Última atualização: 14/12/2021

Capítulo 1

Fuzilei Leo com os olhos, aquele homem só podia estar tirando uma com a minha cara. Eu só queria entender por que ele fazia aquilo comigo. Era sempre assim desde que comecei a trabalhar na Bella, uma revista famosa em Nova York, eu era uma das colunistas e tinha um blog também, eu amava aquele emprego, Leo e eu erámos melhores amigos desde o colégio, éramos ele, Alice a esposa dele e eu, fizemos faculdade juntos também, Leo e eu escolhemos jornalismo e Alice escolheu publicidade. Alice e Leo eram casados há quase quatro anos, mas estão juntos desde o colégio, ainda não tinham filhos, mas, segundo ela, estavam pensando muito no assunto. Leo tinha um sócio, seu irmão mais novo, , ele era detestável, arrogante e irritante, eu o odiava e com certeza devia ser recíproco.

- Leo, por favor, não – implorei.
- Sinto muito, , mas também é dono daqui e ele precisa ver tudo – disse.
- Ele vai dizer que odiou e vai querer que eu refaça, Leo, por favor, só dessa vez – pedi outra vez.
- Desculpe, mas desta vez eu não posso fazer nada – continuou. – Por favor, vá até a sala dele - choraminguei, mas não teve jeito. Leo deu de ombros e eu decidi sair logo dali antes que eu o matasse. Andei depressa até a sala do , a vontade de ir até lá era pequena, mas o que eu podia fazer?

Bati na porta escura de madeira, e logo escutei um entre vindo de dentro da sala.

- Ah, é você – zombou ao me ver entrar. Fechei a porta atrás de mim nem um pouco a fim de dar continuidade das suas provocações.
- Leo me pediu para te trazer a matéria – expliquei. Deixei sobre a mesa tudo o que tinha escrito.
- Não seria mais fácil ter me mandando por e-mail? – indagou. – Evitaria eu ter que olhar para a sua cara, – debochou. – Bom, vamos ver se dessa vez você conseguiu fazer algo incrível - revirei os olhos. leu rapidamente alguns trechos, foi naquele instante em que eu aproveitei para observá-lo e acabei percebendo a falta da gravata, como é de costume dele usar. Desviei meus olhos dele e troquei o peso para a perna esquerda. observou o que estava escrito por mais alguns segundos até se voltar para mim, com aquele ar debochado e irônico dos infernos. Odiava ele.
- Não está incrível, mas vai ser para a última página mesmo – disse.
- Está ótimo! Não tem nada de errado com a matéria – retruquei.
- Sabe – tocou os lábios com as pontas dos dedos. – Eu acho que para você que estudou jornalismo, isso deveria estar bem melhor – continuou, o sorriso debochado me irritava de uma tal forma que eu estava me segurando para não pular no pescoço dele.
- Do que você não gostou, me diz? – perguntei já sem paciência alguma, o conseguia me tirar do sério.
- De nada – deu de ombros, jogou os papéis sobre a mesa e cruzou os dedos. Respirei fundo mais uma vez.
- Eu fiz o que me pediram para fazer – argumentei.
- Não. Você não fez. Isto aqui – bateu o indicador direito sobre os papéis. – Não tem coerência alguma, e é só isso que tem para oferecer aos leitores, estava com preguiça quando escreveu isso? – riu divertido.
- Quer saber o que eu acho? – indaguei. – Que você faz isso por que gosta de me provocar.
- Imagina! – abanou com a mão, fazendo pouco caso. – Gosto de perder meu tempo com coisas mais interessantes. Além do mais, o que eu ganharia com isso? - apertei os dentes com força. - Quer saber, , quero que refaça isso – decidiu, apanhei os papéis da mesa. – Quero isso pronto até o fim do dia, e não pense que só porque é amiga do meu irmão vai ter moleza – retrucou.
- Eu te odeio – saiu sem que eu pudesse evitar, mas eu também já estava de saco cheio daquele homem. E para a minha surpresa o desgraçado riu.
- Isso não vai mudar nada, ainda continuo sendo o seu chefe.

Saí daquele inferno cuspindo marimbondos, aquele cretino estava se divertindo as minhas custas e com isso conseguindo que eu pedisse demissão, por que, sim, era isso que eu deveria fazer e me livrar dele para sempre.Saí pelo corredor pronta para derrubar qualquer um que entrasse em meu caminho.

- , espera – a voz de Leo chegou aos meus ouvidos, não parei. Não queria ser grossa com ele, o problema era o irmão mais novo.– ! - Leo puxou meu braço me fazendo assim olhá-lo e parar.
- O que? – indaguei com a voz falha, eu não iria chorar.
- Por favor, o que houve? Por que está assim? – perguntou, preocupado.
- O que houve? O seu irmão imbecil, eu só queria saber por que aquele filho da puta não morre – esbravejei.
- Eu vou falar com ele – Leo disse, me tocando nos braços.
- Ele é detestável – rosnei e saí andando, antes que Leo começasse o discurso sobre eu ter que me resolver com o seu irmão. Eu estava pouco me fodendo para aquele imbecil desprezível, eu gostaria que ele se fodesse sozinho com toda aquela arrogância. Acho que não existia nada no mundo que eu odiasse mais que . Bati a porta com força, andei de um lado ao outro, eu estava ótima, meu dia estava sendo perfeito, mas aquele demônio tinha que estragar tudo, me sentei outra vez na frente daquele computador.

Eu odeio .

LEO

Bati na porta antes de entrar na sala do meu irmão que começou a rir assim que me viu.

- É sério, , por que faz isso? – perguntei cansado daquela birra dele com .
- Não sei, é divertido – deu de ombros ainda rindo.
- Eu não devia ter mandado ela aqui – murmurei, me sentei na cadeira macia.
- Viu só, então a culpa é sua também – rebateu como se aquilo resolvesse tudo. Balancei a cabeça negativamente.
- Ela quer matar você – avisei, fazendo-o rir mais. – Você tem que parar com isso, é uma ótima jornalista, não posso perdê-la para a concorrência e além disso ela é minha amiga – continuei.
- Um detalhe – levantou o indicador. – Ninguém é insubstituível, irmão – disse.
- é minha amiga, – repeti. – Quero que pare com isso já – pedi.
- Está bem – resmungou. – Mas e a viagem, está de pé? – perguntou, mudando de assunto.
- Sim – suspirei. – Alice está muito ansiosa – respondi.
- E como está a casa, ainda está bonita como antes? – quis saber, fazia anos que não visitava nossa casa em Albany, nunca soube o motivo e ele também nunca quis dizer.
- Sempre – sorrio. – Você deveria ir passar uns dias fora – sugeri.
- Acho que você pode ter razão – concordou. – Quanto tempo vocês vão ficar? – indagou, ele parecia ansioso.
- Não sei – dei de ombros. – Talvez, vinte ou trinta dias – cocei o queixo. - Tanto tempo assim? – ergueu as sobrancelhas. – Acho que dez dias é o suficiente para mim – disse. Eu quis rir, mas se eu estragasse tudo, Alice com certeza me mataria.
- Julie não está no país, por que não aproveita para ficar mais? – perguntei. Se eu tivesse uma namorada insuportável como Julie, eu já teria desaparecido.
- Ela quer que eu vá encontrá-la em Madri – respondeu. – Terá um desfile e ela quer que eu esteja lá – explicou.
- Ok. Se você for, ligue para Alice, é ela quem está organizando tudo – avisei, me levantei da cadeira e andei até a saída.
- Certo. Ah, Leo – chamou quando eu já estava na porta, o olhei esperando que ele continuasse. – Diga a que não precisa refazer nada – continuou.
- Obrigado – fiquei aliviado, pelo menos uma terceira guerra não seria iniciada naquele prédio.

Saí da sala dele e fui atrás do meu Hulk de saia. Entrei sem bater, estava falando ao telefone.

- Cice, eu não posso – ela ainda não tinha me visto, ela conversava com Alice. – Talvez Leo me dê esses dias, mas você sabe que o ogro do seu cunhado não vai aceitar – continuou. – Escuta, depois eu te ligo, agora estou ocupada. Tá, beijo – finalizou a ligação e abaixou a cabeça apoiando nos braços em cima da mesa. – Eu odeio – murmurou baixo.
- Vocês dois tem que parar com essa birra – falei, ela me olhou e voltou ao computador.
- Ele é um cretino – resmungou.
- Isso eu sei – me aproximei da mesa dela apoiando as mãos na mesma. – Ele disse que não precisa refazer nada – contei.
- Qual é o problema dele? – indagou me olhando com a cara fechada. Ela ainda estava com raiva.
- Falta de sexo? – joguei fazendo-a rir.
- Ou falta de um soco na cara – sugeriu.
- Ou isso – eu ri. – Mas o que eu posso dar e o não? – mudei de assunto.
- Cice quer que eu vá com vocês para Albany – contou.
- E por que você não vai? – encarei-a. – Você tem duas férias pendentes – lembrei.

era tipo de pessoa que se ninguém a parasse, ela nunca descansava, ela adorava o trabalho dela, e ficou ainda mais focada depois do que aconteceu.

