Última atualização: 19/09/2021

Prólogo


Romênia, 1992
O inverno naquele ano parecia ser o pior, mesmo com tantas camadas de roupas a mulher ainda sentia o frio intenso em seu corpo. Um espirro baixo pode ser ouvido quando a mulher começou a subir as escadas da entrada do condomínio onde morava, atraindo a atenção da loira que logo se aproximou. Dentro de um cesto, no meio de vários cobertores, se encontrava um pequeno ser, tão pequeno e indefeso. Os cabelinhos ruivos, as bochechas rosadas, o corpo gordinho. Quem teria sido cruel ao ponto de abandonar aquela criança numa noite como aquela? Sem pensar duas vezes, a mulher se abaixou e pegou o bebê em seu colo, fazendo questão de enrolar a criança no máximo de cobertores.
- Vamos querida, vamos aquecer você – a loira disse, aconchegando a pequenina.

XXX


Los Angeles, 2011
- Mama, eu estou bem, é apenas mais um teste. – disse com o fone de ouvido plugado no celular, enquanto se aquecia para participar do teste do novo musical.
- Já fazem três meses e você sequer conseguiu um sim até agora. – A mais velha disse nervosa.
- Dona Iuliana, vai dar tudo certo – a tentou confortar a mãe, mesmo sabendo que a saudade que a mulher sentia era na mesma intensidade, ou até maior que a dela. – Eu preciso ir. Binecuvântarea ta, mamă?¹
- Dumnezeu să te binecuvânteze, fetița mea¹. – A mulher abençoou a filha na língua materna de ambas e encerrou a ligação.
teve apenas o tempo de guardar seu celular em sua mochila quando uma das assistentes do teatro chamou seu nome, fazendo com que a garota se levantasse e fosse em direção a porta da sala.

XXX


A bateu a porta de casa com muito mais força do que pretendia, mas nem se importou se iria chamar a atenção das colegas de quarto. O teste havia sido um desastre, mesmo que tivesse dado tudo de si no canto e na dança, a vaga havia sido dada para outra garota. Ao chegar em seu quarto, tudo que a garota fez foi começar a arrancar todos os seus pôsteres de seus musicais favoritos. A raiva devido a rejeição misturada com o sentimento de mais uma vez desapontar sua mãe. A mulher havia dado tudo que tinha para que a filha pudesse realizar o sonho de ser uma bailarina nos Estados Unidos.
- O que aconteceu? – uma voz vinda da porta fez com que a garota parasse o que estava fazendo.
- Eu odeio aquele teatro, aqueles produtores. – começou a gesticular nervosa quando Anthony, um de seus melhores amigos, fez com que ela descesse da cama. – Eu não passei no teste. Não consegui a vaga.
- Baby, você não pode ficar assim toda vez – o moreno disse, vendo a amiga ainda com lágrimas nos olhos.
Anthony fora a primeira pessoa com quem havia feito amizade quando chegou no continente americano. O rapaz era o único americano e único homem numa casa com outras cinco pessoas de naturalidades diferentes. A romena abraçou o amigo por um tempo, sentindo o mesmo lhe fazer carinho no cabelo. Logo alguns gritinhos puderam ser ouvidos, vindos do quarto ao lado do da garota, e a dupla ficou sem entender o motivo de tanta euforia. A foi a primeira a se levantar e ir em direção ao quarto da russa daquela casa. A loira se encontrava de frente para o computador, a webcam ligada em uma aparente ligação pelo Skype. Ao redor da garota se encontravam as outras moradoras, cada uma com uma feição mais apaixonada do que a outra.
- O que está acontecendo? – Anthony perguntou ao entrar no quarto.
- Vanya vai casar! – uma das mais novas disse saltitando no lugar. – O daddy dela vai vir aqui buscar ela.
- O quê? Que história é essa de daddy? Casamento? – estava sem entender o que acontecia ali.
- Eu sou uma baby², e finalmente meu daddy³ vai me assumir como mulher! – Vanya levantou da cadeira que estava e foi em direção ao guarda-roupa.
Ainda sem entender nada, todos saíram do quarto após o carinhoso pedido de Vanya para que deixassem ela a sós para organizar suas coisas.

