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Última atualização: 22/09/2021

Prólogo

BROOKLYN, novembro de 2012


havia finalmente finalizado o trabalho da sua vida. Graças ao seu estágio nos laboratórios da Indústrias Stark e seus estudos dia e noite na Universidade Columbia, onde adquiriu o máximo de conhecimento possível sobre física quântica e suas tecnologias, ela conseguiu o que muitos pensavam, tempos atrás, ser impossível: a viagem no tempo. O pequeno relógio de bolso que transformou em um aparelho que viaja no tempo funcionou perfeitamente quando ela testou e voltou alguns minutos atrás. Tudo parecia normal quando testou novamente e viajou para um dia antes, como programado, e voltou para o presente.
Depois de muitas tentativas falhas, em que quase colocou fogo em seu minúsculo estúdio em Nova Iorque quando um protótipo explodiu, ela finalmente conseguia voltar exatamente para a data e o local que planejava nos testes. Contudo, todas as vezes em que tentou voltar para o único momento pelo qual ela começou todo aquele projeto, falhou.
O grande problema é que existem muitos perigos nas viagens no tempo. Qualquer simples e pequena mudança pode acarretar em um paradoxo temporal e, é claro, as consequências disso eram infinitas. Ela sabia bem disso, entretanto, ela não podia evitar fazer o que pretendia fazer. Não era para seu pai ter ido para o trabalho naquele dia, não era para ele ter ido consertar os malditos computadores novos. Era seu merecido dia de folga, mesmo assim, ele não pensou duas vezes antes de aceitar cobrir seu colega de trabalho que ficara doente. Ele não deveria estar lá. Essa era a justificativa que dava a si mesma segundos antes de viajar para o fatídico dia 11 de setembro em todas as tentativas mal sucedidas.
Ela olhou aflita para o relógio modificado. Restava apenas um fusível, o suficiente para ir e voltar. Depois disso, caso necessário, teria que surrupiar mais alguns daqueles fusíveis especiais que encontrou no laboratório. O Sr. Stark a perdoaria quando visse o que ela inventou, assim ela esperava. Era genial, para dizer o mínimo, e muito essencial nas mãos certas, é claro.
Mas antes de contar a alguém, precisava salvar o seu pai. Para isso, precisava voltar muitos minutos antes do tempo da última viagem. Ela precisava ir para sua casa, no exato momento em que o maldito telefone tocou. Então programou no relógio, girando os ponteiros originais às oito em ponto da manhã e os ponteiros, que ela mesma adicionou, no dia 11 de setembro de 2001.
“Ele não deveria estar lá”, ela repetiu seu mantra e apertou o botão lateral, sentiu a já conhecida tontura atingir sua cabeça, o aperto no estômago e a falta de ar quando tudo girou. Os últimos anos, como ela viu acontecer diversas vezes nas últimas horas, passaram em sua volta. Seu surto quando o relógio funcionou, sua admissão nos Laboratórios Stark, seu primeiro dia na faculdade, sua formatura na escola Midtown de Ciência e Tecnologia, seu primeiro beijo… Tudo o que seus pais não puderam ver, ela agora via pela sabe-se lá qual vez. Isso tudo não a interessava mais, seu único objetivo era chegar em seu quarto, pois é onde ela sabia que estava naquele dia.
Quando o ar voltou aos seus pulmões, finalmente abriu os olhos. Olhou em volta e teve que cobrir a boca para reprimir uma exclamação animada. Todo cuidado era pouco naquele momento, por mais eufórica que estivesse. Ela sabia que a de 11 anos estava no banho, fantasiando sobre como seria o dia com o seu pai enquanto cantava Destiny’s Child com animação. Ela sorriu para a porta fechada, ouvindo a si mesma cantar desafinada no banho, e saiu do quarto em silêncio. No andar de baixo, conseguiu ouvir Callum cantar animado, como a mesma fazia no andar de cima, enquanto preparava suas famosas panquecas (teve certeza ao sentir o cheiro da geleia caseira que fazia). Sentiu vontade de ir até a cozinha, abraçá-lo por trás e dizer o quanto o amava enquanto o ouvia cantarolar Something da banda The Beatles. Entretanto, quando ouviu os passos do homem se aproximarem da cozinha, correu para atrás do sofá e se escondeu o máximo possível. Com cuidado, ela levantou a cabeça o suficiente para ver o pai entrando no cômodo. Seu coração acelerou e doeu, tudo ao mesmo tempo, lhe tirando o ar novamente. Ela sabia o que o pai ia falar e sabia que agora faltavam poucos minutos para ela fazer o que precisava fazer. Conferiu seu relógio, eram 8:05.

— Filha, as panquecas estão prontas! — Ele gritou do pé da escada e deu um sorriso largo quando ouviu a filha responder “Estou indo!”.

segurou as lágrimas quando o homem se afastou, voltando a cantarolar. Era agora que ela precisava agir. Ainda abaixada, a garota engatinhou para o telefone fixo que tinha ao lado do sofá. Por sorte, seu pai achava o celular algo muito inútil e complicado de usar, mesmo sendo técnico de computadores e grande admirador de tecnologias. nunca entendeu tamanha controvérsia e imaginava que, se ele soubesse como os aparelhos estavam nos dias atuais, provavelmente teria o mais simples deles. Então aquele era o único meio de comunicação da família em meados de 2001. Conferindo novamente o relógio, puxou o cabo da linha telefônica e, como garantia, também tirou o de energia do telefone. Em seguida, ela correu para o banheiro, onde sabia que eles não iriam entrar tão cedo e aguardou. Em dois minutos, o telefone deveria tocar. Cada segundo que passava era insuportável. Ela se viu descendo as escadas, animada, tagarelando com o pai sobre irem ao Central Park e depois na Target para comprar mais canetas coloridas. O pai concordava com tudo, afinal, suas folgas eram sempre totalmente dedicadas à filha.
Tudo o que podia fazer era esperar. Ela iria dar pelo menos o tempo de eles saírem pela porta e voltaria para o futuro para encarar as mudanças que havia feito. Será que ainda teria seu apartamento? Ela não dava a mínima se não o tivesse, caso isso significasse poder morar com seu pai novamente, na mesma casa em que estava naquele momento. Tal pensamento lhe deu um frio na barriga pela ansiedade. Ela não via a hora.
E, falando na hora, não percebera os longos segundos passarem. Sua versão mais nova e seu pai se preparavam para sair, vestindo seus casacos e, assim que fecharam a porta, respirou, aliviada. Ela saiu do banheiro e tirou o relógio do bolso, pronta para partir, mas uma luz dourada ao seu lado lhe chamou a atenção, fazendo-a congelar no lugar. Do retângulo brilhante saíram três pessoas uniformizadas, o que a fez concluir que aquilo era provavelmente um portal. Porém, não teve tempo para admirar aquela tecnologia avançada demais até para os seus conhecimentos ou aterrorizar-se com os desconhecidos entrando em sua casa.

? — Uma mulher perguntou a enquanto conferia algo em uma espécie de tablet.
— Q-quem são vocês? — Ela perguntou, dando um passo para trás.
— A inclinação da ramificação está instável e subindo rápido, temos poucos segundos — A mulher falou com seus colegas que logo se puseram ao lado de . A mulher finalmente olhou para , depois novamente para o tablet. — Variante identificada, podem prendê-la.

No mesmo instante, um dos uniformizados prendeu algo em seu pescoço, sem sua permissão, enquanto outro posicionava um aparelho esquisito no chão de sua sala.

— Ei, o que…? Que merda é essa, tirem isso de mim! — Ela encostou no dispositivo, mas tudo o que sentiu foi um choque em suas mãos, repelindo-a.
, somos a Autoridade de Variância Temporal e você está sendo presa por crimes contra a Linha do Tempo Sagrada, por favor, venha conosco.
— Linha do quê!? — Ela deu mais um passo para trás. — E-eu não…
— Ela não vai vir por boa vontade, segurem-na — A mulher falou com firmeza e, ignorando os gritos de relutância da garota, ela atravessou o portal com seus colegas que carregavam com eles.


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SEDE DA AUTORIDADE DE VARIAÇÃO TEMPORAL (AVT) - 2012


Loki Laufeyson havia assistido toda a sua vida: passado, presente e futuro. E ele viu sua morte, lenta, dolorosa e cruel em uma projeção bem na sua frente, como se aquilo fosse um filme barato feito pelos terrestres. E é claro que isso afetaria qualquer um, até mesmo o grande Deus da Trapaça. Em seus muitos anos de vida, ele jamais imaginou passar por tamanha humilhação como estava passando dentro da Autoridade de Variação Temporal. Também jamais pensou que se sentiria tão… Vulnerável. Seu rosto se retorceu em desgosto ao pensar nisso. Ali, sentado naquela sala sufocante depois de tentar fugir diversas vezes, ele finalmente percebeu que não tinha muito o que pudesse fazer no momento a não ser ouvir o que tinham para falar. Mobius M. Mobius já havia jogado um grande balde de água fria nele, metaforicamente falando, e lá estava o homem novamente parado na sua frente, esperando algo que Loki não fazia ideia do que era. Uma confissão? Um pedido de desculpas por tudo o que fez? Ah, ele não faria isso, nem pensar. Mas, talvez, se abaixasse a guarda um pouco, eles pudessem se entender e, quem sabe, salvar sua pele e voltar para sua vida normal. Se isso fosse possível.

— Não posso voltar, posso? — Loki perguntou, cabisbaixo, para Mobius. Ele sentou em um degrau baixo dentro da sala de vídeo e encarava suas mãos há um bom tempo. — Para minha linha do tempo.

Mobius não respondeu, apenas permaneceu observando-o com curiosidade. Já o Deus da Trapaça suspirou, finalmente olhando o outro homem.

— Eu não gosto de machucar as pessoas — Ele recomeçou, vendo que não teria resposta. — Realmente não gosto, eu… Eu faço isso porque eu preciso, porque eu precisei.
— Certo, me explique — Mobius finalmente se pronunciou, cruzando os braços e olhando Loki com certa descrença.
— Faz parte da ilusão — Laufeyson continuou, gesticulando com as mãos. — É o truque cruel e elaborado conjurado pelos fracos para inspirar medo.
— Uma ação desesperada por controle — O analista retrucou. — Você sabe o que você é!
— Um vilão.
— Não é bem assim que eu te vejo.

