Última atualização: 27/12/2021

Capítulo Um



, . — Remexi-me sobre a cama, já sentindo minha cabeça explodir.

Abrir os olhos não me ajudou em nada, eu parecia estar caindo de tão tonta que fiquei. Pisquei, então, repetidas vezes, acostumando-me com a claridade, ainda sentindo uma ardência incômoda na retina.
Murmurei algo incompreensível até mesmo pra mim enquanto me sentava, tentando me situar ao levar minha mão à cabeça. As cortinas tinham ficado abertas, aquilo explicava o sol praticamente entrando dentro do quarto sem convite prévio.
Por falar nisso, a maçaneta continuava a se mover insistentemente, fazendo-me ter um ódio mortal de por ele ser tão insistente.
Me arrastei até a porta, tocando chão gélido com meus pés descalços e a destranquei, esbarrando na calça que usei noite passada e acabei jogando de qualquer jeito no chão em meu caminho de volta para a cama.

— Não está pronta? Combinamos às nove! — Sua voz fez minha cabeça latejar um pouco mais. Me recolhi para dentro dos cobertores, tentando ignorar o fato de ele ter me acordado propositalmente àquela hora da manhã.

Eu realmente tinha concordado em ir na hora em que o convite me foi feito. Mas aquilo não queria necessariamente dizer que eu realmente iria. Poxa, custava ter confirmado primeiro antes de aparecer em meu dormitório?
Nós tínhamos um código! Caso combinássemos de fazer algo e um de nós não respondesse a mensagem do outro, significava que um de nós não iria mais. Funcionou muito bem durante anos, ele mesmo o criou, cansado dos bolos que dei nele toda vez que combinávamos algo cedo demais para que eu parasse minha hibernação e conseguisse acordar.
No caso de , me privou de pegá-lo na cama com alguma garota caso fosse até a casa dele chamá-lo. Me livrou de muitos traumas. Era simples, mas eficaz.

— O que deu em você, ? — sentou-se na beirada da cama e puxou o cobertor de cima da minha cabeça. Fiz força para puxar de volta, porém estava tão fraca que não pude evitar que ele me descobrisse. — Está doente? Vou mandar mensagem para os caras e desmarcar então.
— Não me cite a nenhum deles! — Me levantei rapidamente, em puro desespero, tentando afastar o celular dele de sua mão. franziu o cenho, analisando-me confuso.
— Por que não? Ontem você conheceu todos eles e Josh até ficou interessado em você. O que houve depois que saí? — Voltei a me encostar na cabeceira da cama, querendo me esquecer completamente da tal festa da noite passada.

Tudo bem, completamente não, o início dela até que tinha sido bom e não precisava ser descartado da minha memória.
Tinha sido a recepção de calouros, alguns cursos estavam misturados, tinha muita bebida e muita, mas muita, gente se pegando. Era minha primeira vez naquele universo tão falado das festas universitárias e, segundo minhas vizinhas de dormitório, todo calouro que se preze tinha que passar por aquele ritual antes do início das aulas.
Confesso que por mais famosos e divertidos que fossem aqueles rituais de iniciação, eu não havia tido muito interesse em participar inicialmente. Não curtia lugares lotados de gente, não bebia e não suportava lugares lotados de gente bêbada à minha volta. Fora que tinha dificuldades de fazer amigos daquela forma e eu também não conhecia quase ninguém.
O responsável por me tirar de meu dormitório foi , que me prometeu que ficaria comigo o tempo todo durante a tal festa. Porém, eu o conhecia tempo o bastante para adivinhar que ele me daria um perdido mais cedo ou mais tarde, assim que o primeiro rabo de saia surgisse em seu radar. Ou seja, fui por minha conta, risco e ingenuidade.
Assim que chegamos na festa barulhenta, fui apresentada a seus amigos veteranos, que jogavam no time da universidade e eram membros ativos da atlética.
Foi dito e feito: com cinco minutos de conversa minha com os caras, com direito a combinar uma pelada no dia seguinte, vi sair acompanhado de uma loira bronzeada e me deixar sozinha com seus amigos. Não poderia achar ruim com ele, afinal de contas, eu já era adulta e sabia me cuidar bem sozinha. Além do fato de ser um pé no saco ficar cobrando algo dele. Mas, que merda, ele tinha me prometido ficar!
A partir dali foi uma sucessão de erros que eu nem saberia explicar. Primeiro cedi à insistência dos meninos e bebi umas cervejas pra socializar. Tentei mentir dizendo que estava tomando um antibiótico para não falar que não bebia, porque, aparentemente, era um crime não beber num lugar daqueles. Não adiantou muito, entretanto, e eu acabei aceitando na tentativa de criar coragem para fazer algo que estava querendo testar há uns dias.
O tal Josh - citado por - realmente ficou explicitamente interessado em mim. Após algumas cervejas, eu já tinha conseguido me aproximar mais dele na roda, que foi diminuindo à medida em que alguns deles eram chamados por conhecidos ou garotas interessadas. Ele me beijou e eu, que já estava meio tonta por conta das cervejas, o beijei de volta.
E foi ali que as coisas realmente começaram a dar muito errado.

— Pegue um analgésico pra mim primeiro? — Apontei para a cômoda próxima da porta. — Eu não estou aguentando minha cabeça.
— Está de ressaca? — riu alto, indo buscar o que eu pedi e voltando com minha garrafa de água, que também estava por ali. — Eu não acredito que perdi seu primeiro porre na universidade. — Lhe dei o dedo do meio, tomando o remédio.

Já tinha tomado um porre no ensino médio. Naquela festa, não só estava como também tinha sido um grande influenciador para que aquilo acontecesse. Lembro que tive que dormir na casa dele, porque estava muito mal para poder ir pra casa. Minha mãe provavelmente me mataria se me visse naquele estado aos dezessete anos.
No fim das contas, aprendi a lição: nunca mais bebi em grandes quantidades. Gostava de estar no controle de mim mesma e o álcool me tirava aquilo quando estava em minha corrente sanguínea.
Vide a noite passada, se estivesse sóbria, jamais faria aquilo.

— Se arrependimento matasse, eu já estaria fedendo uma hora dessas. — pegou meu braço, levantando-o para cheirar minha axila, numa tentativa falha de me fazer rir.
Ele provavelmente devia achar que eu estava sendo dramática, ou queria desviar as atenções pelo fato de saber que tinha me abandonado sozinha e eu estava brava. realmente achava que me enganava? Eu o conhecia desde antes de ele criar pelos no saco, chegava a ser engraçado o fato de tê-lo me tratando como se eu fosse uma das garotas que ele pegava por aí.

— O que aconteceu de tão horrível assim? Eu não recebi nada, nem mensagens, nem vídeos ou fotos… — Sorriu debochado, fazendo-me querer gastar meu réu primário.
— É claro que não recebeu mensagens. Duvido que aquele idiota iria te contar o que fez comigo noite passada. — Cruzei os braços, emburrada. O sorriso de se desmanchou e a famosa ruga entre suas sobrancelhas deu as caras. — Josh e eu... Ficamos ontem e em determinado momento subimos para um dos quartos…
— Não me diga que ele te forçou… — Seu semblante endureceu, fazendo-me respirar fundo ao negar veementemente com a cabeça.
— Eu quis subir com ele, não gosto de lugares cheios, você sabe — Comecei, encolhendo os ombros, temerosa. continuou sério, esperando que eu terminasse de contar. — Ele me deitou na cama, tirou a camisa...Tirou minha blusa e eu até que estava gostando, mas… Quando ele subiu em cima de mim, eu… Não sei, entrei em pânico. — levou a mão ao rosto, respirando fundo.

Nós já tínhamos conversado sobre aquilo, sobre o meu medo de perder a virgindade. Acho que era aquele receio todo que me fez chegar aos vinte e dois anos ainda com ela intacta. Mas achei que estava pronta para enfrentar aquele medo, porém, depois de ontem, percebi que tinha sido precipitada. Josh não era o cara certo e a situação em que estávamos não tinha ajudado muito.

— Eu pedi pra que ele parasse, mas a música estava alta, a-acho que ele não ouviu. — Ofeguei, relembrando a sensação horrível que tomou meu corpo quando eu tentei afastá-lo e ele apenas me prensou ainda mais contra o colchão. Eu nunca tive tanto medo na vida. — Forcei mais minha voz e acabei gritando com ele, empurrando-o pra longe com força. — Olhei pra com os olhos marejados. Eu sabia que ele não colocaria a culpa daquele susto em mim, mas ainda sentia que eu tinha agido feito louca depois de ouvir tudo o que eu ouvi vindo de Josh. — Ele ficou furioso, vestiu a camisa, me xingando, e me deixou sozinha no quarto.

Vadia frígida.
Foi a última frase que ouvi sair de sua boca. Mas eu não tinha coragem de repetir em voz alta. Sei que algo assim vindo de um desconhecido não deveria ter me atingido tanto, porém aquilo não saiu mais da minha cabeça desde então.
me abraçou ao me ver prestes a chorar. Não precisei dizer nada, ele já me conhecia como ninguém e sabia exatamente de tudo o que eu precisava sem que precisasse sequer abrir a boca.

— Me desculpe por te deixar sozinha na festa. — Funguei, aconchegando-me em seu peito. Sua mão fez carinho em meus cabelos longos enquanto eu secava minhas lágrimas. — Não teria ido se soubesse que um deles iria querer fazer algo contra sua vontade. — Me afastei dele, encarando-o incerta.
— Mas eu até que queria… — Encolhi os ombros.
— Você… Queria? — disse, duvidoso, analisando-me com a testa franzida. — Queria perder a virgindade com um desconhecido, bêbada numa festa?

É, colocando daquele jeito realmente parecia ser uma péssima ideia.

— É por isso que eu quis parar. Eu queria transar, mas não daquele jeito, porém quando vi já era tarde demais, já estávamos lá.
— Por que essa pressa toda?

Pressa? Eu já tinha vinte e dois anos, quase vinte e três! Deixou de ser pressa há muito tempo, sentia que estava até atrasada.

— Eu não devia te contar, minha mãe não quer que ninguém saiba, mas é meio impossível esconder isso por muito tempo. — Eu tinha prometido que não iria falar, mas era . Contávamos tudo um para o outro desde sempre, ele estava incluso em todos os meus segredos e eu nos dele. — Mary está grávida.
— Sua irmã. De dezesseis anos. — Assenti, vendo-o ainda boquiaberto.
— Sabe o que é preciso pra ficar grávida, ? Transar. Minha irmã mais nova já transou e eu não! — Partilhei minha indignação com ele.
— É por isso que quer transar? Por que sua irmã já fez? , você esperou todo esse tempo pra ser tão precipitada desse jeito? — Franzi a testa sem entender aquele papo dele.

