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Última atualização: 12/06/2022

Prólogo

Provence, França

O dia tinha amanhecido ensolarado e estava mais quente do que parecia quando Voitenko saiu do prédio principal do resort onde estava hospedada. Tinha decidido tirar alguns dias de folga, depois da semana de moda em Paris e achou que o interior da França era o lugar ideal para relaxar e descansar dos dias tão corridos e tumultuados que teve. Apesar de amar, e muito, o que fazia, ela gostava de passar algum tempo sozinha depois daqueles grandes eventos. Precisava de um tempo para respirar, ficar longe de toda a exposição, fofocas, de todos os rumores e do assédio constante da mídia e das pessoas que a cercavam. Era muito grata a todos eles por fazerem o nome dela, em todos aqueles anos, ecoar pelo mundo, mas, igualmente, sentia-se sempre desgastada por ter que parecer constantemente feliz, simpática e solícita em público.
sempre foi muito reservada. Tinha uma família que valorizava muito a discrição, que não gostava de se expor de modo algum e sempre esteve cercada, desde criança, por um seleto grupo de amigos, que compartilhava o estilo de vida que ela tinha. Seu pai, Pavlo, um grande empresário do ramo de petróleo, que herdou jazidas de seus avós, vivia incansavelmente pela e para sua família e não havia nada que não fizesse por suas meninas. Quando nasceu, o homem sentiu-se completamente realizado, como se tivesse ganho, naquele dia, o seu bem mais valioso. era a menina dos olhos do pai e, por isso, sempre tinha sido muito mimada pelo casal. Cresceu envolta e imersa por tudo aquilo que o mundo tinha de melhor a oferecer: as melhores escolas, as melhores roupas, os melhores restaurantes, as melhores bebidas, os procedimentos mais tecnológicos, os melhores destinos pelo mundo, pessoas cobiçadas e oportunidades sem limites.
Não havia nada que não pudesse ter em sua vida e aquela era, sem dúvidas, uma das melhores partes de ser quem era. Contudo, apesar disso, de todo luxo e da falta de limites, das infinitas possibilidades e oportunidades que tinha na vida, a família de nunca fez o estilo ostentação. Eram conscientes do que tinham e de como se aproveitar disso, sempre elegantes, refinados, contidos. Usufruíam do mundo sem que, de fato, o mundo percebesse e tinham em seu círculo de convívio pouquíssimas pessoas em quem confiavam compartilhar suas vidas e intimidades, quem verdadeiramente eram.
Por isso, quando decidiu, ainda na adolescência, seguir a carreira de modelo, seus pais pareceram surpresos e demoraram algum tempo em sentir confiança na profissão, em apoiar a filha. Toda a exposição que trataria a si mesma e a sua família, partes de sua vida que seriam abertas e públicas, preocupavam seus pais, mas não tardou em ser um tema superado por eles. sabia separar as esferas de sua vida, sabia manter no privado o que lhe era pessoal e sabia lidar com tudo o que era público - ao menos, era o que ela achava. Cuidava, e se mantinha no controle de tudo, para não se envolver em escândalos, em rumores polêmicos, em não estar em meio a confusões e mal entendidos e fazia um mistério, necessário, sobre quem realmente era e com quem se relacionava. Achava que, assim, conseguia manter um relacionamento saudável com a mídia, consigo mesma e, principalmente, com seus pais.
Nenhum de seus relacionamentos amorosos chegou a ser público e o máximo que podiam ver de sua vida pessoal eram fotos e vídeos com seus amigos mais próximos e membros da família, geralmente em eventos formais - sempre as mesmas pessoas, os poucos e os únicos em quem ela confiava. Talvez tenha herdado aquele traço de seus pais e, não podia mentir, às vezes, achava intenso demais, restrito demais. Mas era mais seguro assim. sempre teve dificuldades em confiar nas pessoas, sempre foi desconfiada demais, fechada demais. Não se permitia conhecer ou ser conhecida tão fácil, não se sentia confortável em abrir-se para qualquer pessoa, exceto quando tinha certeza absoluta de que não tiraram dela nada senão o que ela tinha a oferecer: si mesma. De interesseiros, golpistas e traidores, aquele mundo estava cheio.
riu sozinha dos próprios pensamentos e seguiu caminhando sentido o lado de fora do resort. Há quase cinco dias hospedada ali, um lugar que já era bastante conhecido por ela, já não sabia mais o que fazer. Saia todos os dias pela manhã para correr pelos campos do local, tomava seu café da manhã com tranquilidade, aproveitava às piscinas com vistas excepcionalmente bonitas, almoçava, ia para a academia, tirava os cochilos que quase nunca tinha tempo de tirar no dia a dia, ia ao spa e, a noite, tomava alguns drinks no bar ou pedia algo para comer em seu quarto, enquanto lia um livro ou assistia a alguma série. Tudo perfeitamente relaxante, como ela gostava, mas, no final do quinto dia, já estava começando a ficar entediante.
Por isso, naquela manhã, sem planos para o dia que começava, resolveu aproveitar os campos de golfe que havia no local. Desde muito nova adquiriu aquele hobbie com seu pai, que lhe ensinou a arte e maestria do esporte, tornando-se um dos momentos mais importantes, de pai e filha, que compartilhavam. Gostavam de colocar o golfe em seus roteiros de viagens, sempre se perdiam nas horas jogando juntos e faziam questão de conhecer campos novos. tinha boas lembranças com seu pai no golfe e ponderou por um momento se realmente jogaria sozinha e se aquilo não o deixaria chateado. Após tomar o café da manhã, pensativa, na varanda de seu quarto, decidiu que jogaria sim. Trocou-se rapidamente, colocando uma mini saia rosa, uma camisa polo branca, o tênis da mesma cor, prendeu o cabelo em um coque alto e, depois de finalizar uma maquiagem básica, colocou a viseira, já saindo de seu quarto em direção ao local.
chegou do lado de fora do prédio e já se encaminhava para um dos mini carros, que a poderia levar até o campo de golfe, quando algo pareceu lhe soar estranho. E ela não demorou mais do que alguns segundos para perceber o que era: não tinha sequer cogitado a ideia de ir buscar os equipamentos. Se ia mesmo jogar golfe, precisava, no mínimo, de alguns tacos e bolinhas. Com a cabeça na lua, a modelo desviou seu caminho até um dos bares no exterior do resort, onde poderia solicitar os equipamentos e fazer o empréstimo. Assim que entrou no local, foi diretamente para o balcão onde sentou-se, chamando um funcionário e lhe pedindo o que precisava. Ao seu lado, duas outras garotas se aproximaram, se sentando ali e, sem querer, a modelo não pôde deixar de ouvir a conversa delas.

— Nove buracos, , é ridículo — Uma delas riu baixo, chamando a atenção de . Ela usava uma mini saia preta e uma blusa sem mangas, preta e branca, com tênis pretos nos pés. Tinha os cabelos escuros presos em um rabo de cavalo e trazia um taco consigo.
— Se eu acertar um, já estou feliz — A outra mulher com ela respondeu, igualmente risonha. Estava com um vestido curto, branco, que combinava com o tênis que usava e ajustava a luva em sua mão direita.
— Por favor, você está treinando com a melhor do mundo — A primeira rebateu, claramente fingindo arrogância.
— Estou competindo com a melhor do mundo, isso sim — A outra deu de ombros, vendo a amiga rir fofa.

Bastou a colocar os olhos em uma das mulheres que estava ali, para imediatamente reconhecê-la: Hermann, conhecida no mundo da moda por ser dona de uma das maiores marcas de grife e promotora dos melhores desfiles da atualidade. não havia desfilado para a grife da empresária mas, por ser uma figura influente nas redes sociais, a modelo havia recebido recentemente, talvez um mês atrás, um press kit da marca, com algumas peças exclusivas da nova coleção, as quais fez questão de divulgar organicamente, porque eram absurdamente lindas.
Ainda não tinha se encontrado com ela também, pessoalmente. Se seguiam nas redes sociais e, eventualmente, trocavam algumas interações, mas não passava daquilo. parecia ter mais ou menos a mesma idade de e, a tirar pelas peças de roupa que fazia, era criativa e tinha muito bom gosto. não se surpreendeu ao encontrá-la ali, pelo contrário, pareceu bastante comum. Assim como ela, vinha de uma família rica e influente, sua mãe tinha herdado redes de hotéis pelo mundo e seu pai, não mais vivo, foi um estilista renomado. A família Hermann tinha um peso importante na alta sociedade europeia há gerações e se perguntou, por um momento, por que é que não se encontrou com ela antes. O amor à moda, o estilo de vida, os lugares que frequentavam e, agora, o golfe pareciam só algumas das coisas que tinham em comum.

— Se a competição fosse no look do dia, você certamente ganharia — intrometeu-se tímida na conversa, atraindo a atenção das duas outras mulheres — Sem ofensas — ela riu para a primeira, que concordou com a cabeça:
— Vou ser obrigada a concordar.
— Ah meu Deus! Voitenko! — sorriu contente para , surpresa em vê-la ali, e estendeu-lhe a mão — É um prazer.
— O prazer é todo meu — A modelo levantou-se sorrindo de volta e apertou a mão da outra mulher — Finalmente nos encontramos.
— Pois é! — concordou e riu breve — E no lugar mais inesperado possível. Esperava te ver nas semanas de moda ou em algum editorial para a Hermann.
— Seria um sonho — colocou uma mão no coração, rindo tímida.
— Para mim também — a empresária sorriu com ternura — Lily, essa é a . E , essa é a Lily.

Estendendo a mão para a outra mulher com , a cumprimentou, simpática. Muni He, ou Lily como gostava de ser chamada, não lhe parecia um rosto incomum mas, igualmente, não lhe era familiar. Tinha a sensação de já tê-la visto em algum lugar, embora não se lembrasse exatamente de onde. Lily era uma jogadora renomada de golfe, jogava profissionalmente há alguns anos e já possuía um campeonato mundial em sua conta. Nasceu na China mas, ainda pequena, mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde cresceu e se formou na Universidade da Califórnia. Desde então, dividia sua vida entre o país, onde sua família ainda estava, e a Europa, onde se sentia mais confortável e onde tinha a maioria de seus amigos.
Como um clique em sua mente, se ligou sobre quem era ela, de alguns campeonatos que assistiu com seu pai. Estava pronta para perguntar algo, mas não teve muito tempo para isso, contudo, porque o atendente que estava tratando do pedido dela voltou às interrompeu delicada e educadamente.

— Com licença, senhorita, — ele chamou, atraindo a atenção das três — neste momento todos nossos equipamentos estão alugados, eu sinto muito pelo transtorno. Teremos um kit disponível daqui exatamente 45 minutos. Aceita uma bebida de cortesia da casa enquanto espera?
— Claro, obrigada — A modelo concordou sorrindo, pedindo uma bebida qualquer enquanto o atendente prontamente se afastava delas para ir buscá-la.
— Estamos com um kit completo aqui, dá para até cinco pessoas jogarem e, dessa vez, somos só eu e . Por que você não joga conosco? — Lily perguntou animadamente, de repente, e concordou com a cabeça, sorrindo eufórica pela ideia, para a modelo.
— Não quero incomodar o jogo de vocês — negou brevemente com a cabeça.
— Não é incomodo algum! Somos só nós duas mesmo, vem com a gente — ainda sorria — Jogar sozinha não é tão legal.
— Não sei, meninas, não quero atrapalhar os planos de vocês — A modelo parecia incerta.
— Pare com isso — Lily insistiu, gesticulando — Vai ser super legal.
— Super legal ver a Lily humilhando a gente — brincou, recebendo uma careta da amiga — Vem com a gente sim, , fazemos questão. Estava contando para Lily sobre as fofocas da semana de moda e tenho certeza que você vai amar também, se é que não sabe já.
— Bom, nesse caso, vou te fazer companhia na fofoca e perdendo para ela — aceitou o convite animada, feliz por ter encontrado com elas e garantido sua única diversão do dia.

Elas esperaram até que o atendente trouxesse a bebida de e, se alongando levemente enquanto conversavam sobre os acontecido em Paris na semana anterior, terminaram de se aprontar para ir ao jogo. O carrinho de golfe as esperava com o equipamento que tinham alugado e, não muito tempo depois, foram, enfim, até o campo. Com 1.300 metros, o campo de golfe Tour d’Opio era famoso na região por ser um ótimo campo para iniciantes. Tinha apenas 9 buracos relativamente curtos e, apesar dos obstáculos serem progressivos, seu nível de dificuldade era bastante baixo, o que deixava Lily bastante frustrada.
As meninas pararam o pequeno veículo próximo a uma rampa onde teriam uma visão privilegiada de todo o local, examinaram os buracos para criarem suas estratégias de jogo e depois de retirarem os equipamentos do carrinho, se prepararam para, enfim, começar a partida. Lily, como jogadora profissional, sempre tinha seu próprio taco personalizado na mala e pegou o equipamento já se preparando para a primeira tacada. Ela aproveitou o momento para dar algumas dicas a , que, apesar de já ter jogado e estar familiarizada com as regras, não possuía muita prática com o esporte e, assim que deu a primeira tacada, a bola caiu próxima ao primeiro buraco, mais ou menos cinco metros de onde estavam.
Lily deu um pulo, animada, e as meninas sorriram, batendo palmas. Seguindo a ordem do jogo, preparou a bolinha e olhou ao redor. Parecia nervosa e, depois de seguir algumas instruções da amiga, preparou-se para tacar. A empresária, contudo, não havia colocado muita força e, com isso, a bolinha rolou apenas alguns metros, ficando distante da bolinha da chinesa. sorriu fraco, enquanto as duas mulheres bateram palma pela determinação e Lily acalmou a amiga. , por sua vez, não teve grandes dificuldades. Já estava acostumada com o esporte e, com isso, ao dar a tacada, não se surpreendeu quando a bola parou muito próxima do buraco, deixando a modelo na frente das duas colegas. Ambas sorriram, batendo palmas impressionadas, pegaram o equipamento e, depois de entrarem novamente no pequeno carro, desceram em direção ao buraco seguinte, para continuar o jogo.
Todas elas já tinham jogado golfe naquele campo algumas vezes, ao longo da vida, e gostavam mais dele pela vista amena e provençal das colinas ao redor, do que pelo tipo de jogo que podiam fazer ali. O dia estava claro, o céu bastante azul e o clima favorável, com pouquíssimo vento, o que deixaria o jogo um pouco menos interessante não fosse pelas competidoras serem um pouco competitivas demais e pelas conversas divertidas, que pareciam aproximá-las entre uma tacada e outra.
O jogo continuou por mais algumas horas, enquanto o papo entre as meninas fluía naturalmente e , a mais reservada entre elas, estava gostando daquela amizade improvável. Estavam se divertindo e a competição estava acirrada entre Lily e , enquanto , que tinha até conseguido encaçapar algumas bolas, estava se saindo bem e relaxada durante a partida agradável. No oitavo buraco, o penúltimo, quando se preparava para tacar mais uma bola, quando o celular de Lily tocou, atraindo a atenção das três. A jogadora correu até a bolsa, no carrinho, pegando o telefone e pedindo desculpas às amigas, pela interrupção da conversa e do jogo.

— Oi amor, tudo bem? — A mulher sorria para o telefone, enquanto dava alguns passos mais longe dali, para ter mais privacidade em conversar com o namorado. Ficaram alguns minutos conversando e, como era a vez da chinesa no jogo, e ficaram aguardando sentadas no carrinho, comentando sobre suas famílias, até Lily finalmente voltar — Desculpem meninas, era o Alex.
— Alexander sempre atrapalhando nosso golfe — brincou, gesticulando para a amiga entrar no carrinho. Estava sentada no banco do piloto, com ao lado. Lily deu-lhe a língua.
— Foi por uma boa causa dessa vez — Lily a encarou significativamente — Queria saber como eu estava e dizer que já decidiu o local para o aniversário dele.
— Finalmente — celebrou. Já estava quase em cima do dia e Alex, enrolado como sempre, ainda não tinha decidido onde comemorar naquele ano.
— Quem é Alex? — perguntou curiosa, sorrindo sugestiva para Lily que entrava no carro com elas, no banco de trás.
— Ai desculpa! É meu namorado — Lily encolheu os ombros, fofa, colocando-se no meio das duas.
— Você deve conhecer, Alex Albon, ele é piloto de Fórmula 1 — explicou para , dirigindo o carrinho em direção às bolinhas.
— Na verdade, não estou muito familiarizada com a Fórmula 1 — olhou para as duas amigas, pensativa.
— Não brinca! Como assim você não curte automobilismo?— Tirando uma risada das amigas, brincou.
— Meu pai é um grande apreciador, mas confesso que não conheço muito e nem estou por dentro de quem são os pilotos das últimas temporadas — confessou, se escondendo levemente nas mãos.
— Não vai se arrepender — Lily riu — E não tem problema em não conhecer muito, eu mesma só comecei a acompanhar depois que conheci o Alex.
— Também não sabia absolutamente nada até meus pais se mudarem para Espanha, virarem vizinhos dos pais de um dos pilotos e eu ser arrastada para os rolês com esse pessoal todo — concordou com a cabeça, dando de ombros.
— Bom, acho que podem me incluir nos próximos rolês, então — balançou seu taco de um lado a outro, sorrindo.
— Com certeza, sim — logo concordou, parando o carrinho — Preciso de companhia para parar de ficar de vela de Lily e Alex.
— Fica de vela não por falta de opção, — A jogadora levantou as sobrancelhas para a amiga — mas porque escolheu o gato errado.
— Eu não escolhi ninguém! Somos amigos e ele namora, fim. — revirou os olhos, sem graça — Agora conta para sobre o Albon.
— Está bem, está bem… — Lily se deu por vencida — Estamos juntos há três anos e, antes disso, nunca acompanhei absolutamente nada de Fórmula 1. Mas desde que conheci Alex, acho que me apaixonei por ele e pelo esporte, sabe?

E, emendando uma história na outra, animada, Lily contou a elas sobre como havia conhecido Alex, como faziam para que o relacionamento desse certo, mesmo com a distância, os fãs e a saudade. já tinha ouvido aquelas histórias milhares de vezes e sabia da paixão da amiga pelo piloto. Conhecia Lily há pouco mais de dois anos, desde quando se juntou ao grupo oficialmente por Alex e, nesse tempo, conseguiu acompanhar de perto o desenrolar do relacionamento entre os dois. Lily sempre falava com amor sobre Alex e era encantador de se ouvir, os amava.
Ela e Lily tinham feito amizade por conta do golfe, quando se encontraram casualmente em uma corrida e, sem mais ninguém para lhes fazer companhia, enquanto esperavam o evento começar, assistiram a uma partida de golfe que era transmitida na televisão do bar e passaram horas falando mal dos competidores. era uma pessoa fácil de lidar, era expansiva, muito falante e sociável, enquanto Lily, com seu jeito amigável e meigo, sorridente, conquistava qualquer um à primeira vista. Desde então, elas duas se encontravam quando estavam nas mesmas cidades, saiam juntas e davam um jeito de manter o contato que, como acontecia ali com , tinha sido tão natural e casual. conhecia Alex pessoalmente, há mais tempo do que conhecia Lily, por ter sido inserida naquele mundo desde que seu amigo de muito tempo, Carlos Sainz, ingressou na Fórmula 1. Além de Alex, conhecia alguns outros de seus amigos de trabalho também. Estava incluída naquele círculo social e, desde que Lily e outras meninas se juntaram a eles, passou a gostar ainda mais do tempo que podiam, todos, passar juntos.
Ouvindo as histórias, espalhadas pelo campo de golfe depois de terminar a partida que deu vitória a Lily, sentiu que a chinesa tinha sorte em ter encontrado Alexander. Viu algumas fotos deles, que as amigas mostraram, e pareciam ser um casal e tanto. Combinavam em muitos sentidos, se respeitavam, se amavam. Tinham seus tempos, seus espaços, sabiam conviver com as complexidades de serem quem eram e mantinham o amor acima de tudo. ainda não tinha tido aquela sorte. Não tinha encontrado o amor daquela forma e, no fundo, apesar de ser uma pessoa difícil de se ter a confiança, sonhava em um dia encontrar.

— Inclusive, — Lily falou em certo momento — na próxima semana será aniversário do Alex e faremos uma pequena festa, só para os amigos...
— Sei a pequena festa que você vai fazer com ele — provocou a amiga, tomando um gole de água da garrafinha que segurava.
— Para! — Lily apontou seu taco para a amiga, rindo tímida — É sério.
— Vocês são muito fofos juntos, vai ser incrível, tenho certeza — estava encantada, devolvendo o celular que via uma fotos deles juntos, para Lily.
— Vai ser na terça-feira, na terra da , em Barcelona, já que o GP vai ser lá no final de semana. Você gostaria de ir, ? — Lily virou-se para ela, empolgada. Tinha realmente gostado da tarde que passou com as meninas, havia muito em comum entre elas e seria perfeito ter mais alguém na festa, mais uma mulher no grupo — Se não tiver nada para fazer, claro.
— Seria incrível — celebrou a possibilidade, empolgada.
— Poderíamos passar a semana juntas lá, dar prejuízo para a , assaltando a loja da Hermann de Barcelona que, sem querer ofender, é a melhor — Lily olhou de para , que parecia pensativa com o convite.
— Foi a primeira, não foi? — Rindo do comentário de Lily, virou-se para .
— Sim, meu pai achou que seria uma homenagem para minha mãe, decidimos abrir na cidade natal dela — deu de ombros, sem querer muito falar de seu pai e notou aquilo — É a maior loja que temos, a que recebe peças exclusivas que você não não encontra em outras lojas da marca e é a favorita da Lily, que sempre pega tudo o que vê pela frente.
— Eu escolho muito bem minhas amizades — A chinesa riu, sem vergonha.
— Você tem carta verde para pegar o que quiser — lançou-lhe um beijo e, então, apontou para — e você tem mais um motivo para aceitar o convite e ir com a gente para Barcelona. Vai ser incrível te levar na nossa primeira loja.
— Apesar de querer muito visitar a Hermann com a verdadeira Hermann, não sei, meninas... — resistiu, incerta.
— Você não se arrependeu de ter aceitado o convite para jogar com a gente hoje — Lily insistiu, fazendo um biquinho — E podemos assistir a corrida no final de semana também. Com certeza o Alex ou o Sainz conseguem um acesso extra. O que me diz? Vamos?

~ ❤ ~



Capítulo Um

Barcelona, Espanha

não tinha certeza do porquê aceitou aquele convite, mas só se deu conta do que tinha feito quando, uma semana depois, estava pronta para ir na festa de aniversário de Alex. Tirando Lily e , ela não conhecia mais ninguém e aquilo a deixava ligeiramente nervosa. Ainda no campo de golfe, na França, as meninas insistiram absurdamente para que ela fosse e, sob o pretexto de que seria legal para descansar, fazer coisas diferentes, se aproximarem ainda mais, conhecer gente nova e de que, apesar de conhecer bastante gente que estaria na festa, precisaria de uma companhia para quando a verdadeira festa começasse para Lily e Alex, decidiu aceitar.
Não poderia ser tão ruim assim.
As meninas também ficaram mais alguns dias no resort, porque tinham tirado uma semana “das garotas” entre elas e, nesse tempo, passaram a ser uma companhia constante para . Marcavam de tomar café da manhã juntas, iam para a academia juntas, dividiam os drinks no bar a noite. O que antes estava fazendo em sua própria solidão, de repente, foi preenchido pela companhia de duas pessoas que nunca imaginou se aproximar daquela forma. E, apesar de não ter o costume de fazer coisas por impulso ou de se deixar levar pelos momentos, que mal teria em aceitar aquele convite? Lily parecia muito responsável e transmitia uma segurança diferente de outras pessoas que conheceu. , por sua vez, era muito comprometida com as pessoas ao seu redor e tinha um nome de peso a zelar. Eram boas companhias para e poderiam se tornar boas amigas também, se a modelo se permitisse viver tudo aquilo. Seus pais certamente gostariam delas e isso se confirmou em uma vídeo chamada, quando lhes contou sobre as novas amigas e quando se sentiu mais confiante em acompanhá-las.
Apesar de Lily ter marcado o início da festa para às 19h30, querendo aproveitar o máximo da noite, decidiu se atrasar de propósito, com receio de ser a primeira a chegar. Tinham feito um grupo com as três em um aplicativo de mensagens e comentou que também se atrasaria alguns minutos, pois tinha aproveitado para tomar um café com sua mãe, que estava de passagem na cidade, e chegou mais tarde do que o previsto no hotel. Por isso, esperou até às 20h15 para sair de onde estava hospedada, chamou um táxi e, menos de vinte minutos depois, estava batendo na porta da cobertura que Lily tinha alugado para a festa de aniversário do namorado.

— Você veio! — Lily gritou contente, assim que abriu a porta e, surpresa, ligeiramente alta pelo álcool que já deveria estar bebendo há algumas horas, ela cambaleou para o lado levemente, rindo em seguida. não conseguiu não rir da cena.
— Eu vim — Ela respondeu no mesmo tom de voz empolgado, apesar de ter avisado às meninas, pelo grupo, que estava na cidade e que iria a festa — Não ia perder a chance de encher a cara com você e com a .
— Alguém me chamou? — apareceu no campo de visão de , de volta do cabideiro onde deixou sua bolsa. Aparentemente tinha acabado de chegar também e, como sempre, estava tão bem vestida que parecia ter acabado de sair de um desfile.
— Nós! — Lily falou eufórica, puxando pelo braço e pelo outro, as abraçando calorosamente ao mesmo tempo — Estamos reunidas de novo, isso é perfeito.
— Ela é sempre assim? — perguntou baixo para , que riu.
— Quando bebe, sim — a empresária concordou, soltando-se do abraço da amiga.
— Obrigada por vir, amigas, o Alex vai ficar TÃO feliz — Lily bateu a porta do apartamento, sem qualquer cuidado, e riu levemente para as amigas.
— Tenho certeza que sim — riu, imaginando o cara super feliz em receber alguém que ele nem conhecia. Ela logo se soltou da amiga e, indo alguns passos para o lado, deixou sua bolsa no cabide perto da porta.

Apesar de já ter bebido um pouco e estar meio aérea, Lily estava realmente contente em vê-las ali. já fazia parte da turma e não perderia um evento daqueles, mas Lily sabia o quão difícil poderia ser para conciliar sua agenda de trabalho com aqueles eventos particulares e, mesmo sem conhecer Alex e, apesar disso, tinha dado um jeito de ir até lá, passar mais um tempo com elas. Ao que parecia, estava realmente afim de fazer amizade com elas e Lily se sentiu muito animada com esse pensamento, enquanto seguia caminhando e dançando sozinha, ao som da música alta que tocava pelo ambiente. e se entreolharam risonhas e logo seguiram Lily festa adentro. Estavam contentes em ver Lily tão animada com a presença delas.
O apartamento era bastante espaçoso, muito luxuoso, bem ambientado e podiam reparar aquilo a cada passo que davam dentro dele. Estava com poucas luzes acesas e baixas, criando um ambiente festivo ameno e misterioso, inundado pelo barulho da música animada que um DJ tocava. A parte interna da cobertura tinha uma sala gigantesca, onde as pessoas se espalharam, cheia de sofás, pufes e banquetas. Mais ao canto estava a cozinha, onde um buffet servia os petiscos da noite e, antes de chegar nela, havia um pequeno bar. No andar de cima provavelmente eram os quartos e os banheiros e, do outro lado da ampla sala, estava uma área externa elegante e muito refinada. Com uma piscina de borda infinita em um dos cantos, alguns vasos de plantas e um pergolado decorando, o resto da área tinha lugares para se sentar e uma mesa redonda enorme, onde algumas pessoas estavam sentadas, conversando, bebendo e rindo alto.
Lily estava puxando as meninas naquela direção, animada e, pelo caminho, serviu a si mesma e às meninas com drinks que puxou do bar, sem sequer parar de andar. aceitou o drink e riu tímida, pegando o outro que Lily lhe estendia para passar para , que vinha ao seu lado, alguns passos atrás, mas a modelo logo parou por um momento. Sem sequer ver de onde ele veio, assistiu um cara absolutamente lindo, com os cabelos escuros, um pouco mais alto do que elas, chegar em , a abraçando de surpresa. Parecia muito feliz em vê-la ali e se perguntou, por um segundo, se não era sobre ele a quem Lily se referia nas brincadeiras, em quem supostamente estava interessada.
Hermann se virou para ele igualmente empolgada, retribuiu o abraço forte e, pelo momento seguinte, sequer entendeu o que disseram. Conversaram bastante emocionados em espanhol, com sorrisos que não deixavam seus rostos e os braços que, vez ou outra, se tocavam carinhosamente. Sem saber direito o que fazer, com receio de ficar ali e atrapalhar algo entre eles, deu de ombros e decidiu voltar a seguir Lily.

— Muito bonita sua amiga nova — O rapaz comentou separando-se da amiga. Contudo, no exato momento em que ele pareceu querer incluí-la na conversa, se virou de costas, sem ouvi-lo, e os deixou ali — e bem mal educada também. Ela me desprezou?
— Ela não deve ter ouvido — deu de ombros, dando uma olhada ao redor, como se procurasse discretamente por alguém.
— Impossível, eu estava falando com ela — Ele revirou os olhos, bufando, mas logo desistiu daquele assunto, reparando nos olhos curiosos da amiga passar ao redor — Sim, ele veio, está lá fora.
— Ele quem?— Ela se fez de desentendida, o encarando de volta.
— Esse papel de sonsa não faz nenhum pouco o seu tipo, Hermann — O homem riu, negando com a cabeça — Ele já perguntou por você, trinta vezes.
— Esse papel de fofoqueiro não faz nenhum pouco o seu tipo, Sainz — rebateu, sorrindo irônica — Mas, nesse caso, acho que vou precisar de uma bebida. Forte.
— Estava te esperando para começar os trabalhos — O homem logo apontou para o bar e lhe estendeu o braço.

deu alguns passos mais rápido sentido Lily, com receio de perdê-la de vista, observando tudo ao redor enquanto tomava, em um gole só, uma das bebidas que segurava. Estava deixando-se levar pelo clima animador do ambiente, mas, apesar disso, sentia-se nervosa e nem sabia o porquê. Estava acostumada a estar rodeada de desconhecidos, a chamar atenção como estava chamando por onde passava, mas parecia diferente ali. A festa estava incrível e cheia de pessoas que, muito embora a olhassem, não pareciam realmente se preocupar com quem ela era. Talvez todos ali tivessem algo grande a oferecer e era aquilo que a assustava ligeiramente. desejou que aproveitasse tudo aquilo do melhor jeito possível e, se não conseguisse sozinha, ao menos tinha o álcool a seu favor.
Assim que e Lily pisaram para fora, na área externa da cobertura, alguns olhares do grupo que estava ao redor da mesa recaíram sobre elas. Alguns curiosos, outros um tanto surpresos, olhares felizes e direcionados. O clima estava relativamente quente lá fora e a vista da cobertura era deslumbrante, abrindo-se aos olhos a noite iluminada de uma das áreas mais ricas de Barcelona. Tudo pareceu grande, bonito e excepcionalmente diferente para naquela noite, uma sensação boa tomando conta de si, até, enfim, se aproximar o suficiente da mesa a ponto de os ouvir falar por cima da música.

— Olha quem voltou! — Um dos homens que estava na mesa falou alto, sorridente, chamando a atenção dos demais para onde ele olhava.

Lily parou de andar por um único segundo e fez uma pose, enquanto Alex, o único que conseguiu reconhecer prontamente ali, se levantou, risonho, assistindo a namorada caminhar para perto dele, puxando a nova amiga consigo, pela mão. Por sorte, tinha feito sua lição de casa, com medo de passar vergonha e, fora ele, podia dizer, não com certeza, que George Russell, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo e Pierre Gasly também estavam ali, naquela mesa. Entre Russell e Norris havia também uma outra mulher, de cabelos escuros e um sorriso contagiante, que não reconheceu.

— Fui buscar minha convidada de honra dessa noite — A chinesa apontou exageradamente para , que riu tímida.
— Achei que eu era o convidado de honra — Daniel se virou para Lily, parecendo chateado.
— Por favor, cara, se eu estou aqui, certamente você não é o convidado de honra — Lando apontou seu copo para o outro piloto.
— Eu sou o aniversariante, se liguem — Alex gritou em protesto — Hoje, a noite é toda minha.
— Se comportem, ogros — Charles pediu, sorrindo para .
— Vão assustar ela — A outra mulher na mesa comentou, risonha.
— Pessoal, essa é a minha amiga, linda e talentosíssima, — Lily chamou a atenção de todos eles — ou só para os íntimos, que, no caso aqui, somos só eu e a , tirem os olhos.
— Oi, pessoal — A modelo acenou gentil, com todos os olhares em cima de si, sorrindo para eles.
, esses são o Charles, Lando, George e a namorada mais linda que ele já teve na vida, Carmen. Ali estão Daniel, Pierre e o Alex — Lily os apresentou rapidamente, apontando para cada um deles, respectivamente, até parar em seu namorado. os cumprimentou um a um, com breves abraços, desejando a Alex um feliz aniversário.
— É um prazer, finalmente, conhecer vocês — A modelo comentou, sentando-se ao lado de Lily, entre Alex e George.
— Temos mais uma mulher no grupo — Carmen celebrou, pegando seu drink — Estamos quase equilibrando o número.
— O prazer é todo nosso — Daniel sorriu abertamente para a modelo.
— Lily não para de contar histórias com vocês, estava curiosa em saber quem eram os amigos dela — comentou simpática, aceitando a dose de vodca pura que George a oferecia, com a garrafa em mãos.
— Ela é apaixonada por todos nós — O piloto encheu tranquilamente a taça dela e voltou-se para os amigos à frente, enchendo seus copos também.
— Mas, infelizmente, tem um gosto terrível e escolheu o pior de nós para namorar — Pierre zoou Alex, que lhe deu o dedo do meio.
— Você se acostuma com a auto confiança exagerada do grupo, fique tranquila — Carmen falou baixo, tirando uma risada fraca de .
— Acho que eu já te vi em algum lugar, não sei onde — A encarando, pensativo, Charles sorriu para .
— Talvez — Ela sorriu gentil, não gostava muito de falar sobre si mesma, mas não havia jeito. Era uma pessoa nova e diferente ali, em um grupo que já se conhecia há bastante tempo, e certamente despertaria a curiosidade e atenção deles.
— Ela é modelo — Lily deu de ombros, orgulhosa de conhecer a outra mulher — Vocês já devem, pelo menos, ter ouvido falar dela.
— E onde vocês se conheceram? — Pierre perguntou interessado, virando seu shot de vodca. Em geral, tinham círculos de amizade restritos ao grupo social que mais conviviam e modelos não era, definitivamente, o círculo de Lily.
— Adivinha? — Daniel tumultuou a conversa, apoiando-se na mesa a sua frente, para olhar Pierre ao seu lado — Só vou te dar uma chance de acertar onde Lily geralmente conhece pessoas.
— No golfe — Charles e Alex disseram ao mesmo tempo e riram em seguida.
— Me deixem em paz! Qual é o problema? — A jogadora encolheu os ombros, terminando de beber seu drink — E, sim, nos conhecemos jogando golfe. é ótima em campo.
— Vamos marcar de jogar juntos, então — Alex virou-se para a modelo, que concordou prontamente, animada.
— Estou fora — Lando virou um novo shot de vodca com Charles e Carmen, e apoiou o pequeno copo na mesa — Depois da última humilhação, não jogo mais nada com a Lily.
— Chorão — A jogadora mostrou a língua para ele.
— Lando e , os dois a 80km/h, qual dos dois é o pior no golfe? — Daniel zoou, tirando risadas dos amigos.
— Lando respondeu no mesmo segundo, sem sequer pensar, o que tirou gargalhadas dos amigos.
— Lando não sabe perder mesmo, hein — George cutucou o amigo, pedindo para Daniel ir buscar mais cerveja para eles. O australiano se levantou rapidamente e foi até o bar, mexendo com algumas pessoas pelo caminho — Falando em , cadê ela? Ela nunca chega tarde nos rolês, não vem hoje?
— Não vem hoje? — Charles repetiu a pergunta, levemente chateado com a ideia. Pierre e Lando trocaram um olhar risonho.
— Ela já chegou, mas se perdeu no caminho, eu acho — Lily respondeu confusa, não tinha notado até aquele momento que a outra amiga não estava com eles.
— Encontrou um cara, perto do bar — deu de ombros e, como se houvessem combinado, os olhares dos amigos caíram sobre Charles, ao mesmo tempo.
— Um cara? — Carmen perguntou curiosa, tomando um gole de sua bebida.
— O que está fazendo na cidade, ? — Lando desconversou, simpático, assim que viu a cara confusa e um pouco desesperada de Charles. Era melhor mudar o foco da conversa. Por sorte, a modelo logo respondeu:
— Na verdade, só vim para o aniversário do Alex mesmo.
— Que honra! — Alex sorriu — Muito obrigado por isso.
— Lily não me deixaria perder esse momento por nada — gesticulou, recebendo um abraço lateral da jogadora.
— Veio para o aniversário do cara mais lindo do mundo — Lily falou espontânea e fofa, dando um beijinho rápido no namorado, tirando gritos de “aw” em uníssono.
— Alex ser o “mais lindo do mundo” é bastante controverso — brincou, aparecendo pela porta por onde e Lily há pouco tinham chegado.
— Falando nela… — George brincou, vendo a amiga se aproximar deles.
— Para você, , com certeza não é o Alex o mais lindo do mundo aqui — Pierre olhou sugestivo da amiga para Charles, que revirou os olhos, sem conseguir conter o sorriso. Por um segundo, sentiu seu coração se aliviar.
— Fica na sua, Pipi apontou para ele, mas não teve tempo de dizer mais nada.

Animado, e bastante aliviado por vê-la chegar e sozinha, Charles, que estava de costas para , se levantou prontamente, com um sorriso imenso aberto no rosto e abriu os braços na direção dela. não soube exatamente o que acontecia ali e, apesar de poder ter uma ideia, ficou bastante confusa. Lily vivia zoando por um dos caras do grupo que, aparentemente, tinha namorada, mas ela era afim. Era o cara de antes ou era aquele? se perdeu e anotou mentalmente aquela dúvida para tirar mais tarde. O grupo de amigos na mesa pareceu ficar levemente mais agitado com a chegada dela, e encaravam e Charles em uma ordem quase frenética, assistindo ao que acontecia ali.
Tão empolgada quanto o homem, pareceu surpresa em vê-lo ali, mas boa parte deles sabia que ela estava sendo modesta. Já tinham consciência de que se encontrariam, só estavam fingindo certa casualidade. Dando pulinhos felizes em sua direção, seguiu até ele, sem segurar o sorriso.

Agora a festa começou! — Charles comentou alto, ainda de braços abertos.
— De novo com essa camisa horrorosa, Charles? — o abraçou fortemente. Lily e Alex trocaram um olhar sugestivo, que não passou despercebido por , e riram em seguida.
— Eu disse que era feia para caralho — Lando se levantou também, esperando para cumprimentar a amiga. Charles estava com uma camisa colorida, em tons pastéis, que insistia em vestir sempre que podia.
— Seis meses sem me ver e essa é a primeira coisa que você me diz, ? — Charles fez um biquinho, tirando uma risada baixa de .
— E o que você queria que eu dissesse?
— Que você estava com saudades — Ele deu de ombros, quebrando levemente o abraço, a olhando.
— Saudades de você, posso pensar. — o olhou de volta, charmosa — Saudades de você com essa camisa, de jeito nenhum.
— Eu gosto de usar ela — Charles riu, finalmente soltando a mulher.
— Meu Deus, Charles — Gasly murmurou, negando com a cabeça. Não podia acreditar no quanto o amigo era lento.
— Por que? É horrível! — tentou o encarar séria, mas não conseguia.
— Porque, pelo menos, chama sua atenção — Ele respondeu simplesmente, ouvindo os amigos na mesa gargalharem.
— Chama mesmo, mas de um jeito muito ruim, cara, você precisa saber disso — Russell comentou alto, rindo da expressão falsamente frustrada que ele fazia.
— Alguém tinha que impedir o Charles de sair de casa vestido desse jeito — Daniel gritou, juntando-se aos amigos com algumas latas de cerveja em mãos — É um insulto para os olhos ser visto assim por Hermann, cara, se liga.
— O que você acha, ? Dê sua opinião de modelo sobre essa camisa — virou-se para a amiga, puxando a manga curta da camisa de Charles como se fosse tóxica até de tocar.

No tempo em que aquela conversa aconteceu, nos brevíssimos minutos entre o momento que chegaram ali e que começou a cumprimentar os amigos com abraços animados, acompanhou a dinâmica com os olhos, se sentindo confortável em estar ali. Suas amigas pareciam bastante à vontade com as pessoas ao redor e todos pareciam leves e divertidos, estavam sendo acolhedores e informais com ela. Pensou por um segundo que tinha sido absurda a ideia de não ir na festa e mais algumas taças de qualquer coisa alcoólica a fariam se soltar e se sentir ainda mais parte daquele caos todo.

— O look não é dos melhores mesmo, me desculpa, amigo — A modelo sorriu triste para Charles, que fez um novo biquinho. Seguindo a sequência em que estavam sentados ao redor da mesa, cumprimentou, respectivamente, Alex, Lando, Pierre, Daniel e George.
— Ainda dá tempo de fugir, — Lando olhou por sobre os ombros, vendo a amiga apoiar-se nele enquanto se sentava entre ele e Charles.
— Fugir do que?
— Disso aí que vocês têm — Ele apontou para ela e Charles e levou um tapinha leve dela em resposta.
— Começaram cedo hoje, né? — virou-se para Charles, que concordou, vendo os amigos entrarem em uma breve discussão sobre o tema.

Desde que se conheceram, há cerca de dois anos atrás, num almoço do grupo em Budapeste, e Charles carregavam alguma coisa estranha no ar. Algo velado, incerto, não claro entre eles mesmos. Um carinho levemente fora do habitual para uma simples amizade, algumas brincadeiras um tanto sugestivas, apesar do respeito com o espaço e o limite um do outro. Alex e Lily tinham começado a reparar naquilo desde a terceira ou quarta vez que eles se encontraram e a fofoca foi crescendo dentro do grupo de amigos, a ponto de sempre, sempre, serem alvo daquelas brincadeiras com muitos fundos de verdade. Pareciam sempre muito felizes quando se encontravam, o tipo de felicidade que transparecia pelos olhos, como estava acontecendo naquele momento. Sempre passavam horas conversando, achavam graça das mesmas piadas, gostavam das mesmas músicas e dos mesmos lugares. Tinham planos parecidos para o futuro e carregavam dores similares sobre a ausência de seus pais, as pressões da mídia e as canseiras da vida pública.
Charles sempre falava dela com carinho, sempre queria saber sobre ela por Carlos, Lily ou Carmen, sempre pareceu interessado demais em ver o que saía sobre ela na mídia, em mandar flores e chocolates quando tinham desfiles da marca dela, em ligar para conversar sem motivo algum ou ir em suas festas de aniversário. acompanhava as corridas quando podia, fingia casualidade assistindo tudo ao vivo quando todos viam que ela se preocupava em algo acontecer com ele e não deixava de torcer por Charles, mesmo quando não podia estar fisicamente presente. Sempre falava sobre ele com delicadeza, fazia questão de estar por perto e, apesar de entrar nas provocações que faziam um ao outro, no final das contas, ela sempre o defendia.
Alex e Lily, como Lando, George, Carmen, Carlos, Daniel e Pierre, amigos que conviviam diretamente com eles, tinham certeza de que havia alguma coisa a mais entre Charles e , mas, igualmente, sabiam que aquele era um tema complexo, porque havia o impeditivo. Nenhum dos dois jamais insinuou ou cogitou qualquer coisa senão a amizade porque Charles namorava. Engatou um relacionamento no outro e não seria motivo algum para criar problemas para ele e sua namorada. Por isso, desconversava das brincadeiras e insinuações que os amigos faziam, ignorava as fotos e vídeos que os fãs montavam shippando eles e seguia sua vida bem, censurando o tormento de, de repente, se dar conta de que gostava mais de Charles do que deveria, sem saber que, do outro lado, ele também carregava as mesmas dúvidas.

— Cedo demais — Charles concordou.
— AI MEU DEUS! Feliz aniversário, Alex — virou-se de repente para o homem ao lado de Charles e estendeu sua mão para ele, por cima da mesa — Por um segundo esqueci que era seu aniversário e esqueci de comprar seu presente também, me desculpe.
— O efeito Charles Leclerc — Com a garrafa de cerveja na boca, Russell a provocou, mas foi completamente ignorado pela amiga, que seguiu dizendo para Alex:
— Escolha o que quiser da Hermann que eu mando te entregar.
— É esse tipo de amizade que eu gosto de ter — Alex pegou a mão dela, risonho — Obrigado, , estou feliz que conseguiu vir.
— Eu disse — Lily levantou a mão, prontamente, pegando uma das cervejas que Ricciardo a estendia.
— Não ia perder por nada — A empresária sorriu sincera, e antes que pudesse dizer qualquer coisa mais, uma mão atravessou seu campo de visão, deixando um drink levemente vermelho em uma taça refinada em sua frente.

Como se tudo estivesse em câmera lenta, , desligou-se por um segundo, olhando da taça da amiga para ela e, dela, enfim, para quem havia se juntado ao grupo. Em pé atrás de e Charles, a modelo viu o homem alto, de olhos e cabelos escuros falar aos amigos algo que ela não pode exatamente ouvir, pelo barulho da música no ambiente, ignorando tudo o que havia ao seu redor. Sua barba estava rala, por fazer, e os cabelos levemente compridos pareciam brilhosos, macios. Ele os jogava para trás, rindo de algo que Charles o dizia e sequer parecia ter notado que havia alguém novo no grupo, que ela estava ali.
Apesar de todos os homens que dividiam aquela mesa com serem bonitos e muito atraentes, aquele, em especial, parecia ter alguma coisa a mais que chamou sua atenção naturalmente. Talvez fosse a camiseta branca que vestia e que desenhava seu peito, talvez fosse o jeito que mexia em seus cabelos, talvez fosse o sorriso contido e a expressão mais fechada, um tanto misteriosa. Algo nele parecia estranho e, por algum motivo, soava como um problema, que se pegou mentalmente curiosa em resolver.
A modelo o encarou casualmente por alguns poucos segundos, até enfim perceber ser ele o cara que parou mais cedo, quando chegaram na festa. Sem querer parecer indelicada, , então, desviou sua atenção novamente para Lily, concentrando-se em algo que Alex contava para elas. achou aquilo tudo ridículo e segurou uma risada solitária, disfarçando-a com um novo gole de sua bebida. Fazia algum tempo que não ia a festas e algum tempo que não conhecia pessoas novas, homens novos. Estava tão acostumada em ter sempre as mesmas pessoas por perto que, conviver com pessoas novas parecia diferente, algo estranho. O cara recém chegado era bonito ou, ao menos, tinha uma presença notável, marcante e agradou os olhos de .
Apesar de tentar prestar atenção em outra coisa, simpática, não conseguiu se concentrar por muito tempo, até ouvir o cara novo perguntar, bastante indelicadamente, para :

— Sua amiga nova vai continuar me ignorando até quando? — Ele tinha um sotaque diferente, carregado. Falava com calma, como se estivesse escolhendo as palavras e seu rosto se fechou por completo quando, enfim, os olhos dele pareceram focar-se em .

Do outro lado da mesa, a modelo sentiu seu rosto queimar, mas não se deu ao trabalho de se virar para encará-lo de volta. Estava concentrada no que Lily e Alex diziam, ou, ao menos, fingindo estar. Levantou seu queixo um pouco mais, sorrindo para a amiga e concordou com o que ela dizia, sem dar o gosto de mostrar que, antes mesmo que ele reparasse nela, ela já o tinha visto. E que história era aquela de ela tê-lo ignorado? Estava mesmo falando sobre ela? Não importava. Mas aquela encenação ridícula não durou muito tempo, até Daniel gritar animado:

— CARLITOS! Onde você estava?
— No bar — desviou seu olhar até ele, junto com todos os demais amigos da mesa, mas ele parecia virar-se ao outro piloto, sentando-se de frente para ele, do outro lado da mesa onde a modelo estava.
— Já conheceu a ? — George perguntou amigável, apontando para a mulher ao seu lado.
— Ia perguntar isso agora mesmo também — Carmen riu para o namorado que, levemente alto pela bebida, brindou com ela.
— Combinamos até nisso — Russell falou manhoso, dando um selinho nela.
Carlos olhou relativamente sério para , com uma expressão que a modelo julgou ser pouco amigável, e tentou forçar um sorriso.
— Carlos Sainz — Ele apontou para si mesmo e acenou brevemente com a cabeça para ela.

esperou um segundo para responder aquele cumprimento, se é que poderia chamá-lo daquela forma. Carlos Sainz. Um nome e um sobrenome, nada mais. Como se aquilo fosse tudo o que ele tinha de importante, o cartão de visitas, a carteirada que ele provavelmente costumava dar nas pessoas. O que Carlos Sainz queria dizer, não tinha ideia. Era um piloto, ela sabia. E nada mais do que aquilo. Um contraste em relação aos demais, sem dúvidas. Tudo o que os outros tinham de acolhedores, amigáveis e simpáticos, Carlos parecia não ter, parecia ser o exato inverso. Um ego que pareceu bastante cheio, pomposo. O famoso cara cheio de si mesmo a ponto de dizer aquilo, e nada mais.
Carlos Sainz.
Dois segundos atrás, Carlos parecia bastante confortável e sorridente com os amigos e, de repente, quando reparou que ela também estava ali sua expressão tinha se fechado. A modelo pensou, por um momento, o que é que poderia ter acontecido para ele parecer tão sério e a única justificativa breve que encontrou foi não ter parado para cumprimentá-lo antes, quando parou, assim que chegaram. Talvez ele a tenha achado esnobe. Talvez ele só fosse meio arrogante mesmo. não sabia, mas não se importava com aquilo.

