – cantava e dançava animada.
Ela e Ed estavam mais afastados de onde e estavam antes. Podia-se ver que ele estava ali apenas para agradar , pois dançava de forma esquisita e tímida. Mas sorria vendo a garota em sua frente animada como estava. Fazia um tempo que não a via assim.
- Ai, cansei. – Ela falou, assim que a música terminou. – Vamos sentar um pouco?
- Claro, vamos lá. – Ed agradeceu, não agüentava mais ficar ali.
Ao chegarem, encontraram e discutindo alguma besteira e bebendo mais um copo de uísque quieta. Depois do segundo copo o gosto ficava bom até.
- O Will foi embora? – perguntou para , sem dar bola para a discussão das outras duas.
- Não sei.
- ‘Tá tudo bem, ? – ela ficou preocupada.
- Ahã. Quer um gole? – ofereceu a bebida e recusou.
- Acho que eu já vou indo, ‘tô podre de cansada. – disse, sem ao menos sentar.
- Quer ir lá pra casa? – Ed fez um convite atraente.
- Não tenho a alternativa não, certo? – ele negou e ela riu. – Não negaria, mesmo. - E lhe deu um beijo rápido. - Bom, então, nós vamos. - Falou para todos da mesa.
- Ah, vamos também. – concordou. – ‘tá sentindo dor na perna.
- Mas não vou pra casa, . – sorriu, sem graça.
- Ah, bom. Mas vamos, mesmo assim. – sorriu. – Vamos, ?
- , podemos conversar? – Will chegou antes que pudesse responder. As amigas se entreolharam confusas e curiosas.
- Podem ir, gurias, eu vou mais tarde. – concordou em conversar com o garoto e as amigas seguiram para casa.
- Vou ficar contigo hoje, então. – falou com , ajudando-a a levantar.
- Eu queria te pedir desculpa. – Will se sentou em frente a ela assim que todos se ausentaram. – Fiz sem pensar.
- E me deixou numa enrascada. – riu. Não estava num estado que pudesse falar algumas coisas conscientemente.
- Enrascada? – Will sorriu, sentindo que teve uma reciprocidade da parte dela. riu, corando.
Era a primeira vez que conhecia o resto da casa de Ed. Ou melhor, o seu quarto, pois a sala e cozinha já havia conhecido. Eles estavam deitados na confortável cama de casal do garoto. quase dormia, deitada de costas para ele, enquanto este encaixava-se no corpo dela, abraçando-a pela cintura.
- ? – Ed a chamou, sem ter certeza se ela ainda estava acordada. Ela gemeu e ele demorou um pouco para continuar o que queria dizer.
- Que é? – ela perguntou, impaciente.
- Tu quer namorar comigo? – ele despejou.
Ficaram alguns longos segundos em silêncio. tentando entender o que ele havia pedido, mesmo estando muito claro. Virou para olhá-lo, colocando a mão em seu rosto.
- Não sei o que te responder. – Ela foi sincera.
- Não precisa responder agora. – Ele foi compreensível.
- Brigada. – Ela sorriu e lhe deu um selinho demorado. – Eu gosto de ti, mas...
- Ssh... – Ele a interrompeu, colocando o dedo indicador em seus lábios. – Já disse que não precisa responder agora.
- Tudo bem. – Riu fraco.
- Vamos dormir, agora. – E a abraçou forte, aconchegando-a em seu peito.
- Boa noite! – Ela beijou seu pescoço.
- Quer subir? – convidou Will ao chegarem em frente ao prédio dela, arrependendo-se depois de já ter falado.
- Tem certeza? – Ele perguntou, receoso pelo acontecido na festa.
- Claro que tenho. – Riu fraco. Já que já tinha convidado...
Ao entrarem no apartamento, tropeçou em alguma coisa, fazendo os dois rirem pelo seu quase tombo. Ligou a luz e viu Flea deitado, balançando o rabo.
- Ah, o teu canil. – Will riu.
- É, o meu canil. – o acompanhou, ainda estava alterada pelo álcool, bem alterada. – Quer sentar? Ou uma água? Ou...
- Não quero nada, . – Ele disse, mais sério.
- ‘Tá bom. – ela riu. – Vou ali no banheiro e já volto.
Por que, afinal, ela tinha o convidado para subir? Ela estava extremamente confusa sobre o que fazer. Ao voltar, viu o garoto sentado no sofá, olhando fixamente para o nada. Sentou-se ao lado dele e o olhou, fazendo-o desviar o olhar para ela também.
- Não quero te forçar... – ele disse, assim que percebeu o clima.
Mas ela não respondeu, apenas tomou a iniciativa de se aproximar e selar seus lábios. O beijo intensificou-se, assim como os carinhos. Obviamente, Will não negou e aproveitou para fazer o que queria fazer há muito tempo. Ele a fez levantar e induziu-a até o quarto. Ela pareceu aceitar, mas, na verdade, nem se deu conta do que estava fazendo. Só foi perceber que havia parado no quarto, ao lado de sua cama. As mãos dele percorriam por todo o corpo dela, enquanto se beijavam. As dela desciam devagar até a barra de sua camisa. Algo mais forte que ela fez com que ela levantasse esta, fazendo-os interromperem o beijo para ele tirar definitivamente a camisa. Ela o empurrou para deitar-se na cama, voltando a beijá-lo. Will, num movimento rápido, ficou por cima dela, beijando seu pescoço com vontade. fechava os olhos, sentindo-se tonta ainda. Ao abrir se deu conta de que o garoto em sua frente estava sem camisa e que tinha suas mãos em seu peitoral muito bem definido, diga-se de passagem, e que as mãos dele já estavam pele a pele em suas costas, já tendo puxado sua blusa para cima, na tentativa de tirá-la. Num súbito momento de consciência, o empurrou e ele ficou sem entender nada.
- Meu Deus! O que eu ‘tô fazendo? – ela disse, recuperando o ar. – Ai, Will, não podemos fazer isso! – disse, olhando para o garoto que ainda parecia confuso.
- Mas foi tu quem tomou a iniciativa, .
- Desculpa, não ‘tô na minha mais sã consciência. – Ela balançava a cabeça negativamente passando as mãos pelo rosto. – Já conversamos sobre isso. Eu não posso!
- Não pode ou não quer? – Will falou, um pouco irritado, achando que estava se prendendo em um compromisso que não existia e que tinha interesse nele por um lado.
- Will, já te disse que eu gosto muito do Dougie e não vou fazer isso com ele. – não respondeu diretamente a pergunta do garoto.
- Tudo bem, . Eu não insisto mais, prometo. – Ele suspirou.
- Não quero perder tua amizade, sério. – Ela olhou-o, tristemente. – Amigos?
- Claro! – Ele forçou um sorriso e ela o abraçou.
- , podemos dormir, agora? – não agüentava mais o sermão da amiga. – Já coloquei a minha bota, já tomei um remédio pra dor, já admiti que fiz errado, quer mais alguma coisa?
- Sim. – respondeu, em um tom diferente do que estava falando antes, fazendo olhar para ela. – É tão bom te ter aqui. – sorriu e abraçou a amiga, que sorriu aliviada pensando que a conversa podia se desviar para um assunto que não gostaria de falar.
- Oun, obrigada, ! – retribuiu o abraço.
- Tem mais uma pessoa que ‘tá feliz pela tua recuperação e que merece ser ouvida. – falou, ainda abraçada em .
- Sabia que tu ia voltar nesse assunto. – desfez o abraço e voltou a se deitar, cruzando os braços.
- , quando vocês brigaram, ele nem explicou o que realmente aconteceu. Tu ouviu o que o Tom disse e tirou tuas próprias conclusões.
- Bem óbvio o que aconteceu.
- Não é bem óbvio. Deixa ele se explicar.
- Tu sabe o que aconteceu? – voltou a olhar para a amiga.
- Não. – Mentiu, pois Tom já tinha contado o que aconteceu, afinal.
não continuou o assunto. Desligou seu abajur e fez o mesmo. Mas esta pôde perceber que não dormia. Adorava quando fazia as amigas ficarem pensando sobre um assunto desses. Primeiro, foi com , agora, . Seria ótimo se todos voltassem a se dar bem e formassem aquele octeto que se encaixava tão perfeitamente.
Capítulo 43
se espreguiçou na cama, tentando convencer a si mesma de que precisava levantar. Quando conseguiu, finalmente, fazer isso, sentiu o chão fugir de seus pés, um enjoo enorme tomou conta dela e a dor de cabeça pareceu fazer com que sua cabeça pudesse cair a qualquer momento. Enfim, lembrou-se da noite passada e gemeu pela lembrança e por todos esses sintomas da sua ressaca. Foi até a sala se segurando nas paredes, mas assim que chegou até ela, teve que correr, de qualquer maneira, para o banheiro. Abriu rapidamente o vaso sanitário e vomitou tudo que tinha em seu estômago. Apertou a descarga, indo rapidamente lavar o rosto e escovar seus dentes. Suava frio, prometendo para si mesma que nunca mais tomaria uísque na vida. Voltou para sala, jogando-se no sofá, ainda sentindo o mal-estar. Ficou na mesma posição por vários minutos seguidos, somente pensando na bobagem que quase cometera na noite anterior. Na verdade, havia cometido uma bobagem, não tão grande como quase aconteceu, mas a sua consciência pesou bastante pelo fato de ter beijado Will.
- Preciso tirar isso da minha cabeça e diminuir o peso da minha consciência, preciso! - falou sozinha.
Tentou levantar, mas o enjoo piorou e precisou correr para o banheiro novamente. Ao voltar, passou no quarto e pegou seu celular, estava disposta a contar tudo para Dougie. Não esperava que ele compreendesse, mas tentaria, pelo menos.
Deitou-se no sofá, na mesma posição de antes, na qual o enjoo podia ser amenizado e discou o número do garoto. Ainda suava frio e agora não sabia se era por causa da ressaca ou do nervosismo de contar tudo para Dougie sabendo que podia terminar com tudo que eles tinham. Deu um suspiro no momento em que o telefone foi atendido, finalmente.
- Alô? - uma voz feminina falou do outro lado da linha. estranhou.
- Quem fala? - perguntou, intrigada.
- Eu que pergunto. - A mulher foi um pouco grossa.
- Eu gostaria de falar com o Dougie, se me permitir. - Ela ironizou.
- Ele 'tá dormindo. Quer deixar recado?
- Como assim? - começava a se desesperar. - Quem é que 'tá falando?
- Querida, o Dougie está dormindo, é só isso. Não tem nada demais. Ele voltou do show ontem muito tarde e cansado e está dormindo, assim como os outros garotos.
- Acorda ele. – Falou, braba. - Tenho certeza que ele não vai se incomodar.
- Desculpe, mas não posso. - respirou fundo.
- Não pode por quê? Eu liguei para o celular dele e quero falar com ele, agora.
- Eu peço pra ele retornar a ligação.
- E como tu vai saber quem é se eu nem te falei meu nome?
- , não sei se tu sabe, mas teu nome aparece no visor do celular dele.
- Então, não precisava me perguntar quem estava falando no inicio da ligação. - não conseguia segurar a raiva. “mulher infernal!”, pensou. - Posso saber quem está falando, agora?
- Claro, é a Andrea. - Ela soltou um risinho, que deixou mais irritada ainda.
- Obrigada, Andrea. - Ressaltou o nome da mulher e desligou, sem esperar resposta nem despedida.
Jogou o celular longe de tanta raiva que sentia.
- Se o Dougie teve alguma coisa com aquela mulher, ele me paga! - ela falou sozinha novamente, mas logo depois pensou em seu caso. No caso em que a fizera ligar para ele.
- Falando sozinha, ? - disse, ao entrar no apartamento, seguida de .
- Pelo visto 'tá braba. - falou, ao reparar na cara da amiga.
- Acertaram as duas. - falou, sem vontade.
- Pode começar a contar tudinho. Desde ontem na festa até agora. - empurrou as pernas de para sentar-se no sofá, esperando que ela começasse a história.
- Isso mesmo, fiquei mega curiosa! - arranjou um espaço para ela também.
- Ah, gurias! Não foi nada demais... - não estava a fim de contar o que havia acontecido. Mas as garotas não se contentaram com a resposta, continuaram esperando ela começar a contar. - É que o Will tentou ficar comigo, daí depois veio me pedir desculpas.
- Só isso? - perguntou, desconfiada.
- De ontem, só. - mentiu. - Mas hoje acordei mega enjoada, com a pior ressaca do mundo, vomitei até as tripas...
- 'Tá, disso a gente não quer saber. - a interrompeu com cara de nojo.
- E fui ligar pro Dougie pra me deixar melhor. - continuou. - E a nojenta da Andrea atendeu, dizendo que ele 'tava dormindo. - Fez um barulho com a boca, demonstrando raiva.
- Quê? - mostrava espanto. - Ele dormiu com ela?
- Não sei, ! - quase chorava. - Na verdade, ela disse que ele 'tava dormindo, assim como os outros, e que “não tem nada demais”.
- Ah, talvez ele tenha deixado o celular em algum lugar que ela tenha pegado e guardado. - tentou não tirar conclusões precipitadas.
- É, esse “nada demais” possa ser um jeito de dizer que eles não dormiram juntos. - concordou.
- É... - ainda estava com cara de choro.
- Bom, mas vamos esperar que ele ligue para saber o que ele tem pra dizer. - encerrou o assunto. - Vamos sair pra comer em algum restaurante bom?
- Continuo enjoada, não sei se consigo colocar alguma coisa na boca. - fez cara de nojo.
- Já tomou um remédio, ? - perguntou, se levantando, e a garota balançou a cabeça negativamente. – Assim, tu nunca vai se sentir melhor! - E foi buscar um remédio para a amiga. – Daí, quando tu melhorar, a gente sai pra comer. – Sorriu, entregando um copo d'água com sal de frutas fervilhando dentro para .
- Preciso ir, Ed! - tentava se desvencilhar do garoto que não a soltava, beijando seu pescoço e rosto.
- Fica mais um pouco! Foi tão bom. - Ele insistia.
- Mas as gurias já estão me esperando. - disse, retribuindo o selinho que ele dera. – E, além do mais, sei muito bem que o senhor tem um livro e uma coluna para escrever hoje. Não quero atrapalhar.
- Mas é domingo, posso tirar o dia de folga.
- Não, tu não pode. Precisa cumprir o prazo. - falou, como uma ordem.
- 'Tá bom, tu tem razão. - Ele disse, soltando-a de seu abraço. - Mas não esquece de mim.
- Eu nunca esqueço de ti, Ed! - sorriu e beijou-o intensamente. – Agora, eu vou, antes que elas me liguem de novo me xingando. - eles riram.
pegou sua bolsa e casaco e saiu do apartamento do garoto, deixando-o saudoso.
- Ah, eu vou começar a comer. - falou, impaciente. - A não chega e eu 'tô morrendo de fome!
- Eu não sei se consigo. Só de pensar, me dá vontade de vomitar de novo. - tinha as mãos segurando a cabeça, enquanto seus cotovelos estavam apoiados na mesa.
- Que inconveniente essa tua frase. - riu, ao ver as pessoas das mesas próximas da delas olharem de forma estranha.
- Olha o Mitch ali! - levantou a cabeça ao vê-lo e virou rapidamente para conferir.
- Mitch! - o chamou e ele sorriu de forma totalmente espontânea ao vê-la. - 'Tá sozinho? – perguntou, quando ele já estava próximo, estranhando.
- Ahn... - Ele olhou em volta. -É, 'tô. - Sorriu sem graça.
Estava bem vestido, diferente do que vestia dia-a-dia. E reparou.
- Senta aí com a gente, então. - Ela convidou-o e olhou para as amigas, pedindo a confirmação.
- É, Mitch! - falou, sorridente. - Senta aí e almoça com a gente.
- Obrigado, gurias, mas já almocei. - Ele coçou a cabeça.
- Não faz mal, senta aí do mesmo jeito. - riu. - Se não se importar, claro.
- Seria um prazer. - Ele aceitou o convite.
No começo, o papo estava um pouco travado, mas assim que se sentiram mais a vontade conversaram sem nem perceber a espera pela chegada de . esqueceu também que ia começar sua refeição no momento em que viu o garoto.
- É tão bom te ver de volta no trabalho, . - Mitch falou, tímido. - Não sabe o quão aflitos nós estávamos!
- É, já posso imaginar de tanto que as pessoas falam. - brincou. - Mas já prometi que nunca mais vou fazer isso. - Cruzou os dedos em frente a boca e o garoto riu.
- Eu espero, mesmo! - ele continuou rindo. Olhou para seu relógio e fez uma cara surpresa. - Droga! 'Tô em cima da hora. Desculpa, gurias, preciso ir! - ele se levantou depressa. - Até mais! - e saiu caminhando rápido.
As garotas estranharam a repentina pressa dele, mas logo esqueceram assim que chegou e as fez lembrar que estavam com fome.
A sala estava escura, a luz da televisão batia contra os rostos de e , que viam um seriado qualquer que passava na tv. Já era tarde, mas nenhuma das duas tinha vontade de ir deitar. O vento do lado de fora batia fortemente contra a janela, fazendo um barulho chato. E este barulho foi a desculpa para que elas resolvessem ir.
- Bom, vou tomar um banho antes de dormir. - levantou, caminhando sem vontade até o banheiro.
Nesse meio tempo, pôde ouvir a música de seu celular tocar de modo abafado. Tentou lembrar onde havia deixado, olhando em volta. Seguiu o som e o achou entre o braço do sofá e a grande almofada do mesmo. Atendeu ligeiro ao ver que era Dougie.
- Alô? - não tinha certeza se tinha dado tempo de atender.
- Oi, ! - Dougie falou e sorriu. - Tudo bom?
- Não sei.
- Como assim não sabe?
- 'Tô dependendo da tua história. Pode começar a contar. - tentou não mostrar a alegria de ouvir a voz do garoto.
- Que história, ? - ele estava confuso.
- Não te faz, Dougie! - disse, cortando-o. - Que história é essa da Andrea atender teu celular e dizer que tu 'tá dormindo? E tu só me retornar a ligação a essa hora da noite?
- Ah! É isso. - Dougie riu e soltou o ar pesadamente, mostrando-se indignada com a calma dele. - Tu não 'tá achando que eu tive alguma coisa com ela, né?
