- Hector da Silva, mas pode me chamar de Jesse. – Ouvi seu nome pela primeira vez.
- Prazer, .
Sentei no sofá, esperando que ele me acompanhasse.
O silêncio dominou meu novo quarto.
- Você ainda está aqui? – Senti uma pontinha de esperança.
- Estou. – A voz dele me arrepiou, fazendo com que minhas mãos suassem.
- Então, conte-me sua historia – pedi.
- Estou morto. – disse, calmamente.
- Isso eu já sei, quero saber como você morreu.
- Ah. – Fez uma pausa. – Eu não sei. – O sotaque dele era diferente... Talvez espanhol?
- Maravilha – murmurei.
- E a sua?
- Hm?
- Sua história.
- Ah, mudei-me há pouco tempo. Moro sozinha com meu pai, porque minha mãe... Ela não está mais entre nós.
- Ela morreu?
Fiz que sim com a cabeça.
- Sinto muito. Mas como você sabe que ela não está mais entre nós?
- Como assim?
- Por exemplo: eu. Estou morto e estou aqui.
- Você está aqui porque está faltando alguma coisa para passar para o outro mundo.
- Tipo o quê?
- Não sei.
- Por que só você pode me escutar?
- Porque eu nasci com esse dom. Eu posso ouvir espíritos. – respondi, calmamente.
- Espíritos?
- O que você acha que é?
- Um fantasma?
- Não, um espírito.
- O que espíritos fazem?
- O que você faz? – Ele já sabia a resposta.
- Desculpe-me a quantidade de perguntas.
- Eu sirvo para isso. Pode perguntar o quanto quiser.
Um silêncio de alguns minutos.
- Quanto tempo faz que está aqui? – perguntei.
- Mais de cem anos.
- Nossa! – exclamei.
- Pois é; sou velho.
- Não é isso. – Soltei uma risada baixa. – É porque você já está aqui faz muito tempo; os outros não demoram tanto.
- Outros? Você conhece outros?
- Claro que sim. Sempre os ajudo a passar para o outro plano, o céu... Seja lá qual for o lugar.
- Existe outro lugar?
- Sim, ou você acha que todos os espíritos estão vagando por aí?
- Faz sentido. – A voz dele soou pensativa.
O silêncio dominou o quarto novamente. Mas desta vez ele não estava mais lá.
Andei até a janela entreaberta e coberta por persianas. A lua brilhava e a ventania era forte. As persianas se mexiam de acordo com a direção do vento, fazendo barulho.
Fechei a janela e liguei o ar-condicionado. Tomei um banho rápido e deitei-me na cama.
Gritei um "boa noite" para papai, que respondeu no mesmo tom.
Eu estava pronta para dormir quando um pensamento veio à tona. Jesse, o fantasma que acabara de ouvir. Aquele fantasma tinha sido diferente. Quando digo diferente, quero dizer... Que mexeu comigo, ouvir aquele sotaque espanhol... Até os pensamentos fizeram minhas pernas tremerem e meu coração disparar. Imaginei como Jesse deveria ser em matéria. Bonito, como sua voz.
Eu precisava ouvi-lo novamente, mas poderia esperar até o outro dia, quando não estivesse cansada.
Dormi com meus pensamentos focados em Jesse.
Acordei-me com uma voz em meu ouvido, sussurrando:
- Bom dia. – Aquela voz era inconfundível.
- Que horas são? – perguntei, sonolenta.
- Não sei, mas seu pai já está subindo para chamá-la para o colégio.
Oh, meu Deus, o colégio!
Levantei-me rapidamente e corri até o banheiro para trocar de roupa. Eu nunca me preocupei em me trocar na frente de algum fantasma, mas Jesse... Ele estava morto, mas era homem, e estava no meu quarto.
- Se importa de... – Ele me interrompeu.
- Pode ficar à vontade. – disse.
Entrei no banheiro e tomei um banho rápido. Meu pai entrou no quarto e gritou para eu me apressar.
