Contador:
Última atualização: 01/02/2021

Capítulo Único

O leve barulho que o ar condicionado gerava quase fazia com que voltasse a dormir: o ruído soava como uma ótima canção de ninar. Ela estava naquele estado semi-inconsciente do estágio do sono, onde conseguia perceber o mundo ao redor, mas ainda estava presa no mundo dos sonhos. O final de sonho que estava tendo não fazia sentido algum, mas não iria prestar atenção nisso. Com a consciência voltando aos poucos, começou a pensar no seu dia. A lista de afazeres foi crescendo a cada segundo e a vontade de continuar na cama e não fazer nada daquilo aumentava na mesma proporção.
Soltou um suspiro resignada, tinha que levantar e realmente cumprir com a lista organizada por ordem de prioridade ou não conseguiria completar tudo mas, antes mesmo de fazer o movimento para sair da cama, sentiu uma perna sendo encaixada entre o vão que as dela própria produziam e um braço puxá-la para trás, para que colasse ao corpo do homem que resmungava só mais cinco minutos, amor contra o ombro dela. soltou uma pequena risada e concordou com o pedido do marido.
– Vamos ficar aqui hoje. – Ele disse ainda com o rosto contra a omoplata dela. – Eu finalmente estou de férias, vamos aproveitar. – Pressionou o quadril contra o dela num convite mudo.
– Eu adoraria, mas tenho bastante coisa para fazer e você também. – Riu ao ouvi-lo reclamar. – Que tal começarmos por tarefas pequenas? – Ela disse, fazendo um pequeno carinho no braço que apertava-a firme pela cintura. – Primeiro, vamos levantar, escovar nossos dentes e seguimos com a lista a partir daí, o que acha?”
ouviu o marido resmungar mais um pouco, ele deliberadamente roçou novamente o quadril contra o dela, tentando convencê-la de que, se ela ficasse por mais um tempo na cama, seria muito bom para os dois. Ela sentia o corpo dela despertando não só do sono, mas também em resposta ao que fazia. Ele sempre fora animado durante as manhãs, dizia que o dia começava melhor daquela forma, quando namoravam logo assim que acordavam.
realmente queria ficar mais um pouco na cama, mas o alarme de seu celular tocou e tirou-a do torpor que sentia. Parou a mão do marido, que estava a meio caminho do centro do seu corpo; se ele conseguisse colocar os dedos dentro de sua calça do pijama, estaria perdida. Pegou a mão sorrateira e levou aos lábios, deu um pequeno beijo na aliança que ele usava e, virando-se de frente pra ele, selou os lábios com os dele rapidamente. Da mesma forma, saiu da cama antes que ele pudesse prendê-la embaixo dos lençóis.
apoiou as costas na cabeceira da cama e acompanhou-a com os olhos indo até o banheiro da suíte master do casal. Quando ela estava saindo do banheiro, levantou-se da cama e foi em direção ao banheiro com um sorriso de lado. Como ele usava apenas boxers para dormir, sabia que a esposa conseguiria ver o estado em que encontrava-se. Soltou uma pequena risada quando ela parou na porta com os olhos perdidos viajando pelo corpo dele. Apesar de parecer ser uma pessoa extremamente sensual no palco, na vida real, ele era bem reservado quanto a sua imagem, mas nunca quando tratava-se de . Com , ele queria sempre que os olhos dela focassem nele e apenas nele, e quando ela o olhava daquela forma, apenas aumentava a vontade de satisfazer o desejo que ela sustentava no olhar.
Ele parou com o corpo bem próximo da esposa, ela o encarava com luxúria e sabia que os olhos dele também refletia a mesma coisa; prendeu o lábio inferior entre os dentes. quase podia ouvi-la debater com a própria consciência se deveria ou não dar o que o corpo dela claramente já pedia, porque ele sabia muito bem reconhecer quando ela estava super excitada. Ela estava caminhando para o limite dela, e ele amava empurrá-la para essa borda, porque era quando ela ficava mais selvagem.