Assentindo, Loki pegou o Tesseract ao seu lado, observando-o brilhar em sua mão com grande atenção. Passou anos atrás da Jóia do Infinito, depois a teve como fiel escudeira em suas últimas batalhas, inclusive foi a responsável por colocá-lo na situação em que estava. Entretanto, a maldita o deixou na mão quando mais precisava.

— Já tentou usar isso? — Mobius questionou, risonho, apontando para o objeto.
— Várias vezes — Loki respondeu, brincando com o cubo azul. — Até mesmo uma Jóia do Infinito é inútil aqui. A AVT é formidável.
— Essa tem sido minha experiência — Mobius retrucou, segurando seu bastão com menos firmeza que antes. — Escuta Loki, eu não posso te oferecer salvação, mas talvez eu possa te oferecer algo melhor. Uma Variante fugitiva está matando nossos Homens-Minuto.

Loki se levantou, caminhando lentamente até parar a alguns passos do analista que não moveu um músculo sequer em resposta. Com seu clássico tom de superioridade, o asgardiano perguntou:

— E você precisa do Deus da Mentira para deter esse cara?
— Isso mesmo.
— Por que eu?
— Porque a Variante que estamos caçando é... você.

Laufeyson tentou não parecer tão surpreso, contudo, o choque pelo que acabou de ouvir o atingiu em cheio. Ele só podia ter entendido errado.

— Perdão, o que disse? — Indagou, surpreso.

Mobius deu um sorriso, percebendo que finalmente deixou o Deus da Trapaça interessado. Ele tinha toda a atenção de Loki Laufeyson e precisava aproveitá-la.

Capítulo 1

— Me lembre novamente por que não podemos ser só eu e você. — Loki pediu, olhando com certa irritação para Mobius que, em resposta, revirou os olhos.
— Essa outra Variante é um gênio, estudou na melhor escola e na melhor faculdade de Nova York.
— Nova York. — Loki riu, balançando a cabeça. — Que ironia.

O príncipe de Asgard recordou-se com certo prazer do pequeno caos que causou na cidade antes de escapar dos Vingadores e ser capturado pela AVT. Protagonizou bons (e outros nem tanto) momentos em Nova York, inclusive com seu irmão. Uma pontada acertou seu coração ao lembrar-se de Thor e das imagens que viu há pouco. Enquanto caminhavam em direção à outra sala como aquela, Loki se perguntou se um dia voltaria a vê-lo. Desejou secretamente que sim.

— Ela é um gênio, e daí?
— Sinto muito em lhe dizer, mas ainda não confio 100% em você, Loki. — Mobius continuou, sem parar de andar. — Ela vai nos ajudar a resolver alguns detalhes da missão e me ajudar a ficar de olho em você.
— Até parece…
— Assim como você — Mobius ignorou o comentário, finalmente parando em frente a uma porta dupla onde dois seguranças o esperavam —, não merecia morrer, o motivo pelo qual ela cometeu o crime foi… nobre e justificável, pelo menos para mim. Então Ravonna concordou comigo e decidiu poupá-la. Na verdade, a ideia foi dela de mantê-la conosco, já que eu precisava de gente na minha equipe.
. — Loki repetiu o belo nome, assentindo. — Ainda acho desnecessária a ajuda dela. Mas me diga… Qual crime ela cometeu?
— Isso não importa. — Mobius abriu a porta e indicou para o outro homem entrar e Loki assim fez, mesmo contrariado, reparando na garota sentada à mesa idêntica à da sala onde estava.

O analista deu um passo para dentro, contudo, nem se deu o trabalho de fechar a porta, pois sairia novamente.

— Olá de novo, .
— Sempre um prazer, Sr. Mobius. — Ela deixou as unhas de lado, as quais ela olhava com exagerada atenção, e observou os dois novos ocupantes da sala. Seus olhos recaíram diretamente em Loki, fazendo-a endireitar a postura.

Em seu pescoço, Loki percebeu, havia o mesmo dispositivo que ele mesmo havia usado antes de conseguir se livrar dele, o maldito aparelho que fazia seus poderes não funcionarem e o deixava sob o controle dos agentes. Surgiu em sua mente a dúvida se a mulher em sua frente também tinha algum tipo de poder que Mobius não havia contado. Seus olhos combinavam harmonicamente com seus cabelos . Já as tatuagens espalhadas pela pouca pele que não estava coberta pelo uniforme da AVT, eram um contraste a mais; algumas coloridas, outras apenas um contorno preto. Todas pareciam fazer parte dela desde sempre, como se a mulher tivesse nascido com aqueles desenhos. Loki já havia visto centenas de terrestres com tatuagens antes, mas era a primeira vez que ele realmente sentia prazer em vê-las.
Mobius pigarreou alto, tirando o trapaceiro do transe em que se prendeu. Não percebera que ficou encarando-a por tempo demais, mas não se deixou envergonhar, apenas cruzou os braços e aguardou que o outro homem falasse algo.

— Loki, esta é . , este é Loki Laufeyson. — Mobius os apresentou, mas nenhum dos dois se importou em dar um aperto de mãos. Ele apenas suspirou, prevendo a dor de cabeça que teria com eles. — Preciso ir até a minha sala por alguns segundos, eu volto em um instante. Nem tentem fugir ou matar um ao outro, tem seguranças lá fora.

Antes de sair, ele lançou um olhar significativo para cada um dos dois, como se suplicasse em silêncio para que não fizessem nada que fossem se arrepender depois. Quando a porta bateu, um silêncio se instalou no lugar. voltou a se encostar à cadeira, sentando-se de forma menos formal para dedicar-se a olhar suas unhas novamente. Loki ofendeu-se com tal desfeita. A mulher deveria estar se curvando ou ajoelhando-se aos seus pés, contudo, ela nem ao menos se importava em dizer algo para quebrar o silêncio e parecia não reconhecê-lo. Então ele se endireitou, estufando o peito e levantando o queixo o mais alto possível, aquela era uma de suas formas favoritas de mostrar superioridade e intimidação. Loki caminhou para a mesa redonda, ponderando se iria sentar ou permanecer em pé. Concluiu, por fim, que seria melhor olhá-la de cima.

— Então… , certo?

A garota o olhou com certo tédio, mas assentiu, cruzando os braços. Suas unhas não eram mais tão interessantes assim, mas ainda não havia decidido se queria conversar com aquele homem. Ela definitivamente não confiava nele, mas sentia bem no fundo que ele não era um estranho. Já o vira em algum lugar, mas sua memória estava deixando-a na mão.

— O que você fez para estar aqui? — Ele perguntou, andando lentamente de um lado para o outro, mas sem desviar o olhar. Aqueles olhos azuis, aqueles cabelos pretos… podia jurar que já o tinha visto antes.
— Não é da sua conta. — Ela respondeu, inclinando a cabeça e estreitando os olhos na tentativa de enxergá-lo melhor. — Eu te conheço de algum lugar...
— É claro que conhece! — Loki sorriu convencido, estufando mais o peito, se isso era possível. — Midgard certamente me adora.
— Oh, sim, eu sei quem você é! — A mulher se inclinou para frente, sorrindo para Loki. — Já te vi na televisão e nos jornais! Você é aquele cara que pensa ser um Deus.

Loki não entendeu a risada um tanto sarcástica que ela deu no final da frase. Mesmo assim, ele sorriu de forma afetada e balançou a cabeça.

— Eu não penso ser um Deus, eu sou um Deus.
— Ah, claro. — Ela riu novamente e aquele ato já estava dando nos nervos de Loki. A mulher, então, abriu os braços, como se indicasse o lugar em que estavam, ainda sustentando um sorriso. — Não aqui, querido. Não sei se já percebeu, mas aqui você é um mero mortal como qualquer outro. Você e seus amiguinhos alienígenas podem ter destruído Nova York, mas aqui você é apenas a escória, eu sinto muito.

Loki bateu com o punho tão forte na mesa que as latas de refrigerante voaram longe e explodiram ao se chocarem com o chão. nem ao menos piscou, sem se abalar com o ato ou com as gotas da bebida que respingaram nela; apenas continuou sorrindo. Já aguentou surtos de homens piores na sua cidade.

— Como ousa falar assim com…
— Loki! — O agente Mobius irrompeu com falsa animação pela sala, com suas típicas pastas recheadas de documentos embaixo dos braços. — Que bom que não se mataram enquanto estive ausente.
— Não foi fácil. — Loki murmurou, ainda com raiva, puxando uma cadeira em frente à mulher e cruzando os braços. Seus olhos estavam fixos nela.
— Para mim foi moleza. — Ela deu de ombros, ainda sorrindo, e se recostou na cadeira.

Loki queria arrancar aquele sorriso irritante com um soco bem dado, ao mesmo tempo que ele se pegou encarando aqueles lábios um tanto carnudos por tempo demais. A garota não era de se jogar fora, ele admitia, mas ainda não conseguia entender por que raios Mobius precisava da ajuda dela, se já tinham o próprio Loki para participar da missão. Não havia ninguém melhor, ou mais esperto, ou mais bonito, ou mais qualificado para tal função, senão Loki Laufeyson. Isso, é claro, na humilde opinião dele.
parecia ser uma mulher medíocre, ele não via como alguém tão banal poderia agregar à AVT.

— Puderam se conhecer melhor? — Mobius perguntou. — O que achou dela, Loki?
— Francamente? — O asgardiano respondeu, apontando para a mulher. — Como isso pode nos ajudar em algo?
Isso!? questionou com irritação. — Ora, Mobius, eu não aceitei te ajudar para ser avaliada por um homem, ainda mais ele! Se eu soubesse, eu teria ficado naquela sala para ser podada!
— Ainda dá tempo. — Loki retrucou, abrindo os braços como a garota fez a instantes atrás. — Temos todo o tempo do mundo aqui, não é, Mobius?
— Alguns minutos na sua adorável companhia e já entendi por que contam histórias sobre você para as crianças terem medo. — Ela retrucou. — Mas elas dão risada.
— Ora, sua…
— É realmente ótimo ver que estão se dando bem. — Mobius interrompeu com ironia, sentando-se na terceira cadeira e deixando seus documentos na mesa. — Mas peço que, ao menos, não se matem, ok? Preciso dos dois vivos.
— Você não precisa dela, caro amigo, eu sou o suficiente, acredite.
Amigo? — Mobius riu, balançando a cabeça. Ele suspirou alto. — Eu preciso dos dois, acredite. não é apenas uma garota…
— Sou uma mulher. — Ela o corrigiu.
—…comum. E , por incrível que pareça, Loki realmente é um Deus e mais tarde você entenderá por que ele é necessário. E, por mais que vocês não tenham se dado bem de primeira, é bom se acostumarem um com o outro. Estamos dando uma segunda chance a vocês e é melhor aproveitarem.

se remexeu em sua cadeira. Por mais insuportável que Loki fosse, ela tinha certeza que uma coisa eles concordavam: era loucura estarem ali. não gostava nada do fato de ter que ajudar o asgardiano, mas não podia negar que estava satisfeita em continuar viva. Se o preço a pagar pela liberdade fosse conviver algum tempo com aquele ser, então faria. Chegariam vivos até o final da missão? Bom, isso ela duvidava muito.