XXX


Já fazia mais de uma hora que procurava na internet os termos que ouvira mais cedo, todos os resultados lhe levando para o My Patreon diversas vezes, lhe mostrando um estilo de vida que lhe era estranho até aquele momento. Eram garotas na mesma faixa etária de idade que a , algumas até mais novas, e homens mais velhos, bem mais velhos. Era simples, na teoria, elas eram as sugar baby, garotas que recebiam dinheiro em troca de um relacionamento com um homem mais maduro. E os homens? quase caiu para trás ao ver que em sua maioria eram homens do mundo dos negócios, ricos, dispostos a ter alguém ao seu lado apenas por imagem. Quanto mais ela via, mais interessada ficava. Queria ser como aquelas garotas, cercada de coisas caras, joias, dinheiro. Por um momento pensou em sua mãe, todo esforço que a matriarca da família havia feito até ali. Entre pensamentos e dúvidas, a garota se viu fazendo sua inscrição no site, selecionando sua melhor foto e criando uma biografia sobre si mesma. Um clique, apenas um clique a separava daquilo tudo, talvez de seu sonho. Um clique que foi ouvido e segundos depois a garota se afastou do computador, com medo de que se arrependesse imediatamente.
- Ok, agora não tem mais volta.


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Binecuvântarea ta, mamă?
(Sua benção, mãe?)
Dumnezeu să te binecuvânteze, fetița mea.
(Deus te abençõe, minha filha)
² Baby: termo para definir pessoas jovens, em sua maioria mulheres, que buscam um relacionamento com pessoas mais velhas e bem sucedidas que as possibilitem conhecer o melhor do mundo, através de viagens, presentes, ajudas profissionais e mentoria.
³ Daddy: homem experiente, confiante, bem-sucedido, que trabalha muito, e por isso, é muito próspero. Um Daddy gosta de compartilhar suas riquezas, conhecimentos e momentos com sua Baby.


Capítulo 1

Nova York
2014
ELA


A vontade que tinha naquele momento era matar quem insistia em bater em sua porta, em pleno domingo. A ruiva levantou contra sua vontade, se dando ao trabalho apenas de verificar se o blusão que usava para dormir não mostrava mais do que deveria. A dicia entre sua cama e a porta de seu quarto nunca lhe parecera tão grande, se levasse em conta que todo percurso havia sido feito de olhos fechados.
- O que, por Deus, você está fazendo acordado, Anthony? – a garota perguntou, irritada ao reconhecer o amigo à sua frente.
- Olha seu e-mail! – o rapaz entrou no quarto da amiga e seguiu até a mesa do computador da ruiva.
abriu os olhos rapidamente, tentando absorver tudo que acontecia ali. Anthony já havia ligado seu computador, aberto o navegador e logado no e-mail da amiga, abrindo o e-mail que, pelo que a ruiva podia ver, havia sido enviado há um mês. O sono que ainda insistia em deixar a garota lenta, sumiu quando a mesma leu as palavras “interesse”, “sugar baby” e “pagamento em dinheiro”. Os olhos da ruiva se arregalaram, enquanto o amigo batia palminhas e praticamente implorava para que a amiga respondesse aquela mensagem.
- Pelo amor da Deusa! Responde! – o moreno levantou da cadeira e empurrou para a mesma. – Tem um ano que você ignora toda oportunidade, mas essa é praticamente irrecusável!
- Não acredito que você tá me incentivando a seguir com isso. – respirou fundo, encarando Anthony. – E se der errado? - E se não der? – o moreno apoiou as mãos nos ombros da amiga e fez uma leve massagem. – Você vai poder pagar o curso, sair desse apartamento. Talvez levar seu melhor amigo para Paris um dia.
A romena riu dos exemplos que o amigo deu, não tirando a razão dele em nenhum momento. E se desse certo? Se ela conseguisse dinheiro suficiente para melhorar sua vida, talvez comprar um apartamento melhor para ela e Anthony morar, terminar seu curso de dança. O que ela tinha a perder? Sua mãe mesmo sempre dizia que ela deveria perseguir seus sonhos apesar das dificuldades. Com esse pensamento em mente, a garota se pôs a digitar rapidamente uma resposta para Robert Levski, um conceituado produtor cinematográfico que já havia produzido alguns dos filmes preferidos da dupla de amigos, entre eles a nova aposta da Marvel Studios.