Depois que me troquei, desci para comer alguma coisa rápida. Papai apareceu na cozinha na hora que terminei de tomar o suco.
- Bom dia, boneca! – Ele beijou minha cabeça.
- Bom dia. – Eu sorri. Dei-me conta que estava sorrindo por um motivo em especial: Jesse. Acordar e ouvir a voz dele já era um motivo e tanto.
- Você está tão feliz hoje, boneca! O que a fez ficar assim?
- Nada. – Desconversei. – Vamos para o colégio? Eu não quero me atrasar.
- Só vou pegar minhas chaves. Aliás, sabe onde estão?
- Está na mesinha da sala.
- Ah, claro. Não sei o que faria sem você, boneca.
- Você não viveria sem mim. – declarei.
- Tenho certeza disso. – disse e saiu em busca das chaves.
Meu pai me deixou na frente do colégio.
- Boa sorte, boneca. – sussurrou para ninguém escutar o apelido.
Beijei sua bochecha, rindo, e saí do carro.
O caminho pelo pátio foi interessante. As pessoas do colégio eram muito bonitas. Todos tinham um leve bronzeado e cabelos brilhosos.
As primeiras aulas foram confortáveis. Os professores fizeram-me ficar a vontade e participar das aulas. Fiz amizade com muitas meninas, porque além de bonitas, as pessoas eram legais e super receptivas. Com uma delas me identifiquei bastante. Suzannah Simon. Ela era bonita como todos os outros, mas o que chamava a atenção era seu estilo. Ela se destacava entre todas as outras, no modo de vestir, de se comportar...
- Pode me chamar de Suze. – ela disse.
- Ah, claro.
- E seu apelido? – perguntou.
- .
- Nós seremos boas amigas. – Ela sorriu.
Estava sendo tão bom o meu primeiro dia de aula.
- Olá. – Ouvi a voz inconfundível.
- Suze, vou ao banheiro. – eu disse para ela, que sorriu.
Cheguei ao banheiro e me certifiquei que estava vazio.
- Pode falar. – declarei.
Ele soltou um risinho.
- Nós temos que resolver o seu problema. – avisei.
- Que problema?
- O de você ainda estar aqui, Jesse.
- Ah, esse.
- Por quê? Tem mais algum? – perguntei com curiosidade.
- . – Fez uma pausa. – Posso te chamar assim?
- Claro.
- . – Sorriu. – Eu não consigo mais me afastar de você.
- Não entendi. – disse calmamente.
- Eu simplesmente não consigo mais sair de perto de você. Não sei o que está acontecendo.
Franzi o cenho.
- Por que não? – perguntei, com um riso bobo.
- Você não está entendendo. – disse. – Tem alguma coisa que me liga a você, como se eu fosse sugado para você toda a vez que me afasto.
- Então, quer dizer que... – Corei ao pensar no dia anterior, na hora que tomei banho.
- Não! – A voz dele pareceu chocada. – Eu não a olhei tomar banho. Eu fiquei a esperando no seu quarto, mas você não sabe o quanto foi difícil... Ficar longe de você. Alguma coisa me sugava.
Aliviei-me por ele não ter me visto tomar banho.
- Você está ao meu lado desde ontem?
- Estou. – A voz dele pareceu cautelosa.
- Deve ser porque tenho mediunidade, Jesse. Não se preocupe.
Ele não falou mais nada. Na mesma hora, entraram algumas meninas no banheiro.
- Ah. - Fez uma pausa. – Oi. Você é a novata, ?
- Sim. – Sorri para a menina.
- Eu sou Kelly Prescott. – apresentou-se.
Eu sorri mais uma vez e direcionei-me para a porta.
- . – chamou minha atenção.
- Sim? – Olhei para ela, que penteava os cabelos.
- Na quarta vai ter uma festa na casa de um amigo. Você poderia ir, se quiser.
- Claro. – eu respondi.
- Ótimo. Por que eu tenho um amigo que está interessando em te conhecer.