— O que quer que a gente faça? — Loki perguntou, parecendo igualmente inquieto em sua cadeira.
— Por hora, preciso que você — Mobius apontou para o asgardiano — estude e aprenda sobre a AVT e o que fazemos aqui.
— E ela? — Loki apontou para a garota em sua frente, sem realmente olhá-la.
— Já sei de tudo sobre a AVT, querido, estou aqui há… — A garota olhou para Mobius com confusão na face. — Há quanto tempo estou aqui?
— Há algum tempo, isso não importa agora. — Ele falou, agitando a mão com desdém. — Ela pode te ajudar nisso, se quiser, mas não darei muitas tarefas a ela por enquanto.
— Mas seria legal se você finalmente tirasse esse troço do meu pescoço, não acha? — questionou Mobius. O mais velho suspirou e assentiu, mexendo em seu TemPad em seguida.

sentiu um alívio instantâneo quando o dispositivo se soltou de seu pescoço. Ela arremessou o aparelho longe, ignorando o protesto de Mobius, e se levantou.

— Vamos? — Ela perguntou para os dois homens com certa empolgação e, risonha, completou: — Estamos perdendo tempo.

Loki a olhou como se ela fosse louca, mas Mobius gargalhou com a piada, dizendo que achou genial enquanto os guiava porta afora. O Deus da Trapaça não podia acreditar no que estava se metendo.

Capítulo 2

A Nova-Yorquina não sabia por quanto tempo havia dormido, mas todo o cansaço que sentia sumiu como mágica quando ela acordou em seu cubículo que mais parecia uma cela de prisão. Ela olhou as paredes cinzas em volta, a agonia parecia lhe sufocar. Era horrível não saber quanto tempo havia se passado, quantas horas ou quantos dias ou semanas ela estava naquele lugar?
Também era horrível dormir naquela cama. Havia dormido ao menos duas vezes (que não ousava chamar de noites, já que não sabia que horas eram) e suas costas já estavam reclamando do colchão fino e duro. Nunca mais reclamaria do seu confortável e pequeno apartamento, ele era mil vezes mais aconchegante que aquele quartinho minúsculo. Contudo, também não podia reclamar muito de onde estava. conseguiu se manter viva por todo esse tempo em um lugar desconhecido e esquisito e ainda conseguia fazer Mobius acreditar que ela era extremamente necessária, mesmo com Loki dizendo o contrário.
A mulher bufou, passando as mãos pelos cabelos, ao lembrar-se que teria que grudar no tal “Deus da Trapaça” para ajudá-lo até segunda ordem. Arrependeu-se amargamente em concordar em ajudar Mobius na missão ao ficar sabendo de tal fardo, mas, novamente, ela não podia reclamar. Esse era seu novo mantra. Enquanto estivesse viva, não ousava reclamar. Ela poderia muito bem ter sido desintegrada, sabia disso com perfeição. Desde que Mobius a salvou, ela apenas respirava fundo e fazia o que a mandavam até poder dar o fora daquele lugar.
Mas Loki Laufeyson era um desafio e tanto. Antes de entrar na administração da AVT (era assim que a garota gostava de chamar o lugar, já que não a passavam informações suficientes), contou até 10, depois até 20 e ela já estava desistindo de entrar e ponderando procurar Ravonna Renslayer quando ouviu um barulho estranho vindo de dentro da sala. Espiando pela porta, viu Loki enrolar uma revista e tentar acertar a Srta. Minutos como se a coitada fosse uma mosca o incomodando. Bom, ela não podia tirar a razão do homem, a Srta. Minutos podia ser bem irritante quando queria e ela parecia querer sempre. Entretanto, o asgardiano estava apenas perdendo tempo: ela era um holograma, uma revistinha como arma não iria nem fazer cócegas.
Decidida a tirar uma com a cara dele, caminhou calmamente até onde Loki estava, no momento em que ele batia com a revista na mesa e a Srta. Minutos entrava no pequeno computador do Mobius e o chamava de otário. não conteve a gargalhada, chamando a atenção de Laufeyson. O homem a olhou surpreso e um tanto irritado. usava as roupas simples que os humanos usavam em seu planeta, calça cáqui e camiseta preta, um cinto e apenas isso. Por que ele, um Deus, tinha que usar o uniforme da AVT e ela podia usar roupas que deixavam seu corpo ainda mais belo?

— Finalmente acordou — ele retrucou com mau humor, balançando a revista na direção dela. — Eu já estava ficando preocupado — ironizou.
— Sentiu minha falta, é? — ela perguntou, recebendo uma virada de olhos em resposta. — Vejo que conheceu a Srta. Minutos. Adorável, não é?
— Não tanto quanto você, é claro — ele ironizou novamente.
— Eu sou sim adorável, Loki, você que é impossível! — A Srta. Minutos defendeu-se e sua cara indicava que ela não estava nada feliz.

se afastou aos risos, deixando o homem discutindo com a máquina como se fosse uma pessoa de verdade. Enquanto pegava suas anotações na mesa improvisada que Mobius arranjou para ela, sentiu alguém se aproximar com curiosidade. Loki deixara a Srta. Minutos falando sozinha e arrastou sua cadeira de rodinhas até a mesa da garota, ainda com a revista em mãos. Ela deu um longo suspiro, pronta para dispensá-lo, mas considerou que, se ficasse quieta e o ignorasse, ele voltaria para a mesa de Mobius. Não foi o que aconteceu.

— Você não acha estranho o Mobius ter uma revista sobre jet ski? Isso é uma coisa de Midgard!

o olhou, confusa.

— Ele deve ter visto em alguma missão e achado legal — ela respondeu com desdém, tentando, sem muito sucesso, ligar o computador. Estava acostumada com tecnologias avançadas que seu estágio nas Indústrias Stark lhe permitia usar, mas aquilo? Era tão antigo que mal podia chamar de computador. — O que raios é Midgard?
— É como chamamos o seu planeta. Agora, por que alguém faria isso? — Loki continuou questionando, batendo com o dedo na revista. — Jet skis? Por que não carros?
— Não sei, Laufeyson, talvez era a única coisa que tinha! — irritou-se .
— Está bem, mas por que eles nunca falam que horas são? Ou há quanto tempo estamos aqui? — Loki continuou indagando. — Por que tanto mistério? Isso não te incomoda, ?
? — ela perguntou, virando-se para o homem que a olhava como se suplicasse algo. — Não me chame assim, nós não somos íntimos, eu te conheci na noite passada.
— Ou manhã, ou tarde… O tempo realmente passa diferente aqui, não é?

A garota ficou em silêncio. Claro que aquilo a incomodava, ela perdeu a conta de quantas vezes perguntou para Mobius e outros funcionários quanto tempo estava ali e sempre lhe davam respostas rasas e sem sentido algum, mas nunca as que queria. Não julgava Loki pela confusão, contudo, quanto antes focassem no que Mobius pediu, mais rápido sairiam dali e ficariam livres um do outro. Então as perguntas de Loki estavam irritando-a profundamente, pois não iriam ajudar em nada no momento.
Por sorte, Mobius chegou a tempo de não precisar responder nada.

— Ah, que bom ver vocês trabalhando juntos! — o analista falou, animado. Os outros dois não retribuíram tal sentimento.
— Mobius, que horas são? — perguntou, em mais uma tentativa de obter respostas.
— Hora de passar algumas novas orientações para vocês — Mobius respondeu, desviando os olhos para a pasta que tinha em mãos sem reparar no olhar que Loki e trocaram. — A variante Loki foi vista em Wisconsin em 1985. Ele atacou uma feira renascentista, mas dessa vez foi diferente. A caçadora B-15 vai explicar melhor, então me acompanhem. Ah, e usem isso.

Mobius M. Mobius jogou uma jaqueta bege para cada um deles. Loki e se olharam quando Mobius deu as costas e apenas seguiu porta afora, ignorando completamente a pergunta da garota e não deixando espaço para mais questionamentos. Loki prontamente colocou a jaqueta, já , virou a roupa, observando cada detalhe. A palavra “VARIANTE” estampava as costas da jaqueta, sem deixar dúvidas do que eles eram ali dentro. O homem ao seu lado pareceu não notar a palavra, soltando um comentário de como a roupa era “elegante”, apesar de comum. Sem querer contrariar, ela também colocou a jaqueta e ambos seguiram em silêncio até uma das salas de vídeo onde outros caçadores já os esperavam.
Eles formaram um círculo onde todos os caçadores os observavam com certa superioridade no rosto. odiava isso tanto quanto Loki, apesar de ser por motivos completamente diferentes. Loki se incomodava com os olhares pois, para ele, o superior naquela sala era ele, o Deus da Trapaça. , por sua vez, não gostava dos olhares que lhe lançavam porque teve que conviver grande parte de sua vida com pessoas olhando-a de cima e dizendo que ela não era capaz, que não era nada. Lhe tiraram de sua realidade para fazerem o mesmo? Ah, não. Ela não iria permitir.
corrigiu sua postura, levantando a cabeça e sustentando o olhar duro que a Caçadora B-15 lhe lançava. Ignorando seu gesto, a mulher começou a falar sobre o ocorrido, detalhando sobre a missão que o grupo atacado saiu para fazer.

— C-20 e sua equipe silenciaram após saltarem para a ramificação de 1985 e tudo aponta para outra emboscada. Pegamos aura temporal suficiente para ter certeza que é nossa Variante Loki — B-16 falou a todos. — Mas é desconhecido qual o tipo de Loki.
— Do tipo inferior, para deixar claro — Loki intrometeu-se, colocando as mãos nos bolsos da calça.
— Isso não facilita muito as coisas, nesse caso pode ser você mesmo — sussurrou divertida para Loki, recebendo um olhar irritado em resposta.