Nós dois sabíamos que eu não escolhi esperar ou fazer toda a ladainha de me guardar para o casamento. Eu nem sabia se queria me casar um dia! Conversávamos sobre sexo desde nossa adolescência. chegou a me contar quando teve sua primeira vez e ele sabia que eu não tinha transado na época porque não me sentia pronta.
Não que tivesse alguém disposto a transar comigo, inclusive, aparentemente, aquele era um problema recorrente na minha vida desde a adolescência.

, me responda sinceramente. — Juntei as mãos exasperada. — Quem, na minha idade, você conhece que ainda é virgem? — comprimiu os lábios, sem resposta. — Está vendo? Se você conhece uma garota de quase vinte e três que nunca transou ou namorou, você provavelmente vai pensar que tem algo de errado com ela, certo?
— Não tem nada de errado em ser assim, mas eu não… — Coçou a nuca e se autoimpediu de terminar a frase, que eu já sabia qual era. não encararia uma garota virgem da minha idade. Ele e a maioria dos caras da nossa faixa já tinham uma vida sexual ativa e não tinham paciência pra quem estava começando. Josh era um claro exemplo daquilo. — É que… Hoje em dia é meio estranho. — Soltou de uma vez, fazendo-me voltar a me afundar na cama. — Mas você é diferente!
— Por quê? — Minha voz saiu esganiçada.
— Porque… Porque você não é igual às outras garotas. — Revirei os olhos com aquele clichê de merda que inventaram.
— Qual a diferença entre mim e elas, ? Me conte, eu estou morrendo de curiosidade para saber. — Ri, numa pura ironia, já vendo-o se arrepender de ter aberto a boca.
— Você é mais quieta, na sua. Não costuma se maquiar ou se vestir como as outras, você joga futebol com os caras… Não é culpa sua você ser virgem, só que os caras não te olham desse jeito…
— De que jeito, ? — Eu tinha medo daquela resposta, principalmente porque eu sabia que não mentia pra mim, muito menos em relação ao universo masculino. Ele sempre me contou tudo o que os homens pensavam, assim como eu sempre o ajudei com as meninas.
— Do jeito que a gente olha pra alguém que queremos transar, . — Chacoalhou os ombros. Suspirei exasperada. — Você usa roupas que cobrem o corpo, que ficam largas às vezes. Não dá pra saber o que tem aí debaixo olhando de fora… E você também trata os caras de um jeito…

Fechei os olhos com força, não sabia se queria ouvir aquele argumento, não.

— Masculino… — Eu os tratava como pessoas normais, como eu deveria tratá-los afinal?
— Então, esse é o meu problema. — Sorri amarelo, no fundo eu já sabia. Só que nutria uma esperança idiota de que alguém iria conversar comigo e, por um acaso, iria descobrir minha grande personalidade e se interessaria por mim. Talvez, se os fizesse rir, me achariam atraente e iriam querer me levar pra cama.

Não funcionava pelo visto.

— Não é um problema. — Ponderou, tombando a cabeça pro lado. Eu conhecia aquele tom de voz, o fazia quando amenizava as coisas para que eu não me sentisse tão mal. Ele tentava mascarar o mundo cruel dos homens pra mim desde o ensino médio, quando eu descobri que garotos eram, de fato, nojentos na maioria das vezes.

Porém, apesar de seus esforços, nunca conseguiu, já que ele mesmo fazia tudo o que me alertava sobre os homens com outras garotas. No fim das contas, ele era o exemplo vivo dos caras de quem eu devia correr.

— Eu gosto de você do jeito que você é e não acho que precise mudar só pra um cara olhar pra você. — Ri de sua tentativa clara de me consolar, com direito até a mão fazendo carinho no cabelo.

Parecia até minha mãe falando! Eu o amava, porém, ele gostar ou não de mim não me ajudava em nada no meu problema. era meu melhor amigo e era aquilo que eles faziam, nos bajulavam quando estávamos pra baixo.

— E tem mais: estou vendo o que tem debaixo das suas roupas e você até que é gostosinha, só usa a calcinha errada. — Lhe desferi um tapa no braço, ficando extremamente vermelha.
— É confortável! — Defendi minha calcinha bege, com um gatinho desenhado na bunda. — E eu não pretendo mudar nada em mim, então acho que vou morrer virgem. — Fingi uma falsa conformação.

A quem eu estava querendo enganar? Quando colocava algo na cabeça, não descansava até conseguir. E daquela vez não seria diferente, até porque eu realmente queria saber como era, sempre tive aquela curiosidade e já estava mais que na hora de saná-la.

— Eu tenho certeza de que não vai. — Abraçou-me pelo ombro. — A primeira vez é horrível, se isso te consola.
— Não me consolou, até porque eu tenho certeza que depois deve ser muito bom, você vive fazendo com várias. — Lhe dei uma cotovelada, ouvindo sua risada. Era impressionante a falta de vergonha na cara. — Tenho medo é da primeira, sabe? Entro em pânico só de imaginar. — Levei as mãos ao rosto, tendo-o me envolvendo em seus braços, deitando minha cabeça em seu ombro.
— Você não tem o que temer, minha cara, . Só encontre um cara legal, que tenha paciência e que te trate bem, que no fim dá tudo certo. Não é um bicho de sete cabeças. — Beijou minha testa, acariciando meu braço. — Qualquer dúvida que tiver, eu estou aqui pra ajudar.

Um cara legal, que teria paciência e que me trataria bem.
Encarei sua mão tatuada deslizando devagar sobre minha pele, senti seu abraço, e reparei no modo como ele sempre me protegia e não ligava para meu jeito… Estranho de ser. E até me achava gostosinha! Talvez, eu me sentisse à vontade com ele de outra forma.

— Você!
— Eu o quê? — Me afastou de si, genuinamente confuso. Meu sorriso se abria a cada vez que eu pensava na possibilidade, era ! Era perfeito!
— Você vai tirar minha virgindade.


Capítulo Dois

— Eu o quê? — Me afastou de si, genuinamente confuso. Meu sorriso se abria a cada vez que eu pensava na possibilidade, era ! Era perfeito!
— Você vai tirar minha virgindade.
— Nem pensar! — Se afastou, levantando-se da cama como se eu fosse uma predadora sexual prestes a atacá-lo.
— Por que não? — Seus olhos se arregalaram, como se fosse óbvio. Lhe devolvi o olhar, era óbvio pra mim também. — , você é perfeito pra isso! Tem experiência, não vai zoar meu corpo, vai saber ir devagar sem me assustar e, pra completar, você ainda me ama! — Eu não via motivos para não acontecer!
— Eu te amo, mas não desse jeito! Tem noção do quão estranho é isso?
— Eu não quero que me ame desse jeito, seu idiota! — Me levantei, já estressada. Desde quando era aquele moralista quando se tratava de sexo? — Não vai ficar estranho, a gente já se vê seminu, será só uma vez para eu perder meu medo!
, é uma coisa completamente diferente. — Cruzei os braços, rindo sem humor. Eu nunca vi um homem nu ao vivo, mas com certeza o que ele tinha entre as pernas não devia ser algo de outro mundo. — Nós crescemos juntos, eu não consigo sequer pensar em você desse jeito — Sua cara de nojo me deixou ofendida. — Você definitivamente não sabe o que está me pedindo.
— Então, realmente tem algo de errado comigo. — Deve ser um defeito físico dos grandes, pelo tamanho do exagero dele! — Só porque eu não sou uma das garotas com quem você transa, desde quando você se importa tanto com quem vai foder, ? — Meu rosto queimava de tanta raiva que eu sentia.
— Eu… Eu não vou conversar com você desse jeito, . — Hasteou o dedo com o semblante que permaneceu do mesmo jeito desde que ele me ouviu falar a palavra “foder”, em choque. Sim, tínhamos voltado a ter doze anos. Parecia que nunca tinha me ouvido falar um palavrão na vida. — Quando estiver pensando direito, volte a falar comigo, mas a resposta é não.
Já ia em direção à porta, me deixando ainda mais puta da vida.
Que indignação toda era aquela, afinal? Eu estava pedindo para que transasse comigo, não que me ajudasse a desovar um corpo! Que dramalhão desnecessário, o que custava ele me ajudar? O pênis dele por acaso iria cair?
Esperava que caísse também! Se não servia pra me ajudar, não tinha por que existir.
— Isso, pode ir embora! Justo quando eu mais preciso, é isso o que você faz! Vá atrás das meninas gostosas do campus, você sempre fez isso comigo. — parou no meio do caminho, respirando fundo. — Vá, , pode deixar! Eu vou dar um jeito nisso sozinha, eu me viro.

E eu iria mesmo, agora era questão de honra.

— O que vai fazer, hein? Vai se embebedar e dar pro primeiro que te aparecer? — Arquei as sobrancelhas, desafiadora. esbravejou, já retrocedendo seus passos. Ele me conhecia o bastante pra saber que eu faria. — , não pode fazer isso, é perigoso! Vai saber as intenções do cara, e se ele não parar quando você entrar em pânico?
— Ah, agora você se preocupa comigo? — Cruzei os braços, rindo sarcástica.
— Eu sempre me preocupo, , mas dessa vez eu não vou poder te ajudar, com isso não.
— Então, você já pode ir embora do meu quarto.

E ele saiu mesmo! Deixando-me plantada, sozinha e furiosa.