- Eu sei, mas você sabe que eu não gosto de ficar em casa, me faz lembrar de certas coisas – explicou.
- É, mas você não vai estar na sua casa e nem sozinha – lembrei.
- Eu sei – suspirou.
- Pensei que já tivesse superado... – indaguei.
- É, mas eu tenho essa mania de me lembrar do passado quando estou sozinha – explicou.
- É, mas você não vai estar sozinha – acrescentei.
- Eu não sei, Leo – coçou a cabeça.
- Por favor, – insisti. – Pare de querer se isolar, isso não vai adiantar em nada.
- Tá, Leo, eu vou – soprou. – Diga a Cice que eu vou – cedeu finalmente.Sorri abertamente.
- Ok, vou pedir para Alice te ligar para combinarmos tudo – acrescentei.
- Certo. Agora me deixa trabalhar, Leonard – ela me chamou pelo meu nome, arregalei os olhos.
- Ok. Mas até mais tarde – saí da sala dela e disquei o número da minha esposa. – Amor, ela aceitou ir com a gente.
- Não acredito! – ela gritou do outro lado da linha me fazendo rir.
- É, mas, amor, tem certeza de que é uma boa ideia deixar esses dois juntos no mesmo lugar? – perguntei receoso, entrei depressa na minha sala.
- Acho que sim, bom, o máximo que eles podem fazer é matar um ao outro – respondeu rindo.
- Você é maluca, amor – falei.
- Eu sei – concorda com bom humor. – Agora vá trabalhar que eu estou ocupada – mandou.
- Certo, senhora mandona, até mais tarde, amor – nos despedimos e eu voltei para os afazeres. Eu ri sozinho, aquele plano iria dar problema.



Senti o cansaço bater quando respirei fundo depois de desligar o computador àquela noite, eu só queria ir para casa e descansar, ajeitei minhas coisas e saí da sala.
Rezei para não encontrar Leo, não queria sair de casa. Andei o mais depressa até o elevador e agradeci por ele estar naquele andar, não demorei a entrar e apertei o botão da garagem, e quando as portas estavam prestes a se fechar, se colocou entre elas e entrou. Eu preferia mil vezes ter encontrado Leo. Meu celular vibrou, imediatamente me concentrei nele, mas depois de ter feito isso, desejei não ter feito. Bufei ao ler a mensagem, eu só podia merecer isso.

- Que mau humor – ele murmurou, mas eu já não estava em condições de retrucar nada.E eu que pensei que nada mais me abalaria, mas eu me enganei. As palavras digitadas ali machucaram mais que qualquer coisa. As lágrimas começaram a cair sem que eu pudesse evitar. - Ei, era só brincadeira, – ele disse. Mas eu não conseguia parar de chorar. – ? – se aproximou e me segurou pelos braços. – O que foi? Me desculpe, eu não... - o elevador abriu as portas e eu saí dali em busca do meu carro, entrei sem pensar duas vezes quando o encontrei, e na segurança dele olhei novamente a mensagem e desabei.

Por Deus, eu não imaginei que ainda doeria tanto.


Capítulo 2

Por

Depois daquela mensagem não fui ao encontro com Alice e nem mesmo atendi suas ligações, mas não consegui fugir dela por muito tempo já que ela foi até a Bella atrás de mim, nós conversamos, mas não contei nada ela acabou me convencendo a ir com ela e Leo, viagem que eu já tinha desistido de ir. Nós iríamos na sexta à noite de carro, eu precisava de um tempo longe de tudo só para reorganizar a mente.
Os dias que seguiram eu evitei falar ou até mesmo ficar sozinha com , ele com certeza começaria com suas gracinhas e piadas e eu realmente não estava disposta a suportar suas provocações. Minha cabeça estava a mil por hora, eu estava irritada, chateada e confusa, a viagem definitivamente poderia ser uma boa desculpa e também não era como se eu fosse conseguir desistir depois de já ter combinado com Alice que estava tão empolgada.
Suspirei ao me jogar na cadeira diante do computador, abri meu e-mail, tinha tantos ali que me senti exausta só em pensar que teria que responder todos eles, mas um deles chamou minha atenção estava em nome de um dos jornais locais mais importantes da cidade, estranhei, mas ainda assim não tive tempo para ler o conteúdo eu tinha trabalho demais para fazer e precisava correr para terminar tudo a tempo e ir para casa arrumar minha mala antes que Leo passasse para me pegar a noite. Eu tinha tanta coisa para fazer que já estava ficando estressada e nem eram nove da manhã. Batidas na porta chamaram minha atenção.

- Entra – pedi focada na tela do computador.
- Com licença – era Emma secretária de Leo – Tem um homem querendo falar com você – disse. Metade de seu corpo para dentro da sala.
- Quem é? – indaguei unindo as sobrancelhas em confusão.
- Ele não disse o nome – respondeu.
- Tudo bem, mande entrar, por favor – pedi. Ela saiu e segundos depois Wallace estava diante de mim com um sorriso idiota nos lábios.
- Oi amor.
- O que está fazendo aqui Wallace? – perguntei irritada, me levantei da cadeira pronta para expulsá-lo dali.
- Vim te fazer uma visita amor – zombou – Afinal ainda somos casados no papel – lembrou.
- Por pouco tempo – afirmei. Um nó formou-se em minha garganta.
- Ah sim claro – riu debochado. Se aproximou da mesa para mexer em alguns papéis.
- Pare de mexer – mandei, fazendo-o rir outra vez.
- Você é quem manda – piscou.
- Se não vai dizer o motivo de estar aqui acho melhor ir embora – avisei.
- Nossa! Quanta agressividade, amor – Wallace estava se divertindo as minhas custas e me deixando ainda mais irritada.
- E pare de me chamar de amor. Quero que saia agora da minha sala – ralhei, caminhei até a porta fechada para abri-la, mas ele me segurou pelo cotovelo.
- Ei espera!
- Tira a mão de mim – mandei rude. O toque dele parecia me queimar, por muito tempo eu pensei que ele fosse o homem que me teria para toda a vida, mas ele mesmo me provou o contrário.
- Calma – obedeceu – Eu vou embora, eu só passei aqui para te avisar que vou brigar pela casa, já que fui eu quem a comprou – decidiu. Aquele não parecia em nada com o homem que conheci anos atrás e por quem me apaixonei um dia e casei.
- Faça o que quiser Wallace – dei de ombros – Só me deixe em paz, e peça para a sua amante fazer o mesmo e parar de me mandar mensagens desnecessárias – cruzei os braços séria.
- Carla não precisa disso. E nós só queremos a casa – retrucou.
- E vocês faram bom proveito dela, que sejam felizes. Agora saia daqui – engoli em seco, meus nervos pareciam querer explodir.

A porta voltou a abrir de repente revelando em seguida, era só que me faltava agora, as duas razões das minhas dores de cabeça no mesmo lugar e um buraco simplesmente não se abria embaixo dos meus pés para que eu pudesse desaparecer dali naquele mesmo instante.

- nós... – parou na porta, ele parecia afobado demais – Ah, desculpe não sabia que estava ocupada – continuou, ele olhava de mim para Wallace confuso. Eu queria poder gritar para que ele batesse na droga da porta antes de invadir minha sala, mas eu estava mais preocupada no momento em tirar meu ex-marido dali antes.
- Ah não, eu já estava de saída – anunciou – Até logo amor, não se esqueça do que eu disse – provocou apertando meu queixo entre o polegar e o indicador, sorrindo como um cafajeste que ele era.
- Some daqui Wallace – segurei a vontade de chorar afastando sua mão para longe de mim, meu ex-marido saiu sem olhar para trás.
- Não sabia que você tinha namorado? – a voz confusa de me fez engolir a vontade de chorar.
- Ele é meu marido – suspirei – Ex-marido – consertei atordoada.
- Ok – riu baixo, talvez um tanto surpreso, levando em conta de que aquele não tinha conhecimento algum sobre a minha vida pessoal, ou que realmente fizesse questão de saber. - Bom, isso também não é da minha conta e nem me interessa – voltou ao seu tom arrogante de sempre – Queria saber se já terminou o que te pedi? – referiu-se a pequena nota sobre o aniversário da cidade.
- Sim – assenti, achando até estranho o fato dele ter se dado ao trabalho de ter vindo até minha sala – Já te mandei tudo por e-mail – expliquei. Voltei para a minha mesa, fingi estar ocupada com algo sobre a mesma, eu não queria encará-lo desta vez eu não suportaria ouvir suas piadas e gracinhas – Mais alguma coisa? – perguntei.
- Não – pigarreou – Acho que é só isso – respondeu rápido demais assim como sua saída da sala. era estranho.

Bufei alto, joguei-me sobre a cadeira escondendo o rosto entre as mãos, minha vida estava um caos total. Agora eu tinha um ex-marido que aparecia em meu local de trabalho para me atormentar, uma amante insuportável e suas mensagens cruéis e o pior de todos eles, cretino .
Leo me ajudou a colocar minha mala no porta-malas do carro, Cice parecia animada demais, mas não comentei nada, talvez ela só estivesse precisando de alguns dias de folga também. Não demoramos muito e logo estávamos em movimento, eram quase dez da noite, podíamos ter ido de avião? Sim. Podíamos ter ido no dia seguinte mesmo de carro? Sim, outra vez. Mas Leo era teimoso demais. Alice ria de tudo o que meu amigo dizia, até mesmo quando não tinha graça alguma, eles tinham sido feitos um para o outro mesmo.