Alguém se engasgou do nosso lado, mas só eu pude escutar.
- Tenho que ir. – falei para ela. – Vou me encontrar com Suzannah.
- Suzannah Simon?
Balancei a cabeça, afirmando.
- Ela é irmã do amigo que eu te falei.
Escondi minha surpresa.
- Tudo bem. Depois nos encontramos e você me fala mais sobre a festa. – eu disse e recebi um sorriso, saindo em seguida.
- Você vai para uma festa encontrar com um menino? – A voz de Jesse invadiu meus ouvidos, arrepiando-me.
Não respondi, não só porque estava no meio de muita gente, mas porque também não tinha o que responder.
Encontrei-me com Suze e fomos para a próxima aula.
- Senhorita ? – A voz da professora de História me fez estremecer.
- Sim?
- A senhorita poderia nos contar sobre o atentado de 11 de setembro?
A verdade era que eu não tinha a ouvido explicar nada, porque estava ocupada demais pensando em Jesse e porque ele estava me acompanhando. Eu não sabia mesmo o que falar. Tinha idéia do que tinha sido o atentado, mas nada que conceituasse.
- Estamos esperando, senhorita – disse a professora.
Todos olharam para mim. Suze me lançou um olhar curioso.
- . Repita o que eu disser. – Dessa vez a voz foi do fantasma que me acompanhava.
- Os atentados de 11 de setembro foram uma série de ataques suicidas coordenados pela Al-Qaeda aos Estados Unidos em 2001. Na manhã daquele dia, 19 terroristas da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais a jato de passageiros. Dois dos aviões bateram nas Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque, matando todos a bordo e muitos dos que trabalhavam nos edifícios. O terceiro avião de passageiros caiu contra o Pentágono, na Virgínia. O quarto avião caiu em um campo próximo de Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns de seus passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle do avião. Não houve sobreviventes em qualquer um dos vôos. O total de mortos nos ataques foi 2.996 pessoas, incluindo os 19 sequestradores. – repeti, à medida que Jesse dizia.
- Excelente, Senhorita . – disse e continuou a explicar.
- , como você sabia tudo isso? – Suze perguntou-me. – Ela nem deu essa parte ainda.
- Noticiários. – respondi sem hesitar.
- Ah. – Ela sorriu me confortando.
- Obrigada. – sussurrei para Jesse.
- De nada, hermosa.
Do que ele tinha acabado de me chamar? Hermosa? Franzi o cenho e me segurei para não perguntar o que significava aquela palavra.
A aula passou voando. Quando me dei conta, já estava saindo do colégio.
- Te vejo amanhã? – perguntou Suze.
Sorri, afirmando.
- Ótimo. Já vou para casa; quer carona?
- Se não for atrapalhar...
- Claro que não vai atrapalhar, . Vamos. – Ela me puxou pelo braço e me levou até o carro. – Só precisamos esperar meus meio-irmãos. Tudo bem?
- Claro. – respondi.
Ficamos alguns minutos esperando os irmãos de Suze, que eram três. Diga-se de passagem: os mais velhos eram lindos. O mais novo era... fofo?
Entramos no carro e Suze foi na frente com o irmão mais velho. Eu fui atrás com os outros dois.
- E então, , você vai à festa?
- Hm?
- A festa que a Kelly a convidou.
- Ah... Acho que sim. – eu disse arrancando um sorriso dele.
- Espero que você vá. – sibilou.
Suze fez um som de nojo.
- Você está flertando com minha amiga, Brad? – ela perguntou, com a voz afetada.
Brad corou.
- Já chegamos. – anunciou o irmão mais velho, que dirigia.
- Ah... Tchau. – Acenei para Brad e o irmão mais novo.
- Tchau. – ele disse, sorrindo e beijando minha bochecha.
- Tchau Suze. Tchau... – não sabia o nome do mais velho.
- Jake. – Ele riu.
- Tchau, Jake. – despedi-me e saí do carro.
