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Última atualização: 15/05/2022

Capítulo 1

"Esta noite eu sugiro que em vez de perguntarem aos outros, perguntem a si mesmos: Você está realmente bem?... E digam um caloroso boa noite para vocês"
(It’s Okay, That’s Love)


O sol dava os primeiros sinais de um novo dia quando se levantou, sem ao menos esperar o despertador tocar. Não que ela estivesse superanimada com a volta às aulas, mas o seu nervosismo e ansiedade de sempre estavam ainda mais aflorados por lembrar que faltava “apenas” mais um ano e meio de aula. Finalmente poderia fazer a contagem regressiva até a faculdade.
Depois de arrumar-se, seguiu até a cozinha de casa, onde preparou dois bolinhos de arroz para comer de café da manhã e, assim que o alarme de seu celular soou, indicando que deveria sair de casa, pegou a chave sobre a mesa de jantar e deu um grito, despedindo-se de seus pais que ainda estavam no quarto.
Caminhou calmamente até casa de , que morava algumas quadras de sua casa, e encontrou a amiga aguardando-a no jardim:
— Você feliz indo ‘pra escola? — fez uma careta ao ver a outra se aproximando com um sorriso no rosto. — ‘Tá feliz por quê?
— Estamos cada vez mais próximas do fim do colegial. — agarrou-se ao braço esquerdo da amiga, fazendo-a quase derrubar a mochila de seu ombro.
— Doida, temos mais três semestres pela frente...
— Vou fingir que não te escutei.
As duas continuaram conversando durante todo o caminho até a escola, que era apenas cinco quadras de distância da casa de . O céu, antes limpo, começava a trazer algumas nuvens que tampavam os raios de sol. O vento estava calmo, quase imperceptível se não fosse pelas folhas das árvores mexendo levemente e provocando um clima confortável.
— Bom dia, flor do dia! — disse alto, assim que se aproximou com uma careta e as mãos pressionando as têmporas.
— Dia.
— Acordou com dor de cabeça? — perguntou, soltando-se do braço da amiga e acariciando o ombro do garoto. Ele fez um breve aceno, concordando. — O que você fez para ficar desse jeito em plena volta às aulas?
— Foi no start de ontem. — Escutaram a voz de atrás de si e viraram-se em sua direção.
— Credo, estamos falando tão alto assim? — questionou e concordou com a cabeça, junto de outra careta. — Quanto você bebeu?
— Eu chuto cinco garrafas de soju.
— Ué, você também foi, ?
— ‘Tá doida, ? Fiquei com a ontem. — O garoto deu um sorrisinho de canto, lembrando-se de como fora o dia anterior.
— Certo, não precisamos de detalhes. — fez uma carinha de nojo, passando a tagarelar a respeito de sua viagem de férias para a ilha Jeju.
, você foi a essa festa de novo? — perguntou baixinho para o amigo, que continuava com a mão acariciando a cabeça.
— Claro que sim. — Ele sorriu, mas entortou a boca com o pulsar que sentiu. — O único problema é a ressaca.
— Você realmente bebeu cinco garrafas?
— Eu perdi as contas. — piscou algumas vezes antes de levantar o olhar para a amiga. — Não se preocupe comigo, , daqui a pouco o remédio vai fazer efeito.
Os quatro amigos continuaram conversando perto do portão da escola enquanto esperavam pelos outros amigos.
— O foi no start também, né? — perguntou aleatoriamente, assim que terminou de contar sobre quanto havia aproveitado as praias. revirou os olhos levemente ao ouvir o nome do garoto.
— Claro que sim, ele não perde nenhuma festa. — Enrugou o nariz. — O não tem jeito, né? Tenho certeza de que ele arrastou o e bebeu um monte, por isso você está tão acabado e...
— Fala tanto de mim que eu continuo a achar que você é apaixonada por mim, .
A garota fechou os olhos, tentando manter a calmaria que vinha reinando em seu espírito até pouco tempo atrás. Respirou fundo uma, duas, três vezes, buscando paciência para não mandar respostas atravessadas para ele.
— Bom dia, amiga. — se aproximou da amiga, pondo o braço sobre seus ombros, tentando tranquilizá-la. Ela virou o rosto em direção à orelha de e continuou: — Relaxa, ele sempre faz isso.
Não deu tempo de responder alguma coisa para ninguém, pois assim que abriu os olhos, deparou-se com ele atravessando o portão de entrada. Seu coração palpitou mais rápido e sua respiração descontrolou, principalmente quando o rapaz a enxergou e mandou um sorriso gentil, junto de um aceno.
— Você ‘tá quase babando — disse baixinho para a amiga, que apenas deu uma cotovelada leve em sua barriga. ria levemente da reação de , enquanto os outros três pareciam alheios ao que acontecia por estarem conversando sobre a festa do dia anterior.
— Vou falar com ele... — sorriu, olhando para o garoto. Desvencilhou-se do braço de , que antes estava sobre seus ombros, e se afastou do grupinho, até alcançar o menino. — Oi, Mark.
— Bom dia, . Como foi o finzinho das férias? — ele começou a puxar assunto, ao mesmo passo que caminhavam juntos para dentro do colégio.
— Tranquilo. Não fiz nada demais desde a última vez que nos vimos...
— Sério? Poxa, se eu soubesse, teria te chamado para sairmos de novo. — Ele sorriu sincero, fazendo com que a garota suspirasse.
segurava o fichário entre os braços com força, tentando extravasar todo o nervoso que sentia quando estava ao lado de Mark. Ela sentia-se nas nuvens quando conversavam. Talvez por estar naquela amizade colorida desde antes das férias de verão, com uma pessoa que lhe passava segurança e conforto. Com alguém especial. Mark com certeza estava no seu top 3 de melhores amigos homens.
— Nervoso com o último semestre? — ela tentou puxar algum assunto, o que era estranho, visto que nunca tivera dificuldade em conversar com Mark.
— De certa forma... — O garoto desviou o olhar até os olhos dela por um tempo, encarando-a fixamente. — É estranho pensar que logo não irei ver as mesmas pessoas diariamente.
A menina concordou baixo, ficando tímida com o olhar dele preso ao seu. O que diabos estava acontecendo? Mark era seu amigo.
Ok, talvez ele fosse um amigo colorido, mas estava tudo sob o controle.
— Principalmente uma em especial. — Sua fala provocou uma reação assustada de , que levantou a cabeça rapidamente, dando de cara com os olhos escuros de Mark.
paralisou. Ela tinha ciência do quanto Mark era lindo, mas nunca tinha o visto daquela forma. Ele era apenas seu amigo corriqueiro, peguete nas horas vagas e só, nada acima disso.
Mas quando as íris dele passaram a brilhar daquele jeito?
— Preparada para o último ano? — Ele tirou a garota dos próprios devaneios.
— Ainda faltam três semestres... — sorriu, pondo o cabelo atrás da orelha assim que pararam nos armários do corredor. — Porém, estou ansiosa. Quero ir para a faculdade logo.
— Já sabe o que cursar? — O rapaz olhou para ela rapidamente, logo se concentrando em organizar o material no armário.
— Mínima ideia, mas quanto menos tempo eu tiver de passar aqui, melhor.
Enquanto Mark soltava uma risada pelo comentário da menina ao seu lado, permanecia admirando-o, sem se mexer.
, eu fico sem jeito assim. — O garoto soltou um riso tímido, fazendo com que a garota corasse ao perceber que estava o encarando há um bom tempo.
— Desculpa... — tossiu ao mesmo passo que virava o rosto para outra direção, tentando esconder as bochechas avermelhadas.
— Relaxa. — Mark fechou o armário e encostou-se com um sorriso ladino, de frente para a garota. — Eu gosto quando você me encara dessa forma.
Apenas um pensamento passou na mente da garota no segundo em que viu o sorriso que ele abriu.
Eu ‘tô apaixonada por ele.
Merda.