colou o corpo ao de , colocou os polegares embaixo da mandíbula e emaranhou os dedos nos cabelos da nuca dela, angulando assim a cabeça da esposa na posição perfeita para um beijo, mas antes que ele pudesse selar os lábios deles, sentiu o hálito quente e com cheiro do enxaguante bucal sussurrar um pequeno não podemos. Suspirou pesaroso, mas respeitou a decisão da amada. Beijou a testa dela e caminhou para a pia do banheiro. Quando passava o creme dental na escova, sentiu seu corpo ser abraçado por trás. descansou a testa no centro das costas dele e apertou-o contra o corpo dela. Ele pegou a mão esquerda dela e deu um beijo sobre a aliança, da mesma forma que ela fez com ele. riu quando ela prometeu que tentaria acabar com as tarefas o mais rápido possível para que, assim, eles pudessem namorar um pouco. Ele retrucou que esperaria ansioso por isso.
Antes de sair e deixá-lo fazer a higiene matinal, deu um pequeno beijo nas costas dele. Ela tentava puxar na memória todas as tarefas que tinha que fazer e reordenou a lista para conseguir um tempo livre antes do almoço. não iria trabalhar naquele dia, então dependia apenas dela achar um espaço na agenda dos afazeres domésticos e profissionais para acabar com o estado miserável em que os dois se encontravam. Com o corpo ainda voltando ao estado normal, ela entrou no quarto ao lado da suíte master e todas as sensações excitantes que sentiam foram rapidamente substituídas pelo amor incondicional que sentia pelo pequeno ser que dormia pacificamente na cama montessoriana.
observou a filha por alguns minutos antes de tentar acordá-la. A pequena resmungou um pouco, mas abriu os olhos, encarou a mãe e virou-se para o lado oposto. Disse que só levantaria se fosse com o papai. riu da filha, mas levantou-se da posição em que estava e voltou para a suíte do casal. estava tomando banho, encontrava-se de costas para ela, tirando o shampoo dos cabelos. Ela acompanhou o caminho que a água com sabão fazia pelo corpo dele e teve que balançar a cabeça para afastar os pensamentos. Bateu no box de vidro, chamando a atenção do homem.
– Mudou de ideia? Tem espaço pra você aqui. – Sorriu de lado, abrindo a porta do box e dando visão completa de seu corpo nu pra ela.
– Não. – Riu, encostando-se ao vidro, colocando a cabeça para dentro do box e oferecendo os lábios para serem beijados, o que ele prontamente fez. – Sua filha disse que só vai levantar se for com o appa. – Disse entre beijos.
– Eu já estou acabando aqui e vou lá. – Beijou uma última vez a esposa e voltou para terminar o banho.
foi para a cozinha preparar o café da manhã. Como Daisy estudava em uma escola internacional, durante cada mês, as famílias recebiam tarefas específicas que deveriam ser executadas com todos os membros do núcleo familiar e, naquele mês, Daisy deveria experimentar, junto com a família, como era um café da manhã tipicamente estadunidense. Naquele dia, a tarefa de preparar o desjejum era de , mas como Daisy não levantaria se realmente não fosse com – e, conhecendo os dois, aquilo demoraria, pelo menos, mais meia hora –, adiantaria os ingredientes.
Ela já tinha separado todos os ingredientes e o café já estava pronto quando entrou com Daisy no seu colo. A menina tinha um enorme sorriso nos lábios e o pai não ficava para trás. Ao ver essa cena, também sorriu. Daisy foi posicionada na cadeira própria para ela que já ficava na ilha. agradeceu pela ajuda da esposa com um beijo e passou a fazer a panqueca de banana que Daisy tanto pediu que ele fizesse enquanto estavam no quarto.
Omma, eu quero kimchi também. – A menina pediu ao ver a mãe colocar o prato decorado que montou para a pequena: uma panqueca sorrindo feita num molde especial, mirtilos, fruta preferida dela, um pouco de bacon e ovos mexidos.
– Primeiro, coma o seu prato especial que seu appa fez com tanto carinho. – A mulher disse, cortando a panqueca em pequenos pedaços. – Se você continuar com fome, omma te dá kimchi, tudo bem? – Falou, entregando o garfo para a menina, e recebeu um aceno feliz da filha, que logo tratou de comer os mirtilos.
O café da manhã passou de forma leve, os adultos conversavam sobre assuntos triviais quando Daisy não exigia a atenção de ambos. Enquanto dava banho na filha, arrumou a cozinha e foi para lavanderia para seguir com os afazeres dele do dia.