Entrei em casa e fui direto para o meu quarto. Tirei os sapatos e deitei-me na cama.
- Jesse. – sibilei seu nome.
- Oi?
- Posso fazer algumas perguntas?
- Suponho que sim. – A voz dele soou irônica.
- Qual o problema? – perguntei graciosamente, depois de ouvir o tom de voz dele.
- Nada... É só que... Aquele menino não parava de olhar para você.
- Brad? Irmão da Suze?
- Esse mesmo.
- Ah, Jesse, foi impressão sua. – eu disse, apesar de não achar, porque Kelly Prescotty já tinha me dito que o irmão da Suze queria me conhecer e estava na cara qual dos irmãos ela falava.
- Impressão? Ele pediu para outra menina te chamar para uma festa, justamente para se encontrar com ele. Acho que não é impressão, hermosa...
- Do que você me chamou? – o interrompi.
- Nada. – respondeu rápido.
- Jesse, mesmo que ele tenha ficado olhando para mim, qual é o problema disso?
Silêncio.
- Nada. Desculpe-me. – ele disse, com a voz baixa.
- Não tem problema... – Fiz uma pausa. – Como você sabe tanto sobre história? – perguntei, curiosa.
- Cem anos é muito tempo. O que você acha que eu fazia antes de você chegar?
Abri um sorriso.
- Sabe... Eu queria poder ver você, Jesse. Saber como você é fisicamente.
Ele deu um risinho abafado.
- Seu pai está aqui. – ele disse.
- Boneca? – Escutei a voz de meu pai no corredor.
- Já estou indo. – gritei. - Jesse, você sabe falar espanhol, certo?
- Certo.
- Você poderia me ajudar a estudar mais tarde? – pedi.
- Sí, por supuesto. – falou. (Sim, claro.)
- Gracias. – agradeci. Gracias era a única palavra que eu tinha certeza que acertaria.
Sorri para o quarto vazio e saí à procura de meu pai.
Passei o resto da tarde estudando com Jesse. Aproveitamos para contar sobre nós e rir. De noite, Jesse me pediu para colocar um filme para ele. Um filme que meu pai tinha guardado há muitos anos atrás. A Sociedade dos Poetas Mortos, esse era o nome do filme.
- Esse filme é lindo. – declarou Jesse, quando o filme acabou.
- Maravilhoso. – Enxuguei as lágrimas. Fiz de tudo para não chorar na frente de Jesse, mas o filme era emocionante.
Ajeitei-me na cama e desliguei o aparelho de DVD.
- , posso pedir uma coisa? – A voz de Jesse estava mais perto do que sempre esteve.
- Cla-claro. – gaguejei e arrepiei-me - mais uma vez.
- Posso tentar uma coisa? – perguntou, com uma voz calma.
- Sim. – respondi, meio em dúvida.
Passei algum tempo sentada, esperando a voz de Jesse novamente.
Foi aí que senti... Arrepiei-me da ponta do dedo de meu pé até o último fio de cabelo. Uma felicidade repentina me invadiu, me dominou.
- Jesse. – sibilei seu nome. – O que você fez?
- Eu... Eu te beijei. Você sentiu? – A voz soou ansiosa.
- Você o quê? – perguntei baixo, ainda sem acreditar.
- , desculpe-me. Eu fui insolente.
- Você pode fazer isso de novo? – Pedi, com meu coração batendo rápido.
O arrepio pleno me consumiu. Desta vez senti que meu coração estava prestes a pular pela boca, de um modo bom.
- Boa noite, hermosa. – A voz dele me tirou do transe.
Percebi um sorriso alegre e aberto brotar em meus lábios.
Eu já estava pronta para dormir, vestida com moletom, pois não usaria camisolas normais sabendo que Jesse estava ao meu lado.
Gritei um "boa noite" para papai e enfiei-me debaixo do edredom.
- Boa noite, Jesse. – sussurrei e fechei os olhos, ainda com o sorriso alegre em meus lábios.