***


Se passaram três dias. Três dias que eu ignorava as mensagens de e fazia questão de passar o mais longe possível de seu campus só pra não correr o risco de esbarrar com ele por aí. Ele tinha ido ao meu dormitório no dia seguinte à nossa discussão. O deixei pra fora, fingi que não estava.
Depois de ontem e anteontem, acho que ele tinha percebido que, na verdade, eu estava, só não queria abrir pra ele.
Lembrei-me de todos os planos que fizemos para aquele começo de aulas - até mesmo do tour pela universidade que me foi prometida ainda em Londres, quando eu ainda estava me formando, enquanto já tinha entrado na faculdade.
Cumpri o trato que fizemos desde crianças, que consistia em nunca nos separarmos e escolhi a mesma universidade que a dele para que pudéssemos ficar juntos. Ficamos um ano longe um do outro, conversando sempre por FaceTime. No dia em que desembarquei nos EUA, foi me buscar no aeroporto em seu carro vermelho.
Pulei em seu colo como se tivessem anos que não nos víamos pessoalmente, sendo que no natal eu o tive em minha casa ceando junto da minha família. Era sempre daquele jeito, ia pra minha casa dia 24 e dia 30 eu ia pra dele. Mesmo com a faculdade, ele fez questão de não quebrar nossa tradição.
Tínhamos infinitas tradições, infinitos códigos e combinados, eram mais de vinte anos de amizade! Nós dois éramos inseparáveis desde que nos entendíamos por gente. Nossas mães foram colegas de trabalho que engravidaram uma atrás da outra; primeiro veio e, um ano depois, nascia eu. Era sempre hilário juntar as duas e ouvi-las contar histórias de nós dois que nem ao menos sabíamos da existência.
Havia muitas recordações de nós espalhadas pela minha casa, e eu tínhamos fotos de Natal, de Páscoa e praticamente uma coletânea só de Halloween. Tinha um porta retrato na minha cômoda de quando eu era recém nascida, já com ao meu lado olhando-me curioso somente de fraldas e com a chupeta na boca.
Encarei a foto, morta de saudades daquele tempo em que não entendíamos nada e por isso nos preocupávamos com nada.
Suspirei, voltando a pentear meus cabelos castanhos. Os segurei no topo de minha cabeça, simulando um rabo de cavalo. Soltei quando percebi que estava me preocupando demais com minha aparência depois do que ouvi de . Não gostava daquela paranoia desnecessária. Não tinha nada de errado com meu reflexo no espelho.
Aquela era apenas eu, vestida na minha mom jeans e numa blusa de mangas preta com uma camiseta branca por cima. Remexi meus pés, encarando-os em dúvida. Será que eram os tênis que me deixavam menos feminina?
Nah, não importava. Me sentia bem do jeito que estava. Peguei minha mochila após borrifar um pouco de perfume em meu pescoço.
Eu deveria me bronzear ao ponto de mudar a cor da minha pele e encher meus lábios de preenchimento para ser aceita pelos caras da minha idade? Poxa, os padrões de beleza estavam cada vez mais inalcançáveis, só um banho tomado e estar vestida já não valia de nada.
Fui pra minha segunda semana de aula ainda mais animada que a primeira. Eu tinha feito alguns amigos por conta da ideia de montar um grupo de trabalhos, já não estava mais tão nervosa quanto a estar sozinha em meio a desconhecidos.
Infelizmente, tinha aquela questão desde criança. Meu primeiro dia de aula no fundamental tinha sido conturbado justamente por eu ter percebido que minha mãe iria me deixar na escola e ir embora. Passei o dia chorando com medo de ficar sozinha. A única coisa que me animou foi ir pro recreio e ver um rosto conhecido em meio a tantas crianças barulhentas. me pegou pela mão e me levou pra lanchar com ele em sua mesa.
Anos tinham se passado e eu continuava a mesma, porém daquela vez estava evitando por ainda estar brava com ele. Nossas brigas nunca duraram mais que uma semana, então ainda me restavam alguns dias pra prolongar minha raiva antes de voltarmos a nos falar normalmente.
Assim que saí da aula, fui direto para a biblioteca, onde eu tinha certeza de que não o encontraria de jeito nenhum, já que tinha alergia a livros. Peguei alguns que estavam listados nos materiais de apoio do semestre, planejava já começar um deles naquela tarde mesmo.
Voltei para o dormitório após almoçar, pensando em como nós dois éramos diferentes um do outro. Éramos os amigos mais improváveis mesmo, sempre disse a que se não fôssemos amigos desde pequenos, talvez jamais daríamos uma chance de nos juntarmos.
Éramos antônimos um do outro, enquanto eu era mais centrada, tímida e receosa, era avoado, descarado até demais e extremamente aventureiro. Eu tentava frear seus impulsos enquanto ele tentava me arrastar nas suas loucuras. Eu cursava literatura e odiava exatas, já - contrariando minhas teorias de que todo cara gato é meio burrinho -, cursava engenharia e era simplesmente um nerd com cálculos e equações.
Ele ficaria ofendido em ser chamado de nerd, enquanto eu ficaria orgulhosa.
Apesar de tudo éramos uma boa dupla. Apesar das diferenças, nos completávamos.



Vesti meu moletom e desci, já encontrando os caras. Tínhamos combinado de jogar um pouco, já que o jogo de ontem não tinha rolado por conta de tudo o que aconteceu.
Joshua também estava no grupo que se deslocava a pé até o campo que tinha dentro do campus. Tinha conversado com ele quando a poeira baixou, sentia que se o tivesse visto ainda no dia em que me contou tudo o que houve naquela festa, provavelmente lhe socaria. Ele me prometeu que iria falar com ela, se desculparia, apesar de dizer não se lembrar direito do que aconteceu por conta do tanto que bebeu.
Ainda não estava cem por cento indo com sua cara, ouvi-lo desdenhar como se não tivesse feito nada demais enquanto comparava com o relato de me deixou puto da vida. O arrependimento ainda me tomava por tê-la deixado sozinha naquela festa, mesmo sabendo que ela não era habituada com aquele ambiente.
Sempre reclamava pra ela do quão dependente ela era de mim. Algumas vezes, chegamos a brigar durante a adolescência quando relutava a querer ir a festas e queria ficar em casa pra ver um filme ou jogar vídeo game. Eu a amava, mas estava começando a ter uma vida social e sentia que ela às vezes me atrapalhava.
Com o tempo, ela foi ficando mais flexível; ia a algumas festas e eu aprendi a ceder e fazer os programas que ela gostava. Era até bom, me fazia estudar em vésperas de provas e me ajudava em redações enquanto eu lhe ensinava cálculos. Se não fosse por ela, acho que nem na faculdade eu estaria. Fora que era sempre muito divertido estar com ela, nós tínhamos piadas internas que ninguém jamais entenderia.
Estava há exatos três dias sem ver ou falar com ela. Tentei de tudo, quase cheguei ao ponto de ir até a biblioteca procurá-la, porém desisti por imaginar que ela ainda deveria estar brava.
Pensei muito sobre o que conversamos naquele domingo, me perguntei se não tinha sido muito sincero com ela. Eu nunca tinha mentido pra , mas geralmente tentava diminuir o impacto de minhas palavras quando imaginava que poderiam deixá-la chateada. Era impressionante como ela me fazia tomar aquele cuidado sem ao menos perceber, eu nunca tive aquele comportamento com mais ninguém na vida.
era linda, eu e os caras que já se interessaram por ela poderíamos confirmar a qualquer um que perguntasse. Porém, ela não era exatamente o tipo de garota que parava trânsitos ou tinha filas de pretendentes por onde quer que passasse. Aliás, ela sempre odiou chamar atenção.
Quando eu lhe disse aquelas coisas, fora na melhor das intenções, porque, apesar de tudo, ela ainda era a melhor garota que eu já conhecera na vida. Teria inveja de quem quer que fosse o cara que a tivesse como namorada algum dia. adorava todos os jogos de videogame que estavam em alta, amava ver filmes de ação e ainda por cima jogava futebol melhor que muitos homens por aí. Além de ser engraçada e inteligente.
Ela era tudo o que qualquer cara poderia a Deus, só que num molde mais… Modesto.
O que ela vestia ou deixava de vestir era o de menos, eu não a enxergava pelo seu corpo. Devia ser por aquele motivo que comecei a bostejar pela boca ao descrevê-la como se tivesse algo de errado com ela. Não tinha, e eu a fiz acreditar que sim.

, aquela ali não é a sua amiga? — Fui retirado de meus devaneios e a avistei pelas grades do campo, treinando faltas em frente ao gol.
— Será que ela joga com a gente hoje? — Mark indagou, animado, ao lado de Joshua, que trocou olhares comigo antes de ir na frente, adentrando o campo e indo ao encontro dela.

Os caras e eu nos juntamos próximos ao banco reserva que tinha na lateral do campo. Enquanto se alongavam pra começarmos o jogo, eu estava sentado, tentando entender o que acontecia em frente ao gol contrário.
ainda ouvia Josh calada, assentiu vez ou outra, cruzou os braços e apoiou a bola no pé. Seu suspiro denunciou que ela estava de saco cheio de ouvi-lo. Confirmando meu palpite, ela apenas disse algumas coisas, lhe deu um aperto de mãos e se abaixou, pegando a bola, caminhando pra longe dele e deixando o campo.
Me perguntei se ela não tinha me visto ali ou se ainda estava me ignorando.
Me levantei e corri pra fora, seguindo-a pela lateral do campo.

, espera! — A puxei pelo braço assim que a alcancei, vendo seu semblante duro quando a virei pra mim.
— O que foi ? Agora que eu não estou de roupas largas, você aceita transar comigo? — Seu tom carregado de ironia foi ouvido pelas pessoas que passavam por nós.
Eu nem ao menos tinha reparado em suas roupas. usava uma legging escura junto de um moletom e seus tênis verdes de corrida.
— Qual é, ! Josh fez coisa muito pior e você já o perdoou, por que ainda está brava comigo? — parou de andar e se virou em minha direção.
— Josh não é o meu melhor amigo, você é! Ou era, quando me ajudava no que eu precisava. — Deu de ombros, fazendo-me revirar os olhos pelo drama excessivo.

Ela sempre fazia aquilo. Aquela carinha de cachorro que caiu da mudança, que com seus 160 centímetros de altura e as bochechas avermelhadas de frio só potencializavam o seu poder de persuasão sobre mim.

— Você não está falando sério, está?

Mas, daquela vez, eu não poderia ceder a seu olhar de gato de botas. Se o fizesse, teria que ir pra cama com ela. E eu nunca me imaginei numa situação daquela com ! Acho que nem conseguiria ter uma ereção perto dela, nós dois éramos como irmãos!
Me alarmei quando a vi voltar a andar pra longe, mudando seu padrão de drama, que consistia em ficar me olhando até que eu sentisse dó e fizesse o que ela queria. Ela não parecia com paciência de esperar que meu coração derretesse e aquilo me deu um certo medo do que ela poderia fazer caso cumprisse o que me disse no dia anterior e se arriscasse por aí atrás de outro cara pra lhe tirar a virgindade.
Quando enfiava algo na cabeça… Nada parecia ter poder de fazê-la mudar de ideia.

— Não acredito que vai me ignorar só por conta disso. — Ela continuava a andar, como se eu não estivesse ali, falando com ela! — Eu queira poder te ajudar, mas nisso não, eu não posso! — A puxei pelo braço novamente.
— É claro que pode! — Esbravejou, apertando os dedos contra a bola que tinha em mãos. — Não estou te pedindo algo impossível, , é só sexo! Você tem um pênis e eu uma vagina e…
— Pare! — Levei a mão ao rosto, sentindo meu estômago se revirar só de ouvi-la falar.

Pra começo de conversa, eu nem sequer me lembrava que tinha uma vagina. Se algum dia eu cometesse a loucura de tentar imaginá-la nua, aquela região com certeza ficaria em branco.
Era por aquele motivo que éramos tão próximos e nunca tinha sequer acontecido uma menção de nós pegarmos. e minha mãe eram as únicas mulheres que eu já amei na vida e jamais pensei em coisas com duplo sentido.
Era nojento!

— Vai ver o seu nem funciona direito. — Passou os olhos rapidamente pela minha calça, sem sequer olhar diretamente pra ele.

Nem ela conseguia admitir que aquilo era impossível de acontecer, sequer conseguia olhar! Sua teimosia era tanta que ela jamais admitiria que era uma péssima ideia, mas agora que tinha começado iria até o fim com aquilo.
Quer dizer, tentaria ir até o fim.

… — Meu tom ameaçador não surtiu efeito nela, que ainda me encarava vermelha de raiva, provavelmente não tendo noção do que acabou de insinuar.

Se não fosse ela, eu faria questão de lhe mostrar que não era um broxa, e iria fazê-la se arrepender de duvidar da minha capacidade sexual. nem ao menos sabia onde estava se metendo ao dizer aquilo, tinha sorte que era eu quem estava escutando.

, é algo importante pra mim! — Argumentou, com os olhos brilhando em lágrimas. Meu Deus, por que ela tinha que colocar aquela ideia boba na cabeça? — Eu não tenho ninguém e quero fazer com alguém especial pra mim!
— É por isso que eu não vou fazer isso, Ste! — Tinham tantos motivos, mas ficaríamos a noite toda ali se eu os listasse. — Eu não sou essa pessoa e tenho certeza que, daqui a um tempo, você vai se arrepender de não ter esperado o cara certo.
— Me poupe dessa ladainha de cara certo, você mesmo disse que a primeira vez é péssima. — Bradou, se aproximando de mim, na sua última tentativa de me convencer. — Eu sinto que com você não será tão ruim assim. — Deveria levar como elogio? — Por favor, , por favorzinho!
— Não, , me peça qualquer coisa, menos isso!
— Então, não quero mais nada vindo de você. — Chorosa, saiu em disparada em direção ao caminho do próprio dormitório, largando até mesmo sua bola para trás.
! — Chamei algumas vezes, mas sem sucesso, já prevendo que, pelo visto, ficaríamos bem mais que uma semana brigados.


Capítulo Três



Mais alguns dias se passaram, não tinha sido daquele jeito que planejamos curtir os primeiros dias de caloura de na universidade, muito menos sua estadia em Nova Iorque. Já era fim de semana de novo e eu fiquei sabendo de uma festa que as amigas dela tinham marcado presença. Tentei descobrir se ela iria, mas acabei sendo xingado a mando dela quando tentei descobrir algo.
Eu estava com saudades, todas as minhas investidas para uma possível reconciliação falharam, até os chocolates que mandei entregarem pra ela no dormitório voltaram pras minhas mãos intocados. Nada parecia fazê-la voltar a falar comigo. Já estava ficando preocupado, não queria estragar nossa amizade indo pra cama com ela, mas pelo visto o fato de eu não ir também estava estragando tudo entre nós.
Como não tive informações sobre a confirmação da presença de na festa, decidi ir atrás dela por conta própria. Já estava cansado daquele joguinho de gato e rato, todos os lugares possíveis para encontrá-la sozinha eu fui. Quase cheguei a ir até o banheiro feminino para tentar conversar com ela a sós! Todas as vezes que esbarrei com ela pelo campus e me aproximei, fugiu de mim ou simplesmente me ignorou.
Mas ela iria me escutar, ou eu não me chamava .
Eu não a deixaria ir naquela festa, sabia bem sua motivação naquele lugar cheio de bebidas e caras mal intencionados. Não estava nem um pouco a fim de ter que quebrar a cara de alguém caso ela conseguisse o que tanto queria e depois viesse buscar consolo. Porque ela iria se arrepender, daquilo eu tinha certeza.

— Onde pensa que vai vestida desse jeito? — Cruzei os braços, encarando-a parado diante de sua porta.

Dormir é que não era! Aquele vestido justo não me parecia muito confortável, nem mesmo pra , que o puxava em pura frustração quando foi flagrada diante do espelho por mim.
Seu olhar raivoso ainda estava intacto, agora adornado por um par de cílios postiços e uma maquiagem forte, que a deixava estranha aos meus olhos.
ainda estava ali, visivelmente desconfortável com todos aqueles adereços e uma roupa diferente das suas usuais, se esforçando para parecer “atraente” pra um cara aleatório que não ligaria pra nenhum de seus esforços na hora que estivesse a despindo para conseguir o que queria. Mas, mesmo que estivesse ali, de corpo presente, não era a que eu conhecia desde que era um bebê.

— O que está fazendo aqui? — Cruzou os braços, emburrada.
— Aqui est… Oi, bonitão. — A cabeleira loira da vizinha de quarto de surgiu em meu campo de visão. Meus olhos foram em direção ao que ela tinha acabado de colocar sobre a cômoda de .

Era uma embalagem de camisinha! Era inconfundível para mim.
Meu sangue ferveu no mesmo instante em que direcionava meu olhar para a morena ainda parada diante do espelho. fez a cara que fazia sempre de quem sabia que estava em apuros. Suspirei audivelmente, bagunçando meus próprios cabelos em desespero.
Eu não iria conseguir tirar aquilo da cabeça dela. iria mesmo tentar a todo custo perder a droga da virgindade dela.
E o pior de tudo era que seria inútil impedi-la de ir naquela festa! Afinal, o que mais tinha naquela cidade eram festas universitárias.

— Já terminou? As meninas já estão prontas. — A menina pareceu notar o clima pesado entre nós, já que resolveu se pronunciar após o longo período de silêncio no quarto.
— Nos dê licença um pouquinho, sim? — A loira saiu, olhando-me desconfiada. Fechei a porta e tranquei por precaução. Precisava ganhar tempo.

Estava tentando achar um jeito de convencê-la.

— Não adianta trancar a porta, eu vou a essa festa, queira você ou não. — Encarei o par de sandálias de salto que estavam próximas de seus pés descalços e voltei a olhá-la, ainda sem saber o que fazer.
— Você nem ao menos sabe andar nesses sapatos, não gosta desse tipo de roupa, detesta usar cílios falsos. — Bradei, indignado, apontando para tudo aquilo.
— As meninas me ensinaram, me emprestaram roupas, arrumaram meu cabelo e me maquiaram. É isso que os amigos fazem, , se ajudam. — Sorriu sem humor, ainda de braços cruzados.
— Não é simples desse jeito! Não dá para encarar sexo como se fosse aprender a andar de bicicleta. — Exasperado, argumentei, vendo-a dar de ombros. — Você não merece ir pra cama com qualquer um, . Nem está sendo você vestida desse jeito. Você merece alguém que vai te querer do jeito que é, vestindo o que normalmente veste.

Aquele alguém que acabei de descrever não seria um desconhecido, muito menos seria eu! Não a queria daquele jeito, de jeito nenhum aliás! Nunca, jamais pensei em como mulher.

— E se eu quiser me vestir assim? Ser como as meninas que você e os outros caras acham gostosas? Eu sei quem sou e já disse que não pretendo mudar meu jeito, , mas pra conseguir o que quero hoje, vou me vestir assim. — Sentou-se na cama, apanhando uma das sandálias e colocando-a no pé.

Seu vestido subiu mais ainda na coxa, fazendo-me respirar fundo. Mais um pouco e daria para ver sua calcinha. Tudo bem, se ela queria se vestir daquele jeito, mas eu tinha medo de tê-la chorando e assustada como da última vez. De novo!

— Agora, se já terminou seu discursinho, já pode sair. Eu estou ocupada, se não está vendo.
— Você está agindo feito uma criança mimada quando não consegue o que quer. — Esbravejei, já de mãos atadas.

Eu sabia que iria dar merda, estava avisando que daria merda, e não queria descobrir no dia seguinte que deu merda. Não sabia nem o que faria se soubesse que as coisas deram errado pra ela naquela noite.
iria pra uma festa cheia de veteranos loucos pra levar calouras pra cama sem ao menos perguntar o nome delas, quem dirá se eram virgens ou não. Eu sabia daquilo, porque era o que eu fazia em todo começo de ano letivo.

— Crianças não fazem o que vou fazer essa noite, . — Afivelou a tira da sandália.

Puta merda. Puta merda. Puta merda.
Se era um jogo psicológico pra me deixar louco de raiva por ser colocado contra a parede daquele jeito, caramba, estava conseguindo. Eu só conseguia imaginar coisas nada boas acontecendo com ela naquela noite e seu choro no dia seguinte. Eu já conseguia prever até mesmo a culpa se apossando de mim por ter sido avisado por ela e não ter feito nada para impedir.
E fazer algo, naquele caso, seria ceder a seus caprichos e levá-la pra cama!

— Tá bom, eu faço! — Lhe dei as costas, sentindo-me um idiota por ter deixado entrar na minha mente a aquele ponto.

Mas era isso ou correr o risco de ter um cara mal intencionado preso num quarto com ela.
Seria só uma vez, não é? E, bom, naquele ponto, até que estava sendo coerente em sua escolha, comigo ela estaria segura. Eu teria todo o cuidado que ela merecia e iria parar se não se sentisse confortável, estaria com ela para ajudá-la.
Apesar de fazer sentido, eu ainda precisava enfiar em minha própria cabeça que era algo banal, talvez se repetisse o bastante se tornaria.

— Obrigada, obrigada!!! — Abraçou-me por trás, dando pulinhos com um pé calçado e o outro não, lhe dando uma diferença de tamanho esquisita. — Ah, eu te amo tanto, . — Beijou demoradamente minha bochecha, sujando-me de batom quando me virei de frente para seu corpo.
— Mas vamos fazer isso sob as minhas condições. — hasteei o dedo, vendo-a assentir veemente, ainda com um sorriso quase que psicótico lhe rasgando o rosto.
— Você quem manda, professor. — Sorriu faceira, batendo continência de um jeito cômico.

Onde eu estava amarrando meu jegue…



No dia seguinte, no horário combinado, lá estava eu: sentada na cama, esperando-o chegar em meu quarto. Estava tensa, claro, não sabia o que esperar de tudo aquilo, não tinha ideia de que método ele usaria para me ensinar a transar... Só de pensar, eu já ficava vermelha de vergonha, mesmo conhecendo-o bem e já tendo falado sobre milhares de assuntos embaraçosos com ele, daquela vez seria diferente.

— Achei que não viria mais. — Murmurei, encolhendo-me, ainda sentada, vendo-o se aproximar com um sorriso amarelo nos lábios.
— Se eu desistisse, você iria me perdoar? — Arquei as sobrancelhas, já respondendo sua pergunta idiota. — Estou brincando, sei que jamais me perdoaria.
— Ainda bem que sabe. — Me levantei, ficando de frente a ele. — Então, como isso vai funcionar? — Indaguei, tentando disfarçar o fato das minhas mãos estarem suando.
— Não sei, nunca fiz isso antes. — Coçou a nuca, encarnado-me confuso. — Mas acredito que o mais fácil seria se nós fizéssemos na prática, não? — Me perguntei se eu não aprenderia do mesmo jeito só na teoria.

Não queria dar o braço a torcer e deixar como o dono da razão, só eu sabia o quão insuportável ele ficava quando assumia aquela pose ridícula dele. Mas ele meio que estava certo quando disse que aquilo seria esquisito. O que me restava era fingir não me importar em beijá-lo para que ele não achasse que estava certo.

— Então… Por onde começamos?
— Pelo começo, oras. — O encarei feio pelo seu tom debochado. — Começamos pelo flerte.
— Mas eu sei como flertar! — Levei a mão ao peito, pessoalmente ofendida.

Não saber aquilo em plenos vinte e dois anos seria vergonhoso até mesmo pra mim! Ser virgem não me impedia de beijar de vez em quando.

— Não estou dizendo que não sabe! — Elevou as mãos, em sinal de rendição. — Mas talvez não saiba flertar de um jeito mais… Audacioso.

Audacioso.
Engoli a seco, imaginando o que seria aquilo num flerte.

— Precisamos mesmo treinar essa parte? — Cruzei os braços, insegura.

Para mim, que era tímida, o ato de flertar em si já era audacioso o bastante! Se me pedissem para explicar como eu já beijei todos os caras que beijei, não saberia explicar, eram sempre eles que chegavam em mim e eu correspondia do meu jeito… Esquisito. Às vezes, ficava tão sem graça quando davam em cima de mim, que reagia de modo contrário, dando a entender que não queria nada, quando na verdade queria.

— Não me disse que sabe flertar? Me deixe ver como faz. Vá até ali e finja que está numa festa com suas amigas e eu sou um cara que percebeu interesse em você. — Segurei-me para não revirar os olhos em pura implicância e decidi cooperar, até porque eu mesma quis fazer tudo aquilo e topar tudo o que me fosse proposto. — Como normalmente age quando está a fim do cara também?
— Eu retribuo os olhares, mas desvio algumas vezes, volto a falar com minhas amigas… — Exemplifiquei o que falava, tendo seus olhos verdes em mim o tempo todo, como se ele realmente fosse um daqueles caras em festas que te olham como se você fosse um pedaço de carne. Quis rir do meu pensamento, porém me mantive no personagem. — E então, depois de um tempinho, saio da roda e invento que vou ao banheiro, geralmente o cara vai atrás e me aborda no caminho. — Dei de ombros.
— É uma boa tática pra quem só quer dar uns beijos mesmo. — Desdenhou, levantando-se. — Mas quando estamos falando de segundas intenções, algumas coisas ajudam a deixar explícito o que você realmente quer.

Se aproximou, deixando-me tensa.

— Q-Que tipo de coisas? — Por que eu estava gaguejando? Era só !
— É tudo sobre intensidade. Ao invés de desviar o olhar, mantenha-o no meu, firme e confiante. — Mantive o contato visual, assentindo. — Aproveite que minhas atenções são todas suas, chame ainda mais atenção pra si. Sei lá, mexa no cabelo.

Fiz o que sempre fazia e levei a mão para a lateral dele, colocando-o para trás da orelha. soltou um risinho, esticando a mão para tirá-lo dali, fazendo-me tentar de outro jeito, apenas jogando os fios longos para trás, revelando mais o meu rosto.

— Isso, agora se toque diante de mim. — Estava difícil segurar minhas expressões faciais diante de suas falas. Fiz o que fui instruída a fazer. torcendo para que não fosse o que tinha se passado pela minha cabeça no primeiro momento.

Completamente perdida, levei a mão até meu colo, deslizando os dedos pelo pedaço de pele exposto pela blusa, tocando suavemente minha clavícula proeminente com a ponta dos dedos, antes de subi-los em direção ao pescoço.
O olhar de continuava a seguir minha mão, comprovando a eficácia de sua própria tática de atrair a atenção.

— Pescoço, é uma boa escolha. — Engoliu a seco, fazendo-me querer rir com a seriedade que ele estava levando tudo aquilo.

quase não tinha esboçado um sorriso desde que chegou, o que era estranho, visto que nós dois sempre parecíamos dois idiotas rindo de tudo quando estávamos juntos. Me consolava saber que ele devia estar tão nervoso quanto eu.

— E o próximo passo seria…
— Esperar ele vir falar com você.
— E se ele não vier? Digo, e se eu fizer tudo isso que você falou pra nada? — Soltei um risinho, já imaginado que aquilo com certeza aconteceria. Imagine todo aquele joguinho de sedução para chegar no fim e o cara não quer nada comigo?
— Acredite, se estiver mesmo a fim, ele vai vir. — A certeza em sua voz fez meu sorrisinho morrer aos poucos, à medida que seus passos se aproximaram ainda mais de mim.

Prendi a respiração ao ver uma de suas mãos fazer menção de me tocar. Tentei voltar a respirar normalmente quando ela envolveu minha cintura, fazendo uma leve pressão.

— Oi, prazer, me chamo . — Relevei a bizarrice que era aquela tática de ensino com direito a teatro com falas. Até porque, mesmo sendo teatro, tudo aquilo já estava me afetando um pouco demais.

Era difícil imaginar um mundo onde eu não o conhecia, afinal de contas, estávamos juntos desde que nos entendíamos por gente. Por mais meloso que aquilo poderia parecer, era real, e eu nunca tinha imaginado como alguém em potencial para beijar ou fazer algo do tipo.
Comecei a ver a dimensão do meu desespero em perder a virgindade ao ter recorrido a ele.
Quer dizer, não que tenha sido uma escolha equivocada, é lindo! Sempre foi, desde que éramos crianças, sua aparência sempre fora notável. Quando chegamos na adolescência, foi apenas ficando mais nítido que ele se tornaria o homem atraente que é hoje. E mesmo não pensando nele de maneira sexual, eu saberia admitir que era bonito, seus olhos, seu sorriso, seu corpo…

. — Fui desperta de meus devaneios completamente esquisitos. Pisquei os olhos algumas vezes, a fim de me livrar deles e murmurei um pedido de desculpas.
Prazer, me chamo . — Naquela parte, eu meio que já tinha uma ideia do que fazer para deixar claro o interesse.

Me aproximei e desferi um beijinho rápido bem próximo ao canto de sua boca, vendo-o me olhar completamente surpreso com o ato.
Pensei em me gabar ao dizer que aquela tática já tinha me sido ensinada por minhas amigas, mas desisti quando percebi que não era motivo para se vangloriar. Era vergonhoso até. Afinal de contas, ali estava eu: tentando aprender pela segunda vez como funcionava o mundo da paquera.
Eu era tão antiquada que nem sabia ao menos se era assim que as pessoas falavam hoje em dia.

— Já que começou com os beijos, vamos pular a parte do papo furado e ir direto ao ponto. — Petrifiquei ainda com sua mão em minha cintura. — Faça as honras, .

Respirei fundo, tomando coragem, assentindo, após fechar os olhos com força. Era só um beijo, afinal. Mesmo que fosse no meu melhor amigo de infância, ainda assim era uma coisa boba e sem significado.
Aproximei o rosto do dele, daquela vez sem conseguir manter meus olhos nos seus, apenas encarava sua boca rosada e me sentia fazendo a coisa mais bizarra do universo.
Parei quando nossos narizes se tocaram e não pude segurar um riso de puro nervosismo e desespero.

— Isso é muito estranho. — Murmurei, já fechando meus olhos. Talvez, se eu não visse, daria para imaginar outro cara em seu lugar. Ou ao menos não reter lembranças embaraçosas com ele na minha cabeça.
— Relaxa, , não é como se fôssemos transar ou algo do tipo. — Nem precisava ver para saber que esboçava seu sorrisinho irônico ao me alfinetar daquele jeito.
— Estou tentando não pensar nisso agora, não quero sofrer por antecedência. — Isso, uma coisa de cada vez. O psicológico agradece.
— Assim eu fico ofendido. — Ri contra seu rosto ouvindo sua risada baixa. — Vamos logo com isso, . Me beije.


Capítulo Quatro

Fui de uma vez, não me dando pausa para pensar no que eu estava fazendo. Choquei meus lábios contra os dele, que se entreabriram de imediato, enquanto sua mão grande aumentou a pressão em minha cintura, fazendo meu corpo formigar numa sensação estranhamente satisfatória.
Minha língua invadiu sua boca, tocando a dele nas duas vezes em que me aventurei a aprofundar aquele beijo. Fiz de tudo para que fosse rápido e me separei dele, recebendo um olhar avaliativo de , que mordeu o lábio inferior ao assentir com a cabeça. Estava me sentindo num teste importante e aquilo era bizarro.

— Nada mau. — Sorri sarcástica com o sommelier de beijos. — Mas, mais uma vez, você não está só querendo dar uns beijos e sim dar para o cara. Então, precisamos colocar mais intensidade nisso, deixar as segundas intenções explícitas.

Levei um susto quando sua mão, que estava em minha cintura, me agarrou com firmeza, literalmente colando nossos corpos. Me faltou o ar e eu ofeguei próxima de seu rosto ao ter o seu olhar vidrado no meu. Sentia a ponta de seus dedos me tocarem a bunda, já que sua mão desceu rapidamente de minha cintura até a minha lombar.
Sua outra mão pegou-me pela nuca, com o polegar encaixado na linha da minha mandíbula, forçou-me a levantar o rosto em direção ao seu. Quando ele tomou a iniciativa e juntou nossos lábios, minha única reação foi fechar os olhos ao ser levada a um êxtase que nunca tinha sentido antes na vida. Sua língua se enroscou na minha com maestria enquanto nossos lábios moviam-se devagar, era quase como se já tivéssemos feito aquilo antes, tudo parecia ensaiado e em seu devido lugar. Sentia minha respiração falhar ao mesmo tempo em que avançava em sua direção querendo mais.
deixou minha boca ao terminar o beijo ofegante, encarando-me atentamente enquanto ainda não tinha libertado meu corpo de seus braços. Pensei em como seria ruim quando ele o fizesse. Digo, estava confortável até.
Inicialmente, imaginar outro no lugar dele para que as coisas ficassem menos estranhas não tinha funcionado muito bem, afinal, ainda era ali comigo, seu cheiro, sua voz… Mas depois que ele me agarrou, senti que talvez daria para pensar como se fosse outro ali, afinal de contas, nunca me pegara daquele jeito.

— Está vendo? — Tombou a cabeça para o lado, fazendo-me imitá-lo ao reparar em nós dois tão próximos que eu chegava a sentir sua barriga subir e descer durante a respiração. — Corpos colados, quadris principalmente. — Apertou a região, somente me trazendo ainda mais para perto, se é que era possível. — Os seios contra meu tórax. — mordeu o lábio encarando vidrado meus mamilos rijos por debaixo do blusão que eu usava. — Senti-los assim… Nós homens amamos isso. — Sussurrou antes de voltar a beijar minha boca.

Intensidade era realmente a palavra chave naquele momento, nossos lábios moviam-se devagar contra o outro, com força. Tinha certeza de que se nos olhássemos no espelho, estaríamos vermelhos e inchados.

— Use a língua e beije devagar, deixe a pressa para quando for tirar a roupa. — Selou nossos lábios. — Beije o rosto e o pescoço, — Me arrepiei dos pés à cabeça quando senti os pelos recém aparados de sua barba roçarem contra minha pele quando fez uma trilha de beijos molhados pelo meu pescoço. — Diga coisas sujas no ouvido dele.

Sua voz rouca, baixa e perigosamente lenta murmurou sua última frase em meu ouvido antes de simplesmente mordiscar o lóbulo da minha orelha.
Meus olhos se reviraram involuntariamente e, enquanto eu experienciava aquela sensação incrível apossar-se do meu corpo pela primeira vez, não consegui segurar minha boca. Já a tinha entreaberta por conta da minha respiração irregular, não foi difícil identificar o som característico que saiu dela assim que o senti duro entre as pernas roçando em minha intimidade.

— Sim, , isso também conta. — Riu safado enquanto eu sentia minha bochecha queimar a medida em que a ficha caia.

Eu tinha acabado de gemer em seu ouvido. Eu, , estava gemendo no ouvido de , meu melhor amigo de infância.
Aquela era a experiência mais bizarra e prazerosa que eu já havia vivenciado em toda minha vida.

— Tudo o que sair de sua boca conta, não seja tímida e não se segure. Será a hora de perder o controle, Ste. — Acho que estava começando a perder o meu, avançando com o quadril em direção ao dele, vendo sua expressão de prazer ficar cada vez mais evidente, por mais que tentasse máscara-la.

Ele estava no controle, e perdê-lo não parecia seu objetivo ali.

— Toque-o. — Retirou minhas mãos tensas e imóveis ainda estacionadas em seus ombros e as deslizou pelo próprio peito, deixando-me sentir por um segundo seu coração batendo frenético dentro da caixa torácica. — Deslize as mãos nas suas partes preferidas do corpo dele, — Fechei os olhos e ofeguei assim que uma de suas mãos finalmente me agarrou a bunda com força. — arranhe, morda, aperte. — Ele fez a última, arrancando-me outro gemido arrastado. — Tenho certeza de que ele vai adorar.

Minha calcinha estava molhada e sentia minha intimidade pulsar enquanto eu ainda tentava me esfregar contra ele, em busca de mais daquilo que me fazia suar em desejo. Estava quase impossível raciocinar, meu cérebro estava totalmente à mercê das sensações que o corpo de me proporcionava, esquecendo-se completamente de minhas outras funções. Mas tive um lapso de consciência e levei minhas mãos até as costas largas de .
Fiz o que ele me disse e cravei minhas unhas curtas por cima do tecido de sua camiseta ao mesmo tempo em que tinha beijando meu pescoço. Se sexo fosse tão bom quanto o que estávamos fazendo ali, eu tinha cada vez mais pressa em perder logo minha virgindade.

— Então, é isso? — Murmurei com a voz falha, ainda sentindo sua boca quente contra minha pele, aproveitando a pequena pausa que fizemos daquele frenesi todo. — Transar é tudo isso que eu estou sentindo? Essa tremedeira, esse formigamento e-e essa sensação… — procurei seu olhar, levemente desesperada.

Eu era estudante de literatura inglesa, extremamente fascinada e familiarizada com palavras, raramente ficava perdida ou sem saber como me expressar da maneira que estava naquele momento. Mas eu realmente não sabia explicar o que estava sentindo. Parecia algo que ainda não tinham inventado um nome de tão novo e extraordinário que pareceu para mim.
riu da minha cara, assentindo veementemente ao selar nossos lábios algumas vezes.

— É muito melhor do que isso e vai ficando melhor com o tempo. — Arregalei os olhos, impressionada. estava praticamente me prometendo um pedaço do paraíso. Só naquela tarde, estava me dando uma pequena amostra.
— Então, eu mal posso esperar para…
— Ste! — Ouvimos batidas na porta e nos separamos rapidamente. — Amiga?
— Oi! — Respondi passando as mãos pelos cabelos para arrumá-los. — Estou trocando de roupa, um minuto! — Empurrei em direção ao banheiro.
— Por que está me escondendo? — Sussurrou, indignado, indo mesmo assim. Não lhe respondi, já não bastava as bobagens que tinha ouvido mais cedo das minhas amigas sobre .

Ficara cerca de vinte minutos argumentando para explicar que não, eu nunca tive um crush em .
Assim que o fechei no banheiro, voltei e destranquei a porta, já vendo-a entrar no quarto atrás de . Se o descobrisse ali, sairia falando pra todo mundo as besteiras que tinha na cabeça em relação a nós dois. E depois do que tinha acabado de acontecer naquele quarto, talvez não fossem apenas achismos ou bobagens dela.

— Nós podemos fazer o trabalho no seu quarto? Acho que vi uma barata por aqui mais cedo. — Não foi preciso esperar para que ela se decidisse, Amber concordou de imediato com uma expressão de nojo. Peguei meu celular e a segui para fora.

***



Deixei seu quarto, confuso, e fui em direção ao meu dormitório. Cumprimentei alguns conhecidos pelo campus, ainda meio aéreo, indo direto para um banho quando finalmente cheguei em meu quarto.
Tentei ao máximo fingir pra mim mesmo que nada daquilo tinha acabado de acontecer, afinal de contas, era para funcionar daquele jeito, não? Ser algo tão banal que não me deixaria pensando sobre quando eu estivesse sozinho ou com outras pessoas em volta. Eu e éramos grudados há anos e eu nunca me peguei revivendo nada do que vivi ao lado dela depois de vê-la. Eram coisas naturais. Não tinham um significado.
Quer dizer, tinham, porque eu a amava, porém nunca me pegara pensando em como respirou fundo enquanto jogávamos vídeo game.
E, naquele momento, era estranhamente específico como eu me recordava até mesmo de seus suspiros dados quando eu a agarrei daquele jeito. E os gemidos, caralho, nunca pensei que algum dia ouviria aquele som sair de sua boca.
Desliguei o chuveiro e tentei controlar meus pensamentos, voltando ao meu empenho anterior, que era não repassar aquelas cenas em minha cabeça. Mas, quando vi, já estava excitado ao falhar pela segunda vez ao lembrar dos seios dela tocando em meu peito. Ah, como eu queria que não existissem roupas entre nós.

— Mas que porra… — Praguejei, vestindo-me antes de me jogar na minha cama, indignado com meus próprios pensamentos.

Se antes eu não conseguia e nem queria imaginá-la nua ou me imaginar beijando-a, depois daquela primeira experiência era a única coisa na qual eu conseguia pensar!
Respirei fundo, exasperado, encarando o teto como se tivesse algo ali que me ajudaria a entender o que estava acontecendo. Mordi o lábio ao chegar à conclusão de que talvez fosse algo natural. E meio que era, independentemente de ser ali comigo. Eu era homem e estar tão próximo de uma mulher daquele jeito me deixaria excitado de qualquer forma!
Eu estava assustado com aquela novidade, era completamente inesperado pra mim pensar nela daquela forma. Mas estava sendo inevitável, principalmente pela surpresa de ser tão… Gostoso. Sua pele macia sob meu toque, sua bunda empinada, deliciosa por conta de anos de futebol. Até mesmo o cheiro de seu cangote parecia inédito pra mim.
Era como se eu tivesse estado com outra pessoa, não a que conhecia desde bebê. E essa nova era tão… Diferente da que eu já conhecia.
Fui dormir após revisar algumas matérias e desmarquei de ver Erin, uma garota do campus ao lado que estava doida pra ir pra cama comigo. Eu queria muito realizar aquele desejo dela, porém estranhamente naquele momento não conseguia ter cabeça para pensar naquilo. Pelo menos não com ela.
Me preocupei em como aquela situação toda com estava começando a me afetar ao ponto de fazer eu perder o tesão de transar. Era um problema sério, levando em conta que tínhamos acabado de começar com as aulas, se é que dava para denominar assim. Instintivamente, comecei a bolar um jeito de e eu acabarmos de uma vez por todas com aquilo e chegarmos aos finalmentes logo. Eu faria o que prometi a ela, iria me livrar daquela sensação esquisita de vez e seguiríamos nossas vidas como se nada tivesse acontecido.
Saí da cama revigorado por ter dormido bem na noite passada, apesar de todos os pensamentos que alugaram minha cabeça antes que caísse no sono. Deixei meu dormitório disposto a deixar aquilo pra lá, iria me focar apenas na ideia que tive em não prolongar aquela história por muito tempo.
Só não iria falar pra ela, claro. Não queria que pensasse que queria me livrar dela, já vi bem o jeito como ficou quando eu lhe neguei aquele favor da primeira vez. Minha intenção não era fazê-la sentir que não era desejada. Pelo contrário, o que estava me levando a não querer mais estar com ela daquele modo era justamente o fato de eu ter gostado até demais do que estávamos fazendo. , por outro lado, agia normalmente, como se estivéssemos fazendo algo cotidiano, não houve nenhuma menção durante nossa troca de mensagens matinais. E aquilo me deixava ainda mais incerto do que estava fazendo.
Após minha aula, esbarrei com ela e as amigas na entrada da biblioteca da universidade. Mark e os outros precisaram passar lá para ir atrás de um livro específico e eu fiquei do lado de fora. Sabia do risco de encontrá-la lá e estava tentando fugir de sua presença, pelo menos até que desse a hora de ir até seu quarto continuar o que tínhamos começado.
Minhas mãos começaram a suar com tal pensamento. Outra coisa que estava começando a me preocupar era o fato de nós dois estarmos nos evitando desde que toda aquela fixação dela começou. Primeiro, tinha sido Ste, brava por eu não ceder a seus caprichos, agora era eu que me escondia. Temia que aquela situação perdurasse entre nós mesmo depois de transarmos.
Com o acaso contrariando tudo o que eu queria, lá vinha ela, junto de suas duas amigas recém-conhecidas. Inclusive, a loira que a tinha incentivado a perder a virgindade com qualquer um lhe dando uma camisinha. Peguei aversão a ela naquele exato momento.

, o que está fazendo aqui? — sorriu de testa franzida, fazendo-me revirar os olhos com sua implicância. Sabia que em sua cabeça a piadinha manjada sobre eu ser alérgico a livros estava sendo feita em looping.
— Estou esperando os caras, que entraram rapidinho pra pegar um livro. — Evitei olhá-la demais, porém ao passar os olhos por ela pude reparar que ela usava um vestidinho solto, um pouco acima dos joelhos, deixando as coxas um pouco à mostra.
— Por que não entrou junto? Vai ficar aí plantado sozinho? — Desviei meus olhos de suas pernas, me perguntando qual foi a última vez que a vi usando vestidos. Falhei miseravelmente por saber que provavelmente não lembraria, afinal, eu nunca reparava no que ela vestia antes do dia anterior.

Queria esquecer da existência dele, inclusive.

— Eles já estão vindo. — Apontei com o queixo em direção ao balcão da bibliotecária, que ficava visível pelas portas de vidro, onde os caras já finalizavam o procedimento para levar um dos livros de lá. — Posso falar com você um segundo? — Murmurei, agoniado, vendo-a trocar olhares com as amigas antes de assentir e dar alguns passos para longe das duas, que nos olhavam de um jeito nada discreto.
— Aconteceu alguma coisa? — Tombou a cabeça pro lado buscando meu olhar.