— Ela respondeu da mesma forma, forçando um sorriso e logo desviou seu olhar do dele.

Carlos não podia dizer que achou ela simpática, naquele momento, porque definitivamente não a achou. Estava mais para uma mulher bonita, gostosa e que provavelmente, com sorte, terminaria a noite junto, do que alguém com quem faria amizade ou teria uma conversa amigável. Ela não parecia amigável. Definitivamente não. Ao menos, não com ele e não naquele momento. Dez segundos de convívio e ela já o estava desprezando. Deveria ser só mais uma daquelas mulheres bonitas e arrogantes, cheias de si, que despencavam aos montes em cima deles.

— Por que demorou tanto tempo no bar? — Lando perguntou de repente, batendo seu copo na mesa para que Daniel o enchesse novamente.
— Estava tentando me livrar da Laura e dos problemas que ela me traz — Sainz bufou, servindo-se com uísque.
— Laura está aqui? — revirou os olhos, vendo o amigo espanhol concordar com a cabeça, silencioso — Cruzes, quem convidou?
— Ela precisa de convite? — Lando olhou a amiga ao lado, de relance — Onde Carlos está, ela dá um jeito de se enfiar.
— Achou que seria fácil se livrar dela, meu amigo? — Daniel brincou, encarando o espanhol rir sem graça alguma.
— Queria uma noite e ganhei uma mulher histérica — Carlos deu de ombros — Mas, também, é aquilo… Sabem como são as modelos...

tentava engatar uma conversa animada com George, mas sua atenção foi totalmente cortada por aquele comentário infeliz. Estava acostumada a conviver com falas como aquela, acostumada com o desprezo por meninas que, assim como ela, haviam escolhido aquela carreira. Estava acostumada a lidar com pessoas a rebaixando, desmerecendo a profissão, seus corpos e seus talentos. Estava habituada aos estereótipos que carregava, mas nunca, em hipótese alguma, aceitou qualquer um deles. Quem era aquele cara para enfiar todas elas no mesmo pacote? Para rotular pessoas com base em uma experiência pessoal ruim? Rídiculo. E, aparentemente, o que tinha de bonito, tinha de babaca.

— Na verdade, eu não sei — se fez de desentendida — Como são as modelos?
— Em sua maioria? Interesseiras, pegajosas, fúteis, irritantes — Carlos deu de ombros, brincando com seu copo. Estava exausto de Laura. olhou incrédula para ele, sem conseguir dizer nada.
— E você diz isso baseado no que exatamente? — A modelo voltou a perguntar. O tom de voz ligeiramente afrontoso chamou atenção do piloto, enquanto os demais ficavam em silêncio, acompanhando a conversa tensa que começava, de repente, entre eles. não queria fazer uma cena. Mas foi mais forte do que ela.
— Na minha opinião — Carlos recostou-se no encosto da cadeira. Além de mal educada, ela ainda era intrometida, pelo jeito.
— Um pouco enviesada, não? — apoiou seus cotovelos na mesa.
— Você acha? — Ele soltou uma risada cínica.
— Não acho — sorriu da mesma forma — Tenho certeza.
— E como pode estar certa de que eu estou errado? — O piloto passou a língua entre os lábios, apoiando-se sobre a mesa, como ela, a encarando — É uma delas?
— Sou — levantou as sobrancelhas — Sou modelo. Interesseira e pegajosa, fútil e irritante também, de acordo com a sua opinião.

O silêncio que pairou no ar só não foi mais incômodo porque a música animada que começou a tocar ao fundo quebrou qualquer constrangimento. e Carlos se encaravam fixamente, como se estivessem seguindo aquela conversa com os olhos, sem saber exatamente o que mais deveriam dizer. Sequer se conheciam, tinham tido poucos minutos de convivência, o que estavam fazendo? Talvez estivessem consumindo mais álcool do que estavam acostumados no dia a dia. Carlos estava claramente estressado com tudo o que tinha acabado de acontecer com Laura e era nova na turma. Não podiam pedir demais de si mesmos mas, ao mesmo tempo, como completos desconhecidos, não precisavam agradar um ao outro.
Ao redor deles, os amigos se entreolhavam confusos, um tanto envergonhados. Alguns pareciam risonhos e outros relativamente tensos, até Daniel pigarrear e tentar quebrar o silêncio, virando-se amigavelmente para Charles.

— Onde está Charlotte? — Ela perguntou simpática, levando sua taça à boca. Não a tinha visto por ali, mas, dificilmente Charles saia para uma festa sem ela — Ainda não a vi por aqui hoje.

e Carlos ainda estavam se fulminando com o olhar e não repararam quando Lando olhou para Pierre, que olhou para George, que olhou para Daniel, que olhou para Lily, que olhou para Carmen, que olhou para Alex, que olhou para Charles, que respirou fundo. Ainda não tinha decidido exatamente como contar aquilo para e, fazia tanto tempo que não se viam, que não queria estragar o momento falando sobre seu relacionamento fracassado - ou, talvez, bem sucedido, não fosse o fato de ele ter se apaixonado por outra pessoa no meio do caminho e sequer saber como lidar com tudo aquilo.

— Nós terminamos — Charles disse simplesmente. Seus olhos verdes, um tanto incertos, encontrando os dela. cortou seu contato visual intenso com Carlos e encarou o casal que conversava, prestando atenção. Curiosa com aquilo, os amigos não disseram nada.
— Como? — arregalou os olhos, preocupada.
— Não estava feliz com ela há bastante tempo e eu… — Ele fez uma pausa, desviando o olhar para a mesa — acho que foi melhor assim, para nós dois.
— Eu sinto muito — sorriu triste para ele, realmente sentida em saber que ele passou por tudo aquilo.

Talvez, aquele fosse o motivo pelo qual Charles pareceu distante naqueles meses, por não terem se falado muito, nem se visto. Apesar disso, algo pareceu revirar dentro dela com aquela informação. Como se uma ansiedade repentina tivesse tomado conta de si. Charles estava solteiro agora. Carmen pressionou os lábios, segurando a risada em presenciar aquele momento tão fofo.

— Obrigado, mas não sinta — Charles sorriu levemente para ela — Me sinto mais leve agora, na verdade.
— Se está melhor assim, então, fico feliz por você — sorriu timidamente — Quando isso aconteceu?
— Alguns meses… atrás — Charles pareceu um tanto nervoso em responder aquilo, mas conteve-se em dizer somente o necessário. Parte dele queria gritar que foi seis meses atrás, depois da última vez que se encontrou com em uma corrida e ficou tão atormentado em tê-la novamente por perto e não poder fazer nada do que gostaria, que chegou em seu limite. Mas não diria aquilo ali, naquele momento, e nem daquela forma.
— Podia ter me contado antes, Charlie.
— Me desculpe — Ele voltou a olhá-la e, então, sorriu charmoso — A verdade é que esse tempo todo eu acho que me apaixonei por outra pessoa, estava confuso e não quis envolver o motivo da minha confusão nisso tudo.

se engasgou com a própria bebida no segundo seguinte em que entendeu, de fato, aquela informação. Segurando a risada, Lando deu alguns tapinhas leves nas costas da amiga e esperou que ela reagisse, mas simplesmente não conseguiu dizer nada. O que Charles tinha acabado de dizer ali? Ela era o motivo da sua confusão? Ela dela que ele falava quando dizia que se apaixonou por outra pessoa? estava tão surpresa com aquela fala quanto , Lily e Carmen pareciam estar. E, por um minuto, a modelo desejou sair dali com a amiga para ouvir dela aquela história toda. se lembraria de perguntar no dia seguinte.

— De repente, deu uma vontade de dançar — Pierre comentou alto, quebrando o clima esquisito e desejando deixar e Charles a sós. Pegou sua garrafa de cerveja e se levantou, mas os outros não o acompanharam.
— Ou de jogar alguma coisa — Daniel sugeriu, puxando o francês para se sentar novamente.
— Cara, você é muito inconveniente — Russell murmurou, negando com a cabeça.
— Vamos jogar! O que temos aqui? — Lily perguntou olhando Alex, que pensou por um segundo e logo soltou:
— Pôquer?
— Parece ótimo — Ela celebrou, feliz.
— Topo — Daniel deu de ombros.
— Eu quero — Carmen dançou sentada.
— Estou dentro — Russell concordou.
— Eu também — Charles consentiu com a cabeça.
— Também quero — Lando falou alto, ainda ajudando , que tossia, e fazia um joia dizendo que também jogaria.
— Vamos! — Pierre esfregou as mãos, animado — Você joga, ?
— Eu jogo — Carlos se intrometeu, voltando seu olhar cínico para a modelo que, sem pensar duas vezes, o encarou de volta, tombando a cabeça levemente para o lado, dizendo:
— Com certeza, sim.