- Eu não acho nada. Quero ouvir o que tu tem pra me dizer.
- Ela atendeu meu celular enquanto eu dormia, só isso. - Ele disse, parecendo óbvio. - Todos nós estávamos no ônibus dormindo, enquanto íamos para outra cidade e ela acordou mais cedo e ouviu meu celular tocar.
- Só isso, mesmo? - ficou mais calma. Preferiu acreditar no garoto.
- Claro, !
- Mas tu não respondeu minha outra pergunta. - Deu uma pausa, mas o garoto ficou esperando que ela continuasse. - Por que só agora tu me ligou? - ele riu novamente. - 'Tá achando muita graça? - ela se mostrou seca.
- Não... É que eu acho tão bonitinho esse teu jeitinho de falar. - sorriu abobada e pôde sentir um aperto no coração: saudade e consciência pesada. - Acordei no meio da tarde, assim que chegamos no hotel – ele começou a narrar -, daí, até arrumar minhas coisas e comer, demorou mais algum tempo, depois tivemos um meeting e só agora cheguei no hotel de novo.
- Hum... - ficou sem saber o que falar. - Não tem show hoje, então?
- Não, é amanhã. - Ele respondeu. - 'Tô desculpado agora?
- Impossível não desculpar. - Ela riu. - Quando vocês voltam?
- Essa semana, ainda. - Ele respondeu e ela sentiu um alivio imediato. - Temos mais o show de amanhã o outro e, então, acaba nossa turnê.
- Que notícia boa! - Ela disse e pôde ver saindo do banheiro, curiosa para saber da notícia boa.
- Que notícia? - ela não se aguentou e perguntou num sussurro.
- Eles voltam essa semana, só têm mais dois shows pra fazer. - respondeu, colocando a mão no local em que sua voz era enviada para a pessoa do outro lado da linha. sorriu alegremente ao saber disso.
- Mas, então... - Dougie continuou a conversa. - Tinha alguma coisa pra me dizer hoje mais cedo? A Andrea disse que tu 'tava nervosa pra falar comigo. - sentiu seu coração parar.
- Nada demais. - Ela respondeu, se martelando por dentro por não falar a verdade. - Quando tu voltar, eu conto.
- Vai me deixar curioso!
- É bom tu sofrer um pouquinho. - Ela riu sem vontade. - Preciso dormir, Doug.
- Ok, vai lá. - Ele disse, compreensivo. - E espera pra ver esse “sofrer um pouquinho”. - Eles riram. - Beijo.
- Beijo.
- Cadê a ? - chegou no apartamento estranhando a ausência da amiga tão cedo e vendo que os cachorros estavam por lá.
- Madrugou. Nem me falou direito o que ia fazer. Quando acordei, ela 'tava saindo. - estava tão confusa quanto .
- Agora, vou ter que descer com todos eles? - apontou para os quatro cachorros, que estavam sentados esperando a hora de passear.
- Não, eu desço contigo. - respondeu, aparecendo ao lado dela.
- Mas vão meio rápido porque eu acho que vai chover. - disse, antes que as amigas saíssem.
Pois é, percebi isso! - disse , deixando sua bolsa roxa perto da porta para quando voltasse fosse mais prático para pegá-la e sair (veja o look).
- Voltamos logo! - fez joinha, fechando a porta do apartamento (veja o look).
não esperou as amigas voltarem, resolveu sair logo de casa antes que lembrasse de fazer alguma coisa e se atrasasse, ainda queria passar em uma Starbucks. Ajeitou seu gorro e saiu em direção ao seu trabalho (veja o look).br>
- ? - Thiago estranhou a garota esperando-o na entrada da cafeteria. - Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu. Podemos conversar um pouco? - ela disse, rapidamente.
- Claro. - Ele disse, preocupado. - Só preciso arranjar uma desculpa pro meu chefe. - Ele apontou para dentro e ela concordou com a cabeça.
Ela sentou-se em um banco perto dali, observando o movimento e a paisagem. Não sabia bem como falar aquilo para seu primo. Não falara nem para suas amigas.
- Ok, pode começar. - Ele sentou-se do seu lado, surpreendendo-a. Ela riu fraco.
- Não sei bem como começar. - Ela disse, ainda olhando para baixo.
- Pelo começo, já é um bom passo. - Ele brincou, mesmo estando preocupado.
- Eu fiquei com o Will. - Thiago ficou sem palavras.
- O Will é o...
- Primo das crianças que eu cuido. - Ela completou.
- Oh, droga!
- Pois é. - olhou para o garoto, esperando ajuda. - O pior é que quase rolou algo mais.
- , o que tu tem na cabeça?
- Não interessa o que eu tenho na cabeça, interessa é que eu preciso da tua ajuda!
- Minha ajuda pra quê? - Thiago não sabia realmente o que dizer. - Tu já fez a burrada, de qualquer maneira.
- É, eu já fiz a burrada. - Ela baixou novamente a cabeça, olhando para suas botas. - O dilema é que eu não sei se conto pro Dougie ou não.
- Mais alguém sabe?
- Não.
- Talvez, fosse melhor deixar por isso mesmo...
- Mas 'tô achando que minha consciência não vai permitir.
- Então, conta! Liga pra ele e conta.
- Já fiz isso, mas não consegui. Não é tão fácil como parece.
- Mas, ... Vocês tão namorando? - Thiago perguntou, depois de um tempo de silêncio, aparentemente pensativo.
- Não... Quer dizer, não sei. Acho que não. - respondeu, confusa. - Mas o caso não é esse, Thiago! Eu gosto muito dele e sei que fiz algo muito errado.
- Pelo menos, não é uma traição. Se vocês não têm um compromisso...
- Pra mim, é.
- O que mais eu posso te dizer, ? Se tu acha que não vai aguentar, conta, por mais difícil que seja.
- Eu tenho medo do que pode acontecer depois.
- Ele seria muito trouxa em te deixar. - Thiago falou, fazendo carinho no rosto da garota. - Ele já é um trouxa em não estar namorando contigo.
- Ele seria correto em me deixar. - retribuiu o olhar dele. - Mas eu não quero que ele seja correto.
- Só fazendo pra saber, .
O silêncio permaneceu entre eles.
- Sinto em ter que terminar nossa conversa, mas preciso voltar. Demorei tempo demais aqui. - Ele sorriu tristemente para ela.
- Tudo bem. Desculpa por te tirar do trabalho. - Ela levantou. - E obrigada por me ouvir.
- Estarei sempre aqui. - Ele levantou também. - E acho que tu deve contar pras tuas amigas também, senão elas te matam! - ele riu e ela concordou rindo também.
- Vou contar pra elas, sim. Só 'tava esperando me decidir.
Eles se abraçaram e ao se despedir, Thiago a olhou minunciosamente, deixando a garota constrangida.
- Esse lacinho ficou tão bem em ti. - Ele falou, por fim apontando para seu cabelo.
- Que comentário gay! - riu (veja o look).
O tempo parecia passar lentamente na gráfica. já havia feito tanta coisa, mas a impressão que tinha era de que não fizera nada. Agora era a hora de ver os e-mails de dúvidas/sugestões/críticas. Às vezes ela se divertia, mas às vezes tinha vontade de torcer o pescoço do infeliz que resolveu falar merda. Nesse dia até que estava tranquilo, nada de merdas e poucas coisas engraçadas. Abriu um que não tinha certeza se podia abrir, o remetente era confidencial. Mas resolveu arriscar.
“Bom Dia, Tenho uma dúvida, uma sugestão e uma crítica para lhes oferecer. As três a respeito da secretária, senhorita . A dúvida me faz ficar martelando horas e horas pensando se ela ainda gosta de um garoto chamado Harry, se ela pode ouvir o que ele tem para falar e até mesmo perdoá-lo. A crítica é sobre ela não responder aos telefonemas dele e não deixar que ele se explique. Acho que seria muito conveniente para os dois se isso tudo se esclarecesse. E, finalmente, a sugestão, seria para ela fazer tudo isso já citado anteriormente. Ela não vai se arrepender, independente da escolha que ela fizer. Espero que leia toda minha mensagem e a leve em consideração.
Agradecido.”
lia o email embasbacada, com o queixo caído, sem conseguir fechar a boca, que estava aberta devido ao espanto.
- Harry Judd decidiu aprender a usar a internet para me mandar um absurdo desses! - ela falou sozinha, ao se recuperar da surpresa.
Mesmo ele não tendo assinado ao final, tinha certeza que era ele. Riu consigo mesma. Não conseguia não gostar da atitude dele. Depois da conversa com , estava levando em conta deixar que Harry se explicasse, talvez existisse explicação mesmo. Mas, ainda assim, estava muito braba com ele, não saberia se conseguiria perdoá-lo. Pelo menos, seria um grande passo ouvi-lo. Depois de um tempo pensando, percebeu o perigo daquele e-mail. Se outra pessoa, que não ela, lesse aquilo ela estaria perdida.
- Maluco! – falou, apagando rapidamente o e-mail da caixa de entrada.
A locadora estava muito vazia. A última pessoa que saiu fora a segunda a entrar há algumas horas. estava sentada com cara de tédio atrás do balcão.
- Entediada? - Phil sentou-se no banco em frente ao balcão.
- Bastante.
- Ando te achando meio desanimada ultimamente, .
- Deu pra ser meu psicólogo, agora? Te contenta em ser só meu chefe, ok? - , sem querer, foi um pouco grossa.
- Desculpa. - Ele se assustou com a exaltação da garota.
- Não, eu que peço desculpa. Tu foi atencioso e eu fui mega grossa, desculpa, mesmo. - Ele sorriu. - Na verdade, eu ando meio desanimada mesmo... Mas acho que tu vai preferir não ouvir o porquê.
- Pode, falar. Sem problemas. - Ela o olhou ainda sem certeza.
- É que eu não aguento mais de saudade.
- Por que eu ainda pergunto? Devia saber que era por isso...
- Viu, eu disse que tu não ia gostar.
- Acho que a convivência 'tá fazendo com que a gente se conheça bem demais, não acha?
- Tenho certeza. - riu, acompanhada de Phil.
Foram interrompidos por um cliente, ao qual foi atender agradecendo mentalmente por ter tirado do tédio.
esperava impaciente por . Ela havia saído mais cedo, mas prometera a amiga que esperaria por ela para irem embora juntas. Resolveu sentar-se no banco tão conhecido quase em frente a locadora. Pegou seu celular e começou a jogar um jogo qualquer. De repente, percebeu que a observavam. Ela odiava essa sensação. Olhou para os lados e pôde ver duas garotas cochichando e olhando para ela. Não era querer ser perseguida, mas aquelas garotas estavam falando alguma coisa sobre ela. Estava ficando cada vez mais incomodada e, discretamente, mandou uma mensagem para sair logo de lá para poderem ir embora. As garotas agora se aproximavam e o incômodo de foi se transformando em medo. O que aquelas doidas queriam?
- Hey, posso te fazer uma pergunta? - a garota mais ajeitadinha perguntou.
- Já está fazendo. - revirou os olhos.
- É que nós ficamos muito curiosas a respeito do Danny. - Ela continuou e olhou rapidamente para as duas, muito desconfiada. - Foi tu que deixou o nariz dele inchado?
- E o que isso te interessa? Vai mudar tua vida?
- Vai. - Ela respondeu simplesmente. - É que tinham boatos que vocês estavam juntos e, logo depois, ele apareceu com nariz daquele jeito, numa revista e a foto era bem por aqui, perto do teu trabalho.
“Medonho, elas sabem onde eu trabalho!”, pensou .
- E, depois, num festival que o McFly tocou, tu 'tava com outro cara, negando que teve alguma coisa com o Danny. - Ela continuou sua narrativa. - Então, ficamos curiosas pra saber o que aconteceu pra tu ter dado um soco no nariz dele, porque sabemos que aquilo não foi briga da qual a revista falou.
- Vocês trabalham pro FBI? - perguntou assustada e elas riram. - Sinto muito deixar vocês curiosas, meninas, mas eu preciso ir embora. - Ela se levantou ao ver olhando-a confusa e com medo de chegar perto.
As duas seguiram sem falar nada, até tomarem uma distância segura. contou a historia toda para .
- 'Tô com medo dessas duas. - disse. - Se elas tiverem nos seguindo e descobrirem onde a gente mora? Elas sabem que tu é namorada do Tom, vão querer te seguir também.
- Merda, vamos ter que despistar. - disse, olhando discretamente para trás, conferindo se elas estavam realmente seguindo elas. E estavam. - Entra nessa rua. - falou, puxando e correndo o mais rápido que conseguia.
As duas entraram em várias ruas e correndo daquele jeito, conseguiram despistar as duas. Ao pararem para respirar e pensar no caminho que precisavam fazer para chegar em casa, se olharam e caíram na gargalhada.
- O que faz conhecer uma banda com fãs malucas! - continuou rindo.
Capítulo 44
- ! O que tu 'tá fazendo aí sentada? Vamos logo! - falou, ao perceber a amiga estática, sentada no sofá e olhando para o nada.
- Ah, já vou. - ela respondeu, sem vontade.
- Eu achei que tu estaria animada pela volta dos guris... - ela se aproximou da amiga, abaixando-se para ficar na mesma altura dela.
- Eu estou... – respondeu, num tom em contradição ao que falara e a olhou com olhar sofrido.
- Uma hora ou outra, tu vai ter que contar. - entendeu o sofrimento. já havia contado a história de Will e estava decidida a contar tudo para Dougie.
- Eu sei, mas não sei se consigo. - abaixou o olhar. - Como se conta uma coisa dessas? Não quero perdê-lo, ! - voltou a olhar para a amiga.
- É sempre melhor ser sincera, . Imagina se ele descobre depois por outra pessoa.
- É, vai ser pior... - falou, pensativa.
- Então... Vamos lá? - levantou, animada, convidando a amiga.
simplesmente aceitou o convite e levantou, não tão animada quanto a outra. Não por ver Dougie, pois estava morrendo de saudades do garoto, mas aquela história estava a atormentando, realmente.
Os garotos chegariam pelas quatro horas da tarde e já eram três e meia. Seria no mesmo lugar de onde partiram, na rua em que eles moravam. e preferiram não ir, até porque estavam trabalhando e depois teria um happy hour para recepcioná-los. e conseguiram sair alguns minutos mais cedo do serviço. decidira que não tinha por que ignorar Harry. Talvez não fossem conversar sobre a briga naquele momento, mas em outro com certeza teria que encarar o assunto.
e chegaram enfim no lugar marcado, porém o ônibus não havia chegado ainda. Ficaram dentro do carro, junto com Flea e Bruce no banco de trás, ouvindo música e esperando que eles chegassem. Alguns minutos se passaram e a angústia das duas podia ser notada, elas mal conversavam, só comentavam algo sobre a demora do ônibus. Quarenta minutos e várias arfadas dos cachorros nos ouvidos e nada. Depois do acidente que e sofreram, todas ficaram um pouco traumatizadas, mas preferiam não compartilhar o trauma.
- Eles 'tão bem atrasados, né? - falou, num momento de silêncio.
- Pois é, devem ter pegado engarrafamento. - tentou acalmar não só a amiga, mas a si mesma também.
Até que dez minutos depois, conseguiram ver o ônibus dobrar a esquina e soltaram um suspiro de alívio, junto com um sorriso. Saíram do carro rapidamente e os quatro ficaram a postos para quando eles saíssem do automóvel. Este estacionou bem em frente onde elas e os cachorros estavam e, assim que a porta se abriu, não contiveram a felicidade. Tom foi o primeiro a aparecer, sorrindo igualmente, depois Harry, Danny e, finalmente, Dougie. Bruce logo reconheceu o dono e fez a maior festa, assim como Flea quando viu Dougie, pulando descontrolado e disputando o garoto com . Os casais se abraçaram tão forte e por tanto tempo que nem percebiam o que se passava em volta. Harry e Danny riram e começaram a arrumar suas malas para levá-las para dentro.
- Que saudade, Tominus! - disse, depois de beijá-lo.
- Muita, muita! - Tom a olhava como se tivesse esquecido como eram suas feições.
- Não faz mais isso! - ela disse, o olhando da mesma forma. - Ficar longe por tanto tempo... - ele a olhou sem saber o que lhe dizer, pois esperavam que outras turnês fossem acontecer uma hora ou outra. - Pelo menos, esperem um tempo pra fazer de novo. - ela sorriu, entendendo o silêncio do garoto.
- Sabe que esse é o nosso trabalho, . - Tom disse, acariciando seu rosto. - Mas não vamos ficar longe por um bom tempo. Prometo. - ele sorriu e ela o acompanhou, tornando a se beijar.
- Como é bom te ver, te tocar... - Dougie tocava no rosto, nos braços, na cintura, da mesma maneira que Tom, como se tivesse esquecido de como ela era.
sorria, sem saber exatamente o que dizer. Apenas o olhava. Não era muito boa com palavras, ainda mais quando ela precisava contar algo desagradável.
- Se vocês ficassem mais um dia longe, eu não aguentaria. - ela finalmente disse alguma coisa.
O garoto sorriu e concordou, beijando-a os lábios carinhosamente.
- Por um momento, eu achei que tu fosse esquecer de mim. Tanto tempo longe. - Dougie disse, após quebrar o beijo e sorriu um pouco forçado.
- Muito impossível, Dougie! - soltou uma risada nervosa, com peso na consciência. - Era mais fácil tu me esquecer.
- Eu cumpro minhas promessas. - ele disse, fazendo-a lembrar do que ele dissera na festa de lançamento do cd e o peso na consciência ficou ainda maior.
- Ah, preciso cumprimentar os guris! - pareceu lembrar e aproveitou para desviar o assunto, indo atrás dos outros dois. Viu fazer o mesmo e deixou Flea ficar um pouco com o dono.
- Hey! - elas entraram na casa de Danny, onde se encontravam os dois.
- Não esquecemos de vocês. - disse, indo abraçar Harry, enquanto abraçava Danny.
- Como foram de viagem? E os shows? - perguntava, animada.
- Danny Jones! - falou num espanto, deixando o garoto confuso pensando o que teria feito de errado agora. - É só ficar esse tempo longe que tu já engorda?
- Tu acha que eu engordei? - ele perguntou, puxando a camiseta para cima, a fim de ver sua barriga. - Preciso voltar pra academia.