Suspirei, finalmente encarando seu rosto e me arrependendo no exato momento em que reparei em como seus olhos castanhos claros ficavam lindos debaixo do sol que fazia fora do toldo da fachada da biblioteca.
Seus cabelos longos e lisos estavam presos num rabo de cavalo, que deixava seu pescoço bem exposto e me trazia lembranças de quando eu tive meu rosto enterrado naquela curva de seu corpo. Seu cheiro veio em minha lembrança, fazendo-me querer ir em busca de mais.

— Sobre ontem, eu… — Comecei, incerto do que diria, eu deveria tocar naquele assunto? Ou apenas fingir naturalidade, como ela estava fazendo?
— Não vá me dizer que está arrependido. — Suas sobrancelhas se juntaram numa expressão de braveza. Engoli a seco, percebendo que por mais que eu pudesse tentar enganá-la, me conhecia o bastante para adivinhar o que se passava pela minha cabeça sem que nem eu mesmo tivesse pensado naquilo.

Porque, sim, eu estava arrependido. Queria desesperadamente voltar a vê-la como via antes e não saber qual era o gosto do beijo dela. Porém, ainda estava disposto a cumprir o que disse que faria.

— Não é isso… — Menti, levando as mãos aos meus bolsos da calça, tentando disfarçar a ansiedade momentânea que aquela conversa estava me causando. — É que… Vai me dizer que não se sentiu estranha depois do que fizemos. — Decidi ser sincero, como sempre fui com ela.
— Sim, mas nós já sabíamos que isso iria acontecer. — Agora era quem evitava meu olhar, com as bochechas já ruborizando aos poucos. — Por favor, , você me prometeu. Não dê para trás agora, o mais difícil nós já fizemos, que foi começar.

Suspirei, encarando-a sem ter o que dizer para fazê-la mudar de ideia. Infelizmente, estava certa, o que eu esperava, afinal? Beijar minha melhor amiga e não sentir nada com aquilo? Acho que estava ficando paranóico.

— Você tem certeza que quer mesmo continuar? — Franzi a testa. — Vai ficar mais… Íntimo com o passar do tempo.
— Eu confio em você. Seja lá o que for esse seu mais íntimo. — Riu, assentindo veemente.

Ela estava pedindo por aquilo e, segundo meus planos recém-feitos, eu iria avançar as coisas. Claro, tomando todo o cuidado com ela. Afinal, aquela era a única razão pela qual eu topei fazer parte daquela loucura.


Capítulo Cinco

***


O dia se passou sem grandes anormalidades e a cada minuto que se passava, contado ansiosamente no relógio, aumentava ainda mais o frio na minha barriga.
Tive tempo de encontrar com Erin no meio do caminho até o dormitório de , quando nos despedimos foi inevitável não pensar em chamá-la para meu quarto e fingir esquecer meu compromisso com . Ao mesmo tempo em que sentia vontade de ir para o lado contrário e sair andando até estar bem longe daquela rota, eu também queria correr até lá e estar no quarto dela, fazendo o que quer que fôssemos fazer juntos.

— Achei que não vinha mais. — saiu debaixo das cobertas revelando sua calça de moletom cinza que ela usava com meias cor de rosa nos pés e um blusão branco.

Ótimo, sem nenhum resquício de pele à mostra, aquela na minha frente era apenas a de sempre.
Seu notebook estava aberto num canto da cama de casal junto de um livro. Presumi que ela estava estudando já que eu demorei um pouco.

— Desculpe, tive um imprevisto. — Um imprevisto de cabelos loiros e um fogo que não se apagava nem com um frio daqueles.
— E então, por onde começamos hoje? — Transpôs a cama e se livrou das cobertas, fechando o aparelho e o livro antes de se voltar a minha direção.
— Acho que podemos continuar de onde paramos ontem. Vamos ver se você pegou tudo direitinho. — Sorri fraco da postura tensa que ela assumiu assim que percebeu que seria avaliada por mim.

sempre se cobrou muito em todas as áreas de sua vida, mas a que eu mais presenciei seu nervosismo foram em suas provas e avaliações. dificilmente se contentava com um sete ou oito, era aquele tipo de aluna que se dedicava e chegava a chorar quando sentia que tinha fracassado. Eu, que sempre fui um fracasso acadêmico nas áreas de humanas, tentava mantê-la ciente de que estava tudo bem errar de vez em quando. Ficava de coração partido quando a via se torturar.

— Relaxe, não há como eu te reprovar aqui. — Nem se quisesse conseguiria, mas ela não precisava saber daquilo. Para eu só estava achando aquilo estranho, - e estava mesmo - mas também estava gostando.

Seus olhos castanhos se reviraram e ela riu junto de mim. Me aproximei de seu corpo pegando-a pela nuca e emaranhado meus dedos em seus cabelos sedosos.
tinha os cabelos mais lindos que eu já tinha visto, desde pequenos eu era fissurado neles e podia notar até quando ela trocava de shampoo pelo cheiro que emanava deles. Crianças geralmente adotam ursos de pelúcia ou paninhos para manter uma ligação emocional resumida no cheiro, eu não fui diferente, mas ao invés do cheiro da minha mãe na fralda que eu não conseguia dormir sem, era o cheiro de que me causava aquela dependência. Não era de se estranhar a quantidade de fotos que minha mãe tinha com eu velando o seu sono quando ainda era muito novo para entender que ela era muito frágil e que eu poderia machucá-la.
Beijei sua boca, sentindo suas mãos envolverem meus cotovelos e bíceps, foi iniciado um beijo devagar, a segurei pela cintura e a deixei conduzir as coisas apenas a acompanhando e seguindo seu ritmo. Sua língua deslizou pela minha lentamente, diferente de nosso primeiro beijo, não me surpreendendo nem um pouco, estava seguindo as dicas à risca.
Logo avançou ainda mais contra meu corpo, fazendo-me sentir sua barriga colar-se a minha e seus seios novamente tocarem meu tórax. Senti meu coração se acelerar assim como da última vez, apesar de já tê-la visto seminua mais vezes do que poderia contar, admitia que sentir seus seios estava me excitando ainda mais justamente por nunca tê-los visto.
Saber que eu logo os veria e poderia até tocá-los e colocá-los na boca fazia uma ansiedade deliciosa crescer dentro de mim.
Mantinha minhas mãos em sua cintura enquanto as de ainda passeavam pelo meu tórax, prendi a respiração quando percebi o caminho que ambas faziam ao descer pela minha barriga e adentrarem minha camiseta. Quando suas unhas curtas me tocaram abaixo do umbigo, solucei involuntariamente contraindo o abdômen, indo imediatamente segurá-la.

— Achou meu ponto fraco. — Ri levemente ofegante, sentindo o corpo todo arrepiado, vendo-a me olhar num misto de curiosidade e divertimento. tentou avançar no mesmo local novamente, neguei com a cabeça tentando ficar sério daquela vez. — Se tocar aqui...eu não vou conseguir controlar ele. — Fechei os olhos com força, no fundo, torcendo para ter suas mãos ali para logo depois senti-la me tocar já fora da cueca.

Sei que planejei apressar um pouco as coisas, mas tinha que me controlar para não deixá-la assustada.

— Mas você disse que é preciso perder o controle. — Espertinha. Continuei negando com a cabeça enquanto ela gargalhava ainda colada ao meu corpo. Eu amava sua risada, sempre era atiçado a rir junto. — Para o que vamos fazer é preciso que não o controle.
— Sim, mas não vamos fazer hoje. — Puxei-a pela nuca para um selinho. — Não está pronta ainda. — Beijei sua bochecha.
— Quem tem que saber isso sou eu. — Arqueou as sobrancelhas.
— Nem terminou de me demonstrar que aprendeu o que fizemos ontem, como posso dizer que está pronta se não vi? — Seus olhos castanhos se reviraram pela enésima vez.

Ela estava começando a me irritar, fazer-me querer pegá-la e fazê-la revirar os olhos de outra forma.
tomou meus lábios, continuando de onde paramos, daquela vez arranhando de leve minha nuca voltando a me arrepiar. Ela mordiscou meu lábio inferior antes de começar a trilhar seus beijos molhados pela linha da minha mandíbula e seguir até minha orelha. Eu continuei paralisado em seus braços, concentrando-me no que estava sentindo, aquele turbilhão de sensações extasiantes que a pessoa mais improvável do mundo estava me proporcionando.
Fechei os olhos ao senti-la suspirar ao pé do ouvido, lhe apertei a cintura sorrindo abertamente. Queria só ver o que ela iria falar. não devia fazer ideia do que falar numa hora daquelas. Iria me segurar para não rir de sua falta de experiência.

— Eu não sei o que dizer. — Se afastou comprimindo os lábios e levando as mãos ao rosto. Perdi a vontade de rir, coitada, ela ainda estava aprendendo.
— Tente dizer algo sexy. — Lhe tirei as mãos, vendo seu rosto vermelho.
— Tipo…
— Não sei, varia de pessoa pra pessoa.
— O que você acharia sexy? — Respirei fundo mordendo o lábio, tentando descrever ao menos uma das coisas que me deixavam excitado. Eram muitas na verdade.
— Gosto quando me falam o que querem que eu faça. — Sua testa franzida me fez estranhar, era autoexplicativo pra mim. — Vai, me diga o que quer que eu faça contigo.
— Tipo… Quero que tire minha virgindade? — Verbalizou ainda confusa.
— Jesus, , muito broxante.
— Broxante é você falar de Jesus numa hora dessas. — Sua voz saiu esganiçada, enquanto seus olhos castanhos se enchiam de lágrimas.
— Pare de me desconcentrar. — Gargalhei junto dela. — Qual é, Ste, você é mais inteligente que isso. — Ela se conteve, voltando a ficar mais séria, ou pelo menos tentando. — Tente outra vez. Seja sexy, me diga o que quer que eu faça com você.

respirou fundo assentindo, mordeu o lábio tentando abafar um sorriso envergonhado e se aproximou de meu ouvido, fazendo-me escutar mais uma vez seu suspiro antes de sussurrar com sua voz levemente rouca.

— Eu quero que você… Me foda. — Passei a língua sobre os dentes me segurando, ou ao menos tentando. Porém mesmo com minhas tentativas de me conter, meu pau já latejava dentro da calça.
— O que mais? — Sussurrei em seu ouvido, aproveitando-me da proximidade deliciosa de nossos corpos.
— Tem que ter mais? — Exclamou de testa franzida, afastando-se novamente para me olhar no rosto.

Eu não entendia porque achava sexo algo tão complicado e burocrático. Talvez fosse aquilo que a travava e a impedia de fazer algo do tipo, na cabeça dela parecia ser mais difícil do que realmente era. tinha que se desprender daquele pre-conceito e apenas se entregar às sensações.

— Sim, ora. — Sorri encarando-a de pertinho. — Você quer que eu te foda como, hã? — Depositei um beijo em seu queixo, onde tinha uma covinha adorável. — De pé. — Beijei sua boca, pegando-a desprevenida. — De ladinho… — suspirou diante de meu rosto. — De quatro… — Sorri malicioso vendo seus olhos se arregalarem.
— I-Isso é algo muito avançado pra uma iniciante, não? — Se soltou de mim, levando a mão na nuca e me dando as costas, provavelmente para que eu não a visse vermelha feito um pimentão.

