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Última atualização: 25/07/2022

I. Lovely

"Walkin' out of time
Lookin' for a better place
Something's on my mind
Always in my headspace"

- Lovely, Billie Eillish



A vida é mesmo uma coisa doida. Com todos os meus séculos de vida e tudo que já presenciei, nunca imaginei que chegaria a esse momento. Nunca pensei que encontraria em minha antiga casa, castigada pelo tempo, as respostas que tanto procurei. Meus pais me deixaram cedo de mais. Você deve estar pensando “como assim cedo?” Bem, hoje faz 150 anos que perdi meus pais tragicamente. Nesse momento, estou aqui, sentada no chão do sótão da minha casa. Cômodo este que desconhecia a existência até 5 minutos atrás.
Meus pais sempre foram muito amorosos, mas tinham também muitos segredos - esse é o motivo de terem sido brutalmente assassinados – e, aparentemente, o local em que estou abriga todos eles. Pego em minhas mãos a caixa de madeira com meu nome, já está muito deteriorada pelo tempo, mas está inteira. Nota-se que pensaram com antecedência em deixar tudo que eu precisaria um dia. Todas as minhas respostas estavam aqui? Só há um jeito de descobrir.
Com delicadeza, abri a caixa. Há uma leve camada de poeira dentro do compartimento. Junto com duas cartas e dinheiro. Uma caixa tão trabalhada para ter apenas isso dentro dela? Abro uma das cartas, prestando muita atenção ao que parecem ser as últimas palavras de meu pai.

, se está lendo essa carta, é porque eles nos encontraram. Estamos mortos e você está sozinha no mundo para entender os seus poderes e controlar sua natureza. Tenho velhos amigos que poderão te ajudar, no verso desta carta está o nome do líder do Clã. Espero que consiga encontrá-los apenas pelo nome dele. Como fazem décadas desde que nos encontramos pela última vez, não tenho ideia de onde podem estar residindo. Eles são como eu, então não representam nenhum perigo para você. Leve essa carta como você quando encontrá-los. Sabemos que vai conseguir, confiamos em você, . Não deixe que eles te achem, lembre-se disso. Somos parecidos, sei o que está sentindo, você quer vingança. E terá, mas não agora. Tenha paciente, treine, se aperfeiçoe. Você não veio de onde veio em vão. Seus genes são poderosos, e por isso que não pudemos ficar com você por muito tempo. Você é valiosa demais que ter o mesmo fim que nós. Não se esqueça de viver. Chore, sorria, viva e, principalmente, ame. Espero que encontre o seu prometido, como eu e sua mãe nos encontramos. Pode não gostar da ideia, mas não resista a ela mais, pare de bloquear a magia. Deixe-a fluir, não sabe o que está perdendo. Permita-se amar e ser amada, assim como nós amamos você.
Fique bem.
- Com amor, papai.

Terminei de ler a carta com lágrimas nos olhos, que logo secam.
- Ótimo Bjorn, me deu várias informações, hein, muito obrigada. - Digo para o além, afinal, estava sozinha naquela casa. Deixei a carta de lado, para poder procurar na internet em que lugar aquele homem estava, esperando que, quando fosse ao seu encontro, ele me aceitasse e me ajudasse a treinar. Deixo a carta de lado e vou para a segunda, ela é breve, está mais para um bilhete do que uma carta em si.

Olá, filha, acredito que já tenha lido a carta de seu pai. Só queria te dizer que eu me orgulho muito da mulher que se tornou. Você é forte, é guerreira, herdou e muito, diga-se de passagem, os genes do seu avô. Fico feliz em saber que consegui passar para você, pelo menos essa parte, uma vez que você é uma cópia de seu pai. Tenho apenas um conselho para te dar: Lembre-se quem é, de onde veio. Você pode muito mais, pode unir os dois mundos. Seu nome não foi dado ao acaso, você sabe de suas origens. Minha terra natal sempre será o seu lar, chegou a hora que ir atrás de suas origens. Saberão quem você é quando chegar lá, a magia é muito forte. Lembre-se das histórias que te contei. Provavelmente, no século em que estiver lendo essa carta, elas não passaram de lendas. Está na hora de voltar para casa , ficaremos bem.
- Amo você, mamãe.

Peguei o dinheiro que estava na caixa e coloquei em minha mochila - como se eu fosse precisar, meus pais conseguiram acumular uma quantia exorbitante no decorrer dos séculos. Aparentemente, eles estavam se preparando para o pior há muito tempo. Minha casa está muito destruída, só vou conseguir reunir informações em uma biblioteca, não tem internet aqui. Acho que está na hora de me despedir de vez desse lugar. Começo a arrumar minhas malas, pego o máximo de roupas que consigo, até encher minhas malas. A cada roupa que dobro cuidadosamente e guardo, sinto como se um pedaço do meu coração se despedaçasse. Sempre vivi aqui, então ainda não superei.
Pego a caixa e percebo um fundo falso, sem muita dificuldade abro-o, fazendo mais uma carta cair. Ela tem a caligrafia de minha mãe. Confusa e curiosa, começo a ler a carta. Não consigo imaginar o que minha mãe pode ter escrito aqui.

A magia ainda vive, ela está adormecida no momento, mas sei que nosso povo conseguirá acordá-la. Por enquanto, não deixem que saibam o que você é, isso pode causar represálias, ainda mais por conta do que fiz. Mostre-se apenas quando for preciso. Não deixe que a peguem. Sinto muito não poder ter treinado você do jeito que esperava, mas fiz o meu melhor. Em minhas viagens, acabei descobrindo algumas coisas muito interessantes. Se, em sua jornada, precisar de ajuda e não souber em quem confiar, confie nos Black. Confio em você, una a todos, sei que consegue.
- Tala Uta

Essa carta me deixou muito confusa, quem são essas pessoas? Eu nem mesmo sei onde ficam nossas origens, ela nunca me disse. Tala sempre foi assim, cheia de mistérios. Não a culpo, ela já sofreu muito em sua vida. Sua mãe se sacrificou para ajudar sua aldeia. Seu pai, enlouqueceu com a perda de seu grande amor e saiu vagando pelo mundo, nunca mais sendo visto. Ao encontrar meu pai, se odiaram no início, não aceitando a magia que os rondava. Quando finalmente ficaram juntos, demoraram séculos para conseguir me ter, tanto que sou filha única. Eles nunca conseguiram repetir tal feito.
Depois de um longo tempo, termino que arrumar todos os meus pertences e começo a colocar as malas em meu carro. Preciso saber ainda hoje se vou precisar deixar meu carro para trás ou se vou poder ir dirigindo, caso estejamos no mesmo continente. Entro em meu carro e vou em direção à biblioteca.
Com a carta de meu pai em mãos, começo a procurar pelo nome da pessoa que vai me ajudar. Fico horas procurando, uma vez que tenho apenas nome e sobrenome, mas não encontro nenhuma informação. O que faz sentido, uma vez que, sendo quem é, não é muito seguro ter informações na internet. Vejo vagamente que atualmente reside nos Estados Unidos. Ótimo, são vários quilômetros, mas poderei ir com meu carrinho. Gosto de dirigir, posso pensar no que direi para ele quando chegar. Procuro um hotel em uma cidade próxima, uma vez que a que ele reside é minúscula. Assim que tenho tudo pronto, vou em direção ao meu carro. Está na hora de ir para o meu destino, aprender a controlar minhas naturezas.


II. Runnin

Ain't runnin' from myself no more
I'm ready to face it all
If I lose myself, I lose it all

- Runnin, Naughty Boy


Segundo meu GPS, demoraria pouco mais de dois dias. Durante o caminho, vou pensando no que falar. Não posso simplesmente chegar e fala “Oi, tudo bem? Meu pai disse que você poderia me ajudar”. Preciso chegar com calma, explicar as coisas. Só preciso acostumar-me com o cheiro, afinal estou há muito tempo sem conviver com eles. Sei que vou precisar ficar por muito tempo com eles. Nesses anos, eu só desenvolvi as minhas outras habilidades, sendo que uma delas eu nem sei se funciona, já que eu estava sozinha todo esse tempo.
Depois de muito dirigir, chego em meu destino. Como já havia reservado um hotel para ficar, vou direto para ele, deixando grande parte de minha bagagem no carro, uma vez que o hotel é minúsculo e pretendo alugar uma casa para ficar, caso ele aceite me ajudar. Assim que estou no quarto, vou direto tomar um banho demorado para poder relaxar. Coloco uma roupa quente para poder sair, por mais que não precise disso. Saio do hotel e vou na lanchonete que fica em frente ao mesmo, afinal uma parte de mim precisa comer comida. Como rapidamente e volto para o hotel; preciso dormir para acostumar com o fuso, por mais tenha sido poucas horas de diferença.