Capítulo 2

“Porque, com o sentimento do amor, você se sente como se tivesse o mundo aos seus pés.
Por causa do amor, você pode as vezes sentir-se como se estivesse morrendo.
Esse tipo de amor… você precisa de coragem para experimentá-lo.”

(The Musical)


fechou os olhos por um instante, se imaginando em casa, sob a pelugem de sua manta quentinha e acolhedora, com o blackout da janela deixando seu quarto totalmente escuro, mesmo que o Sol brilhasse do lado exterior. Conseguia até mesmo sentir o macio do colchão em suas costas.
— Acorda! — alguém disse alto no pé do seu ouvido, junto de um leve tapa na nuca, fazendo com que a garota abrisse os olhos, espantada.
, seu desgraçado — resmungou, coçando o olho direito. Nem havia percebido que tinha cochilado durante a aula de história.
— Eu não vou te passar a matéria depois.
— Claro que vai! — exasperou rapidamente, ouvindo a risada do amigo em resposta ao seu desespero.
O rapaz recolheu suas coisas e aguardou pela amiga na porta da sala. ainda murmurava ao guardar a lapiseira e a caneta preta dentro do estojo, antes de pô-lo dentro do fichário e conferindo sua carteira antes de sair.
— Dormiu bem? — perguntou, rindo ao notar a cara de sono estampada no rosto da menina. A bochecha estava marcada pelo braço que apoiava sua cabeça como um travesseiro, além dos olhos levemente inchados.
esticava os dedos das mãos, desejando estar descalça para poder esticar os do pé também. Suas costas doíam por conta da má postura dos últimos minutos. Por quanto tempo ela havia dormido, mesmo? Espera, o que havia acabado de falar?
— Vai para a casa da ? — perguntou repentinamente, fazendo com que ainda demorasse para processar o questionamento.
— Acho que sim. — Arrumou a postura, ouvindo os estalos em sua coluna. Ela se sentia totalmente quebrada. Não gostaria de dormir durante a aula nunca mais.
— Vocês são grudadas demais, tenho ciúmes — comentou, rindo. sentiu as bochechas esquentarem levemente, mas não respondeu mais nada além de uma careta seguida de um sorriso irônico.
Ambos continuaram caminhando até o armário da menina, que era o mais próximo da sala de história, enquanto mantinham uma conversa descontraída. abriu-o, depositando dois de seus livros que ela não tinha nenhuma atividade para o dia.
— Vocês vão querer uma carona? — perguntou assim que fechou a porta do armário, se referindo a ela e .
A garota nem ao menos teve tempo de responder, pois certo alguém apareceu bem na hora, tirando toda sua vontade de continuar um diálogo decente com quem quer que fosse.
— Ops... — a menina disse com voz afinada, provocando uma revirada de olhos nem um pouco discreta vinda de .
— Mina! Como você está? — puxou assunto e, consequentemente, ela os parou no meio do corredor, a fim de continuar o diálogo.
— Bem, obrigada por perguntar. Mas ei, você ‘tá livre esse fim de semana?
— Acho que sim... — respondeu pensativo, tentando se lembrar se tinha algum compromisso já marcado.
permanecia absorta daquela conversa, ou ela pelo menos tentava não prestar atenção. Já estava quase convencida de pegar os fones e ouvir alguma música em sua playlist, mas pensou que aquilo poderia soar rude demais até para si.
— Ótimo. Eu e meus amigos daremos uma festa no final de semana, depois da prova classificatória. Vai das sete de sábado até altas horas da madrugada. — Mina sorriu, pendendo a cabeça para o lado. Sua tentativa de parecer fofa não obteve sucesso.
Ela era tão irritante! Como que um de seus melhores amigos estava quase namorado com aquela biscate? Melhor, como era possível que alguém como se interessasse por Mina? Aquilo não entrava em sua cabeça.
jurou ter escutado as vozes de e em sua cabeça, repetindo a mesma coisa de sempre: Para com essa rivalidade feminina.
— Você pode chamar mais gente se quiser. — Sorriu mais uma vez, dessa vez tombando a cabeça de um lado para o outro. Ela, ainda por cima, levantara as sobrancelhas discretamente, como se tentasse insinuar algo.
Descarada! Ela estava dando mole para na sua frente? Uau, aquela garota realmente precisava de vergonha na cara.
— Nós iremos — o garoto respondeu, antes de mesmo dar a ideia aos amigos, e quis sair dali naquele momento.
Mina bateu palminhas, alegre. Felizmente, não tardou para despedir-se, alegando estar atrasada para algum compromisso, e saiu. colocou o braço sobre os ombros da amiga, voltando a caminharem lado a lado, mas não se sentia mais tão à vontade.
Era como um bolo se formando na boca de seu estômago, revirando-o de uma forma nem um pouco prazerosa. Não, aquilo não podia ser ciúmes. era apenas seu melhor amigo de longa data, e seu desgosto por Mina era fruto de outros carnavais.
Obviamente, se afirmava que era apenas um pressentimento ruim. Aquela garota estava rodando nas mãos de outro amigo seu, e ela não poderia estar mais incomodada por ter sua presença ali novamente. Será que seus melhores amigos poderiam ter um dedo menos podre? Era pedir demais? Não podia ser.
Dissipou seu ódio interno assim que avistou no estacionamento. No entanto, antes mesmo de se aproximar, notou os olhos arregalados da amiga, além dos braços cruzados e pernas inquietas.
Algo estava acontecendo, ela tinha certeza. só não acreditou que os problemas já começariam no primeiro dia de aula.


📔


esperou que saísse da aula da inglês, na porta, segurando seus livros entre os braços. A garota conversava com o professor, alegando erro de correção em algum dos exercícios, mas ele não parecia muito a fim de recorrigir.
Frustrada com a dureza do professor, apenas juntou suas coisas e seguiu para a porta, sendo recebida com um abraço de seu namorado.
— Antes que você reclame que está de mau humor, me deixa tentar te acalmar.
— Você que eu nunca recuso um abraço seu — ela disse, já sorrindo.
nunca fora de descontar sua raiva nos amigos e muito bem sabia. Na verdade, ele só se recordava de ter visto-a brava uma única vez. Sua namorada era um poço de calmaria.
— A aula foi tranquila? — iniciou uma conversa enquanto segurava a mão da garota, puxando-a levemente para que começassem a seguir pelo corredor.
— Até que sim. Eu só fiquei irada com esse problema na prova de inglês, mas tudo bem.
— Tenho certeza de que suas notas continuarão impecáveis.
— Obrigada… Eu acho. — Sorriu tímida. sabia que não tinha forma alguma de refutar sua enorme inteligência e todo seu esforço que ela tinha na escola. Apenas ficava extremamente sem jeito quando a elogiavam, mesmo que fosse o seu namorado.
puxava diversos assuntos aleatórios com a menina, tentando manter toda sua atenção para si. Era comum e nem mesmo se surpreendia quando o rapaz começava a fazer drama caso ela não o desse atenção.
— Hoje a está estranha — ela comentou aleatoriamente, no meio das diversas conversas sem sentido do namorado.
— Por que você acha isso?
— Estava avoada, sabe? Parecia que não sabia o que fazia, não prestou atenção alguma na aula de geografia e nem mesmo percebeu que eu enviei bilhetinho pra ela.
arregalou os olhos, surpreso. estava estranha, sem sombra de dúvidas. Agora sobrava para ele descobrir o que havia acontecido.
— Vou tentar conversar com ela — respondeu, já pegando o celular e enviando uma mensagem, convidando a amiga para irem à sorveteria mais tarde.
deu de ombros, acostumada com aquela amizade próxima de seu namorado e de . Lembrava-se de quando falava besteiras de que a amizade dos dois era extremamente duvidosa e que ela deveria ficar de olho em ambos. E, mesmo depois de ouvir tanta lorota, ela ainda não sentia ciúmes.
Bem, não com .
— Você vai com o ? — chamou sua atenção, tirando-a de seus devaneios.
— Sim.
Ambos se abraçaram e, discretamente, deram um selinho de despedida. e não eram melosos diariamente, apenas em momentos específicos ou quando queriam zoar com a cara de seu grupo de amigos, onde apenas ambos namoravam. Pelo menos por enquanto.
— Eu te ligo — ela disse alto, enquanto via o namorado dando passos para trás, afastando-se. Ele apenas assentiu com um sorriso, virando-se e seguindo seu caminho.
deixou um sorriso escapar, segurando com força nos braços da mochila de costas que carregava. Uau, ela realmente era apaixonada no .


📔


— Vai fazer o que no final de semana? — Mark chamou sua atenção, causando uma tremedeira no estômago de .
— Não sei ainda. — Se esforçou para não tremer a voz, com um sorriso sem graça. — Provavelmente o vai arranjar alguma festa para irmos e eu vou cuidar dos meus melhores amigos bêbados.
Mark deu um sorriso fofo, pegando na mão da garota em seguida. Os olhos dele pareciam brilhar ao encarar seu rosto, principalmente quando enrugava o nariz, nervosa por estar sendo observada tão de perto.
— Você parece uma irmã mais velha — disse por fim, desviando o olhar para o corredor que já se esvaziava. — Espero que cuide de mim caso eu fique bêbado também.
— Claro que vou! — apressou-se na resposta, afinando a voz de forma involuntária. Suas bochechas estavam quentes, ela tinha certeza.
Ele nada disse, apenas intensificou o sorriso e puxou-a para voltarem a andar. Mark estava agindo como sempre: sendo fofo e sorridente. Não tinha nada de diferente, mas, de alguma forma, sentiu que ele tinha mudado em alguma coisa. Algo nele estava mais.. Atrativo que o normal.
Ela não queria confessar aquilo nunca, mas se sentia atraída por ele. Sua pretensão era jamais dizer essas palavras em voz alta, apesar de ser algo bem óbvio e subentendido, visto que eles tinham aquela coisa há tempos.
Mark e , o casal sensação que não era bem um casal. Apenas amigos muito bem coloridos.
Bem coloridos, assim como as borboletas que voavam no estômago da garota no instante em que Mark entrelaçou seus dedos nos dela. O que ele estava pensando? Dando as mãos daquela forma, mandando sorrisinhos ladinos e brilhando os olhos enquanto observava cada movimento que fazia? Quem ele pensava que era?
Se ele achava que aquilo estava fazendo se render completamente ao que quer que fosse aquele sentimento esquisito dentro dela, ele estava certo.

mordia as unhas, nervosa. Não conseguira se concentrar em nenhuma das aulas, pois não tirava aquilo da cabeça.
Mark.
Ela estava apaixonada por ele. Pelo seu amigo colorido.
Ela e Mark.
Chacoalhou a cabeça, tentando, inutilmente, afastar aqueles pensamentos. Não, não, não. Ela não podia estar apaixonada por Mark, era impossível.
não se apaixonava.
— Se continuar andando em círculos assim, vai cavar um buraco até o centro da Terra. — se aproximou com vontade de rir, mas sentindo uma preocupação pelas atitudes esquisitas da amiga.
não respondeu, apenas continuou olhando pra o chão e andando de um lado para o outro. Queria sumir.
— Não vai falar comigo ou–
— Estou com um enorme problema — interrompeu o drama da melhor amiga, causando um espanto em , que levantou as sobrancelhas.
— O que foi?
engoliu em seco, desacreditada que iria dizer aquilo em voz alta.
— AchoqueestouapaixonadapeloMark — disse rápido, num sussurro, mas foi mais que o suficiente pra que entendesse.
— Puta merda, .


📔


Se alguém tivesse lhe dito, antes de entrar para o ensino médio, que a escola era um saco, não teria colado para passar de ano. Faltava apenas mais três semestres para, finalmente, ir para a universidade. Não que ele já soubesse o que queria cursar, mas sabia que, definitivamente, precisava sair daquela escola o mais rápido possível.
Ele não aguentava mais as mesmas regras. Roupa sempre bem passada, gravata bem amarrada e sapatos limpos, brilhando. O único dia aceitável era quando tinha educação física.
Por que ele não se mudou para os Estados Unidos, mesmo?
se jogou na cama em seu quarto, querendo dormir pelo resto da semana. Havia acabado de responder à mensagem de no grupo, chamando os amigos para uma festa no sábado e não poderia estar mais animado para aquilo.
O termo “rolê” piscava em sua cabeça, deixando-o anestesiado de prazer e alegria. Poderia beber até passal mal sem sentir culpa, achar alguma novata legalzinha e acabar com sua carência momentânea.
Resmungou ao se dar conta de que sábado ainda estava distante, visto que ainda era segunda-feira. O analgésico parecia já ter passado o efeito, visto que sua dor de cabeça voltara apenas por se lembrar de que teria mais quatro dias de aula antes da festa.
Decidiu dormir antes que engolisse mais dois comprimidos goela abaixo. Estava quase pregando os olhos até ser despertado de seu não fosse pelasua forma semi-inconsciente por outra mensagem do amigo. custou para abrir os olhos novamente e pegar o celular.


online

Teve alguma aula com a hoje?

Acho que sim, mas não prestei atenção em nada.

Pq?

disse que ela tá estranha, daí eu ia te perguntar como ela estava na sala.

Eu real não tenho ideia.

Tudo bem, bro, valeu.



O rapaz descansou o celular sobre a mesa depois de desligar a tela. Começou a imaginar o que diabos aprontara daquela vez, mas não se importou tanto.
pregou os olhos, pensando no ano que se seguiria. Havia sido apenas o primeiro dia, e ele já se sentia exausto, querendo as férias logo.
Estava tudo bem. Os meses passariam depressa e logo, logo, julho estaria ali, junto das férias escolares. Ele não via a hora de finalmente dar o pé da escola e seguir pra a faculdade. Era bom demais para ser verdade.
Ele só precisaria se dedicar e passar de ano, fácil. Nada que algumas colas com as pessoas certas não pudessem lhe garantir.
O telefone tocou na sala de estar, no andar inferior. abriu os olhos assim que escutou o som, mas não se mexeu. Ele sabia quem era, sabia sobre o que era e, por isso, se recusou a atender.
Depois de mais alguns toques, o barulho da chamada finalmente parou. O rapaz soltou ar pela boca, aliviado que sua ansiedade diária havia passado. No entanto, o telefone apitou, indicando uma mensagem de voz.
pressionou o travesseiro sobre o rosto, indignado de que teria de limpar o cachê do telefone mais uma vez. Ele odiava aquilo, queria apenas desaparecer com aquele aparelho, mas sabia que sua vó ficaria com raiva.
Pegou o celular de volta, já dando play em alguma música da sua playlist e botando no volume máximo. Seu dia já havia começado de uma forma terrível, e agora ele só havia piorado a situação.
Aquele ano seria, com toda a certeza, muito longo.


📔


— PUTA MERDA!
— Fala mais baixo, infeliz! — implorou ao escutar o grito fino e surpreso de .
A mais velha havia acabado de assumir seu crime atual: apaixonou-se por seu ficante casual. Suas mãos suavam por finalmente ter assumido em voz alta, mas não conseguia acreditar no que estava acontecendo. muito menos, visto que demorou um tempo para realmente processar o que havia escutado de sua melhor amiga.
— Eu não sei quando, não sei como, só sei que estou e não consigo tirar isso da cabeça — reclamou com uma voz chorosa.
sabia que era furada. Todos os filmes e séries de clichê que assistira durante toda sua vida deixaram bem claro a merda que estava vivendo. Só tinham duas opções: ou eles viveriam felizes para sempre quando Mark percebesse que também estava apaixonado por ela, ou eles nunca mais dariam certo. E, Deus, como temia a segunda opção.
— Calma, respira — disse, depois de um tempo, puxando a amiga para sentar-se ao seu lado na cama em seu quarto.
Ambas tinham pegado carona com para casa. O rapaz não entendia o porquê parecia tão afobada e nervosa, mas, depois de um sinal de , entendeu que deveria ser alguma “coisa de menina” e não perguntou nada. Poderia conversar com ela outro dia, quando estivesse mais calma.
Nenhuma teoria passou em sua mente durante todo o trajeto, que não fora longo. Nunca tinha visto tão quieta como naquele momento, por isso se preocupou. Ele com certeza questionaria depois.
— Eu estou calma, só não acredito que isso ‘tá acontecendo comigo.
— Mark é um bom partido, não entendo por que você não se apaixonaria por ele — deu sua opinião, enquanto erguia os ombros.
— Esse é o problema, amiga. — A garota pressionou as têmporas, suspirando profundamente enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos. — Ele é simplesmente perfeito. Qualquer uma se apaixonaria facilmente por isso, e por eu nunca ter sentido nada a mais que a gente funcionava.
estava inconsolável, como tudo estivesse no fundo do poço e sem chance de recuperação. não conseguia compreender toda a dor de cabeça que a amiga estava sentindo, mas tentou mostrar seu apoio ao abraçá-la de lado.
— Vocês podem conversar.
— Isso está fora de cogitação. — tirou as mãos do rosto, virando-se brutalmente de frente para a outra. — Ele vai me achar patética.
revirou os olhos, já perdendo a pouca paciência que tinha. geralmente era mais pé no chão; não fazia drama para coisas superficiais e era quem dava um puxão de orelha nas amigas quando elas faziam tempestade em copo d’água.
Dessa vez, os papéis estavam invertidos e se viu totalmente sem mansidão para lidar com aquela choradeira sem sentido. Ficou de pé, logo apontando o dedo para a outra:
— Levanta essa bunda daí e cria vergonha nessa cara — esbravejou, assustando . — E daí que você percebeu que está apaixonada pelo Mark? Ele é só um garoto que você dá uns beijos e também é uma pessoa maravilhosa que te faz bem.
piscou algumas vezes, entortando a boca com a reação inesperada da amiga. Não queria admitir que ela estava certa, mas não tinha como negar. Estremeceu. A ideia de estar apaixonada por alguém era algo incerto e assustador, pelo menos na sua visão.
— Você não precisa ter medo de se apaixonar, — amansou a voz quando percebeu o espanto dela. Com uma das mãos apoiadas no ombro da amiga, fez um leve carinho com os dedos, mordendo o interior da bochecha.
quis ligar para . Ela, sim, saberia perfeitamente o que fazer como sempre. normalmente era a que gritava, esperneava, fazia cena quando algo a incomodava, enquanto e cuidavam e a aconselhavam. Os papéis trocados pareciam confusos demais para si.
— Tenho medo de não dar certo — desabafou com um fio de voz. sentia o coração palpitar forte ao mesmo tempo que o carinho da mão de em seu ombro esquerdo aumentava. — Sempre fantasiei tanto esse momento, que tenho medo de não ser nada daquilo que sempre quis.
— Não pense assim, amiga. — Afagou os cabelos de enquanto voltava a se sentar ao seu lado. — Vai dar tudo certo. Dê tempo ao tempo.
sorriu com o conselho de , recordando-se de uma vez que dissera algo semelhante a ela. Assim que relaxou seus ombros, tentando esquecer um pouco sobre sua mais nova dor de cabeça – e mais novo motivo para surtos e choros, suspirou tranquila.
Ela seria paciente. Aguardaria, seja lá o que estivesse a esperando.
— Quem sabe você encontrou o garoto para ficar com aquelas suas frases bem bestas de gente apaixonada — caçoou assim que o clima amenizou no ambiente.
soltou sua primeira risada sincera do dia, fechando os olhos enquanto suas maçãs do rosto se curvavam. Seu coração palpitou num ritmo mais compassado, sua cabeça não parecia mais querer explodir a qualquer segundo e seu consciente parecia mais leve. Agradeceu internamente por ter consigo naquele momento.
Mesmo com o desajeito da mais nova, ela sempre arranjava uma forma de arrancar um sorriso de , e por isso ela era tão grata.
— Vamos tomar sorvete? — perguntou assim que parou de rir.
— Eu nunca recuso um sorvete, .


Capítulo 3

“Por sua causa, meu mundo está uma bagunça”
(My First First Love)


— Certo — começou a dizer, enquanto limpava a boca com um guardanapo. — O que você pretende fazer agora?
— Sobre? — ainda lutava para que seu sorvete não derretesse todo em seus dedos.
As sobrancelhas de se curvaram.
— Sobre seus sentimentos pelo Mark, oras.
suspirou com força, não sabendo dizer ao certo se o que a estava irritando mais naquele momento era o sorvete ou o fato de sua amiga ainda não ter largado daquele assunto.
Olhou rapidamente na direção de , contorcendo o nariz ao perceber a expressão curiosa e ansiosa da menina. Seus olhos se reviraram.
— Nada.
— Como assim nada?
— Isso mesmo que você ouviu, vou fingir que nada está acontecendo. — deu de ombros, deixando de se importar com os modos e enfiando todo o resto da casquinha na boca.
fechou os olhos com força, respirando fundo e colocando as mãos sobre seu rosto, indignada. Não conseguia acreditar que ainda insistiria naquela furada.
— Você sabe que não é bem assim que funciona, né?
— Pois vai ter que funcionar, sim — respondeu, com a boca cheia, fechando-a com rapidez ao perceber que o sorvete estava a ponto de escorrer pelo canto.
Os dentes de se cerraram.
— Francamente, eu não vou discutir sobre isso com você agora. — Encarou a amiga, ainda com vontade de convencê-la a falar com Mark. — Mas não pense que isso vai ficar assim.
— ‘Tá, ‘tá, ‘tá… — resmungou, assim que engoliu o doce, sentindo a garganta gelar. — Vamos? Ou você ainda vai querer me perguntar mais alguma coisa?
Enquanto a garota procurava por um guardanapo, a fim de limpar a própria boca, batucava os dedos na tela de seu celular. Algumas coisas se passavam em sua mente, coisas além do caso e Mark, que ela estava sem paciência para encarar naquele instante.
Ela tinha problemas maiores, mas também pretendia os deixar para depois.
— E seus horários? — perguntou, assim que se aproximou, já com as mãos e boca limpas.
— Não lembro de metade deles. — Deu um sorriso amarelado, encolhendo os ombros ao recordar-se de sua perna balançando durante todo o período matutino por conta da ansiedade. — E os seus?
— Tudo tranquilo — começou, com uma expressão calma, mas fechando a cara logo em seguida ao se lembrar do que acontecera no final da aula. — Até que a bendita apareceu.
As sobrancelhas de se curvaram.
— Mina? — Recebeu um aceno em resposta, que lhe causou uma vontade imensa de revirar os olhos. — Por Deus, amiga, eles estão juntos, fazer o que, né?
— Ela foi lá toda pomposa convidar o para uma festa no sábado depois da prova, e nem teve coragem de olhar na minha cara! — Cruzou os braços, ainda indignada com a situação.
odiava ser ignorada. Principalmente quando a pessoa que a ignorava era Mina, líder do conselho estudantil e a quase namorada de .
— Eu gostaria de dizer que acho você com ciúme muito fofa, mas tenho medo, isso sim — confessou, enquanto segurava a vontade de rir.
— Haha, tão engraçadinha. — sorriu debochadamente para a amiga, que apenas deu de ombros.
O caminho para a casa de pareceu encurtar, uma vez que as meninas estavam completamente entretidas na própria conversa. E nem mesmo o céu, que começara a escurecer, chamou sua atenção.


📔


— Que chuva — comentou, depois de olhar pela janela, fechando a janela em seguida. Se virou para , que se entretia com o próprio celular. — Você tem certeza de que as meninas vão conseguir vir?
O rapaz assentiu antes de desviar o olhar para a amiga.
— Falei com a e ela disse que está terminando de tomar um banho quente, elas pegaram chuva. — Deu um meio sorriso.
parou por um instante, lembrando-se de como estava estranha pela manhã. Estranhou ainda mais o fato de ter dado carona para ela e e nenhuma das duas ter aberto a boca o caminho todo.
O rapaz direcionou o olhar para mais uma vez, atraindo a atenção da garota, que tombou a cabeça para o lado.
— Se eu te perguntar uma coisa, você promete ser sincera? — perguntou baixo, não querendo chamar a atenção dos amigos.
e estavam jogando no Playstation de e nem ao menos escutaram o que os outros dois conversavam.
— Depende, você sabe que odeio fofoca. — A menina se aproximou, sentando-se no sofá ao lado do amigo.
— Eu sei. — Ele murchou os ombros, tendo quase certeza de que, mesmo que soubesse de algo, ela não lhe contaria. Mas preferiu arriscar mesmo assim. — estava esquisita hoje.
A cabeça de tombou ainda mais à medida que suas sobrancelhas arqueavam.
— Como assim?
— Não entendi também, ela parecia presa no próprio mundinho.
— A está sempre viajando na própria imaginação, . — deu um risinho, fiel à ideia de que era apenas um exagero do rapaz.
— Mas hoje estava… esquisito demais. — Ele cruzou os braços. — Dei carona para ela e , mas nenhuma das duas disse nada. Você sabe que quando a fica quieta por muito tempo, é porque tem algo de errado.
O nariz de se contorceu, descontente por ter que concordar com aquela afirmação. era falante demais quando estava com eles, principalmente com , e, se ficava quieta por muito tempo, era problema na certa.
— Acho que devemos conversar com ela depois. — Pressionou os lábios, pensando em alguma forma de ficar a sós com a amiga.
— Eu quero também, não me exclui — já avisou, com o nariz torcido.
não pôde evitar soltar uma risada consideravelmente alta, chamando a atenção dos dois garotos no videogame.
— Eu não faço de propósito, é só que, às vezes, precisamos conversar entre meninas mesmo. — Ela deu de ombros, ignorando a encarada curiosa de e .
— Desde que éramos pequenos, vocês ficam com essa palhaçada. — estalou a língua no céu da boca, dramatizando a discussão.
— Às vezes eu esqueço que vocês se conhecem há anos — comentou, largando o controle sobre o sofá e se espreguiçando.
De soslaio, percebeu a televisão transmitindo o jogo, com a tela dividida em duas visões diferentes, uma escrita verde dizendo VITÓRIA e outra, com letras garrafais vermelhas, DERROTA.
— Você roubou. — jogou o controle no próprio colo, indignado de ter perdido aquela partida. deu uma risada alta.
— Você que é muito ruim.
— Elas estão vindo — avisou, assim que leu a última mensagem que lhe enviou, logo desligando a tela do celular e o largando sobre o sofá. — Por que pediu para que viéssemos em plena segunda-feira?
Todos os olhos se viraram na direção de , que agora desligava o console e guardava-o em uma das gavetas no raque. O rapaz apenas encarou-os rapidamente antes de responder:
— Queria aproveitar minha última semana sendo filho único com vocês — disse, por fim, não dando muita atenção às expressões dos amigos.
e estavam com as sobrancelhas curvadas, demonstrando que não haviam entendido o que queria dizer com aquilo. , por sua vez, já havia deixado o queixo cair com a surpresa.
— O seu irmão vai voltar a morar com você? — a garota perguntou em voz alta e fina, deixando transparecer sua surpresa.
A cabeça de apenas confirmou, sem que ele olhasse para a amiga.
— Você conhece o irmão do ? — direcionou o olhar à namorada, que deu de ombros.
— Eu tenho a vaga lembrança de já tê-lo visto alguma vez.
apenas assentiu mais uma vez, agora se aproximando e sentando-se ao lado de . Ele não sabia ao certo se devia dizer algo sobre aquilo ou apenas permanecer calado depois de soltar a informação.
Felizmente, fez o favor de responder à pergunta sobre seu irmão e logo mudou de assunto.
, que história é essa de festa no sábado? — Ela tombou a cabeça para o lado, encarando rapidamente o amigo.
— Não sei direito, a Mina apenas veio me convidar e disse para eu levar vocês.
— Estranho — se pronunciou, saindo de seu lugar e indo se sentar ao lado da namorada. — Não somos populares para sermos chamados para essas festas.
ficou em silêncio.
— Mais ou menos, vocês que geralmente não querem ir, né? — deu um sorriso meio modesto.
— Prefiro apenas ficar com a mesmo. — O mais novo deu de ombros. — Mas, se quiserem, a gente pode ir esse sábado.
A garota apenas assentiu.
As sobrancelhas de se juntaram, estranhando o silêncio repentino de . Não que ela fosse super falante, mas ela não era muito de ficar apenas concordando com a cabeça.
, o que que você...
Sua pergunta foi cortada, assim que um barulho alto soou. Os olhares de todos se direcionaram para a porta da frente, de onde o som veio.
— As mais belas chegaram! — praticamente gritou, com um dos braços estendidos e um sorriso estonteante no rosto. Nem mesmo parecia que elas haviam tomado chuva duas vezes naquele dia.
soltou um risinho ao notar o estado das amigas. Apesar do banho quente, ambas estavam com as roupas bem molhadas e os cabelos encharcados. , inclusive, parecia ainda mais ensopada que a outra amiga.
— Amor, você e podem pegar umas toalhas? — ela pediu, com um sorriso, aproveitando para se esquivar da pergunta que o amigo estava prestes a fazer.
Os rapazes apenas assentiram, logo se levantando e sumindo pelo corredor até algum dos quartos, deixando apenas as duas ensopadas, e na sala.
Com um andar calmo, foi em direção às amigas, ficando apenas alguns passos de distância para não se molhar, olhando-as com ternura. permaneceu no sofá, as encarando de longe.
— Eu já te disse que você parece nossa mãe? — tinha um sorriso nos lábios, apesar de sua expressão não ser uma das melhores. apenas assentiu.
— Depois a gente precisa conversar — disse baixo, não querendo que nem mesmo escutasse. — Pegaram muita friagem?
Ambas negaram com a cabeça.
— Gong nos trouxe — comentou, enquanto apertava as mechas dos cabelos, encarando algumas poucas gotas escorrerem. — O problema foi o jardim imenso de .
Passos se aproximando foram ouvidos e as três sabiam que vinham de , que corria com duas toalhas nos braços.
— Brigada, agradeceu com um sorriso, pegando as toalhas de suas mãos e entregando uma a .
O garoto permaneceu ao lado da namorada, encarando as amigas se secarem minimamente. Seu olhar se revezava entre as duas e , que parecia ainda meio perdida em seus próprios pensamentos.
Aproximou-se disfarçadamente de seu ouvido, sussurrando:
— ‘Tá tudo bem?
— Te conto depois — ela respondeu também baixo, passando-lhe calma com o olhar. Ele apenas concordou, encerrando o assunto.
Assim que os cabelos de e pararam de pingar, os quatro foram se sentar junto de no sofá.
— Cadê o ? — Kim perguntou, enquanto colocava a toalha sobre um dos ombros.
— Disse que iria estourar pipoca para a gente. — deu de ombros, voltando a mexer em seu celular.
— Meu Deus, que desastre — comentou baixo, mas não o suficiente para que não a escutasse e desse-lhe um cutucão.
— Vou ajudá-lo — disse, antes de se virar e ir até a cozinha.
— Agora que a pipoca queima de vez — pôde escutar gritar da sala enquanto ria, mas apenas revirou os olhos, segurando o sorriso.
Assim que ultrapassou a porta que levava à cozinha, encarou as costas do melhor amigo. Com um suspiro, ela sentiu seu corpo travar.
sabia por que havia chamado todos para irem até sua casa em plena segunda-feira, até mesmo . Não conseguia acreditar que Sungho realmente estava voltando.
— Hey, hey… — falou baixo, assim que conseguiu sair do lugar, atraindo a atenção de .
— Hey.
— Não parece o mesmo de horas atrás, que estava sorrindo para as paredes por conta de uma festa — disse, sorrindo, tentando causar uma risada no amigo, mas não obteve resultado. Suspirou. — Quer desabafar?
Ele negou com a cabeça.
— Estou tentando não pensar muito nisso — respondeu, enquanto lançava um sorriso rápido à amiga, virando-se para pegar um pano e secar a panela que havia acabado de lavar.
— Tudo bem, mas se você quiser desabafar alguma hora, pode me chamar se quiser. — Ela sorriu doce, fazendo um carinho singelo em suas costas.
Com um sorriso cúmplice, ambos se encararam por um tempo. Seus olhares transmitiam o amor e carinho que sentiam um pelo outro, e, por isso, piscou algumas vezes antes de voltar a encarar a panela em suas mãos.
— Acho que vou fazer uma com manteiga e outra sem — disse, por fim, recebendo um aceno afirmativo da garota.
— Vou pegar o milho no armário.


📔


Já havia passado da meia noite quando encarou a tela do próprio celular, percebendo que tinha adormecido durante a série. A tela da televisão transmitia apenas uma caixinha da Netflix: Você ainda está assistindo a Squid Game?
Com um solavanco, se sentou no colchão de ar que eles haviam colocado no meio da sala para todos conseguirem se acomodar na hora de assistir o dorama. Seus olhos estavam bem abertos e sua mente já havia despertado adequadamente, quando percebeu, ao olhar ao seu redor, que todos dormiam.
Sua mão foi de encontro ao rosto no momento em que precisou segurar a risada ao ver como seus amigos estavam dormindo.
, obviamente, estava deitado ao seu lado e com a boca meio aberta. Já , havia capotado de mau jeito, com o pescoço caído no ombro esquerdo e a postura completamente torta na poltrona.
, e dividiam o sofá maior. se lembrava de ter visto dormir nos primeiros cinco minutos do primeiro episódio e, como bons amigos, e a ajudaram a se deitar melhor no sofá.
Agora, o que parecia engraçado demais era o fato de estar com a cabeça apoiada no ombro de .
e .
Não conseguiu reprimir a risada, mas, felizmente, conseguiu fazê-la soar baixo. Auxiliada pela luz fraca da tela e a lanterna do celular, procurou o controle para desligar a televisão.
Assim que o encontrou em cima do rack, caminhou na ponta dos pés até ele.
— Acho melhor falar para a mãe de e que elas vieram dormir em casa — falou para si mesma, em sussurro, assim que desligou a televisão.
Com o celular em mãos, rapidamente procurou o contato de ambas as mães e disse que se esqueceram do horário enquanto assistiam a série e as três acabaram dormindo.
Sabia que a bronca era certa, mas, pelo menos, não seria tão séria, já que as mães foram avisadas sobre o que aconteceu.
Como de costume, colocou o celular no bolso assim que enviou as mensagens e desligou a tela do celular, ficando em um breu total. Inutilmente, tentou voltar ao seu lugarzinho no colchão, mas acabou tropeçando no calçado de alguém.
— Ai! — quase gritou, tampando a boca logo em seguida e se xingando mentalmente. Torceu para que ninguém tivesse acordado, porém o universo não estava ao seu favor.
— Que porra… — Escutou um murmúrio e acreditou ser de . — Que porra?
A mão que outrora tampava sua boca subiu para sua testa, prevendo o que iria acontecer.
— Quem que ‘tá gritando? — abriu um dos olhos, enquanto resmungava.
De repente, a lanterna de algum celular foi acesa na direção do sofá.
— Que nojo!
— Desencosta, caralho — e gritaram ao mesmo tempo, se afastando.
A luz pareceu caminhar pelo recinto e se afastar um bocado, enquanto alguns passos eram ouvidos. Assim que a lâmpada no teto da sala logo foi acesa, reparou em todos novamente.
fora quem acendeu a luz e a lanterna do celular. parecia murmurar baixo enquanto se mexia no sofá, provavelmente reclamando dos gritos e do incômodo luminoso.
estava meio morto na poltrona ainda.
— Sempre desconfiei que você era apaixonada por mim mesmo, debochou, já em pé, encarando a garota ainda sentada no sofá e de braços cruzados.
— Você que veio se encostando, certeza. — Fez uma expressão de nojo, tirando o sorrisinho zombeteiro do rosto do rapaz. — Mas que horas são, hein?
— Mais de meia-noite — se pronunciou.
— Meu Deus.
— Já avisei as suas mães que vocês iriam dormir em casa — avisou, virada para , que estava com apenas um dos olhos abertos e o corpo completamente torto no sofá. — Os meninos que se resolvam com os pais depois.
— Já havíamos combinado que dormiríamos aqui essa semana — respondeu, enquanto apenas concordava com a cabeça. — Como os pais do viajaram e ele ficaria sozinho durante a semana toda, eu e conversamos com nossos pais para dormirmos com ele.
acenou, indicando que havia entendido. Seus olhos percorreram por toda a sala, encarando próximo ao colchão de ar, em pé no meio da sala, capotado na poltrona e parando em e , que estavam sentadas uma ao lado da outra.
— Vocês querem ir lá para casa dormir? — perguntou, com a voz mais leve, mesmo sabendo que não acordaria de jeito nenhum.
— Sua mãe vai acordar com o barulho da porta — concluiu, levantando os ombros. — Podem subir e dormir no meu quarto se forem se sentir mais confortáveis.
ameaçou falar alguma coisa, mas apenas deu um empurrão em seu ombro, calando-a.
— Pode ser então, já que parece que o morreu nessa poltrona.
— A gente tenta jogar ele no sofá, relaxa — avisou, aproximando-se de e puxando-a pelo quadril para mais perto. — Você ‘tá bem?
A garota apenas assentiu.
— Vamos subir então. — puxou o braço de , cruzando-o com o seu.
— Querem que a gente desça alguns travesseiros? — perguntou, se afastando minimamente do namorado para poder olhá-lo.
— Pode ser — fora quem respondeu. — A passa no quarto dos meus pais e pega os travesseiros de lá e nos traz.
As três garotas apenas concordaram, logo seguindo caminho pelo corredor.
— Boa noite! — gritou, quase chegando ao quarto, recebendo uma resposta mútua de ambos os rapazes.
e se encararam por alguns segundos antes de olharem para ao mesmo tempo. O rapaz estava completamente largado na poltrona, e ambos sabiam que, quando o amigo acordasse, reclamaria de dor nas costas. Sem dizer nenhuma palavra, caminharam até o amigo.
— Acho melhor a gente só largar ele no colchão mesmo — comentou e olhou para , esperando por alguma resposta.
— Vai ser mais fácil mesmo. Faremos como?
— Hm. — O mais velho colocou a mão no queixo, pensando. — Eu posso levantar os braços dele e você, as pernas. Daí a gente apenas deixa ele no colchão e depois ajeita o corpo dele.
— Beleza.
Assim que o mais novo firmou os braços na parte de trás dos joelhos de , olhou para , que contou até três antes de levantarem o amigo.
— Puta merda — ambos resmungaram juntos ao sentirem o peso.
Largaram o corpo de sobre o colchão rapidamente, sem se importar exatamente se iriam acordá-lo com o impacto.
— Como esse mala consegue ter um sono tão pesado? — suspirou, enquanto se jogava de costas no sofá.

— O que foi aquilo? — perguntou, assim que voltou do banheiro do quarto de .
e haviam pegado duas camisetas do rapaz em seu armário e as vestido para dormirem, no entanto, se recusou a fazer o mesmo — mesmo que ela soubesse que não se importaria.
— Aquilo o quê?
— Você dormindo com a cabeça no ombro do . — Um sorriso travesso se formou nos lábios da garota.
— Não sei do que você ‘tá falando.
— ‘Tô chocada — se pronunciou, com uma das mãos sobre a boca. — Eu sabia que não era só ódio!
— Calem a boca. — rangeu os dentes, fechando os olhos com força. — Não sei também, só sei que agora ele vai ficar enchendo o meu saco até o final do ano.
As outras duas meninas riram da expressão de preocupação e raiva da amiga. Nenhuma delas entendia direito o motivo de ser tão arisca com , mas também não se importavam tanto, já que geralmente não passava de algumas alfinetadas.
— Você sabe que a gente também não vai aliviar, né? — O sorriso travesso continuava nos lábios de . — Eu já te disse várias vezes o quanto acho vocês juntos uma graça.
— Ei, pera aí também. A ‘tá comprometida já!
As sobrancelhas de se curvaram e seus olhos se viraram para a única vestida de calça jeans e blusa.
— Achei que você e o Mark tivessem determinado que seria apenas uma amizade colorida.
— Mas é isso. — cruzou os braços e abaixou a cabeça, envergonhada. Ela sabia que teria de contar a verdade para alguma hora, mas não tinha planejado direito como faria aquilo.
— Amizade colorida, ? Jura?
— Cala a boca, .
— Vocês vão me esconder isso aí mesmo? — levantou a voz minimamente, chamando a atenção de ambas para si. — Não acredito, que traição é essa?
Os olhos de se reviraram e ela segurou a própria cabeça com as mãos. apenas ria da situação.
— Não vai me contar mesmo? — a outra continuou provocando, com a voz divertida.
Apesar de, como quase toda garota, ser bem curiosa, ela entendia quando a pessoa não gostava de falar sobre algum assunto específico ou algo do gênero. Ela também tinha seus segredos.
está apaixonada pelo Mark.
! — Um travesseiro foi lançado na direção da mais nova, que não conseguia parar de rir.
— Você disse que ia tentar contar para ela hoje de qualquer forma, eu só te ajudei. — Deu de ombros, ainda rindo.
Os olhos amendoados de estavam em completo choque e sua boca estava aberta em um belíssimo ‘o’. Suas pálpebras piscavam sem parar.
Ela suspeitava, óbvio. Mas escutar aquilo ainda parecia chocante demais.
— Parece que você não gostou…
— Não é isso — respondeu a , com a voz baixa. — Só estou processando.
encarava a expressão tímida de , que estava com os joelhos encolhidos e abraçados pelos próprios braços. Os olhos de estavam fixos nos seus e, apesar de não estarem falando nada naquele curto espaço de tempo, pareciam se comunicar pelo olhar.
— E você está bem com isso?
— Meio confusa. — Deu de ombros, afrouxando o aperto em suas próprias pernas. — É a primeira vez que estou me apaixonando por alguém e…
— E pelo menos está sendo por um guri incrível — a interrompeu, jogando o corpo até encostá-lo em . — Mark tem o selo de aprovação da .
Levantando os ombros e soltando uma risada nasal, encolheu-se um bocado. Não que ela não confiasse, muito longe disso.
Era só… estranho.
— Eu não sei se posso aprovar ou não — a fala de impediu que o subconsciente de se afundasse em seus próprios pensamentos. — Mark é um cara legal e te trata bem. Eu só fico meio preocupada porque logo, logo ele vai para a faculdade, né?
— E daí? — continuou, falando por cima, enquanto apenas as observava. — Você e o vão terminar quando entrarem na faculdade?
— Não.
— Pois então — concluiu o seu pensamento, com um sorriso convencido.
— Eu só acho que é válido colocar isso na balança, principalmente porque o Mark não se priva de ficar com outras garotas só por estar de rolinho com a .
— E ela também não.
— Eu sei, Kim , mas não deixa de ser preocupante agora que a nossa amiga sabe dos próprios sentimentos — aumentou um pouco o tom da voz. — Ela precisa colocar na balança as prioridades dela por agora para ver se ainda vale a pena ficar com o Mark ou não.
— Farei isso — se pronunciou, antes mesmo que respondesse e ambas começassem a brigar. — Mas a gente pode falar melhor sobre isso outro dia? Eu estou exausta e a gente ainda tem aula amanhã. Preciso passar em casa cedinho para pegar meu uniforme.
deu o assunto como encerrado ao caminhar até a enorme cama de casal do quarto de e acomodar-se no canto direito. e se entreolharam, e num pedido de desculpas mútuo, ergueram os ombros e se abraçaram rapidamente.
— Desculpa ter levantado a voz — pediu primeiro. — Só estou preocupada com mais de uma coisa ao mesmo tempo e acabei levando esse rolo da a sério demais.
— Desculpa ficar te cortando toda hora também, eu bem sei o quanto tu odeias quando fazem isso. — soltou uma risada envergonhada.
Desvencilharam-se do abraço com um sorriso.
— Boa noite, amiga.
— Boa noite, . — Ambas se viraram na direção da única que já estava na cama. — Boa noite para você também, .
Apenas um resmungo baixo foi ouvido e as meninas concluíram que a amiga já estava em seu quinto sono.
Ainda era segunda-feira.
A semana realmente prometia.


Continua...



Nota da autora: Certo, eu preciso dizer o quanto AMO esses seis juntinhos? Acho que não, né?
E aiiii esse momento fofo entre a e o , dá licença que estou in love (sim, eu amo meus pps hahah).
Mas eita, por que será que o está tão nervoso com a volta do irmão dele, hein? Suspeito…
Espero que vocês tenham amado esse capítulo tanto quanto eu!
Um cheiroooooo enorme!
~xoxo

Nota da beta: Ai, gente, eu to derretida com a fofura dos pps. Ansiosa para descobrir o que rola com o irmão do pp. ♥

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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