XXX


Dois meses, o tempo que levou para que saísse do apartamento que dividia com os outros alunos do curso de dança da Juilliard, indo morar em um apartamento no centro de Nova York. Anthony ajudava a ruiva a carregar as últimas caixas para dentro do novo lar da dupla de amigos. Uma coisa que havia deixado claro para Robert era que Anthony era alguém muito importante em sua vida e que gostaria que ele permanecesse com ela. O mais velho sequer pensou duas vezes quando atendeu ao pedido de sua baby, sendo o segundo presente que havia lhe dado. O primeiro presente estava à frente da mulher: um apartamento mobiliado, com tudo que a romena pudesse precisar ou não tivesse acesso. O local continha duas suítes, uma cozinha enorme, uma sala maior ainda e uma varanda com uma jacuzzi. Por Deus, quem tinha jacuzzi na varanda? Pessoas com dinheiro e, a partir daquele dia, .
- Eu super me vejo naquele jacuzzi no fim de um dia de trabalho – o moreno comentou, ao deixar a última caixa no chão da sala.
- Onde viemos parar, Anthony? – questionou, se virando para o amigo, um tanto quanto assustada. – Não pertencemos a esse lugar.
- Agora pertencemos, gatinha – o rapaz segurou as mãos da amiga e a incentivou a respirar fundo. – Vamos tomar um banho, pegar aquele Amex Platinum na sua bolsa e ir às compras.
Oh, sim, o bendito cartão ilimitado que pesava em sua bolsa, que fazia questão de lhe lembrar de uma das cláusulas de seu acordo com seu daddy. Deveria dar um upgrade em seu visual, desde suas roupas até seu cabelo, retirar o aparelho que insistia em manter (mesmo que já tivesse passado do tempo ideal de uso), alguns tratamentos de pele para se livrar de algumas leves imperfeições. Coisas que nem em todos os anos de trabalho de sua mãe, a garota não conseguiria fazer. Era acostumada com o mínimo, desde criança, sempre se contentando em ter aquilo que estava ao alcance de sua mãe.
Não levou muito tempo para que ambos tomassem seus respectivos banhos, vestissem algo confortável para uma ida ao shopping e saíssem de casa. O primeiro luxo veio quando decidiram chamar um carro para os levarem, fugindo da caótica e cansativa tarefa de procurar um táxi. O motorista levou poucos minutos para chegar e os jovens embarcassem, assim como a viagem que durou pouquíssimo tempo. Anthony ainda teve coragem para perguntar ao motorista se ele aceitava esperar pelos dois, oferecendo uma quantia de dinheiro que espantou o motorista.
- Podemos pagar metade agora e metade quando voltarmos para casa, se preferir – o moreno ofereceu ao homem, que concordou rapidamente. Agradecendo aos céus por ter um caixa eletrônico próximo de onde eles estavam, correu até o local e sacou o valor acertado com o homem, enfiando as notas dentro de sua bolsa e correndo de volta para o carro. Ambos agradeceram a Max, seu, até então, motorista particular, e se puseram a caminhar em direção à entrada do shopping.

XXX


A primeira parada da dupla foi em um salão de beleza, onde a ruiva teve seus cabelos lavados, hidratados, secos e quase alisados. Esse último tendo gerado uma briga com o cabeleireiro que insistia que a garota ficaria mais bonita com os cabelos lisos.
- Se ele vai ficar comigo, vai ficar com meus cachos também – a ruiva deu seu ultimato, recebendo um olhar atravessado do loiro que lhe atendia.
- Tudo bem, então – o homem se deu por vencido. – Você já pode ir para a Amelia cuidar das suas unhas.
E mais um tempo se passou entre ter suas cutículas retiradas, unhas dos pés e das mãos cortadas e lixadas. As unhas da mão ganharam um alongamento (graças a unhas postiças) e uma coloração branca. As unhas dos pés sendo pintadas de um tom perolado quase imperceptível. Após pagar por todo o serviço, Anthony arrastou a amiga para uma loja de sapatos, para a alegria da vendedora que havia visto de onde os dois recém haviam saído. Não tinha certeza de quantos pares de sapatos tinham pego, mas sabia que não teria espaço para isso no seu novo quarto. A ruiva ainda insistiu que o amigo pegasse algumas coisas para ele, sentido que era injusto que ela tivesse tudo aquilo e ele não, o que fez com que o moreno sorrisse terno para a romena e lhe agradecesse mil vezes. Eram uma dupla, afinal, e se um deles podia mimar o outro, fariam daquele jeito pelo resto do tempo em que estariam usufruindo dos frutos que aquela maluca ideia de permitisse.
- Eu não faço ideia de onde vamos guardar tudo isso. É exagero! – a ruiva disse, ao sair da loja de sapatos com várias sacolas, acompanhada de Anthony que equilibrava mais sacolas consigo.
- Podemos pedir para que Max leve algumas e deixe com o porteiro do prédio. – o moreno deu a ideia e recebeu um aceno em concordância a sua ideia.