--------------

No dia seguinte, acordo por volta das 9 horas de manhã. Gostaria de ter dormido mais, mas estava muito ansiosa e nervosa pelo encontro com o amigo de meu pai. A cidade em que residem é bem nublada e pequena. Pelo que aprendi em minhas pesquisas, a cidade tem menos de quatro mil habitantes e é extremamente nublada e chuvosa. Perfeito para eles, penso. Escovo meus dentes e meus cabelos. Coloco uma calça jeans, uma blusa branca de gola alta e manga comprida, com um sobretudo marrom (tenho que disfarçar o frio) e um coturno preto. Entro em meu carro e vou em direção ao hospital local, afinal ele trabalha lá. O que é levemente estranho, levando em conta a natureza deles.
Chego no hospital e estaciono meu carro do outro lado da rua. Respiro fundo, criando coragem para encarar essa nova fase, e depois pego a carta de meu pai, colocando-a no bolso do agasalho e caminho até a recepção do hospital. Ao entrar, me deparo com uma recepção super vazia, tendo apenas a recepcionista e eu no local. Ela deve ter cerca de 25 anos, lê uma revista de moda que não tive curiosidade de ver qual é. Ao notar minha presença, levanta o olhar levemente.
- No que posso ajudar? - Pergunta ela com um tom de voz entediado, não deve existir muitas emergências em uma cidade tão pequena.
- Gostaria de falar com o Doutor Carlisle Cullen, ele está?
- Está sim, vou chamá-lo. Qual o seu nome?
- , . - Respondo. A recepcionista assente e vai atrás do médico. Nossa vai ser fácil assim? Essas pessoas tem que ser um pouco mais curiosas. E se eu fosse uma assassina de aluguel e estivesse aqui para matá-lo? Fico alguns minutos na recepção esperando o Cullen chegar, o que não demora muito.
No final do corredor, avisto a mulher voltando, sendo seguida por um homem extremamente pálido. Ele devia ter quase 1,80 de altura, com uma aparecia de no máximo 30 anos, cabelos loiros penteados cuidadosamente para trás. Não podia negar, ele era bonito. Todos são, é o charme do predador. Olho para seu rosto e não posso deixar de notar seus olhos. São extremamente caramelo, mais claros que os meus até porque essa é 100% da formação deles. Ele usava um sapato social preto, calça chino também preta, uma camisa social azul com uma gravata também azul. Por cima da roupa estava com seu jaleco branco e um estetoscópio em volta do pescoço. Quanto mais perto ele chega, mais consigo sentir o cheiro doce que só eles têm. Preciso me controlar para não torcer o nariz, afinal, 150 anos sem conviver com vampiros é muito tempo.
- Senhorita ? - Assinto. - Estava a sua espera, me acompanhe, por favor. - Oi, ele me esperava? Ou isso é apenas para ela não desconfiar? Ele mostra o corredor com uma de suas mãos, esperando eu ir na frente. Assim que o faço, andamos juntos e em silêncio até o final do corredor, entrando em uma porta à direita. Ele mostra a cadeira em frente à mesa do consultório enquanto senta-se na cadeira do outro lado da mesa.
- Desculpe vir assim sem avisar, você nem sabe quem sou eu. - Disse enquanto sentava na cadeira. - Meu pai me deu o seu nome e disse que você poderia me ajudar. O nome dele era Bjorn . - Nesse momento ele pareceu recordar de meu pai e me olhou com curiosidade.
- Pai? - Assinto. - Você diz, filha biológica? - Pergunta, curioso. - Nós somos amigos de longa data, tem cerca de 200 anos que não o vejo. Não sabia que tinha uma filha, mas... - Ele para de falar, como se as peças estivessem encaixando. - Você é muito parecida com ele para... e eu coração bate. Como você é humana e tem pelo menos 200 anos?
- Eu tenho 169 anos. - Dou de ombros. - Sou uma híbrida, eu fui gerada como uma criança normal. - Entrego a carta que meu pai fez para Carlisle. Como não era endereçada a mim, não li a carta, afinal, privacidade é bom e eu gosto. O médico leu atentamente a carta, parecia interessante pois ele franzia as sobrancelhas conforme seus olhos passavam pelo papel.
- Certo, o que seu pai disse é no mínimo interessante. Então os Volturi descobriram que seus pais estavam juntos. - Assenti, essa história ainda era muito complicada pra mim. Só de pensar nisso, meu ser era tomado por um ódio indescritível. - E, por conta disso, você tem pouquíssimo treinamento de seus dons, por conta de sua natureza. - Assenti novamente.
- O único que eu tenho total controle são as viagens espirituais, se é assim que posso chamar. Se eu me concentrar bem, meu espírito deixa meu corpo e posso vagar para o lugar que eu quiser. Foi assim que vigiei aqueles assassinos por 150 anos. - Digo com raiva e sinto meu corpo tremer, preciso me controlar, não é a hora que me mostrar, por mais que ele provavelmente saiba por conta da carta.
- Entendo, seus dons são muito poderosos. Compreendo completamente o medo de seu pai.
- Posso perguntar umas coisas? - Ele assente. - Quando disse que estava a minha espera. Você disse isso apenas para não levantar suspeitas da recepcionista, não é?
- Não, eu sabia que você viria. Óbvio que não sabia o porquê, nem nada, mas sabia que você me procuraria. - Respondeu ele calmamente.
- Mas, como?
- Não sei se sabe, mas não vivo sozinho. Eu tenho uma família, claro, todos vampiros, até hoje não sabia que um ser como você poderia existir. Então, uma das pessoas que moram comigo prevê o futuro. Ela viu que você viria. Foi com dificuldade, era como se estivesse borrado, ela diz. Mas conseguiu saber que alguém viria me procurar. E aqui estamos.
- Entendo. Outra coisa, dessa vez eu paro: seus olhos, não são vermelhos. Sangue animal? - Pergunto, praticamente já sabendo a resposta.
- Sim, e suponho que mantenha a mesma dieta. Não se alimenta de sangue humano?
- Bem, isso depende da minha outra forma. Se eu me manter humana por muito tempo, eu sentirei sede como qualquer outro vampiro. Se não, sinto fome e sono como um humano normal. É como se uma natureza balanceasse com a outra, dependendo da situação.
- Certo, isso é muito interessante, claro que vamos aprender mais, já que espero que fique conosco. - Disse ele, enquanto pegava o celular e digitava alguma coisa. - Claro que vou ajudá-la.
- Eu não sei como agradecer, eu não saberia nem por onde começar a treinar sozinha sem ajuda. - Respondo, aliviada. Escrevo meu número em um papel e entrego a ele. - Esse é meu número, quando pudermos nos falar melhor, me ligue, gostaria de treinar o mais rápido possível.
- Certo. - Diz ele enquanto salva meu número em seu celular. - Gostaria de conhecer minha família, Alice está louca para te conhecer. - Quem?
- Mas, e o plantão? - Digo enquanto me levanto, não gostaria de ser incomodo a ninguém.
- Está muito tranquilo ultimamente, garanto que a doutora Sullivan dá conta do plantão de hoje. - Respondeu ele, enquanto guardava seus materiais em sua mala, cuidadosamente. - Vamos? - Assinto. Sigo-o para fora do hospital, enquanto ele avisa para a recepcionista que iria resolver um problema de família e depois vai em direção ao seu carro.
- Só tem um problema, eu vim de carro para cá, e agora? - Aponto para o meu Mini Cooper vermelho.
- Vai me seguindo então, assim não deixa o carro na rua. - Assinto e vou até meu carro. Logo ele dá a partida, começando a dirigir até sua casa. Logo eu estava dirigindo, em direção à casa do Dr. Presas.


III. Feeling Good

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

- Feeling Good, Nina Simone


Ao chegar na residência dos Cullen, não pude deixar de notar o quão arejada e transparente a casa era. No meio da floresta, não precisavam se esconder, o sol poderia entrar sem se importarem com a exposição ao mundo humano. A casa era realmente muito bonita, a arquitetura moderna que mesclava o concreto com a madeira de forma harmoniosa era realmente impressionante. A casa era tão grande que não era possível ver se havia movimentação.
Ao sair de seu carro, Carlisle vem em velocidade vampírica, abrir a porta do meu carro. Saio do mesmo, ainda olhando maravilhada para a casa. Ele rapidamente abre a porta da grande casa e me convida a entrar. Deixo meu sobretudo no carro, afinal, não preciso fingir sentir frio aqui. Assim que entro na casa, sou recebida por 6 vampiros que me olham com curiosidade. É como se soubessem que eu vou e o que estou fazendo aqui. Senhor o cheiro... Se controle, , não é a hora de se mostrar, penso. Fazendo com que o vampiro de cabelos bronze olhasse para mim com curiosidade. Saia da minha cabeça, digo enquanto faço um grande esforço para bloquear minha mente, realmente vou precisar de ajuda para treinar. Quando seu olhar fica confuso, percebo que consegui. Sorrio de lado com esse feito.
- Pessoal, essa é , ela é filha de um velho amigo meu. Ele deixou uma carta para mim, pedindo para que cuidasse dela caso acontecesse alguma coisa. E de fato aconteceu, os Volturi descobriram seus pais. Ela é extremamente especial. Ele a descreve como Única de sua espécie. - Introduziu ele. - essa é minha família. Esme, minha esposa. Alice e Jasper, eles são casados. Emmet e Rosalie, também estão juntos. Por último temos Edward. - Assenti e dei um sorriso tímido a eles. Não posso negar, mas que família bonita, claro, é charme de vampiro. Mas, principalmente Rosalie e Edward são extremamente bonitos.
- Quando você diz filha... - Começa Jasper, deixando a frase no ar.
- Biológica, sim. Acho que dá para ouvir meu coração batendo. - Digo dando um sorriso sem graça enquanto coço a cabeça.
- Isso é muito legal! - Diz Emmett animado, recebendo um tapa no ombro de Rosalie. - Ei! Isso é legal mesmo, nunca achei que vampiros pudessem ter filhos.
- Ok, mas isso não explica o porquê você se incomodou com nosso cheiro. - Diz Edward, atraindo todos os olhos caramelo para mim, menos Carlisle, que já sabia o motivo da leve repulsa.
- Lê mentes? - Ele assente. Bufo, vou ter que aperfeiçoar esse dom sozinha aparentemente. - Bem, isso é porque, minha mãe é uma loba. - Eles ficaram calados esperando eu continuar. - Bem, eu não esperava falar isso de cara, não sabia que vocês tinham dons também. - Jasper ia falar alguma coisa, mas eu o interrompi antes de fazê-lo. - Eu vou explicar tudo. Isso não pode sair daqui, pois envolve o segredo de mais pessoas, eu não os conheço, mas sei que existem. Não estou preparada para lidar com duas naturezas ao mesmo tempo. Vou aprender a controlar os meus dons e depois eu penso no que fazer com a outra parte. Mas, enfim, eu sou meia vampira, meia humana. Eu sou metade vampira e metade metamorfa.
- Como assim? Eles não deveriam querer que se matar? - Perguntou Emmett, confuso como os demais. Menos do chefe do clã, provavelmente em sua carta, meu pai explicou tudo.
- Minha mãe e meu pai se apaixonaram à primeira vista, como se isso realmente pudesse acontecer - Sim, pode acontecer, infelizmente. - Eles foram inimigos mortais, brigaram muito e tentaram resistir, mas acabaram ficando juntos. Anos depois, eu nasci. Foi uma gravidez rápida, uma vez que eu sou metade vampira; pelo que eles falaram, foi uma gestação de aproximadamente 4 meses. É isso, quando Sr Cullen disse que sou única, e é verdade. Pelo que sabemos e procuramos, sou a única híbrida que existe. - Terminei de contar minha história, todos ficaram calados. Estava pronta para represálias e julgamentos, mas quando Emmett soltou uma gargalhada e começou a falar algo sobre ter um cão de guarda, levando um tapa de Rosalie, fazendo todos rirem da situação, suspirei aliviada.
- Então, quais dons você tem? - Perguntou Jasper e pude notar um ar de curiosidade em seu olhar. - Me proponho a te treinar com todo prazer. - Dou um sorriso de alívio. Eles me olham de um jeito tão amistoso que já me sinto em casa.
- Olha, eu tenho alguns, meus pais achavam que isso se deu por conta da mistura de raças. Eu consigo bloquear meus pensamentos. - Pisquei para Edward. - Crio ilusões na cabeças das pessoas, posso fazer você pensar que algo aconteceu, sendo que você só viveu isso na sua cabeça; controlar sentimentos, por exemplo, posso fazer uma pessoa deixar de gostar da outra e vice-versa; e o melhor de todos, consigo apagar memórias. - Todos me olharam assustados. - Claro, que não sei fazer isso direito, só fiz duas vezes, foi um leve treinamento com minha mãe. Eu consigo fazer elas voltarem, caso eu queira.
- E como foi isso de você ser meio vampira? Como foi o crescimento? - Perguntou Carlisle dessa vez.
- Eu parei de crescer quando atingi 10 anos de idade. Não envelheço desde então. Além disso, eu me transformei em lobo pela primeira vez aos 17 anos. E sigo assim.
- E como se alimenta? - Dessa vez foi Emmett. - Aliás, quantos anos você tem? - Dou uma leve risada com a segunda pergunta.
- Isso depende do meu modo de vida. Caso eu fiquei muito tempo sem me transformar, sinto sede com qualquer vampiro. Sono eu sinto independente do que eu fizer. Ah, tenho 169 anos. - Faço um esforço e desbloqueio minha mente. Quase 170 anos e estou muito gata. Edward olhou para mim assustado. Dou de ombros.
- Então você come? - Pergunta Esme. Assinto. - Vou poder estrear minha cozinha finalmente. - Completa ela animada. Oi?
- Nossa, vamos fazer várias compras, ver muitos filmes juntas. - Diz Alice animada, tirando um sorriso tímido de Rosalie.
- Mal posso esperar para começar a treinar você, aposto que consegue evoluir rapidamente. - Disse Jasper.
- Você vai morar aqui, né? Podemos decorar o seu quarto hoje mesmo. - Disse Alice novamente, dando pulinhos. - Rose é maravilhosa decorando, podemos fazer isso rápido. - Gente, o que está acontecendo? Em todo esse tempo, todos falavam menos Edward, ele apenas me olhava com curiosidade.
- Calma, gente, calma. , você gostaria de morar aqui? Imagino que esteja ficando em um hotel. A casa é grande, temos quarto de sobra. E como vamos treinar você, ficaria mais fácil de você sair de casa sem levantar suspeitas, sabe como é, cidade pequena.
- Como assim?
- Nós somos vistos como um casal que adotou vários adolescentes porque a esposa não pode ter filhos. Estava pensando em dizer que você era filha de um casal de amigos nossos de longa data e que seus pais morrem em um acidente de carro, onde só você sobreviveu. - Ele conta a história. Parece colar, já que eu não me pareço em nada com os vampiros que me encaram. Pondero por uns instantes. Esses rostos desconhecidos me passaram uma segurança que nenhum lugar conseguiu me passar em muito tempo. Acho que vai ser uma boa, como meus pais me aconselharam, eu precisava viver. Dessa vez, de verdade.
- Eu topo. - Disse dando um sorriso sincero para todos, sendo retribuída imediatamente. Pela primeira vez em mais de 150 anos, eu me sentia em casa.


IV. Say Something

Quando disse que topava, todos se mostraram bem animados, parecia que não acontecia muita coisa de diferente em suas vidas há tempos.
- Ótimo, agora você precisa pegar suas malas no hotel, para ficar com a gente. - Disse Carlisle. Por um momento, ele ficou pensativo. - Edward, porque não a acompanha? Ela não sabe o caminho de volta para Forks.
- Claro. - Disse Edward. Me despedi de todos com um aceno e fui em direção ao meu carro, com Edward ao meu encalço. Andamos em silêncio até meu carro. Percebo que os dois estão indo para o lado do motorista.
- Onde você pensa que vai? - Pergunto, colocando a mão na cintura. - Meu carro, eu dirijo. Pode ir dando a volta. - Indico o lado do passageiro. Ele bufa e entra a contragosto no carro. Do lado de fora, consigo ouvir Emmet gargalhar de dentro da casa. Vou ter que me acostumar a ser ouvida cem por cento do meu tempo. Entro no carro e começo a dirigir, sendo guiada por Edward.
- Então, o que houve com seus pais? - pergunta ele depois de termos percorrido uma grande do caminho em silêncio. Respiro fundo, tomando coragem para contar algo que não penso há 150 anos. - Não precisa contar se não quiser, posso perguntar para Carlisle depois.
- Relaxa, já faz muito tempo. - Digo, acalmando -o. - Foi no meu aniversário de 19 anos. Minha mãe e eu corríamos pela floresta, ela estava me treinando. Não estávamos muito longe de casa, morávamos em uma parte bem arborizada, mas ainda era perigoso de sermos vistas. Estava tudo bem, até minha mãe sentir uma sensação de que meu pai estava correndo perigo. Ela me deu uma ordem de alfa que me fazia ficar longe de casa. Não sei se você conhece alguma coisa dos transformos, mas quando o alfa nos dá uma ordem, é praticamente impossível desobedecer
"Quando minha mãe me deu a ordem, ela rapidamente correu até minha casa e se denstranformou, fazendo com que eu ficasse sozinha na floresta por um longo tempo. É um pouco difícil saber o quanto eu fiquei ali, exatamente. Porém, senti um grande aperto em meu peito, como se meus pais estivessem mal. Com muito esforço, consegui me livrar da ordem dela e corri até minha casa com toda a velocidade. Quando estava chegando, meu pai me envia seus pensamentos. Ele diz para eu não me aproximar ou eles poderiam sentir meu cheiro ou me ouvir. Claro, eram os Volturi, conseguia ver pelos olhos de meu pai. Nunca os havia visto, Bjorn apenas comentava sobre eles. Tentaram recrutá-lo diversas vezes por conta de seus dons, ele conseguia ler e transmitir pensamentos, e para eles, seria muito útil.
Por meu pai, consegui ver minha mãe, ela estava imobilizada por um vampiro com um manto cinza escuro. Ela tentava de todas as formas se livrar dos braços dele, mas ele era muito mais forte que ela, alimentava-se de sangue humano, era possível perceber por conta de seus olhos vermelhos. Uma vampira baixinha, cabelos loiros e presos perfeitamente, estava falando algo com meus pais. Ela vestia um manto totalmente preto. Aparentemente, quanto mais escuro o manto, mais importante a pessoa era. Ela estava julgando meus pais, o relacionamento deles era proibido, sabíamos disso. Eles eram inimigos mortais, não deveriam se amar. Meu pai parou de me transmitir sons, no momento que ela disse a sentença.

Say something,
I'm giving up on you
I'm sorry that I couldn't get to you
Anywhere, I would've followed you
Say something, I'm giving up on you

- Say Something, Christina Aguilera

Fuja, saia daqui. Eles não podem te encontrar. Não se preocupe conosco. Você merece uma vida longa e bela, seja feliz. Não volte tão cedo, tivemos sorte de que Aro não veio com eles, senão iriam caçar você no inferno. Vá, e não volte. Amamos você, nunca se esqueça disso. Com essas palavras, meu pai parou de transmitir seus pensamentos, me deixando no escuro, sem saber o que estava havendo. No momento que ouvi o grito da minha mãe, corri para a direção oposta e fiquei lá, escondida até anoitecer. Quando estava escuro o suficiente para nenhum humano estar na floresta, voltei para a minha casa.

Havia uma fogueira perto da porta dos fundos, onde meus pais estavam antes de eu correr. Na no centro do fogo, vi de relance a mão esquerda de meu pai. Sua aliança começava a derreter pelo calor. Ele estava morto, isso era um fato. E pelo jeito, fazia tempo. O corpo de minha mãe jazia próximo da fogueira. Acho que nunca chorei tanto na minha vida. Eu apaguei a fogueira e os enterrei juntos, na entrada da floresta. Coloquei algumas roupas em minha mochila, peguei uma parte de nossas economias e sai de casa. Voltei 50 anos depois para pegar o dinheiro e depositar em um banco. Depois, voltei apenas no dia em que descobri a carta."
Quando percebi, meus olhos estavam cheios de lágrimas e minha voz embargada. Tenho que respirar fundo pra fazer com que elas não escorram. 150 anos se passaram e ainda dói como se fosse ontem. Edward coloca a mão em meu ombro, em uma tentativa de me reconfortar.
- Desculpe ter que fazer você relembrar isso. - Disse ele, enquanto tirava sua mão.
- Está tudo bem agora, já faz um tempo. E foi bom poder contar isso para alguém. Guardei para mim por um longo tempo. - dou um sorriso triste para ele. Ficamos mais uns minutos em silêncio.
- Sabe aquela hora que Carlisle falou para eu ir com você? Ele pensou que você poderia vir a ser minha parceira. - Disse ele rindo pelo nariz.
- Mal cheguei e já estão me empurrando para você. - Dei risada. - Não que você não seja bonito, não me leve a mal, você é um gato. - Ele gargalhou. – Mas, olha, o máximo que pode rolar entre a gente são uns beijinhos, não estou afim de me envolver tão cedo, obrigada.
- Por quê? Alguma desilusão amorosa?
- Bem longe disso... Nunca cheguei a me apaixonar perdidamente por alguém. Acho que essa mistura toda de gene fez de mim uma pessoa incapaz de se apaixonar. - Dou de ombro enquanto rio pelo nariz. - Na sua casa você ficou todo calado e agora parece outra pessoa e desatou a falar. Por quê?
- Você é a primeira pessoa que eu vejo, em toda a minha existência, que consegue bloquear o meu dom. - Disse ele, olhando para a estrada. - Mantenha-se à direita, virando no próximo cruzamento. Bem, eu fiquei assustado no início. Agora, estou curioso. - Rio pelo nariz. Aproveito para desbloquear minha mente de vez, já estava ficando muito cansada de ficar barrando-o. Até que você não é ruim, Ed. - Bom saber que gostou de mim também, prevejo o início de uma grande amizade. - Sinto seu olhar sob mim, retribuo rapidamente e pisco para ele, fazendo-o gargalhar. - Você ficar dando em cima de mim, vai ser engraçado. - Paro quando pedi para parar, penso. - Relaxa, pode continuar. - Dessa vez, ele piscou para mim, fazendo com que eu gargalhasse. - Chegamos.
Saio do carro rapidamente e vou até a recepção fazer o check out. Pego minhas malas, com a ajuda de Edward, para não dar na cara que não precisava de ajuda, e colocamos a bagagem no carro. Entro no lado do motorista antes que ele me impeça e logo dou partida no carro, dirigindo em direção à casa dos Cullen. Não gostava de admitir, mas eu sentia que gostaria muito dessa nova fase da minha vida. Quem sabe eu não fico com eles? Isso eu só vou conseguir saber com o tempo.