No outro dia, após papai deixar-me no colégio, encontrei-me com Suze.
- Bom dia, . – Ela abraçou-me.
- Bom dia, Suze. – eu disse, sorrindo.
- O que você vai fazer hoje após o colégio?
- Nada demais. Por quê? – perguntei.
- Gostaria que você fosse estudar lá em casa!
- Se não for incomodar, eu aceito.
- Claro que não. Então você vai comigo logo após o colégio?
- Vou, sim. Só vou precisar ligar para meu pai.
As aulas passaram tão rápido como no dia anterior. Quando me dei conta já estava no carro de Suze. Jesse não disse uma palavra o dia inteiro.
- . – Brad sibilou. – Não se esqueça da festa.
- Não vou esquecer. – eu disse, já me sentindo incomodada.
- Você é um mala, Brad. – resmungou Suze.
Brad fez uma careta um tanto bonitinha. Suze rolou os olhos.
- Chegamos. – Jake avisou.
Nós saímos do carro e entramos na casa de Suze. Subimos as escadas e fomos para o quarto dela. Quando eu ia entrar, Brad lançou-me um olhar ansioso, me dando idéia da pergunta que faria.
- Eu vou para a festa, Brad. – falei, tentando esconder o tédio.
- Você vai? – A voz de Jesse me pegou de surpresa.
- Eu te pego na sua casa, às oito? – Brad, mais uma vez.
- Eu prefiro ir sozinha. Eu te encontro lá. – eu falei e ouvi uns risinhos dos outros.
- Tudo bem. – um Brad desapontado murmurou.
- Tchau. – Acenei e entrei no quarto de Suze.
- Não ligue para Brad, ele é estúpido. – Suze disse em um tom de voz alto, para Brad escutar.
- Não se preocupe. Vamos estudar? – perguntei.
Ela assentiu e fomos estudar matemática, apesar de eu passar todo o tempo pensando na noite anterior.
Já de noite, meu pai foi me pegar na casa de Suze. Cheguei em casa, tomei um banho, comi alguma besteira e fui dormir. Escutei um "boa noite" de papai e outro do espírito que me acompanhava.
Na quarta de manhã, fui dirigindo para o colégio, porque papai estava organizando umas pastas em casa. As aulas foram diferentes dos dias anteriores, elas passaram devagar. Kelly deu-me o endereço da festa no horário de almoço. Quando o horário escolar terminou, fui para casa. Passei a tarde inteira assistindo TV. Jesse não falou comigo, mas eu sabia que ele continuava do meu lado. Decidi ir para a festa, pois Suze disse que também iria.
- Pai, eu estou saindo para uma festa na casa de uma amiga, volto cedo, tudo bem?
- Tudo, boneca. – Fui até ele e beijei o topo de sua cabeça.
Ele me puxou e me abraçou.
- Te amo tanto, boneca. Você é tudo para mim. – Uma lágrima escapou dos olhos dele.
- O que foi isso papai? – perguntei, rindo.
- Nada, boneca. Mas eu te amo, tudo bem?
- Eu também te amo, papai. Mas não me faça chorar, senão vou borrar minha maquiagem. – Brinquei.
- Volte logo, tá? – pediu carinhosamente.
- Pai! Eu tenho dezesseis anos! Não me controle tanto assim. – choraminguei.
- Você vai ser sempre minha bonequinha.
- Como você está sentimental hoje! – exclamei, arrancando risadas dele.
Fui pegar a chave reserva de casa, que estava no meu quarto, em cima do dicionário de espanhol, o qual eu utilizei para estudar com Jesse. Por curiosidade, fui à letra H e procurei a palavra "Hermosa". Bela, linda, bonita e formosa; encontrei essas quatro definições. Escutei um riso ao meu lado. Jesse. Então ele me achava bela, bonita, linda e formosa? Os cabelos de minha nuca se eriçaram. Coloquei o dicionário em cima da cama, desci, despedi-me de meu pai com um aceno, entrei no carro e peguei estrada, pois o endereço que Kelly me dera era longe de minha casa.
- Volte para casa, . – A voz de Jesse me arrepiou - para variar.
Ignorei o pedido dele, aliás, ele não havia falado comigo durante o dia inteiro.
- Por favor, hermosa. – Seria novidade se eu dissesse que me arrepiei de novo?
Balancei a cabeça, negando, e pisei mais fundo no acelerador.
Senti alguma coisa vibrar dentro de minha calça. Tirei meu celular do bolso e atendi sem ver quem era.
- ! – Uma voz animada sibilou.
- Quem é? – perguntei.
- Brad! – A voz o entregava: ele estava bêbado.
- Ah... você. – falei, sem ânimo.
- Você vem? – perguntou.
- Não. – menti.
- Ah, que pena... Porque eu queria você aqui. Sabe... Eu estou afim de você!
Arregalei os olhos.
- Brad, você está bêbado. Eu estou dirigindo. Preciso desligar.
- Não, espere!
Rolei os olhos. Quando me dei conta, o carro não estava mais na estrada, ele estava voando despenhadeiro abaixo. A última coisa que escutei foi um grito indômito sair pela minha garganta.
Abri os olhos devagar. O sol os encandeava.
- , ! – Ouvi a voz inconfundível.
- O que aconteceu? – perguntei, choramingando.
Ele murmurou alguma coisa que não entendi, provavelmente em espanhol.
Tampei meus olhos com uma mão, e com a outra tentei me levantar, ao perceber que estava deitada.
- Deixe-me ajudá-la. – A voz de Jesse mais uma vez.
Alguém me colocou nos braços e me carregou.
- O que aconteceu? – repeti a pergunta.
Os braços que antes me carregavam, agora me envolviam, em um abraço caloroso.
- Sinto muito, mi hermosa. – Uma voz conhecida sussurrou em meu ouvido. Era a voz de Jesse. Mas como podia ser ele? Ele estava morto!
- Onde estamos? – perguntei, olhando em volta.
O lugar parecia com os paraísos retratados pelas pessoas. Tinha uma cachoeira, flores de todos os tipos, uma ponte dourada, um campo de rosas, cadeiras de balanço...
- Boneca... – ouvi o apelido que meu pai sempre usara. Mas não era a voz dele. Era uma voz que há muito tempo não ouvira.
- Mamãe? – As lágrimas jorraram.
Corri até minha mãe e a abracei. Afastei-me dela para olhar seu rosto, que se encontrava como da última vez que a vi.
- Onde estamos? – perguntei para ela.
- Na paz, meu amor.
- Na paz? – perguntei, enquanto ela enxugava minhas lágrimas com um lenço.
- Sim, boneca. Nós estamos na paz.
O "nós" dela me fez olhar em volta. Onde antes eu vira a cachoeira, estavam pessoas tomando banho e se divertindo. Ao redor das flores, piqueniques. Na ponte, pessoas conversavam animadamente. Outras pessoas corriam pelo campo de rosas, outras se balançavam nas cadeiras de balanço...
Voltei a olhar para ela, perplexa e maravilhada.
- Ela vai ficar bem? – a voz inconfundível, desta vez.
- Creio que sim, Hector. – mamãe respondeu.
Mamãe estava falando com Jesse? Como isso era possível?
Olhei para a direção que vinha a voz de Jesse. Permiti meu queixo cair. O ser mais belo que já tinha visto em minha vida estava na minha frente. Dei um passo à frente e chorei pasmadamente.
- Jesse? – sussurrei sem acreditar.
Ele correu até mim e me abraçou.
- . Isso tudo foi culpa daquele Brad. Tudo culpa dele...
- Não erre assim, Hector. – pediu mamãe, com uma voz carinhosa.
Jesse olhou para ela, esperando explicação.
- Hector, cada um de nós tem o tempo de fenecer. Você não pode culpar ninguém porque o tempo de chegou.
