Contador:
Última atualização: 30/07/2022
Music Video: That That - PSY feat. SUGA

Capítulo 1

— Olha só, se não é o meu parceiro favorito!
ergueu a caneca cheia de cerveja com seu usual sorriso ladino, sentado no balcão do bar, assim que viu Park entrar pela porta dupla. Nos primeiros segundos, ele demonstrou empolgação ao vê-lo, mas assim que notou a forma grotesca que as mãos dele tinham ido de encontro à madeira, deixando as duas divisões indo e voltando rapidamente, seu sorriso se fechou em preocupação, assim como em seu cenho formou-se um vinco. Tinha um Park nervoso indo em sua direção, atraindo a atenção de todo mundo, o que causou um silêncio no ambiente, deixando um misto de preocupação e curiosidade nos que estavam presentes ali.
As mulheres em volta de ficaram sem graça, saindo de perto dele conforme os passos de Park o traziam mais perto.
Parecia ser muito sério.
— Você vem comigo! — Park disse assim que a distância entre os dois acabou, puxando pela gola da camiseta de zebra que ele estava usando naquela tarde; uma das peças presentes em seu guarda-roupa repleto de estampas de animais exóticos. Assim como o gosto dele, certamente.
— Ei, ei! — Em meio a protestos, virando a caneca de cerveja em sua boca para não perder nenhum ml pago, ele saiu aos tropeços. — Que isso? — continuou reclamando durante os passos para fora do bar.
Ao passarem pela porta, outra vez deixando-a se movimentar pelos dois lados em um ritmo frenético, Park o soltou, parando em sua frente.
— Cara, você está pálido demais! O que aconteceu? — questionou, só então notando a feição empalidecida de Park, como da vez que haviam quase caído em um penhasco numa outra cidade do oeste, por ter sido pego na cama com a filha do prefeito. — Não te vejo assim desde que-
— É a ! — Park soltou, como se o outro pudesse matar a charada somente com um nome.
? Mas você não ia na casa de Genevieve hoje? Eu estava até me preparando para distrair o senhor Collins… — Levou as mãos à cintura, com o cenho franzido. — Vai me dizer que está com problemas disfuncionais? Olha, eu faço tudo por você, mas isso é meio-
— Cala a boca e me escuta, ! — o cortou no meio de seu monólogo tagarela. — é minha sobrinha. A filha do meu irmão que… que… — suspirou sem forças para continuar, esperando que o amigo se lembrasse da história de sua vida.
— Ah… — Para o alívio de Park, ele se lembrou. — Mas espera… — fez uma careta de nojo.
— Eu vou fingir por um momento que não te conheço o suficiente pra saber o que se passa nessa cabeça pervertida. — A careta de Park surgiu em reflexo. — Escuta… Meu irmão está vindo para a América resolver algumas pendências da empresa dele e disse que quer muito me ver. Não a vejo há anos… Então ela está vindo pra cá.
— Certo… E o que eu tenho a ver com isso?
Park se aproximou, dando um tapa na nuca de .
— Tudo! — exclamou de forma irritada.
— Eu não! — respondeu com a mão no local que estava ardendo. — A sobrinha é sua! Não vou ficar de babá… Sabe que meu jeito com crianças é praticamente inexistente.
— Ela não é criança. E eu preciso de você pra dar tudo certo. Se voltar com qualquer arranhão que seja para casa, meu irmão manda me caçar até o inferno.