- Nada de mais, a 'tá exagerando. - acalmou o garoto.
- Te disse que cerveja engorda, Jones. - Harry riu.
- Falando em cerveja, vão logo se arrumar pro nosso Happy Hour. - apressou os garotos.
- Quem vai? - Harry perguntou, querendo saber se quem ele esperava fosse: .
- Todos vão. - respondeu. - também. – disse, depois de uma pausa.
- Vocês já estão prontas? - Danny perguntou, deixando sua mala no pé da escada.
Sim, vamos direto daqui. - falou sentando-se no sofá, sabendo que teria de esperar todos se arrumarem. Ela estava com uma legging de vinil e uma blusa solta e comprida, com uma casaco que ia até a cintura, nos pés um sapato alto preto com sola amarela (veja o look).
E já sabemos que vão demorar, então, estamos esperando aqui. - disse, assim que viu Tom e Dougie entrarem na casa onde estavam. - Vão, vão! - mandou todos se arrumarem, dando palminhas e logo sentando ao lado da amiga. Vestia uma skinny azul com uma bata com estampa, uma jaqueta de couro e sapatos azuis (veja o look).
- E as gurias? - Tom perguntou.
- Vão nos encontrar lá. - respondeu.
Os quatro decidiram obedecer logo e ir se arrumar rápido, antes que uma delas dessem pitis.
Eles decidiram ir a um pub mesmo, não muito longe dali. Até porque os garotos estavam bem cansados. e não demoraram para chegar, os outros tinham tomado apenas uma cerveja e ainda esperavam os petiscos chegarem. A primeira, quebrando as normas novamente e tirando sua bota imobilizadora, estava de salto, uma saia com estampas pequenas e uma blusa de mangas compridas cinza e lisa. Vestia um casaco de couro também, porém o seu era marrom (veja o look) (veja o look). A segunda estava de skinny roxa e uma blusa vermelha, o seu sapato de salto, para combinar com a roupa, era roxo com algum detalhe vermelho e o seu casaco quentinho, gelo (veja o look). Harry sentiu um nervoso ao ver se aproximando da mesa onde estavam e pôde ver que ela lhe lançou um olhar rápido, porém intenso.
- Nossa, por incrível que pareça, eu senti falta de vocês! - riu e sentou-se logo, cumprimentando todos rapidamente, pois não queria forçar a perna e também não queria muito contato com Harry, não agora.
- Eu sei que a nossa presença é muito agradável. - Danny se exibiu. - Mas agora é sério, é muito bom te ver bem, .
- Não imagina o quanto! - Harry se atreveu a completar, fazendo a garota que estava sentada entre Danny e , esta do lado de Dougie que estava do lado do garoto que acabara de falar, olhá-lo e sorrir sem graça.
- É bom estar com vocês. - ela desviou o olhar e sorriu com mais vontade. – Mas, então, me contem como foi essa turnê.
- Isso aí, queremos saber tudo o que aconteceu! Mas poupe-nos dos detalhes sórdidos, por favor. - olhou para Danny, que estava a sua frente, sabendo que o garoto deve ter aproveitado bastante.
- Ei, eu não quero ser poupada dos detalhes sórdidos! - exclamou. - Pode me contar tudo o que tu aprontou, Dougie. - ela se virou para o garoto ao seu lado, fazendo todos rirem e as garotas trocarem olhares com ela de maneira que só elas entendiam.
- Eu sei que não preciso desses detalhes, né, Tom? - fez carinho no namorado e logo depois deu um beijo de esquimó. - Até porque imagino que não tenha da tua parte.
- É claro que não. Tudo que aconteceu tu já sabe. - ele lhe deu um selinho.
Os oito então ficaram conversando, os garotos contando histórias da turnê, deixando os assuntos sérios para outra hora. e agradeciam mentalmente. Mas esse momento não demoraria a chegar, tinham certeza.
- Teve aquela festa também! - Dougie quase gritou, animado. - A de Glasgow!
- Sim! Essa foi demais! - Harry também estava animado. - A melhor, eu acho.
- Glasgow é demais. - Tom completou.
- Mas, realmente, essa festa 'tá entre as tops. - Danny disse, concordando com a cabeça e tomando um gole de sua cerveja, largando o copo logo depois em sua frente.
- Também, depois de pegar aquela loira... - Dougie comentou, rindo e com um olhar safado para Danny.
O garoto pareceu se desconcertar, olhando ora para Dougie ora para , gaguejando, sem saber o que dizer. Apesar de ser livre para fazer o que quiser, ainda ficava desconfortável em falar essas coisas na frente de . Esta, por sinal, pareceu ficar do mesmo jeito. E na hora do nervosismo se levantou.
- Vou no banheiro. – disse, já um pouco afastada dali, sentindo olhares nela.
- Caralho, Dougie! - Danny disse baixinho, sem olhar para o garoto. - Tu também não pode falar nada sobre aquela festa. - apontou para ele, batendo o braço sem querer em seu copo, derramando todo o conteúdo na mesa, que escorreu rapidamente até .
- Ah! - a garota pulou para o lado tentando fugir do líquido, mas sem sucesso, pois a impedia. Sentiu a cerveja gelada escorrer por sua perna e viu que a ponta de sua saia estava molhada e, pior, fedendo. - Puta merda! - disse, esfregando um guardanapo na roupa suja.
- Desculpa, ! Desculpa, mesmo! - Danny se virou para o lado, tentando ver o que podia fazer para se desculpar pela cagada que fizera.
- Tudo bem, Danny. Vou ali no banheiro tentar lavar isso. - se levantou, deixando o guardanapo na mesa.
- Eu te ajudo. - Harry se levantou junto com ela.
- Não precisa, obrigada. A 'tá lá no banheiro, ela vai me ajudar. - foi um pouco rude com o garoto, que voltou a sentar, chateado.
- Tinha que ser Danny Jones! - Tom zoou o amigo.
- Peraí, sem desviar assuntos! - estava com a feição confusa. - O que o Danny quis dizer com aquilo, Dougie? - virou para o garoto ao seu lado.
- Sei lá. Boa, o que tu quis dizer com aquilo, Danny? - Dougie parecia confuso também.
- Ah, meu... Deixa pra lá. - Danny parecia chateado. - Já fiz a merda do dia, melhor parar por aqui.
- Não, Danny, pode contar. - insistia.
- , deixa assim. - não estava muito feliz com a situação que recém acontecera na mesa. – Depois, vocês conversam. - e pareceu falar com a amiga pelo olhar, insinuando que ela também devia conversar com Dougie.
ficou quieta, concordando silenciosamente com a amiga. E logo depois chegou sentando em seu lugar, como se nada tivesse acontecido.
- E a ? - Harry logo perguntou, sentindo falta da garota.
- Não desistiu de limpar ainda a saia, mas logo ela 'tá aí.
- Eu vou lá ver se ela precisa de ajuda. - ele se levantou, decidido.
Danny não tirou o olhar da garota, até que decidiu levantar e sentar ao lado dela.
- , não dê ouvidos pras coisas que o Dougie disse. - ele falou mais baixo, deixando os dois casais conversando entre eles e ficando de fora desse assunto.
- Não precisa se explicar pra mim, Danny. - ela quis se mostrar desinteressada.
- Mas eu quero me explicar.
- Danny, que eu saiba tu 'tá solteiro e pode fazer o que quiser. Não tem problema nenhum. - ela o interrompeu.
- É, eu 'tô solteiro. – concordou, dando uma pausa. - Mas eu não queria estar. Queria estar contigo. - olhou fundo nos olhos da garota.
- Não fala bobagem. - ficou nervosa com o que o garoto havia dito.
- Não é bobagem.
saiu do banheiro desatenta, passando por umas pessoas encostadas na parede e perto da bancada do bar. Olhava sua saia, ainda molhada, mas menos fedida, inconformada, até que sentiu alguém pegar seu braço. Virou a cabeça, na tentativa de ver quem a segurava.
- Podemos conversar? - Harry a olhava seriamente.
- Agora? - sentiu o coração acelerar. - Acho que não estamos no momento, nem no lugar certo.
- Não precisamos de momento pra isso, .
- Eu não sei se vou conseguir te perdoar, Harry... - foi direta.
- Não precisa me perdoar agora, só me ouvir já é um grande passo.
demorou alguns segundos para concordar, que pareceram milênios para Harry.
- Mas vamos sentar num lugar um pouco mais calmo.
Harry apenas balançou a cabeça e os dois seguiram mudos até um canto do pub onde haviam mesas vagas. Sentaram um de frente para o outro.
- Conseguiu limpar a saia? - Harry apontou para a roupa da garota e ela apenas concordou com a cabeça.
Um silêncio se instalou por alguns poucos minutos até o garoto tomar coragem e começar o que os tinha levado até ali.
- Então, primeiro eu queria te pedir desculpas e que eu não imaginava no que tudo aquilo iria gerar. Me sinto muito culpado pelo acidente e ainda bem, mesmo – frizou bem essa palavra -, que tu saiu bem disso tudo. Senão, não saberia como iria conseguir continuar minha vida.
- Não foi culpa tua. - falou, sem olhar diretamente para ele. - E não seja dramático.
- Não 'tô sendo dramático. Eu gosto muito de ti, !
- Gosta mesmo? Não mais do que a Rebecca, creio eu. - falava, com rancor.
- , não aconteceu nada entre eu e a Rebecca! - Harry quase berrou.
- Ah, não! Só se encontraram escondidos de mim.
- Posso explicar o que aconteceu? Acho que foi por isso que viemos até aqui. - ele falou, fazendo-a ficar quieta e esperar que ele continuasse. - Bom, realmente não queria que tu soubesse para não causar problemas contigo. Achei que tu ia ficar braba comigo por nada, por uma bobagem.
- Ahã, bobagem... - ela revirou os olhos e ele continuou, sem dar bola para o comentário dela.
- A princípio, nós íamos nos ver apenas para conversar, para acertar o que tinha ficado de ruim no passado. Enfim, pra gente continuar se falando como amigos. Amigos. - Harry olhou intensamente para a garota. - Já tinha te dito que nosso namoro tinha acabado de um jeito meio chato. Cada um foi para um lado e nunca mais nos falamos. Daí quando a gente se encontrou, vimos que ainda gostamos um do outro. De uma forma diferente. - se prontificou a falar ao ver que ela ia dizer alguma coisa a respeito do “ainda gostamos um do outro”. - Vimos que o que vivemos foi tão bom pra ter acabado daquela forma e que podíamos guardar esse “amor” - fez as aspas no ar com as mãos – e vivermos bem um com o outro.
Um silêncio se instalou e ele pode perceber que pensava no que ele havia dito.
- E eu falei de ti pra ela. - ele acrescentou. - Porque, não vou mentir, no início ela quis retomar o que tivemos, mas depois viu que não seria legal, que podia só piorar nossa situação. E agora ela nos respeita. Ou nos respeitava...
- Agora, tu pode voltar pra ela.
- Eu não quero voltar pra ela, ! Não entendeu ainda que eu 'tô aqui tentando conversar contigo pra que a gente possa voltar?
não disse nada, apenas continuou processando o que ele havia dito.
- 'Tá. - finalmente pareceu tirar uma conclusão daquilo tudo. - Mas e se eu não ficasse sabendo que tu tinha conversado com a Rebecca? Ia continuar me escondendo até quando? Se ela virou tua amiga, tu veria ela com mais frequência e, ainda assim, continuaria se encontrando com ela sem me dizer nada?
Agora, foi Harry que ficou sem dizer nada, apenas pensando.
- É, sei que errei em não ter te contado. Uma hora ou outra tu iria ter que saber. - ele disse, admitindo seu erro.
Ela balançou a cabeça levemente para cima e para baixo e os dois ficaram em silencio sustentando o olhar.
- Era isso? - ela disse, acordando-o de um transe. - A conversa, era isso que tu tinha pra me dizer? - ela complementou ao ver que ele não tinha entendido.
- É...
- Então 'tá, te ouvi, 'to levando em consideração toda a tua história, mas como eu disse antes, eu não posso te perdoar agora.
- Tudo bem, eu entendo. E agradeço que tenha me ouvido. - ela sorriu fraco e concordou.
- Vamos voltar pra nossa mesa?
não sabia o que responder, estava tensa com a proximidade de Danny e com o rumo que a conversa tomava. Tentava desviar o assunto ou então não saberia o que fazer.
- É sério, . Eu queria tanto ficar contigo, te ter todos os dias. - Danny estava cada vez provocando mais. - 'Tô com tanta saudade de ti...
- , tu vai pra casa? - interrompeu e agradeceu, soltando o ar que tinha prendido na apreensão.
- Vou. - respondeu, afastando sutilmente Danny.
- Não 'tá a fim de ir agora?
- Ah, mas já, gurias? - Tom se meteu. - Ainda não matamos a saudade de vocês.
- Temos outros dias pra nos vermos, Tom. - sorriu para ele. - 'Tô cansada, trabalhei demais hoje.
- , o Ed vem me buscar daqui a pouco. - olhou o relógio para confirmar e Danny fez cara feia ao ouvir o nome do garoto. - Se tu esperar um pouquinho, pega uma carona com ele também.
- 'Tá bom. - ela concordou, mas não gostou da ideia de ficar mais tempo com Harry, queria um tempo sozinha para pensar. Mas alguns minutos não iam matar.
- , tu e o Ed 'tão namorando? - Dougie perguntou inocentemente, querendo matar sua curiosidade e lhe deu um cutucão, mas ele não entendeu.
- Não, Dougie. - respondeu constrangida e viu, de canto de olho, que Danny deu um meio sorriso.
Assim que Ed chegou para levar as garotas em casa, os outros decidiram ir embora também. Até porque os casais ainda queria aproveitar o resto da noite.
A casa de Tom estava com cheiro de fechada, não muito diferente das outras, mas não se importou com isso, muito menos Tom. Estavam animados e ansiosos para matar bem a saudade. Subiram rapidamente até o quarto do garoto, aos beijos e amassos. Ao adentrarem o quarto, Tom segurou a cabeça de e ficou admirando cada detalhe de seu rosto, o que a deixou um pouco constrangida.
- Não faz idéia da saudade que eu fiquei. - ele disse e logo a puxou para beijá-la novamente.
Ele pôde sentir que ela diminuiu alguns centímetros, pois havia tirado seu sapato altíssimo e, assim que ela ficou numa altura regular, Tom começou a puxar sua blusa para cima, deixando-a de sutiã. fez o mesmo com a camiseta dele, jogando em qualquer lugar.
- Eu também morri de tanta saudade. - ela disse, abraçando o tronco nu do garoto.
Seguiram até a cama e deitaram, lentamente. Tom quase lutava com a calça de vinil de . Não foi uma boa idéia ir com ela, é realmente muito difícil tirá-la do corpo. riu e ajudou o garoto, que acabou rindo também, depois do nervoso de não conseguir tirar a peça de roupa. Assim que a calça estava fazendo companhia para as outras roupas no chão, Tom abriu seu cinto e largou sua calça no mesmo lugar. Já sem nenhuma roupa, os dois puderam matar a saudade completamente daquilo que tanto ansiavam.
- Ai, ! - Tom suspirou ao deitar, exausto e abraçar a garota em seu peito. - Eu sei que 'tô sendo repetitivo, mas nunca achei que fosse sentir tanto tua falta.
- Eu sei, Tom. - sorriu. - Também não imaginei que fosse me sentir assim.
- Sabe... Agora que eu 'tô sóbrio vou te fazer uma pergunta, acho que assim tu me leva a sério. - Tom fez suspense, deixando curiosa.
Ele se virou delicadamente, afastando um pouco a garota de si para que pudessem se olhar bem e demorou um pouco para perguntar, deixando apreensiva.
- O que é? Pergunta.
- É que... Eu te amo muito, sabe, né? - Tom perguntou, procurando uma afirmação.
- Claro que sei, Tom! Do mesmo jeito que eu te amo.
- Então, eu te amo, tu me ama...
- Pára de enrolar!
- 'Tá, 'tá. - ele riu. - , eu não consigo mais viver longe de ti. Casa comigo?
ficou sem saber o que dizer, foi um baque ouvir aquele pedido assim, de repente. Ela lembrou da festa de lançamento do cd e que não levou a sério, realmente, o pedido dele por eles estarem numa festa, bebendo, dançando e nunca imaginou que aquilo que ele havia dito não era brincadeira.
- ? - Tom começou a ficar nervoso com a falta de resposta da garota.
- Tom, tu tem noção do que tu 'tá me pedindo? - ele afirmou com a cabeça. - É um pedido muito sério, é pra sempre, Tom!
- É o que eu quero, ! Ficar contigo pra sempre.
- Mas, Tom, estamos juntos há pouco tempo, não tem como se ter tanta certeza de uma decisão dessas.
- Mas eu tenho certeza!
- Mas eu não. - disse, tristemente. - Eu te amo, mas quero continuar assim como a gente 'tá. Namorando já é uma grande coisa. Principalmente pra mim.
Tom ficou calado e visivelmente chateada por ter negado seu pedido.
- Tenta me entender. - ela pediu.
- Tudo bem, . Eu acho que entendo. - ele sorriu fraco. - Tu não tem noção de quanto eu treinei pra te pedir em casamento. Fiquei a turnê inteira pensando em como faria isso.
- Ai, Tom! Não fala assim.
- Não, é sério! 'Tá tudo bem. - ele sorriu, mais convincente. - Vem cá. - e puxou-a de volta para seu peito.
Ficaram uns minutos em silêncio e Tom pôde ouvir a garota rir anasaladamente.
- Que foi?
- Já percebeu que quando tu me pediu em namoro foi a mesma situação? - ela olhou para cima, buscando o garoto, que riu também, ao perceber a coincidência.
- Nossa, eu acho que essa foi a melhor noite que eu tive. - Dougie dizia, após um suspiro, abraçando , que sorria de olhos fechados. Passou as mãos pelas costas nuas da garota, fazendo carinho.
- É que foi comigo, né, Dougie? - se gabou e ele riu, fazendo-a rir também.
- Mas é sério. Gosto tanto de estar contigo.
- Momento declaração, então? - se virou para ele, que deu de ombros, dando a entender que concordava com que ela havia dito. - Tu é meu baixinho preferido, que eu senti muita saudade. - ela sorriu e beijou o garoto a sua frente.