Vendo a interação dos dois e irritada com o comentário de Loki, B-15 falou:

— Me deixem ver essas jaquetas.

, que relaxara após alguns minutos de conversa, endireitou a postura e não se moveu, encarando a caçadora em claro desafio, sabendo bem do que a mulher falava. Já Loki rodou em seu próprio eixo, sem entender o que ela queria, mas exibindo sua “elegante” jaqueta. Todos riram ao verem os dizeres “VARIANTE” nas costas dele, menos , que o puxou pelo braço para que parasse de se exibir. Ela apontou para as próprias costas e ele finalmente reparou no detalhe, não achando muita graça.

— Muito sutil, gostei. Como disse, muito elegante.
— Não quero que ninguém esqueça quem vocês dois são — B-15 afirmou, apontando para eles e olhando para seus companheiros.
— A esperança de capturar o assassino? — falou, cruzando os braços. Loki a olhou, orgulhoso, tentando segurar o riso.
— Não. Um erro cósmico — B-15 retrucou, o que fez o sangue de esquentar.
— Já chega — Mobius interviu com seriedade, mas parecendo achar graça da situação. — É o seguinte: chegando na ramificação, nós não vamos só procurar um Criminoso Temporal. Nós vamos procurar um Loki, uma variação desse nosso amigo aí.

Todos olharam para Loki, até mesmo , e ele não pareceu nada sem graça. Pelo contrário, pareceu adorar a atenção. Com o TemPad em mãos, Mobius começou a exibir pequenos hologramas de diversas variantes do Loki, com vestimentas e estilos diferentes do homem ao seu lado, mas muitos ainda possuíam suas feições.

— É um tipo que devemos estar familiarizados, porque a AVT já podou vários desses caras, mais do que qualquer outra variante — Mobius continuou, mostrando mais variantes.

Impressionada e curiosa, arregalou os olhos com a grande variedade de Lokis que existiam além do que estava estagnado ao seu lado. Quando uma variante com roupas esportivas e um troféu em mãos apareceu, ela não conteve a risada, tapando a boca um pouco tarde demais.

— Qual é a graça? — Loki perguntou, irritado.
— Você com roupas coladas de corredor — ela respondeu, risonha, sua risada sendo acompanhada pela de Mobius e alguns outros caçadores.
— Foco, — Mobius pediu, ainda risonho e impedindo que Loki respondesse algo. — Fiquem atentos à pequenas diferenças na aparência ou não tão pequenas assim; poderes diferentes que geralmente incluem mudar de forma, projeção de ilusão e meu favorito…
— Criação de duplicata — corrigiu Loki.
— Projeção de ilusão — retrucou Mobius, mas era visível que ele estava em dúvida.
— São poderes diferentes. — O asgardiano insistiu, impaciente.
— Como!?
— Projeção de ilusão é esculpir uma imagem da aparência da pessoa, perceptível ao mundo exterior, e a criação de duplicata implica recriar uma cópia exata de alguém na atual circunstância…
— Que atua como holográfico da estrutura molecular? — perguntou, um tanto impressionada. — Essa é a diferença?
— Exatamente — Loki respondeu, parecendo genuinamente impressionado, então apontou para Mobius e disse: — Mas você já sabia disso.
— Certo, respire! — Mobius balançou a cabeça, desacreditado, e voltou a falar com o resto do grupo. — Nos dividiremos em duas equipes, incluindo eu e o professor Loki. , você ficará sob responsabilidade da Caçadora B-15.
— Mas…
— Sem mas. Você não está em lugar de questionar, é uma Variante, não deveria nem ir com a gente — B-15 falou, dando um passo para frente. vacilou um pouco, mas logo levantou a cabeça novamente e o ato não passou despercebido por Loki, que passou a observá-la com mais atenção.
— Pega leve, precisamos dela — Mobius interveio, colocando-se em frente à caçadora.
— Por quê? — um dos caçadores perguntou. — Por que levar os dois?
— Quem quer que seja a Variante, não conseguimos encontrá-lo, nem descobrir como ele está viajando no tempo. — O analista indicou Loki e , que se entreolharam receosos. — Vamos levar especialistas.
— Estão falando da gente — disse um Loki animado e orgulhoso, fazendo revirar os olhos antes de seguir com o grupo para fora da sala.

Enquanto seguiam para se prepararem para a missão, o trio Loki, Mobius e andou lado a lado, com o primeiro tagarelando sem parar. estava começando a deixar de se importar com isso, já que Loki se mostrou muito mais inteligente e focado a alguns minutos atrás do que antes. Sua crescente curiosidade em saber mais sobre o Deus da Trapaça também era um fator que a impedia de reclamar do falatório. Já Mobius, parecia prestes a socar o homem, seu olhar suplicava para que fizesse algo, mas a mulher não estava com muita vontade em ajudar.

— Vou ganhar uma arma? — Loki perguntou com ansiedade.
— Não — o analista respondeu. Essa era a única resposta que ele estava dando às perguntas de Loki.
— Terei minha magia de volta. Ninguém está preocupado?
— Com o quê?
— Que eu traia vocês — ele respondeu, então inclinou-se para olhar . — Ou mate ela se me encher muito a paciência.
— Tente a sorte e verá a fúria de uma Nova-Iorquina do Brooklyn — a garota respondeu, mesmo sabendo que, provavelmente, não teria muitas chances contra ele. Mas Loki não precisava saber disso.
— Não estamos preocupados — Mobius falou com indiferença. — Porque vocês dois já sabem que podemos pegá-los se fugirem e, se nos trair, como isso irá te aproximar dos Guardiões do Tempo?
— Uma audiência com eles está em jogo? — Loki perguntou, eufórico. — Você sabia disso, !?
— Não, não sabia — ela falou, igualmente surpresa. Eles pararam de andar e cruzou os braços, sua testa se enrugou em desconfiança. — Está falando sério, Mobius? Não está nos dando falsas esperanças para colaborarmos e andarmos na linha, não é?

Loki ergueu uma de suas sobrancelhas e balançou a cabeça em concordância. Gostava da forma como a mulher pensava, mesmo que, por muitas vezes, discordasse dele.

— Claro que estou falando sério — ele falou, dando de ombros. — Agora vamos, não temos tempo a perder.


⊹⊱≼✯≽⊰⊹


WISCONSIN, RENAISSANCE FAIR, 1985.


Passar pelo portal foi uma sensação nova e muito estranha que experimentou. Sua curiosidade sobre como aquela tecnologia funcionava a fez tagarelar tanto quanto Loki, bombardeando Mobius com perguntas que o pobre analista não sabia responder. A garota estava impressionada demais, olhando tudo em volta com os olhos curiosos. As pessoas ao redor estavam com vestimentas da época renascentista, de fato, mas dava para perceber claramente a que época elas pertenciam. Sem celulares, sem selfies, câmeras antigas registravam a feira e olhares julgadores dos curiosos os encaravam com desdém. Por causa de suas vestes, quase foram barrados, o que apenas ignoraram e seguiram caminho até a cabana em que registraram a presença da Variante.

— Também tenho uma pergunta — Loki se manifestou quando desistira de questionar. — Por que não viajamos para antes do ataque, para quando a Variante chega aqui?
— Eventos nexus desestabilizam o fluxo temporal, a ramificação ainda está mudando e crescendo… — começou Mobius, gesticulando com as mãos ao falar.
— Então tem que ser em tempo real… — completou com certo pesar na voz, que Mobius entendia o porquê, mas Loki a olhou desconfiado.
— Viu só? assistiu aos vídeos de treinamento e você? — Mobius o questionou, já sabendo a resposta.
— Eu assisti até onde consegui aguentar — Loki respondeu, colocando as mãos nos bolsos da calça social. — A propaganda da AVT é exaustiva.
— Concordo — respondeu baixinho, olhando para o chão, ainda muito pensativa.
— E o que isso faz? — A caçadora B-15, que andava atrás deles, intrometeu-se. Ela levantou duas unidades de cargas de reset, olhando Loki com ar de desafio.
Ele suspirou.
— Cargas de reset, elas podam o raio afetado de uma linha do tempo ramificada, dando tempo para curar todas as feridas…
— É um jeito bonito de dizer “desintegrar tudo ao seu redor” — completou , sua voz deixando escapar a chateação ao lembrar que foi isso que fizeram ao seu pai e sua casa.
— Ok, ele entendeu — Mobius falou, fingindo estar impressionado antes de entrar na tenda.
— Eu disse que assisti aos vídeos — defendeu-se Loki. — Pelo menos alguns deles.

hesitou antes de entrar, ficando para trás e dando uma última olhada em volta com a testa franzida, seu cérebro ainda trabalhando para tentar adivinhar como raios estava ali, em 1985. Anos de pesquisa, mais anos trabalhando em seu maldito relógio, fazendo testes e arriscando sua vida e tudo o que fizeram foi passar por um simples portal. Aquilo a deixou mais curiosa ainda sobre como funcionava a AVT.
Sentindo a falta da sua presença, Loki virou-se para vê-la parada do lado de fora. Curioso e — jamais admitiria — preocupado, ele se aproximou.

— Você não vem? — ele perguntou, olhando para os lados. — Não está pensando em fugir, está? Porque se sim, não me deixe aqui com eles.
— Quê?! — olhou confusa para ele, balançando a cabeça. — Não é nada disso, é só que… — ela suspirou. Ela apontou para nenhum lugar em específico. — Estamos em 1985!
— Sim…? — Laufeyson retrucou, se aproximando mais. — Viagem no tempo, grande coisa...
— Para mim é sim grande coisa, ok? — A mulher olhou para longe, sua expressão entregava o quão perdida em pensamentos ela estava. — Até mesmo o meu ClockTraveler é limitado, ele só viaja até… — se interrompeu, olhando de soslaio para Loki e percebendo que havia falado demais. Colocou uma mecha de seu próprio cabelo atrás da orelha. —…o dia que eu nasci. Não posso viajar para antes disso.
— Espera, você fez uma máquina do tempo!? — Loki impressionou-se e, em resposta, ela maneou a cabeça. — E deu o nome de ClockTraveler? Patético.
— Dá um tempo, Loki, nem tive a chance de dar um nome melhor, a AVT me capturou antes disso.
— Então foi isso que a fez ser pega! — exclamou Laufeyson, maravilhado com a descoberta. — Para quando viajou? O que você fez?

engoliu em seco, cruzando os braços e mantendo o olhar em um ponto fixo, ao longe. Ela não iria entregar de bandeja para Loki o que a levou até a AVT, de forma alguma. Não sentia confiança nele, queria poder se fechar o máximo possível para o homem. Contudo, não foi necessário dizer nada, pois Mobius saiu um tanto desesperado da enorme tenda e parou a alguns passos, encarando-os com cara de poucos amigos e um traço de alívio por eles não terem fugido.