- Desculpe-me. – Jesse se desculpou e me abraçou mais forte.
- . Eu preciso ir. – mamãe avisou.
- Precisa ir? Para onde? – Afastei-me de Jesse.
- Cuidar de minha alma gêmea. – disse e sorriu.
Demorei algum tempo para entender.
- Você vai atrás de papai?
- Sim, boneca. A alma gêmea sempre está unida a outra. Quando se encontram, não conseguem se afastar mais. É inevitável. Ficarei ao lado de seu pai até ele vir para esse mundo.
- Porque você nunca falou comigo, se sempre estava ao lado dele? – perguntei.
- As coisas tinham que ser do jeito que foram.
- Como assim? – não entendi.
- Um dia você saberá.
- Você vai me deixar? – O medo me invadiu.
- Você está com quem precisa. – disse, caminhando até mim e beijando o topo de minha cabeça.
Olhei para Jesse, que me devolveu um olhar feliz.
- Você voltará? – perguntei.
- Assim que estiver acompanhada. – ela disse, referindo-se a papai.
- Claro. – Sorri.
- Cuide dela, Hector. – Foi até Jesse e beijou o topo da cabeça dele.
Jesse assentiu.
Mamãe deu uma piscadela para Jesse e olhou para mim, rindo, e desapareceu.
- Jesse. – sibilei o nome dele. - Aquilo que mamãe disse, sobre alma gêmea, que uma alma gêmea não consegue se afastar da outra; você é minha alma gêmea?
Jesse chegou mais perto de mim, selou nossos lábios, causando o mesmo efeito da primeira vez que ele me beijou.
- Preciso responder, mi hermosa? – sussurrou.
Nota da Autora: Oi lindas, vocês gostaram? Estou tão lisonjeada de ter escrito a primeira fic da mediadora do site *--* muito mesmo. Eu não costumo fazer n/as grandes, até porque na hora que escrevo a n/a já é de noite e eu já estou cansada (tipo agora), mas essa n/a é importante. Ha,há, continuo sem saber o que escrever... vou deixar minhas ideias fluirem de acordo com que escrevo, portanto, se daqui em diante vocês lerem alguma besteira minha não se importem, hahaha. Em primeiríssimo lugar, eu quero agradecer a vocês, leitoras, que perderam o tempo lendo Mi Hermosa (?), tomara que tenha valido a pena *.* Quero agradecer as minhas amigas, - que também perdem o tempo lendo TUDO o que escrevo. -minha cobaia (Belle), Babý Alves (Sabe a doida que escreve "The first time I saw you"? Ela mesma. [ps- Babý, não se ofenda, kkk]), Fanny (Me aguenta pra caramba), Mila (Fala de TVD comigo sem cansar), Naty (A sentimentalista mais fofa)! Obrigada meninas! Também agradeço as meninas daqui da tag! Todas muito legais! Mykitta, que leu antes de todo mundo; e as outras meninas que me aguentam na tag e são minhas escritoras de fics favoritas - por que agradeço a elas? Porque se eu não fosse bem vinda não estaria aqui agora escrevendo essa n/a - Laaan *.*, Thaaat, Bia Gomes(Gêmea), Cinthy, Marina Lee, entre outras... Obrigada fofas *.* Um obrigada super, super especial para a Amy, que sempre me aguenta - eu não sou fácil. - aguenta minhas mudanças constantes de capas e beta todas minhas fics. Obrigada por tudo Amy! Tudo bem, acabei de bater o recorde de tamanho de toodas minhas n/as. Mas... estou cansada, sério. Fico por aqui e mando um beijo para todas vocês. Ps- Comentem! Os comentários me fazem pular de alegria, mesmo sendo simples e com poucas palavras; sendo eles para elogiar ou para criticar, aceito todos da mesma forma e fico feliz do mesmo jeito.
Nota da Beta: Olá!
Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque =) Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise aqui. Obrigada.
Amy Moore xx