- Não me chama de baixinho! Nem sou tanto assim... - ele fingiu ficar emburrado e ela riu. - E preferido? Quem foram os outros? Quero exclusividade, hein? - eles riram novamente.
- Foi maneira de falar. - disse, sem jeito.
- Ah, o que tu ia falar pra mim aquele dia no telefone que tu disse que era melhor ao vivo. Estamos aqui, agora, pode falar. - ele demonstrou curiosidade e gelou, esperando que ele não fosse lembrar do assunto.
- Nada de mais. - ela disse desviando o olhar. - Nada que possa esperar um momento mais apropriado. Agora, eu quero ficar aqui contigo, sem preocupações e assuntos chatos.
- Então, é chato o assunto?
- Outra hora, Dougie. Por favor. - insistia.
- 'Tá bom, 'tá bom! - ele voltou a abraçá-la, deixando que o silêncio se instalasse por um longo tempo.
estranhou que o garoto não havia falado mais nada e olhou para ele, vendo que estava pegando no sono.
- EI! - ela quase berrou, assustando Dougie. - Tu já vai dormir?
- Eu 'tô cansado da viagem, .
- Mas nem pra aguentar mais um pouquinho? - ela sorriu de um jeito safado que ele se interessou. - Eu disse que queria aproveitar esse momento aqui contigo. – e, de repente, sentou-se sobre ele, colocando cada perna de um lado de seu corpo.
- Pra ti, eu sempre aguento. - Dougie retribuiu o sorriso sacana e pegou sua cintura, apertando-a delicadamente. A garota abaixou-se, buscando a boca dele e assim começaram mais uma vez o que tinham terminado há um tempo. Suados, sincronizados e formados em um só. Poderiam fazer muito mais vezes se não tivessem que, realmente, descansar para o dia seguinte. Mas estavam satisfeitos, sabiam que poderiam repetir a dose em outros dias. Pelo menos, Dougie tinha isso em mente, já tinha suas dúvidas, mesmo querendo ter certeza que continuariam bem.
Capítulo 45
O shopping parecia um formigueiro e as garotas eram umas das formigas que passeavam por lá. Era sábado, obviamente o shopping estaria lotado. Mas justo aquele? Existiam tantos shoppings em Londres, por que justo aquele estava tão insuportavelmente cheio? Elas decidiram parar para respirar numa tão disputada mesa vaga que avistaram na praça de alimentação. E, já que estavam por ali, compraram alguma coisa para comer ou tomar.
- Ok, eu desisto. - tomou um gole de seu chá gelado.
- Não, nada disso! - Daniela pareceu indignada. - Vamos achar uma costureira que faça pra gente, então.
- Mas onde, ? Não temos referência nenhuma, tampouco dinheiro. - descansava sua perna que ainda incomodava um pouco, porém agora sem a bota.
- Eu concordo com a . - falou calmamente. - Se pedirmos para uma costureira, vai ser muito melhor. Será do nosso jeito e único.
- É, por esse lado é melhor mesmo... Mas e o dinheiro? Ninguém faz vestidos de gala baratinho. - disse . - E se for assim, pra pedir, teremos que agir logo e dar um prazo bom para ela. Afinal, são quatro vestidos.
- Gente, esqueceram que eu trabalho numa loja que vende revistas? E que eu 'tô sempre lendo sobre moda? - Daniela falou, como se ela fosse genial. - Sei de algumas, eu anoto telefone e endereço das que me agradam. E nós vamos lá. - Ela levantou rapidamente, fazendo seu copo de refrigerante vazio tombar na mesa.
As garotas haviam sido convidadas para uma festa de gala. Não entenderam muito bem por que motivos e de quem era, só sabiam que era gente importante e não perderiam uma festa assim, podia ser a única vez na vida. McFly estava crescendo e estava criando contatos importantes. Obviamente não esqueceram delas e as chamaram para ir junto.
Chegaram exaustas em casa. Já eram quase nove horas e elas haviam perambulado desde as quatro. Pelo menos, acharam uma costureira que lhes agradassem, depois de muito discutir, pois uma gostava de uma e outra gostava de outra. Mas seus vestidos já estavam encaminhados e ficariam pronto em torno de quatro semanas. Sentaram-se no sofá da sala de , para comerem alguma coisa e ver qualquer filme na televisão. Mas algo pareceu impedir, era o toque do celular de . Todas sabiam quem estava ligando: Tom.
- Oi, Tommy! - falou, ao atender.
- , avisa as gurias que tem festa do Dave hoje. - Tom despejou.
- Tudo bem comigo, Tom, obrigada por perguntar. - ironizou.
- Ai, amor, desculpa! Tudo bem? Como passou o dia?
- 'Tô bem e passei bem, fora o cansaço. Não sei se elas vão querer ir... - olhou para as amigas, que desviaram a atenção da TV para ela ao perceberem que estavam sendo citadas na conversa.
- Ah, , vamos, vai! Vai ser divertido. - Tom insistiu.
- Peraí que eu vou ver com elas. - Colocou a mão sobre o telefone e se direcionou para as amigas que estavam levemente curiosas. - Querem ir na festa do Dave hoje?
- Puta que pariu! - Daniela bateu em sua própria testa.
- Que foi? - perguntou, fazendo cara de dor pela amiga.
- O Ed já tinha me convidado e eu fiquei de confirmar. Ele deve ter ligado trocentas vezes pro meu celular, que ficou no vibracall o dia todo. - Ela disse e se levantou para ir em busca do aparelho.
- E, então, vamos ou não? - perguntou de novo.
- Ah... sei lá. - olhou para , esperando sua resposta.
- Pois é... - e olhou para Daniela, que mexia em seu celular. - Vamos. Vamos? - e olhou para todas.
- Tá, só reclama pro Tom que ele podia nos avisar mais cedo. Assim, teríamos poupado mais energias, mas tudo bem. Vamos lá. - se animou um pouco.
- Vou confirmar pro Ed, então. - Daniela falou de onde estava.
- Ok, nós vamos. - voltou a falar ao telefone com Tom.
- Vou descer e tomar um banho pra me recompor. Vamos pra lá depois se arrumar, certo? - confirmou mais com do que com as outras, pois sabia que elas iriam de qualquer jeito para lá.
Elas afirmaram com a cabeça.
Daniela batia insistentemente na porta do banheiro do andar de baixo. Aparentemente a casa era de Dave mesmo e estava consideravelmente cheia. Alguém havia se trancado no banheiro há horas e não tinha jeito de sair. Daniela não aguentava mais a vontade de fazer xixi e já estava desistindo e indo a procura de outro banheiro, afinal devia ter mais no andar de cima; quando a porta finalmente se abre. A garota se depara com outra, visivelmente mal, crê Daniela que foi devido a bebida, que era liberada e inacabável naquela festa, e que ao levantar a cabeça arregala os olhos em sinal de espanto. Espanto devia sentir Daniela por ver aquela aberração a sua frente, Casey vestia um corpete tomara que caia e uma saia plissada e com camadas, mal se aguentava no mega e fino salto e segurava uma bolsa carteira rosa de oncinha (veja o look) e ainda por cima com aquela cara de enjoo e o cabelo melado de suor. Aquilo sim era motivo de espanto. Quem ela pensava que era para se assustar ao ver Daniela? Casey não se demorou muito e passou rapidamente por ela, talvez para Daniela não ver a desgraça da pessoa, talvez porque ficou realmente assustada, vai saber...
Assim que Daniela saiu do banheiro, se deparou com outro conhecido, mas dessa vez não era ruim. Ou talvez era, se ela soubesse o que o tinha levado até ali a procura dela.
- , demorou tanto! Algum problema? - Ed perguntou, ao vê-la sair do banheiro.
- Não, nenhum. É que tinha uma guria ocupando o banheiro antes e demorou pra sair.
- Hum... - Ed não disse mais nada, parecia inquieto.
Os dois seguiram calados até onde os outros se encontravam. Ele tinha os braços pelos ombros dela, enquanto ela o abraçava pela cintura.
- , vamos pra um lugar em que possamos ficar sozinhos? - ele falou, antes de chegarem no grupinho de amigos.
- 'Tá, vamos. - Ela estranhou, mas resolveu aceitar.
Os dois se sentaram em uma mesa na cozinha, perto da área de serviço, onde poucos iam. Ficaram um tempo quietos, deixando Daniela apreensiva e Ed inquieto. Ele não sabia exatamente como começar o assunto.
- Tu 'tá linda! - ele comentou, olhando para ela de cima a baixo. Sua skinny vermelha com a blusa mais comprida e solta com os escritos de Paris haviam lhe caído perfeitamente bem, sem contar o lindo sapato fechado que tinha nos pés (veja o look).
- Obrigada, Ed. - Daniela disse, sem paciência. - Mas não foi por isso que tu me trouxe até aqui, foi?
- É, não foi...
- O que é, então?
- Eu não sei como te dizer isso sem te pressionar, . - Ele deu uma pausa e ela ficou esperando que ele continuasse. - Na verdade, eu 'tô meio que cansado de tentar ser bonzinho contigo, isso não 'tá me fazendo bem. - Daniela ficou surpresa com o que ele havia dito, mas esperou que continuasse. - Eu tenho esperado a tua resposta por algum tempo e tu não me deu um sinal ainda do que quer. Eu gosto muito de ti e quero namorar contigo. Eu estou certo disso, mas não de que tu goste de mim da mesma forma. - Respirou fundo após falar tudo isso, deixando a garota sem palavras por alguns segundos.
- Desculpa, não é a minha intenção te deixar desse jeito, angustiado. - ela falou, chateada. - É que eu realmente não tenho certeza disso tudo, sinto muito. Mas se eu não tomei uma decisão ainda foi pra não te magoar.
- Não duvido disso, mas eu preciso tomar um rumo na vida e, pra mim, tu faz parte dela.
- Eu... realmente não sei. Talvez eu não esteja pronta.
- Pronta pra quê?
- Pra namorar.
- Pro Danny tu estaria, não? - Ed mostrou um pouco de raiva e ciúmes, e Daniela abriu a boca e balançou a cabeça negativamente. - Acho que essa tua indecisão toda já me responde muita coisa. Se tu não tem certeza, é porque tu não quer. - ele baixou a cabeça por alguns segundos e Daniela ficou observando-o, sem saber o que responder, talvez ele estivesse certo; então, ele se levantou e sumiu no meio das pessoas que aproveitavam a festa.
Daniela ficou ali parada, pensando.
- Pois é, estamos pensando em morar juntos. - Thiago falou, um pouco envergonhado, e rapidamente tomou um gole de sua cerveja para disfarçar.
- Jura? - gritou, mostrando muita alegria. - Ai, sempre achei vocês um casal tão lindo! Tu vai pra casa dela ou ela pra tua?
- Talvez eu vá pra dela, é mais espaçosa e tudo mais. - ele respondeu, voltando ao normal já. - Amy é apegada às coisas dela também. - ele riu fraco.
- Falando nela... - sorriu, ao ver a garota se aproximar, fazendo seu primo se virar para ver.
A garota caminhava fazendo sua blusa solta e estampada balançar conforme o movimento. Sua calça era comum, uma skinny azul, mas seu sapato lindo completava o visual (veja o look).
- Oi, ! - ela a cumprimentou, extremamente simpática. - O Thi já te contou da novidade?
- Sim, Nem acredito! Vocês precisam fazer um chá de panelas para comemorar. - riu, e os dois a acompanharam.
- E tu e o Dougie, não pensam em morar juntos também? - Amy perguntou, fazendo mudar sua expressão.
- Não, não... Nem namoramos oficialmente ainda. - ela riu fraco, tentando disfarçar seu leve incômodo com o assunto.
- Mas a e o Tom já 'tão no caminho, né? - Thiago tentou desviar um pouco o assunto, ao perceber o incomodo da prima.
- Nem me fala. A me disse que o Tom até já pediu ela em casamento, dá pra acreditar? Ela não aceitou, mas praticamente mora lá. - aproveitou a deixa do primo, brincando com suas pulseiras, para não demonstrar que o incômodo ainda continuava.
O casal, automaticamente, observou sua ação e, assim, sem perceber, acabaram percorrendo o olhar por toda sua roupa. Ela vestia uma skinny preta e uma camisa xadrez sem mangas, tendo como toque final um cinto fino na cintura (veja o look)Foram distraídos por Dougie e , que chegaram no grupo falando alto. O garoto rapidamente se juntou a , que fez uma careta adorável para ele. Ele depositou um beijo em sua cabeça.
- Que história é essa de saírem pela festa juntos? - brincou com os recém chegados.
- Ui, 'tá com ciuminho? - fez um movimento engraçado com as mãos.
- A queria companhia para passear pela festa e eu, como um bom cavalheiro, acompanhei a adorável moça. - Dougie respondeu, de forma engraçada. - Até porque a senhora estava bem distraída conversando com o Thiago.
- Ih, já me meteram na história. - Thiago riu.
- Ok, vamos parar com isso. - estava pressentindo que aquela brincadeira podia dar em alguma conversa mais séria que ela não queria falar. - Só porque 'tá sem salto fica aproveitando e caminhando por aí, dona ? Devia usar esse sapato quando não podia usar salto. Isso que deu...
estava com lindas sapatilhas lilás, uma legging cinza e uma blusa com estampas de borboletas (veja o look).
- Nem 'tá me doendo mais a perna, 'tá, dona ? - não deu o braço a torcer, mas todos levaram na esportiva, inclusive ela que riu depois do que falara.
- Ai, Tom, cansei de fazer o social. - reclamava com o namorado. - Vou atrás dos outros, 'tá?
- Peraí, . - Tom a puxou de volta antes mesmo que ela se afastasse. - É só mais aquele ali que 'tá com o Harry.
bufou, mas foi. O garoto que Tom foi fazer o social era desconhecido para ela e conversava animadamente com Harry. A garota que estava ao seu lado, aparentemente sua namorada, parecia entediada com tudo aquilo. Assim que os dois chegaram no grupo, a garota olhou de cima a baixo, de modo extremamente arrogante. Ficou com o olhar parado por uns segundos na skinny azul clara e logo depois abaixou o olhar, visualizando os sapatos vermelhos que tinha pego emprestado de uma das amigas, mas isso ninguém precisa saber; acabando, então, na blusa estampada (veja o look), fazendo ficar completamente incomodada.
- , esses são Freddie e Katie. - Tom apresentou os dois, mas nem deu ouvidos, estava irritada demais com aquela garota petulante.
Encarava-a com uma sobrancelha levantada, como quem diz “perdeu alguma coisa aqui?”. Porém Tom nem percebeu, continuou conversando com os outros garotos, o desconhecido, que até tinha sorrido para ela, e Harry.
- Tom, desculpa, mas vou lá com as gurias. - falou, irritada, e Tom não entendeu muito bem, apenas a deixou ir.
A garota chegou com a cara fechada no grupo, que agora era composto também por Daniela.
- Aconteceu alguma coisa, ? - estranhou.
- E o Tom, cadê? - Daniela perguntou.
- Ficou lá com o Harry e um casal. - ela respondeu, sentando-se num banco alto, que Thiago havia desocupado e oferecido a ela.
- O Danny não 'tava lá também? - Dougie perguntou.
- Não, nem vi ele direito. - ela respondeu.
- Deve 'tá comendo a Casey. - falou, com desprezo, e deu pra sentir um ciúmes no fundo. Mas logo se deu conta de que Amy estava ali e se arrependeu de ter falado aquilo. - Desculpa, Amy. - deu um sorriso amarelo.
- Tudo bem, . Entendo que tu deve ter uma raivinha dela. - Amy falou compreensiva. - E ele não 'tá comendo ela. Não ela, pelo menos. - ela riu sem graça. - Casey 'tá meio bêbada por aí, levou um fora bem bonito dele.
Daniela não se conteve, teve que rir. Ainda mais ao lembrar do estado que ela encontrou a garota há uma hora.
- Quem eu não vi direito foi o Dave. - disse . - E olha que a festa é dele. - riu, fazendo os outros rirem também.
- Esse, sim, deve 'tá comendo a Casey. - Dougie riu escandalosamente, mas viu que os outros não riam e se controlou. - Cara, ele é apaixonado por ela. - tentou se explicar.
- Coitado. - Thiago soltou o comentário automaticamente, fazendo Amy o olhar torto.
- Mas olha, foi só falar! - apontou para Dave, que caminhava, desviando das pessoas, conversando com Ed, que não tinha uma boa aparência.
Ed olhou para onde se direcionavam e tratou de mudar o rumo, deixando todos confusos.
- ... - começou.
- É, nós tivemos uma discussão. - ela respondeu, antes mesmo que perguntassem.
- Ih! O Danny vem logo atrás. - Thiago falou, desviando o assunto. - E sozinho. - sorriu para Daniela.
- Esses dois não morrem tão cedo. - se referia a Dave e Danny.
Danny, vendo que todos o observavam e falavam alguma coisa, que ele imaginava ser sobre ele, começou a sorrir de uma forma engraçada, meio retardado com seu sorriso torto. Daniela sorriu disfarçadamente, abaixando o olhar, para ninguém notar seu derretimento.
- Falavam de mim, né? - Danny continuou rindo do mesmo jeito. - Eu sei que eu sou o máximo e vocês não conseguem viver sem mim e sem falar de mim, mas vocês têm que se acostumar que eu não vou estar sempre na companhia de vocês. Sinto muito, sou um cara muito requisitado, sabe? Tenho uma banda que 'tá fazendo o maior sucesso e tenho milhares de fãs apaixonadas por mim. - ele brincou, fazendo pose.
- Ô, garanhão, fica quietinho aí. Também faço parte dessa banda e também tenho várias fãs apaixonadas por mim. Baixa a bolinha. - Dougie respondeu, rindo.
- Ui, ui, ui, tão se achando, né? - mostrou ciúmes, mas tentava levar na brincadeira.
- Nós não nos achamos, nós somos. - Dougie respondeu pra ela e ela o retribuiu com uma careta.
- É, nós somos. - Harry se metia no assunto sem nem saber o que era. Ele e Tom se juntavam ao grupo. - Somos o quê?
- É, somos o quê? - Tom também se incluía no “somos”.