— O que estão fazendo aí!? — ele exclamou, chamando-os para se aproximarem. — Entrem logo, não temos tempo para ficarem flertando!
— Nós não… — começou a argumentar, mas o mais velho já havia entrado na tenda e Loki, lançando-lhe um sorriso ladino, o seguiu. Ela bufou, irritada e derrotada, e entrou atrás deles.

O que encontraram foi algo um tanto assustador. A tenda estava vazia, a não ser pelos caçadores estirados no chão, sem vida. A equipe que Mobius levou andava em volta, à procura de provas ou evidências de que a variante havia passado por lá. Além dos caçadores mortos, B-15 comunicou que a Variante levara mais cargas de reset e uma caçadora como refém, algo que a tal Variante nunca havia feito antes.

— Ele ou ela pode ter podado a caçadora — sugeriu, observando a bagunça que a variante havia feito no local. Mesmo assim, não deixara rastros que os levassem até ela.
— Um Loki não teria conseguido atacar a C-20 — a caçadora B-15 respondeu, ríspida.
— Acho que nos subestima, de verdade… — Loki retrucou.

Ignorando-o, a caçadora pediu para que os demais se espalhassem e procurassem por C-20 pelo festival. Ela olhou para seu TemPad para alertar que fossem rápidos pois faltavam apenas três unidades, ou seja, tinham pouco tempo para voltarem a AVT.
se abaixou ao lado de um dos caçadores desacordados, vendo o quão machucado estavam e, se tivesse algum vivo, seria um milagre. Em seguida, ela olhou para Loki, que conversava com Mobius e observava tudo com a mesma atenção e curiosidade. Ela pensou na convivência que havia tido com o homem desde que o conhecera, também puxou na memória as notícias que saíram nos jornais sobre o estrago que o mesmo havia feito a meses atrás em Nova York. Não o conhecia bem, mas era difícil acreditar que ele machucaria tantas pessoas. Porém, a prova estava ali em sua frente. Uma de suas Variantes havia feito aquilo, ferido vários caçadores inocentes e a troco de que, exatamente? Algo dentro da garota lhe alertou de que era melhor tomar cuidado ao lidar com Loki Laufeyson.
Livrando-se desses pensamentos, se levantou para acompanhar os demais na procura pela C-20.

— Esperem! — Loki exclamou, chamando a atenção de todos. — Se saírem da tenda, vão acabar como eles.
— Do que está falando? — o questionou.
— O que você vê? — Mobius também questionou, se aproximando dele.
— Eu vejo um plano — Loki respondeu. — E nesse plano, eu me vejo.

Loki olhou para Mobius, depois para , e então começou a caminhar pela tenda com uma calma impressionante, aproveitando a atenção que todos estavam lhe dando.

— Temos um ditado em Asgard — o homem falou ao se agachar, ainda olhando-os. — “Com orelhas de lobo ausentes, dos lobos eu sinto os dentes”.
— O que isso quer dizer? — perguntou, cruzando os braços com certa impaciência.

Loki suspirou, com a mesma falta de paciência.

— Significa estar ciente do entorno. — Loki se levantou e aproximou-se novamente de e Mobius, que se entreolharam com desconfiança. — Um absurdo, porque meu povo é, por natureza, ludibriável. Traço que eu, Deus da Mentira, explorei várias vezes simplesmente ouvindo.

Ele então se aproximou mais ainda de , sustentando o olhar fixo da mulher, que ergueu mais o queixo para continuar encarando-o, mesmo com os muitos centímetros de diferença. Loki apontou para a própria boca, dando um sorriso torto e nada forçado.

— Meus dentes são afiados — ele apontou para suas orelhas —, mas meus ouvidos são mais ainda.

Houve um longo momento de silêncio, no qual a caçadora B-15 olhava seu TemPad com impaciência e todos os outros olhavam Loki, que ainda sustentava o olhar de . Esta, por sua vez, refletiu o maldito sorriso que estava no rosto dele.

— Mobius, estamos ficando sem tempo! — A caçadora alertou, aflita.
— Dê uma chance a ele — Mobius retrucou, sem tirar os olhos de Loki.
— Vocês me lembram deles — Loki continuou, finalmente afastando-se de . Ela soltou todo o ar que segurava, sem perceber que havia feito tal coisa. — A Autoridade de Vigilância Temporal… E você também, é claro — ele apontou para a garota com desdém. — Vocês e os deuses de Asgard, a mesma coisa! Bêbados de poder, cegos para a verdade…

Loki voltou a se aproximar de , mas agora por trás. Ficando em alerta, pois sabia bem como o asgardiano funcionava, Mobius deu alguns passos para ficar ao lado da nova-iorquina, caso algo acontecesse à ela. Laufeyson percebeu, é claro, mas ele não tinha nenhuma intenção de machucá-la, pelo menos não agora. Sendo assim, aproximou seus lábios do ouvido dela, mantendo seu corpo em uma distância segura para que não encostasse nela. resistiu a vontade de se afastar ou, pior, fechar os olhos ao sentir a respiração do homem tão próxima de sua pele.

— Aqueles que subestimam vão devorá-los.
— Você não me assusta — ela falou, virando-se para ele. — Está blefando.
— Estou? — Loki levantou uma sobrancelha. — Vocês me subestimam, assim como subestimam esse “Loki inferior”. Por isso entram em uma boca de lobo atrás da outra!
— Duas unidades! — a caçadora B-15 exclamou, movendo-se em direção a saída da tenda. — Está desperdiçando nosso tempo! Precisamos procurar pela C-20!
— Encurte a história, Loki — Mobius pronunciou-se, colocando a mão no ombro de e a afastando para trás. Loki estreitou os olhos para tal ação.
— Isso é exatamente o que a Variante quer — ele finalmente falou. — É uma armadilha, ele está esperando lá fora.
— Projeto as cargas de reset? — Um caçador perguntou para sua chefe, que estava pronta para dizer sim, porém, foi interrompida pelo Deus da Trapaça.
— Não! Ele me quer, eu sou a chave do seu plano! Ele sabe que sou mais forte.
— Loki, já chega com isso — tentou argumentar, depois que B-15 anunciou que faltava meia unidade para resetarem tudo e voltar.
— Ele acredita que juntos podemos derrotar e derrubar a AVT! — Loki continuou insistindo.
— E é isso que quer? — o questionou, dessa vez ela quem se aproximou de Loki como ele fez a pouco.
— Claro que não! Eu tenho um novo propósito — ele se virou para Mobius, olhando fundo em seus olhos. — Sou um servo da Linha do Tempo Sagrada. E, sabendo o que agora sei sobre suas táticas, posso lhes entregar a Variante.

Loki inclinou-se em direção ao analista, que revirou os olhos. Para alívio de , era claro que Mobius não estava engolindo toda aquela ladainha. estava ficando cada vez mais irritada.

— Mas eu preciso de uma garantia — Loki finalizou com toda a seriedade do mundo, parando atrás do mais velho.
— É? — Mobius colocou as mãos na cintura, virando-se para Loki.
— De que não serei completamente desintegrado assim que o trabalho for concluído — Loki falou, então apontou para , que ergueu as sobrancelhas. — E ela também.
— Ah, valeu — resmungou, depois olhou preocupada para a caçadora B-15.
— Estão correndo mais perigo do que imaginávamos, principalmente você, que é só uma humana…

O rosto de ficou vermelho escarlate. Antes que pudesse responder algo, Mobius soltou uma risada anasalada e balançou a cabeça.

está certa, ele está apenas blefando. Não tem ninguém lá fora, podem resetar a linha do tempo.

Mobius se aproximou de Loki, que parecia um tanto decepcionado.

— Por um segundo — ele levantou o dedo indicador na cara do asgardiano —, eu quase acreditei em você.

Seguindo a Caçadora B-15 e sua equipe, Mobius se retirou da tenda enquanto as cargas de reset faziam seu trabalho do lado de dentro. marchava irritada atrás do grupo, tentando ser alcançada por Loki, que ficara para trás chamando-a até passarem pelo portal.


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SEDE DA AVT - CIRCA 2012


Mesmo quando chegaram à sede da Autoridade de Variância Temporal, continuou ignorando-o. Mobius, que parecia igualmente irritado e decepcionado, avisou que precisava falar com Ravonna, mas que era para ambos esperarem por ele do lado de fora da sala dela. sentou-se irritada no sofá de couro no corredor, olhando para o lado, pois sentia que poderia soltar raios lasers em Loki, se o olha-se com a raiva que sentia dele no momento. Já o asgardiano, não conseguia entender tal reação. Bom, ele fazia alguma ideia, poderia ser o mesmo motivo ao qual Mobius estava irritado, afinal, ela era, por algum motivo ainda desconhecido por ele, muito mais fiel à AVT que ele.
Com cautela, Loki sentou-se ao seu lado, ao passo que se afastou mais ainda, espremendo-se na ponta do sofá.

— Você está me ignorando — afirmou Loki.
— Parabéns, Sherlock — ela respondeu com ironia.
— Por que está tão surpresa, ? Você mesma disse que eu era um monstro, pois é isso que a gente faz, é assim que um Loki funciona!
— Mas não pensei que você fosse ser tão idiota, Loki! — finalmente virou-se para ele, seu rosto agora estampava chateação. — Você quase colocou tudo a perder!

Loki revirou os olhos.