V. My Future

'Cause I, I'm in love
With my future
Can't wait to meet her
And I (I) , I'm in love
But not with anybody else
Just wanna get to know myself

- My Future, Billie Eilish


Duas semanas se passaram desde que eu cheguei em Forks. Nunca achei que fosse encontrar um lugar que eu me sentisse tão bem como aqui. Eles até estão aprendendo a cozinhar para que eu possa comer - precisavam estrear a cozinha, palavras de Carlisle. Como eu prefiro comida a sangue, nem reclamei, afinal, eu não sei cozinhar um ovo. Todos me tratam extremamente bem, é até engraçado às vezes, pois, é como se eu fosse a irmã caçula de todos, o que não faz sentido, já que só sou mais nova que Carlisle. Rose e Alice redecoraram o meu quarto, deixando bem a minha cara. Eu insisti em pagar, uma vez que tenho bastante dinheiro sobrando, mas foi em vão.
O treinamento vai bem, consigo controlar meus pensamentos como ninguém, o que deixa Ed uma pilha de nervos. Hoje vamos tentar entender como o poder das memorias funciona. Todos estão receosos, se eu me descontrolar, posso fazer a pessoa esquecer quem é. Jasper teve a ideia da minha "cobaia" escrever em um caderno a informação que eu vou apagar de sua mente, para o caso de eu não conseguir devolver a memória. Mas que louco iria se voluntariar? Emmett, é claro.
- Você tem certeza? Eu posso fazer merda. - Pergunto para o brutamontes que caminha ao meu lado até a sala. Nesse pouco tempo, nós desenvolvemos uma amizade extremamente fraternal, é como se Emmett fosse o irmão mais velho que eu nunca tive. Ele pode ser bem insuportável às vezes, mas é só ameaçar morder ele enquanto estou em forma de lobo que ele para.
- Maninha, é claro que eu tenho, vai ser muito louco e, outra, sei que você não vai me fazer ficar babando verde pra sempre. - Responde ele piscando para mim e passando os braços pelos meus ombros, bagunçando todo o meu cabelo. Dou um empurrão nele, que obviamente não faz nem cócegas. - Ih, tá fraquinha, hein, tá na hora de caçar. - Mostro o dedo do meio para ele.
- Eu vou fazer você babar verde de propósito. Não me provoque.
- Uiaa, muito medo de você, viu, estou até me tremendo. - Reviro os olhos para ele.
- Vocês têm quantos anos? - Pergunta Rosalie, irritada. - Parecem duas crianças. - Olho para Em, recebendo um olhar do vampiro no mesmo instante. Nos encaramos por alguns segundos, olhamos para Rose e mostramos a língua ao mesmo tempo, fazendo nós dois gargalhar enquanto ela fazia um sinal de negação com a cabeça.
- Chega, vamos Emmett, senta no sofá que eu vou tentar fazer você esquecer de como se anda. Acho menos pior do que esquecer uma lembrança. - Ele me obedeceu e sentou-se no sofá. Sento-me na poltrona em sua frente para que possa me concentrar.
Olho para seus olhos, pensando nos movimentos de suas pernas se movendo. Como ele estava disposto a cooperar, foi até que fácil achar o comando e apagá-lo de seu cérebro. Quando dou uma leve vasculhada em sua mente, tentando achar algum resquício da memória em sua mente, e sinto minha cabeça doer levemente. É o sinal de que devo parar. Desvio o olhar do vampiro e encosto na poltrona, enquanto solto um ar que nem sabia que estava segurando. Nossa, como isso cansa, pensei. Claro que Ed não ouviu. Por mais que confie nele, gosto de privacidade em minha mente.
- Funcionou? - Perguntou Jasper. Ele sempre acompanhava meus treinamentos, como consegue manipular as emoções também, pode me ajudar caso eu perca o controle.
- Não sei, Emmett, tente andar.
- Oi? O que é isso? - Ele pergunta, confuso. Será que deu certo?
- Andar, sabe? Vai até a Rose, por favor. - Nesse instante, percebemos que ele não tinha a mínima ideia de como chegar até ela, que estava a menos de 2 metros de distância dele. Ele fica alguns segundos pensando em como fazê-lo. Ele tenta ficar de pé, mas cai com força no chão, fazendo todos gargalhar, obviamente, menos ele.
- O quê? Sei que você tem alguma coisa a ver com isso. Desfaça, por favor. - Ele estava claramente desesperado. Jasper senta Emmet desajeitadamente no sofá, enquanto me concentro em devolver as lembranças para ele. Isso é bem mais difícil do que roubá-las. Quando percebo que todas as memorias estão de volta em sua cabeça, sinto uma gota de suor descer por minha testa e uma grande tontura.
Quando dei por mim, estava deitada em minha cama. Levanto com dificuldade, minha cabeça lateja. Será que consegui? Acho que sim, o esforço foi tanto que apaguei. Vou ter que caçar antes de tentar fazer isso de novo. Saio do cômodo e vou até a sala, onde escuto vozes animadas. Assim que percebem minha presença, algo que não demora muito, visto que ouvem meu coração batendo, Carlisle logo vem em minha direção para ver se estou bem. Como me recupero rápido, apenas a dor de cabeça permanece, então o pessoal fica mais aliviado.
- E ai, consegui? - Pergunto enquanto me sento em uma poltrona e Esme me oferece um chá. Quando digo que estão felizes de usar a cozinha, não estava brincando. Pelo cheiro, estavam cozinhando alguma coisa nesse instante. Tudo é motivo para me enfiarem comida. Emmett veio ao me encontro, andando perfeitamente, bagunçando meu cabelo. - Aparentemente, sim. Que bom. Como se sente, grandalhão?
- Muito bem, ainda bem que você devolveu com a adição do que houve no meio tempo. Se não eu ia ficar com cara de ué, porque a Rose e o Jasper não paravam de rir, dizendo que eu parecia um desesperado por voltar a andar.
- Ótimo, da próxima vez, eu faço você me esquecer, só para ver a confusão de ver uma híbrida pela primeira vez de novo. - Dou risada em imaginar a cena, automaticamente Edward também dá risada. Ué, minha mente está desbloqueada? Ele afirma com a cabeça. - Esse negócio de memória me deixa mais vulnerável do que pensei. Sai da minha cabeça, Ed.
- Não posso fazer nada se você está vulnerável. - Disse ele em tom zombeteiro. Com um rolar de olhos, bloqueio minha mente novamente. Ele olha pra mim, com uma falsa expressão de raiva enquanto eu mostro a língua para ele. - Mas uma coisa temos que dizer: você é mais poderosa do que pensa. - Todos olham para mim em aprovação.
- O cheiro está ótimo, o que vocês estão inventando agora? - Pergunto, finalizando o assunto, antes que ele comece.

--------------

Estávamos todos na sala conversando quando Carlisle chega do trabalho. Ele parecia levemente preocupado. Algo provavelmente aconteceu.
- Sinto muito em interromper, mas eu acabei me esquecendo de um fato importante. Como você sabe, , até porque é um deles, temos transmorfos na região. Fizemos um acordo com eles, décadas atrás, para que não fôssemos atacados.
- Sim, vocês me contaram quando decidi ficar aqui.
- Então, cidade pequena, você sabe como é. Eles ficaram sabendo que você chegou e eu acabei esquecendo totalmente de deixá-los a par da situação.
- O que isso quer dizer? - Perguntou Alice.
- Eles querem conhecer a . - Respondeu Edward, lendo os pensamentos do médico.
- Mas, pelo que eu entendi, vocês não podem cruzar a fronteira do acordo.
- Não podemos mesmo, sem autorização. - Ele suspira. - Como eles querem te conhecer, autorizaram.
- Vamos então. - DIsse me levantando, sendo seguida por Ed e Emm, mas finjo que não percebi.
- Só nós dois. - Disse Carlisle, fazendo as minhas duas sombras pararem no meio do caminho. Eles quiseram protestar, mas o "pai" deles tratou de interrompê-los. - Ela estará em boas mãos, fiquem tranquilos.
- Temos que cuidar da caçula, sabe. - Disse Emmett bagunçando meu cabelo. Reviro os olhos e olho para ele como quem diz eu sou bem mais velha que você. - Isso não importa, você chegou depois, é mais nova.
- Socorro. Vamos? - Viro-me para Carlisle que assente para mim. Entramos em seu carro e damos partida. Estou indo para La Push, a terra de minha mãe. Nunca imaginei que visitaria esse lugar tão cedo, ainda mais por conta do tratado.
Fazemos todo o trajeto em silêncio. Posso perceber que, por mais que não demonstre, Carlisle também está nervoso. O que aconteceria caso eles não me aprovassem? Será que eu teria que ir embora? Eu não apresento perigo algum, muito pelo contrário. Caso eu me juntei a eles um dia, eu seria de grande ajuda. Mas será que me aceitariam?
- ? - Carlisle me chamou, tirando-me de meus pensamentos. - Chegamos.
Descemos do carro apreensivos, afinal, esse não era nosso território. Por mais que eu pertença a esse lugar, não está nem um pouco na hora de mostrar quem sou. Minha mãe era a única mulher e foi muito rejeitada por acharem que ela era fraca. Caminhamos até uma casa de madeira de aparência simples, mas muito aconchegante. Não precisamos bater - provavelmente sentiram nosso cheiro, a porta se abre e revela um homem de aparência mais velha do que eu imaginei que um metamorfo teria, uma vez que eu me transformei com 17. Era extremamente alto e de músculos definidos. Seus olhos eram negros assim como seus cabelos, cortados bem baixo para facilitar a movimentação me forma de lobo, acredito eu.
- Samuel, boa noite.
- Carlisle. - Sam o saúda seca e rapidamente, claramente incomodado com nossa presença ali. Ele olha para mim, esperando alguma coisa.
- Sam, essa é . Recém-chegada em nossa família. - Carlisle nos apresenta cuidadosamente. Assim que cruzo meu olhar com o de Sam, sinto meus pelos se arrepiarem levemente. Então você é o alfa. Sei que ele não vai estender a mão para mim, então apenas aceno com a cabeça, recebendo o mesmo movimento de volta. Seu olhar para mim é de desconfiança.
- Vamos entrar, o conselho está esperando. - Ele abre a porta para nós, dando espaço para que entremos na casa.
No centro da sala havia 5 pessoas, além de nós 3. Apenas Quil Atera ou Velho Quil, Harry Clearwater e Billy Black faziam parte do concelho, os demais eram membros da alcateia. Eram eles, Paul Lahote e Jared Cameron. Confesso que fiquei mexida ao mencionarem o Black. Lembrei claramente das palavras de minha mãe, dizendo-me para confiar nos Black. Assim que sou apresentada a todos, que me recebem com um olhar de desconfiança, começam as milhões de perguntas.
- Seu coração bate e você não tem o cheiro deles. - Afirma Paul. Ele tem cara de esquentadinho, ah, se eu pudesse...
- Sou metade humana.
- Como você se alimenta? - Pergunta Quill.
- Comida normal e sangue, mas prefiro comida.
- Então, pela cor dos seus olhos, posso supor que não se alimente de sangue humano. - Dessa vez é Harry quem fala.
- Não. - Mais.
Eles fazem mais algumas perguntas como o motivo de eu aparecer ali ou minha idade, nada demais. A única pessoa que não falou foi Biily, ele apenas me encarava, como se procurasse alguma pista em meu rosto. Sorte que não tenho puxei minha mãe em nada, se não estaria ferrada. Após ponderarem, eles concordam em me deixar ficar, o que é um grande de um alívio. Eu só gostaria de que me deixassem frequentar a reserva, mas isso já era pedir demais. Carlisle e eu nos despedimos rapidamente, não tínhamos a intenção de ficar, já tínhamos testado o autocontrole de ambas as espécies por tempo de mais.
Vamos para casa em silêncio, dessa vez não era o mesmo que fomos, era mais confortável. Os dois estavam aliviados, dava para perceber. Não saberíamos o que fazer, caso me rejeitassem. Não demoramos muito para chegar, e eu mal podia esperar para contar a novidade para todos.


VI. The Greatest Show

Ladies and gents, this is the moment you've waited for
— Panic! At The Disco



— Sério que vou ter que ir para o colégio?
— Sim, como já viram você na cidade e você aparenta ter 17 anos, caso você não for, vão estranhar. - Edward respondeu. Estávamos voltando da caça. Estávamos apenas nós dois. Fazemos isso regularmente. Aposto que todos acham que estamos juntos.
— Só falar que eu estudo em casa, problema resolvido.
— Você sabe que não é bem assim. Além do mais, como vamos justificar que apenas a filha mais nova do casal não frequenta a escola? - Reviro os olhos, ficado emburrada. - E vai ser legal. Sei que você adora uma atenção. - Dou um meio sorriso. - Carlisle gosta que frequentemos o colégio. É bom para o nosso controle com sangue humano também. Falando nisso, você não me contou sobre aquele pensamento que teve na reserva.
— Como você sabe?
— Você desbloqueia sua mente quando está dormindo. Você ficou pensando que não se alimenta de sangue humano mais.
— Faz muito tempo. - Tento deixar o tom de voz como quem diz, não quero falar sobre isso. - E então. Parece que a Ali teve uma visão com a sua futura companheira, é isso? - Tentei mudar de assunto.
— Parece que ela chega no começo do ano letivo. - Ele olha para a floresta, pensativo, sentando-se em um tronco caído no chão; sento-me ao seu lado. - Fico preocupado com o que posso fazer. Dizem que as vezes o cheiro do sangue da pessoa destinada a ficar conosco é muito chamativo. - Ele olha para mim. Seu olhar é de preocupação. - E se eu acabar me descontrolando e atacá-la?
— Bem, isso não vai acontecer. Nem com sede você vai estar, vamos caçar até esses olhos ficarem caramelo brilhante. - Dou uma piscadinha para ele, que dá uma risada pelo nariz.
— Sabe, por um momento eu acabei achando que ficaríamos juntos. - Sua face é séria e calma. Ele me encara, esperando uma resposta. Confesso que fui pega de surpresa, fico sem palavras olhando para seu rosto. Sinto-o se aproximar de mim lentamente.
— Você sabe que seríamos muito mais carnais do que sentimentais, né?
— Eu sei, mas para mim, basta. - Ele estava cada vez mais perto. Um beijinho não faria mal, não? Fecho meus olhos na medida que ele se aproxima e ele também fecha os seus. Quando nossos lábios estão quase colados, um animal se move, fazendo barulho nas árvores ao redor. Ele se afasta rapidamente. - Desculpe, eu não sei onde estava com a cabeça. Você deve achar que eu sou um garanhão, não é mesmo? Me perdoe.
— Ei, tá tudo bem. Não que eu me arrependa, mas você é a moda antiga. Vem, vamos para casa, ainda tenho que arrumar as coisas para ir para o colégio amanhã. - Termino a frase, revirando os olhos com a palavra colégio.
— Você é mais velha que eu. Como assim moda antiga?
— Olha, você provavelmente cortejaria alguém e tudo mais. Eu já passei dessa fase faz tempo. O que me lembra que preciso ir até Seattle, abriu uma casa noturna ótima lá. - Edward ri da minha fala, como se fosse algo super aleatório de se fazer. - Querido, não é só porque eu não me apaixono que eu não vou viver a vida, viu...

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Foi horrível começar no final do ao letivo. Tive poucas semanas de aula apenas. Mas bem que Ed tinha razão, cidade pequena o pessoal fica todo animado com uma cara nova. Ficaram em cima de uma maneira que, quando pararam por conta da chegada de Isabella, admito que fiquei feliz. Edward, por outro lado, está extremamente preocupado. O fato de ter a chance de atacar sua futura amada é doloroso par ele.
Caçamos por um bom tempo até que ele se sentisse preparado para encarar esse encontro. Estávamos indo até o refeitório, sentar mesa de sempre, enquanto as pessoas nos encaravam maravilhadas. Sabe como é, aquela "aura" de vampiro que faz como que fiquemos bem mais atraente.
— Ei, você tem que se acalmar. Todos vocês. Esses olhos pretos aí não vão ajudar em nada.
— Você diz isso porque nunca provou sangue humano. - Zomba Jasper. Edward olha de relance para mim, como quem sabe que está presenciando uma mentira.
— Você consegue, Jas, confio em você - Diz Alice, confortando-o.
— Prontos? - Pergunta Rosalie. Olho para ela, confusa.
— Rose ama entradas triunfais quando há alunos novos, assim as pessoas prestam atenção em nós, e você sabe como ela ama chamar atenção. - Diz Emmett, passando um braço pelos ombros de Rose.
— Ok, vamos. - Rosalie vai na frente. Podemos ouvir que as conversas ficam mais baixas. Alguém está nos apresentando para Bella, por sorte, consegui decorar os nomes rapidamente.
— Quem são? - Bella pergunta com curiosidade, assim que vê Rose cruzando a porta do refeitório.
— Os Cullen. - Angela sussurra.
— São filhos adotivos do Dr. Cullen e sua esposa. Se mudaram para cá do Alasca há alguns anos. - Dessa vez é Jessica quem fala.
— Eles ficam muito na deles. - Angela complementa.
— E, eles estão sempre juntos. - Diz Jessica, bem fofoqueira. -Tipo juntos mesmo. A garota loira é a Rosalie e o cara com ela é o Emmett, são uma coisa só, eu nem sei que isso é legal. - Maluca.
— Jessi, eles não são parentes. - Angela defende.
— É, mas eles moram juntos, é estranho. - Ela responde. - Tudo bem. A baixinha de cabelo escuro é a Alice, ela é bem estranha. Ela está com Jasper, ele parece estar com dor. - Ela abaixa para sussurrar mais baixo, como se não pudéssemos escutar. - O Dr. Cullen é pai adotivo e casamenteiro.
— Ele podia me adotar. - Angela comenta, confesso que ri em pensamento. Se ela soubesse...
— E ele? - Bella pergunta assim que vê Ed entrar no refeitório. Consigo perceber, por mais que ele tente disfarçar, que está tenso e nervoso. Ele nem conhece a garota e está nervoso dessa maneira? Que trouxa.
— Aquele é Edward Cullen. - Jessica. - Ele é um tremendo gato. Mas parece que ninguém aqui é boa o bastante para ele, quer dizer, uma pessoa só, mas você logo vai ver. Mas eu nem ligo sabe. – Jessica Bufa. Sei, não liga... foram incontáveis as vezes que ela deu em cima dele - Sério, não perca seu tempo.
— Eu não pensei nisso. - Bella, claro que pensou, xuxu. Bem, está na hora de entrar, penso.
Não sei muito bem como agir em relação a isso, então apenas caminho com confiança até a mesa que estamos acostumados a sentar. Claro que não deixo de prestar atenção na introdução que dão de mim.
— A última é . Ela chegou tem cerca de 6 meses. Ela não foi adotada pelo casal. Parece que seus pais sofreram um acidente de avião e ela ficou sozinha. Seus pais eram amigos do Dr Cullen, então ele perguntou se ela não queria ficar com eles. - Dessa vez, quem me apresentou foi Angela, ela havia feito uma minientrevista comigo para o jornal da escola.
— Nossa ela é linda. - Sussurra Bella. Obrigada querida, penso.
— Pior que é. E o Cullen solteiro fica seguindo-a como se ela fosse a última garrafa de água do deserto. - Debocha Jessica. Já falei que ela é fofoqueira? Tá bom. - Ela não parece dar muita bola para ele. - Ignoro a conversa que elas iniciaram quando finalmente me sento à mesa.
— Você foi ótima, maninha - Brinca Emmett. Reviro os olhos.


VII. Are U Gonna Tell Her

- Ei! - Tentei pará-lo. - Por que agiu desse jeito? Você não é assim.
- Você não entenderia - Edward estava transtornado. Dirigiu feito um louco até a casa. Não falava com ninguém. - Você não sabe o quão foi difícil ficar na mesma sala que ela.
- Realmente, eu não entenderia mesmo.
- Então por que diabos está brigando comigo?
- Porque, como eu já disse, você não é assim. Você é todo cordial e educado com todos e com ela foi extremamente grosseiro e mal-educado!
- Eu não sabia como agir, tá legal!? O cheiro dela é tão... eu não sei. - Estava genuinamente desesperado. Ninguém sabia como agir. Todos observavam calados. Carlisle não estava em casa para ajudar a lidar com um vampiro com uma sede dessa maneira.
- Olha, só vai caçar. Não importa que você acabe com toda a fauna desse lugar. Vai logo e só volte quando estiver com a cabeça no lugar. Pelo amor dos deuses, Edward. - Dou as costas para ele, indo até meu quarto. Sei que fui dura com ele, mas, independentemente dela ser humana ou não, ele a tratou como lixo. Tadinha.
Edward realmente seguiu minha "ordem". Há dias que ele não aparece. Sei que ele está bem, mas temo por seu autocontrole. Quando foi transformado, demorou para aceitar a dieta "vegetariana" e matou muitas pessoas. Só espero que ele fique bem. Bella, aparentemente, percebeu algo errado, ela não para de procurá-lo. Confesso que isso já está me deixando de saco cheio. Ela ficou obcecada muito rápido, sei que temos uma espécie de charme com os humanos, mas nunca vi algo assim.
Cá estou eu, fazendo meu mantra diário para aguentar mais um dia naquela escola, quando sinto uma brisa gelada entrar em meu quarto, o que é estranho, pois deixo minha janela fechada o tempo todo. Tento voltar a dormir, mas percebo que tem uma claridade estranha também entrando pela janela do meu quarto. Quando viro, para me levantar percebo que a alguém sentado na borda da minha cama. Não é preciso ao menos abrir meus olhos para saber quem se encontra em meu quarto.
- Caramba até que enfim, hein? – Digo, enquanto abro meus olhos lentamente.
- Nossa esperava uma recepção mais calorosa vinda de você. - Reviro meus olhos enquanto mostro a língua para ele.
- Vai, sai daqui que eu preciso me arrumar para a aula. E aposto que você também, imagino que mal vê a hora de vê-la.
Optei por usar uma camisa de um tecido levinho, com uma jaqueta de couro marrom. Vesti uma calça preta, colocando uma parte da camisa para dentro, dando um ar despojado. Penteei meus cabelos, fazendo uma nota mental de que deveria cortá-lo quando quisesse me transformar, ou ficarei parecendo um shih-tzu gigante.
Hoje estava nevando levemente, então coloquei um gorro branco e botas para neve, assim ninguém desconfiaria de meu equilíbrio e a falta de capacidade de sentir frio. Como se minha temperatura fosse normal. Rolo os olhos com o pensamento. Claro, minha temperatura beirava os 38 graus, por conta da parte lupina, mas não era quente como minha mãe que passava dos 40 fácil e nem era congelante como meu pai.
Acabo indo para Forks School no carro de Ed - confesso que acho até melhor que eu não vá dirigindo hoje, pois adoro observar a paisagem coberta de neve. O caminho até o colégio é demorado, mas nem ligo já que fico o caminho todo olhando pela janela.
O dia passa tranquilo e bem engraçado pois os humanos não têm o melhor equilíbrio do mundo, então me divirto com vários tombos que o pessoal leva ao tentar mudar de prédio. Estamos sentados na mesa do refeitório, observando Jasper e Emmett tentando secar seus cabelos, pois acabaram entrando em uma guerra de bolas de neve, quando percebo que Bella está olhando para nós com curiosidade.
- Você tem uma admiradora, viu, Ed? – Chamei sua atenção para a humana. Ele retribuiu o olhar para ela. Nesse momento voltei minha atenção para a algazarra dos meus dois “irmãos”.
Estávamos no estacionamento, conversando antes de irmos para a próxima aula, quando ouço um carro freando com força. Olho na direção do barulho e percebo que uma mini van se aproxima rapidamente de Bella. Preparo-me internamente para o que vai acontecer.
Porém, como se tudo passasse em câmera lenta, Edward corre em direção ao quase acidente. Joga Bella para baixo e para o carro com uma das mãos. “Fudeu”, penso. As pessoas vão fazer perguntas e teremos que nos mudar. Sempre fazia isso quando começavam a suspeitar da minha idade, então suponho que façam o mesmo por aqui. Olho de relance para os meus “irmãos” e suas faces só confirmam meu pensamento.
Para a nossa sorte, todos ficam preocupados demais com Isabella, para pensar no que realmente aconteceu ali. Logo uma ambulância é chamada, já que o cara que dirigia se machucou e Bella bateu a cabeça.

Estou no corredor do hospital, com Rosalie que está visivelmente alterada, já que Ed quase revelou nossa identidade. Logo ele aparece, seguido de Carlisle. Ela começa a brigar com ele, em voz baixa, mas percebo que estamos sendo observados. Edward vai até ela e nós três vamos embora.
- É questão de tempo para ela descobrir. – Digo.
- Sim, ela estava questionando muito. - Responde Carlisle, fazendo Rose bufar. - Ela vai aceitar bem. – Olho para Carlisle, confusa.
- Alice teve uma visão, eles vão ficar juntos. Não demorará a descobrir e vai questionar bastante, mas vai ficar tudo bem. – Assinto. Teremos uma nova integrante na família logo menos.

--

Estávamos caçando. Como tem alguns meses que não me transformo, comecei a sentir sede. Edward e eu não estamos nos falando direito. É possível sentir a tensão no ar, um espera o outro dar o primeiro passo. Corremos por entre as árvores, em silêncio. Ouço um barulho, parecendo um cervo e vou em direção ao som sem pensar duas vezes. Sinto a presença do vampiro atrás de mim. Assim que chego perto o suficiente do animal, viro para a direção de meu seguidor enquanto paro bruscamente, fazendo o peito de Ed chocar-se contra mim. No momento que nossos corpos se chocam, cambaleio para trás, sendo amparada pelo vampiro, que me segura pela cintura. Nossos corpos estão próximos o suficiente para ele sentir minha respiração.

Tension is building with drinks
I wanna know what you're thinking
Hoping you're getting the hints
Getting more obvious with them
Who'll be making the move?
Feels kinda weird when it's you and I
And I

Sem pensar, nossos rostos se aproximam cada vez mais. Quando nossos narizes roçam um no outro, fecho meus olhos involuntariamente ao mesmo tempo que meus lábios se entreabrem. Não demora muito para que eu sinta seus lábios frios tocarem os meus. Uma de suas mãos vai até a minha nuca, trazendo-me para mais perto dele, enquanto aprofunda o beijo. Minha mão sobe instantaneamente para sua nuca, puxando levemente seus cabelos. A outra repousa em seu peito. Sinto meu corpo ser prensado com força em uma árvore, força essa que machucaria gravemente qualquer humano. Sua mão escorrega para dentro da minha blusa, dando um choque de temperatura, uma vez que eu sou levemente mais quente que um humano normal.

Our bodies tangled tight in the purple light
We're making love, passed out, we look so damn good tonight
And Sunday's shining in, feel the shame coming
You don't belong to me
Are you gonna tell her?
- Are u gonna tell her, Tove Lo

A mão livre desce pela minha perna, dando-me impulso para que eu possa entrelaçar minhas pernas em volta de sua cintura. Edward percebe que estou ficando sem ar, então decide separar nossos lábios e começa a beijar e morder meu pescoço, arrancando alguns suspiros altos de mim. Puxo seu cabelo com força, fazendo sua cabeça ir levemente para trás, quando trocamos um olhar cheio desejo. Seus olhos estão escuros como a noite, mas ao mesmo tempo em chamas pelo que estamos fazendo. Sem pensar duas vezes, puxo-o pela nuca, juntando nossos lábios novamente em um beijo ardente. Sua mão livre vai até a barra da minha blusa novamente, fazendo menção de levantá-la.
Nesse momento, foi como uma chave fosse ativada em minha cabeça. Reúno todo meu autocontrole e, com muita dificuldade, interrompo nosso beijo enquanto desço de sua cintura. Ele olha para mim com uma leve confusão em seu rosto.
- Eu fiz algo de errado? – Ele perguntou. Era possível ver que, apesar de ser um vampiro, ele estava levemente ofegante.
- Longe disso - Mordi levemente meu lábio - Mas, você tem a Bella. Posso adorar ficar me envolvendo com outras pessoas por uma noite, mas não aceito traição. Isso não pode continuar. Vocês podem não estar juntos agora, mas todos sabemos que isso vai acontecer, então prefiro encerrar isso agora. – Digo, rindo pelo nariz. - Como eu vi uma vez em algum lugar, posso ser piranha, mas sou uma piranha com princípios. - Terminei dando uma risada sem graça, enquanto arrumava minha roupa e meu cabelo. - Mas, se quer saber, você está no caminho certo. Aposto que ela vai adorar. – Termino de falar, piscando para ele.
- Sabe, foi o meu primeiro beijo. – Ele ri de mim. Provavelmente estava com uma cara de descrença. Como era possível ser o primeiro beijo dele e já ter toda essa pegada? - Ei, não me olhe assim, eu sou da moda antiga, sabe. Você viveu sua vida de uma forma bem livre, por mais que sozinha, tem a mente aberta. Por isso, quis que fosse com você. Eu estava pensando em fazer isso com Bella. Logo ela descobrirá tudo e poderemos ficar juntos. Sei que o beijo acabará acontecendo, mas estava com medo de perder o controle.
- Fico honrada em saber que confia em mim para isso. E não pense que fico chateada em saber que queria "praticar" antes de beijar, Isabella, foi uma boa ideia até porque, se você amassou o tronco da árvore comigo, imagina com ela. Tente se controlar, ou vai ficar sem namorada, antes mesmo dos primeiros meses. - Andamos lentamente por entre as árvores.
- Será que posso pedir para que isso fique entre nós?
- O quê, o beijo? - Ele assente - Minha boca é um túmulo, vai ser o nosso segredinho, gato. - Pisco novamente, fazendo-o gargalhar. - Vem, vamos embora.


VIII. Supermassive black hole

Todos estavam superanimados com a visita de Bella em nossa casa, estavam até fazendo um almoço especial. Eu que não sou boba nem nada, já estava aproveitando um pouco da salada Caesar, enquanto eles faziam a macarronada com molho pomodoro bem rústico. Amo quando eles deixam os pedaços grandes de tomate. Ouvimos o carro de Edward estacionando em frente à casa, conseguimos ouvir uma breve conversa entre o casal sobre a casa ser toda aberta, e conforme ela se aproximava era possível sentir o cheiro do sangue humano.
- Bella! Estamos fazendo uma comida italiana para você - Disse Esme animada.
- Bella, essa é Esme, a nossa "mãe" - Ed apresentou Esme para Bella, que a cumprimentou com a cabeça, claramente nervosa.
- Espero que esteja com fome! - Bella ia falar alguma, mas foi interrompida por Edward.
- Na verdade, ela já comeu. - Nesse momento Rose, que estava com a tinha a tigela da salada em mãos, quebrou o recipiente. Senhor, que doideira. Tadinha da salada, estava tão boa...
- Isso é ridículo. - Disse Rose irritada.
- É que Edward disse que vocês não comiam, então não quis incomodar. - Bella tentou justificar.
- Será que ninguém vê que isso vai acabar pondo todos nós em perigo? - Esbravejou Rose. Emmett tentava acalmar a companheira, em vão. Eu apenas observava a cena, comendo minha salada em paz.
- Não estamos falando de que foram vistos juntos. Mas, que isso pode acabar trazendo problemas para nós. - Emm tentou explicar.
- Você diz no caso de eu virar a... refeição. - Concluiu Bella. Nessa hora não consegui segurar a risada e quase me engasguei com a salada, atraindo a atenção de todos para mim.
- Está tudo bem - Disse com a voz rouca, pegando um copo d'agua e tomando calmamente. Percebi que Edward estava se segurando para não rir de toda a situação.
- Espera. Você come? - Pergunta Bella, confusa. - Achei que vampiros só se alimentavam de sangue. - Ela agora olhava para Edward, procurando uma explicação.
- É que eu sou uma híbrida. Filha de vampiro com humano. Então tenho algumas diferenças, no caso eu durmo e sinto fome quando não me alimento de sangue. Mas, prefiro comida.
- Não te falei sobre a , pois não acho que seja justo dizer o segredo de outra pessoa.
- Nossa, não sabia que vampiros poderiam ter filhos.
- Nem nós. Quando chegou, foi uma surpresa para todos. - Concluiu Carlisle. Nesse momento, Alice e Jasper chegam depois de caçar; todos concordamos que seria melhor Jasper voltar sem nenhuma sede, para a segurança de todos.
- Bella! - Disse Ali animada, dando um abraço na humana. - Nossa você tem um cheiro bom... - Pqp, isso pode ficar pior? Coloquei uma de minhas mãos na testa. Jasper estava extremamente tenso. - Esse é Jasper, meu companheiro. - Ele apenas assente, com os olhos extremamente escuros. - Relaxe, não vai machucá-la. - Ela sussurrou para ele. Será que tinha como isso ficar mais estranho? Ed tinha uma feição nada agradável.
- Tá bom, família, vamos deixar o casal em paz. - Levantei e fui em direção aos dois, após um silencio super constrangedor se instaurar. Peguei no ombro de cada um e os virei, levando-os para fora da cozinha. - Porque não mostra o resto da casa para ela? Aproveita e fica lá em cima. - Ou saia daqui, esses vampiros são loucos. Acrescentei mentalmente. Isabella não disse nada, confusa demais para tal. Edward olhou para mim como um olhar de agradecimento e eu apenas pisquei de volta, arrancando um sorriso maroto do ruivo.
Esperei o clima dar uma acalmada e fui para o meu quarto. Sexta-feira e eu vou ficar em casa? De jeito algum. Pego uma saia preta de cintura alta e uma regata frente única branca. Com essa combinação, não tem como errar. Coloco um salto preto e faço uma maquiagem leve. Solto meus cabelos, penteando com os dedos para não tirar o movimento. Pego minha bolsa preta com alça de corrente prata. Checo meu visual no espelho mais uma vez.
- Vou para Seatle! Estou levando o celular, não volto tão cedo! - Digo enquanto desço as escadas e vou em direção ao meu carro. Vamos nos divertir um pouco.

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Acordei extremamente animada. Alice previu uma que uma tempestade se aproximava. O que isso significa? Isso mesmo. Baseball. Levanto rapidamente quando sinto cheiro de café. Pego uma camiseta de manga comprida preta e meu colete com listras brancas e azuis de sempre. Coloco uma legging branca e um tênis cinza. Pego meu boné azul escuro e desço as escadas animada.
- Bom dia, família. - Digo enquanto pego uma xícara generosa de café e umas torradas. - É verdade que hoje que o Ed vai levar a Bella pra jogar com a gente? - Perguntando enquanto tomo um gole do meu café.
- É sim, e já estamos atrasados por que a madame resolveu voltar tarde de Seatle ontem. - Disse Alice, irritada. Ela odiava atrasos, sempre pontual.
- O que você estava fazendo para chegar tão tarde assim senhorita? - Perguntou Emmett, zombeteiro.
- Não é da sua conta. Além disso, é um longo caminho de lá até aqui. Não posso correr na estrada sabe, tenho que ser uma boa motorista. - Respondi desconversando.
- Isso é um chupão? - Grita Emmett. Na hora largo meu café e minhas torradas e corro para o espelho arrancando risadas de todos e uma gargalhada de Emm. Olho meu pescoço na procura de algum resquício da noite anterior, não encontrando nada. Eu me curo rápido, eu não deveria ter mais nada a essa altura do campeonato. - Tá devendo, anie)? - Perguntou Emmett enquanto gargalhava.
- Engraçadinho. - Disse irritada. - Vamos, vamos nos atrasar mais. - Disse enquanto terminava meu café.
Não demoramos muito para chegar à clareira, uma vez que estávamos em velocidade vampírica. Tive que aguentar Emmett zoando da minha cara. Logo Edward chegou com Bella e o pessoal começou a separar os times. Eu ficaria no time de Rose, Carlisle e Jasper. Como eu seria a arremessadora, pude ficar de fora nesse round.
- Porque Emmett está te zoando tanto? - Pergunta Bella, com Ed em seu encalço. Ele obviamente já tinha lido a mente do vampiro e já sabia o que tinha acontecido.
- Emmett insinuou que eu estava com um chupão no pescoço e eu fui conferir no espelho, achando que tinha ficado alguma marca.
- Mas... você... não tem um...- Bella estava tentando formular a pergunta, mas estava claramente sem graça de perguntar.
- Um parceiro? Não, fixo não. - Ela me olhou surpresa. - Consigo me camuflar melhor que os vampiros na multidão. Claro, tenho todo esse glamour de predador, mas é mais difícil de descobrirem que tenho parte vampírica. E bem, eu estava em Seatle ontem. O resto você já pode imaginar. Mas eu fui pega de surpresa, é impossível um humano deixar uma marca em mim. - Se um vampiro não deixou, ninguém deixa, pensei. Percebi o olhar de Ed em mim, mas ignorei, dando apenas um sorriso de canto de boca. - Agora vai lá, juíza, Esme acha que os meninos roubam. - Logo o jogo começa. Mas não dura muito. Quando Rose rebate uma bola de Alice, o vento muda de direção, fazendo a vidente ficar estática, claramente tendo uma visão.
Levanto e, instintivamente, vou para perto de Bella, que não sabe o que está acontecendo. Alice explica que nômades estavam indo embora quando nos ouviram. Precisamos tirar a humana daqui, mas seria impossível sem que não nos notassem. Todos nós vamos ao redor de Bella, para tentar camuflar seu cheiro. Em segundos eles chegam, são apresentados por Laurent, aparentemente o "líder" do clã. O casal é James e Victória. Algo nele não me parece confiável. Carlisle, como o bom apaziguador que é, disse que Edward, Bella e eu (já que meu coração bate, e não podíamos deixar suspeitas) estávamos indo embora e que eles poderiam ficar em nosso lugar. Porém, por ironia do destino, o vento muda sua rota, fazendo com que os nômades sintam o cheiro do sangue de Bella. James fica alucinado, mas Laurent consegue controlá-los e eles vão embora.
- Nós precisamos ir embora, agora. Já! - Diz Edward, ele está visivelmente transtornado. Rapidamente ele explica que James é um rastreador e que sua reação para proteger Bella fez com que uma caçada se iniciasse. Ele queria se alimentar do sangue de Isabella e isso não poderíamos permitir.
Enquanto Ed ia até a casa de Bella, para que ela pensasse em algo para tapear seu pai e pegar algumas roupas, nós seguíamos para casa afim de despistar James. Logo eles chegam e Edward me dá uma jaqueta de Bella para que seu cheiro fique em mim. Nos separamos. Alice, Jasper e Bella vão para Phoenix, a fim de despistar o rastreador. O restante, vai para o caminho oposto, para marcar o cheiro de Isabella em alguns lugares, para atrasar o vampiro. Mas, como se o universo zombasse de nós, isso não dura muito tempo.
- Ela o que!? - Grita Edward no telefone enquanto dirige para Phoenix. Estamos apenas ele, Emmett e eu no carro. Os demais estão vindo em outro veículo. - Estamos chegando. - Ele desliga enquanto acelera ainda mais o carro.
Em instantes chegamos na antiga academia de Balé que Isabella costumava ir quando criança com sua mãe. É possível ouvir um diálogo dentro do local, mas não prestamos muita atenção, entramos correndo no salão a tempo de ver James quebrar a perna de Bella com Edward a nossa frente, ele sempre foi o mais rápido. Ele luta com James e tenta pegar Bella no colo, mas o vampiro os derruba, fazendo a humana rolar em alguns cacos de um espelho que se quebrou na luta. O cheiro de sangue invade o lugar. Tento não me concentrar no cheiro que adentra meu nariz, mas é difícil, a adrenalina somada com o enorme tempo que estou sem caçar faz com que flashs de memória venham à minha mente. Memórias essas que eu apaguei de mim mesma. Quantas vezes será que eu fiz isso?
Antes que eu pudesse focar no que estava retornando à minha cabeça, James morde o pulso de Bella, fazendo-a começar a gritar de dor. O urro faz com que eu retome o controle do meu corpo e comece a agir. Edward está quase arrancando a cabeça de James sozinho enquanto Bella se contorce de dor. Alice tenta estancar o sangue, mas é perceptível que ela não irá aguentar muito tempo. Então, testando o pouco auto controle que me resta, troco de lugar com ela. Seguro o a perna de Bella que está sangrando muito, enquanto Carlisle orienta Edward a tirar o veneno que está se espalhando pelo corpo da garota. Logo ele começa a sugar o sangue da namorada, no mesmo lugar que James mordeu. Os pedaços do perseguidor logo são queimados, mas não presto atenção nisso. Apenas me concentro em não perder o controle. Quem perde o controle, no final das contas, é Edward, que não para de beber o sangue da humana. Não temos como interferir e Carlisle pede para que o vampiro volte a si e pare com o que está fazendo. Demora um pouco, mas ele o faz.
James estava morto. Bella ficaria bem.


IX. Bad Liar

Alguns meses se passaram. Tivemos um tempo de calmaria, aparentemente tudo estava bem. Hoje é aniversário de Bella e todos estão animados com a pequena festa que iremos fazer hoje a noite. Alice fica andando de um lado para o outro para deixar todos os detalhes certos. Ela entrega uma lista para Esme, para o cardápio do jantar. Obviamente a quantidade é desnecessariamente grande, será que ela esquece que só eu e Bella comemos? Tento ignorar o caos da vampira e vou me arrumar para ir para o colégio. Visto uma camisa branca bem soltinha e coloco uma calça de cintura alta, colocando a camisa para dentro da calça levemente, para dar um movimento. Coloco meu all star preto e pego minha bolsa.
Decido que vou no meu carro hoje, com Edward no banco do passageiro; não ligava de voltar sozinha, afinal, os casais foram em seus respectivos carros e eu não estava afim de ficar de vela. Não sei por que, mas algo me dizia que eu não deveria ir para o colégio hoje, mas se eu ficasse em casa não teria nada para fazer, então, mesmo com uma sensação estranha, fui. Ed tentava falar comigo durante o trajeto, mas eu não conseguia prestar atenção em nada que ele falava. Ele não conseguia ouvir nada dos meus pensamentos, pois eu deixara minha mente trancada. Hoje era um dia muito importante para ele, queria que fosse perfeito, uma vez que sua namorada odiava fazer aniversário.
Não demorou muito para chegarmos, logo Edward desceu e foi parabenizar Bella, enquanto eu ficava com Alice e Jasper, esperando-os para irmos para a sala. A sensação estranha só aumentava e Jas olhava para mim, preocupado - ele conseguia sentir o que estava acontecendo comigo. Olho para ele como quem agradece, mas eu mal sabia que a sensação era um "aviso" de que algo realmente iria acontecer.
Estava com Alice e Jasper esperando Edward terminar de falar com Bella para entrarmos na escola. Eles trocam um beijo calmo e vejo Ed dizer algo para ela. Ele parece tenso. Alguém queria falar com ela. Mas, quem? Olho na direção que Bella está andando para falar com um homem. Ele tinha traços indígenas, claramente era da reserva. Seu corpo estava mudando, era perceptível que a transformação estava próxima. Então esse era Jacob? Nossa, como ouvi reclamações e xingamentos a ele. Quando olho para seu rosto, sinto meu corpo congelar e meu coração perder uma batida. Era como se diversas cordas fossem amarradas a ele, me puxando com força em sua direção. Seu sorriso, iluminava o ambiente e aquecia meu coração. Eu sabia o que estava acontecendo comigo, sabia que não era um caso isolado. Isso poderia acontecer, afinal, sou resultado de um. Mas logo com o cara que está apaixonado pela namorada do meu amigo?
Pisco com força, para me tirar do transe que estava presa. Alice e Jasper me encaram com um misto de susto e curiosidade. Claro, porque eu encararia um desconhecido do nada, como se essa pessoa fosse a única pessoa na terra? Eu definitivamente não quero e nem estou nem um pouco a fim de participar desse triangulo amoroso estranho. No mesmo momento, uso as forças que nem sabia que tinha e bloqueio o sentimento, ninguém é obrigado a sentir o que eu sinto. Quando ele olhar para mim, ele não vai ficar petrificado.
- O que foi pessoal? - Pergunto para Alice e Jasper, como se nada tivesse acontecido.
- Você ficou congelada olhando para o amigo de Bella. - Perguntou Jasper. - Não foi só isso, seus sentimentos... ficaram confusos. Afinal, o que foi isso?
- O quê? Isso? Não foi nada. – Disse, desconversando enquanto pegava minha mochila. - E. e.eu preciso ir. - Dou meia volta e vou até meu carro, dando partida e indo o mais longe possível dali. Dirijo até Port Angeles, mas não sei como cheguei lá.
Eu estava muito desorientada, meu corpo mandava eu voltar e ir até ele, me apresentar, me fazer presente em sua vida, mas eu não podia fazer isso. Minha cabeça, que no momento era a que mais mandava, fez com que eu bloqueasse um Imprinting, algo tão forte que uniu uma loba e um vampiro, que fez meu avô perder a sanidade quando viu sua esposa morrer. Não sabia as consequências desse ato, teria de descobrir com o tempo. Não posso fazer alguém gostar de mim por conta de um olhar.
Eu estava apenas caminhando pelas ruas, tentando espairecer minha cabeça, mas tudo me lembrava ele. Um cheiro amadeirado chega até mim, deixando minha cabeça doida. Olho em sua direção e vejo-o caminhando até mim, mas isso não era possível, ele estava na escola até 20 minutos atras, eu dirigi muito rápido, ele não teria me encontrado tão rápido assim. Esfrego minhas mãos em meus olhos, na tentativa de afastar a visão da minha mente e funciona. Eu vou enlouquecer.

I was walking down the street the other day
Trying to distract myself
But then I see your face
Oh, wait, that's someone else, ah ah
Oh, I'm tryna play it coy
Tryna make it disappear
But just like the battle of Troy
There's nothing subtle here, ah ah

Olho em meu relógio, já estava há quase 2 horas longe de Forks e nada fazia eu me acalmar, nada tirava aquele sorriso da minha memória. Bem, já que não posso simplesmente esquecê-lo, posso agir como se não tivesse nada de errado.
Respiro fundo e volto até meu carro. Se eu correr consigo chegar no segundo período e alegar que acordei meio mal. Minha cara consegue me ajudar, já que estou com caco. Ligo meu carro e volto para Forks. Não demoro muito, uma vez que dou uma corrida. Como ele estuda na escola de reserva, não corro o risco de encontrá-lo por aqui. Chego no colégio a tempo de ver os alunos indo até o refeitório.
- Bom dia, família. – Digo, sentando-me na mesa. Todos olham para mim como se eu estivesse escondendo alguma coisa. Logo Ed chega com a Bella, e não demora muito para ele olhar para mim de rabo de olho, levemente assustado. Meu deus, será que minha menta está desbloqueada? Ele assente fracamente, para que ninguém perceba. É isso, estou perdida.

Oh, with my feelings on fire
Guess I'm a bad liar

- Bad Liar, Selena Gomes

Fico conversando com o pessoal, que logo “esquece” de perguntar o que houve comigo de manhã. O resto do dia segue normalmente e vamos para casa terminar nos arrumar enquanto Alice termina de arrumar a casa para a pequena festa de Bella. Assim que saio do banho, coloco um vestido salmão que vai pouco abaixo do joelho com um salto bege. Faço uma maquiagem leve e deixo meu cabelo parcialmente preso.
Bella estava abrindo os presentes. Alice estava tirando fotos do casal para a humana colocar em seu novo álbum. Estava tudo correndo bem, até ela abrir o presente de Carlisle e Esme. É possível ouvir o som do papel cortando levemente seu dedo, um corte superficial, mas que faz seu dedo sangrar levemente. Tudo acontece muito rápido. Minha cabeça começa a doer, como se alguma lembrança que eu havia apagado de mim mesma estivesse voltando. Não seria a primeira vez.
O cheiro ferroso invade meus sentidos, mas sei que não posso me descontrolar. Jasper rosna e parte para cima de Bella. Edward, na tentativa de afastar sua namorada do vampiro, a arremessa em direção à um móvel cheio de taças. Emmett e Carlisle conseguem deter Jasper, corro em sua direção, fazendo-o olhar em meus olhos.
- Parado, Jasper! Agora! – Falo imponente. Não sei o que estou fazendo, mas algo dentro de mim me diz que isso vai funcionar. Assim que ele ouve minhas palavras, é como se entrasse em um transe. Ele para de tentar atacar Bella e fica com os olhos vidrados em mim. – Não tem nada acontecendo aqui. Vá para fora. – Nesse instante, ele começa a andar, quase roboticamente e vai em direção à saída com Alice e Emmett em seu encalço. Assim que ele sai, solto o ar que nem sabia que estava segurando.
- Edward, vá ficar com ele. , consegue me ajudar? – Pergunta Carlisle, calmamente. Ed hesita, mas acaba saindo.
Olho para Isabella pela primeira vez desde o corte e vejo que ela está com o braço ensanguentado. A manobra de Ed só piorou as coisas. Olho para o médico após alguns segundos tentando controlar minha sede e assinto, indo em direção à Bella. Logo estamos em outra sala, Carlisle está retirando os cacos de vidro do braço da humana enquanto eu limpo o local com cuidado.
- Como você conseguiu controlar o Jasper tão rápido? – Pergunta Bella.
- Eu não sei. – Suspiro. As memórias iam e vinham. Minha cabeça doía. – Não sei que o Ed te falou, mas eu consigo apagar a memória das pessoas. – Olho para ela procurando alguma confirmação, ela assente. – Consigo apagar a minha também. – Falo como se não fosse nada. Vejo Carlisle me olhando de canto de olho. Sei que meus olhos estão ficando escuros. Estou muito perto de sangue humano, estou abusando do meu autocontrole, mas sei que consigo.
- Você está bem, ? – Ele pergunta, preocupado. – Posso continuar daqui se quiser, seria bom caçar hoje.
- Estou bem, sim, só minha cabeça que dói um pouco. – Digo quase em um sussurro. Vejo que Isabella está confusa. – Não se esqueça que sou metade humana. Quando uso meus dons, minha cabeça dói. Eu já estava acostumada, mas acho que nunca treinei esse. Como eu apaguei de minha memória, não consigo lembrar se tinha treinado ele.
- Você sabe por que acabou apagando-o? – Ele estava curioso, era bom para poder distrair Bella também, uma vez que ele estava dando pontos em seu braço.
- Não, eu tinha um diário onde eu anotava as vezes que eu usava meus dons contra mim mesma, mas não sei onde ele está. – Respondi, desconversando. Era verdade, eu não sabia o porquê de eu ter apagado um dom da minha memória, mas sabia muito bem onde estava o meu diário.
Carlisle termina de fazer os pontos enquanto eu termino de limpar o local e a sala. Edward volta logo, visivelmente abalado, pega Bella e a leva para casa.


Continua...



Nota da autora: Olá olá olá!
Bom dia, boa tarde, boa noite!
Venho apresentar a vocês minha nova fic. É a minha segunda de Crepúsculo. A ideia dela veio do nada enquanto eu assistia a saga pela milésima vez. A história vai se passar desde Crepúsculo, vou dar algumas alteradas na história, mas a essência será a mesma. Claro, qualquer crítica é bem vinda, só não xingar a coleguinha ok? Ok.
A história é uma song fic. Cada Capítulo terá o nome de uma música e o trecho que inspirou o capítulo. Espero que gostem desse formato.
Acho que é isso.
Não esqueçam de comentar, hein, isso me ajuda bastante.

Até mais,
XOXO, Mari.

Outras Fanfics:
She Wolf


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