- O máximo, porque temos a melhor banda do mundo e temos milhares de fãs apaixonadas pela gente. - Danny respondeu, com a mesma feição no rosto.
- Ah, sim. - Harry deu um tapinha no ar. - Mas isso é muito óbvio.
- E nem tem como questionar. - Tom concordava.
- Ai, cansei dessa modéstia de vocês. - disse, disfarçando seu incômodo. Ainda não conseguia conviver muito com Harry. - Alguém quer dar uma volta?
- Eu vou. - , que permanecia quieta, resolveu ir, fazendo todos estranharem seu comportamento, principalmente Tom, pois raramente se separava do garoto.
- Eu também. - Daniela se juntou às duas. Precisava encontrar Ed, não podia deixar aquela discussão sem um fim.
As três então se afastaram do grupo, que conversavam animadamente qualquer assunto aleatório.
- 'Tá, , pode começar a desembuchar. - falou, quando estavam a uma distância segura dos outros.
- É isso aí, fala logo porque eu tenho que encontrar o Ed. - Daniela concordou.
- Falar o quê, gurias? - fingiu não entender.
- Tu acha que a gente não percebeu? 'Tá toda quietinha, longe do Tom. - disse rapidamente.
- É, e tu veio assim desde a voltinha que vocês dois deram pela festa. Alguma coisa aconteceu. - Daniela acrescentou.
- Ai, gurias... - suspirou. - Vocês também são fogo, hein?! Têm algum detector de problemas, por acaso? - mudou o tom de voz.
- Pra amigas, sim. - respondeu sem enrolar. – Agora, vamos lá, conta o que aconteceu.
- Na verdade eu não sei direito. - as amigas olharam confusas e esperaram que ela continuasse. - Uma guria ficou me olhando com uma cara lá. Não gostei dela. Uma amiga do Tom. E, sei lá... Me deu uma má impressão de que o Tom preferiu ficar conversando com ela do que ir comigo até onde vocês 'tavam.
- Ai, ... Acho meio sem sentido essa tua chateação. - Daniela foi franca. - Sinceramente, tu nem conhece a guria, ela pode ser nojentinha e tal, mas quem te disse que o Tom preferiu ficar com ela?
- É, . Nada a ver... Desencana, vai. - começou a andar de novo. - E corre pro teu namorado que 'tá lá sem entender nada. - riu fraco.
- É, talvez eu esteja exagerando. - ela concordou. - Mas vou depois, vou te fazer companhia enquanto a vai encontrar o Ed.
Daniela não demorou muito para encontrar Ed, que ainda estava na companhia de Dave. Ela o olhou de longe e os dois trocaram olhares significativos. A garota, então, se direcionou determinada para onde os dois estavam.
- Oi, Dave. - ela disse, sem olhar diretamente para ele, mantendo o olhar em Ed. - Poderia nos dar licença só um minutinho?
- Claro. 'Tava indo mesmo falar com o Hall. - Dave sentiu que o assunto era sério e arranjou uma desculpa.
- Ainda 'tá brabo comigo? - ela perguntou, assim que o terceiro saiu dali.
- Não, . Não consigo ficar brabo contigo. Só estou pensando em tudo.
- Desculpa, mesmo.
- Só queria uma resposta.
- Eu acho que esse não é o lugar nem o momento de se dar uma resposta como essa.
- Tem razão... - Ed abaixou a cabeça. - Eu ando muito ansioso.
- Podemos pelo menos ficar de bem até o fim da festa? Amanhã te dou a minha resposta. Vou até tua casa e nós conversamos direito sobre tudo. - Daniela falou, colocando sua mão no rosto do garoto, fazendo-o olhar para ela. – Tudo, mesmo. - enfatizou.
Ele apenas concordou com a cabeça, e os dois saíram de mãos dadas dali.
Era o melhor canto da casa. Incrível como eles conseguiam descobrir esses cantos antes de todo mundo. e Dougie haviam fugido do grupo e encontrado, no segundo andar, uma sala que parecia da TV, mas sem TV, nem sofá, apenas um armário fechado encostado em uma parede e um tapete felpudo no chão. E era nesse tapete que os dois se encontravam. Todos os quartos estavam fechados, e só essa sala e o banheiro estavam abertos neste andar. Não podiam deixar passar. Fecharam a porta e aproveitaram. A música mal era ouvida, só se ouvia um som abafado e, claro, as respirações ofegante dos dois.
- Dougie, o que tu comeu, hein? Alguma coisa afrodisíaca? - estranhou um pouco sua animação e afobação.
- Tu. - ele riu, sem desgrudar os lábios do pescoço dela, fazendo-a arregalar os olhos. - Tu tem me deixado assim, . Cada vez eu tenho mais tesão. Sério.
só riu e voltaram a se beijar.
- Espero que isso só aumente daqui pra frente. - ela falou, depois de um tempo.
- Pode ter certeza que sim.
Ela não podia estragar tudo aquilo. Estava tão maravilhoso. Mas, por outro lado, ela não podia deixá-lo sem saber de nada, seria uma falta de consideração com ele. Não, não pensaria sobre isso naquele momento. Pelo menos, aquele momento ela não estragaria. Começou a baixar sua mão e direcioná-la para dentro da calça de Dougie. Ele riu em meio ao beijo, aprovando sua ação.
A animação começou a aumentar cada vez mais, o garoto estava prestes a tirar a blusa de , desabotoando calmamente os botões, quando a porta foi aberta de supetão, fazendo-os pular um para cada lado de susto. Tom e estavam no batente, um pouco espantados, um pouco constrangidos.
- É... Não queríamos atrapalhar... - Tom falou, completamente vermelho, assim como os outros três. - Estávamos procurando vocês... É que... Estamos indo embora. - apontou para trás com o dedão e, após um cutucão de , fechou rapidamente a porta, deixando um Dougie e uma estáticos. Desataram a rir segundos depois.
É, ela não estragaria, mas Tom e , sim.
sentiu algo caminhar cobre seu corpo, não sabia se era sonho ou realidade. Aos poucos foi ouvindo um choro, que foi ficando mais alto na medida em que ela acordava. Era realidade. E era Bili.
- O que tu quer, cachorro? - ela falou mal humorada.
O cão pulou da cama e foi até a porta de entrada, choramingando e olhando ora para ela ora para a porta.
- Isso são horas de querer descer? - se levantou contrariada e colocou seu casaco que estava mais a mão, esperando para que não estivesse muito frio na rua.
Pegou a guia dele, colocando vagarosamente em seu pescoço, deixando o pobre cachorro ainda mais agoniado. Sorte que o elevador se encontrava no andar de cima e não demorou nada para chegar, imaginou que estivesse parado lá desde a hora em que chegaram da festa, deixando , por último, em seu apartamento.
Abriu o portão do prédio e sentiu um medo enorme ao ver um vulto a alguns passos dali. Porém não conseguiu ficar parada ou tentar voltar para dentro do prédio, Bili a puxava com intensa força e, por mais que ele seja pequeno, quando estava necessitado, era muito forte. Tentou puxá-lo para o lado contrário do vulto. A rua estava deserta e podia ver um pedaço do céu começar a ficar mais claro. Não teria ninguém para socorrê-la se aquele homem – sim, tinha certeza que era um homem, uma mulher não seria daquele tamanho e não teria aquele porte – tentasse abusar dela. Ao ouvir os sussurros que falava com o cachorro, para que ele a obedecesse e fosse para o lado contrário e sua movimentação toda, que era para ser silenciosa, o homem se virou para ela e ela ficou estática, sentindo que poderia morrer a qualquer hora. O vulto começou a se aproximar e ela percebeu que ele tinha algo na mão. Agora, tinha certeza que ia morrer, ele tinha uma faca na mão e a mataria com várias facadas no peito e depois a esquartejaria em mil pedaços. Não conseguia se mover, queria correr, mas não tinha jeito do corpo obedecer. Até que o homem estava a uma distância que ela podia enxergar bem seu rosto e o que tinha em sua mão. Se espantou mais ainda ao ver que esse vulto assustador não passava de um conhecido. E bem conhecido. Era nada mais nada menos que Daniel Jones. Sim, Danny. E, em sua mão, carregava uma flor, que não sabia o nome, era daquelas que tinha em qualquer lugar e ele, obviamente, devia ter arrancado no meio do caminho. Ela ainda não conseguia se mover, mas o motivo do susto era outro. Por um lado, estava aliviada por não ser um assassino estuprador, mas, por outro, não conseguia entender o que Danny estava fazendo ali.
- Eu não 'tô bêbado, juro. - ele disse, assim que chegou bem perto dela, levantando os braços e dando um leve sorriso.
- O que tu 'ta fazendo aqui à essa hora? - ela falou finalmente.
- Vim falar contigo.
- Tu deu algum purgante pro meu cachorro pra que me fizesse descer? - perguntou séria e ele riu alto.
- Não, pior que não. Mas não seria uma má idéia. Ainda bem que ele me ajudou. Bom rapaz! - se direcionou ao cachorro, ainda rindo. - Eu ia dar um jeito de te fazer descer... Na verdade, eu 'tava até desistindo, mas tu milagrosamente apareceu.
- 'Tá, mas não tinha outra hora pra vir falar comigo? A gente acabou de se ver na festa...
- Ia falar contigo na festa, mas, com o Ed lá, ficou meio difícil. E não me pergunta por que eu não esperei até amanhã ou até outro dia qualquer. - ele se adiantou, antes que ela perguntasse, porque ela realmente ia perguntar. - Eu não consigo mais aguentar.
- Tem certeza que não 'tá bêbado? - ela ainda não conseguia entender a atitude do garoto.
- Não, juro que não. Sabia que tu não ia querer conversar comigo se eu tivesse bêbado. E eu preciso muito que tu me ouça.
Ela ficou quieta, por um momento, pensando no que estava acontecendo. Aquilo seria um sonho? Claro, era um sonho!
- 'Tá, já entendi! - ela falou sorrindo. - Eu 'tô tendo um sonho bem bizarro.
- Não 'tá, . É a pura realidade. - ele falou sério e ela teve de se convencer, afinal, Danny sério só pode ser sério, mesmo.
- Então, me explica tudo isso. O que tu quer falar comigo?
- Tu não imagina? - ela negou com a cabeça, por mais que pudesse ter uma noção do que ele queria conversar com ela, ainda mais com aquela flor na mão. - , tu é uma lesada mesmo! Será que tu ainda não percebeu que eu 'tô aqui pra tentar te ter de volta? Tu acha que eu faria isso por qualquer uma? Viria no meio da noite atrás de uma guria qualquer? Eu não aguento mais ficar longe de ti! - ele deu um pausa, respirando fundo e continuou, falando calmamente. - Será que tu ainda não percebeu que eu te amo?
ficou sem reação, ouvir tudo aquilo de Danny era surpreendente demais. “Eu te amo” saindo da boca do cara mais galinha que ela já conheceu, do cara mais galinha que ela já se apaixonou e ainda é apaixonada. Ela não podia mais negar que era apaixonada por ele, não agora depois dessa declaração. Ele já havia dito que amava ela, mas ele estava bêbado, nunca acreditaria nas palavras de um cara que não estivesse em sua sã consciência. Mas, agora, não, ele estava sóbrio e sério.
- Eu... - ela não sabia bem o que dizer, ainda estava atordoada com tudo aquilo. O dia passado tinha sido exaustivo, tivera uma conversa séria com Ed há algumas horas, havia recém acordado contrariadamente, Bili continuava puxando a guia, por mais que já tivesse feito suas necessidades e, principalmente, Danny Jones estava na sua frente dizendo que a amava. - Eu devo ser mesmo uma lesada por não perceber tudo isso. - ela falou, depois de um sorriso. - E deve ser por isso que nós combinamos tanto! - ela voltou a sorrir e ele, rapidamente, abriu um sorriso de alívio e felicidade misturados.
abraçou-o pelo pescoço, fazendo-o, automaticamente, abraçá-la pela cintura com certa força e os dois se beijaram, finalmente, depois de muito tempo. Ela não havia esquecido, ainda lembrava do gosto dele, do jeito dele, da maneira como se encaixavam; só havia guardado isso numa gavetinha bem escondida para não sofrer ainda mais com a falta dele. Era maravilhoso! Os dois encerraram o beijo e encostaram suas testas uma na outra.
- Estou desculpado? - ele falou, quebrando o silêncio.
- Tem alguma dúvida?
- Ah! - ele pareceu se lembrar de algo. - Trouxe pra ti. - e entregou-lhe a flor.
- Lesado! - ela riu, pegando a flor da mão dele e lhe deu um leve pedala.
É, agora ela tinha a resposta. E tinha a mais absoluta certeza sobre isso.
Capítulo 46
espreguiçou-se calmamente ainda com os olhos fechados, tinha um leve sorriso no rosto. Virou-se na cama, esticando o braço à procura de Dougie, porém não o encontrou. Abriu os olhos para confirmar a ausência do garoto. Soltou um suspiro fraco e tirou sorriso do rosto ao ver que não tinha ninguém ao seu lado. Isso não era certo, era sempre ela quem acordava primeiro, ele não podia acordar antes e simplesmente levantar e sair por aí, sem avisar ela. Levantou e foi ao banheiro fazer sua higiene. Ao olhar-se no espelho, lembrou que não havia tirado a maquiagem da festa do dia anterior, mas não estava nem um pouco a fim de tirá-la agora. Voltou para o quarto e pegou uma samba canção e uma camiseta velha do garoto para vestir e descer até a cozinha. Antes de sair, deu uma olhada no relógio: uma e quinze. Espantou-se um pouco com o horário, jurava que era mais cedo.
Ao chegar na cozinha, deparou-se com um Dougie completamente atrapalhado tentando cozinhar. Ela riu e se fez perceber.
- Oi, querida. - ele disse, sorrindo pra ela e fazendo um biquinho para que ela fosse até lá beijá-lo.
- Quanto amor! - ela riu, após dar o selinho no garoto. - E esse almoço, sai ou não sai?
- Espero que saia. - ele riu, mexendo uma panela e vendo um livro de receitas que devia ter pego emprestado de Tom. - Viu como sou um cara legal? 'Tô fazendo um almoço lindo pra nós dois. - e fez uma cara meiga, fazendo se derreter.
- Que lindo, Doug! - e levantou de seu banco em frente a bancada para lhe dar outro beijo. - Não quer ajuda, não? - ela estava receosa com o que iria sair dali.
- Não, eu quero fazer nosso almoço.
- Tudo bem. - ela voltou a se sentar.
Alguns minutos se passaram, e eles conversavam qualquer coisa sobre a festa de Dave.
- Mas, sabe, acho que a não gosta daquele Ed. Se eu fosse ela, voltava pro Danny, ele é bem mais legal. - Dougie riu de seu comentário defendendo o amigo.
- Ih, fica aí defendendo teu amigo... Tem que entender o lado dela também. Mesmo eu achando que ela ainda gosta muito do Danny e... - parou de falar e começou a cheirar o ar. - Dougie, acho que tem alguma coisa queimando.
- CARALHO! - Dougie lembrou de seu assado no forno.
Era para ser um frango. Retirou a forma do forno e o alimento estava praticamente preto. Depositou em cima da pia rapidamente para não se queimar. ria baixo da situação, tentando não demonstrar para o garoto não ficar chateado. Ele ficou um tempo olhando para o frango preto e, de repente, lembrou-se do purê de batatas na panela e correu para desligar o fogo.
- Droga, saiu tudo errado. - ele disse, completamente frustrado, e ficou com pena.
- Não saiu nada. Vamos comer porque eu 'tô com fome. - ela tentou animá-lo.
O garoto ainda tinha cortado tomates para enfeitar o frango e o purê. Colocaram tudo na mesa e começaram a refeição. Os dois cortaram um pedaço da ave e pegaram uma colherada do purê. A carne estava completamente crocante e o purê levemente aguado e sem sal. não quis dizer nada, mas a comida havia realmente dado errado, estava horrível. Era gosto de queimado e gosto de nada. Mastigou devagar e engoliu com certa dificuldade, tomou um gole de suco logo em seguida, para tirar o gosto.
- Pode falar, ficou horrível. - Dougie olhava para baixo depois de experimentar sua comida. - Um 'tá sem gosto e outro com gosto de queimado. – falou, apontando para cada alimento.
- Não queria te deixar chateado, mas não 'tá muito bom... - falou baixinho.
- , pode admitir, ficou muito ruim. - ele olhou para ela.
- É, ficou. - ela riu fraco. - Mas já é um começo. Com a experiência vai ficando melhor, pode ter certeza. - sorriu na tentativa de apoiá-lo. Ele riu.
- 'Tá, vamos pedir alguma coisa. - ele levantou e pegou o telefone, discando para alguma telentrega.
ainda não acreditava no que havia acontecido. Ao acordar, não tinha certeza se tinha sonhado ou se era realidade. Mas, ao ver Danny abraçado a ela na cama, teve certeza de que aquilo não podia ter sido um sonho. Ela sorria, lembrando-se da cena da madrugada. Ficou observando o garoto dormir tranquilamente ao seu lado, observava cada detalhe, não conseguia acreditar que havia ficado tanto tempo longe dele. Ele respirava calmamente e ela conseguia ver nos lábios dele um sorriso bem de leve. Sorriu novamente. Passou a mão de leve em seu braço sardento, acariciando lentamente e começou a cantar bem baixo, quase num sussurro, uma música se encaixava perfeitamente no momento.
'Cause a face without freckles is like a sky without the stars
[Porque um rosto sem sardas é igual a um céu sem estrelas]
Why waste a second not loving who you are
[Por que não gastar um segundo amando quem você é?]
Those little imperfections make you
[Essas pequenas imperfeições fazem de você]
Beautiful, lovable, valuable
[Bonito, amável, valioso]
They show your personality inside your heart
[Elas mostram sua personalidade dentro do seu coração]
Reflecting who you are
[Refletindo quem você é]
- Tu 'tá cantando isso pra mim? - Danny falou ainda de olhos fechados, rindo, fazendo a garota ficar vermelha.
- Daria pra avisar quando estiver acordado? - ela falou completamente sem graça.
- Eu adorei a música, sério. - ele disse, abrindo os olhos finalmente e olhamdo para ela.
- Eu gosto dela também.