- Faz tanto tempo que não vou a Albany - comentei observando a paisagem pelo vidro do carro.
- É, eu também – Leo admitiu.
- Eu tenho uma desculpa, você não Leonard – rebati.
- E qual seria a sua desculpa, – ele me olhou desafiador pelo retrovisor rapidamente, eu podia ver a animação nos olhos castanhos de Alice enquanto observava nossa boba discussão.
- Eu não tenho uma casa em Albany – usei meu único argumento para que assim eu o fizesse se calar.
- Perdeu amor – Cice zombou, apesar do sorriso vitorioso em meus lábios ter feito isso.
- Ok, me dou por vencido – rendeu-se Alice e eu rimos nos divertindo as custas dele.

Em algum momento da viagem acabei adormecendo, o cansaço me dominou, quando voltei a abrir os olhos pude apreciar o nascer do sol, Alice era quem estava no volante, Leo dormia no banco do passageiro, me espreguicei sonolenta chamando a atenção da minha amiga.

- Ei Sunshine – cantarolou sorrindo pelo retrovisor.
- Bom dia – bocejei. Chequei em meu relógio de pulso as horas, constatando que eram seis e meia da manhã cedo demais – Quando essa troca aconteceu? – perguntei me ajeitando no banco.
- Há três horas, quando paramos em um posto de gasolina – respondeu prontamente.
- Quer que eu dirija um pouco? – ofereci-me. Ela devia estar cansada e eu já tinha descansado demais.
- Não. Já estamos chegando – negou - Vamos passar na cidade só para comprar algumas coisas – explicou, mantendo sua atenção na estrada. Observei Leo e ri quando escutei seu ronco baixo.
- Leo dorme tão confortável que até parece estar em uma cama macia – comentei num tom divertido.
- Meu marido é uma graça – Alice zombou.
- Saibam que eu estou ouvindo tudo – ele resmungou baixo nos fazendo rir, Leo se remexeu virando-se para o outro lado.
- Viu, uma graça – Cice gargalhou.

Algumas horas depois finalmente chegamos depois de pararmos no mercado para comprar algumas coisas e só então seguimos para a casa que ficava afastada da cidade entre árvores e muito, muito mato. Quando Leo disse que compraria uma casa no meio do mato, eu torci o nariz e o acusei de que a loucura de Cice estava passando para ele, mas quando conheci a propriedade tive que concordar que daquela vez ele tinha acertado. O lugar era lindo não só pela casa, mas também pela paisagem incrível. Eu tinha passado tempo demais longe daquele lugar, só ali tinha a paz que eu precisava.
Colocamos nossas coisas para dentro da casa, ajeitamos nossos quartos e depois fomos preparar algo para comermos, eu tinha tanto fascínio pela cozinha daquela casa, ela era toda planejada desde os armários até a ilha no meio dela, toda em madeira escura com exceção é claro da pedra de mármore escura. Algumas panelas penduradas por ganchos presos nos teto sem contar a vista maravilhosa que tínhamos pelas portas duplas serem de vidro que davam acesso aos fundos da casa onde havia uma pequena mesa com quatro cadeiras ambas pretas e algumas espreguiçadeiras um pouco mais distante.
Alice e eu fizemos uma macarronada rápida, logo depois de ter se alimentado Leo nos avisou que iria dormir e descansar um pouco, então ficamos minha melhor amiga e eu na sala jogando conversa fora. Cice contava que não via a hora de conseguir finalmente engravidar, ela e Leo estavam ansiosos para terem um filho e eu torcia tanto por eles não duvidava que a criança teria os melhores pais e loucos também. Eu não conseguia não pensar em como eu desejava ter tido um filho com Wallace, ser mãe era e sempre foi o meu maior sonho, sempre dizia isso ao meu ex-marido, mas ele sempre dizia que era cedo demais para filhos e que não havia necessidade de ficarmos com tanta pressa. Por um tempo eu cheguei a acreditar que sim isso aconteceria que era também o sonho dele formarmos uma família, mas de uma hora para outra tudo mudou e eu enterrei aquele sonho para sempre principalmente depois de descobrir que seria quase impossível eu conseguir engravidar um dia. Suspirei alto demais o que acabou chamando a atenção de Alice que me olhava curiosa.

- O que houve? – perguntei, prontamente neguei, mas eu não poderia enganá-la não Alice , principalmente quando ela franzia as sobrancelhas daquela forma – ? – insistiu, ela nunca se daria por satisfeita, Cice era curiosa demais. Respirei fundo ponderando se contava ou não, mas Cice sempre foi minha confidente e eu confiava nela totalmente.
- Wallace me procurou – suspirei.
- Wallace aquele cretino? – indagou – Quando e por quê? – insistiu um tanto confusa.
- Ontem, ele quis deixar claro que ele e a amante vão brigar pela casa – contei rindo fraco, não que aquilo soasse engraçado.
- Que canalha! Quem ele pensa que é? – pediu inconformada – Aquela casa é sua por direito – alertou-me.
- Eu não quero nada que me lembre o Wallace e se for para poder ter um pouco de sossego, ainda mais agora que aquela mulher descobriu meu número e anda me mandando mensagens ridículas – confessei, xingando-me mentalmente logo em seguida por ter contado aquela parte quando vi que seus olhos castanhos se arregalaram surpresa.
- O que? Como assim? – ela praticamente gritou aproximando-se de mim rápido demais.
- É – assenti – Ela me manda mensagens ridículas, esses dias ela me mandou uma dizendo o quão idiota eu fui esse tempo todo e que ela sim vai dar o filho que eu nunca poderia dar a Wallace e a homem nenhum – relatei o conteúdo da mensagem de uns dias atrás que me fez chorar feito uma criança por horas e que sim me machucou mais do que eu poderia imaginar.
- Meu Deus! Que mulher horrível, quem ela pensa que é também? – Alice me olhava horrorizada – Essa mulher é um monstro – concluiu.
- Eu realmente desconheço o homem com quem me casei – ri sem humor outra vez, era difícil aceitar que Wallace tinha se tornado o oposto do homem por quem me apaixonei e amei por muito tempo.
- Porque não me contou antes? Leo sabe que ele esteve lá? – quis saber afoita, sua mão acariciou a minha.
- Não – neguei, eu me sentia tão exausta com toda aquela situação, eu só queria que nada daquilo tivesse acontecido – Eu só não queria ficar te enchendo com os meus problemas Cice – murmurei culpada.
- – apertou minhas mãos em um carinho gostoso – Nós somos amigas, quero que conte comigo para o que precisar – sua voz era doce e mansa. Eu amava aquela mulher.
- Eu sei – assenti sorrindo para ela – E também o único que o viu foi o – dei de ombros, suas sobrancelhas arquearam.
- ? – repetiu o nome do cunhado, o tom de estranhamento em sua voz era nítido.
- É – concordei – Ele foi até minha sala e o Wallace ainda estava ainda – expliquei.
- Interessante – mordeu o lábio inferior, fiz uma careta tentando entender o que era tão interessante assim – Não se preocupe nós vamos dar um jeito nisso conheço alguns advogados, Brown é ótimo – sugeriu.
- Espera! Lenon Brown? – perguntei vendo-a assentir sem nenhuma estranheza – Leo não odeia esse cara? – insisti, Alice bufou revirando os olhos.
- Olha eu já aceitei que Leo odeia todos os meus ex-namorados, mas o que eu posso fazer se eu sou uma pessoa incrível e mesmo depois do termino eu consigo me tornar amiga deles – deu de ombros como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e como se ela tivesse tido muitos namorados. Cice era mesmo uma pessoa incrível.
- Alice você é inacreditável – ri.
- Eu sei – disse convencida – Mas enfim quando voltarmos eu vou ligar para o Lenon e ver se ele pode ajudar, aquela mulher não vai ficar com a sua casa – decidiu, jogou o cabelo para trás me fazendo rir mais.
- Ok – eu só pude concordar o que mais eu podia fazer?
- Certo, agora vamos descansar um pouco – disse levantando-se rápido soltando minhas mãos – A viagem foi cansativa demais – acrescentou.

Concordei e logo estávamos indo cada uma para o seu quarto, tomei banho e me joguei na cama macia, e só então pude sentir o quão cansada eu estava e não demorou muito e acabei adormecendo sem muito esforço.
Acordei no dia seguinte sentindo um ventinho gostoso entrar pela janela que eu mesma tinha deixada aberta, levantei e por alguns minutos apreciei a linda vista e os primeiros raios de sol que chegavam, e depois entrei no banheiro tomei um longo e demorado banho, vesti uma roupa, uma regata e um short jeans. Desci para preparar o café da manhã, a casa estava silenciosa, Alice e Leo ainda deviam estar dormindo. Eu amava cozinhar, mas depois da separação eu me distanciei um pouco parte era por falta de tempo mesmo e parte era que eu sempre estava cozinhando algo diferente para agradar Wallace. Eu era mesmo uma idiota.
Estava terminando as panquecas quando escutei um barulho de carro na frente da casa, com certeza não era meus amigos já que o carro deles estava na garagem já que a chave do mesmo ainda continuava na mesinha de centro na sala. Resolvi então verificar quem era o visitante, um tanto receosa abri a porta dando de cara com a última pessoa que eu imaginava ver ali, apesar da casa ser do irmão dele. Estava ali diante de mim puxando a mala preta o cara que atormentava meus dias por anos.

- Olá ! – saudou com um sorriso até gentil desenhado nos lábios vermelhos. Eu só podia estar alucinando.
- , o que faz aqui?