~ ❤ ~


não sabia dizer exatamente o que mais a incomodou naquelas poucas horas que passaram jogando pôquer. Não sabia se era o jeito irritante de Carlos, se era a forma como ele sorria com superioridade, se eram os olhares diretos e descarados que lançava a ela de tempos em tempos ou se era o fato de, a cada nova gota de álcool, ele parecer ficar ainda mais atraente. Descobriu ao longo do jogo que Carlos era espanhol e, enfim, daí o seu jeito de falar inglês tão fofo e cada vez mais embaralhado com o álcool. Descobriu que ele tinha só dois anos a mais do que ela, que era a dupla do Charles na temporada, que era amigo de há muitos anos, desde adolescentes, e que ele odiava perder.
Talvez, o único ponto em comum entre eles.
Carlos mantinha seus olhos presos nas cartas em suas mãos, fazendo o que era possível para manter seu foco no jogo, mas era irresistível não voltar-se para a modelo. Apesar de não querer assumir aquilo nem para si mesmo, tendo em vista que já começou terrivelmente mal com ela naquela noite, chamava sua atenção mais do que ele gostaria. Tinha uma beleza diferente, estonteante, e estava usando um vestido roxo justo ao corpo que Carlos desejou tirar em alguns momentos durante o jogo.
Não fosse tão insuportável quanto era linda, ele talvez se esforçasse em tentar consertar a merda que havia dito mais cedo, mas não tinha certeza se ela merecia aquilo. O estava cutucando, provocando propositalmente ao longo do jogo, implicando com ele, fazendo tudo o que podia para vencê-lo e, para Carlos, aquilo era tão irritante quanto era sexy. O jogo que ele, verdadeiramente, gostava de jogar. Finalmente, com uma competidora à altura.

— Passa o colar para cá, cielo — Carlos zoou , mostrando as cartas em quadra em suas mãos.

Já tinham perdido as contas de quantas rodadas tinham feito naquela noite, mas estavam se divertindo tanto que mal viram a hora passar. O jogo começou com as tradicionais fichas de pôquer sobre a mesa, mas elas logo pareceram desinteressantes. Querendo aumentar a competição entre eles, logo começaram a apostar os euros que tinham em suas carteiras e quando não mais os tinham para apostar, começaram a colocar as joias e relógios, objetos de valor que tinham nos bolsos e no corpo, sobre a mesa. A regra era clara: o vencedor levava tudo o que foi acumulado e os perdedores tinham que tomar um shot de tequila.

— Que merda — fez um biquinho, ignorando o apelido que ele costumava a chamar há anos, e jogando suas cartas na mesa, sem qualquer combinação. Charles olhou a sequência do amigo e, frustrado, também abriu seu jogo na mesa, sendo seguido por Carmen, Lily, Lando e Pierre.
— Até pediria os anéis, mas pode ficar, são horríveis — Carlos riu para Charles.
— Tiraram o dia para me infernizar hoje mesmo, hein — Charles revirou os olhos. tirou o colar de ouro que usava e o entregou para Carlos, vendo Lily deixar uma pulseira, Carmen o lenço da Dior que usava no pescoço, Lando um relógio e Pierre o seu celular.
— Eu detesto esse jogo — Lily resmungou, assistindo Daniel servir os copinhos com novos shots de tequila para todos eles.
— A ideia foi sua! — George protestou. Já tinha parado aquela partida há alguns minutos, tinha pego uma combinação horrível de cartas, certamente não venceria e, se saísse da partida, também não perderia nada. Daniel e Alex tinham feito o mesmo, depois dele.
— Não foi, foi do Alex — A jogadora apontou para o namorado, que riu aéreo, prestando atenção na música que tocava.
, o que vai me dar dessa vez? — Carlos virou-se para ela, confiante. Já era a quinta ou sexta partida que ele vencia.
— Na verdade, — a voz suave de atraiu sua atenção — acho que a pergunta certa é o que você vai me dar, Sainz.

apenas virou as cartas que tinha em mãos para ele, tranquilamente. Um ar de superioridade pairava sobre ela, ao tempo que seu jogo abria-se pelos olhos do espanhol. Assim como ele, ela também tinha feito uma quadra, contudo, mais alta do que a dele. Sainz sentiu seu sorriso murchar em seu rosto e subiu lentamente o olhar das cartas para a modelo, irritado por ter perdido.

— Acho que o colar é meu, — Ela sorriu vitoriosa — o relógio, o lenço e a pulseira também. Charles pode ficar com os anéis e não quero seu celular, Pierre, te poupo dessa.
— Sempre bom perder para você — Gasly brincou, puxando seu celular de volta para mais perto.
— Não posso dizer o mesmo — Lando murmurou, chateado em perder.
— Quanto a você, — encarou Carlos novamente — vou pensar no que eu quero.
— Não pense demais — Carlos rebateu, jogando suas cartas na mesa — ou vai ficar sem nada.

Daniel terminou o que estava fazendo, de servir os copos, e encarou e Carlos por um instante, surpreso pela conversa. Já tinha se perdido durante a noite, não sabia exatamente se definiria eles como duas pessoas que se conheceram e não se gostaram muito ou duas pessoas que se conheceram e estavam passivamente flertando uma com a outra. Não se meteria naquilo, mas estava achando tudo muito esquisito. Ric os encarou por alguns segundos, mas logo voltou a se distrair com a música que tocava.
empurrou lentamente o seu copo, cheio por Daniel, assim que Carlos cantou a vitória antes do tempo, para o piloto espanhol, concentrada em sentir aquele gostinho de vitória. Não sabia porque estava tão animada em ter ganhado dele, mas, certamente, até ali, tinha sido o seu ponto alto da noite. Apesar de não querer dar o braço a torcer, transbordando orgulho e raiva por ter perdido, Carlos pegou o shot e, junto com os demais amigos, sem tirar seus olhos dos de , o virou de uma vez.

— Mais uma rodada? — Alex sugeriu empolgado, puxando as cartas de cima da mesa, enquanto os amigos, com exceção de , terminavam de tomar seus shots de tequila.
— Não tenho mais nada para apostar — Charles negou rapidamente — A não ser que queiram minha camisa.
— Pode ser uma boa — Carmen riu — Assim algum de nós ganha ela e a joga no lixo.
— Melhor não — Lando gritou — Vai que ele perde e precisa ficar sem camisa.
— O show de horrores que vai ser — Daniel sorriu para o amigo.
— Melhor sem do que com ela, convenhamos — Carlos zoou — O que você prefere, ?
— Me abster dessa conversa — Ela riu para Carlos, que ainda tentou insistir em cutucar ela, mas logo desistiu — Preciso comer algo, estou zonza já.
— Eu também preciso — Lily se levantou prontamente, meio cambaleando e rindo, e foi até a amiga.

A batida de Mi Gente, do J Balvin, começava a tocar alta, como uma explosão no ambiente. Sem muita coordenação, Lily ajudou a se levantar de seu lugar. Rindo alto, solta pelo álcool e, abraçando a amiga, foi dançando com ela sentido a cozinha do apartamento, onde poderiam encontrar alguma comida. Alex olhou bastante sugestivo para Charles por um segundo e, tirando uma gargalhada do amigo, que havia entendido o recado, se levantou junto com ele e foram atrás das duas mulheres.
Animado com o clima da festa, e já bêbado pela quantidade de shots de tequila que tomou porque simplesmente perdeu todas as partidas de pôquer da turma, Pierre se levantou em um movimento rápido e decidiu se juntar às pessoas que estavam na sala da cobertura, dançando animadas. Rindo da reação dele, Lando se levantou também e, fazendo uma dancinha que tirou de algumas gargalhadas, foi logo puxado por Carmen, George e Daniel, em busca de novas cervejas. Os quatro, contudo, se deparam com algumas pessoas que conheciam no bar e, empolgados, ficaram lá dentro, bebendo e conversando sobre qualquer coisa que podiam gritar por cima da música.
se distraiu por um segundo com uma mensagem que recebeu em seu celular e, no instante seguinte, quando se deu conta, estava sozinha na mesa com Sainz. Apesar de ter percebido que ele a olhou rapidamente, ela logo voltou seu olhar para a tela do celular, tentando ignorar o homem sentado bem à sua frente. Carlos soltou uma risada contida, baixa, negando brevemente com a cabeça. Pensou em sair dali e se juntar aos amigos, mas as opções não estavam favoráveis.
Podia escolher entre atrapalhar a dinâmica de casal de Lily e Alex, que se pegavam em um canto qualquer perto da cozinha, ficar de vela de e Charles, que conversavam mais perto do que o normal um do outro, enquanto comiam algo e bebiam mais ou podia ir até os amigos, que pareciam se espalhar pela sala assim que Montero, de Lil Nas X, começou a tocar, e dançar a música junto com Pierre e algumas meninas, mas os olhos de Carlos logo se cruzaram com os de Laura, longe dali, e ele desistiu de se mover.
Sabia que Laura não seria invasiva a ponto de chegar nele enquanto estivesse, teoricamente, acompanhado por outra pessoa, então decidiu ficar - mesmo não sendo exatamente o que queria fazer. Não estava na melhor das companhias, afinal. Contudo, talvez, pudesse tentar reverter aquele cenário. Nenhuma mulher com quem teve a chance de ficar a sós tinha se arrependido de passar um tempo com ele e, certamente, com aquela, com , não seria diferente. E se ele tivesse que dar o primeiro passo, por ele, tudo bem.

— Nunca perdi no pôquer para ninguém — A voz segura de Carlos cortou o breve silêncio da mesa, que se instalou assim que os amigos os deixaram sozinhos ali.
— Que bom que sempre tem uma primeira vez para tudo — sequer tirou seus olhos do celular, fingindo descaso. Carlos semicerrou os olhos, sem tirar os seus dela.
— Você é muito desagradável, sabia? — Ele não sabia exatamente por que tinha dito aquilo em voz alta mas, quando se deu conta, já era tarde demais. Apesar de a intenção não ser aquela, lá estava ele começando mal com ela. Outra vez.
— Engraçado você dizer isso, — bloqueou o celular e, finalmente, levantou seu olhar até ele — porque eu achei exatamente a mesma coisa de você.
— Que coincidência — Carlos forçou uma risada.
— Pois é — Ela concordou.
— Pelo jeito, você não abaixa a guarda nunca, não é? — Sainz mexeu em seus cabelos por um instante, fazendo desviar a atenção dele para um canto qualquer ao lado.
— Deveria abaixar? — Ela perguntou cínica.
— Talvez — Carlos sorriu de lado para ela — Ficaria mais bonita assim.
— Sorte a minha que sua opinião não me importa.

A modelo voltou seu olhar para ele, o sorriso cínico não parecia deixar os lábios do homem e se segurou para não descer os olhos até a boca dele. Talvez devesse ter bebido menos. Seria mais educada e refinada a ponto de não corresponder aquelas falas idiotas dele. Ou, talvez, devesse beber um pouco mais, para aguentar aquilo. No fundo, naquela altura, não sabia mais porque estava reagindo daquela forma e por que não simplesmente saia dali de uma vez por todas.

— Jura? — Ele levantou as sobrancelhas — Porque irritadinha assim não é o que me parece.

negou com a cabeça e desviou seu olhar do dele novamente, tentando respirar fundo para não socar aquele cara. Ela não estava irritadinha. Estava… não sabia o que exatamente, só estava. E Carlos parecia estar conseguindo o que ele queria, a tirar pela expressão vitoriosa que ele parecia ter. Estava conseguindo tirar ela do sério, estragar ligeiramente a noite dela. ponderou por um momento se deveria continuar tendo aquela conversa, mas não era do tipo que daria o braço a torcer, era muito orgulhosa para isso e, pelo pouco que havia analisado do homem à sua frente, ele também parecia assim.
Carlos cortou seu olhar e o desviou para os movimentos que aconteciam dentro do apartamento. De onde estava pode assistir puxar Charles pela mão até a sala, cantando alto e dançando o refrão de Mamacita (Black Eyed Peas) com Lando, assim que o encontrou pelo caminho. Alex e Lily continuavam no exato mesmo lugar, aos amassos. Daniel já estava sentado em um dos sofás conversando com uma mulher morena muito bonita, sorrindo mais do que o habitual, enquanto George tentava gravar alguns vídeos com Pierre e Carmen bêbados, que vestiam óculos de sol roubados de alguém da festa. A energia caótica daquele grupo parecia boa e, por um momento, Carlos se sentiu encorajado a ir até eles, mas a voz carregada de arrogância de o impediu.

— Não estou irritadinha, querido — Apesar da breve pausa, parecia não querer deixar aquele assunto morrer — Só acho que não preciso “abaixar a guarda” com o cara que mal me conheceu e já me julgou nos primeiros dez segundos de contato.
— E você fez diferente? Não estava falando sobre você, não deveria tomar as dores de outra pessoa — Carlos fechou a expressão, negando com a cabeça. Ela se levantou em um movimento rápido, rindo incrédula.
— Era só pedir desculpas, não é tão difícil assim.
— Deveria me desculpar pelo o que exatamente? — Carlos também se levantou , apoiando as duas mãos em cima da mesa entre eles, inclinando seu corpo para frente, na direção dela.
— Por ser um babaca, talvez? — Ela respondeu simplesmente, fazendo o mesmo movimento que ele, sem se dar conta disso, inclinando seu corpo por cima da mesa.

Os olhos de Carlos travaram nos de e tudo nele pareceu focar-se totalmente nela. Não sabia se o calor que sentiu naquele instante vinha do clima quente lá fora, do álcool que fazia efeito em seu corpo ou da proximidade com o corpo da modelo. O vestido roxo, agora visto, enfim, de corpo inteiro parecia saltar aos olhos do piloto espanhol e ele tinha certeza de que não se esqueceria dele tão cedo. Por ser alguns centímetros mais alto do que ela, tinha uma visão privilegiada da mulher inclinada em sua direção e o cheiro de seu perfume oriental, forte, marcante, o inundou tanto quanto a nova música que começava a tocar.
Ironicamente, Headlights (Alok ft. Alan Walker). Parecia que tinham escolhido a dedo para Carlos naquele momento. Havia muitas mulheres que poderiam chamar sua atenção naquela noite. Muitas com as quais poderia se divertir, ter uma noite agradável, leve e tranquila. Muitas que o tratariam como ele estava acostumado a ser tratado, muitas que fariam tudo por ele. Mas Carlos pareceu cego por um momento. Cego como quem olha diretamente para o farol de um carro, cego pelas luzes que o iluminavam naquela noite. E alguma coisa o deixava preso naquela sensação, naquela cegueira; alguma coisa o fazia querer correr naquela direção. Como se fosse o farol, o estava iluminando e o puxando em sua direção desde que ele colocou os olhos nela naquela noite.
E aquilo irritava Carlos de um jeito absurdo.

— É o que você acha de mim? — Falando baixo, mais perto dela, ele deixou seus olhos recaírem até os lábios de .
— Talvez, se pedisse desculpas, eu poderia mudar de ideia — ela sustentava o olhar dele, falando mais baixo, segura de si — Estou te dando uma chance de resolvermos isso aqui, agora.
— Eu costumo resolver as coisas de outra forma com as modelos — De propósito, o piloto rebateu calmo e um tanto sensual.

deixou uma risada surpresa escapar, totalmente incrédula em ouvir aquilo. Sem perder a postura, contudo, ela levou suas mãos até os ombros dele e fingiu arrumar a camisa do homem lentamente até aproximar um pouco mais seu rosto do dele e dizer, em claro e bom espanhol, a última palavra que trocaria com Carlos Sainz naquela noite:

Despreciable.

Talvez, agora ele entendesse o que ela achava dele.
Carlos pareceu levemente chocado, surpreso, sem dúvidas, com o toque, com a proximidade, com o espanhol pausado e um tanto sexy que saiu dos lábios da mulher a sua frente, dos lábios que ele não conseguia deixar de olhar. Mas ele não teve tempo de retribuir aquela provocação porque os gritos altos dos amigos misturaram-se rapidamente com o refrão da música que ainda tocava e cortou a atenção de e de Carlos. Se afastando rapidamente e voltando seus olhares para onde os gritos saíam, eles puderam ver os amigos celebrando animados o que parecia ser o acontecimento da noite: e Charles estavam, finalmente, se beijando.
Naquela altura da noite, perto das três horas da manhã, nenhum deles podia se dizer sóbrio. Já tinham bebido tanto que podiam sentir os sentidos bagunçados, as línguas formigando e o corpo parecer transcender, de um jeito tão bom que os fazia se sentir imparáveis, grandes. De fato, estavam bêbados, o que deve ter contribuído muito para a coragem de Charles, enfim, chegar nela. Mas tinham se dado tantas indiretas naquela noite, como sempre acontecia quando se encontravam, e tinham, oficialmente, a barreira que os impedia de fazer aquilo derrubada, de uma vez por todas. Tinham conversado a sós algum tempo, tinham dançado juntos, tinham se tocado, se sentido ao longo da noite. Não era surpresa para nenhum deles aquilo acontecer, mas estavam, todos, muito felizes por, finalmente, terem se permitido.
Carlos viu Charles empurrar com o corpo para um cantinho mais tranquilo da festa, longe da euforia dos amigos e, quando voltou seu olhar para o seu redor, já não estava mais por perto. Pelo contrário, recebia um novo drink de Pierre, enquanto ia dançar com ele e se enturmar com as outras pessoas. Carlos foi, literalmente, deixado para trás por ela naquela noite e, com Charles e sua melhor amiga, , ocupados demais e o aniversariante sumido da festa com a namorada, ele decidiu ir embora.
, por sua vez, sequer se deu conta da ausência dele. Pelo contrário, aproveitou a festa para comer com George, dançou com Pierre e com Carmen, ajudou a colocar Lando num táxi para o hotel, que não parava de rir e mal conseguia andar, e acudiu Ricciardo, depois que ele levou um fora da mulher em quem investiu naquela noite. Foi embora quase cinco horas da manhã exausta, mas feliz. Feliz em ter ido aquela festa, feliz em ter conhecido aquelas pessoas.
Feliz de ter feito novos amigos e desejando rever quase todos eles, o quanto antes.

~ ❤ ~



Continua...



Nota da autora Gabe: Uau, o que dizer dessa história?
Primeiramente eu preciso agradecer a Ju Serra, essa autora incrível e minha amiga que esse site proporcionou, obrigada amiga por ter topado fazer parte desse projeto, ter entrado de cabeça e topado a ideia de escrever Headlights e principalmente por ter me ensinado tanto com sua escrita impecável. Também preciso agradecer a Ly, uma amiga de fanfic que plantou e alimentou a ideia de escrever uma história com o Carlos Sainz, confesso que nunca tinha passado pela minha cabeça, já que meu foco era total na minha fanfic principal, mas com paciência e dedicação ela me convenceu e cá estamos nós, então Ly, obrigada por isso, sem você essa fic não existiria.
Quando Ju e eu começamos esse projeto, nós só tínhamos o personagem principal, um pequeno plot, mas um amor pela fórmula um e de repente passávamos grande parte do dia escrevendo, nos divertindo e escrevendo as ideias e diálogos que tínhamos, de acordo com o que achávamos de cada personagem e confesso que esses diálogos são as minhas partes favoritas da história. A cada capítulo era um surto e uma gritaria diferente e essa foi uma das partes mais legais de escrever a história com uma das minhas melhores amigas.
A você que está lendo essa história, espero que amem entrar nesse mundo, ame Headlights, assim como nós amamos escrever cada linha dessa história, por que tudo foi escrito com muito amor e dedicação. Um beijo e não deixem de conferir as outras histórias.
Nota da autora Ju: Ai meu Deus! Nem acredito que, finalmente, estreamos HL.
Feliz demais por poder compartilhar mais uma das aventuras fanfiqueiras que me meti nessa vida e por, dessa vez, ser junto com uma das melhores amigas que a vida me deu de presentinho: Gabi!
Queria aproveitar o espaço para agradecer a Gabi por ter me apresentado para esse universo fantástico da Fórmula 1, por me aguentar todos os dias ser loucamente apaixonada pelo Charles, por ter me convidado a fazer essa história com ela e pelo tempo que passamos juntas, rindo e inventando coisas! Gabi é uma parte essencial dos meus dias e eu sou muito feliz por tê-la comigo, TE AMO!
E CLARO QUE: aí vamos nós, de novo, com outro presente de nossas vidas, a Thais hehe que, apesar de querer nos matar por escrito uma história inteira com o Sainz, ainda assim nos ama e nos acolhe haha te amo, sua lindinha. Obrigada!
E para você que nos lê: vem chegando, vem dizendo o que está achando e vem com a gente até o final! HL é leve, divertida e muito gostosinha de ler, igual o Sainz.
Beijos e até já, Ju 😊 x





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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