- , eu 'tô sonhando? - Danny perguntou após um tempo sustentando o olhar com o dela, fazendo-a rir. - Não consigo acreditar que eu finalmente consegui.
- Mas pode acreditar. - ela continuava sem jeito.
- Não vou te largar nunca mais, não vou fazer merda nunca mais. Não posso mais viver longe de ti.
- Eu também não, Danny. - o abraçou fortemente, acomodando-se em seu peitoral nu. - Eu... te amo. - falou com certa dificuldade. Não porque não sentia, mas era difícil para ela falar aquelas palavras, sempre as achou muito forte para serem ditas a qualquer hora, por qualquer um, mas estava certa de que a hora chegara e a pessoa era aquela que estava ali junto dela.
- Eu te amo também, muito. - ele falava sério. achava aquilo incrível, não era sempre que Danny falava sério. - Não sei por que demorei tanto para perceber isso, fui um bundão.
- Não foi nada... - falou abobada. - 'Tá, foi um pouco, sim. - caiu na real e lembrou-se da festa de ano novo. Eles riram.
- Eu poderia ficar assim pra sempre.
- Ah, claro. E esquecer-se do mundo, da banda, dos amigos...
- Claro, eu esqueceria todos por ti.
- Ai, momento declaração agora. - ela riu, corada. - Mas vou ter que te decepcionar. Precisamos levantar, 'tô morrendo de fome.
- Tudo bem, por isso eu te esqueço. - ele falou, começando a levantar-se.
- Seu idiota! - deu-lhe um tapa no braço e os dois riram.
- Isso doeu, ok?
- Era para doer, mesmo.
Os dois se surpreenderam com a porta do apartamento abrindo. Sorte deles que já haviam se vestido.
- ! - entrou, cantarolando, e tomou um tremendo susto ao ver aquela cena. - Oi... Danny?!
- Oi, . - ele riu.
- Gente, eu acordei, mesmo? - ainda não acreditava no que via, e revirou os olhos ao ouvir aquela frase pela terceira vez em poucas horas.
- Sim, . Nós nos acertamos. - falou encabulada.
- Ai, jura? - a garota abriu um sorriso enorme. - Que lindo, precisamos comemorar! - ela fez os dois rirem. - Putz, sou bem idiota mesmo. 'Tô aqui atrapalhando a reconciliação de vocês. - sorriu amarelo.
- Que nada! Íamos almoçar, não 'tá a fim de comer junto? - Danny tomou a liberdade de convidar a garota.
- Não vou incomodar mesmo?
- Claro que não, . - falou como se fosse óbvio.
- , vamos almoçar? - Tom chamou a garota que assitia a TV atentamente.
- Agora, não, Tom! - ela falou grosseiramente. - 'Tá dando House.
- Mas já 'tá pronto. Eu fiz com tanto carinho... - ele ficou chateado.
- Já vou. Só mais duas partes.
O garoto, então, voltou para cozinha e, só de birra, começou a comer o seu almoço sem esperar a namorada.
Vinte minutos depois, ela apareceu na cozinha, como se nada tivesse acontecido.
- E, então, vamos comer? - ela disse, sorrindo.
- Já comi. - ele falou seco e se levantou, direcionando-se para a pia, onde começou a lavar a louça suja.
- Quê? Mas sem me esperar? - ficou extremamente ofendida. - Poxa, Tom...
- , não me venha com suas lamentações. - Tom disse visivelmente brabo. - Eu te chamei naquela hora pra comermos juntos o almoço que eu fiz pra nós dois e tu fica lá vendo House, sem nem se importar comigo.
- Não achei que tu fosse ficar chateado por isso. - falou “isso” mostrando ser muito insignificante.
- Mas fiquei. E não foi a primeira vez que tu me troca por um programa de televisão.
- Então, 'tá, Tom. - disse mais irritada. - Se tu 'tá tão incomodado com isso, eu vou embora e te deixo sem a péssima companhia que eu te proporciono. - dramatizou e saiu da cozinha, pegando suas coisas e indo embora.
Ao sair, percebeu que teria que ir a pé, pois não estava de carro, ninguém a levaria e nem tinha dinheiro para pegar um táxi. Pensou em que estava na casa a frente, mas não iria atrapalhar a amiga. E ela não estava com o carro, mesmo. Soltou um longo suspiro e começou a caminhar até em casa. Não era tão longe assim, afinal. Pensamento positivo não costuma falhar.
Os dois estavam em silêncio olhando TV, um ao lado do outro. nem prestava atenção no que se passava por ela, só pensava em tomar coragem para falar tudo que precisava. Aquele parecia um ótimo momento. Nada de pessoas em volta, nenhuma festividade, nada que atrapalhasse. Era a hora. Só faltava a coragem, mas ela estava decidida a combatê-la.
- Dougie... - ela o chamou.
- Hum? - ele continuou olhando para a televisão.
- Podemos conversar?
- Claro. Fala aí. - ainda olhava a TV.
- É sério. - ela disse, virando o corpo em direção ao dele. - Preciso que preste atenção em mim e não na TV.
- O que tu tem de tão sério pra me contar? - ele se virou um pouco receoso, mas preferiu fazer o que ela havia pedido.
- Vamos ser sinceros com a gente mesmo? - ela começava a assustar o garoto.
- Sempre fui sincero contigo, . O que 'tá acontecendo?
- Podemos fazer uma combinação? - ela deu uma pausa, respirando fundo. - Acho que nós dois temos coisas para contar.
- Eu tenho? - ele, além de assustado, estava confuso.
- Acredito que sim. Aquele dia que vocês chegaram e a gente foi pro pub e vocês 'tavam falando de uma festa da turnê, o Danny insinuou alguma coisa sobre tu gostar muito da festa. - ela disse sem saber como perguntar. - Aconteceu alguma coisa que eu não saiba? Alguma garota?
- , não acredito que tu ainda 'tá pensando nisso.
- Sinceridade, Dougie. 'Tô preparada pra ouvir, de verdade. - ela disse com muita certeza.
- Não tem nada pra ouvir.
- Dougie, por favor.
- 'Tá, ... - ele se deu por vencido e ela estremeceu com o que ele iria contar. - Naquela festa, eu quase fiquei com uma guria. Quase. Não foi nada. - ele ficou quieto, mas não disse nada. - É verdade. Juro, 'tô sendo sincero. A guria era linda, não posso discordar, ela 'tava me dando muito mole, mas eu não fiquei.
começou a chorar, e Dougie não estava entendendo mais nada. Ela se sentia culpada, muito idiota. Se sentia podre. Ele não ficou com ninguém, pensando nela e ela não. Ela foi fraca, imbecil, infiel.
- , que foi? Eu te falei a verdade. Eu não fiquei com a guria, nem lembro o nome dela.
- Eu acredito, Dougie. - ela falou, fungando e voltando a conversa. Afinal, ela precisava contar a sua história agora.
- Mas por que 'tá chorando, então?
- É a minha vez de contar, né? - ela preferiu não responder diretamente a pergunta dele. Dougie apenas concordou com a cabeça, ainda meio confuso com aquela história toda. - A gente também foi numa festa, enquanto vocês estavam fora.
- Sim, o Tom me disse. - ele começou a ficar desconfiado.
- E eu fui uma fraca. - ela começou a chorar novamente e ele a ouvia atentamente, já começando a entender tudo. - Eu fiquei com o Will, Dougie.
Um silêncio permaneceu por alguns longos segundos.
- Eu posso até começar a me explicar, mas sei que nada justifica o que eu fiz. 'Tô me sentindo péssima desde o dia que aconteceu.
- E por que não me contou antes? - ele parecia estar processando a história.
- Porque, além de eu ser uma fraca, sou uma covarde. Tive medo. - ela continuava a chorar. - Medo de te perder.
- , eu preciso ficar sozinho. - ele disse com os olhos marejados. - Preciso que tu vá embora e me deixe aqui. Eu não tenho capacidade de pensar em nada contigo chorando feito uma louca aí. - ele falou mais fortemente, fazendo-a chorar mais ainda.
- Desculpa, Dougie. Por favor!
- , eu que peço por favor. - ele se levantou, sem olhar para ela, apontando para a porta.
Ela levantou-se e subiu para colocar sua roupa e pegar suas coisas. Desceu as escadas e pôde ver Dougie sentado com a cabeça entre as mãos, olhando para o chão. Ficou um tempo parada na entrada da sala, apenas olhando para ele, ainda chorando. Ele não se moveu, mesmo sabendo que ela estava ali parada. , então, seguiu até a porta e, ao abrir, deu de cara com Harry, que primeiramente estava com um sorriso simpático para ela, mas logo viu que as coisas não estavam muito bem por ali.
- ? 'Tá chorando? - ele falou, abaixando-se um pouco para ver seu rosto. Ela o abraçou. - O que aconteceu?
Ela não respondeu, apenas ficou abraçada a ele no meio da varanda da casa de Dougie. Ele a acariciava as costas, preferindo não dizer mais nada. Após um tempo, ela se desprendeu do abraço e olhou para ele.
- Acho que ele 'tá precisando de um ombro amigo. - apontou para dentro da casa.
- E tu, ? - ele ficou preocupado.
- Eu tenho três ombros amigos me esperando. Não te preocupa. - ela disse, sorrindo fraco, apenas para convencer o garoto que ela ficaria bem e que era melhor ele entrar e dar um apoio a Dougie.
Caminhava mais rápido que o normal, precisava muito chegar em casa. As pessoas passavam por ela e a olhavam com certa curiosidade, umas estranhando, outras sentindo pena, mas ela não estava se importando com essas pessoas, nem percebia se alguém passasse por ela. Só sentia suas lágrimas correrem pelo seu rosto, sentindo elas meio densas. Logo lembrou-se da maquiagem. Legal, além de arrasada chorando pelas ruas, ainda estava com a maquiagem mais borrada do que na hora em que acordara. Por um momento, olhou para frente. E a alguns passos dela estava uma pessoa caminhando com um sapato vermelho na mão e de pés descalços no chão. Conhecia aqueles sapatos. E aquela skinny azul também. Peraí, conhecia aquela pessoa. Era . O que ela fazia caminhando de pés descalços? Correu um pouco para alcançá-la.
- ! - chamou. A garota olhou para trás e se espantou.
- ? – disse, ainda surpresa. - O que aconteceu? - percebeu que a amiga estava chorando, até porque sua maquiagem borrada não disfarçava nem um pouco.
Esperou a garota se aproximar completamente e a segurou pelos ombros, olhando para seu rosto.
- Eu contei tudo pra ele, . - disse, voltando a chorar.
só abraçou a amiga, saberia que nada o que ela falasse ajudaria naquela situação.
- Vamos pra casa. - ela achou que era o melhor que podia ser dito.
- É o que eu mais quero.
As duas seguiram caladas. Até que parou, olhando para a amiga ao lado.
- Mas o que tu 'tá fazendo aqui caminhando pra casa?
- Eu me desentendi com o Tom. - ela disse calmamente. - Mas não é nada importante. - disse para não deixar a amiga ainda pior.
esperava, sentada em um banco do parque. Sentiu se celular vibrar dentro da bolsa, era uma mensagem. “Desculpa, aconteceu uns problemas aqui. Não vou poder ir. A gente marca outro dia. Desculpa mesmo. Beijo”
Era Harry. não havia voltado com ele, apenas estava dando a chance de voltarem a se falar. Ele pediu para que se encontrassem no parque para passarem a tarde juntos e ela resolveu aceitar, deixando tudo muito claro sobre as intenções dela. Era só passar a tarde juntos, nada além disso. Mas, pelo jeito, nem isso sairia. A garota se sentiu um pouco chateada. Apesar de tudo, ainda gostava do garoto, estava animada para aquele passeio. Era no mesmo parque onde eles andaram de bicicleta dupla. Lembrou-se do tombo que levou e riu sozinha. Sentiu alguém se aproximar e sentar ao seu lado.
- Gostaria de compartilhar este momento engraçado?
- Mitch! - ficou surpresa com a presença do garoto. Fazia um certo tempo que não o via.
- Olá! Eu mesmo! - sorriu simpático para ela. - Não vai me contar do que estava achando tanta graça?
- 'Tava me lembrando de um dia que eu passei aqui nesse parque. Um dia divertido. - ela sorriu, voltando a lembrar.
- Parece ter sido bom.
- Foi sim. - ela deu uma pausa, mas logo voltou para o dia atual. - Mas e tu, o que 'tá fazendo por aqui? Não tenho te visto mais lá no prédio.
- Passeando só. 'Tava num tédio lá em casa, a Rosie saiu com o novo namorado e eu fiquei sozinho.
- A Rosie 'tá namorando e não me disse? - falou indignada.
- Ih, vai ter que resolver isso com ela. - se isentou de qualquer problema. – E, sim, ando sumido, mesmo. – falou, respondendo a outra pergunta da garota. - Vou começar em outro emprego.
- Como assim? - ela perguntou decepcionada.
- Tive uma proposta melhor. Bem melhor, por sinal. - Mitch enfatizou. - Aquele dia no restaurante, lembra? Pois é, foi minha primeira entrevista. Teve um monte de burocracias, passei por quinhentas etapas, mas consegui passar. Agora vou trabalhar num escritório de computação, trabalhando com o que me formei.
- Que ótimo, Mitch! - disse, sem ânimo nenhum. – Mas, então, eu não vou mais te ver?
- Mas é claro que vai. Tu não vai escapar tão fácil de mim. - ele riu, fazendo-a rir também. – E, além do mais, esse escritório não é muito longe do prédio onde tu e a Rosie trabalham. Meia quadra só.
- Ah, que bom, então! – agora, falou mais empolgada. - Mas quem sabe tu me conta melhor sobre esse novo emprego dando umas voltas pelo parque? Me acompanha?
- Seria uma honra. - Mitch se levantou, oferecendo a mão para ela se levantar também.
Os dois caminharam por horas, até se esqueceu da pequena chateação que tivera mais cedo com Harry. A companhia de Mitch conseguia ser muito agradável fazendo-a esquecer de muita coisa, até da hora.
Capítulo 47
- Ei! Vamos com calma! - Philippe colocou a mão no peito de Tom, impedindo que ele continuasse.
- Eu vim falar com a . - ele disse seco, se livrando da mão do garoto. - E já sei que ela 'tá na salinha.
- Sim, ela está. Mas 'tá trabalhando e tu vai atrapalhar.
Tom não se importou com o que Phil tinha dito, seguiu em frente abrindo rapidamente a porta que dava para a sala que eles assistiam os filmes, o que assustou . (veja o look)
- Tom? - ela estranhou, após o pulo que deu quando a porta foi aberta.
- Preciso falar contigo.
- Juro que tentei evitar, . - Phil apareceu logo atrás.
- 'Brigada, Phil, mas pode deixar. Se tu não se incomodar, claro.
- Imagina. - ele foi irônico, porém deixou que os dois ficassem sozinhos.
ligou a luz e deu pause no filme que rodava. Cruzou os braços em frente do garoto e esperou que ele começasse.
- 'Tá tudo bem entre a gente? - ele perguntou inseguro.
- Não sei, Tom. Eu que te pergunto. 'Tá tudo bem entre a gente? - a garota falou séria, repetindo o que Tom havia dito.
- Pois é, não sei... - Tom coçou a cabeça. - Por mim nós estamos.
- E tu veio até aqui, atrapalhar meu serviço pra confirmar se nós estávamos bem? Não dava pra esperar até eu sair?
- É que eu 'tava ficando nervoso com essa situação. Tu saiu lá de casa muito braba ontem.
- É, eu 'tava e ainda 'tô braba, Tom!
- Desculpa. - ele olhou para baixo. - Mas tu me deixou irritado, .
- Eu te deixei irritada? Porra, Tom, tu não me esperou pra almoçar, porque deu um piti que eu te troquei pela televisão!
- Mas isso é verdade! Não foi a primeira vez. - agora Tom também estava sério. - Poxa, , eu fiz um almoço legal pra gente e tu nem dá bola. Fica lá assistindo House ou sei lá o que.
- Achei que tu gostasse de ver TV também. - ela disse, se sentindo um pouco culpada.
- Isso não faz diferença! É óbvio que eu gosto, mas naquela hora o almoço estava pronto e tu nem na minha cara olhou.
- É que...
- E não é a primeira vez. - Tom não deixou falar. - Quantas vezes tu adiou ou se atrasou pra algum encontro, por causa de uma série qualquer na televisão? Eu achei que fosse teu namorado e que tu gostasse de mim.
- Eu gosto de ti, Tom! - estava se sentindo muito culpada agora. - Aliás, eu te amo. - se aproximou dele, encostando suas mãos delicadamente nas bochechas do garoto. - Desculpa. Mesmo. Não tinha percebido a bobagem que tenho feito.
- Eu também te amo, . - Tom a abraçou pela cintura, aproximando seus corpos. - E não quero mais brigar contigo por bobagens dessas.
- A gente não precisa mais brigar por bobagens se pudermos manter um diálogo civilizado como esse, esclarecendo nossas chateações. - ela sorriu para ele, que concordou com a cabeça e sorriu de volta, aproximando seus rostos e selando seus lábios. Ficaram alguns instantes com os lábios juntos, num selinho prolongado.
- É por isso que eu quero casar contigo. - ele sorriu ao afastar um pouco o rosto dela, porém encostando suas testas.
- Tom, já falamos sobre isso.
- É sério, quando eu acordo a primeira coisa que eu quero ver é teu rosto. - ele disse olhando fixamente nos olhos de , que riu abobada.
- Ain, Tom... - ela gemeu sem saber direito o motivo.
- , vem morar comigo pelo menos. Depois a gente pensa em casamento. - Tom propôs, desgrudando suas testas para poder ver melhor a reação da garota.
- Ain, Tom... - ela repetiu o gemido e eles riram. - 'Tá, eu juro que vou pensar nisso. Não posso te dar uma resposta agora. - Ele sorriu vitorioso e lhe beijou com mais intensidade. - Mas só se tu prometer ser meu pinguim.
Tom não compreendeu o que a garota quis dizer com aquilo. Ela percebeu e fez sinal com a cabeça para a televisão atrás deles. Na tela podia-se ver a cena de dois pinguins com as cabeças encostadas uma na outra. O garoto sorriu, entendendo o que ela quis dizer.