. – Ele gritou. – Acabou o sabão? – Disse, mexendo nos armários da lavanderia.
– Você já olhou nos armários? – Ela disse ao entrar no cômodo. – Você comprou na semana passada.
– Hm?– Ele a encarou, franzindo a testa e mostrando confusão. – Comprei? – Sorriu sem graça.
– Você foi ao mercado semana passada, deveria ter comprado, porque eu mandei mensagem. Mas a sua cara já disse tudo. – Ela riu, vendo-o coçar a nuca. – Pega a lista da geladeira e vai lá comprar mais. Vou aproveitar e adicionar mais algumas coisas e, dessa vez, não esqueça, por favor. – saiu da lavanderia ainda rindo da falta de atenção do marido.
Depois de adicionados os itens faltantes, entregou a a listagem e iria fazer algum comentário quanto à desatenção dele quando ouviram um barulho vindo do quarto de Daisy. Os dois saíram correndo em direção ao cômodo. deixou a filha sentada no centro do quarto, no tapete rodeada pelos brinquedos. O quarto era montessoriano, ou seja, não tinha elementos que poderiam apresentar perigo para a filha, apenas para a independência dela. podia sentir o coração batendo em sua garganta. Se algo acontecesse com a filha, ela nunca se perdoaria.
Ela foi a primeira a entrar no quarto e demorou alguns segundos para entender que tudo estava bem, Daisy apenas puxou o álbum de fotos que antes descansava sobre a cômoda e então repousava no chão, com uma pequena mão curiosa passando as páginas rígidas com dificuldade. A forma como o álbum fora puxado pela menina e como ele caiu no chão produziu o barulho alto que ouviram mais cedo. sentiu o marido pressionar os lábios no ombro exposto devido ao modelo de blusa que usava e sussurrar um ela está bem, graças a Deus. Era uma afirmação e uma reza de agradecimento ao mesmo tempo, não queria tranquilizar apenas a ela, mas ele próprio. Ele tinha o mundo dele dentro daquele cômodo, uma estava parada à sua frente e a outra, sentada no chão, muito entretida com a nova descoberta.
– Olha, omma, é o appa! – Daisy comentou alegre, totalmente alheia ao que passava na cabeça dos dois adultos que abraçavam-se, mais um procurando sustento no outro do que qualquer outra coisa.
– É mesmo, minha princesa? – foi o primeiro a sair do estado de topor que sentiam. – Posso sentar aqui e ver com você? – Falou, apontando para o espaço entre a cama e a menina, que bateu ao seu lado, indicando onde queria que ele sentasse.
– Vem também, omma. Vem ver o appa com Jackson ahjussi. Eles estão vestidos igual a minha boneca! – A pequenina comentou alegre, apontando para a boneca de vestido vermelho e longos cabelos castanhos que estava sobre a cômoda.
– Ah, essa foto é ótima. – Disse , sentando-se do outro lado da filha. – Foi de um show que seu appa fez.
– Por que appa faria show? – A criança olhou confusa para o pai.
Divertido com a confusão e curiosidade da filha, explicou o que ele fazia nos dias que tinha que ficar longe das duas. A menina pareceu entender ou simplesmente o fato do pai ser um idol não era muito relevante para ela. Os dois sabiam que, para não deixar que os planos traçados para o dia se perdessem, deviam levantar dali e colocar tudo em ordem, mas Daisy estava radiante olhando o álbum de fotos antigas que mostravam cenas eternamente estáticas e que guardavam memórias inestimáveis. Os dois decidiram, apenas pela troca de olhares que tiveram, que aquele seria um dia para curtir a filha. Os afazeres poderiam esperar por mais um dia.


Fim.



Nota da autora: "Olá, meus amores. Mais uma fic para o Extreme! Espero que tenham gostado, foi um prazer ter escrito. Falem aqui na caixinha de comentários o que vocês acharam. Para outras fics de minha autoria, estão toda listadas na minha página de autora. :D
Quero deixar meu amor e carinho para a minha beta linda, Gabby, que aceitou betar essa fic de última hora e que eu mandei aos 48 do segundo tempo hehehehe você é maravilhosa, muito obrigada. <3"



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus