Deeping

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Última atualização: 01/07/2022

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piscou os olhos, extasiada com os gritos. Sentiu as orbes azuis ficarem marejadas, ao passo que sua respiração estava ofegante. Era notável que seus batimentos cardíacos estavam fora do comum, mais acelerados do que nunca. Suas mãos suavam frio, trêmulas em resposta ao acontecido. Uma força sobrenatural parecia envolvê-la ali, impedindo-a de esboçar qualquer reação.
A voz fina de sua mãe gritava de forma tão aguda que podia perfurar os ouvidos da loira. Mas nem aquilo fora capaz de fazê-la reagir, mesmo que minimamente. O clamor em vão não estimulava qualquer atitude da adolescente, que permanecera atônita, incrédula. Permanecera ali, apenas experienciando a situação de uma forma externa. Como se fosse apenas uma espectadora, impossibilitada de tomar qualquer ato que resolvesse a situação de fato.
Muitas pessoas chegaram. Espectadores curiosos passaram a adentrar a enorme sala do velório, envolta em um clima fúnebre; alguns amigos, familiares, colegas de trabalho da mãe, todos que conheciam. Exceto quem mais precisava naquele momento: seu pai.
Os empregados se juntaram em volta do caixão da menina, retirando a mãe desolada dali. Houve muita relutância de sua parte, já que não queria deixar Mary ali, sozinha. Ela estava frágil, sem o marido para lhe amparar e sem uma filha. Naquele dia, Henderson não perdeu apenas sua irmã gêmea, mas uma parte valiosa de si. Ela se sentia sufocada, como se fosse vomitar a qualquer momento. Seu estômago estava embrulhado e ela permanecera paralisada em resposta. Era apenas uma criança, confusa e exposta àquela situação dolorosa.
Marilyn era a pessoa mais doce e dedicada que ela conhecera. As irmãs — homenageadas pelo pai com os nomes fortes assim como as atrizes que as inspiravam —, eram inseparáveis, desde sempre. Mary era uma referência para inteligência e bondade; era gentil, engraçada e escondia as próprias dores para curar qualquer um. Havia ensinado tanto a ! Ela sequer fazia ideia do quanto inspirou sua gêmea a ser uma pessoa cada vez melhor. Mas agora, lá estava ela. Morta. Com a pele branca, sem vida, um olhar vazio. Tudo parecia em vão.
A cena do crime nunca sairia da mente de . Fora a coisa mais dolorosa que ela vivenciara. O sangue, a corda encharcada, o corpo visivelmente ferido. Haviam cortes em seus pulsos. Muitos cortes. Sua mãe, do lado de fora, ainda berrava, incessante, com lágrimas nos olhos. Era notável que chorava desesperadamente, desamparada.
estava mexida, mas conseguiu executar um único ato: pegou na mão gélida de sua irmã, deixando um leve carinho no local. Sabia que ela não sentiria, no entanto, tinha ciência que jamais a veria de novo. Aquela era uma despedida, dolorosa e definitiva. Sua parceira de vida, a qual confiou todos os segredos e confissões, havia descansado. A irmã, contudo, que jamais teria paz após aquele dia. A culpa se instalou quase que instantaneamente em seu peito.
Isso tudo é culpa sua.
piscou devagar, incrédula com o que ouvira. O que era aquilo? O que diabos estava acontecendo?
Suas dúvidas foram logo respondidas assim que ela olhou para baixo. A irmã, morta, estava com os olhos bem abertos. Nada havia mudado: o mau cheiro permanecia ali, a pele ainda estava pútrida, mas era nítido que ela estava se mexendo. Instantaneamente, soltou a mão da irmã, assustada, dando um passo para trás.
Marilyn, contudo, riu irônica, sentando-se no caixão. Todos ao redor pareciam alheios ao que ocorria entre ambas, como se não pudessem enxergar o que via. A respiração da loira estava ofegante, ela queria apenas sair correndo dali.
sempre odiou velórios, especificamente os de sua família. Mas aquilo, era um verdadeiro filme de terror. Marilyn tinha um sorriso cruel na face, como se estivesse possuída. Aquela sequer parecia a doce Mary que todos conheciam. Havia uma névoa escura envolvendo-se naquele momento, deixando todo aquele momento restrito apenas a ambas.
— Do-do que você está falando?
Marilyn gargalhou com um tom de voz diabólico, que certamente não lhe pertencia. No entanto, sua frase fez com que se colocasse a pensar. Aquilo… era culpa dela? O que exatamente era culpa dela? Por que a “irmã” lhe dissera algo com tamanha crueldade? Além da risada cruel, Mary parecia ter um olhar carregado de ódio ao encará-la, como se pudesse matá-la apenas observando-a.
Você sabia de tudo, — a voz pronunciou, arrastada. — E não fez nada para impedir! Como sempre, você não fez nada!
Todos os presentes finalmente olharam em direção onde permanecera paralisada. Os empregados, alguns curiosos, os vizinhos próximos, seus familiares mais distantes, todos, sem nenhuma exceção, repetiram as palavras da irmã:
“Você é a culpada.”
“Você é a culpada.”
“Você é a culpada.”
O coro de vozes ecoou incessantemente, parecendo cada vez mais alto. Os olhos de cada um ali estavam vermelhos como sangue, possuídos por um mal desconhecido. queria sair correndo, mas continuava paralisada pela agonia, sendo engolida pelos passos das pessoas ali presentes. Logo, ela estava encurralada na parede, gritando em agonia. Colocou a mão sobre os ouvidos, querendo cessar aqueles gritos incessantes a sua volta.
As lágrimas finalmente desceram. As pernas tremiam, agora encolhidas, ao passo que ela se sentia sufocada com tanta gente ao seu redor. Sim, ela sabia, mas não imaginava que a irmã fosse fazer algo daquele porte. E saber que as coisas poderiam ser diferentes, era muito mais doloroso do que qualquer julgamento.
podia ter feito algo. Mas não fez. E agora, Marilyn estava morta e culpando-a.



Continua...



Nota da autora: Oi, gente! Como vocês estão? Espero que gostem da minha nova fanfic, completamente diferente do que costumo fazer!
Eu estou morrendo de amores pelo Steve Harrington depois dessa nova temporada, e vocês, hahaha?
Espero que se entreguem nessa aventura com a Audrey tanto quanto eu ❤️




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