Dahlia Negra

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Última atualização: 31/12/2021

Prólogo

O barulho dos saltos batendo frenéticos se unia aos ruídos noturnos de New York. A respiração entrecortada, desesperada e ansiosa, exprimia o pavor e o choro contido pelo nó na garganta.
As lágrimas inundavam os olhos da jovem, seus lábios tremiam e ela sabia que se arrependeria pelo resto da vida por ter escolhido aquele caminho naquela noite em especial. Por mais que a culpa não fosse sua e sim do sujeito a perseguindo, ainda assim não conseguia parar de pensar no quanto as coisas seriam diferentes se tivesse tomado o outro rumo.
Tratou de apurar os passos, evitando olhar para trás, mas ainda assim sentindo aquele mesmo formigamento na nuca denunciando a presença dele.
Quanto mais rápido ela caminhava por aquela rua, mais distante ficaria do sujeito e, sem conseguir pensar em outra coisa além do quão infeliz havia sido sua escolha, virou na primeira curva diante de seus olhos praticamente correndo, ansiosa para se ver livre da perseguição e dando espaço a um pequeno fio de esperança de que daquela forma conseguiria despistá-lo.
No entanto, bastaram poucos segundos para se dar conta de que aquela havia sido a sua segunda escolha errada da noite.
Em vez de desviar para um caminho que a salvaria, havia entrado em um beco, onde a única saída estava bloqueada por portões altos de ferro.
Precisou lutar muito para manter um soluço preso em sua garganta.
— A mocinha está perdida? — Um calafrio percorreu sua espinha ao ouvir uma voz desconhecida, não precisando de muito para saber que pertencia ao seu perseguidor, então deu os poucos passos restantes até se ver encurralada em uma parede.
Seus lábios tremeram com mais violência, as lágrimas que segurava escorreram por suas bochechas e a jovem se encolheu, se recusando a olhá-lo.
— Não tenha medo, mocinha. Ninguém aqui irá lhe fazer mal, muito pelo contrário. — Uma risada suja ecoou, gelando seus ossos.
Ela daria qualquer coisa para não ouvir aquele som novamente. Na verdade, ela daria qualquer coisa para não ouvir som algum.
Apertou os olhos com força, se encolhendo ainda mais e prendendo a respiração quando um corpo imprensou o seu e o bafo forte de álcool foi de encontro ao seu rosto.
A jovem sabia muito bem o que estava prestes a acontecer e preferiu a morte àquilo.
Num súbito ato de coragem, preparou-se para lhe dar uma joelhada com todas as forças, mas antes mesmo que pudesse fazê-lo, o aperto em seu corpo se afrouxou numa lufada intensa, como se o próprio vento tivesse o arrancado dali.
Aquilo não era possível. O vento não faria algo assim.
Um grunhido de dor a fez arriscar abrir seus olhos.
Ela não precisou de muito para saber quem estava atirado a alguns metros dela, curvado com as duas mãos cobrindo o estômago.
A confusão tomou conta de si.
— Então você gosta de atacar jovens em becos escuros? — Uma segunda voz se fez ouvir, porém seu timbre era tão distorcido que ela não soube dizer se pertencia a um homem ou a uma mulher.
Curiosamente, a jovem não estava interessada nisso, mas sim na figura encapuzada que logo se aproximou do sujeito, o erguendo pelo pescoço com apenas uma mão.
Não soube o que a deixou mais admirada. Se era a forma como não parecia se abalar enquanto apertava a garganta do homem de forma firme, ou se eram as roupas inteiramente pretas, com coturnos da mesma cor e um conjunto de arco e flecha bem preso às suas costas.
Será que conseguiria ver um rosto? Se inclinou, porém no mesmo instante o sujeito começou a se debater, dificultando o processo.
— Por favor, não me mate! Tenha misericórdia! — O homem se engasgou, tossindo devido à escassez de ar.
Dessa vez, a risada que ecoou não causou medo à garota e sim uma espécie de alívio.
— Assim como a misericórdia que você teria ao usar o corpo de outra pessoa sem o consentimento dela? — O sarcasmo estava presente em cada palavra.
— Eu não…
— Ratos como você não merecem misericórdia. Você me dá nojo.
A jovem, ainda encolhida na mesma posição, imaginou que naquele momento o aperto na garganta do homem se intensificaria, porém, em vez disso, ela notou a outra mão da figura encapuzada puxar alguma coisa presa à própria cintura.
Era uma espécie de adaga prateada.
— É melhor você correr até um posto policial. A próxima cena não será nada bonita. — Se voltou para a moça, fazendo-a arregalar os olhos enquanto outro arrepio percorria seu corpo. — Vá.
Aquela última palavra pareceu acender algo dentro de si, então ela assentiu, incapaz de agradecer em voz alta, e se pôs a correr.
A figura então tornou a se virar para o sujeito, satisfazendo-se com o terror presente em suas feições.
— Por favor… — insistiu mais uma vez, como se realmente pudesse convencê-la a poupar sua vida.
— Olhe bem para mim. — A frieza na voz era palpável e o homem lhe obedeceu prontamente.
Uma máscara cobria metade do rosto que lhe encarava sedento.
— A justiça não tem misericórdia.
Num movimento rápido, a adaga lhe cortou a jugular, fazendo o sangue banhá-lo instantaneamente.
Por alguns instantes, o sujeito agonizou, se afogando, mas em nenhum momento a figura permitiu que olhasse para qualquer outro lugar.
Quando a escuridão por fim lhe abraçou, a última coisa vista por ele foi aquele par de olhos. Uma íris azul e outra negra como a noite.
Deixando aquele corpo imundo e sem vida desabar, a figura encapuzada encarou com desgosto o sangue que cobria sua adaga, então puxou um lenço preto de seu bolso, limpando a lâmina antes de tornar a guardar a arma no local que pertencia.
Respirou fundo, contendo a onda de adrenalina que fazia seu corpo inteiro tremer de euforia. Precisava fazer uma última coisa para concluir seu dever naquele lugar.
Retirou então a pequena planta de outro compartimento em suas roupas e posicionou-a sobre a garganta do homem, exatamente onde a adaga havia o cortado.
O intuito daquilo era deixar criminosos como ele saberem que seus atos não estavam mais impunes. Alguém os faria pagar.
Dahlia Negra os faria pagar.


Continua...



Nota da autora: Eu sempre quis escrever uma história com o Espetacular Homem Aranha, porque sou apaixonada por ele e pelo Andrew Garfield. Depois de assistir ao Sem volta pra casa, não deu mais pra segurar e assim nasceu Dahlia Negra!
O tanto que eu estou empolgada com essa fic nem está escrito. Espero que vocês gostem também.
Logo já tem mais att. Comentem muitooo!
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Beijos e até breve.
Ste.



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