Capítulo 3

- ? O que veio fazer aqui? - indaguei o olhando séria, parada segurando a porta. - Bom - pigarreou - Acho que essa casa também é minha - zombou.
Revirei os olhos, estava parado a porta a dois minutos e já tinha conseguido me deixar irritada.
- Eu só não sabia que você viria - resmunguei, vendo-o se divertir com a minha cara. - Porque? Se soubesse, estaria usando algo melhor? - provocou, me olhou dos pés à cabeça, e eu me senti nua por um instante.
- Como você é idiota - bufei deixando-o para trás e indo em direção a cozinha, abri a geladeira para procurar algo que eu pudesse para preparar o café da manhã.
- Onde está o meu irmão? - perguntou, ele tinha me segundo e nem ao menos percebi, o encontrei de braços cruzados.
- Dormindo, eu acho - respondi, enchendo o recipiente da cafeteira de água antes de ligá-la. - Certo - foi tudo o que ele disse antes de finalmente me deixar sozinha. Eu não estava acreditando naquilo, era só o que me faltava ter que passar dez dias debaixo do mesmo teto que ele.
- Alice por que não me disse que ele também viria? - cochichei para Alice ao meu lado, estávamos arrumando a mesa do café enquanto os irmãos conversavam e Leo preparava os waffles.
- Se eu dissesse você não viria - respondeu - E você precisava disso - me cortou assim que abri a boca para retrucar.
- Não seu por que ainda sou sua amiga - murmurei, ela riu baixo, Ceci nunca me levava a sério.
- É eu também te amo - brincou, balancei a cabeça tentando não rir. - Prontinho garotas - Leo apareceu trazendo os waffles - pode pegar o suco, por favor - pediu, assenti. estava lá parado perto do balcão vendo algo no celular quando entrei na cozinha, ele parecia concentrado.
- Com licença - me aproximei, a jarra estava perto dele, desviou os olhos da tela do celular para mim - Eu preciso levar o suco - expliquei, olhou por cima do ombro e sorriu antes de voltará atenção outra vez para o celular - Stokes escutou o que eu disse? choro encarando-o séria.
- Sim - assentiu, fingiu um suspiro e me olhou divertido - Mas acho que você esqueceu de alguma coisa.

Eu odiava Stokes. Respirei fundo para manter a calma e evitar cometer um assassinato ali naquela cozinha, me aproximei dele e o olhei nos olhos.

- Saia da minha frente - mandei - Não vou repetir.

me avaliou pelo que me pareceu minutos, talvez estivesse pensando que fosse brincadeira, mas não era, e ele acabou percebendo e deu o espaço que eu precisava e então peguei a jarra de suco.
Leonardo já tinha servido a Ceci e a mim quando voltei com o suco e enchi os copos dos dois e o meu, juntou-se a nós pouco depois servindo a si mesmo.

- Está um lindo dia de sol - Ceci comentou ao meu lado, experimentando seu Waffles cheiode calda de chocolate, Alice as vezes exagerava no doce.
- Podíamos sair para caminhar um pouco e aproveitar o dia- Leo sugeriu. Eu não podia negar, o dia estava realmente lindo.
- Gostei da ideia, depois do café seria legal - falei aceitando a ideia.
- Claro - ele concordou.
- Amor você sempre tem as melhores ideias - Ceci disse eufórica, eu ri baixo achando lindo o jeito daqueles dois. Eles sempre foram assim desde a faculdade.
- Eu sei - Leo piscou e jogou um beijo para ela que se derreteu inteira - O que você acha ? - perguntou ao irmão que parecia estar bem longe, continuei o meu café da manhã evitando olhar para aquele ser detestável - ? - Leo o cutucou chamando a atenção dele.
- O que foi? - perguntou.
- Nós vamos caminhar depois do café, quer ir? - Leo quis saber, meu amigo estava realmente animado com o passeio.
- Ah claro, vai ser - aceitou, para o meu azar.

Fazia muito tempo desde a última vez em que tomei um pouco de sol, na verdade foi na minha lua de mel, a mais ou menos sete anos. Eu adorava estar em Albany, aquele lugar me trazia tanta paz o ar puro e a calmaria era tudo o que eu precisava.
Entrei numa trilha onde eu sabia que daria em um lago, que eu costumava vir nas férias nos tempos da faculdade. Leo sempre arranjava um jeito de me arrastar até Albany, Leonard dizia que eu não precisava ficar sozinha, meus pais moravam longe e Leo cuidava de mim, era com ele e Ceci com quem eu passava os feriados.
Tudo estava igual desde a última vez em que estive aqui, mas ainda assim continuava lindo como sempre, me sentei perto da árvore. Por um segundo me peguei pensando na minha vida, como tudo pode mudar de um momento para o outro, era tão difícil acreditar que tudo tinha acabado se alguém me alguém me dissesse que meu casamento acabaria como acabou e que a minha vida se tornaria uma bagunça, eu chamaria a pessoa de louca.
Sempre pensei que meu casamento seria para toda a vida, quando conheci Wallace em uma festa de aniversário de uma colega de trabalho imaginei ter finalmente conhecido o cara dos meus sonhos, nos conhemos melhor, namoramos e em pouco tempo decidimos nós casar. Wallace sempre foi um bom marido, me tratava bem e eu o amava mais que qualquer coisa. Foram bons anos vivendo juntos, éramos tão felizes, pelo menos foi o que pensei até que tudo começou a mudar, ou melhor, ele começou a mudar.
De uma hora para outra Wallace passou a chegar tarde em casa, passava mais tempo no celular do que qualquer coisa e agir de um modo estranho, até que descobri que ele estava sendo traída. Wallace estava me traindo com uma velha amiga de infância, dois pior dor que senti na vida, no início cheguei a pensar que eu tinha feito algo errado que tinha deixado algo faltar para ele, nunca consegui entender por que ele tinha feito aquilo, e sinceramente, talvez nunca fosse entender.
Leonard e Alice estiveram comigo neste momento, e para ser sincera, talvez não tivesse aguentado sem eles.

- Esse lugar continua do mesmo jeito.

Leo se sentou ao meu lado, estava tão absorta em meus próprios pensamentos que bem ao menos percebi sua chegada. Ele sempre me encontrava, aquele na verdade era o nosso lugar secreto. Nosso refúgio.

- Sim - concordei. Abracei os joelhos, suspirei alto, estava tão cansada.
- Muita coisa para pensar? - perguntou. Encarei o lago por um instante, ele me conhecia tão bem.
- É, muita coisa - respondi - Como tudo pode mudar de uma hora pra outra assim? - franzi o cenho - Eu não sei o que fiz de errado Leonard - olhei para o meu amigo com os olhos inundados de lágrimas.
- Ah - ele suspirou, me puxando para os seus braços tão acolhedores - Você não fez nada de errado, não teve culpa do que aconteceu - funguei.
- E então por que eu sinto como se fosse? - indaguei afastando-me de seu abraço para olhá-lo, buscando uma resposta em seus olhos.
- , por favor - murmurou, secando minhas lágrimas - Eu imagino o quanto está sendo difícil para você, mas acredite em mim - segurou meu rosto entre as mãos - A única pessoa que tem culpa nessa história toda é ele, entendeu? - falou sério, desviei meu olhar do dele, engolindo o choro e assenti - Eu amo você , sabe que pode contar comigo sempre - o abracei apertando o rosto em seu peito me sentindo protegida.
- Eu também te amo - suspirei - Amo muito você e a Ceci.

Leonard e eu ficamos mais algum tempo ali sentados relembrando de tempos menos complicados que aqueles. Decidimos voltar para casa quando nossas barrigas começaram a roncar, encontramos Ceci e preparando almoço, foi estranho vê-lo tão descontraído, já que na maior parte do tempo ele dedicava para me irritar e dar ordens como um tirano. Leo juntou-se a eles ajudando-os, e eu decidi fazer uma ligação para a minha mãe antes de me juntar a eles.

- Oi filha - a voz suave da minha mãe do outro lado fez meus olhos arderem outra vez, sentia tanta falta dela, era horrível ter de ficar tão longe dela e do meu pai.
- Oi mãe - murmurei, sai para área da piscina para ter um pouco mais de privacidade.
- Como é bom ouvir sua voz amor - disse.
- Também é bom ouvir a sua voz mãe - falei emocionada, respirei fundo fechando os olhos tentando conter as lágrimas - Como você está? E o papai? - perguntei.
- Estamos bem, com saudades de você - respondeu.
- Eu também estou mãe - engoli o no que formou-se em minha garganta.
- Você não vai acreditar, seu pai adotou um cachorrinho, um filhote que não deixa dormir contou rindo.
- Mas o papai nunca gostou de cachorro - comentei. Papai nunca tinha sido muito fã de animais, nunca tive um filhote por esse motivo, era até engraçado imaginar ele lidando com um filhote.
- Eu sei, esse filhote o está mantendo acordado diariamente - ela riu me fazendo rir também - Mas e você filha? Como você está? - quis saber mudando de assunto.
- Eu estou bem mãe, estou em Albany com Alice e Leo - contei, meus pais adoravam aqueles dois.
- Ah que ótimo, que bom não está sozinha - concordei - E como eles estão? E o bebê? - Não há nenhum bebê ainda, Ceci está fazendo jogo duro - brinquei chutando a grama de leve.
- Ah não, diga a ela para ser boazinha com o Leo - pediu, nós rimos.

Mamãe e eu passamos um bom tempo conversando, o que me fez muito bem eu adorava conversar e ouvir os conselhos dela, nós sempre fomos muito amigas e isso sempre facilitou as coisas entre nós.

- Ei , o almoço está pronto - Alice chamou-me pouco depois, assenti entrando atrás dela. O cheiro estava ótimo e o sabor também estava delocioso, foi um momento tranquilo e até descontraído rimos de conversas bobas. Depois do almoço fiquei responsável por lavar a louça, achei justo já que eu não tinha ajudado a preparar nada. Leo e Ceci tinham decidido ir para piscina, quando entrou outra vez na cozinha mexendo no celular estava terminando, deixei o último prato no escorredor de louças e apanhei o pano de prato sobre o balcão.
- Você estava chorando? - ele perguntou de repente.
- O que? - indaguei, olhei para ele com o cenho franzido - Eu estou bem - acrescentei. - Certo - ele pigarreou - Me desculpe por mais cedo - disse antes de sair como um raio, me deixando sem entender nada.

Passei os últimos dois dias evitando o senhor esquisito sempre que consegui. Alice e eu fomos a cidade fizemos compras e conhecemos alguns lugares legais. No terceiro dia, Alice decidiu que todos sairíamos para jantar fora, mas eu particularmente não estava muito afim de ir a lugar nenhum.

- Não Ceci, deixa para outro dia - sugeri - E até por que eu já estou pronta para o meu encontro com o meu cobertor, cama, travesseiro, Netflix, vinho e pipoca - expliquei dando tanta emoção em cada palavra que saia da minha boca, Alice por outro lado me olhava indignada.
- Você tem um problema muito sério - comentou eu ri da careta que ela fez. - Certo - concordei empurrando-a para fora da cozinha, ela tinha me seguido até quando me viu descer a escada usando pijama, ela tinha feito de tudo para me convencer a ir com eles, mas eu realmente estava com vontade de ficar em casa. tinha saído antes deles, o que me deu um certo alívio assim eu não correria o risco de encontra- lo pela casa. - Tudo bem senhora madona, mas não reclame se não voltarmos hoje - ela piscou para mim.
- Não vou - garanti entendendo suas intenções.
- Está bem - me abraçou - Qualquer coisa é só ligar - assenti.

Ceci estava linda naquele vestido soltinho azul parecia uma adolescente ela estava radiante.
A pipoca tinha acabado quase na metade do filme assim como o vinho, e apesar de de ter tomado a garrafa toda eu estava com sede e levemente tonta, na verdade sempre fui fraca para bebida do tipo que duas taças de vinho já são o suficiente para mim, mas eu havia me empolgado e sabia que não deveria nem se quer chegar perto da escada, mas precisava de água e por isso resolvi arriscar e descer, a pipoca tinha me dado muita sede.
Sai do quarto me apoiando na parede, alcancei o primeiro degrau e tateando o corrimão para evitar descer rolando, esse pensamento me fez rir. Tinha sido a péssima ideia ter deixado tudo no escuro foi irresponsabilidade, descendo degrau por degrau pensei que não acabaria nunca, e então de repente a porta da frente foi aberta a luz acesa, a claridade me atingiu com força minha visão ficou embaralhada e com o susto acabei me desequilibrando o corrimão pareceu estar coberto de algo muito escorregadio escapando entre meus dedos, senti um dos meus pés virar rápido demais, então rolei os degraus.
- Ai! - gritei sentindo a dor impacto do meu corpo no chão e uma dor muito forte no tornozelo, apertei o mesmo tentando sem sucesso fazer parar.
- ? - ouvi alguém me chamar, não reconheci até vê-lo se agachar ao meu lado Desculpe eu... - sua voz entregava seu nervosismo e desespero, meu tornozelo parecia doer mais a cada instante.
- Ai - choraminguei. Tentei me sentar, mas tudo o que eu consegui foi me apoiar nele, meu corpo todo doía. Aquela história de que o álcool anestesiava tudo para mim naquele momento não estava funcionando.
- Calma vai ficar tudo bem - ele disse me tranquilizando, ou pelo menos tentando - Vou te levar para o hospital.

Senti quando ele me ergueu do chão me tomando com cuidado nos braços.


Capítulo 4

Fazia algum tempo que e eu tínhamos chegado ao hospital, eu estava deitada numa maca tomando soro e com o pé enfaixado, segundo o doutor Sherppad tinha sido somente uma torção e que o inchaço passaria em alguns dias se eu tomasse corretamente os analgésicos. Minha cabeça ainda doía um pouco quando o médico entrou no quarto.

- Olá senhorita - saldou, ele mais parecia com um professor do que um médico - Boa notícia, a senhorita está liberada para ir para casa - disse, ele tinha deixado á prancheta em cima da maca onde eu estava depois tirou a agulha do meu braço colocando um curativo.
- Onde está o... - ele me interrompeu, antes que eu pudesse terminar.
- Estou aqui - entrou na sala - Fui assinar sua alta - explicou - Então, já podemos ir? - perguntou ao médico que assentiu, fiz força para levantar, mas foi mais rápido e outra vez me tomou em seus braços como se eu não pesasse nada.
- Acho que posso ir devagar - comentei surpresa com sua atitude.
- É mais rápido assim - retrucou me olhando nos olhos. Fui obrigada a me segurar nele passando os braços por seus ombros. Passamos pela recepção e todos estavam olhando para nós, podia jurar que ouvi alguns suspiros, revirei os olhos aquilo era ridículo.

me colocou sentada no banco do passageiro com todo cuidado e me ajudou com o cinto, e então tomou seu lugar em frente ao volante.

- Que horas são? - perguntei, estava me sentindo um pouco zonza.
- Quase três da manhã - respondeu - Está sentindo alguma coisa? - quis saber. Meus olhos estavam pesados e a voz de ficava cada vez mais distante, acho que ele disse algo sobre os analgésicos, mas eu já estava me entregando ao sono.

O barulho bem distante me fez despertar, abri os olhos devagar já era dia e eu estava no meu quarto, meu pé machucado estava apoiado sobre travesseiros, nem me lembrava de ter chegado até ali, mas a explicação estava bem a diante dormindo sentado na poltrona.
era uma pessoa muito estranha.
Com esforço sai da cama, mas mal consegui apoiar o pé no chão e a dor voltou.

- Droga! - praguejei irritada, obrigada a sentar na cama outra vez.
- , o que está fazendo? - perguntou com a voz rouca.
- Estava tentado ir ao banheiro - respondi zangada.
- Espera eu ajudo você - disse, me fazendo olha-lo, ele se espreguiçou ao se levantar - O que foi? - indagou.
- Você não vai comigo ao banheiro - avisei na defensiva.
- Só vou te levar até lá, relaxa - garantiu. O avaliei por mais alguns segundos, mas eu não tinha escolha.
- Tudo bem - aceitei, afinal mal podia colocar o pé no chão. me levou até lá, tranquei a porta quando ele me deixou sozinha - Que bela merda - resmunguei olhando o pé enfaixado, então olhei meu reflexo no espelho e eu estava horrível e com dor, deveria tomar um banho, mas eu não iria deixar me ver nua, decidi que esperaria até Alice acordar, se ela estivesse em casa. Escovei os dentes, lavei o rosto e penteei o cabelo prendendo-o em um rabo de cavalo, quando voltei ao quarto para a minha surpresa ainda estava lá de pé diante da janela – ? – chamei, fazendo-o notar minha presença.
- Está com fome? – perguntou, assenti ainda parada na porta do banheiro me apoiando no batente – Então vamos lá, eu vou te ajudar a descer a escada – disse vindo em minha direção, abaixou-se um pouco para me levantar nos braços outra, mas antes que conseguisse o fiz parar. me olhou franzindo as sobrancelhas, os olhos azuis me encarando em total confusão.
- Espera. Não precisa me carregar o tempo todo – expliquei. Será que ele não conseguia perceber o quão incomodo aquilo era? Pelo menos para mim sim. Totalmente desnecessário levando em conta que eu poderia descer devagar me segurando no corrimão, eu poderia chegar a qualquer lugar, mesmo que levasse algum tempo.
- Por quê? Você está machucada, sem contar que será bem mais rápido se te ajudar – rebateu, voltando a sua postura normal, apoiou as mãos nos quadris, esperando que eu concordasse com aquela maluquice.
- Claro – suspirei, cocei a testa, o era completamente estranho e maluco, mas eu não iria deixá-lo me carregar mais – Tudo bem, vamos fazer o seguinte, você me ajuda a descer, mas sem me carregar esta bem? Pode fazer isso, ? – pedi, quase implorando. Ele me observou por longos segundos até finalmente concordar suspirando alto.

Discutimos a cada degrau descido, era teimoso e muito mandão, até mais que Leonard. Fiquei na sala sentada no sofá com o pé machucado em cima de duas almofadas, além de tudo ele também era exagerado. O cheiro que vinha da cozinha estava delicioso, meu estomago roncou no mesmo instante em que apareceu segurando uma bandeja, com ovos e bacon em um prato, torradas, geleia de morango e uma xícara de café.

- Coma – mandou.
- Você é bem mandão – resmunguei, ele não disse nada e continuou me observando esperando que eu o obedecesse, decidi evitar me estressar e comecei a comer, e para dizer a verdade estava realmente uma delicia, ele tinha caprichado. Olhei-o por cima da xícara, confusa com aquela mudança de comportamento dele, não era daquele jeito, ele não se preocupava e muito menos se importava comigo, então por que toda aquela atenção? – Não vai tomar café? – perguntei.
- Sim, logo depois de você – respondeu, engoli o café com dificuldade.
- Bom. Tudo está uma delicia, obrigada – elogiei.
- Disponha – ele sorriu, e aquilo foi ainda mais estranho. Meu Deus, o que estava acontecendo? – Já são quase dez – disse ao olhar em seu relógio de pulso – Termine seu café, vou pegar o seu remédio – completou, levando do sofá tão depressa que nem tive tempo de dizer qualquer coisa.

A única coisa que poderia explicar era que tudo aquilo não passava de um sonho muito estranho. não era gentil e prestativo comigo, nunca foi, muito pelo contrário ele sempre fazia questão de deixar explicito que me odiava, estava sempre me irritando sendo mal educado e grosseiro.

- , o que aconteceu? – Alice desceu correndo a escada, usando um roupão azul, os cabelos presos num rabo de cavalo.
- Uma péssima combinação entre vinho, casa escura e escada – dei de ombros. Ceci olhou para o meu pé com preocupação.
- Ah , sinto muito não ter estado aqui para te ajudar – desculpou-se. Ceci alisou minha canela para me confortar.
- Alice esta tudo bem agora – tentei tranquilizá-la, mas pelo modo como me olhava não acreditei ter tido sucesso – Foi culpa minha, eu não deveria ter bebido uma garrafa de vinho sozinha e muito menos ter descido a escada no escuro, foi idiotice – admiti, Ceci riu baixo.
- Você sempre foi fraca para bebida – lembrou, assenti culpada. – me contou que ele te levou para o hospital.
- É ele me ajudou – tive que contar, aquelas palavras saindo da minha boca soou tão estranho quanto às atitudes do .
- É ele me contou. ficou preocupado de verdade – comentou. - Eu não sei qual é o problema dele – cochichei, arregalei os olhos em desespero – Ele fez meu café da manhã e...
- Aqui seu remédio voltou, Ceci se levantou sentando ao meu lado no sofá.
- Obrigada – peguei o comprimido branco colocando- na boca e em seguida tomando um gole da água que ele me ofereceu. Ele ficou parado me olhando até que eu tomasse.
- Que bom que você estava aqui para ajudar a minha amiga, – Ceci parecia estar se divertindo com a situação, eu conhecia aquela mulher.
- Pois é. Por sorte não foi nada muito grave – ele disse. Resolvi dedicar minha atenção ao meu café da manhã.
- Graças á você – continuou.
- Ceci será que você podia me ajudar? Preciso de um banho – interrompi aquela conversa constrangedora, pelo menos para mim. Alice não tinha limites, e se ninguém a freasse ela continuaria.
- Claro, eu te ajudo – concordou. Quando a olhei, ela estava tentando disfarçar seu divertimento. tirou a bandeja do caminho e com a ajuda de Alice, me levou de volta para o quarto – Então quer dizer que o meu cunhado tem um lado gentil – provocou, depois de ter saído.
- Cala á boca, Alice – ralhei. A cretina gargalhou, ela iria se divertir as minhas custas por um bom tempo.

Despertei de repente, eu não fazia ideia de que horas eram, mas deveria ser tarde. Na televisão o filme que comecei a assistir tinha terminado não me lembrava de ter pegado no sono, estava tudo escuro a não ser é claro pela TV ligada. Remexi-me no sofá e senti algo atrapalhando meus movimentos, olhei para baixo e vi . Ele estava sentado aos meus pés dormindo, e se continuasse daquele jeito teria uma dor horrível no pescoço no dia seguinte. Notei que uma das mãos dele estava apoiada sobre a minha perna um pouco a cima do meu joelho, observei seu peito subir e descer devagar, a respiração calma, ele estava em um sono tranquilo, mas eu iria acordá-lo e tirar a mão dele de cima de mim.

- ? – chamei, cutucando-o com o pé bom, ele suspirou baixo, mas o que me pegou desprevenida e de surpresa foi quando ele apertou de leve e alisou onde sua mão estava na minha perna. Arfei surpresa, um arrepio tomou meu corpo – ? – chamei outra vez, um pouco mais alto do que o necessário, para o meu alivio ele abriu os olhos finalmente acordando.
- Acho que peguei no sono – disse baixo com a voz rouca, e sorrindo levemente.
- É – concordei nervosa, apoiei como pude até me sentar e me livrando de seu toque – Acho melhor eu ir para a cama – pigarrei, minha respiração estava acelerada e meu coração disparado.
- Tudo bem – assentiu. O observei se levantar desligar a televisão e então me ajudar a subir para o quarto – Então... Boa noite – desejou parado diante da porta do meu quarto.
- ? – chamei, ele já tinha saído, mas voltou no mesmo instante – Eu... – o encarei. Não era tão difícil fazer aquilo – Obrigada por ter me ajudado, por ter me levado ao hospital e cuidado de mim – murmurei.
- Não ha de que – disse – Boa noite, – desejou, e então saiu depressa, fechando á porta.
- Boa noite, – sussurrei no vazio do quarto – Droga – me joguei de costas na cama.

Ficar o dia inteiro sem fazer absolutamente nada era um saco e ter que ficar sentada era ainda pior, claro que não tão ruim quanto ter que ficar dependo de alguém para tudo. Mal podia esperar para finalmente poder me virar sozinha.
continuava com seus cuidados e gentilezas comigo, era ele quem me lembrava dos remédios sempre aparecendo com um copo de água e o comprimido, e sempre que estava por perto me ajudava a me locomover pela casa nos últimos dias, então decidi começar a caminhar forçando meu pé, eu não iria passar os meus últimos dias em Albany sentada no sofá. O sol lá fora estava incrível e ficar presa dentro de casa estava completamente fora de cogitação para mim.
Leo e Ceci estavam aproveitando a piscina, tirei a faixa do pé e ele não estava tão ruim assim, pelo menos os remédios estavam ajudando. Coloquei o biquíni e um short, sai do quarto.

- ?

Parei no mesmo instante, era ele outra vez.

- Oi – respondi, levantei meu olhar até ele e o encontrei saindo de seu próprio quarto, usando um short azul e sandálias além da toalha amarela pendurada no ombro direito. Nunca tinha o visto á vontade, eu estava paralisada não conseguia parar de olhar por mais ridículo que pudesse ser eu não conseguia tirar meus olhos do corpo seminu dele. Era impressionante.
- você está bem? – perguntou. Eu devia estar com cara de idiota e com as bochechas vermelhas, nem tinha notado que chegou perto de mim, mas então ele me tocou e eu tremi.
- Eu... Eu – gaguejei, balancei a cabeça, eu precisei me recompor. O toque dele tinha me deixado estranhamente quente – Sim – pigarreei – Estou bem – acrescentei, afastei suas mãos de mim.
- Você tirou a faixa – observou olhando rapidamente para o meu pé – Já está melhor? – quis saber.
- É eu tirei – assenti – Não dói mais como antes, mas eu não quero passar os meus últimos dias aqui sentada no sofá – expliquei vendo-o concordar.
- Claro. Bom, se precisar de ajuda é só me dizer – disse. passou por mim, e desceu a escada correndo e assoviando, ele tinha saído, mas o cheiro da loção pós-barba dele ficou me deixando zonza.
- , qual é o seu problema? – recriminei a mim mesma, talvez os analgésicos e a pancada tenham dado um nó no meu cérebro e causado danos piores do que uma torção no pé.

Quando cheguei á área da piscina, encontrei Leonard e conversando do outro lado da piscina e Ceci dentro da mesma apoiada na borda.

- Oi – falei chamando sua atenção.
- Ei – ela sorriu – Tirou a faixa que bom – notou.
- É – me sentei a borda colocando os pés na água fria – Aquele negócio era um soco e além do mais, meu pé já esta melhor – levantei o pé da água mostrando para ela.
- Ótimo – Alice tomou impulso e saiu da água se sentando ao meu lado, espalhando água por todo o lado e me molhando no caminho.
- Ceci! – resmunguei, mas ela não se importou – Aconteceu alguma coisa? – perguntei indicando os dois.
- Não. É sobre trabalho – respondeu – Acho que vocês terão muito que fazer quando voltar – explicou.
- Sempre tem – dei de ombros.
- ? – chamou, voltei minha atenção para ela e esperei que ela continuasse – Eles não mandaram mais nada, não é? – quis saber preocupada, seus olhos mostravam isso.
- Não – neguei – E quer saber, eu vou ignorar se mandarem qualquer coisa. Assim que voltarmos vou entrar em contato com aquele seu amigo – prometi.
- Certo.

Tentei juro que tentei olhar para qualquer outro lugar, mas o desenho das costas dele chamou minha atenção, a pele parecia brilhar sob a luz do sol o cabelo bagunçado pelo vento, desci meu olhar até chegar a bunda coberta pelo short azul, desenhando tão bem aquela parte.

- Já terminou de olhar tudo? – o tom divertido de Alice me trouxe de volta a realidade, eu tinha sido pega.
- O que? – disfarcei evitando olhar para qualquer coisa que não fosse meus pés dentro d’água.
- descrição não é o seu forte – provocou.
- Do que você esta falando, Alice? – olhei feio para ela. Ceci me avaliou por segundos antes gargalhar – Alice! – ralhei batendo em sua perna.
- Você é péssima amiga – continuou. Respirou fundo secando o canto dos olhos – Você precisa de uma solução rápida para o seu problema.
- O que? Que problema? – indaguei, não entendia o que ela estava tentando dizer.
- Tudo bem – levantou as mãos em rendição – Finja que eu não percebi – acrescentou. Eu abri e fechei a boca ás vezes sem saber o que dizer e fiz a única coisa que estava ao meu alcance no momento e a empurrei de volta na água, quando voltou ela me olhou sorrindo maliciosa e fazendo uma dancinha ridícula.