Tarde demais, eu não precisaria ver, a conhecia com a palma de minha mão. Aliás, estava prestes a conhecê-la no sentido literal da expressão.
Mordi o lábio observando seu corpo ainda de costas para mim, pensando em como seria tê-la nua e tive que balançar a cabeça para ver se com o ato eu me desfazia de tais pensamentos.

— Não respondeu minha pergunta. — Fui até ela, virando-a pra mim e enlaçando sua cintura novamente. Eu não conseguia controlar aquele instinto que me levava a colar meu corpo ao dela, era como se eu tivesse sido programado para fazê-lo.
— Pare. — Espalmou as mãos em meu peito afastando-me quando ia beijá-la. — Você está muito sério, está parecendo algo muito real e… — Sua voz morreu ali, à medida em que seu rosto enrubrescia de novo.
— O que… — Levantei seu queixo olhando-a curioso.
— Estou ficando molhada… Lá, minha calcinha está molhada. — Arquei as sobrancelhas ao notar seu excesso de explicação, como se eu não fosse entender de primeira. estava ficando nervosa, e quanto mais nervosa ela ficasse, mais iríamos demorar para acabar com aquilo.
— Mas isso é completamente normal, Ste. — Sorri com sua expressão de perdida. — É o que acontece quando fica assim, desse jeito, com um homem. — Afaguei suas costas rapidamente, descendo meu toque até seus quadris. respirou fundo sob meu olhar.
— Mas você não é qualquer homem, é… Você. — Ela não conseguia entender o motivo de estar tão excitada com alguém que considerava quase um irmão mais velho.

Soltei um riso sarcástico ao vê-la na mesma situação que estive noite passada, morto de tesão e assustado por pensar tanto nela e em seu corpo quente. Eu tentei lhe dizer mais cedo, mas ela não me deu ouvidos, quem sabe sentindo saberia do que eu falava. Quem sabe sentindo ela não desistia daquele plano maluco.
O pior de tudo era que, sabendo que era correspondido, percebi que apenas queria mais e mais.

— Você definitivamente não entende, não é? — Colei nossas testas, ainda sorrindo completamente sem humor. Meu pau latejava e meu nível de excitação já me fazia suar frio, eu estava rindo de desespero mesmo. — Você também é você pra mim, e...olha o que faz comigo. — Decidi não me segurar mais e lhe mostrar. Peguei sua mão e a levei até meu membro já ereto.

arrastou a mão em toda a extensão dele, desenhando-o por cima da calça enquanto o encarava vidrada, sem ao menos fazer menção em piscar. Mordeu o próprio lábio fazendo-me ansiar em beijá-la e jogá-la na cama logo.

— Está me deixando louco… — Lhe disse ao pé do ouvido, ainda sentido-a me tocar. Tomei seus lábios com urgência, apertando-a em meus braços e consequentemente esfregando nossas intimidades.

A ouvi grunhir contra minha boca e sorri durante o beijo. Que delícia de som, nunca imaginei que algum dia iria ouvir de sua boca.

— Eu nem ao menos sei como fazer isso. — Murmurou ofegante durante os passos incertos que demos em direção a cama dela, ou ao menos na direção que achávamos que ela estava.

Assim que suas panturrilhas encontraram a beira da cama, a sentei ali, sem interromper meu contato com seu corpo, passei a beijar seu pescoço fino a medida em que a deitava e ia pra cima dela, apoiando-me no colchão a fim de não depositar todo meu peso nela.
Levei um pequeno susto quando a vi ofegar de um jeito diferente do que estava fazendo, daquela vez era desespero, suas mãos me empurraram devagar e assim que se viu livre, se levantou ainda hiperventilando.
Me sentei na cama passando a mão pelos meus cabelos bagunçados por conta da ação e a encarei de pé, com ambas as mãos no rosto e apenas seus olhos tempestuosos à vista.

— De novo! — Esbravejou em ira. — Foi assim da última vez, exatamente assim!

Controlei minha respiração ofegante vendo-a tentar fazer o mesmo.

— Venha cá. — Dei batidinhas no colchão, vendo-a soltar todo o ar dos pulmões antes de vir cabisbaixa e tomar o lugar ao meu lado.
— Será que eu nunca vou conseguir transar? — Franzi a testa diante de seu exagero, levei a mão até suas costas, afagando enquanto assistia sua frustração um tanto engraçada. — Vou morrer virgem, vivendo com cinquenta gatos dentro de uma casa velha no meio do mato…

Não consegui segurar o riso, mesmo sabendo que ela me estapearia caso não estivesse tão ocupada sentindo pena de si mesma.

— Achei que gostasse mais de cachorros. — me olhou feio, não conseguindo se conter por muito tempo. — Não vai morrer virgem, eu te disse que te ajudaria e é isso que vou fazer. — Coloquei seus cabelos escuros para trás de sua orelha. — Eu te disse que não estava pronta ainda.
— Mas até quando eu não vou estar pronta? — Resmungou ainda emburrada. — Como pode alguém entrar em pânico desse jeito por nada!
— Você só precisa relaxar, acho que não estava excitada o bastante com o Josh, e nem agora comigo. — Beijei sua bochecha, fazendo-lhe carinho na nuca. — Acho que um pouquinho de preliminares talvez ajude, te deixe entregue ao ponto de perder o controle e ir até o fim.

Sua íris castanha me observava atentamente e eu tinha certeza que se esforçava ao máximo para gravar tudo o que eu lhe dizia, como a boa nerd que era. Ela dizia que não sabia o que tinha feito para me deixar louco, mas nem se dava conta de que replicou com perfeição tudo o que eu lhe tinha ensinado anteriormente.
E mesmo quando fazia o contrário ou até hesitava, me ganhava do mesmo jeito.

— Então me faça perder o controle. — Me arrepiei dos pés a cabeça com seu tom e seu semblante desejoso.

Lhe peguei pela nuca beijando-a com vontade, sendo correspondido na mesma intensidade, arrastei-me em sua direção sentindo sua perna dobrada bater na minha.

— Lembra-se do meu ponto fraco? — Seus olhos instintivamente foram até minha barriga e ela assentiu. — Vamos descobrir o seu. — murmurei ao beijar seu pescoço.

Minhas mãos passearam por sua nuca, e como não surtiram efeito desci ambas pelo seu tronco, enfiando-as descaradamente por dentro do camisão que ela usava. Senti sua pele quente e macia à medida em que deslizava os dedos por toda sua extensão, percebendo já feliz da vida que não usava sutiã.

— Está frio. — Deu uma risadinha ao me sentir checar suas costas, já ansioso, passei as mãos por sua cintura chegando em seus seios.

Enchi minhas mãos grandes em seus peitos medianos e firmes, massageando e sentindo-os pontudos por conta dos mamilos rijos de excitação. No meio de meu êxtase por finalmente tocá-los, a encarei vendo-a morder o lábio com uma expressão de prazer.

— Isso é bom, mas acho que não é aí. — Tombou a cabeça pro lado, fazendo-me suspirar em derrota.

Mesmo assim, inclinei-me sobre seu tronco e deixei beijos em ambos, sentindo sua mão acariciar meus cabelos e sua barriga subir e descer rapidamente quando passei a língua sobre um de seus mamilos marcados por cima da blusa mesmo.

— E aqui? — Desci mais uma vez meu toque, tendo-a encolhida quando meus dedos lhe provocaram cócegas. Ela odiava cócegas.
— Para ! — Tentava se desvencilhar enquanto gargalhava vermelha.
— Tem certeza? — afastou minhas mãos tentando sair da cama.
— Tenho, está frio, está frio! — Gargalhava em desespero encolhendo-se. Resolvi parar ao ver que ela logo ficaria brava de verdade. — Não é por aqui. Tem certeza que eu tenho mesmo esse ponto fraco?
— Tenho! Todo mundo tem um, . — Teimei, já deslizando as pontas dos dedos pelos quadris e revisitando sua bunda deliciosa.
— Continua frio. — Disse ainda contrariada.

Ri pelo nariz, desferindo um selinho em sua boca ao direcionar meu toque até suas coxas e subir, priorizando a parte interna. Quando me aproximei de sua intimidade, a vi ofegar ansiosa.

— Está quente? — Sorri malicioso me dando conta de que já sabia exatamente onde era seu ponto fraco.

Era bem óbvio, aliás, me perguntei como não pensei naquilo antes.
Passei a acariciar a região entre suas pernas, ainda sem tocar ou fazer menção de encostar em sua intimidade. Só aquilo a fez manear o quadril discretamente.

— Muito quente. — Sua expressão sôfrega me divertiu, então decidi continuar a provocá-la.

Com o indicador, dedilhei o meio de suas pernas por cima do tecido do moletom, checando seu rosto para ver sua cara de satisfação ao experimentar o que viria a seguir. Seus olhos castanhos estavam vidrados nos movimentos da minha mão enquanto sua respiração ficava audível.

— Gosta disso? — Fiz movimentos circulares entre seus lábios mesmo que superficialmente.

assentiu em silêncio, mordendo os lábios e abrindo as pernas devagar. Aproximou-se ao se arrastar pela cama, buscando um contato mais profundo com meus dedos.
Eu obviamente sabia que ela era virgem, nós dois conversávamos muito sobre tudo durante nossa adolescência. , por ser mais nova, já me pediu dicas de como beijar quando foi fazer pela primeira vez e estava apavorada por não saber.
Ela sempre temeu primeiras vezes, até mesmo quando aprendeu a andar de bicicleta. E era engraçado perceber que, de um jeito ou de outro, eu sempre estive ao seu lado naqueles momentos.
Mesmo já imaginando sua resposta, me peguei querendo saber algo. Na verdade eu assumia que apenas queria ouvir de sua boca para deixar as coisas mais excitantes pro meu lado.

— Já foi tocada assim antes? — A morena apenas negou com a cabeça, concentrada em rebolar desajeitada em busca de mais. — Diga, eu quero ouvir sua voz. — Segurei seu queixo, levantando-o para olhá-la dentro dos olhos.

— Não, — Suspirou ainda sob meu toque. — ninguém nunca me tocou desse jeito. — Tomei sua boca entreaberta por conta de seus murmúrios de prazer e parei momentaneamente minha tortura.

Me arrepiei ao sentir o tesão me tomar após ouvir sua voz me dizer aquilo. Sentia-me tão foda quanto os astronautas deviam ter se sentido quando pisaram pela primeira vez na lua, um local onde nenhum outro homem tinha conseguido a proeza de chegar.
E, bom, ter a confiança de alguém como era tão difícil quanto. Aliás, arriscava a dizer que arranjar um foguete e ser lançado atmosfera afora pareceria ser mais crível do que se me fosse contado antes que algum dia eu a teria daquele modo diante de mim.




Continua...



Nota da autora: Eu não vou nem falar nada, não...Até o próximo! Comentem!



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