— Continuo dizendo: não sou babá. — cruzou os braços. — E ela é o que? Alguma princesinha intocável?
é… diferente. Ela é doce, delicada, sutil… Cultua com livros e é intelectual. Então, por favor, eu preciso da sua ajuda pra que nada saia errado. Eu não posso levar outro tópico de julgamento para minha família.
soltou os braços, medindo Park de cima a baixo. Seus olhos perfeitamente delineados em uma aparência felina se semicerraram em direção ao outro, numa pausa dramática.
— Certo. Quando ela chega? — perguntou, voltando as mãos na posição anterior.
— Pois então… — Park coçou a nuca, meio sem graça. — Meu irmão tinha me enviado uma carta e ela se perdeu…
— Park…
chega hoje no final da tarde.
— Ah, qual é! Eu ia para o vale com a Izy! Você vai conseguir se virar sozinho, confio no seu potencial. — Esticou o braço, tocando no ombro do amigo.
— Por favor, não me faça ajoelhar. — Park uniu as mãos em súplica.
— Sem chance, me peça qualquer coisa, menos deixar Izy e aqueles — gesticulou com as mãos na altura do peito, de forma circular — dois presentes da natureza para trás. Jamais! Sabe quando foi a última vez que eu e ela tivemos um encontro decente sem aquele bostinha do irmão dela?
— Semana passada.
— Pois é! Já faz tempo demais.
— Seu pervertido! Você esteve com Liza, a filha do fazendeiro que tem nome difícil, e Beck nesses últimos dias! Vai ficar sem seu brinquedinho logo, logo. — Dessa vez, foi Park quem usou a mão pra gesticular, apontando com o indicador para a pélvis de .
O amigo gargalhou abertamente, jogando a cabeça para o lado.
— Boa tentativa, Park Jae-Sang! Eu ainda tenho muitos anos antes de precisar dos mesmos métodos que você, meu velho amigo. — Levou a mão ao ombro dele. — Você consegue, afinal, sua sobrinha não é uma criança. E aqui não tem nenhum bicho papão para pegar a mocinha da cidade. — Piscou de forma sugestiva.
— Você fique longe dela!
— Não era você mesmo me pedindo pra ficar de olho na princesa… Park?
— Cafrey. Meu irmão adotou um nome americano por causa dos negócios. — Park revirou os olhos. — Mas fique você e seu taco de… — Pressionou os olhos, cansado. — Só não deixe que nada de mal aconteça a ela, e isso inclui você!
ergueu as mãos em rendição. Quando ia responder em promessa, ouviu a voz de Beck à porta.
— Estamos indo no rancho do senhor Fasber, você vem, gatinho? Vai ter rodada de cerveja e charuto na conta dele — ela disse, se aproximando dele lentamente, trazendo seu decote cada vez mais perto, deixando-o hipnotizado.
— Eu vou, docinho. Me espera perto do meu cavalo, já chego lá. — Ele tocou o queixo dela, liberando-a.
Sob o olhar julgador de Park, suspirou, olhando-a se afastar.
— Você é impossível, .
— Ah, não sou, não. Eu sou bem possível — ele respondeu, rindo fraco. — Te vejo amanhã, tio. Boa sorte — se despediu, começando a se afastar. — Devo pedir para Fasber um ramo de flores para o café da manhã cordial da sua querida ? — disse, conforme descia os degraus.
— Ha ha ha — Park forçou uma risada desgostosa. — Muito engraçadinho da sua parte.
— Vou trazer muito maracujá para ela também! — foi a última coisa que disse, recebendo o dedo médio do outro como resposta.