XXX


Já fazia mais de duas horas que entravam de loja em loja e compravam todas as roupas que tinham vontade, assim como lingeries, perfumes, maquiagens e tudo que tinham direito. Até mesmo um celular novo estava na lista de coisas que haviam comprado, parando apenas para almoçar na praça de alimentação e decidindo que já haviam feito mais compras do que aguentavam, ambos rumaram para o estacionamento. Max, o motorista, havia feito três viagens até o prédio onde e Anthony moravam, para deixar inúmeras sacolas, e agora esperava os dois para irem definitivamente para casa. Enquanto configurava o novo iPhone em suas mãos, a mulher mandou uma mensagem no Whatsapp para Robert.


15:30
Estamos indo para casa, compramos bastante coisa.



Robert
15:31
Que bom que aproveitou, nos vemos no jantar, querida.

A garota sorriu para o aparelho, encantada pelo modo carinhoso como o homem lhe tratava. Robert era um romântico incurável, viúvo após a morte de sua esposa, e não escondeu da mulher que o relacionamento entre ambos seria profissional, mas que sempre seria cuidadoso com ela, carinhoso e romântico em alguns momentos. Claro que em alguns momentos a garota sentiu que estava entrando em um campo minado, aceitando um relacionamento baseado em dinheiro com um completo desconhecido. Mas já que havia chegado até ali, iria aproveitar o máximo que pudesse.
XXX


Los Angeles
2014
ELE


O tapete vermelho da premiére de Captain America: Winter Soldier estava lotado de pessoas, entre elas se encontravam repórteres, fotógrafos, atores do filme, celebridades convidadas, convidados comuns e fãs. já havia chegado há algum tempo, passado por algumas entrevistas (uma delas rendendo até mesmo um momento engraçado com Anthony Mackie, seu companheiro de elenco), e agora seguia rumo aos colegas de trabalho. Andar ali era complicado, a todo momento precisava parar, olhar para um fotógrafo, assinar alguma coisa de um fã, levou muito mais tempo do que ele gostaria até finalmente encontrar com Chris Evans e Scarlett Johansson, sendo recebido com um abraço vindo dos dois.
- Isso é surreal, muito mais gente do que eu esperava. – admitiu para a dupla de amigos. – Quanto tempo falta para entrarmos?
- Aparentemente, falta apenas um dos produtores chegar para realmente começar. – Chris respondeu e em seguida uma comoção no início do tapete vermelho chamou a atenção do trio de atores.
- O que está acontecendo ali? – Scarlett questionou, confusa.
Todos, sem exceção, prestavam atenção no casal que havia acabado de chegar ao evento. O homem já sendo um velho conhecido de todos, um grande produtor cinematográfico, a novidade era a jovem que lhe acompanhava. A garota aparentava ter acabado de entrar nos seus 20 anos, o rosto angelical ainda com alguns traços da adolescência, os cabelos ruivos, cheios em cachos muito bem feitos. E seu vestido? O vestido parecia ter sido feito para o corpo dela. Os olhos de percorreram cada pedaço daquela mulher, desde os pés muito bem encaixados em um salto que, o homem jurava, nunca entenderia como as mulheres eram capazes de se equilibrar em um daqueles. Mais para cima podia encontrar um conjunto sexy de coxas bem torneadas, quadril largo e uma bunda que garantiu a si próprio não esquecer a vista. Sua visão foi momentaneamente coberta por um mar de fotógrafos que pareciam querer eternizar a existência daquela mulher através de suas lentes.
- Aquela é a filha dele? – questionou aos amigos, ambos tão impressionados com a mulher quanto ele.
- Acho que filhas não beijam seus pais daquele jeito. – Evans fez um movimento com a cabeça para indicar o casal.
virou o rosto bem a tempo de ver a mulher beijar o mais velho de um modo digno de um casal de cinema. O homem inclinando a ruiva levemente, como os casais fazem nos filmes de romance adolescente, e lhe beijando de um modo até que apaixonado. Naquele momento o romeno pode observar o resto do corpo da mulher, engolindo em seco ao ver o tamanho do decote do vestido, quase não cobrindo os seios fartos da mulher. O moreno teve pouco tempo para se recompor antes do casal chegar mais perto, a ruiva falando algo para o mais velho em um idioma que não era estranho aos ouvidos do ator. Romeno! Ela estava falando em romeno! Por Deus, quem, além dos romenos, falava aquele idioma tão bem?
- Vamos entrar? – um dos organizadores se aproximou dos atores e indiciou a entrada do elenco.
O trio concordou com um aceno de cabeça, indo em direção ao homem e sendo guiados para dentro do cinema, se reunindo com o resto do elenco, produtores e diretores do filme. Dentro do local tudo parecia parcialmente mais calmo, a conversa paralela dos atores distraía quase que totalmente, não fosse sua mente lhe traindo e lhe fazendo voltar para o momento em que viu aquela mulher.
XXX