— Não seja dramática, eles precisam da gente.
— De você — ela retrucou, apontando o indicador no peito do homem. — Eles podem a qualquer segundo decidir que eu sou inútil ou, como você disse, apenas uma humana, e se livrar de mim! Infelizmente, Laufeyson, estamos na merda do mesmo barco! Então as suas ações me afetam muito mais do que gostaríamos!
— Eu só quis…
— O quê!? Me ajudar!? — se levantou, irritada. — Você só pensa em si mesmo! E o que fez na feira apenas comprovou isso!
— Não espere que eu peça desculpas! — Loki elevou a voz e também se levantou, ficando próximo dela.
— Eu não espero absolutamente nada de você, essa é a questão! — deu um passo à frente para mostrar que não tinha medo dele. — Eu não acredito em nada do que diz, eu não confio em você e nada mudará isso!
— E eu não quero que confie! Você é inferior a mim, você não passa de uma… Uma...
— Uma o que, hein? — Ela cruzou os braços, desafiando-o a continuar. — Vamos, fale! Prove que estou certa!

Loki apertou os lábios, sua respiração acelerada fazia seu peito subir e descer no mesmo ritmo que o de , que estava tão ofegante quanto ele. Sentia-se exausta, física e mentalmente, e discutir com o homem só estava piorando as coisas. Ela soltou uma risada sem muito humor e se afastou dele, balançando a cabeça em negação.

— Você é um covarde — ela falou, com a voz muitos tons mais baixo.

Sem esperar por resposta, ela lhe deu as costas e foi embora, deixando um frustrado e irritado Loki para trás.
Ele sentou-se no sofá, passando as mãos pelos cabelos negros. Ele olhou para onde havia sumido de vista e suspirou, frustrado demais para o seu gosto. Não conseguia entender o sentimento que estava se formando dentro dele, este sendo algo novo e incômodo. Percebeu que não gostava de chateá-la, pois no fundo ela só queria o que ele queria: sobreviver e sair daquele lugar, que culpa ela tinha? Também não gostava do fato de não confiar nele. Certo, haviam se conhecido há pouco tempo, mas Loki Laufeyson tinha uma necessidade irritante de ter a aprovação de todos e com isso não seria diferente.
Trazê-la para o seu lado se tornou um dos objetivos de Loki.
Ainda estava pensando na tentativa fracassada de enganar a AVT quando Mobius saiu da sala e passou reto por ele, ainda com cara de poucos amigos. Loki tratou de se levantar e ir atrás do homem com seu melhor sorriso no rosto.

— Provavelmente está se perguntando o que aconteceu lá na feira — Loki se pronunciou, seguindo-o. — Essa foi sua primeira lição em pegar um Loki: espere o esperado. Parte da diversão do trapaceiro é saber que todos sabem que é trapaceiro, então, muitos dos truques vêm da exploração do fato de saber que…
— Cala a boca! — Mobius exclamou, mas continuou andando com Loki colado ao seu lado. — O que aconteceu com o cara que conheci no elevador que não gostava de falar, lembra dele? Agora estou com esse que não para de falar do que faz um Loki ser assim!
— Ora, não é por isso que estou aqui?
— Não! Eu não ligo para o que faz você ser assim, você está aqui para me ajudar a pegar uma versão superior sua! — Mobius retrucou, finalmente parando de andar e virando-se para o outro homem.
— Não sei se “superior” seja a palavra certa — corrigiu Loki, um tanto incomodado.
— Viu só?! Eu realmente acreditei, feito um completo idiota, que a necessidade de validação o motivaria a achar o assassino, não porque se preocupa com a missão ou com ser um herói, mas porque você sabe que essa variante é melhor que você e você simplesmente não suporta isso! — provocou Mobius, elevando a voz.

Sorrindo, Loki se aproximou de Mobius e segurou sua gravata, ajeitando-a.

— Muito bom — disse o asgardiano, ainda arrumando as vestes do analista. — Digo, é realmente adorável que você pense que é capaz de me manipular. Estou dez passos à frente de vocês, Mobius. Estou jogando o meu próprio jogo todo esse tempo!
— Vejamos... Tramar um jeito de chegar até os Guardiões do Tempo, enfrentá-los e conquistar o controle da AVT? — Mobius colocou as mãos nos bolsos, demonstrando que não estava surpreso ou, ao menos, impressionado. — Estou chegando perto? Uma traição do mentiroso mais confiável da história.
— Então por que está se arriscando por mim? — Loki perguntou, tentando esconder a frustração pelo analista ter adivinhado todo o seu plano.
— Vou te dar duas opções e você acredita em qual quiser: A) porque vejo um garotinho assustado, tremendo de frio, e meio que sinto pena dele; B) porque quero mesmo pegar aquela Variante e vou falar o que for necessário para te convencer a me ajudar.

Os dois entraram no elevador, a tensão ainda pairando sobre eles. Loki colocou as mãos nos bolsos, tentando levantar sua cabeça o máximo possível.

— Não preciso da sua empatia.
— Ótimo, porque ela está acabando — Mobius retrucou, irritado. — E não apenas a minha.

Sem muita paciência, Mobius saiu do elevador e foi seguido pelo Deus da Trapaça, que ainda não estava satisfeito com o rumo da conversa. Sua necessidade de ter a última palavra o fez continuar falando com o analista, mesmo que o outro claramente não estivesse mais a fim de conversar.

— Então agora é o quê? O próximo passo da manipulação?
— Na verdade, é o passo final, sua última chance.
— E o que a minha última chance exige? — Loki perguntou com descrença.
— Trabalhar — Mobius respondeu, sem parar de andar. — O que inclui se resolver com .
— Isso — Loki balançou o dedo indicador — fazia parte do plano, é claro. E sobre a conversa que tivemos, ela estava apenas sendo dramática!
— Ela estava certa. Para ela, Loki, é uma questão de vida ou morte. Você tem que entender que tudo isso aqui — Mobius indicou seu entorno, sem tirar os olhos do outro homem — é algo novo para e que ela deve estar muito assustada.
— Eu também estou! Não foi você mesmo que disse isso?

Mobius respirou fundo e nada respondeu, apenas continuou caminhando por entre os corredores com Loki ainda em seu encalço, igualmente impaciente.

— Para onde estamos indo?
— Sala de arquivos — respondeu o analista. — Quero que leia todos os arquivos dos casos da Variante e depois dê a sua… Perspectiva única de um Loki. Quem sabe deixamos escapar algo.
— São idiotas, claro que deixaram escapar e muito!
— Por isso temos a sorte de ter você aqui — Mobius retrucou com claro sarcasmo na voz. — está lá também.

Os dois viraram para um corredor que dava para a sala de arquivos, que mais parecia uma biblioteca aberta para o resto da AVT.

— Vou te deixar aqui — Mobius falou, pronto para se virar e ir embora. Antes disso, ele deu um passo para trás e disse: —Só uma dica: faça isso como se sua vida dependesse disso… Porque, na verdade, ela depende. Está vendo aquela garota?

De longe, eles já conseguiram ver a garota debruçada em uma mesa repleta de arquivos em volta, focada em fosse lá o que estivesse lendo.
— Ela já sabe disso e está fazendo a parte dela. — Ele deu um tapinha no ombro de Loki. — Vou comer um lanche.

Dito isso, Mobius refez o caminho e foi embora. Loki bufou, derrotado. Era a segunda vez que gritavam com ele naquele dia e não estava gostando nada disso. Contudo, as palavras de Mobius fizeram surgir mais um sentimento novo e incômodo dentro dele. Culpa? Não soube nomear, mas não gostava daquilo e soube, assim que começou a caminhar, que precisava se acertar com para que esse incômodo passasse. Odiava admitir, mas o analista Mobius M. Mobius estava certo, aquilo não o assustava tanto agora, se comparado a tantas outras coisas pelas quais já passou. Mas era uma humana normal que nunca experienciou algo como magia, por exemplo. Tudo era muito novo e, seja lá o que tenha feito, não havia sido algo terrível como o próprio Deus da Trapaça já havia feito por toda a sua vida. era irritantemente boa. Aborrecê-la era um tanto divertido, não podia negar, mas ela era mais uma aliada que uma inimiga ali dentro. Portanto, precisavam caminhar em paz, lado a lado, se quisessem sobreviver e voltar para suas respectivas linhas do tempo.
Receoso, Loki Laufeyson caminhou pela sala de arquivos. Ele não sabia do que era capaz, nem o quão brava ela estava, mas seus instintos lhe diziam para ser cauteloso com ela.
Quando ele a encontrou, ainda debruçada em cima de diversos arquivos abertos, ele respirou fundo para tomar coragem. Loki teria que fazer algo que não costumava fazer, chegando a lhe doer quase fisicamente quando fazia-se necessário tal coisa. Então, ele sentou na cadeira em frente a ela e deu seu melhor sorriso. nem se deu o trabalho de olhá-lo, continuou focada nos arquivos que pareciam mais interessantes que ele, contudo, estava mais que ciente de sua presença. Laufeyson achou isso um ultraje. Para chamar sua atenção, ele pigarreou alto.

— Sabe, — ele começou, incerto. — Às vezes, muitas vezes, as pessoas falam coisas sem pensar, apenas para provocar a outra. E, apesar de ser muito divertido, eu admito que posso ter passado dos limites.

Levemente curiosa para ouvir o que ele tinha a dizer, levantou os olhos o suficiente para ver o sorriso ridiculamente forçado que ele dava. A cara dele não vacilou um segundo enquanto ela esperava pelas palavras certas que não vieram. Sem dizer nada, voltou a olhar os arquivos, decepcionando-o.

— O que eu quero dizer é... — Loki engoliu em seco, forçando as palavras a saírem de sua boca. Céus, ele estava suando? Aquilo era mais difícil do que imaginava. — Me… Me desculpe. Pronto, é isso. Uau, como foi difícil! Aproveite, isso não é comum!

voltou a encará-lo, dando um longo suspiro. Ela então pegou um dos arquivos e jogou para ele, que encarou a pasta sem entender nada.

— Isso significa que estamos bem?
— Significa que quero que fique quieto e focado enquanto lê isso aí — respondeu com firmeza.
— Mas se vai continuar brava...
— Não estou brava, Loki — ela retrucou, seus ombros caíram lentamente enquanto seu rosto suavizou. — Só quero ir embora logo, apenas isso. Quanto antes pegarmos essa variante, antes saímos desse lugar estranho! Você pode estar acostumado com coisas esquisitas e lugares impressionantes e diferentes, mas eu não estou.

abaixou a cabeça, mordiscando o lábio inferior.

— Infelizmente você está certo, eu sou mesmo apenas uma humana que não faz ideia do que está fazendo aqui.

Loki arregalou os olhos, impressionado com o pequeno desabafo. Sentiu um pouco de pena, não pôde negar. Para ele também era estranho, mas como Mobius disse, ele realmente já se acostumou com coisas do tipo. Mas nunca vira magia de verdade ou mundos diferentes, até mesmo a tecnologia da AVT deixava a garota, uma das melhores estagiárias em física e tecnologia das Indústrias Stark, impressionada. Então ele tinha que pegar leve e ser justo, pois não sabia como era estar em seu lugar. Não podia negar, aquilo seria um desafio e tanto para ele. Empatia não estava na lista das suas maiores qualidades.

— Estamos no mesmo barco, — ele falou, repetindo o que a garota havia falado mais cedo. — Você não está sozinha.
— Mas estou com você, o que é pior — ela retrucou com um sorriso repuxando seus lábios. Loki sorriu em resposta, sabendo que isso significava que ela estava brincando.
— Eu já volto — ele anunciou, levantando-se em seguida.

Caminhando com todo o seu charme e sua elegância, Loki foi até o balcão onde uma funcionária de AVT mexia no computador com certo tédio no rosto. O homem se apoiou no balcão e deu seu melhor sorriso enquanto aguardava que a mulher lhe desse atenção, o que não aconteceu. Loki a cumprimentou e a mulher continuou ignorando-o. Ele então bateu o dedo no sino, voltando a sustentar o sorriso quando ela finalmente levantou os olhos para ele, ainda sem muito ânimo.

— Posso ajudá-lo?
— Sim. Estou com um assunto importante da AVT. Acompanhamento de missão, sabe como é, né? A ramificação vermelha chegando no ápice, enfim… Isso nunca é bom, não é?

O homem riu na intenção de descontrair, mas a mulher não mudou nenhum traço em sua feição. Ele então melhorou o sorriso que havia vacilado em seus lábios e continuou:

— Eu gostaria de olhar todos os arquivos que pertencem à criação da AVT.
— Esses são confidenciais — a mulher respondeu, voltando a digitar no computador.
— Ok, então eu quero os arquivos sobre o início dos tempos.
— Confidenciais — ela retrucou.
— Então os do fim dos tempos…
— Também são sigilosos.
— Certo, quais arquivos eu posso ter!? — ele perguntou com certa impaciência.

A mulher estreitou os olhos, observando-o desconfiada. Em seguida, suspirou e levantou-se, andando com Loki em seu encalço pelas várias estantes recheadas de arquivos. Quando passou pela mesa onde estava sentada, observando tudo com atenção, ele levantou os dois polegares e sorriu animado, indicando para ela que tudo estava indo como planejava. Contudo, seu ânimo se esvaiu quando a pilha de arquivos que a funcionária lhe entregou era menor do que esperava ser. Sua decepção foi maior ainda quando viu que a pasta era somente sobre ele.
Ao chegar na mesa, ele largou os arquivos com certa raiva e sentou do mesmo jeito, fazendo levantar os olhos das anotações que fazia.

— Não teve sorte, não é? — riu, balançando a cabeça.
— Ela me deu arquivos sobre mim! — Indignou-se, pegando uma das pastas nas mãos e abrindo-a. Depois, passou os olhos pela mesa bagunçada. — Como conseguiu tudo isso?
— Mobius — a garota falou simplesmente.
— Por que ele confia em você para ler tudo isso e não em mim?
— Essa pergunta é séria?! — o questionou, rindo indignada. — Vamos começar pelo fato de eu não ser a Deusa da Mentira.
— Justo — ele respondeu com um sorriso, voltando a ler o arquivo.

Os dois embarcaram em um silêncio de concentração, no qual apenas o barulho de papéis era ouvido. Após alguns longos minutos, a frustração já estava incomodando . Não importava quantos arquivos lesse, ela parecia não sair do lugar. Se estivesse em sua mesa nos Laboratórios Stark ou na biblioteca de sua faculdade, teria conseguido encontrar a Variante em segundos. Cansada, ela bufou, recostando-se na cadeira e passando as mãos pelos cabelos. Olhou para Loki, pronta para dizer que queria desistir, mas surpreendeu-se e ficou em silêncio quando o viu com lágrimas nos olhos, quase paralisado, lendo um dos arquivos que pegou.

— O que houve? — perguntou, com preocupação sincera na voz.

Os olhos azuis e marejados de Loki levantaram para encontrar o olhar preocupado de . Ele piscou, engolindo o nó que se formou em sua garganta e pigarreou, forçando um sorriso.

— Nada — negou, mas ainda era visível o quão abalado ele estava.
— Ok, Deus da Mentira — estendeu a mão e levantou as sobrancelhas. — Me deixe ver isso.

Relutante e ainda tentando espantar as lágrimas, Loki organizou os papéis dentro da pasta e entregou para a mulher, cruzando os braços em seguida e desviando o olhar. Em pouco tempo de convivência, sabia que era assim que Loki erguia seu muro quando, provavelmente, sentia-se vulnerável. Ela estava louca para saber o que deixou o homem daquela forma, mas, no instante em que começou a ler os documentos, tudo o que sentiu foi pena. Nos papéis continham informações sobre a destruição total do reino de Asgard por uma série de catástrofes naturais e guerras que, segundo os documentos, eram chamados de Ragnarök. Nenhum sobrevivente.
soltou o ar. Aquilo era demais até para ela, então conseguia imaginar o que Loki deveria estar sentindo ao saber que seu reino fora aniquilado. Se a Terra fosse destruída, bom… Ela nem conseguia imaginar como se sentiria. fechou os documentos em silêncio e devolveu a ele, que ainda não voltara a olhá-la.

— Eu sinto muito.
— Tanto faz — Loki retrucou, contudo, seu maxilar tenso entregava o esforço que ele fazia para não desabar.
— Loki, tudo bem se estiver triste…
— Não estou, será que podemos focar no que é realmente importante? Estamos perdendo tempo.

Loki endireitou-se na cadeira enquanto os ombros de se encolhiam. Frustração era um sentimento comum para a mulher quando ela via alguém claramente precisando de ajuda e ela não podia fazer nada a respeito, nem mesmo dar um abraço. Seus amigos diziam que ela era boazinha demais, que queria abraçar o mundo com seus curtos braços. Ela não ligava, achava isso uma ótima qualidade. Mas a frustração era a pior parte disso.
O homem parecia não estar aberto para conversar sobre aquilo.

— O que exatamente estamos procurando? — Loki perguntou depois de longos segundos em silêncio, procurando mudar de assunto.
— Ah… Bom, não sei bem… Algum padrão, um lugar onde a Variante possa estar se escondendo, um modus operandi...
— Achou algo relevante?

O tom de voz de Loki era sério e duro. sentiu como se tivesse dado alguns passos para trás em relação a ele quando tinham acabado de dar um passo à frente. Ela respirou fundo e soltou todo o ar, negando com a cabeça.

— Tem algo sobre uma Sylvie Laufeydottir, é sua irmã?
— Não — ele franziu a testa, puxando o documento que lia com atenção. — Impossível, eu só tenho o Thor como irmão. Quero dizer… Meio-irmão.
— Deve ser sua Variante — deu de ombros. — Sua versão mulher.
— Não seja ridícula — Loki retrucou, franzindo o nariz. — Se é tão inteligente, ele certamente tem minha aparência.
Certamente. ironizou, deixando escapar uma risada. — Enfim, esses documentos não parecem fazer sentido para mim… São apenas detalhes sobre eventos apocalípticos que nem ao menos causaram ramificações. Como este aqui…

puxou uma pasta sobre a destruição de Pompeia, apontando que nenhuma energia de variação foi encontrada. Loki pegou sua cadeira e deu a volta na mesa, sentando-se ao lado de , se aproximando para olhar melhor os documentos. Suas sobrancelhas se ergueram enquanto ele lia com atenção cada linha. Loki pegou novamente o documento de Asgard, lendo-o pela segunda vez.

— Viu? Zero. Eu não sei qual a relação disso tudo com a Variante...
— São apocalipses — ele a interrompeu, sua voz entregava uma surpresa enquanto seu cérebro raciocinava. — É isso, !
— Isso o que, exatamente?
— Ela está se escondendo em catástrofes exatamente porque nada pode ser alterado, não tem como captar energia de variância porque tudo vai ser destruído de qualquer jeito! — Loki a olhou com um sorriso enorme, embora não soubesse dizer se o brilho nos olhos dele agora eram de euforia ou ainda das lágrimas de agora pouco.
— Certo, você vai ter que me explicar isso melhor — ela respondeu, fazendo uma careta pela confusão que se formava em sua cabeça.
— Vem comigo!

Loki se levantou em um salto e agarrou a mão da mulher que não ousou protestar enquanto ele a arrastava para longe. Durante o percurso, Loki explicou seu raciocínio para , detalhe por detalhe, com uma empolgação contagiante. O mais estranho era que tudo fazia pleno sentido para a garota, que a cada palavra de Loki ficava mais e mais eufórica por finalmente estarem em algum caminho firme na procura da Variante. Enquanto caminhavam, ambos perguntavam aos funcionários o paradeiro de Mobius M. Mobius e, quando o encontraram, não hesitaram em correr até sua mesa, ainda de mãos dadas, surpreendendo o analista que quase engasgou com sua bebida ao ver a cena.

— Isso foi rápido — ele falou, limpando os lábios com um guardanapo. — Mãos dadas e tudo.

Os dois se olharam e perceberam que suas mãos ainda estavam entrelaçadas. Corados de vergonha, eles se soltaram na mesma hora, mesmo ambos não querendo realmente fazer isso.

— Encontramos algo — falou depois de limpar a garganta. — Quero dizer, Loki encontrou…
— Não, nós encontramos, se não fosse você…
— Falem de uma vez — pediu Mobius, intrigado.

Loki colocou alguns dos documentos na mesa e puxou uma cadeira, sendo imitado por , que sentou-se entre os dois. Mobius apenas suspirou e, antes que um dos dois falasse algo, ele disse com a boca cheia de salada:

— Eu fui claro aos dois: “Não me procurem até terem lido todos os documentos”.
— Nós lemos — falou, dando de ombros.
— Todos!? Principalmente os pertencentes a Variante?
— Sim! — Loki respondeu, impaciente. — As respostas não estão nos documentos, estão na Linha do Tempo!

Mobius estreitou os olhos e olhou para , que parecia estar extasiada. Ela foi contaminada pelo charme de um Loki, ele pensou, lamentando que havia perdido uma garota genial.

— Vá em frente — disse o analista após alguns segundos em silêncio.
— Ele está se escondendo em apocalipses.
— Mas qual apocalipse? — questionou Mobius. — Em qualquer tempo na história? Tem milhares deles!

O Deus da Trapaça lançou um olhar impaciente para , que apenas deu de ombros, sem poder fazer muito. Ele então puxou a pasta de documentos e a abriu na frente do analista.

— Ragnarok, conhece?
— Sim, a destruição de Asgard e toda a sua população… Sinto muito.

e Mobius olharam atentos e curiosos para ver qual seria a reação de Loki, a garota queria ver se os olhos dele entregariam o sentimento como lhe entregaram na sala de arquivos. Contudo, houve apenas alguns segundos antes de ele responder.

— Sim, muito triste… — disse sem muita emoção. — Enfim, isso me fez pensar…

e o analista se olharam novamente. Aquilo havia sido frio demais até para ele. Ou o Deus da mentira era realmente bom em esconder seus sentimentos (o que não duvidavam) ou ele realmente não sentira tanto a respeito de Asgard, o que seria assustador. imaginou se a Terra fosse aniquilada, sabendo agora que aquilo não era nada impossível, e a dor que sentiu em seu peito foi quase insuportável. Seu olhar para Loki agora era de pura desconfiança.

— Continue — Mobius falou, recostando-se na cadeira.
— Eventos Nexus acontecem quando alguém faz algo que não deveria ter feito, certo?
— Bom… É um pouco mais complicado que isso, mas sim.
— Ótimo! , sua vez.

A garota piscou, distraída, e pigarreou antes de falar.

— Ok, hum… Essa coisa que a gente faz, como eu salvar o meu pai, acaba causando vários outros acontecimentos em forma de cascata, alterando a linha do tempo até formar uma ramificação, certo?
— Alteração caótica de um resultado predestinado — Mobius disse com certo tédio. — Onde querem chegar com isso?
— Então, digamos… — Loki falou animado, puxando o pote de salada do Mobius para perto, junto com o sal e a pimenta.
— Espera, o que está fazendo?
—…que a sua salada seja Asgard nesse exemplo.
— Não é Asgard, é meu almoço! — Mobius exclamou preocupado, olhando para em busca de ajuda. Ela, novamente, apenas deu de ombros.
— É uma metáfora, presta atenção — ela falou com certa diversão na voz.

aproveitou para pegar a lata de refrigerante na mesa e tomar um gole. Era ridiculamente melhor que o da Terra e ela anotou mentalmente que levaria algumas latas consigo quando voltasse.

— Agora, imaginamos que eu vou para Asgard antes de Ragnarok causar a total destruição e eu possa fazer o que eu quiser, qualquer coisa! — Continuou Loki, pegando o saleiro. — Eu poderia, por exemplo, empurrar o Hulk da Ponte Arco-íris.

quase cuspiu seu refrigerante, primeiro por pensar que era provavelmente impossível combater o Hulk, pelo que já havia ouvido falar dele; segundo, por querer rir da tal Ponte Arco-íris. O asgardiano a ignorou e começou a jogar sal na salada aos protestos de Mobius.

— O sal é o Hulk? — perguntou risonha, dando mais um gole no refrigerante.
— Sim — Loki respondeu, ainda focado. — E eu também poderia colocar fogo no palácio.

Dito isso, ele virou o vidro de pimenta enquanto o sal ainda caía, jogando empolgado os temperos para ilustrar sua teoria. Mobius já estava sem paciência e lamentou por sua salada, mas a curiosidade o fez não interrompê-lo.

— O que ele está querendo dizer — se intrometeu , dando um último gole na bebida. — É que ele pode fazer o que quiser, não vai fazer diferença e não vai contra a regra da linha do tempo.
— Porque… — Loki começou a completar, mas se interrompeu quando pegou a lata de refrigerante e a encontrou vazia. — Sério, ?
— Não sabia que você ia usar, foi mal — ela respondeu com um sorriso amarelo.

Loki suspirou, reprimindo o pensamento de o quão adorável aquele sorriso era, e se levantou para pegar uma caixinha de suco na mesa ao lado. O dono da bebida olhou para eles sem entender nada, mas preferiu não enfrentar Loki naquele momento. O asgardiano sentou-se novamente, voltando a sua explicação.

— Como eu estava dizendo… O apocalipse está vindo, Surtur irá destruir Asgard, não importa o que eu faça!

Ele começou a virar o líquido dentro da salada, fazendo rir e Mobius exclamar um palavrão.

— Não faça isso! — ele resmungou, suspirando derrotado quando percebeu que não adiantava mais protestar.
— Este é o apocalipse — Loki falou, ainda despejando o suco.
— O suco Ragnarok dissolve o sal Hulk e a pimenta Palácio em Chamas e é como se nunca tivessem acontecido — explicou.
— Obrigada, — Loki agradeceu, sorridente. — É isso.

Mobius olhou incrédulo para um, depois para o outro, sua expressão era de pura confusão.

— O que foi isso?
— Foi uma metáfora meio boba, mas você entendeu o meu ponto — Loki respondeu. — Nada importa, pode ser qualquer apocalipse! Pode ser um tsunami, pode ser um meteoro, pode ser um vulcão, uma supernova…
— Um lunático destruindo Nova York… — brincou , segurando o riso.
— Hilário — Loki retrucou, sem achar graça alguma. — Mas aquilo não foi um apocalipse.
— Só queria te provocar — falou, orgulhosa, se endireitando na cadeira. — Mas como Loki estava dizendo, se tudo e todos em volta estão predestinados à destruição e ao fim iminente, nada do que fizermos ou falarmos irá mudar algo, ou seja, não fará diferença.
— A linha do tempo não irá ramificar — Loki continuou, voltando a jogar sal e pimenta na salada. — Porque tudo será destruído. Portanto, a Variante pode estar escondida em algum apocalipse, fazer o que quiser, e nunca iríamos saber!

Mobius assentiu com as sobrancelhas erguidas. Loki e se olharam empolgados, em seguida, olharam para Mobius em expectativa. Seria bom se, enfim, recebessem um elogio ou algum crédito, já que finalmente chegaram em alguma teoria boa. O analista suspirou e passou a mão nos cabelos.

— Nada mal… Mas ainda é apenas uma teoria, como vamos comprovar isso? — ele os questionou.
— Leve-me até Ragnarok e eu…
— Te levar até Ragnarok!? Em Asgard!? — Mobius o questionou, inconformado. — Acha que sou assim tão idiota para te levar para casa e te dar a chance de me esfaquear pelas costas e fugir!?
— Eu nunca esfaqueei ninguém pelas costas! — defendeu-se Loki, ofendido. — É uma forma muito chata e simples de traição…
— Loki, eu estudei cada momento da sua vida inteira e você literalmente esfaqueou pessoas pelas costas umas 50 vezes!
— Você fez isso!? — questionou Loki com os olhos arregalados, inclinando-se para frente a fim de olhá-lo nos olhos. O homem deu de ombros.
— Provavelmente, mas eu não fico contando — ele falou com desdém. — E eu não farei novamente, já ficou ultrapassado.

Mobius riu, ainda cético da fala do Deus da Mentira. Já analisava Loki com atenção enquanto seu cérebro trabalhava na tentativa de entender a situação. Acreditava, enfim, que Loki tinha certa razão em chatear-se quando o subestimavam. Ela fez isso e, naquele momento, começava a pensar que era um erro. Ele machucava pessoas e não parecia sentir remorso algum por isso.
Entretanto, provar aquela teoria significava que dariam um passo em direção à liberdade. não podia perder essa chance e não deixaria Laufeyson estragar tudo.

— Escuta, Mobius — ela começou a falar antes que Loki tivesse a chance. — Sabemos que não confia nele e eu não te culpo! Eu também não confio!
— Isso deveria me ajudar? — Loki resmungou.
— Cala a boca — sussurrou entre dentes. — Como eu estava dizendo… Eu não confio, mas veja bem: essa teoria é boa e fez sentido até para mim que estou muito perdida nisso tudo. Nós precisamos testar essa teoria, nem que tenhamos que colocar correntes de aço nesse cara.
— Não estou de acordo com a última parte — Loki afirmou, mas deu um sorriso ladino para a garota.

Mobius M Mobius estreitou os olhos para a garota, depois olhou Loki e, por fim, suspirou, esfregando os olhos. Cada vez mais se arrependia de ter juntado os dois.

— Se eu soubesse que fossem funcionar tão bem juntos… Chega a ser perigoso. — Mobius soltou o ar, voltando a abrir os olhos. — Está bem, falarei com Ravonna. Porém…

Ele apontou para Loki, que estava prestes a comemorar com a colega ao lado. Ele e se endireitaram e desmancharam o sorriso, voltando toda a atenção para o analista.

— Não vamos para Ragnarok de jeito nenhum. Temos que escolher outro apocalipse.
— Sabe...— começou , com um sorriso largo no rosto. Lembrou-se de todos os arquivos que leu e um em específico lhe chamou a atenção. — Eu sempre quis conhecer a Itália.


Continua...



Nota da autora: Oi, meus amores! Primeiro, gostaria de agradecer à Ju Scairp por ter feito essa capa linda pra Meraki! Menina, você faz mágica! Obrigada! ❤️
Segundo: muito obrigada por lerem, espero que tenham gostado e não esqueçam de deixar um comentário ali embaixo!




Outras Fanfics:

Crepúsculo:
➽ Moon Child (Longfic - Finalizada)
➽ Moon Child: A Year Without You (Longfic - Em andamento)

Harry Potter:
➽ 02. Like Nobody's Around (Shortfic - Finalizada)
➽ 07. Fix A Heart (Shortfic - Finalizada)
➽ 10. Sorry (Shortfic - Finalizada)
➽ 16. Wolves (Shortfic - Finalizada)
➽ Playing In The Snow (Shortfic - Finalizada)
➽ The Distraction (Shortfic - Finalizada)
➽ The Exchange Student (Longfic - Em andamento)

Harry Styles:
➽ 15 Days Of Quarantine (Longfic - Finalizada)
➽ 08. Fireside (Spin-off de 15 Days Of Quarantine - Finalizada)

Originais:
➽ 09. Count On You (Shortfic - Finalizada)
➽ Noah's List Of Clichés (Longfic - Em andamento)


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