- A Marcha dos Pinguins. - falou o nome do filme, mostrando que havia entendido. - Tem alguma dúvida?
Ela sorriu largamente e beijou-o novamente.
O movimento da rua estava divertido, queria muito mais estar lá fora do que dentro daquela livraria monótona. A vida lá fora estava mais divertido. A vida lá fora tinha Danny Jones. estava radiante, sorria pelos cantos sozinha.
- Fazia tempo que eu não te via assim. - Rupert comentou com a amiga.
- É, fazia tempo que eu não me sentia assim. - ela sorriu de volta. - Vou respirar um pouco o ar ali fora. - saiu cantarolando uma música qualquer, deixando um Rupert rindo dela.
Olhava em volta como quem nunca tinha visto aquela paisagem antes, até que viu Tom sair da locadora ao lado, onde trabalhava. Sabia que eles haviam se desentendido e ficou curiosa para saber se eles estavam de bem novamente. Queria todo mundo de bem, afinal ela estava de bem com Danny. Ok, isso já está ficando chato e meloso. Deu uma rápida olhada para dentro da loja e viu que ninguém estava a observando e, então, correu para a locadora. Viu apenas Phil com uma cara péssima atrás do balcão.
- Hey, Phil! Cadê a ? - ela perguntou antes de chegar perto dele.
- 'Tá lá dentro vendo um filme. - o garoto apontou para a porta fechada atrás dele.
- Ih, que cara péssima tu 'tá hoje, hein? Vamos se animar, Phil! - ela sorriu e o garoto não respondeu. - Aconteceu alguma coisa? Eu vi o Tom saindo daqui...
- Eles conversaram lá dentro. - disse simplesmente.
- E eu posso ir lá falar com ela também?
- Acho melhor não, . - Phil foi seco. - Já atrapalharam demais o serviço dela.
- Tudo bem, desculpa. Não 'tá mais aqui quem incomodou. - levantou os braços como quem se rende e se virou para voltar ao seu trabalho.
Pelo jeito de Phil, e Tom haviam se entendido. Ela sabia que o garoto era doido por e sempre ficava irritado quando Tom aparecia por lá. Ela riu sozinha, sentindo uma leve pena dele. De repente lembrou de algo muito importante: Ed. Ainda não havia conversado com o garoto e tinha combinado de ir na casa dele no domingo para resolver tudo, deixar tudo claro. Esperava que ele entendesse. Acreditava que sim, pois na festa parecia aberto a qualquer decisão dela. É, ele iria entender. E iria conversar com ele no horário do almoço. Agora voltaria para livraria antes que seu Oscar percebesse sua ausência.
Chamava, chamava e ninguém atendia. Dougie não atendia. Mas ela não desistiria. Precisava muito falar com ele. Discou o número pela sétima vez.
- Alô. - finalmente a voz do garoto pode ser ouvida. Não era nem um pouco agradável seu tom de voz, mas estava feliz por ele ter atendido.
- Dougie! - ela sorriu e ele ficou quieto. - Queria falar contigo.
- Fala. - disse seco.
- Ah, sei lá, não é nada concreto na verdade. Só queria conversar.
- Não 'tô com tempo pra conversar, .
- Não desliga, por favor! - ela se precipitou, antes que ele finalizasse a ligação. - Só me diz se a gente vai continuar bem.
- Olha, , eu não tenho como te responder ainda. Pra ser bem sincero, no momento eu nem quero falar contigo e pensar nisso tudo. Por favor, me dá um tempo.
- Quanto tempo? Não quero deixar de falar contigo, Dougie. - ela estava quase chorando novamente. - Me desculpa por tudo, por favor!
- , um tempo. Tchau. - e desligou.
ficou olhando seu celular por um instante, até que os garotos que cuidava apareceram, fazendo-a sair do transe.
- Eu volto pra escolinha segunda-feira, sabia? - Johnny falou encostando nas pernas de .
- É mesmo, Johnny? - ela tentou se mostrar animada. - 'Tá feliz?
- Sim! Adoro ir pra escolinha!
- Bons tempos esses! - pensou alto e riu fraco.
- Tiiiia! - Jimmy a chamou.
- Que foi, querido?
- Po que tu num binca mais cumigo?
- Oun, Jimmy, desculpa. Vamos brincar de que? - não respondeu a pergunta do garoto, mas entendeu porque perguntava.
- De bate-bate. - mostrou a caixa do jogo, que estava na mesinha pequena ao seu lado.
- Oba, adoro bate-bate. - Johnny falou se juntando aos dois.
- Johnny não! - Jimmy o empurrou.
- Jimmy, que feio! O Johnny vai jogar com a gente, sim. - foi mais dura. - Nós todos, ou então ninguém joga.
O garotinho aceitou emburrado, mas logo em seguida já estava animado batendo sua mãozinha nas figuras que achava que era igual a que estava sendo pedida, sempre errava. dava algumas chances para os dois, afinal aquele jogo era ridiculamente fácil para ela.
- Eu não sei o que fazer, cara! - Dougie guardava o celular no bolso, logo após um momento de silêncio pensando.
- Acho que eu não sou a melhor pessoa pra te ajudar. - Thiago falou do outro lado do balcão.
- Entendo. - Dougie disse compreensivo. - Mas sabe, o que ela fez me deixou muito mal. Cara, eu fiquei o tempo todo pensando nela naquela turnê e ela aqui aproveitando minha ausência. - tomou um gole de seu café.
- Não foi bem assim, Dougie. - Thiago tomou as dores da prima.
- Thiago, ela ficou com outro cara! E teve a cara de pau de me contar!
- Preferia ficar sem saber? Achei muito honesto da parte dela.
- É... - Dougie coçou a cabeça. - Por esse lado tu tem razão, acho que foi melhor. Mas ainda fico puto com o fato de ela nem pensar em mim.
- Não fala o que tu não sabe, cara. - Thiago tentou ser o mais amigável possível. - Ela pensou em ti todos os dias dessa turnê. Só que ela mesmo me disse, vocês estavam namorando? Tinham oficializado alguma coisa? Ela 'tava confusa.
- Pensou em mim todos os dias, menos o que ela ficou com aquele falso italiano. - tomou o último gole do café que já estava morno. - E não oficializamos nada mesmo, mas pra mim 'tava claro que tínhamos um compromisso. Tanto que não peguei ninguém.
- Olha, acho que tu fez muito certo e não posso dizer o mesmo da . Mas ela pensou sim em ti no dia que ficou com o Will.
- Ah é? Pensou que estava colocando duas guampas lindas na minha testa?
- Pensou em ti e lembrou que gostava, tanto que impediu que acontecesse algo mais entre eles. Foi por tua causa que ela não transou com ele.
- Que? - Dougie berrou e todos na cafeteria olharam para ele. - Então eles chegaram a transar? - bufava.
- Cara, não foi isso que eu disse. - Thiago se amaldiçoava mentalmente por dizer aquilo. - Eu disse que ela não deixou que rolasse nada a mais por que pensou em ti, sentiu remorso. Ela gosta de ti, cara! Só por essa ligação deu pra perceber.
- Remorso. - repetiu ainda bufando. - Não preciso de remorso. - levantou furioso do banco alto em frente ao balcão, deixando Thiago chateado pelo rumo que a conversa tomou. Ele só queria ajudar e acabou piorando ainda mais a situação.
digitava concentrada algum relatório para o Sr. Windsor e nem percebeu a chegada de Mitch.
- , eu tenho que te entregar isso aqui que... - ele começou a falar, mas viu que ela não ouviu. - ? - continuou concentrada no computador. - ! - chamou mais alto e ela pulou na cadeira (veja o look).
- Ai, que susto! - ela colocou a mão no peito e ele riu. - Que foi?
- Te chamei umas três vezes. - ele disse ainda risonho. - Olha, deixaram pra ti lá na recepção, vim te entregar. - ele lhe entregou um envelope sem remetente.
- Ah, obrigada! E desculpa por não te ouvir, 'tava concentrada nesse relatório, tenho que entregar antes do almoço. - ela sorriu.
- Que isso! Sem problemas! - ele sorriu de volta. - Aliás, eu queria mesmo falar contigo. Hoje é meu último dia aqui.
- Ah não, sério? - ela tirou o sorriso do rosto.
- Sério. - ele riu fraco. - Então, a Rose vai fazer uma mini festa de despedida pra mim lá em cima depois do expediente. Não vai faltar, né?
- Claro que não! Estarei lá sem falta. - voltou a sorrir.
- Vou te esperar. - e saiu da sala.
olhou bem o envelope antes de abrir, uma curiosidade sem tamanho percorreu todo seu corpo e sua imaginação fluiu só olhando aquele pedaço de papel. Ao invés de abrir logo ficou pensando o que poderia ser e quem poderia ter mandado. Sorriu com alguns pensamentos que lhe veio em mente. Virou novamente o envelope para confirmar que faltava o remetente e realmente faltava. Resolveu abrir, finalmente. Seu perfeccionismo não deixou que o papel rasgasse, então foi puxando lentamente a abinha para cima, saindo inteira como queria. Sorriu com a vitória. Puxou o papel de dentro, desdobrou e começou a ler. Qualquer pessoa que estivesse com ela estaria aflita para saber o que tinha escrito de tanto que demorou pra abrir.
“Para me redimir do “bolo” de ontem, aceita jantar comigo hoje? Tenho uma surpresa pra ti. Beijos, Harry Judd.”
Ela sorriu sozinha ao ler o bilhetinho. Harry estava conseguindo agradar , para não dizer reconquistar. Ainda era cedo para afirmar isso, porém estava gostando das atitudes do garoto. Guardou o bilhetinho em sua bolsa e continuou o trabalho. Minutos depois bateu um estalo.
- Mas onde? - perguntou para ninguém, rindo em seguida.
Pegou seu telefone e discou o número de Harry.
- Alô, adorável . - ele atendeu muito rápido e de muito bom humor. Ela riu.
- Oi, Harry. - falou sem graça. Ainda não estava acostumada com aquele carinho todo. - Me convida pra jantar e não diz onde é?
- Outch! Falha do conquistador. - ele bateu em sua testa e pode ouvir do outro lado da linha. Ela franziu a testa imaginando a dor daquele tapa. - Pode ser naquele pub que a gente foi quando eu e os caras chegamos da turnê. Tem jantar lá também.
- Por mim 'tá perfeito. - ela sorriu.
- Isso quer dizer que tu vem?
- Claro, já que tu 'tá se redimindo, tenho que ir, né?
- Tem que ir? - ele fez uma careta, mesmo sem ela ver.
- Ai, não foi desse jeito que eu quis dizer. - ela riu. - Eu vou porque quero ir e gostei da tua atitude. Melhor assim?
- Bem melhor!
- Mas e essa surpresa? O que é, hein? - perguntou curiosa.
- Se é surpresa eu não posso dizer, oras! - ele riu da curiosidade da garota, fazendo-a rir também.
- Aaai, 'tá bom. Eu espero até a hora do jantar. - disse, dando uma pausa. - Ah, falando em hora do jantar, que horas vai ser?
- Que merda! Outra falha! - Harry falou mais indignado dessa vez. - Oito horas tá bom?
- Que péssimo conquistador! - ela brincou e ele riu. - Oito 'tá ótimo. Mas agora vou ter que desligar, tenho que terminar um relatório até a hora do almoço.
- Ih, corre lá então. - ele falou compreensivo. - Tenho que ir também, 'tão me chamando aqui pra uma entrevista. A mulher acabou de chegar. Beijo.
- Beijo.
Ela passou pelo porteiro, que já a conhecida, dando apenas um aceno e um sorriso, estava aflita. Esperou o elevador chegar até o térreo e entrou logo em seguida, fechando a porta rapidamente após apertar no andar que Ed morava. saiu do elevador e parou em frente a porta do garoto, hesitando por um momento continuar. Quando ia apertar a campainha, a porta se abriu. Ficou parada observando a pessoa também parada em frente a ela (veja o look).
- Te esperei o dia inteiro ontem. - Ed falou, sem vontade nenhuma.
- Desculpa. Eu acabei esquecendo. - ela falou, sabendo que não era uma desculpa muito boa, mas preferiu não mentir.
Ele não respondeu, apenas deu espaço para ela entrar. E ela o fez.
- Não queria te pressionar. - ele disse ao ver passar por ele.
- Não me pressionou, juro. - ela sorriu amigavelmente. - Na verdade me ajudou a tomar uma decisão.
- Pode falar, já 'tô esperando o pior mesmo. - Ed disse cabisbaixo, sentando-se no braço do sofá.
sentiu pena do garoto. Ele era tão lindo, tão querido, tão adorável, mas para ela não era amável, não conseguia chegar a esse nível. Sentia pena ao ver que por parte dele, ela era amável. O sentimento não era recíproco como tinha que ser para um relacionamento ir adiante. Quem ela amava não estava ali.
- Odeio ter que falar isso, Ed. - ela o olhou com suplica no olhar.
- , eu não sou um merda que desmorona com um pé na bunda, eu vou superar.
- Bom, espero mesmo que tu não desmorone, porque apesar de tudo, eu gosto muito de ti.
- Mas não o suficiente. - ele completou.
- É, não o suficiente. - ela concordou. - Acho que tu tinha razão na festa, quando disse que pro Danny eu estaria pronta pra namorar. Desculpa, Ed, mas eu amo ele.
Ed baixou a cabeça, mas pode ver uma lágrima escorrendo pelo seu rosto. Sentiu-se pior ainda. Ela era horrível por fazer aquilo com uma pessoa.
- E eu te amo, . - ele falou num sussurro ainda com a cabeça baixa.
- Ai, Ed, não faz isso comigo! - não conseguia segurar as lágrimas.
- Desculpa, não quero que tu te sinta mal. - ele falou sincero. - Só queria ser o escolhido.
- Tem tantas maneiras de ser escolhido. E tu não deixa de ser meu escolhido.
- Fui escolhido para um passatempo? - ele olhou nos olhos dela.
- Não! Absolutamente não! - ela se ofendeu. – Ed, eu gosto de ti, fiquei contigo porque eu tinha um sentimento por ti mais forte que com um simples passatempo. Tu foi o meu escolhido para passar esse tempo, meu escolhido para ser meu amigo. Meu amigo lindo, diga-se de passagem. - tentou brincar, mas ele nem ao menos sorriu. - Isso se tu aceitar ser meu amigo.
- Só me resta isso, não é? - ele disse, limpando mais uma lágrima que corria. - Não quero te perder, pra isso eu aceito ser seu “amigo lindo”. - ele fez aspas com os dedos no ar e pode ver um sorriso fraco em seus lábios.
- Como tu consegue ser tão compreensivo e adorável? - ela sorriu abraçando-o.
- Não sou tão compreensivo assim, . - ele disse afastando a garota do abraço. - Só não posso lutar contra. Eu perco com dignidade.
- Por isso que eu te admiro! - ela voltou a abraçá-lo e dessa vez ele retribui. - Obrigada por me entender, mesmo dizendo que aceitou perder.
Os dois ficaram alguns minutos abraçados. Cada um com um sentimento diferente envolvido naquele abraço, mas podendo sentir um ao outro, desculpar um ao outro, agradecer um ao outro.
- Preciso ir, amigo lindo. - ela frisou a ultima expressão, ainda abraçada. - Senão não almoço.
- Ok, amiga linda. - ele riu fraco, mas com mais vontade dessa vez. - Eu preciso terminar meu livro. Isso não é dia de se ter uma conversa como essa. - ele brincou.
- Culpa minha, devia ter vindo no domingo. - ela entrou na brincadeira. - Mas nem faz muita diferença, tu trabalha qualquer dia da semana, seja no fim de semana ou não. - eles riram.
Os dois se despediram e saiu pela porta, que ainda se encontrava entreaberta.
- Nancy, por favor! Quebra esse galho pra mim? - pedia para a séria, porém compreensiva, senhora que trabalhava na casa dos Turner.
- Ai ai ai, . Olha lá onde vai me meter, hein? - ela falou desconfiada.
- Calma, Nancy, é só agora na hora do almoço. Eu volto rápido, ainda em tempo de colocar os garotos pra dormir, logo depois do almoço deles.
- Tudo bem, mas não demora porque não tenho como colocar eles pra dormir.
- Obrigada, Nancy! - beijou o rosto da mulher, que riu da atitude da garota, e saiu correndo pela porta, depois de pegar sua bolsa no cabide ao lado desta.
Correu até o estúdio dos garotos a procura de Dougie. Saberia que eles estariam lá para alguma reunião, algo do tipo. Aquela conversa por telefone não tinha terminado nada bem, ela daria um jeito de pelo menos não brigar com Dougie. Ela se surpreendera consigo mesma, nunca correu atrás de um garoto como estava correndo atrás dele. Era mais forte que ela, precisava ter ele para si, não suportava mais se imaginar longe dele. Ela iria consertar seu erro
(veja o look).
Estacionou o carro em frente ao estúdio e desceu rapidamente indo em direção a entrada do lugar. Era um lugar discreto, uma casa velha, branca com detalhes em marrom. Conseguia ver que era grande pra os fundos e que tinha um quintal no final. Na primeira sala não havia ninguém, achou estranho, mas continuou, passando pela próxima porta encontrou Danny e Harry conversando com uma mulher que anotava tudo o que eles diziam e, ao seu lado, estava um homem com um gravador na mão, apontando este para os dois garotos que falavam animadamente. Danny a viu entrar e fez um sinal com a mão de que os outros estariam na sala ao lado. sorriu e fez um sinal de joinha. A mulher que entrevistava a olhou curiosa e percebeu que, assim que fechou a porta, ela perguntou quem seria a garota que acabara de passar por ali. Nessa sala Tom testava alguns sons em sua guitarra, conversando ao mesmo tempo com um cara meio gordinho, que ainda não conhecia.
- Oi, ! - Tom parou com o som do instrumento e a cumprimentou simpático.
- Oi, Tom! - sorriu nervosa. Essa procura incessante por Dougie deixava-a ainda mais tensa. - Vi os guris ali na outra sala dando uma entrevista, por que não 'tá junto?
- 'Tô vendo algumas coisas sobre os próximos shows. Eles disseram que conversariam com ela enquanto eu terminava aqui.
- Hum... - esperava que ele falasse algo sobre o quarto integrante da banda, mas não disse nada. Teve que perguntar. - E Dougie?
- Ah sim! - Tom pareceu se lembrar. - Deve ter sido por isso que tu veio aqui, né? - ele riu e concordou com a cabeça sorrindo fraco. - Ele 'tá ali na última sala, a que dá pro quintal. Indo ali pelo corredor, é a ultima porta a direita. - ele apontou o caminho que ela teria que fazer.
- Brigada, Tom. - ela praticamente correu até o lugar indicado pelo amigo.
abriu lentamente a porta, ouvindo que conversavam naquela sala, e havia voz de mulher no ambiente. Assim que abriu viu Andrea. “Tinha que ser essa vadia dando em cima do meu Dougie.”, pensou irritada. Os dois não a viram, estavam um pouco distantes e bastante entretidos com a conversa. A mulher estava de pé, em frente a ele, que estava sentado de qualquer jeito num sofá velho. Ela passava as mãos ao lado do corpo, em seguida segurando seus seios. abria a boca e cerrava os olho numa indignação sem tamanho. E, simplesmente, a mulher levanta a blusa, mostrando seus seios extremamente grandes e firmes, sem sutiã. Viu Dougie abrir a boca, junto com um sorriso incrédulo. E, de repente, conseguiu ouvir o que diziam.
- Acha que 250ml em cada um é pouco? Será que não ficaria melhor com 50ml a mais? - Andrea dizia ainda com sua blusa levantada.
- Acho que 'tá ótimo. - Dougie respondeu embasbacado.
Vendo que deixou o garoto daquele jeito, Andrea se aproximou dele e abaixou lentamente, deixando seus rostos muito próximos.
- Toca, vê se 'tá bom assim. - pegou a mão dele e colocou sobre seus seios.
bufava e eles ainda não tinham notado sua presença ali. Porém quando viu Dougie encostar sua mão no seio dela e ainda por cima dar uma apertada, não se aguentou. Antes que fosse notada, Dougie puxou Andrea pelo pescoço e beijou vorazmente sua boca. chegou ao lado deles, e se duvidasse era possível ver fogo saindo de suas narinas. Puxou violentamente os cabelos da mulher, fazendo-a voar longe. Dougie a olhou assustado.
- Que lindo, Dougie! - falou diretamente a ele, sem nem ver onde Andrea tinha parado. - Muito digno da tua parte me julgar e logo depois fazer isso aqui que tive o desprazer de presenciar.
- Tu não tem direito nenhum de cobrar nada de mim. - ele se levantou, tentando se mostrar superior.
- Cala a boca, Dougie! - berrou, vermelha de raiva, deixando cair uma lágrima. - Eu posso ter errado e estava aqui tentando consertar meu erro, mas o que tu fez foi de uma baixeza ridícula.
- , baixa aqui foi tu, que deu pr'aquele italiano imbecil sem nem pensar em mim.
não pensou duas vezes e deu um tapa na cara de Dougie, fazendo sua cabeça virar violentamente para o lado.
- Pra tua informação, eu não dei pra ninguém, porque eu gosto, ou gostava, muito de ti. Mas também não te devo satisfações. - a garota ficou extremamente ofendida com o que ele havia dito. Não sabia de onde ele havia tirado aquilo, mas não queria pensar nisso agora.
Antes de sair, olhou para trás e viu Andrea correr até o garoto consolá-lo. Fechou os olhos e o punho fortemente e seguiu em frente. Passou rapidamente por Tom, que começou a perguntar o que tinha acontecido, mas percebeu que ela não responderia e desistiu. Na outra sala, Harry e Danny pararam de falar ao ver a garota correndo e limpando algumas lágrimas no rosto. Sorte dela que não deu tempo da entrevistadora ver que ela chorava.
já voltava para a locadora quando gritou seu nome, fazendo-a virar e se direcionar a amiga.
- , onde tu 'tava? - falou ao se aproximar. - Ia te chamar pra almoçar.
- 'Tava com o Ed.
- Mas e o Danny? - a garota parecia confusa e riu.
- Não, . Eu 'tava me resolvendo com o Ed, explicando que quero ficar com o Danny.
- Ah bom! - respirou aliviada. - E deu tudo certo?
- Felizmente, sim. O Ed consegue ser adorável. Diz ele que aceitou perder. - riu fraco. - Mas e o Tom? Vocês se resolveram? Vi ele sair mais cedo da locadora. - mudou de assunto.
- Sim! Precisamos conversar. Vamos logo almoçar, antes que nosso intervalo acabe e eu não consiga te contar tudo.
riu e acompanhou a amiga até o restaurante tão familiar para elas. Não tinham tempo de ficar escolhendo muito.
- Pois é, . Não sei direito o que fazer. Eu quero, mas tenho tanto medo. - terminava de contar o que acontecera mais cedo com o namorado.
- , sendo bem sincera. - falou logo em seguida, séria. - Tu praticamente já mora lá, não faz muita diferença, até facilita tua vida. Fica com todas tuas coisas na casa dele e não tem aquela chatice de pegar coisas em casa, ou de tal coisa ficou no Tom.
- É, isso é verdade. - pareceu pensar sobre isso. - Mas acaba sendo um casamento. E eu já disse pra ele que não quero isso agora. É muito cedo pra gente manter esse compromisso.
- Casamento é mais um contrato do que qualquer outra coisa, vamos combinar. Quando tu se sentir pronta tu assina esse contrato. Por enquanto só vive com ele, divide uma casa com ele. Se, por acaso, der tudo errado – bateu na madeira. - Termina tudo sem ter a burocracia de desfazer um contrato.
- Ai, que racional que tu 'tá sendo. - fez uma careta.
- Mas, , é pra tu pensar pelo lado racional que eu te digo isso. É óbvio que tem todo um sentimento em volta de um casamento, mas se tu não quer agora, deixa pra mais tarde. Mas, agora, não aceitar uma coisa que já está acontecendo não faz sentido. Vai logo morar com o Tom, cara!
- Ui, cheia de discursos. - riu agora, fazendo a amiga a acompanhar. - 'Tá, vou pensar nisso. Faz sentido o que tu disse. Eu já quase moro lá mesmo, né?
- É! - quase berrou, vendo que a amiga tinha entendido seu sermão. - Acho que nem precisa pensar mais, mas tu que sabe. - ela riu.
- O Phil que ficou todo afetado. Não sei mais o que fazer com ele. 'Tô pensando em pedir demissão.
- Percebi que o Phil 'tava alterado quando fui lá mais cedo. Mas ele vai ter que aceitar, né, . E tu acha que é necessário sair de lá por causa disso?
- É, não sei. Pensei nisso hoje. Talvez não, mas vamos ver como vai no decorrer das coisas.
- Isso! - sorriu, satisfeita. - Vamos lá? Estamos na hora.
As duas voltaram para o trabalho mais leves do que estavam anteriormente, algo difícil de imaginar, pois já se sentiam muito leve. No entanto, conversar uma com a outra deixou-as melhor ainda.
A porta se fechou com força e Nancy pode ver um vulto correr para o banheiro e logo em seguida ouvir o barulho da tranca. chorava compulsivamente. Não podia deixar que a crianças a vissem daquele jeito. Nancy chegou até a porta, batendo de leve.
- , 'tá tudo bem, querida? - estava preocupada.
- 'Tá sim, Nancy. Já vou sair. - forçou para que sua voz saísse o mais normal possível.
- Consegui fazer Jimmy dormir, só falta Johnny, que 'tá na sala da tv.
- Ok, já vou lá. - fungou.
Olhou-se no espelho e viu sua imagem horrível. Lavou o rosto, ajeitando seu rímel que havia borrado com as lágrimas, respirou fundo e se concentrou para não pensar mais nisso, pelo menos na hora do trabalho. Saiu do banheiro, se direcionando para a sala da tv, atrás de Johnny.
- Oi, meu amor, vamos dormir um pouquinho. - falou um pouco fanha ainda.
- Quero ver desenho! - ele falou cruzando os braços.
Pelo jeito Nancy havia tentado levá-lo, mas sem muito sucesso.
- A gente vê depois, Johnny. Vamos lá. - não estava com a mínima paciência, mas precisava se controlar. - Se tu não dormir vai ficar com sono mais tarde e não vai conseguir ver Ben 10. - tocou no ponto fraco do garoto.
Ele aceitou o convite e os dois foram até o quarto do garotinho, que era cheio de bonecos e brinquedos do menino do desenho que acabara de citar, o Ben 10. Acabava deixando o quarto praticamente verde. Johnny deitou na cama e sentou-se ao seu lado, fazendo carinho em sua testa e afastando o cabelo para o lado. Assim como fazia com Dougie, quando os dois tinham momentos de silêncio e que ficavam apenas admirando um ao outro.
- Tia , 'tá chorando? - Johnny percebeu uma lágrima correr pela bochecha da garota.
- Não é nada, meu bem. Dorme logo, vai. - ela limpou rapidamente, fungando logo em seguida.
- Não gosto de te ver triste, tia. - o menino fez cara de choro.
- Johnny, não precisa ficar assim. A tia vai ficar boa logo logo. Quando tu acordar eu já estarei sorrindo.
- Promete? - ele perguntou choramingando.
- Prometo. - sorriu fraco. - Agora fecha os olhinhos e deixa o sono chegar.
conseguiu convencer o garotinho, que dormiu logo em seguida. Estava acostumado a dormir naquela hora, o sono já estava batendo.
Saiu silenciosamente do seu quarto, caminhando até onde Nancy estava para ajudá-la de alguma forma. Caminhava pelo corredor olhando para seus pés e não percebeu que tinha alguém parado logo no fim dele. Parou assim que viu dois pés masculinos parados bem próximos aos seus. Subiu seu olhar até chegar no rosto da pessoa, que não era nada baixa. Will estava parado a sua frente, esperando que ela dissesse ou fizesse algo.
- Oi. - disse simplesmente, desviando do garoto e continuando seu rumo.
- 'Tá tudo bem, ? - ele virou e a seguiu.
- Não.
- Quer desabafar?
- Não.
- Podia ser um pouquinho menos grossa, né? - ele riu, levando na brincadeira.
- É só não me encher. - ela se virou para ele, irritada, deixando-o assustado. - Desculpa, não 'tô legal mesmo.
- O que aconteceu, ? Não gosto de te ver assim, me sinto mal.
- Pois se sinta. Tu é o grande causador disso tudo. - ela disse, deixando ele se aproximar com semblante confuso. - Eu briguei com o Dougie, Will.
- E por que é culpa minha?
- Porque eu contei pra ele o que aconteceu entre nós.
- Contou por quê? Podia deixar por isso mesmo...
- Não, eu não podia. - ela disse continuando seu rumo, que se desviou para a sala da tv. Ele a seguiu. - O pior é que ele quis se vingar. - sentou-se no sofá confortável e Will a imitou.
- Ele se vingou de ti? Coisa mais infantil!
- Will, por favor, eu 'tô desabafando, mas não 'tô afim de ouvir comentários e opiniões tuas.
O garoto bufou, mas respeitou . Ela foi contando pra ele o que tinha acontecido e foi se sentindo mais a vontade, ela gostava da companhia do garoto, não tinha como negar isso. Preferia não ter contado aquilo para ele, mas realmente precisava conversar com alguém. E Will foi o primeiro a aparecer.
A festinha na lanchonete de Rosalie não estava cheia, mas com as poucas pessoas convidadas conseguia ficar altamente divertida. conversava com Rosalie, seu novo namorado e Mitch, numa rodinha de cadeiras. O tempo passou e ela não havia notado. A despedida estava tão boa que esqueceu totalmente da hora. Olhou rapidamente para o relógio que ficava na parede, perto do caixa e, de primeira, não prestou atenção no horário que os ponteiros indicavam, mas voltou a olhar ao perceber que poderia ser bem tarde. O relógio marcava dez para as oito. Olhou pela janela para confirmar se o relógio estava certo. E estava, na rua o azul escuro já tomava conta do céu. se desesperou, ao lembrar de sua janta com Harry, que estava marcada para as oito.
- Mitch, ainda não acredito que tu vai sair daqui. - ela falou ao se despedir do garoto.
- E eu não acredito que tu já 'tá indo embora.
- Ah, preciso ir, tenho um compromisso. - ela riu sem graça. - Mas ó, não deixa de nos visitar aqui, hein?
- Pode deixar, . - Rosalie se meteu na conversa. - Não vou deixar ele ficar muito longe da gente. - elas riram.
- Acho bom, hein?
- Eu não conseguiria ficar longe de vocês. - ele disse rindo também.
- Então tá. Tchau, queridos! - não queria mostrar pressa, mas estava com muita pressa. Saiu quase correndo do prédio até a estação de metrô. Ainda precisava ir pra casa tomar um banho e colocar uma roupa mais arrumada.
Ao sentar no banco, dentro do trem, buscou seu celular dentro da bolsa, porém não achou. Vasculhou por tudo, todos os bolsinhos internos e externos, mas não estava em lugar nenhum. Desesperou-se pensando em Harry a esperando e desistindo logo após vinte minutos de espera. Lembrou vagamente de ter colocado o celular em cima de sua mesa após a ligação que havia feito para Harry, mas fazia tanto tempo que não tinha certeza se havia ficado ali por todo esse tempo, realmente. Ficou se xingando mentalmente até chegar em casa. Tomou o banho mais rápido de toda sua vida e pegou a roupa mais prática de se colocar. Um vestido bonito e um sapato de salto. Fez uma maquiagem rápida e pegou uma bolsa menor e mais arrumada. Chamou um táxi e logo desceu para esperar no hall do prédio.
No meio do caminho lembrou que poderia descer até o apartamento de e pedir o telefone de qualquer uma das amigas. Mas na pressa nem se deu conta. Elas também deviam estar atrás dela. Mas isso ela resolvia depois. O táxi parou em frente ao pub e ela quase desceu sem pagar, tamanha era sua pressa.
Passou pela entrada e perguntou a hora para a recepcionista. Nove e cinco.
- Droga mais de uma hora atrasada! Espero que ele esteja aqui ainda. - falou sozinha, mas a recepcionista achou que fosse com ela.
- Ele quem?
- Ninguém, obrigada. - ela sorriu sem graça para a moça e seguiu adentro do lugar.
Percorreu o olhar por todo o espaço enquanto caminhava. Avistou não muito longe Harry. Sorriu, mas logo em seguida desfez o sorriso. De costas para ela via uma mulher com cabelos pretos, lisos e compridos. Teve receio de se aproximar, sabia que aquela era Rebecca. Ficou um momento parada, pensando. Passou pela sua cabeça que aquela poderia ser a surpresa dele. Não era das melhores, mas vai que ele tivesse uma boa intenção. Nesse mesmo pub eles conversaram sobre ela e que poderiam ser todos amigos, que Rebecca tinha aceitado mesmo ser só amiga. Seguiu em frente.
- Harry, mil desculpas! - chegou na mesa em que os dois se encontravam.
O garoto a olhou surpreso, como se não esperasse que ela aparecesse ali.
- Essa era a minha surpresa? - ela tentou ser simpática, mesmo ninguém tendo respondido.
- Ahn, não. - Harry a respondeu finalmente e ficou confusa. - Depois da tua demora achei que não vinha mais. Não me atendeu também.
- Desculpa, acabei me distraindo na festa de despedida do Mitch. Meu celular ficou na minha sala, só me dei conta quando 'tava no metrô.
- Ah, sim. Combina de vir jantar comigo e fica fazendo festinha de despedida pro Hitler lá? - Harry ainda lembrava do garoto na festa de Halloween. Ele tinha boa memória, nem lembrava da fantasia dele.
- Já te pedi desculpas, Harry. - ela começou a ficar ofendida. - E se ela não era a surpresa o que é então?
- Não importa mais. - ele disse tomando um gole de chope. - A Rebecca 'tá aqui pra me fazer companhia.
- Foi só eu me atrasar um pouco que tu já chama ela? - apontou para a garota, que permanecia quieta.
Ela olhou pela mesa, que ainda não tinha observado ainda, e viu vários canecos de chope vazios. Estava explicado, Harry estava bêbado.
- Ei, não fala como se eu não tivesse aqui. - Rebecca finalmente se pronunciou.
- , por que tu não volta pra festinha do Hitler? 'Tô me divertindo bastante aqui com a Becca.
- Ah, a Becca, claro. - ficava cada vez mais irritada. - Quer saber mesmo? A festa do “Hitler” - fez aspas no ar – 'tava muito mais divertida mesmo. Tua companhia é péssima, ainda mais bêbado. Eu deveria saber que a Becca – falou exaltando bem o apelido dado pelo garoto a ela. - não tinha ficado só como uma amiga.
- Não quero ser chata, mas acho que tu 'tá sobrando aqui, hein? - Rebecca falou antes de se afastar dali.
- Não precisa ser chata, eu já percebi isso. Aliás, no fundo eu sempre soube disso. Vai ver era esse o meu receio de te perdoar, Harry.
- Eu que não devia te pedir perdão mesmo, não fiz nada de mais. Tu é muito complicada, . - Harry falou enrolando um pouco a língua.
Ele já estava passando dos limites. Só podia ser bipolar, toda aquela empolgação e carinho de mais cedo virou essa grosseria e descaso. deu um suspiro forte e saiu dali, deixando os pombinhos sozinhos. Rebecca devia estar feliz, conseguira vencer, finalmente.
Bateu um momento de consciência em Harry ao lembrar da última briga deles e do que aconteceu após ela. Correu até a saída e viu entrando em um táxi, respirou aliviado. Não sabia exatamente por que havia agido daquela forma, mas esperar por mais de uma hora deixou-o extremamente irritado.
Continua...N/a: HEEEELLO, PEOPLE! EU VOLTEEEEI! Voltei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar. Tá, parei.
Bom, peço desculpas pela demora mais uma vez. Ainda ando com problemas de desapego (a fic ter que acabar e tal) e também passei pelo momento tenso de final de semestre. Já viu, né? Agora o FOBBS com essa historia toda de servidor aí, depois de ter nos deixado esperando aflitas e ansiosas pela volta dele. Bom, espero que dê tudo certo com o site. :D
Não deixem de comentar, meninas. Minha caixinha ainda está pobrinha. E não esqueçam de dar uma lidinha na outra fic! *propaganda*
Beijos da Ju.