Capítulo 2



O trotar do cavalo de pelagem tão brilhante quanto o sol chamava muita atenção, sendo igualmente famoso ao seu dono, montado em cima de sua lombar. Porém, mesmo que Athus fosse lindo, tivesse um ar superior e sempre bem cuidado, era quem mais chamava a atenção por onde passava, ainda mais estando em cima de um animal tão bem admirado. E isso enchia seu ego, com certeza. Entretanto, não seria o caso daquela manhã se as ruas estivessem tão cheias.
Athus cessou o trote, passando a dar passadas mais calmas, ao notar que estavam perto do hotel e ergueu o rosto minimamente, com apenas um olho aberto. Estava exausto e em uma situação quase deplorável, sendo levado pelo instinto do seu fiel parceiro animal, depois de uma noite muito cheia e que pouco havia dormido de tanta cerveja e charuto consumidos em conjunto. Para sua sorte, ainda era muito cedo para que fosse visto de tal forma, com poucos moradores da cidade começando a prepararem seu dia que estava pra começar, tendo o sol dando os primeiros sinais de seus raios no céu tão distante.
Assim que parou diante da curta escada de madeira, Athus relinchou baixo, como se quisesse avisar ao quase morto-vivo em seu lombo que já podia descer e lhe dar um descanso, assim como criar qualquer juízo cabível — e talvez estivesse mesmo, não era a primeira vez que voltava de um rancho tão acabado quanto uma lama pisoteada numa festa com muita música. Ele se levantou muito contrariado, respirando fundo e descendo com cuidado, não se esquecendo de acariciar Athus com muito carinho, e totalmente genuíno.
— Pode ir descansar, parceiro, obrigado mais uma vez — disse educadamente e jogou seu casaco pesado por cima dos ombros, se afastando.
Ao entrar no pequeno saguão do hotel, ouvindo seus passos sob a madeira do chão, devido ao extremo silêncio, foi direto para a cozinha, porque além da madeira estalando conforme pisava, seu estômago também começou a criar uma trilha sonora audível.
Para sua não surpresa, encontrou Morgana, a governanta de todo o hotel de Park. Ela estava de costas para a entrada de onde ele apareceu, parecendo esfregar algo com muita força na pia. passou pela cesta de frutas e pegou uma banana, se escorando na mesa logo atrás dela.
— Bom dia, minha Morgana favorita! — cumprimentou, a assustando.
— Ai que susto, menino! — A senhora se virou, revelando todo o seu busto molhado. — Sabe que odeio quando chega assim. — Ela o mediu por inteiro, formando um vinco em seu cenho. — Mas… Onde é que você se enfiou dessa vez? — questionou, assustada.
— Falando assim até parece que estou horrível.
— Mas bem também é uma coisa quase impossível. Já viu seu reflexo? — Morgana parecia desgostosa. — Para a sorte do senhor Park o irmão dele já foi… Mas pobrezinha de , uma princesa, ter você nesse estado como primeira vista da manhã — gesticulou, respingando um pouco da água que encharcava sua mão.
semicerrou os olhos, mordendo sua fruta. A senhora se virou de frente para a pia novamente, dando um espaço de tempo em silêncio no ambiente. Respirando fundo, continuou a observando, enquanto ia diminuindo em mordidas a banana.
Estava pensativo sobre todo o medo de Park com relação a visita de sua sobrinha. Ouvia ele falar sobre como, quando ela era criança, tinham uma aproximação, até Park decidir sair de seu país natal em um navio, negando todo o trono de ouro que sua família tinha para poder viver uma vida menos controlada na famosa Nova Iorque. Sabia que, embora os anos tivessem se passado e o amigo não desse mais tanto as caras para sua família, ainda era muito importante para ele que as coisas dessem certo, principalmente ao se tratar de seu irmão mais novo e tão bem sucedido.
A verdade era que Park tinha abdicado de sua vida e o posto que iria assumir na indústria têxtil, sendo assim seu irmão assumiu e ele era, em suas palavras, um tremendo de um "pé no saco". Huening era o que seu pai adorava: fiel ao conservadorismo imposto por sua cultura natal — tudo o que ele odiava, aliás.
Suspirando, pressionou as pálpebras, varrendo os pensamentos.
— Morgana — Ele a chamou serenamente e ela virou apenas o rosto, olhando-o de soslaio. —, como ela é? — perguntou, comendo o último pedaço da sua banana.
Ela lavou as mãos, chacoalhando-as para retirar o excesso de água e se virou para ele, lhe apontando o indicador enquanto a outra mão se formou na própria cintura.
— Você e seu — gesticulou, apontando para o quadril dele. — brinquedinho fiquem longe dela! não é pro seu bico, não, viu?
revirou os olhos, se virando para jogar a casca da banana.
— Do jeito que vocês estão falando dela, até parece que a garota é intocável! — riu nasalado, voltando-se para Morgana outra vez. Agora, era quem tinha um indicador sendo apontado. — Escuta o que estou te falando, Morganinha, eu posso não fazer nada, até me comprometo a não fazer… Mas e se ela quiser? Você me conhece, ninguém resiste ao meu charme — sorriu ladino, com seu melhor modo cafajeste aceso.
Os olhos de Morgana se semicerraram, olhando para a direção dele com as sobrancelhas quase unidas.
— Seu charme seria o que? Essa camisa de oncinha com botões abertos e o hálito de rum? — A resposta, porém, veio de uma outra voz.
estava na entrada da cozinha, atrás de .
Sentindo o frio em sua espinha, fechou os olhos por um bom tempo, coisa de quase um minuto, e encarou o sorriso debochado de Morgana ao abrir suas pálpebras. Mordeu o lábio inferior, sugando o ar pela boca, e girou sob os próprios calcanhares, se deparando com a famosa e tão, ansiosamente, protegida .
Ouch. Devo dizer que não esperava por essa. — foi descarado ao observá-la de cima a baixo, demorando mais com os olhos fixados nos dela. — Seja muito bem vinda, senhorita Cafrey — disse, cínico, a reverenciando de maneira dramática.
Sem esboçar um sorriso ou qualquer feição passível de leitura, se manteve com os braços cruzados, uma cena capaz de ter levado ele a uma observação mais profunda de seus traços. Diferentemente de Park e sua aparência nem um pouco agradável a seus olhos — e não se tratava de ser incomum e muito julgado, pelo senso comum, achar um homem bonito; não, já tinha visto muitos com a aparência impecável, o que não era muito bem o caso do amigo, que, para ele, era mais um do grupo dos bem arrumados que enganavam —, tinha uma beleza genuinamente única.
Fazia jus à preocupação de todos ao seu redor.
E era lastimável ela estar ali, naquela manhã que se iniciava, completamente radiante e com a face de uma mulher descansada, diante dele, totalmente o oposto. estava derrotado, cheirando a sexo e charuto, numa situação deplorável depois de ter bebido o que até então não tinha consumido ainda em sua vida de cerveja e que provavelmente seria menos do que no futuro.
— Obrigada. — Ela respondeu, olhando para Morgana em seguida, ignorando completamente o cumprimento dele. — Meu tio já saiu?
— Ainda não querida, ele deve ter ido cuidar dos cavalos de nossos hóspedes… — Ao terminar a fala, a senhora encarou de maneira cortante. Era o trabalho dele. — Daqui a pouquinho ele deve voltar para tomar café com você, estou terminando de preparar.
— Ah, tudo bem. Vou ir até ele.
— Gosta de cavalos? — perguntou, já recostado em um balcão cheio de frutas, tomando a atenção das duas.
— E quem não gosta? — respondeu sorrindo simples e se prontificou para sair dali. — Com licença. Se precisar, pode usar a água do meu banho da tarde para… — olhou de cima a baixo, insinuando sua falta de higiene.
Ele sorriu sarcástico.
— Obrigado, princesa.
— Disponha.
deu as costas e ele a observou sair, caminhando a passos tranquilos e hipnotizantes. Seu vestido balançava conforme caminhava e o cabelo solto acompanhava as passadas. Ele respirou fundo, novamente repuxando o ar pela boca, agora de forma mais arrastada, porém, tentando banir os pensamentos que tentaram movimentar sua mente.
O que ajudou foi um pão pesado voando em seu rosto, atingindo-o em cheio.
— Ai! — reclamou, olhando sério para Morgana.
— Você não se atreva! — Ela vociferou, apontando o dedo.
A gargalhada saiu automática e se afastou do balcão, soltando os braços às laterais de seu corpo, enquanto caminhava brevemente até ela, lhe dando um beijo na testa.
Morgana o estapeou, mas não muito, porque logo ele se afastou, rindo. Conforme foi saindo da cozinha, disse:
— Bom dia, Morgana! Diga a que aceitarei a água do banho dela se for com ela junto. Sou cavalheiro.