Leonard falava e falava sem parar, mas eu não estava escutando uma única palavra, era algo sobre a Bella, mas tudo no que eu conseguia pensar era que diabo estava havendo comigo?
O modo como eu venho agindo principalmente em relação a , tudo bem eu tive minha parcela de culpa por ela ter se machucado na escada, e levando em conta que foi totalmente involuntário. Mas porra, eu já tinha feito minha parte, então porque eu não conseguia parar de me importar?

- O que você acha ? – Leo perguntou me cutucando e então voltei a realidade.
- O que? – indaguei o olhei esperando que ele dissesse o que queria.
- Você ouviu o que eu disse? – resmungou me olhando feio.
- Desculpe, eu estava pensando em outra coisa – contei.
- Tudo bem – suspirou – Resolvemos isso depois – disse. Concordei, aqueles dias em Albany eram para descanso não queria falar de trabalho – Ah agradeço por ter ajudado a – acrescentou.
- Leo eu só fiz o que precisava fazer – dei de ombros – Ela caiu se machucou e eu a levei até o hospital – falei sincero.
- Eu sei – ele assentiu – E agradeço por isso, eu sei que vocês dois não se dão bem, mas fico feliz que estava aqui para ajudá-la Leo apertou meu ombro.
- Ceci esta te deixando estranho – provoquei fazendo-o rir.
- Só pega leve com ela, por favor – pediu voltando ao assunto outra vez – não tem passado por coisas boas – franzi o cenho.
- Olha... Alice é boa – zombei rindo.

Decidimos nos juntar as garotas e lá estava a com seu short curto e a parte de cima do biquíni, eu nunca tinha visto ela daquela forma, com tanta pele amostra. Analisei-a com cuidado, ela parecia triste e nervosa ao mesmo tempo, a coisa mais estranha era eu estar prestando atenção nela.
Meu celular vibrou no bolso do short desviando minha atenção da . O nome de Julie brilhava na tela, decidi atender ou ela não me deixaria em paz, ou pior apareceria ali.


Capítulo 5

Alice e Leonard tinham saído para um passeio em casal sem hora para voltar, não tinha visto desde que me levantei o que para mim foi um alivio, meu tornozelo já estava bem melhor também.
Passei algum tempo na piscina relaxando e lendo uma revista qualquer, até que decidi fazer algo para o almoço.
O molho estava quase no ponto, acrescentei uma pitada de sal e deixei o molho encorpar, enquanto o macarrão estava no escorredor.

- Que cheiro bom – apareceu de repente me fazendo estremecer só de ouvir sua voz, pude sentir o calor do corpo dele bem atrás de mim.
- Vai ficar pronto logo – avisei, odiando minha voz por ter saído tão rouca.
- Que bom – murmurou. Escutei seus passos se aproximando – Deixa eu provar um pouco disso – pediu junto as minhas costas, o cheiro dele me atingiu e seus dedos tocaram os meus ao pegar a colher da minha mão, seu corpo colou-se as minhas costas e eu gelei quando ele pegou um pouco do molho na colher e provou se afastar. Pude sentir a respiração dele – Delicioso – gemeu baixo no meu ouvido. Arfei e por descuido acabei encostando a mão esquerda no fogão e senti o ardor principalmente nos dedos.
- Ai! – gritei afastando minha mão depressa.
- Eu nem encostei em você ainda – ele riu se divertindo e largou a colher na pia.
- Idiota – ralhei segurando minha mão – Eu me queimei – me afastei dele.
- Espera, deixe-me ver – puxou minha mão que eu assoprava tentando fazer passar o ardor, tentei puxá-la de sua mão, mas ele foi mais rápido segurando meu pulso com mais firmeza, passou os dedos desde a palma até as pontas dos dedos e ardeu ainda mias.
- Esta ardendo sabia? – reclamei tentando puxar minha mão e olhando feio para ele notando o quanto ele estava perto de mim e por alguma razão eu não fiz nada para me afastar.
- Cala á boca – mandou.
- Grosso – resmunguei.
- Você ainda não viu o que é grosso de verdade – ele me olhou sorrindo com malicia, engoli em seco.

Eu precisava, sabia que precisava me afastar e fazê-lo parar, mas eu me perdi em seus olhos. mordeu o lábio inferior e então levou minha mão até sua boca, observei cada movimento, mas nunca poderia imaginar aquilo. Senti minha calcinha molhar mais que depressa quando sem mais nem menos ele começou a chupar meus dedos, um á um bem lentamente.

- ... O que esta fazendo? – perguntei com a voz fraca e os olhos arregalados.
- Tirando a ardência dos seus dedos – respondeu, me olhando como se não estivesse fazendo nada demais, como se estivesse causando uma erupção no meu corpo.
Pare com isso – pedi, mas nem eu sabia se queria que ele realmente parasse – Por favor...
- tem certeza? – insistiu se aproximou ainda mais juntando nossos corpos que ficou até difícil respirar – Não quer que eu tire a ardência de outro lugar? – sussurrou. Seus olhos azuis não deixavam os meus nem por um segundo.

Arfei quando senti suas mãos fortes em meus quadris, forçando seu corpo contra o meu.

- Por favor – implorei. Não sabia pelo o que estava implorando, mas eu o fiz. Não consegui manter meus olhos abertos e muito menos manter meu corpo em pé, minhas pernas tremiam como gelatina.
- O que? O que você quer ? – a voz rouca me deixou ainda mais excitada - Vai, me diz – continuou, uma das mãos descendo entrando por dentro do meu short, seus dedos longos encontram minha calcinha encharcada – Já sei o que você quer – ele riu baixo encostando a boca no meu ouvido me fazendo suspirar – E eu vou te dar – murmurou e então sem aviso sua mão invadiu minha calcinha enfiando os dedos em mim...

Pulei na cama, arfando e suada olhei em volta assustada respirando aliviada por estar sozinha no quarto. Claro aquilo era tudo o que eu precisava começar a ter sonhos eróticos com o Stokes.
A casa estava silenciosa, deviam estar dormindo ainda, era cedo demais na verdade. Mas eu tinha perdido o sono completamente o sono.
Decidi preparar o café da manhã para me distrair, estava acontecendo algo muito estranho comigo.

- Eu devo estar ficando maluca – falei apoiando as mãos na pia.
- Falar sozinha é uma prova – me virei depressa contendo o grito de susto que ficou preso na garganta. E como se fosse um castigo ou uma praga – acredito que um pouco dos dois – lá estava ele. Stokes.
- Que susto – resmunguei, engoli em seco meu corpo estava tremendo, não sabia ao certo se pelo susto ou por estar no mesmo espaço que ele.
- Desculpe, não foi minha intenção – pediu me olhando de cima a baixo.
- o que foi? – perguntei incomodada pela intensidade daquele olhar.
- Nada – deu de ombros – Então... O que tem para o café da manhã? – quis saber espalmando as mãos no balcão da cozinha. Meu olhar caiu sobre aqueles dedos longos, tive vontade de esfregar as coxas uma na outra, mas me contive – ? – chamou. O olhei com os olhos arregalados, droga por que eu estava tão nervosa?
- Ah... – gaguejei – Acabei de colocar água na cafeteira, estava pensando em fazer Waffles – expliquei.
- Bom, eu vou te ajudar – decidiu. Ele deu a volta no balcão me deixando ainda mais nervosa, eu mal conseguia respirar a cada vez que acabávamos nos esbarrando sem querer. Nunca tinha notado o quão pequena aquela cozinha era.
- Você é bom na cozinha – comentei ajudando a colocar a mesa.
- Sou bom em tudo o que eu faço – disse todo pomposo, revirei os olhos, estava demorando demais.
- Principalmente em me irritar – acrescentei.
- É claro – admitiu rindo, eu podia sentir a diversão em seu tom e no sorriso que ele tentava conter – Leo e eu aprendemos a nos virar sozinhos desde cedo. Nossa mãe precisava trabalhar então precisamos a aprender a nos virar sozinhos – explicou.
- Kristen é uma boa mulher, eu a adoro – murmurei. Kristen era uma mulher incrível tinha criado os dois filhos sozinha depois que o marido morreu.
- Espero que você nunca a veja de mau humor – brincou me fazendo rir.
- Como eu sempre digo ao Leo, eu só recebo a melhor versão – disse a ele.
- Menos a minha – franzi as sobrancelhas sem entender o que ele quis dizer – De mim você recebe sempre a pior versão – concluiu. Fiquei calada encarando aquele homem nos olhos tentando entender o que estava acontecendo.

Eu não deveria me importar com nada que envolvesse o Stokes, afinal de contas tudo o que ele fazia era me irritar e principalmente por que nós dois não éramos amigos, muito longe disso. Nós nos odiávamos, mas por alguma razão eu não conseguia parar de pensar no que ele tinha me dito. Claro que depois do café eu não o vi durante o dia todo, em parte fiquei aliviada por não precisar encará-lo.
Leo, Alice e eu fomos jantar fora, em um restaurante bem charmoso na cidade, encontramos alguns amigos de Leonard que se juntaram a nós. Caleb, Robert, Veronica e Jill. Caleb e Veronica eram casados há algum tempo, mas estavam juntos desde a adolescência. Robert e Jill eram irmãos, Leonard os conheceu em uma das muitas visitas que fez para Albany com a família quando ainda era criança. Estava me divertindo ouvindo as histórias da infância deles, quem não estava gostando nem um pouco era Ceci, principalmente por que Jill a loira estava aparentemente dando em cima de Leonard.

- Leonard era um amor – Jill disse sorrindo para Leo que pareceu envergonhado.
- Claro que era – Veronica a ruiva zombou – Vocês eram namoradinhos – acrescentou, ela não pareceu notar o que tinha acabado de dizer, olhei para Alice e o modo como ela respirou fundo e olhou para Leonard me fez sentir pena do meu amigo, eu conhecia bem aquele olhar.
- Ah vocês foram namoradinhos na infância? – ela perguntou sorrindo, ela olhou do marido para a loira. Olhei discretamente para Leo, e eu também conhecia aquele olhar, era um pedido de socorro.
- Foi á muito tempo – deu de ombros nervoso – Coisa de criança – completou engolindo em seco.
- Ah, mas eu sempre achei que fossemos casar – a loira continuou e a cada chance que tinha ela dava um jeito de tocar em Leonard. Observei Ceci respirar fundo e se ajeitar na cadeira. Beberiquei meu suco.

Percebi que Veronica tinha se arrependido de ter tocado no assunto, era notável o desconforto do meu amigo e dos outros dois homens na mesa que pareciam querer correr dali.

- Como o meu marido disse – Alice encarou a loira com um sorriso nos rosto – Foi coisa de criança, não deveria ter se iludido ou levado tão á sério – alertou. Cocei a nuca, a loira pensou em responder, percebi pelo modo como encarou Alice, mas escolheu sabiamente ficar quieta.
- E então , vocês são amigos á quanto tempo? – o homem ao meu lado pigarreou me fazendo prestar atenção nele, distraindo a todos nós. Robert se parecia um pouco com Jill além dos cabelos loiros e os olhos verdes.
- Sim, estudamos juntos no ensino médio e fizemos faculdade também – respondi – Nós três na verdade – bebi mais pouco do suco.
- Que legal – assentiu – Então você conhece o ? – quis saber.
- É trabalhamos juntos na verdade Leo e são os meus chefes – contei. Robert olhou surpreso para Leonard e voltou para mim.
- Faz tempo que não vejo o , ele não veio? – foi Caleb quem perguntar.
- Veio sim – Leonard respondeu – Hoje ele teve trabalho – explicou. Franzi as sobrancelhas.

Trabalhando, então ele tinha ficado o dia inteiro trabalhando?

- Podíamos sair na sexta. Tem um ar bem legal aqui perto – Robert sugeriu.
- É, pode ser legal – Caleb concordou.
- Gostei da ideia – Veronica pareceu eufórica com a ideia, esperei que Leo falasse alguma coisa, mas ele parecia um tanto relutante.
- Nós vamos sim – foi Alice quem respondeu por ele.
- Vamos? – Leo indagou receoso olhando assustado para a mulher.
- Claro que sim – ela sorriu – Nós vamos embora no sábado e não se divertiu o suficiente – continuou, Leo olhou para mim procurando ajuda e tudo o que fiz foi dar de ombros.
- É pode ser legal – contive a gargalhada quando Leo franziu as sobrancelhas.
- Então está marcado – Robert piscou para mim, desviei meus olhos dele envergonhada e foquei em terminar meu suco.

À volta para casa só não foi mais silenciosa por conta do rádio ligado, Alice ignorou Leonard durante todo o caminho, ela estava morrendo de ciúmes, mas ela nunca admitiria aquilo.

- Boa noite – Alice me desejou passando direto por Leo.
- Boa noite Ceci – respondi – Boa sorte amigo, você vai precisar – dei um tapinha amigável no ombro dele.
- É, eu sei – assentiu e subiu a escada depressa atrás da mulher, eu ri. Aqueles dois não mudavam nunca.
- Ei o que aconteceu? – perguntou descendo a escada.
- Uma namorada de infância – respondi, ele me encarou confuso, estava usando calça de moletom e blusa branca – Uma tal de Jill – expliquei.
- Ah claro, Jill Willians – ele riu, apoiando as mãos na cintura.
- É – concordei – Você jantou? – indaguei.
- Sim – assentiu – Eu estava pensando em ver um filme, o que acha? – sugeriu. Ele me olhava esperando por minha resposta, na verdade não era uma má ideia.
- Claro, pode ser – o segui até a sala, estava passando um filme do Keanu Reeves e Sandra Bullock. foi até a cozinha e logo voltou com duas taças e uma garrafa de vinho – Obrigada – agradeci pegando uma das taças depois que ele serviu.
- Acha que ele vai acabar dormindo no sofá? – brincou eu dei de ombros era bem provável que isso acontecesse, Ceci estava bem chateada.
- Pelo modo como ela o olhou, com certeza – garanti, riu divertido - Principalmente por que a Jill estava evidentemente provocando a Ceci, o que claramente piorou a situação do Leo – expliquei. Beberiquei meu vinho.
- Pobre Leonard – zombou.
- Leo disse que você ficou trabalhando o dia todo – comentei. Parte era por pura curiosidade – Aconteceu alguma coisa? – o encarei em expectativa.
- Não – negou fazendo pouco caso – Só alguns assuntos que eu precisava resolver, mas nada de muito grave – tranquilizou-me.
- Se eu puder ajudar em alguma – ofereci, me fitou por um momento e então desviou a atenção para o filme e eu fiz o mesmo. Ficamos em silencio assistindo o filme quando me dei conta já estávamos na segunda garrafa de vinho. Já estava sentindo o formigamento bem familiar, precisava parar antes que outro acidente acontecesse – Keanu é incrível – murmurei, sempre gostei dos filmes dele, Constantine para mim era o melhor filme.
- Ah, por favor, ele nem é tudo isso – rebateu, o olhei incrédula.
- O que? Esta brincando comigo? Keanu Reeves é um dos melhores atores que eu já vi – confrontei, se aproximou mais.
- O único filme em que ele algo legal foi Matrix – continuou, aquilo era provocação demais.
- Ele estava ótimo em Matrix, mas em Constantine ele foi demais – defendi, eu já estava descontrolada, ele não podia falar daquele jeito do meu ator favorito – Sem contar que ele é uma pessoal incrível fora das telas – acrescentei – Esta ai um homem com quem valeria a pena me casar outra vez – soltei sem pensar.
- Nossa! Quanto amor – zombou – Na verdade eu acho burrice cometer um erro duas vezes, você fez isso e foi um desastre – disse, o gole de vinho que eu tomei desceu com dificuldade como se espinhos estivessem rasgando a minha garganta – me desculpe – pediu tentando remediar a situação.
- Não, está tudo bem – forcei um sorriso, eu podia sentir as lágrimas começarem a se formar, mas eu não permitiria que caíssem, não por aquilo e muito na frente dele.
- Sinto muito – insistiu, tirando a taça das minhas mãos deixando junto à dele sob a mesinha de centro, ele se aproximou e tocou meu rosto. Talvez fosse o efeito do álcool, mas eu não me afastei.
- Você está certo – assenti, abaixei a cabeça suspirando – Meu casamento foi um fracasso – engoli o nó dolorido na garganta – E foi tudo minha culpa.
- Claro que não foi sua culpa – ele levantou meu rosto me fazendo olhá-lo, os olhos claros fixos nos meus, naquele momento ele não se parecia em nada com o que eu odiava mais que qualquer coisa – Me desculpe ser tão rude com você o tempo todo – ele disse baixo fazendo carinho no meu rosto. Todo aquele momento estava completamente errado, mas eu não conseguia me afastar, não tinha forças para dar um fim naquilo.

Foi como se estivéssemos em câmera lenta, seu olhar caiu para a minha boca quando com um suspiro involuntário meus lábios se separaram, senti meu coração acelerar e minha respiração se tornar irregular a cada segundo que seu rosto se aproximava mais do meu acabando com o espaço entre nós. Apertei a barra do casaco sem ter onde me apoiar.
Os lábios dele tocaram os meus devagar e tudo em volta pareceu ficar no mais absoluto silencio, quando a língua dele procurou a minha foi terrivelmente bom, arfei retribuindo o beijo. embrenhou seus dedos em meu cabelo, ele estava sendo tão gentil no beijo que quando finalmente nos afastamos fiquei alguns segundos de olhos fechados, ao abri-los estava me fitando ás sobrancelhas franzidas, aquilo tinha mesmo acontecido?
Eu queria dizer alguma coisa, perguntar por que ele tinha feito aquilo, por que tinha me beijado, mas uma porta no andar de cima bateu com força e passos pesados na escada, fez com nos afastássemos depressa indo cada um para o canto do sofá.

- Desculpe gente, mas acho que vou ter que ficar aqui – Leo apareceu com um cobertor e travesseiro.
- Eu já vou dormir, com licença. Boa noite meninos – falei levantando rápido sem olhar para nenhum dos dois e corri para o meu quarto.


Continua...



Nota da autora: : Hey! Mais um capítulo de BBBHTY chegando. As coisas estão ficando quentes por aqui, e agora o que será que vai acontecer com esses dois hein?



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