ELA

Exagerado. Esse era o termo certo para o que havia acontecido na chegada do evento, termo esse que não só utilizou para descrever seus pensamentos para Robert, como mantinha em mente. Fazia pouco mais de dois anos que conhecia o homem, ele sendo o segundo de sua lista a lhe aceitar como uma sugar baby. A ruiva se separou do mais velho, ao ser direcionada para seu lugar, de onde iria assistir o tão esperado novo filme da Marvel, o qual a mulher era fã de carteirinha. Alguns burburinhos podiam ser ouvidos ao seu redor, pessoas comentando, não tão discretamente, o que uma garota como ela fazia com um homem como Robert Levski.
- Senhorita, aqui está. Espero que aproveite o filme – o rapaz falou ao parar e indicar em qual poltrona a ruiva deveria sentar.
- Obrigada! – a romena agradeceu, com um aceno de cabeça e encarou o pequeno grupo que já se encontrava em seus respectivos lugares. – Com licença.
As poltronas onde Robert e foram colocados ficava em um dos melhores lugares para se assistir um filme, de acordo com a própria mulher, nem tão perto e nem tão longe da grande tela, centralizadas na sala, onde poderiam ter uma vista maravilhosa. pode ver um papel nas poltronas que indicavam o lugar do “Sr. Levski” com um +1 na poltrona ao lado, onde se sentou sem cerimônias e abriu sua bolsa procurando seu celular. Ignorando as notificações de suas redes sociais, a mulher abriu a câmera do celular, posicionando no melhor ângulo para poder tirar uma selfie, tentando mostrar o máximo de sua roupa para que todos os seus seguidores pudessem ver. Não colocou legenda, apenas marcou Robert, marcou a localização de onde estava e postou em seu Instagram, aguardando alguns segundos para o aplicativo carregar e finalmente a foto aparecer online em seu perfil, que já chegava perto de 50 mil seguidores. Enquanto via as curtidas em sua foto começarem a aparecer, a mulher notou que um homem falava no pequeno palco em frente ao telão de cinema. Há quanto tempo ela estava distraída que não viu quando o evento havia começado? Algumas palavras de agradecimento foram ditas, dirigidas a todos os ali presentes, até que o microfone foi passado para Joe Russo, um dos diretores do filme, para que ele apresentasse o elenco. aplaudiu fortemente quando cada um dos atores subiu ao palco, se emocionando ao ver Cobie Smulders e Scarlett Johansson, duas de suas atrizes preferidas. Quando Chris Evans apareceu, a mulher aplaudiu de pé, junto a várias pessoas, e viu Robert segurar o riso no palco, sabendo o quão fã do homem sua garota era. Mas o auge da noite foi quando o ator que interpretaria o Soldado Invernal, o coração da mulher até mesmo dando uma acelerada quando o homem sorriu ao abraçar os colegas de elenco. . A mulher jogou o nome do homem na barra de pesquisa do Google, enquanto via os atores, produtores e diretores começarem a sair do palco e irem em direção aos seus devidos lugares, para que o filme pudesse ser iniciado. , 32 anos, ator e o que mais chamou atenção da mulher, ele era romeno! O coração da mulher bateu forte mais uma vez ao ver que o homem era da Romênia, assim como ela.
- Demorei? – a voz de Robert questionou, ao se sentar na poltrona ao seu lado.
- Não mais do que o planejado – a ruiva sorriu em direção ao mais velho, guardando o celular de volta em sua bolsa.
XXX


ELE

Assim que os créditos finais do filme apareceram na tela, uma enorme sensação de trabalho concluído se apossou de , junto de uma chuva de aplausos e gritos vindos de todos os presentes naquele momento. Ao seu lado pode sentir Margarita, sua namorada, lhe abraçar e depositar um beijo em seu rosto, antes de incentivá-lo a levantar para ser prestigiado junto a seus colegas de elenco. O moreno se sentia feliz por estar ali, apesar de no começo da noite ter passado por um leve momento de nervosismo, mas finalmente pode perceber que havia sido até um pouco exagerado.
- Meu garoto, eu disse que seria um sucesso! – pôde ouvir a voz do velho Levski atrás de si.
- Obrigado, senhor! – o romeno agradeceu e travou ao ver quem estava ao lado do mais velho.
- Quase me esqueci, essa é minha garota, ! – o grisalho abriu espaço para a mulher ser vista. – Minha querida, esse é o nosso novo astro, .
- É um prazer, , foi um ótimo filme – a ruiva sorriu em direção ao homem, que engoliu em seco um tanto quanto sem reação.
- O prazer é meu! – estendeu a mão para a mulher e a cumprimentou. – Obrigado, de verdade.
- Seu sotaque é familiar, de onde é, senhor ? – perguntou.
- Constança, na Romênia. – o moreno respondeu, já sabendo que a mulher poderia ser do mesmo país. – E você? Romena também?
- Minha família é de Bucareste. Sabe, acho que nós, romenos, deveríamos nos manter unidos aqui na America! – a mulher disse, animada. – Anote meu número, vai ser muito bom poder ter mais um amigo.
Já havia ficado com outras mulheres, tão lindas quanto a que estava a sua frente, mas algo naquela ruiva lhe deixava intrigado. O leve sotaque em seu modo de falar, o modo como seu nome saia de seus lábios, ou o fato de que suas bochechas estavam coradas, os olhos verdes dela brilhando em animação. Tudo nela era especialmente encantador e ao mesmo tempo sexy. Em poucos minutos ambos já haviam trocado os números de telefone, tirando ele mesmo uma foto para colocar em seu contato no celular da mulher. Quando um dos organizadores do evento informou que o espaço onde a after party iria acontecer, mais do que depressa chamou Margarita, para que ambos pudessem sair dali. A primeira coisa que fez ao chegar na festa foi arrastar a namorada em direção ao bar, pedir uma boa dose de whisky puro e beber o conteúdo do copo em uma só virada. A loira ao seu lado até se espantou com tal feito, mesmo que soubesse que o namorado não era fraco para bebida, mas para que o mesmo fizesse aquilo, deveria haver algum motivo.
- Está tudo bem? – a mulher perguntou, vendo o barman servir mais uma rodada da bebida ao ator.
- Claro, tudo certo – o romeno afirmou para sua companheira, lhe dando um casto beijo nos lábios. – Apenas um pouco de nervosismo.
Aos poucos a festa foi se enchendo de gente, a pista de dança foi finalmente aberta para aqueles que pôde notar, queriam extravasar dançando. Margarita até tentou tirar o moreno para uma dança, mas o ator apenas negou e disse que ficaria pelo bar mesmo, agora acompanhado de Chris e Anthony, que trazia consigo sua esposa, Sheletta.
- Pega leve, . – Mackie lhe alertou, vendo o amigo receber mais um copo de bebida. – Você vai dirigir, não vai? - Margarita não bebeu, ela pode levar o carro – o ator rebateu, com um tom reclamão.
Sim, ele estava parecendo um adolescente emburrado, se enchendo de álcool em uma festa para esquecer uma mulher. Mas não era qualquer mulher, era aquela maldita romena ruiva. Sua mente não podia ter aqueles pensamentos, era um homem comprometido, tinha um relacionamento tão bom com Margarita, mas o que tinha que lhe deixava nervoso daquele jeito? Afinal, quem ela era? De onde ela havia saído? E por qual motivo deixava com pensamentos impuros só de imaginar o que aquela maldita boca com batom vermelho podia fazer. Balançando a cabeça para se livrar daqueles pensamentos, o homem largou o copo no bar e seguiu em direção a namorada, que dançava ao som de Buttons, das The Pussycat Dolls. A loira mexia o corpo conforme o ritmo da música, o quadril se movia lentamente, arriscando um ou outro movimento mais elaborado. Não que fosse um dançarino ruim, mas o mais longe que conseguiu ir no quesito dança foi agarrar a cintura da namorada e tentar acompanhar os movimentos do quadril dela, que naquele momento eram feitos completamente contra ele. A sensação da mulher se esfregando contra ele fazia com que sua mente ficasse enevoada, concentrado apenas em sentir os movimentos da bunda da loira, lhe atiçando, provocando, como só ela sabia fazer. Quando a música chegou perto do fim, a mulher se separou dele, começando a dançar uma coreografia quase que ensaiada, fazendo o homem ficar paralisado no lugar ao ver a coragem da mulher no meio de tanta gente. Mas não foi isso que chamou a total atenção de todos, e sim a ruiva que praticamente performava a música alguns passos adiante de onde e Margarita estavam.
- Puta merda! – o romeno sussurrou para si mesmo, ao colocar os olhos em mais uma vez naquela noite.

XXX
ELA

É claro que tinha noção do que estava fazendo, ninguém poderia dizer que estava movida pelo álcool, já que desde que havia chegado na festa, sequer tocou em bebida alguma. Era uma regra entre ela e Robert, ela não podia beber em eventos como aquele, mas nada a impedia de dançar. Afinal, ser uma dançarina e não poder sequer dançar em uma festa era considerado um crime para a ruiva. O DJ parecia ter escolhido aquela música especialmente para a mulher, que mesmo com as limitações de movimento que seu vestido lhe causava, deu um beijo na bochecha de Robert e foi direto para a pista de dança. Os movimentos que fazia eram precisos, fazendo questão de usar todo seu talento na hora de mover o quadril em um rebolado que causava inveja em algumas mulheres ali presentes. Aquela era sua arma secreta, suas amigas da companhia de dança diziam, o rebolado único da romena, mesmo Mariana (a brasileira da companhia) concordava com aquilo, tendo sido a mesma a ensinar um pouco do gingado para a ruiva. esquecia de tudo quando estava dançando, não importava qual era o ritmo, era como ser a mesma que sempre fora antes de iniciar sua vida dentro daquele mundo. Tal pensamento trazendo lembranças para a mulher, não tão ruins, mas um tanto quanto complicadas.
A aproximação do fim da música fez com que a ruiva fosse mais para o centro da pista, sentindo o suor grudar seu cabelo em sua nuca e testa, agradecendo por estar com um sapato que não acabaria com seus pés, a mulher se pôs a dançar com vontade, entregando tudo de si na coreografia que já sabia há anos. Cada movimento era feito com perfeição, a mulher notando que boa parte das pessoas havia até mesmo parado de dançar para assisti-la, principalmente ele. estava a poucos passos de distância, com um olhar fixo no que achou que fosse sua namorada, uma loira extremamente bonita que também tentava a coreografia da música perto da ruiva. Concorrência, a coisa que a romena mais odiava no mundo, ter alguém com quem dividir a atenção. E naquele caso, não era apenas a atenção de que ela queria, era a de todos ao seu redor. Num momento de impulso, a ruiva se empenhou ainda mais em sua performance, agachando rapidamente e fazendo um movimento com as pernas que fez com que todos ao seu redor gritassem, e abrisse a boca chocado com a audácia da mulher. Aquela festa com certeza ficaria na mente das pessoas por muito tempo, e esperava que na do romeno principalmente.




Continua...



Nota da autora: Olá, minhas babies! O que acharam desse primeiro contato da pp com o Seb? Ela toda fodona e ele todo boiolinha por ela haha. Vou admitir que pensei muito se iria ou não colocar a namorada de 2014 na história, mas vamos em frente que o show tem que continuar. Não esqueçam de comentar e fazer a autora feliz!

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