Capítulo 3

Os pés de se moviam rápido, seguindo o tio pelos degraus das escadas que vinham descendo desde o último andar — o que não era muito ao se considerar a altura do prédio, com apenas três andares além do térreo. Park parecia não ouvir o que ela dizia, mas porque estava preocupado com sua hora e o atraso que teria saindo de Ruthertown tão tarde para chegar em Sacramento, a capital. Estava tão preocupado com seu horário, que decidiu se dar por vencido e não forçar mais que fosse junto.
Era preocupante deixá-la sozinha a qualquer momento que fosse pelos próximos sete dias, mas não tinha tempo para ficar discutindo com ela e precisava ir logo. Confiaria em Morgana.
— Tudo bem! — Ele parou no último degrau, com os olhos bem atentos em seu relógio no pulso. — Mas fique longe de qualquer...
— Problema — completou. — Eu sei, tio. E sei me cuidar também — sorriu para confortá-lo.
Park a mediu por inteiro, resmungando uma sílaba.
— Certo. Se ver o , fuja.
— Você tem certeza que ele é mesmo seu amigo? — Ela riu, levando as mãos à cintura.
— Sim, exatamente por isso estou dizendo para ficar longe dele. — Park suspirou. — Tenho que ir, prometa que estará intacta quando eu voltar!
— Promessa de mindinho — ergueu o dedo, sorrindo docemente. — Agora vá, sua viagem até a capital será longa! — girou ele pelos ombros, finalizando o último passo para saírem da escada.
Com toda sua pressa, Park seguiu o rumo para o lado de fora, entrando em sua charrete ao lado de seu cocheiro. ficou parada à porta do hotel, observando sua partida enquanto acenava educadamente em despedida, até não vê-lo mais pela rua.
Suspirou, observando à sua volta e inspirou o ar fresco que vinha do lado de fora. Era sua segunda manhã em Ruthertown e ainda não tinha tido a chance de passear pelas curtas e poucas ruas da cidade, conhecer cada ponto que pudesse, já que a viagem tinha sido muito exaustiva até mesmo pela própria companhia de seu pai, e tirou o dia anterior para descansar e acompanhar as atividades.
Uma ideia lhe passou em mente; sabendo que Morgana, embora fosse uma senhora muito adorável e simpática, não iria lhe dar o braço a torcer e acompanhá-la em um passeio, visto que sua lista de afazeres do hotel era enorme, decidiu subir até seu quarto e buscar em suas coisas um chapéu, não esquecendo o livro que estava lendo de uma literatura estrangeira que tinha levado para ler quando encontrasse um lugar em paz; tinha essa esperança, sabendo que Ruthertown era uma cidade pequena dentro de um condado distante de Sacramento.
Saiu do hotel, deixando apenas um aviso para Morgana de que logo voltaria.
Era início da manhã quando saiu e o sol já estava bem quente, denunciando o meio dia, quando ela se sentiu confortável num espaço próximo à uma colina, com uma linda paisagem, onde se sentou para ler seu livro. Certamente, sem noção alguma de tempo, ela ficou ali por horas a fio. O sol estava começando a diminuir a intensidade de seus raios e somente isso foi capaz de tirá-la de sua imersão, fazendo-lhe querer retornar.
Ao se levantar, se assustou.
Olhando ao seu redor, não conseguia encontrar o caminho feito para chegar até ali e parecia tudo deserto demais. Seu peito se fechou em ansiedade e preocupação. Logo iria anoitecer e ela não teria visão nenhuma para poder caminhar, então decidiu que deveria começar a fazê-lo logo ao invés de ficar parada no lugar, esperando que um príncipe em cima de um cavalo bem cuidado aparecesse. Confiar em contos de realeza não fazia seu tipo.
Deu os primeiros passos, seguindo uma linha, aparentemente reta, com algumas pedras; não seria possível que tivesse andado tanto assim para se distanciar da cidade. Mas parecia que sim. O vento começou a trazer um ar mais gelado e a levantar muita terra, irritando seus olhos, e tentou manter a calma para não se desesperar, continuando a seguir as pedras, até ver a silhueta de algo alto, parecendo com um cacto enorme. Continuou seguindo, tentando manter seus olhos protegidos do vento, usando o chapéu para isso.
Mas foi tudo meio confuso demais e ela se assustou ao chocar seu corpo contra o que parecia o cacto e na verdade era alguém.
Com o choque, foi para trás, deixando seu chapéu voar e o livro cair. Conforme a poeira ia diminuindo, pôde reconhecer o que estava à sua frente: e um cavalo. Para a ironia não ser completa, ele estava puxando o animal, e não montado nele.
— Você me assustou! — vociferou, levando a mão ao peito que subia e descia sem parar. Os olhos de foram direto ao seu decote sutil e ela notou, abaixando-se para pegar o livro caído no chão, agora todo empoeirado de terra vermelha. Sem nenhuma premissa, ela bateu no ombro dele com o objeto.
Foi tudo muito rápido para que pudesse se defender.
— Que isso? Sua maluca!
— Eu maluca? Você que é um tarado e não sabe se concentrar nos olhos dos outros. — Ela aumentou a voz. — Aqui, — gesticulou, usando a mão livre para apontar seus olhos —, meus olhos estão aqui!
Ele chacoalhou a cabeça, inibindo seus pensamentos, ignorando qualquer continuidade de uma discussão. Respirando fundo, continuou segurando as rédeas de Athus e ajustou com a outra mão o seu chapéu.
— Vai começar a chover e você não está bem preparada para se molhar. Sobe, eu te deixo no hotel — disse serenamente.
riu nasalado.
— Chover? Estamos no deserto! — olhou em volta, se arrependendo de sua teimosia; o tempo estava se fechando e com certeza dali a pouco a chuva iria cair. — E eu jamais subiria num cavalo guiado por você.
— E como pretende ir embora se está perdida?
— Eu não estou perdida — ela rebateu sem pensar. — Estou apreciando a natureza…
passou a mão no rosto, ainda com sua paciência intacta.
— Tudo bem, então. — Ele fechou os lábios em uma linha reta, acenando positivo uma vez e pronto para continuar se movendo. — Aprecie a chuva.
observou o cavalo passar em sua frente em passos elegantes, acompanhando calmamente o puxar de sua rédea e cruzou os braços, irritada ao constatar que, ali, só iria ser possível ir embora se aceitasse a ajuda de .
Não teria nada de errado se ele não fosse ele. O nome que mais ouviu para se manter longe, além de ter escutado o que ele conversou com Morgana. Soberbo, claro, ela jamais se envolveria com alguém como ele, que além de ser um notório cafajeste, tinha péssimo gosto e ajudava a dissipar a breguice da estampa de animais em seus conjuntos de roupa — estes que, até então o que ela pôde notar, se permaneciam como os mesmos: calça e casaco seguindo as mesmas cores e uma camisa com dois ou três botões abertos em uma estampa de animais selvagens; a do momento era de zebra com a outra dupla de composição na cor bege, e um cinto com uma fivela enorme.
Cafajeste e brega.
De revirar seus olhos.
Respirou fundo e se virou para frente, para o caminho que estava fazendo, continuando sua caminhada perdida. Agora, sem a poeira alta, ela conseguia enxergar melhor, mas parecia cada vez mais distante. O que lhe irritou profundamente, parando no lugar ao sentir os primeiros pingos de água em seus ombros.
— Ainda pode subir, se quiser. — A voz de ecoou atrás de si e ela pressionou as pálpebras fechadas, suspirando. — Com a chuva, além de seu vestido ficar transparente por ser branco, você pode acabar escorregando na lama que vai se formar.
— Não, obrigada. — Ela se manteve virada de costas para ele. — Estou muito bem aqui.
— Ninguém vai vir aqui, então você vai causar um problemão se não aproveitar a minha volta. — continuou.
— Eu já falei que não estou per...
teria terminado, mas parou assim que sentiu um tecido grosso em seus ombros. Se virou para , vendo-o sem o casaco e constatando que era o que estava em si. Na mão dele, seu chapéu estava intacto.
— Toma. Pelo menos veste isso para voltar e não pegar chuva. — Ele estendeu o acessório. — Meu casaco você devolve depois.
Ela vestiu a peça de mangas compridas e o chapéu, engolindo em seco.
— Não vai mesmo subir? — encarou os olhos dele pela pergunta.
— Não vou subir num cavalo com você. — colocou desdém em sua resposta.
— Tudo bem então.
montou em Athus, arrumando seu chapéu e pegando firme nas rédeas. Ela observou com o cenho franzido, ultrajada.
— Vamos. Vai começar a chover. Nós vamos por essa direção. Cuidado por onde pisa, a chuva vai ser forte e é um pouco longe. — Ele apontou para a direção que iria seguir. — A caminhada de Athus é lenta, mas eu recomendo você não andar muito devagar.
— Você vai em cima dele?
— Sim? Não achou que eu iria pisar na lama, achou? — riu fraco. — Meus sapatos foram encerados ontem — disse por fim, dando o sinal para que o cavalo começasse sua caminhada lenta.
Notando que os pingos da chuva estavam engrossando, ela choramingou, descruzando os braços e encarando o livro que já estava bem empoeirado e quase perdido. O deixou cair, apertando as abas do casaco, e o chamou:
— Espera! — Ele se virou e ela levou alguns segundos, até dizer: — Eu vou aí com você — disse baixo.
O sorriso de foi simples e ele assentiu, virando Athus para que ficasse diante dela. Estendeu o braço e o encarou com os olhos confusos.
— Nunca andou com alguém de cavalo? — Ela negou. — Segure minha mão bem firme, eu vou te puxar e você passa sua perna para o outro lado.
Fazendo o que ele disse, sentiu um frio na barriga ao montar atrás, passando os braços em sua cintura rapidamente por conta do seu medo de altura. Athus era muito alto.
— Segura firme, eu odeio tomar chuva.
— O quê? — Ela perguntou, não entendendo o comentário dele, porém não obteve resposta. disse algo e chacoalhou as rédeas, fazendo Athus galopar e a assustar. — ! — apenas fechou os olhos, apertando-o mais.


Continua...



Nota da autora: Olá, muito obrigada por ler! Espero que tenha gostado até aqui.

Pode acompanhar a autora em:


Nota da beta: Não tenho nada a dizer sobre a pp que se recusa a subir no cavalo de Min Yoongi quando a população queria subir em outra coisa..... Enfim, né! No aguardo de que as desavenças acabem e a parte boa ~romance~ comece logo ❤️‍🔥❤️‍🔥

APOIE A AUTORA E DEIXE UM COMENTÁRIO ACONCHEGANTE BEM AQUI

. Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus